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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 129 - FEV - MAR - ABR/2017

COMISSÕES ASSESSORAS / HOMEOPATIA

 

Alternativa nas  epidemias

Momento em que doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela ameaçam a saúde da população, homeopatia pode ser uma alternativa na prevenção e tratamento

  

rf129 homeopatia01Historicamente a homeopatia tem sido utilizada para o combate a diversos tipos de epidemias em diferentes momentos históricos e localidades. O próprio fundador da homeopatia, Dr. Samuel Hahnemann, em 1799, utilizou a belladonna no controle de uma epidemia de escarlatina e posteriormente tratou uma epidemia de tifo. Outros exemplos bem-sucedidos ocorreram na epidemia de cólera na Europa (1821-1834) e da gripe espanhola (1918). No Brasil, já foi utilizada na Bahia na epidemia de tifo (1925-1926) e da meningite nos anos de 1970.

Para a farmacêutica Amarilys Toledo César, doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP), presidente da Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH) e membro da Comissão Assessora de Homeopatia do CRF-SP, nos dias atuais, a homeopatia também pode ser uma importante alternativa para doenças que preocupam o País, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. 

Dra. Amarilys defende o uso da homeopatia para a prevenção e o tratamento das epidemias e, para tanto, apresenta uma série de argumentos: 

  • Há indicativos teóricos e práticos de que a homeopatia pode tratar preventivamente ou clinicamente doenças epidêmicas;
  • É acessível, tanto ao indivíduo, como aos governos; 
  • É aceita pela maioria da população, sendo eficaz e não tóxica nas doses recomendadas; 
  • O medicamento homeopático é fácil de administrar, sendo também por isto aceito inclusive por crianças;
  • O medicamento homeopático não requer armazenamento especial, apenas não deve ser submetido ao excesso de calor e à proximidade de campos eletromagnéticos; 
  • A terapêutica homeopática não exige especificidade como é o caso de vacina, pois considera os sintomas da doença (e sabemos que dengue, zika e chikungunya têm diversos sintomas semelhantes), e não especificamente um vírus ou uma bactéria;
  • A homeopatia pode ser usada preventivamente e no tratamento dos sintomas das epidemias para as quais não há vacina, nem tratamento específico, só sintomático; 
  • Outros países, como Cuba e Índia, países pobres, populosos e que buscam alternativas terapêuticas, têm utilizado a terapêutica homeopática para prevenir e tratar dengue e doenças semelhantes, com pesquisas e resultados positivos. 

rf129 homeopatia03Segundo a especialista, o tratamento deve selecionar os sintomas presentes na maior parte das pessoas para cada doença, que são semelhantes entre os atingidos, ainda que não idênticos. Para a dengue têm sido propostos diversos medicamentos ou combinações que, quando testados em indivíduos saudáveis provocam sintomas semelhantes aos experimentados por indivíduos doentes. A associação do Eupatorium Perfoliatum com Phosphorus e Crotalus horridus foi testado com sucesso e, posteriormente, registrado como medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A farmacêutica relata que não há prejuízo em utilizar medicamentos homeopáticos em conjunto com alopáticos. No caso das doenças citadas, o tratamento pode ser feito combinando as terapêuticas. Já a prevenção de doenças para as quais não há vacina disponível, pode ser feita por meio de medicamentos homeopáticos. “Cada paciente, orientado e esclarecido, deveria ser o responsável pela escolha terapêutica, mas raramente isso acontece, e em especial em uma situação de epidemia”, comentou.

Afirma que graças ao árduo trabalho de homeopatas insistentes e de municípios que aceitam a experiência, há exemplos bem-sucedidos do uso de medicamentos homeopáticos na prevenção e tratamento da dengue, como em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, e em São José do Rio Preto, em São Paulo. Projetos de uso de medicamento homeopático de maneira preventiva em casos de epidemia já aconteceram em outros municípios, como para meningite, em Guaratinguetá e Blumenau, quando não havia vacina contra esta doença.

rf129 homeopatia02Dra. Amarilys Toledo César, presidente da Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH)A Dra. Amarilys relata que as experiências nesses locais registraram redução do número de pessoas afetadas, de casos graves e de dias de afastamento de atividades rotineiras, como trabalho ou estudo. “Em todas as situações foi realizada a administração do medicamento homeopático em dose única, o que facilita a operação, sob todos os pontos de vista, inclusive financeiro”, afirmou.

Por Carlos Nascimento 


  

 

 

 

     

     

    farmacêutico especialista