Clipping de Notícias - 18/07/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 18/07/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Disponibilidade de remédios deve ser mais transparente, diz promotora

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


Quem precisa de remédio da rede municipal pode ter de peregrinar por várias UBS (Unidades Básicas de Saúde) até conseguir. Falta informação aos usuários.

Uma das soluções da prefeitura, o “Aqui tem remédio”, plataforma digital para localizar medicamentos, ainda não decolou. O site teve cerca de 295 mil acessos e a versão app foi baixada 53 mil vezes, desde dezembro de 2015. Se comparada ao número de pessoas que retiraram medicação nas UBS —5 milhões, até 30 de junho—, a quantidade de acessos é baixa.

A falta de informação sobre a disponibilidade de remédios na rede foi objeto de inquérito do Ministério Público do Estado. A promotora responsável, Dora Martin Strilicherk, afirma que a divulgação não é eficiente.

Além disso, pessoas sem acesso à internet ou com dificuldades com o aplicativo ficam fora do alcance.

Ela destaca ainda a importância das informações para orientar médicos na prescrição de drogas.




Biológico aumenta déficit comercial

18/07/2016 - Valor Econômico


Estudo produzido pelo Grupo FarmaBrasil (GFB), que reúne grandes farmacêuticas brasileiras com investimento em inovação, mostra que a importação de medicamentos biológicos cresceu mais de cinco vezes na última década, para quase US$ 2 bilhões. Em 2015, esses produtos responderam por pouco menos de um terço do déficit comercial do setor, de US$ 6,6 bilhões.

Até 2005, os biológicos respondiam por 12% do saldo negativo. No ano passado, tiveram participação de 28,6%, refletindo a expansão da compra de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Como os biológicos são caros e importados, houve um aumento muito grande do déficit. E esse aumento é tendencial, não pontual", afirma o presidente do GFB, Reginaldo Arcuri.

A tendência é desenhada pelo rápido envelhecimento da população brasileira, com crescente participação de idosos sobre o total e maior proporção de doenças relacionadas à idade. Assim, gastos com vacinação e tratamento pediátrico devem ser relativamente menores, com aumento proporcional dos dispêndios com tratamento da população madura. "É justamente nessa faixa que atuam os biológicos", ressalta Arcuri.

Conforme o estudo, entre 2000 e 2005, o déficit comercial com biológicos foi de US$ 200 milhões por ano em média. De 2006 a 2010, saltou a US$ 800 milhões e, a partir de 2011, cresceu significativamente até atingir o pico de US$ 2,1 bilhão em 2014. No ano passado, caiu a US$ 1,9 bilhão, na esteira da desvalorização do real e da desaceleração da economia brasileira.

Para mitigar o aumento dos custos com saúde e, ao mesmo tempo ampliar o acesso a tratamentos médicos, o governo desenvolveu a política de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), para desenvolvimento e produção de medicamentos estratégicos ao SUS. Conforme o GFB, o Ministério da Saúde estima que projetos conduzidos por meio de PDPs devem gerar economia da ordem de R$ 5 bilhões ainda em 2016.

Por meio dessas parcerias, a indústria farmacêutica nacional vai começar a produzir biossimilares em maior escala no país. Como consequência, o déficit comercial deveria parar de crescer - com compras externas menores de medicamentos de alta complexidade - e as exportações de medicamentos aumentariam. Mas a crise política e trocas na equipe da Saúde estão atrasando, ou até mesmo paralisaram, alguns projetos.

Para a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), que reúne os laboratórios multinacionais, o avanço do déficit da indústria é sinal de que o país está perdendo a corrida pela competitividade internacional no setor. "Sem inovação, estaremos condenados à dependência tecnológica e econômica", afirma em nota o presidente-executivo da entidade, Antônio Britto.

Os investimentos em biossimilares podem proporcionar redução temporária do saldo negativo, mas há risco de o lançamento de novos medicamentos tornar obsoletos esses produtos em uso. "Precisamos dizer que o Brasil se tornou inovador, responsável pela criação de tecnologias no setor farmacêutico que sejam atraentes mundo afora", diz o dirigente.




Mercado Aberto: Importações e exportações de remédios caem em 12 meses

18/07/2016 - Folha de S.Paulo


A compra de medicamentos do exterior caiu 9,4% nos 12 últimos meses até maio, com um total de US$ 5,9 bilhões (R$ 19,2 bilhões), segundo a Interfarma, que reúne as empresas do setor.

A variação cambial e a redução na compra de remédios por parte dos governos estaduais são apontadas como causas da retração.

"As importações são altas, mas nenhum país é autossuficiente no setor farmacêutico", afirma Antonio Britto presidente da Interfarma.

Os números se referem a medicações prontas, mas o país também importa química fina. Hoje, quase 90% dos princípios ativos, a matéria-prima para a confecção de remédios, vêm de fora.

A balança comercial do setor registrou redução de 8,4% do déficit. As exportações caíram, mas, como são menos expressivas, não alteram tanto o saldo das trocas.

O país ainda concorre com o exterior sem ter preços competitivos, avalia Britto.

"O Brasil vende para países que não se recuperaram de crises, como Argentina e Venezuela", diz Pedro Bernardo, diretor da entidade.

A baixa do dólar impactou as vendas de forma negativa.




Pacientes com câncer conseguem de graça remédios que não existem no país

17/07/2016 - Época Online


O mais difícil, o potiguar Roberto Medeiros, de 42 anos, havia conseguido. Depois de quase dois meses de espera, o medicamento importado, sua última esperança contra um câncer de pulmão, chegara ao hospital em que ele estava internado, em Natal. Medeiros pegou o comprimido rosado e o levou à boca, seguido de um copo com água. Nos meses anteriores, os tratamentos haviam sido inócuos e os tumores aumentaram a ponto de dificultar sua respiração. Uma máscara de oxigênio ajudava a suprir o ar que faltava. Mas foi à emoção, e não à dificuldade de respirar, que Medeiros atribui o engasgo na hora de engolir o comprimido. Ficou na dúvida se o danado escapulira. No quarto, sua mulher, Ana Paula, a mãe, a irmã e o cunhado, que assistiam à cena, lançaram-se ao chão. Foram minutos de inspeção minuciosa, até Medeiros certificar-se de que o medicamento estava onde deveria: a caminho de destruir as células do tumor que começara no pulmão três anos antes, atingira o cérebro e se espalhara para os ossos. “Imagina desperdiçar um dia de remédio?”, diz o administrador de fala mansa, típica de quem se deu conta da brevidade da vida e aprendeu a valorizar cada momento. Desde que foi diagnosticado com um tipo de câncer que costuma afetar jovens que nunca fumaram, como ele, seu maior desejo é ver crescer os filhos, um menino de 8 anos e uma menina de 6. “Sempre pedi força e coragem para conviver mais tempo com os meus filhos.”

O comprimido rosado é tão valioso porque Medeiros sabe que suas opções estão se esgotando. Ele percorreu um roteiro comum a pacientes com câncer: cirurgia para extirpar o tumor inicial, sessões de quimioterapia e radioterapia. Por algum tempo, bastou para retardar a doença. Quando os tumores se espalharam pelos ossos sem dar sinal de responder às drogas tradicionais, Medeiros chegou a tentar um novo tipo de tratamento, considerado uma das armas mais promissoras contra o câncer, a imunoterapia. Esse tipo de droga deixa o tumor mais vulnerável à ação das defesas do organismo. Era vendido nos Estados Unidos, e não no Brasil. Um funcionário da empresa da família de Medeiros viajou para buscar o medicamento. Foram US$ 15 mil, posteriormente reembolsados pelo plano de saúde, acionado na Justiça pela família de Medeiros. Um mês e meio de tratamento. Nenhum resultado. Diante do fracasso, o médico de Medeiros adotou o último recurso naquele momento: o comprimido rosado, uma droga que não estava à venda.

Ainda considerado experimental, o medicamento não tinha sido aprovado por autoridades sanitárias em nenhum país. Havia apenas os resultados da segunda etapa de testes em seres humanos – normalmente são exigidas três fases para que uma empresa possa pedir a autorização para vender uma droga. Os resultados pareciam promissores para pacientes com quadro semelhante ao de Medeiros, cujo tumor carregava uma mutação que se fortaleceu em resposta aos tratamentos anteriores. Seu médico entrou em contato com a empresa que pesquisava a droga, uma multinacional com sede no Reino Unido, para explicar o caso e pedir que fornecessem o medicamento. O argumento tem nome: compaixão.

A empresa não tinha obrigação de atender ao pedido e, seguindo a legislação brasileira, deveria fornecer gratuitamente a droga, que, ao chegar ao mercado, custaria dezenas de milhares de dólares. “Trata-se de reconhecer o sofrimento do outro e estabelecer uma relação de ajuda”, diz José Roberto Goldim, professor de bioética da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Esse tipo de pedido, que recebe o nome de uso compassivo – adjetivo derivado de compaixão, por seu caráter solidário –, está se tornando um instrumento importante para possibilitar o acesso de pessoas com doenças graves a medicamentos que, virtualmente, não existem. Estão fora do alcance por ainda seguirem em estudo e não serem tratamentos comprovados. Alguns têm potencial, se não de salvar vidas, de estendê-las. Em muitos casos, são apenas meses, mas preciosos para o paciente e sua família. É uma tentativa de conciliar o tempo escasso de quem tem uma doença ao tempo da ciência, necessariamente cadenciado pelas etapas da pesquisa e das regras regulatórias, que garantem a segurança humana.

No ano passado, no Brasil, 190 pessoas solicitaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, autorização para que empresas fornecessem drogas ainda não aprovadas no país. Neste ano, até a primeira semana de julho, foram 292 pedidos, um crescimento de 53%. A solicitação de uso compassivo é individual, mas é possível recorrer a outro tipo de programa, chamado acesso expandido, que permite a formação de grupos de pacientes para receber um medicamento em fase de desenvolvimento ou sem registro. Em 2015, foi solicitada à Anvisa a formação de seis grupos. Neste ano, até a semana passada, de três.

O uso compassivo ganhou destaque no país nos últimos meses, desde que grupos de pacientes com câncer passaram a invocá-lo para pedir acesso à fosfoetanolamina sintética. A substância, apelidada de “pílula do câncer”, nunca completou as etapas mais básicas de pesquisa em animais. Assim mesmo, foi distribuída por anos, irregularmente, pelo químico Gilberto Chierice, às portas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo em São Carlos, como se fosse a cura para todo tipo de tumor. Como não há indícios científicos de sua ação, apenas relatos anedóticos, a fosfo não cumpre os pré-requisitos para o uso compassivo.

Uma resolução da Anvisa estabelece os critérios para autorizar o uso experimental de uma droga. Em vigor desde 2013, ela determina que apenas substâncias que estejam em processo de desenvolvimento clínico, com alguns dados de eficácia e segurança em seres humanos, possam ser pedidas para uso compassivo.

Um médico, e não o paciente, deve fazer a requisição da droga à empresa desenvolvedora e à Anvisa, que a autoriza a fornecer uma substância sem registro a um paciente que não faz parte de uma pesquisa. “A decisão é médica. Não pode ser emocional”, diz o advogado americano David Farber, que já atuou pela indústria farmacêutica nos Estados Unidos e estuda os impactos do uso compassivo. “É comum a pessoa pensar que tem o direito de tentar de tudo porque está no fim da vida. Mas uma droga pode tornar esse período mais doloroso ou até apressar a morte.”

Essa é a aposta que médico e paciente têm de fazer ao cogitar um composto experimental: vale a pena correr o risco? Uma nova droga é aprovada quando os benefícios comprovadamente superam os perigos. Para uma experimental, não há certeza. “Às vezes, não compensa tentar”, diz o oncologista Carlos Gil, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). “É mais seguro manter a qualidade de vida, controlando os sintomas, do que arriscar efeitos colaterais.”

Como dosar esses riscos é um desafio até para os próprios médicos. Em um artigo no jornal americano The New York Times, o pediatra Darshak Sanghavi conta como ele e a irmã, também médica, escreveram uma carta ao convênio de saúde do pai, nos Estados Unidos, pedindo que cobrisse um tratamento ainda não comprovado para o patriarca da família. O convênio aceitou, e uma nova droga passou a ser administrada ao pai de Sanghavi, em estágio avançado de uma doença que causa dificuldade de respirar. Três vezes por semana, ele recebia injeções de uma substância já aprovada para tratar doenças do esqueleto e do sistema imunológico, mas cujos estudos para desordens respiratórias mal começavam. Apenas nove pacientes haviam sido submetidos ao tratamento. Os resultados no pai de Sanghavi decepcionaram. Ele passou a sofrer com febres e dores que o deixaram preso à cama. Os pulmões não melhoraram. Morreu dois anos depois da publicação do estudo que inicialmente havia dado esperança à família. “Teria sido melhor que ele nunca tivesse feito o tratamento”, escreveu Sanghavi. Três anos após a morte do pai, o médico leu em uma revista científica o veredicto final sobre o uso da substância para tratar o pulmão: era ineficaz e aumentava o risco de infecções respiratórias. Sanghavi e a irmã convivem com o peso de ter feito a aposta errada. E são médicos. É possível que o desejo fervoroso de encontrar uma saída tenha sobrepujado o discernimento de ambos para avaliar a insuficiência de evidências sobre o tratamento.

Adequar a expectativa de cura do doente e seus familiares a um prognóstico pessimista é uma das tarefas mais delicadas de médicos que tratam pacientes em risco de morrer. Ironicamente, o avanço científico a torna ainda mais complicada. “Abrem-se frentes enormes e há um excesso de entusiasmo”, afirma o oncologista Paulo Hoff, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). O aperfeiçoamento de técnicas para analisar e manipular o material genético permitiu a criação de moléculas capazes de atacar mutações específicas. Algumas estenderam de maneira significativa a vida de pacientes. Criou-se a sensação de que a cura está a caminho. E o uso compassivo virou um atalho para atingi-la. “De um lado, o paciente quer ouvir boas notícias”, afirma Hoff. “Do outro, o médico quer comprar tempo para o paciente e postergar a conversa difícil sobre o esgotamento das opções de tratamento.”

Nos Estados Unidos, país que concentra a maior parte da pesquisa farmacêutica, o número de pedidos de uso compassivo cresceu 25% em cinco anos. No ano passado, a agência que regula medicamentos, a FDA, recebeu 1.262 solicitações, das quais afirma aprovar 99%. Para alguns grupos de pacientes, não basta. Eles afirmam que as regras da agência – que, como no Brasil, restringem o uso a substâncias que já tenham alguns dados clínicos – obstruem a autonomia do paciente de decidir que tratamentos fazer. A pressão resultou na criação de leis que garantem o “direito de tentar” em 31 Estados. Em tese, elas eliminam a necessidade de a FDA autorizar o acesso a drogas experimentais: o pedido pode ser feito diretamente pelo paciente a empresas e universidades. Na prática, a validade dessa legislação é polêmica. “Que empresa vai assumir o risco de dar uma droga em fase de teste a um paciente, sem autorização da FDA?”, afirma o advogado americano Farber. “E se o paciente piorar? É um risco jurídico.”

O acesso a substâncias experimentais, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, depende da inclinação à compaixão da empresa responsável pela pesquisa. Ela avaliará se está disposta a fornecer o composto gratuitamente, o que é regra. Em muitos casos, o custo de fabricação é alto e a produção é feita na medida para atender apenas os inscritos formalmente nos protocolos de pesquisa. A preocupação com a reputação da substância em desenvolvimento também afeta a decisão. “Existe o risco de criar uma imagem inadequada da droga caso ela não ajude aquele paciente”, afirma Eurico Correia, diretor médico da farmacêutica Pfizer no Brasil. Mesmo que casos isolados, fora dos protocolos de pesquisa, não influenciem a aprovação, a repercussão negativa pode afetar as vendas do medicamento no futuro. O contrário também vale. Para o oncologista Carlos Barrios, professor da PUC-RS, mais que benevolência das empresas, há um interesse prático na concessão para uso compassivo. “O laboratório quer que os médicos daqueles pacientes ganhem experiência com o medicamento e comentem com os colegas sobre os bons resultados.”

Os critérios que levam uma empresa a fornecer a droga não costumam ser públicos. No caso da Pfizer, que desde 2011 forneceu medicamentos ainda não aprovados no Brasil para 52 pacientes com câncer de pulmão, mama e leucemia, a decisão vem da sede da empresa, nos Estados Unidos. “Tentamos usar critérios muito parecidos com os do protocolo de pesquisa”, afirma Correia.

A Janssen, uma farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, adotou nos Estados Unidos uma iniciativa pioneira para tornar seus parâmetros transparentes. Para escolher quem poderia ter acesso a uma droga que estava em desenvolvimento para tratar mieloma múltiplo, um tipo de câncer do sangue, a empresa montou um comitê de especialistas, em parceria com o grupo de ética médica da Escola de Medicina da Universidade de Nova York. A droga era um medicamento biológico, produzido a partir de células vivas, num processo complexo e caro. A empresa recebeu 76 pedidos, mas o comitê recomendou que 60 pacientes fossem contemplados. “O primeiro critério é não fazer mal”, diz o bioeticista Arthur Caplan, diretor da divisão de ética médica da Universidade de Nova York e um dos membros do comitê. “Se um paciente está doente demais a ponto de a droga poder matá-lo, não deve recebê-la. Quem está doente há mais tempo e quem tem dependentes têm prioridade.” A ideia é estender o comitê para avaliar os pedidos de uso compassivo para outras drogas. No momento, o grupo seleciona pacientes de fora dos Estados Unidos, já que lá a droga foi aprovada pela FDA em novembro. O tratamento custa cerca de US$ 20 mil por mês.

Os critérios pouco transparentes não são os únicos obstáculos ao uso compassivo. Há um filtro socioeconômico invisível. “Aqueles que podem pagar por melhor atendimento têm mais chances de conseguir drogas experimentais”, afirma a bioeticista Alison Bateman-House, da Universidade de Nova York. Isso ocorre porque os médicos bons e bem relacionados é que ficam a par das novidades nas bancadas dos laboratórios. Além disso, o prestígio do profissional também pode pesar na decisão da empresa. Um médico admirado tem maior potencial para influenciar outros com sua opinião sobre o novo medicamento. “O laboratório tem de ter confiança no médico”, afirma Barrios, oncologista da PUC-RS. “A empresa precisa ter certeza de que o profissional cuidará do paciente adequadamente e passará informações sobre os efeitos da droga que poderão ser úteis.”

O médico também tem de ter disposição – e uma equipe de apoio – para montar o dossiê exigido pelo órgão de vigilância sanitária e pela empresa, a fim de pedir o uso compassivo. No Brasil, a burocracia é alvo de críticas. “Perde-se tempo aguardando a resposta da Anvisa, fazendo o pedido para a empresa farmacêutica, aguardando o medicamento, geralmente importado, chegar e ser liberado”, diz o oncologista Rafael Kaliks, diretor científico do Instituto Oncoguia, entidade que defende os direitos dos pacientes. “Nessa brincadeira, um paciente em estado grave espera até dois meses.”

A doença não espera. “Já perdi muito paciente por causa dessa demora para conseguir drogas experimentais”, diz o oncologista Antônio Carlos Buzaid, diretor-geral do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes do Hospital São José, em São Paulo. No fim do ano passado, ele viveu com Medeiros, o paciente do início desta reportagem, a angústia de lutar contra o tempo. Foram oito semanas até ter em mãos o comprimido importado. Poderia ter demorado mais. Buzaid encontrou outra paciente no Brasil que já havia importado o medicamento e que aceitou emprestar alguns comprimidos a Medeiros. No dia em que ele engasgou e achou ter perdido o aguardado comprimido, o frasco tinha acabado de chegar a Natal pelas mãos de sua irmã, que fora ao Rio de Janeiro buscá-lo com a paciente solidária. “Meu anjo”, é como Medeiros se refere a ela.

Os comprimidos o encontraram prestes a ser entubado. Foram sete dias de medicação até Medeiros ter alta, uma recuperação com que ele não sonhara nem nas previsões mais otimistas. Sete meses após o início da medicação, os tumores nos pulmões e as metástases nos ossos não desapareceram completamente, mas diminuíram de tamanho. Ele aproveita para buscar os filhos na escola e passar todo o tempo com eles. Sabe que podem vir dias difíceis. Nesse caso, caberá a seu médico, Buzaid, pensar em novas respostas. “O que mais faço no fim de semana é mandar e-mails para meus amigos médicos, que trabalham com pesquisa fora do país, perguntando se sabem de novas drogas em desenvolvimento”, diz Buzaid.

Quando o medicamento chegou a Medeiros, no final de novembro, fazia duas semanas que a droga fora aprovada em um processo de registro acelerado da FDA nos Estados Unidos. Isso significa que ainda faltam estudos que confirmem sua eficácia, para que ela receba a aprovação definitiva. Por enquanto, 411 pacientes participaram dos testes. Em até 70%, houve redução parcial dos tumores, algo semelhante ao que aconteceu com Medeiros. Como ele conseguiu acesso ao medicamento por compaixão, não há custos com o tratamento. Nos Estados Unidos e na Europa, onde o medicamento já é vendido, ele pode custar US$ 12 mil por mês.

Não é raro que drogas pedidas para uso compassivo, sem registro no Brasil, já tenham sido aprovadas – ainda que provisoriamente – nos Estados Unidos e na Europa. Dos 16 medicamentos solicitados à Anvisa entre 2015 e maio deste ano, 13 já tinham registro na FDA antes de 2015.

A lentidão para registrar novas drogas no Brasil tem dois componentes. O primeiro é a demora das empresas em submeter seus medicamentos à aprovação no Brasil. “Muitos demoram porque sabem que a Anvisa pedirá mais dados, que eles ainda não têm, ou porque preferem investir primeiro no mercado americano e europeu, maiores”, diz o oncologista Gilberto Lopes, do grupo Oncoclínicas, no Brasil, e professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Um levantamento feito por ele sugere que as farmacêuticas levam mais de um ano, após enviar o pedido de aprovação nos Estados Unidos, para tentar o registro no Brasil. Em segundo lugar, há a demora da Anvisa em analisar o pedido. O levantamento sugere que a Anvisa demora, em média, oito meses a mais que a FDA para aprovar uma droga oncológica. Se nos Estados Unidos o registro sai em seis meses, no Brasil demora 14.

“Falta estrutura na Anvisa para analisar os pedidos com mais agilidade, mas há também um componente ideológico”, diz Antônio Brito, presidente da Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica. “Há resistência em aceitar análises feitas por agências de outros países e uma pressão dos escalões superiores da Anvisa para negar ou postegar a aprovação de medicamentos. É uma maneira de fazer com que não seja pedida a incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde.”

Um levantamento da Interfarma sugere que, mesmo quando os medicamentos oncológicos são aprovados no Brasil, não é regra serem incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Das 18 principais drogas usadas para tratar os cânceres mais comuns em 2014, 17 tinham registro, mas apenas seis estavam disponíveis na rede pública.

A Anvisa nega qualquer motivação financeira. “Se há demora, se deve a nossa própria fragilidade, e não a nenhuma influência”, diz o médico sanitarista Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa. Ele diz defender o aumento do intercâmbio de informações entre agências sanitárias para agilizar o registro de medicamentos, mas não abre mão da autonomia sobre a análise. “É uma questão de soberania nacional. Se acatarmos as decisões de outras agências, estaremos abrindo mão da nossa responsabilidade sanitária”, afirma Barbosa, com um argumento compreensível. Em seguida, usa outro, um tanto alienígena à questão. “Se aprovássemos automaticamente as drogas porque foram registradas nos Estados Unidos, teríamos uma enxurrada de produtos americanos e liquidaríamos a indústria nacional.”

No meio da troca de acusações, resta ao paciente recorrer à Justiça para pedir que planos de saúde ou o SUS arquem com medicamentos sem registro. Ou ter a sorte de contar com médicos e centros de saúde informados sobre a possibilidade do uso compassivo. “No Brasil, com a dificuldade de acesso a medicamentos de ponta, o uso compassivo é uma arma poderosa”, diz Gil, da Sociedade de Oncologia Clínica. “É uma maneira de o paciente ter acesso a uma tecnologia a que nunca teria no SUS.”

É o caso da estudante paulista Sabah Mohamed Ali, de 18 anos, atendida no Icesp, centro de referência no tratamento de câncer que adota o uso compassivo como uma estratégia. Sabah usa desde setembro de 2015 uma droga para combater um câncer de pulmão, depois de passar por quimioterapia e radioterapia nos últimos dois anos. Sabah lida com uma forma rara de câncer, descoberto depois de sentir dores no peito. Por meses, ela ignorou o incômodo, que julgava resultar da má postura nas horas de estudo. Quando recebeu o diagnóstico, no 2o ano do ensino médio, estudava para o vestibular. A princípio, cogitou engenharia. Depois de descobrir o tumor de 7 centímetros no pulmão esquerdo, a medicina entrou em seus planos. “Quero ajudar as pessoas”, diz a jovem, que faz cursinho.

O medicamento está aprovado nos Estados Unidos desde abril de 2014. A fabricante afirma que submeteu o pedido de registro no Brasil à Anvisa. No mercado americano, o tratamento com a droga custa cerca de US$ 13 mil por mês. “Não sei até quando terei de tomar, mas o médico me disse para pensar como se fosse um remédio de pressão”, diz Sabah, que se angustia a cada três meses com uma nova rodada de exames. Até agora, o tumor que tomava parte do pulmão parece estar se fragmentando. “É um bom sinal”, diz Tiago Takahashi, o oncologista que acompanha Sabah no Icesp. Para ela e sua família, a droga é a maior esperança. “Quando jogam uma bomba como a notícia do câncer, a única coisa que você espera é que o medicamento dê certo”, diz Sahar, de 16 anos, irmã de Sabah, que raspou os cabelos em solidariedade à irmã nos tempos da quimioterapia. Agora elas veem os cabelos crescer e a vida prosseguir.

Laboratório Libbs eleva aposta em remédio inovador

18/07/2016 - Valor Econômico


Perto de inaugurar a maior fábrica de medicamentos biossimilares de uso único da América Latina, a Libbs Farmacêutica ampliou a aposta em inovação, atenta às necessidades médicas não atendidas, de acordo com o presidente do laboratório, Alcebíades Athayde Júnior. Nesse sentido, ingressou no início do ano em consórcio internacional para desenvolver um medicamento biológico que poderá salvar a vida de recém-nascidos, participa do codesenvolvimento de um novo produto usado no tratamento de diabetes e, junto com pesquisadores americanos, está desenvolvendo uma terapia inovadora para tratamento da pré-eclampsia. Esse último estudo está perto de entrar na fase 2.

"Não existe um medicamento para retardar o parto. Se tivermos, isso vai mudar o patamar da Libbs no país", afirmou Athayde Júnior. O projeto, também na área de biotecnologia, ainda não tem estrutura de financiamento equacionada. Mas a percepção é a de que deverá atrair o interesse de farmacêuticas multinacionais. "Uma empresa nacional, sozinha, não consegue financiar. Mas queremos manter os direitos e a independência da Libbs", contou.

Em 2015, o faturamento líquido do laboratório atingiu R$ 1,33 bilhão, frente a R$ 1,22 bilhão um ano antes, e deve crescer mais R$ 100 milhões em 2016.

Mas o grande salto nos negócios virá com o início de produção e comercialização do primeiro biossimilar da Libbs, que poderá adicionar R$ 1,4 bilhão ao faturamento em um prazo de cinco anos após o início de comercialização.

O primeiro lote de rituximabe, um anticorpo monoclonal usado no tratamento de linfoma não Hodgkin, artrite reumatoide e outros tipos de doenças autoimunes, foi produzido em março. A inauguração da fábrica estava prevista para setembro, mas foi postegarda para novembro "em linha com a estratégia da companhia e a da área de eventos". "Essa é uma tecnologia disruptiva. Há grande expectativa que dê certo", disse.

A unidade Biotec foi construída dentro do complexo industrial da Libbs em Embu das Artes (SP), com investimento de R$ 250 milhões para construção e compra de equipamentos, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outros R$ 250 milhões foram levantados junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e aplicados na realização de estudos clínicos.

O projeto foi viabilizado por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), com transferência de tecnologia da argentina Mabxience.

"A partir disso, passamos a ter um compromisso com o país", afirmou Athayde Júnior. Iniciativas dessa natureza, conforme o empresário, mostram que o Brasil é capaz de fazer estudos envolvendo um medicamento biossimilar e pode produzi-lo, sob o olhar de uma agência reguladora bastante rigorosa. "Ao contrário de outros momentos, dessa vez o Brasil está junto com o mundo", comentou.

No país, há outros projetos de biossimilares em curso, que também envolvem PDPs. Em Valinhos (SP), a Bionovis se prepara para produzir até nove biofármacos, com transferência de tecnologia da Janssen e da Merck, além de ter anunciado o desenvolvimento de produtos próprios. A Orygen, que no passado contava com a participação da Libbs - a farmacêutica deixou a sociedade para investir na Biotec -, terá uma fábrica para produção de anticorpos monoclonais em São Carlos (SP).

No ano passado, a Eurofarma obteve a aprovação do Fiprima, primeiro medicamento biossimilar da América Latina para tratamento de pacientes submetidos a quimioterapia. E o Cristália já conta com dias unidades de biotecnologia certificadas e em operação.

A Libbs também quer fomentar a integração entre indústria farmacêutica, setor público e academia no país e deu a largada na ocupação do Parque Tecnológico do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. Ali, o laboratório quer construir uma nova unidade, que reunirá seu Centro de Desenvolvimento Integrado (CDI) e o pessoal da área administrativa, inspirada no moderno prédio do Sanford Consortium, localizado em San Diego, nos Estados Unidos.




Consultório virtual

18/07/2016 - O Globo


De um lado da tela está o cirurgião Milton Steinman, coordenador de Telemedicina do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Do outro, médicos e enfermeiros de centros médicos espalhados por todo o país, em busca de especialistas que podem auxiliar no atendimento a pacientes. Steinman testemunha o crescimento desse serviço há quatro anos e amanhã participa do debate sobre consultas virtuais na primeira edição do Fórum de Telemedicina, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Um diagnóstico da nova técnica foi traçado na edição da semana passada da “New England Journal of Medicine”. Os pesquisadores americanos Ray Dorsey, da Universidade de Rochester, em Nova York; e Eric Topol, do Instituto Scripps, na Califórnia, avaliam que o crescimento da prestação virtual de cuidados aliviará as preocupações com a distribuição de médicos em um território e oferecerá mais flexibilidade aos profissionais e seus pacientes. Ao contrário do Brasil, onde o diálogo na tela é restrito à troca de ideias entre profissionais de saúde, nos Estados Unidos os pacientes já podem ser atendidos à distância.


ACESSIBILIDADE E MONITORAMENTO


Dorsey aponta três tendências que estão redefinindo a telemedicina. A primeira é o potencial desta técnica para tornar os cuidados mais acessíveis, o que poderia reduzir o seu custo. A segunda é a possibilidade de monitoramento a portadores de doenças agudas. Por último, a expectativa de que este serviço migre de hospitais e clínicas para a casa e os celulares de pacientes. Com as consultas virtuais, o médico poderia atender mais pacientes e reduzir o preço da consulta.

— Devemos expandir a medicina até que chegue à casa das pessoas — defende o pesquisador. — Mas alguns problemas ainda devem ser debatidos. Registramos mais doenças crônicas justamente no público que têm menor acesso à internet: idosos, pobres e moradores da zona rural.

De acordo com Steinman, que estuda o progresso da telemedicina nos Estados Unidos, mais de 15 milhões de consultas virtuais são realizadas por ano naquele país, onde o serviço já é aplicado em 32 estados. Os médicos são cadastrados e o seguro de saúde do paciente é responsável por pagar o atendimento.

— É uma técnica que estreita a relação entre médico e o paciente, que terá mais acesso a dados da sua doença e, assim, vai se engajar mais no tratamento — avalia. — O Google possibilitou a democratização da informação, mesmo que ela nem sempre esteja correta. As pessoas já chegam ao consultório tendo alguma noção de seus problemas. A telemedicina é uma nova forma de interação, que pega carona nesta conectividade.

O cardiologista André Volschan, coordenador científico do Hospital Pró-Cardíaco, acompanhou à distância mil exames realizados em cinco centros de saúde fluminenses nos últimos três anos. Em 308 casos, a equipe recebeu pedido de assistência remota devido à ocorrência de acidente vascular cerebral.

— A janela de tempo é muito pequena e, nos locais onde não há neurologistas, dizemos aos médicos que estão ao lado do paciente como devem proceder — conta. — Damos orientações depois de nos mostrarem imagens de ressonância e tomografia. Os exames físicos também são acompanhados por telas de alta resolução. Tudo é acompanhado ao vivo. É diferente de pedir uma segunda opinião.

Para Angélica Bösiger, cardiologista do Hospital Federal dos Servidores do Estado, a principal utilidade da telemedicina é trocar impressões sobre cirurgias com seus colegas.

— Médicos de 83 instituições do país são convidados a assistir conectados a uma operação. Basta ter um login. Às vezes, debatemos como foi o procedimento — explica. — Acredito que a telemedicina beneficiará principalmente as especialidades cirúrgicas e intervencionistas, como ortopedia, neurorradiologia e cardiologia.

Coordenador da Câmara Técnica de Informática em Saúde do CFM, Aldemir Humberto Soares adianta que, no fórum de amanhã, o Conselho de Medicina abordará a evolução de softwares interativos que podem ser usados em consultas, assunto revisado pela última vez em uma regulação de 2002.


PREOCUPAÇÃO COM SEGURANÇA


Soares ressalta que uma série de condições devem ser analisadas antes da adoção de novas mídias na medicina.

— A confidencialidade é uma grande preocupação: precisamos ter certeza de que não haverá vazamento de informações trocadas entre médico e paciente. É necessário ter segurança contra hackers e alertar os profissionais para que não sejam descuidados — pondera Soares, que também é primeiro-secretário da Associação Médica Brasileira. — A ética profissional não deve ser ignorada. O médico não deve se esconder atrás da máquina. Ele continua responsável por seus atos.

A relação entre tempo de consulta e preço aventada por Dorsey também deve ser descartada.

— Para examinar uma pessoa, o médico pode precisar de uma hora; em outro caso, 15 minutos já são suficientes — descreve. — Não se deve baixar o preço para que o profissional receba mais pacientes. Há sempre fatores que interferem na velocidade do trabalho. Por exemplo, o envelhecimento da população está provocando o surgimento de novas doenças. Precisamos de tempo para analisá-las.

Os médicos são unânimes ao afirmar que as consultas virtuais podem complementar as visitas pessoais, mas jamais vão substituí-las. De acordo com Soares e Volschan, a presença do paciente no consultório reforça a intimidade e facilita a identificação de uma enfermidade, inclusive de sintomas que não foram motivo do agendamento da consulta.

— O médico ainda precisará de informações do histórico do paciente e analisar seu corpo — avisa Soares. — Mesmo com a nova tecnologia, um médico local deve acompanhar a evolução do tratamento. Em algumas áreas do país pode ser difícil encontrar um profissional que realize este monitoramento. Então, é possível que o regulamento da telemedicina não avance da mesma maneira em todas as regiões.

— Existem sutilezas típicas do contato presencial, levando a relação entre médico e paciente a um nível que não seria alcançado por um meio eletrônico — argumenta Volschan. — O exame físico nos permite analisar emoções que podem contribuir para realizar o diagnóstico.




A maior parte da pesquisa médica não é confiável

18/07/2016 - Época


O médico americano John Ioannidis, de 50 anos, cria motivos aos montes para contar com a antipatia dos colegas. O título de um de seus estudos mais recentes, publicado em junho, é Por que a maior parte da pesquisa clínica não é útil. Seu artigo mais famoso, divulgado em 2005, afirma haver maior probabilidade de estudos médicos publicados estarem errados do que certos. Ao denunciar os erros das pesquisas, porém, Ioannidis conquistou o respeito e não a inimizade na academia. Ele vem mostrando que a aprovação de novas drogas e a adoção de novas práticas têm nascido de um jeito viciado de fazer ciência, que inclui de enganos corriqueiros e involuntários a manipulações mal-intencionadas e sofisticadas. Diretor do Centro de Pesquisa em Prevenção, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, Ioannidis se tornou um dos cientistas mais influentes do mundo em pesquisa médica. Seu trabalho descreve como a indústria farmacêutica se apropriou de estudos para favorecer a aprovação de novas drogas e como cientistas que trabalham nas universidades ficam presos à necessidade de encontrar resultados gritantes, ainda que forçados, para alcançar reconhecimento. "Não culpo os pesquisadores por fazer isso nem a indústria por querer aumentar sua participação no mercado", afirma. "Nós os forçamos a fazer isso." ÉPOCA - Estamos na era das evidências na medicina. Há mais de 1 milhão de testes sobre drogas e intervenções. Por que o senhor diz que ainda não basta? John Ioannidis -Fizemos progressos nos últimos 25 anos. Deixamos de perguntar a opinião de professores de medicina e passamos a adotar estudos comparativos para nos guiar.

Entretanto, a maior parte da literatura biomédica não é nada útil. Muitas pesquisas não são sobre problemas relevantes para os pacientes. E o grosso dos estudos está perto do zero na escala de credibilidade. Há erros aleatórios e vieses propositais, que interferem nas conclusões.

ÉPOCA - Isso quer dizer que muitos estudos são fraudes?

Ioannidis - Não é que sejam fraude ou que os cientistas sejam fraudulentos. Eles só estão fazendo o melhor para chegar a resultados estatisticamente relevantes, que sejam extremos e incomuns. Nós os incentivamos a fazer isso. Conseguir esse tipo de resultado é a única maneira de publicar o estudo, conseguir financiamento e ser promovido na universidade. Então, eles farão o seu melhor: torturarão os dados até encontrar algo muito significativo. Além disso, existem pessoas com uma agenda que vai além de chegar a conclusões incomuns.

ÉPOCA - O senhor se refere a pesquisadores que conduzem estudos patrocinados pela indústria farmacêutica?

Ioannidis - A maior parte dessas pesquisas é patrocinada por fabricantes que, claramente, querem chegar a um resultado determinado ou, pelo menos, interpretá-lo segundo suas intenções. Quando a indústria farmacêutica está envolvida em pesquisa, não é pela curiosidade da descoberta científica ou para salvar as pessoas. Ela quer ganhar dinheiro. Pesquisadores de um estudo em que há um patrocinador com conflito de interesses podem até chegar aos mesmos resultados de outros envolvidos em uma pesquisa em que não há patrocínio. Mas, na etapa de analisar os resultados, talvez o grupo patrocinado interprete o mesmo número como indício de que a droga é incrivelmente eficaz e de que todo mundo precisa usar, e o segundo ache que ele não justifica alguém tomar a medicação, levando em consideração os efeitos colaterais e o custo do tratamento. Eu não culparia a indústria por querer chegar a resultados que aumentem sua participação no mercado. Nós a forçamos a fazer isso também.

ÉPOCA - O que o senhor quer dizer? A indústria aprendeu a usar o sistema científico a seu favor?

Ioannidis - Absolutamente. Não os culpo por fazer isso. Vinte anos atrás, se você quisesse vender uma droga, tinha de encontrar os professores de medicina com maior prestígio e ter certeza de que eles se tornariam membros do conselho de sua empresa. Eles apresentariam sua droga em grandes congressos, muitos médicos estariam ouvindo e seriam convencidos. Agora, as pessoas não ouvem mais a professores com prestígio, mas a pesquisas clínicas e a grandes estudos que compilam e analisam os achados de uma área. São as chamadas revisões sistemáticas e meta-análises. A indústria mudou o foco de sua atenção dos experts para esses testes e levantamentos. Todo o pensamento sobre como elaborar o estudo, que evidências encontrar, que manipulação analítica fazer são escolhas para conseguir resultados favoráveis.

ÉPOCA - O senhor pode dar um exemplo?

Ioannidis - Recentemente, meu grupo investigou levantamentos sobre antide-pressivos. Encontramos 185, um número impressionante. Precisamos de 185? Talvez de um ou dois. Quatro estaria ótimo. Cerca de 80% desses levantamentos tinham algum tipo de envolvimento da indústria. Eles nunca diziam nada ruim sobre os antidepressivos. A conclusão era muito favorável: eram ótimos, eficazes e sem grandes perigos. Era algo do tipo "vá em frente e tome mais". Quando esses levantamentos eram feitos por pessoas sem conexão com a indústria, mais da metade trazia ressalvas: afirmava que eles não eram tão eficazes ou que tinham alguns riscos a ser levados em consideração.

ÉPOCA - Como evitar o sequestro de um sistema de verificação científica que levou décadas para ser estruturado?

