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Notícias– 14/01/2015

  

 

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Artigo: Maconha também é remédio
14/01/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: SIDARTA RIBEIRO, LUÍS FERNANDO TÓFOLI E CRISTIANO MARONNA

Ministério Público Federal do DF reconheceu o potencial da Cannabis como remédio, sem restringir a prescrição nem determinar o perfil do paciente

Vimos em 2014 uma mudança substancial no cenário em torno de uma importante pauta da política de drogas. A maconha medicinal e a luta de pacientes para obtê-la ocuparam o noticiário, a cada momento com uma notícia diferente.

Em dezembro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou uma resolução regulamentando a prescrição médica do canabidiol, substância derivada da maconha que tem sido usada para tratamento médico. No mesmo dia, o Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal apresentou uma ação civil pública pedindo a liberação do uso medicinal e científico da Cannabis.

No dia seguinte, divulgou-se a criação da Ama-me (Associação Brasileira dos Pacientes de Cannabis Medicinal).

O tema entrou na agenda a partir da mobilização em torno de casos como os retratados na campanha Repense e no documentário "Ilegal". Logo após o lançamento do filme, em outubro, foi expedida uma das primeiras autorizações judiciais para importação de remédio à base de maconha, diante da demora irrazoável da Anvisa em fazê-lo. Outras não tardaram a vir.

Enquanto o CFM fala apenas em prescrição de canabidiol para menores de 18 anos que sofrem com epilepsias refratárias, a ação dos procuradores do Distrito Federal vai além. Mencionam tanto a regulação do uso de THC, outra substância derivada da Cannabis, como a autorização de importação de sementes para autocultivo e uso terapêutico.

Essa diferença esconde uma brutal luta política pelo controle desse rico mercado, opondo o uso do canabidiol somente como substância pura à prescrição in natura da planta, seja inalada ou ingerida, também com efeito medicinal. Os defensores do "canabidiol puro" diferenciam esse canabinoide, que chamam de remédio, de outros, que associam aos conhecidos efeitos da maconha, que chamam de droga.

Diferentemente da regulação proposta pelo CFM, a ação do MPF do Distrito Federal reconhece o potencial holístico da Cannabis como remédio. Ela não restringe a prescrição médica, nem determina o perfil do paciente, respeitando a liberdade do médico em seu exercício profissional.

A ação também reconhece a necessidade de definir nossa política de drogas com base em conhecimento científico, melhor caminho para desmistificar o tema.

Cita, nesse sentido, estudos sobre o potencial terapêutico da maconha em casos que vão além da epilepsia refratária, incluindo dores crônicas ou neuropáticas e a esclerose múltipla, bem como o uso da planta para a diminuição dos efeitos colaterais decorrentes de quimioterapia em casos de câncer.

Os procuradores tocaram em um ponto nevrálgico: o sofrimento dos que esperam tratamento. Chamam atenção para a demora indevida do governo federal em regulamentar o uso medicinal da maconha e para a falta de incentivo à pesquisa.

Decisões judiciais recentes, como a restrição a propagandas de cerveja e de vinho, mostram que é possível regular responsavelmente substâncias no Brasil, contrariando os céticos e apontando para o bom senso.

Está agendada para esta quarta-feira (14) uma nova reunião sobre o tema na Anvisa. Esperamos que rostos e histórias povoem a mente dos tomadores de decisão, e não os cifrões provenientes da venda de remédios. Que se reconheça, como já feito corajosamente pelo MPF do Distrito Federal, que maconha é remédio e que não pode ser negada a quem precisa.


Unidades de saúde ficam sem remédios de uso contínuo
14/01/2015 - Folha de S.Paulo


Remédios de uso contínuo para vários tratamentos --como para diabetes, hipertensão e úlcera-- estão em falta nas unidades de saúde de Ribeirão Preto e Araraquara.

Servidores e sindicatos dos funcionários públicos falam em 41 medicamentos (sendo 31 somente em Ribeirão Preto), mas as prefeituras confirmam que apenas parte deles está em falta.

A administração municipal de Ribeirão diz que faltam 11 tipos de remédios --entre eles estão cloranfenicol colírio (utilizado no tratamento de infecção ocular) e biperideno (para sintomas do mal de Parkinson).

Para explicar o problema, o governo alegou, entre outros motivos, ausência de matéria prima em uma das fábricas e a falta de entrega pelas empresas responsáveis.

O advogado José Ricardo Guimarães Filho, presidente do Conselho Municipal da Saúde de Ribeirão, fala em outro motivo: os atrasos nos pagamentos de fornecedores. "As empresas estão recebendo com atraso desde o ano passado", afirmou.

Em crise, o governo Dárcy Vera (PSD) tem uma dívida de, no mínimo, R$ 60 milhões com fornecedores.

Para driblar a situação, a administração municipal determinou medidas para contenção de gastos, como a redução no consumo de combustível por órgãos ligados à prefeitura.

ARARAQUARA


Já em Araraquara, o sindicato fala em dez remédios em falta, entre eles, albendazol (para infecções por parasitas) e hidroclorotiazida (recomendada para hipertensão).

Segundo a entidade, também não há seringas para aplicação de insulina (usada por quem tem diabetes).

A Secretaria da Saúde confirmou que há dificuldades em manter os remédios disponíveis, mas não falou em número de medicamentos.

Informou que a situação é agravada pelas ordens judiciais para a compra de remédios de alto custo.

O diretor do Sismar (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região) Marcelo Roldan atribui o problema à falta de pagamento a fornecedores. Segundo ele, o governo do prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) fechou 2014 com uma dívida de cerca de R$ 280 milhões.

A previsão das prefeituras é que a situação seja normalizada até o mês que vem.

SEM RAIO-X


Além da falta de remédios, a população de Ribeirão enfrenta outro problema: há oito dias, a única UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade está sem o equipamento de raio-x.

É que o aparelho quebrou no último dia 6 e ainda não há previsão de quando ele será consertado.

De acordo com a prefeitura de Ribeirão, as peças foram encomendadas, mas não há previsão de quando elas serão entregues.

Os pacientes que precisam do exame são remanejados para outras duas unidades de saúde, o que tem gerado reclamações em decorrência da demora no atendimento.

A cabeleireira Maria Inês Andrade, 34, levou a filha de 12 anos para fazer um raio-x na UBDS (Unidade Básica Distrital de Saúde) Central e depois, voltou na UPA para que o pediatra pudesse avaliar o resultado do exame.

"É um absurdo a única UPA da cidade ficar sem raio-x."

Pesquisa e desenvolvimento

 

Sucos de caixinha tem tantas calorias quanto refrigerantes
14/01/2015 - Folha de S.Paulo

O que o suco de caixinha, a batata frita e o refrigerante têm em comum? Três copos de suco industrializado têm cerca de 300 calorias, o mesmo que uma porção média de batata. O suco tem ainda mais ou menos a mesma quantidade de calorias do refri.

Quando descobriu isso, a administradora Camila Signorini, 35, decidiu tirar de vez o suco de caixinha do cardápio das filhas Gabriela, 8, e Rafaela, 5. Na época, a bebida era liberada em casa e ainda servia de lanche na escola.

"Eu pensava que era saudável, mas fui ler a lista de ingredientes. Fiquei assustada."

Muitos dos sucos de caixinha vendidos em supermercado na verdade são néctares –são os mais baratos e populares. Neles, a maior parte da bebida é mistura de água, açúcar e aditivos químicos. Não há nada ilegal aí: o Ministério da Agricultura prevê que esse tipo de bebida tenha pelo menos de 30% a 50% de suco, conforme a fruta.

"Os fabricantes não são obrigados a divulgar quanto de fruta há no produto", diz Ana Paula Bortoletto, do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Em 2014, a instituição fez um teste e descobriu que, além de pouca fruta, muitos néctares têm açúcar demais. Um produto de uva chegou a ter 29 g em 200 ml. A mesma porção de refrigerante de cola tem 21 g.

A diferença é que no suco parte dos carboidratos vem da fruta (frutose), mas na embalagem isso não é discriminado. Segundo a endocrinologista Maria Edna de Melo, do Hospital das Clínicas da USP, assim como o açúcar adicionado pela indústria, a frutose também pode ser prejudicial.

"Também é um carboidrato de alto índice glicêmico –faz o nível de glicemia do sangue subir rapidamente–, favorecendo o desenvolvimento de obesidade e diabetes."

Por isso, ela e todos os especialistas consultados não recomendam o consumo liberado de suco. Isso vale também para os sucos integrais, sem adição de açúcar, industrializados ou feitos em casa.

"Quando a fruta vira suco, ela se desvirtua, perde fibra e a quantidade de açúcar é concentrada", diz a nutricionista Cláudia Lobo. Para as crianças, isso é ainda pior, porque o doce pode dar uma falsa sensação de saciedade.

"Se ela trocar água por suco, vai perder a fome. Pode ficar obesa e desnutrida, por consumir um alimento de alto teor calórico sem fibras e outros nutrientes", diz a nutricionista Gabriela Kapim.

Apesar de também serem ricos em carboidratos, os sucos integrais, sem adição de açúcar, são melhores que os néctares, pois não têm aditivos e conservam parte dos nutrientes da fruta. O de uva, por exemplo, tem antioxidantes.

"Boa parte das vitaminas são preservadas. É uma ótima opção", diz a nutricionista Carolina Godoy. Ela presta serviços para a marca Do Bem, de sucos integrais.

