Seminário Atenção Farmacêutica ao Idoso

 

O Seminário Atenção Farmacêutica ao Idoso foi promovido pelo Grupo Técnico de Cuidado Farmacêutico ao Idoso e debateu a questão judicial da interdição, as alterações fisiológicas, o impacto dos medicamentos e a farmacoterapia nos idosos. Além disso, também abordou o papel do farmacêutico nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIS).
A diretoria ressaltou a importância do CRF-SP criar um grupo específico para debater a atenção ao idoso. “O principal paciente nas farmácias, em muitas cidades do Estado, é o idoso, que demanda uma orientação diferenciada, já que, muitas vezes, faz uso de polifarmácia e tem maior dificuldade de adesão. Por isso, é essencial que o farmacêutico seja capacitado em relação a atenção farmacêutica para essa parcela da sociedade”, apontou.

Mesa de discussão: Dra. Alessandra Gallo Petraroli Tateyama, dr. Claudinei Alves Santana e dr. Gustavo Alves Andrade dos SantosO evento foi iniciado com uma orientação jurídica sobre a interdição do idosos, apresentada pelo advogado especialista em Direito Público, dr. Marcelo Martinez, que destacou que a interdição do idoso afeta somente os atos relacionados aos direitos de natureza patrimonial e de negócios. “Hoje ela não alcança o direito do idoso ao próprio corpo, à sexualidade, ao matrimônio, à privacidade, à educação, à saúde, ao trabalho e ao voto”. Ele indicou ainda que para se interditar um idoso não basta apenas apresentar o laudo médico, mas também uma perícia judicial.

O Brasil teve um aumento muito rápido no número de idosos (há 50 anos a expectativa de vida no país era de 48 anos; hoje é de 73), o que acarretou em uma série de problemas sociais, econômicos e também na área da saúde, já que não havia tantos estudos em relação ao cuidado ao idoso como tem surgindo agora. Outra questão que envolve à saúde dessa parcela da população é a necessidade do cuidado multiprofissional. Nesse sentido, o farmacêutico precisa estar apto a desenvolver o seu papel nessa equipe.

Para isso, entre as palestras técnicas do seminário, foram debatidas as alterações fisiológicas do idoso e o impacto na ação dos medicamentos pelo dr. Claudinei Santana, mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP, com experiência em Educação, Farmácia Clínica, assistência, atenção e adesão à tratamentos medicamentosos. “O declínio fisiológico natural inicia no ser humano a partir dos 30 anos e isso afeta diretamente as ações do medicamento no corpo. ”

Dr. Gustavo Alves dos Santos, coordenador do Grupo Técnico de Cuidado Farmacêutico ao Idoso do CRF-SP e dra. Michele Antonialli, membro do Grupo Técnico de Cuidado Farmacêutico ao Idoso do CRF-SPO coordenador do grupo técnico realizador do seminário, dr. Gustavo Alves Santos, logo em seguida, ministrou a palestra “Farmacoterapia nas Demências”. Durante sua explanação, o farmacêutico doutor em Biotecnologia e pesquisador em Doença de Alzheimer falou sobre as principais causas e tratamentos para as principais demências em idosos. “O Alzheimer, por exemplo, atinge hoje 1,2 milhão de idosos no Brasil, o que representa mais de 5% das pessoas nessa faixa etária. Mais sério ainda é que apenas metade desses pacientes estão diagnosticadas com a doença.”

Para finalizar, dra. Alessandra Gallo Petraroli Tateyama apresentou o papel do farmacêutico nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). “Ainda não são todas as ILPIs que contam com farmacêutico, porém o número de medicamentos administrados nesses locais é bem expressivo, assim como a necessidade de serviços farmacêuticos nos pacientes, que poderão ter uma melhor adesão, mas também um trabalho diferenciado em relação a interações medicamentosas.”