Ioannidis - A única maneira é desvincular os fabricantes de testar seus próprios produtos. Assim, não haveria razão para chegar a um resultado favorável exagerado ou para interpretar os resultados de maneira enviesada. A indústria deve ter todo o incentivo para desenvolver a melhor droga, o melhor tipo de exame diagnóstico. Mas é preciso ter os melhores testes para avaliar esses produtos, elaborados, conduzidos e analisados por cientistas independentes -idealmente com financiamento público. A indústria poderia contribuir com recursos, num fundo público, que custearia essas avaliações. Uma pequena parte das vendas dos medicamentos alimentaria esse fundo.

ÉPOCA - O que poderia ser feito para melhorar a qualidade das pesquisas sem fins comerciais, mas que o senhor também diz não serem úteis e críveis?

Ioannidis - Precisamos realinhar os incentivos com o tipo de ciência que queremos. Outros critérios deveriam ser usados para decidir se um trabalho será publicado numa grande revista científica, se o pesquisador receberá financiamento ou será promovido na universidade. Precisamos avaliar outras dimensões, como a transparência dos dados e do método usado, se outros pesquisadores conseguiram reproduzir o estudo e chegar aos mesmos resultados e se há potencial de aplicação para melhorar a vida das pessoas.

ÉPOCA - Há grupos de pacientes que questionam a necessidade de haver várias etapas na pesquisa de novas drogas. O senhor não teme, com seu trabalho, acabar fortalecendo esse tipo de desconfiança em relação à ciência?

Ioannidis - Existe esse risco. Mas charlatões sempre usarão qualquer argumento absurdo para apoiar suas alegações. Muita gente tem atacado os testes em que novas drogas são comparadas a outras mais antigas, o tipo de estudo mais confiável para avaliar a eficácia de medicamentos. Esses grupos usam argumentos que soam muito emocionais. Dizem que pessoas estão morrendo, que precisamos ser mais rápidos nesses testes que "duram para sempre" e citam todos os erros metodológicos - que eu nem posso negar, porque fui eu que descrevi. Mas daí a abandonar esse tipo de estudo comparativo... E fazer o quê? Voltar para a Idade Média? Não é assim que se progride na ciência. A única maneira de fazer frente a esses grupos é se apegar ao método científico, baseado na transparência, no escrutínio dos erros, na reflexão cuidadosa sobre vieses. Estamos falando de ceticismo saudável sobre como os estudos são elaborados. Dizer que nunca estamos errados não é ciência, é dogma.

ÉPOCA - Mas, na prática, os pacientes - e mesmo os médicos - podem ficar confusos ao considerar os problemas apontados pelo senhor. Estamos sem parâmetros para tomar decisões médicas?

Ioannidis - Não devemos ficar pessimistas sobre nossa habilidade de tomar decisões ou sobre a utilidade da ciência médica. Há muitas coisas na medicina baseadas em ciência muito sólida. Fumar, por exemplo. Sabemos muito bem que é devastador. As vacinas são um sucesso. Mas há muitas outras coisas sobre as quais não temos tanta certeza, como novos e caros tratamentos. Precisamos reconhecer as incertezas. Temos de comunicar primeiro para os médicos e depois para os pacientes que um novo tratamento tem 1% de chance de funcionar, ou 5%, ou 10%. Você toma a decisão consciente dos riscos e se estiver disposto a pagar—ou a fazer seu governo pagar. É preciso integrar a ciência à vida cotidiana.




Sexo pode explicar prevalência da zika em mulheres

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


Na batalha contra o vírus da zika, muito já se falou sobre picadas de mosquito. No entanto, pesquisadores estão começando a se preocupar com outra rota de transmissão conhecida: a do sexo.

O contato íntimo pode responder por mais infecções de zika do que se suspeitava, segundo esses especialistas, ainda que todos os peritos concordem que os mosquitos são o principal fator da epidemia.

Dois relatórios recentes sugerem que as mulheres na América Latina têm probabilidade muito maior do que os homens de serem infectadas, embora, supostamente, ambos os sexos estejam expostos igualmente aos mosquitos. A diferença aparece na idade em que começa a atividade sexual e depois diminui entre os adultos mais velhos.

O vírus da zika pode persistir durante meses no sêmen. É por isso que as mulheres que desejam engravidar são aconselhadas a não fazer sexo sem proteção com homens que estiveram em áreas que têm o vírus.

A peça mais discutida nesse quebra-cabeça médico é um estudo divulgado em maio por bioestatísticos brasileiros e europeus. No Rio de Janeiro, cidade de 6,4 milhões de habitantes, eles encontraram “um aumento maciço de zika em mulheres, em comparação com os homens”.

Os autores, da Fundação Getúlio Vargas e de outros grupos de pesquisa brasileiros, franceses e escoceses, tiveram o cuidado de levar em conta dois fatores para ajustar seus números: grávidas são testadas para zika com maior frequência que qualquer outro grupo, e as mulheres geralmente consultam os médicos com maior frequência que os homens.

Mesmo assim, disse Flavio C. Coelho, bioestatístico da FGV e o principal autor do estudo, as mulheres ainda têm 60% mais probabilidade que os homens de ser infectadas pela zika. A transmissão sexual, segundo ele, é “a causa mais provável”.

Alguns especialistas, no entanto, incluindo Donald A. Berry, bioestatístico do Centro de Câncer M. D. Anderson da Universidade do Texas, rejeitaram o estudo. Segundo Berry, o medo das mulheres da zika é tão grande e a confusão com a dengue tão comum que essas variáveis sozinhas poderiam ter explicado a diferença em infecções entre homens e mulheres.

Outro estudo, de pesquisadores do Ministério da Saúde da Colômbia e dos CDC (sigla em inglês para Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA, examinaram defeitos de nascença ligados ao vírus. Eles também encontraram disparidades de idade e de gênero.

Jovens meninos e meninas na Colômbia foram infectados com o vírus da zika mais ou menos na mesma porcentagem. Depois, com mais de 15 anos, quando começava a atividade sexual, os índices entre as mulheres disparavam. Dos 25 aos 29 anos, as mulheres tinham três vezes mais probabilidade que os homens da mesma idade de ser diagnosticadas com zika. Conforme envelheciam, a margem diminuía; depois dos 65 anos, os índices de infecção eram quase iguais.

A “diferença mais intrigante”, segundo Margaret A. Honein, do CDC, era que na Colômbia as mulheres de 45 a 64 anos tinham quase o dobro de probabilidade de ser infectadas que os homens da mesma faixa etária.

Não há evidência de que a transmissão sexual tenha tido um papel importante nos primeiros surtos modernos de zika, em 2007 na ilha Yap na Micronésia e em 2013 na Polinésia Francesa.

No entanto, esses surtos se espalharam rapidamente e se extinguiram em meses, por isso os mosquitos podem ter simplesmente encoberto os sinais de que o sexo também servia como fator dessas epidemias.




Transplante de órgãos, mais um desafio

18/07/2016 - Folha de S.Paulo


Atualmente realizam-se no Brasil transplantes de rim, fígado, coração, pâncreas, pulmão e medula óssea, com resultados comparáveis aos de centros mais desenvolvidos. Em número de procedimentos, somos superados apenas pelos Estados Unidos.

Recentemente, tem-se realizado um novo tipo de transplante para o tratamento da falência intestinal consequente ao encurtamento do intestino delgado por defeito genético ou ressecção cirúrgica.

Estima-se que no Brasil ocorram de 400 a 600 casos novos por ano, sendo 60% pediátricos e 40% em adultos. Em média, 90% desses pacientes são controlados clinicamente por nutrição por via endovenosa prolongada (NPP). Nos outros 10%, indica-se o transplante de intestino e, conforme o caso, também dos órgãos agredidos pela NPP prévia: fígado, baço, pâncreas e rim (transplante multivisceral).

Ressalte-se, desde já, que, devido à falência de intestino, os pacientes pediátricos necessitam de doadores com aproximadamente 70% de seu tamanho. Em alguns casos, doadores com meses de vida.

Entre nós, como nos centros do exterior, faltam doadores desse tipo. Em São Paulo foram viabilizados 1.411 doadores nos últimos 18 meses, nenhum deles com idade igual ou inferior a um ano.

Compreende-se assim que já tenham sido realizados, esporadicamente entre nós, alguns transplantes multiviscerais em adultos, mas nenhum pediátrico.

Em consequência, decisões judiciais vem obrigando o Ministério da Saúde a responsabilizar-se por esse tratamento no exterior, a um custo entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões por paciente. Como já defendi em artigo publicado nesta Folha em outubro do ano passado, seria mais proveitoso aplicar esses recursos públicos em centros nacionais experientes em transplantes pediátricos.

Essa conduta se justificaria ainda pelo fato de que há 30 anos enfrentamos aqui no Brasil a mesma dificuldade em relação à falta de doadores de baixo peso para o transplante de fígado pediátrico.

Para contornar esse obstáculo, desenvolvemos a técnica de transplante de fígado intervivos, no qual um doador adulto sadio autoriza a retirada de parte de seu órgão para ser transplantado na criança, salvando-lhe a vida.

Atualmente essa técnica é empregada em todos os países com dificuldades em obter doadores falecidos suficientes. Somente uma equipe na Coreia do Sul já realizou mais de 4.000 procedimentos desse tipo, preservando a vida de pacientes que, de outra forma, não poderiam ser transplantados, uma vez que princípios culturais e religiosos proíbem o manuseio de cadáveres em muitos países do Oriente.

Compreende-se assim que alguns pesquisadores nos EUA e no Reino Unido tenham empregado, nos transplantes para tratamento da falência intestinal em crianças, doadores adultos vivos, neles captando um fragmento de fígado (menos de 30%) e pequena porção do intestino delgado.

Baseiam-se, de um lado, na experiência com transplante de fígado intervivos, no qual o segmento retirado do doador se regenera em poucas semanas, e, de outro, na observação da cirurgia gastrointestinal, na qual é possível ressecar até um metro do intestino delgado sem causar efeitos mensuráveis.

Frente a todos esses dados, valorizam-se os resultados da equipe do Hospital Sírio-Libanês, com mais de 800 casos de transplante de fígado pediátrico intervivos operados com sobrevida de 95% após um ano, sem mortalidade entre os doadores. Abrem legítimas perspectivas também para a realização de transplantes de fígado/intestino intervivos pediátrico entre nós.




Indianos tentam reverter morte cerebral

18/07/2016 - Folha de S.Paulo


A história se passa no pequeno Hospital Anupam, na cidade de Rudrapur, na Índia, próximo à fronteira com o Tibete. Esse foi o local eleito para um polêmico experimento para tentar reviver o cérebro de pessoas com morte cerebral.

O grupo do cirurgião ortopédico e pesquisador indiano Himanshu Bansal conduzirá a pesquisa no local. O projeto deve durar em torno de um ano.

Os “voluntários” serão 20 pacientes que tiverem morte cerebral diagnosticada e passarão por intervenções —como injeções de células-tronco e um coquetel de “reprogramação” celular— com o intuito de regenerar e recuperar (mesmo que parcialmente) a função do órgão ao longo de duas semanas.

Os pacientes deverão estar com diagnóstico de morte cerebral de 8 a 24 horas antes de os testes começarem.

O novo estudo também tem participação americana, da empresa de biotecnologia Bioquark, e está devidamente registrado como um ensaio clínico—como aqueles necessários para a aprovação de novas drogas contra o câncer.

A diferença óbvia é que no caso em questão os pacientes já morreram, e isso facilitou na hora de registrar o ensaio.

O projeto passou por um comitê de ética local e independente da região do hospital e foi beneficiado pela ausência de uma legislação específica que tratasse de estudo com esse perfil de voluntários.

Para Bansal, mesmo que só uma pequena fração dos pacientes saísse do estado de morte cerebral para qualquer nível de consciência, ainda que o paciente permanecesse em coma, seria uma quebra de paradigma.

Ele diz que há grande variabilidade das normas que caracterizam a morte cerebral entre os países. “Pode soar engraçado, mas queremos provar que a Índia pode ser exemplo na área médica e provavelmente todo o mundo vai seguir as nossas diretrizes de definição de morte cerebral”, afirma.

A classificação para definir uma morte cerebral é debatida em diversos países,incluindo o Brasil. Um exemplo que gera controvérsia é o teste de apneia,que consiste em desligar a ventilação artificial para ver se há algum reflexo respiratório. O problema é seu alto índice de mortalidade devido a complicações cardíacas, na casa de 25%.

Quanto à nova tentativa de reviver cérebros, apelidada de “Dead Man Walking”, Bansal disse à Folha que não enxerga espaço para críticas.

“Após o diagnóstico de morte cerebral, há espaço para que as células sejam rejuvenescidas e que a pessoa volte a ter respiração espontânea e atividade elétrica no cérebro.Apessoa tem chances não desprezíveis de recuperar a consciência.” Não é o que pensam profissionais como o neurocirurgião André Gentil.

“O estudo é um desrespeito aos anos de empenho da comunidade científica na definição cuidadosa de morte cerebral e não segue normas básicas de metodologia científica”, afirma.


JEITÃO DE ÓVULO


Curiosamente, apesar de ser um estudo em seres humanos, não houve teste prévio em animais —Bansal diz que o motivo é não haver um conceito estabelecido do que seria morte cerebral em animais menos complexos.

A lógica em que apostam os cientistas e patrocinadores da pesquisa é a de métodos que promovem regeneração e reparo tecidual.

Uma delas é o tratamento com células-tronco —coletadas da gordura e da medula óssea do próprio voluntário.

Outra é a estimulação do nervo mediano do antebraço, técnica auxiliar para tentar recuperar a consciência de pacientes em estado de coma.

Já a estimulação com laser visa aumentar a produção de ATP —molécula que fornece energia para que a célula realize suas funções— nas mitocôndrias (organela responsável por essa função).

Com mais energia,teoricamente, os neurônios moribundos teriam a possibilidade de recuperar sua função —há estudos que mostram que ele é capaz de melhorar o grau de alerta em pacientes que estiveram em estado de consciência reduzida.

Apesar de as células-tronco serem o tratamento favorito de Bansal,por causa de sua maior experiência com elas, o mais inusitado é o uso do produto Bioquantina.

Trata-se de uma solução cujo objetivo é fazer células“voltarem no tempo”e se tornarem algo próximo de um oócito (célula que dá origem ao óvulo). A bizarra origem do produto? O ócitos de anfíbios.

A proposta é que o extrato seja capaz de reprogramar as células para um estágio pluripotente —capaz de se transformar em vários tipos celulares diferentes.

No entanto, ainda não há um número substancial de estudos prévios que justifiquem algum otimismo nessa aplicação da Bioquantina.

“Em nossa abordagem,certamente não haverá uma única solução mágica. Qualquer teste usando apenas uma droga seria provavelmente inútil”, diz Bansal. Para ele, a intervenção para reviver um cérebro seria análoga ao tratamento mais moderno contra Aids, baseado em um coquetel de medicamentos.

Calor fora de época não deixa aedes ‘sumir’

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


No verão, é difícil controlar as viroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti –como dengue e zika. Os mosquitos se reproduzem em taxas aceleradas e parecem não ter fim.

Já no inverno, há uma "pausa" nessa proliferação demasiada, que pode ser abalada quando surgem veranicos –como o que viveu São Paulo nesta semana– ou quando o inverno não é tão rigoroso.

Isso acontece porque o metabolismo do inseto é bastante dependente da temperatura e umidade do ambiente. Quanto mais quente, mais os mosquitos voam, picam e se procriam.

Durante o inverno, mais seco na região Sudeste, por exemplo, os ovos dos mosquitos que estão espalhados pelo ambiente conseguem sobreviver por meses –mostrando um pouco de sua resiliência.

A estação também tem um "sumiço" temporário dos mosquitos, mas na verdade eles existem em menor número. Com o frio, eles se movem menos e quase não incomodam.

Se a cada verão há grandes picos de incidência de arboviroses (doenças transmitidas por artrópodes, como os aedes), no inverno o esperado eram vales, que indicam incidência mínima. Quando não esfria tanto, esses vales não são tão profundos –há numerosos casos de dengue o ano inteiro.

Especialistas defendem que combater ovos e larvas de A. aegypti no tempo frio pode reduzir a dimensão das epidemias como a dengue no ano seguinte.




Para ministro, pacientes imaginam doenças

16/07/2016 - O Estado de S.Paulo


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse ontem que a maioria dos pacientes que procuram atendimento em unidades de atenção básica da rede pública apenas “imagina” estar doente, mas não está. De acordo com o ministro, é “cultura do brasileiro” só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos e esse suposto “hábito” estaria levando a gastos desnecessários no Sistema Único de Saúde (SUS).

Entidades médicas criticaram a fala de Barros.

“A maioria das pessoas chega ao posto de saúde ou ao atendimento primário com efeitos psicossomáticos. Por que 50% dos exames laboratoriais não são retirados pelos interessados? Por que 80% dão resultado normal? Porque foram pedidos sem necessidade”, disse o ministro, na manhã de ontem, em evento na sede da Associação Médica Brasileira (AMB), em São Paulo.

Barros disse que a população costuma associar uma boa consulta à solicitação de exames e defendeu que os médicos ajudem a mudar esse pensamento.

“Se (o paciente) não sair ou com receita ou com pedido de exame, ele acha que não foi ‘consultado’. Isso é uma cultura do povo, mas acho que todos nós temos de ajudar a mudar, porque isso não é compatível com os recursos que temos”, declarou. “Não temos dinheiro para ficar fazendo exames e dando medicamentos que não são necessários só para satisfazer as pessoas, para elas acharem que saíram bem atendidas do postinho de saúde.” O ministro defendeu que os médicos façam uma investigação mais criteriosa do paciente, antes de solicitar exames ou prescrever remédios. “O médico tem de apalpar o cliente, fazer anamnese, tem de conversar com a pessoa”, afirmou.


CRÍTICAS


Representantes de entidades médicas discordaram da afirmação de Barros de que a maioria da população procura postos de saúde sem estar, de fato, doente. “De maneira geral, qualquer unidade de saúde terá 70% dos exames com resultado normal. Isso acontece porque o paciente não é bem examinado, não é bem interrogado, e são solicitados os exames errados. Ou então, na rede pública, o exame demora tanto para ficar pronto que, até lá, o paciente já sarou e não vai retirar o resultado”, diz Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

Ele afirma que a solicitação de exames desnecessários está relacionada a falhas na formação ou na postura do médico.

“O paciente não tem culpa nisso.

A maioria tem queixa real, que não é devidamente valorizada pelo médico”, afirmou.

Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso afirmou que o paciente nem tem o poder de escolher se quer fazer exames ou tomar remédios e é preciso avaliar melhor os dados informados pelo ministro antes de qualquer conclusão. “O julgamento do que o doente precisa é médico. Às vezes está lá que o doente não foi pegar (o resultado do exame), mas o doente ou o médico viram na internet.

Precisamos saber quais lugares têm essa população de pacientes atendidos com exames normais ou que não foram buscálo. Porque, senão, fica algo jogado no ar.”




Hospitais não estão preparados, diz Cremerj

16/07/2016 - O Estado de S.Paulo


A 21 dias da Olimpíada, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) concluiu que a rede de saúde da cidade não está preparada para receber pacientes de um incidente com múltiplas vítimas durante os Jogos Olímpicos. De acordo com o conselho, os cinco hospitais designados como de referência para o atendimento de emergência estão superlotados.

A Secretaria Municipal de Saúde, porém, nega superlotação e atribui as críticas a questões políticas.

A conclusão do Cremerj veio após fiscalização realizada por conselheiros do órgão, entre os últimos dias 5 e 11. O Cremerj constatou que todos os hospitais de referência – Souza Aguiar, Salgado Filho, Miguel Couto, Albert Schweitzer e Lourenço Jorge – não têm capacidade para receber mais pacientes.

O relatório parcial das vistorias foi divulgado ontem e será entregue à Secretaria de Saúde do município na segunda-feira.

“Há superlotação e as vagas para leitos estão escassas. Há a necessidade, não quero pensar no pior, de aumentar a estrutura de atendimento. Estou preocupado, porque hoje há lotação e na Olimpíada teremos mais de 1 milhão de visitantes. Ainda dá tempo (de agir para mudar a situação)”, afirmou o presidente do Cremerj, Pablo Vazquez.

Segundo Vazquez, outro fator que preocupa é a redução de verbas para a saúde. “O Rio teria que investir pelo menos 12% de seu orçamento na saúde.

Tem investido 4%”, comentou.

O vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon, afirmou que a diferença entre o total do Orçamento e o que foi investido até agora representa menos R$ 370 milhões aplicados na saúde. “Teriam que ser investidos R$ 400 milhões. Em junho, só foram investidos cerca de R$ 25 milhões. Os hospitais estão precários, faltam medicamentos e as equipes médicas estão reduzidas”, disse.

Os conselheiros criticaram a iniciativa de, durante a Olimpíada, atender pacientes de média gravidade em uma cantina desativada no Salgado Filho, caso haja acidente com muitas vítimas.

“É um espaço aberto, ainda com os balcões da antiga cantina”, apontou Nahon.

As salas de emergência estão com ocupação superior à sua capacidade.

Foram encontrados muitos pacientes acomodados nos corredores das unidades, de forma improvisada, em macas de transporte, poltronas e cadeiras. Os Centros de Terapia Intensiva e de Tratamento de Queimados estão com ocupação de 100% dos leitos. Há pós-graduandos atuando na rede para suprir o atual déficit de médicos nas equipes. Faltam equipamentos para monitorização de pacientes graves e leitos precisam de manutenção.

O secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, negou que os hospitais estejam superlotados e afirmou que “o Cremerj e o sindicato dos médicos são oposição política a Prefeitura do Rio”. Além disso, disse que o Rio é uma das cidades mais preparadas para atender acidentes com múltiplas vítimas.




Fila por consulta pode cair com nova organização

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


É possível reduzir a fila de consultas com especialistas sem aumentar o número de profissionais, afirmam pesquisadores em saúde pública. Para isso, é preciso mudar o encaminhamento dos pacientes.

Hoje, durante atendimento inicial, ao primeiro sinal de doença o paciente é encaminhado para médico especialista. Analistas defendem que muitos casos poderiam ser tratados ainda no primeiro atendimento, nas unidades básicas de saúde.

O paciente espera atualmente cinco meses por atendimento na rede municipal, em média.

Eugênio Vilaça Mendes, médico e consultor da área de saúde do Banco Mundial, diz que atendimento especializado é mais caro, porque exige mais exames.

“O especialista não olha a saúde como um todo, vai direto num órgão. Aí vai medicar, pedir exame.” O presidente do Sindicato dos Médicos de SP, Eder Gatti Fernandes, também defende a prioridade à atenção básica, pois nessa etapa é possível até evitar o surgimento de doenças.




Centros da prefeitura ajudam idosos, mas vagas são escassas

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


A copeira aposentada Conceição Rodrigues, 71, passava os dias sozinha em casa por ter dificuldade para descer e subir as escadas do prédio. Agora, ela participa de atividades físicas e culturais no centro-dia para idosos de Sapopemba (zona leste da capital)—que também fornece um motorista para ajudá-la.

“Antes eu ficava do quarto para a sala, da sala para a cozinha. No centro, tem espaço e gente para conversar”, afirma Conceição.

Criado em 2015 na gestão Fernando Haddad (PT), o centro é uma espécie de creche que busca evitar problemas que o isolamento pode causar nos idosos, como depressão. O equipamento funciona em parceria com entidades sociais.

O problema é a escassez de vagas. Para a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Temer, o ideal seria que o serviço estivesse em todas as 32 subprefeituras. Atualmente há seis unidades.

Especialista da USP em políticas públicas do envelhecimento, Marilia Louvison diz que a atenção ao idoso deve ser mais ampla.

Se houvesse mais calçadas acessíveis na cidade, os idosos teriam mais condições de se locomover e acessar equipamentos públicos já disponíveis.




EUA registram transmissão sexual do zika de mulher para homem

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


Os Estados Unidos registraram o primeiro caso em que o vírus da zika foi transmitido sexualmente de uma mulher para um homem.

O contrário, a transmissão de homem para mulher, já tinha sido apontado anteriormente também nos EUA e na Europa. Cientistas já haviam levantado ainda a possibilidade de o vírus da zika ser transmitido pelo sexo oral.

Os casos eram basicamente de homens que viajaram para áreas onde ocorre a transmissão pelo Aedes aegypti e depois voltaram para sua terra natal, onde não há sinal do mosquito, e levaram o vírus da zika às suas parceiras pela relação sexual.

A história agora é de uma mulher jovem de Nova York que viajou para um país onde há transmissão do zika -o CDC (Centro de Controle de Doenças) dos EUA não informou onde- e, na volta, fez sexo com seu parceiro sem preservativo.

Ela começou a sentir os sintomas da infecção do zika no dia seguinte; ele, apenas alguns dias depois.

Os dois se consultaram com o mesmo médico, que levantou a possibilidade da transmissão sexual já que o rapaz não sai dos EUA há mais de um ano.

O caso foi levado ao Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York, que entrevistou o casal. Os relatos eram consistentes e, pela sucessão dos eventos, a hipótese mais provável é que ela tenha passado o vírus ao rapaz.

Um estudo publicado no último dia 11 na revista médica inglesa "The Lancet Infectious Diseases" tinha descrito, pela primeira vez, o achado do vírus da zika no trato genital feminino. Ele já tinha sido encontrado na saliva, na urina, no sangue, sêmen, no leite materno e também no líquido amniótico.

O artigo conta o caso de uma mulher de 27 anos de Guadalupe, departamento ultramarino da França no Caribe e área oficial de transmissão do vírus.

Foram feitas coletas de material genital e do colo do útero da paciente, e todos deram positivo para o vírus. Onze dias depois do início dos sintomas as amostras de sangue e urina deram resultado negativo, mas o muco do colo do útero dela ainda dava sinais do vírus da zika.

"Já imaginávamos que isso seria possível [a mulher transmitir o vírus para o homem], ainda mais depois desse estudo, mas é importante que haja a descrição para confirmar a hipótese e fortalecer a ideia de que existe uma transmissão sexual do zika", diz Max Igor Banks, infectologista do HC da USP.

Para Paolo Zanotto, virologista da USP, o registro faz com que seja necessário reavaliar o papel da transmissão sexual na epidemia.

"O que estamos vendo é que o vírus da zika está persistindo por bastante tempo nas pessoas e, com isso, a questão sexual passa a ter um papel extremamente relevante na epidemia."

Segundo Zanotto, os casos de transmissão sexual do zika são mais facilmente identificáveis quando o casal mora em áreas sem o mosquito e um dos parceiros viaja para região de risco. No Brasil, diz, é mais difícil provar que esse foi o meio de transmissão porque os dois podem ter sido picados pelo mosquito.

O cientista, porém, afirma que um grupo de homens que têm zika no sêmen está sendo acompanhado na USP. "Vamos desenvolver estudos para entender a transmissão sexual no Brasil e ver se aqui ela é exceção ou um componente da epidemia."




Epidemia de Aids não está sob controle

16/07/2016 - Folha de S.Paulo


A população acredita que a epidemia de Aids já está sob controle.

Não está, segundo a Unaids, o programa da ONU de ajuda aos países para o combate à doença. Ela informa, em relatório apresentado nesta semana, que os números são preocupantes.

No Brasil, o número de pessoas vivendo com Aids aumentou 18% (de 700 mil para 830 mil pessoas).

Muitas pessoas imaginam haver cura para a doença.

Existe o tratamento, mas não a cura, segundo a Organização Mundial da Saúde.

As drogas antirretrovirais controlam a replicação viral e ajudam a prevenir a transmissão da doença. Fortalecem o sistema imunológico do paciente e recuperam a capacidade do organismo de lutar contra as infecções.

Estudos confirmam que uma pessoa portadora do HIV em tratamento com antirretrovirais reduz em 96% o risco de transmitir o vírus para um parceiro saudável.

Os avanços no tratamento e diagnóstico precoce do HIV nos últimos dez anos possivelmente contribuíram para que as pessoas passassem a dispensar os necessários cuidados nas relações de risco. Entre esses cuidados está o uso da camisinha, tanto pelo homem quanto pela mulher, no caso de o homem recusar-se a colocar o preservativo.

Um significativo avanço também observado nos últimos anos é a profilaxia após exposição ao HIV. O início do tratamento é indicado em até 72 horas, buscando prevenir a infecção.




Plano popular pode atrasar tratamentos

17/07/2016 - O Estado de S.Paulo


A proposta do ministro Ricardo Barros de criar planos de saúde populares com cobertura mais básica, divulgada há duas semanas, nem será capaz de aliviar a falta de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) nem vai acelerar o atendimento a pacientes com doenças mais complexas.

E ainda pode ter efeito contrário, de desorganizar o sistema e atrasar o início de alguns tratamentos. Essa é a visão de vários especialistas em saúde pública ouvidos pelo Estado e reforçada por dados do próprio ministério.

Segundo a pasta, o gasto com ações de atenção básica, como consultas em postos de saúde, representou, no ano passado, 13,7% do orçamento do ministério, enquanto as despesas com procedimentos de média e alta complexidade, como internações e cirurgias, consumiram 42,1%. “Não consigo entender isso como uma solução, pelo contrário, porque muito da alta complexidade quem banca e vai continuar bancando é o SUS.

Então a gente percebe que é uma medida que, do ponto de vista técnico, parece não ter justificativa e vai na contramão do que vem sendo feito pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que é evitar planos com baixa cobertura”, diz Walter Cintra Ferreira Junior, professor do curso de especialização em administração hospitalar e de sistemas de saúde da Fundação Getulio Vargas.

Para Claudia Travassos, pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o estímulo a planos de baixa cobertura não atenderá às necessidades de saúde da população nem trará economia para o ministério. “O SUS vai continuar arcando com o que é mais caro, portanto, precisando de mais dinheiro. Ou isso é uma ficção ou é uma forma de enganar as pessoas”, afirma.


DEMORA


Os especialistas dizem que os clientes que optarem por um plano de saúde com cobertura restrita poderão ter dificuldades caso precisem de atendimento mais complexo, como uma cirurgia ou um tratamento contra câncer.

“Pode atrasar o início do tratamento para alguns pacientes porque eles podem até conseguir a primeira consulta e o diagnóstico no plano, mas não conseguirão ter continuidade e terão de voltar no início do caminho no SUS, porque não conseguirão usar o encaminhamento do plano na rede pública”, diz Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos vice-presidentes da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

“Isso gera mais gastos, porque vai exigir a realização de novas consultas. Quebra com a organização de um cuidado mais sistêmico e parece que só vem atender aos interesses do setor privado de planos, porque não atende aos interesses nem da saúde nem do ministério nem da população”, diz Claudia.

Scheffer afirma que, mesmo hoje, com a regulação feita pela ANS, clientes de planos de saúde com cobertura básica já enfrentam dificuldades. “A gente já conhece esse plano de menor preço com rede credenciada reduzida.

Eles acabam criando obstáculos e barreiras para a assistência.

Essa medida de criar planos populares poderia piorar esse quadro.” A estudante Mayr Santos Teixeira, de 28 anos, foi uma das vítimas da demora na autorização de um tratamento oncológico por parte do plano. Em 2009, ela foi diagnosticada com leucemia aguda e foi avisada pelos médicos de que poderia morrer se não iniciasse a quimioterapia em dez dias. “Meu plano só foi aprovar o tratamento 20 dias depois.

Por sorte, tive a ajuda de uma médica para conseguir o tratamento pelo SUS e pude começar mais rápido. Acabei fazendo todas as sessões de químio na rede pública porque o plano dificultava demais. Mas tenho vários amigos que morreram no meio do caminho por não conseguir nem no plano nem no SUS”, conta.

“Acho que a política do ministério não deveria ser fragmentar mais o sistema, mas estruturar a rede básica e secundária do próprio SUS para dar a atenção de forma mais rápida”, diz Ferreira Junior.




‘Quem vai fazer a proposta é o mercado’

17/07/2016 - O Estado de S.Paulo


ENTREVISTA

Ricardo Barros, ministro da Saúde

‘Quem vai fazer a proposta é o mercado’

l Como a criação de planos populares afetaria o SUS? Quanto mais pessoas tiverem saúde suplementar, mais dinheiro teremos na saúde brasileira.

Só estou propondo flexibilização na regulação para que as empresas possam lançar no mercado planos com cobertura diferenciada e preços interessantes.

l No caso de um paciente que precisasse de tratamento mais complexo que não fosse coberto, como o oncológico, isso não o prejudicaria ou atrasaria o início do tratamento?

Se ele tiver um diagnóstico de câncer, vai procurar um encaminhamento da rede pública para fazer o tratamento. Ele não perdeu nada, só descobriu que tinha câncer mais cedo e terá mais chances de cura.

l Especialistas dizem que a proposta precisa ser detalhada...

Não tem como entender a proposta porque quem vai fazer a proposta é o mercado. A minha única proposta é botar mais dinheiro na saúde. Não vou definir o plano. Quem vai definir são os interesses de mercado. Não é meu papel desenvolver plano, saber qual é a cobertura, nada disso. / F.C.




Ministro diz que não incentivará alta de imposto para financiar Saúde

15/07/2016 - Valor Econômico / Site


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou nesta sexta-feira que não incentiva o governo a aumentar os impostos para o financiamento do setor.

“Eu não vou patrocinar, dentro do governo, uma tentativa de que a área da saúde seja o oásis e o resto seja o deserto, porque não vai funcionar", disse.

Segundo ele, o governo é um só. "E nós temos que conviver, disputando, dentro das prioridades do governo, a fatia da saúde”, afirmou Barros, que participou de debate com dirigentes de entidades médicas de todo o país na sede da Associação Médica Brasileira, em São Paulo.

De acordo com o ministro, o objetivo é “fazer mais com os mesmos recursos”, tomando medidas para reduzir o desperdício. Barros deu como exemplo o caso de centenas de unidades de pronto-atendimento (UPA) que foram concluídas e equipadas e estão fora de uso.

O ministro disse que a informatização da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) será a prioridade do governo, que, com isso, espera reduzir a corrupção. “A informação é inimiga da fraude. Com informatização, alguém vai perder uma boquinha com desvio de medicamentos, de insumos da saúde. Isso tudo vai acabar”, afirmou.

Com o sistema, que usará biometria, os usuários serão identificados pelo CPF, o que facilitará a compensação automática dos custos quando um cliente de plano de saúde usar o SUS. Os atendimentos a pessoas estrangeiras, que, a cada consulta, geram um novo número do SUS, também serão resolvidos com a informatização.

Barros disse também que o SUS precisa reduzir o desperdício com a realização de exames, já que 50% deles sequer são retirados pelos pacientes e 80% dão resultado normal. “Temos que mudar a cultura do brasileiro de que, se não sair com pedido de exame, não fez a consulta. Não temos dinheiro para ficar fazendo exames e dando medicamentos que não são necessários, só para satisfazer a pessoa que quer achar que foi bem atendida no posto de saúde.”

Para o ministro, a telemedicina, é alternativa para diminuir gastos com viagens de pacientes, que precisam se deslocar de cidades pequenas do interior para os grandes centros, onde é possível o diagnóstico. “As pessoas viajam demais para ter atendimento de saúde. A medicina tem que ir para perto das pessoas”, acrescentou.

Clipping de Notícias - 15/07/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 15/07/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Falta de remédios na rede pública afeta milhões de brasileiros

14/07/2016 - Jornal da Band


Um problema crônico que se repete em todo o país: a falta de remédios na rede pública de saúde. Em São Paulo, a defensoria pública não encontrou até mesmo medicamentos para problemas simples, como dores de cabeça. A situação é ainda mais dramática para quem tem doenças graves.

Eli Lilly quer dobrar operação no Brasil até 2020

15/07/2016 - Valor Econômico


Até 2020, a farmacêutica americana Eli Lilly pretende dobrar o tamanho da operação brasileira, em número de pacientes, e alcançar a liderança nos mercados mundial e doméstico de insulinas. Para tanto, manteve-se firme no caminho da inovação increnental e radical - ao contrário de muitas de suas pares, não está avaliando oportunidades de aquisição ou fusão para impulsionar o crescimento dos negócios - e pretende chegar a 2023 tendo lançado 20 medicamentos e 25 novas indicações para produtos já existentes.

Especificamente no mercado brasileiro, a Lilly quer chegar a cerca de 2 milhões de pacientes atendidos (frente a 1,1 milhão nos últimos 12 meses) e lançar entre dois e três produtos por ano ao longo dos próximos cinco anos. Nesse intervalo, diz ao Valor o presidente da farmacêutica no Brasil, Julio Gay-Ger, a maior oportunidade de lançamento de produtos da nova onda de inovação da farmacêutica está no país.

"Depois da China, o Brasil é o mercado mais relevante entre os emergentes", diz. Presente em mais de 120 países, a companhia classifica como emergentes todos os mercados fora da Europa, Estados Unidos e Japão.

Sob a ótica da farmacêutica, o pipeline atual é um dos mais ricos de sua história, com sete medicamentos na terceira e última fase de desenvolvimento, 12 em fase dois de pesquisas e mais 19 na primeira fase. Em média, cada nova molécula consome entre US$ 800 milhões e US$ 1,3 bilhão enquanto é desenvolvida e pode levar 15 anos para chegar ao mercado.

"A Lilly é a 11ª ou 12ª maior do mundo com uma clara estratégia de investimento em inovação", ressalta o executivo. No ano passado, teve vendas líquidas de cerca de US$ 20 bilhões - mais da metade nos Estados Unidos, incluindo Porto Rico -, com lucro líquido de US$ 2,5 bilhões e US$ 4,8 bilhões aplicados em pesquisa. Parcerias com outras grandes farmacêuticas também fazem parte da tática da companhia, que em 2011, por exemplo, anunciou uma aliança com a alemã Boehringer Ingelheim na área de diabetes.

O Brasil já começou a receber medicamentos inovadores da nova safra de lançamentos. O primeiro foi o Cyramza (ramicirumabe), um anticorpo monoclonal indicado para o tratamento de câncer gástrico, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro deste ano. O segundo deve ser o Trulicity (dulaglutida), para controle glicêmico em pacientes com diabetes 2 e de uso semanal.

A área de diabetes é justamente um dos principais focos de atenção da farmacêutica, que está trabalhando para ter um portfólio completo de produtos. Um dos principais lançamentos, nesse sentido, é uma insulina análoga basal, que deve chegar ao país nos próximos anos. Hoje, a Lilly tem forte presença nas vendas de insulinas humanas no país, com liderança no Programa Farmácia Popular, e em insulinas análogas pós-refeição. "Seremos a primeira companhia com presença em todas as etapas. Essa é nossa estratégia para a liderança", conta.

Outra área de foco da companhia, oncologia concentra hoje cerca de 40% do pipeline de novos medicamentos. Em imuno-oncologia, a farmacêutica terá cinco moléculas em testes clínicos ainda em 2016 e até 11 ao fim de 2018. Neste momento, o Brasil participa de testes clínicos para uso do Cyramza em outros tipos de tumores e terá presença crescente nas pesquisas conduzidas pela multinacional, que realiza ensaios desde 1995 no país, com mais de 200 estudos desenvolvidos.

A chegada de novos medicamentos ao mercado doméstico e a expansão das vendas levaram à necessidade de novos investimentos na fábrica do Brooklin, bairro da zona sul de São Paulo. Neste momento, conta Gay-Ger, a Lilly está aplicando R$ 15 milhões em sua unidade fabril, sobretudo na área de embalagens.

Hoje, são produzidos no país o antipressivo Prozac, o Zyprexa (para esquizofrenia), o Cialis (disfunção erétil) e o Evista (para prevenção e tratamento da osteoporose). Os demais produtos são embalados no país. "Com mais pesquisa clínica, a Lilly trará mais lançamentos e isso deve gerar novos investimentos em manufatura", afirma.




CVS entra em conflito com ex-donos da rede Onofre.

15/07/2016 - Valor Econômico


Quando a CVS Health, o maior grupo de varejo farmacêutico e serviços dos Estados Unidos, entrou no país comprando a rede Onofre, da família Arede, em 2013, era a estreia da companhia em aquisições no mundo. Nunca a CVS havia decidido investir em outro mercado, além do americano, e o país serviria como espécie de praça teste para a empresa, com 9,6 mil farmácias e US$ 160 bilhões em vendas. Agora, três anos depois, o primeiro passo não saiu como planejado, segundo fontes ouvidas pelo Valor.

Nos bastidores que envolvem os primeiros anos de operação no Brasil, o aspecto central são os desentendimentos com Marcos e Ricardo Arede, netos do fundador Arlindo Arede, ambos ex-sócios da empresa e atualmente no conselho de administração da Onofre. A situação chegou a tal ponto que, no início do ano, como apurou o Valor, a CVS decidiu notificar Marcos e Ricardo sobre a abertura de um procedimento contra eles em Tribunal de Justiça Arbitral, como definido em estatuto da rede em caso de discordâncias entre as partes. Semanas antes, os irmãos já haviam notificado a intenção de abertura de procedimento contra a CVS. As ações devem ser unificadas e correm sob sigilo.

