EM DEFESA DA SOCIEDADE E DA PROFISSÃO

Notícias– 31/10/2014

  

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



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Cade aprova acordo entre empresas para produção de genérico do Cialis
30/10/2014 - Portal Valor Econômico

BRASÍLIA - A autoridade brasileira antitruste aprovou o acordo que permitirá à suíça Novartis comercializar no Brasil um medicamento para disfunção erétil à base de Tadalafil, princípio ativo cuja patente é da americana Eli Lilly. Em despacho publicado no “Diário Oficial da União” desta quinta-feira, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informa que não tem restrições ao contrato de associação firmado entre subsidiárias brasileiras das duas farmacêuticas.

A subsidiária detentora da patente no país é a Eli Lilly do Brasil Ltda., que oferta o Tadalafil sob a marca Cialis, concorrente do Viagra (Sildenafil), da Pfizer. Do lado da Novartis, o contrato é assinado pela Sandoz do Brasil Indústria Farmacêutica Ltda., a quem é concedido o direito de promover, distribuir e vender produto com o mesmo princípio ativo em todo o território nacional.

“A operação representa o ingresso prematuro de um medicamento genérico no mercado, o que aumentará a oferta de produtos para disfunção erétil”, argumentam as empresas na documentação entregue ao Cade. Na visão delas, a associação tem, portanto, caráter pró e não anticompetitivo.


Vacinação contra pólio e sarampo tem início no dia 8
31/10/2014 - Folha de S.Paulo


Entre os dias 8 e 28 de novembro, os postos de saúde do país vão vacinar as crianças com idade entre seis meses e cinco anos de idade contra a poliomielite.

No mesmo período, crianças de 1 a 5 anos receberão a vacina contra o sarampo.

A imunização contra a pólio oferecida em novembro é uma dose de reforço anual, dada mesmo a quem está com o cartão de vacinação em dia, e será ofertada em gotas.

Apenas crianças que não tiverem tomado nenhuma dose contra pólio até agora tomarão a dose contra a paralisia infantil pela via injetável.

Já a vacina contra o sarampo é um reforço que costuma ser dado, no Brasil, em intervalos de cerca de cinco anos --desta vez, foi antecipada.

Entre 2013 e 2014, o Brasil teve o maior surto de sarampo desde que a transmissão da doença foi interrompida no país, nos anos 2000, o que ocorreu com a disseminação a partir de casos "importados", contraídos fora do país.


REFORÇO NA VACINAÇÃO


QUANDO
De 8 a 28.nov, em 100 mil postos de saúde do país

PÚBLICO-ALVO
Pólio: crianças com idade entre 6 meses e 5 anos

Sarampo: crianças com idade entre 1 e 5 anos


Pesquisa e desenvolvimento

 

Estímulo na medula espinhal melhora parkinson
31/10/2014 - Folha de S.Paulo

A estimulação elétrica da medula espinhal de saguis, realizada por meio de um implante sob a pele nas costas, reverteu sintomas motores equivalentes aos de mal de Parkinson, segundo estudo liderado pelo neurocientista Miguel Nicolelis e que está na edição desta quinta (30) da revista "Neuron".

Em 2009, o grupo liderado por ele já havia divulgado resultados da técnica para parkinson, mas em roedores. Na época, o cientista esperava fazer testes em humanos já em 2010. Mas, agora, a pesquisa foi feita com saguis.

Nicolelis afirmou à Folha que o aparelho usado nos primatas em Macaíba (RN), no Instituto Internacional de Neurociências, é similar aos implantados hoje em pacientes com dores crônicas.

Segundo ele, a doença de Parkinson pode ser comparada a uma crise epilética.

"Ela gera uma sincronia patológica de um grande número de neurônios. Quando mandamos corrente elétrica pela medula, eles deixam de disparar todos juntos e a crise é desorganizada'."

O estudo observou melhora de sintomas como rigidez, movimentos repetidos e falta de coordenação motora nos saguis.

Uma pesquisa com humanos já está em curso no Hospital das Clínicas de São Paulo. O neurologista Manoel Jacobsen, do Grupo da Dor do HC, afirma que dez pacientes que têm dor crônica e parkinson receberam o implante de um aparelho de neuromodulação. Os primeiros resultados devem ser obtidos no ano que vem.

Hoje, além de medicamentos, os doentes com parkinson podem receber estimulação cerebral profunda, uma técnica que implanta eletrodos no cérebro. A estimulação da medula é menos invasiva do que a cerebral e não requer internação.

Este é o primeiro artigo publicado por Nicolelis desde a demonstração de seu exoesqueleto robótico na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, em junho deste ano.

Esperava-se, com base nas declarações do cientista, que um jovem paraplégico se levantaria, andaria e chutaria uma bola de futebol usando a veste robótica controlada por seus pensamentos.

No entanto, a demonstração teve só três segundos de transmissão pela TV e mostrou o atleta Juliano Pinto, 29, amparado por duas pessoas, tocar a bola com o pé direito.

"A Fifa havia nos prometido 29 segundos", diz Nicolelis. Apesar do problema e das críticas recebidas pela apresentação, ele diz que a repercussão internacional da demonstração na comunidade científica tem sido boa.


Contra o câncer, a saliva do carrapato
31/10/2014 - O Globo


O Brasil está mais perto de desenvolver sua própria terapia contra o câncer, numa batalha em que o país ainda é coadjuvante, já que ela requer investimentos bilionários e alta tecnologia. Mas uma pesquisa realizada integralmente em solo brasileiro pelo Instituto Butantan, de São Paulo, está prestes a entrar na última fase e gera grande expectativa entre cientistas. Inclusive porque a arma de combate ao câncer é um tanto inusitada e foi descoberta por acaso: uma molécula extraída da saliva do carrapato- estrela com ação contra tumores do tipo melanoma (pele), pâncreas e renais.

— O diferencial desta abordagem é que conseguimos matar as células tumorais sem oferecer perigo para as saudáveis — comentou Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, responsável pelo Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan.
A pesquisa, que vem sendo realizada há mais de uma década, pedirá agora autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) para experimentar a molécula em humanos, na fase chamada teste clínico. Isso significa que ela foi reconhecidamente bem-sucedida em todas as outras etapas, ou seja, em testes in vitro em laboratório, em animais e em células humanas. Em geral, a grande maioria das pesquisas com foco terapêutico empaca na fase de testes com animais.
ASSÉDIO DE GRUPOS DE PESQUISA
Ana Marisa Chudzinski-Tavassi não esconde a animação com o progresso do projeto e conta que vem sendo assediada por toda parte:
— Confesso que está bem legal. Empresas e universidade do Brasil e de outros países estão fazendo contato. Há colaboração de muita gente.
A pesquisadora lembra que o processo começou despretensiosamente em 2003, quando uma aluna de mestrado passou a estudar a bioquímica do carrapato- estrela ( Amblyoma ca
jennense), que pode transmitir a febre maculosa, uma doença mais comum nas zonas rurais. Na ocasião, eles buscavam novos agentes para inibir a coagulação sanguínea e sabiam que o carrapato, por se um parasita que se alimenta de sangue ( hematófago), provavelmente teria componentes eficientes para a tarefa.
Durante as análises do sequenciamento genético da espécie, eles se depararam com uma molécula na glândula salivar do aracnídeo que tinha esta característica e que ainda não havia sido descrita na literatura médica. Com mais estudos de sua estrutura, descobriram que ela integrava uma classe que já estava sendo descrita em outros estudos como capaz de inibir a proliferação celular. Foi quando a pesquisa mudou o foco e passou a investir energia para analisar sua ação contra os tumores.

O Instituto Butantan firmou uma parceria com a empresa brasileira União Química Farmacêutica com o objetivo de desenvolver uma fórmula para ser utilizada nos testes. A molécula já não era mais extraída do carrapato, mas produzida em larga escala em laboratório por meio de um sistema de expressão de proteínas recombinantes, ou seja, manipulando bactérias ou leveduras para imitar suas propriedades. Os pesquisadores obtiveram ainda a patente da molécula, batizada de Amblyomin-X, registrada no Instituto de Propriedade Industrial (INPI). Além disso, o estudo está sob proteção do Patent Cooperation Treaty (PCT).
— Isso nos deu mais segurança para trabalhar sem pressa e, inicialmente, num processo sigiloso, já que a molécula tem este grande potencial terapêutico. Fomos divulgando as informações aos poucos — explica Ana Marisa.
A pesquisa custou até o momento em torno de R$ 20 milhões, investidos pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico ( CNPQ) e, principalmente, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Caso seja aprovada para testes em humanos, o montante empregado será bem maior, mas ainda não há uma estimativa. A título de comparação, em grandes indústrias farmacêuticas internacionais, o desenvolvimento de novas drogas contra o câncer pode superar US$ 1 bilhão.
— Nem 1% dos ensaios básicos de laboratório chega ao paciente. Por isso, é realmente um grande passo — avaliou o farmacêutico Robson Monteiro, professor associado do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ. — Será muito interessante se tiver sucesso em humanos, principalmente porque todos os processos estão sendo feitos no Brasil, desde a demonstração da molécula na saliva até sua produção artificial e a conclusão dos testes pré-clínicos.
Monteiro integra o Laboratório de Trombose e Câncer da universidade e também trabalha com os hematófagos, grupo que inclui ainda morcegos, sanguessugas e alguns insetos. O laboratório, por exemplo, já analisou a molécula ixolaris, presente em outra espécie de carrapato, que apresentou efeito contra a trombose e o câncer.
— Tivemos resultados positivos, mas neste caso não avançamos para testes em humanos, porque isto demandaria produção em larga escala da proteína. Além disso, o National Institute of Health (NIH), dos Estados Unidos, já tinha a patente da molécula — afirma Monteiro, que defende a pesquisa com os hematófagos. — Esses seres têm moléculas muito diferentes e interessantes. Algumas propriedades já foram verificadas, como a antitrombótica, mas certamente há outras ainda a serem descobertas — anima-se.
Monteiro também explica que a trombose e o câncer têm estreita relação: por um lado, pacientes com câncer têm mais propensão à trombose (que é a coagulação dentro dos vasos sanguíneos), e a ocorrência de trombose durante o câncer faz com que o tumor se torne mais agressivo. Esse conhecimento, agora com as novas informações da pesquisa do Butantan, podem abrir uma nova linha de pesquisa.
Apesar da empolgação dos cientistas, os testes em humanos são uma fase tão arriscada quanto as demais e podem não surtir o efeito desejado. Mas, até agora, os testes tiveram bons resultados quando avaliados em camundongos e, depois, em animais mais complexos, como coelhos.
MECANISMO AINDA MISTERIOSO
Nesta etapa, a fórmula foi testada em animais saudáveis e com câncer. Os pesquisadores notaram que ela tinha ação apenas nos animais doentes, enquanto que nos demais a substância era eliminada pela urina. Além disso, a reação só ocorria em células tumorais, sem qualquer efeito sobre as normais. As cobaias começavam a melhorar depois de 14 dias de injeções diárias, e os tumores desapareciam após cerca de 40 dias de tratamento. Os mamíferos foram acompanhados por seis meses, período em que não houve recidiva, ou seja, a volta do tumor maligno. Os cientistas descobriram que a Amblyomin-X consegue inibir, dentro da célula, o chamado proteassomo, estrutura responsável pela “limpeza celular”. E essa inibição leva à morte das células, no caso, das tumorais.
— Como a molécula faz essa seleção entre a célula tumoral e a normal ainda está sendo estudado. Precisamos desvendar este mecanismo — diz Ana Marisa.
O motivo por que ela teve ação sobre tipos específicos de câncer foi uma escolha dos próprios pesquisadores, que decidiram focar naqueles de mais difícil tratamento, como o de pâncreas. De difícil detecção e comportamento bastante agressivo, este tipo de tumor apresenta alta taxa de mortalidade. No Brasil, 7.726 pessoas morreram em 2011 por causa dele, segundo os dados mais atualizados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

 


Saúde

 


73% dos brasileiros estão satisfeitos com a vida, diz pesquisa da Pew
30/10/2014 - Portal Valor Econômico


Quase três quartos dos brasileiros mostram-se bastante satisfeitos com as suas vidas, segundo pesquisa do instituto Pew Research Center, realizada em 43 países. Divulgada nesta quinta-feira, o levantamento mostra que, dos entrevistados no país, 73% deram notas de 7 a 10 na chamada “escada da vida”, em que 10 representa a melhor situação possível e zero, a pior.

Apenas três países têm um percentual maior de pessoas satisfeitas do que o Brasil – o México, com 79% expressando felicidade com as suas vidas, Israel, com 75%, e a Venezuela, com 74%. No Brasil, 66% dos entrevistados de menor renda se disseram satisfeitas com as suas vidas, percentual que atinge 80% entre os mais ricos.

Os brasileiros mostram mais felicidade em relação à vida familiar, com 86% dos ouvidos pelo Pew atribuindo uma nota igual ou superior a 7 para esse ponto. A saúde e a vida social aparecem depois, com 81%, seguidas pela vida religiosa, com 78%.

Os brasileiros mostram uma visão menos favorável sobre a segurança dos seus bairros e a qualidade das escolas. Apenas 45% se dizem satisfeitos com o primeiro item e 47%, com o segundo. Já 71% mostram-se contentes com o padrão de vida, enquanto 59% têm uma visão positiva do trabalho atual.

Dos 1.003 entrevistados no Brasil pelo instituto entre 10 e 30 de abril deste ano, 60% disseram ter feito progressos pessoais nos últimos cinco anos, percentual inferior apenas aos 70% de Bangladesh e 66% da China. São números que podem ajudar a entender a reeleição da presidente Dilma Rousseff, apesar do baixo crescimento e da inflação elevada.