Para o pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopez, a principal vantagem do suco integral é ser menos doce. "Apesar de ter a mesma quantidade de carboidratos, o néctar tem o sabor mais adocicado, o que pode deixar o paladar da criança mal acostumado."

A indústria às vezes também usa adoçantes, o que é um problema, diz a nutricionista Neiva Souza. "Crianças não devem consumi-los indiscriminadamente. Não sabemos as consequências disso a médio e longo prazo."

O alerta vale mais ainda para os sucos de soja, que além de adoçantes têm isoflavona, fitoesterol semelhante ao hormônio feminino. "O consumo teria relação com maturação sexual precoce", diz Souza.

Para fugir desses e outros riscos é simples: basta trocar o suco por água, e comer a fruta in natura.


A soneca que ajuda a memória
14/01/2015 - O Globo

Dormir é essencial para a memória e o aprendizado de pessoas de qualquer idade. Portanto, não poderia ser diferente entre bebês e crianças pequenas, que estão na faixa etária com o maior número de horas de sono. E é isso que uma nova pesquisa britânica resolveu aprofundar. Eles mostram que, além de essencial, o sono (e o cochilo) pode ter uma relação bem direta com o aprendizado de determinadas tarefas.

O estudo, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, acompanhou 216 bebês de 6 meses a 1 ano e mostrou que eles têm muito mais facilidade para se lembrar de tarefas e novas informações quando dormem logo depois de uma atividade. Assim, este é o melhor momento para eles aprenderem uma tarefa.

— Pais recebem muitos conselhos sobre o que deveriam ou não fazer com o horário de sono de seu bebê — ressalta Jane Herbert, autora do estudo e do Departamento de Psicologia da Universidade de Sheffield. — Até agora, as pessoas acreditavam que o melhor momento para o aprendizado das crianças era quando elas estavam totalmente acordadas. Mas nossos resultados mostram que atividades que ocorrem um pouco antes de as crianças cochilarem podem ser particularmente válidas.
HISTÓRIAS DA VOVÓ
E, para os cientistas, contar histórias na hora de dormir tem mais benefícios do que simplesmente relaxar a criança.
— Mais uma vez, a ciência corrobora o conhecimento das avós. Qual o horário clássico para ler? Antes de dormir! — comenta o pediatra Roberto Cooper. — Sono e leitura são duas armas poderosas para o desenvolvimento intelectual, cognitivo e emocional da criança. Temos que divulgar isso para estimular esses hábitos “em extinção”.
Cooper explica ainda que há estudos mostrando os benefícios da leitura para a criança a partir dos 6 meses de idade.
— Apesar de os bebês ainda não conseguirem entender o conteúdo nesta fase, isso já vai estimulando o hábito tanto para os pais quanto para a criança — recomenda.
No estudo, os cientistas ensinavam aos bebês — de seis a 12 meses — três novas tarefas que envolviam brincar com fantoches de mão. Crianças que não cochilavam depois do aprendizado foram comparadas aquelas que cochilavam menos ou mais de 30 minutos até quatro horas depois da atividade. Apenas aquelas que tiravam um cochilo mais longo (mais de meia hora) se lembravam das atividades após 24 horas. A pesquisa ainda sugere que a flexibilidade do horário do cochilo também ajuda.
Os resultados do estudo foram publicados na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America” (PNAS). O próximo passo dos pesquisadores é analisar se o sono não apenas aumenta a memória, mas se tem influência na qualidade dessa memória em crianças.


Ter uma infância feliz deixa o coração mais saudável
13/01/2015 - Veja Online

Uma pesquisa feita na Finlândia revela que o bem-estar das crianças pode ter impacto na saúde ao longo da vida. Segundo o estudo, publicado na segunda-feira no Circulation, periódico da Associação Americana do Coração, viver experiências psicológicas positivas na infância diminui a probabilidade de doenças cardiovasculares na idade adulta.

O estudo avaliou, em cerca de 3 500 crianças e adolescentes de 3 a 18 anos, aspectos como nível socioeconômico, estabilidade emocional, hábitos de saúde dos pais, ocorrência de eventos estressantes e problemas de comportamento. Após 27 anos, quando os participantes tinham de 30 a 45 anos, a saúde cardiovascular de cada um foi analisada. Para isso, os pesquisadores levaram em consideração fatores de risco para o problema, incluindo taxas de colesterol e açúcar no sangue, hipertensão, excesso de peso, tabagismo e diabetes.



Resultado
Segundo as conclusões, crianças que têm um maior bem-estar – como estabilidade emocional e financeira em casa, cultivo de hábitos saudáveis e menores problemas de comportamento (como agressividade e impulsividade) – são menos propensas a sofrer problemas cardiovasculares quando adultas.

Pessoas que viveram mais experiências positivas na infância e adolescência apresentam uma probabilidade 14% maior de terem um peso saudável na vida adulta do que aquelas que vivenciaram menos fatores de bem-estar quando mais jovens. Além disso, têm um risco 12% menor de se tornarem fumantes e 11% menor de sofrerem com taxas elevadas de açúcar no sangue quando mais velhas.

“As escolhas que os pais fazem para mudar o ambiente em que a criança vive pode ter efeitos a longo prazo na saúde delas. Por exemplo, pãe ou mãe desempregados que permanecem assim por muito tempo podem desencadear um efeito enorme nesse sentido. Por outro lado, se um dos pais deixa de fumar, a melhora da saúde da criança será significativa”, diz a coordenadora do estudo, Laura Pulkki-Råback, da Universidade de Helsinki, na Finlândia.


Saúde




Sorocaba tem dengue fora de época e entra em alerta máximo
13/01/2015 - O Estado de S.Paulo / Site

O surgimento de casos de dengue em um período em que ela normalmente não se manifesta levou a Secretaria da Saúde de Sorocaba a declarar nesta segunda-feira, 12, alerta máximo contra a doença. Entre julho de 2014 e o início de janeiro deste ano foram registrados 138 casos, sendo 16 novas infecções apenas nos três primeiros dias de 2015.
Equipes da Divisão de Zoonoses estão percorrendo as regiões com maior incidência, como os bairros Vila Fiori e Vila Angélica, na zona norte da cidade, para fazer a nebulização das casas, em uma tentativa de eliminar criadouros do mosquito.
Em anos anteriores, a cidade registrava poucos casos de dengue entre julho e dezembro, considerado "período silencioso" da doença. Em 2013, por exemplo, surgiram apenas 11 casos em todo o segundo semestre. De julho a dezembro de 2014, foram 128 casos, a maioria a partir de outubro. Nos três primeiros dias deste ano, foram detectados 16 novos casos, elevando em mais de 1.000% as ocorrências em relação ao período anterior.
O que preocupa é que mais de 80% dos casos são autóctones, ou seja, as pessoas se contaminaram sem sair da cidade. Durante o alerta máximo, além do combate direto ao mosquito, a Secretaria da Saúde vai realizar campanhas de orientação aos moradores para evitar que a infestação se torne uma epidemia. O calor intenso e as chuvas frequentes favorecem a proliferação do mosquito.
Desde que a dengue voltou a incidir no Estado de São Paulo, Sorocaba tem mantido um bom controle sobre a doença. Em fevereiro de 2014, foi registrado o primeiro e até agora único caso de morte por dengue hemorrágica na cidade.



Autoridade de saúde dos EUA se diz confiante sobre controle do ebola
13/01/2015 - G1 - Bem Estar

O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos disse nesta terça-feira (13) estar "confiante" de que o surto de ebola que atinge o oeste da África poderá ser controlado, mas que "nós não estamos de jeito nenhum livres do perigo", segundo a Reuters.
Falando durante um café da manhã em Washington com autoridades da área de saúde e parlamentares, o médico Tom Frieden afirmou ser vital que todos os casos da doença sejam eliminados.
"Continuo confiante de que podemos chegar a zero casos nessa epidemia se continuarmos no caminho que estamos e se nada de inesperado ocorrer”, afirmou ele.
Enquanto disse ter visto uma melhora "incrível" nos esforços para combater a doença, ele afirmou que a recuperação é irregular e frágil e que vai continuar assim até a erradicação de todos os casos.
"O maior risco é a doença continuar a se espalhar a baixos índices, o que significa que ela poderia voltar com força a qualquer momento”, declarou. “Temos que chegar a zero e ficar no zero, e isso vai exigir monitoramento e vigilância.”
A epidemia de ebola já matou 8.371 pessoas de um número estimado de casos conhecidos de 21.171 somente na Libéria, Serra Leoa e Guiné, de acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Cuba promove curso sobre ebola
Cuba convocou nesta terça-feira (13) o segundo curso internacional para a prevenção e enfrentamento ao ebola destinado a profissionais de saúde, que acontecerá em Havana entre 9 e 14 de fevereiro, de acordo com a EFE.
A reunião será dirigida a médicos especialistas, epidemiologistas e diretores da saúde, segundo a convocação. O curso acontecerá no Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri, onde foi realizado o primeiro curso de capacitação contra o ebola, de 10 a 15 de novembro, no qual participaram 124 especialistas de 19 países.
Segundo o último boletim da Organização Mundial de Saúde (OMS), a atual epidemia de Ebola na África do Oeste já provocou 8.400 óbitos sobre 22 mil casos.



