Clipping - 18/07/2011

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Venda de antibióticos cai após obrigatoriedade de receita médica 

16/07/2011 - Portal G1

A exigência derrubou as vendas e confirmou um hábito perigoso: o da automedicação. Nossos repórteres ainda flagraram casos de venda ilegal.

Há oito meses, as farmácias de todo o Brasil são obrigadas a vender antibióticos só com receita médica. A exigência derrubou as vendas e confirmou um hábito perigoso: o da automedicação. Mas, em São Paulo, nossos repórteres ainda flagraram casos de venda ilegal.


Sem receita, nosso produtor tentou comprar antibiótico neste sábado (16) em dez farmácias de São Paulo. Oito exigiram o documento. Duas, não.

Um levantamento com os 50 antibióticos mais vendidos no Brasil aponta queda nas vendas de novembro passado até maio deste ano. A redução foi de mais de um milhão de caixas.

A queda coincide com medidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aumentar o controle sobre a venda dos antibióticos. Desde o fim de novembro, as farmácias têm de reter cópia da receita, que passou a ter validade de apenas dez dias depois da prescrição do médico. Além disso, a via do cliente deve ser devolvida carimbada, com informações sobre a quantidade de medicamentos e a data da compra.

A agrônoma Flávia Simões passou a ter mais trabalho. Mesmo assim, aprova a mudança:

“Podia ir à farmácia e comprar o remédio que eu usei da última vez pra qualquer sintoma parecido, e agora eu tenho que voltar no médico. De repente, a doença não é a mesma e eu fico mais segura”.

“É a segurança para o paciente, a segurança para quem vende o medicamento e a segurança para a indústria de que o medicamento que ela está fabricando vai para o cuidado da pessoa da forma que tem que ser”, comenta Nelson Mussolini, vice-presidente-executivo da Sindusfarma.

Já o consumo de outros remédios com tarja vermelha, como antiinflamatórios, continua indiscriminado.

Nove das dez farmácias visitadas pelo Jornal Nacional venderam esses medicamentos sem receita. O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo diz que pacientes que se automedicam migraram para os antiinflamatórios. E pede que esses remédios também sejam alvo de maior controle.

“Nós temos de cobrar da Anvisa, da própria Vigilância Sanitária, que aumente a fiscalização e o controle da venda desses produtos”, alerta Simone Lisot, superintendente-geral do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo.

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Células retiradas do paciente ajudam na recuperação de lesões na medula

17/07/2011 - Portal G1

Experimento está sendo testado em seres humanos. Efeito em lesionados há menos de 30 dias é melhor.

Pacientes com lesões na medula podem se recuperar mais rápido com a ajuda de células retiradas de seu próprio corpo, afirmam estudos feitos na República Tcheca apresentados no Congresso Mundial de Neurociência, realizado em Florença, na Itália. A pesquisa está em fase de testes em seres humanos – ao todo, 41 pessoas já participaram.

Os pesquisadores fizeram lesões experimentais em ratos, simulando o quadro em humanos, e perceberam que alguns tipos de células poderiam auxiliar na regeneração do local. Eles usaram células-tronco (que dão origem a diversos tipos de células) da medula óssea e também células precursoras da medula espinhal de embriões humanos.

Em humanos, foram utilizadas células obtidas da medula óssea do próprio paciente. Ao injetá-las, perceberam que essas células eram capazes de migrar para o tecido na medula espinhal e ajudar a regenerar o local lesionado.

No entanto, não são todos os pacientes que podem ser beneficiados. O estudo mostrou que as aplicações feitas em pessoas lesionadas em até 30 dias foram mais eficientes e o paciente apresentou uma melhora significativa. Quando as células foram aplicadas em pacientes lesionados há mais de 467 dias, o tratamento não teve resultado tão eficiente.

“Nestes pacientes lesionados há mais tempo, estamos usando outras estratégias combinadas com outras células. Nosso objetivo é continuar explorando a eficácia destas combinações”, disse ao G1 Eva Sykova, pesquisadora e professora da Universidade Charles, da República Tcheca.

Segundo ela, mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem uma lesão na medula espinhal anualmente e aproximadamente 2,5 milhões ficam com a lesão permanente. No Brasil, o Censo de 2000 – último levantado com os dados sobre paraplegia e tetraplegia – registrou 24 milhões de casos. A cada ano, surgem mais 10 mil novos casos somente no Brasil.

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Planta 'pata de camelo' pode ser usada para tratar epilepsia
16/07/2011 - Portal G1

Alternativa também pode ser usada para estresse e ansiedade. Espécie é usada na medicina tradicional de país africano.

Uma planta conhecida como “pata de camelo” (Filoestigma reticulatum) pode ajudar no tratamento da epilepsia ao baixar a temperatura corporal humana, aliviando o estresse e a ansiedade. A descoberta foi feita por Elisabeth Ngo Bum, da Universidade de Ngaoundere, de Camarões, e apresentada no Congresso Mundial de Neurociência, que ocorre em Florença, na Itália, até o dia 18 de julho.

A pata de camelo é usada na medicina tradicional de Camarões para tratar a ansiedade e agitação. Até pouco tempo, a professora tinha apenas experiências comprovadas no seu cotidiano, de que quando ingerido o chá da planta, elas mudavam de comportamento e ficavam mais tranquilas. No entanto, não havia provas científicas de como ela agia no cérebro.

Foram feitos vários testes em três diferentes modelos animais que comprovaram o resultado efetivo da pata de camelo, diminuindo o estresse e a ansiedade provocados nos ratos.

A pesquisadora também provou que o medicamento, tomado em doses prescritas corretamente, não causa efeito colateral nem dependência. “A planta tem efeito parecido como os bendiazepinicos, pode ser usada tanto em crianças como em adultos, não causa dependência nem sonolência, pode ser retirada a qualquer momento do paciente sem causar nenhum dano".

O uso da planta foi uma alternativa encontrada para tratar a população africana que não têm acesso a medicamentos mais caros. “Só a minoria das pessoas na África recebe os tratamentos básicos normais e dignos de saúde. Nossa pesquisa pode prover uma eficiente medicina tradicional para tratar os problemas locais e de países com baixo poder aquisitivo”, diz a cientista.

