Cuidados Farmacêuticos

 

Simpósio Saúde do Idoso reúne farmacêuticos em São Paulo

 

Seminário reuniu farmacêuticos na capitalSeminário reuniu farmacêuticos na capital São Paulo, 12 de junho de 2017.

Organizado pelo Grupo Técnico da Seccional Zona Sul, o Simpósio Saúde do Idoso reuniu farmacêuticos no Senac Jabaquara, na capital, no sábado, 10/06. Em pauta, o papel do farmacêutico no cuidado ao idoso, a importância da equipe multidisciplinar, o desafio da adesão ao tratamento, a nutrição e fisioterapia na terceira idade, interpretação de exames laboratoriais, cuidados paliativos, suplementação e muito mais. 

Especialistas de diversas áreas mostraram o quanto o cuidado ao idoso é uma tarefa multidisciplinar, e, portanto, o farmacêutico deve se preparar para atender as demandas essa população que vão muito além de acessibilidade. Afinal, se há um cuidado tão grade com criança, por que não ter com idosos? 

O médico geriatra Dr. Marcel Hiratsuka destacou que em 2010 a população brasileira era composta de 7 a 8% de idosos, número que, de acordo com as estimativas, aumentará para ¼ da população em 2050, índice muito próximo dos países desenvolvidos. “Pode parecer algo desesperador, mas o aumento da quantidade de idosos pode ser encarado como uma conquista, já que está relacionado à qualidade de vida, à chegada na terceira idade de forma produtiva, desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional, entre outros”. De acordo com o geriatra, os idosos possuem especificidades como multimorbidades, o que torna o atendimento mais complexo, a polifarmácia, alteração do metabolismo e excreção, além de que uma doença pode gerar outras doenças ou sintomas. 

Dados significativos também foram apresentados como o que aponta que 80% dos idosos tomam uma medicação por dia, eles têm de 2 a 3 vezes maior chance de reação adversa do que os jovens, 28% das internações são causadas por causa de medicamentos. 

A farmacêutica e a coordenadora da Comissão Técnica da Seccional zona Sul, Dra. Fernanda Dusilek falou sobre o desafio da adesão terapêutica nos pacientes idosos. Segundo ela, o grande desafio é lidar com pacientes que utilizam cerca de 10 a 15 medicamentos diários. “Muitas vezes o paciente não utiliza adequadamente, já que são muitos medicamentos em doses diferentes, formas farmacêuticas distintas, o que orna a adesão muito complicada”. São 125 mil mortes anuais, de 30 a 50% de falhas no tratamento, de 100 a 289 milhões de dólares gastos no mundo pela não adesão ao tratamento. “Se um adulto recebe, em média, três prescrições no ano, um idoso recebe 20, as consequências dessa não adesão são o progresso da doença, perda da qualidade de vida, mais utilização do sistema de saúde, desperdício dos medicamentos”. 

Dr. Gustavo Guerra, diretor regional da Seccional Zona Sul, dr. Pedro Eduardo Menegasso, presidente do CRF-SP, Dra. Raquel Rizzi, vice-presidente e Dr. Antonio Geraldo dos Santos, secretário-geralDr. Gustavo Guerra, diretor regional da Seccional Zona Sul, dr. Pedro Eduardo Menegasso, presidente do CRF-SP, Dra. Raquel Rizzi, vice-presidente e Dr. Antonio Geraldo dos Santos, secretário-geral

Dra. Fernanda enfatizou as alternativas que ela e a equipe têm feito para que os idosos melhor compreendam a forma de utilização como adesivos, potes, tabelas de cores, recursos visuais, afinal é o profissional de saúde que deve adaptar o tratamento à rotina do idoso. 

A fisioterapeuta Dra. Deise Ferreira Silva destacou que a reabilitação do paciente deve ser olhado como um todo por vários aspectos como sociais, patológicos, psíquicos, clínicos e físicos. “Nenhum membro da equipe multiprofissional trabalha sozinho”. 

A nutricionista Dra. Aline Rufino Gonçalves falou sobre as peculiaridades em relação à nutrição dos idosos. A necessidade de reposição de vitaminas e suplementação para melhor qualidade de vida. Já a enfermeira Dra. Rosa Yuka Sato Chubaci, reproduziu atividades lúdicas que costuma realizar com os idosos para reafirmar a importância da humanização. “A ênfase do cuidado é direcionada, principalmente, para a promoção e manutenção do estado funcional, promovendo, ao máximo, a sua independência. E se já for dependente, cuidar e fazê-lo sentir-se cuidado”. 

Áreas de atuação no cuidado ao idoso

O coordenador do Grupo Técnico de Cuidados Farmacêuticos ao Idoso, Dr. Gustavo A. de Andrade dos Santos, falou de sua experiência com pacientes com Alzheimer. “Idosos são pacientes especiais, se demenciados, mais ainda. Segundo a Associação Internacional de Alzheimer, até 2050 será um diagnóstico a cada 37 segundos nos Estados Unidos. Hoje é um diagnóstico a cada 67 segundos”. 

