Clipping 16/02/2009
MEDICAMENTOS
Grupo Sanofi-Aventis negocia aquisição da brasileira Medley
16/02/2009 - Valor Econômico
A Medley, líder na fabricação de medicamentos genéricos no país, negocia a venda de seu controle ao laboratório francês Sanofi-Aventis.
A crise de liquidez, com o encarecimento do crédito e a escassez de linhas de financiamento para capital de giro, nos últimos meses, obrigou a família Negrão, dona da Medley, a acelerar a busca de alternativas para o negócio, segurou apurou o Valor com pessoas familiarizadas com a transação.
A expectativa é que o negócio seja anunciado em breve, segundo disseram essas pessoas. Mas a negociação, segundo essas fontes, ainda depende de certas condições, como o acerto quanto ao preço e a separação de alguns ativos problemáticos.
A venda do controle da empresa, com sede em Campinas, no interior de São Paulo, pode superar os R$ 500 milhões, uma cifra inferior ao exigido pelos controladores no passado quando desejavam receber R$ 1 bilhão.
O laboratório brasileiro Aché, que demonstrou interesse recente em aumentar sua posição no segmento de genéricos, chegou a conversar com a Medley, mas perdeu a disputa para o grupo francês. O banco suíço UBS assessora a Medley.
Procurada, a Medley disse que não se pronunciaria sobre o assunto. A assessoria da Sanofi-Aventis no país nega a informação.
Não é a primeira vez que Alexandre Negrão, piloto campeão de stock car, tenta encontrar uma solução para sua empresa. O controle da Medley chegou a ser negociado no passado ao mesmo tempo em que a empresa se estruturava internamente - profissionalização da gestão, auditorias externas e adoção de programas de gestão SAP - para tentar abrir seu capital.
Mas a crise mudou os planos. Jairo Yamamoto, presidente da Medley desde 2001 e um ex-executivo do Banco do Brasil, passou os últimos meses em silêncio tentando reduzir a dependência de recursos de terceiros, de bancos considerados de segunda linha, que vinham alavancando as vendas do laboratório.
A desvalorização do real também encareceu a compra de princípios ativos, a matéria-prima dos genéricos que é importada principalmente da China a Índia. Como se tratam de produtos de alta concorrência, o aumento nos custos acabam por reduzir as margens de lucro.
Para a Sanofi-Aventis, a compra pode recolocar a empresa à liderança do mercado farmacêutico brasileiro em vendas ao varejo, posição perdida no ano passado para o EMS, outro laboratório brasileiro, forte em genéricos.
A Sanofi, maior farmacêutica europeia, que procura incessantemente substitutos aos seus medicamentos que perderão patente e ao fracasso do Acomplia, a droga contra obesidade, retirada do mercado mundial, em razão de seus efeitos colaterais, assumiria um terço do mercado de genéricos, o de maior crescimento no Brasil.
Na semana passada, o principal executivo da Sanofi, Chris Viehbacher, que veio da GlaxoSmithKline no ano passado para diversificar e expandir as operações do laboratório francês, declarou que a empresa dedicaria esforços para manter uma posição de liderança em mercados emergentes, como o Brasil.
A linha de genéricos da Sanofi, com a marca Winthrop, tem menos de 20 produtos no Brasil e deve ser engordada com duas centenas de medicamentos da Medley, além dos canais de distribuição no varejo. Os genéricos funcionam iguais aos medicamentos de referência, porém não possuem proteção de patente e, portanto, costumam custar mais baratos.
Se a compra for concretiza, Viehbacher deverá deixar o negócio de genéricos independente às decisões da matriz, mas fazendo alguns ajustes na gestão da empresa. Fatalmente, dizem fontes do setor, a política de vendas da Medley, sustentada por prazos longos junto aos distribuidores, será modificada, o que poderá reduzir os descontos dos genéricos nas farmácias.
Com a Medley, que fatura cerca de R$ 800 milhões, as receitas da Sanofi, cujas vendas somaram R$ 1,6 bilhão em 2008, chegariam a R$ 2,3 bilhões no Brasil, acima até do resultado obtido pela subsidiária brasileira da Pfizer com a recente compra da Wyeth.
A Medley, marca adotada em 1996, em substituição ao polêmico Instituto Químico de Campinas (IQC), começou a produzir genéricos em 2000, com apoio da política oficial do governo federal. Em poucos anos, deixou as 40ª posição do ranking para figurar entre os maiores laboratórios do país. Em dezembro, ficou na terceira posição entre todos os laboratórios, atrás do EMS e da Sanofi.
O laboratório também patrocina atletas, alguns em modalidades esportivas praticadas por deficientes físicos (basquete sob rodas, tênis para cadeirantes). Mas os maiores gastos são realizados no automobilismo, principalmente nas atividades da família Negrão, que nunca deixou de ostentar sua paixão por carros.
Brasil terá duas bulas até o final do ano
16/02/2009 - Folha de S. Paulo
Até o final do ano, o Brasil terá duas bulas de medicamentos: uma com linguagem técnica, destinada a médicos, e outra voltada ao paciente, com informações mais didáticas.
A bula do paciente continuará dentro da caixa do remédio, enquanto a outra será eletrônica, disponível no site de Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os pacientes também poderão acessá-la.
As letras e os espaçamentos entre os parágrafos no texto da bula devem ficar maiores, para facilitar a leitura dos textos. Essas e outras propostas constam de uma consulta pública da Anvisa que termina no dia 24.
Alguns estudos apontam que as bulas dos remédios vendidos no país são incompletas, excessivamente técnicas para o público leigo e superficiais e desatualizadas para os médicos.
Em 2008, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) avaliou bulas de 19 remédios (antidepressivos, calmantes, anti-inflamatórios, vasodilatadores, antirreumáticos e drogas contra pressão alta e para baixar o colesterol) e constatou vários problemas.
Entre eles, encontrou diferenças significativas entre as informações dos medicamentos de referência e seus genéricos ou similares -embora o efeito devesse ser o mesmo.
O instituto também comparou as bulas nacionais com as americanas. Nos EUA, os anti-inflamatórios destacavam o risco de morte por problemas cardiovasculares. No Brasil, dois anti-inflamatórios (Voltaren e o genérico Diclofenaco Sódico) não traziam esse alerta.
Segundo a gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Nur Shuqair, com as novas bulas, esses problemas serão sanados.
"Todos terão a mesma informação técnica, o mesmo modelo de bula. Isso vai ajudar tanto a fiscalização como os profissionais que prescrevem e dispensam medicamentos, que podem se confundir com as diferenças", afirma Shuqair.
Outra queixa de entidades de defesa do consumidor e vigilância em medicamentos é a falta de atualização periódica das bulas. Segundo o médico sanitarista José Ruben de Alcântara Bonfim, coordenador da Sobravime (Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos), com o atual formato da bula, nem médicos nem pacientes conseguem ter uma informação completa e atualizada.
"Lá fora há muito mais agilidade em publicar, por exemplo, novos efeitos adversos que não haviam sido previstos", diz Bonfim. Shuqair, da Anvisa, informa que, com o bulário eletrônico, a atualização das informações ganhará agilidade.
Bonfim também defende uma ampla revisão dos termos técnicos da bula, que, na sua avaliação, só dificultam a compreensão. "Quem sabe o que é xerodermia? Não é mais fácil escrever pele seca?", questiona.
Automedicação - Para o Idec, que prepara uma série de sugestões para enviar à consulta pública, os termos técnicos e a falta de informação violam o direito do consumidor a uma informação correta e completa, além de representar um risco à saúde. "A bula é um documento importante. Hoje, com essa total desregulamentação, ela induz o consumidor a erros", diz a advogada Karina Grou, gerente jurídica do Idec.
Segundo ela, é preciso corrigir o descompasso entre as bulas de genéricos e de drogas de marca. "Não há razão para a bula do genérico ter menos informação do que a do medicamento de referência", avalia.
Outro problema diz respeito aos efeitos colaterais. A atual legislação permite que as empresas só informem na bula as reações adversas mais graves. "A proposta é que as reações mais simples constem da bula."
Na avaliação do Idec, há casos ainda em que as bulas incentivam que os pacientes façam uso de remédios sem acompanhamento médico.
Aumento real do mínimo injeta R$ 21 bi e reduz crise
16/02/2009 - Folha de S. Paulo
Reajustado neste mês em 6,4% em termos reais, o novo salário mínimo de R$ 465 injetará diretamente na economia R$ 21 bilhões pelos cálculos do Ministério do Trabalho e será um importante instrumento de política anticíclica nestes tempos de crise, segundo especialistas. Permitirá, dizem, manter algum dinamismo em setores que dependem da expansão da renda, como o de alimentos.
Para Fábio Romão, economista da LCA, o aumento do mínimo, aliado à inflação menor neste ano, vai sustentar o consumo de alimentos e outros bens semi e não-duráveis (como roupas, calçados e produtos de limpeza e de higiene pessoal) e amortecer o impacto da crise tanto na produção como no emprego. O reajuste real também terá mais peso nas regiões onde a penetração do mínimo é maior, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Antes mesmo do aumento total de 12,05% do mínimo, o desempenho dos setores ligados à renda já destoava do resto. De outubro a dezembro, a indústria geral registrou tombo sem precedentes em crises anteriores, de 19,8%. Mas, em alimentos, a queda foi suave -0,7%, a menor dos ramos.
Só registraram expansão bebidas (0,2%), também dependente da renda, e outros veículos automotores (20,1%), por causa da fabricação de aviões encomendados antes da crise, contra queda de 54% na produção de veículos, diz o IBGE.
Isabella Nunes, do IBGE, diz que os ramos ligados à renda já tiveram resultados um pouco melhores nos três últimos meses de 2008 -quando a indústria sentiu, progressivamente, o forte baque da crise.
"A indústria desabou em dezembro, mas a renda ainda sustenta um pouco os não-duráveis." Em dezembro, a produção da indústria geral caiu 14,5% ante dezembro de 2007 -a maior retração desde 1991. Naquele mês, outro ramo ligado à renda, a indústria farmacêutica, cresceu 11,7%.
Para Nunes, uma eventual estabilidade do mercado de trabalho e o efeito do reajuste do salário mínimo jogarão um papel importante para definir o rumo da economia neste ano.
Já Romão vê o mínimo como um "amortecedor" da crise, mas que não impedirá uma desaceleração do ritmo da atividade. Regionalmente, os Estados do Nordeste já registraram em dezembro resultados "menos ruins", diz Romão, justamente por causa do maior peso das indústrias de semi e não-duráveis. Tiveram recuos abaixo da média de 14,5% as indústrias de Pernambuco (-6,2%) e Ceará (-3,9%). Goiás registrou expansão -1,1%-, impulsionado pela indústria de alimentos, cujo peso é de 66% no Estado.
"Sentiremos a crise, mas menos que os outros setores. A produção deu pequena desacelerada, mas estamos otimistas. A indústria de alimentos deve crescer 3% no ano, e o aumento real do mínimo ajudará o consumo", diz Denis Ribeiro, da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação).
Segundo Ciro Mortella, presidente da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), o setor ainda não sente o impacto da crise na produção, mas também não deve ficar inume. "Seremos afetados, mas em menor escala."