A expectativa é de que em dois anos o medicamento já esteja disponível em hospitais locais.

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Equipe desenvolve composto que bloqueia sinalização de proteína envolvida no câncer
17/07/2011 - Veja online

Perigosas sinalizações de receptores podem ser barradas pela incorporação de peça 'chave' sintetizada por cientistas americanos

Pesquisadores do Departamento de Química da Universidade de Nova Iorque e do Centro Médico Langone, nos Estados Unidos, afirmam ter desenvolvido um composto que bloqueia a sinalização de uma proteína implicada em diversos tipos de câncer. Um artigo descrevendo o trabalho foi publicado na Nature Chemical Biology.

A equipe examinou a sinalização de receptores conhecidos como tirosina quinase (RTK). Sabe-se que estas enzimas têm um papel fundamental no funcionamento das células. Quando suas sinalizações (ou seja, os sistemas de comunicação que regem as atividades celulares) são anormais, há ocorrência de várias doenças, incluindo muitas formas de câncer.

Os pesquisadores observaram que a sinalização da RTK depende de interações entre duas proteínas. Interromper isso seria uma maneira de barrar o problema, contendo a produção de células cancerosas no corpo. Entretanto, cientistas não tiveram sucesso ao tentar isso artificialmente.

Por meio de uma série de análises experimentais e computacionais, os cientistas levantaram a hipótese de que a ‘imitação’ de uma parte crítica de uma das proteínas – que funciona como um interruptor na interação com a outra proteína - seria uma forma inteligente de conter este processo. Usando um método previamente desenvolvido pela Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque, a equipe então conseguiu sintetizar esta parte chave da proteína em laboratório.

Novas experiências devem ser realizadas para testar a fórmula. Entretanto, a síntese de uma região específica das proteínas que viabilizam o câncer pode dar pistas para o desenvolvimento de terapias mais eficazes contra a doença.

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Nanossensor monitora célula isoladamente em tempo real
17/07/2011 - Veja Online

Técnica pode ajudar na compreensão da complexa biologia celular, auxiliar no acompanhamento de células transplantadas e localização de células-tronco

Pesquisadores do Hospital Brigham and Women (BWH), nos Estados Unidos, desenvolveram um meio de monitorar em tempo real os processos de uma única célula. A novidade pode ajudar cientistas na compreensão da complexa biologia celular. Um artigo sobre o trabalho foi publicado na Nature Nanotechnology.

A equipe se valeu da nanotecnologia, a manipulação de matéria em escala atômica e molecular, para construir sensores que se ‘grudam’ na superfície de células. Desta maneira, pesquisadores podem observar em boa resolução como uma única célula se comunica com outra e reage a diferentes remédios por meio de sinais específicos. Os sensores usados atualmente estão limitados à medição da atividade ‘coletiva’ das células em um dado ambiente.

Futuramente, o método poderia ser refinado para complementar a medicina personalizada, cujas terapias são planejadas de acordo com a genética de cada pessoa. Testes poderão ser realizados para avaliar a eficácia de uma droga antes que ela seja recomendada como tratamento padrão para uma doença.

A equipe está especialmente animada com os dados preliminares que demonstram a possibilidade de utilizar a técnica para acompanhar e monitorar o ambiente que envolve células transplantadas em tempo real. Isso nunca foi possível antes. A ideia também pode ser útil no entendimento de eventos sinalizadores que induzem uma inflamação, por exemplo, ou para localizar um nicho de células-tronco no organismo.

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Apneia do sono pode causar impotência
18/07/2011 - Folha de S.Paulo


Distúrbio do sono, que afeta 33% dos moradores de São Paulo, reduz nível de testosterona e dificulta a circulação
Máscara de ar para dormir é o principal tratamento da apneia e, muitas vezes, já resolve a disfunção erétil


Noites mal dormidas podem causar mais do que olheiras e bocejos. A apneia do sono -distúrbio que atinge quase 33% dos moradores da cidade de São Paulo- também provoca impotência sexual. E muitos dos afetados não fazem ideia disso.
"A maioria das pessoas com apneia não sabe que tem a doença. Que ela pode causar disfunção erétil, então, menos ainda", diz Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração) da USP.
Caracterizada por um ronco forte e irregular, apneia é marcada por diversas paradas respiratórias de pelo menos dez segundos durante o sono. Em uma noite, podem ocorrer dezenas delas.
Com a interrupção da respiração, ocorre um microdespertar. A pessoa passa de um estágio mais profundo do sono para um mais leve e também menos revigorante. "É como se a pessoa, em vez de dormir, apenas cochilasse", explica Lorenzi.
A combinação de paradas respiratórias e sono menos relaxante é catastrófica para o organismo. Além de ficar naturalmente mais cansado e sem disposição, quem tem o distúrbio acaba com mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares e outros males. A impotência é apenas mais um item nesse pacote.
Segundo Monica Andersen, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e pesquisadora do Instituto do Sono, a relação entre apneia do sono e disfunção erétil é evidente, mas os fatores exatos que contribuem para isso ainda não são bem compreendidos. "Por ser um fenômeno hemodinâmico [ligado à circulação do sangue nos vasos], a ereção depende da integridade dos tecidos, bem como de fatores psicológicos. Qualquer variação nesses componentes, alterados ainda mais pela apneia do sono, podem levar à disfunção erétil", diz.
Além disso, diz a pesquisadora, há estudos que ligam a impotência sexual à redução dos níveis de hormônio masculino provocada pela apneia do sono. "Essa redução no nível de testosterona pode ser causada pela idade, excesso de peso, além de outros fatores, como a hipoxia [diminuição das taxas de oxigênio no sangue arterial ou nos tecidos] e a fragmentação do sono."
Lorenzi lembra ainda que as pessoas com apneia normalmente têm outros fatores de risco -como obesidade, hipertensão e diabetes- o que pode tornar a disfunção erétil, na verdade, uma combinação de vários fatores.
"Mas, além de tudo isso, tem a falta de disposição mesmo. O homem com apneia está sempre mais cansado. À noite, antes da mulher apagar a luz, ele já está dormindo. Essa fadiga também é um fator", disse Lorenzi.