Os brasileiros também se mostram otimistas em relação ao futuro, com 72% apostando que estarão melhores daqui a cinco anos. É um numero que só fica atrás dos 81% de Bangladesh, 78% do Senegal e 73% do Quênia.

Questionados sobre aspectos da vida que consideram pessoalmente mais importantes, 87% respondem que é a segurança em relação ao crime, 86% boa saúde e ter uma casa e 83%, boa educação para as crianças. Dinheiro para a velhice é uma prioridade para 71% dos brasileiros. O acesso a internet é tido como mais importante por apenas 34% dos brasileiros, número próximo aos 35% de viagens.

A população dos países avançados exibe mais satisfação do que a dos emergentes, mas os números são próximos. Entre as nações desenvolvidas, 54% se dizem felizes com a vida, percentual que é de 51% entre os países em desenvolvimento. Em 2007, a diferença era maior, com 57% da população dos países avançados mostrando-se contentes e apenas 33% nos emergentes. O Brasil, porém, não fez parte da pesquisa feita em 2007.

Nos EUA, 65% dos entrevistados deram nota igual ou superior a 7 para a sua vida, número que é de 60% na Alemanha e 58% no Reino Unido. Na Grécia, o percentual é de apenas 37%. Entre os emergentes, México, Venezuela e Brasil apresentam o maior grau de contentamento. Na China, 59% se dizem satisfeitos. Os mais pessimistas são os egípcios. Apenas 11% mostram estar felizes com as suas vidas.



Genética explica reação diferente ao vírus Ebola
31/10/2014 - O Estado de S.Paulo


Indivíduos infectados com o vírus Ebola reagem à doença de diferentes maneiras. A explicação para essa variabilidade pode estar nas diferenças genéticas entre os pacientes, de acordo com um novo estudo realizado nos Estados Unidos e publicado ontem na revista Science.
Ao serem infectados pelo vírus, alguns pacientes resistem à doença, outros se recuperam depois de reações moderadas ou severas, enquanto os demais sucumbem por hemorragia, choque e falência múltipla dos órgãos. Estudos anteriores já mostravam que as diferenças entre as reações não estavam ligadas a mudanças específicas no vírus. A partir de um inédito modelo de camundongo criado para estudar a doença, a nova pesquisa apontou que os fatores genéticos de cada paciente são os principais determinantes da severidade da doença.
De acordo com uma das autoras, Angela Rasmussen, da Universidade de Washington, o novo modelo de camundongo auxiliará no desenvolvimento de terapias e vacinas contra o Ebola.
“Até agora, era inviável estudar o Ebola em camundongos – e isso atrasou as pesquisas.
Com o uso desse novo modelo, cientistas terão como encontrar marcadores genéticos, estudar como os sintomas aparecem e avaliar a ação de drogas.” Os modelos de camundongos que existiam, segundo ela, não se prestavam ao estudo da infecção em humanos, porque os animais infectados morriam sem apresentar os principais sintomas da doença. Obtido com o cruzamento de cinco linhagens de camundongos de laboratório e três linhagens selvagens, o modelo foi originalmente concebido para estudar os locais do genoma associados à severidade da gripe comum. “Ao serem infectados com uma forma do vírus Ebola específica de camundongos, eles apresentaram, como os humanos,diferentes reações à infecção – alguns foram mais suscetíveis, outros mais resistentes.” Segundo ela, todos os camundongos apresentaram perda de peso nos primeiros dias após a infecção. Alguns deles,19%,ficaram imunes, reverteram a perda de peso em duas semanas e não apresentaram modificações no fígado. Outros 11% se mostraram parcialmente resistentes à doença – e menos da metade deles morreu. O maior grupo, de 70%, teve mortalidade acima de 50%.
No último grupo,19%dos animais tiveram inflamações hepáticas, sem outros sintomas, enquanto 34% registraram atraso na coagulação do sangue – uma marca típica da doença em humanos –, além de hemorragias internas,baço inchado e modificações no fígado.
Mecanismos. “Há uma clara correlação entre essas diferentes reações à infecção, as variações nas taxas de mortalidade e alguns genes específicos encontrados nos camundongos.
Além disso, a frequência das diferentes manifestações da doença entre os camundongos foi similar às proporções encontradas entre humanos neste surto de Ebola.” Segundo a pesquisadora, o novo modelo poderá ser usado para compreender os mecanismos de replicação do vírus.



 

Notícias– 30/10/2014

  

 

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Mercado aberto: Contraceptivos crescem menos que mercado de medicamentos em geral
30/10/2014 - Folha de S.Paulo

O segmento de contraceptivos avança em ritmo mais lento que o do mercado de medicamentos em geral.

Enquanto a venda dos anticoncepcionais cresceu 9,5% em valores nos últimos 13 meses, o setor de remédios registrou incremento de 13%.

Quando se considera a comercialização em unidades, os números são 4,7% e 8,4%, respectivamente.

"A indústria farmacêutica tem se expandido mais por causa dos genéricos. Como há poucos genéricos no segmento de contraceptivos, ele acaba tendo uma alta menor", diz o presidente do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), Nelson Mussolini.

"Mas os anticoncepcionais são importantes para o setor e crescem dentro da média dos produtos de marca."

Para impulsionar a venda desses medicamentos, os laboratórios investem na propaganda médica, pois o comércio costuma ser realizado com prescrição.

Segundo o executivo, as vendas para o governo não são muito representativas hoje. "Seria diferente caso houvesse algum controle de natalidade, mas o governo não faz ações desse tipo até por causa da Igreja Católica."

Entre setembro de 2013 e setembro de 2014, foram vendidos no país R$ 2,3 bilhões em anticoncepcionais --3,6% do movimentado por medicamentos no período.


Antibiótico em pó melhora vida de pacientes com fibrose cística
30/10/2014 - O Tempo


Conviver com a fibrose cística - doença grave, de origem genética, que acomete uma em cada 10 mil pessoas em Minas Gerais - não é fácil. Os pacientes gastam em média 40 minutos em cada nebulização feita com os antibióticos necessários para combater as infecções pulmonares bacterianas que podem levar a internações e até à morte antes dos 40 anos.

Um novo antibiótico em pó criado para tratar as frequentes infecções nos brônquios causadas pela bactéria Pseudomonas aeruginosa promete trazer mais qualidade de vida aos pacientes com dificuldade de manter o tratamento. De acordo com o pneumopediatra do Hospital Infantil João Paulo II, Alberto Andrade Vergara, o Zoteon Pó, nome comercial da tobramicina inalatória, vem apresentando vários benefícios.

"Uma das vantagens é a administração mais rápida. Enquanto a nebulização (que deve ser feita duas vezes ao dia) demora até 40 minutos, o remédio em pó dura alguns minuto. A segunda questão é a quantidade de antibiótico muito maior que chega aos pulmões, o que acaba sendo mais eficaz. Com isso, os pacientes tendem a aderir melhor, fazem o tratamento com mais regularidade. Os resultados são melhores, com menos internações, um melhor cuidado pulmonar e sinalizando um aumento de sobrevida", diz.

O pneumopediatra explica que a doença possui três manifestações clínicas principais. "O suor de uma pessoa com fibrose fica dez vezes mais salgado. A falta de produção de uma enzima no pâncreas leva a dificuldade de digestão e ocorrem problemas pulmonares como a bronquite bacteriana", afirma Vergara.

NOVA DROGA. Para um casal em que marido e mulher têm o gene da doença, a cada gestação existe uma chance de 25% de a criança nascer com fibrose cística, como é o caso da técnica em enfermagem Sheila Alves Valenço, 35. O filho Victor Ryan Alves, 12, descobriu a doença aos 3 anos. "Ele já usou a enzima pancreática e antibióticos, mas chegou a ficar um ano internado com pneumonia de repetição. É
uma criança que não tem uma rotina normal porque ele não aguenta correr muito, mas percebo que a eficácia do remédio em pó é melhor", afirma a mãe.


Efeito colateral. O remédio em pó pode provocar um pouco de tosse. "Não compromete a qualidade de vida do paciente. A nebulização traz mais transtorno e rouquidão", avalia o pneumopediatra.


A microempreendedora Maria Geralda da Silva, 40, conta que o filho Raí da Silva, 10, está usando o novo medicamento há três meses. "Foi maravilhoso, facilita demais a vida da criança. Eu acompanho, mas ele sabe fazer sozinho. A saúde melhorou muito, é bem mais cômodo, prático, menos cansativo e ele não tem nenhum efeito colateral", diz Maria Geralda.


As mães ouvidas pela reportagem de O TEMPO informaram que estão usando amostras grátis do medicamento fornecidas pelo fabricante, e que esperam conseguir mais quantidades para os próximos meses.

Em nota, o laboratório Novartis responsável pelo remédio, informou que o Zoteon Pó foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em outubro de 2013 e teve a sua comercialização autorizada desde dezembro de 2013. A empresa disse que atualmente, o medicamento está disponível em alguns centros de referência no Brasil por meio "de um programa de amostras do medicamento realizado pelo laboratório em parceria com alguns centros de referência de fibrose cística" e que "a inclusão de pacientes no programa é feita exclusivamente nos centros de referência, após a avaliação e indicação do médico que assiste o paciente". A Novartis informou ainda que está trabalhando junto aos órgãos dos governos, através de reuniões com os gestores para apresentar os benefícios clínicos do medicamento.
De acordo com o pneumopediatra Alberto Andrade Vergara, a disponibilização do Zoteón Pó está sendo negociada com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. "Esperamos a sinalização de que a medicação em pó possa substituir em grande parte a nebulização e com o mesmo custo", disse.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que "esse medicamento não se encontra na listagem de medicamentos padronizados pelo Ministério da Saúde, portanto não podemos comentar sobre o assunto.

Pesquisa e desenvolvimento

 

Google investe em nanotecnologia contra o câncer
30/10/2014 - Valor Econômico

O Google Inc. está desenvolvendo minúsculas partículas magnéticas para patrulhar o corpo humano em busca de sinais de câncer e outras doenças, o exemplo mais recente das vastas ambições da gigante americana da internet.
O Google informou que suas nanopartículas, que têm menos de um milésimo da largura de uma célula sanguínea, iriam procurar e unir-se às células, proteínas ou outras moléculas no interior do corpo. A empresa também está trabalhando num aparelho, a ser usado no corpo, que tem um ímã para atrair e contar as nanopartículas, como ferramenta de monitoramento.
O objetivo é fornecer um sistema de alerta precoce para o câncer e outras doenças, visando tratamentos mais eficazes.
"Todos os exames que as pessoas têm que fazer no médico serão feitos através deste sistema", disse Andrew Conrad, chefe da equipe de Ciências da Vida no laboratório de pesquisas Google X, que divulgou o projeto na terça-feira, durante a conferência ao vivo do The Wall Street Journal. "Esse é o nosso sonho." Mas ele ainda vai demorar, provavelmente, mais de cinco anos para se tornar realidade, dizem especialistas do setor, e enfrenta enormes desafios, tanto técnicos como sociais. Os pesquisadores precisam identificar materiais para cobrir as partículas e ajudá-las a se ligar a células específicas. E o Google ainda não sabe quantas nanopartículas seriam necessárias para que o sistema funcione. Além do mais, o dispositivo de vestir precisa ser pequeno o bastante para ser discreto, mas tem que acomodar uma bateria que não precise de recarga frequente.
O Google poderia oferecer as nanopartículas numa pílula. Um sistema desse tipo enfrentaria "exigências regulatórias muito maiores do que os instrumentos convencionais de diagnóstico", diz Chad A. Mirkin, diretor do Instituto Internacional de Nanotecnologia da Universidade Northwestern, no Estado americano de Illinois, e um dos fundadores de três empresas de nanotecnologia médica.
Além das barreiras técnicas e regulatórias, há questões sociais, como a privacidade. A noção de que o Google poderia monitorar um corpo humano 24 horas por dia deve preocupar críticos que reclamam que a empresa já tem acesso a informações demais.
Conrad disse que o Google não vai coletar nem armazenar dados médicos. Em vez disso, pretende licenciar a tecnologia para outras empresas, que vão cuidar das informações e sua segurança.
A iniciativa é uma das várias do Google para se expandir em novas áreas, além da publicidade on-line. Muitos desses projetos são conduzidos pelo laboratório de pesquisas Google X, como o do automóvel que se autodirige, balões de grande altitude para transmitir sinal de internet, e os óculos computadorizados Google Glass.
A equipe de Ciências da Vida do Google X quer que os dados das pessoas sejam aproveitados para tornar a medicina mais proativa e não reativa. Seu estudo Baseline está elaborando uma imagem detalhada de um ser humano saudável, examinando geneticamente amostras de milhares de pessoas. A equipe também está desenvolvendo uma lente de contato inteligente para medir a glicose dos pacientes com diabetes através da lágrima.
O projeto das nanopartículas envolve mais de 100 funcionários do Google recrutados de diversas áreas, como astrofísica, química e engenharia elétrica. O Google não revela o custo do projeto.
Os defensores da ideia acreditam que a nanotecnologia tem grande potencial na medicina. Até agora, porém, ela produziu poucos produtos comerciais de sucesso. O governo americano investiu mais de US$ 20 bilhões em pesquisas de nanotecnologia desde 2001 - cerca de US$ 4,3 bilhões vindos da área de saúde.
A Nanosphere Inc., fundada com base num trabalho do laboratório de Mirkin publicado em 2000, vende testes de diagnóstico baseados na nanotecnologia, capazes de examinar rapidamente o sangue, a saliva e a urina em busca de causas de infecção. Mas seus produtos têm tido aceitação muito lenta. A ação da empresa caiu 98% em relação ao seu pico, atingido logo após a abertura de capital, em 2007.
Outra empresa baseada nas pesquisas de Mirkin, a AuraSense Therapeutics LLC, de capital fechado, está usando a nanotecnologia para criar formas globulares de DNA projetadas para tratar o câncer e outras doenças. Bill Gates e o diretor-presidente do Google, Eric Schmidt, estão entre os seus investidores.
A Bind Therapeutics Inc. está fazendo ensaios clínicos com nanopartículas dentro do corpo para introduzir remédios contra doenças como o câncer.
O Google está empregando uma ideia semelhante para usar nanopartículas no interior do corpo, não para introduzir drogas, mas para testes e monitoramento contínuos, diz Robert Langer, especialista em nanomedicina do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e um dos fundadores da T2 e da Bind.
O Google divulgou que tem feito progressos na criação das minúsculas partículas de óxido de ferro e na identificação dos revestimentos que fariam elas se ligarem às células corporais. Conrad disse que espera poder "pintar" as nanopartículas com um anticorpo que reconheça uma proteína na superfície das células tumorais e se prenda a elas.
O Google ainda está pelo menos a cinco ou sete anos de ter um produto aprovado para uso médico, diz Sam Gambhir, chefe da cadeira de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, que é consultor do projeto.
Mesmo que o Google consiga que o sistema funcione, não está claro como interpretar os resultados. Daí o estudo Baseline, que deverá criar um ponto de referência para comparações. "Precisamos saber os níveis saudáveis dessas moléculas portadoras de doenças no sangue e ainda não sabemos", disse Conrad.