Combate à ressaca
16/02/2009 - Gazeta de Piracicaba
O excesso de consumo de bebidas alcoólicas leva o folião a procurar medicamentos que aliviem os sintomas da ressaca, como enjoo, dor de cabeça, tontura, dores abdominais e outras sensações desagradáveis. Uma rede de franquias de farmácias informa que está previsto no período do Carnaval um aumento de 40% na venda de analgésicos, antiácidos, antieméticos (enjoo), hepatoprotetores e preservativos femininos e masculinos.
Segundo o médico Pedro Leandro Bertolini, clínico geral, normalmente esses medicamentos não oferecem risco na combinação com o álcool, se for tomada uma pequena quantidade. "O ideal é a pessoa seguir a dose recomendada pelo fabricante. E em todos há o aviso que se não melhorar é preciso procurar um médico".
"A automedicação pode ser perigosa. O cientista Paracelso (1493/1541) afirmou há mais de 400 anos, que a dose certa é que diferencia um veneno de um remédio", conta.
O que o folião também precisa ficar atento, conforme o médico, é que esses produtos - que são isentos de prescrição médica - podem potencializar a ação de outros medicamentos que a pessoa já está fazendo uso e pode ser perigoso, nesse caso a orientação médica é fundamental.
O álcool também provoca uma gastrite alcoólica. "Se a pessoa ingerir um antiinflamatório, a substância pode provocar uma gastrite medicamentosa. No abuso do remédio pode ser que ocorra uma pequena hemorragia digestiva. É importante respeitar a sensibilidade de cada indivíduo e por isso as pessoas devem estar atentas ao que podem ou não tomar", afirma. "A dipirona pode causar uma hipotensão e baixar os nível de células de defesa do sangue", alerta.
PERIGO. Bertolini conta um caso que atendeu na emergência da Santa Casa, de um rapaz que ficou bêbado, caiu e bateu com a cabeça no chão. Os amigos acharam que ele estava mal por causa do álcool o levaram para casa e deram café forte para ele. "O rapaz, na queda, teve traumatismo craniano. Como estava desacordado, ao tomar café, aspirou o líquido. Com isso desenvolveu uma broncopneumonia. Como não melhorou foi levado ao hospital. Por causa do trauma, foi para a UTI, mas como estava com problema nos pulmões, ficou suscetível a contrair uma pneumonia hospitalar e correr risco de morte", revela.
Outra dica do médico é tomar cuidado com os medicamentos fitoterápicos e os chás caseiros. "Tudo em excesso faz mal. Na ressaca, podem surgir dores abdominais e é muito comum o uso do chá de sene para esse problema. Se tomar uma xícara, alivia as dores, mas a pessoa toma um litro. O sene é purgativo aí os sintomas se agravam", alerta.
Bertolini afirma que na impossibilidade de procurar um médico, a pessoa deve buscar informações sobre esses medicamentos vendidos sem receita médica, com o farmacêutico na drogaria. "Não adianta consultar o balconista, somente o farmacêutico pode orientar sobre a ação desses remédios", afirma.
A Coordenadora Farmacêutica da Rede Farmais, Dafne Estevão Carvalho, ressalta que é importante consultar o farmacêutico na hora de comprar medicamentos para acabar com os efeitos indesejáveis da ressaca.
Segundo ela, os analgésicos geralmente são utilizados para o alívio de dores moderadas, como a dor de cabeça, por exemplo. "A combinação desses medicamentos com outras drogas pode ser perigosa. O uso concomitante desses medicamentos e de álcool pode causar tonteira, perda da coordenação motora e redução dos reflexos, o que piora ainda mais a situação do motorista embriagado. O uso de antiinflamatórios também podem provocar danos ao fígado".
Efavirenz brasileiro
16/02/2009 - Valor Econômico
A Farmanguinhos, ligada à Fiocruz, faz hoje a primeira entrega do efavirenz produzido no país, a droga anti-aids da Merck Sharp & Dohme que teve sua patente licenciada compulsoriamente pelo governo brasileiro. O ato de entrega contará com a presença do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
GlaxoSmithKline
16/02/2009 - Valor Econômico
A GlaxoSmithKline, segunda maior farmacêutica do mundo, anunciou planos de cortar seus preços nos países mais pobres para 25% do cobrado nas nações desenvolvidas. A farmacêutica britânica também quer investir 20% do lucro desses mercados na construção de clínicas e outras infra-estruturas de saúde.
Sanofi-Aventis acerta compra da Medley
16/02/2009 - Valor Econômico
Os controladores do Medley, líder na fabricação de medicamentos genéricos no país, negociam com a farmacêutica francesa Sanofi-Aventis a venda de seu controle. Segundo apurou o Valor, o encarecimento do crédito e a escassez de linhas de financiamento para capital de giro nos últimos meses obrigaram a família Negrão, dona do Medley, a acelerar a busca de alternativas para o negócio.
A expectativa é que a operação seja anunciada em breve, por um valor que pode superar R$ 500 milhões. O grupo brasileiro é assessorado pelo banco UBS. Para a Sanofi-Aventis, a aquisição faz parte de sua estratégia de ampliar os negócios nos mercados emergentes. Com o Medley, que fatura por ano cerca de R$ 800 milhões, poderia retomar a liderança no Brasil e passaria a ter um terço do mercado de genéricos.
Oferta pela Genentech
16/02/2009 - Gazeta Mercantil
A Roche precisa melhorar a oferta de US$ 42,1 bi para persuadir investidores da Genentech a vender as ações, segundo pesquisa com acionistas. Uma nova oferta deve ser feita até dia 12 de março.
30 anos de dor de cabeça
15/02/2009 - Folha de S. Paulo
Por pelo menos 30 anos, o militar reformado Walacir Cheriegate, 66, sentiu-se "como se tivesse dois estiletes pontiagudos entre os olhos, na altura da pálpebra". As dores de cabeça, no início esporádicas, foram aumentando de frequência até que se tornaram diárias.
Durante dez anos ele viveu assim, com dor 28 dias por mês, em média. "Tomava até seis analgésicos diariamente. Em qualquer roupa, bolsa ou paletó, tinha um comprimido. Quando abria uma farmácia nova, eu ia ver se tinha chegado algum remédio forte", conta.
Procurou "todos os especialistas que podem existir". Foram no mínimo 20 profissionais, entre neurologistas, acupunturistas e massoterapeutas, entre outros. "Busquei até aconselhamento espiritual. Eu corria atrás de tudo o que existia, mas a dor era constante."
Ele chegou a torcer para que algum exame acusasse uma doença. "Uma vez fiz uma ressonância magnética e pensei: "Se Deus quiser, vão encontrar um problema no meu cérebro". Ficava torcendo para dar positivo e eu descobrir o que era."
Walacir diz que a disciplina militar o ajudou a tocar a vida mesmo quanto tinha as dores fortes. "Somos preparados para o combate. Se eu for chamado para uma missão, tenho que ir independentemente de como estiver. Nunca deixei de dirigir uma reunião, mesmo com a cabeça latejando. Eu dizia que a vida tinha que continuar", diz.
Mas, quando estava em casa e a dor vinha, trancava-se num quarto escuro, tomava pelo menos dois analgésicos e colocava gelo na cabeça. "Quando o desespero era grande", ia ao pronto-atendimento do hospital para tomar remédio na veia.
Walacir brinca que sua mulher, com quem é casado há 37 anos, é "uma santa" por ter passado por tudo isso ao seu lado.
Diagnóstico - Foi com a bolsa cheia de exames que ele chegou ao consultório de um neurologista que fez um diagnóstico que surpreendeu Walacir: ele sofria de uma enxaqueca que havia se tornado diária justamente por causa dos analgésicos que tomava para aliviar a dor.
Não foram os exames que acusaram o problema, já que, nesse caso, eles servem apenas para descartar outras doenças, como um possível tumor.
O diagnóstico da enxaqueca é todo clínico, baseado nos sintomas que cada paciente tem e nos exames feitos pelo médico no consultório.
Segundo o neurologista Abouch Krymchantowski, que atendeu Walacir, tomar analgésicos duas ou três vezes por semana por de um a três meses é suficiente para que quem já tem enxaqueca -doença neurovascular que afeta de 12% a 15% da população- passe a ter crises diárias ou quase diárias.
Isso acontece porque quem tem enxaqueca tem uma disfunção no chamado sistema antinociceptivo, ou sistema antidor. "É ele que produz endorfinas, nossos analgésicos endógenos. Com o uso regular de analgésicos, o cérebro interpreta, burramente, que não precisa produzir esses analgésicos endógenos, e aí vem a dor", explica o neurologista, que é coordenador técnico do Ambulatório de Cefaleias Crônicas do Instituto de Neurologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O recomendado, em casos como o de Walacir, é tomar remédios preventivos, que ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das dores.
Já os analgésicos usados nas crises têm que ser suspensos temporariamente, algo que não é fácil, pois, além da dor, o paciente pode experimentar sintomas da abstinência do remédio -como suor frio, tremores, insônia ou náuseas.
"Os primeiros dez dias [de tratamento] foram os piores da minha vida. Foi duro porque eu tinha que continuar trabalhando, mas o organismo foi reagindo", lembra Walacir.
O sacrifício valeu a pena. Com a ajuda do remédio preventivo e a "desintoxicação" dos analgésicos, ele disse que "voltou a viver". "Ressuscitei para a vida. Há cinco anos nunca mais tive uma dor que passasse da leve", comemora.
Genéricos em baixa
15/02/2009 - Gazeta de ribeirão
Mesmo com custo reduzido e os mesmos benefícios, os medicamentos genéricos ainda perdem espaço no mercado farmacêutico para os remédios de referência ou de marca. É o que mostra uma pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais. O estudo indica que, mesmo após dez anos da Lei 9.787 —que estabelece a comercialização do genérico— a população brasileira ainda tem dúvidas a respeito da qualidade do medicamento.
A pesquisa ouviu 1.217 pessoas com o objetivo de descobrir qual o maior entrave em torno desses remédios. Em Belo Horizonte, por exemplo, os resultados mostram que os medicamentos de referência —ou de marca— são os preferidos de 58,7% dos entrevistados, enquanto apenas 20,4% preferem os genéricos.
O sindicato ouviu ainda farmacêuticos, atendentes de farmácia e médicos. Segundo os dados, 95,4% dos balconistas ouvidos confiam nos genéricos, mas somente 48,9% têm o hábito de oferecer o medicamento aos clientes com freqüência. Ainda de acordo com a pesquisa, o próprio consumidor não tem o hábito de perguntar sobre a disponibilidade do genérico —apenas 37,2% solicitam.
Outra constatação do estudo é em relação aos receituários médicos – na maioria consta apenas o nome do medicamento de marca e não do princípio ativo, que daria ao consumidor a opção do genérico. Segundo a pesquisa, uma pequena parcela dos profissionais médicos entrevistados afirma receitar o princípio ativo com freqüência.
Para Rilke Novato, diretor do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, falta “determinação” por parte do cliente na procura por medicamentos mais baratos.
“Ele ainda está refém do mercado. Ainda não tem o costume, não criou o hábito ou o conhecimento suficiente para cobrar no consultório médico que o medicamento prescrito seja no nome genérico. Ou então, para fazer o mesmo na farmácia e cobrar se, de fato, existe genérico. Essa posição do consumidor é definidora dessa situação.”