Notícias– 12/01/2015

  

 

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O BIG BROTHER DOS MEDICAMENTOS!
12/01/2015 - IstoÉ Dinheiro

A partir do ano que vem, cada medicamento, seja em caixa, seja em ampola ou carteia, deverá sair de fábrica com um código para rastreamento. A determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada no fim de 2013, exige que mais de 400 laboratórios em operação no Brasil iniciem, já neste ano, os testes para monitoramento de seus produtos. Na prática, o fabricante deverá ter o controle total de cada unidade, desde a linha de produção até a casa do consumidor. De olho nessa gigantesca oportunidade de negócio, em um mercado que movimentou R$ 60 bilhões no ano passado, o banco de investimento BTG Pactuai desembolsou R$ 17 milhões, nos últimos dois anos, na estruturação da empresa Rastreabilidade Brasil (R&B), idealizada pelo empresário Amilcar Lopes, ex-presidente da Águas Petrópolis Paulista. "Foi uma aposta feita antes mesmo de a norma sair", afirma Lopes, fundador e CEO da empresa. "E algo que está acontecendo em todo o mundo e não seria diferente no Brasil." O primeiro contrato da R&B foi fechado, no ano passado, com a paulista Libbs, onde o sistema de rastreamento já está em implantação. "Temos vários testes ainda este outras companhias", afirma Lopes. Entre os laboratórios que negociam a contratação da tecnologia da R&B estão Hypermarcas, Eurofarma, EMS e Aché. A empresa oferecerá um sistema completo, que vai desde a impressão do código bidimensional - Identificador Único de Medicamento (IUM) - até o software de monitoramento usado pelas indústrias e pela Anvisa. No varejo, por meio de aplicativo de smartphone, o consumidor poderá se certificar de que o medicamento está apropriado para consumo, seja pela data de validade, seja por sua origem.
Para a indústria, o rastreamento vai permitir acompanhar o medicamento desde a sua elaboração, passando pelos distribuidores, farmácias, hospitais ou, no caso de compras públicas, nos postos de saúde. "Funciona como um sistema de check-in e check-out, no qual um leitor vai transmitir direto para o sistema a chegada e a saída do produto", diz Lopes. Com isso, espera-se conseguir o máximo de informação do caminho percorrido pelo medicamento e em qual elo da cadeia pode ter havido algum problema, como perda, desvio ou até roubo. "Para a indústria, essa informação ajudará até na gestão dos prazos de validade dos produtos que estão nas farmácias e nos distribuidores", afirma o CEO. Para a consultora de área de saúde da Frost & Sullivan, Rita Ragazzi, o maior beneficiado será o consumidor. "Ele poderá consultar na hora da compra se aquele remédio é adequado para o consumo e denunciar em caso de problemas", afirma.



Ações na Justiça de SP por tratamentos e medicamentos sobem 32% em 3 anos
12/01/2015 - O Estado de S.Paulo


O número de pacientes que entraram na Justiça contra o Sistema Único de Saúde (SUS) na capital paulista na busca por tratamentos ou medicamentos não oferecidos na rede pública cresceu 32% em três anos,segundo dados obtidos pelo Estado com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Em 2010, foram ajuizadas 1.514 ações nas varas da cidade de São Paulo responsáveis por receber pedidos de procedimentos médico-hospitalares ou remédios.Em 2013, o número de processos do tipo passou para 2.011, uma média de uma nova ação a cada quatro horas.
Estão incluídos nesses números pedidos de remédios ou terapias ainda não disponíveis no Brasil ou na rede pública ou mesmo procedimentos que são cobertos pelo SUS mas que, por indisponibilidade momentânea ou longas filas de espera, demoram a ser oferecidos.
Os órgãos acionados no âmbito estadual são as secretarias da saúde do Município ou do Estado.
Só no ano passado,a Secretaria Municipal da Saúde gastou R$ 3,2 milhões com demandas judiciais,20%amais do que em 2010, quando o custo com ações foi de R$ 2,6 milhões. A pasta estadual não informou os valores gastos.
Para o advogado Julius Conforti, especializado em direito à saúde, o aumento é resultado de falhas do governo na oferta da assistência médica adequada.“ A primeira razão para o aumento das ações é a morosidade com que as novas tecnologias que surgem na medicina são incorporadas pelo SUS”, diz ele. “Mas outro fator é a insatisfatória e baixa qualidade dos serviços oferecidos pelos planos de saúde.Muitos consumidores que têm recusas de atendimento dos convênios acabam buscando o SUS. Diante de nova negativa, são obrigados a ingressar em juízo”, afirma o advogado que, em seu escritório, entra com 15 a 20 novas ações de saúde por mês, somando processos contra o SUS e planos de saúde.
Alto custo. Diagnosticado com câncer de próstata em 2009 e em tratamento até hoje, o aposentado José Augusto Perricelli, de 64 anos, se viu obrigado a entrar na Justiça em 2013, quando precisou de um medicamento que, embora comercializado no Brasil, não era oferecido pelo SUS. “Precisava tomar um comprimido por dia. Cada frasco com 30 comprimidos custava R$ 11 mil. Não tinha condições de pagar. Meu próprio médico me orientou a entrar na Justiça”, conta ele.
Duas semanas depois de contratar um advogado para cuidar do caso, o aposentado conseguiu decisão judicial favorável e o SUS foi obrigado a fornecer o medicamento.“ Ter a possibilidade de entrar na Justiça foi fundamental. Se eu não tivesse conseguido essa vitória, talvez nem estivesse aqui dando esse depoimento”, diz ele.
“O problema é que muita gente não sabe dessa opção ou não tem dinheiro para pagar um advogado.” Segundo levantamento feito a pedido do Estado nas 14 Varas da Fazenda Pública da capital, os itens mais pedidos em ações são remédios para o tratamento de câncer e insulinas, usadas no combate ao diabete.
Mais informação. Juíza titular da 13.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi afirma que o grau de informação da população sobre o tema vem aumentando e é uma das razões que explicam o aumento no número de ações. “A população, incluindo os mais pobres, tem se alertado para os seus direitos.
Temos muitas pessoas mais humildes que chegam aqui com pedidos de medicamentos feitos pela Defensoria Pública”, diz ela.
A juíza acompanha a evolução dos processos relacionados à saúde desde a década de 1990, quando o principal objeto de ações eram os medicamentos para a aids. “Desde então, a Justiça aprendeu muito. No começo, os juízes davam ganho de causa para qualquer pedido de medicamento. Começamos a perceber que algumas pessoas passaram a se aproveitar da situação.
Surgiram máfias de remédios, às vezes com a participação de laboratórios”, conta.
Até hoje,de acordo com a magistrada, há casos de ações indevidas que causam gastos desnecessários ao governo. “Em 2012, a Secretaria Estadual da Saúde teve prejuízo de R$ 6 milhões com medicamentos comprados por decisão judicial e que não foram retirados pelos pacientes”, afirma.
Para tentar equilibrar o quadro, o Juizado Especial da Fazenda Pública de São Paulo criou,no final de 2012,em parceria com a Secretaria Estadual da Saúde,uma triagem farmacêutica no próprio prédio do Judiciário para atender pacientes e advogados interessados em ingressar com ações.
No local,ficam dois funcionários da Secretaria da Saúde com acesso aos prontuários médicos dos pacientes e que podem orientar sobre a necessidade de ingresso da ação. “Com isso, às vezes conseguimos resolver o problema do paciente sem a necessidade de um advogado e de uma ação”, diz a juíza.


Após adiar decisão, Anvisa define data para discutir tema
12/01/2015 - O Globo


Depois de adiar seguidas vezes a decisão sobre o uso especial do canabidiol — substância presente na maconha usada no tratamento epilepsias graves —, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou a nova data para voltar ao debate: quarta-feira, às 10h, em Brasília. Tema que ganhou repercussão após pais apresentarem o drama de seus filhos em busca de tratamento, a reunião será transmitida ao vivo no site da agência.

Pesquisa e desenvolvimento

Uma bela sinfonia pueril
12/01/2015 - Veja

Ao primeiro esgar, os pais. rápida e comovidamente, abrem um sorriso — como se a reação do bebê não fosse um mero reflexo, alheio à gracinha paterna. O choro incessante, a primeira palavra, o passo titubeante, o levanta e cai, a birra e as perguntas intermináveis, cada vez mais irrespondíveis. Aquela coisinha que até outro dia mal balbuciava e dormia dois terços do tempo começa a formar frases completas. Os primeiros três anos de uma criança são uma extraordinária sinfonia cognitiva, motora e de linguagem. Sem nenhum conhecimento sobre o mundo que o espera, um bebê nasce afeito a se adequar, com o passar dos dias, ao ambiente ao qual será exposto. Na orquestra do cérebro, os instrumentos vão aparecendo, somam-se aos que já se apresentaram, em uma movimentação complexa e delicada que não se repetirá nunca mais, mesmo na adolescência e, especialmente, na maturidade. Os fatores genéticos são decisivos, mas os estímulos externos recebidos durante os 36 primeiros meses da infância são cruciais na construção da arquitetura cerebral. Poucas horas depois do parto, cada neurônio já realiza 2500 sinapses. Rapidamente, as conexões se multiplicam, chegam a 700 novas por segundo, atingem trilhões (um adulto tem metade das conexões neurais de um bebê). "Em nenhuma outra fase da vida as respostas aos estímulos são tão rápidas, amplas e intensas", disse a VEJA Jack Shonkoff, diretor do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. "O cérebro da criança depende de experiências e interações para conseguir se desenvolver. Toda interação entre os pais e a criança durante esse período terá repercussão futura."