Segundo apurou o Valor, a CVS deve alegar, por exemplo, o não atendimento a determinadas leis trabalhistas. Devido à regularização de pagamento de bônus a parte dos empregados, posterior à compra, as despesas com folha de pagamentos cresceram, e isso não teria sido estimado na época da transação. O processo ainda deve tratar da existência de dívidas fiscais que teriam superado um "teto" previsto entre as partes. A CVS calcula que o desconto na compra da Onofre seria de pouco mais de R$ 100 milhões, de uma transação de cerca de R$ 600 milhões.

Já no procedimento dos ex-donos contra a CVS, o Valor apurou que a alegação é de que há pagamentos a receber da empresa americana, atrelados a créditos fiscais liquidados pela Onofre. Se esses créditos não fossem validados, eles receberiam menos, o que teria acontecido. Os Arede entendem que dados das secretarias estaduais da fazenda mostram que os créditos têm sido aprovados. Segundo fonte, os irmãos calculam que, por causa das diferenças pagas, teriam a receber até R$ 50 milhões do grupo americano.

A respeito dos procedimentos arbitrais, CVS e os ex-sócios não comentaram o assunto.

Dias atrás, começaram a circular informações no mercado sobre a hipótese até de a CVS decidir vender a Onofre no Brasil e deixar o país, algo que o controlador nega para fontes mais próximas.

A questão central é que a Onofre tem dado mais trabalho do que o previsto pelos novos donos. Para alguns interlocutores, parte dos problemas está no fato de a CVS não ter concluído a fase de "due dilligence", processo de investigação e auditoria nos números, quando adquiriu a Onofre. Fontes próximas aos Arede dizem que as diligências foram concluídas antes da compra e que foi dado prazo de 180 dias, posterior à assinatura do contrato, dando direito de a CVS rever valores, se alguma alegação fosse considerada válida.

Em meio à falta de sintonia entre as partes, um conselho de administração foi criado pela CVS para que fossem colocados como membros Marcos e Ricardo, - que têm o cargo, mas segundo fontes, o colegiado que não funciona regularmente. Os ex-sócios e o comando da CVS praticamente não tem contato e as relações são protocolares. Pouco antes da criação do conselho, em 2014, a CVS definiu uma mudança no comando da rede, com a promoção de Mario Ramos, homem de confiança da CVS, da diretoria financeira para a presidência.

Os ex-sócios deixaram a diretoria, num período em que boa parte do comando era ligado aos dois irmãos. Trocas de executivos em postos estratégicos foram feitas e uma equipe foi montada por Ramos com o aval da CVS. Uma mudança referiu-se a participação dos genéricos nas vendas, que caiu após a venda da Onofre, decisão estratégica oposta à defendida pelos antigos donos.

Quando entrou no Brasil, em 2013, a CVS adquiriu um negócio com dólar mais barato do que a cotação atual, e num período de ativos mais caros - com múltiplos entre 15 a 20 vezes o lucro antes de juros impostos, amortização e depreciação, segundo cálculos da época. Desde o ano passado, as negociações não saem por mais de 12 vezes. Teve que se inteirar da operação (num país com modelo de drogarias bem diferente do americano), mudar o comando e investir no negócio. A matriz teria feito alguns aumentos de capital na rede desde que adquiriu a operação.

Foram descartadas pelos controladores americanos, inclusive, movimentações de novas compras no país a curto prazo - a empresa chegou a ter algum interesse na Drogarias Pacheco São Paulo - em parte porque a prioridade era resolver os problemas no Brasil.

Em 2016, após quase dois anos de fechamento de lojas pequenas e deficitárias, e resultados afetados por despesas mais altas, há uma expectativa que empresa consiga crescer algo entre 15% a 20% em 2016 e atinja receita bruta de cerca de R$ 450 milhões, segundo fontes do mercado. São 47 lojas hoje, foram seis aberturas em 2016 e outras três devem ser abertas no ano. Quando foi vendida à CVS, a rede faturava também cerca de R$ 450 milhões, com 44 lojas. A empresa começou a abrir neste ano as primeiras lojas que passam a receber o logotipo que traz a cruz vermelha em formato arredondado, que remete ao coração usado pela CVS Health lá fora.




Estudo indica fim de epidemia em 3 anos

15/07/2016 - Folha de S.Paulo


Um estudo publicado na edição da revista “Science” desta quinta (14) diz que a epidemia de zika pode estar a caminho do fim e acabar de vez em três anos.

Os resultados se baseiam nos dados até o momento obtidos de transmissibilidade e de ciclo da doença —o período de infecção dura cerca de 11 dias e pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma.

O fato de muita gente pegar a doença, que pode ser transmitida também por via sexual e transfusão sanguínea, além da picada de mosquitos aedes, pode favorecer o aparecimento do fenômeno “imunidade de rebanho”.

Na Polinésia Francesa, por exemplo, que teve um surto do vírus entre 2013 e 2014, estima-se que 66% da população tenha sido infectada.

Com boa parte das pessoas apresentando anticorpos anti zika (e é possível que qualquer brasileiro tenha tido a doença), essa imunidade de rebanho funcionaria como um escudo, dificultando que mesmo pessoas que nunca tiveram o vírus o adquiram.

Este argumento é o mesmo explorado por algumas pessoas de movimentos anti vacina, comuns nos EUA mas que também existem no Brasil. O problema é que,além de sempre haver algum risco de contágio,quando muitas pessoas confiam apenas na imunidade do rebanho, abrindo mão da própria proteção, as infecções podem encontrar caminhos e se restabelecerem.

O esperado é que a próxima grande epidemia do vírus da zika ocorra em dez anos, por causa da nova geração de pessoas que vai nascer eque ainda não estarão imunizadas contra o vírus.

Para reverter esse cenário, uma possibilidade é o uso de vacinas anti zika, ainda em desenvolvimento. Com a pressão resultante do surgimento de casos de microcefalia e outra más-formações em fetos de mães que tiveram zika, é bastante provável que nos próximos anos —ou seja, antes da provável próxima grande epidemia—as vacinas já estejam disponíveis.

Por outro lado, os autores do trabalho desta cama imprevisibilidade do surto—mesmo tratando-se de um vírus conhecido há 70 anos.

Um destes fatores de imprevisibilidade pode ser o fenômeno El Niño, que bagunça o clima no mundo,aumentando,por exemplo,a temperatura e a quantidade de chuvas na porção sul da América do Sul.

“A escalada do vírus da zika após longo período como uma doença de aparente pequena importância mostra quão pouco nós realmente entendemos sobre a distribuição global de flavivírus [família de vírus que abrange os vírus da zika e da dengue] e outras doenças transmitidas por vetores”, escrevem os autores.

As chances de permanência (endemia) da zika dependem também da capacidade de o vírus sobreviver em animais que não o homem —estudos brasileiros em macacos mostraram que esse ciclo silvestre é factível no país.

Mesmo com a dificuldade de prever pandemias, os autores dizem que é possível melhorar a velocidade para detectar doenças e dar uma resposta a elas.




Combinado de drogas e álcool pode ser fatal para o coração

14/07/2016 - G1 - Jornal Hoje


Estudo do Instituto Dante Pazanezze, em São Paulo, referência no tratamento de doenças cardíacas, mostrou que o uso combinado de drogas e álcool pode ser fatal para o coração, principalmente de pessoas jovens. Cardiologistas estudaram os casos de infartos em pessoas com menos de 40 anos e descobriram que 25% deles estão ligados ao consumo de cocaína.

Hoje o vendedor Anderson Lima malha, prefere comidas saudáveis, bebe pouco. Tudo ao contrário do que fazia há quatro anos: “Eu fazia bastante combinação com vodca, com uísque, com bebida destilada, cocaína. Eu cheguei, em alguns momentos, a usar lança-perfume também e tive alguns episódios de arritmia cardíaca, problema com pressão arterial”.

Ele foi ao médico e ouviu que, se não mudasse de vida, ia acabar morrendo cedo. “O médico me encaminhou para o cardiologista, mediu minha pressão e deu 19 por 8”, relata.

Anderson provavelmente foi salvo pela informação do médico. Se ele não tivesse ido àquela consulta e não tivesse mudado o estilo de vida, a chance de ele ter um infarto fulminante seria muito grande.

Os médicos do Instituto Dante Pazanezze analisaram mais de 400 casos de pacientes com menos de 40 anos, que deram entrada no hospital com infarto, nos últimos cinco anos. Um em cada quatro usava cocaína.

As coronárias levam sangue para o músculo do coração funcionar. Um infarto provocado pelo acúmulo de gordura na parede da artéria é um processo que leva décadas. Mas em quem usa cocaína, pode acontecer em meses. A droga provoca uma inflamação na parede da coronária. Ela incha e estrangula a passagem do sangue.

O perigo aumenta quando cocaína e álcool são usados ao mesmo tempo. A combinação gera uma substância chamada de cocaetileno, que acelera o processo de inflamação. O jovem não imagina que possa ter um problema no coração e, normalmente, a crise acontece logo depois de usar a droga.

“Ele não está alerta para os sinais que o organismo manda e que está sofrendo um infarto. E esse atraso pode ser fatal”, explica Ibraim Masciarelli, presidente da Sociedade de Cardiologia de São Paulo.

“Eu tinha visão turva, arritmia cardíaca, tontura, problema com pressão arterial, muita dor de cabeça, pressão alta e às vezes uma queda de pressão, sensação de desmaio, náusea”, conta Anderson.

Ibraim faz um aleta: “É importante que, diante da suspeita ou de sintomas que possam sugerir problemas cardíacos, esse jovem procure uma assistência médica o mais rapidamente possível para tentar evitar a progressão do infarto”.




Inteligência e monitoramento: até onde a indústria farmacêutica pode chegar em 2016?

14/07/2016 - Portal Exame


Na contramão da crise econômica no Brasil, o setor farmacêutico ganha fôlego e continua crescendo, as previsões apontam para uma receita na casa dos US$ 48 bilhões até 2020. Para se ter uma noção de proporcionalidade, a IMS divulgou que em 2015 houve um aumento de 12% em relação ao ano anterior e um lucro total de R$ 40 bilhões na indústria.

Com um mercado tão rico e cheio de perspectivas de crescimento, parece até fácil de obter sucesso, mas na verdade é o oposto disso! A alta do dólar tem freado um pouco as produções de alguns medicamentos, evitando assim a entrada de novos laboratórios no país, porém, o crescimento do poder aquisitivo dos mercados emergentes, que inclui o Brasil, vinculado ao envelhecimento da população, faz do Brasil uma praça com enorme potencial ainda a ser catequizada pelas marcas. De acordo com o Multifarmas (empresa de big data que oferece dahsboards e relatórios para a indústria e varejo farmacêutico), a expectativa é que o mercado continue agitado, tanto é que o ticket médio subiu 13% e as vendas seguem a mesma proporção.

David Almeida, sócio-fundador do Multifarmas, comentou sobre sua ferramenta e como ela pode ajudar as equipes na indústria. "A busca por uma gestão eficiente envolve atenção às tendências e uma análise detalhada do desempenho de seus produtos e de seus concorrentes no varejo, um ponto sabidamente importante, mas que hoje tem uma enorme dificuldade em ser acompanhado, é em relação as SKU"s que se encontram em ruptura. Essa indisponibilidade tem gerado perdas de aproximadamente R$ 2 bilhões no faturamento anual. Com a nossa ferramenta, este acompanhamento se torna dinâmico e em tempo real."

Hoje o Brasil ocupa a 7ª posição entre os países que mais consomem medicamentos e cosméticos no mundo. Se analisarmos somente o mercado nacional, o segmento de medicamentos e cosméticos já é o primeiro em número de vendas pela internet, ultrapassando as categorias de eletrodomésticos, telefonia e moda. Os insights corretos, fornecidos pela ferramenta, alinhados a um bom planejamento, fazem com que esforços sejam aplicados onde há demandas com grande oportunidade, com isso, um aumento considerável no market share pode ser esperado.

No mundo dos negócios, informação é a base do sucesso, no farmacêutico isso não poderia ser diferente. Controlar seu portfólio e extrair oportunidades baseadas em tendências de compra, monitoramento de positivação e preço da concorrência, são fatores determinantes para configurar ações competitivas e aumentar seu fluxo de vendas. Para quem deseja colher frutos ainda em 2016 não pode deixar de lado as ferramentas de big data com informações em tempo real, para assim desenvolver um bom planejamento de marketing e logístico.

Uma visão ampla de seu portfólio e de seus concorrentes trará benefícios vitais quando o assunto é competitividade. Hoje em dia, podemos considerar como pré-requisito (indispensável) avaliar a precificação e a disponibilidade dos produtos. Com base em informações tão simples como estas, é possível fomentar estratégias complexas para ganhar pontos com o seu consumidor.

Obesidade pode reduzir em até dez anos a expectativa de vida

15/07/2016 - O Globo


Estar acima do peso diminui em cerca de um ano a expectativa de vida, que pode ser reduzida em até dez anos nos casos de obesidade severa. A conclusão é de um dos maiores estudos já realizados sobre o tema, publicado ontem na revista médica “The Lancet”.

A pesquisa refuta estudos anteriores que concluíram que alguns quilos extras não faziam mal à saúde. Em vez disso, o novo estudo revelou evidências de que o risco de morrer antes dos 70 anos aumenta, “de forma gradual e acentuada”, conforme a cintura se expande.

— Esse estudo mostra, definitivamente, que o excesso de peso e a obesidade estão associados a um risco de morte prematura — disse à AFP a professora e líder da pesquisa, Emanuele Di Angelantonio, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Usando dados de quase quatro milhões de adultos de quatro continentes, o estudo descobriu que as pessoas com excesso de peso perdem em média um ano de expectativa de vida, e as pessoas “moderadamente obesas” perdem cerca de três anos. Todos os riscos de doença cardíaca coronária, acidente vascular cerebral, doenças respiratórias e câncer aumentam, segundo a pesquisadora, e “pessoas severamente obesas perdem cerca de 10 anos da expectativa de vida”, diz ela.

Uma equipe internacional de pesquisadores selecionou dados a partir de mais de 10,6 milhões de participantes de 239 grandes estudos realizados entre 1970 e 2015 em 32 países na América do Norte, Europa, Austrália, Nova Zelândia e no Leste e Sul da Ásia. O trabalho foi considerado o maior conjunto de dados sobre excesso de peso e mortalidade já reunido.

Para descartar o impacto de outros riscos de mortalidade, a equipe excluiu fumantes e exfumantes, portadores de doenças crônicas e pessoas que morreram nos primeiros cinco anos das pesquisas — e ficaram com uma amostra de 3,9 milhões de adultos.


RISCO DE MORTE 10,5% MAIOR


A equipe dividiu a amostra em categorias de acordo com seu Índice de Massa Corporal (IMC, peso dividido pelo quadrado da altura) e comparou os números e as causas de morte em cada grupo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um IMC de 18,5 a 24,9 é considerado normal; de 25 a 29,9 excesso de peso; de 30 a 34,9 obesidade moderada; de 35 a 39,9 obesidade severa; e acima de 40, obesidade mórbida.

Os pesquisadores descobriram que o risco de morrer antes dos 70 anos aumentou de 19% em homens com peso normal para 29,5% em homens moderadamente obesos. Entre as mulheres, esse risco aumentou de 11% para 14,6%. “Isso corresponde a um aumento absoluto de 10,5%, para os homens, e 3,6%, para as mulheres”, contextualiza um comunicado da revista “The Lancet”.

Se todas as pessoas com sobrepeso e obesidade tivessem níveis normais de IMC, isso evitaria uma em cada cinco mortes prematuras na América do Norte, uma em cada seis na Austrália e na Nova Zelândia, uma em cada sete na Europa e uma em cada 20 no Leste da Ásia, concluiu o estudo.

Em 2014, pela OMS, mais de 1,9 milhão de adultos em todo o mundo estavam acima do peso. Desses, mais de 600 milhões eram obesos.




Zika e dengue podem ter interação perigosa

15/07/2016 - Folha de S.Paulo


Quando se encontram, os vírus da dengue e da zika interagem de maneira perigosa, mostra novo estudo da revista “Science” que fez testes in vitro e em roedores. Os resultados apontam que quem já teve zika pode ter uma infecção de dengue pior que o esperado.

Trata-se do efeito conhecido como potencialização dependente de anticorpos (anti body-dependentnhancement, ou ADE): anticorpos, em vez de neutralizar e promover a aniquilação de um vírus, acabam se ligando a ele de uma forma “frouxa”, permitindo que ele se reproduza sem dificuldades no interior de células do organismo.

Esse fenômeno biológico vem sendo estudado jáhá algum tempo e é uma das explicações mais plausíveis para o aparecimento das febres hemorrágicas em uma segunda (ou terceira ou quarta)infecção pelo vírus da dengue.

Quatro é o número limite de infecções por um motivo: só há quatro subtipos do vírus da dengue (DENV1 a DENV4).Geralmente, há uma predominância de um em cada epidemia, o que não impede que os demais também circulem na mesma época.

A esse notório quarteto de vírus, juntou-se o vírus da zika(ou ZIKV)—até pouco tempo atrás restrito à África e à Ásia. Só há um subtipo dele e ainda não se sabe exatamente como ele entra nessa ciranda dos flavivírus relevantes para a saúde pública Para entender melhor essa interação, pesquisadores de diversos países estudaram 119 tipos de anticorpo de quatro doadores infectados pelo vírus da zika —dois deles haviam pegado dengue também.

Boa parte dos anticorpos (41) atacou uma proteína não estrutural (chamada NS1)que é produzida por células infectadas pelo vírus da zika enquanto ele tenta driblar o sistema imune. A NS1 funciona como “bomba de fumaça”, enganando o organismo enquanto o vírus se multiplica.

Anticorpos contra essa proteína podem ser úteis em testes diagnósticos que diferenciem dengue de zika. O organismo também produziu anticorpos contra a proteína E, que forma a cápsula de proteína que envolve o vírus.

Em testes in vitro, os cientistas viram que o plasma (fração do sangue onde estão os anticorpos) de pacientes que já foram infectados pelo DENV3 ou pelo ZIKV potencializou a ação do DENV1. Esse seria um indício de que uma infecção prévia poderia significar um risco de uma doença mais severa.

Estudos anteriores já haviam feito testes semelhantes e alertado para essa possibilidade.

Desta vez, no entanto, os pesquisadores deram um passo a mais no quesito complexidade ao fazer testes em roedores.

Anticorpos de alto poder de neutralização (particularmente eficazes em se ligar aos vírus), tanto anti zika quanto antidengue, acabaram piorando a doença causada pelo DENV2 nos bichos —que morreram após cinco dias.


VACINA


A caracterização do efeito de potencialização dependente de anticorpos (ADE)representa mais um obstáculo para os fabricantes de vacinas contra dengue e zika.

Ao deixar um “buraco” na imunidade contra a zika,uma vacina contra os quatro vírus da dengue poderia deixar os imunizados mais predispostos a casos graves de zika, ligada a casos de microcefalia e outras más-formações em bebês, além da síndrome paralisante de Guillain-Barré.

Para Jorge Kalil, professor titular da USP e diretor do Instituto Butantan,o risco dessa potencialização existe, mas isso não invalida a busca da vacina contra a dengue, que está em fase final de estudos no órgão.“Dengue mata muito mais que zika”, diz.

Ele faz a ressalva de que ainda não há estudos que comprovem que esse efeito em humanos. “O raciocínio é lógico, mas, em biologia, tudo tem que ser demonstrado.” Segundo Kalil, a vacina contra a dengue poderia minimizar o risco de uma pessoa, já infectada com o zika, morrer por causa de uma infecção por dengue.

A menor gravidade da infecção por zika justificaria, segundo Kalil,imunizar imediatamente a população contra a dengue assim que houver vacina disponível. “Temos que pensar no nível da saúde pública para saber quem tem risco de ter dengue e quem se beneficiaria mais dessa vacina”, afirma Kalil.

O professor diz ainda que o desenvolvimento das vacinas no país está atrasado por causa da redução de verbas federais. “É muita burocracia para se obter o dinheiro em uma situação de emergência, e sem dinheiro a gente não consegue fazer nada.” A Sanofi Pasteur, empresa que está produzindo a primeira vacina contra a dengue aprovada no país, diz estar preparada para prosseguir com as análises da possível potencialização dos efeitos dos vírus em estudos que serão feitos após a venda da vacina, baseados em relatos.




Decisão de Lewandowski pode elevar em R$ 2 bi gasto da Farmácia Popular

14/07/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Uma decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, pode aumentar em R$ 2,1 bilhões por ano gastos do Programa Farmácia Popular.

O ministro manteve nesta quinta-feira (14) uma determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que autorizou a inclusão de pessoas com deficiência como beneficiárias do programa e estabeleceu que lhes fossem fornecidas fraldas.

O pedido para ampliar o programa foi feito pelo o Ministério Público Federal que ajuizou ação civil pública contra a União, o Estado de Minas Gerais e o Município de Uberlândia (MG).

O MPF argumenta que a lei prevê "a inclusão social das pessoas portadoras de necessidades especiais ao sistema público de saúde, visando dar eficácia plena aos comandos da Constituição, que garante a todos o acesso à saúde, devendo o Estado, em casos que tais, efetivar esse direito sem qualquer discriminação".

Ao Supremo, o governo argumentou que há dificuldades orçamentárias para cumprir a decisão, uma vez que o orçamento total do programa neste ano é de R$ 2,6 bilhões.

"O orçamento previsto não possibilita, de imediato, a inclusão de novos produtos e nem de novos grupos de beneficiários, sem que haja um estudo de viabilidade de implementação, envolvendo estudos de dotação orçamentária, quantificação do público alvo e adequação do sistema de vendas do programa, o que não é possível de ser feito em poucos dias", justificou o governo.

O presidente do STF disse, no entanto, que o governo não conseguiu comprovar "a ocorrência de grave lesão à ordem e à economia públicas, a autorizar o deferimento do pedido de suspensão, que, de outra banda, teria o condão de aniquilar direitos garantidos pela Carta Constitucional. "

O ministro ressaltou a importância da assistência. "Penso que está em jogo a proteção das pessoas com deficiência que necessitam do auxílio do Estado para garantir o pleno exercício do seu direito à saúde.

E entendo que a essas o Estado não deve faltar. Os entes federados, responsáveis solidários na assistência à saúde, deverão cumprir o seu múnus [tarefa] constitucional de garantir plenamente o direito à saúde mediante políticas efetivas, tomando por norte a Constituição Federal e as leis do país", disse.




Pesquisa: risco de zika nos Jogos é pequeno

15/07/2016 - O Globo


A epidemia de zika já alcançou o período de pico e agora começa a perder força na América Latina, afirma uma análise publicada hoje na revista americana “Science”. O estudo reforça a tese de que o risco de contrair zika durante a Olimpíada do Rio é pequeno.

Uma outra pesquisa, do Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), acrescenta que, para a maioria dos visitantes, viajar para o Rio não traz risco extra porque o vírus está amplamente disseminado pelo mundo. Um boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado ontem informa que o zika está presente em 65 países e territórios.

Segundo o CDC, somente viajantes de Djibouti, Iêmen, Chade e Eritreia correriam maior risco de contrair zika durante a Rio-2016 e levar a doença para seus países de origem. Isso porque os quatro países não registram grande fluxo de visitantes, mas têm o mosquito transmissor e uma população sem imunidade.

O virologista Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, o único brasileiro no comitê de emergência sobre zika da OMS, observa que os estudos da “Science” não significam que o Brasil está livre da doença. Muito pelo contrário. O zika está amplamente disseminado e continua a ser um dos maiores problemas de saúde pública. Porém, devido à redução da temperatura no inverno, que inibe o mosquito, e ao fato de muita gente já ter sido infectada — e, portanto, em tese, estar menos vulnerável —, a atual epidemia perdeu força.

— O alívio é temporário. O número de casos deverá voltar a crescer no verão. Doenças transmitidas por mosquitos são muito influenciadas pela temperatura e pelas chuvas — explica Vasconcelos, que é considerado um dos maiores especialistas do mundo em arbovírus (aqueles transmitidos por artrópodes como os insetos) e dirige o Instituto Evandro Chagas, em Ananindeua, no Pará.

Ele observa que as pesquisas da “Science” se referem principalmente ao Nordeste brasileiro, onde foram registrados cerca de 80% dos casos de infecção no país, além da maioria esmagadora dos casos de microcefalia e outros distúrbios neurológicos. O Nordeste tem 1.446 dos 1.687 casos com associação ao zika confirmados pelo Ministério da Saúde.

— Foi no Nordeste que a epidemia explodiu no Brasil. E lá as condições de pico da epidemia, como a existência de uma grande população nunca exposta antes ao vírus e, por isso, vulnerável, não devem se repetir com a mesma intensidade da observada em 2015 e 2016 — diz Vasconcelos.


RIO PODERÁ TER EPIDEMIA


Mas o cientista faz um alerta especial para o Rio:

— Estados onde o número de casos não foi expressivo, mas têm infestação pelo Aedes aegypti, como Rio de Janeiro e São Paulo e os das regiões Norte e Centro-Oeste, não estão livres de uma grande epidemia. Isso depende, claro, de outros fatores, como a temperatura e o volume de chuvas. Mas, se o Nordeste dificilmente verá uma epidemia tão avassaladora nos próximos anos, o mesmo não pode ser dito de outras regiões do país.

De acordo com o especialista, um dos casos mais complexos é o do Estado do Rio:

— Não se sabe muito bem como o zika se comporta no Rio. Esperavam-se muitos casos, mas quem causou surpresa foi o chicungunha.

Um dos estudos publicados na “Science”, liderado por Neil Ferguson, do Imperial College London, além de estimar que a epidemia na América Latina está em declínio, prevê que a região não deverá sofrer outra tão grave antes de aproximadamente dez anos.

— Essa previsão leva em conta o tamanho da população feminina em idade fértil e nunca exposta ao zika. Mas, se pensarmos somente em população sem imunidade, podemos dizer que esse prazo é de três a quatro anos para Nordeste, Colômbia e Venezuela, todos muito atingidos pela atual epidemia. Rio de Janeiro, São Paulo e o Norte do Brasil têm situação mais incerta — salienta.

O fato de o Nordeste ter sofrido a maior parte do impacto do zika ainda é um mistério.

— Uma possibilidade é genética. Pode ser que exista alguma variante genética que confira resistência ou vulnerabilidade a algumas populações. Mas é só uma hipótese que ainda precisa ser investigada — comenta o pesquisador.

Outra hipótese é que os anticorpos contra o dengue influenciem a resposta ao zika. Ela é discutida tanto pelo grupo de Ferguson quanto pelos autores da outra pesquisa, coordenada por Justin Lessler, da Universidade Johns Hopkins (EUA). Os sinais aí, porém, são contraditórios. Algumas pessoas poderiam se tornar mais vulneráveis a casos agressivos. Já outras ficariam protegidas.

Ponto pacífico é que o combate ao mosquito tem fracassado e é apenas paliativo. Lessler destaca que nenhum país teve sucesso em controlar o Aedes aegypti. E nem há sinais de que isso acontecerá.

— Enquanto o Brasil sofrer com a falta de saneamento, é impossível pensar na erradicação do mosquito. Eficiente mesmo é a vacina. É a única prevenção eficaz contra epidemias — diz Vasconcelos, cujo grupo é um dos 18 no mundo que trabalham no desenvolvimento de um imunizante.


NÚMERO DE NOTIFICAÇÕES DESPENCA


A 21 dias da Olimpíada, os casos suspeitos de zika caíram 93,4% no município do Rio em relação a janeiro deste ano, quando a cidade viveu um surto da doença. A circulação do vírus, que pode estar relacionado a casos de microcefalia, é um dos principais temores de atletas estrangeiros que virão para os Jogos. Houve ainda queda das notificações de dengue e chicungunha, cujos vírus também são transmitidos pelo Aedes aegypti.

Em janeiro, foram notificados 7.747 casos suspeitos de zika. Em junho, o total chegou a 510. Já o número de casos de dengue passou de 8.671 em abril para 671 no mês passado. No caso do chicungunha, as notificações caíram de 1.074 em março (período de pico) para 660 em junho.




Minha Casa: microcefalia terá prioridade

15/07/2016 - O Estado de S.Paulo


Famílias com pessoas com microcefalia passarão a ter prioridade na obtenção de um imóvel do Minha Casa Minha Vida. A decisão foi anunciada ontem pelo presidente em exercício, Michel Temer, após reunião de trabalho do núcleo social, composto pelos ministérios da Casa Civil, Cidades, Esporte, Cultura, Educação, Desenvolvimento Social e Agrário e Saúde.

Temer disse que a divulgação da medida era importante para que as famílias agora pudessem passar a procurar as prefeituras e fazer o cadastro para recebimento da moradia pelo programa federal.

Para rebater as críticas da presidente afastada, Dilma Rousseff, de que seu governo quer extinguir os programas sociais, Temer afirmou que, além de mantê-los, sua equipe está trabalhando para aprimorá-los.

Presente na cerimônia, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, informou que a prioridade para famílias com membros com microcefalia estará dentro da faixa 1 do programa. “Temos 200 mil unidades que ainda não foram entregues e não têm destinatários”, afirmou, explicando que este será o universo no qual essas famílias terão prioridade. “Pelo número de unidades disponíveis, há garantia de atendimento a essas famílias”, completou.

Segundo o ministro, atualmente o Brasil tem 8.450 casos notificados da má-formação, sendo 1.687 já com diagnósticos confirmados. Bebês com microcefalia de famílias de baixa renda já têm direito ao benefício de prestação continuada, no valor de um salário mínimo (R$ 880).


ZIKA


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que todas as crianças com microcefalia, independentemente de terem contraído a síndrome por causa do vírus zika, serão dispensadas do sorteio das unidades habitacionais. “A microcefalia pode ter outras causas que não especificamente a zika, todas as crianças com microcefalia estarão dispensadas do sorteio”, disse o ministro.

“Quando você vai destinar as habitações do programa Minha Casa Minha Vida é feito um sorteio entre as pessoas que têm a renda e o cadastro adequado para aquele empreendimento. No caso da microcefalia estão dispensadas do sorteio, portanto, automaticamente atendidas e o sorteio fica para as demais pessoas”, acrescentou Barros.

Questionado se haveria alguma restrição de idade e se apenas os bebês que nasceram recentemente com a doença seriam atendidos, Barros afirmou que não há esse tipo de determinação.

“Não está diferenciada a idade”, disse.




Combater o ‘Aedes’ pode prolongar surto de zika, diz estudo

15/07/2016 - O Estado de S.Paulo


De acordo com um artigo publicado ontem na revista Science por cientistas britânicos, a epidemia de zika na América Latina desaparecerá sozinha dentro de no máximo três anos.

Mas a estratégia de combater o Aedes aegypti, transmissor do vírus, pode ter efeito contrário ao esperado, prolongando o surto.

De acordo com o líder do estudo, Neil Ferguson, do Imperial College London (Reino Unido), a explicação para o fim da epidemia é o fato de que as pessoas ficam imunes ao vírus após a primeira infecção. Isso produz um fenômeno conhecido como “imunidade de rebanho”: cada vez mais gente produz anticorpos e a epidemia atinge um estágio no qual o número de pessoas suscetíveis à infecção é tão pequeno que a transmissão não se sustenta em larga escala.

“Nossa análise sugere que não é possível conter o avanço da zika com as medidas existentes, mas a epidemia vai acabar sozinha em dois ou três anos”, disse Ferguson. Segundo ele, combater o mosquito em larga escala, como os governos estão fazendo, pode ser uma má estratégia.

“Retardar a transmissão entre as pessoas faz com que a população leve mais tempo para atingir o nível de ‘imunidade de rebanho’ necessário para que a epidemia cesse”, disse.

Segundo Ferguson, se as projeções estiverem certas, os casos de zika já terão redução substancial no fim de 2017, ou antes.

“Isso significa que, quando as vacinas estiverem prontas para serem testadas, talvez não tenhamos casos de zika suficientes na comunidade para fazer os ensaios clínicos”, afirmou.


POLÊMICO


Para o virologista Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas e membro do comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o artigo “tem aspectos interessantes, mas é polêmico”. Segundo ele, abrir mão do combate ao mosquito pode não ser uma boa ideia, pois amenizará a epidemia, mas não erradicará a doença.

“A imunidade de rebanho pode, sim, contribuir para a diminuição dos casos de zika, mas não para a eliminação da doença.

A vacina será fundamental para obter êxito na eliminação do vírus”, disse. Segundo ele, a tendência é que a zika se torne endêmica, como a dengue, “causando surtos esporádicos e epidemias a intervalos variáveis”.

Segundo Vasconcelos, o combate ao mosquito realmente tem se mostrado incapaz de controlar epidemias como a dengue, mas isso se deve à falta de investimentos em saneamento.

“Temos visto, ano após ano, a ocorrência de epidemias enormes com tendência sempre de crescimento, mostrando a ineficiência do controle vetorial em países como o Brasil, onde há enorme déficit de saneamento e pouco investimento em educação em saúde nas escolas.”




Vírus mais agressivo da dengue avança no País

15/07/2016 - O Estado de S.Paulo


Embora a maioria dos casos de dengue no Brasil ainda seja causada pelo tipo 1 da doença, cresce em alguns Estados a circulação do sorotipo 2, o mais agressivo dos quatro vírus existentes.

Dados do mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, com estatísticas de 3 de janeiro até 28 de maio, mostram que, de um total de 2,2 mil amostras positivas para dengue analisadas em laboratório neste ano, 6,4% já são do tipo 2, ante 0,7% no ano passado. No Estado de São Paulo, esse tipo de vírus já é responsável por 13,6% dos casos da doença, ante 0,5% em 2015.

Além de ser considerado por especialistas o mais virulento dos quatro sorotipos da dengue, o tipo 2 ainda está relacionado a outro risco no País. Como parte da população brasileira já foi infectada pelo tipo 1, a ocorrência de uma segunda infecção por outro sorotipo aumenta o risco de desenvolvimento de uma das formas graves da doença, que podem levar à morte, como a febre hemorrágica.

Segundo o infectologista Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, o risco maior em uma segunda infecção pela doença está relacionado à resposta imunológica do paciente que já contraiu o vírus uma vez.

“Como já existem anticorpos contra um tipo de dengue no organismo, há uma reação inflamatória exacerbada, que prejudica o organismo, mas que não consegue neutralizar o novo sorotipo.

O risco de desenvolvimento de uma forma grave da dengue é de 15 a 20 vezes maior quando se trata de uma segunda infecção.” O grande número de brasileiros infectados pelo tipo 1 nas epidemias de dengue dos últimos anos é uma das razões que explicam o crescimento dos casos provocados pelo tipo 2, segundo especialistas. “Como o vírus tipo 1 da dengue está circulando há muito tempo no Brasil, já temos muitas pessoas imunes a ele. Quando há o contato dessa população com outro sorotipo, aumenta mesmo o número desses tipos de casos porque há mais pessoas suscetíveis a ele. E uma segunda infecção por dengue tem tendência a uma gravidade maior”, explica Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde.

Além de São Paulo, outros Estados registram circulação do tipo 2 da dengue acima da média nacional. No Pará, 33,3% das amostras analisadas correspondem a esse sorotipo. No Distrito Federal, esse índice é de 26,8% e em Rondônia, de 13,1%.


INTERIOR


Segundo Boulos, no Estado de São Paulo, esse sorotipo está presente predominantemente na região de Ribeirão Preto, no interior paulista. Em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde do município, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto têm feito a vigilância virológica dos casos de dengue na cidade para estabelecer qual é o porcentual de casos de cada sorotipo.

“O que a gente tem visto é que, do fim do último ano para cá, houve mesmo um aumento dos casos de dengue tipo 2. Dependendo do mês, eles já representam cerca de 25% a 30% dos casos na cidade. Mas não acho que isso seja restrito a Ribeirão.

Esse aumento deve estar acontecendo em outras áreas do Estado também”, afirma Benedito Antonio Lopes da Fonseca, professor de Infectologia da faculdade e um dos coordenadores do monitoramento virológico no município.

O pesquisador disse ainda que pelo menos uma das sete mortes por dengue registradas neste ano na cidade aconteceu por uma infecção provocada pelo tipo 2 da doença. A paciente apresentava uma doença crônica, condição que aumenta o risco de complicações.

Segundo Boulos, diante do avanço do tipo 2 da dengue no Estado, a Secretaria Estadual da Saúde deverá reforçar com médicos e outros profissionais de saúde as diretrizes de atendimento a pessoas com suspeita da doença. “Todos têm de ficar mais atentos aos sinais de agravamento da dengue. Teremos de pensar duas vezes antes de liberar o paciente.”




Saúde sofre com falta de laboratórios, de médicos e até com a violência.

14/07/2016 - G1 - Bom dia Brasil


O Bom Dia Brasil exibiu nesta semana série de reportagens sobre a atenção básica no Brasil e recebeu mais exemplos de problemas na área de saúde que se espalham pelo país.

Em Foz do Iguaçu, no Paraná, a Fundação Municipal de Saúde está sem laboratório para fazer exames. Além dos problemas que são rotina na saúde pública, esta semana os pacientes de Foz do Iguaçu ainda tão tendo que se virar para conseguir exames. É que o laboratório que prestava serviço para a prefeitura deixou de atender os pacientes. O contrato venceu no dia 4. A Fundação de Saúde da cidade conseguiu uma liminar que obrigava o serviço a continuar, mas o dono do laboratório conseguiu suspender a decisão na Justiça. Segundo ele, o contrato não foi renovado por causa de uma dívida de R$ 2 milhões. Ao todo, cem mil exames por mês eram feitos no laboratório. A Secretaria de Saúde informou que negocia com outras duas empresas para assumir os exames preventivos e que está em fase de contratação emergencial de outros laboratórios.

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, faltam pediatras. A Secretaria Estadual de Saúde diz que faltam 117 pediatras nas unidades básicas de saúde. Há um processo seletivo que fica permanentemente aberto, mas não há procura por parte dos profissionais.

Em Maceió, os postos de saúde têm sido alvo de bandidos. Os serviços de um posto de saúde que atende em média 100 pessoas por dia foram suspensos depois de um assalto. Quem chega atrás de atendimento dá de cara com um aviso na porta. Os bandidos levaram vários equipamentos, inclusive computadores. O secretário de Saúde pediu reforço na segurança ao estado, mas o governo disse que a segurança patrimonial é dever da prefeitura. E nesse jogo de empurra, quem perde é a população.




Poluição é causa de 16% das mortes por câncer de pulmão no mundo

14/07/2016 - G1 - Bem Estar


A gente tosse, espirra, coça o nariz. Respirar nesse tempo seco está difícil. E o tempo está assim em grande parte do país. Em São Paulo, por exemplo, não chove há mais de um mês. Em Brasília, há quase dois meses não cai uma chuva boa.

Como está a sua saúde com o tempo assim? Para explicar como amenizar os efeitos da poluição, o Bem Estar convidou o alergista, Doutor José Carlos Perini.

E uma coisa puxa a outra, com a umidade do ar muito baixa, a poluição fica mais concentrada e tem ainda a tal da inversão térmica. Aquele dia que começa mais frio e depois fica quente.

Pra falar sobre isso também, a clínica geral e pesquisadora do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, Doutora Lúcia Garcia, esteve no estúdio ao vivo.

Dicas de saúde para amenizar o impacto da poluição para quem mora nas grandes cidades:

- Limpar a casa diariamente;

- O pico da poluição pela manhã é das 6h às 8h e no período da tarde, das 17h às 20h. Durante estes períodos, manter a casa fechada (portas e janelas);

- Usar umidificador caso o ar esteja seco, abaixo de 40%. Ar seco e poluição pioram as alergias;

- Ar condicionado diminui o impacto da poluição porque filtra o ar, mas é importante reforçar a hidratação, aumentando a ingestão de líquidos;

- Usar colírios lubrificantes para prevenir o ressecamento dos olhos;

- Beber muita água;

- Lavar as vias aéreas respiratórias com soro fisiológico;

- Evitar morar muito próximo a grandes avenidas ou viadutos;

- Morar em andares altos de apartamento (os andares baixos são mais atingidos pelas partículas poluidoras).

Clipping de Notícias - 12/07/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 12/07/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Paracetamol varia até 3.800% em uma mesma cidade do Brasil

12/07/2016 - Portal Exame


Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) mostra que a diferença de preço entre o mesmo medicamento genérico pode chegar a 5.436% entre uma capital brasileira e outra. O levantamento foi realizado em 342 farmácias distribuídas em 16 das principais cidades de todas as regiões.