 

Saúde



OMS vê recuo do ebola na Libéria
30/10/2014 - Valor Econômico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse ontem que pode estar havendo um declínio na disseminação do vírus do ebola na Libéria, o país da África Ocidental mais atingido pelo atual surto da doença.

Bruce Aylward, diretor-geral-assistente da OMS, disse que houve uma queda no número de enterros e internações, e que parou de crescer a confirmação de novos casos. "Todos os dados apontam para a mesma direção", afirmou. "Estamos confiantes de que a reação está agora levando a melhor sobre o vírus? Sim, estamos vendo uma desaceleração na taxa de novos casos, definitivamente."

Aylward, porém, procurou manter a cautela. "Ter uma leve diminuição no número de casos numa base diária é uma coisa. Ter um fim disso tudo é outra completamente diferente."

De acordo com a OMS, na atual epidemia foram registrados até segunda-feira 13.703 casos de ebola em oito países e o número de mortos está em 4.920.

Senegal e Nigéria foram declarados livres da doença, após passarem por dois períodos de incubação, num total de 42 dias, sem registrarem novos casos. Aylward disse que, de maneira nenhuma, poderia se achar que o ebola está sob controle. "É como dizer que o seu tigre de estimação está sob controle", afirmou. "Trata-se de uma doença muito, muito perigosa (...) Basta uns poucos enterros darem errado e uma nova onda de transmissões em cadeia pode começar, levando os casos de novo para cima."

Em Acra (Gana), a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, cobrou que os governos que se comprometeram a ajudar contra a doença cumpram logo suas promessas. Power se declarou animada pelos progressos das últimas semanas e disse que os desafios mais urgentes agora são o combate ao medo e às informações erradas que circulam em meio às populações, e completar o número necessário de equipes médicas e recursos que precisam ser enviados às áreas atingidas.




Combate ao ebola aproxima EUA e Cuba
30/10/2014 - Folha de S.Paulo


Em um gesto de cooperação incomum, Estados Unidos e Cuba participaram, nesta quarta-feira (29), de uma reunião técnica para elaborar medidas contra a propagação do vírus ebola nas Américas.

O encontro ocorreu em Havana, a capital cubana. Os EUA enviaram dois funcionários do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), principal agência do governo no combate ao ebola. Outros 30 países mandaram representantes.

Nos EUA, duas pessoas já se infectaram com o vírus.

A conferência foi convocada há nove dias pelos presidentes dos países da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), bloco formado por nove países com orientação de esquerda e retórica antiamericana --além de Cuba, destacam-se no grupo Bolívia, Nicarágua, Venezuela e Equador.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também enviou representantes ao encontro.

INTERCÂMBIO


Segundo o ministro da Saúde de Cuba, Roberto Morales, o objetivo fundamental do encontro é o intercâmbio de critérios para enfrentar a doença.

"Cada país tem de estar preparado para dar uma resposta [se surgirem casos da doença]", afirmou o ministro cubano na abertura da conferência.

Cuba já enviou ao menos 256 médicos e enfermeiros aos países africanos mais afetados pelo vírus --Libéria, Serra Leoa e Guiné.

A atitude cubana provocou raros elogios dos EUA para a ilha comunista, por exemplo do secretário de Estado, John Kerry. Foi seguida por expressões mútuas de desejo de que Havana e Washington trabalhem juntos contra o vírus.

A Organização Mundial da Saúde informou que o envio de profissionais de medicina por Cuba é a maior contribuição de um único governo, apesar de haver na África mais médicos de outras nacionalidades, mas que foram enviados por ONGs.

Um dos americanos que compareceram ao encontro, o diretor do escritório regional do CDC na América Central, Nelson Arboleda, disse que a cooperação deve ser independente de tensões políticas entre os dois países.

EUA e Cuba não têm relações diplomáticas desde os anos 60, e os americanos aplicam um embargo econômico contra a ilha.

"Esta é uma emergência mundial e todos nós deveríamos trabalhar juntos e cooperar neste esforço", declarou Arboleda.

Ele afirmou que, "por meio da Organização Pan-Americana da Saúde [órgão continental para a área], estamos garantindo que todas as nossas atividades sejam coordenadas de forma adequada e eficiente".

Nas última semanas, tanto o ditador cubano, Raúl Castro, como seu irmão Fidel, que deixou o poder em 2006, têm declarado a vontade de cooperar com os EUA no combate ao vírus.



'Prima' da dengue se alastra em 2 meses
30/10/2014 - Folha de S.Paulo

Menos de dois meses após a confirmação dos primeiros casos autóctones (de transmissão local) da febre chikungunya, a "prima" da dengue está se espalhando rapidamente pelo país, com epidemias na Bahia e no Amapá e casos em outros 11 Estados e no Distrito Federal.

Segundo o Ministério da Saúde, 828 pessoas foram infectadas até 25 de outubro. Dados mais atuais dos municípios, porém, apontam que os casos passam de mil --há um mês, não chegavam a 80.

O vírus chikungunya é transmitido pelos mesmos mosquitos da dengue (Aedes aegypti e Aedes albopictus). Os sintomas da doença também são parecidos, como febre, mal-estar e dores e manchas vermelhas, mas o chikungunya pode causar dores mais fortes (e de maior duração) nas articulações.

No Amapá, 330 casos foram confirmados só em Oiapoque, onde surgiram as primeiras transmissões no território brasileiro, em setembro. A Bahia concentra 458 confirmações. Feira de Santana é o epicentro, com 371.

O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, prevê um verão "preocupante", com casos de dengue e chikungunya ao mesmo tempo.

"É como se tivéssemos um novo sorotipo de dengue circulando. Toda população está suscetível", diz Barbosa.

O período de maior transmissão é entre janeiro e maio, mas cidades como Feira de Santana já observam a circulação dos dois vírus.

"Nesta semana, além do chikungunya, temos registrado casos de dengue", diz Maricelia de Lima, técnica da Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana. O município investiga 1.161 suspeitas de chikungunya, 39% delas em um único bairro.

Segundo o infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcellos, outro agravante é a previsão de mais casos de dengue subtipo 4, que tendem a ser mais graves em quem já foi infectado pelos outros três tipos.

"Ele começou a circular há dois anos e ainda tem potencial para infectar de 75% a 80% das pessoas", diz.

Neste ano, todas as campanhas e ações preventivas do Ministério da Saúde contra a dengue vão incluir também a febre chikungunya.

"O nome é diferente, mas a maneira de prevenir é a mesma: eliminar os criadouros do mosquito, não deixar água parada", diz Barbosa.

Até o ano passado, a febre chikungunya estava concentrada em algumas regiões da África e da Ásia. Em dezembro, o vírus começou a circular no Caribe e depois se espalhou pelo resto das Américas. São quase 800 mil casos, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde.

A letalidade é baixa (1 morte para 1.000 casos), mas pode se agravar em idosos e pessoas com doenças crônicas.


EUA aprovam quarentena para missão militar humanitária contra o ebola
29/10/2014 - Portal Valor Econômico

SÃO PAULO - O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, aprovou nesta quarta-feira a quarentena forçada para todos os militares americanos que retornarem de missão humanitária contra o ebola na África ocidental, segundo nota do Pentágono.
Hagel assinou uma ordem para que os comandantes implementem um "regime de monitoramento controlado" para todos os soldados que serviram na missão por 21 dias - o tempo máximo de incubação do vírus no organismo.
Na terça (28), dez soldados americanos já haviam sido postos em isolamento em uma base militar em Vicenza, na Itália, incluindo o major-general Darryl Williams, que supervisionou a reação inicial das Forças Armadas americanas ao surto de ebola, embora nenhum deles tenha manifestado qualquer dos sintomas.
Os militares dos EUA vêm montando uma infraestrutura para ajudar as autoridades de saúde a tratarem das vítimas do ebola nos países afetados na África.
O coronel Steve Warren, porta-voz do Pentágono, descreveu na terça as precauções como "monitoramento intensificado".


Um terço dos nascidos tem mães de 30 anos ou mais
30/10/2014 - Folha de S.Paulo

Quase um em cada três nascimentos em 2012, no Brasil, ocorreu em mães que já tinham completado 30 anos.

É o que aponta a pesquisa "Saúde Brasil", divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Ministério da Saúde. Num intervalo de 12 anos, a proporção de nascidos vivos de mães dessa faixa etária subiu de 22,5% para 30,2%.

Desde 2000, a proporção de nascimentos tem aumentado gradativamente nas faixas etárias de 30 a 34 anos, 35 a 39, e 40 ou mais. Em mulheres com 15 a 19 anos, e 20 a 24, a proporção de nascimentos caiu; a queda também ocorreu na faixa etária 25 a 29, mas discretamente.

Outro recorte do estudo relaciona o grau de escolaridade e o início da maternidade.

Em 2012, 45,1% das mulheres com 12 anos ou mais de escolaridade --ou seja, com o ensino médio completo-- tiveram o primeiro filho após completarem 30 anos.

Para quem estudou menos, porém, o nascimento do primeiro filho veio mais cedo.

Das mulheres com até três anos de estudo, 72,8% tiveram o primeiro bebê antes de completarem 25 anos de idade. Isso também aconteceu com 88% das mulheres que estudaram por um período de quatro a sete anos, e com 69,8% das que estudaram de oito a 11 anos.


Notícias– 28/10/2014

 

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 

 

Canadense acelera tentativa de compra da fabricante de Botox
28/10/2014 - Folha de S.Paulo

O laboratório farmacêutico canadense Valeant elevou para US$ 60 bilhões sua oferta pela americana Allergan, fabricante do Botox, na maior batalha do ano por uma aquisição no setor.

O principal executivo da Valeant, Michael Pearson, disse que o grupo canadense está "preparado para oferecer US$ 200 por ação", 8% acima do preço da americana no fechamento do mercado na sexta.

A batalha pela Allergan se tornou a mais duradoura e complexa dentre as várias que ocorreram neste ano no setor farmacêutico.

Agora que a oferta da Abbvie pela Shire fracassou e que as chances de a Pfizer fazer uma nova oferta pela AstraZeneca diminuíram, este passa a ser o maior negócio em potencial para o setor em 2014.

A nova oferta da Valeant acompanhou a divulgação pela Allergan de lucros acima das expectativas no terceiro quarto, com vendas recordes.

"Vimos seguindo esta companhia por um longo tempo e não nos lembramos de um desempenho tão positivo", afirmou o setor de análises do UBS, em nota.

A Allergan, por seu lado, afirmou que a oferta da Valeant foi "uma tática para distrair investidores de seus resultados impressionantes no terceiro quarto".

A fabricante do Botox tem resistido fortemente à tentativa de compra da Valeant, que tem o apoio do investidor "ativista" Bill Ackman --que, por meio da Pershing Square, é o maior acionista do laboratório americano, com 10%.

O objetivo de Ackman é fechar o apoio ao negócio até a próxima assembleia de acionistas, em 18 de dezembro.



Pesquisa e desenvolvimento


Ultrassom sim, mas sem exageros
28/10/2014 - Folha de S.Paulo
Colunista: Suzana Herculano-Houzel

Esta é para as grávidas aflitas para ter certeza da saúde do bebê em gestação, para as curiosas que querem ficar olhando o rostinho do bebê antes de ele nascer, e sobretudo para quem está considerando comprar seu aparelho para usar em casa: o exame de ultrassom, que a internet diz ser "100% seguro" e "isento de contraindicações", não é exatamente inócuo, por isso não deve ser abusado --sobretudo exames tridimensionais de alta resolução, que usam ondas mais fortes que os outros.
Noções básicas de física já deveriam levantar suspeitas. A ultrassonografia se baseia no bombardeamento do corpo com rajadas de ondas mecânicas de alta frequência, acima da capacidade auditiva humana, e na captação do eco das ondas refletidas --como o sonar de um submarino-- para gerar uma imagem dos órgãos internos, invisíveis através da pele. Em laboratórios, frequências ultrassônicas são usadas para dissociar e até mesmo matar células. Por isso Pasko Rakic, um dos maiores especialistas mundiais no desenvolvimento do sistema nervoso, suspeitou que o exame pré-natal não fosse tão completamente inofensivo assim.
De fato, Pasko descobriu que, aplicada a camundongas gestantes em condições comparáveis às dos exames feitos com mulheres grávidas, a ultrassonografia tem o potencial de perturbar a migração dos neurônios que formarão o cérebro dos filhotes. Quanto maior o tempo de exposição, maior a porcentagem de neurônios que se perdem ao longo do trajeto de migração do local onde eles nascem até seu destino no córtex cerebral. A porcentagem sobe de 5% nos animais controle para 19% em animais expostos ao ultrassom por sete horas, o maior tempo testado no estudo.
Ainda assim, nada de pânico: numa gestação humana típica, o feto é exposto por recomendação médica a um total poucos minutos de ultrassom. E décadas de exames de ultrassonografia feitos durante o pré-natal confirmam que os riscos eventuais de uma exposição pequena sob orientação médica valem os benefícios oferecidos a mãe e bebê.
Mas é importante reconhecer que a ultrassonografia não é "100% segura": ela tem, sim, o potencial de perturbar a formação do cérebro. Assim como todo remédio tem efeitos colaterais e uma dose segura, mas pode matar se consumido em excesso, a ultrassonografia não é fotografia --deve ser usada com bom senso e orientação médica.

SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista

 

Saúde



Sem sinais de ebola, enfermeira dos EUA é liberada de quarentena
28/10/2014 - Folha de S.Paulo

Após intenso debate político sobre as medidas anunciadas pelos Estados de Nova York e Nova Jersey para conter o ebola, a enfermeira Kaci Hickox, 33, foi liberada nesta segunda (27) da quarentena em hospital de Newark (NJ).

Hickox, isolada em uma tenda sem chuveiro e com um banheiro químico, foi a primeira pessoa a ser enquadrada nas medidas impostas na última sexta, que determinavam que todos os funcionários de saúde vindos da África seriam colocados em quarentena hospitalar. Ela não apresentava sintomas da doença.

O isolamento compulsório foi decidido após as notícias de que Craig Spencer, médico recentemente diagnosticado com o vírus, passeou pela cidade de Nova York nos dias antes de ser internado.

No domingo, no entanto, depois de sofrerem pressão da Casa Branca e de autoridades sanitárias, os governadores Andrew Cuomo (NY) e Chris Christie (NJ) voltaram atrás e anunciaram que os funcionários poderão ficar isolados em suas casas.

Com isso, Hickox foi levada à sua residência, no Estado do Maine. Ela não poderá deixar o local até o fim da quarentena, de 21 dias (tempo de incubação do vírus).

Mesmo com o recuo das autoridades, as medidas nos dois Estados ainda são mais restritivas que aquelas aplicadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças em âmbito nacional.

Pelo protocolo federal, viajantes que chegarem aos EUA vindos de Guiné, Serra Leoa ou Libéria serão monitorados por 21 dias, com pelo menos uma visita de um funcionário de saúde por dia.

Eles ainda terão de avisar as autoridades se tiverem planos de viajar. No entanto, não são obrigados a ficar em casa.

Também nesta segunda, o Pentágono anunciou que ao menos dez soldados norte-americanos estão isolados em uma base militar em Vicenza, na Itália, depois de terem participado dos esforços para conter a epidemia do ebola na África. Nenhum deles apresentou sintomas da doença.

O Pentágono afirmou que os soldados não estão em quarentena, mas em "monitoramento controlado." Segundo Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, a decisão não reflete uma diretiva do Departamento de Defesa, "que ainda está em desenvolvimento."

Um menino de cinco anos que voltou recentemente da Guiné foi internado em Nova York depois de ter febre. Um primeiro teste para o ebola deu negativo, mas outro ainda deve ser feito.


Atleta barrada luta para manter o próprio corpo
28/10/2014 - Folha de S.Paulo

Dutee Chand adora seus longos cabelos escuros, normalmente presos num rabo de cavalo, e os bíceps tonificados que ela gosta de exibir com camisetas regatas. Ela acredita que o corpo em que nasceu a torna a mulher que é hoje, aos 18 anos.

Mas, em meados deste ano, Chand, campeã indiana dos 100 metros rasos na categoria até 18 anos, foi barrada em uma competição feminina. Ela tem uma condição denominada hiperandrogenismo, e o seu corpo produz níveis tão elevados de testosterona que a colocam na faixa normal masculina, aos olhos do atletismo internacional.

Cumprindo uma norma da Federação Internacional das Associações de Atletismo, o órgão responsável pelas corridas, a Federação de Atletismo da Índia só permitirá que Chand compita se reduzir seus níveis de testosterona abaixo da faixa masculina. Ela pode fazer isso com medicamentos ou cirurgia. Sua resposta? "É errado ter de mudar o corpo para participar de esportes. "Não vou mudar por causa de ninguém."

No mês passado ela entrou com um recurso no Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça. "É como em algumas sociedades. Costumavam cortar a mão de pessoas que roubavam", disse Chand sobre a ideia de alterar medicamente o seu corpo. "Sinto que esse é o mesmo tipo de norma primitiva, antiética. Vai longe demais."

A situação de Chand pôs em evidência uma das questões que causam mais perplexidade nos esportes e na sociedade: que não há nenhum método incontestável para estabelecer uma linha entre masculino e feminino. Entidades olímpicas decidiram fixar um limite para testosterona, porque é sabido que ela aumenta a força e a massa muscular, ajudando o corpo a se recuperar dos treinos.

"Nós arranjamos uma solução imperfeita, mas não existe uma forma fácil de contornar essa questão", disse Eric Vilain, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que contribuiu para a definição da política do Comitê Olímpico Internacional. "A outra solução é a mistura dos gêneros nas competições, e isso não seria justo para as mulheres."

Um estudo recente sobre mulheres competindo no Mundial de Atletismo de 2011 constatou que 7 em cada 1.000 tinham hiperandrogenismo, e algumas mesclavam características anatômicas femininas e masculinas. Isso é 140 vezes mais do que o estimado na população em geral.

Durante a fase de apelação, Chand permanecerá num limbo, temendo que seu sonho de infância seja inviabilizado de vez.

Filha de tecelões que ganham cerca de US$ 8 por semana, Chand tinha uns 4 anos quando começou a acompanhar um dos seus seis irmãos nos treinos. Aos 10, treinava em um programa nacional, enviando dinheiro de premiações para casa. Com essa ajuda seus pais se mudaram de um casebre de barro de dois cômodos para uma casa de quatro cômodos.

Ela aspirava a disputar Olimpíadas e havia sido selecionada para os Jogos da Commonwealth, em julho, quando foi retirada da equipe. Aparentemente, um dirigente ou competidor do Campeonato Asiático Junior de Atletismo, que aconteceu em junho e no qual Chand ganhou duas medalhas de ouro, solicitou que ela fosse submetida a um exame. Os médicos a cutucaram e apalparam, colheram seu sangue e a submeteram a um exame de ressonância magnética. Depois que o nome de Chand foi removido da lista da delegação indiana, Payoshni Mitra, ativista que pesquisa a questão dos gêneros no esporte, localizou Chand e explicou o que estava acontecendo com ela. Ela pediu a Chand que não consentisse de imediato com os medicamentos ou a cirurgia, e sugeriu que ela entrasse com um recurso sobre o seu caso.

Os simpatizantes de Chand convenceram a Autoridade Esportiva da Índia a apoiar o recurso dela. Mais importante ainda, eles provavelmente pouparam Chand de uma dor incalculável.

Outras não tiveram tanta sorte. Quatro atletas mulheres nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foram denunciadas e tiveram o diagnóstico comprovado de que tinham características anatômicas mistas, masculinas e femininas. Elas acabaram fazendo cirurgia para remover testículos. Mas um estudo publicado no ano passado mostrou que essas atletas também se submeteram a procedimentos médicos que nada tinham a ver com a diminuição dos níveis de testosterona para fins esportivos: a redução do tamanho dos seus clitóris, cirurgias plásticas feminilizantes e terapia de reposição de estrógeno. "Não sabemos o que disseram a essas mulheres", afirmou Katrina Karkazis, pesquisadora de bioética na Universidade Stanford, na Califórnia. Ela acrescentou: "Pelo menos desta vez nós chegamos até a atleta antes que fosse feita qualquer intervenção, e poupamos uma pessoa dessa mentalidade colonial".

Chand disse que, se perder o recurso, tentará a carreira de treinadora. Mas ela ainda não desistiu. Recentemente, ela assistiu ao documentário obre Caster Semenya, uma corredora sul-africana que foi banida e readmitida depois de ser forçada a se submeter a um humilhante teste de gênero em 2009. Chand foi tomada por emoções. "Veja, não estou só", disse ela.


Santa Casa nega que tenha jogado feto e material humano em terreno
28/10/2014 - Folha de S.Paulo

DE RIBEIRÃO PRETO - A Santa Casa de Franca negou nesta segunda-feira (27) que tenha feito descarte ilegal de material biológico cirúrgico, como feto e mamas.

Na última terça-feira (21), uma criança de dez anos encontrou supostos tecidos humanos e um feto num terreno público de Patrocínio Paulista.

Os materiais estavam em potes de plástico e de vidro com etiqueta com o logotipo da Santa Casa de Franca.

O material foi encaminhado ao IML de Franca e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Cetesb (companhia ambiental do Estado de SP).

A Santa Casa informou que os potes podem ser remanescentes de lote enviado para coleta de exames na Santa Casa de Patrocínio Paulista e que, possivelmente, foram utilizados após a rescisão do contrato entre os dois hospitais.


Cientistas tentam conter temores sobre o ebola
28/10/2014 - Folha de S.Paulo

A notícia de que uma enfermeira com traje protetor completo foi contaminada pelo ebola levantou questões perturbadoras. O vírus teria evoluído para algum tipo de agente superpatogênico? Poderia em breve se transformar em algo ainda mais aterrorizante? Biólogos evolucionistas em geral estão de acordo sobre as respostas a essas perguntas: não para a primeira; e provavelmente não para a segunda.

O vírus ebola que assola a África ocidental hoje não é fundamentalmente diferente dos tipos que provocaram os surtos anteriores, dizem. E é muito improvável que uma seleção natural dê ao vírus a capacidade de se espalhar mais facilmente, especialmente tornando-o transmissível pelo ar.

"Fiquei consternado com algumas especulações sem sentido que existem por aí", disse Edward Holmes, da Universidade de Sydney, na Austrália.

O vírus foi descoberto apenas em 1976. E só agora os cientistas começaram a responder algumas das questões mais importantes sobre o assunto.

No mês passado, por exemplo, Derek Taylor, da Universidade de Buffalo no Estado de Nova York, e seus colegas publicaram provas de que o vírus ebola é extremamente antigo, tendo surgido a partir da divisão de outras linhagens virais há pelo menos 20 milhões de anos. A pesquisa de Taylor sugere que, durante a maior parte daquele período, variantes do ebola infectaram roedores e outras espécies de mamíferos.

Em 1976, o vírus se espalhou entre seres humanos. E, de tempos em tempos, um novo surto aparece em diferentes partes da África Central. Cada um deles foi causado por um descendente da linhagem de 1976, de acordo com uma nova pesquisa realizada por Andrew Rambaut, da Universidade de Edimburgo.

Biólogos evolucionistas dizem que, embora o vírus ebola esteja em mutação à medida que se espalha, não há evidência de que isso seja a causa da grande dimensão do surto. "É muito mais plausível que a diferença seja o fato de ele agora ter penetrado em uma população humana diferente", disse Rambaut. Enquanto a atual epidemia se espalhar, o vírus continuará em mutação.

Pardis Sabeti, geneticista da Universidade Harvard, disse que é vital acompanhar a evolução das mutações no ebola. De outro modo, uma vacina experimental poderia atacar uma versão anterior do vírus.

Seria um erro, alertou Holmes, imaginar que com uma única mutação o ebola poderia se tornar um agente patogênico transmissível pelo ar.

"O vírus está se saindo muito bem atualmente", disse Holmes. "Então teria que ser benéfico para o vírus dar esse grande salto."

A história antiga do ebola indica que podemos nos deparar com mais primos dele no futuro. Essa temível linhagem viral pode ter dado origem a muitos ramos evolutivos durante dezenas de milhões de anos, disse Holmes.


Fiocruz avança na tecnologia para vacina
28/10/2014 - O Estado de S.Paulo


Dois pesquisadores da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, criaram um método para desenvolver vacinas contra diversas doenças.
Essa tecnologia está sendo usada para buscar imunizadores contra a doença de Chagas e a aids e,n ofuturo, poderia até ser usada contra o Ebola.
A base do método é a vacina contra a febre amarela, usada desde 1937.
Como outras, ela previne a infecção usando vírus vivos atenuados, capazes de se multiplicar no organismo do paciente, mas incapazes de provocar a doença. A partir do contato com esses vírus inofensivos, as células de defesa do paciente aprendem a reconhecer o causador da doença e ficam prontas para uma infecção.
Os pesquisadores Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e Ricardo Galler, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos(Bio-Manguinhos/ Fiocruz),inseriram genes de outros micro-organismos no material genético dos vírus usados na vacina contra a febre amarela. Assim, criaram “vírus recombinantes”, capazes de “ensinar” as células de defesados pacientes a reconhecer, além da febre amarela,uma outra infecção.
Uma das pesquisas que usa esse novo método se refere à aids e é liderado pelo cientista David Watkins, da Universidade de Miami. O processo para registrar a patente do método como invenção brasileira foi iniciado em 2005 e encerrado em setembro nos Estados Unidos.
Segundo Myrna, a metodologia pode ser usada contra diversas doenças.
Há estudos, por exemplo, sobre o parasita Trypano soma cruzi, causador de Chagas.