As principais pesquisas sobre o desenvolvimento infantil sob a ótica da neurociência surgiram no fim da década de 90. Deram um passo fenomenal, recentemente, com a evolução dos exames de imagem, que permitiram entender melhor o que se passa no cérebro de crianças muito pequenas. Poucas áreas da ciência evoluíram tanto nos últimos dez anos, ancoradas em um princípio: se é verdade que o cérebro de um adulto se forma na primeiríssima infância, se é verdade que o menino é o pai do homem, saber o que vai por dentro do crânio de um bebê é crucial. Nellie. a menininha da foto que abre esta reportagem, com 128 eletrodos conectados ao cérebro, faz parte de uma pesquisa da Universidade de Uppsala. na Suécia. O objetivo dos pesquisadores é entender o mecanismo cerebral de um autista, em comparação ao de bebês saudáveis, dilema ainda não solucionado pela medicina. Ela tem pouco menos de 1 ano, fase em que a plasticidade cerebral está em seu auge e as alterações são perceptíveis. Passado esse período de proliferação de conexões, dá-se um processo conhecido como poda neural, depois do qual as ligações entre neurônios subutiliza-das são desligadas, em um processo de seleção natural, e apenas as decisivas permanecem. É o fim do turbilhão, o início da calmaria. Do ponto de vista dos cientistas, fecha-se a magnífica janela de oportunidade para investigar as estruturas mentais.

A formação do cérebro começa cedo. Três semanas depois da concepção, o tronco cerebral, responsável por funções básicas como respiração, batimentos cardíacos e reflexos, já começa a ser montado. Ainda durante a gestação, o feto já é capaz de sentir sabores da dieta da mãe e de escutar sons externos, inicialmente a voz dos pais, como revela o documentário^ Vida Secreta dos Bebês, realizado pela BBC e exibido em capítulos desde o início de janeiro pelo Fantástico, da Rede Globo. Pelo menos um terço dos 20000 genes que formam o genoma humano é recrutado para a elaboração do órgão mais complexo do ser humano. A evolução do cérebro respeita uma hierarquia. Em primeiro lugar amadurecem os circuitos subcorticais que processam atividades mais simples, que comandam funções como os reflexos e a coordenação dos movimentos.

Depois é a vez dos circuitos mais complexos, como o córtex pré-frontal, associado a decisões elaboradas, como o planejamento, o comportamento e a personalidade. O momento da aquisição de cada habilidade é conhecido como período sensível. A visão e a audição são formadas nos primeiros meses de vida. Entre os 6 e os 12 meses de idade, abre-se uma porta que permite a diferenciação da fala. Na hierarquia neural que processa as informações visuais, os circuitos de nível inferior, que analisam cor, forma ou movimento. estão totalmente maduros muito antes dos circuitos de nível superior, que interpretam estímulos sofisticados, como o reconhecimento de rostos. De nada adianta, portanto, a tentativa de criar um "superbebê". O mesmo se dá na alfa-betização. Mostrar um livro com figuras a uma criança que está aprendendo a falar e apontar as ilustrações é melhor do que a tentativa de ensinar as palavras escritas. A capacidade de decodificar a linguagem escrita ocorre somente mais tarde. Os especialistas comparam esse processo ao da construção de uma casa: bases sólidas garantem um prédio forte e indestrutível. "De todos os órgãos fe-tais, o sistema nervoso central é o mais sensível às influências externas. O estímulo começa desde o nascimento e vai até a adolescência", diz Saul Cypel, neuropediatra da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Tudo o que uma criança vê, toca, sente, experimenta é traduzido em milhares de sinapses — para o bem e para o mal.

Quem acredita que um bebê é muito pequeno para se incomodar com uma briga entre os pais, por exemplo, está enganado. Ainda recém-nascido, ele já consegue entender a diferença entre uma voz calma e um grito nervoso. Sabe também da importância do colo, do canto e da conversa. O organismo tem uma memória biológica. Aqueles que vivenciaram situações estressantes, como discussões freqüentes entre os pais, ou sofreram abuso físico ou emocional podem ter seu desenvolvimento prejudicado. A experiência negativa ativa o sistema de resposta ao stress e produz em excesso substâncias que se tornam danosas ao organismo (veja o quadro ao lado). A exposição prolongada ao stress durante a infância está relacionada a um maior índice de derrame, infar-to, diabetes e depressão na vida adulta. O stress tóxico, como é chamado pelos especialistas, também ocorre quando o pequeno recebe cobranças exageradas e ainda não possui maturidade para lidar com as demandas. "É muito freqüente ver casos de crianças que têm uma inteligência adequada para a idade, mas sem maturidade emocional correspondente", explica Cypel. "Em geral, isso ocorre porque elas não foram incentivadas durante o processo de desenvolvimento a adquirir a autonomia necessária para então chegar à próxima etapa."

O estudo mais clássico sobre o tema é do neurocientista americano Charles Nelson, realizado em orfanatos da Romênia, frios e paradoxalmente silenciosos. Nelson percebeu que os bebês. deitados sozinhos no berço por horas, raramente choravam e passavam a maior parte do tempo encarando um teto branco. Muitas vezes, balançavam as mãos na tentativa de estimular a si próprios. Alguns dos órfãos eram estrábicos, pois não foram estimulados a desenvolver a capacidade de seguir com os olhos nos primeiros anos de vida. Todas as crianças da instituição cumpriam a mesma rotina: acordavam às 6h30, cochilavam entre 13 e 15 horas e eram colocadas de volta na cama às 20 horas. As interações com adultos eram raras. "Fiquei de coração partido quando cheguei lá. É triste ver dezenas de crianças completamente abandonadas devido a um terrível experimento de engenharia social", disse Nelson a VEJA. Ele se refere às medidas impostas pelo ditador comunista Nicolae Ceausescu, deposto e morto em 1989. Em 1966, Ceausescu proibiu a contracepção, vetou os abortos e criou um imposto celibato — cobrado das famílias que tinham menos de três filhos. O objetivo da medida descabida era construir uma classe trabalhadora numerosa e leal. O resultado alcançado: 170000 crianças vivendo em orfanatos logo ao fim do re-

gime. "As condições eram precárias. As crianças com problemas de desenvolvimento neurológico e doenças infecciosas ficavam em uma ala separada. e muitas vezes amarradas", diz Nelson. "Em outra, dezenas dividiam o mesmo espaço. Quase não tinham amor, carinho e atenção necessários a qualquer bebê."

Para avaliar o impacto desse tipo de cuidado no desenvolvimento infantil, o pesquisador americano acompanhou 136 crianças sem doenças, com idade entre 6 e 31 meses. Metade delas foi adotada ou voltou para a família biológica. A outra metade permaneceu no orfanato.
Existia ainda um grupo de controle composto de crianças que nunca haviam sido abandonadas. Foram estimados por meio de sensores a atividade cerebral, o desenvolvimento emocional e intelectual, a linguagem e a saúde mental. Os resultados se mostraram desoladores. Os órfãos tinham QI cerca de 30 pontos abaixo, uma média de 70 pontos ante os 100 dos que nunca tinham ido para uma instituição. Apresentavam maior incidência de doenças mentais, 56% contra 14%, respectivamente. As crianças das instituições sorriam menos e respondiam pouco à interação social. A capacidade delas de criar laços afetivos também era menor, e sua atividade cerebral tinha reduções significativas. A pesquisa de Nelson demonstrou também que as crianças retiradas dos orfanatos antes de completar 2 anos apresentaram melhores resultados do que aquelas que saíram mais tarde. "Esse estudo fornece a melhor evidência já obtida de que os primeiros anos de vida constituem um período crucial, no qual uma criança precisa receber estímulos, contato emocional e físico. Caso contrário, o desenvolvimento será bloqueado", afirma Nelson.

Embora o cérebro consiga se adaptar e mudar ao longo da vida. essa capacidade diminui gradativamente à medida que o tempo passa. O esforço fisiológico para aprender uma nova atividade é muito maior depois da segunda década de vida do que aos 10 anos e exponencialmente maior quando comparado aos três primeiros anos. Por isso, deve-se investir na construção de habilidades cognitivas, sociais e emocionais o mais cedo possível. Calcula-se que, a cada dólar investido nos primeiros anos de vida, haja uma economia de pelo menos 9 dólares com gastos em saúde mais à frente. "Como regra, qualquer situação adversa que acontece nos primeiros anos de vida é pior do que a que acontece depois", diz Nelson. Entendida a partitura da sinfonia pueril e belíssima dos primeiros anos, a ciência agora busca encontrar mecanismos psicológicos e químicos, por meio de terapias e medicamentos, para dar uma segunda chance ao cérebro dos adultos que foram bebês apresentados à vida de modo torto, sem estimulação, sem cores e sem carinho.