Segundo Novato, a constatação de que a maioria arraasadora das receitas médicas ainda vem com o nome do medicamento de marca surpreendeu. O percentual chegou a 77%. Ele lembrou que a receita praticamente determina o medicamento a ser adquirido, uma vez que as pessoas tendem a comprar apenas o remédio prescrito.(Agência Brasil)
Produção está em risco - Ao completar dez anos, os medicamentos genéricos ainda dependem da importação de 80% das matérias-primas necessárias para a sua fabricação. Essa dependência representa risco para a manutenção não só do programa, mas para toda a indústria farmacêutica brasileira. “Se não desenvolvermos uma política consistente para atrair empresas para a fabricação dos princípios ativos que compõem essa matéria-prima, continuaremos em uma posição de risco”, diz Álvaro Zanella, diretor de Operações da Neo Química, um dos primeiros laboratórios de genéricos do País.
Governo lista plantas que poderão virar fitoterápicos
14/02/2009 - Folha de S. Paulo
O Ministério da Saúde divulgou uma lista com 71 plantas medicinais que poderão ser usadas como medicamentos fitoterápicos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A ideia é que a relação sirva de base para uma ampliação do número de fitoterápicos que hoje são financiados com verba federal. Atualmente, só dois, feitos à base de guaco (para tosse) e espinheira-santa (para úlcera e gastrite), são bancados pela pasta. A previsão é chegar a oito até o final do ano. De acordo com o governo, a relação inclui plantas nativas que já são tradicionalmente usadas pela população com fins terapêuticos e que poderão ser cultivadas em pelo menos uma macrorregião do país. Foram selecionadas plantas com potencial para serem utilizadas no combate a inflamações, hipertensão, infecções na garganta, úlceras, aftas, vermes, diarreia, osteoporose, sintomas da menopausa e do diabetes, entre outros problemas de saúde. Entre elas, estão produtos como babosa, usada no combate à caspa e à calvície, camomila (para dermatites), alho (anti- inflamatório), caju (cicatrizante), abacaxi (para secreções), carqueja (para problemas estomacais), pitanga (para diarreia) e soja (para sintomas da menopausa e da osteoporose).
Pesquisas - "A lista vem para orientar estudos e pesquisas", afirma José Miguel do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da pasta. "É preciso que a academia nos retorne que essas plantas poderão gerar produtos e ser agregadas no âmbito do sistema de saúde." Entre os aspectos que têm que estar definidos antes da inclusão dos produtos na lista de compras do ministério estão a parte das plantas que deve ser utilizada para a obtenção do medicamento (caule, folha, semente, fruto etc.) e o estabelecimento dos parâmetros de toxicidade, já que, como qualquer produto alopático, os fitoterápicos também apresentam efeitos colaterais. Comprovada a eficácia e a segurança das substâncias, o governo poderá bancar medicamentos produzidos na indústria ou plantas in natura para serem distribuídas pelas secretarias de Saúde. Em Cuiabá, já existe um programa municipal que utiliza 20 plantas e orienta os moradores a fazerem hortas em casa. Segundo Isanete Bieski, supervisora do Programa Municipal de Plantas Medicinais e Fitoterapia, da Secretaria da Saúde de Cuiabá, parte das plantas que constam da lista já é cultivada em quintais e utilizada rotineiramente pela população. "O número de plantas da relação nacional não é suficiente, mas viabilizará o começo do desenvolvimento de várias atividades em programas já existentes", afirma a supervisora.
Prefeituras - Nos últimos dois anos, o número de prefeituras que disponibilizam medicamentos fitoterápicos pelo SUS subiu de 116 para 350, chegando a 6,3% dos municípios em 2008. O governo, que anunciou em dezembro a aprovação de um programa nacional de plantas medicinais e fitoterápicos, estuda a criação de uma linha especial de financiamento para as pesquisas relacionadas às 71 plantas. Outra ideia é que haja um incentivo para que o plantio seja feito por meio da agricultura familiar.
Veja a lista completa das plantas medicinais
Anvisa apreende 22 t de fitoterápico irregular
14/02/2009 - Folha de S. Paulo
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com apoio da Polícia Federal e da Polícia Civil do Paraná, apreendeu 22 toneladas de medicamentos fitoterápicos irregulares nas cidades de Mandaguari e Maringá (no noroeste do Paraná). Na operação, cinco pessoas foram presas e três laboratórios e pontos de vendas foram fechados.
Os medicamentos eram produzidos e comercializados sem registro na Anvisa ou no Ministério da Saúde. Entre eles estão emagrecedores, antidepressivos e remédios contra a disfunção erétil. Foram apreendidas 20 toneladas das marcas Nutrilight, Nutrivida e Nutriervas, e duas toneladas da Unilife.
A operação, mantida em sigilo até ontem, foi iniciada na segunda, quando 3.500 comprimidos foram apreendidos em Umuarama (também noroeste do Estado). As prisões ocorreram na tarde de anteontem.
Foram presos o empresário Rogério Mota, 29, proprietário das marcas Nutrierva, Nutrivida e Nutrilight, sua mulher e o bioquímico responsável pelas marcas. Outras duas pessoas foram presas em Maringá -os nomes não foram divulgados.
O advogado Alcides Siqueira Gomes, que defende Mota, disse ontem que ia tentar conseguir o relaxamento da prisão dos três. "Vamos tentar relaxar as prisões. Só depois vamos discutir a necessidade ou não de autorização da Anvisa, já que os produtos são suplementos alimentares, e não remédios."
O proprietário da marca Unilife, Carlos Roberto Vertuan, contestou informação de que a Anvisa tenha retirado duas toneladas de medicamentos de sua empresa. "Foram recolhidas algumas caixas, não duas toneladas. A apreensão foi de suplementos, não de remédios." Ele não foi preso.
PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
Anti-hipertensivo e efeitos colaterais
16/02/2009 - Folha de Londrina - Londrina
Um novo medicamento para controle da pressão arterial promete reduzir efeitos colaterais graves, como a disfunção erétil. Betabloqueador e vasodilatador, altamente seletivo, nebivolol (Nebilet) foi desenvolvido a partir da descoberta da ação do óxido nítrico no controle da pressão sanguínea, que rendeu aos pesquisadores Robert Furchgott, Louis Ignarro e Ferid Murad, o Prêmio Nobel de Medicina em 1998. Pesquisas realizadas na Europa apontam que apenas 34% dos homens que utilizavam anti-hipertensivos não se queixavam de problemas de ereção. Mas, após utilizarem nebivolol, o número aumentou para 59%. O novo medicamento, que levou dez anos para ser desenvolvido, será produzido e comercializado no Brasil pela Biolab Farmacêutica. A previsão é que esteja no mercado até o final de março.
Terapia gênica é fraca contra vírus da Aids
16/02/2009 - Folha de S. Paulo
A terapia gênica no tratamento da Aids é promissora, mas na prática ainda está longe de poder substituir o uso de antirretrovirais. É o que mostram os resultados do primeiro teste clínico para avaliar a eficácia da terapia gênica no combate ao HIV, publicados em artigo de Ronald Mitsuyasu, da Universidade da Califórnia (EUA), e colegas na revista científica "Nature Medicine".
Houve uma pequena melhora nos níveis de linfócito T CD4+ (células que coordenam a defesa do organismo e que são ao mesmo tempo destruídas pelo HIV) nos indivíduos tratados, em comparação àqueles que receberam placebo. Porém, não houve redução da carga viral nos pacientes. O teste foi feito com 74 pacientes. Eles receberam ou placebo ou células-tronco de sangue (glóbulos brancos em estágios iniciais de desenvolvimento) contendo uma sequência de RNA -espécie de auxiliar do DNA. Essa sequência de RNA, chamada pelos médicos de OZ1, atua como uma enzima que ataca o RNA do HIV, impedindo-o de produzir duas proteínas-chave.
A OZ1 se mostrou segura, e não causou efeitos adversos durante o tratamento -ao contrário dos antirretrovirais, que costumam provocar efeitos colaterais nos pacientes. Segundo o artigo, o estudo indica que a terapia gênica é segura para tratar pessoas com HIV e pode ser desenvolvida como uma terapia convencional para Aids. Os autores do trabalho, animados, afirmam no documento publicado que o estudo é o "maior avanço na área".
Para o infectologista Esper Kallás, pesquisador da Universidade de São Paulo, "os resultados obtidos, embora modestos, mostram que a manipulação genética das células é uma forma viável de tentar tratar doenças humanas".
Para ele, que não demonstra a mesma empolgação dos autores, existe a expectativa teórica de a terapia gênica substituir o tratamento com antirretrovirais. Porém, os resultados do teste "mostram que ainda estamos longe disso". "A melhora da contagem de linfócitos T CD4+ foi discreta.
Por outro lado, o estudo não foi capaz de demonstrar que esse tratamento reduziu significativamente a quantidade do HIV", afirmou o médico.
Segundo ele, o fato mais importante é que o tratamento foi seguro e bem tolerado pelos voluntários. "Existem muitas outras formas de atuar geneticamente nas células, e vários pesquisadores estão discutindo essas alternativas."
Vacina - A terapia gênica é mais uma esperança para curar a Aids, uma vez que a criação de uma vacina não tem sido bem sucedida até o momento. Em 2007, o teste mais avançado de uma vacina, criada pela farmacêutica Merck, foi suspenso depois que 82 voluntários expostos ao vírus (49 vacinados e 33 do grupo de controle) acabaram contaminados. Mesmo assim, os pesquisadores tentam se manter otimistas. "Embora os resultados anunciados em 2007 tenham sido desapontadores, os pesquisadores têm se empenhado em descobrir e propor novas formas para desenvolver uma vacina eficaz. Isso deve demorar mais do que gostaríamos, mas há muitos grupos trabalhando para abreviar esse tempo", afirmou Kallás, cujo grupo trabalha na pesquisa de vacinas contra a Aids há aproximadamente dez anos.
"Uma vacina eficaz e segura contra a Aids pode ser a única forma de controlarmos de forma significativa o avanço da epidemia, principalmente em países com recursos limitados."
Chorar fez bem
16/02/2009 - Estado de Minas - Belo Horizonte
Pode ser pura coincidência, mas tenho firme convicção de que a quimioterapia que fiz secou meus olhos para sempre. Nunca mais derramei uma lágrima, o que não é nada bom. Mais ou menos por alto, médicos que consultei, não por isso, relataram que possivelmente devo ter síndrome do olho seco, que, para os oftalmologistas, ocupa o segundo lugar nos problemas visuais, só perdendo para problemas refrativos. O que é uma pena, porque chorar faz bem para o ser humano. Produzida continuamente, a lágrima tem mais de 100 compostos importantes – 90% de água, além de sais minerais e uma série de proteínas com propriedades bactericidas. A lágrima ajuda no processo de desenvolvimento e proliferação das células da superfície do olho e mantém o revestimento ocular liso e regular, o que favorece a visão.
Além disso, lágrima tem várias funções para a manutenção da saúde ocular: regulariza a superfície da córnea; tem substâncias bactericidas que protegem a córnea e a conjuntiva; tem glicose e transmite oxigênio do meio ambiente para as células da superfície ocular; mantém a superfície ocular transparente e úmida, e auxilia na retirada de partículas dispersas na região.
Um indivíduo normal que viver 70 anos, terá secretado em torno de 40 litros de lágrima, de cada olho, ao longo da vida. Mas pelo menos 10% da população padece, em maior ou menor intensidade, com “olho seco” ou síndrome da disfunção lacrimal. Aproximadamente 18 milhões de pessoas no Brasil sofrem dessa síndrome. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida de seus portadores, evitando complicações e sequelas graves, que podem chegar ao déficit visual.