TRATAMENTO

Para recuperar a normalidade respiratória durante o sono, os especialistas indicam o CPAP, uma espécie de máscara que deve usada durante a noite. Ela projeta o ar e facilita a respiração.
O preço, no entanto, costuma ser um impedimento. O aparelho não custa menos de R$ 1.000 em sua versão mais simples. Consegui-lo na rede pública também não costuma ser tarefa fácil.
Segundo Andersen e Lorenzi, o uso do CPAP resolve, em muitos casos, o problema da disfunção erétil associada à apneia. Eles recomendam, no entanto, investigar possíveis problemas relacionados.
"Emagrecimento, atividade física regular e uma boa qualidade de vida e do sono também são extremamente importantes. Observamos no nosso estudo que praticar atividade física pelo menos uma vez por semana já é um fator protetor", diz Andersen.

Frase

"A maioria das pessoas com apneia do sono não sabe que tem a doença. Que ela pode causar disfunção erétil, então, menos ainda É como se, em vez de dormir, a pessoa só cochilasse. É um sono de menos qualidade." - GERALDO LORENZI FILHO - Diretor do Laboratório do Sono do Incor do Hospital das Clínicas USP


Médicos param de atender planos a partir de setembro
18/07/2011 - O Estado de S.Paulo


Paralisação será feita em forma de rodízio para não prejudicar os usuários: ginecologia e obstetrícia iniciam o movimento

Terão início no dia 1º de setembro as paralisações do atendimento médico a seis planos de saúde que ainda não aceitaram iniciar as negociações de reajuste do valor dos honorários. O cronograma foi definido na semana passada pelas associações que representam os médicos que atendem em São Paulo.

Os planos que terão o atendimento interrompido são: Gama Saúde, GreenLine, Abet, Intermédica, Companhia de Engenharia de Tráfego e Notredame. Os outros quatro que também seriam alvo da paralisação aceitaram negociar. São eles: Porto Seguro, Cassi, Embratel e Caixa Econômica Federal.

Como será. Ginecologistas e obstetras vão interromper o atendimento eletivo entre os dias 1º e 3 de setembro. Os otorrinolaringologistas param de 8 a 10 do mesmo mês, pediatras deixam de atender de 14 a 16, pneumologistas param de 21 a 23, e cirurgiões plásticos deixam de atender entre os dias 28 e 30 de setembro. Urgências e emergências serão garantidas.

Os anestesiologistas também vão parar as atividades semanalmente, acompanhando as áreas que estiverem no rodízio. Por exemplo: vão interromper os procedimentos ligados à ginecologia na primeira semana, os da otorrino na segunda semana, e assim por diante. O movimento seguirá até que todas as reivindicações sejam atendidas.

Segundo Florisval Meinão, vice-presidente da Associação Paulista de Medicina, a suspensão do atendimento acontecerá em forma de rodízio para não prejudicar os usuários. "A ideia é tentar entrar em negociação para que a paralisação não seja necessária. Mas algumas operadoras sistematicamente recusam iniciar o diálogo", diz Meinão.

Os médicos querem reajuste do valor da consulta para R$ 80. Hoje, o valor varia entre R$ 35 e R$ 45, dependendo da operadora. "Queremos um valor único, sem diferenciação", diz Meinão.

Os médicos também pedem a regularização dos contratos com as operadoras e o fim das pressões dos planos para que reduzam solicitações de exames, internações e procedimentos.

Segundo Meinão, 19 outras operadoras receberam cartas para iniciar a negociação, mas ainda estão dentro do prazo. A ideia é fazer o mesmo com as cerca de 300 operadoras que atuam em todo o Estado até o fim do ano.

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Ribeirão Preto abre o primeiro banco de tecido do interior de SP
16/07/2011 - Folha de S.Paulo


Inicialmente, centro vai atender pacientes com câncer que sofreram perdas ósseas

O HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto inaugurou ontem o primeiro banco de tecidos humanos do interior do Estado de São Paulo -o sétimo do Brasil.
O banco é voltado à captação, processamento, armazenamento e distribuição de ossos, peles, válvulas cardíacas, tendões e ligamentos.
Inicialmente, receberá ossos para atender aos pacientes com câncer, que sofrem perda óssea devido à doença, e àqueles que precisam trocar próteses, como idosos e acidentados, diz o coordenador do banco, Luis Gustavo Gazoni Martins.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o projeto custou cerca de R$ 713 mil. A estrutura contém câmaras refrigeradas para receber os órgãos, a temperaturas de armazenamento que variam de -35ºC a -80ºC.
De acordo com Martins, há uma grande demanda para o banco, já que o país possui um deficit na área.
"A tendência é aumentar ainda mais porque a população está envelhecendo. Cada vez mais há a necessidade de se trocar próteses", disse.
Isso porque o uso desgasta os ossos. Com o material do banco, essa parte do corpo do paciente recebe enxerto ósseo para que uma nova prótese seja colocada. Já há fila para o procedimento.

QUEIMADURAS


Com a expansão do banco para armazenar pele, vítimas de queimaduras poderão receber enxertos e ter uma recuperação melhor, afirmam os especialistas.
Segundo Martins, a pele enxertada ajuda a evitar a perda de fluidos e diminui riscos de infecção.
O secretário de Estado da Saúde Giovanni Guido Cerri afirma que o banco atende à política da regionalização do atendimento médico, cujo objetivo é evitar deslocamentos desnecessários e dar tratamento adequado à população da região.
Segundo Martins, a região de Ribeirão Preto possui taxa média de 21 doadores viáveis por milhão de habitantes -São Paulo tem 17 doadores por milhão, e o país, nove.
Com isso, a captação de tecidos tende a ser mais viável, já que a população está sensibilizada para a doação.


