Revista do Farmacêutico 114 - Análises Clínicas e Toxicológicas

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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 114 - NOV-DEZ / 2013

Revista 114 setinha Análises Clínicas e Toxicológicas

 

Oportunidade nas análises clínicas

 

Foto: Tetra Images/Latinstock

 

 

Apesar do setor veterinário em expansão, minoria dos laboratórios de análises clínicas e toxicológicas conta com farmacêutico

Os 98 milhões de animais de estimação dão ao Brasil a quarta colocação mundial em relação à criação de pets, de acordo com a Anfalpet (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação). O crescimento progressivo do mercado veterinário traduz o cuidado cada vez maior das pessoas com seus bichos. Nessa linha, aumenta também o número de exames laboratoriais realizados para prevenção ou detecção de doenças. E, o que poderia ser um vasto campo ocupado pelo farmacêutico, profissional que reúne características essenciais para as análises clínicas e toxicológicas, ainda é uma área a ser desbravada, já que os principais laboratórios veterinários do país não contam ou têm uma minoria de profissionais graduados em Farmácia. 

No universo veterinário, a realização de exames clínicos e complementares ganha suma importância, já que não é possível realizar uma anamnese com o paciente para detectar os sintomas. Com basicamente os mesmos kits reagentes da área humana, os laboratórios diferem apenas em alguns aparelhos de hematologia específicos para a área veterinária. Entre os principais exames estão hemograma, dosagens bioquímicas como glicemia, ureia e creatinina, entre outros fundamentais para a descoberta de doenças como insuficiência renal, diabetes, anemias, problemas na pele e tumores.

Fotos: Arquivo pessoal/José Trezza Netto
O laboratório do Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de São Paulo realiza exames como hemograma, glicemia, creatinina, urina I e parasitológico, principalmente em cães e gatos. Abaixo, dr. José Trezza Netto, único farmacêutico a ser responsável pelo diagnóstico de raiva no país (Fotos: Arquivo pessoal/José Trezza Netto)

 

Único farmacêutico-bioquímico do Brasil a ser responsável pelo diagnóstico da raiva,  dr. José Trezza Netto atua no Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de São Paulo. Ele se divide entre a supervisão do setor, a leitura de lâminas para o diagnóstico da raiva e procedimentos administrativos. Para ele, o farmacêutico é o profissional mais preparado para execução de exames laboratoriais por ter um curso de graduação extremamente difícil e que contempla a análise laboratorial profundamente por meio de aulas teóricas e práticas. “É um campo aberto. Poucos profissionais procuram esta área por pleno desconhecimento. Acredito que seja importante fazer um trabalho de divulgação aos estudantes e mesmo para farmacêuticos recém-formados sobre este campo de atuação que tem crescido cada vez mais.”

 Para o dr. Trezza, a oportunidade de atuar no diagnóstico da raiva surgiu pela experiência em análises clínicas. “Isso me permitiu aprender rapidamente o procedimento técnico que é muito semelhante ao que eu já desempenhava na minha área profissional.” Ele ressalta que o controle da raiva é fundamental por se tratar de uma doença com praticamente 100% de possibilidade de óbito.

Com cerca de cem pacientes atendidos por mês, o farmacêutico e diretor administrativo do Laboratório Pacheco, em Lages (SC), dr. Marcio Pacheco de Andrade, destaca que o laboratório processa amostras veterinárias advindas de clínicas particulares da região e já foi responsável por diagnósticos interessantes como o de tripanossomíase em um macaco da espécie Bugio. “Também já diagnosticamos diabetes em cães que fizeram o exame como parte da rotina de uma consulta, salmonelose em um camelo e leucemia em equinos. Enfim, vários diagnósticos importantes e casos com resultados extremos que somente observamos na prática veterinária.”

Foto: Arquivo pessoal/José Trezza Netto

Atuação na Toxicologia

Se a intoxicação por medicamentos e outros agentes aflige os seres humanos, os animais também são vítimas de exposição a uma série de fatores como medicamentos, produtos de uso veterinário, agrotóxicos, raticidas, alimentos, animais peçonhentos, entre outros. De acordo com o Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul, em 2012, foram 844 intoxicações no país, em animais diversos. Destas, 686 foram com cães.  

Mais uma vez, o farmacêutico aparece como profissional que reúne os conhecimentos fundamentais para realizar um trabalho de excelência na área. De acordo com dra. Luciane Maria Ribeiro Neto, coordenadora da Comissão Assessora de Análises Clínicas e Toxicológicas, para atuar em análises toxicológicas são necessárias habilidades e competências em química analítica instrumental e contínuo aprimoramento voltado para os avanços tecnológicos, além de sólida base em toxicocinética e toxicodinâmica. “Essas análises visam a identificar o agente químico causador da intoxicação para auxiliar no tratamento do animal e também podem ser utilizadas em caso de intoxicação intencional.”

Dra. Luciane, que é farmacêutica com mestrado e doutorado em medicina veterinária e trabalhou por dez anos no laboratório de controle antidopagem do Jockey Club de São Paulo, chama a atenção para uma outra vertente da área, as análises toxicológicas que objetivam o controle antidopagem em animais. “No Brasil, as mais frequentes são as que envolvem provas com equinos, como é o caso do Jockey Club, com a raça quarto de milha, hipismo, enduro, entre outras. Estas análises também são empregadas em competições que envolvem cães.”

Thais Noronha

 

 

 

 

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