A síndrome do olho seco é definida como uma condição em que o paciente tem diminuída a produção da lágrima ou apresenta alteração da qualidade da lágrima, fatores que se refletem em sintomas oculares de intensidade variável. Os pacientes com olho seco se queixam de irritação ocular, sensação de “areia nos olhos”, “vermelhidão”, sensação de peso nas pálpebras, secreção mucosa no canto interno dos olhos, fotofobia e, em alguns casos, lacrimejamento reflexo, depois de sensação de ardor ocular. A baixa de visão ocasionada pelo olho seco pode ocorrer relacionada à instabilidade da lágrima (em casos transitórios) e à ceratite puntata (em casos persistentes). Nos casos mais graves, podem ocorrer complicações como úlceras de córnea e infecções secundárias.
Estudos apontam que mulheres e idosos têm maior risco para olho seco e os hormônios reprodutivos parecem ter papel importante no desenvolvimento da doença. Entre as mulheres na pós-menopausa, a terapia de reposição hormonal (TRH) está associada com maior incidência e severidade ao olho seco. Doenças como artrite reumatóide, diabetes mellitus, alterações tireoideanas, gota e dislipidemias elevam o risco de manifestações relacionadas ao olho seco. Também os usuários de lentes de contato e de medicações de uso crônico (anti-histamínicos, betabloqueadores, drogas psicotrópicas, antidepressivos, analgésicos, diuréticos), juntamente com os fumantes, reportam sintomas de olho seco com maior frequência que a população em geral.
O tratamento do olho seco tem como objetivo primordial assegurar a lubrificação dos olhos por meio do uso de lágrimas artificiais. O uso de colírios lubrificantes melhora a qualidade de vida do paciente com olho seco de maneira significativa. Hoje, existe um grande número de bons colírios de lágrima artificial sem conservantes, que poupam os olhos dos efeitos colaterais causados pelo uso contínuo dos lubrificantes tradicionais com conservantes. O uso de colírios com hialorunato de sódio também se constitui numa boa alternativa para o tratamento do olho seco, porque além de ser um excelente lubrificante, o medicamento estimula a migração das células epiteliais, melhorando a superfície da córnea.
Alimentos funcionais não curam, mas previnem
16/02/2009 - Gazeta do Povo - Curitiba
Há 2,5 mil anos já se sabia que, além de fornecer nutrientes essenciais à sobrevivência, os alimentos também tinham o poder de curar doenças, mas só na década de 90 as pesquisas sobre os alimentos se intensificaram a ponto de se identificar aqueles considerados “funcionais” ou “nutracêuticos”. Esses alimentos ou ingredientes são chamados assim porque, além de suas funções nutricionais básicas, ainda produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos benéficos à nossa saúde, explica a professora de Nutrição Humana da Universidade de São Paulo (USP), Jocelem Mastrodi Salgado. “A tendência em todo o mundo é viver mais. Como ninguém quer viver doente, é importante ter uma dieta rica em alimentos funcionais, pois eles ajudam a melhorar o sistema imunológico e a prevenir doenças como o diabete, o câncer e o mal de Alzheimer”, exemplifica.
Jocelem, que também é presidente da Associação Brasileira de Alimentos Funcionais, explica que os alimentos nutracêuticos não podem ser comparados aos remédios, pois não têm poder de cura. “Eles não têm contraindicações quando consumidos em sua forma natural, ao contrário dos remédios; mas também são só capazes de prevenir ou diminuir o risco de algumas doenças”, lembra.
Para tirar melhor proveito destes alimentos, é preciso seguir algumas orientações. “Os alimentos funcionais devem ser consumidos todos os dias e, embora eles não façam mal, é importante ter bom senso. O chocolate e o azeite de oliva, por exemplo, são altamente calóricos. E os grãos integrais, ricos em ferro, também podem estimular demais o sistema digestivo”, alerta.
Em alguns casos, é preciso verificar a forma correta de consumir esses produtos. A semente de linhaça, por exemplo, é melhor absorvida pelo organismo quando triturada. O tomate, quando cozido, concentra mais licopeno do que cru. “Recomendo, sempre que possível, comprar os alimentos já processados, pois nem sempre é possível realizar o processo correto em casa”, avisa a especialista.
Monte seu cardápio funcional
Alguns alimentos sempre foram considerados poderosos na prevenção de doenças; outros, tidos como vilões de uma dieta equilibrada, também ajudam a manter a saúde
CONSAGRADOS
Maçã
A fruta contém tanino, componente antioxidante, antisséptico e vasoconstritor. O tanino também está presente em temperos como o manjericão, a manjerona, a sálvia e em frutas como a uva e o caju, além da soja.
Soja
O grão e os seus derivados contêm isoflavonas, componentes com ação estrogênica – que reduzem os sintomas da TPM e da menopausa. A soja também tem ação anticancerígena e suas proteínas ajudam a reduzir os níveis de colesterol.
Salmão
Peixes marinhos como salmão, sardinha, atum, anchova e arenque contam com ácidos graxos ômega-3, que reduzem os níveis de colesterol e triglicerídeos, diminuindo assim o risco de doenças cardiovasculares. Também têm ação anti-inflamatória.
Tomate
O molho de tomate contém licopeno, um componente antioxidante que reduz os níveis de colesterol e, por reparar os danos dos radicais livres que alteram o DNA das células, o risco de câncer de próstata. Também fazem parte deste grupo a goiaba, o pimentão, a beterraba e a melancia.
Aveia
Os cereais integrais de maneira geral, entre eles a aveia, o centeio, a cevada e o farelo de trigo têm fibras solúveis e insolúveis, que melhoram o funcionamento intestinal, reduzindo o risco de câncer de cólon. As fibras solúveis ajudam a controlar a glicemia e dão maior saciedade, por isso auxiliam a perda de peso. As leguminosas como soja, lentilha e feijão, os talos de hortaliças e as cascas das frutas também são ricas em fibras.
Abóbora
Abóbora, cenoura, mamão, manga, espinafre e couve têm betacaroteno, que se converte em vitamina A quando ingerido com gorduras e proteínas, protegendo as células do envelhecimento e diminuindo o risco de câncer.
Cebola
Além da cebola, o alho também conta com sulfetos alílicos, que reduzem o colesterol e a pressão sanguínea, melhoram o sistema imunológico e reduzem o risco de câncer gástrico.
Brócolis
Além do brócolis, a couve-flor, o repolho, a couve-de-bruxelas, o rabanete e a mostarda possuem indóis e isotiocianatos, indutores de enzimas que protegem contra o câncer de mama.
Iogurte
O iogurte e os leites fermentados fazem parte do grupo dos alimentos probióticos. Contêm bifidobactérias e lactobacilos que favorecem as funções gastrointestinais, reduzem o risco de constipação e, consequentemente, de câncer de cólon.
Laranja
Elas e as demais frutas cítricas, assim como a salsa, a alcachofra e o tomate, possuem flavonoides, componente anticancerígeno, vasodilatador, anti-inflamatório e antioxidante.
Linhaça
Esta semente contém lignanas, um componente inibidor de tumores hormônio-dependentes. Por equilibrar os hormônios, também diminuem os efeitos da tensão pré-menstrual (TPM). A linhaça dourada é ainda mais potente.
Castanha-do-pará
Além das castanhas, as nozes e as amêndoas têm ácido a-linolênico, que estimula o sistema imunológico e tem ação anti-inflamatória.
REDIMIDOS
Abacate
Fruta rica em fitonutrientes, que ajudam a reduzir o colesterol, além de ser um poderoso antioxidante. Mas, por possuir uma quantidade razoável de gordura, assim como o azeite de oliva, deve ser consumido com moderação, para não engordar.
Vinho
O vinho tinto contém catequinas, um componente que reduz a incidência de colesterol e certos tipos de câncer, além de estimular o sistema imunológico. Também fazem parte deste grupo o chá verde e as frutas vermelhas (amora, framboesa, mirtilo e cereja). Deve ser consumido em moderação por conter álcool.
Chocolate
Desde que amargo e consumido em pequenas quantidades por dia, é anti-inflamatório e ajuda a diminuir o risco de câncer. Isso porque possui flavonoides, que, entre outras funções, anulam a dioxina, usada em agrotóxicos.
Café
O café também tem flavonoides e atua na prevenção de doenças, assim como o vinho tinto, o suco de uva, o chocolate e as frutas cítricas, entre outros.
Estudo liga beijo a tendência matrimonial
15/02/2009 - Folha de S. Paulo
Um painel de cientistas examinou o mistério do que acontece quando os corações disparam e os lábios se colam. O beijo, concluem, libera substâncias que reduzem o nível de hormônios de estresse e estimula nos homens o desejo de formação de casal -embora nem tanto nas mulheres.
As substâncias da saliva podem também ser uma forma de avaliar um parceiro ou parceira, disse Wendy Hill, neurocientista do Lafayette College, EUA, durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a AAAS.
Em um experimento, afirmou Hill, casais de estudantes do ensino médio heterossexuais que se beijavam por 15 minutos ouvindo música tiveram mudanças significativas nos seus níveis dos hormônios ocitocina, que afeta a formação de casais, e de cortisol, associado com o estresse. O sangue e a saliva foram comparados antes e depois do beijo.
Tanto homens quanto mulheres tiveram um declínio no cortisol depois do amasso, sinal de que seus níveis de estresse declinaram. Entre os homens, os níveis de ocitocina aumentaram, enquanto nas mulheres eles caíram. "Isso foi uma surpresa", disse Hill.
Em um grupo de voluntários que simplesmente haviam dado as mãos, as mudanças químicas foram parecidas, mas muito menos pronunciadas, afirmou a pesquisadora.
Hill participou de uma sessão sobre a ciência do beijo, com Helen Fisher, da Universidade Rutgers, e Donald Lateiner, da Ohio Wesleyan.
Sexo com amor - Fisher, psicóloga evolutiva e autora de "Anatomia do Amor", destacou que mais de 90% das sociedades humanas praticam o beijo, que ela acredita ter três componentes: o impulso sexual, o amor romântico e a ligação estável.
Os homens tendem a pensar no beijo como um prenúncio da cópula, disse Fisher. Ela afirmou que os homens preferem beijos "desleixados", nos quais substâncias químicas como a testosterona podem ser passadas às mulheres. A testosterona aumenta o desejo sexual em ambos os sexos.
Lateiner, um acadêmico clássico, observou que o beijo aparece pouco na arte grega e romana, mas era amplamente praticado, apesar da disseminação de doenças de pele naquela época devido à prática do beijo no rosto. E havia também um potencial para a gafe social ao beijar a pessoa errada na hora errada.
E-fumo
15/02/2009 - Folha de S. Paulo
Eu nunca fui fumante, então, sentada no balcão do bar, com a mão no queixo, tento lembrar como Audrey Hepburn fazia. Trago gentilmente e expiro. Uma névoa branca envolve meu rosto enquanto espero o barato da nicotina chegar ao meu cérebro. As pessoas começam a olhar. Então o inevitável acontece: "Ei, aqui não pode fumar". Só que neste caso eu posso, porque não estou fumando.
Eu acabo de "acender" um e-cigarro. Parece um cigarro de verdade e, com cada tragada, alguns microgramas de nicotina de um cartucho descartável deveriam chegar ao meu pulmão. Meu e-cigarro até produz "fumaça" -mas não queima, então, não é proibido. No número crescente de locais públicos onde o fumo é banido, uma nova raça de fumante surgiu, tragando essas bugigangas.
