CRF-SP promove o III Seminário de Resíduos e Gestão Ambiental

 

Dr. Pedro Menegasso, presidente do CRF-SP, dra. Raquel Rizzi, vice-presidente e dr. Raphael Figueiredo, coordenador da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão ambiental do CRF-SP

Em torno de 220 milhões de toneladas/dia de resíduos são gerados no Brasil, destes apenas 58% tem destinação adequada. Dezoito mil toneladas diárias de resíduos são geradas apenas em São Paulo. Esses e outros dados foram debatidos por farmacêuticos de áreas como Farmácia, Saúde Pública, Análises Clínicas, distribuição e transporte e resíduos que participaram no último sábado, 30/07, do III Seminário de Resíduos e Gestão ambiental, realizado no Espaço Maestro Cardim, na capital.

O engenheiro ambiental Pedro Siqueira Lopes Muniz (Essencis Soluções Ambientais) destacou na palestra “Tecnologias de Destinação de Resíduos – aterro sanitário” que a legislação ambiental brasileira é uma das mais estruturadas do mundo, no entanto passa por problemas de fiscalização. Ele também mostrou o funcionamento de um aterro sanitário de resíduos sólidos, além dos processos de impermeabilização e muitos outros.

Também participou da palestra com o mesmo tema, o engenheiro químico Hilton William da Silva que mostrou aos participantes as etapas para classificação do resíduo do cliente e reafirmou que um aterro não pode receber resíduo com risco biológico, nem com nenhum risco patogênico ou radioativo. “O aterro é uma tecnologia complexa que precisa de muito controle, muito trabalho e profissionais especializados em diversas áreas”.

Pela primeira vez, o Seminário discutiu o gerenciamento de resíduos nas Instituições de Ensino Superior (IES), com a palestra do dr. Glauco Antonio Spina, membro da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP. Entre os resíduos que podem ser encontrados nas IES estão desde restos de papel, material de escritório, cartuchos, resíduos da lanchonete, restaurante, plástico, embalagem, obras no campus, limpeza, poda de arvores até solventes orgânicos, resíduos inorgânicos, compostos combustíveis, material de limpeza, fita de teste de ph e muitos outros.

O caminho adequado é a elaboração do plano de gerenciamento de resíduos em que o  gerador (docente, funcionário e aluno) é corresponsável pelo tratamento, o que pode minimizar a geração de resíduos e, consequentemente, a diminuição dos custos financeiros para a instituição. No entanto, apenas IES públicas possuem trabalhos nesse sentido como a Usp de São Carlos que criou um laboratório capaz de tratar os resíduos químicos de todos os campi.

O químico Samir Eliakin de Oliveira abordou as formas de manejo correto de radiofármacos, já que não possuem cor, não emitem calor, não têm cheiro, mas destacou que se utilizados inadequadamente podem causa danos. Destacou os diferentes tipos de radiação, entre elas a alpha, mais perigosa e a beta que apesar de menor possui a mesma massa que a alpha.

Os palestrantes do seminário: Glauco Spina, Iguatemi Costa, Samir de Oliveira, Hilton da Silva, Pedro Muniz e Raphael Figueiredo

Logística reversa

O coordenador da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP, dr. Raphael Correa de Figueiredo, enfatizou a logística reversa de pilhas, lâmpadas e baterias. O farmacêutico chamou a atenção para a composição das pilhas que geralmente é recheada por metais pesados e os diversos tipos de riscos como o ambiental, já que uma lâmpada quebrada tem o risco 85% maior de prejudicar o meio ambiente e o risco operacional, o que aumenta em 65% a possibilidade de contaminação e ferimentos. “É preciso ter cuidado ao contratar uma empresa de coleta e destinação de lâmpadas, saber se está operando de acordo, cumprindo as normas da Cetesb”.

Para finalizar o Seminário, o químico Iguatemi Melo Costa, responsável pelo grupo de tecnologias sustentáveis da Natura, apresentou o trabalho da empresa na aplicação de tecnologias sustentáveis em cosméticos. Ressaltou que desde a década de 70 a Natura trabalha com produtos com refil, em 2000 a marca mudou a percepção dos consumidores com o lançamento da linha Ekos, já em 2005 passou pela vegetabilização dos sabonetes, em 2009 a utilizar álcool orgânico na perfumaria e até os dias de hoje buscam inovações que explorem a biodiversidade.

Cartilha sobre a área pode ser baixada pelo portal do CRF-SP. Clique na imagem para download

 

Thais Noronha

Assessoria de Comunicação CRF-SP