Revista 108 - Mercado de Trabalho



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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 108 - AGO- SET - OUT / 2012

Revista 108 setinha Mercado de Trabalho

Recente decisão do STJ determinou que todo hospital com mais de 50 leitos deve ter a presença do farmacêutico (Foto: Wavebreakmedia / Panthermedia)
Recente decisão do STJ determinou que todo hospital com mais de 50 leitos deve ter a presença do farmacêutico (Foto: Wavebreakmedia / Panthermedia)


Farmácia Hospitalar

Atividade está valorizada, passa por adequações legais, certificações, e o farmacêutico conquistou reconhecimento dentro da equipe de saúde

A cada dia é mais premente a necessidade de um profissional no âmbito hospitalar que seja responsável por todo o ciclo do medicamento, desde sua seleção, negociação com fornecedores, armazenamento, controles, até a dispensação e o uso pelo paciente. Isso faz com que o farmacêutico hospitalar seja mais valorizado e, como consequência, o mercado de trabalho neste segmento encontra-se em franca expansão.

Esse fato acontece por uma série de razões, dentre as quais a necessidade de adequação às normas legais, busca por selos de certificação e, principalmente, porque cada vez mais os hospitais públicos e privados entendem os benefícios de dispor do farmacêutico como parte da equipe de saúde.

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou que toda farmácia hospitalar de hospital com mais de 50 leitos deve obrigatoriamente ter a presença de farmacêutico responsável também é um fator que irá contribuir com abertura de novas vagas.

Dra. Helaine: “O mercado tem exigido cada vez mais do candidato” (Foto: Arquivo pessoal)
Dra. Helaine: “O mercado tem exigido cada vez mais do candidato” (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh), dra. Helaine Capucho, para atuar na área é necessário conhecer o universo dos hospitais e as peculiaridades das farmácias destas instituições. "O mercado tem exigido cada vez mais do candidato que ele tenha cursos de residência ou especialização em farmácia hospitalar", afirmou.

Ela entende que há espaço para profissionais com espírito de liderança e que tenham experiência e formação em atividades clínicas junto às equipes multidisciplinares. Também é crescente a demanda por farmacêuticos especializados em uma nova área de atuação no tratamento e prevenção de incidentes em saúde como de lesões de pele, tromboses e flebites.

Na avaliação do dr. Gustavo Alves Andrade dos Santos, coordenador da Comissão Assessora de Farmácia Hospitalar do CRF-SP, a evolução da área pode ser notada ao se comparar o cenário vivido nas décadas anteriores aos anos 90. "Quando muito, tínhamos um farmacêutico por hospital, enquanto hoje os números apontam hospitais até de pequeno porte com quadro de farmacêuticos dimensionado para atuação em várias áreas", disse. Apesar desta evolução, segundo o especialista, ainda há muito espaço a ser ocupado, especialmente nos hospitais particulares. "Com a baixa liquidez dos hospitais privados, a gestão da farmácia hospitalar torna-se essencial, dado o peso financeiro que os estoques representam nestas instituições", explica o dr. Gustavo.

Censo da Sbrafh apresentou uma ideia do universo hospitalar, mas em 2013 irá realizar novo levantamento (Foto: JCB Prod / Panthermedia)
Censo da Sbrafh apresentou uma ideia do universo hospitalar, mas em 2013 irá realizar novo levantamento (Foto: JCB Prod / Panthermedia)

"A graduação ainda não oferece preparo para o farmacêutico hospitalar. Por conta disso, alguma experiência, mesmo que em estágio, se torna interessante. Do ponto de vista de comportamento, vejo como características importantes a competência técnica, o dinamismo, comprometimento, responsabilidade, facilidade de comunicação e, se possível, o exercício da liderança, que se adquire aos poucos", enumerou o dr. 

Gustavo, que indica cursos de especialização como um caminho para quem pretende ingressar na área. "Na especialização, o aluno tem matérias específicas, como aprofundamento para as atividades que vai desempenhar", justificou.

 

CENSO DE FARMÁCIA HOSPITALAR

Em 2010, a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (Sbrafh), realizou o 1° Censo Brasileiro de Farmácia Hospitalar. O trabalho reuniu informações disponíveis nos Conselhos Regionais, na comissão de fiscalização do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). 

Na ocasião, foram registradas a presença de 6.325 profissionais em hospitais públicos e 4.300 em hospitais privados em todo o Brasil. Este número representou uma média de 3,1 farmacêuticos por cada hospital público, contra 0,9 em particulares. No Estado de São Paulo, o levantamento identificou 854 farmacêuticos atuando em hospitais públicos (média de 4,7 profissionais por hospital) e 855 farmacêuticos em instituições privadas (média de apenas 1,1 profissional por hospital).

"Reunir esses dados foi um trabalho árduo e certamente ainda incompleto. Pelas limitações do censo, fica muito difícil fazer uma leitura adequada dos dados e, por isso, estamos trabalhando junto ao Conselho Federal e no grupo de trabalho de farmácia hospitalar do Ministério da Saúde para fazermos um novo censo até o final de 2013", comentou a presidente da Sbrafh, dra. Helaine Capucho.

Carlos Nascimento


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