Os e-cigarros podem ajudar os fumantes a escapar à proibição, mas também ajudam-nos a fugir das consequências do tabagismo ou a largar o vício? Em setembro do ano passado, a Organização Mundial da Saúde divulgou um comunicado afirmando que não havia evidência alguma de que eles pudessem ajudar a largar o vício. Então, o que nós sabemos sobre eles?
Os e-cigarros foram inventados por Hon Lik, da empresa de aparelhos eletrônicos Ruyan, na China. O primeiro foi vendido em 2004. A Ruyan diz ter vendido mais de 300 mil unidades em 2008.
O aparelho parece um cigarro normal, mas, em vez de conter tabaco, tem uma pilha e um LED. O filtro descartável contém um cartucho com nicotina dissolvida em propilenoglicol, o líquido das máquinas de fumaça de danceterias. Quando você traga, um sensor de pressão liga uma resistência que vaporiza o propilenoglicol e solta a "fumaça". O cartucho mais forte contém a mesma quantidade de nicotina de um cigarro normal, mas dura 300 tragadas, contra 15 de um cigarro.
No entanto, em cada tragada, o cartucho mais forte libera apenas um terço da nicotina de uma tragada num cigarro normal, diz Murray Laugesen, que estuda os e-cigarros.
Buraco legal - Até aqui tudo bem. Mas será que os e-cigarros são realmente menos perigosos? Você pode pensar que alguma organização independente já tenha tentado verificar. Longe disso. Na maioria dos países o e-cigarro escapa à regulamentação. "Se você diz que um produto tem efeito sobre a saúde, ele se torna um remédio e passa por regulamentação", diz John Britton, pneumologista da Universidade de Nottingham (Reino Unido). "Se é um produto da combustão de tabaco, esse produto é um cigarro". O e-cigarro não é nem um nem outro, o que dá aos fabricantes liberdade total.
Para complicar ainda mais as coisas, algumas empresas que dizem que os e-cigarros ajudam a cortar o vício citam uma aprovação falsa da OMS.
Laugesen é um dos poucos pesquisadores que lidam com a questão. No começo de 2007, ele começou um programa de pesquisas para investigar os riscos potenciais do cigarro eletrônico. A pesquisa é bancada pela Ruyan, mas Laugesen insiste em que ela é independente, visão partilhada pela OMS.
Os resultados preliminares parecem positivos. Ele descobriu que cada tragada libera só alguns microgramas de água, álcool, nicotina, propilenoglicol e flavorizantes. Mas e quanto ao risco de substâncias cancerígenas? Apesar de traços delas terem sido encontrados no e-cigarro -mais provavelmente pegando carona na nicotina derivada de tabaco dos cartuchos-, Laugesen diz que sua concentração não é diferente da dos adesivos de nicotina.
O que preocupava o pessoal do bar era o fumo passivo. Embora o cigarro eletrônico não produza monóxido de carbono ou os carcinógenos da combustão, o cartucho contém aldeído acético -o causador da ressaca, que pode ser cancerígeno se se acumular no corpo. No e-cigarro, no entanto, os níveis são baixos e podem ser facilmente quebrados pelo organismo.
Nem todo mundo se convence de que o cigarro eletrônico ajuda mesmo a parar de fumar. "Sem exames de sangue, é difícil confirmar se a nicotina está chegando à corrente sanguínea", diz David Burns, que pesquisa doenças relacionadas ao tabaco na Universidade da Califórnia em San Diego, EUA. Se não chega, não ajuda. Laugesen está estudando esse assunto e submeteu seus resultados ao encontro anual da Sociedade para Pesquisa da Nicotina, que acontece em abril na Irlanda.
E quanto aos elementos psicológicos do vício? Será que um fumante comum aceitaria um e-cigarro no lugar do de verdade? Eu decidi descobrir com um experimento não-científico: dei um para meu pai, que fuma um maço por dia. Ele não gostou. Mas, justiça seja feita, meu pai não pensa em parar.
Marco Munafo, da Universidade de Bristol, Reino Unido, suspeita que uma parte do problema resida em outras substâncias dos cigarros reais. Apesar de a nicotina ser o componente viciante primário, há outros componentes na fumaça que alavancam seu potencial.
Estudos com animais sugerem que substâncias na fumaça que não são a nicotina inibam 40% da atividade da enzima monoaminaoxidase (MAO). A nicotina causa a liberação do neurotransmissor dopamina, cuja ação está ligada a sensações prazerosas do fumo. Já foi sugerido que a inibição da MAO poderia diminuir a recaptação de dopamina, potencializando o efeito do fumo.
O TobReg (Grupo de Estudos da OMS para Regulamentação do Tabaco) realizou uma reunião em novembro de 2008 para debater o destino dos e-cigarros. A conclusões serão publicadas só em setembro, mas há sinal de que um parecer vai incluir propostas de regulação mais rígidas: por exemplo, a venda do e-cigarro seria restrita a farmácias. O tabagismo eletrônico em lugares fechados também seria vetado até haver evidências de que ele não prejudique fumantes passivos.
Exposição à poluição durante a gravidez causa asma ao bebê
15/02/2009 - O Estado de S. Paulo
A exposição de uma mulher grávida a um ambiente com muita poluição aumenta o risco de a criança contrair asma devido a mudanças genéticas ocorridas dentro do útero. A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade de Cincinnati e da Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, foi publicada na revista científica Public Library of Science (PLoS).
Depois de estudar o sangue do cordão umbilical de bebês nascidos em Nova York, os pesquisadores descobriram uma relação entre exposição da mãe ao ar contaminado por fuligem de veículos, alterações epigenéticas e o surgimento da asma na criança antes dos 5 anos de idade.
A exposição a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH, na sigla em inglês) - compostos produzidos durante a queima incompleta de combustíveis com carbono - já foi associada ao desenvolvimento de uma série de doenças, entre elas o câncer e a asma infantil.
Comprovou-se agora que até mesmo o feto sofre os efeitos da poluição enquanto está no útero materno. Os PAH desencadeiam uma alteração epigenética no gene ACSL3, relacionado ao metabolismo no pulmão. As mudanças epigenéticas perturbam o desenvolvimento dos genes e, desta forma, influenciam a sua atividade, mas sem gerar mudanças estruturais ou mutações no material genético.
Os cientistas consideram que a exposição aos PAH por meio da placenta pode reprogramar genes do feto relacionados à inflamação das vias respiratórias e à asma na infância. A equipe analisou glóbulos brancos do sangue de cordão umbilical de 56 bebês, em busca de quaisquer alterações epigenéticas relacionadas à exposição pré-natal à substância tóxica. Antes, os especialistas confirmaram a exposição das mães a um ambiente de alta poluição durante a gravidez.
Descobriram, assim, uma clara relação entre mudanças no gene ACSL3, exposição materna aos PAH e a aparição de sintomas de asma antes dos 5 anos. Segundo os pesquisadores, transformações epigenéticas no ACSL3 poderiam servir como indicadores do risco de uma criança contrair asma.
"Nossa pesquisa apoia a ideia de que os poluentes podem interagir com os genes durante períodos chave do desenvolvimento e, assim, desencadear o aparecimento de doenças anos mais tarde", explica o responsável pela pesquisa, Shuk-mei Ho.
Tecnologia ajuda idosos em casa
15/02/2009 - O Estado de S. Paulo
Quantidades crescentes de idosos que vivem sozinhos não estão realmente sós. Eles estão sendo acompanhados por novas tecnologias desenhadas para capacitá-los a viver de maneira independente e evitar viagens caras a prontos-socorros ou moradias para idosos.
Bertha Branch, de 78 anos, descobriu o poder de um sistema chamado eNeighbor quando caiu, tarde da noite, no chão de seu apartamento, na Filadélfia (EUA), sem o seu pingente de alerta de emergência e não pôde pedir ajuda por telefone.
Um sensor sem fio embaixo de sua cama detectou que ela havia se levantado. Detectores de movimento em seu quarto e banheiro registraram que ela não havia saído da área da maneira usual e transmitiram essa informação a um sistema de monitoramento central, disparando uma ligação para o seu telefone para perguntar se ela estava bem. Quando ela não respondeu, isso acionou novas chamadas - para um vizinho, para o zelador do edifício e para o 911, que enviou bombeiros para arrombarem sua porta. Ela tinha ficado menos de uma hora no chão quando eles chegaram.
Tecnologias como o eNeighbor vêm com grande promessa de melhorar o atendimento com menor custo e o respaldo de grandes companhias como Intel e General Electric. Mas os dispositivos, que podem ser caros, continuam em geral não testados sem cobertura de planos de saúde tanto estatais como privados. Os médicos não são treinados para tratar pacientes usando transmissão remota de dados e não têm mecanismos para ser remunerados por isso.
E, como todas as tecnologias, os dispositivos - incluindo sensores de movimento, detectores de consumo correto de medicamentos e dispositivos sem fio que transmitem dados sobre pressão sanguínea, peso, níveis de oxigênio e glicose - podem ter consequências inesperadas, substituindo o contato direto com médicos, enfermeiros e membros da família por medições eletrônicas.
Branch, que tem diabete grave e problemas cardíacos, disse que não poderia viver sozinha sem o sistema, construído por uma empresa de Minnesota chamada Healthsense. "Perdi uma amiga muito próxima recentemente", disse. "Ela também era diabética e caiu durante a noite. Não tinha os sensores e entrou em coma." Sem os sensores, disse Branch, "eu provavelmente estaria morta". Histórias como a de Branch mostram o potencial de dispositivos relativamente simples para proporcionar conforto e independência a uma população em envelhecimento que está rapidamente ultrapassando os recursos de médicos, enfermeiras, hospitais e dólares de assistência à saúde ao seu dispor.
O custo do sistema básico de Branch, oferecido por uma empresa provedora de assistência à saúde chamada New Courtland como parte de um programa financiado publicamente, fica em torno de US$ 100 mensais, bem menos que o de uma casa para idosos, onde os custos para os contribuintes podem exceder US$ 200 por dia. Nos dois anos que Branch teve o sistema, ela caiu três vezes e uma vez ficou presa na banheira, em todas elas incapaz de ligar pedindo ajuda sem ele.
"Numa base individual, demonstramos que eles podem ser muito eficazes", disse Brent Ridge, um professor assistente de medicina geriátrica na Faculdade de Medicina Mount Sinai em Nova York.
"Mas até eles serem lançados em larga escala, realmente não se sabe. Os médicos poderiam dizer: ?Estou sobrecarregado, não tenho tempo para todos esses dados?."
Primeira pessoa a receber um novo rosto nos EUA tem alta
14/02/2009 - Folha de S. Paulo
A primeira pessoa submetida a um transplante de rosto nos Estados Unidos -e a quarta no mundo- saiu do hospital no último dia 5. A cirurgia permitiu que a mulher, que teve a identidade preservada, voltasse a sentir cheiro de hambúrguer e a tomar café, ações simples comprometidas por um acidente.
Os resultados do transplante foram apresentados ontem em Chicago, durante a reunião 175 da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), pela médica e pesquisadora de origem polonesa Maria Siemionow, que realizou a operação na Clínica Cleveland (EUA).