Saúde



Nocaute na hepatite C
12/01/2015 - IstoÉ

Estima-se que pelo menos 1,7 milhão de brasileiros convivam com um dos três tipos do vírus HCV, causador da hepatite C. A maioria não sabe até apresentar sintomas da doença, que evolui silenciosamente até destruir o fígado e é a principal causa de transplantes do órgão. Na semana passada, a aprovação do antiviral daclatasvir pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou as chances de cura de boa parte dessas pessoas. Trata-se do primeiro de uma série de três remédios orais de última geração para o tratamento da infecção a ser aprovado no País. Os outros dois - o sofosbuvir e o simeprevir - tramitam em regime de prioridade na agência desde o ano passado. Sua aprovação também estava prevista para o último trimestre de 2014, mas agora é esperada para junho ou julho. "Até lá, certamente haverá um aumento das ações judiciais para obter esses medicamentos", diz a advogada Rosana Chiavassa, especialista em direitos na área da saúde, de São Paulo.
A introdução do daclatasvir muda a face do tratamento. "Seu uso em associação com outros antivirais é a terapia mais avançada disponível contra a doença e já vem sendo adotada em países como a Inglaterra e os Estados Unidos", diz o médico Guilherme Felga, especialista em doenças do fígado do setor de transplantes do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Estudos indicam que o remédio é mais eficiente para os tipos 1 e 3 do vírus HCV. Transplantados e pacientes graves estão entre os principais beneficiados. "Suas chances de cura sobem de menos de 30% para 60%", diz Felga.
Para o infectologista Ésper Kallás, da Universidade de São Paulo, o remédio irá melhorar a adesão ao tratamento. "Cerca de 80% dos pacientes tratados com interferon sofrem com os efeitos colaterais e até 15% precisam interromper a terapia. Os novos antivirais têm menos efeitos colaterais e reduzem o tempo de tratamento", diz o médico. Os esquemas terapêuticos disponíveis no SUS com interferon peguilado duram até 48 meses. Em associação com outros remédios, o daclastavir reduz o tempo de tratamento para 12 a 24 semanas, conforme as características do paciente e do vírus.
A expectativa dos médicos e pacientes é de que a substância seja incorporada logo ao SUS. Antes, porém, precisa obter o aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Co-nitec). No mundo, há mais de 30 medicamentos em fase adiantada de estudo contra a doença. Um deles, uma cápsula que concentra três antivirais, foi aprovado para uso nos Estados Unidos na semana passada.



O começo e o fim da picada
11/01/2015 - Folha de S.Paulo


Eles não são vampiros, mas vêm de noite em busca de sangue. Conhecidos como pernilongos, mosquitos do gênero Culex --que atacam principalmente no verão-- escolhem suas vítimas pelo cheiro.

Só as fêmeas picam. Quem tem um metabolismo mais acelerado está mais sujeito às picadas. Isso porque as pernilongas rastreiam no ar o CO2 e o ácido lático --substâncias geralmente produzidas em maior quantidade por essas pessoas ou após grande esforço físico.

Os mosquitos têm proteínas em suas antenas que funcionam como receptores de "cheiro", explica Paulo Ribolla, biólogo e professor do Instituto de Biociências de Botucatu, da Unesp. Além disso, a atração que os pernilongos têm por alguma pessoa em especial pode estar relacionada à flora de bactérias e fungos presentes na pele.

Pior do que a picada do pernilongo é o ardor e a coceira no local. Essas sensações decorrem da reação alérgica que o organismo produz às substâncias presentes na saliva do bicho. Como em todos os casos de resposta alérgica, algumas pessoas são mais sensíveis do que as outras.

Ou seja, além de existirem pessoas que atraem menos os pernilongos, há gente que é mordida, mas nem nota.

Não há muito como mudar, via alimentação, a atratividade que se exerce aos pernilongos. Um mito popular aponta que comer alho poderia ajudar, pelo cheiro exalado, a espantar os mosquitos (e talvez também outras pessoas).

Segundo a pesquisadora Maria Anice Sallum, bióloga e professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, a quantidade de alho ingerida para que criar esse efeito teria de ser gigantesca.

Segundo Sallum, o mesmo vale para frutas e doces --que poderiam atrair os bichos. A ingestão não altera o comportamento deles.

PRAGA DE VERÃO

A espécie mais comum de pernilongos, Culex quinqueasciatus está presente em todo o mundo, especialmente na região tropical. Em uma cidade como São Paulo, consegue viver e se reproduzir o ano todo, mas, com o calor e a umidade mais alta no verão, a população aumenta muito.

As fêmeas, para gerar ovos saudáveis, precisam de sangue. Elas não são muito exigentes --pode ser sangue de aves ou de vacas. Mas, na cidade, o que mais tem é gente.

Para reduzir a quantidade de pernilongos em São Paulo, um caminho seria a despoluição do rio Pinheiros e a eliminação de outros focos de água parada com material orgânico. Sem isso, restam as telas, mosquiteiros, inseticidas e repelentes --os modelos que são ligados na tomada são eficientes.

Uma alternativa "mais natural" para lidar com os mosquitos é o uso da citronela --uma planta aromática-- e dos incensos e óleos feitos à base de extratos vegetais. Leandra Metsavaht, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia, porém, alerta que o contato direto desses compostos com a pele pode provocar alergias ainda mais graves que aquela da picada.

A dermatologista diz que o ideal é usar os repelentes comerciais, que já tiveram a segurança atestada.



Artigo: Reflexões sobre a saúde
10/01/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: Drauzio Varela

Que 2015 lhe traga felicidades, realizações e muita saúde, leitor que me acompanha há 15 anos nesta coluna. Digo muita saúde, porque se trata de bem supremo; dá para viver infeliz sem fazer nada.

Saúde não é apenas a vida sem doença. O conceito de doença não é simples como parece, porque faz parte de um contexto social em que os médicos criam teorias, descrevem sinais, sintomas e métodos de tratamento; os pacientes procuram explicações e soluções para os males dos quais padecem; e as autoridades estudam políticas para reduzir o impacto na economia e na saúde pública.

A história da medicina mostra que a intersecção desses interesses tem se alterado no decorrer dos séculos.

Numa análise das publicações dos primeiros números da revista "The New England Journal of Medicine", um grupo de Harvard reuniu artigos publicados há 200 anos sobre entidades estranhas como: apoplexia, neurastenia, cegueira e fraturas ósseas em pessoas que receberam o impacto do vento de balas de canhão que explodiram longe delas.

Há descrições de morte por combustão espontânea em bebedores de conhaque, por ingestão de água gelada ou por febres de vários tipos em pessoas que nunca tiveram febre.

Em 1912, um editorial da revista defende a eugenia: "Talvez em 1993, quando todas as doenças passíveis de prevenção tiverem sido erradicadas, quando a natureza e a cura do câncer tiverem sido descobertas, e quando medidas eugênicas tiverem colaborado com a evolução para eliminar os incapazes, nossos sucessores olharão para estas páginas com ar de superioridade."

Ainda em 1912, a revista publicou as primeiras preocupações com o surgimento de "pessoas com hábitos de vida extremamente indolentes, que não andam mais do que os passos necessários para ir do escritório ao elevador, do elevador para a sala de jantar ou para o quarto e de volta para o automóvel".

Durante o século 20, enfermidades cardiovasculares, câncer, diabetes e outras condições crônicas se tornaram prevalentes, embora ainda emergissem enfermidades infecciosas: encefalite equina, kuru, ebola, Aids.

Em 2005, foi levantada a hipótese de que a epidemia de obesidade, prevista em 1912, reduzirá a expectativa de vida da população americana pela primeira vez nos últimos cem anos.

Qualquer tentativa de definir doença precisa levar em conta a complexidade.

Doenças afetam determinados grupos, estão associadas a fatores de risco e provocam sinais e sintomas característicos. Elas geram interesses que envolvem pacientes, profissionais de saúde e as instituições em que trabalham e as fontes pagadoras. Mais do que um problema pessoal, doença é um processo antes de tudo social.

Enfermidades novas estão associadas a causas novas (acidentes de moto, poluição), novos comportamentos (fumo, abuso de drogas) e mesmo à alteração da história natural por meio do tratamento (diabetes, Aids, infarto).

Mudanças sociais e ambientais aumentaram a prevalência de enfermidades raras no passado: infarto do miocárdio, câncer de pulmão, obesidade grave.

Novos critérios e métodos de diagnóstico permitiram evidenciar outras, que não eram identificadas: depressão, síndrome metabólica.

Transformações na sociedade redefinem o que é doença. Homossexualidade e masturbação deixaram de sê-lo. Fibromialgia e síndrome da fadiga crônica passaram a ser consideradas, graças à pressão das associações de pacientes.

Apesar dessas modificações, uma característica se mantém desde os primórdios da humanidade: a influência nefasta das disparidades sociais no acesso aos serviços de saúde, fenômeno ubíquo em todas as sociedades.

Doenças são processos dinâmicos que coevoluem com a medicina. Quando as vacinas e os antibióticos começaram a combater as infecções, aumentou a incidência de ataques cardíacos, derrames cerebrais e diabetes.

Assim que tivermos sucesso no controle dessas enfermidades, haverá aumento na prevalência dos transtornos neuropsiquiátricos, desafio que a medicina está despreparada para enfrentar.

Infelizmente, os sistemas de saúde estão mais preparados para as doenças do passado, não para lidar com aquelas do presente ou do futuro.


