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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 129 - FEV - MAR - ABR/2017

HOMENAGEM / DR. AYMAR BATISTA PRADO

 

Salvador de vidas

Farmacêutico brasileiro evitou incontáveis mortes no trânsito ao desenvolver e popularizar o uso do bafômetro, aplicado principalmente na identificação de motoristas embriagados

  

rf129 comite-senior01Farmacêutico de destaque na profissão e que foi vice-presidente do CRF-SP na década de 70, o Dr. Aymar Batista Prado, dedicou sua vida ao ensino e pesquisa. Nasceu em Olímpia, interior de São Paulo, em 1933, graduou-se em Farmácia, em 1956, pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto (USP), onde também foi docente, e chegou à direção da instituição. Foi instrutor do Departamento de Medicina Legal, Medicina do Trabalho e Deontologia Médica e atuou em inúmeras oportunidades como perito em toxicologia.

Mas um dos grandes feitos do professor Aymar foi o desenvolvimento do bafômetro no Brasil, a partir de 1963, um equipamento inédito no país àquela época. O aparelho que mede a concentração de álcool etílico pela análise de ar pulmonar profundo, também denominado etilômetro, foi inventado pelo professor norte-americano Robert F. Borkenstein, em 1958, mas ganhou melhoras técnicas nas mãos do pesquisador brasileiro. 

rf129 comite-senior03O etilômetro permite às autoridades de trânsito a identificação de motoristas que dirigem sob efeito de bebidas alcoólicasInicialmente usado em empresas como instrumento de segurança do trabalho, Dr. Aymar melhorou o equipamento e permitiu que fosse adotado na identificação de motoristas que dirigissem sob efeito de bebidas alcoólicas. 

Uma matéria veiculada no jornal Folha de S. Paulo, de 23 de novembro de 1971, informava que o Detran-SP já estudava o uso do aparelho desenvolvido pelo Dr. Aymar, em sua tese de especialização em bromatologia e toxicologia da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto, como forma de diminuir a quantidade de acidente causados pelo uso de álcool pelos motoristas. 

Isso foi possível, segundo a matéria, porque o bafômetro brasileiro trouxe diversas vantagens: o equipamento nacional pesava 1,4 kg, o americano 16 kg; conseguia fazer o teste em apenas 3 minutos, enquanto que o americano em 16 minutos; o custo era de mil cruzeiros, o ameriano 2,3 mil dólares.

rf129 comite-senior02Dr. Aymar (segundo sentado da esq. p/ dir.) posa ao lado de conselheiros e diretoria do CRF-SP na gestão do Dr. Márcio Antônio da Fonseca e Silva (ao seu lado, o primeiro à esq.) na década de 70Todas essas histórias foram lembradas com muitas saudades pelo coordenador do Comitê Sênior do CRF-SP, Dr. Márcio Antônio da Fonseca e Silva, que conviveu com o Dr. Aymar na época. “Altamente culto, meigo e modesto. Guardo com muito carinho a lembrança do querido amigo Aymar, que deixou nosso planeta em 1986. Um sábio e exemplo de honestidade, a quem muito devem a profissão farmacêutica e a humanidade. Agradeço a Deus por ter convivido com tão humano cidadão. Faço esse modesto registro na esperança de despertar a cultura do bem, tão escassa na atualidade”, relatou o Dr. Márcio. 

O nobre farmacêutico foi homenageado em duas ocasiões na cidade de Ribeirão Preto com a concessão do seu nome a lugares públicos: a Escola Estadual Prof. Dr. Aymar Baptista Prado, de educação fundamental, inaugurada em 1986, e a rua Prof. Dr. Aymar Baptista Prado, localizada no campus da USP de Ribeirão Preto, onde está sediada a Faculdade de Direito.

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Fiscalização do trânsito

Graças ao trabalho do Dr. Aymar, hoje o etilômetro (ou bafômetro) é o instrumento que permite às autoridades de trânsito no mundo inteiro a identificação de motoristas que estejam dirigindo sob efeito de bebidas alcoólicas. No Brasil, o aparelho precisa ser certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro Portaria nº 6/2002).

Os diferentes modelos de etilômetro disponíveis no mercado devem ser testados individualmente e receber a etiqueta e o certificado de verificação, que tem a validade da operação. O procedimento é realizado a cada 12 meses e executado pelos órgãos delegados do Inmetro, presentes em todos os estados e que fazem parte da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade - Inmetro (RBMLQ-I).

 

Por Carlos Nascimento 

 

  

 

     

     

    farmacêutico especialista