"Ela simplesmente não podia tomar banho de chuveiro nem sentir cheiro porque não tinha nariz. Ela voltou a ter um rosto para poder ver o mundo", disse Siemionow à Folha, logo após sua palestra. De acordo com ela, a identidade da paciente será mantida em sigilo por questões éticas.
Segundo Siemionow, os Estados Unidos fizeram somente agora um transplante de rosto -o primeiro no mundo, da francesa Isabelle Dinoire, é de 2005- porque, antes, ela não havia conseguido aprovação das instituições de bioética.
A paciente americana perdeu o nariz, o palato (osso do céu da boca) e o lábio superior em um acidente. "Todas as estruturas transplantadas vieram de um cadáver", afirmou Siemionow. Para voltar a ter um rosto, a mulher teve que passar por tratamento psicológico. No total, foram transplantados 196 centímetros quadrados de tecido.
Estímulos em ordem - A operação ocorreu em dezembro. Foram 22 horas de cirurgia, com a participação de 14 médicos e 30 assistentes. Além de voltar a sentir cheiros e se alimentar, a paciente também voltou a respirar sozinha.
Todos os receptores, tanto os do nariz, para o cheiro, quanto os da boca, para o gosto, estão funcionando bem, disse Siemionow, que está "há 20 anos se preparando para essa operação".
Agora, a clínica trabalha em outras linhas de pesquisa, para resolver novos problemas, como transplante de rosto de pessoas que tiveram câncer -pacientes que apresentam maiores chances de desenvolver rejeição a um novo tipo de tecido.
Gordurosos demais
14/02/2009 - Zero Hora
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) analisou 30 alimentos industrializados destinados a crianças e detectou quantidades de açúcar, sal e gorduras acima do ideal. Além disso, alguns apresentaram teores nutricionais acima daqueles descritos na embalagem, o que pode levar o consumidor a exceder sua cota diária de gordura ou sódio.
– Selecionamos os produtos por terem grande apelo entre o público infantil. Muitos deles têm brindes e bichinhos na embalagem ou usam a imagem de personagens famosos – explica Carlos Thadeu de Oliveira, responsável pela pesquisa.
Segundo a análise, o bolinho de morango Nhamy, da Nutrella, foi o que apresentou maior variação em relação ao valor no rótulo: 237,5% a mais de gordura saturada. Em segundo lugar está o bolinho de baunilha e chocolate Gulosos, da Bauducco, com 114,3% mais gordura saturada do que o registrado.
– A legislação brasileira tem uma tolerância de até 20% de variação nos valores expressos, mas nesses casos a discrepância está muito acima do permitido – afirma Oliveira.
Ele destaca ainda que, em alguns produtos que se apresentam como livres de gordura trans, foi detectada a substância.
– No rótulo do salgadinho de bacon da marca Magikitos consta 0%, mas foi encontrado 1,66 grama de gordura trans por porção.
Procurada, a empresa afirmou que “destaca na embalagem os valores nutricionais apurados em análises feitas por empresas qualificadas”, mas que vai analisar os laudos e corrigir imediatamente o que estiver incorreto. A Bauducco “fica impossibilitada de prestar maiores esclarecimentos” por não ter tido acesso à pesquisa. A Bimbo disse que a marca Nutrella foi adquirida recentemente, e os produtos estão sendo reavaliados.
O excesso de sacarose, considerado o pior dos açúcares, foi outro problema apontado pelo estudo.
– A legislação não obriga os fabricantes a discriminar, entre os carboidratos, o que é amido, o que é açúcar, mas os nutricionistas recomendam que o açúcar não deve corresponder a mais de 25% do consumo de carboidratos – explica Oliveira.
Ele analisa ainda os muffins orgânicos SuaviPan.
– O produto tem apelo saudável, por ser orgânico, mas quase metade do peso corresponde a açúcares.
O dono da Suavipan, Paulo Roberto Cristino, diz que apenas 20% dos açúcares correspondem à sacarose, o restante se refere à farinha orgânica e à lactose do leite integral. Cristino ressalta ainda que 96% dos ingredientes usados são orgânicos e apropriados para a alimentação de crianças.
Estudo contesta uso de teste genético
14/02/2009 - O Estado de S. Paulo
O estudo do genoma com o objetivo de identificar predisposição a doenças como diabete e hipertensão ainda não está avançado o suficiente para garantir exames precisos, indica pesquisa publicada este mês na revista Public Library of Science Genetics.
Segundo pesquisadores das universidades americanas de Pittsburgh e da Califórnia, as informações levantadas pelos estudos genômicos de associação (GWA, em inglês) - que analisam marcadores genéticos para apontar predisposição a doenças - por enquanto são mais relevantes para entender a biologia das enfermidades do que para prever o risco individual de desenvolvê-las. Eles analisaram a validade clínica de testes para diabete tipo 2, câncer de próstata, problemas cardíacos, degeneração macular relacionada à idade e doença de Crohn. Concluíram que os resultados não aumentaram a capacidade de predição das doenças se comparado à análise de fatores de risco tradicionais.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Salmo Raskin, "esse tipo de teste será fantástico daqui a uns dez anos". "Até lá, a gente deve conhecer todos os genes envolvidos nessas doenças complexas (mais informações nesta pág.) e saber qual é o peso da genética e o do ambiente para sua manifestação." No Brasil ainda não há regulamentação sobre o uso desse tipo de exame, mas o Conselho de Medicina considera antiética sua comercialização. No início deste mês, a rede brasileira de clínicas Anna Aslan, que oferece comercialmente esse tipo de serviço, teve uma filial interditada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e pela Vigilância Sanitária. A interdição ocorreu pela realização de procedimentos sem comprovação científica, uso de medicamentos sem registro e emissão de laudos por profissionais não habilitados. A unidade foi reaberta ontem por decisão da Justiça.
A rede oferece testes preditivos para diversas doenças, a um custo de R$ 900 a R$ 1.900. Segundo a assessoria do Cremers, a interdição ética continua valendo e os médicos que atuarem na clínica podem sofrer processo ético. "Eles se propõem a fazer terapêuticas que não têm comprovação e podem trazer risco à saúde", diz o presidente do Cremers, Cláudio Franzen. "Nós comunicamos a todos os conselhos do País e é provável que isso se repita nos outros Estados." A clínica tem unidades em São Paulo, Rio, Curitiba e Brasília. O conselho de São Paulo (Cremesp) informou que abriu sindicância para investigar a filial paulista. "Se for constatado que as práticas verificadas em Porto Alegre também estão sendo feitas aqui, vamos tomar providências", disse o presidente do Cremesp, Henrique Gonçalves.
Segundo ele, a comercialização de testes preditivos genéticos é uma prática antiética. "O conselho é extremamente favorável à pesquisa. Mas é preciso fazer projeto, pedir aprovação de um conselho de ética e fazer a pesquisa sem que a pessoa tenha de pagar", diz. "Quando você pega um produto que não tem comprovação científica e entra no mercado, está fazendo pesquisa em humanos sem aprovação, está enganando o paciente que paga pelo serviço."
O médico Antônio Teixeira, um dos sócios da rede, diz que a clínica não faz pesquisa, apenas atua como ponte entre pacientes e o laboratório americano Genova, responsável pelos testes. "Firmamos uma parceria há um ano. Colhemos o sangue e mandamos para lá. Eles mandam o resultado após um mês. Interpretamos e orientamos o paciente, por exemplo, a praticar atividade física, evitar fumo, álcool e manter a alimentação adequada." Para Teixeira, não há problema ético ou contraindicação para realizar os exames. "É preciso por em prática o conhecimento adquirido. Esse exame sozinho não vai dar um diagnóstico, mas dará pistas que podem ser essenciais para você tratar e prevenir doenças no futuro. Isso é a medicina preventiva". diz. "Ético é tudo aquilo que você pode fazer para o bem-estar do paciente."
SAÚDE
Projeto sobre fim de fumódromos parado
16/02/2009 - Zero Hora
Sem as bênçãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto sobre o fim dos fumódromos, preparado pelo Ministério da Saúde, aguarda há um ano a avaliação da Casa Civil para ser enviado ao Congresso.
A demora acabou incentivando grupos dentro do próprio governo a trabalhar em direção oposta.
Os reflexos da divisão são evidentes: tramitam no Senado dois projetos, ambos da base governista. As propostas, no entanto, são distintas. O senador Tião Viana (PT-AC) quer o fim de áreas reservadas a fumantes em todo o país, a exemplo do projeto do ministério. Já o senador Romero Jucá (PMDB-RR) defende a existência de áreas restritas.
– É óbvio que o setor que defende a manutenção dos fumódromos ganhou força nos últimos tempos – diz a diretora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), Paula Johns.
Diante dessa situação, organizações não-governamentais e setores que lutam pela implantação das diretrizes estabelecidas pela Convenção-Quadro do Tabaco (acordo internacional com regras para combater e prevenir o tabagismo) tentam agora reforçar o apoio para aprovação do projeto do senador Tião Viana.
– Não há justificativas sensatas para esses locais onde o fumo é permitido. A ciência já demonstrou os riscos do fumo passivo e a população em sua grande maioria apoia a ideia – completa Paula.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, dá mostras de que desistiu do projeto elaborado pelo Executivo:
– Sou contra fumódromos. Eles passam erroneamente a ideia de proteção dos não-fumantes. O projeto de Tião Viana, que já está tramitando, propõe o fim dos fumódromos, não há por que não apoiá-lo.
Os projetos de Viana e Jucá foram apresentados em agosto, com um dia de diferença. Em seu texto, Jucá diz ser necessária a proteção de não-fumantes, mas argumenta que é preciso respeitar a livre iniciativa e preservar donos de hotéis e bares de prejuízos.
– Minha proposta é pautada pela saúde. A outra, por razões comerciais, pelo lobby do tabaco – diz Viana.
A senadora Marina Silva (PT-AC) ficou encarregada da relatoria dos projetos. Ela vai defender o fim do fumódromo, com uma emenda: o texto tem de deixar claro que o fumo fica proibido em locais fechados coletivos. Para ela, o fato de dois projetos partirem da base do governo não significa divisão.
Casos de Aids triplicam entre mulheres acima de 50
14/02/2009 - Folha de S. Paulo
O número de mulheres com mais de 50 anos infectadas pelo vírus da Aids triplicou em dez anos no Brasil. Em 1996, havia 3,7 casos para cada 100 mil habitantes; em 2006, a proporção chegou a 11,6 por 100 mil.
Entre todas as faixas etárias, foi nessa que a doença mais cresceu ao longo do período: 213,5%. O segundo maior crescimento, de 76%, foi registrado entre homens com mais de 50. Uma pesquisa inédita do Ministério da Saúde indica que 72% das mulheres com mais de 50 não usam preservativo nem nas relações casuais.
Para reverter esse quadro, o ministério elegeu as mulheres com mais de 50 como alvo da campanha de prevenção da Aids lançada neste Carnaval. Por meio de anúncios na TV e no rádio, outdoors, panfletos etc., o governo divulgará o Bloco da Mulher Madura, cujo slogan é: "Sexo não tem idade para acabar; proteção também não".
"A pesquisa indica que essas mulheres sabem como a Aids é transmitida, mas não usam camisinha porque se consideram imunes à doença e nunca tiveram o hábito", disse Mariângela Simão, diretora do programa nacional de DST/Aids. "Elas também reclamam que têm menos lubrificação vaginal e que isso prejudica a relação, especialmente com camisinha. Mas basta usar lubrificante."