Mal pulmonar pode virar 3ª causa de morte
16/07/2011 - Folha de S.Paulo


DPOC, que mistura enfisema e bronquite crônica, avança no país, diz grupo médico


Estimativas da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) indicam que uma doença pulmonar pode se tornar a terceira causa de morte no país no fim desta década.
Hoje, a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) já é a quinta maior causa e mata 33 mil brasileiros por ano, embora a maioria não conheça a doença, segundo o presidente da sociedade, Roberto Stirbulov. De 1990 a 2001, o número de casos teve um aumento de 371%.
Ela é caracterizada por dois problemas (enfisema pulmonar e bronquite crônica) e se manifesta em quem se expõe a fatores ambientais nocivos ao pulmão, como fumo (85% dos casos) e exposição a fogão a lenha (15%).
"Com o tempo, o doente perde a capacidade de respirar normalmente, dificultando atividades simples, como tomar banho", diz Stirbulov.
O presidente da Associação Brasileira de Portadores de DPOC, Manoel Machado Jr., que fumou por 36 anos, teve de reaprender a falar e a respirar após o diagnóstico. "O ar não sai do pulmão."
Um remédio que reduz a inflamação pulmonar acaba de ser lançado no país. O Damax (roflumilaste), da Nycomed, é indicado para os casos mais graves.
Cerca de 10% dos que tomaram tiveram efeitos colaterais, como náusea, diarreia e dor de cabeça.
A caixa com 30 comprimidos custa até R$ 180.


Cai a eficácia de programa antitabagista
18/07/2011 - Folha de S.Paulo


Sem remédio, cidades como Ribeirão e Franca veem taxa de sucesso do projeto reduzir de 50% para até 20%
Medicamentos do Ministério da Saúde não são entregues em Ribeirão Preto desde março do ano passado


Atrasos na entrega e a falta de medicamentos fundamentais para o tratamento de fumantes estão sendo registrados em programas antitabagistas no interior do Estado.
A situação é encontrada pelo menos em Ribeirão Preto, Franca e Marília. Desde o ano passado, esses municípios registram problemas na distribuição da bupropiona, que funciona como antidepressivo, e de adesivos e chicletes de nicotina.
Segundo o próprio Ministério da Saúde, que fornece os kits, o tratamento se torna mais eficaz com a interação entre remédios e terapia.
O Inca (Instituto Nacional de Câncer) disse que as cidades receberam medicamentos em 2010.
Em Ribeirão Preto, dados da farmácia da UBDS (Unidade Básica Distrital de Saúde) Central, onde o programa é sediado, indicam que o Ministério da Saúde não envia medicamentos desde março do ano passado.
Cerca de 600 comprimidos de bupropiona chegaram a partir de uma doação da Prefeitura de São José do Rio Preto em novembro.

TAXA DE SUCESSO

De acordo com o médico Clésio Soares, que coordena o programa antitabagista em Ribeirão, a taxa de sucesso do projeto cai de 50% para 20% sem os remédios.
"Calculo que 20% dos pacientes precisam da ajuda do remédio para parar [de fumar]. Para eles, só a abordagem comportamental não adianta", afirmou.
Em Franca, o programa antitabagista, que atende grupos de 50 pessoas por mês, recebeu em abril uma quantidade de bupropiona considerada insuficiente.
"Falaram que a planilha [de pedidos] provavelmente foi [enviada] errada. Mas já tentei falar no Cratod [Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas] e não consigo contato. Não tem uma pessoa diretamente responsável", afirmou a coordenadora do programa de Saúde Mental, Sirlene Barreto.
Secretário da Saúde de Franca, Alexandre Ferreira disse que a pasta tem "bancado", eventualmente, a compra desses medicamentos.
"Ficamos com as mãos atadas porque não temos verba específica para a compra. Se gastamos dinheiro com esses remédios, o Tribunal de Contas nos aperta depois."
Em Marília, a prefeitura chegou a gastar R$ 30 mil na compra dos medicamentos.
Segundo a coordenadora da assistência farmacêutica do município, Luciana de Toledo Ferreira, a prefeitura recebeu, depois de meses de espera, um lote de 3.300 comprimidos de bupropiona no final de maio.
"Precisaríamos de pelo menos 15 mil comprimidos para três meses", afirmou.

"Calculo que 20% dos pacientes precisam da ajuda do remédio para parar [de fumar]. Para eles, só a abordagem comportamental não adianta." - CLÉSIO SOARES, coordenador do programa antitabagista.


Não envio de pedido gera atraso na entrega, diz Inca
18/07/2011 - Folha de S.Paulo


O Inca (Instituto Nacional de Câncer) informou, por meio de sua assessoria, que Franca, Ribeirão e Marília foram contemplados com medicamentos em janeiro de 2010.
Segundo o Inca, os atrasos na entrega da medicação são ocasionados por erros ou pelo não envio de pedidos.
Informações repassadas pelo Estado ao instituto indicam que Franca não enviou informações em 2010. Marília, diz o Inca, não passou dados no terceiro e quarto períodos do mesmo ano.
Já Ribeirão Preto não foi contemplada na terceira remessa de 2010, ainda de acordo com o instituto.
O Inca informou também que, na remessa enviada em abril de 2011, todos os municípios citados receberam os medicamentos.


Ampliação do projeto antifumo no Estado fica abaixo da meta
18/07/2011 - Folha de S.Paulo


A ampliação do projeto antifumo no Estado de São Paulo em 2009 ficou abaixo da meta estipulada pelo então governo José Serra (PSDB).
A meta inicial da iniciativa, que pretende ampliar o tratamento para quem quer parar de fumar, era treinar cerca 3.000 pessoas no período de um ano.
Em 2009 e 2010, o Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas) capacitou cerca de 2.000 profissionais que integram o Programa Saúde da Família na capital e no interior.
A Secretaria de Estado da Saúde disse, via assessoria, que a capacitação virou um projeto permanente e que, por isso, o prazo não deve ser considerado. Segundo a pasta, profissionais de saúde foram treinados em cursos presenciais em 2009 e, desde 2010, têm capacitação a distância.


