Novo medicamento

 

 

 

Estudo da Universidade de Brasília aponta novo composto para controle do diabetes tipo 2


Estudo da Universidade de Brasília aponta novo composto para controle do diabetes tipo 2  São Paulo, 7 de novembro de 2012.

Um novo medicamento para o controle do diabetes tipo 2 é o que propõe uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Brasília. A tese de doutorado da professora Angélica Amorim Amato se propôs a descrever um novo medicamento, o GQ-16, para ativar o receptor nuclear PPAR gama: um composto que pode funcionar como modelo de ativação mais seguro para o receptor.Embora não traga, a curto prazo, a possibilidade de aplicação clínica imediata com a disponibilização de uma nova droga para o público, o estudo aponta que a ativação do receptor PPAR gama provocada pelo composto já demonstra características diferentes do que é observado em relação a medicamentos que ativam o receptor e que estão disponíveis no mercado para o tratamento do diabetes tipo 2.

Outros medicamentos que ativam o PPAR gama já foram desenvolvidos e utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, porém foram retirados do mercado em função de toxidade. "A rosiglitazona, medicamento com a mesma ação e comercializado anteriormente, foi retirada do mercado por estar associada à morte por ataque cardíaco" , exemplifica Francisco Neves, um dos autores do estudo.

A pioglitazona permanece no mercado brasileiro, mas está sob vigilância e suspeita de aumentar o risco de câncer de bexiga. Por essa razão, a Agência Francesa de Medicamentos, por exemplo, decidiu suspender seu uso no país. A pioglitazona também passa por provação em outros países.

De acordo com o pesquisador, "é uma boa droga para o controle da taxa de glicose no paciente com diabetes tipo 2, mas associada a vários efeitos adversos: aumento do risco de osteoporose além de ganho de peso e retenção de água, levando a inchaço e à piora de pacientes com problemas cardíacos. Agora, com a possibilidade do câncer de bexiga, há muitos países que vetaram a pioglitazona e hoje não têm outro medicamento para ativação do receptor" .Os testes com o GQ-16, ao contrário, detectaram que o composto controlou a glicose de animais obesos diabéticos sem resultar em ganho de peso e retenção de água.

Testes

Os testes com o GQ-16, ao contrário, detectaram que o composto controlou a glicose de animais obesos diabéticos sem resultar em ganho de peso e retenção de água. A pesquisa demonstrou os mecanismos bioquímicos celulares e moleculares envolvidos na melhora do controle da glicose pelo uso do GQ-16. "O receptor em que o GQ-16 atua é hoje um alvo para medicamentos usados em tratamento do diabetes. O problema é que esses medicamentos, em maioria, ativam o receptor de uma maneira considerada forte, e esse padrão de ativação pode explicar alguns dos efeitos adversos observados em pacientes tratados com esses medicamentos" , confirma Angélica Amanto.

Os estudos com o GQ-16 identificaram, por meio de ensaios de cristolografia e de dinâmica molecular, que o composto se liga ao receptor PPAR gama de forma completamente diferente que a rosiglitazona e pioglitazona.

Esse modo de ligação distinto pode, no futuro, explicar por que o GQ-16 não está associado aos efeitos adversos observados com o tratamento com a rosiglitazona e a pioglitazona e servir de base para o desenvolvimento de outros medicamentos."Não se pode dizer ainda que esse composto será um novo medicamento para o tratamento do diabetes, mas é possível que ele funcione como um modelo de ativação mais segura do receptor, que preserve apenas seus benefícios. Há uma série de análises a serem feitas, como estudos toxicológicos e investigação de seus efeitos sobre o osso, mas estas são as primeiras respostas que encontramos. E o objetivo final, comum a todos os estudos com compostos que sobre o PPAR gama, é oferecer novos medicamentos, seguros e efetivos, para o tratamento do diabetes tipo 2" , diz Angélica Amato.

"Mesmo que o GQ-16 não possa ser considerado ainda um composto ideal, a forma com que ele composto se liga ao receptor, diferente da forma com que os compostos utilizados na prática clínica e associados a efeitos adversos se ligam, pode ser considerada uma pista sobre como ativar o receptor de forma segura. O caminho pode estar por aqui" , endossa Francisco Neves.

 

Thais Noronha (com informações portal R7)

Assessoria de Comunicação CRF-SP 

 

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