Revista do Farmacêutico 113 - Farmacêuticos de Atitude

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 113 - SET-OUT / 2013

Revista 113 setinha Farmacêuticos de Atitude


Ela ajudou a fazer história

Foto: Agência Brasil

 

 

Responsável pela implementação dos genéricos em vários laboratórios, dra. Maria Claudia Pontes está há 15 anos na área de marketing farmacêutico

Em 1999, o medicamento mais famoso e mais consumido do mundo, a Aspirina®, completou 100 anos. O fármaco, cujo componente principal é o ácido acetilsalicílico, foi o primeiro a ser sintetizado na história. Foi a primeira criação da indústria farmacêutica e também o primeira vendida em tabletes. 

Naquele ano, a saúde brasileira testemunhou uma grande mudança na Farmácia: o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinou a Lei nº 9.787, a Lei dos Genéricos, que autoriza a comercialização de medicamentos com patentes caducadas por qualquer laboratório, em embalagem padronizada com uma tarja amarela e um grande “G”  impresso e a informação: “Medicamento Genérico - Lei 9.787/99” e o nome do princípio ativo.

Foi nesta mesma época que a farmacêutica dra. Maria Claudia Pontes teve uma guinada em sua carreira. A paixão por Química e por Biologia somada à resistência em cursar Medicina foi o que fez dra. Maria Claudia se interessar por Farmácia. Ela se formou em 1992 pela Universidade de São Paulo (USP) e logo começou a estagiar na Natura, quando teve a oportunidade de estudar perfumaria em Zagreb, na Croácia. Após a experiência, trabalhou na área de marketing da Haarmm & Reimer, da Bayer, o que a levou a cursar pós-graduação em Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). 

A partir daí, sua carreira em marketing farmacêutico a levou a trabalhar em projetos para clientes como Natura, Boticário, Colgate e Unilever. Mas o grande momento profissional se deu com a ascensão dos medicamentos genéricos em 2000, quando trabalhava na Biosintética.  

“Tive o prazer de liderar este projeto que mudou o mercado farmacêutico brasileiro e colocou a Biosintética entre as principais indústrias nacionais de genérico, chegando a ser a terceira empresa do mercado e a líder absoluta de medicamentos genéricos de uso crônico”, afirma, com orgulho.

Os medicamentos genéricos foram um marco para a história da saúde brasileira. Os preços desse tipo de medicamento caiu no mínimo 35%, uma enorme diferença para a população que encontrava dificuldades de continuar tratamentos. Os genéricos tornaram-se uma alternativa viável e segura para seguir as prescrições médicas corretamente.

A mudança, obviamente, afetou muito a indústria farmacêutica e para a dra. Maria Claudia, o passo incerto foi decisivo em sua trajetória profissional.  

“Os genéricos são uma realidade que não existia há 13 anos. Ninguém imaginava o alcance deste segmento e a mudança que ele ocasionaria no mercado”, conta. 

Com preços mais baixos, a procura por esse tipo de medicamento foi ampla. As empresas precisavam se preparar para atender esse novo público. O varejo (venda direta ao consumidor final) ganhou notoriedade para as indústrias farmacêuticas e passou a ser o alvo central de investimentos.

“O varejo acelerou a consolidação dos genéricos, sua expansão, captou mais investimentos externos e a atenção das empresas farmacêuticas nacionais e internacionais”, diz a farmacêutica.

 

Foto: Arquivo Pessoal
A farmacêutica dra. Maria Claudia Pontes deu uma guinada na carreira após a implementação dos medicamentos genéricos no Brasil (Foto: Arquivo Pessoal)

Com o sucesso na implementação da área de Marketing Genérico, dra. Maria Claudia passou a ser uma profissional reconhecida neste nicho. Em 2006, recebeu o convite para montar a área de genéricos no grupo Sanofi. Na empresa, tornou-se Head de Genéricos para América Latina, após a aquisição da Medley em 2009. Ao longo destes quatro anos, a executiva reestruturou e desenvolveu a unidade genéricos Medley em países como México, Venezuela, Guatemala, Colômbia, entre outros. 

 

Maria Claudia Pontes tem 15 anos de carreira em marketing farmacêutico e acompanha há 13 anos a evolução dos genéricos no Brasil. Em 2013 ela se tornou Diretora de Marketing Genéricos da Medley. O cargo que assume nesta empresa, líder no mercado de genéricos desde 2002, é a consolidação de uma carreira que em grande parte foi dedicada à implementação deste mercado no Brasil. 

Atualmente, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, a Pró Genéricos, são mais de 18 mil apresentações de medicamentos desse gênero, que tratam a maioria das doenças conhecidas. Lembra da Aspirina® no início da matéria? O primeiro genérico dela saiu em 2001. 

Para atuar em Marketing Farmacêutico

A dica de dra. Maria Claudia para quem deseja trabalhar na área de marketing farmacêutico é buscar experiências e se especializar.

“O profissional que queira atuar na área de marketing deve buscar experiência na área comercial como propagandista médico ou representante comercial ou mesmo iniciar como analista/assistente de marketing ou trade marketing.”

 Ela alerta que o farmacêutico tem que ter perfil certo para área. “É um perfil para atuar em uma posição que exija flexibilidade, poder de persuasão, capacidade de análise e síntese, e tino comercial.  Só o conhecimento técnico não é um diferencial se o interessado não tiver este perfil”, afirma.

Flávia Torres (com supervisão Marivaldo Carvalho)

 

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