A pesquisa também revela que a diferença de valores está aumentando com o tempo: em setembro de 2015, quando foi feita a primeira edição do estudo, a variação dos preços nas drogarias de uma capital a outra chegava “apenas” a 1.970%.

Dentro de uma mesma cidade, destaque para Curitiba, capital do Paraná, onde o analgésico Paracetamol — utilizado no tratamento de dores e febre — tem uma variação de preços superior a 3.868% entre um estabelecimento e outro dentro do município.

De acordo com o diretor do estudo, Marcus Vinicius de Andrade, no atual momento de crise econômica, o consumidor precisa redobrar a atenção quanto aos valores ofertados. Neste caso, o hábito de pesquisar as diferenças de preços em supermercados deve ser replicado na ida à farmácia.

Veja, no infográfico, onde é preciso ter mais atenção na hora de comprar um remédio.




Painel discute perspectivas do mercado de genéricos e biossimilares

11/07/2016 - Portal Snif Brasil


O painel Medicamentos Genéricos, Similares e Biossimilares - Situação Atual e Perspectivas para o Mercado Farmacêutico, realizado nesta quinta-feira (7), contou com a participação da presidente executiva da PróGenéricos, Telma Salles, do diretor médico científico da Bionovis, Thiago Mares Guia, e das diretoras da McCann Health Fernanda Galvão e Gisela Carvalhinho.

Telma disse que os medicamentos genéricos devem atingir 35% do mercado farmacêutico até 2020, em unidades, de acordo com projeção da consultoria IMS Health. Atualmente a participação é de 30%. ?O mercado farmacêutico no Brasil está em constante crescimento e os genéricos estão inseridos diretamente nesse contexto?, afirmou.

Ainda há muito espaço para o crescimento dos genéricos, com o aprimoramento do marco regulatório, com investimento das políticas públicas, conseguiremos ampliar o acesso da população a um tratamento de saúde seguro e eficaz?, disse a presidente executiva da PróGenéricos.


ALTA TECNOLOGIA


O diretor médico científico da Bionovis, Thiago Mares Guia, abordou o desenvolvimento técnico dos medicamentos biossimilares e a importância de se investir nesse nicho de mercado, que possibilitará o acesso da população a tratamentos inovadores de alta tecnologia.

A importância e os efeitos da construção das marcas junto aos médicos e pacientes, explorando as técnicas do branding que fixam a marca e atingem os diferentes públicos-alvo foi o tema da apresentação das representantes da McCann Health, a diretora de planejamento estratégico, Fernanda Galvão, e a diretora de atendimento, Gisela Carvalhinho. O Painel foi aberto pelo vice-presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Santos, e mediado pelo consultor Inajar de Souza.

Novas abordagens contra o câncer

12/07/2016 - Correio Braziliense


Trinta mil especialistas reunidos no maior congresso de oncologia do mundo: assim é a American Society of Clinical Oncology (Asco). A cada ano, a Asco aborda avanços no tratamento da doença que, só neste ano, deve acometer 596 mil pessoas no Brasil, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). É durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica que são apresentados os principais estudos e novidades na área. Segundo o oncologista Israel Vilaça, da Oncomed-BH e do Instituto Mario Penna, ambos em Belo Horizonte, diferentemente da edição do ano passado, quando se destacaram pesquisas sobre o uso da imunoterapia no tratamento de carcinomas no pulmão, a edição de 2016, feita em junho, aprofundou pesquisas desse tipo e trouxe novos estudos e mudanças nos modos de tratar os tumores.

“Há várias avanços no conhecimento da biologia do câncer, além de novos exames e medicamentos”, afirma Vilaça, que destaca quatro estudos em especial. Um deles avaliou o uso da hormonoterapia para evitar a recidiva de câncer de mama. Até então, eram indicados cinco anos de hormonoterapia, mas o estudo mostrou que dobrar esse período resulta em redução de 34% do risco de recorrência da doença, se comparada a abordagem com placebo, confirmando dados de estudos anteriores. Foram analisadas 1.918 pacientes tratadas com letrozol. A substância é indicada após a cirurgia para mulheres com câncer de mama inicial na pós-menopausa. “Precisamos orientar que prolongar o tratamento pode reduzir ainda mais a recidiva, mas, sempre que possível, devemos pesar o risco/benefício. Nenhuma medicação é isenta de efeitos colaterais”, ressalta o oncologista.

A Asco também trouxe avanços na abordagem do câncer de pâncreas. Um estudo de fase 3 é, segundo Vilaça, visto como um marco histórico para a doença porque implica mudanças de conduta. Antes, o paciente, mesmo com a doença avançada, fazia o tratamento com o quimioterápico gencitabina após ser submetido a uma cirurgia. A nova abordagem concluiu que adicionar outra quimioterapia oral, a capecitabina, ao tratamento padrão prolonga a sobrevida dos pacientes sem aumentar muito a toxicidade. “A sobrevida global mediana foi de 28 meses para quem usou a terapia combinada e de 25,5 meses para quem recebeu só um medicamento. É um ganho de 12% de sobrevida global em cinco anos. Um resultado significativo”, comemora o médico. “Trata-se de uma doença de prognóstico muito reservado. Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre em estágios avançados.”


IDOSOS


Há também novidades para o enfrentamento do glioblastoma multiforme (GBM), que acomete o sistema nervoso central. Médicos e cientistas sabem do beneficio da droga temozolomida em associação com a radioterapia depois da intervenção cirúrgica, mas desconheciam os efeitos desse tratamento na população idosa, que representa cerca de metade dos casos. “O estudo apresentado fornece a primeira evidência de que a quimioterapia com temozolomida em associação à radioterapia com um fracionamento mais curto aumenta significativamente a sobrevida sem prejudicar a qualidade de vida, com uma redução do risco de morte em torno de 33%. Antes, não tínhamos uma diretriz clara para tratar esse grupo de pacientes”, explica Vilaça.

Mas um dos estudos mais comentados foi o que testou a adição do anticorpo monoclonal daratumumab a um regime de duas drogas: a bortezomibe e a dexametasona. “Esse é o primeiro anticorpo monoclonal aprovado para o tratamento do mieloma múltiplo e tem como alvo uma proteína presente na superfície das células tumorais. Quando adicionamos esse anticorpo, o tumor responde mais rápido e permite maior controle de dor, em curto espaço de tempo, e possibilita melhor qualidade de vida. O estudo mostrou melhora na resposta do paciente com mieloma múltiplo recorrente. A combinação reduziu o risco de progressão em 70%”, detalha o oncologista.


BIÓPSIA LÍQUIDA


Há mais perspectivas em relação aos exames e aos métodos diagnósticos. Está em evidência, por exemplo, a biópsia líquida, usada principalmente no câncer de pulmão. Trata-se de um método que pode ser utilizado periodicamente para avaliar a progresso da doença, a resposta à terapia e o desenvolvimento de resistência ao tratamento. Comparando resultados do procedimento, por meio da coleta de material de sangue e urina, com os da tradicional análise do tecido tumoral, observou-se que 57% dos pacientes coincidiram na positividade.

“Isso mostra que não se pode substituir um método pelo outro e que eles são complementares. Às vezes, temos um paciente idoso que não consegue fazer biópsia do tumor pelo risco cirúrgico do procedimento invasivo. Nessas pessoas, podemos usar amostras do próprio sangue para avaliar se com aquele material é possível detectar e fazer o diagnóstico. Se por ali for possível identificar o tumor, não é preciso recorrer ao método invasivo”, acrescenta Vilaça.

596 mil
quantidade de diagnósticos de câncer que serão feitos no Brasil, neste ano, segundo o Inca




Medido o fator familiar

12/07/2016 - Correio Braziliense


Cientistas mediram, pela primeira vez, o peso do histórico familiar no surgimento do câncer de próstata. Um trabalho conduzido em conjunto nas universidades de Umeå e de Lund, ambas na Suécia, mostra que homens com irmãos que enfrentaram a doença têm duas vezes mais chance de passar pela mesma situação quando comparados com a população em geral. Detalhes do estudo foram divulgados na última edição do Journal of the National Cancer Institute. A equipe estudou as chances de surgimento do câncer de próstata em mais de 50 mil homens da Suécia. Os voluntários tinham irmãos ou pai que haviam passado pela situação. A análise também mostrou que os enquadrados no primeiro caso apresentavam risco 30% maior de serem diagnosticados com a doença antes dos 75 anos de idade o índice cai para 13% entre os que não têm histórico familiar da doença. Os pesquisadores também constataram que os participantes do estudo tinham 9% de chance de serem acometidos pela forma agressiva da doença, contra 5% do público em geral. Os participantes que somavam o pai e um irmão com câncer de próstata apresentaram risco três vezes maior de ter a doença: 48% de qualquer forma de cancro, contra 13% dos homens em geral. A relação se manteve nos casos agressivos do carcinoma: 14% e 5%, respectivamente. Os resultados, segundo Pär Stattin, investigador principal, ressaltam a importância de um melhor entendimento e acompanhamento do carcinoma. Essa doença é muitas vezes indolente, com prognóstico favorável. Geralmente, não requer tratamento, mas também existem tipos agressivos que podem ser mortais. A capacidade de diferenciar os casos é, portanto, importante. Até agora, não houve nenhum conhecimento sobre as grandezas absolutas desses riscos, diz o também pesquisador do Prostate Cancer Data Base Suécia, que foi a base de dados para o estudo. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que, neste ano, sejam descobertos 61.200 casos no Brasil.




Imunoterapia vem se consolidando

12/07/2016 - Correio Braziliense


Relatos sobre os benefícios da imunoterapia existem desde o fim do século 19. Sabia-se que alguns tumores regrediam completamente depois de uma infecção bacteriana, devido a uma resposta imunológica no organismo. Ou seja, quando estimulado por um micro-organismo, o corpo desenvolve mecanismos de defesa para combater o tumor. Desde 1976, esse tipo de terapia é usado no tratamento do câncer superficial da bexiga com o bacilo da tuberculose. A partir disso, inúmeras tentativas de tratar o câncer com medicamentos que atuam no sistema imunológico têm sido feitas. Somente nos anos 1980, com a identificação de receptores celulares (PD1 e CTLA4) capazes de inibir ou estimular essa defesa do organismo, foi possível o desenvolvimento de medicamentos que conseguem atuar nesses receptores. Assim, os imunoterápicos, ao se ligarem aos receptores celulares, permitem que o sistema imunológico reconheça as células do câncer como uma ameaça e provoquem sua destruição. Desde 2013 com os resultados dos estudos da imunoterapia no tratamento do melanoma cutâneo com o ipilimumabe (primeiro imunoterápico aprovado no Brasil), e posteriormente os resultados com o nivolumabe no câncer de pulmão , novas drogas são testadas e se mostrado ativas para vários tipos de tumores, que acometem, por exemplo, os rins a bexiga e o intestino grosso. Hoje, a sociedade médica reconhece que a imunoterapia vai se tornar o objeto de desenvolvimento do tratamento do câncer nos próximos anos e traz ótimas perspectivas futuras.




Diagnóstico de diabetes e incidência de câncer

11/07/2016 - Portal OncoNews


Um estudo canadense amplia evidências já disponíveis e concluiu que existe uma associação entre o diagnóstico de diabetes e a incidência de câncer, com resultados que mostram um risco aumentado para neoplasia 10 anos antes do diagnóstico de diabetes e nos primeiros 3 meses após o diagnóstico de diabetes. Os resultados foram publicados na edição de julho da revista Câncer.

O objetivo do estudo foi explorar a relação temporal entre diabetes e incidência de câncer.


MÉTODOS E RESULTADOS


Os autores realizaram um estudo de coorte retrospectivo, de base populacional > 1 milhão de adultos que vivem em Ontário, Canadá, para avaliar a associação entre o diagnóstico de diabetes e a incidência de câncer em 3 períodos: 10 anos antes do diagnóstico de diabetes, nos primeiros três meses após o diagnóstico de diabetes, e de 3 meses a 10 anos após o diagnóstico de diabetes.

Indivíduos com diabetes eram significativamente mais propensos a ter sido diagnosticados com câncer nos 10 anos que antecederam o diagnóstico de diabetes em comparação com indivíduos sem diabetes. A incidência de câncer também foi significativamente maior em indivíduos com diabetes dentro do período de 3 meses após o diagnóstico de diabetes (hazard ratio, 1.62; 95% Cl, 1.52-1.74). No entanto, o risco de câncer após 10 anos do diagnóstico de diabetes não foi significativo (hazard ratio, 0,97; 95% Cl, 0,95-0,98).

Os resultados demonstraram que os indivíduos com diabetes tinham um risco significativamente maior de desenvolver câncer antes e imediatamente após o diagnóstico de diabetes. O período de maior risco foi observado nos primeiros 3 meses após o diagnóstico de diabetes.




Segmento de farmácias e perfumarias é o único que cresce em SP, segundo ACSP

11/07/2016 - Investimentos e Notícias


O varejo paulista passa por uma de suas piores crises. Mas um segmento tem chamado a atenção: o de farmácias e perfumarias, que consegue resistir mais às fortes retrações. Nos quatro primeiros meses de 2016, o setor foi o único que não ficou no vermelho, apresentando ligeiro aumento de 0,8% no volume de vendas, frente a igual período de 2015.

Enquanto isso, as vendas no comércio do Estado como um todo recuaram 7,6% na mesma base de comparação. As informações são da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Durante o mesmo período, o faturamento das farmácias e perfumarias cresceu 10,1% sobre o primeiro quadrimestre de 2015. Essa elevação, contudo, é explicada pelo reajuste de 12,5% nos preços dos remédios em abril.

Os dados estão no levantamento que avalia o desempenho de nove setores do varejo e é elaborado pelo Instituto de Economia da ACSP, com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

“Há uma hierarquia no consumo das pessoas: elas priorizam remédios e alimentos e os outros produtos vêm depois. Bens de alto valor, que dependem principalmente do crédito e da confiança, são postergados pelo consumidor em épocas de crise”, explica Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). “Já as perfumarias conseguem resistir mais porque as mulheres substituem um produto de primeira linha por um de segunda, encontrando, assim, uma forma para continuar comprando produtos de beleza”, complementa Burti.

Considerando-se todos os nove setores analisados pela ACSP, os piores resultados no quadrimestre em relação ao mesmo período de 2015 foram nas concessionárias de veículos (-18,8%) e lojas de departamentos, eletrodomésticos e eletrônicos (-17,6%), que justamente são mais dependentes de financiamento e da confiança do consumidor.

“Os resultados ainda são negativos, mas há perspectivas de atenuação nas quedas até o final do ano, em função principalmente da retomada gradual da confiança do consumidor, conforme têm indicado os indicadores mais recentes”, finaliza o presidente da ACSP.

Idec pretende ir à Justiça contra eventual plano de saúde popular

11/07/2016 - Valor Econômico / Site


O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) informaram que pretendem entrar com ações judiciais contra um eventual plano de saúde popular.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, informou que estuda a criação de um convênio médico com uma cobertura menor em relação aos planos de saúde que atendem a um roll mínimo de procedimentos obrigatórios.

Segundo o ministro, a criação desse convênio médico popular serviria para desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a presidente do conselho do Idec, Marilena Lazarinni, os planos de saúde populares “não irão cobrir os tratamentos mais caros e complexos, e irão excluir os doentes crônicos e idosos, que terão que buscar atendimento no SUS.”




A saúde aviltada

12/07/2016 - O Globo


Quinta-feira, o “Estado de S.Paulo” publicou matéria em que o ministro da Saúde, Ricardo Barros, defende a criação de planos de saúde mais baratos como estratégia para reduzir a demanda pelo SUS e, desse modo, aliviar a pressão sobre o orçamento do ministério. Claro, um plano mais barato significa um rol de procedimentos simplificado.

Segundo essa lógica ministerial, ficamos assim: para os senadores, deputados e seus familiares, plano de saúde integral de assistência médica e odontológica. Os melhores hospitais e especialistas. O plano de saúde do Senado, por exemplo, é vitalício. Ele banca despesas de senadores, ex-senadores e dependentes como filhos, enteados e cônjuges. Para usufruí-lo, o parlamentar não precisa fazer contribuição alguma — basta que tenha exercido o cargo por 180 dias ininterruptos. Após a morte do titular, o cônjuge tem direito a continuar utilizando. Tudo financiado com recursos públicos!

Já para as brasileiras e brasileiros da categoria das mulheres e dos homens comuns — temos um SUS cada vez mais sem financiamento e fragilizado. Afinal, o conjunto das políticas socais não cabe no Orçamento da União, segundo o oráculo da interinidade. Então, o ministro anuncia uma saída para a crise da saúde: conceber um plano popular bem baratinho. Assim sugerindo, numa comparação bem simplificada com outras áreas que confluem para a qualidade da saúde da população, a oferta de “uma meia-água”, em vez de uma casa decente; ou de um salário minguado, em vez de uma remuneração justa e digna; de uma previdência precária para quem contribuiu por toda a vida; um sistema de transporte urbano concebido para transportar coisas, em vez de transporte de massa confortável, rápido e acessível. Esta a “lógica” para um plano de saúde simplificado, bem básico e quase no osso, para a população pobre brasileira e, dessa forma, cada vez mais vulnerável, em vez de um sistema decente, humanizado, que atenda a todas as necessidades das pessoas. As propostas e as ideias estão na prateleira da burocracia: basta puxar uma delas e lhe dar um verniz de medida séria — o que não parece ser o caso.

Ao ser questionado se essa proposta não receberia críticas dos especialistas em saúde pública, o ministro afirmou: “Estou ministro da Saúde, não ministro do SUS”. Cabe lembrar o que estabelece a Constituição brasileira em seu artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Portanto, reduzir direitos através de gambiarras enganosas, definitivamente, não deveria constar das atribuições de um ministro de Estado.

Com esta proposta que caiu do Olimpo sobre nossas cabeças, revela-se a verdadeira essência do interinato em todo o seu esplendor: a negação da cidadania com a tentativa naturalizada de conspurcação da Constituição de 1988.




Tristeza que mata

12/07/2016 - O Globo


Após a mãe de um dos jovens mortos por PMs em Costa Barros “morrer de tristeza”, segundo parentes, psiquiatras pedem mais apoio público para sobreviventes da violência. A pequena empresária Joselita de Souza, de 44 anos, faleceu num posto de saúde em São João de Meriti, na semana passada, vítima de um quadro de pneumonia e anemia. Antes saudável e alegre, a mãe do adolescente Roberto, morto a tiros por policiais militares em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, começou a definhar após a perda do filho. Até que, segundo familiares, “morreu de tristeza”. Estas palavras, que podem parecer força de expressão, têm respaldo na medicina. Psiquiatras ouvidos pelo GLOBO explicam que a depressão pode, sim, ser fatal e que, negligenciada pelo poder público e mesmo por médicos, seus efeitos são cada vez mais visíveis na sociedade. Os especialistas defendem políticas públicas mais efetivas em relação à doença.

— Infelizmente, é possível morrer de tristeza. Quando a tristeza é tamanha, chamamos de luto complicado. A pessoa perde todo o ânimo e corre o risco de sucumbir. Pode passar a não comer, deixarse abater pelo sentimento e ter o sistema imunológico prejudicado, abrindo espaço para quadros de pneumonia e outras infecções. Ela se consome pela dor. Se não recebe apoio e estrutura pode ser o fim — explica a psiquiatra Alexandrina Meleiro, coordenadora da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). — Os sobreviventes de tragédias como essa precisam receber mais auxílio.

A agonia de Joselita começou em novembro de 2015, quando policiais alvejaram com 111 tiros o carro que seu filho mais novo, o Betinho, ocupava com outros quatro amigos (o caso ainda está em julgamento). Após a tragédia, a alegria deu lugar a tristeza e reclusão. De acordo com o filho mais velho, Vinicius de Penha, de 22 anos, a mãe só aceitava receber visitas suas e da nora, e praticamente não se alimentava.

— Quando o Betinho faleceu, minha mãe foi até forte, mas a gente sabia que ela ia cair depois. De uns dois meses para cá, ela desanimou da vida mesmo. Não fazia mais o cabelo, não se maquiava, só queria ficar deitada. Ela estava sofrendo muito— conta Vinicius.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2013, divulgada no fim de junho, revelam que 7,6% dos brasileiros acima de 18 anos relatam sintomas de depressão. No mundo, quase 10% da população é afetada pela doença. O índice aumentou quase 50% de 1990 a 2013, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

— O caso de Joselita não é incomum. A depressão grave, o desamparo total e a violência geram um colapso das funções orgânicas, prejudicam o sistema imunológico e levam a infecções graves e desregulação do ritmo cardíaco. A depressão é uma doença tão séria que daqui a uns dez anos vai começar a afetar a economia dos países. Não pode ser negligenciada — argumenta o psiquiatra Fernando Portela, que também é membro da ABP.

Portela e Alexandrina acham que o poder público tem que fazer mais para apoiar psicologicamente pessoas como Joselita, que perdem parentes de forma trágica. De acordo com a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, foi oferecido tratamento a todas as famílias de vítimas dos disparos em Costa Barros, mas apenas uma compareceu a algumas sessões antes de desistir da ajuda. Segundo Vinícius, a mãe dele e de Betinho foi a algumas sessões, mas saiu do programa, entre outros motivos, por não ter dinheiro para a passagem para ir de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde morava, até o Centro do Rio.

— Ela me disse que toda vez era a mesma coisa e que não iria mais. Também deixou de ir por falta de dinheiro. Ela pagava aluguel, a situação estava difícil. Tinha que gastar muito com passagem para ir ao psicólogo— relata Vinicius.


DEFENSOR CRITICA SERVIÇO PÚBLICO


O defensor público Daniel Lozoya, que representa as famílias dos meninos mortos em Costa Barros, afirma que a dificuldade para fazer o tratamento é real. Ele diz que a situação é comum em casos de violação de direitos humanos.

— Infelizmente, o Estado não oferece uma assistência médica e psicossocial adequada às vítimas e aos familiares em situações traumáticas de violações de direitos humanos. Os familiares têm dificuldade em arcar com custo de transporte para se deslocar aos locais de atendimento. Deveria haver postos espalhados pela cidade. Estas situações são tão rotineiras que deveriSouza am receber uma atenção maior, mas o Estado não dá essa assistência — critica.

De acordo com um relatório divulgado em 2014 pela OMS, cerca de 804 mil pessoas cometeram suicídio em 2012. A grande maioria dessas mortes aconteceu em países pobres, onde não há apoio do poder público para combater a depressão. A taxa mundial de suicídios chega a 11,4 por 100 mil habitantes.

No Brasil, o número é mais baixo, de 5,8 suicídios por 100 mil pessoas. Mas a precarização dos serviços é conhecida por especialistas da área que corroboram que a falta de profissionais e de um sistema estruturado deixam pessoas com quadro depressivo sem cuidados.

— O atendimento no Brasil é heterogêneo. Pessoas com quadros leves procuram mais o serviço de saúde. E pessoas com quadro muito grave não têm acesso a tratamento. Muitas vezes é tão grave o quadro que a pessoa não tem força para procurar ajuda, ou é muito pobre, mora numa região distante. É necessária uma política bem estruturada — comenta o professor de psicopatologia da Unicamp, Paulo Dalgalarrondo.

A maneira como assistência aos pacientes depressivos é organizada constitui um dos problemas da rede. A falta de unidades destinadas ao serviço faz com que as estruturas que existem sejam desviadas de sua função.

— Basta chegar em qualquer hospital que tenha uma emergência psiquiátrica que faltará pessoal, leito e medicamento. Às vezes um pronto-socorro psiquiátrico não tem nem médico. Hoje, os Centros de Atenção Psicossocial substituem o ambulatório, a emergência. E ele não foi feito para isso. Foi feito para reintegrar o paciente — diz o psiquiatra e professor Romildo Bueno, da UFRJ.




A saúde que interessa

12/07/2016 - Correio Braziliense


Dos vários embates entre o Governo do Distrito Federal e a Câmara Legislativa agendados para o próximo semestre, um deles diz respeito a um tema historicamente espinhoso: a saúde pública. No fim de junho, o Palácio do Buriti encaminhou para a apreciação dos deputados distritais o projeto que regulamenta as Organizações Sociais (OSs), com a finalidade de melhorar a atenção primária da saúde. Entidades com esse perfil teriam condições de oferecer, mediante contrato com o poder público, um serviço de saúde preliminar, de modo a desafogar a superlotação dos hospitais públicos do DF. Há um consenso, entre especialistas, de que até 80% das consultas nas unidades de emergência poderiam ser evitadas se houvesse maior investimento nas atividades dos postos e centros de saúde.

A Câmara Legislativa freou o ímpeto do governo e não aprovou imediatamente o projeto encaminhado pelo Buriti. Deputados de oposição criticam a pressa em implementar o modelo das Organizações Sociais e fazem coro às críticas dos sindicatos, que denunciam a privatização dos serviços público de saúde. Os parlamentares não são os únicos a contestar. Em nota conjunta, o Ministério Público do Distrito Federal, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público de Contas recomendaram ao GDF que evite formalizar contratos com as OSs. Uma das restrições seria a Lei de Responsabilidade Fiscal, além de questionamentos sobre o perfil das entidades.

Compreende-se o grande interesse sobre o assunto — afinal, a saúde pública do DF é historicamente sobrecarregada e ineficiente. Mas é fato também que o envolvimento de tantas autoridades não diminuiu em nada o sofrimento dos milhares de brasileiros — do DF e de fora dele — que buscam socorro com as equipes médicas brasilienses. A gestão compartilhada entre governo e iniciativa privada tem bons exemplos, como o Hospital da Criança. Mas também levanta suspeitas, como aconteceu com o escândalo que se transformou o Hospital de Santa Maria. Na outra ponta, a Rede Sarah comprova todos os dias que, quando há vontade, é possível oferecer atendimento de primeira linha apenas com recursos públicos.

Para o brasiliense, só há um modelo de saúde que interessa: aquele que funciona. Oferecer um serviço de qualidade, sustentável e à prova de corrupção constitui uma necessidade não apenas do governo, mas da sociedade. Esse deve ser o foco do debate para tirar o sistema público do estado crítico.




Atendimento básico precário na saúde faz aumentar internações

11/07/2016 - G1 - Bom dia Brasil


A partir desta segunda-feira (11), o Bom Dia Brasil vai mostrar uma radiografia do atendimento básico da saúde no país. São relatos de pacientes de dez estados sobre a infraestrutura dos hospitais e dos postos de saúde. O acompanhamento médico, quando é feito com qualidade, representa menos internações e mais economia, porque melhora a saúde da população.

Bom Dia Brasil: “Seu” Milton, o senhor acha que se tivesse tido um tratamento melhor na rede pública, nos postos de saúde, o senhor acha que estaria nessa situação?

Milton: Não.

Bom Dia Brasil: Faltou o quê, “seu” Milton?

Faltou acompanhamento médico.

Faz tempo que “seu” Milton tem diabetes. Trinta anos. As amputações foram o maior trauma. Primeiro, dedos da mão, depois parte do pé direito e agora a perna esquerda. Ele nunca recebeu tratamento adequado.

“Eu levei ele no vascular, o vascular falou que não poderia olhar a ferida dele porque ele não tinha a técnica de enfermagem como assistente, que tinham tirado, essa enfermeira, então ele não poderia olhar”, conta Eliane Pereira, filha de “seu” Milton.

Bom Dia Brasil: E no posto, tinha como fazer curativo?

Parentes: Não.

Bom Dia Brasil: E onde vocês faziam o curativo?

Parentes: Em casa.

Uma dor que atinge toda a família.

“Se eu soubesse que a sífilis trazia tanto problema assim, eu não tinha nem engravidado de novo, porque é um risco, não só para mim, mas também para o bebê”, diz uma paciente.

A sífilis congênita é transmitida da mãe para o feto. Se não for tratada precocemente, a doença pode afetar vários órgãos, provocar cegueira e até comprometer o desenvolvimento mental. A Organização Mundial da Saúde tinha estabelecido uma meta para o Brasil até o ano passado: cinco casos de sífilis congênita para cada 10 mil nascidos vivos. Mas ainda estamos muito longe desse desafio. Aqui, o número é dez vezes maior.

“Sífilis congênita não era para existir nenhuma, a gestante, ela tem como exame obrigatório no pré-natal o teste para sífilis, ela tem nove meses para efetuar o tratamento com antibiótico de baixíssimo custo, que é a penicilina”, diz o obstetra Sérgio Araújo Martins Teixeira.

Situações como essas mostram a deficiência de uma parte fundamental do sistema de saúde: a chamada atenção básica. São os postos de saúde, que devem ficar bem perto de casa, para oferecer atendimento preventivo, para acompanhar o tratamento de doenças, fazer o pré-natal. Se essa assistência primária funcionasse como deveria, especialistas dizem que 80% dos pacientes no Brasil não teriam as doenças agravadas. Não precisariam procurar hospitais. Internações e cirurgias aumentam as despesas do Sistema Único de Saúde. Só as complicações da diabetes custaram R$ 92 milhões no ano passado.

“Se você cuidar bem de um paciente com diabetes não se espera que ele tenha amputação, por exemplo, de membros por complicações de diabetes. Se isso estiver ocorrendo, é um sinal de que a atenção básica não está funcionando, diz o professor da Faculdade de Medicina da USP, Amaury Lélis Dal Fabbro.

Com a sífilis, foram quase R$ 10 milhões.

“Nossa conclusão é que essa sífilis congênita tenha aumentado desse jeito em função de um pré-natal de péssima qualidade por causa, justamente, por causa da péssima qualidade da atenção primária”, disse o vice-presidente do Cremerj, Nelson Nahon.

Nos casos de acidente vascular cerebral, comuns em quem tem pressão alta, o valor foi ainda maior: R$ 238 milhões. O Sistema Único de Saúde estabelece que a atenção básica é responsabilidade dos municípios, com apoio dos governos estaduais e federal.

Os postos de saúde e as clínicas de família são a porta de entrada do paciente no sistema e servem como um filtro. Em caso de necessidade, o paciente é encaminhado para atendimento especializado, para emergências ou internações. Quando o doente recebe alta nesses setores, ele precisa voltar para os postos para ter acompanhamento.

“Esse relacionamento entre a atenção básica, a atenção especializada e o sistema de urgência e emergência, ele é fundamental para que o paciente seja acompanhado no sistema de saúde”, explica o professor de medicina Amaury Lélis Dal Fabbro.

Mas essa não é a realidade na maior parte do país. No ano passado, o Tribunal de Contas da União fez uma grande auditoria sobre a atenção básica no Brasil. E descobriu que quase 70% dos municípios internam mais gente do que deveriam.

Mais de 70% das cidades informaram que o dinheiro repassado pelas outras esferas de governo não é suficiente para cobrir as despesas. O tribunal também apontou falhas das prefeituras na identificação das necessidades da população.

“Todas as ações de saúde são programadas em função do perfil da população, então, se é uma população que é mais pobre ou mais rica, que adoece mais de diarreia, ou tem muito problema com dengue, todos esses dados são de conhecimento das equipes e as equipes planejam a oferta de serviços em função do que as pessoas precisam, essa é a grande lógica da estratégia”, explica o diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Rodrigo Lima.

A atenção básica no Brasil ainda precisa ultrapassar barreiras para, enfim, tornar mais fácil o caminho da população.

A prefeitura de Itaboraí disse que, desde 2013, “seu” Milton teve consultas médicas duas vezes ao ano. E que, por ser hipertenso grave, faz parte de um grupo de alto risco de amputação, mesmo com acompanhamento médico.




Aplicativo para relatar estado de saúde é lançado nesta terça

11/07/2016 - O Globo / Site


O Ministério da Saúde antecipou umas das suas forças-tarefas para manter a casa em ordem durante os Jogos. É o aplicativo Guardiões da Saúde, desenvolvido em parceria com o Skoll Global Threats Fund, com a proposta de monitorar e prevenir surtos de doenças, a partir dos sintomas relatados pelos usuários. E estes incluem não apenas brasileiros, umas vez que o software estará disponível em sete idiomas. Em troca da notificação, eles receberão serviços como endereços de UPAs e farmácias.

— É uma via de mão dupla. A pessoa colabora reportando os sintomas e em troca recebe uma série de dicas — explicou o médico Marlo Libel, consultor da Skoll, adiantando que o aplicativo não funciona como uma consulta médica — O objetivo da vigilância participativa é identificar o mais rápido possível a emergência de surtos ou conglomerados de pessoas apresentando sintomas similares.

Com base nesses relatos, a equipe analisa os dados e desenha um mapa de hipóteses. Se for necessário, será aberta uma investigação de campo, com visita ao local para atestar a ocorrência da doença. Caso seja ratificada algum surto epidemiológico, entra em ação o trabalho do pessoal da saúde pública.

Um genérico do Guardião da Saúde já havia sido testado durante a Copa do Mundo no Brasil. Na ocasião, foram registrados dez mil downloads. Cinco mil pessoas informaram sobre seu estado de saúde naquele período. Os números foram considerados positivos pelo fundo americano, mas a expectativa para a Olimpíada é chegar a 100 mil usuários:

— O evento (a Olimpíada) é grande, é concentrado, e o número de países envolvidos é muito maior. Nosso foco principal é a população brasileira, porque é o público majoritário, mas queremos tornar esse aplicativo útil para todos as nações que sejam sedes de eventos de massa — adiantou Marlo.


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A ideia de uma vigilância participativa como esta, que abarca o levantamento de hipóteses de todo tipo de doença, é pioneira no mundo. Segundo Libel, o que existe em outros países são aplicativos para relatar sintomas de um achaque específico.

A versão olímpica e brasileira do programa poderá ser baixada a partir desta terça-feira, em sete idiomas: português, espanhol, inglês francês, chinês, russo e árabe. Mesmo após o fim dos Jogos, o aplicativo continuará disponível aos usuários e passará a fazer parte da rotina dos vigilantes. O Ministério da Saúde também está desenvolvendo outras ações e ferramentas para serem utilizadas em situações de emergência. As iniciativas serão apresentadas nesta terça pelo ministro Ricardo Barros.




Maioria das reclamações contra planos de saúde é sobre prestadores de serviços

11/07/2016 - Portal EBC


Relatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revela que a maior parte das reclamações (39%) de beneficiários de planos de saúde em 2015 foi sobre problemas com a rede credenciada, marcação, agendamento e descredenciamento de rede.

No segundo lugar (25%) ficaram as queixas sobre procedimentos de saúde, autorização, negativa de cobertura e de atendimento.

O levantamento também mostra que 14% das reclamações são sobre questões administrativas, 13% relativos a assuntos financeiros e 9% ao Serviço de Atendimento ao Cliente.

Para o relatório, foram consideradas 508.141 manifestações de 66,7 milhões de beneficiários, feitas por 744 ouvidorias das operadoras de planos de saúde.

O levantamento anual passou a ser obrigatório com a Resolução Normativa 323/2013 da ANS, que exige das operadoras a criação de estruturas de ouvidorias vinculadas à agência reguladora.




Saúde libera R$ 6,4 milhões para aprimorar assistência farmacêutica

11/07/2016 - Portal Snif Brasil


Cerca de mil municípios brasileiros vão receber R$ 6,4 milhões para aprimorar a qualidade e estrutura dos serviços farmacêuticos. A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no âmbito do Sistema Único de Saúde (Qualifar-SUS). O recurso poderá ser destinado para a contratação de novos profissionais, além do aprimoramento dos serviços de conectividade dos locais, para dar maior agilidade no atendimento à população e uma melhor organização dos estoques de medicamentos. A portaria de liberação financeira já foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A estratégia de qualificar os serviços de saúde integra o conjunto de investimentos já realizados por meio do Projeto de Qualificação da Assistência Farmacêutica e Intervenção Sistêmica da Assistência Farmacêutica nas Redes de Atenção à Saúde ? QualiSUS-Rede. Desenvolvido em 15 regiões do país, em 486 municípios, o Programa já proporcionou compra de computadores, realização de pesquisa diagnóstica sobre os serviços farmacêuticos e ofertas educacionais na modalidade à distância para mais de cinco mil profissionais de saúde. Desde a criação do Programa, em 2012, o Ministério da Saúde já destinou mais de R$ 105 milhões para 1.582 municípios, 70% deles está inserido no Programa Brasil sem Miséria.

A ampliação no investimento e no aprimoramento da informatização é uma dos principais objetivos do Ministério da Saúde. ?Temos que melhorar a qualidade dos serviços ofertados com recursos que temos disponíveis e, sem dúvidas, o investimento na informatização é um dos caminhos. Organizar as farmácias nas unidades públicas de saúde promoverá maior rapidez no atendimento? afirma o ministro da Saúde, Ricardo Barros.A angústia das soropositivas




Debate sobre plano de saúde alternativo pode ir para a Justiça

12/07/2016 - DCI


A ideia do governo de criar planos de saúde mais baratos com menos serviços obrigatórios pode gerar ações na Justiça por parte de entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Na semana passada, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu em audiência no Senado que a ampliação do setor de saúde suplementar, com planos mais baratos, ajudaria a reduzir a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). O ministério prepara um estudo sobre o tema, ainda sem prazo para ser entregue à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Na visão do Idec e da Abrasco, é falso o argumento de que a venda de planos populares irá 'aliviar' o SUS. Para as entidades, em um momento de recessão, desemprego e inflação, o que a população mais precisa é de proteção social e, portanto, mais investimentos no SUS. Em nota, afirmam que as administradoras de planos de saúde já cometem "muitos abusos".

"As ações judiciais contra planos de saúde, que tiveram crescimento exponencial nos últimos anos, irão aumentar ainda mais. Esses planos não irão cobrir os tratamentos mais caros e complexos, e irão excluir os doentes crônicos e idosos, que terão que buscar atendimento no SUS", diz a presidente do conselho diretor do Idec, Marilena Lazarinni.

Clipping de Notícias - 14/07/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 14/07/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Remédios comuns podem agravar insuficiência cardíaca, diz associação

14/07/2016 - G1 - Bem Estar


Muitos medicamentos comuns - prescritos, vendidos sem receita ou fitoterápicos - podem agravar a insuficiência cardíaca, por isso é importante que pacientes relatem aos médicos tudo o que estão tomando. É o que orienta uma declaração científica feita pela Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) esta semana.

A insuficiência cardíaca é a principal causa de hospitalização para pessoas com mais de 65 anos e os pacientes nesta situação tomam, em média, sete medicamentos prescritos por dia.

Mais de um terço dos pacientes com insuficiência cardíaca também tomam fitoterápicos, que são medicamentos feitos à base de plantas, dois terços tomam vitaminas e sete a cada oito usam remédios vendidos sem receita.

O médico Robert L. Page II, um dos autores da declaração da AHA, disse à Reuters por e-mail: "Quando um paciente toma ao menos quatro medicações, o risco de uma interação entre as drogas aumenta para 38%; esse número aumenta para 82% quando os pacientes tomam sete ou mais medicamentos, o que vários pacientes de insuficiência cardíaca fazem."


POLIFARMÁCIA


A combinação de várias prescrições, chamada de polifarmácia, e a presença de muitas doenças torna os pacientes com insuficiência cardíaca particularmente vulneráveis a interações entre drogas que podem levar a hospitalizações e até morte.Para ajudar a evitar essas consequências, a AHA criou um guia para medicamentos prescritos, medicamentos de venda livre e produtos de medicina alternativa que podem agravar a insuficiência cardíaca.

"Os pacientes ficariam surpresos de saber que drogas de venda livre comumente usadas para tratar dor e azia pode levar a retenção de líquido e agravar os sintomas. Pacientes também ficariam surpresos de saber que muitos produtos feitos a partir de ervas podem afetar o metabolismo dos medicamentos para insuficiência cardíaca de forma potencialmente perigosa", afirmou o médico Kumar Dharmarajan, da Escola de Medicina da Universidade Yale à Reuters.

"Pacientes não devem presumir que medicamentos de venda livre e remédios complementares são seguros apenas porque estão disponíveis sem prescrição", disse. "Eles devem consultar seus médicos antes de começar a mudar suas medicações."

As recomendações foram publicadas na edição de 11 de julho da revista científica "Circulation".




Antirretrovirais reduzem contágio de HIV entre casais, diz estudo

13/07/2016 - G1 - Bem Estar


O tratamento com antirretrovirais reduz significativamente o risco de contágio de HIV entre casais, mesmo quando eles têm relações sexuais sem preservativo, disseram pesquisadores na terça-feira (12).

O estudo, publicado na revista científica "Journal of American Medical Association" (JAMA), é o mais amplo que analisa a questão de quão arriscado é para os chamados casais sorodiscordantes terem relações sexuais desprotegidas quando o parceiro infectado está suprimindo sua carga viral com medicação.

A pesquisa envolveu 900 casais - cerca de dois terços deles eram de heterossexuais, e o resto eram de homens homossexuais.