A doença que mata mais do que câncer de mama e próstata juntos atinge um milhão e duzentos mil pessoas no Brasil e o dado mais alarmante é que metade não sabe que tem a doença, de acordo com a ABRAz, Associação Brasileira de Alzheimer. Ele enfatizou ainda a importância da orientação ao cuidador, que de acordo com estudos, possuem índices de depressão e surtos psicóticos. 

A farmacêutica Dra. Ana Paula Lo Prete abordou o papel do farmacêutico na interpretação dos exames laboratoriais. “O farmacêutico precisa saber avaliar um exame laboratorial. É fundamental também saber o que está se passando em relação às questões nutricionais do paciente”.   Ela destaca ainda que algumas condições são normais em idosas, são funções fisiológicas e não doenças. 

Dr. Marcel Hiratsuka, Dra. Denise Ferreira, Dra. Aline Rufino, Dra. Fernanda DusilekDr. Marcel Hiratsuka, Dra. Denise Ferreira, Dra. Aline Rufino, Dra. Fernanda Dusilek

 

 

 

 

 

 

Comissão Técnica da zona Sul do CRF-SPComissão Técnica da zona Sul do CRF-SP

A farmacêutica Dra. Vanessa de Andrade Conceição apresentou as especificidades dos cuidados paliativos. “Precisamos estar preparados não apenas para a cura, mas também para a morte do paciente e, assim, cuidar dele da maneira mais humanizada possível, com respeito à vida, a autonomia do outro. Precisamos olhar menos a prancheta e olhar para o paciente”. 

É necessário entender que cuidados paliativos são diferentes de fim da vida e precisam começar junto com o diagnóstico da doença. Muitos familiares preferem a hospitalização de idosos, por terem de trabalhar, não terem pessoas responsáveis pelos cuidados especiais. Já o fim da vida indica analgesia e o preparo da família.  “é preciso ter um tratamento individualizado, gerenciamento farmacológico para melhorar a qualidade de vida, reduzir custos e medicamentos desnecessários, além de avaliar as vias de administração”. 

A parte final das palestras ficou por conta do farmacêutico Dr. Luiz Fernando Moreira, que falou sobre a importância da suplementação em idosos. Ele destacou a importância de conhecer o histórico do paciente antes de prescrever suplementos como a creatina que aumenta a performance dos atletas e também nos idosos, aumenta a massa magra e melhora a função cognitiva. Dr. Luiz Fernando também falou sobre a xerostomia, quadro caracterizado pela redução de volume da saliva produzida, em função do estado de disfunção das glândulas salivares nos idosos e possíveis formas de reverter esse quadro devolvendo a sensação de sentir o sabor dos alimentos.

  A mesa-redonda teve a mediação da Dra. Tatiana Macedo Mendonça, membro da Comissão Técnica da Seccional Zona Sul. Dr. Luiz Fernando Moreira, Dra. Ana Cristina Lo Prete, Dra. Vanessa Andrade Conceição e Dr. Gustavo Alves A. de AndradeA mesa-redonda teve a mediação da Dra. Tatiana Macedo Mendonça, membro da Comissão Técnica da Seccional Zona Sul. Dr. Luiz Fernando Moreira, Dra. Ana Cristina Lo Prete, Dra. Vanessa Andrade Conceição e Dr. Gustavo Alves A. de Andrade

 


Thais Noronha 

Assessoria de Comunicação CRF-SP

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Simpósio Saúde do Idoso reúne farmacêuticos em São Paulo

 

Organizado pelo Grupo Técnico da Seccional Zona Sul, o Simpósio Saúde do Idoso reuniu farmacêuticos no Senac Jabaquara, na capital, no sábado, 10/06. Em pauta, o papel do farmacêutico no cuidado ao idoso, a importância da equipe multidisciplinar, o desafio da adesão ao tratamento, a nutrição e fisioterapia na terceira idade, interpretação de exames laboratoriais, cuidados paliativos, suplementação e muito mais.

Especialistas de diversas áreas mostraram o quanto o cuidado ao idoso é uma tarefa multidisciplinar, e, portanto, o farmacêutico deve se preparar para atender as demandas essa população que vão muito além de acessibilidade. Afinal, se há um cuidado tão grade com criança, por que não ter com idosos?

O médico geriatra Dr. Marcel Hiratsuka destacou que em 2010 a população brasileira era composta de 7 a 8% de idosos, número que, de acordo com as estimativas, aumentará para ¼ da população em 2050, índice muito próximo dos países desenvolvidos. “Pode parecer algo desesperador, mas o aumento da quantidade de idosos pode ser encarado como uma conquista, já que está relacionado à qualidade de vida, à chegada na terceira idade de forma produtiva, desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional, entre outros”. De acordo com o geriatra, os idosos possuem especificidades como multimorbidades, o que torna o atendimento mais complexo, a polifarmácia, alteração do metabolismo e excreção, além de que uma doença pode gerar outras doenças ou sintomas.

