Revista do Farmacêutico 114 - Fazendo a Diferença

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 114 - NOV-DEZ / 2013

Revista 114 setinha Fazendo a Diferença

 

Alma inquieta

Foto: Arquivo pessoal

Premiada como autora do melhor trabalho científico do XVII Congresso Paulista de Farmacêuticos, a dra. Ludmilla Thomé Domingos Chinen considera que a ciência sempre fez parte de sua vida.  “Olhando para trás, acho que a pesquisa sempre fez parte de mim, dei muitas voltas para chegar a esta conclusão. Pesquisadores têm alma inquieta e não se cansam de estudar. Sou assim.” 

O trabalho premiado intitula-se “Isolamento e caracterização de células tumorais circulantes no câncer de ovário” e tem como objetivo identificar células tumorais na circulação de pacientes com tumores sólidos. 

“Foi muito simbólico receber uma primeira premiação com a minha linha de pesquisa ‘em casa’. Quem trabalha com pesquisa sabe o quanto é raro ter o reconhecimento dos seus pares e eu tive este privilégio”.

Dra. Ludmila é farmacêutica-bioquímica, formada pela UFGo em 1996. Especialista em Análises Clínicas, mestre em Medicina Tropical, foco em Imunololgia pela UFGo (2001) e doutora em Ciências, foco em Imunologia pela Unifesp (2005). Atualmente é pesquisadora no AC Camargo Cancer Center (São Paulo), onde iniciou prestando assessoria científica aos médicos, em 2007.

Escolheu a profissão pois, desde criança, apreciava o trabalho do pai, o também farmacêutico dr. Radif Domingos, em seu laboratório em Goiânia, e achava interessante o fato de ele ajudar as pessoas com o diagnóstico de suas doenças e ainda conseguir conciliar esta atividade com a vida acadêmica. 

“Para mim, ser farmacêutica era ter condições de pensar a saúde e poder, com critério, definir onde e como atuar. E, realmente, nenhum outro curso na área de saúde dá tanto entendimento da dinâmica do ser humano quanto o nosso.”

Mônica Neri


Farmacêutica em destaque na indústria

Foto: Arquivo pessoalA dra. Caroline Demacq sempre quis trabalhar com genética humana. Quando teve que decidir qual graduação fazer, ficou em dúvida entre Biologia e Farmácia, mas optou pela última por ser um curso mais abrangente.

Após terminar o curso, em 2001, Caroline investiu em um doutorado e um pós-doutorado em Farmacologia pela USP de Ribeirão Preto e em um novo pós-doutorado na Unicamp, com linha de pesquisa em Farmacogenética, na área cardiovascular.

Tanta dedicação foi recompensada. Atualmente ela é ‘gerente médica’ da área de cardiologia na Novartis. “O profissional deve ter sólido conhecimento científico dos medicamentos pelos quais está responsável e da área terapêutica correspondente.” 

Normalmente, esse cargo é ocupado por médicos por causa da experiência clínica na área. “Este é meu maior desafio na função”, ressalta Caroline. Ela diz que para compensar a falta de experiência clínica, estuda bastante e esclarece dúvidas com especialistas.

A função de gerente médico na indústria farmacêutica é uma “ponte” entre a pesquisa clínica/conhecimento científico e o departamento de marketing e vendas, bem como entre os demais departamentos da empresa.

Para trabalhar nessa área é necessário investir em educação continuada. De acordo com a dra. Caroline, a graduação é somente o primeiro passo. “No caso da área médica na indústria farmacêutica, o conhecimento científico sólido e de pesquisa clínica são desejáveis.”

Flávia Torres (supervisão de Marivaldo Carvalho)

 

Gestão de saúde com louvor

Foto: Arquivo pessoalA farmacêutica dra. Renata Guilherme de Oliveira está no segundo mandato como secretária de Saúde de Herculândia (SP), cidade na região de Marília que, em 2013, foi certificada pelo Programa de Melhoria de Acesso e da Qualidade da Atenção Básica do Ministério da Saúde. A premiação foi criada para avaliar os trabalhos de melhoria e promoção dos serviços de saúde em prefeituras de todo o país. A certificação resultou em um aumento no recurso financeiro aplicado mensalmente pelo Ministério e trouxe uma certeza à profissional de Farmácia: trabalhar com gestão de saúde é algo desafiador e muito gratificante.

“A gestão tem desafios infinitos, ainda mais se tratando de saúde. Estamos em busca de melhorar a qualidade de vida da população e trabalhar com a prevenção cada vez mais intensamente”, afirma a dra. Renata, que, curiosamente, também foi a primeira farmacêutica a trabalhar em unidades de saúde de Herculândia. Mestre em Saúde Coletiva e especialista em Gestão das Clínicas nas redes de Atenção à Saúde, ela também leciona nas Faculdades Esefap/Uniesp e na Escola Técnica Estatual (Etec), ambas de Tupã.

A assistência farmacêutica em Herculândia é também apontada como modelo para o país, com farmacêuticos em todas as farmácias e também na vigilância sanitária. “Fazemos questão de ter o profissional da nossa classe, pois ele consegue desempenhar vários papéis importantes nas inspeções de estabelecimentos de saúde por ter conhecimentos multidisciplinares. Hoje, o trabalho prestado na saúde ainda é muito centrado no médico e no medicamento; por conseguinte, o farmacêutico é de extrema importância para os usuários, é ele que explica para que serve o medicamento, como usar, possíveis efeitos colaterais e assim por diante.”

Renata Gonçalez