PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 131 - AGO - SET/2017

 

COMISSÃO ASSESSORAS / FARMÁCIA CLÍNICA

Visita domiciliar farmacêutica começa a superar barreiras

AMPARADA RECENTEMENTE PELA LEGISLAÇÃO, PRESENÇA DO FARMACÊUTICO NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NO DOMICÍLIO DO PACIENTE AMPLIA A GARANTIA DE ADESÃO AO TRATAMENTO, ENTRE OUTROS BENEFÍCIOS

 

O farmacêutico da Prefeitura de São Paulo Dr. Júlio Eduardo Souza (esq.), durante visita domiciliar no bairro Capela do Socorro, Zona Sul da capitalCaracterizada pela prestação de serviços de saúde realizados fora do ambiente hospitalar, mantendo-se, porém, todas as exigências previstas para uma melhor qualidade de vida no processo de recuperação do paciente, a atenção farmacêutica domiciliar é um serviço que ganhou amparo legal nos últimos anos, com a publicação de normativas como a Portaria do Ministério da Saúde nº 2.488, que aprova a Política Nacional de Atenção Básica, e a Resolução CFF nº 585/13, que regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico.

A regulamentação da presença do profissional de saúde nos domicílios permite a visualização de condições peculiares de habitação, higiene e hábitos de vida, bem como a dinâmica e o contexto familiar que auxiliam no planejamento das ações, além de proporcionar a aproximação entre o usuário, a família, a comunidade e o serviço de saúde.

No caso da visita domiciliar farmacêutica, cabe ao profissional fazer a avaliação da prescrição, verificando se o paciente tem acesso aos medicamentos e se estes estão sendo corretamente utilizados, detalha a Dra. Maria Gabriela Gonçalves Borracha, farmacêutica responsável de uma unidade Assistência Médica Ambulatorial (AMA/UBS) da capital e membro da Comissão Assessora de Farmácia Clínica do CRF-SP.

“Nos casos de falha na adesão ou uso incorreto, o farmacêutico poderá intervir junto ao paciente, ao cuidador e até mesmo junto à equipe multiprofissional, na orientação quanto ao uso correto e propor estratégias para facilitar a adesão. Na visita o farmacêutico também irá verificar as condições de acondicionamento dos medicamentos, além de poder identificar reações adversas, possíveis interações medicamentosas e contraindicações”, explica a farmacêutica.

 

Barreiras e desafios

Por se tratar de um serviço recentemente implantado e ainda em fase de construção, a visita domiciliar farmacêutica passa por um período de superação de barreiras e aperfeiçoamento. Seja na saúde pública por meio da participação do farmacêutico nas equipes multiprofissionais das Unidades Básicas de Saúde, ou na rede privada (home care), há casos pontuais de profissionais que já realizam a visita domiciliar, ganhando cada vez mais espaço.

Uma das principais dificuldades encontradas para a implementação efetiva desse serviço está relacionada à equipe multiprofissional. “Essa dificuldade pode ocorrer pelo fato de a equipe multiprofissional não saber quais as contribuições que o farmacêutico pode oferecer para auxiliar a equipe e o paciente. Cabe ao farmacêutico, então, realizar a divulgação, explanar seu papel e os objetivos desse serviço”, afirma a Dra. Maria Gabriela. 

Nesse sentido, também contribuem fatores como a dificuldade para conciliação das atividades gerenciais, a necessidade de aprimoramento contínuo e de desenvolvimento de habilidades específicas. 

Apesar disso, são muitos os estudos nacionais e internacionais que demonstram que a presença do farmacêutico aumenta a eficácia e a segurança no tratamento dos pacientes que necessitam deste tipo de serviço. O desafio, hoje, é comprovar por meio de dados estatísticos que a visita domiciliar farmacêutica é viável e acessível para a população, superando as barreiras para implementação e adequando-a para as necessidades da população.

No Canadá e em alguns países da Europa, como Inglaterra, Portugal e Suíça, os farmacêuticos realizam este serviço e, em alguns locais, de forma subsidiada pelo governo.

Por Renata Gonçalez

 
 
 

     

     

    farmacêutico especialista