Saúde em estado crítico
11/01/2015 - O Globo

Com déficit de 1.226 médicos, os seis hospitais gerais da rede federal do Rio têm 15 mil aguardando por cirurgia. Pacientes são atendidos em contêineres e enfrentam a falta de exames básicos. Moradora do Méier, a dona de casa Leidimar Maria da Silva, que teve um rim transplantado no Hospital Federal de Bonsucesso há um ano e sete meses, bateu à porta da unidade no início de dezembro com uma trombose no braço esquerdo. Sem vaga no setor de transplantados, acabou na emergência que funciona em contêineres há quatro anos. Lá, ficou das 18h daquele fim de tarde até as 9h do dia seguinte, sentada numa cadeira, sem água até para tomar remédios.
— Passei a noite juntando saliva para engolir os remédios — conta Leidimar, que acabou internada, recebeu alta, mas ainda tem o braço inchado.
O drama de Leidimar não é um caso isolado. Pacientes têm que conviver com a precariedade dos seis hospitais gerais federais da cidade, considerados referência em diagnósticos e procedimentos de alta complexidade, apesar de terem um déficit de 1.226 médicos. Os pacientes enfrentam ainda longas filas por cirurgias. Uma ata de audiência de conciliação na 3ª Vara Federal — resultado de uma ação movida pela Defensoria Pública — revela o número de pessoas que aguardam a vez para serem operadas nessas unidades: 15.591, das quais 2.529 estão classificadas como inativas, ou seja, não foram localizadas.
GASTOS DE R$ 558 MILHÕES EM 2014
Informações detalhadas de cinco dos seis hospitais repassadas à Justiça — o Ministério da Saúde ainda não esmiuçou os dados do Hospital dos Servidores —, mostram que, desde agosto de 2006, pelo menos 60 pessoas morreram em filas sem conseguir operações. A demora foi tanta que 199 doentes perderam a indicação clínica.
— Causa perplexidade o fato de que, apesar de essas unidades terem orçamentos generosos, haja tantos pacientes esperando por uma cirurgia — diz o defensor federal Daniel Macedo, titular do Segundo Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, que ajuizou a ação contra União, estado e município, que têm até março para apresentar um plano para acabar com as filas em um ano.
Segundo o site Transparência Brasil, em 2014 as seis unidades juntas gastaram R$ 558,99 milhões em custeio e investimentos, sem incluir despesas com servidores. Somando-se os três institutos federais no Rio — Instituto Nacional do Câncer (Inca), Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e Instituto Nacional do Coração (INC) —, os gastos alcançaram R$ 1,15 bilhão (excluindo pessoal).
Para se ter uma ideia, a Secretaria municipal de Saúde desembolsou, no ano passado, R$ 1,3 bilhão, a fim de bancar seus 26 hospitais de emergência/ urgência e especializados. Retirando os cerca de R$ 500 milhões destinados a pessoal, as despesas dessas 26 unidades somaram R$ 800 milhões.
O Hospital Federal de Bonsucesso ficou com uma fatia de R$ 132 milhões. Porém, as obras da nova emergência, paralisadas em 2011 após denúncia de sobrepreço, continuam interrompidas. E as deficiências vão além de o atendimento de emergência ser feito em contêineres.
— Acabaram com serviços, como o de pneumologia pediátrica, e não sabemos o que aconteceu com as duas mil crianças que se tratavam aqui. Em janeiro de 2013, suspenderam os transplantes. Depois que procuramos a Defensoria, que obteve uma liminar, retomaram os transplantes renais, mas não os hepáticos — relata Júlio Noronha, diretor do Sindicato dos Médicos, que trabalha no Bonsucesso.
Presidente da Associação de Movimentos dos Renais do Estado, Roque Pereira da Silva lamenta que o Bonsucesso só esteja fazendo transplante de rins de cadáveres, e não de vivos. Outro problema, segundo ele, é que a unidade não está realizando o exame de nível sérico, que mede a função renal.
— Se eu tiver uma diarreia, por exemplo, não terei como fazer o exame. Esse é um direito nosso. Recebi um rim da minha irmã há 11 anos, num ato de amor, e a gente tem de cuidar — desabafa Solange Silva dos Santos, moradora da Vila do João.
Também no Hospital do Andaraí, a área destinada à emergência está cercada por tapumes, e o atendimento é feito em dois contêineres. Foi lá que Edvaldo Lourenço da Cunha, de 49 anos, morador do Morro do Cruz, esteve por duas vezes na semana passada, sem conseguir atendimento. Com um abscesso nas costas, dores e febre, ele foi orientado a retornar uma terceira vez. — É um jogo de empurra — reclama. Um médico alegou que só haveria cirurgiões no ambulatório para retirar o abscesso às segundas e sextas-feiras. O diretor do Andaraí, Gabriel Pimenta, no cargo há um mês, reconhece que houve falhas no atendimento a Edvaldo:
— Melhorar o acolhimento é fundamental. Ele poderia ter sido encaminhado a uma unidade básica da prefeitura.
Em Jacarepaguá, a nova emergência do Cardoso Fontes está pronta. Só que os pacientes ainda vêm sendo atendidos num espaço improvisado.
— A nova emergência não pode funcionar por falta de equipamentos e pessoal. No hospital, não temos equipes completas, a cirurgia torácica acabou e deixamos de ter pneumologia pediátrica e neuropediatria — conta uma médica.
ATRASO EM DIAGNÓSTICOS E TRATAMENTOS
Informações do Cadastro Nacional do Estabelecimentos de Saúde (Cnes), de dezembro, indicam que os seis hospitais têm 3.966 médicos (incluindo 619 residentes) e 1.968 leitos.
— Há carência de recursos humanos, insumos básicos e equipamentos. Isso atrasa diagnósticos e o início dos tratamentos — lamenta Sidnei Ferreira, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj).
Membro da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, o vereador Paulo Pinheiro (PSOL) ratifica:
— Essa rede está gravemente comprometida, principalmente as unidades com emergência aberta (Bonsucesso, Andaraí e Cardoso Fontes). De nada adiantarão decisões pirotécnicas, dando conta de que as três esferas de poder estão unidas e vão criar uma central de regulação única de vagas, se o Ministério da Saúde não começar as obras e contratar recursos humanos através de concurso público.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, no entanto, se mostra otimista:
— O Rio pode se tornar um modelo para o SUS. Com as unidades públicas funcionando plenamente, será possível distribuir melhor a oferta de serviços.
Também confiante na integração está Felipe Peixoto, à frente da Secretaria estadual de Saúde:
— Os hospitais federais têm uma história de expertise e excelência que só tem a somar na rede de saúde pública do estado.Em nota, o Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde diz que, nas seis unidades, entre janeiro e novembro de 2014, houve 40.326 internações, 106.636 atendimentos de emergência, 37.700 cirurgias e 768.111 consultas. Este ano, esses hospitais receberão repasses de R$ 664,4 milhões.


