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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 121 - ABR-MAI / 2015

 

IV Seminário de Pesquisa Clínica

 

Farmacêuticos discutem sobre fases para o desenvolvimento de produtos

 

 

pesquisa-clinicaDra. Raquel de Campos, vice-coordenadora da Comissão, mediou o debate entre ministrantes e participantes.

 

 

A repercussão causada recentemente pelo uso de animais na pesquisa clínica despertou na Comissão Assessora de Pesquisa Clínica do CRF-SP a iniciativa de discutir mais a fundo as fases relacionadas ao desenvolvimento de um medicamento ou produto. Para isso, a Comissão organizou o IV Seminário de Pesquisa Clínica – a importância dos estudos pré-clínicos, em março, na capital.
Cerca de 120 farmacêuticos conferiram as apresentações de dois profissionais especialistas no assunto, o médico dr. Antônio José Lapa, professor afiliado da Escola Paulista de Medicina/Unifesp e do biólogo João Batista Calixto, professor titular de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina.


Produção de medicamentos no Brasil

Dr. Antônio Lapa chamou a atenção para a falta de desenvolvimento de medicamentos no Brasil, tendo em vista que os que estão sendo registrados são modificações de medicamentos já existentes, ou seja, nada inovadores. “Estamos com a diminuição do número de estudos, as ciências biológicas evoluíram mais do que as ciências médicas, o que faz com que os produtos desenvolvidos não tenham uma aplicação garantida na clínica médica”.
Os entraves passam por aspectos econômicos, pois para que um medicamento entre no mercado, estão envolvidos cerca de R$ 800 milhões e questões burocráticas, em função do tempo de aprovação de um produto no país.

 

Utilização de animais

Uma das discussões centrais envolveu o uso de animais como cobaias em ensaios clínicos. Para o dr. João Calixto, ao analisar a toxicidade de um produto é necessário testar em roedores e cães. Em caso de medicamentos biológicos, o cão não responde porque trata-se de uma proteína humana e então é necessária a utilização de macacos, que chegam a custar cerca de US$ 5 mil e são criados especialmente para esse fim.
Segundo o biólogo, há alguns centros no mundo que utilizam modelos alternativos, mas é preciso avaliar o quesito segurança. Uma alternativa seria recorrer às células-tronco que, com o auxílio de impressoras em 3D, podem reproduzir tecidos, mas teria de haver mudanças em protocolos mundiais e harmonização em relação à ética.
Dr. Calixto enfatizou que essas mudanças não ocorrerão nos próximos dez anos e que as pessoas e o governo precisam entender que não se pode comparar um animal criado como de estimação aos desenvolvidos especialmente para um determinado fim.

 

Por Thais Noronha