 

Notícias– 29/10/2014

  

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

Mercado aberto: Doença remediada
29/10/2014 - Folha de S.Paulo
Colunista: Maria Cristina Farias

Entre outubro de 2013 e setembro deste ano, foram comercializadas 1,6 milhões de unidades do Tamoxifeno, principal produto para o câncer de mama no Brasil.
O volume cresceu 78% nos últimos cinco anos, segundo a PróGenéricos, e responde por 25,2% do total vendido para o tratamento.


País é questionado na OMC sobre alta de subsídios para a indústria farmacêutica
29/10/2014 - Valor Econômico


O aumento de 525% na ajuda dada pelo governo brasileiro à industria farmacêutica em quatro anos teria se justificado pelo ritmo acelerado de crescimento do setor. Essa foi a explicação dada ontem pela delegação brasileira na Organização Mundial do Comércio a questões apresentadas por países-membros.

Indagado pelo Canadá sobre a alta de subsídios, de R$ 12 milhões em 2009 para R$ 75 milhões em 2012, o Brasil respondeu que, nos anos recentes, o mercado farmacêutico brasileiro cresceu mais de 10% por ano. Com isso, as companhias do setor têm tentado aumentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos como estratégia para reforçar a competitividade, elevando a demanda de fundos do programa BNDES Profarma Inovação.

A delegação brasileira na reunião do Comitê de Subsídios, chefiada pelo conselheiro Felipe Hees, respondeu a questões também dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia sobre uma serie de programas governamentais. A resposta em geral foi de que nenhum programa introduzido desde 2011 constitui subsídio que poderia ser considerado irregular pelas regras da OMC, ou como forma de discriminação entre produtos estrangeiros e domésticos.

Segundo a delegação brasileira, todos os programas visam aumentar eficiência energética e sustentabilidade da economia como um todo, expandir e modernizar a infraestrutura, proteger o consumidor, apoiar pequenas e medias empresas e reduzir disparidades regionais e sociais.

Os Estados Unidos, que fizeram várias perguntas sobre o Inovar-Auto, Plano Brasil Maior (2011-2014) e Programa de Desenvolvimento Produtivo, não pareceram muito convencidos e sinalizaram que podem voltar com mais questões no mesmo Comitê de Subsídios da OMC.

Sobre o programa de modernização da frota pesqueira, questionada pela Nova Zelândia, a delegação brasileira respondeu que o último desembolso ocorreu em 2010 e que ele está sendo redefinido pelo governo.


Droga para leucemia ajuda lucro da Novartis
29/10/2014 - O Estado de S.Paulo


A farmacêutica suíça Novartis divulgou resultados melhores que o esperado, com fortes vendas de sua droga para leucemia Glivec ajudando a compensar a concorrência dos genéricos para sua pílula para pressão arterial Diovan. As vendas subiram 4%, para US$ 14,7 bilhões, enquanto o lucro líquido por ação aumentou 10%.


Após quase dois anos, Aché terá presidente
29/10/2014 - O Estado de S.Paulo

Farmacêutica, que era dirigida por um colegiado, abandona formato de gestão compartilhada com a contratação de Paulo Nigro, ex-Tetra Pak Depois de quase dois anos à procura de um presidente executivo, a farmacêutica nacional Aché, uma das maiores do País, anunciou ontem a contratação de Paulo Nigro, que estava à frente da empresa de embalagens Tetra Pak, para o cargo. O executivo assumirá a nova função a partir do dia 3 de novembro.
A companhia, que pertence às famílias Dellape Baptista, Siaulys e Depieri, estava sem presidente desde fevereiro de 2013. Desde então, a farmacêutica era administrada por um comitê de gestão de três executivos, apoiados pelo presidente do conselho de administração, Adalberto Dellape Baptista.
Esse comitê foi criado após a saída do executivo José Ricardo Mendes da Silva, considerado o homem de confiança dos Depieri. Silva está à frente da BR Pharma, que pertence ao BTG, desde o fim do ano passado.
Em comunicado, Nigro afirmou que "encara com entusiasmo o novo desafio no Aché, uma empresa inovadora, que vive um momento extremamente positivo".
O Aché é considerado um dos laboratórios farmacêuticos mais rentáveis do Brasil.
Todo ano paga gordos dividendos aos seus controladores, segundo fontes de mercado.
No ano passado, a companhia encerrou com receita líquida de R$ 1,9 bilhão e lucro líquido de R$ 403,8 milhões. Há três anos, o Aché estava preparado para abrir capital na Bolsa, mas desistiu porque as condições de mercado não eram favoráveis.
Há dois anos, os controladores do Aché foram procurados por multinacionais para a vender o controle da empresa, mas, apesar de diversas ofertas de grupos importantes, o negócio não foi adiante. Ninguém se dispôs a pagar os altos preços cobrados pelos donos.
À época, fontes afirmaram que os controladores pediram cerca de R$ 15 bilhões pelo negócio, cerca de 25 vezes o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia. Oficialmente, o Aché nunca confirmou que esteve à venda.
Outros negócios. Além da participação no laboratório Aché, os controladores mantêm importantes negócios independentes. A família Baptista, por exemplo, controla a Partage, de empreendimentos imobiliários. Os Siaulys possuem redes de hotéis de luxo, como o Unique. Os Depieri são investidores do mercado financeiro.
As famílias também estão entre os acionistas da BR Pharma, braço de varejo farmacêutico do BTG.
A farmacêutica engrossou nos últimos anos o movimento de consolidação do setor.
Em 2003, o laboratório incorporou a alemã Asta Médica do Brasil. Mas foi em 2005 que deu seu maior salto, com a compra da Biosintética Farmacêutica, que possibilitou à companhia entrar no segmento de genéricos - hoje os produtos são vendidos sob a marca Genéricos Biosintética.
Em 2010, a empresa adquiriu 50% da Melcon, de Anápolis (GO), marcando sua entrada em hormônios. O Aché também faz parte da Bionovis, superfarmacêutica criada com o apoio do governo federal para produzir medicamentos biossimilares, que tem entre seus sócios a EMS, Hypermarcas e União Química.
O Aché tem cerca 280 marcas de produtos em 690 apresentações de medicamentos sob prescrição, isentos de prescrição e genéricos. A empresa também atua em dermatologia e nutracêuticos, que oferecem margens mais altas.

Pesquisa e desenvolvimento

 

Pesquisa usa vermes contra doença celíaca
29/10/2014 - Folha de S.Paulo

Um grupo de pessoas com doença celíaca aceitou se submeter a uma terapia inusitada para tentar controlar o problema: uma infestação de vermes parasitas.

A doença celíaca é resultado de uma alteração no sistema imunológico que provoca um ataque desordenado de células do próprio doente ao seu intestino quando ingere glúten, proteína presente em alimentos à base de trigo, como, macarrão e pães.

Entre os sintomas estão diarreia crônica, inchaço, fadiga e até prejuízo de desenvolvimento em crianças.

Até agora, o único tratamento eficaz para doença celíaca é uma dieta sem glúten.

A terapia em teste usou o verme Necator americanus, um primo distante da lombriga. Mas, diferentemente dela, que mede até 30 cm, o necator fica em torno de 1 cm.

Entre sintomas da verminose estão febre, diarreia, baço e fígado aumentados e perda de peso.

O experimento foi feito na Austrália com 12 (corajosos) voluntários. Vinte larvas --número considerado seguro-- foram colocadas sobre a pele do braço dos pacientes.

Paul Giacomin, um dos autores do trabalho, da Universidade James Cook, explica que as larvas penetram a pele e viajam pela corrente sanguínea até o pulmão, onde se desenvolvem. Depois sobem as vias aéreas, são tossidas, engolidas e chegam, então, ao intestino, e lá se alojam

Os efeitos colaterais observados nos pacientes foram uma leve dor de estômago e pequena inflamação na pele --no local por onde as larvas penetraram. Giacomin conta que esses efeitos foram rapidamente sanados.

Em seguida, foi feita uma dessensibilização progressiva ao glúten: os pacientes começaram comendo uma quantidade bem pequena de macarrão (0,5 g) e chegaram, no final do período, à "generosa" porção de 100 g.

O papel dos vermes, segundo os cientistas, foi mudar o padrão de resposta do sistema imune ao glúten, de modo a reduzir a reação inflamatória causada pela proteína.

Dois dos 12 pacientes acabaram tendo reações adversas mesmo com baixas quantidades de glúten.

Por outro lado, ainda que o fim da pesquisa previsse o uso de remédios para acabar com a infestação por vermes, os outros dez pacientes nos quais a terapia foi bem-sucedida decidiram manter as "novas aquisições".

Para a secretária Rosalie Webb, 62, que participou do estudo, o glúten não faz falta, mas ela tem medo de ingerir a proteína acidentalmente por contaminação cruzada. Neste ano, por exemplo, ela visitou países na América do Sul, entre eles o Brasil, e teve dificuldade de achar comida sem glúten.

"Não fiquei doente nenhuma vez, o que é fantástico --talvez os vermes estivessem trabalhando!"

O investidor Hugh Sheardown, 64, também voluntário do estudo, considera que os vermes que ele carrega há cerca de dois anos são um "seguro" contra a ingestão acidental de glúten.

Cientistas, no entanto, são firmes ao dizer que o tratamento com larvas de necator é experimental e ainda não é uma alternativa viável à dieta sem glúten.

Os trabalho foi publicado no "Journal of Allergy and Clinical Immunology".


Refrigerante acelera envelhecimento das células, indica pesquisa
29/10/2014 - Folha de S.Paulo


O consumo de refrigerantes, além de contribuir para o aparecimento de diabetes e obesidade, também pode provocar envelhecimento precoce do material genético.

Cientistas americanos mostraram que, naquele país, quanto maior é o consumo de refrigerantes com açúcar, menores são os telômeros dos cromossomos das pessoas.

Cromossomos são estruturas do núcleo das células onde está abrigada a maior parte do material genético. Os telômeros ficam nas pontas dos cromossomos e são responsáveis por manter a capacidade de replicação do material genético, permitindo que células se dividam e substituam as que morrem.

Durante o envelhecimento, ocorre naturalmente o encurtamento dos telômeros, e os órgãos e tecidos perdem a capacidade de regeneração.

Os cientistas analisaram dados de 5.309 pessoas entre 20 e 65 anos, sem diabetes ou doenças cardiovasculares.

As mesmas pessoas haviam respondido a uma pesquisa de hábitos alimentares, além de terem o tamanho dos telômeros de células brancas do sangue avaliados entre 1999 e 2002.

Na pesquisa, 21% dos adultos do estudo ingeriam 591 ml ou mais por dia de refrigerantes com açúcar. Segundo os autores, o hábito dessas pessoas custa aos telômeros o equivalente ao provocado por 4,6 anos de envelhecimento.

O consumo de bacon e embutidos como linguiça e salsicha, segundo a epidemiologista Cindy Leung, idealizadora do estudo, também contribui para o encurtamento dos telômeros.

Uma das limitações do estudo é que foi analisada apenas a ingestão de bebidas com açúcar, e não a quantidade de açúcar ingerida em outros alimentos. O trabalho foi publicado no "American Journal of Public Health".


Como viajam os vírus
28/10/2014 - Carta Capital


As ferrovias são uma das invenções mais importantes da humanidade. Mas elas podem transportar coisas ruins assim como boas, e entre essas últimas estão as doenças. Em particular, como sugere um trabalho que acaba de ser publicado na revista Sfczencepor uma equipe liderada por Oliver Pybus, da Universidade de Oxford, e Philippe Lemey, da Universidade de Leuven, na Bélgica, elas tiveram papel crucial na disseminação inicial do vírus HIV, que causa a Aids.

Os doutores Pybus e Lemey vêm investigando a origem dessa infecção. A maioria dos casos é causada pelo Hl V-l, originalmente um vírus do chimpanzé. O Hl V-l, porém, possui diversas variedades, muitas das quais são raras, e somente uma, o grupo M, tornou-se epidêmica. Os pesquisadores queriam compreender por quê.
0 HIV evolui depressa. Isso tem duas consequências úteis para a ciência. Uma é que se podem desenhar árvores genealógicas que mostram não apenas o que deriva do quê, mas também (porque o ritmo de mudança genéticaé razoavelmente constante) quando os vários ramos divergiram. A outra é que o genótipo do vírus varia de lugar para lugar, dependendo de onde ele chegou primeiro. Isso significa que é possível rastrearsua disseminação com certo detalhe, o que os pesquisadores fizeram.

Eles confirmaram duas suspeitas. Uma é de que o ancestral comum do grupo M data da década de 1920. A outra é de que ele se originou em Kinshasa (então chamada Léopoldville), no antigo Congo Belga, que hoje é a República Democrática do Congo. A análise descartou outros pontos de origem hipotéticos, como Bra-zzaville e Pointe-Noire.

0 que aconteceu antes e depois da origem do grupo M, porém, é intrigante. O ancestral do grupo parece ter
vindo de Camarões, cujos chimpanzés têm vírus mais semelhantes a ele. Algum tempo antes da Primeira Guerra Mundial, alguém de lá (provavelmente umcaçador) foi infectado, possivelmente por contato direto com o sangue do chimpanzé. (A transmissão de patóge-nos de animais para pessoas dessa maneira também é considerada responsável pela atual epidemia de ebola.) Então, é provável que ele tenha viajado para o sul pelo Rio Sangha, que era usado para o comércio de borracha e marfim entre o Congo e Camarões.

Ao chegar a Kinshasa, ocorreu o grande surto do grupo M. Antes da independência do Congo, em 1960, essa cidade era o centro de uma extensa rede comercial. Uma mistura de tráfego pelo rio (especialmente pelo Congo e o Kasai) e por ferrovias que se estendiam até Ki-sangani e Lubumbashi (mapa).