Assim como os preservativos, o gel lubrificante também é distribuído gratuitamente.
"A pesquisa mostra que o homem é quem decide se usa camisinha ou não. A mulher deve perder a vergonha de exigir proteção", disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
Sexo com o marido - Simão ressaltou que as mulheres também costumam achar que, por se relacionarem só com o marido, não correm risco de contrair a doença, o que não é verdadeiro.
A advogada Beatriz Pacheco, 60, é um exemplo. O segundo marido dela, vítima de cirrose hepática, fez várias transfusões de sangue antes de morrer, em 1992. Ela se casou de novo em 1995 e, um ano depois, começou a ter doenças de pele. Em março de 1997, ela descobriu que estava com Aids.
Embora não usasse camisinha com o então marido, ele não contraiu o vírus. "Tive medo de ser abandonada, mas ele disse que aprenderíamos a usar camisinha. Na farmácia, as pessoas riam ao ver a gente escolhendo camisinha", conta ela, cujo marido morreu de câncer.
Segundo Jean Gorinchteyn, coordenador do ambulatório de Aids em idosos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, os idosos costumam ter resultados melhores do que os jovens no tratamento, pois o seguem à risca.
O Brasil registrou, até junho de 2008, 506.499 casos de Aids. O governo estima que outras 250 mil pessoas tenham o vírus e não saibam. A maior incidência é entre homens e mulheres de 25 a 39 anos -são 41,3 registros a cada 100 mil habitantes.
Câncer hereditário
16/02/2009 - Folha de Londrina - Londrina
O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo ‘‘Octavio Frias de Oliveira’’ criou um programa voltado à prevenção do câncer hereditário, quando a doença é causada exclusivamente por fatores genéticos. O hospital criou um ambulatório de aconselhamento para que os pacientes da unidade já diagnosticados com câncer saibam como agir com seus familiares próximos. Sempre que há uma suspeita de câncer hereditário, profissionais do instituto recomendam ao paciente que alertem familiares próximos para a necessidade da realização de exames preventivos com mais frequência. Se necessário, os próprios parentes são chamados para receber orientação no hospital. Assim, se a doença se manifestar, a pessoa poderá ser diagnosticado nos estágios iniciais, quando a resposta ao tratamento costuma ser melhor.
Artigo: Restringir para proteger
16/02/2009 - Folha de S. Paulo
Qual seria o regime mais adequado à proteção dos direitos das crianças? Seria razoável a imposição de limites à publicidade?
O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) está cada vez mais rigoroso com relação à fiscalização da propaganda infantil. Se em 2007 sete comerciais foram suspensos pelo órgão, em 2008 o número foi para 17.
Qual seria o regime mais adequado à proteção dos direitos das crianças? Seria razoável a imposição de limites à publicidade infantil? Isso significaria uma restrição arbitrária à liberdade de comércio? Como equilibrar os direitos das crianças com a liberdade empresarial?
O tema ganha especial destaque no Legislativo, a partir de projeto de lei que determina a proibição de qualquer comunicação mercadológica destinada a crianças, aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara em 2008 e sob a apreciação da Comissão de Desenvolvimento Econômico, cujo parecer do relator defende ser a publicidade uma "atividade virtuosa, e não viciosa".
De acordo com o projeto, entende-se por comunicação mercadológica: "Toda e qualquer atividade de comunicação comercial para a divulgação de produtos e serviços, independentemente do suporte, da mídia ou do meio utilizado", o que abrange "a própria publicidade, anúncios impressos, comerciais televisivos, "spots" de rádio, "banners" e "sites" na internet, embalagens, promoções, "merchandising" e disposição dos produtos nos pontos-de-venda".
A comunicação mercadológica dirigida às crianças é aquela que faz uso de cenários fantasiosos, cores, músicas, personagens infantis e crianças modelo protagonizando os filmes publicitários. Pesquisas comprovam o impacto da propaganda endereçada à criança: contribui para a obesidade infantil (e outros distúrbios alimentares e doenças associadas), a erotização precoce, o estresse familiar e a violência, entre outros.
Na maioria dos países desenvolvidos e com forte tradição democrática -como Suécia, Inglaterra, Alemanha-, a restrição à publicidade que se dirige às crianças não contou com a resistência das empresas. Nos EUA e na Europa, as empresas multinacionais têm concordado com essa política de "autolimitação", comprometendo-se a restringir significativamente a publicidade destinada às crianças.
O mesmo não tem ocorrido no Brasil. No caso brasileiro, qualquer iniciativa de restrição e limitação suscita acirradas manifestações por parte do setor empresarial, sob o argumento de que tais propostas constituiriam atos de censura ou cerceamento da liberdade de expressão.
Não bastando a duplicidade de políticas empresariais adotadas em países desenvolvidos e em desenvolvimento, não há que confundir a publicidade e a liberdade de expressão.
A liberdade de expressão é direito consagrado no âmbito internacional e interno, enunciado em instrumentos de proteção de direitos humanos. Trata-se de um direito assegurado às pessoas físicas, abrangendo a livre manifestação do pensamento político, filosófico, religioso ou artístico. O alcance de tal direito não compreende a publicidade -atividade que utiliza meios artísticos visando essencialmente à venda de produtos.
Diferentemente de reportagens jornalísticas, veiculadas nos mais diversos meios de comunicação, a publicidade necessita adquirir um espaço na mídia para se alojar. A sua lógica é a mercantil, orientada pela equação de compra e venda de produtos.
Os parâmetros internacionais e constitucionais endossam a absoluta prevalência dos interesses da criança, seu interesse superior e a garantia de sua proteção integral, na qualidade de sujeito de direito em peculiar condição de desenvolvimento.
Nesse sentido, destacam-se a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, a Constituição do Brasil de 1988 e o ECA. Ademais, organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde e o Comitê Permanente de Nutrição, reconhecem que a publicidade tem um papel central no desencadeamento de problemas alimentares, como a obesidade infantil.
Como a criança encontra-se em processo de desenvolvimento biopsicológico, não tem o discernimento necessário para compreender o caráter da publicidade, o que torna seu direcionamento às crianças abusivo e, por conseguinte, ilegal.
O clamor é o mesmo: a proteção da infância merece prevalecer ante o ilimitado exercício da atividade comercial concernente à comunicação mercadológica destinada às crianças.
Na agenda brasileira, emergencial é disciplinar o exercício da atividade publicitária. Restringir a publicidade endereçada às crianças não é ato de censura e tampouco ofensa à liberdade de expressão. É imperativo ético na defesa e proteção à infância.
FLÁVIA PIOVESAN , doutora em direito constitucional e direitos humanos e professora da PUC-SP, PUC-PR e Universidade Pablo de Olavide (Sevilha, Espanha), é procuradora do Estado de São Paulo e membro do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. TAMARA AMOROSO GONÇALVES é advogada e mestranda em direitos humanos pela USP.
SUS implementa política de aconselhamento genético
16/02/2009 - Diário do Nordeste - Fortaleza
Apesar de temas como anencefalia, embriões, genoma, células troncos serem, atualmente, foco de discussão em vários setores da sociedade, para a maioria das pessoas falar de genética é ainda versar sobre o desconhecido. Muito embora esse ´desconhecido´ seja o processo de formação do corpo humano e suas principais características. A situação, entretanto, está prestes a ser modificada no Brasil, pela criação da Política de Atenção Integral em Genética Clínica do Sistema Único de Saúde (SUS).
A portaria nº 81 do Ministério da Saúde foi publicada no último dia 21 de janeiro no Diário Oficial da União e, para além de popularizar o temas, pretende criar o aconselhamento genético no país. O objetivo também é organizar o atendimento hoje existente nos estados, para formar a rede de atenção do País.
A regulamentação da medida deve acontecer ainda este mês e vem com muitas promessas. A primeira delas é garantir mais recursos para o diagnóstico e tratamento de defeitos congênitos, para aconselhamento da equipe médica e dos pais para a prevenção de novos casos. Isso porque, a intenção da Política é ir além do diagnóstico, criando condições para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e diminuir os casos de anomalias congênitas e deficiência mental.
Atualmente, conforme estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) 5% das gestações resultam no nascimento de uma criança com anomalias. Nos últimos 25 anos no Brasil, as doenças genéticas - como a anencefalia - passaram da quinta para a segunda causa de mortalidade infantil. A primeira são a prematuridade e o baixo peso ao nascer.
No país, 3% dos nascidos vivos apresentam anomalias congênitas e as deficiências mentais atingem pelo menos 15% da população (aproximadamente 24 milhões de pessoas). Além disso, entre 60% a 70% dos pacientes que chegam aos serviços de genética clínica apresentam algum tipo de deficiência mental. As manifestações mais freqüentes são as síndromes de Down e de X-frágil. A prevenção pode reduzir esses casos a metade.
Apesar da alta incidência das doenças, o atendimento no SUS ocorre de forma dispersa, com os serviços de atenção ocorrendo em ações isoladas. Há estados que fazem apenas exames laboratoriais, outros somente o atendimento e outros o acompanhamento. Além disso, dados do Ministério da Saúde mostram a escassez de médicos especializados em genética clínica. São cerca de 200 no Brasil, sendo que a grande maioria - aproximadamente 85% - está concentrada nas regiões Sul e Sudeste.
A portaria é vista com bons olhos pelos especialistas em genética médica que festejam a medida. Primeiro porque permitirá o aconselhamento a todas as pessoas e famílias com risco de desenvolver doenças geneticamente determinadas ou anomalias congênitas. Depois, porque a medida vai organizar o setor, mapeando e interligando as ações já existentes nos estados.
Agora, o atendimento será ampliado, com a oferta de procedimentos para três grupos de problemas que concentram mais de 80% do total de agravos em genética clínica. Ou seja, as anomalias genéticas, como palato fendido (lábio leporino), defeitos do tubo neural, pé torto, luxação no quadril e amputação parcial; e os erros inatos do metabolismo, como intolerância à lactose e alterações na produção de enzimas, como fenilcetonúria (doença em que o paciente não metaboliza o aminoácido fenilalanina e que pode provocar retardo mental). Há também o grupo de pessoas que apresenta problemas mentais como a Síndrome de Down.
A uma primeira vista o aconselhamento pode parecer simplista, mas, na prática, é capaz de modificar vidas. A genética médica, conforme a Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), pode auxiliar na prevenção de inúmeras doenças como os casos com malformações congênitas e deficiência mental. Não ingerir álcool e nem fumar durante a gravidez, identificar a compatibilidade sangüínea com o parceiro, saber as razões pelas quais o filho desenvolveu retardo mental e as chances de ter mais uma criança com a mesma doença na família são regras simples que integram o processo de aconselhamento genético e que podem fazer a diferença.
Mudança: Erlane Ribeiro, geneticista do Hospital Albert Sabin, diz que o Ceará destaca-se dos demais estados do País porque no ano passado realizou concurso público efetivando o geneticista como especialista médico
CAPITAL E INTERIOR
Estado já possui rede de atendimento
O aconselhamento genético pode ser feito em três níveis, com informações antes da concepção, atendimento no pré-natal e acompanhamento após o nascimento. No Ceará, há anos esses atendimentos já vêm sendo realizados, antes mesmo da portaria do Ministério da Saúde.
O estado também está em vantagem em relação às outras unidades federativas porque realizou no ano passado, concurso público que efetivou a figura do geneticista como especialista médico. O desafio agora é organizar e expandir. Pelo menos é isso o que acredita a geneticista do Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) e integrante da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), Dra. Erlane Ribeiro.
