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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 129 - FEV - MAR - ABR/2017

COMISSÕES ASSESSORAS / PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS

 

Hortas pet: tendência do bem 

Prática de cultivar plantas medicinais em apartamentos e espaços pequenos resgata contato com a natureza e traz benefícios à saúde 

  

rf129 plantas01A diminuição dos espaços domésticos aliada à crescente necessidade da população de priorizar, na medida do possível, uma alimentação natural, economicamente sustentável e livre de agrotóxicos, vem difundindo cada vez mais no cenário urbano o conceito de hortas verticais, também chamadas de hortas pet. Outro fator de motivação para esta prática é a grande quantidade de informações disponíveis na internet sobre como fazer uma produção caseira utilizando jardineiras, recipientes alternativos ou reaproveitados, sapateiras, dentre outros materiais.

Indicadas para locais pequenos, mas com boa ventilação e com exposição à luz solar de cinco a sete horas por dia, as hortas verticais têm como principal característica o fato de serem penduradas ou fixadas em estruturas verticais, como a parede de apartamentos ou até mesmo de casas, cuja finalidade é obter melhor aproveitamento do espaço destinado ao cultivo caseiro. 

Além dos benefícios para a alimentação, as hortas pet também contribuem para um ambiente mais saudável, já que promovem equilíbrio térmico.

Entre as espécies mais comuns e que se adaptam bem a estas estruturas estão plantas utilizadas como condimentos, muitas delas ricas em antioxidantes para combater o excesso de radicais livres e com ótima ação antimicrobiana, explica o engenheiro agrônomo e docente da Universidade de Taubaté e da Faculdade Integral Cantareira, Dr. Marcos Roberto Furlan. Ele recomenda, ainda, o cultivo de plantas de pequeno porte e de crescimento perene, que costumam durar até dois anos nos recipientes.

Embora simples e, em geral, fáceis de ser conduzidas por estarem em recipientes individuais, as hortais verticais requerem alguns cuidados específicos, explica o Dr. Marcos Roberto: “Todas as espécies devem ser plantadas em recipientes com 20 a 30 cm de altura, utilizando composto pronto ou produzido em casa. Deve-se colocar água sempre que perceber que o substrato está secando, sem encharcar. Uma vez por ano, é necessário colocar composto ao redor da planta, sem encostar no caule”.

Caso o cultivador tenha acesso a jardins ou a um terreno, é possível produzir a compostagem a partir de um buraco na terra, no qual são colocados restos de vegetais. É preciso revolver diariamente o local, mantendo-o úmido sem encharcar. Em dois a três meses, o composto é formado. Há composteiras que podem ser encontradas no mercado.

Como a maioria das espécies é perene, não se faz canteiros. O plantio ocorre de forma semelhante ao das plantas ornamentais, em pequenas covas. Espécies como tomilho, orégano, cebolinha e manjerona podem ser cultivadas em jardineiras com 20 cm de altura; já pimentas e manjericões, em recipientes com 30 cm de altura. Espécie de mesma família e formato semelhantes não devem ser plantadas juntas, ensina o Dr. Marcos Furlan.

Interações medicamentosas

Coordenador da Comissão Assessora de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, Dr. Luís Carlos Marques faz um alerta para os que pretendem cultivar plantas medicinais para uso contínuo: “Por promoverem efeitos terapêuticos, muitas espécies podem gerar efeitos adversos como interagir com medicamentos sintéticos ou com outros fitoterápicos. Assim, sugere-se procurar informações com profissionais especializados em fitoterapia, como o farmacêutico e o nutricionista, dentre outros”.

Por Renata Gonçalez 

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