Mas, apesar de se difundir, o vírus não arece ter sido comum. Também é possível extrair da árvore genealógica informação sobre sua prevalência em uma população. Aquantidade de infecção não parece aumentar mais depressa que a população humana até cerca de 1960. Então ogrupo M disparou - primeiro na Africa (embora tenha permanecido indetectado pela ciência médica) e mais tarde no resto do mu ndo. Isso aconteceu quando profissionais do Haiti que foram ajudar no Congo depois da independência o levaram pa-
ra casa e depois o disseminaram pelos Estados Unidos, onde chamou a atenção de médicos em 1981.

0 que essa análise geográfica não aborda é porque o ritmo da infecção aumentou simultaneamente em vários lugares mais ou menos na época da independência do Congo. Nisto, o grupo M difere da próxima variedade mais disseminada, o Hl V-l, grupo O. Esse também disseminou-se durante o século XX, e em um ritmo semelhante ao do grupo M até seu surto de crescimento na década de 1960, mas o fez na Africa Ocidental, e não na Africa Central.

Duas hipóteses foram apresentadas para explicar essa discrepância. Uma é que o grupo M produziu uma mutação que de algum modo modificou sua relação com a humanidade, levando vantagem. A outra é que alguma coisa que as pessoas começaram a fazer naépoca deu ao grupo M um empurrão especial.

Os doutores Pybus e Lemey acreditam
que foi a última. Eles acham implausível que a mutação necessária pudesse ter acontecido simultaneamente em todo o âmbito do grupo M - que teria de ser o caso, segundo sugerem seus dados. Em vez disso, eles suspeitam que a mudança foi humana.

Um fator pode ter sido o caos que acompanhou a independência do Congo, que incentivou mulheres pobres a recorrerem à prostituição. A reutilização descuidada de agulhas hipodérmi-cas em clínicas de doenças sexualmente transmissíveis é outra possibilidade. Mas as ferrovias não parecem ter desempenhado um papel nessa parte da história. Depois da independência, a rede se desfez. O grupo M, em contraste, continuou a ganhar força. 


Saúde



Ribeirão Preto promove o combate ao AVC
29/10/2014 - DCI

Vai até 2 de novembro, em todo o País, a Campanha Nacional de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em Ribeirão Preto, a campanha começa hoje, Dia Mundial do AVC, com programa especial.

Na Praça XV de Novembro, haverá orientação à população sobre os fatores de risco da doença. Profissionais do Hospital das Clínicas e alunos da Liga de Neurologia da FMRP-USP distribuirão panfletos e farão teste de glicemia e pressão arterial, além de tirar dúvidas, mostrar como se prevenir e adotar uma alimentação saudável. O evento é promovido pelo Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) em parceria com a Rede Brasil AVC.

No dia 31, será realizado no auditório do Centro de Convenções de Ribeirão Preto, o "III Simpósio Internacional do Dia Mundial do AVC, que contará com a participação, via teleconferência, de palestrantes dos EUA, Holanda e Canadá, além de médicos de Porto Alegre e de Ribeirão que discutirão atualizações, tratamento e reabilitação do AVC.

Segundo o Ministério da Saúde, a cada 5 minutos um brasileiro morre de AVC: são mais de 100 mil por ano. Só no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, todo mês, são 150 casos. A boa notícia é que há tratamento e prevenção.

O neurologista da Emergência do HC, Octávio Marques Pontes Neto, diz que controlar os fatores de risco é uma forma de prevenir. "Dá para reduzir em até 80% as chances da doença para adultos e, principalmente, nos pacientesacima dos 60 anos", explica ele.



Globalização de doenças
29/10/2014 - O Globo


O ebola não está só. Outros 12 mil surtos pegaram o planeta de surpresa entre 1980 e 2013, afetando cerca de 44 milhões de pessoas, segundo um levantamento divulgado ontem pela Universidade de Brown, nos EUA. A tendência é que esta erupção de casos seja cada vez maior. Há, no entanto, uma notícia positiva — a proliferação de doenças está provocando menos vítimas.

O aumento da população e a globalização faz com que os agentes causadores de doenças circulem muito mais rapidamente, trocando de continente do dia para a noite. Com as crescentes intervenções no meio ambiente, microorganismos que antes viviam isolados entram em contato com o homem causando doenças. O ebola, por exemplo, pode ter vindo de morcegos.
O estudo revela que 65% das doenças detectadas no levantamento são zoonoses, ou seja, vêm de animais. Ao todo, estas doenças causaram cerca de 56% dos surtos desde 1980.
— A população está cada vez mais interligada, inclusive com a vida selvagem, que é hospedeira de agentes capazes de produzir doenças — explica Katherine Smith, coautora do estudo e professora assistente do Depar tamento de Biologia de Brown. — Estas conexões cr iam oportunidades para os patógenos mudarem de hospedeiros e atravessarem fronteiras.
Infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato destaca a facilidade com que os surtos podem ser transportados mundo afora.
— Milhares de viagens aéreas são feitas por dia. Se eu te der US$ 10 mil, você pode ir para qualquer lugar do mundo e está exposto a uma infecção — relata.
As doenças que provocam os surtos também podem são típicas de cada região. Em alguns países pobres, por exemplo, a falta de informações cria resistências a campanhas de vacinação contra o sarampo e a poliomelite, entre outras doenças.
As precárias condições higiênicas também facilitam o surto de doenças nas nações pobres.
— A falta de saneamento básico deixa a população em constante contato com a água contaminada e o esgoto — lembra Anna Caryna Cabral, infectologista do Hospital Pedro Ernesto. — É um cenário que proporciona a difusão de casos de leptospirose, dengue e malária, entre muitas doenças.
Os meios de produção de alimentos também permitem mudanças de hospedeiros de doenças. A granja, segundo Granato, é um ambiente de "promiscuidade" para disseminação de patógenos entre as espécies. Dez anos atrás, por exemplo, o H5N1, uma cepa mortal da grive aviária, provocou pelo menos 375 mortes, a maioria na Indonésia, Egito e Vietnã.

MAIS SURTOS NO SÉCULO XXI
A virulência dos surtos, porém, está diminuindo. Segundo Katherine, os centros de pesquisa estão detectando os focos de doenças com cada vez mais velocidade e eficiência.
Entre 1980 e 1985, o estudo da Universidade de Brown registrou menos de mil surtos. Entre 2005 e 2010, foram quase 3 mil. Nestes períodos, o número de doenças responsáveis por esta erupção de casos aumentou — eram menos de 140, e passaram para 160.
Para coletar estes dados, a equipe de Katherine recorreu a um leque de informações, como o PIB de cada país, o tamanho da população e o acesso à informação, seja pela liberdade de imprensa ou pelo uso da internet.
— Registramos mais surtos nos países desenvolvidos, como EUA, Canadá e na Europa Ocidental, porque neles há mais recursos para consulta e combate às doenças — avalia a pesquisadora. — Por outro lado, acredito que há muitos surtos desconhecidos nas nações em desenvolvimento.
Na América Latina, Brasil e México estão no topo do registro de surtos. Katherine ainda não analisou os motivos, mas acredita que, por aqui, isso ocorre devido à grande presença de agentes transmissores de doenças.
Granato acredita que o país tem condições para investigar grandes focos de doenças.
— Além do acesso à informação, o sistema de saúde funciona razoavelmente bem, e o índice de vacinação é eficiente — calcula. — São fatores que permitem a identificação de surtos. Mas ainda temos dificuldades para combater alguns deles. A dengue, por exemplo, é um problema crônico. E a chegada do vírus do chikungunya, que está no Caribe e também é transmitido pela picada de um mosquito, afundaria o país.
A tendência de aumento no número de surtos não assombra Granato, caso as doenças sejam monitoradas de perto.
— O sistema de vigilância é muito maior do que no passado — assinala. — A gripe, por exemplo, é estudada em 40 países, permanentemente alertas a qualquer mutação do vírus. Talvez não tenhamos vacina para todos eles, mas sem dúvida a fabricação será acelerada.
DOENÇAS COM MAIS FOCOS
O vírus, aliás, é um dos mais recentes vilões do planeta. O chikungunya figura entre as dez doenças que causaram mais surtos entre 2000 e 2010. O ranking é liderado pela salmonela, seguida por e. coli, gripe A, hepatite, antraz, shigelose, tuberculose e triquinose.
A campylobacter, a cryptosporidiosis e a hepatite E, que estavam entre as doenças que causavam mais surtos nas décadas passadas, foram riscadas da nova seleção.
— É muito difícil saber quais vírus podem levar a um surto — admite Granato. — Três anos atrás, não acreditaria que o chikungya causaria um estrago tão grande.
Katharine realizou sua pesquisa com base no registro de surtos da Rede Global de Doenças Infecciosas e Epidemiologia ( Gideon, na sigla em inglês). Agora, ela pretende recorrer à mesma fonte para cumprir a segunda etapa do seu estudo — o modo como as mudanças climáticas e do uso do solo vão influenciar as doenças infecciosas:— Um mundo mais quente, com paisagens alteradas e mais urbano terá um novo modo de se relacionar com as doenças.



Mali coloca 82 pessoas em observação por suspeita de ebola
28/10/2014 - Portal Valor Econômico


SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira que 82 pessoas estão em observação no Mali por terem estado em contato com a criança que morreu de ebola no país na semana passada, embora, por enquanto, nenhuma delas tenha apresentado sintomas da doença.

Entre as pessoas monitoradas, estão 11 profissionais de saúde.

O porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, explicou em entrevista coletiva que permanecem no Mali três especialistas da OMS. Dois deles viajaram para Kayes, a cidade onde morreu a menina.

A criança contraiu a doença na Guiné, onde vivia, e após a morte de seu pai e de sua avó paterna, a avó materna decidiu levá-la ao Mali onde reside. Durante a viagem, a menina apresentou sintomas da doença, como febre alta, vômitos e sangramentos, e, por isso, pode ter infectado outras pessoas.

A menina viajou de ônibus com a avó e foi internada na cidade de Kayes no dia 20 de outubro, mas morreu quatro dias depois.

Outros cinco especialistas devem chegar nas próximas horas tanto vindos de Genebra quanto do escritório regional da OMS para ajudar nas tarefas de detecção e controle de eventuais contatos.

Jasarevic explicou que os especialistas estão treinando as equipes médicas e funerárias sobre como evitar o contágio. Segundo ele, até o momento, a avó não apresentou sintomas.

O porta-voz lembrou, porém, que o período de incubação é de até 21 dias.

A menina de dois anos foi a primeira vítima de ebola diagnosticada no Mali, o terceiro país da África a ter registrado um caso da doença vindo de um dos três países mais afetados: Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Também houve registro de ebola na Nigéria e no Senegal, mas os países superaram a epidemia de ebola ao rastrearem e monitorarem todos aqueles em contato com infectados.

(Folhapress)


Campanha em SP dará orientações sobre acidente vascular cerebral
29/10/2014 - Folha Online


Nesta quarta (29) é celebrado o dia mundial de combate ao AVC –acidente vascular cerebral–, doença que em dois terços dos casos deixa sequelas.
Para alertar a população para os riscos e características do AVC, a iniciativa, "Assine Contra o AVC" orientará a população nesta quarta (29), das 7h às 13h30, em dois pontos da cidade de São Paulo: no vão livre do Masp, na avenida Paulista, e na estação de metrô Barra Funda.
A doença afeta mais mulheres do que homens e está relacionada a fatores de risco como hipertensão arterial elevada, fumo, colesterol elevado e diabetes.
Entre as primeiros sinais e sintomas que podem ser observados no paciente estão a fala "enrolada", a perda de força muscular de um braço ou perna, desmaios e alterações transitórias ou progressivas dos sentidos.
Na suspeita de AVC, atendimento especializado deve ser procurado.
FIBRILAÇÃO Uma das causas da modalidade mais comum do AVC –a isquêmica– é uma arritmia cardíaca chamada de fibrilação atrial.
Com a arritmia, uma condição silenciosa, é mais fácil que um coágulo vá parar nos vasos sanguíneos do cérebro, provocando a interrupção total ou parcial do fluxo de sangue –a chamada isquemia– que culmina no AVC.
Segundo Ricardo Pavanello, cardiologista do Hospital do Coração, para tratar e até mesmo prevenir esse tipo de AVC –que é mais comum nos idosos– pode ser prescrito, de acordo com avaliação e indicação médica, um anticoagulante.
O anticoagulante tem por finalidade "quebrar" o coágulo ou mesmo impedir sua formação, permitindo o adequado fluxo sanguíneo no cérebro.
A fibrilação pode ser percebida ao se investigar a pulsação do paciente, ou mesmo com um eletrocardiograma, exame rápido, barato e amplamente disponível.