Após uma média de 1,3 ano, o estudo não encontrou casos em que o parceiro HIV positivo, que estava tomando medicação para suprimir o vírus, tenha infectado o outro parceiro.

Houve, no entanto, 11 casos em que o parceiro que era HIV negativo no início do estudo foi infectado com o vírus que causa a Aids. Dez destes casos envolveram homens homossexuais.

Os pesquisadores disseram que oito dos parceiros que tinham contraído o vírus recentemente admitiram ter tido relações sexuais sem proteção fora do relacionamento.

Em nenhum dos casos a infecção recente pelo HIV era molecularmente correspondente com a do parceiro, de modo que os pesquisadores concluíram que a taxa de transmissão entre casais foi zero.

No entanto, os cientistas alertaram que são necessárias mais pesquisas, com números maiores de casais e com um acompanhamento mais longo dos casos.

"Embora estes resultados não forneçam diretamente uma resposta à questão de se é seguro para casais sorodiscordantes praticarem sexo sem preservativo, este estudo fornece dados informativos, especialmente para os heterossexuais, para os casais basearem a sua aceitabilidade pessoal de risco", disse o estudo, liderado por Alison Rodger, da Universidade College London.

Em um editorial que acompanhou o estudo, Eric Daar e Katya Corado, do Centro Médico Harbor-UCLA, advertiram que os casais não devem interpretar o estudo no sentido de que seu risco de transmissão é zero.

"Para os indivíduos que não querem, rotineiramente ou intermitentemente, usar preservativos com um parceiro infectado pelo HIV, os clínicos podem indicar que o risco de transmissão do HIV aparece como pequeno no cenário de supressão viral contínua", escreveram os cientistas.

O parceiro soropositivo deve estar usando antirretrovirais há pelo menos seis meses antes do casal ter relações sexuais sem preservativo, acrescentaram.

A pesquisa foi realizada em 75 clínicas de 14 países europeus, entre 2010 e 2014.




USP pode punir criador da ‘pílula do câncer’

13/07/2016 - O Estado de S.Paulo


Uma sindicância foi aberta pela Universidade de São Paulo (USP) para investigar as atividades do pesquisador Gilberto Chierice. Criador da chamada “pílula do câncer”, o professor aposentado corre o risco de ter a aposentadoria cassada, se ficar comprovado que usou as dependências da universidade irregularmente para desenvolver e distribuir as cápsulas de fosfoetanolamina.

Anti-inflamatórios barram efeitos do veneno de escorpião

14/07/2016 - Folha de S.Paulo


Os efeitos mais sérios do veneno do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), o mais perigoso do Brasil, talvez possam ser barrados com o uso de anti-inflamatórios comuns, sugere uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto.

Em experimentos com camundongos, esses remédios conseguiram evitar problemas severos nos pulmões e a morte dos animais, mesmo quando recebiam doses teoricamente letais da peçonha.

A equipe da USP está se preparando para testar a abordagem com amostras de sangue humano. Se os resultados forem promissores, pessoas picadas pelo animal poderão receber os anti-inflamatórios logo de cara, antes do soro que funciona como antídoto do veneno.

“Ainda é cedo para dizer se seria possível dispensar o soro”, explica a biomédica Lúcia Faccioli, que coordenou a pesquisa. “Ele serve para neutralizar o veneno, mas, até que cumpra essa função, os danos no pulmão já terão acontecido.Nossa expectativa é minimizar esses danos.” O estudo, que saiu na revista científica “Nature Communications”, ajudou a elucidar detalhes do mecanismo de ação do veneno que ainda eram misteriosos.Oque os cientistas verificaram é que a peçonha do escorpião atua sobre o chamado inflamassoma, um conjunto de moléculas do interior das células que desencadeia reações inflamatórias—em geral quando o organismo é invadido por micróbios, por exemplo.

“Venenos como o do escorpião exploram o sistema imune do organismo. O veneno induz uma superativação do sistema imune e pode até matar.

Isso ficou claro recentemente com pesquisas sobre o veneno de abelhas”, explica outro coautor do estudo, o biólogo Dario Zamboni.


INFLAMAÇÃO


O processo desencadeado pela picada doT. serrulatus é complexo,mas duas moléculas-chave na reação inflamatória são a PGE2 (prostaglandina E2, um tipo de lipídio ou gordura) e a IL-1beta (interleucina-1 beta). Ao que tudo indica, a primeira molécula a ser produzida nas células da defesa do organismo por contada presença do veneno é a PGE2. Ela,por sua vez, ativa o inflamassoma, levando à produção de IL-1beta, um importante sinalizador do sistema imune —cuja presença desencadeia ainda uma nova e mais potente rodada de produção de PGE2.

Dependendo de fatores que podem estar ligados às características genéticas do indivíduo, esse processo pode sair do controle. O normal é que a picada provoque dor e inflamação apenas no local penetrado pelo ferrão, mas nos piores casos a inflamação desencadeia um edema nos pulmões,o que pode levar à morte.

E nem sempre o soro pode reverter esse quadro.

Os pesquisadores da USP, no entanto, verificaram que os anti-inflamatórios indometacina e celecoxibe, que inibema produção de prostaglandinas como a PGE2, conseguiram evitar os piores efeitos da peçonha nos camundongos de laboratório. “Agora vamos convocar voluntários para doarem sangue e verificar se, em contato com o veneno,também ocorre a produção de IL-1beta”,diz Lúcia.

Depois disso, a ideia é analisar o sangue de pessoas que acabaram de ser picadas por escorpiões e verificar se as mesmas moléculas mediadoras do processo inflamatório achadas em camundongos também estarão presentes.

O teste definitivo envolveria fornecer aos pacientes os anti-inflamatórios logo após os ataques de escorpiões.




Gene dos ruivos pode aumentar risco de câncer de pele

14/07/2016 - Folha de S.Paulo


Uma variante de um gene ligado a cabelos ruivos, pele clara e sardas pode aumentar o risco de desenvolver câncer de pele mesmo que não haja exposição ao sol, segundo estudo publicado nesta semana na revista científica “Nature Communications”.

O risco também é maior para as pessoas que possuem tal assinatura genética mas não apresentam as características físicas próprias dos ruivos, afirmou a equipe internacional de cientistas.

Os resultados estão baseados em uma análise genética de tumores de pele malignos de mais de 400 pessoas.

Os resultados sugerem que as pessoas com uma variante do gene MC1R (responsável por dar cor à pele e aos cabelos),são mais suscetíveis a sofrerem processos mutagênicos resultantes, por exemplo, da exposição aos raios ultravioleta. Esses processos podem fazer uma célula normal se tornar cancerosa.

“Este trabalho é importante porque as conclusões se aplicam a uma alta proporção da população: pessoas que carregam pelo menos uma cópia com uma variante genética no MC1R”, disse o coautor do estudo, David Adams, do Instituto Wellcome Trust Sanger, no Reino Unido.

Em alguns países, como Inglaterra e Irlanda, essa proporção pode chegar a um terço da população, embora só cerca de 2% das pessoas tenham o fenótipo dos ruivos.

Os ruivos recebem uma cópia da variante genética de cada um dos seus pais. Mas as pessoas que recebem uma só cópia, do pai ou da mãe, provavelmente não têm o cabelo vermelho, e podem permanecer alheias à sua composição genética particular.

Já se sabe há muito tempo que os ruivos se queimam mais rápido debaixo do sol e que são mais suscetíveis aos efeitos mutagênicos da radiação UV. Mas o novo estudo sugere que há outras maneiras, “possivelmente independentes dos raios UV”, de variantes do MC1R aumentarem o risco de melanoma —não ficou claro se as mutações significam que o câncer em pessoas ruivas é mais ou menos agressivo.

Pessoas com parentes ruivos têm uma maior chance de possuir uma variante do MC1R e devem tomar cuidado extra, disse a equipe.




Em teste, união entre substância que ativa sistema imune e quimio destrói câncer

13/07/2016 - Brasileiros


Uma combinação de drogas projetada para melhorar a capacidade do sistema de defesa do organismo alcançou excelente efeito terapêutico contra tumores avançados de mama e pâncreas e também contra as suas metástases. A pesquisa que levou a esses resultados foi feita pela renomada Clínica Mayo, nos Estados Unidos.

Até agora, os testes foram realizados apenas em animais (ratos) com tumores agressivos de mama e pâncreas. Porém, diante dos resultados animadores divulgados nesta terça-feira (12), a Mayo levará a pesquisa adiante com testes em seres humanos. O FDA, a agência americana que regula medicamentos, já aprovou um ensaio clínico para avaliar os efeitos da combinação de remédios em indivíduos com tumores avançados de pâncreas, mama, colo-rectal, melanoma e outros.

O caminho escolhido pelos especialistas foi induzir o sistema imune a atacar o câncer como se as suas células fossem uma infecção bastante grave, a ponto de oferecer risco de vida. Os tumores podem permanecer discretamente no corpo durante meses ou anos antes de causar grandes problemas, levando o sistema imunológico a conviver com eles em vez de lutar contra. É o que os médicos querem mudar. Chamada de imunoterapia, essa linha de pesquisa é a maior esperança da medicina para vencer as células alteradas do câncer.


ESTRATÉGIA É ESTIMULAR O CORPO A ATACAR


Para obter esse efeito, os cientistas encontraram uma substância capaz de estimular o sistema imune, que estão chamando de agonista de TRL. “Testamos um fármaco que imita bactérias invasivas”, explicou o pesquisador Peter Cohen, um oncologista e imunologista da Clínica Mayo que estuda meios de levar o organismo a reagir contra o câncer. Ele é co-autor do trabalho que envolveu também a imunologista Sandra Gendler e Soraya Manrique. Os efeitos positivos que estão animando os pesquisadores foram publicados nesta terça-feira (12) na edição on-line da revista Oncotarget.

Os cientistas avaliaram a ação da substância escolhida (definida por eles como um agonista de TLR) em combinação com outros dez medicamentos quimioterápicos e viram que, entre todas as possibilidades testadas, somente a combinação do agonista com o quimioterápico ciclofosfamida realmente levou à erradicação dos tumores de modo consistente.

Para a equipe de investigação, a associação do remédio para atiçar o sistema imune contra o câncer com o agente quimioterápico teve excelente efeito nos tumores agressivos de mama e pâncreas nos seus locais de origem e também nas metástases. De acordo com eles, os tumores não voltaram a ocorrer (o que se chama de recidiva) após os animais terem recebido mais cinco ciclos da associação de medicamentos.

A equipe da Clínica Mayo relatou que o tratamento combinado foi muito bem tolerado e, na verdade, mostrou-se menos tóxico aos animais do que os agonistas de TLR ou o quimioterápico ciclofosfamida ministrados isoladamente.

A combinação de drogas também se mostrou capaz de instigar os monócitos a participarem da caçada às células cancerosas. Um monócito é uma célula que faz parte do sistema imunitário do corpo humano e é um dos responsáveis por manter os tecidos livres de corpos estranhos. “Parece-nos muito provável que cada rodada do tratamento combinado estimule a medula óssea a produzir monócitos recém-ativados”, disse a cientista Sandra Gendler.

Otimista, o pesquisador Cohen informou que sua equipe também foi capaz de identificar substâncias da classe dos agonistas de TRL com o poder de ativar os monócitos do sistema de defesa do organismo humano para procurar e matar tumores.




Investimentos e cargos reestruturados

12/07/2016 - Guia da Farmácia


NOVA AREA DERMATOLÓGICA


O Aché Laboratórios reestruturou sua área de dermatologia, unindo dermomedicamentos e dermoeosmétieos em uma diretoria chamada Aché Derma. 0 objetivo da companhia é acelerar o crescimento para ganhar participação de mercado com produtos inovadores e diferenciados. Atualmente, a unidade Aché Derma abrange sete dermomedicamentos para tratamento de doenças, como herpes, alergias e dermatites. A unidade também engloba 21 dermoeosmétieos da marca Profuse, divididos em oito categorias: Puriance para peles oleosas e acneicas; Ensolei para proteção solar; Nutrel para peles sensíveis e sensibilizadas; Clair para clareamento da pele; Hidradeep para hidratação; Essencele como anti-idade para peles jovens e adultas; Densifiant como anti-idade para peles maduras; e Água Dermatológica para acalmar, refrescar e hidratar a pele. • www.ache.com.br


POTENCIAL EM LANÇAMENTOS


Em uma apresentação para a comunidade de investidores, a Eli Lilly and Company afirmou que tem potencial para lançar 20 novos produtos em dez anos, o inicio da contagem começou em 2014 e se estende até 2023. Adicionalmente, a Lilly pode lançar por ano, em média, duas ou mais novas indicações para produtos já aprovados durante este mesmo período. Os esforços de Pesquisa e Desenvolvimento da Lilly são focados em cinco áreas terapêuticas em que a empresa tem meios e capacidade para competir com sucesso. Isso inclui quatro principais áreas - diabetes, oncologia, autoimune e neuro degeneração - e uma área emergente - dor. • www.lilly.com.br


ALTA NO FATURAMENTO


Em abril de 2016, os associados da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan) alcançaram um faturamento R$ 1,25 bilhões, movimentando 68,64 milhões de unidades de medicamentos. No mesmo período do ano passado, o faturamento correspondia a R$ 1,14 bilhão com a movimentação de 66,79 milhões de unidades de medicamentos, segundo a pesquisa realizada pelo IMS Health. No primeiro quadrimestre de 2016, o setor teve um crescimento no faturamento de 21,75% em relação ao mesmo período do ano de 2015, e as unidades vendidas também no mesmo período tiveram um acréscimo de 16,02%. • www.abradilan.com.br


CONSELHO ELEITO


O presidente do Grupo Natulab, Wilson Borges, foi eleito conselheiro fiscal da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac). Em assembleia realizada no último dia 7 de junho, na sede da Associação, foram definidos os representantes que farão parte de sua diretoria, conselho deliberativo e conselho fiscal, de 2016 a 2018. "Fazer parte do conselho fiscal da Alanac é uma honra e me dá orgulho, mas também me mantenho ciente das responsabilidades", comentou o executivo, que possui mais de 30 anos de experiência no mercado farmacêutico. Além de Borges, foram eleitos 12 executivos de laboratórios de medicamentos de uso humano e 11 representantes de empresas fabricantes de produtos veterinários. • www.alanac.org.br


DIRETORIA RENOVADA


O Grupo Sanofi anuncia sua diretora de Acesso ao Mercado no Brasil. Fernanda Machado chega à companhia para assumir a posição recém-criada. Acumulando mais de 15 anos de carreira, Fernanda tem passagens pelos mercados hospitalar, de dispositivos e inovações médicas, no Brasil, Estados Unidos e Reino Unido. 0 grupo também anunciou a sua nova diretora de Comunicação no Brasil, com mais de 20 anos de experiência profissional em grandes empresas, Márcia Goraieb. Ela liderará as estratégias de comunicação do Grupo Sanofi no Brasil, incluindo institucional, produtos, comunicação interna, comunicação externa e responsabilidade social corporativa. • www.sanofi.com.br


CRESCIMENTO SÓLIDO


No primeiro trimestre de 2016, a Roche registrou vendas globais de 12,4 bilhões de francos suíços, um crescimento de 4°/o em relação ao mesmo período no ano anterior. As vendas, somente na divisão farmacêutica, cresceram 4%, chegando a 9,8 bilhões de francos suíços. Na Europa, o crescimento foi de 5%, nos Estados Unidos, aumentaram 3°/o. Na divisão Diagnostica, as vendas cresceram 5°/o, totalizando 2,6 bilhões de francos suíços. • www.roche.com.br


ELEIÇÃO DO CONSELHO DIRETIVO


A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) anunciou seu novo conselho diretivo para um mandato de dois anos, válido até maio de 2018. Fundador e presidente do conselho das Farmácias Pague Menos (CE), Francisco Deusmar de Queirós foi eleito por aclamação para a presidência da entidade. O quadro de dirigentes inclui também o vice-presidente Eugénio De Zagottis (Raia Drogasil-SP); o diretor financeiro Modesto Carvalho de Araújo Neto (Araujo-MG); o diretor de relações institucionais Gilberto Martins Ferreira (Drogaria São Paulo-SP); e o diretor de planejamento Julio Ricardo Mottin Neto (Panvel-RS). • www.abrafarma.com.br


ISENTO DE ORIGEM ANIMAL


Após anos de pesquisa e investimento de R$ 120 milhões, o Laboratório Cristália recebeu o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) Colagenase animal-free. Trata-se do primeiro IFA biotecnológico obtido a partir da biodiversidade brasileira, desenvolvido em meio de cultura isenta de componentes de origem animal, o que confere maior atividade enzimática e pureza mais elevada em relação à Colagenase comum importada.

O IFA Colagenase Cristália passará a ser utilizado na produção da pomada Kollagenase e permitirá o desenvolvimento de novas formulações, apresentações e associações terapêuticas voltadas para os mercados interno e externo. O Cristália possui 64% de participação no mercado brasileiro de produtos à base de Colagenase. • www.2cristalia.com.br


NO TOPO DA LISTA


Dos 50 medicamentos genéricos mais vendidos em abril deste ano, 39 são de uso contínuo - sendo a maioria voltada ao controle de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e colesterol alto. De acordo com uma pesquisa inédita da Associação Brasileira das Industrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), o segmento genérico ocupa uma fatia de 28,5% de todo o faturamento do setor farmacêutico no mês, com R$ 144,5 milhões. Um exemplo é o anti-hipertensivo Losartana, um dos mais populares: foram vendidas 91,4 milhões de unidades entre maio de 2015 e abril de 2016, sendo 85% de genéricos Os dados da pesquisa são produzidos pelo IMS Health.

•www.progenericos.org.br •www.imshealth.com


MIGRAÇÃO DE PLATAFORMA


O Aché Laboratórios finalizou a migração do ambiente tecnológico para o Office 365. Com a implementação, todas as áreas da companhia foram unificadas em uma plataforma na nuvem. 0 resultado impacta positivamente na produtividade comercial da empresa, além de reduzir custos com infraestrutura em aproximadamente 20%. Além de contribuir com a economia, o projeto contemplou diversos recursos para aumentar a interação entre os 4,5 mil colaboradores da companhia, sobretudo das equipes externas de Geração de Demanda e Vendas, que somam cerca de duas mil pessoas. • www.ache.com.br


NOVO DIRETOR DE OPERAÇÕES


Formado em Engenharia Química pela Universidade Federal da Bahia e com MBA em Gestão de Saúde e Mercado pela IBMEC, Luis Marcelo chega à AstraZeneca para comandar as equipes de Operações, sendo responsável pelas áreas de Qualidade; Produção; Supply Chain; Importação/Exportação; Segurança; Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SHE); Custos; Funções de Armazenamento e Distribuição, totalizando 215 colaboradores. Ele já esteve à frente das áreas de Operação em outras multinacionais, como a Janssen do Brasil, da Johnson & Johnson. • www.astrazeneca.com.br


LANÇAMENTO DO 4º MÓDULO DA FASE 3 DO TREINA PDV FARMA


Agora, no mês de julho, é lançado mais um módulo no Treina PDV Farma, plataforma de cursos da Contento Comunicação para os profissionais do varejo farmacêutico. 0 4° módulo da Fase 3 do programa traz o tema "Atendimento como diferencial estratégico", afinal, os consumidores esperam ser "cuidados" nas farmácias, querem ser ouvidos e ter dúvidas esclarecidas. 0 objetivo é munir os profissionais de informações úteis para acolher os clientes, solucionar problemas e reverter reclamações. Para experimentar o s/te, basta acessar www.treinapdvfarma.com.br, fazer o cadastro e ter acesso aos cursos rápidos, totalmente gratuitos. Já o programa de capacitação, com os módulos, avaliações e certificados, requer o investimento de um pequeno valor anual: um ótimo custo-benefício para capacitação de toda a equipe da farmácia. Informações sobre compra, visite a loja Contento (www.lojacontento.com.br) ou ligue (1 1) 5082 2200.


DIRETORIA DE GENÉRICOS


A Merck anunciou a criação da diretoria de genéricos como parte da divisão Biopharma no Brasil. Com uma equipe especializada, a nova área se dedicará exclusivamente à gestão de portfólio e comercialização dos produtos genéricos da empresa no Pais e terá como foco alavancar a presença da empresa neste segmento. Para liderar a nova estrutura, a Merck contratou Eduardo Lima, que será responsável por estruturar a unidade de negócio e desenvolver estratégias para que a Merck Genéricos se destaque como um importante playerem portfólio de produtos, políticas de rentabilidade para os parceiros, prestação de serviço no processo de comercialização, buscando novos negócios. • www.merck.com.br


NO MERCADO HÁ 235 ANOS


Fundada em 1781 por Chobei I, em Osaka, no Japão, a Takeda Farmacêutica completou, em junho passado, 235 anos. Presente no mundo todo, atualmente é uma das vinte maiores farmacêuticas e a número 1 no Japão. Sua história de sucesso baseia-se em grandes investimentos em pesquisa e inovação, comercializando hoje mais de 700 produtos em 70 países. A companhia conta com mais de 31 mil colaboradores ao redor do mundo. No Brasil, a companhia possui cerca de dois mil colaboradores divididos entre a sede, em São Paulo, e as fábricas em Jaguariúna (SP) e São Jerônimo (RS). Atualmente, está entre os dez maiores grupos farmacêuticos do País e o posicionamento da empresa está focado em especialidades, com soluções terapêuticas na área de gastroenterologia (líder de mercado), cardiovascular e sistema nervoso central, oncologia e vacinas. • www.takedabrasil.com




Adoçante pode aumentar a fome

13/07/2016 - O Estado de S.Paulo


Os adoçantes podem fazer os usuários terem mais fome e comer mais, de acordo com um estudo publicado ontem na revista científica Cell Metabolism.

A pesquisa foi feita com o adoçante artificial sucralose.

Os cientistas da Universidade de Sydney e do Instituto de Pesquisa Médica Garvan – ambos na Austrália – revelaram no cérebro um sistema até agora desconhecido que é responsável por integrar as sensações de doçura e de conteúdo energético do alimento. De acordo com Greg Neely, professor da Faculdade de Ciências, o adoçante desequilibra a integração entre a sensação do sabor doce e o conteúdo de energia da comida, fazendo com que o cérebro estimule um maior consumo de calorias.

“Depois de uma exposição prolongada a uma dieta que continha sucralose, observamos que os animais começaram a comer muito mais”, disse ao Estado.

Os pesquisadores também descobriram que os adoçantes artificiais provocam hiperatividade, insônia e queda da qualidade do sono – comportamentos coerentes com um estado de jejum. Os efeitos no sono são semelhantes aos que já foram relatados em humanos.

Já Herbert Herzog, do Instituto Garvan, replicou os resultados do estudo utilizando camundongos. “Essa descoberta reforça a ideia de que variedades com zero açúcar podem não ser tão inertes como se pensava.”




Bônus de exposição solar

13/07/2016 - Correio Braziliense


Os cálculos científicos ditam que, para os ruivos, a exposição aos raios solares deve ser feita com muita moderação. Segundo um estudo divulgado por duas instituições britânicas, por nascerem com os marcantes cabelos vermelhos, as sardas e a pele pálida, eles têm uma condição genética que os deixa em desvantagem mesmo na sombra. Uma variante de um gene que determina essas características os condiciona a um prejuízo equivalente a 21 anos de exposição ao sol. A principal implicação do fato é a maior vulnerabilidade aos cânceres de pele.

Segundo o estudo divulgado na edição de ontem da revista Nature Communications, uma única cópia de uma variante do gene MC1R — os ruivos geralmente têm duas — aumenta consideravelmente o número de mutações que podem desencadear o melanoma, a forma mais agressiva do câncer de pele. “Tem sido conhecido há algum tempo que uma pessoa ruiva tem maior probabilidade de desenvolver essa doença, mas esta é a primeira vez que se provou que esse gene é associado a cancros da pele com mais mutações”, ressaltou David Adams, um dos autores e pesquisador do Wellcome Trust Sanger Institute. O trabalho contou também com a participação de estudiosos da Universidade de Leeds.

"Não são apenas essas pessoas (os ruivos) que necessitam de cuidados. Aqueles que tendem a se queimar com facilidade; que têm pele, cabelos ou olhos claros; ou que têm sardas também estão em maior risco de serem acometidos por cânceres de pele”

Julie Sharp, chefe de Saúde e Informações aos Pacientes do Cancer Research UK

Os ruivos representam de 1% a 2% da população mundial. No caso do Reino Unido, chegam a 6%. As variantes específicas do gene MC1R interferem também no tipo de melanina, o que leva a uma forte tendência a se queimar facilmente no sol. A equipe usou bancos de dados públicos e analisou sequências de DNA de tumores coletados de mais de 400 pessoas.

Descobriu que aquelas que tinham a variante do MC1R apresentavam, em média, 42% mais mutações associadas a cânceres provocados pelo contato com raios solares.

Tim Bishop, também autor da pesquisa e diretor do Instituto de Câncer e Patologia da Universidade de Leeds, chama a atenção para o fato de o trabalho ser o primeiro a examinar, em larga escala, como esse gene afeta o número de mutações espontâneas do câncer de pele. “Ele só foi possível devido aos dados disponíveis. Os tumores foram sequenciados nos EUA, a partir de pacientes em todo o mundo, e os investigadores tiveram livre acesso aos dados”, comemora. “Nossos resultados têm implicações significativas para a compreensão de como o câncer de pele se forma.”


MUTAÇÕES


Variantes do MC1R estão presentes também em não ruivos e influenciam em outras características humanas. Mas a análise dos dados revelou que as pessoas com apenas uma cópia do tipo estudado têm um número “muito maior” de mutações cancerígenas que o resto da população. “Esse é um dos primeiros exemplos de um perfil genético comum que tem um grande impacto sobre um genoma de câncer. Isso poderia ajudar a melhor identificar aqueles mais vulneráveis ao câncer de pele”, ressaltou Adams.

Estudos anteriores mostram que a exposição à luz ultravioleta (UV) pode causar danos ao DNA. Há trabalhos indicando também que o tipo de pigmento da pele dos ruivos permite que os raios UV cheguem com mais facilidade aos genes (Leia Para saber mais). O estudo britânico divulgado ontem avança ao mostrar que variantes do MC1R aumentam tanto as mutações espontâneas causadas pela luz ultravioleta quanto as que também estão relacionadas a cânceres de pele, mas independem da exposição solar.

A constatação sugere que existem processos biológicos no surgimento desse tipo de carcinoma que não são unicamente relacionados ao contato com os raios UV. “Essa pesquisa explica por que os ruivos têm que ser tão cuidadosos com a proteção ao sol forte, mas também salienta que não são apenas essas pessoas que necessitam de cuidados. Aqueles que tendem a se queimar com facilidade; que têm pele, cabelos ou olhos claros; ou que têm sardas também estão em maior risco de serem acometidos por cânceres de pele”, alertou Julie Sharp, chefe de Saúde e Informações aos Pacientes do Cancer Research UK.


PROTEÇÃO SEMPRE


O especialista, que não participou do estudo, diz que a recomendação geral é que as pessoas se protejam do sol forte, se mantenham na sobra das 11h às 15h, usem camisetas, chapéu ou boné e óculos de sol. “O protetor solar ajuda a proteger as partes que você não cobriu. Use um com pelo menos fator 15 e quatro ou mais estrelas. Coloque em abundância e reaplique regularmente”, complementou Sharp.

A recomendação do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que as pessoas se protejam do câncer de pele se mantendo protegidas do sol das 10h às 16h, quando os raios são mais intensos no Brasil. O órgão estima que, neste ano, sejam diagnosticados no país 5.670 casos de melanoma, sendo 3 mil homens e 2.670 mulheres. O tipo representa apenas 3% das neoplasias malignas da pele, apesar de ser a mais grave devido à alta possibilidade de metástase. Com relação ao câncer de pele mais comum, o não melanoma, a projeção é de que, de janeiro a dezembro, sejam registrados 75.760 casos: 80.850 homens e 94.910 mulheres. O valor corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos contabilizados no país.


FONTE DA JUVENTUDE


Outra variante do gene MC1R pode estar ligada à aparência jovial, segundo estudo do Centro Médico da Erasmus Universiteit Rotterdam, na Holanda. Os cientistas chegaram a essa conclusão após um experimento em que mostraram a voluntários fotos, sem nenhum tipo de melhoramento na imagem, de 2.693 pessoas sem maquiagem. Os participantes tinham que adivinhar a idade dos fotografados. Ao comparar os palpites, a idade real dos registrados e as características genéticas deles, os estudiosos concluíram que aqueles com a variante do MC1R aparentavam ser, em média, dois anos mais jovens, independentemente da idade cronológica, do sexo e da quantidade de rugas. O trabalho foi divulgado em abril na revista Current Biology.


PARA SABER MAIS


Pigmento cancerígeno


O elevado risco de surgimento de melanoma em ruivos também está condicionado ao tipo de melanina predominante nesses indivíduos. Segundo cientistas do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, a presença maior da feomelanina faz com que ocorra mais “danos oxidativos” no corpo. Em testes realizados com ratos, os pesquisadores isolaram o pigmento vermelho dos animais e descobriram que, quando ele era retirado, o risco do câncer diminuía significativamente.

Apesar de a feomelanina ser menos eficaz do que a melanina escura em proteger contra os raios solares, há vários indícios de que a incidência de melanoma em ruivos não pode ser totalmente explicada pela exposição aos raios solares. No experimento com as cobaias, que tinham diferentes pigmentos e foram expostas e protegidas do sol, o grupo holandês percebeu que o próprio pigmento vermelho pode ser carcinogênico. A suspeita é de que a substância esteja quimicamente relacionada à geração de moléculas instáveis que conseguem danificar as células. O trabalho foi divulgado, em outubro de 2012, na revista Nature.

O avanço da chikungunya

14/07/2016 - Folha de S.Paulo


Diante da erupção da zika e dos números recordes da dengue no ano passado, o vírus da febre chikungunya acabou ficando em segundo plano entre as arboviroses que infestam o país.

O patógeno, até ali, circulava em apenas cerca de cem municípios de menos da metade dos Estados e apresentava uma quantidade de casos modesta.

A situação, contudo, alterou-se radicalmente nos últimos meses. A doença espalhou-se pelo país e atingiu grandes centros.

Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro a maio foram reportadas cerca de 120 mil ocorrências suspeitas da moléstia —ante 38 mil em todo o ano passado—, a quase totalidade nos Estados do Nordeste. O número de casos já confirmados monta a 30 mil; em 2015, não passaram de 13 mil.

Trata-se de uma enfermidade que, assim como a dengue e a zika, é transmitida pelo famigerado mosquito Aedes aegypti. Não há tratamento específico para a doença, apenas o combate aos sintomas —febre alta e dores intensas nas articulações, entre outros—, que geralmente duram de três a dez dias.

Em parte dos casos, as dores persistem após o fim da enfermidade, produzindo quadros crônicos. No município de Feira de Santana (BA), um dos mais atingidos, cerca de um terço dos infectados desenvolveu tais sequelas.

Como se não bastasse, acumulam-se casos de mortes relacionadas à chikungunya —dado que surpreende e preocupa, pois a enfermidade é conhecida por ser fatal em raríssimos casos.

De acordo com levantamento realizado pelo portal UOL (empresa do Grupo Folha), o Nordeste já registrou 45 mortes associadas ao vírus —há ainda pelo menos outras duas vítimas no Rio de Janeiro. O número é quase oito vezes o reportado durante 2015.

Uma das hipóteses aventadas para as mortes é o uso indiscriminado de anti-inflamatórios e corticoides, de venda livre no Brasil, para o tratamento das fortes dores.

Na fase aguda da doença, tais drogas podem agravar o quadro clínico de pessoas já debilitadas e até comprometer o sistema imunológico. Recomenda-se somente o uso de analgésicos, e sempre sob prescrição médica.

Apenas uma investigação detalhada, entretanto, será capaz de estabelecer as verdadeiras causas dos mortes —e o número de casos, embora elevado para os padrões da febre viral, permite que uma força-tarefa cumpra rapidamente esse objetivo. É urgente determinar se o vírus de fato está mais letal ou se há outros fatores em ação.




Ministro volta a defender plano de saúde reduzido e é criticado na Câmara

13/07/2016 - Folha de S.Paulo / Site


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, voltou a defender nesta quarta-feira (13) a criação de planos de saúde "populares", com cobertura menor do que a ofertada pelos planos atuais, como forma de reduzir os gastos do governo e a demanda no SUS.

"Se colocarmos 20 milhões de vidas nos planos populares por R$ 80, estamos colocando R$ 20 bilhões [por ano] no financiamento da saúde", afirmou, durante audiência na Câmara dos Deputados convocada para falar sobre as ações do governo na saúde.

Segundo o ministro, o cálculo é uma estimativa do valor que pode ser movimentado na saúde privada com a migração de usuários hoje atendidos no SUS. Questionado, Barros nega que os números apresentados sejam uma meta já definida. "O ideal é que fossem 100 bilhões, ou 200 e 300 bilhões [por ano]. Quanto mais recursos para a saúde, melhor", disse.

Durante a audiência, o ministro chegou a dizer que esses planos hoje em estudo poderiam ter foco apenas no atendimento ambulatorial, com a oferta apenas de consultas e exames –o que deixaria de fora a cobertura para casos de internações, por exemplo. Em seguida, disse se tratar apenas de uma possibilidade. "É o mercado quem deve decidir. Não vou dizer ao mercado que produto ele deve colocar na praça", afirmou.


CRÍTICAS


Deputados, por sua vez, manifestaram preocupação e fizeram críticas à proposta durante a audiência na Câmara, que se estendeu por quase cinco horas.

A maioria alega que a criação desses planos não traria mais recursos nem maior conforto para o usuário, já que a oferta de serviços pelos novos planos seria menor do que o rol mínimo obrigatório definido pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). "Fazer plano faz-de-conta é diminuir a receita pública", disse Jorge Solla (PT-BA).

"Quando acrescenta 20 milhões de pessoas aos planos de saúde, o Estado dá com uma mão e tira com a outra. Ele tira dos mais pobres para os mais ricos", disse o deputado Odorico Monteiro (PROS-CE).

Além dos deputados, institutos de defesa do consumidor e em defesa do SUS também já questionaram a medida e afirmam que prometem acionar a Justiça contra a proposta.

Barros, por sua vez, rebateu as críticas. "Sou ministro da Saúde, não sou ministro do SUS", disse. "Quanto mais pessoas colocarem recursos na saúde, melhor para nós."

De acordo com o ministro, caberia ao usuário que não se sentir satisfeito romper o contrato com o plano. "Plano de saúde é um contrato, adere quem quer e no momento que quer. Não há disputa entre plano de saúde e o SUS."


'OÁSIS NO DESERTO'


Para o ministro, apesar de haver um "subfinanciamento" da saúde, não há como buscar mais recursos para a área dentro do governo. "Não há possibilidade da saúde ser um oásis no deserto", comparou. A afirmação gerou novas críticas de deputados. Para Barros, no entanto, é preciso investir em propostas para melhorar a gestão com os recursos disponíveis.

Entre elas, estão a reformulação do modelo de novas UPAs (unidades de pronto-atendimento) e renegociação daquelas que já estão prontas, mas que não estão em funcionamento por falta de recursos de Estados e municípios.

Segundo ele, a pasta também estuda um modelo de cobrança "automática" de ressarcimento a cada vez que um usuário de plano de saúde é atendido no SUS. Hoje, essa cobrança é feita pela ANS.




Valem mais os genes que a dieta

14/07/2016 - Correio Braziliense


Quem tentou emagrecer provavelmente já seguiu mil e uma dietas recomendadas por revistas, sites e, principalmente, amigos que garantem o aspecto milagroso de determinado regime alimentar. A maioria provavelmente ficou frustrada por não obter os mesmos resultados — às vezes, no fim, pode até ter ganho alguns quilos na balança. A culpa não necessariamente está nas escapulidas eventuais. Na verdade, o responsável é o DNA, segundo um estudo norte-americano ainda não publicado e que será apresentado amanhã, durante a Conferência Anual da Sociedade de Genética da América, em Orlando, na Flórida (EUA).

“As pessoas fazem dieta para perder peso, combater doenças e melhorar a saúde em geral, mas uma dieta não necessariamente se aplica a todas. A variação genética é um determinante importante da eficácia do regime, embora ainda saibamos muito pouco sobre como a nutrição e a genética interagem no nível dos tecidos do corpo para alterar o metabolismo”, afirma William Barrington, pesquisador da Universidade Estadual da Carolina do Norte. De acordo com ele, a compreensão do fenômeno poderá, um dia, levar à testagem do perfil genético de um paciente antes de se recomendar o regime alimentar ideal para ele.

A força da genética no emagrecimento foi constatada em diversos estudos, como uma investigação sueca feita com 93 pares de gêmeos idênticos criados separadamente e 154 pares que cresceram juntos. “Independentemente de terem ou não compartilhado o mesmo ambiente, os irmãos apresentavam constituição física semelhante. De acordo com os cientistas envolvidos na pesquisa, 70% da variação de peso entre uma pessoa e outra pode ser explicada pelos genes”, conta Traci Mann, pesquisadora de psicologia da saúde na Universidade de Minnesota, no livro Secrets from the eating lab: the science of weight loss, the mith of willpower and why you should never diet... (Segredos do laboratório alimentar: a ciência do emagrecimento, o mito da força de vontade e por que você nunca deveria fazer dieta..., sem tradução no Brasil).

Mas a influência do DNA sobre os efeitos do que se ingere não se relaciona apenas com o tipo físico — pessoas com maior tendência a engordar ou emagrecer. A composição genética, segundo Barrington, pode determinar se um alimento — gordura, por exemplo — levará ao acúmulo negativo de lipídeos no organismo ou se, ao contrário, fornecerá combustível saudável para o corpo funcionar. É essa associação que o biólogo vem investigando nos últimos anos e que, agora, é tema de seu pós-doutorado.

No laboratório do geneticista David Threadgill, da Universidade do Texas A&M, o cientista conduziu um estudo com ratos de quatro diferentes linhagens genéticas, expostos às principais dietas seguidas por pessoas de todo o mundo. De acordo com Barrington, os roedores têm suscetibilidade à obesidade e à síndrome metabólica semelhantes aos humanos, o que faz deles um modelo ideal para esse tipo de estudo. A diferença genética entre uma linhagem do animal e outra é similar àquela entre duas pessoas, acrescenta.

No experimento, que durou seis meses, os ratos foram alimentados com rações equivalentes aos cardápios que compõem as conhecidas dietas ocidental, japonesa, mediterrânea e cetogênica (a de baixo carboidrato e alto teor de gordura, lançada pelo Dr. Atkins). Para controle, outro grupo recebeu comida padrão de roedores. O acesso aos alimentos era livre: podia-se comer o quanto se aguentasse. Tudo foi meticulosamente anotado pelos pesquisadores.


COMPLICAÇÕES DIVERSAS


Ao longo do estudo, exames regulares monitoraram os animais. Como Barrington imaginava, houve diversidade nos efeitos positivos e negativos dos regimes alimentares, de acordo com o perfil genético de cada grupo. No caso da dieta ocidental, no geral, os efeitos foram negativos. Ainda assim, a severidade das consequências variou bastante. “Alguns tornaram-se obesos e tiveram sinais graves de síndrome metabólica. Outros sofreram efeitos mínimos, como elevação leve de gordura no fígado”, conta o cientista. Contudo, nenhum animal sob esse regime teve algum benefício para a saúde.

Os grupos que se mostraram resistente às consequências deletérias desse estilo alimentar, caracterizado, entre outras coisas, pelo consumo excessivo de comidas processadas e de gordura saturada, estranhamente sofreu efeitos negativos sob o regime cetogênico, cuja diferença, basicamente, está apenas na proibição de se ingerir carboidratos. Essa dieta que aposta nas proteínas e na gordura para, progressivamente, incluir alguns tipos de carboidrato, aumentou a queima calórica em todos os grupos. Contudo, em alguns perfis, isso não foi suficiente para emagrecer os ratos. “Eles comiam tanto que acabaram obesos e com as consequências negativas da obesidade para o organismo”, conta Barrington.

De acordo com ele, a transição do peso normal para o sobrepeso e, depois, para a obesidade ocorreu por motivos diversos. Em alguns ratos, o problema surgiu com a adoção da nova dieta, independentemente de o consumo ser ou não alto. Em outros, os animais engordavam após ingerir mais calorias do que antes.

