Revista do Farmacêutico 113 - Farmácia Hospitalar

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 113 - SET-OUT / 2013

Revista 113 setinha Farmácia Hospitalar


De olho no mercado veterinário

Atuação do farmacêutico no hospital veterinário cresce 530% em cinco anos

Tetra Images/LatinstockO farmacêutico tem um amplo leque de opções para atuar no Brasil. São mais de 74 áreas, que constantemente, se multiplicam. Um desses nichos é o da farmácia hospitalar veterinária, que nos últimos cinco anos quintuplicou no Estado, segundo o número de inscrições no CRF-SP, passando de três farmacêuticos, em setembro de 2008, para 16, no mesmo período de 2013.

Apesar do número aparentemente baixo, a tendência é que o farmacêutico ocupe cada vez mais esse espaço, já que a atuação deste profissional em hospitais veterinários é essencial para garantir a saúde e o bem-estar do animal.

De acordo com a dra. Vanessa Donegá Sartori, farmacêutica do Hospital Veterinário Anhanguera Educacional S.A., cabe ao farmacêutico desta área orientar os outros profissionais da equipe multidisciplinar do hospital sobre o uso de medicamentos para que haja o uso racional e, principalmente, a prevenção de erros de medicação. Para isso, deve-se considerar a eficácia terapêutica, estabilidade, armazenamento e conservação dos produtos. Outra função do farmacêutico é racionalizar os custos e perdas e gerir o estoque e a logística. 

“A importância do farmacêutico vai muito além do simples papel de dispensador. Sua rotina na farmácia hospitalar veterinária tem ênfase nas etapas do ciclo de assistência farmacêutica, como a seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação dos medicamentos e produtos para saúde.”

 Além dessas funções, é o farmacêutico quem monitora a estabilidade dos fármacos injetáveis e orienta a equipe multidisciplinar sobre diluição e armazenamento dos medicamentos. Também manipula, faz o envase dos germicidas, elabora o procedimento operacional padrão da farmácia hospitalar veterinária, controla, dispensa e escritura os medicamentos controlados pertencentes à Portaria 344/98.

Tabela

Medicamento de uso humano x medicamento veterinário

Os medicamentos de uso humano e veterinário se diferenciam principalmente pelo tipo de administração e dosagem, sendo que a maioria dos medicamentos veterinários possui o mesmo princípio ativo do de uso humano. 

Dra. Sartori explica que no que se refere à dosagem e a forma de administração, deve-se sempre adequar o medicamento ao tipo de animal e ao seu porte. “Em alguns animais, o fármaco humano é a única opção para o tratamento. É necessário realizar o cálculo do peso do animal, multiplicar com a dose específica de cada espécie e dividir pela concentração do fármaco escolhido”, explica.

Alguns medicamentos de uso humano, no entanto, podem causar efeitos adversos e colaterais, inclusive fatais ao animal. Por isso, é importante que só seja administrado no animal após avaliação do médico veterinário e da dispensação do farmacêutico.

“Os cuidados necessários para conservação e armazenamento de fármacos de uso humano e animal são os mesmos. Porém, o farmacêutico tem que dar uma atenção especial para estabilidade dos fármacos injetáveis dentro da farmácia hospitalar veterinária, devido ao uso de pequenas doses”, explica. 

Como exemplo, a farmacêutica expõe o uso do Omeprazol 40mg, frasco ampola, que ao se utilizar apenas 2 mL, sobra um volume de 3 mL que só terá estabilidade de 4 horas. Com o decorrer do tempo, o conteúdo restante no frasco adquire coloração amarelada e não poderá ser mais utilizado, pois não apresentará mais efeito terapêutico.

Sete competências

Foto: Divulgação
Dra. Vanessa Sartori: farmacêutico além do dispensador (Foto: Divulgação)
A especialista afirma que o perfil necessário ao farmacêutico hospitalar veterinário é o mesmo para o que atua na área humana. São necessárias as sete competências do farmacêutico descritas no manual de prática farmacêutica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 1997, ou seja, o profissional deverá ser: prestador dos serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde, capaz de tomar decisões, comunicador, líder, gerente, atualizado permanentemente (pesquisador) e educador.

“Os farmacêuticos são fundamentais na gestão da farmácia hospitalar, sendo o enfoque humano e/ou animal. O perfil profissional do farmacêutico está adequado a qualquer situação envolvendo medicamentos e produtos para saúde, com a condição que o profissional sempre se atualize na área hospitalar”.

 

Monica Neri.

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