 

Notícias– 27/10/2014

  

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 

Butantã vai testar droga contra o câncer em humanos
25/10/2014 - O Estado de S.Paulo

O Instituto Butantã entrou na reta final para os testes clínicos - com humanos - de uma nova droga contra o câncer produzida a partir de uma proteína encontrada na saliva do carrapato-estrela (Amblyoma cajennense). Os experimentos feitos com camundongos e coelhos, inteiramente concluídos, mostraram que a proteína levou à regressão de tumores renais, de pâncreas e do tipo melanoma, além de reduzir metástases pulmonares derivadas desses tipos de câncer.
De acordo com a coordenadora do estudo, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, o instituto está esperando autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes clínicos em humanos. “Confirmamos que a proteína ataca e mata as células cancerígenas sem oferecer risco às células saudáveis. Os testes pré-clínicos foram um sucesso e temos tudo pronto para termos um medicamento inovador para tratamento do câncer com menos efeitos colaterais”, disse.
Segundo ela, as pesquisas foram iniciadas há cerca de dez anos no Laboratório de Bioquímica e Biofísica. Mas o impulso definitivo aconteceu em 2013, com a construção de uma nova infraestrutura, exclusivamente voltada para o projeto, financiada com recursos de mais de R$ 15 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O instituto conseguiu também parceria com a indústria farmacêutica nacional para realizar os testes. Segundo ela, o modelo de pesquisa e desenvolvimento traçado pelo instituto é um marco para a ciência brasileira. “Graças à expertise do instituto e à estrutura do laboratório, conseguimos produzir a proteína em biorreatores dentro das condições exigidas pelos órgãos reguladores e adiantamos os testes de estabilidade e toxicidade.”
Assim, segundo ela, foi possível levar a pesquisa até um estágio tão avançado que a indústria se sentiu confortável para fazer uma formulação e tocar os ensaios pré-clínicos. “Com isso, acredito que conseguimos criar um modelo de desenvolvimento de novos fármacos viável para o País”, disse. Transformar as pesquisas feitas na bancada dos laboratórios em produtos disponíveis no mercado, segundo ela, é um notório gargalo para a produção de novos medicamentos.
Saliva de carrapato. De acordo com Ana Marisa, o interesse inicial do laboratório no carrapato-estrela não tinha nenhuma relação com o câncer. Os cientistas queriam entender como a espécie, que se alimenta de sangue de animais, é capaz de impedir sua coagulação. “Analisamos uma série de substâncias na saliva do carrapato e encontramos uma proteína que inibia uma fase importante do processo de coagulação sanguínea. Como é difícil trabalhar diretamente com a saliva do animal, analisamos os genes envolvidos com a expressão dessa proteína e, com técnicas de engenharia genética, expressamos essa proteína em bactérias”, afirmou.
Durante os vários testes com a nova molécula - batizada de Amblyomin-X -, os pesquisadores notaram que, além de inibir a coagulação em células de vasos sanguíneos, ela matava células tumorais. “Testamos em culturas e células, em camundongos, depois em coelhos. O resultado era sempre o mesmo: as células normais permaneciam ilesas e as células tumorais morriam”, disse.
Utilizando marcadores biológicos, os cientistas acompanharam a trajetória da molécula no organismo dos animais. “Nos animais sem tumores, vemos a molécula dar uma volta e ser excretada. Nos que têm tumor, ela fica estacionada. Isso demonstra a baixa toxicidade da droga”, disse Ana Marisa.



Pesquisa e desenvolvimento

 


Estudo usa ginseng vermelho contra tumores de mama
25/10/2014 - O Estado de S.Paulo

Pesquisadores brasileiros e de Cingapura estão conduzindo um estudo para o combate do câncer de mama usando uma planta da família da sálvia capaz de impedir a proliferação de células cancerígenas. Uma substância no danshen, também conhecido como ginseng vermelho, está, atualmente, em teste com camundongos e deve começar a ser testada em seres humanos entre o fim do próximo ano e o início de 2016.
A pesquisa teve início em 2010, quando se sabia que a planta era usada na medicina chinesa em doenças cardiovasculares. “Havia indícios (de que a planta podia combater o câncer de mama), mas não sabíamos qual era a molécula. Então, chegamos à tanshinona, substância que mata as células do câncer”, explica Gilberto Lopes, que colidera o estudo e é oncologista do Hospital do Coração (HCor) e professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
Após identificar a molécula, os pesquisadores fizeram modificações e chegaram a uma substância denominada acetiltanshinona 2A (ATA), que será utilizada no futuro medicamento. A substância atua inibindo a ação do hormônio estrógeno. “Muitos cânceres de mama dependem do estrógeno para crescer, multiplicar-se e se espalhar para os outros órgãos, a metástase. O ATA se junta ao receptor de estrógeno e o destrói.”
Segundo Lopes, os testes em animais têm sido animadores. “Já sabemos que funciona em modelos animais. Estamos testando o tratamento em ratos e não vimos nenhuma toxicidade grande. Eles não morreram nem ficaram intoxicados.”
EUA. Após a finalização dos testes, os resultados serão encaminhados para a FDA (Food and Drugs Administration), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, para ter autorização para iniciar os testes em humanos. “Os estudos têm três fases: na primeira, para segurança, (participam) de 40 a 80 pacientes. Da segunda, para mostrar o efeito, (participam) de 40 a 200 pacientes. Estudos de fase 3 revelam se o tratamento novo é melhor que o de rotina.”
De acordo com Lopes, os testes devem começar simultaneamente no Brasil e em Cingapura, por causa da nacionalidade dos pesquisadores. O investimento para os estudos em seres humanos deve ficar entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões, o equivalente a um valor entre R$ 2,5 milhões e R$ 7,5 milhões.


Maioria das mulheres tem problema sexual pós-câncer
26/10/2014 - Folha de S.Paulo

Primeiro veio o câncer, o medo da morte. Depois, a perda da mama, a químio e a radioterapia. Por fim, a falta de desejo e a rejeição do marido.

O enredo, comum a muitas mulheres que enfrentaram o câncer da mama, foi vivido pela bancária aposentada Eva Batista, 62, há seis anos, quando descobriu o tumor.

"Depois do tratamento, meu marido começou a me evitar. Eu o procurava, mas ele me rejeitava. O tempo foi passando e eu parei de insistir. Não sinto mais falta [de sexo]. O importante é estar viva", diz Eva, mãe de dois filhos já adultos.

Problemas relacionados à sexualidade afetam entre 60% a 70% das mulheres após tratamentos de câncer de mama, mostram cinco estudos publicados nos últimos dois anos no periódico "Journal of Sexual Medicine".

Um pesquisa com 216 mulheres feita pelo Hospital de Câncer de Barretos (SP), em parceria com o centro MD Anderson, do Texas, chegou a resultado parecido: 60% das mulheres, com idade média de 50 anos, relatam disfunções sexuais após o câncer.

As queixas incluem a falta de desejo, de lubrificação vaginal e de orgasmo. Na população feminina adulta em geral, a taxa de disfunção sexual gira em torno de 40%.

"Nas consultas de rotina, menos de 5% das pacientes se queixam de problemas sexuais. Ficam acanhadas. O médico precisa perguntar. Espontaneamente, elas não falam", diz o oncologista Carlos Paiva, um dos autores do estudo em Barretos.

Outra pesquisa em fase de conclusão, conduzida pela mastologista Maira Caleffi, da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), aponta que em 82% do tempo de consulta o médico fala de efeitos do tratamento. "Não há tempo para questões emocionais e muito menos para as sexuais."

Para ela, isso só é possível em instituições com equipes multidisciplinares, que envolvam psicólogas e fisioterapeutas, por exemplo.

MENOPAUSA PRECOCE

Parte dos problemas fisiológicos, como a secura vaginal, é atribuída à quimioterapia ou a remédios que bloqueiam a produção de estrógeno, causando uma menopausa temporária.

"Resseca mesmo. A relação sexual torna-se dolorosa para a mulher e para o parceiro", afirma a psicóloga Valéria Baraccat Gyy, que já enfrentou o câncer de mama e mantém a ONG Casa da Mulher, que oferece suporte físico e emocional às mulheres com a doença.

Ela orienta desde como se maquiar e usar lenços na cabeça durante a quimioterapia até a melhor forma de colocar o lubrificante antes das relações sexuais.

Para o oncologista José Luiz Bevilacqua, diretor do departamento de mastologista do A.C. Camargo Cancer Center, é também papel do médico orientar pacientes sobre temas sexuais. "O lubrificante, por exemplo, não pode ter [hormônio] estrógeno."

Segundo ele, a mulher deve ser informada ainda sobre outros aspectos importantes da saúde sexual. "Se ficar muito tempo sem [sexo], a mucosa da vagina atrofia."

Segundo Valéria, sexo é um tema recorrente nas reuniões com mulheres que passaram por cirurgias na mama. "Quase todas dizem que usam camisetas ou top de ginástica [na hora do sexo], e só transam no escuro."


Na vanguarda da prevenção
27/10/2014 - O Globo

Fiocruz obtém nos EUA patente de tecnologia inovadora desenvolvida por seus pesquisadores que pode levar à criação de novas vacinas contra doenças que assustam o mundo, como o ebola, ou negligenciadas, como Chagas

O princípio básico das vacinas é “ensinar” previamente o sistema imunológico a combater organismos causadores de doenças, os chamados patógenos, para que quando a pessoa entre em contato com eles não fique doente. Para isso, os cientistas lançam mão de diversas estratégias, como usar os próprios organismos — em geral vírus, bactérias ou parasitas — já mortos ou debilitados, partes ou proteínas produzidas por eles e até patógenos parecidos que afetam animais, mas não humanos. Mas, dependendo do organismo, estas abordagens se mostram difíceis, ineficazes ou mesmo arriscadas. Agora, porém, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, desenvolveram uma tecnologia inovadora na qual “embaralham” partes destes patógenos em outro contra o qual já existe uma vacina eficiente e que acaba de ter patente concedida nos EUA. Assim, seria possível ativar o sistema imunológico para lutar contra as duas doenças, abrindo caminho para a criação de novos imunizantes contra males que assustam o mundo, como ebola e Aids, ou negligenciados, como Chagas, dengue e malária.

Criada por Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e Ricardo Galler, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), ambos ligados à fundação, a técnica tem como base a vacina contra a febre amarela, de segurança e eficácia reconhecidas. Aplicado desde 1937, o imunizante usa vírus vivos atenuados capazes de se multiplicar no organismo humano em quantidade limitada, mas não suficiente para provocar a doença. Com ferramentas da engenharia genética, eles encontraram uma maneira de introduzir partes de outros patógenos no vírus, produzindo “vírus recombinantes” que, por carregarem características dos dois organismos, podem “ensinar” as células de defesa a reconhecer as duas infecções.
Myrna conta que para chegar à tecnologia foi necessário primeiro um estudo minucioso do vírus da febre amarela. Com apenas cerca de 11 mil nucleotídeos, as letras que compõem o alfabeto do código genético de todos os seres vivos, o genoma do organismo é pequeno mesmo se comparado com os de outros vírus, o que dificultou a busca por locais onde ele pudesse ser alterado sem matá-lo ou deixá-lo incapaz de se reproduzir, o que faria a vacina ineficaz. Depois, os pesquisadores tiveram que encontrar uma forma de ordenar a “edição” das proteínas características do segundo patógeno, isto é, separá-las do material típico do da febre amarela, para que o sistema imunológico também desenvolva defesas contra ele e ao mesmo tempo manter a viabilidade do vírus. Por fim, eles ainda precisaram controlar a tendência do vírus de “expulsar” sequências exóticas do seu material genético, estabilizando a capacidade de imunização das eventuais vacinas contra as duas doenças.
— No final, temos um produto que não deixa de ser uma vacina contra a febre amarela, mas que também é vetor de componentes de outros patógenos e faz com que a pessoa reaja à segunda doença — explica Myrna. — Ainda não temos um produto final e estamos trabalhando para aperfeiçoar esta estratégia, mas, teoricamente, seria possível usar o método para produzir vacinas contra qualquer tipo de vírus ou outros patógenos, até o ebola.
Atualmente, a tecnologia agora de propriedade intelectual garantida da Fiocruz está sendo usada em pesquisas para a criação de uma vacina contra o HIV, vírus causador da Aids, lideradas pelo cientista David Watkins, da Universidade de Miami, nos EUA, em parceria com os pesquisadores da instituição brasileira. Neste caso, a ideia é copiar a reação do sistema imunológico dos chamados “controladores de elite”, raras pessoas que, mesmo infectadas pelo vírus, não desenvolvem a síndrome, o que permitiria que a vacina fosse usada tanto para prevenção quanto para tratamento da doença. Os resultados dos primeiros testes feitos em macacos foram promissores.


Raiz alucinógena é testada para tratar dependência
25/10/2014 - Folha de S.Paulo

A raiz de um arbusto que cresce no oeste da África tem sido usada no tratamento de dependentes químicos em clínicas brasileiras, ainda que, até agora, faltem pesquisas que deem respaldo a essa prática.

Para acessar os efeitos terapêuticos da ibogaína --princípio ativo extraído da planta Tabernanthe iboga, ou simplesmente iboga-- a Universidade Federal de São Paulo acaba de concluir o primeiro estudo do mundo realizado com dependentes de crack e de cocaína.

Seus resultados, publicados no britânico "Journal of Psychopharmacology", serão divulgados no Global Addiction Conference, encontro internacional de especialistas em dependência química que acontece de 10 a 12 de novembro no Rio.

O estudo avaliou o uso da ibogaína no tratamento de 75 usuários (67 homens e oito mulheres) de drogas diversas --crack, cocaína, álcool e tabaco. A eles foi ministrada ibogaína em sua forma pura, o hidrocloreto de ibogaína (HCL1), importado do Canadá.

Os cientistas relatam que 100% das mulheres e 57% dos homens mantiveram a abstinência por quase um ano após o uso de, em média, duas doses de ibogaína.

Na literatura científica, um tratamento que alcance dois meses de abstinência é considerado bem-sucedido.

"É por isso que os resultados com a iboga chamaram tanto a nossa atenção", diz o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do estudo. Sob o efeito da iboga, pacientes relatam rever a vida como um filme. "É como se tivessem feito psicoterapia intensiva."

Uma hipótese é que a ibogaína, um alucinógeno, atue sobre o sistema de recompensa do cérebro, que tem sua atividade aumentada sob o efeito de drogas como cocaína e crack.

"Ela parece ser capaz de reiniciar' esse sistema, como a gente faz quando reformata o disco rígido de um computador", diz Xavier.

Ainda que os resultados do estudo sejam positivos, a ibogaína só pode ser considerada como tratamento após um trabalho controlado, no qual um grupo recebe a substância e outro, placebo. O psiquiatra não aconselha o uso da substância.