Capacitação e distribuição de remédios não seguem a necessidade do país
18/07/2011 - Folha de S.Paulo


O uso de terapia de reposição de nicotina e bupropirona é considerado um tratamento de primeira linha por estudos recentes. Mas a distribuição desses remédios e a capacitação de profissionais são ações que ainda não acompanham a necessidade brasileira.
Médicos do Programa Saúde da Família e generalistas de postos de saúde teriam que ser capacitados para colocar o tratamento em prática de maneira eficaz.
A dependência pela nicotina é a que mais mata no mundo. Estima-se que 21% da população seja dependente de nicotina; 10%, de álcool; e 2%, de cocaína.
O tratamento deveria ser uma prioridade da saúde pública. A falta dessa priorização é um dos pontos negativos. Por outro lado, como ponto positivo, temos a disponibilização da terapia por lei no Brasil, que também é signatário da Convenção Quadro para o Tabaco.
Nesse acordo, os países têm de se comprometer a controlar essa que é a primeira causa de morte no mundo. Apesar disso, não temos políticas de prevenção como temos no caso da Aids.


Transplantes de medula aumentam 169% no país
16/07/2011 - Gazeta do Povo


O número de transplantes de medula óssea realizados no Brasil aumentou 169% nos últimos cinco anos em relação ao começo da década. E o de procedimentos feitos com doadores encontrados no país em pessoas não aparentadas foi seis vezes maior no período. O crescimento é atribuído às campanhas para captação de doadores.

Entre 2006 e 2010, o Brasil registrou 676 transplantes – 403 deles com doadores localizados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Entre 2001 e 2005, foram 251 transplantes, apenas 68 com doadores nacionais. Os outros foram encontrados em bancos internacionais.

O registro nacional de doadores tem hoje 2,2 milhões de inscritos e está integrado com a Rede BrasilCord, que reúne bancos de sangue de cordão umbilical e placentário. Eles foram responsáveis pelos doadores em 68% dos transplantes realizados no Brasil em 2010.

Procedimento

O transplante de doador nacional permite que o procedimento seja feito de forma mais rápida e barata. O valor para importar o material a ser transplantado está entre R$ 45 mil e R$ 50 mil. O transplante realizado com doador nacional sai por R$ 12 mil. A busca nos bancos nacionais e internacionais é feita simultaneamente. O critério para a escolha do doador é o grau maior de compatibilidade.

“Houve melhoria da distribuição genética do registro em relação à população. Isso é importante por causa da nossa miscigenação”, explica o diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e coordenador do Redome, Luís Fernando Bouzas. “Quando você busca um doador para um brasileiro na Alemanha, por exemplo, 90% deles são caucasianos. Não é a mistura que temos no Brasil.”

Um levantamento do Inca mostra que a maioria dos doadores voluntários do país é mulher (56%) e 88% têm menos de 45 anos. O Sudeste também concentra o número maior de doadores (48%), mas a participação das outras regiões está crescendo. “Sul e Sudeste são regiões mais populosas, mas o perfil de quem nasce no Nordeste é diferente daquele de quem nasce no Sul”, ensina Bouzas. Quanto maior a diversidade dos doadores, maior a chance de encontrar compatibilidade.

Pacientes com leucemia, linfoma e anemias graves hoje têm 72% de chance de encontrar um doador “6 de 6” no Redome. Isso quer dizer que o possível doador tem seis características genéticas iguais às do receptor. Essa é a primeira triagem feita no banco. É preciso apurar a compatibilidade – o transplante é feito se forem encontradas semelhanças genéticas em pelo menos oito de dez parâmetros.

Ao se inscrever como doador, o voluntário coleta uma pequena quantidade de sangue e os dados são inseridos no Redome. Se as características genéticas forem compatíveis com as de um paciente, ele é procurado pelo banco. A recusa, hoje, está entre 3% e 5%.

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Contaminação com bactéria leva a recall de antisséptico oral
16/07/2011 - Folha de S.Paulo


Empresa vai recolher 10 milhões de garrafas de certos tipos de Oral-B fabricados na Colômbia, diz comunicado
Unidades produzidas no Brasil não oferecem risco; micróbio pode trazer problemas para pessoas já debilitadas

A presença de uma bactéria que pode atacar pessoas com organismo debilitado levou a empresa Procter & Gamble a recolher algumas versões do antisséptico bucal Oral-B, fabricadas de forma terceirizada na Colômbia.
Segundo a assessoria de imprensa da fabricante, são cerca de 10 milhões de garrafas, com volumes de 2 litros, 750 ml e 500 ml.
A empresa não diz quantas garrafas produz no total, argumentando que se trata de "informação estratégia", mas afirma que se trata de "parte muito pequena" das unidades disponíveis.
"As demais versões e aqueles produzidos no Brasil atendem a todas as especificações de qualidade e continuarão disponíveis para os consumidores", diz comunicado.
A empresa não informou como a contaminação ocorreu, mas o micróbio por trás do problema é o Burkholderia anthina, bactéria que não deve afetar pessoas imunocompetentes, ou seja, nas quais o sistema imunológico de defesa do organismo está em bom estado.
É o que explica o médico David Uip, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. "Ele costuma causar infecções oportunistas em pessoas com doenças crônicas", diz ele.

FIBROSE CÍSTICA

Uma das doenças em que há mais riscos de ataque da B. anthina é a fibrose cística, na qual há um acúmulo de muco e inflamações nos pulmões, ambiente que favorece a multiplicação do micróbio.
As bactérias desse grupo, por isso mesmo, tendem a invadir o paciente pelo sistema respiratório. "A via de entrada normalmente é por aí", diz Uip. Além desse problema, o micróbio também pode desencadear sepse (infecção generalizada em que há inflamação no organismo todo, podendo levar à morte).
Segundo Uip, um dos agravantes na doença que vitimou o presidente Tancredo Neves, que estava suscetível a infecções hospitalares, foram bactérias parecidas.
Pessoas saudáveis não devem ter problema algum com o antisséptico contaminado, embora quem tenha passado por transplante de órgãos ou esteja usando medicamentos que fazem cair a imunidade natural do organismo inspire mais cuidados.
A Procter & Gamble diz que está recolhendo das lojas os produtos contaminados. Também incentiva os consumidores a descartar o produto em casa. É possível ver se a garrafa veio da fábrica colombiana verificando o verso da embalagem de Oral-B.
Depois de jogar fora o antisséptico, orienta o fabricante, deve-se guardar a embalagem e ligar para o serviço de atendimento ao consumidor da empresa. Os telefones estão no quadro à direita. O horário de atendimento é das 8h às 19h, todos os dias.