As dietas mediterrânea e japonesa, conhecidas por serem consideradas mais saudáveis, surpreendentemente, produziram efeitos colaterais em determinados grupos. Embora a maioria dos ratos tenha se beneficiado da japonesa, um dos quatro tipos que receberam essa dieta sofreu disfunção hepática. Na mediterrânea, rica em azeite e vegetais, algumas linhagens de roedores tornaram-se obesas. “A genética desses ratos fez com que engordassem sob esse regime, mesmo comendo menos”, observa Barrington. “Nenhuma das dietas foi saudável para todos. Isso contradiz o conselho popular que advoga certos padrões dietéticos para todos. Os efeitos de saúde dependem da genética individual”, reforça.

“Nenhuma das dietas foi saudável para todos. Isso contradiz o conselho popular que advoga certos padrões dietéticos para todos. Os efeitos de saúde dependem da genética individual”

William Barrington, pesquisador da Universidade Estadual da Carolina do Norte

70% da variação de peso entre uma pessoa e outra pode ser explicada pelos genes, segundo estudo sueco feito com 247 pares de gêmeos




Número de casos de chikungunya aumenta nove vezes desde 2015

13/07/2016 - G1 - Jornal Hoje


O número de casos de chikungunya no país aumentou nove vezes do ano passado para cá. Essa explosão elevou também o número de mortes causadas pela doença. Na Bahia, algumas regiões enfrentam uma epidemia.

A dona de casa Maria do Rosário sabe bem o que é ter chikungunya. Ela mora em Feira de Santana, a 110 quilômetros de Salvador, uma das cidades que sofrem com epidemia da doença: “Atrapalha em muitas coisas mesmo e os pés e as pernas incham, sinto muitas dores musculares, principalmente no frio".

O vírus da chikungunya é transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue e a zika. A doença se manifesta entre dois e 12 dias depois da picada e causa febre, dor de cabeça, manchas vermelhas e dores nas articulações.

De janeiro a maio deste ano, segundo o Ministério da Saúde, foram notificados em todo o país 122.762, nove vezes mais do que no mesmo período do ano passado, que teve 13.160 casos.

A Bahia é o estado com maior incidência: de acordo com o levantamento do Ministério da Saúde foram 36.832 casos de janeiro a maio deste ano. A Secretaria de Saúde do estado contabilizou um mês a mais, até junho e o número já ultrapassa 39.500 casos.

A explosão de casos de chikungunya aumentou também o número de mortes causadas pela doença. No ano passado inteiro foram seis em todo o país. Este ano, até maio, 17 pessoas já morreram por complicações provocadas pela chikungunya, a maioria idosos”.

"Chikungunya não é uma doença branda, de forma nenhuma. Ela é uma doença altamente sequeladora. Muitos doentes, por exemplo, são idosos e têm oturas doenças associadas. Nós tivemos recentemente o caso de uma senhora com chikungunya que se internou e morreu de embolia pulmonar. A causa final foi embolia pulmonar, mas a causa primeira foi chikungunya", alerta o infectologista Antônio Bandeira.

Em casos mais graves, as dores nas articulações podem se estender por até seis meses. A dona de casa Maria dos Reis passou por isso, mas o pior já passou: "Não podia colocar os pés no chão, eu sentia muitas dores. Eu melhorei bastante, agora eu estou melhor".




Número de brasileiros contaminados pela AIDS sobe nos últimos anos

13/07/2016 - G1 - Jornal Hoje


O número de brasileiros contaminados pela Aids subiu nos últimos anos. Em 2010, 700 mil brasileiros tinham Aids. No ano passado, eram 830 mil pessoas infectadas pelo vírus. Esse aumento vai na contramão de outros países.

Dez anos convivendo com o vírus HIV. Um homem, que tem vergonha de se identificar, descobriu a doença quando a mulher engravidou pela primeira vez: “Foi um choque tanto pra ela quanto pra mim. Nós tínhamos uma saúde perfeita. Minha esposa fez todo o tratamento, tomou medicação, fez o acompanhamento médico e a minha filha foi negativada com um ano de idade”.

Ele e dezenas de pacientes fazem o tratamento de graça em um centro de atendimento na capital gaúcha. Porto alegre é a capital brasileira com a maior taxa de pacientes com aids: 94 casos por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde.

Para os médicos, a falta de prevenção é o principal motivo para o aumento dos casos. “O nosso modelo de prevenção faliu se continuar nessa linha que a gente vem trabalhando há muitos anos, de uma prevenção dirigida muito mais a um público geral, mais na área da informação e da educação imposta, da educação governamental”, afirma Maria Letícia Ikeda, médica infectologista.

Mas não são apenas os porto-alegrenses que andam se cuidando menos. Estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas revelou que a doença mata 15 mil pessoas por ano no Brasil.

Os dados vão na contramão do que vem acontecendo em outros países. Segundo a ONU, o número de casos caiu, apesar que pouco, em todo o mundo. Em 2010, eram 2,2 milhões de casos. Em 2015, erram 2,1 milhões de casos.

O homem do início da reportagem espera que esses dados sirvam de alerta: "Se eu tivesse que dar um recado para as pessoas seria para elas terem um pouquinho mais de amor prórpio e se cuidarem".




Postos médicos dão exemplo de bom funcionamento na atenção básica

13/07/2016 - G1 - Bom dia Brasil


O Bom Dia Brasil deu um giro pelo país esta semana para mostrar as dificuldades que pacientes enfrentam para conseguir atendimento nos postos de saúde em vários estados. E como essas falhas agravam as doenças e aumentam os gastos com o tratamento das complicações. Pois nesta quarta-feira (13) a gente mostrar um exemplo de que é possível prestar um bom atendimento para a população.

Todos os municípios mostrados na reportagem foram procurados pela produção do Bom Dia Brasil. Eles garantem que estão se empenhando para melhorar as condições de atendimento, com obras de infra-estrutura e contratação de profisssionais de saúde. Veja abaixo a íntegra das respostas das prefeituras.


PORTO ALEGRE


Os pontos apresentados vêm sendo constantemente tratados pela Secretaria Municipal de Saúde. Infelizmente, tivemos o óbito de um dos médicos que atendia na Unidade Rubem Berta. Identificada a falta de profissionais, a secretaria solicitou -excepcionalidade no processo de contenção de despesas - a contratação de médicos para as unidades. O concurso foi homologado em 16 de junho, e o primeiro colocado chamado em 30 do mesmo mês, que abriu mão da vaga, sendo necessária a convocação do segundo colocado. Vale ressaltar que enfrentamos uma grande dificuldade na colocação de médicos na Unidade Macedônia por ser um local distante do Centro da cidade, sendo preenchido especialmente por profissionais do Programa Mais Médicos.

A falta de reposição de profissionais do Programa Mais Médicos na capital (já foram123 e hoje são 97) agravou esta deficiência no atendimento, dependendo da liberação de novas contratações por parte do Ministério da Saúde. Ambas as unidades contaram ou contam com profissionais do Programa. A Unidade Rubem Berta possuía um profissional do Mais Médicos mas atualmente não conta com nenhum. Já a Unidade Macedônia contava com três médicos do programa e hoje dois fazem parte do grupo.

Em 70% das Unidades de Saúde do Município, implantamos o Acolhimento com Identificação de Necessidades. É o caso da Unidade Rubem Berta, que há menos de 15 dias iniciou este processo. Com a ação, acabamos com a fila nas Unidades de Saúde para marcação de consultas. Todos os usuários são atendidos e busca-se verificar em conjunto - profissional de saúde e usuário - a demanda a ser atendida, podendo ser médica, enfermagem ou odontológica (imediata, agendada ou até mesmo encaminhada para serviço de urgência). Também são averiguadas condições para outras ofertas de saúde como grupos ou até visitas domiciliares.


ITABORAÍ


A Policlínica de Manilha não é uma unidade de atenção básica, e sim, uma unidade de atenção especializada, que serve como referência para as unidades básicas de saúde, para atendimento secundário. Em relação ao atendimento, a Prefeitura irá apurar possíveis falhas e tomar as providencias devidas. As consultas de primeira vez e exames na Policlínica de Manilha não são marcadas diretamente pelo paciente. Os agendamentos são realizados a partir das demandas dos médicos que prestam o primeiro atendimento nas unidades básicas de saúde, uma central de regulação gerencia o sistema de marcação. As consultas a partir da segunda vez são marcadas pelos pacientes, por telefone. A Prefeitura trabalha para aperfeiçoar o sistema.

No momento, a Policlínica de Manilha conta com as seguintes especialidades: cardiologista, dermatologista, fonoaudiologia, gastroenterologia, ortopedia, fisioterapeuta, psicologia infantil e adulta, e dentista. Desde 1 de julho, há falta de neurologista, por pedido pessoal de afastamento do profissional. A Prefeitura já busca a reposição. Os exames disponíveis são audiometria e ultrassonografia.

A Prefeitura conta, ainda, com uma Policlínica anexa ao Hospital Municipal, que encontra-se com seu quadro de médicos com cardiologia, cirurgia geral, cirurgia pediátrica, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia plástica, dermatologia, endocrinologia, gastroenterologia, neurologia, ortopedia, pneumologia, proctologia, urologia e hematologia. Os exames são ultrassonografia, eletrocardiograma e colonoscopia. As consultas de primeira vez e exames também são marcados por demanda dos postos de saúde e gerenciados pela central de regulação.




ONU revela que redução dos casos de Aids está abaixo do esperado

13/07/2016 - G1 - Bom dia Brasil


A ONU divulgou um balanço sobre a epidemia de Aids no mundo e os números são bem preocupantes. De 2010 até 2015, o número de novos casos até caiu, mas caiu muito pouco: de 2,2 milhões para 2,1 milhões, isso em 5 anos. Atualmente, temos mais de 36 milhões de pessoas no mundo todo vivendo com o vírus HIV.

O maior retrocesso no combate à Aids foi no Leste Europeu e na Ásia Central, onde houve um aumento de 57% no número de infecções. Em metade dos casos, esse aumento foi entre pessoas que usam drogas injetáveis. América Latina e Caribe também tiveram aumento de novos casos, aumento de 2%. Pegando especificamente o Brasil, o crescimento do número de casos de pessoas com HIV aumentou em 4%. Esse aumento foi principalmente entre homens que mantêm relações com outros homens.

A ONU esperava acabar com a Aids até 2030, mas diante desses números declarou que a situação é tão grave que, inclusive, todos os avanços no combate à doença até agora, que foram muitos, podem ser perdidos.

Esse estudo revelou que a Aids mata 15 mil pessoas por ano no Brasil. Especialistas alertam que os brasileiros estão falhando na prevenção.

Os dados da Unaids, Programa da Organização das Nações Unidas para o combate à doença, mostram que, em 2010, 43 mil novos casos de Aids foram registrados no Brasil. Em 2015 esse número subiu para 44 mil. O país responde por mais de 40% das novas infecções por Aids na América Latina, segundo a pesquisa.

O estudo revela ainda que aumentou o número de pessoas vivendo com Aids no Brasil. Entre 2010 e 2015, essa população saltou de 700 mil para 830 mil pessoas. O aumento foi de 18%. Hoje, a doença é a causa de 15 mil mortes por ano no país.

Para a Unaids, o Brasil e outros países do continente que viram a epidemia avançar não estão se prevenindo como deveriam, e um infectologista de Salvador concorda. Ele lembra que a incidência tem aumentado entre os jovens, que não viveram a realidade da Aids nos anos 90, quando ainda não havia tratamento com coquetel de medicamentos e a doença era muito mais temida.

“Isso fez com que essa população ficasse menos temerosa do HIV e usasse menos camisinha, menos preservativo. Isso expôs demais essa população e as últimas estatísticas têm mostrado um aumento muito grande”, afirmou o médico infectologista Adriano Oliveira.

Outro dado da pesquisa: apenas 55% dos brasileiros que vivem com Aids hoje recebem o tratamento à base de medicamentos. O professor Moisés Toniolo é um desses pacientes, convive com o vírus há 17 anos graças ao coquetel, mas lembra que isso não pode justificar a falta de cuidado. “’Existe tratamento, mas isso não é uma cura. As pessoas precisam se cuidar e ter, de certa forma, repassar os seus comportamentos, o seu modo de agir com o auto cuidado e o cuidado do outro para que a gente possa conter a epidemia. A gente precisa de um pouco mais de consciência nesse caso", declarou.

O Ministério da Saúde considera que o número de novos casos de Aids é estável no país, e que o Brasil concentra 40% dos casos da América Latina, porque tem a maior população da região.

O Ministério da Saúde disse também que investe em ações de prevenção, como a distribuição de preservativos e também oferece testagem rápida e o tratamento precoce da doença com coquetéis.




Obesidade é três vezes mais mortal entre os homens, diz estudo

14/07/2016 - O Globo / Site


A obesidade é três vezes mais mortal para os homens do que para mulheres, e mesmo um singelo aumento de peso eleva o risco de morte prematura, segundo um estudo internacional publicado na revista “Lancet”.

Os obesos podem perder até três anos de vida, enquanto pessoas com sobrepeso morrerão um ano mais cedo do que se mantivessem condições de vida saudáveis.

O levantamento, assinado pelas universidades Harvard (EUA), Oxford e Cambridge, ambas britânicas, é o mais ambicioso relato sobre a relação entre morte e obesidade.

Normalmente, menos de um em cada cinco homens morrerão antes de completar 70 anos de idade, mas este índice salta para quase um em três na população moderadamente obesa, e oito em dez entre os obesos mórbidos.

— Descobrimos que os homens obesos têm risco de morte prematura muito maior do que as mulheres obesas — revela Emanuele Di Angelantonio, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Cambridge. — Isso é consistente com observações anteriores de que homens obesos têm índices maiores de resistência à insulina, gordura no fígado e risco de diabetes do que as mulheres.

Atualmente, no Reino Unido, cerca de 61% dos adultos estão com sobrepeso ou obesidade. O peso médio médio da população cresce constantemente desde a década de 1970. Em 1975, o britânico médio tinha um IMC (índice de massa corporal) de 23, que é considerado um peso saudável. Hoje, porém, que subiu para 27, o que já se encaixa na categoria de pessoas acima do peso.

Dez tipos de câncer estão ligados a sobrepeso e obesidade, além de enfermidades como a diabetes tipo 2, acidente vascular cerebral e doenças respiratórias.

Os pesquisadores compilaram dados de 10,6 milhões de pessoas que participaram de 239 estudos entre 1970 e 2015, em 32 países diferentes. O levantamento apontou riscos maiores de morte prematura para as pessoas que estavam classificadas como abaixo do peso ou acima do peso.

Ao atingir a obesidade mórbida, nível mais elevado do IMC, o risco de morte prematura aumentava mais de quatro vezes em homens. Para as mulheres, este nível cresceu 2,7 vezes.

De acordo com o estudo, uma em cada sete mortes prematuras poderia ser evitada, se as pessoas obesas ou com sobrepeso emagrecessem.

— A obesidade é a segunda maior causa de morte prematura na Europa, perdendo apenas para o câncer de pulmão — destaca Richard Peto, pesquisador da Universidade de Oxford, que também assina o levantamento.

Segundo Peto, a pesquisa refuta o “paradoxo da obesidade”, uma teoria em voga em diversos estudos recentes, que sugerem que, em alguns casos, a gordura poderia proteger o organismo.




Nações Unidas alertam para risco de nova epidemia de Aids

13/07/2016 - O Globo


O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) alertou em um relatório divulgado ontem que, embora o número de novas infecções tenha declinado, ainda são necessárias medidas para evitar a retomada de uma epidemia global.

Estima-se que 1,9 milhão de adultos são infectados pelo HIV a cada ano, de acordo com observações realizadas entre 2010 e 2015. Em todo o mundo há cerca de 36,7 milhões infectados.

Os novos registros de HIV entre adultos (pessoas com mais de 15 anos de idade, segundo o relatório) estão subindo em várias regiões do mundo: Leste Europeu, Ásia Central, Caribe, Oriente Médio e Norte da África.

Também foi registrado aumento, embora menos significativo, na América Latina. No Brasil, por exemplo, o número de casos cresceu 4% desde 2010. O país é elogiado por tomar iniciativas como fornecer preservativos gratuitamente, mas recebe críticas pela má distribuição dos recursos voltados à prevenção contra a doença.

— Estamos soando o alarme — disse Michel Sidibé, diretorexecutivo da Unaids. — Temos uma janela de oportunidade de cinco anos. Se perdermos isso, não seremos capazes de encerrar a epidemia de Aids até 2030.


35 MILHÕES DE MORTOS


Desde o seu início, há 35 anos, a epidemia de HIV matou cerca de 35 milhões de pessoas com doenças relacionadas à Aids, e aproximadamente 78 milhões foram infectadas com o vírus. O grupo mais vulnerável, que responde por 20% dos novos registros anuais, é de mulheres entre 15 e 24 anos.

— A prevenção ao HIV não está funcionando entre jovens mulheres na África Subsaariana. Elas precisam de mais opções — reivindicou Sidibé.

No Leste Europeu e na Ásia Central, o índice anual de novas infecções por HIV aumentou 57% nos últimos cinco anos. Cerca de metade das ocorrências foi entre pessoas que injetam drogas. Rússia e Ucrânia registram nove entre cada dez novos casos nestas duas regiões. Segundo Sidibé, a epidemia está se movendo vagarosamente dos grupos de risco para toda a população.

Em 2014, segundo o relatório, homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo e seus clientes, transgêneros, pessoas que injetam drogas e prisioneiros estavam ligados a 35% das novas infecções de HIV no mundo.

Estima-se que homens que fazem sexo com outros homens têm 24 vezes mais riscos de serem infectados com o vírus HIV do que o resto da população. Entre os transgêneros, este índice é 49 vezes maior do que o observado em outras pessoas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, todas as pessoas diagnosticadas com HIV devem ter acesso imediato a medicamentos antirretrovirais, que mantêm o vírus sob controle e dão aos pacientes uma boa chance de ter uma vida longa e relativamente saudável.

O alerta do aumento das infecções por HIV é divulgado no momento em que as contribuições internacionais para a luta contra a Aids atingiram seu nível mais baixo desde 2010. Em 2013, a população infectada contava com US$ 9,7 bilhões. No ano passado, o valor caiu para US$ 8,1 bilhões. Para compensar a queda, os países em desenvolvimento intensificaram investimentos domésticos em saúde pública.

O novo relatório critica o modo como o Brasil distribui suas riquezas no combate ao vírus da Aids. Aqui, apenas 6% da verba é destinada à prevenção efetiva. Trata-se de um índice menor do que o observado em outros dois países cuja doença tem padrão epidêmico — na África do Sul, o investimento nesta finalidade equivale a 10% dos recursos para a luta contra o HIV e em Myanmar, a 15%.




Ministério da Saúde estima 20 mil atendimentos ligados à Olimpíada

12/07/2016 - Valor Econômico / Site


O Ministério da Saúde estima que haja 20 mil atendimentos médicos e 700 remoções durante os Jogos Olímpicos. Esses serviços serão monitorados por um centro de operações apresentado nesta terça (12), no Rio.

O Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde fará uma vigilância do atendimento médico a atletas, delegações e espectadores dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

Segundo o Ministério da Saúde, o centro irá monitorar as situações de risco, a demanda por atendimento, a vigilância epidemiológica e sanitária e coordenar respostas diante de emergências em saúde pública.

Funcionará no Centro de Operações Rio, da Prefeitura, do dia 29 de julho a 26 de setembro.

Esse tipo de monitoramento já foi feito em eventos como a Copa do Mundo e Jornada Mundial da Juventude. Durante a Copa, por exemplo, 0,2% dos participantes necessitaram de algum tipo de atendimento de saúde fora das arenas.

Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa internacional é que entre 1% e 2% do público em eventos de massa necessite de algum cuidado médico e 0,2% a 0,5% tenha necessidade de transferência para serviços de maior complexidade.

A crise financeira do Estado atingiu a saúde, que entrou em colapso no final de 2015, quando emergências chegaram a fechar.

Com o repasse de R$ 2,9 bilhões do Governo Federal ao Estado para a segurança pública durante a Olimpíada, a saúde conseguiu um remanejamento de R$230 milhões da verba estadual para regularizar o pagamento de seus servidores.

O Ministério contratou 2.500 mil profissionais de saúde temporários e de 3.500 mil agentes para inspecionar e eliminar focos de dengue e zika.

Também foi lançado um site (www.saude.gov.br/viajante) com orientações para os brasileiros e turistas sobre os cuidados e a prevenção à saúde e um aplicativo de monitoramento, o Guardiões da Saúde. Segundo o Ministério, a ferramenta torna possível mapear a ocorrência de sintomas similares relatados em determinadas localidades.

A Rio-2016 prestará serviços médicos dentro das áreas de competição. Oferecerá atendimento externo particular a atletas e delegações. Espectadores que precisem de remoção dos locais de competição serão atendidos no SUS, na rede de assistência organizada pelo município.

O Ministério espera que mais 90% dos atendimentos nas áreas de competição sejam resolvidos no próprio local.




Alerta constante

12/07/2016 - Guia da Farmácia


Os dias mais frios trazem conforto para alguns e desconforto para tantos outros. É nesta época do ano que a população passa a ser mais acometida por doenças, principalmente as respiratórias que, em sua maioria, estão relacionadas com problemas alérgicos.

Estima-se que, no Brasil, existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos. Ela é uma causa importante de faltas escolares e no trabalho. Segundo o DATASUS, o banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), ligado ao Ministério da Saúde (MS), ocorrem, anualmente no Brasil, em média, 350 mil internações. A asma está entre a terceira ou quarta causa de hospitalizações (2,3% do total).

A doença é considerada crônica e atinge todas as faixas etárias, sendo que o primeiro episódio acontece 90% das vezes nos primeiros cinco anos de vida.

De acordo com o coordenador da comissão de asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Dr. Emílio Pizzichini, a asma é uma doença complexa, geralmente determinada pela combinação de fatores hereditários e ambientais, ou seja, ela não é apenas hereditária.

Não que a predisposição genética não tenha influência nos casos da asma, como explica a médica pneumologista e intensivista do Hospital Israelita Albert Einstein e professora livre-docente da disciplina de pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Dra. Carmen Silvia Valente Barbas: "O paciente tem de ter uma predisposição genética para iniciar um quadro de asma, que é uma doença inflamatória das vias aéreas, mais comumente iniciada após infecção respiratória, contato com alérgeno, frio, exercício físico".


DIFERENÇAS ENTRE AS DOENÇAS


A asma, segundo os especialistas, é caracterizada por uma resposta inflamatória do tipo alérgica, na mucosa respiratória e que resulta em uma hiperatividade brônquica. Os principais sintomas são cansaço, tosse noturna, tosse induzida por exercícios físicos, vômitos pós-tos-se, entre outros.

A principal característica clínica é a ocorrência de episódios intermitentes (crises) de falta de ar, principalmente à noite ou de madrugada, seguida por chiado, sensação de aperto ou peso no peito, tosse seca (que pode ser de manifestação isolada). Inicialmente, esses sintomas podem aparecer somente quando o paciente pratica algum exercício físico, mas se houver agravamento da doença, eles passam a existir mesmo em repouso, sendo piorados pela atividade.

Além disso, o mestre e doutor em alergia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), integrante da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), Dr. Raul Emrich, esclarece que existem variações da asma. "Por exemplo, há a que só aparece em crianças pequenas, junto com doenças virais febris e desaparece com o crescimento; a que só aparece com exercício, a não alérgica que surge na vida adulta, etc."

Em muitas dessas situações, existirá a necessidade de tratamento prolongado, visando uma vida melhor. Tratar, nesse caso, de acordo com o médico, não significa curar, mas permitir uma boa qualidade de vida. Quando o indivíduo passa por uma mudança de fase na vida (por exemplo, da infância para a adolescência, ou após uma gravidez), é possível que a asma se modifique, ou "sossegue".

Recentemente, a diretriz internacional chamada de GINA (iniciativa global para asma, ou Global Initiative for Asthma - www.ginasthma.com) propôs os termos Asma Controlada e Asma Não Controlada. "Asma não tem cura, mas hoje existem tratamentos eficientes para minimizar ao máximo todos os sintomas e controlar eficientemente a inflamação, evitando crises e hospitalizações, proporcionando ao paciente uma excelente qualidade de vida", completa o Dr. Emrich.

Já a bronquite é uma inflamação da árvore brônquica e pode ser aguda ou crônica. A bronquite aguda é causada, em geral, por vírus, mas pode ser decorrente também de infecções bacterianas. É mais frequente nos meses de outono e inverno. A bronquite crônica é um termo antigo, substituído hoje pela designação Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que engloba a bronquite crônica e o enfisema.

Para outros especialistas, o termo asma é empregado para a doença mais crônica, enquanto bronquite pode ser um quadro mais agudo. A bronquite, em adultos, está também associada ao uso do tabaco e outros poluentes ambientais.


O QUE DESENCADEIA UMA CRISE?


Os principais sintomas da asma são crises de dispneia ("falta de ar"), sibilos ("chiado") e tosse. Os principais sintomas de DPOC são a tosse produtiva (com secreção), praticamente diária, e dispneia relacionada aos esforços físicos, com agravamento progressivo. Os pacientes com DPOC também podem apresentar sibilos.

Os principais fatores desencadeantes de crises de asma são a exposição aos alérgenos inaláveis (ácaros, fungos, pelos de animais, polens, alérgenos ocupacionais, etc.) e aos poluentes intradomiciliares e extradomiciliares (fumaça de cigarro, odores fortes, poluentes da combustão de veículos, poluentes industriais, etc.). Contudo, outros agentes/ fatores também podem ocasionar crises de asma em determinados indivíduos, tais como exercício físico, medicamentos, infecções respiratórias, alimentos e estresse emocional, explica a Dra. Norma.

Apesar de serem consideradas doenças sem cura, mas que exigem cuidados, essas enfermidades levam ao remodelamento do brônquio. Por exemplo, quando a pessoa se corta, aparece uma cicatriz. Isso acontece com o brônquio, levando a troca do tecido por tecido cicatrizante, que não tem a mesma elasticidade, o que faz com que haja uma restrição e a diminuição da capacidade respiratória. A condição pode causar até problemas cardíacos, se não tratada adequadamente.


FORMAS DE CONTROLE


O tratamento de ambas as doenças é dirigido ao combate dos sintomas. Nos pacientes asmáticos, a normalização da função pulmonar é objetivada. A estratégia terapêutica vai depender da gravidade da doença individual de cada paciente, bem como a resposta ao tratamento. "Alguns cuidados servem para ambas as doenças, como vacinação contra o vírus influenza anualmente, e para aqueles usuários do tabaco, a cessação é obrigatória", complementa o pneumologista do Hospital Bandeirantes, Dr. André Suzuki.

De modo geral, a Dra. Norma explica que o tratamento da asma inclui medidas de controle ambiental, tratamento medicamentoso e imunoterapia (vacinas). O controle ambiental visa à prevenção da exposição aos alérgenos e poluentes ambientais. O tratamento medicamentoso subdivide-se em tratamento das crises e tratamento inter crise.

Nas crises, utiliza-se, de acordo com a gravidade do caso, beta-agonistas de ação curta por via inalatória e corticosteroides sistêmicos (via orai ou endovenosa). Na inter crise, também de acordo com a gravidade da doença e faixa etária, estão indicados os corticosteroides inalados, beta--agonistas de ação prolongada via inalatória, anti leucotrienos, cromoglicato, corticosteroides orais, anti-lg e terapia imunossupressora. A imunoterapia específica está indicada nos casos em que há sensibilização alergênica comprovada aos alérgenos inaláveis.

O tratamento da DPOC inclui a terapia não medicamentosa e medicamentosa.

O asmático, quando bem tratado, deve ter uma vida normal. Os cuidados são os mesmos da população em geral, como presença de doenças infecciosas (especialmente a gripe), atividades físicas e boa alimentação.




Ampliação de serviço

12/07/2016 - Guia da Farmácia


O fato de que a incidência de gripe aumenta no inverno é de conhecimento geral. No entanto, em meados de março deste ano, um surto de H1N1, fora de hora, causou alvoroço entre os brasileiros. Enquanto ao longo de 2015 foram registrados 141 casos e 36 mortes relacionados ao vírus H1N1, até o início de junho, foram notificados 1.050 casos e 310 mortes atribuídas à doença.

O resultado foi que, logo no início do ano, quando os termômetros ainda marcavam altas temperaturas, as notícias sobre uma possível nova epidemia fizeram lotar os postos de saúde pública. No entanto, o governo não estava preparado para um surto antecipado. A solução foi liberar lotes de vacina apenas para membros dos grupos de risco, como crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças crônicas. No entanto, quem não se enquadrava nesses grupos também queria proteção. Além disso, queria ter acesso à versão mais atualizada da vacina, essencial para o combate a um vírus que está em constante mutação. Isso fez com que se formassem longas filas nas clínicas particulares que ofereciam o serviço. Na cidade de São Paulo, pessoas chegaram a aguardar até cinco horas para receber a imunização.

Como manda a lei máxima do capitalismo - oferta e procura -, muitas clínicas se aproveitaram da busca desesperada pela vacina e elevaram os preços às alturas. O abuso foi tanto que denúncias de consumidores levaram a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) a notificar alguns estabelecimentos a prestar esclarecimentos sobre aumento excessivo do preço da vacina contra a gripe H1N1.

Em uma das clinicas vistoriadas, foi constatado o aumento de 50% do preço anterior referente ao primeiro lote. Nelas, as vacinas variavam de RS 90 a R$ 120. Ao Procon, as empresas notificadas alegaram que o reajuste se deu por conta dos fornecedores, que aumentaram em 13,5% o valor das vacinas.


SOLUÇÃO À VISTA


Enquanto o consumidor fica desprotegido, sem acesso pleno à vacina gratuita concedida pelo governo e à mercê de preços altos e filas imensas em estabelecimentos particulares, farmácias preparadas para oferecer vacinação estão impedidas de colocar à disposição o serviço.

A Lei 13.021/14, que trata dos serviços de Atenção Farmacêutica, já autoriza que as farmácias disponibilizem vacinas para uso imediato por parte da população. No entanto, antes que o serviço entre em vigor, de fato, é necessário que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emita uma norma técnica que regulamente a atividade. Entretanto, depois de dois anos desde que a lei foi aprovada e sancionada, a norma ainda não foi divulgada.

"Se a aplicação das vacinas nas farmácias já tivesse sido regulamentada, teríamos aumentado muito a capacidade privada de atendimento à população. Isso sem falar na facilidade de acesso, com os horários extensivos de atendimento, e um provável preço bem mais acessível do serviço. Tudo isso com a segurança necessária, pois será o farmacêutico o profissional responsável por conduzir o serviço", afirma o presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sergio Mena Barreto.

De acordo com o executivo, a prática já se mostrou acertada em outros países e não somente em relação à gripe. Com a possibilidade de obter as mais diversas vacinas nas farmácias, aumentou-se muito o nível de imunização dos cidadãos para doenças, como, herpes zoster, hepatite A e B, HPV, meningite, pneumonia, tétano e outras.

"Nos Estados Unidos, por exemplo, nos estados onde as farmácias oferecem vacinação, houve aumento na cobertura vacinai de 148% contra pneu-mococos - principalmente em idosos, que são os mais atingidos pela doença - e de 77% contra herpes zoster, em comparação a outros locais onde o serviço não é oferecido" argumenta Mena Barreto.

O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) também defende a regulamentação que permitirá que farmácias possam aplicar vacinas e soros. "São estabelecimentos capilarizados por todo o território e o acesso facilitado poderia aumentar o volume de imunizações, e, com isso, até baratear o preço dessa vacina, sem diminuir a qualidade do serviço, visto que o farmacêutico é um profissional qualificado para realizar esse procedimento de forma segura", afirma a gerente de Secretaria Central das Comissões de Ética do CRF-SP, Dra. Luciane Maria Ribeiro Neto.


BUROCRACIA NO CAMINHO


Apesar da Lei 13.021/14 permitir que farmácias de qualquer natureza disponham de vacinas para atendimento à população, o estabelecimento, que opte por prestar o serviço de aplicação de injetáveis, está condicionado à autorização prévia por parte do órgão sanitário, conforme disposto na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 44/09 da Anvisa, mediante cumprimento de requisitos exigidos de infraestrutura e materiais, por isso nada pode ser colocado em prática sem a norma técnica.

"Ressaltamos que o fornecimento e aplicação de vacinas ainda pode estar condicionado a outros critérios, que devem ser verificados junto ao órgão de vigilância sanitária e até mesmo epidemiológica", esclarece a Dra. Luciane.

De acordo com a assessoria de imprensa da Anvisa, o arcabouço regulatório já existe e não há impedimento legal que proíba a aplicação de vacinas em farmácias. O órgão, inclusive, destacou diversas legislações que tratam do tema: Portaria Conjunta Anvisa/ Funasa n° 01, de 2 de agosto de 2000, que já prevê vacinação em estabelecimentos privados de vacinas; a Lei 5991/73; o Decreto 74170/74; e a RDC 44/09.

"O que está sendo trabalhado agora é uma norma técnica para deixar mais clara a execução dessa atividade em farmácias, já que há entendimentos diferentes da norma atual. O prazo é de um mês, no máximo", informou a assessoria de imprensa no dia 16 de maio último (data em que esta reportagem foi apurada. Até o dia 18/06, data de fechamento desta edição, nenhuma novidade foi anunciada).

A Abrafarma reconhece o apoio e o esforço que a atual diretoria vem fazendo para tentar modificar a estrutura da Anvisa, sem deixar de lado a defesa da segurança na qualidade dos produtos e serviços de saúde, mas critica o excesso burocrático que impacta o tempo de análises de processos.

Não faz nenhum sentido entulhar a estrutura com autorizações de funcionamento de filiais, um processo meramente burocrático e sem sentido, e que duplica a ação dos municípios, que efetivamente são os responsáveis por licenciar e fiscalizar os estabelecimentos farmacêuticos. Isso sem falar das inúmeras reuniões da Diretoria Colegiada que se dedicam a avaliar recursos e mais recursos administrativos, atravancando a pauta, protelando a discussão de assuntos muito mais nobres.


NORMA TÉCNICA


A Lei 13.021/14 não trata de aspectos técnicos sobre a aplicação de vacinas, mas a prestação do serviço de aplicação de injetáveis de forma geral em farmácias está prevista na RDC 44/09 com algumas exigências, como a presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento; localização conveniente, sob o aspecto sanitário; equipamentos necessários à conservação adequada de imunobiológicos; acessórios que satisfaçam os requisitos técnicos estabelecidos pela vigilância sanitária; além de destacar a responsabilidade do farmacêutico quanto à garantia, eficácia e segurança da terapêutica prescrita e da observação dos aspectos técnicos e legais do receituário.


CONSERVAÇÃO DAS VACINAS


De acordo com a Dra. Luciane, vacinas requerem condições especiais de temperatura de armazenamento e conforme previsto na RDC 44/09. "Para aqueles produtos em que há exigência de condições especiais de armazenamento, devem ser obedecidas as especificações declaradas na respectiva embalagem, devendo a temperatura do local de armazenamento ser medida e registrada diariamente, sendo do farmacêutico a responsabilidade pela manutenção da adequada conservação e armazenamento de produtos farmacêuticos ou não dispensados na farmácia."

Por isso, a Norma Técnica da Anvisa deve conter exigências como:

• A conservação das vacinas é feita por meio do sistema denominado rede ou cadeia de frio. Esse sistema inclui o armazenamento, o transporte e a manipulação de vacinas em condições adequadas de refrigeração desde o laboratório produtor até o momento em que a vacina é aplicada.

• Esse sistema rede ou cadeia de frio é respeitado em quatro níveis: 1. nível nacional, 2. central estadual, 3. regional e 4. local.

As câmaras de conservação ou geladeiras deverão ser usadas única e exclusivamente para os imunobiológicos, ou seja, serão câmaras de conservação ou geladeira dedicadas às vacinas. Deverão ter regulagem de temperatura máxima e mínima e devem ter um rígido controle.

Deverão ficar longe de fontes de calor, como estufa, autoclave, raios solares, etc. A fonte de energia elétrica deverá ser unicamente destinada ao refrigerador. Nunca ligá-lo em T ou com benjamim.

O estabelecimento deverá criar Procedimentos Operacionais Padrão para todas as operações demandadas a esta finalidade. "É necessário prever quais ações serão necessárias em situação de emergência, por exemplo, quebra de um refrigerador, entre outras, como: arrumação das vacinas no refrigerador; ordem de colocação; congelamento ou não e seu impacto na estabilidade das vacinas. Além disso, será preciso estabelecer o controle de toda a documentação necessária para assegurar a rastreabilidade das ações", destaca a professora titular e farmacêutica responsável pela Farmácia-Escola da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e professora titular do curso de Farmácia da Universidade de Guarulhos (UnG), Maria Aparecida Nicoletti.




Coração valente

12/07/2016 - Guia da Farmácia


Viver e envelhecer com saúde é um desafio e tanto para pessoas em todo o mundo. Doenças crônicas, genéticas, hereditárias, adquiridas por hábitos de vida desregrados estão na lista das que mais comprometem a qualidade de vida das pessoas.

A incidência de hipertensão entre a população mundial é muito alta e, no Brasil, não é diferente. Segundo informações fornecidas pelo presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), Dr. Marcelo Cantarelli, estima-se no mundo que a hipertensão arterial atinja entre 8% e 30% da população, dependendo da região estudada. No Brasil, mais de 17 milhões de pessoas são hipertensas. A prevalência aumenta com a idade, enquanto incide em 14% da população até 34 anos de idade, entre os idosos acima dos 65 anos de idade, ela atinge mais de 63%.

Mesmo convivendo muito de perto com o fantasma da hipertensão, o brasileiro parece não estar preocupado com a saúde e segue ignorando os fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento do problema. O número de brasileiros obesos, por exemplo, cresce ano a ano. Dados divulgados em 2015 pelo Ministério da Saúde (MS) mostram que, em 2006, 43% da população estava acima do peso. Hoje, o Índice chega a 52,5%. Ou seja, mais da metade dos brasileiros apresenta pelo menos um fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como a hipertensão.

O aumento do número de pessoas de mal com a balança pode ser explicado pela falta de atividade física. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 46% da população - um total de 67,2 milhões pessoas - com 18 anos de idade ou mais é sedentária, o que ajuda a agravar o quadro de hipertensos no País.

Outros maus hábitos, o avanço da idade e características raciais também podem influenciar no descontrole da Pressão Arterial (PA). "A ingestão excessiva de sal e álcool, tabagismo e fatores socio económicos também são desencadeadores", relata a cardiologista do Centro de Cardiologia do Hospital 9 de Julho, Dra. Beatriz da Silva Costa.

A consequência dessa falta de cuidado com o corpo é perigosa. Todos os anos, 300 mil pessoas morrem no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares, sendo que mais da metade das complicações fatais tem origem na pressão alta. Pelo menos 40% dos infartos e 80% dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) ocorrem devido ao descontrole da PA.


EFEITOS NO ORGANISMO


Por que a hipertensão é tão perigosa e aparece como o principal fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares? Segundo descreve a Dra. Beatriz, a pressão alta compromete o equilíbrio entre o relaxamento e a contração dos vasos, levando a um aumento da tensão sanguínea, isto é, a força que o sangue exerce sobre as paredes das artérias, sendo capaz de prejudicar a irrigação tecidual e provocar danos aos órgãos irrigados.

Quando o organismo está sob o efeito desse desequilíbrio, inúmeras podem ser as consequências: complicações vasculares (para cada 10 mmHg de elevação da PA, o risco vascular se eleva em 28%); Doença Arterial Coronariana Aguda e Crônica (DAC); Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); Hipertrofia do Ventrículo Esquerdo (HVE); AVC Isquêmico e Hemorrágico; Insuficiência Renal Crônica; e Hipertensão Maligna.


COMO PREVENIR E TRATAR


A hipertensão é considerada um dos principais fatores de risco modificáveis. Hereditariedade e idade avançada são fatores que não podem ser trabalhados, mas há diversos outros agentes da doença que, se evitados, podem reduzir - e muito - a chance de desenvolvimento do problema. Antes de ser obrigado a procurar um médico e passar a ter de se medicar diariamente, há uma série de comportamentos que podem ser adotados por uma pessoa que deseja frear os riscos de se tornar um doente crônico. "A prevenção primária e a detecção precoce são as formas mais efetivas de evitar as doenças e devem ser metas prioritárias dos profissionais de saúde", acredita a Dra. Beatriz.

Segundo a nefrologista membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Dra. Frida Liane Plavnik, para evitar a doença, é preciso tomar medidas gerais de reeducação, também conhecidas como modificações no estilo de vida. A mudança de hábitos é necessária, principalmente, em indivíduos com PA limítrofe (PA < 140/90 mmHg).

Entre as novas atitudes, devem estar: medição regular da PA, alimentação saudável, prática de atividade física pelo menos cinco dias por semana, manutenção de peso adequado, diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, não fumar e controle do estresse (nervosismo). "Tentar administrar os problemas de uma maneira mais tranquila. A arte de viver bem é enfrentar os obstáculos do dia a dia com sabedoria e equilíbrio", aconselha a Dra. Frida.