De acordo com ela, hoje os serviços públicos de saúde como o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), APAE de Juazeiro do Norte, Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC) e Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) já fazem aconselhamento genético e/ou realizam atendimento para os casos de anomalias congênitas. Ainda assim a oferta é pequena para a demanda.
Só na rede pública, Erlane possui uma média de três mil pacientes. No Hospital Geral Dr. César Cals atende adultos e as gestantes com aconselhamento. No HIAS, são as crianças. Nessa unidade, o serviço acontece desde 2001, com uma equipe multidisciplinar atendendo cerca de 30 crianças da capital e do interior, às segundas e quartas-feiras. Na equipe estão geneticistas, enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais e, em casos mais específicos, cardiologistas e nefrologistas.
As crianças fazem exames laboratoriais e físicos, como o Teste do Pezinho. Após a investigação, os pacientes passam a receber tratamento que retarda ou estaciona o quadro de saúde. O problema é que, para conseguir o primeiro atendimento na unidade, considerando o momento em que a criança nasce até a chegada no HIAS, pode-se levar até três anos. Há uma fila de espera e os casos mais urgentes vão sendo priorizados.
Situação, acredita Erlane, que deve ser modificada a partir da implementação da nova política que, dentre outros fatores, prevê também a contratação de mais profissionais. Ela espera também que, paralelo a isso, a rede seja completamente formada com a criação de mais laboratórios para o diagnóstico de doenças e com as universidades cumprindo seu papel no ensino da genética, para que haja mais profissionais no mercado de trabalho.
FIQUE POR DENTRO
Ceará tem maior número de pacientes raros do NE
O atendimento às doenças genéticas no Ceará é referência no Brasil, principalmente porque são muitos os casos atendidos. O Estado chegar a ter o maior número de pacientes com doença genética rara do Nordeste. Do Mal de Gaucher, são cerca de 500 pessoas com a doença no Brasil. Dessas, 20 estão no Estado, sendo 10 em Tabuleiro do Norte. Isso significa que há um paciente a cada quatro mil pessoas, o que coloca a cidade com uma incidência da doença dez vezes maior do que no resto do mundo. A estimativa mundial é de um doente a cada 40 mil indivíduos. Há no estado também pacientes de Leucinose, doença cuja incidência mundial é de um caso a cada 80 mil nascidos vivos. Existem quatro crianças em tratamento. A doença é de transmissão autossómica recessiva. A forma clássica, de início neonatal, manifesta-se nos primeiros dias de vida através de alteração do estado de consciência, recusa alimentar e sinais neurológicos de intoxicação. A evolução da doença pode levar ao coma profundo. Já a doença de Gaucher é caracterizada pela deficiência no funcionamento da enzima glicocerebrosidase, responsável por ´limpar´ os resíduos de gordura dentro das células. A medicação e o tratamento podem custar R$ 200 mil/ano por paciente, sendo garantidos pelo Ministério da Saúde e Secretaria Estadual.
DIAGNÓSTICO PRECOCE
Teste do Pezinho leva paciente à vida normal
Um simples furo no calcanhar do recém nascido para o Teste do Pezinho pode significar a diferença entre uma vida de privações e outra construída dentro dos padrões de normalidade. Para além do jogo de palavras, a importância dessa diferença aparentemente subjetiva se faz presente no cotidiano de pessoas como a agricultora de Juazeiro do Norte, Maria do Socorro Arsênio da Silva, 30 anos. Seus dois filhos, Jefferson, 7 anos e Jackson, de um ano e oito meses, apresentam uma doença genética identificável pelo Teste do Pezinho e que pode levar a criança ao retardamento mental.
O mais velho já apresenta a doença estabelecida, enquanto Jackson vem conseguindo através de atendimento no Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) evitar o avanço da mesma. O problema é que quando Jefferson nasceu, Socorro não fez o Teste do Pezinho - exame laboratorial simples cujo objetivo é detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que podem causar lesões irreversíveis ao bebê - e a criança aparentemente estava sadia. Com o tempo, Jefferson começou a apresentar problemas no processo de desenvolvimento, levando mais tempo do que as demais crianças para começar a andar e a se alimentar sozinho, por exemplo.
Ao cinco anos, a criança continuava completamente dependente da mãe. Foi nesta época que Jackson nasceu. O Teste do Pezinho foi feito ainda na maternidade. Um mês depois, Socorro recebeu o resultado dizendo da predisposição de Jackson para desenvolver retardo mental. Na entrevista para começar o tratamento no HIAS, a dona-de-casa falou da sua vida e das dificuldades que enfrentava para ficar se deslocando mensalmente entre Juazeiro do Norte e Fortaleza, porque além das tarefas de casa e do roçado, ainda tinha um filho doente. Ela foi orientada a na outra consulta levar as duas crianças. Foi o que fez e um exame detectou que Jefferson apresentava o mesmo problema do irmão, só que a doença tinha avançado e se estabelecido.
A descoberta mudou a vida de Socorro. Se por um lado, ficou feliz porque os filhos recebem atendimento e Jackson pode ter uma vida mais independente do que o irmão, por outro, sua rotina ganhou incontáveis idas e vindas entre os 563 quilômetros que separam as duas cidades. Socorro espera que a nova política do SUS crie condições para ter algum tipo de atendimento mais perto de casa. “Se pelo menos um posto de saúde em Juazeiro entregasse o leite dele, eu não precisaria vir à Fortaleza no mês sem consulta”, afirma.
Para o coração aguentar a folia
16/02/2009 - Folha de Londrina - Londrina
O ano inteiro sem fazer exercício físico e descuidando da alimentação, mas, no Carnaval, o folião decide enfrentar uma rotina de 8 horas de micareta regada à álcool, euforia e muito calor. Já que a prevenção foi deixada de lado, moderação é a palavra chave para não sobrecarregar o coração nessas horas.
De acordo com o cardiologista Pedro Henrique Reis, coordenador do Centro de Reabilitação Cardíaca e Medicina do Esporte Fisiologia do Exercício do Hospital Cardiológico Costantini, quem tem dúvida se aguenta uma ‘‘folia mais pesada’’, deve optar por algo mais tranquilo, como um camarote.
‘‘Além daquelas pessoas que se encaixam nos fatores de risco como portadores de doenças cardíacas, hipertensos, diabéticos, obesos, homens acima dos 45 anos e mulheres acima dos 55 ou quem tem histórico de doença na família também deve ter um cuidado extra’’, explica.
Mas, se ainda assim a pessoa não dispensa a festa, deve estar atenta a alguns sintomas que podem sinalizar um problema cardíaco. ‘‘Aquela dor no peito que parece um aperto, um cansaço desproporcional, falta de ar, palpitações, batimento acelerado, queda de pressão, tontura e sensação de desmaio podem estar associados à doença do coração’’, conta Reis.
Mesmo uma dor no estômago que demora a passar não pode passar despercebida. ‘‘Tem que ficar atento e, ao menor sinal, procurar uma emergência o quanto antes. Um problema tratado no início tem maiores chances de um resultado positivo’’, recomenda.
Segundo Reis, como boa parte das pessoas que sofre algum tipo de mal relacionado ao coração desconhece, por ser assintomático, a recomendação é que, antes de cair na folia, quem está no ‘‘grupo de risco’’, é tabagista e/ou sedentário faça uma consulta médica.
Mas, nem tudo está perdido. A regra para quem quer aproveitar o carnaval e cuidar da saúde do coração é moderação. Uma alimentação regrada, muita hidratação e um período de sono compatível com a ‘‘farra’’, sem utilizar remédios para isso, é a receita para o corpo aguentar as condições adversas da folia.
México enfrenta uma epidemia de obesidade
16/02/2009 - Valor Econômico
Sete anos atrás, quando ficou tão gordo que não podia ficar em pé, Jesús Salvador Torres deitou-se no chão da sala de estar da humilde casa de seus pais, na costa mexicana do Pacífico. Desde então, não saiu de lá - onde dorme, se lava, defeca e, acima de tudo, come.
"Ele adorava sua comida", diz Salvador Torres, pai de Jesús. "Ele sempre pedia um segundo prato." Hoje, Jesús tem as artérias de uma pessoa de 65 anos de idade e pesa 90 kg. A maior preocupação é com o fato de ele ter apenas nove anos. Jesús é um exemplo, embora extremo, de um problema de saúde pública que está tomando conta do México. Segundo estatísticas publicadas no mês passado pelo Ministério da Saúde, o país agora tem a população mais gorda do mundo: 70% dos adultos têm peso acima do normal ou são obesos.
Doenças relacionadas à obesidade estão hoje tão disseminadas que começam a exercer pressão severa sobre o sistema de saúde: só o tratamento da diabetes tipo 2 consome mais de 30% de todo o orçamento da seguridade social. Estimativas sugerem que em cinco anos estará consumindo 65%.
"Não conseguimos acompanhar o agravamento das condições", diz Armando Barriguete, um alto funcionário do Ministério da Saúde mexicano.
O problema do México está se tornando comum em países mais pobres. Antes limitada a países de alta renda, a obesidade está em alta dramática em países de baixa e média rendas, especialmente em áreas urbanas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Josefina Fausto, especialista em saúde na Universidade de Guadalajara, diz que por trás da explosão de obesidade no México há uma mudança radical na dieta, que é consequência da crescente inserção do país na economia mundial. Em outras palavras, eles estão comendo muita "porcaria" inspirada nos EUA. "Um século atrás, nosso maior problema era a desnutrição", diz ela. "Hoje, é o excesso de alimentos ricos em colesterol, gordura saturada, açúcar e sal."
A deterioração da dieta (o consumo de verduras caiu 30% em uma década) é agravada por um aparentemente insaciável apetite por refrigerantes, especialmente Coca-Cola. Segundo a empresa, os mexicanos beberam aproximadamente 136 litros per capita de produtos Coca-Cola em 2007, de longe o mais alto consumo mundial.
Num recente esforço para combater a obesidade, o governo lançou neste mês uma campanha visando fazer com que servidores públicos exercitem-se duas vezes por semana no horário de trabalho e cuidem melhor de si mesmos. Até agora, o programa está sendo bem aceito. Graciela Godinez, funcionária do Ministério com 28 anos de serviço e ampla cintura, sente-se muito melhor devido às duas sessões de exercícios por semana. "Isso cria uma pausa durante o dia e melhora meu nível de energia", diz ela. "É ótimo."
Mas Gustavo Orozco, médico e especialista mexicano em dietas, afirma que o programa não é suficiente para produzir qualquer impacto relevante, tendo em vista a enorme mudança nos hábitos alimentares dos mexicanos. "Isso não fará nenhuma diferença", diz ele.
Nos últimos anos, Orozco vem trabalhando em colaboração com Manuel Uribe, mexicano que já foi o homem mais gordo do mundo. Consumindo uma dieta forte em proteínas, Uribe conseguiu perder cerca de 250 kg. Seu pico foi de 560 kg. "Eu era tão grande que não conseguia respirar", diz. "Agora estou vivendo uma vida diferente."
Mas Barriguete, do Ministério da Saúde, diz que os mexicanos precisam ser menos ambiciosos e mais sistemáticos. "Somos monumentais, sempre queremos fazer coisas grandiosas da noite para o dia", diz ele. "O que realmente precisamos é aprender a dar pequenos passos".