Tratamentos estéticos sob suspeita
17/07/2011 - O Estado de S.Paulo


Não há estudos científicos consistentes que comprovem a eficácia de técnicas populares, como carboxiterapia, alertam especialistas

Perder aquela gordurinha localizada sem sofrimento e acabar de vez com celulite, estrias e flacidez é a promessa de tratamentos populares como carboxiterapia, mesoterapia e lipoaspiração a laser. Mas não há evidências científicas sólidas sobre eficácia e segurança desses procedimentos.

O alerta é do presidente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, Felmont Eaves. O conceito de medicina baseada em evidências, diz ele, ainda não chegou às cirurgias plástica e aos tratamentos estéticos. "O que escutamos nos encontros médicos é: "Tenho feito assim com meus pacientes e eles gostam." Mas isso não é ciência de qualidade", diz Eaves, ao defender a necessidade de estudos mais consistentes.

Para o cirurgião, a lipoaspiração a laser é um exemplo emblemático. O tratamento custa pelo menos R$ 15 mil - o dobro da lipoaspiração convencional - e promete recuperação mais rápida e menos dolorosa. Mas um levantamento feito a pedido do Estado pelos pesquisadores Álvaro Atallah e Edina Koga, do Centro Cochrane do Brasil, encontrou apenas dois estudos que comparavam as duas técnicas. E pior: só um deles apresentou resultados favoráveis à lipoaspiração a laser.

Segundo os pesquisadores, são evidências de baixa qualidade, que não permitem afirmar qual é o melhor método. "Muitas dessas novas tecnologias são um problema, pois as empresas começam a vendê-las antes mesmo de estudá-las", diz Eaves.

No caso da lipoaspiração sem cirurgia, feita com um aparelho de ultrassom, a falta de comprovação é ainda mais gritante: apenas um estudo de relato de caso foi encontrado. O mesmo acontece com a carboxiterapia.

Sobre a mesoterapia, Atallah e Edina encontraram diversos relatos de casos, alguns sobre complicações associadas ao procedimento, e apenas um ensaio controlado sem resultado positivo. Em revisão da literatura nos Anais Brasileiros de Dermatologia, pesquisadores disseram haver poucos estudos com metodologia rigorosa sobre a técnica - e a maioria aborda complicações.

Popularidade. Mas esses tratamentos têm se tornado cada vez mais populares, principalmente após o surgimento dos sites de compras coletivas, que oferecem descontos de até 90% em algumas clínicas.

Na avaliação do cirurgião plástico Eduardo Lange, a maioria das técnicas usadas em clínicas de estética ajuda a diminuir a retenção hídrica, muito comum nas mulheres, o que pode levar à falsa impressão de perda de gordura. "Além disso, pedem que as pacientes façam regime e drenagem linfática."

Foi o caso da vendedora Sheila (nome fictício), de 35 anos. "Comprei dez sessões de mesoterapia por R$ 2 mil", conta. Ao longo de dois meses de tratamento, perdeu cerca de 3 quilos, mas atribui o fato à "dieta de fome" que lhe passaram na clínica. "Vi que estava pagando caro para fazer regime, o que eu poderia ter feito em casa, sozinha. Chegou uma hora que nem com a dieta emagrecia mais."

Outra insatisfeita é a administradora de empresas Andreza Lima de Castro, de 33 anos. "Rasguei dinheiro", diz ela sobre os R$ 1 mil que pagou por cinco sessões de lipoaspiração sem cirurgia. "Na hora, parece que faz efeito, mas passam uns dois ou três dias e volta tudo ao normal. Perdi apenas líquidos."

ESTUDOS CIENTÍFICOS

Nível 1 (o mais alto)

Revisão sistemática da literatura ou metanálise: é a comparação de ensaios clínicos semelhantes feitos sobre um tratamento.

Nível 2
Ensaios clínicos randomizados com mais de mil casos: pacientes aleatoriamente divididos; um grupo recebe o tratamento e o outro é controle. Ensaios clínicos duplo-cego: nem pacientes nem cientistas sabem qual grupo recebe o tratamento pesquisado.

Nível 3

Ensaios randomizados com menos participantes (50, por exemplo).

Nível 4
Estudo caso-controle: pesquisa em que se compara dois grupos tratados de forma diferente.

Nível 5
Opinião do especialista e relatos de casos.

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Uso de células-tronco também é controverso
17/07/2011 - O Estado de S.Paulo


Tratamentos que prometem rejuvenescer a pele com aplicação de células-tronco são outro tema controverso entre especialistas da área de estética. Para o americano Felmont Eaves, qualquer promessa do tipo não passa de "fraude".

Mas a Food And Drug Administration (FDA, a vigilância sanitária americana) autorizou neste mês a comercialização da primeira terapia celular contra rugas. Chamada Laviv (azficel-T), é feita com células-tronco tiradas da pele e cultivadas em laboratório.

A popularização entre cirurgiões brasileiros de outra técnica que utiliza gordura do paciente supostamente enriquecida com células-tronco motivou, em 2010, um alerta do Conselho Federal de Medicina (CFM). "Esse método tem sido apresentado em eventos de cirurgia plástica, mas não há consenso sobre sua validade. Trata-se de variação do enxerto de gordura, praticado há 20 anos, e não há dados consistentes sobre a existência de células-tronco no material", disse o texto do conselho.