TERAPIA MEDICAMENTOSA


A menos que haja uma necessidade evidente para o uso imediato de medicamentos, como no caso de pacientes com níveis de PA acima de 180/110 mmHg, a maioria dos pacientes, primeiramente, deve ter oportunidade de tentar reduzi-la por meio de tratamento não farmacológico, a partir das modificações no estilo de vida citados anteriormente.

No entanto, uma vez já instalada a hipertensão, medidas farmacológicas devem ser instituídas. A hipertensão arterial essencial não tem cura, mas deve ser tratada para impedir complicações. Em indivíduos com PA limítrofe, recomenda-se tratamento medicamentoso apenas em condições de Risco Cardiovascular Global alto ou muito alto. Esse risco é definido como a probabilidade de um indivíduo ter um evento [angina, Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), AVC ou morte], durante um período de dez anos. Quanto maior o risco, maior o potencial benéfico de uma intervenção terapêutica ou preventiva.

Apesar de eficazes, os medicamentos não conseguem realizar a tarefa da redução de PA sozinhos. O sucesso do tratamento depende fundamentalmente de mudança comportamental e da adesão a um plano alimentar saudável. "Pequena perda do peso corporal está associada a reduções na PA em pessoas com sobrepeso. Reduzir a ingestão de álcool para no máximo 30 g de etanol para homens e 15 g para mulheres também surte efeitos, assim como a cessação do tabagismo", aponta a Dra. Beatriz.

Quando benfeito, o tratamento farmacológico junto a atitudes saudáveis conseguem reduzir a morbidade e mortalidade. Assim, os anti-hipertensivos e as mudanças de hábito são capazes não só de reduzir a PA, como também diminuir os eventos cardiovasculares fatais e não fatais.


A SERVIÇO DA POPULAÇÃO


O procedimento de medida de PA pode ser realizado por todos os profissionais da área de saúde habilitados para tal. No entanto, apesar do procedimento ser simples, existem algumas particularidades que precisam ser respeitadas. É importante que todos os profissionais de saúde tenham conhecimento das técnicas padronizadas para tal procedimento. Os mesmos devem ser treinados e certificados como aptos e periodicamente reavaliados para confirmar a adequação de como a PA está sendo avaliada.

Da mesma forma, o local onde a medida de pressão será feita deve respeitar algumas exigências. Há necessidade de uma sala separada onde o paciente possa permanecer em repouso por no mínimo de três a cinco minutos e que o ambiente não sofra interferência de sons externos. Não é correto fazer a medida em condições ambientais diferentes da situação exposta acima.

Em nota, a SBH afirma que não é contrária à medida de pressão na farmácia, desde que o profissional responsável por tal procedimento seja devidamente treinado e certificado. A instituição tem, inclusive, disponível material educativo para profissionais da saúde e pode promover treinamento, quando solicitado.

É importante orientar aos pacientes da farmácia que:

Evitem: açúcares e doces, derivados de leite na forma integral, com gorduras, carnes vermelhas com gordura aparente e vísceras, temperos prontos, alimentos industrializados que vêm em latas ou vidros, alimentos processados e industrializados, como embutidos, conservas, enlatados, defumados, charque.

Prefiram: alimentos cozidos, assados, grelhados ou refogados, temperos naturais, como limão, ervas, alho, cebola, salsa e cebolinha, frutas, verduras e legumes, produtos lácteos desnatados.


INSUFICIÊNCIA CARDÍACA


De acordo com o cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Antonio Carlos Bacelar, a Insuficiência Cardíaca (IC) é a via final comum da maioria das doenças que acometem o coração. "A IC é uma síndrome complexa em que o coração é incapaz de bombear o sangue no volume necessário para suprir as necessidades do organismo. A mortalidade por doenças cardíacas aumenta progressivamente com a elevação da PA. A IC é a causa mais frequente de internação por doença cardiovascular. É uma doença que causa importante diminuição da qualidade de vida e possui alta mortalidade", diz.

Segundo o cardiologista, Dr. Giovanni Pinto, a IC está relacionada a diversas doenças que afetam diretamente o coração e estas, em sua grande maioria, ficam mais prevalentes com a idade, por isso a relação com a idade do paciente. Para ele, a incidência e prevalência absoluta de IC é discretamente maior em homens, mas mulheres são menos propensas a ter doença arterial coronariana e mais propensas a ter hipertensão.

Ainda de acordo com o Dr. Giovanni Pinto, no Brasil, estima-se que mais de dois milhões de pessoas tenham IC e surgem aproximadamente 240 mil novos casos por ano. Em junho de 2015, a revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicou um estudo coordenado pelo professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FMC-UERJ), Dr. Denilson Albuquerque, mostrando que 50 mil pessoas morrem todos os anos no Brasil em função de complicações cardíacas.

A IC pode ser resultado de inúmeras patologias como, por exemplo, IAM, doenças nas valvas, miocardite, doenças congênitas, alcoolismo, uso de drogas e a própria hipertensão.

"No entanto, quase 50% das vezes não conseguimos identificar uma causa para a IC, sendo chamada de idiopática. Como a maioria das causas apresentadas é mais prevalente na população com idade mais avançada, a IC acaba por ser mais comum também nesta faixa etária, podendo, no entanto, também se manifestar em faixas etárias mais jovens", explica o cardiologista do Hospital Samaritano de São Paulo, Dr. Alexandre Galvão.




Essenciais para adultos e crianças

12/07/2016 - Guia da Farmácia


Uma dieta equilibrada contemplando carboidratos, gorduras, proteínas, minerais e vitaminas. Essa é sempre a recomendação dos médicos, mas seguir as orientações é uma meta pouco alcançada por grande parte da população, com destaque para as vitaminas. "De forma geral, os brasileiros não costumam suprir as taxas adequadas e isto acontece por diversos motivos, passando pela falta de informação sobre a importância desses nutrientes, hábitos alimentares ruins, excesso de produtos industrializados na dieta, erros no preparo dos alimentos, dietas restritivas, entre diversas outras razões", afirma a nutricionista do Hapvida, Maria Cristina Câmara Bernhard.

Seja qual for o motivo para essa carência nutricional, sabe-se que são muitos os prejuízos que a deficiência vitamínica pode trazer ao organismo. "As vitaminas são importantes para inúmeras funções biológicas. Elas participam da formação da estrutura óssea e dos dentes, são importantes para a cicatrização, para a integridade do sistema imunológico e também podem evitar problemas, como anemia, falta de apetite e até alguns tipos de câncer, por exemplo", mostra.

Acompanhe, a seguir, o papel de algumas vitaminas para o bom funcionamento do corpo em algumas fases da vida:

Vitamina C: o organismo armazena uma quantidade pequena desta vitamina. Por isso, sua ingestão deve ser adequada para evitar esse déficit, segundo explica a nutricionista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Cintya Bassi. E os sinais dessa carência podem aparecer logo no início da vida. "Os sintomas costumam aparecer em, aproximadamente, seis meses de uma ingestão deficiente, promovendo o aparecimento de petéquias (pequenos pontos vermelhos no corpo) e manchas arroxeadas na pele. Também são associados à carência de vitamina C, o surgimento de gengivite, dificuldades de cicatrização, deficiência no sistema imunológico, podendo aumentar a ocorrência de gripes e resfriados, além de anemia ferropriva", enumera Cintya.

Em adultos, os sintomas da hipovitaminose C são os mesmos. Mas dois grupos merecem atenção: o de fumantes e o de gestantes. "Adultos fumantes têm a absorção da vitamina reduzida, o que pode resultar em doenças como o escorbuto, embora o surgimento dessa enfermidade atualmente seja raro. Em gestantes, a carência está relacionada ao aumento na incidência de doença hipertensiva e pré-eclâmpsia", lembra.

Vitamina D: em crianças, os sinais da deficiência de vitamina D podem demorar a surgir, dependendo de fatores, como a velocidade de crescimento, grau de deficiência e a quantidade de cálcio da dieta, segundo explica Cintya. "O problema mais comumente associado à hipovitaminose D em crianças é o raquitismo, que tem como manifestações clinicas atrasos no crescimento, palidez, deficiência do sistema motor, irritabilidade, sudorese, entre outros", afirma a especialista.

Já em adultos, conforme aponta a nutricionista do São Cristóvão, a forma mais comum de manifestação dessa deficiência é a osteomalácia, doença que leva ao amolecimento dos ossos. "Deficiência de cálcio também pode ocorrer, já que a absorção fica prejudicada", acrescenta.

ZINCO: é um mineral presente em mais de 200 enzimas e tem participação essencial no metabolismo de macronutrientes, conforme sinaliza Cintya. "Sua deficiência primeiramente mobiliza as reservas. Porém, se o quadro é prolongado, pode gerar anorexia, cicatrização lenta, intolerância à glicose, atrofia testicular e disfunções imunológicas", alerta.

Em crianças, além de anorexia e comprometimento do sistema imunológico, esta faixa etária também está suscetível a outros problemas. "Podem ocorrer diarreia, retardo no crescimento e na maturação sexual, hipogeusia (diminuição do paladar), além de falta de memória", avisa Maria Cristina.




Brasil lidera novos casos de HIV na América Latina, diz Unaids

12/07/2016 - Folha de S.Paulo / Site


As novas infecções por HIV cresceram 4% no Brasil entre 2010 e 2015, representando 40% das dos casos novos da América Latina e Caribe.

Mas, de maneira geral, os números se mantêm estáveis no mundo.

O relatório da Unaids (agência da ONU para Aids) "Lacuna na Prevenção" foi divulgado nesta terça (12). A publicação estima que 1,9 milhão de pessoas foram infectadas por ano nos últimos cinco anos.

O texto estima que, em 2015, havia 830 mil pessoas vivendo com Aids no Brasil. No mundo, o número estimado é superior a 36 milhões.

Entre 2000 e 2014, 15 mil pessoas morreram no país por complicações de saúde derivadas da Aids.

Os casos de infecção por HIV permanecem concentrados nas populações de risco, segundo o relatório. Na região do Caribe e América Latina, um terço das novas infecções de 2014 ocorreram entre homens gays e homem que fazem sexo com homens. Mulheres transgênero são o grupo com maior prevalência de HIV.

A dificuldade de acesso a métodos de prevenção continua sendo um dos principais motivos que levam ao aumento dos casos. O relatório exemplifica que somente seis países latino-americanos e caribenhos disponibilizam preservativos femininos gratuitamente. O Brasil está entre eles.

Populações jovens estão "desproporcionalmente em risco de infecção por HIV", afirma o relatório.


VIOLÊNCIA


A violência contra populações de risco, como a LGBTI, continua sendo um problema na garantia de direitos, segundo o relatório.

Foram assassinadas 802 pessoas transgêneros no Brasil entre 2008 e 2015. No México, foram 229 mortes. Os dois países possuem os maiores número absolutos do mundo.

A vasta maioria dos casos de violência contra a população LGBTI permanece sem punição, diz o relatório.




Chikungunya desafia ciência e já mata mais que dengue e zika no Nordeste

12/07/2016 - Folha de S.Paulo / Site


O alto número de mortes confirmadas por chikungunya no Nordeste está desafiando médicos e pesquisadores a buscar explicações do porquê de uma doença de taxa de mortalidade baixa apresentar saltos fora do padrão normal. A doença é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus.

A chikungunya foi motivo confirmado de 45 mortes no 1° semestre na região, contra 35 mortes por dengue e cinco pelo vírus da zika. O número de mortes ainda deve crescer consideravelmente, já que há outras 400 mortes por arboviroses em investigação nesses Estados, todas sem causa confirmada.

O levantamento feito pelo UOL inclui dados das secretarias estaduais de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. O governo de Sergipe não indica a quantidade de mortes em seus boletins divulgados nem a secretaria estadual de Saúde informou o número.

O Nordeste é a região do Brasil que mais sofre com o vírus, segundo o Ministério da Saúde. Até o fim de maio, 107 mil pessoas foram infectadas pela febre chikungunya –a região tem 87% das infecções registradas em todo o país. O número de pessoas infectadas no Brasil em 2016 já é quase nove vezes maior que as registradas em todo o ano passado: 13 mil.

Assim como dengue e zika, não existe um tratamento específico para chikungunya. Os sintomas são tratados com medicação para a febre e dores articulares.


GRAVIDADE DA DOENÇA ASSUSTA


A dispersão da febre chikungunya pelo Nordeste tem deixado um rastro de adultos e idosos com dores crônicas graves que sobrecarrega os serviços de saúde, além de um número ainda não explicado de mortes. Os boletins das secretarias de saúde estaduais trazem aletas da gravidade da situação.

No primeiro semestre de 2016, o número de mortes por arbovirores cresceu 426% no Rio Grande do Norte. O Estado é o que tem maior incidência de chikungunya do país.


MAIS FATAL QUE DENGUE


Os índices de mortes dos Estados apontam para mais vítimas fatais entre os infectados por chikungunya do que entre os infectados por dengue. Em Pernambuco, Estado líder em mortes pela doença na região, o índice de mortalidade de chikungunya é seis vezes maior que o da dengue.

Até junho, foram sete mortes confirmadas de dengue para 19.304 pessoas infectadas (média de 0,4 morte para mil casos). Já no caso da chikungunya, são 11.273 casos confirmados de infecção, com 26 mortes: 2,1 para cada mil casos. O índice é maior do que o apresentado na literatura médica. A letalidade de dengue nas Américas em 2014 foi de 0,7 óbitos por mil casos, enquanto o de chikungunya era de 0,2 por mil casos.

O infectologista Kleber Luz, integrante do grupo de cientistas do Ministério da Saúde que investiga o problema, diz que essa taxa de mortalidade "aparentemente" maior para a febre que no caso de outras arboviroses intriga os especialistas.

Para o Ministério da Saúde ainda é preciso investigar mais detalhadamente as mortes por chikungunya "para que seja possível determinar se há outros fatores associados, como doenças prévias, comorbidades, uso de medicamentos, entre outros". Luz diz que o Ministério da Saúde vai debater um protocolo para investigar o problema. Ele diz que, no final de julho, um grupo da comunidade científica deve se reunir em João Pessoa para essa discussão.

Luz indica que há duas teorias mais prováveis para as mortes. "Temos vistos alguns casos em que o vírus tem invadido o sistema neurológico, causando encefalite grave, e em crianças há um quadro clássico com múltiplas lesões de pele, mas isso já era esperado. Uma outra possibilidade é que, no Brasil, a venda é livre de todos os remédios, com exceção dos antibióticos; ao adoecerem e por terem muita dor, os pacientes talvez estejam usando anti-inflamatórios e corticoides", diz.

O uso de remédios pode, ao mesmo tempo, tornar a doença mais grave e comprometer a imunidade dos infectados. "É como se deixasse o caminho livre para o vírus matar", explicou o infectologista.


A DOENÇA


A transmissão da febre chikungunya foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2014. Os sintomas da doença são: febre acima de 39 graus e de início repentino e dores intensas nas articulações de pés e mãos. Pode ocorrer, também, dores de cabeça e nos músculos e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas.

Contra o avanço da doença e reações mais graves, o Ministério da Saúde já formulou o Guia de Manejo Clínico, com orientações sobre o diagnóstico precoce e manejo para profissionais de saúde.




Falhas na atenção básica de saúde se repetem em várias regiões do país

12/07/2016 - G1 - Bom dia Brasil


O Bom Dia Brasil mostra as falhas na atenção básica de saúde. Os problemas se repetem em várias regiões do país. São pacientes que poderiam enfrentar menos dificuldades, se houvesse um acompanhamento de qualidade.

Além dos problemas com a falta de remédios, equipamentos e funcionários, a auditoria do Tribunal de Contas da União revela a falta de preparo de quem trabalha com a atenção básica no Brasil. Quase 70% dos municípios não conseguem dar treinamento aos profissionais de saúde.

O Bom Dia Brasil procurou as prefeituras das cidades mostradas na reportagem. Todas informaram que estão investindo em infraestrutura e na contratação de novos profissionais. Veja abaixo as notas na íntegra:


NOVA IGUAÇU


A Secretaria de Saúde de Nova Iguaçu tem aumentado a cobertura da atenção básica investindo em infraestrutura e em pessoal qualificado para formação das equipes. Já inaugurou 22 novas clínicas da família e outras 12 estão em obras. O município tem dificuldades para encontrar médicos que queiram trabalhar pelo SUS, mas nenhuma unidade está fechada ou sem atendimento. As consultas são realizadas em todas as unidades de acordo com o que estabelece o Ministério da Saúde. Em relação aos medicamentos há casos de demora na reposição de alguns itens, o que tem sido resolvido pela equipe de gestão. É importante ressaltar que Nova Iguaçu tem sofrido com a crise financeira, que é nacional, e com o atraso nos repasses, que são os mesmos desde 2014. Por estar rodeada de municípios que nos últimos três anos fecharam unidades de pronto-atendimento e algumas estão com funcionamento precário cerca de 40% dos pacientes atendidos em Nova Iguaçu são moradores de outras cidades. A demanda de pacientes tem sido cada vez maior ultrapassando muito a capacidade de atendimento. A Secretaria de Saúde já notificou estes municípios, o Conselho Regional de Medicina e o Ministério Público sobre esta situação.


DIVINÓPOLIS


Parte dos problemas elencados em Divinópolis tem origem no subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (sus), mesmo o município tendo mais que dobrado os gastos com saúde nos últimos 10 anos, elevando despesas e os investimentos de 15% previsto para 30% do Orçamento. Além desse subfinanciamento, que faz com que os recursos pagos pelo SUS não sejam suficientes para cobrir os procedimentos, o município enfrenta ainda problemas com o descompromisso no repasse de recursos pactuados. Somente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) deixou de receber R$ 4.375.000,00 de verba de custeio dos governos federal e estadual. O CAPSAD, em funcionamento há mais de um ano, também não recebeu nenhuma parcela dos R$ 105 mil mensais a que teria direito. Além disso, a crise do Hospital Filantrópico São João de Deus, referência no atendimento do SUS para 54 cidades de região e uma população estimada em 1,5 milhão de pessoas, se arrasta ao longo dos últimos 5 anos, sem nenhum apoio do governo federal ou solução definitiva apresentada pelo estado, o que sobrecarrega de forma acentuada na UPA, nos procedimentos as esperas por vagas hospitalares. O município também aguarda o repasse dos recursos para a conclusão do Hospital Regional, conveniados com o estado e com descumprimento do fluxo de repasses desde 2015. E também o funcionamento do Samu, onde os 53 municípios se consorciaram desde 2014, contribuem e estruturaram o programa que está pronto para funcionar, aguardando apenas a liberação por parte do estado. Enquanto isso, a prefeitura de Divinópolis busca alternativas com investimentos na implantação do Centro de Especialidades Médicas (cem), em parceria com a Universidade Federal de São João Del Rei, e a ampliação da cobertura do programa de estratégia de saúde da família, que também dobrou nos últimos dois anos. Atualmente, faltam 53 medicamentos na atenção básica, ou seja, 20% dos remédios necessários. Na atenção básica, o município realiza processo seletivo para suprir a falta de médicos e aos poucos a falta de mão de obra é solucionada.


UBERLÂNDIA


A Secretaria Municipal de Saúde informa que nos últimos 3,5 anos o município de Uberlândia investiu no aumento do número de equipes de saúde da família, saúde bucal e Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), implantando 27, 23 e 9 equipes respectivamente. Um avanço que significa aproximadamente 330 mil uberlandenses com cuidados em saúde mais próximo de suas casas, disponibilizando ações de prevenção e promoção à saúde, bem como oferta de consultas médicas e de enfermagem, consultas odontológicas para a população registrada nas unidades. A cobertura de atenção básica e estratégia de saúde da família passou de 33% em 2012 para 52% em 2016, representando mais de 100 mil pessoas cobertas por uma nova estratégia de cuidados.

Além disso, contam com o apoio das equipes multiprofissionais dos Nasfs, compostas por psicólogo, assistente social, educador físico, fisioterapeuta, nutricionista e médicos pediatra, ginecologista-obstetra e psiquiatra, que auxiliam na resolutividade dos casos atendidos na estratégia saúde da família.

É importante reforçar também que o município investiu em infraestrutura, com construção de 6 novas unidades básicas de saúde da família e reforma de 8 sedes, passando por ampliações e melhorando as instalações

Esclarece que todas as equipes tem como alinhamento o PMAQ (Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade), cujo objetivo incentivar os gestores a melhorar a qualidade dos serviços de saúde oferecidos aos cidadãos nas Unidades Básicas de Saúd por meio das equipes de atenção básica à saúde. A meta é garantir um padrão de qualidade por meio de um conjunto de estratégias de qualificação, acompanhamento e avaliação do trabalho das equipes de saúde, sendo que a última avaliação das equipes de Uberlândia pelo PMAQ, realizada em 2014, apontaram 44,44% das equipes acima da média e 38,89% muito acima da média, ou seja, mais de 83% das equipes foram avaliadas de forma positiva.

Informa ainda que as equipes de saúde da família trabalham com área de abrangência definida de 3000 a 4000 pessoas, cuidando de todos os ciclos de vida, desde a o recém-nascido até os idosos, com vínculo e responsabilização pelas pessoas. Além das atividades de prevenção e promoção de saúde, a equipe atende as demandas agudas desta população da sua área abrangência dentro da competência da atenção primária e é também responsável pela coordenação do cuidado nos outros pontos da rede, ou seja, encaminha às especialidades e para procedimentos de média e alta complexidade, entretanto os pacientes devem retornar à equipe com contra referência para continuidade do cuidado com sua equipe de saúde da família.

Dentro dessa política de cuidado mais próximo das pessoas, o programa melhor em casa foi implantado em 2013 e tem como objetivo desafogar os leitos hospitalares, dar mais conforto aos pacientes crônicos que estão estáveis e que tem a opção de serem tratados em casa. De janeiro a abril deste ano, já foram realizados quase 1000 atendimentos domiciliares e ao todo, 7,3 mil pacientes se beneficiaram pelo projeto desde sua criação em Uberlândia.

Assim, há um resgate do cuidado com personificação, próximo da sua realidade local, utilizando as potencialidades da comunidade em que vive. Os agentes comunitários de saúde são a extensão da unidade de saúde, dentro das residências das pessoas, é o olhar dos profissionais para além dos muros da unidade, possibilitando a identificação de problemas e caminhos para o cuidado efetivo das pessoas com suas especificidades.


SANTA RITA


Segundo o secretário de Saúde, Jacinto Carlos de Melo, foram interditadas 23 unidades de saúde. Quatro unidades de PSF, que estavam interditadas, foram reabertas com equipamentos novos e climatizadas. A secretaria fez uma pactuação com o Ministério Público e diversos Conselhos de Saúde.Três meses de salários atrasados, dos profissionais dos postos de saúde, foram regularizados. Falta colocar em dia os salários dos funcionários da Secretaria de Saúde. Outras sete unidades deverão ser entregues até o fim do ano.


BELÉM


A Secretaria Municipal de Saúde de Belém informa que as imagens registradas na reportagem são do mês de maio deste ano e que já tomou todas as providências para contornar os casos mostrados na reportagem. As unidades municipais citadas na matéria atuam com a quantidade de médicos e de especialidades determinadas pelo Ministério da Saúde.

Na unidade de saúde do Tapanã atualmente trabalham sete odontólogos, não havendo demanda reprimida para este atendimento. Hoje a unidade também conta com 3 ginecologistas e 6 clínicos gerais. A unidade está sem pediatra devido à escassez deste especialista no mercado. A Secretaria, inclusive, está aberta para contratação destes profissionais.

Na UMS da Terra Firme, e em várias outras unidades de saúde, a marcação de consulta está passando por um processo de informatização para que esse atendimento seja feito de forma mais efetiva.

A Sesma ressalta ainda que está ampliando o número de serviços e profissionais médicos com o fim de ofertar o maior número de consultas básicas e especializadas.


JABOTÃO DOS GUARARAPES


Os problemas mostrados na reportagem foram detectados em maio deste ano, portanto já contamos, no mínimo, 40 dias de intervalo até hoje. Fizemos imagens na segunda-feira (11) onde podemos notar que a prefeitura já tomou providências para minimizar os problemas.

A cadeira de dentista não apresentava defeito técnico. Na época não estava sendo utilizada porque houve um problema de drenagem na rua do posto e a água invadiu a sala. Foi um período de fortes chuvas que atingiram o município.

Em relação à falta de medicamentos, no mês de maio, foi um problema pontual com a distribuição. Logo o estoque foi restabelecido para a população.

A sala de curativos também não tem problema de desabastecimento, conforme imagens enviadas pela gestão. Tudo foi restabelecido há mais de 30 dias.

O sabonete líquido das pias onde os pacientes precisam fazer a higienização também já foi reposto no mesmo período dos outros itens acima questionados na reportagem.

A não presença do médico no posto se deu porque a profissional que atua na área estava de licença maternidade. A prefeitura já providenciou a substituição da mesma para que a comunidade não seja prejudicada no atendimento.


RECIFE


A prefeitura do Recife informa que investiu cerca de R$ 30 milhões na construção de 10 Upinhas, novas unidades de saúde da família que oferecem um novo padrão de qualidade para a atenção primária à saúde, modelo de atendimento na atenção básica que a gestão acredita ser o ideal para a cidade. Também foram requalificadas 75 unidades de saúde já existentes.

Faltavam clínico e pediatra. De acordo com moradores, o local é dividido em duas equipes e uma delas estava sem profissionais. O médico generalista que atendia na unidade pediu exoneração, mas foi substituído. Recentemente, a prefeitura do Recife realizou a nomeação de 181 novos médicos para a rede. De 2013 até agora, foram nomeados 640 novos médicos. A Secretaria Municipal de Saúde do Recife esclarece ainda, que a unidade Vila dos Milagres é uma unidade de saúde da família, portanto oferece atendimento com um médico generalista conforme padrão do Ministério da Saúde. O atendimento de especialistas, a exemplo de pediatra, é feito por encaminhamento.

A gerência da área informou que o desabastecimento aconteceu por causa de problemas na distribuição com o fornecedor, mas que a USF já recebeu os remédios que estavam em falta.

A gerência informa que a sala onde é realizado o exame preventivo precisou passar por reparos, mas o problema foi solucionado e não impediu a realização do exame, pois as usuárias eram encaminhadas para outra unidade no mesmo bairro.

Não havia internet nem copo d'água no local. A interrupção no serviço teve como causa o roubo de cabos na área externa do prédio, mas a unidade continuou usando um modem para atender as demandas da comunidade. Em relação aos copos, a gerência explica que o material fica na recepção e é entregue aos usuários quando estes solicitam.

A gerência informa que o fluxo no atendimento odontológico da USF Vila dos Milagres está sendo normalizado de acordo com a reposição dos insumos. A Secretaria Municipal de Saúde reforça que fez investimentos, ampliando o número de equipes de saúde bucal de 134 para 164 equipes - cada equipe tem um dentista, um técnico e um auxiliar de saúde bucal -, além da aquisição de novos equipamentos, resultando na expansão do serviço em toda a rede.


PORTO ALEGRE


Os pontos apresentados vêm sendo constantemente tratados pela Secretaria Municipal de Saúde. Infelizmente, tivemos o óbito de um dos médicos que atendia na Unidade Rubem Berta. Identificada a falta de profissionais, a Secretaria solicitou - excepcionalidade no processo de contenção de despesas - a contratação de médicos para as unidades. O concurso foi homologado em 16 de junho, e o primeiro colocado chamado em 30 do mesmo mês, que abriu mão da vaga, sendo necessária a convocação do segundo colocado. Vale ressaltar que enfrentamos uma grande dificuldade na colocação de médicos na unidade macedônia por ser um local distante do centro da cidade, sendo preenchido especialmente por profissionais do Programa Mais Médicos. A a falta de reposição de profissionais do Programa Mais Médicos na capital (já foram 123 e hoje são 97) agravou esta deficiência no atendimento, dependendo da liberação de novas contratações por parte do Ministério da Saúde. Ambas as unidades contaram ou contam com profissionais do programa. A unidade Rubem Berta possuía um profissional do mais médicos mas atualmente não conta com nenhum. Já a unidade Macedônia contava com três médicos do programa e hoje dois fazem parte do grupo. Em 70% das unidades de saúde do município implantamos o acolhimento com identificação de necessidades. É o caso da Unidade Rubem Berta que há menos de 15 dias iniciou este processo. Com a ação, acabamos com a fila nas unidades de saúde para marcação de consultas. Todos os usuários são atendidos e busca-se verificar em conjunto - profissional de saúde e usuário - a demanda a ser atendida, podendo ser médica, enfermagem ou odontológica (imediata, agendada ou até mesmo encaminhada para serviço de urgência). Também são averiguadas condições para outras ofertas de saúde como grupos ou até visitas domiciliares.


NOVA CRIXÁS


A secretária de Saúde de Nova Crixás, Maria das Dores Oliveira de Sá disse que os problemas na saúde básica do município são pontuais. Informou que a cadeira do consultório já foi consertada e que o atendimento está normalizado. Ela disse que a cadeira ficou um mês estragada, à espera de uma peça de reposição. A secretária disse ainda que vão ser inauguradas três novas unidades básicas de saúde com estrutura ampliada e melhor preparadas pra atender à demanda, porque vão receber leitos de internação.


OIAPOQUE


A prefeitura de Oiapoque informou que a localidade é muito distante e de difícil acesso e que hoje não tem recursos para enviar um médico. A alternativa é fazer visitas itinerantes a cada três meses. Hoje, a prefeitura conta com apenas três médicos para atender todo o município. Mas garantiu que até o fim deste mês, mais seis médicos devem integrar a equipe. Quanto à precariedade do prédio, a prefeitura disse que não tem recursos próprios para construir ou reformar o posto e que depende de recursos federais para isso. Sobre a quantidade de técnicos em enfermagem, a prefeitura disse que não tem mais profissionais para enviar e que está trabalhando no limite.




Cesáreas feitas por planos de saúde no Brasil superam média de outros países

12/07/2016 - Portal EBC


Dados divulgados hoje (12) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que os planos de saúde brasileiros fazem três vezes mais cesarianas do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), superando Chile, México e Turquia. Segundo a ANS, o Brasil é o país com maior percentual de partos cirúrgicos.

O levantamento mostra que, nos anos de 2014 e 2015, 85,1% dos 1,1 milhão de partos feitos pelos planos de saúde foram por cesáreas.

As informações estão no Mapa Assistencial, publicação que traz diversas informações sobre o atendimento prestado pelas operadoras de planos de saúde no país e as compara com os índices dos países da OCDE. Entre os dados disponíveis, estão o número de internações, consultas, terapias e exames, e ainda os custos assistenciais informados pelo setor referentes aos anos de 2014 e 2015.

Nesse período, foram registradas 15,5 milhões de internações pelos planos de saúde, totalizando 166 por 1.000 beneficiários, número também acima da média da OCDE, que fica em 155.

Os exames de ressonância magnética feitos pelos planos de saúde brasileiros também superam a média dos países da OCDE, com taxas maiores que as da Turquia, dos Estados Unidos e da França, os países com os índices mais elevados. Para a ANS, é possível que, neste caso, o indicador esteja apontando a execução de exames desnecessários.




EUA: diretriz para diagnóstico de diabetes exclui metade de pacientes de risco

12/07/2016 - IstoÉ Online


Mais da metade das pessoas com alto risco de diabetes não se enquadram nas diretrizes atuais para diagnóstico da doença nos Estados Unidos, incluindo muitos afro-americanos, hispânicos e pessoas que não estão acima do peso, segundo estudo publicado na revista científica PLOS Medicine nesta terça-feira.

As diretrizes do governo, emitidas no ano passado, falham em incluir 55% das pessoas com pré-diabetes ou diabetes, disse o estudo realizado pelo instituto Northwestern Medicine, em Chicago.

As diretrizes de 2015, criadas pela Força-tarefa de Serviço Preventivo dos Estados Unidos (USPSTF), recomendam que as pessoas com entre 40 e 70 anos que estão acima do peso ou obesas façam exames para diabetes.

“Nós estávamos interessados ??em fazer este estudo por causa de tendências populacionais que mostram que as minorias raciais e étnicas estão desenvolvendo diabetes com idades mais jovens e pesos mais baixos que os brancos”, disse o autor sênior Matthew O’Brien, professor assistente de medicina na Universidade Northwestern.

As conclusões se baseiam em dados de registos eletrônicos de saúde de mais de 50.000 pacientes adultos em centros de saúde comunitários do centro-oeste e sudoeste dos Estados Unidos, entre 2008 e 2013.

Apenas metade dos pacientes afro-americanos que apresentaram níveis anormais de glicose no sangue – condição conhecida como disglicemia – preencheram os critérios de triagem, assim como 37% dos pacientes hispânicos.

“Digamos que eu estou cuidando de uma mulher latino-americana de 32 anos de idade e obesa, com histórico familiar de diabetes e que teve diabetes gestacional em uma gravidez anterior”, disse O’Brien.

“Ela não deve ser examinada, de acordo com as orientações, mas ela é muito propensa a ter pré-diabetes ou diabetes”, completou.

As diretrizes também têm implicações financeiras para os pacientes.

Sob a lei do sistema de saúde do presidente Barack Obama, o Affordable Care Act, todos os serviços recomendados pelo USPSTF devem ser totalmente cobertos pelos seguros.

Mas se um paciente não se enquadra nos critérios das diretrizes, ele pode ter que pagar por um exame de diabetes.

Aqueles que passaram despercebidos pelas diretrizes podem vir a desenvolver diabetes ou complicações, incluindo ataque cardíaco e derrame cerebral.

“Ao relatar a eficácia limitada deste programa de triagem, este estudo levanta preocupações sobre a utilidade do programa, particularmente entre grupos minoritários étnicos e raciais”, disse o estudo.

Clipping de Notícias - 08/07/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 08/07/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Remédios muito caros

08/07/2016 - Diário de Cuiabá Online


Se há algo que arrebenta o orçamento de idosos e das famílias em geral é o preço extorsivo dos remédios no Brasil. Embora alguns remédios sejam gratuitos para tratamento de algumas doenças como hipertensão e diabetes, nem sempre são disponibilizados e muitas vezes a qualidade é duvidosa. E de acordo com a Interfarma, pelo menos 75% da população compra remédios com os próprios recursos.

Para combater a exploração que se observa por aqui, resolvi testar a importação de remédios dos Estados Unidos e Reino Unido, usando lojas virtuais em locais populares da internet, sabendo de antemão que não tem imposto de importação para remédios e o tempo gasto no correio para chegar a minha casa não chega a um mês.

Comecei com um medicamento bastante comum, a aspirina de baixa dosagem usado como um tipo de anticoagulante para quem pode ter problemas de entupimento de veias. Nas farmácias brasileiras, achamos a aspirina de 100 mg, com 30 pílulas, custando R$ 13,19 ou R$ 0,44 por pílula; o equivalente norte-americano, 365 pílulas de 81mg custam R$ 21,55, ou menos de R$ 0,06 por pílula, e entregues na minha casa e ainda fiscalizadas pela FDA. Isso mostra que no Brasil esse medicamento custa de 7 vezes mais que nos EUA.

Depois fui para outro bastante comum e caro, o ibuprofeno 200 mg, que por aqui custa R$ 9,47 por 20 comprimidos, ou R$ 0,47 cada um; já nos EUA, 500 comprimidos custam R$ 30,75 ou R$ 0,06 por unidade... E, sim, incluindo o correio internacional... E no Brasil? Oito vezes mais caro.

Se mudarmos, para a vitamina C, por exemplo, por aqui, 100 comprimidos de 1g custam R$ 87,49; já do Reino Unido, importamos 1.000 comprimidos por R$ 105,60. E novamente, a nacional custa oito vezes mais que a importada. E poderíamos continuar a comparação com mais remédios, vitaminas e suplementos, mas já é suficiente para que façamos a pergunta óbvia: por que é tão caro no nosso país?

Certamente, o imposto tem grande responsabilidade. Para se ter uma ideia, em março último, o estado do Rio de Janeiro, que já cobrava o ICMS mais alto sobre medicamentos, aumentou ainda mais a alíquota que passou de 19% para 20%. E, na verdade, não é 20%, equivale a aumentar em 25% o custo. E outros doze estados começaram a aumentar o percentual do ICMS sobre os medicamentos.

O Procon de São Paulo pesquisou dias atrás os preços dos medicamentos e averiguou uma diferença de preço de remédios genéricos que pode passar de 1.200%. Não se pode deixar de observar que os genéricos foram criados para serem mais baratos que os de marca. A pesquisa mostrou que os genéricos são em média 57% mais baratos que os remédios de marca, mas os pesquisadores do Procon ficaram surpresos com o que viram agora. É o caso do genérico Nimesulida, que custa R$ 1,77 em uma farmácia ou R$ 23,03 em outra. O preço do antibiótico amoxilina vai de R$ 15,47 até R$ 69,36, uma diferença de 348%.

Diante dessa situação, fica o meu conselho para que o leitor vire também um importador, e nem precisa de cartão de crédito internacional, é possível fazer todas as operações de pagamento em reais e por boleto ou cartão nacional. Mais dicas no meu Facebook.




Medicamentos essenciais

08/07/2016 - O Globo / Site


A Organização Mundial de Saúde (OMS), criada em 1946, é a agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por coordenar as ações de saúde pública mundial.

Entre suas diversas atribuições, produz a série “WHO Technical Report” (‘Relatórios Técnicos da OMS’), manuais práticos, acessíveis gratuitamente no seu site, e que ajudam na orientação de estratégias mais adequadas à saúde global.

Sua recente publicação “The selection and use of essentials medicines” (‘Seleção e uso dos medicamentos essenciais’), em suas 568 páginas, ensina o que é realmente fundamental disponibilizar para a população. A primeira lista desses medicamentos foi elaborada em 1977 e é revista a cada dois anos, por um painel de especialistas de reconhecida experiência. Essa primeira lista tinha 220 medicamentos.

Os profissionais escolhidos para pertencer ao comitê executivo devem respeitar rígidas cláusulas de compliance. Em abril de 2015, em Genebra, Suíça, houve o encontro para elaboração da 19a lista de 340 medicamentos essenciais, com extensa revisão, que incluiu drogas para o tratamento de alguns tipos especiais de câncer, da mesma forma que incluiu novos medicamentos para o tratamento da hepatite C e da tuberculose resistente, num trabalho muito bem conduzido.

Dos 15 membros permanentes, selecionados na África do Sul, Austrália, China, Egito, EUA, Finlândia, Índia, Inglaterra, Itália, Marrocos, Siri Lanka e Suíça, lá estava, para o orgulho dos médicos brasileiros, a Dra. Margareth DalColmo, do Centro Hélio Fraga, Fiocruz, Rio de Janeiro.

O comitê aborda inclusive o alto preço de medicamentos, fazendo a distinção entre preço e custo. O desenvolvimento e produção diz respeito ao custo, enquanto e o preço é quanto o comprador paga, sendo o paciente, seguro-saúde ou governo. Alerta que o preço deve ser negociado e controlado, o que não é uma tarefa simples diante da indústria farmacêutica, uma das mais lucrativas, complexas e estratégicas do mundo.

Entre os medicamentos essenciais da OMS, um dos mais baratos de todos, está a penicilina benzatina, o velho “benzetacil”, um eficaz antibiótico, essencial para tratamento de inúmeras doenças, como a sífilis, cuja incidência vem aumentando anualmente no Brasil. O custo do tratamento consiste numa dose semanal, num total de duas a quatro doses, custando menos de 11 reais a dose. Qualquer outro medicamento para a mesma finalidade custa no mínimo o dobro.

Apesar da comprovação da eficácia da droga, segundo um documento interno do Ministério da Saúde, inexistia penicilina Benzatina, em 60% dos estados no fim de janeiro.

É inaceitável a justificativa dos laboratórios farmacêuticos de que o produto não é produzido pela falta de matéria prima e pelo seu baixo atrativo econômico. O relatório da OMS sobre medicamentos essenciais deveria ser respeitado pelo Ministério da Saúde, sem ressalvas.

Ferramenta tecnológica aumenta possibilidade de vendas da indústria fármaco

07/07/2016 - Saúde Business


A indústria fármaco é uma das mais aquecidas do mundo e tem se destacado por sua inovação entre os setores produtivos. O Brasil teve uma participação importante nos primórdios do desenvolvimento industrial farmacêutico ao incentivar e fornecer recursos para alguns dos primeiros laboratórios, motivo que o faz ocupar hoje o sexto lugar neste ranking. Muitos são os fatores da pós-modernidade que fomentam o setor, como o envelhecimento da população, maior preocupação com o bem-estar, o surgimento de novas doenças e o avanço científico. Segundo o Sindusfarma (Sindicato do setor farmacêutico), só nos primeiros quatro meses de 2016, o faturamento com remédios avançou 10,6%, passando de um total comercializado de R$ 13,9 bilhões, em 2015, para R$ 15,3 bilhões, em 2016. Além destes resultados positivos, os industriários ainda contam com o governo, que é um de seus maiores compradores.