SUBCULTURA


Mesmo tendo efeitos desconhecidos e podendo ser até fatal sem acompanhamento médico, o uso da iboga tem se disseminado em clínicas para dependentes.

Em São Paulo e no interior, o tratamento custa de R$ 5.000 a R$ 8.000.

O período de internação varia de cinco dias a dois meses. Algumas clínicas oferecem tratamento psicológico e dizem avaliar as condições de saúde do paciente antes da terapia.

Em uma das clínicas contatadas pela Folha, a substância usada é extraída em um laboratório. Em outra, é usado chá de raiz importada do Gabão.

Rogério Moreira de Souza, do Instituto Brasileiro de Terapias Alternativas, em Paulínia (SP), diz importar de um laboratório europeu a ibogaína que ministra há oito anos.

Para ele, a disseminação da iboga traz riscos. "Tem gente fazendo tratamento com substância de baixa qualidade, o que compromete o resultado", diz.

A literatura médica registra 3.000 casos de uso de iboga. Seu efeito contra a dependência foi relatado pela primeira vez em 1962, quando o norte-americano Howard Lotsof, um viciado em opioides, registrou experiência benéfica com a planta. Há, no entanto, relatos de dezenas de mortes, principalmente porque a droga, em alta dosagem, provoca alterações cardíacas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que não há medicamento registrado no Brasil com a ibogaína, e, por isso, alegações terapêuticas a esse produto são ilegais.

Mas a substância não está na lista de compostos proibidos e pode ser importada para uso pessoal.


 

Saúde

 


NY anuncia medidas para conter o ebola
25/10/2014 - Folha de S.Paulo

Para evitar pânico e reduzir as chances de serem surpreendidos por um novo caso de ebola, as autoridades da região de Nova York anunciaram nesta sexta-feira (24) novas medidas de prevenção.

Depois do primeiro diagnóstico do vírus na cidade, na quinta à noite, os governadores de Nova York, Andrew Cuomo, e de Nova Jérsei, Chris Christie, decidiram que todos os funcionários de saúde vindos dos países afetados na África serão imediatamente colocados em quarentena, ainda que não apresentem sintomas.

Eles ficarão isolados por 21 dias (tempo máximo de incubação do vírus) para garantir que a doença não se espalhe.

"Uma quarentena voluntária para o ebola não é suficiente", disse Cuomo. "Essa é uma situação de saúde pública muito séria."

De acordo com Christie, os protocolos federais --que a partir de segunda-feira obrigarão passageiros vindos de Guiné, Serra Leoa e Libéria a monitorarem a própria saúde-- não são suficientes.

Já nesta sexta, uma funcionária de saúde que desembarcou no aeroporto de Newark (NJ) vindo de Serra Leoa foi colocada em quarentena.

A medida foi tomada depois das notícias de que Craig Spencer, o médico diagnosticado com o vírus, passeou pela cidade de Nova York nos dias antes de ser internado. Ele estava trabalhando na Guiné até o dia 12 de outubro.

Spencer usou três linhas de metrô (1, A e L), jogou boliche com os amigos e foi a um café e um restaurante nesta semana. Com exceção dos trens do metrô, todos os outros locais foram fechados temporariamente para avaliação e limpeza.

O médico foi criticado pelo governador de Nova York. "Ele não seguiu o protocolo, sejamos honestos", disse.

A preocupação das autoridades para evitar o pânico na população é evidente. Menos de 24 horas após o diagnóstico, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, já havia dado três entrevistas coletivas para falar do caso.

Ele também pegou um trem da linha A do metrô durante a tarde desta sexta.

"Os nova-iorquinos que não foram expostos aos fluidos corporais de uma pessoa infectada não correm risco", disse De Blasio.

"Temos o melhor sistema de saúde do mundo. Estamos totalmente preparados para lidar com o ebola". O estado de saúde do médico é estável, segundo as autoridades. A noiva dele, Morgan Dixon, também foi internada.

OBAMA

A enfermeira Nina Pham, de Dallas, a primeira pessoa infectada pelo vírus nos EUA, saiu hoje do hospital. Ela não tem mais a doença.

A funcionária se encontrou com o presidente Barack Obama, que fez questão de abraçá-la para reforçar que é seguro estar perto de alguém que teve a doença.

"Vamos dar um abraço para as câmeras", disse.



Recusa em admitir surto afeta Serra Leoa
25/10/2014 - Folha de S.Paulo


Primeiro, o chefe disse que não havia pessoa alguma doente em sua comunidade. Depois, afirmou que, se alguém estivesse doente, era por bruxaria. Por fim, reconheceu que trabalhadores do setor de saúde estavam recolhendo diversos pacientes suspeitos de ebola a cada dia.

Na verdade, 15 cadáveres haviam sido retirados da comunidade em menos de uma semana, mas o chefe não admitiu o fato.

A negação persistente vem prejudicando a luta contra o vírus em Serra Leoa. Ela se estende das aldeias aos legislativos estaduais, e ecoa nos círculos de algumas das agências internacionais, agora presentes em grande número no país e nas demais nações atingidas pelo ebola na África ocidental.

A tendência a minimizar os danos da doença era perceptível desde que o surto foi identificado, em março. Mas o efeito da negação é prolongar o sofrimento.

Na semana passada, as autoridades internacionais de saúde decidiram uma mudança importante de estratégia. Reconhecendo que o vírus se espalhou a ponto de tornar inviável conduzir todos os pacientes a centros de tratamento, concordaram em pelo menos distribuir analgésicos, luvas de proteção e fluido de reidratação a pacientes que estão enfrentando a doença em suas casas.

A distância entre as necessidades dos doentes e a resposta das autoridades fica evidente. Os trabalhadores funerários usam furgões precários para recolher cadáveres, e alguns desses veículos não conseguem enfrentar as íngremes colinas do país.

No entanto, o estacionamento de uma das mais importantes agências da ONU em Freetown, capital da Serra Leoa, estava lotado na semana passada de veículos novos, com tração nas quatro rodas --ao menos 30 deles.

As vítimas do ebola morrem em condições terríveis, sem comida, água ou medicamentos adequados, em barracos ou casas de barro.

Do lado de fora de uma casa em Waterloo, um menino de 11 anos, já infectado, usava um balde para dar banho em seu irmão de dois anos, também doente, em um esforço para reduzir sua febre descontrolada. Enquanto isso, no único hotel cinco estrelas do país, autoridades da União Africana, todos em belos ternos, realizam importantes reuniões para discutir a resposta ao ebola.

As botas de borracha necessárias para o pessoal que trabalhará na área de infecção não estão disponíveis, mas há seguranças armados de sobra.

Os trabalhadores dos serviços funerários, que têm de lidar com cadáveres altamente infecciosos mas não vêm recebendo seu salário semanal de US$ 100 do governo, ameaçaram entrar em greve na semana passada.

Uma assessora do funcionário da saúde responsável pelo setor afirmou não entender "por que eles estão tão impacientes".

O atraso nos salários é difícil de compreender para muitos deles, dada a assistência que flui ao país.

Um funcionário do governo disse que Serra Leoa já havia recebido mais de US$ 40 milhões em doações para combater o ebola.

Um dos exemplos mais nítidos de desconexão da realidade em Serra Leoa está nas estatísticas de mortes reportadas pelo governo. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) continua a confiar nos dados do governo.

Sylvia Olayinka Blyden, que deixou o posto importante que detinha no governo de Serra Leoa duas semanas atrás, foi mais direta em um recente post, definindo as estatísticas do Ministério da Saúde como "desonestas, enganosas" e "vergonhosas".


Idoso exige política de longo prazo
27/10/2014 - Valor Econômico


Conquista da medicina, associada a desenvolvimento econômico e políticas públicas de saúde, a longevidade tornou-se, paradoxalmente, um desafio para os sistemas de saúde. As pessoas estão vivendo mais, porém enfrentam um envelhecimento complicado, marcado por doenças crônicas, que comprometem a qualidade de vida e elevam os gastos com tratamentos prolongados. "Em países muito desiguais como o nosso, muitos dos nossos idosos estão envelhecendo com muitos problemas de saúde, com aumento das condições crônicas, que ao final da vida, muito frequentemente, se traduzem em incapacidades funcionais e dependências", diz a médica sanitarista Marilia Cristina Prado Louvison, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Associação Paulista de Saúde Pública (APSP). Isso compromete os serviços de saúde, com mais consultas e mais internações, mais caras e prolongadas, refletindo-se na organização e sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Entre 1980 e 2012, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou de 62,52 anos para 74,5 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Projeção do instituto mostra que o grupo de pessoas com 60 anos ou mais, que em 2012 chegou a 12,6% da população, alcançará 13,8% do total, em 2020, e 33,7%, em 2060. Depois de 2030, esse grupo de pessoas será maior que o de crianças com até 14 anos. Em 2055, sua participação na população total será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos.

A situação abala tanto o sistema público quanto o privado, ainda não preparados para responder às demandas dessa revolução demográfica e epidemiológica, em que as principais causas de enfermidade e morte não são mais a má-nutrição e doenças infecciosas, mas sim doenças cardíacas e respiratórias, diabetes tipo 2, câncer e outras enfermidades crônicas, além da violência. "O modelo de atenção com alta tecnologia que produzimos não indica resultados satisfatórios e se torna insustentável ao longo do tempo", diz a professora Marilia. Para ela, a alta carga de condições crônicas e dependência demanda bons sistemas de saúde integrados em redes de serviços multidisciplinares.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o envelhecimento da população representa dois grandes desafios: estruturar o atendimento do idoso enfermo e, ao mesmo tempo, adotar um conjunto de políticas de prevenção para que as pessoas possam envelhecer livres de incapacidade. Redução do tabagismo, da obesidade, do sedentarismo, do consumo excessivo de álcool e a adoção hábitos saudáveis, um consenso entre os especialistas, é apontada pelo ministro como linha mestra de um programa de prevenção. "O grande desafio para o próximo governo será sair da agenda da doença para a agenda da promoção da saúde e prevenção. É mais lógico e mais eficiente", diz Chioro.

A professora Marilia aponta para a necessidade de ações para prevenir quedas, diagnóstico precoce de demências e deficiências auditivas e oculares, atenção à saúde bucal, cuidado domiciliar e atenção aos cuidadores, geralmente também idosos. "As famílias se reduziram e as mulheres estão no mercado de trabalho. Os idosos e suas famílias também precisam de proteção social", afirma. Países como Canadá, Inglaterra, Espanha e Portugal, segundo a sanitarista, construíram um sistema de atenção primária que responde melhor a essas demandas, com equipes qualificadas, além de investirem em sistemas de cuidados de longa duração ou continuados. "São sistemas responsáveis pelo atendimento de idosos com dependências. Quando essas demandas são incorporadas apenas ao sistema de saúde, aumenta o custo dos serviços, à medida que a população envelhece, sem que os resultados sejam ampliados", explica.

Para a sanitarista, o Brasil ainda enfrenta o envelhecimento de forma tímida. É preciso formar médicos especializados, como geriatras e gerontólogos, que estudam o envelhecimento. "Além disso, o SUS precisa definir melhor o papel desses especialistas e incorporá-los em rede e não pulverizá-los em novos serviços isolados", afirma. Vários estados e municípios começam a incorporar esses profissionais no apoio à equipe de saúde da família, como o Estado de São Paulo, que implantou o Centro de Referência do Idoso (CRI), com duas unidades na capital e proposta de expansão também para o interior. Já o município de São Paulo instalou as Unidades de Referência à Saúde do Idoso (Ursi), com equipes menores de apoio, em unidades básicas de saúde (UBS).



Ebola ultrapassa barreira de 10 mil casos, afirma OMS
26/10/2014 - Folha de S.Paulo


A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou neste sábado (25) que já foram registrados mais de 10 mil casos de ebola nos oito países afetados pelo vírus, dois dos quais, Nigéria e Senegal, foram recentemente declarados livres da doença.

Do total de 10.141 infectados, 4.922 morreram, de acordo com os últimos dados divulgados pela OMS sobre a situação da epidemia de ebola.

A OMS diz que 4.655 contagiados estão na Libéria, 3.896 em Serra Leoa, 1.553 na Guiné, 20 na Nigéria, quatro nos Estados Unidos e três no Senegal, na Espanha e no Mali.

Na estatística, a OMS contabilizou a menina de dois anos morta na sexta (24) no Mali. O caso, primeiro registrado no país, gerou preocupação porque ela fez um longo percurso da Guiné, um dos principais focos da epidemia, até o Mali e entrou em contato com muitas pessoas.

O presidente do Mali prometeu no sábado fazer todo o possível para evitar a propagação do ebola no país. Cerca de 50 pessoas foram colocadas em quarentena, segundo o Ministério da Saúde local.

FATOS, NÃO MEDO

Nos Estados Unidos, onde o primeiro caso de ebola em Nova York foi confirmado na quinta-feira (23), o presidente Barack Obama elogiou os nova-iorquinos por sua reação calma ao problema. Em discurso neste sábado, Obama disse que a resposta para os casos deve ser guiada "pelos fatos, e não pelo medo".

Os governadores dos Estados de Nova York, Nova Jersey e Illinois ordenaram na sexta-feira quarentena obrigatória a todos aqueles que tiveram contato com pessoas contaminadas pelo vírus ebola na África Ocidental.

As medidas foram tomadas após o primeiro caso confirmado em Nova York, de um médico que havia tratado pacientes doentes na Guiné.

Profissionais de saúde americanos temem que o novo protocolo, mais restritivo, possa acabar reduzindo o número de pessoas dispostas a se voluntariar nos países que enfrentam a doença.

Segundo a OMS, nos sete meses de epidemia, 450 profissionais de saúde foram contaminados pelo vírus. Mais da metade, 244, morreram em decorrência da doença.



 

 

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