Radovan Borojevic, diretor do laboratório Excellion - único autorizado a manipular células-tronco adultas para uso médico no País -, explica que o tecido adiposo já contém células-tronco, mas é preciso cultivá-las em laboratório para que tenham eficácia. "Numa retirada primária de gordura, apenas 1% do tecido é de célula-tronco." Ele revela que o laboratório busca comprovar a eficácia desse tratamento e há médicos no País encomendando o cultivo de células tanto para fins estéticos como para recuperação de pacientes com queimaduras ou traumas.

No alerta, o CFM considerou experimentais as terapêuticas com células-tronco e negou seu uso em clínicas privadas.

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''Os médicos só mostram a experiência pessoal''
17/07/2011 - O Estado de S.Paulo


Até os mais tradicionais procedimentos de cirurgia plástica não contam com nível alto de evidências científicas, diz Antonio Graziosi, ex-presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "Cirurgia, de maneira geral, é carente de trabalhos científicos. Na plástica, é pior. Você vai a congressos e os médicos só mostram a experiência pessoal."

É preciso sair do nível da opinião, diz o médico, mas há fatores que dificultam estudos de alta qualidade. "A genética muda, o tipo de pele e a velocidade de envelhecimento variam."

Embora a procura por novidades na área de estética seja grande, especialistas aconselham a opção por métodos consagrados. "Uma forma de saber se um tratamento funciona é avaliar há quanto tempo ele está no mercado", diz o médico Eduardo Lange.

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Emagrecer sem tomar remédio
15/07/2011 - Revista Época


Esse é o desafio da atriz Suzy Rêgo e de 65 milhões de brasileiros que estão acima do peso. A Anvisa pretende proibir a venda de inibidores de apetite. Como melhorar a alimentação e a atividade física para enfrentar os novos tempos.

Aos 17 anos, a modelo Suzy Rêgo perdeu a coroa de Miss Brasil por 1 ponto. Foi em 1984. O segundo lugar foi suficiente para que ela se destacasse da multidão. No auge da forma (1,73 metro e 57 quilos), posou para a Playboy e deu os primeiros passos como atriz. Hoje, aos 44 anos, o desafio de Suzy é o mesmo de 65 milhões de brasileiros: ela precisa emagrecer, como 48% da população adulta que, segundo o Ministério da Saúde, está acima do peso. Suzy chegou a pesar 104 quilos durante a gravidez dos gêmeos Marco e Massimo, que completam 2 anos neste mês. Agora, com 80 quilos, interpreta Duda Aguiar, uma atriz que vive em luta contra a balança na novela Morde & assopra, da TV Globo. Voltou às passarelas graças ao manequim 46. Aceita convites para desfilar como modelo GG, mas acredita que essa é só uma fase. “Assim que a novela terminar, quero voltar ao manequim 42”, diz. Basta querer?

Todos conhecem a receita básica do emagrecimento: alimentação saudável, atividade física e, em muitos casos, remédios. Mas essa estratégia pode estar com os dias contados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende proibir no Brasil a venda de inibidores de apetite. A discussão entre as entidades médicas e as autoridades sanitárias se estende há seis meses. A decisão deverá ser anunciada nas próximas semanas.

No centro da polêmica está a substância sibutramina, cuja marca mais famosa é o Reductil. A droga atua no cérebro e aumenta a sensação de saciedade. É a principal escolha dos médicos que prescrevem remédios contra a obesidade. O tratamento é barato (R$ 20 por mês), mas incerto. Alguns pacientes não emagrecem nada. Outros podem perder mais de 20 quilos.

A justificativa da Anvisa a favor da proibição é um estudo de seis anos realizado pelo próprio fabricante (o laboratório Abbott) com 10 mil pacientes, a pedido da Agência Europeia de Medicamentos (Emea). Foram incluídos apenas obesos acima de 55 anos, com diabetes e histórico de problemas cardiovasculares. No grupo que recebeu placebo (comprimidos sem efeito), o índice de infarto, AVC ou outros problemas cardiovasculares foi de 10%. No grupo que tomou sibutramina, o índice foi de 11,6%. Ou seja: o risco aumentou 16%. Nenhuma morte foi registrada.

Embora o estudo tenha sido realizado com um grupo de alto risco, as autoridades europeias estenderam as conclusões para a população geral e proibiram a venda do remédio em janeiro de 2010. A Abbott também foi pressionada pela agência americana FDA e decidiu retirar a droga dos Estados Unidos. O mesmo ocorreu no Brasil no final de 2010, mas a sibutramina continuou disponível na forma de produtos genéricos ou similares.

Agora, além deles, a Anvisa pretende banir outros inibidores de apetite conhecidos pelo nome de “anorexígenos anfetamínicos”. São substâncias como anfepramona, femproporex e mazindol. Elas podem causar dependência e já não são vendidas na Europa e nos Estados Unidos. Restaria nas farmácias apenas o orlistat, conhecido pela marca Xenical. Ele não atua no cérebro e tem um efeito emagrecedor menor.

“Todo mundo quer saber o que, afinal, pode ser usado sem risco”, diz Suzy. Como ela, milhões de pessoas que caminham para a obesidade ou se tornaram obesas se sentem desamparadas. Não sabem em quem acreditar nem qual é a melhor estratégia a seguir neste momento. Suzy diz que tomou sibutramina e fórmulas com anfetamínicos em vários momentos da carreira. “Sempre me dei bem com os remédios porque fazia tudo com acompanhamento médico e nutricional”, afirma. “Eles são um recurso importante, mas não podem ser o único.” O peso dela sempre oscilou. A atriz diz que perder os quilos extras ficou mais difícil nos últimos três anos. “Comecei a engordar por desleixo. Depois fiz tratamento com hormônios para engravidar e engordei mais 10 quilos.”