Dados significativos também foram apresentados como o que aponta que 80% dos idosos tomam uma medicação por dia, eles têm de 2 a 3 vezes maior chance de reação adversa do que os jovens, 28% das internações são causadas por causa de medicamentos.

A farmacêutica e a coordenadora da Comissão Técnica da Seccional zona Sul, Dra. Fernanda Dusilek falou sobre o desafio da adesão terapêutica nos pacientes idosos. Segundo ela, o grande desafio é lidar com pacientes que utilizam cerca de 10 a 15 medicamentos diários. “Muitas vezes o paciente não utiliza adequadamente, já que são muitos medicamentos em doses diferentes, formas farmacêuticas distintas, o que orna a adesão muito complicada”. São 125 mil mortes anuais, de 30 a 50% de falhas no tratamento, de 100 a 289 milhões de dólares gastos no mundo pela não adesão ao tratamento. “Se um adulto recebe, em média, três prescrições no ano, um idoso recebe 20, as consequências dessa não adesão são o progresso da doença, perda da qualidade de vida, mais utilização do sistema de saúde, desperdício dos medicamentos”.

Dra. Fernanda enfatizou as alternativas que ela e a equipe têm feito para que os idosos melhor compreendam a forma de utilização como adesivos, potes, tabelas de cores, recursos visuais, afinal é o profissional de saúde que deve adaptar o tratamento à rotina do idoso.

A fisioterapeuta Dra. Deise Ferreira Silva destacou que a reabilitação do paciente deve ser olhado como um todo por vários aspectos como sociais, patológicos, psíquicos, clínicos e físicos. “Nenhum membro da equipe multiprofissional trabalha sozinho”.

A nutricionista Dra. Aline Rufino Gonçalves falou sobre as peculiaridades em relação à nutrição dos idosos. A necessidade de reposição de vitaminas e suplementação para melhor qualidade de vida. Já a enfermeira Dra. Rosa Yuka Sato Chubaci, reproduziu atividades lúdicas que costuma realizar com os idosos para reafirmar a importância da humanização. “A ênfase do cuidado é direcionada, principalmente, para a promoção e manutenção do estado funcional, promovendo, ao máximo, a sua independência. E se já for dependente, cuidar e fazê-lo sentir-se cuidado”.

Áreas de atuação no cuidado ao idoso

O coordenador do Grupo Técnico de Cuidados Farmacêuticos ao Idoso, Dr. Gustavo A. de Andrade dos Santos, falou de sua experiência com pacientes com Alzheimer. “Idosos são pacientes especiais, se demenciados, mais ainda. Segundo a Associação Internacional de Alzheimer, até 2050 será um diagnóstico a cada 37 segundos nos Estados Unidos. Hoje é um diagnóstico a cada 67 segundos”.

A doença que mata mais do que câncer de mama e próstata juntos atinge um milhão e duzentos mil pessoas no Brasil e o dado mais alarmante é que metade não sabe que tem a doença, de acordo com a ABRAz, Associação Brasileira de Alzheimer. Ele enfatizou ainda a importância da orientação ao cuidador, que de acordo com estudos, possuem índices de depressão e surtos psicóticos.

A farmacêutica Dra. Ana Paula Lo Prete abordou o papel do farmacêutico na interpretação dos exames laboratoriais. “O farmacêutico precisa saber avaliar um exame laboratorial. É fundamental também saber o que está se passando em relação às questões nutricionais do paciente”.   Ela destaca ainda que algumas condições são normais em idosas, são funções fisiológicas e não doenças.

A farmacêutica Dra. Vanessa de Andrade Conceição apresentou as especificidades dos cuidados paliativos. “Precisamos estar preparados não apenas para a cura, mas também para a morte do paciente e, assim, cuidar dele da maneira mais humanizada possível, com respeito à vida, a autonomia do outro. Precisamos olhar menos a prancheta e olhar para o paciente”.

É necessário entender que cuidados paliativos são diferentes de fim da vida e precisam começar junto com o diagnóstico da doença. Muitos familiares preferem a hospitalização de idosos, por terem de trabalhar, não terem pessoas responsáveis pelos cuidados especiais. Já o fim da vida indica analgesia e o preparo da família.  “é preciso ter um tratamento individualizado, gerenciamento farmacológico para melhorar a qualidade de vida, reduzir custos e medicamentos desnecessários, além de avaliar as vias de administração”.

A parte final das palestras ficou por conta do farmacêutico Dr. Luiz Fernando Moreira, que falou sobre a importância da suplementação em idosos. Ele destacou a importância de conhecer o histórico do paciente antes de prescrever suplementos como a creatina que aumenta a performance dos atletas e também nos idosos, aumenta a massa magra e melhora a função cognitiva. Dr. Luiz Fernando também falou sobre a xerostomia, quadro caracterizado pela redução de volume da saliva produzida, em função do estado de disfunção das glândulas salivares nos idosos e possíveis formas de reverter esse quadro devolvendo a sensação de sentir o sabor dos alimentos.

Thais Noronha

Assessoria de Comunicação CRF-SP