As centenárias
11/01/2015 - O Globo

O número de brasileiros com 100 anos ou mais triplicou em uma década. Mas os avanços sociais que permitem o envelhecimento saudável não ocultam a ausência de políticas públicas para eles. Suelly Kretzmann tem mãos firmes e, com elas, pintou algumas dezenas de quadros. Parte está nas paredes de seu apartamento em Copacabana; outra foi vendida. Prefere pintar pessoas, pois “a desafiam”. Algumas delas surgiram da imaginação, como três mulheres inspiradas em Lasar Segall. Outras são reais, do tempo em que se sentava na colônia de pescadores do Posto 6 e deixava o cenário se definir. Suelly tem 100 anos e só começou a pintar depois da aposentadoria.
— Quando me aposentei, achei que morreria de tédio. Foi quando descobri que podia pintar — conta.
Os centenários brasileiros têm pouca expressão nas estatísticas, inclusive por conta da dificuldade de registros da época. Mas o grupo triplicou em apenas uma década e mostra que é possível ultrapassar barreiras com bem-estar. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, eram 32.134 em 2013, contra 9.140 em 2002 — 7.325, em 1992; e 3.906, em 1982.
PLANOS DE SAÚDE ESTÃO ATENTOS
Os que chegam melhor ao centenário, segundo pesquisadores, são os de classes mais altas, com maior acesso aos serviços de educação e saúde. Em cinco anos, o número de idosos que passaram dos 100 anos e contam com planos de saúde teve pouca variação, segundo uma pesquisa da União Nacional de Autogestão em Saúde (Unidas). Em 2013, eram 926 centenários dentro de um universo de 3,6 milhões de beneficiários. Em 2008: 982, para 3,7 milhões. O Rio tem a maior concentração: 250 indivíduos.
As operadoras estão atentas, já que o custo assistencial daqueles com mais de 59 anos é seis vezes maior do que os da primeira faixa etária (0 a 18 anos).
— Embora os idosos sejam 11,3% da população, nas operadoras já são 22,8%, taxa prevista só para 2050. Ou seja, o futuro já chegou para os planos privados — comenta Denise Eloi, presidente da Unidas.
Mesmo assim, Denise cobra uma mudança de visão sobre os cuidados assistenciais para eles, já que o modelo brasileiro recai sobre o atendimento emergencial, mesmo no setor privado.
— Se o modelo não for repensado, vamos entrar em colapso — alerta.
O novo modelo ao qual ela se refere já é uma discussão aprofundada em países mais desenvolvidos, como os da Europa e os Estados Unidos, onde estão mais presentes os centros de repouso com atendimento multidisciplinar, os “centros dia” (em que o idoso passa parte da jornada), unidades de cuidados paliativos etc.
Aqui, por enquanto, ainda são poucos os centenários que conseguem cuidados efetivos. É o grupo menos atendido por políticas públicas, diz o professor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUC-RS, Ângelo Bós. Ele realizou uma pesquisa em que investigou dados de mortalidade de indivíduos com 95 anos ou mais entre 2000 e 2010, quando morreram 237 mil pessoas na faixa etária. Deles, a maior parte faleceu “sem assistência” (14,2%) e de “sintomas e sinais anormais” (11,2%), ou seja, não identificados.
— São dois indicadores que mostram a dificuldade de acesso à saúde — critica.
Bós coordena em Porto Alegre uma unidade apenas para aqueles acima de 90 anos, que recebem atendimento nutricional, médico, fisioterápico etc.
— O que eles precisam é de acompanhamento de longo prazo, mas o sistema está voltado para o tratamento agudo — avalia Bós, que completa: — Precisamos mostrar que longevos podem ter qualidade de vida.
Quem também defende esta tese é a gerontóloga Dagmara Wozniak, há três anos no Brasil, que realizou estudos com centenários na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Numa pesquisa, entrevistou 91 pessoas com 100 anos e diz que a situação não é tão simples para eles, que acumulavam, em média, 4,3 doenças. Além disso, 51% tinham demência, índice que se compara ao de pesquisas internacionais, e apenas 9% eram totalmente independente. Por outro lado, 27% não tinham perda cognitiva, e a grande maioria era feliz.
— Queríamos saber quem eram esses longevos: “será que tinham mais recursos financeiros?”. Vimos que não. “Será que tiveram uma história tranquila?”. Também não, era a geração que viveu a Segunda Guerra. O que encontramos na maioria foi de ordem psicológica: otimismo, felicidade, sentido de viver — explica Dagmara.
Pesquisas do demógrafo James Vaupel indicam que metade das mulheres nascidas em 1970 na Alemanha chegará aos 100 anos; e metade dos homens, aos 95. Aliás, no estudo de Dagmara, 85% das centenárias eram mulheres. Quanto mais idoso, mais se alarga a diferença de expectativa de vida por gênero. E sobre os recursos financeiros, Dagmara pondera:
— Na Alemanha, o governo garante um nível de bem-estar aos habitantes. Se fosse num país mais pobre, poderia ter um resultado diferente. Mas a condição financeira é importante até certo ponto, depois não tem peso sobre a longevidade.
Economista do Ministério da Fazenda, Suelly Kretzmann hoje tem uma aposentadoria tranquila. A única reclamação é com um problema cardíaco, que ela compensa com caminhadas na praia, na companhia da cuidadora.
— Vivo sem pensar no dia de amanhã, tenho um pouco de pena de partir, porque a vida é boa demais — resume Suelly, lembrando-se com saudade do glamour da Confeitaria Colombo e rindo da época em que se compravam casacos de pele no Rio.
Aos 100 anos, Sarita Brant tem um porte elegante: arruma-se e perfuma-se para as refeições, quando às vezes toma espumante. Também vive em Copacabana com uma boa aposentadoria e sem muitos contratempos de saúde, embora há quase um ano tenha sofrido uma trombose, que lhe dificulta a locomoção.
Do passado, lembra-se de viagens. Numa das últimas, foi, em companhia da cuidadora Yvonette Baptista — com ela há 15 anos e hoje já completando 80 —, de barco à Argentina. Com delicadeza, Sarita puxa o crachá da repórter, lê sem óculos e pergunta a origem do sobrenome. Pergunta ainda sua idade, mas não gosta de comentar a própria.
— Cem anos é um desaforo! — brinca. — Meu único plano a esta altura é ter tranquilidade na família, tê-la unida.
Já na casa de Aurora Gonçalves — 100 anos, com plano de saúde e também de Copacabana, o bairro “mais longevo” do Brasil —, a rotina é permeada pelo samba. Carnavalesca, ela frequentou blocos há até poucos anos. Hoje, confunde-se nos fatos do passado e do presente, mas, quando o genro José Carlos de Medeiros, aposentado e músico, puxa canções de Dalva de Oliveira, Herivelto Martins ou Noel Rosa, as letras surgem na memória. Quando ele saca o violão, a feição desconfiada com as visitas se desfaz, Aurora se levanta e dança. O genro conta que foi uma guerreira e que teve uma infância difícil, mas ela garante:
— Não me preocupo com o que não vale a pena, deixo para lá.
FÓRMULAS DA LONGEVIDADE NO MUNDO
O que mais importa para a longevidade? A genética contribui 25%. O resto provavelmente fica por conta do estilo de vida e do ambiente. Um dos principais estudos é da Sardenha, onde há 24 centenários por 100 mil habitantes (a média dos países desenvolvidos é de 19 a 20 por 100 mil), e a conclusão recai sobre a cozinha mediterrânea. Mas o Japão é o mais longevo (42,6 por cada 100 mil), onde as conclusões apontam para alimentação saudável, educação e políticas públicas.
Há muito ainda a desvendar sobre os centenários, e especialistas são unânimes: pesquisas brasileiras têm várias dificuldades, como a falta de dados e de financiamento. Professor da UFMG, Cássio Turra, em 2011, descobriu a mulher mais velha do mundo, com 114 anos. Por sorte, ela tinha documentos.
— Temos um problema sério de ausência e erros de declaração de idade para os mais velhos — afirma. — Sem dados, é muito difícil pesquisar e entender suas características.



 

Notícias– 07/01/2015

  

 

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Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos


Empresa de remédios rompe contrato com a Santa Casa
07/01/2015 - O Estado de S.Paulo

Empresa terceirizada responsável pela compra de medicamentos e materiais da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo,a Logimed anunciou ontem a suspensão do contrato com a maior entidade filantrópica da América Latina por falta de pagamento. Segundo a Logimed,a Santa Casa deixou de pagar cerca de R$79 milhões nos últimos meses.
É o segundo contrato cancelado por um prestador de serviço por falta de pagamento em menos de dois meses. No início de dezembro, a empresa Vivante, que cumpria as tarefas de limpeza e manutenção na Santa Casa, anunciou o cancelamento do contrato por dívidas que ultrapassavam R$ 20 milhões.
Na ocasião, mais de 1,1 mil funcionários da Vivante que atuavam de forma terceirizada no complexo hospitalar foram demitidos.Parte deles foi absorvida pela própria Santa Casa.
No caso da Logimed, são 148 funcionários atuando dentro da instituição filantrópica que cumprirão aviso prévio por um mês até a demissão.
Em nota divulgada na tarde de ontem, a empresa informou que “a rescisão do contrato se fez necessária diante da impossibilidade de a companhia seguir com sua operação sem receber daquela instituição”. Com a dívida de R$ 79 milhões da Santa Casa, a empresa diz ter acumulado débito de R$ 11 milhões com seus fornecedores.
De acordo com a Logimed, a decisão de suspender o contrato tem o respaldo de cláusula que “prevê o encerramento do serviço em caso de não recebimento por três meses consecutivos”.
A empresa afirma ainda ter faturas vencidas e não pagas desde julho do ano passado.Diz também que “tomará todas as medidas necessárias”para receber o crédito devido pela entidade filantrópica.
Procurada,a Santa Casa informou que, a partir de hoje, vai internalizar todas as atividades que eram de responsabilidade da Logimed. Agora, a diretoria farmacêutica da entidade terá a atribuição de comprar, armazenar e distribuir medicamentos e materiais para o Hospital Central e para as unidades de saúde municipais de São Paulo e Guarulhos administradas pela Santa Casa por meio de convênios.
Em grave crise financeira, a Santa Casa acumula déficit de mais de R$ 400 milhões e espera a liberação de um empréstimo com a Caixa Econômica Federal para honrar débitos atrasados com funcionários e fornecedores.
A estimativa é de que o crédito bancário seja liberado nesta semana.
Falhas. Auditoria realizada a pedido da Secretaria Estadual da Saúde nas finanças da Santa Casa apontou falhas no contrato da Logimed, como sobrepreço em alguns produtos. O mesmo foi apontado por um ex-funcionário da entidade ao Ministério Público Estadual (MPE).
Na época, a empresa disse repudiar as denúncias de “prática de superfaturamento” e acrescentou que “sua operação cumpriu rigorosamente o escopo contratado pela Santa Casa”.



Johnson & Johnson vai iniciar testes de vacina contra ebola em humanos
06/01/2015 - Valor Econômico / Site

A empresa americana de medicamentos e produtos de higiene Johnson & Johnson (J&J) iniciou a fase 1 de testes clínicos em pacientes humanos de uma vacina que está desenvolvendo contra o ebola, revelou a companhia nesta terça-feira. O estudo é realizado pela controlada Janssen Pharmaceutical, em parceria com a Oxford Vaccine Group, da Universidade de Oxford.

O objetivo da empresa é completar ao menos o recrutamento de pacientes até o fim do mês. Foram produzidas 400 mil unidades da vacina para serem aplicadas até abril. Durante 2015, serão pelo menos 2 milhões de unidades, de acordo com o comunicado da americana. Há a possibilidade de, em um ano e meio, produzir 5 milhões de vacinas. “Cada dia conta, então vamos acelerar substancialmente a produção de nossas vacinas”, explicou o diretor científico do grupo, Paul Stoffels. “Como líderes globais em saúde, temos responsabilidade de agir prontamente frente ao avanço do ebola na África Ocidental”, acrescentou o presidente da J&J, Alex Gorsky.

A companhia lembrou que dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam a necessidade de no mínimo 100 mil doses de vacina preventiva contra a doença para trabalhadores que atuam nos países da região. Em três diferentes locais, o total da demanda é estimado em 12 milhões de unidades.

A fase de testes da vacina vai avaliar a segurança e a tolerância do tratamento, que consiste em uma dose para preparar o sistema imunológico e outra que serve para melhorar o tempo de resposta do corpo do paciente ao longo do tempo. Estudos pré-clínicos mostraram que aplicações com dois meses de diferença protegiam totalmente da morte contra o ebola.

Em outubro, a J&J anunciou investimento de US$ 200 milhões para acelerar e expandir a produção de seu programa de vacinação contra o ebola na Janssen. Para mitigar os riscos e custos do projeto, a americana busca fontes de financiamento tanto estatais como privadas.




Pesquisa e desenvolvimento


Mingau pode ser a chave da longevidade
07/01/2015 - O Globo

Uma pequena tigela de mingau por dia pode ser a chave para uma vida longa e saudável. A sugestão é embasada por um grande estudo realizado pela Universidade de Harvard, que associou o consumo de grãos integrais à redução de até 9% do risco de morte por doença cardíaca.