Foi pensando nas indústrias que participam intensamente de licitações públicas, como a farmacêutica, que a Mannesoft, empresa de desenvolvimento de softwares, criou o Mannesoft Winner, um exclusivo software focado na gestão de licitações públicas. O objetivo deste software é tão somente profissionalizar o processo licitatório. A ferramenta oferece eficiência operacional, o que permite conferir maior agilidade na administração dos editais, prazos, tarefas e auxilia na emissão de propostas, declarações e documentos. Com o software é possível controlar também o pós-licitação, com o envio de contratos e entregas, por exemplo. Além disso, a ferramenta gera maior competitividade nos processos licitatórios, já que nela é possível organizar informações dos concorrentes como preços praticados e regiões atendidas.

Cabe salientar que existe uma grande vantagem da venda do mercado público em relação ao mercado privado. Este benefício refere-se ao conjunto de ferramentas usadas para desenvolver e acelerar as vendas. No mercado privado, principalmente no setor farmacêutico, o investimento em marketing, publicidade e vendas é muito evidente, considerando a competitividade acirrada do segmento. Já a venda para o setor público depende muito do processo de seleção, análise de preços e preparação da documentação para participação em licitações. A eficiência de cada empresa em todo esse processo de captação de editais até o gerenciamento de cada contrato, juntamente com a obtenção de informações mercadológicas que proporcionam inteligência competitiva, elevam os resultados das organizações.

O desenvolvimento tecnológico é algo iminente, e investir em tecnologia e inovação de processos de gestão é cada vez mais necessário.

Empresas que optam por utilizar a tecnologia para profissionalizar seus processos de licitação garantem diferenciais em relação aos concorrentes e atingem melhores resultados nas vendas.


VENDAS PARA O GOVERNO


As aquisições de bens e serviços realizadas pelo Estado desempenham papel fundamental para o bom funcionamento da máquina pública, porque viabilizam políticas e funções assumidas pelo setor público. No Brasil, segundo informações do Mpog (2013 e 2014), do Siafi Gerencial (2006-2012) e do Finbra (2006-2012), em 2012, as compras governamentais representaram 14,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com um volume de compras de 637 bilhões de reais, nas esferas federal, estaduais e municipais.

Embora o mercado de licitações seja conhecido por ser extremamente burocrático, a tecnologia já é capaz de auxiliar a indústria a modernizar o setor que cuida desses processos, simplificando e potencializando as vendas para o governo.

Embora o mercado de licitações seja conhecido por ser extremamente burocrático, a tecnologia já é capaz de auxiliar a indústria a modernizar o setor que cuida desses processos, simplificando e potencializando as vendas para o governo.


SOBRE A MANNESOFT


A MANNESOFT é especialista em desenvolvimento de softwares com recursos práticos e inteligentes, voltados para a gestão empresarial, e que tem como prioridade agregar valor às corporações. Com duas sedes em Curitiba, a Mannesoft está prestes a completar 25 anos de mercado, conta com uma equipe especializada e investe constantemente em pesquisa e desenvolvimento para acompanhar tendências e novas tecnologias.

Estimular centro de prazer do cérebro aumenta imunidade, aponta estudo.




Hypermarcas ameaçou se desfiliar da Pró Genéricos.

08/07/2016 - Valor Econômico


Um desentendimento entre a Pró-Genéricos, associação das indústrias do segmento, e a Hypermarcas - após o caso envolvendo desvio de recursos da companhia para políticos, assumido por um ex-diretor - quase levou a saída da companhia do quadro de associados da entidade, dias atrás, segundo apurou o Valor. A hipótese da desfiliação acabou gerando um desgaste dentro da entidade e mal-estar entre a companhia e dirigentes da associação.

Os problemas começaram na semana passada. Na sexta-feira chegaram informações na Pró Genéricos de que a Hypermarcas poderia deixar a associação e estava considerando informar, por carta, a decisão.

Segundo fontes, no auge da crise envolvendo a empresa e as declarações do ex-diretor, a Pró Genéricos teria procurado a Hypermarcas para entender o caso, considerando efeitos que as declarações de Mello poderiam ter no setor. O ex-diretor que admitiu os desvios, por causa da função que ocupava (era responsável pelas relações institucionais na farmacêutica), foi a ponte entre a empresa e a Pró-Genéricos, participando das reuniões e discussões setoriais na entidade, por quatro anos, até início de 2016.

Nelson Mello contou, em depoimento em fevereiro ao Ministério Público Federal, que desviou recursos da Hypermarcas para lobistas próximos à senadores, numa soma total de R$ 26,35 milhões entre 2013 e 2015. Mello, que deixou a companhia em março, negou que tenha feito os pagamentos a mando da empresa, que, por sua vez, nega conhecimento das ações ou que tenha se beneficiado de eventuais pedidos de Mello em troca dos pagamentos. O ex-diretor se comprometeu a ressarcir a empresa.

Segundo uma fonte, a ideia da Pró Genéricos era se reunir com a Hypermarcas, num encontro na semana passada, que acabou não acontecendo. Começaram a ser divulgadas informações no mercado, também na semana passada, de que representantes da indústria estavam preocupados e incomodados com os efeitos negativos da delação de Mello sob os negócios do setor. Foi nesse ambiente que a Hypermarcas chegou a se preparar para deixar a associação.

Isso gerou tensão dentro da Pro Genéricos, considerando o peso da empresa dentro da entidade e sua importância econômica. A associação é presidida desde 2012 por Telma Salles, ex-diretora de relações institucionais da Aché, fabricante de medicamentos, com participação dos genéricos nas vendas menor do que a Hypermarcas.

A companhia cresce mais rapidamente que algumas de suas concorrentes hoje, como a própria Aché e a Sanofi (dona da Medley). É a segunda maior farmacêutica do país em vendas em unidades e receita - sem levar em conta os descontos. Há menos de cinco anos, era a quarta colocada.

O grupo fundado por João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, entrou no mercado de genéricos com a compra da Neo Química em 2009 por R$ 1,3 bilhão.

As informações que circularam dentro da associação se voltavam para o risco de que o problema com a empresa expusesse a indústria se as atenções do Ministério Público se voltassem para o setor como um todo, sensível a uma série de questões de regulação e de aspectos tributários que exigem um relacionamento próximo e constante com todos os níveis de governo - municipal, estadual e federal.

A Pro Genéricos tem 16 empresas associadas, que juntas respondem por 92% do mercado brasileiro de genéricos e 34% do faturamento da indústria farmacêutica.

No início desta semana, a Pró Genéricos e o comando da Hypermarcas estiveram reunidas para tentar aparar as arestas e retomar as conversas. A possibilidade de deixar a entidade saiu da mesa de discussão.

Segundo fonte que acompanhou o caso, foi "um eventual mal entendido" já esclarecido "e as relações continuam boas como sempre estiveram". Sobre o assunto, a Pró Genéricos prefere não dar entrevista. Procurada, informou que "não comenta sobre suas associadas e assuntos internos da entidade". A Hypermarcas também não se manifestou.




Novo modelo de estudo do câncer

08/07/2016 - Correio Braziliense


As linhagens de câncer têm ajudado médicos e cientistas a entenderem melhor a doença e a buscarem formas mais eficazes de combatê-la. Células são retiradas de pacientes e cultivadas em laboratório para reproduzir a evolução do carcinoma. Mas as simulações, que podem durar décadas, geralmente não replicam exatamente a realidade, dificultando o trabalho dos especialistas. Agora, um grupo internacional de estudiosos diz ter resolvido o problema por meio de um processamento inédito de informações sobre tumores. Segundo eles, o trabalho traz um novo campo de estudo de cânceres, mais voltado para as abordagens terapêuticas personalizadas.

“É o início da geração de excitantes ideias sobre como podemos atingir populações específicas de pacientes usando drogas específicas. Esse tipo de estudo não era possível há alguns anos porque não havíamos sequenciado suficientemente os tumores”, comemora Mathew Garnett, biólogo especializado em câncer do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido. A pequisa foi liderada por estudiosos dessa instituição britânica; do Instituto de Bioinformática Europeia, também no Reino Unido; e do Instituto de Câncer da Holanda. Os detalhes foram divulgados na edição desta semana da revista Cell.

Inicialmente, os cientistas analisaram, em mais de 11 mil amostras de tumor, os genes ligados a 29 tipos de câncer. Esse material fazia parte, principalmente, do Cancer Genome Atlas e do Cancer Genome Consortium Internacional, bancos de informações públicas sobre a doença. Depois, compararam os primeiros resultados com cerca de mil linhagens de câncer usadas em laboratório, focando naquelas que tinham características parecidas com as do primeiro grupo. Ao combinar os dados, chegaram às mutações em comum e testaram como elas reagiram à ação de 265 compostos anticâncer prescritos para diferentes estágios da doença.

Os resultados geraram duas constatações significativas: que a grande maioria das anomalias encontradas no cancro de pacientes também é detectada em células de laboratório e que isso transforma essas linhagens em um material precioso para os testes com medicamentos. “Você não pode rastrear centenas de drogas por meio de um único paciente, mas pode fazer isso com linhagens de células. Pode expô-las a muitas drogas diferentes e fazer perguntas sobre o que é mais ou menos sensível”, explica Ultan McDermott, do Wellcome Trust Sanger Institute.


COMPARTILHAMENTO


A equipe trabalha na criação de um portal na internet para que especialistas busquem linhagens celulares que sejam mais semelhantes às condições de cânceres específicos e vejam como elas reagem a medicações. Vice-presidente de Pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Carlos Gil ressalta que o trabalho pode ser revolucionário. “Se confirmado, esse estudo surge como um novo modelo de estudo. Eles usaram superprocessadores e linhagens de alta qualidade e descobriram padrões idênticos de mutações genéticas nas amostras. Se isso se aplica a 29 tipos de câncer, podemos dizer que se aplica à maioria dos tumores”, avalia.

Gil explica que, mesmo com o fortalecimento das drogas-alvo e da imunoterapia — duas áreas em alta no enfrentamento ao câncer —, continua difícil para o médico escolher o melhor tratamento de um paciente. “Há uma possibilidade grande de combinações, o que pode levar a uma opção que não será a ideal. Agora, é diferente se houver um modelo em que se possa reproduzir o mesmo ambiente do tumor, testar combinações in vitro e, num passo mais adiante, chegar aos ensaios clínicos”, diz.


USO ESTRATÉGICO


Para Tiago Góss dos Santos, pesquisador do Laboratório de Biologia Molecular e Celular do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, chama a atenção, nos resultados apresentados, a possibilidade de abordagens mais estratégicas contra os carcinomas. O biólogo usa como o exemplo o câncer de mama, tratado pelos especialistas como um conjunto de doenças com uma diversidade grande de tipos. “Se você fizer uma droga testando uma linhagem, estará, na verdade, experimentando para um subtipo da doença. Agora, se usa uma linhagem com mutações em comum, isso pode funcionar como um protótipo para outros testes”, explica.

McDermott também reforça o aspecto disseminador do trabalho que liderou. “Precisamos de melhores maneiras de descobrir quais grupos de pacientes são mais propensos a responder a um novo medicamento antes de executar ensaios clínicos complexos e caros. Nossa pesquisa mostra que as linhagens de câncer podem dizer muito mais sobre como um tumor é suscetível a uma nova droga antes de ela ser testada em pessoas. Esperamos que essa informação acabe por ajudar no desenho de ensaios clínicos que tenham como alvo os pacientes com maior probabilidade de se beneficiar do tratamento.”

Eles usaram superprocessadores e linhagens de alta qualidade e descobriram padrões idênticos de mutações genéticas nas amostras. Se isso se aplica a 29 tipos de câncer, podemos dizer que se aplica à maioria dos tumores”

Carlos Gil, vice-presidente de Pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica

Precisamos de melhores maneiras de descobrir quais grupos de pacientes são mais propensos a responder a um novo medicamento antes de executar ensaios clínicos complexos e caros”

Ultan McDermott, pesquisador do Wellcome Trust Sanger Institute e participante do estudo


PALAVRA DO ESPECIALISTA

Cada vez mais personalizado

“Hoje, há a possibilidade de ter uma linhagem de câncer personalizada. Você retira a amostra da doença de um paciente, a cultiva em laboratório e aplica em um animal, geralmente um camundongo. Funciona como se o tumor crescesse em paralelo na cobaia. Com esse modelo, você pode avançar e testar drogas em uma amostra muito específica. Não precisa fazer experimentos aleatoriamente. Há bancos de dados que estão trocando as linhagens por esses modelos de animais. Muitos institutos e hospitais também estão trabalhando nisso. Por isso, acho que o grupo que divulgou esse novo trabalho tem uma carta na manga, devem estar focando em algo parecido”.




Interação de zika e dengue será estudada em teste de vacina

07/07/2016 - Portal Exame


Pesquisadores do Instituto Butantan avaliarão as possíveis interações entre os vírus Zika e o da dengue durante os testes em humanos da primeira vacina brasileira contra a dengue, que estão em andamento.

O anúncio foi feito por Paulo Lee Hoo, diretor da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Produção (DDTP) do Instituto Butantan, em mesa-redonda sobre gargalos na produção de vacinas da dengue, chikungunya e Zika, realizada durante a 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até o próximo sábado (09/07) no campus de Porto Seguro da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

De acordo com Hoo, a ideia do estudo é verificar se a infecção pelo vírus da dengue facilita o contágio pelo vírus Zika, entre outras possíveis interações dos dois flavivírus, que são muito parecidos.

“O ensaio clínico de fase 3 [em humanos] da vacina da dengue será a única oportunidade que teremos para estudar as possíveis interações recíprocas entre o vírus da dengue com o Zika”, disse Hoo à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, os 17 mil voluntários participantes dos ensaios clínicos da vacina da dengue, distribuídos em 13 cidades nas cinco regiões do país, serão acompanhados por uma equipe médica por cinco anos para verificar se a vacina é capaz de protegê-los ao longo desse período de tempo.

Nessa fase de acompanhamento, os pesquisadores pretendem observar se, além da dengue, os voluntários tiveram contato com o Zika vírus e quais foram os efeitos clínicos.

“Teremos a oportunidade de encontrar efeitos que provavelmente não seriam achados se essas pessoas não fossem acompanhadas sistematicamente”, avaliou Hoo.

Estudos publicados recentemente indicaram que uma pessoa infectada pelo vírus da dengue pode ser mais vulnerável ao Zika vírus, uma vez que anticorpos produzidos para combater subtipos do vírus da dengue se ligam às partículas virais do Zika de uma forma incompleta, facilitando a ação do último.

Os estudos, contudo, foram realizados in vitro, usando o plasma sanguíneo de pessoas infectadas pela dengue e linhagens de células humanas.

“Pode ser que na infecção natural, em humanos, aconteça de forma um pouco diferente”, estimou Hoo. “Mas, se realmente for assim, será preciso desenvolver uma vacina contra os quatro tipos de dengue mais o Zika”, estimou.


VACINA CONTRA O ZIKA


Além da vacina contra a dengue, desenvolvida em parceria com os National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos – cuja terceira e última fase de testes foi iniciada no começo de julho –, o Instituto Butantan também pretende desenvolver uma vacina contra o vírus Zika.

Algumas das possibilidades que têm sido estudadas pelos pesquisadores da instituição, de acordo com Hoo, são uma vacina de quimera, outra com vírus inativado e uma terceira com vírus atenuado.

Para desenvolver a vacina de quimera, os pesquisadores pretendem substituir proteínas pré-membrana (prM) do vírus da dengue pelas do Zika.

Já para elaborar a vacina com vírus inativado, eles pretendem usar vírus não infectantes. Para isso, estão tentando fazer crescer os vírus em meio de cultura, para depois purificá-los e inativá-los em laboratório.

E, para desenvolver a vacina com o vírus atenuado, os pesquisadores têm a intenção de fazer modificações no genoma do Zika para atenuar a ação do vírus.

“Também estamos tentando entender um pouco melhor a biologia do Zika, sua interação com o hospedeiro e contribuir tanto na parte de diagnóstico sorológico da infecção pelo vírus – uma vez que estamos produzindo anticorpos monoclonais –, como também em terapias, usando anticorpos produzidos por animais ou antivirais”, afirmou.

A fim de desenvolver uma vacina de Zika com vírus inativado, o Instituto Butantan fechou, no final de junho, parceria internacional com o Biomedical Advanced Research and Development Authority (BARDA) – um órgão do Ministério da Saúde dos Estados Unidos (HSS, na sigla em inglês).

Também no final de junho, um grupo de pesquisadores brasileiros e norte-americanos anunciou, em um artigo publicado na revista Nature, ter desenvolvido formulações de vacinas com modificações nas proteínas pré-membrana (prM) e proteína do envelope (E) do Zika que foram capazes de proteger camundongos da infecção pelo vírus.

O grupo também produziu uma vacina com vírus purificado e inativado do Zika, que se mostrou capaz de proteger camundongos contra a viremia – progressão da carga viral.

“Os resultados desse estudo são muito importantes e devem nos ajudar no desenvolvimento da vacina do Zika”, avaliou Hoo.

No Brasil, a pesquisa foi realizada no âmbito da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika), com apoio da FAPESP.

E os estudos iniciais que resultaram no desenvolvimento da vacina contra a dengue pelo Instituto Butantan também tiveram apoio da FAPESP.

Plano de saúde 'popular' pode ampliar judicialização, avalia o setor

07/07/2016 - Valor Econômico


A criação de um plano de saúde popular, ideia defendida pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, na quarta-feira no Congresso, abre espaço para discussões sobre a judicialização, avaliam representantes do setor. Na avaliação deles, para operar com custos menores, a cobertura de atendimento desses convênios médicos provavelmente será inferior à dos atuais, assim como propôs o ministro.

Por isso, há entre os representantes do setor o receio de que os usuários dos planos de saúde populares entrem com ações judiciais, exigindo cobertura equivalente à dos atualmente comercializados, tendo em vista que existe uma legislação determinando um roll de procedimentos mínimos obrigatórios às empresas atuantes no setor.

Na fala do ministro, não ficou claro se haveria uma regra especial para o plano de saúde popular que os isentasse de cumprir essa obrigatoriedade.

As entidades que representam as operadoras e seguradoras de planos de saúde, Abramge e Fenasaúde, respectivamente, acreditam que ao tratar do assunto o ministro dá uma sinalização de que o governo está aberto ao diálogo para criação de mecanismos que possam reduzir os custos da saúde, seja pública ou privada. “É preciso levar à sociedade a discussão de que a saúde suplementar não tem como atender tudo e todos”, disse Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Fenasaúde.

O presidente da Abramge, Pedro Ramos, também disse que o governo parece estar mais sensível aos elevados custos da saúde e criticou duramente a judicialização. “Não dá para deixar de discutir uma flexibilização das regras do setor com medo da judicialização. É preciso tomar um primeiro passo”, disse Ramos.




Jovens ingerem pouca fruta e muito ‘refri’

08/07/2016 - Folha de S.Paulo

Adolescentes deixam as frutas de lado na hora de matar a fome, ao mesmo tempo em que é alta a proporção daqueles que não largam os refrigerantes e doces.

Essa é uma das conclusões de um dos maiores estudos já realizados no país para mapear os hábitos alimentares dos adolescentes e os fatores de risco de doenças cardiovasculares entre este grupo.

Apelidada do Erica (Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes),a pesquisa, feita pelo Ministério da Saúde e a UFRJ, entrevistou mais de 70 mil adolescentes entre 12 e 17 anos de 1.247 escolas, distribuídas em 124 municípios.

Entre os alimentos mais consumidos por este grupo, estão arroz, feijão, pães, sucos, carnes e refrigerantes. E aí vem o alerta: esta última categoria aparece como hábito alimentar de 45% dos adolescentes, uma proporção considerada alta pelo Ministério da Saúde.

Ou seja, de 1.600 alimentos possíveis,o“refri” é o sexto alimento mais lembrando. Doces e sobremesas aparecem na sequência, com 39,3%de adesão.

Frutas, por sua vez, nem sequer aparecem na lista geral de 20 alimentos mais consumidos, mostra o estudo.

Ao mesmo tempo em que ainda privilegiam bebidas açucaradas, parte dos adolescentes também mantém hábitos não recomendados por nutricionistas na hora das refeições.

A pesquisa mostra que 56,6% deles fazem as refeições “sempre ou quase sempre” em frente à TV, e 39,6% consomem petiscos em frente à telinha com esta mesma frequência. “Ao consumir mais alimentos na frente da TV, do computador, do celular, acabam não percebendo o que estão comendo, o que acaba aumentando a ingestão calórica e de alimentos ultra prossesados”,diz Michele Lessa, coordenadora de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde.

Entre os adolescentes, 100% têm consumo de vitamina E—antioxidante importante para a saúde da pele e cicatrização— e cálcio —importante para o crescimento ósseo— abaixo do adequado.


OBESOS


Para o ministério, os hábitos alimentares no país se refletem nos crescentes índices de obesidade. Em 2015, cerca de metade da população acima de 18 anos estava acima do peso. Destes, 18,9% eram obesos.

Para comparação, em 2006, este percentual era de 11,8% —ou seja, houve um crescimento de 60% em dez anos. A obesidade é um dos fatores de risco de doenças cardiovasculares. “É um problema que implica em muitos gastos na saúde pública”, diz o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Também é alto o índice de adolescentes acima do peso: 17,1%, segundo a pesquisa Erica. Destes, 8,4% são obesos.

Para tentar diminuir estes índices o ministro da Saúde afirma que vai levar ao Congresso uma proposta para regulamentar a comercialização e publicidade, em escolas públicas e privadas, de alimentos e bebidas industrializados.

“A intenção é que a publicidade não induza as crianças [a consumir alimentos processados].”




Falta de verba atinge medicina nuclear e pode prejudicar 6 mil pacientes por dia

08/07/2016 - O Estado de S.Paulo


A crise orçamentária da ciência brasileira ameaça paralisar a produção de radiofármacos no País. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), responsável pela produção de 95% de todos os medicamentos desse tipo usados no Brasil, só tem dinheiro suficiente para operar até o fim de agosto. Depois disso, sem uma injeção emergencial de recursos, a fábrica fecha.

“Vai parar tudo, literalmente”, disse ao Estado o superintendente do Ipen, José Carlos Bressiani. “A situação é muito crítica. Não teremos dinheiro nem para pagar a conta de luz”, ressaltou.

Cerca de 6 mil pacientes usam os produtos do Ipen diariamente, de acordo com a estimativa de Bressiani. O instituto fabrica 38 produtos para medicina nuclear, que são fornecidos para 430 clínicas e hospitais em todo o País. Entre eles estão o tecnécio-99, essencial para diagnóstico de câncer e várias outras doenças, e o iodo-131, para o tratamento de problemas da tireoide.

O número de pacientes beneficiados por ano é de aproximadamente 1,5 milhão. E cerca de um terço da produção é destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O orçamento do Ipen para 2016 é de aproximadamente R$ 100 milhões, mas o instituto precisa de pelo menos R$ 150 milhões para manter a produção de radiofármacos funcionando, afirmou Bressiani. “Todos os cortes possíveis nós já fizemos no ano passado”, disse o superintendente, que nesta semana participa da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro, na Bahia.

O Ipen fica dentro da Universidade de São Paulo (USP) e é vinculado ao governo do Estado, mas é gerido e financiado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Segundo o presidente da CNEN, Renato Cotta, o orçamento da comissão para este ano, que originalmente seria de R$ 216 milhões, foi reduzido para R$ 136 milhões. “A conta não fecha, já estamos cortando no osso”, afirmou.

A liberação de um recurso emergencial de R$ 15 milhões foi aprovada pelo ministério nos últimos dias, segundo ele, mas é crucial que o dinheiro chegue antes de agosto. E ainda assim, não será suficiente. “Para sobreviver até o fim do ano precisamos de mais R$ 60 milhões, pelo menos”, disse.

Caso a produção do Ipen seja interrompida, não há como substituir seus produtos com importações, pois os radiofármacos perdem eficácia rapidamente (por causa do decaimento natural dos elementos radioativos) e precisam ser produzidos quase que “em tempo real”, próximo do local onde serão utilizados.

Além do Ipen, a CNEN gerencia outras três unidades de produção de radiofármacos no País, em Belo Horizonte, Rio e Recife – especializados na produção de isótopos de vida curta (de poucas horas de duração), que não podem ser transportados por longas distâncias.

“O cobertor é curto. Se puxarmos uma ponta para salvar o Ipen, os outros vão sofrer”, avaliou Cotta.


SEM RISCO


Procurado pela reportagem, o ministério afirmou, por meio de nota oficial, que “não há risco de desabastecimento de radiofármacos”, pois a pasta “já havia recebido a solicitação da CNEN de adequação orçamentária para este ano equivalente às despesas programadas para a produção dos referidos produtos”.

“O MCTIC incluiu a solicitação do CNEN nas discussões sobre créditos orçamentários com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão”, disse o texto oficial. “Paralelamente, o MCTIC tomará todas as providências necessárias para atender à solicitação do CNEN, que está recebendo normalmente a matéria-prima de Rússia, África do Sul e Argentina três vezes por semana.”




Adolescente se alimenta mal e risco à saúde cresce

08/07/2016 - O Estado de S.Paulo


Uma pesquisa inédita feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que adolescentes seguem uma dieta de alto risco para problemas cardiovasculares, renais e obesidade.

A lista de problemas é extensa: refrigerante é o sexto alimento mais consumido, só metade toma mais de 5 copos de água por dia, 80% consomem sódio em excesso e todos ingerem menos cálcio e vitamina E do que o adequado.

O trabalho tem por base um inquérito com estudantes de 12 a 17 anos, feito em 1.247 escolas espalhadas pelo País.

“Vivemos em uma transição do padrão africano, onde a fome era prevalente, para o padrão americano, onde a obesidade predomina”, afirmou a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção à Saúde, Fátima Marinho. A epidemiologista considera que o fenômeno identificado agora entre adolescentes já ocorre há alguns anos na população adulta.

“Nossa tarefa é tentar reverter esse padrão, sobretudo com população mais jovem.” O conjunto de hábitos retratado na pesquisa preocupa. Mais da metade faz refeições sempre ou quase sempre na frente da TV. Quando não é o prato de comida, é o salgadinho. Dos entrevistados, 40% disseram que comem petiscos enquanto estão com o aparelho ligado e 73,5% passam duas horas ou mais vendo TV ou no computador.

“Trabalhos mostram que, quando a pessoa faz refeições com companhia, há uma tendência maior de se prestar atenção no que se está comendo, reduzindo excessos”, afirmou a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa.


ARROZ E FEIJÃO


A boa notícia está na permanência do hábito brasileiro de colocar no prato arroz e feijão. São os itens de alimentação mais consumidos pelos jovens, com 81,75% e 67,95%, respectivamente. No entanto, doces e refrigerantes, com 44,97% e 39,33%, por sua vez, estão mais bem colocados do que frutas e hortaliças (33,97%). No Nordeste, o consumo de frutas e hortaliças é tão baixo que não figura entre os 20 alimentos mais usados.

O padrão entre adultos é ainda mais desanimador. Estudo feito por telefone com moradores com mais de 18 anos das capitais do País mostra que 19% do brasileiros têm o hábito de consumir refrigerantes e sucos artificiais e 20% consomem doces 5 vezes por semana ou mais. O hábito reflete diretamente na obesidade: 18,6% são obesos – em 2010, eram 15%.

A estudante Morgana Miranda, de 18 anos, por exemplo, diz que toma refrigerante todos os dias e o hábito a acompanhou durante toda a adolescência.

“Até penso em tomar suco, mas vou comer uma batata frita e não combina.” Já na casa da estudante Tifany Ito, de 17 anos, sempre tem suco de caixa, diariamente.

“Fazer suco natural dá muito trabalho.” Endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Tarissa Petry diz que, por praticidade, brasileiros estão deixando de consumir alimentos naturais, mas que isso pode trazer sérias consequências para a saúde. “Estamos diagnosticando a obesidade cada vez mais cedo. Esses jovens vão ter diabete, hipertensão, enfarte e AVC mais cedo também.” Propaganda. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou que a propaganda de alimentos ricos em sal, açúcar e gordura e com excesso de álcool poderia ser “aprimorada”, sem dizer, no entanto, o que poderia ser feito. Mas assinou uma portaria que proíbe, a partir de hoje, a venda, promoção, publicidade ou propaganda de alimentos industrializados, ultraprocessados, com excesso de açúcar, gordura e sódio dentro das unidades do ministério.

O mesmo vale para eventos patrocinados e ele espera que a medida seja replicada por outros órgãos de governo.




Ministro diz que multas a planos são abusivas

08/07/2016 - O Estado de S.Paulo


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, saiu em defesa de planos de saúde e afirmou que as multas aplicadas às operadoras são abusivas e que empresas do setor não podem ser consideradas como inimigas. “As multas são exageradas. Um plano que deixa de cumprir uma obrigação de R$ 100 hoje é multado em R$ 50 mil”, disse, durante reunião do Conselho Nacional de Saúde. “Quebrar os planos não ajuda em nada a saúde do Brasil nem dos brasileiros. Os planos geram emprego, pagam impostos. Não são nossos inimigos”, completou.

As declarações foram dadas um dia depois de o ministro sugerir a criação de “planos populares” de saúde, uma modalidade em que o usuário pagaria uma mensalidade menor, mas, em contrapartida, teria direito a uma cesta de serviços mais restrita da que é hoje definida como mínima pela lei.

Criticado por integrantes do conselho, o ministro afirmou que planos populares são uma sugestão. “Há dúvidas sobre se essa medida poderia ser tomada apenas com uma resolução ou se seria necessária a mudança da lei”, afirmou.

Barros disse ainda não ter uma sugestão para mudanças nas regras para punir empresas que resistem em prestar serviços devidos aos usuários. Mas afirmou ser necessário um olhar atento para operadoras.


ANISTIA


As declarações foram uma resposta a uma pergunta feita por integrantes do conselho, sobre a tentativa do Congresso de anistiar multas devidas pelas operadoras de saúde.

A proposta foi aprovada por parlamentares e, mais tarde, vetada pela presidente afastada, Dilma Rousseff. O texto, de 2014, permitiria um perdão de R$ 2 bilhões para o setor.

O ministro enxerga na saúde suplementar uma saída para driblar o orçamento apertado na Saúde. Desde que assumiu, ele diz que, quanto mais pessoas em planos, melhor.




Presidente da SBPC volta atrás após colocar cargo à disposição

08/07/2016 - O Estado de S.Paulo


A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, colocou o cargo à disposição do conselho da entidade em reunião na manhã de ontem. O conselho, porém, solicitou por unanimidade que ela permanecesse, e Helena aceitou. A decisão foi comemorada pelos 22 conselheiros presentes.

“Vou continuar, mas com muito sacrifício, pode ter certeza”, disse Helena ao Estado após a reunião. O pedido de renúncia foi motivado por uma agressão verbal sofrida anteontem, durante um ato público na reunião anual da SBPC em Porto Seguro, no sul da Bahia.

Helena foi chamada de “pelega” e “chapa branca” por pessoas que protestavam contra o governo interino de Michel Temer — entre elas, o químico Antonio Carlos Pavão, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que acusou a presidente da SBPC de ficar “em cima do muro” e “negociar com golpistas”.

“Eu tenho uma história muito clara de luta contra a ditadura”, disse Helena, de 68 anos, ao Estado. “Eu não fui presa; o que é um buraco na minha formação.

Mas eu lutei pela democracia; estive presente em todas as reuniões. Eu tive amigos que foram presos e torturados, tive professores que foram violentamente torturados. A palavra ‘pelega’ para mim é muito forte. E ela foi usada conscientemente, de propósito.” Fusão. O ato público havia sido convocado para criticar a fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com o Ministério das Comunicações e pedir a recomposição do orçamento da pasta aos níveis de 2013, pelo menos. Mas acabou sendo dominado por manifestações contra o “golpe” e o governo interino.

“Fora Temer e seu bando”, disse Pavão diversas vezes ao microfone. Helena Nader disse então que a SBPC era uma “entidade sem cor político-partidária” e não participava desse “segundo slogan” do ato — referindo-se ao coro de “Fora Temer”.

Mesmo assim, uma proposta de apoio ao movimento Fora Temer será debatida. “O tema vai ser levado à assembleia para discutir se a SBPC deve ou não assumir essa ou aquela bandeira política”, disse Glaucius Oliva, professor da Universidade de São Paulo (USP). “O que é inaceitável é essa agressão pessoal contra a Helena, totalmente desmedida e desnecessária”, afirmou ele.




Cardápio pobre em nutrientes

08/07/2016 - O Globo


Uma pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde mostra que a alimentação dos adolescentes brasileiros deve ser motivo de grande preocupação. Considerados saudáveis, arroz e feijão estão no topo da lista dos 20 produtos mais consumidos entre jovens de 12 a 17 anos. Mas, daí em diante, reinam alimentos industrializados como refrigerantes e carnes processadas que, ricos em sódio e açúcar, não deveriam fazer parte da dieta.

Hortaliças só aparecem na décima posição. E as frutas, recomendadas devido ao alto teor de nutrientes, não têm lugar no prato dos brasileiros em fase de crescimento. Nutricionistas ouvidos pelo GLOBO classificam os resultados como alarmantes e dizem que, sem uma mudança no quadro, a população pode enfrentar problemas sérios de saúde e até redução na expectativa de vida. Os dados fazem parte do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), feito em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foram colhidas informações de 75 mil alunos em 1.247 escolas de 124 municípios.

— Na adolescência é preciso consumir em média seis porções de fruta por dia. O baixo consumo de alimentos in natura e alta ingestão de alimentos processados aumentam a carência nutricional e o risco de diabetes e doenças cardiovasculares — comenta Annie Bello, professora de nutrição clínica da Uerj e pesquisadora do Instituto Nacional de Cardiologia.

Também preocupam o consumo de vitamina E e cálcio, muito abaixo do recomendado, e a ingestão excessiva de sódio, o que pode levar ao sobrepeso e à hipertensão. Segundo o Erica, 80% dos adolescentes consomem sódio acima do recomendado. Menos da metade (48,5%) toma sempre ou quase sempre café da manhã, e 21,9% nunca fazem a primeira refeição do dia. Mais da metade dos adolescentes come em frente à televisão.

— É muito alarmante. Se a maneira como as pessoas se relacionam com a alimentação e a atividade física não mudar, esse quadro vai gerar a longo prazo um custo alto em termos de saúde coletiva. Estudos relatam que esta geração pode ter uma expectativa de vida de quatro a seis anos menor — analisa o nutricionista Clayton Camargos, pós-graduado em Autogestão em Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

Dados divulgados anteriormente mostram que a obesidade — que atinge 8,4% dos adolescentes — é mais comum entre os meninos (10,8%) do que entre as meninas (7,6%). O sobrepeso chega a 17,1%. Anualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta R$ 458 milhões para tratar problemas decorrentes da obesidade. Com internação de adolescentes, foram gastos R$ 126,4 milhões entre 2010 e maio de 2016. No mesmo período, o gasto com cirurgias bariátricas (de redução do estômago) alcançou R$ 233,1 milhões em todas as faixas etárias.

Para mudar o hábito dos jovens, nutricionistas defendem que o estímulo venha dos pais.

— Os maiores responsáveis por aumentar o consumo de alimentos saudáveis são a educação em casa e a escola. Se houver maior compra e aquisição de frutas em casa, possivelmente as crianças vão comer mais — argumenta Annie Bello.


15,5% SUBSTITUEM REFEIÇÕES POR LANCHES


Outro levantamento do Ministério da Saúde, o Vigitel 2015 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), feito em 27 capitais, mostra que há mais adultos comendo frutas e hortaliças regularmente. Ainda assim, menos da metade têm esse hábito. Além disso, o consumo de doces e refrigerantes é considerado excessivo.

Em 2010, 29,9% dos adultos consumiam frutas e hortaliças regularmente. Em 2015, o índice passou para 37,6% — as mulheres comem mais esse tipo de alimento que os homens. A pesquisa revela também que é alto o consumo de feijão: 64,8%, por cinco dias ou mais da semana. E o hábito de substituir o almoço ou o jantar por lanches é comum a 15,5% dos brasileiros.

Alguns alimentos considerados pouco saudáveis também são bastante consumidos, como carnes com excesso de gordura, no prato de 31,1% dos brasileiros, principalmente homens. Doces e sobremesas estão quase todos os dias na dieta de 20,1% da população, em especial as mulheres.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresentou uma portaria para estimular a alimentação saudável. Nos restaurantes e eventos realizados pelo ministério e órgãos vinculados serão priorizados cereais, raízes e tubérculos, verduras e legumes, frutas, oleaginosas, leite e derivados, carnes, ovos e pescados. Será proibida a venda de alimentos industrializados com excesso de açúcar, gordura e sódio. O ministério quer apresentar proposta no Congresso para que só sejam ofertados alimentos saudáveis nas escolas públicas e privadas.

— É preciso investir em saúde preventiva. É melhor para a população e onera menos o orçamento do Sistema Único de Saúde — disse Barros, que pediu que a população consuma menos sal e açúcar e faça mais exercícios, e que a indústria produza mais alimentos saudáveis.




Ministério da Saúde confirma 1.656 casos de microcefalia no país

07/07/2016 - O Globo / Site


O Ministério da Saúde divulgou, nesta quinta-feira, novos dados de microcefalia. Até 2 de julho, foram confirmados 1.656 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita em todo o país. Outros 3.130 casos suspeitos de microcefalia em todo o país permanecem em investigação pelo Ministério da Saúde e os estados.

Desde o início das investigações, em outubro do ano passado, 8.301 casos foram notificados ao Ministério da Saúde. Destes, 3.515 foram descartados por apresentarem exames normais, ou por apresentarem microcefalia ou malformações confirmadas por causa não infecciosas. Também foram descartados por não se enquadrarem na definição de caso.

Do total de casos confirmados, 255 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus Zika. O Ministério da Saúde, no entanto, ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. A pasta considera que houve infecção pelo Zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia. Os 1.656 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 588 municípios, localizados em todas as unidades da federação e no Distrito Federal.

Em relação aos óbitos, no mesmo período, foram registrados 334 óbitos suspeitos de microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gestação (abortamento ou natimorto) no país. Isso representa 4% do total de casos notificados. Destes, 92 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 184 continuam em investigação e 58 foram descartados.

O Ministério da Saúde ressalta que está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central informados pelos estados, além da possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa, diversos agentes infecciosos além do Zika, como Sífilis, Toxoplasmose, Outros Agentes Infecciosos, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes Viral.

A pasta orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.




Casos de câncer associados ao HPV estão em ascensão nos EUA

07/07/2016 - G1 - Bem Estar


O número de casos de câncer associados ao vírus do papiloma humano (HPV) está em ascensão nos Estados Unidos, atingindo cerca de 39 mil pessoas a cada ano, revelou um relatório das autoridades sanitárias americanas nesta quinta-feira (7).

A estimativa, feita pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), abrangeu o período de 2008 a 2012 e mostrou um aumento em relação aos pouco mais de 33 mil casos anuais observados entre 2004 e 2008.

Cânceres relacionados ao HPV costumam aparecer nas regiões genitais de homens e mulheres, assim como na cabeça, no pescoço e na garganta.

Os cânceres descritos no relatório incluem cerca de 11,7 mil casos de câncer de colo de útero em mulheres e mais de 12,6 mil casos de câncer bucal entre os homens.

Nos Estados Unidos, as vacinas para prevenir o HPV, que é uma infecção transmitida sexualmente, estão disponíveis para meninos e meninas a partir dos 11 anos de idade.

No entanto, muitos adolescentes americanos não recebem a vacina, que deve ser tomada em três doses.

Em 2014, no grupo das meninas de entre 13 e 17, 60% tinham recebido uma dose, e 40% tinham tomado as três doses, segundo o relatório.

Entre os meninos, a taxa de vacinação foi ainda mais baixa, com 42% tendo recebido uma dose, e 22% as três doses.

No Brasil, a vacina é oferecida de modo permanente na rede pública para meninas de entre 9 a 13 anos, e deve ser tomada em duas doses.

"Os cientistas do CDC ressaltam que 28,5 mil casos de câncer causados pelo HPV poderiam ser evitados com a vacina contra o vírus", informou a agência federal americana.

O relatório ressalta, ainda, a importância do exame preventivo do câncer do colo do útero (teste Papanicolau) para detectar lesões antes que elas se transformem em câncer.