Para recuperar a boa forma, ela quer voltar a fazer caminhadas e Pilates. Também pretende reequilibrar a alimentação com a ajuda de uma nutricionista. “Meu ponto fraco é a cerveja. Troco qualquer refeição por ela”, diz. Quando uma pessoa passa longos períodos sem comer adequadamente, o funcionamento do organismo muda para se adequar à falta de nutrientes. É por isso que quem faz dietas muito restritivas tende a engordar no longo prazo. “Como modelo, passava fome. Tomava litros de água, ia dormir sem comer, desmaiava nos lugares”, afirma. “Quando deixei a carreira, desencanei.” Engordava, tomava remédio, emagrecia. Parava de tomar, engordava de novo. Essas oscilações de peso são parte de um fenômeno bem conhecido pela ciência.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o pesquisador Ancel Keys, da Universidade de Minnesota, realizou um experimento que se tornaria um clássico. Pretendia responder a uma questão simples: o que aconteceria se homens jovens e saudáveis perdessem muito peso em pouco tempo? Keys selecionou 36 rapazes de peso normal e saúde perfeita, na idade do serviço militar. Quando a dieta começou, eles passaram a comer metade das calorias que ingeriam normalmente. Além disso, caminhavam 35 quilômetros por semana. Em seis meses, haviam perdido 25% do peso. Liberados da dieta, passaram os três meses seguintes comendo alucinadamente. Recuperaram todo o peso perdido ou ficaram gordos. Durante a dieta, os rapazes ficaram obcecados pelo tema “comida”. Não pensavam em outra coisa. Keys observou que eles perderam o interesse até mesmo por sexo. Um dos voluntários foi encontrado vasculhando uma lata de lixo. Os garotos, que antes da experiência eram emocionalmente saudáveis, começaram a sofrer de depressão e irritabilidade. O metabolismo deles passou a funcionar lentamente. A temperatura corporal despencou, a frequência cardíaca idem. Em suma: o corpo fazia de tudo para conservar as calorias disponíveis.

Quando a dieta chegou ao fim, os rapazes estavam encrencados. As refeições habituais deixaram de ser suficientes. Ingeriam alimentos muito mais calóricos e, ainda assim, se diziam insatisfeitos. Apenas uma hora depois de ter feito uma refeição de 5.000 calorias, começavam a beliscar. Alguns passaram a consumir 10.000 calorias por dia.

Nas décadas seguintes, os cientistas perceberam que é exatamente isso o que acontece com os obesos que perdem muito peso de repente. O emagrecimento só é duradouro se for gradativo e acompanhado de reeducação alimentar. Caso não possam mais tomar remédios para emagrecer, é fundamental que os gordinhos e os obesos redobrem a atenção sobre o que colocam no prato.

Nas primeiras semanas sem a sibutramina, a tendência é que a pessoa volte a ganhar peso rapidamente (leia o quadro abaixo sobre as estratégias para cada perfil de obeso) . O remédio estimula a saciedade. Sem esse freio, as porções que anteriormente pareciam adequadas se tornam insuficientes. Pode parecer um disparate, mas para emagrecer (e manter o peso desejado) é preciso comer. Ao compor a dieta, é importante não cortar nenhum nutriente, nem mesmo a gordura. “Gordura só engorda, assim como qualquer outro nutriente, se for consumida em excesso”, diz a nutricionista Fernanda Pisciolaro, coordenadora de nutrição clínica do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Não dá para tentar cortar toda a gordura. A comida fica horrorosa e a pessoa acaba comendo mais para compensar”, diz. Estudos recentes demonstraram que a gordura está relacionada à saciedade de longo prazo. Quanto menor a quantidade de gordura na refeição, mais propensa a pessoa fica aos ataques à geladeira. Para combater a obesidade, mais importante do que seguir uma dieta específica é mudar a relação com a comida. “Precisamos retomar aquilo que nossas avós reconheciam como comida normal: arroz, feijão, bife, salada”, diz a nutricionista. O problema é que as comidas de fim de semana – como feijoada, virado à paulista e lasanha – viraram comida de todos os dias.

No longo prazo, os itens que consumimos diariamente, quase sempre sem refletir, moldam nosso estado de saúde. Todo alimento é fonte de calorias, mas alguns têm propriedades que ajudam a engordar ou emagrecer. Alimentos ricos em fibras (grãos integrais e frutas com casca) fazem a pessoa se sentir satisfeita por mais tempo. Com isso, ela não ataca o primeiro pacote de bolacha que vê.

No longo prazo, os itens que consumimos diariamente, quase sempre sem refletir, moldam nosso estado de saúde. Todo alimento é fonte de calorias, mas alguns têm propriedades que ajudam a engordar ou emagrecer. Alimentos ricos em fibras (grãos integrais e frutas com casca) fazem a pessoa se sentir satisfeita por mais tempo. Com isso, ela não ataca o primeiro pacote de bolacha que vê.

“Quero voltar a usar manequim 42. Meu ponto fraco é a cerveja. Por ela eu troco qualquer refeição”
SUZY RÊGO, atriz, 44 anos, foi miss e modelo. Com 80 kg, veste manequim 46 e desfila roupas tamanho GG

“Mudou tudo quando emagreci. Minha autoestima ficou lá em cima quando entrei numa calça tamanho 38”
SILVANA BONFIGLIOLI, 47 anos

A enfermeira chegou aos 110 kg e à obesidade mórbida. Com sibutramina e reeducação alimentar, emagreceu cerca de 60 kg. Parou de tomar o remédio porque sentia taquicardia. Hoje controla o peso com exercícios e injeções de um remédio contra o diabetes

“Tudo na vida é hábito, um costume que você adquire. Alimentação regrada não é diferente. Não passo mais vontade”
DÉBORA OGUSO, 41 anos

A artesã emagreceu 10 kg com sibutramina, mas não gostou dos efeitos colaterais. Decidiu parar. Há dois anos controlando o peso só com alimentação saudável e exercícios, está feliz

“Um cara do meu tamanho vai ficar na saladinha? Sem remédio, perco a vontade de fazer dieta”
ANTÔNIO RAYA, 60 anos

O representante gráfico mede 1,89 metro e pesa 138 kg. Fez dez dietas. Nove com remédios. Com sibutramina, emagreceu mais de 30 kg. Quando para de tomar o remédio, volta a engordar. Ele acha o remédio necessário.

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