Revista 108 - Acupuntura

rf108_cabecalho

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 108 - AGO - SET - OUT / 2012

Revista 108 setinha Acupuntura

 

Eficaz na analgesia

Sem contraindicações, a acupuntura como tratamento da dor proporciona resposta rápida, além de beneficiar cicatrização e inibir hemorragias

Alívio da dor é um dos principais motivos que levampacientes a procurarem um acupunturista (Foto: Cora Reed / Panthermedia)
Alívio da dor é um dos principais motivos que levampacientes a procurarem um acupunturista (Foto: Cora Reed / Panthermedia)

Nos últimos anos, a acupuntura tem ganhado adeptos em função da grande variedade de sintomas e patologias que podem ser tratados por meio desta terapia complementar. Mas, sem dúvida, o alívio da dor é um dos principais motivos que levam os pacientes a procurarem a ajuda de um acupunturista. Essa técnica, oriunda da Medicina Tradicional Chinesa, está especialmente indicada para analgesia em pacientes que apresentam algum tipo de restrição ao uso de fármacos, entre os quais diabéticos, cardiopatas, asmáticos e pessoas passíveis de sofrerem reações anafiláticas.

Sem contraindicações (basta que o indivíduo seja tolerante à aplicação de agulhas), o paciente submetido ao tratamento da dor por acupuntura é beneficiado pelo alcance da homeostasia (saúde) com maior rapidez, em especial nos processos cirúrgicos com diminuição significativa de hemorragias.

Em cirurgias, o estímulo por agulhas também acelera a cicatrização, com riscos menores de infecções pós-cirúrgicas. Outra vantagem é a manutenção da consciência, permitindo a colaboração do paciente durante os procedimentos e suas funções orgânicas são prontamente restabelecidas, sem paralisações intestinais, renais e outras tão frequentes com anestésicos químicos.

Mecanismo de ação

A explicação está no mecanismo de ação da acupuntura no controle da dor, que envolve as funções nervosas autônomas do hipotálamo e do tronco cerebral, em que a ação das agulhas acarreta a ativação e desativação das partes mais altas do cérebro ou áreas corticais superiores através dos vários tratos espinais (relativos à medula espinhal).

Utilização da acupuntura como método para anestesia em hospitaisainda não é comum no Brasil e no Ocidente (Foto: Wavebreakmedia / Panthermedia)
Utilização da acupuntura como método para anestesia em hospitaisainda não é comum no Brasil e no Ocidente (Foto: Wavebreakmedia / Panthermedia)

Como consequência, os reflexos a esses estímulos se projetam novamente às partes inferiores do cérebro pelo tronco cerebral, região onde são reguladas muitas funções autônomas relacionadas à sobrevivência. Assim, a estimulação com a acupuntura acalma as atividades simpáticas e ativa as funções parassimpáticas. Esse processo leva à homeostase e à ausência da dor.

O farmacêutico acupunturista e membro da Comissão Assessora de Acupuntura do CRF-SP, dr. Carlos Alberto Kalil Neves, explica que existem protocolos que utilizam diversos pontos em vários meridianos (linhas imaginárias por onde a Medicina Tradicional Chinesa concebe passar a "energia" corporal). "Não existem pontos principais, mas uma conjunção de vários pontos de todos os meridianos em protocolos de analgesia específicos."

Dr. Kalil ressalta que o efeito analgésico se dá nas esferas mais altas do cérebro e tronco cerebral por mecanismos neurológicos específicos, não dependendo tanto da "técnica" em si empregada. "Mais importantes do que isso é a característica idiossincrática da dor, do estado fisiológico, do estado energético (deficiente ou não) do paciente, seu histórico clínico, sua idade, estilo devida e a localização da dor, o que determinará o protocolo para analgesia a ser escolhido."

Uso anestésico

 

Viagem do ex-presidente Richard Nixon (foto) à China nos anos 70 ajudou a divulgar a acupuntura como método de anestesia no Ocidente (Foto: Openwalls.com)
Viagem do ex-presidente Richard Nixon (foto) à China nos anos 70 ajudou a divulgar a acupuntura como método de anestesia no Ocidente (Foto: Openwalls.com)
A viagem do ex-presidente norte-americano Richard Nixon à China, em 1972, impulsionou a prática e o estudo da acupuntura nos Estados Unidos. Isso porque um membro de sua comitiva teve apendicite aguda durante a viagem e foi anestesiado com acupuntura no hospital chinês em que foi operado. O episódio fez expandir a divulgação do método como técnica terapêutica e para analgesia na segunda metade do século passado.

 

No entanto, ainda não é comum no Brasil e no Ocidente, de forma geral, a utilização da acupuntura como método para anestesia em hospitais. "O profissional acupunturista (sobretudo o farmacêutico) deve se dispor a veicular esta possibilidade junto aos cirurgiões para os pacientes com restrições ao uso de anestésicos químicos e associar-se a equipes multidisciplinares em salas cirúrgicas", afirma o dr. Kalil. Ele acrescenta que já existem colaborações de acupunturistas com dentistas, já que, para anestesia bucal, a acupuntura é muito eficaz.

Renata Gonçalez

Mais informações sobre Acupuntura na página da comissão