Já é de conhecimento popular que os grãos integrais são benéficos para a saúde, mas essa é a primeira pesquisa a se concentrar no impacto a longo prazo dos alimentos. Os pesquisadores acompanharam mais de 100 mil pessoas ao longo de mais de 14 anos, monitorando sua saúde e dieta.
Todos os envolvidos no estudo eram saudáveis em 1984, quando se inscreveram. Em 2010, porém, mais de 26 mil haviam morrido. Os pesquisadores perceberam, então, que os indivíduos que tinham por hábito comer grãos integrais, como aveia, arroz, milho e quinoa, pareciam protegidos contra muitas doenças, particularmente do coração.

A aveia já é refeição de escolha para muitos atletas e também para pessoas tentando emagrecer, que acreditam que o alto teor de fibras fornece energia por mais tempo. Mas os cientistas descobriram que, para cada 28 gramas de grãos integrais consumidos por dia (o equivalente a uma pequena tigela de mingau), o risco de todo tipo de morte foi reduzido em 5%, e de morte por doença do coração, em 9%.
— Estes resultados sustentam as orientações alimentares atuais, que recomendam aumentar o consumo de grãos integrais — disse o principal autor da pesquisa, Wu Hongyu, da Faculdade de Saúde Pública de Harvard. — As evidências sugerem que uma dieta enriquecida com esses grãos pode conferir uma expectativa de vida estendida.
As descobertas se mantiveram mesmo quando se levaram em conta as diferentes idades dos participantes, além de índice de massa corporal, prática de atividades físicas e hábitos prejudiciais à saúde, como o fumo.
Grãos integrais, em que o farelo e o gérmen permanecem, contêm 25% mais proteína do que os grãos refinados, como os presentes na farinha branca, massas e arroz branco.
CONTRA GORDURA ARTERIAL
Estudos anteriores demonstraram que os grãos integrais podem aumentar a densidade mineral dos ossos, diminuir a pressão arterial, promover a disseminação de bactérias intestinais saudáveis e reduzir o risco de diabetes. Verificou-se, ainda, que uma fibra em particular encontrada apenas na aveia — chamada beta-glucano — pode reduzir o colesterol, ajudando a proteger contra a doença cardíaca. Um composto bioativo chamado avenantramida também ajudaria a parar a formação de gordura nas artérias, prevenindo ataques cardíacos e derrames.
Os cereais integrais também são recomendados em dietas por conter altos níveis de nutrientes como zinco, cobre, manganês, ferro e tiamina. Segundo estudiosos, eles aumentam os níveis de antioxidantes que combatem os radicais livres. A nova pesquisa sugere que, se mais pessoas acrescentassem grãos integrais a suas dietas, milhares de vidas poderiam ser salvas a cada ano.


Saúde



Ebola já matou mais de 8,1 mil pessoas na África Ocidental
06/01/2015 - Valor Econômico / Site

O total de mortos pelo surto de ebola na África Ocidental subiu para 8.153, com 20.656 casos registrados, informou na noite desta segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). Quase todos os casos de infecção e mortos foram registrados nos três países mais afetados: Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri. Há também registro de oito mortos na Nigéria, país declarado em outubro livre do ebola, seis no Mali e um nos Estados Unidos.

A Espanha e o Senegal, que já foram declarados países livres do ebola, têm um caso cada, mas não há registro de mortos. Na última semana, o Reino Unido noticiou o seu primeiro caso confirmado de ebola, uma enfermeira que voltou de Serra Leoa, cujo estado foi considerado crítico.

Em relação a 28 de dezembro, há 678 profissionais de saúde infectados, dos quais 382 morreram, informou a OMS.



‘Novo tributo é o caminho para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde’
07/01/2015 - O Estado de S.Paulo

Diante da perspectiva de um ano difícil, em que o reajuste do orçamento de sua pasta será ínfimo, e sem promessa de dinheiro novo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, defende a discussão sobre a criação de uma contribuição para financiar o setor. “É o caminho para garantir a sustentabilidade do sistema integral e universal, que cada vez custa mais caro.”
A medida poderia ajudar a reparar o baque sofrido no setor em 2008, com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Em entrevista ao Estado, o ministro afirma ser contrário a planos de saúde com mensalidades baixas e defende uma mudança nas agências reguladoras, que devem seguir as políticas norteadas pela pasta. “Elas são executoras.”
O reajuste do orçamento da Saúde é calculado de acordo com a variação do PIB, que foi ínfima. Como o senhor vai fazer?
Há um piso constitucional, que é pequeno. Este ano será de muita dificuldade para o governo e para a sociedade brasileira. Não há perspectiva de novos recursos. E mesmo que eles surgissem, isso valeria apenas para o próximo ano. Além disso, há o compromisso que recurso extra será encaminhado para o Mais Especialidades. Temos de fazer escolhas.
O senhor defende uma contribuição para a Saúde?
Esse é um debate que a sociedade brasileira e o Congresso Nacional têm de fazer. Todos os países do mundo estão se deparando com esse desafio. Até para garantir sustentabilidade econômica e financeira do sistema, a médio e longo prazo. Hoje o grande desafio que a gente tem não é apenas dizer para a sociedade que ela tem de pagar mais ou contribuir mais. Temos de dar garantia para a sociedade que estamos gastando da melhor forma possível, mais eficiente, mais transparente. O debate é sobre a sustentabilidade do sistema de saúde. Cada vez custa mais um serviço universal e integral. Fora disso é barbárie. É jogar as pessoas, o acesso à saúde, à lógica de mercado.
É o que acontece com planos de saúde?
Existe uma lógica de mercado. Existe um custo. O que não dá é as pessoas quererem ter o plano de saúde e não pagar o valor real. É o famoso “finjo que estou te cobrando” e você “finge que está pagando”. No final das contas, fica um jogo entre um que não quer que use e outro que quer usar.
O senhor é contrário ao plano de saúde popular, com mensalidades baixas?
Qual o tamanho do sistema de saúde suplementar? O que importa é que ele tenha um tamanho que seja suficiente para ter um equilíbrio econômico e financeiro. Paga quem pode pagar, e se entrega aquilo que se comprou. E o restante da população usa um serviço público de qualidade. Esse é o desenho que busco. O plano de saúde tem de atender às necessidades da população. Vamos fazer uma saúde suplementar de mentirinha? Com planos pop? Ou vamos fazer um produto que tenha um custo real e que o consumidor receba o atendimento devido. Uma parte significativa da nova classe média imaginava que os planos de saúde resolveriam todos seus problemas.
Quais foram as encomendas da presidente Dilma?
São cinco prioridades. Ajuste do Mais Médicos, o Mais Especialidades, modernização da máquina administrativa. Vamos também lidar com Sistema Nacional de Saúde. Cuidar da área pública, saúde suplementar, do que ocorre no sistema privado. É o caso, por exemplo, das medidas para frear o número de cesáreas. E investir pesadamente na prevenção, sobretudo diante do envelhecimento da população, do maior risco de doenças crônicas, o aumento da violência. Eu preciso deixar de ser o ministro da doença para ser de fato o ministro da saúde. Prevenção deve ser prioritária.
Quando o Mais Especialidades será lançado?
A ideia é apresentar para a presidente Dilma a proposta neste primeiro trimestre. O programa terá uma lógica incremental, com lançamento gradual. A prioridade não será construção de prédios. Vamos usar o que está aí, na rede pública, filantrópica e privada. Há capacidade ociosa. Estamos fazendo um diagnóstico de todas as regiões. Já sabemos que o Mais Especialidades não terá a mesma cara em todas as regiões do País.
O ministério vai começar com qual especialidade?
Há dois fortes candidatos: traumato-ortopedia e oftalmologia. Fizemos uma pesquisa com usuários, para saber quais são as maiores queixas, as maiores deficiências. E estamos ouvindo gestores. Vamos oferecer também o especialidades para atendimento continuado, para pacientes que certamente vão precisar de atendimento com médico de especialidade ao longo da vida, como pessoas com insuficiência renal, por exemplo. Há um terceiro grupo, o de tratamento para pacientes com câncer.
Parece haver muito a definir...
Vamos gastar o tempo que for necessário para o planejamento adequado.
De onde virão os recursos?
Não será do orçamento atual. Fundamentalmente, virão de recursos oriundos do pré-sal.
Eles ainda não existem. Será uma espécie de empréstimo?
Vamos ver qual será a orientação da presidente Dilma. Para isso, precisamos saber quanto o programa vai custar, e estamos nos apropriando.
Médicos estrangeiros serão contratados?
Não trabalhamos com a possibilidade de recrutar médicos do exterior. Cruzamentos de cadastros mostram que temos profissionais disponíveis na maior parte das regiões.
Mas com interesse em trabalhar? Se não aconteceu com o Mais Médicos, por que aconteceria com o Especialidades?
Mas aconteceu com a alta complexidade. A formação médica brasileira é essencialmente voltada para especialidades. Temos um contingente de especialistas na rede privada, na rede pública, que nunca rodou porque não tinha política.
Haverá novo recrutamento de estrangeiros para Mais Médicos?
Vamos apresentar na próxima semana uma proposta de ajuste. A expansão para municípios que não participaram da primeira fase, a incorporação de profissionais que participam do Provab, a residência médica no SUS. A oferta terá de ser reajustada, com expansão, reposição de profissionais. E será feito da mesma forma. Primeiro com oferta para brasileiros, depois para estrangeiros.


 

Notícias– 08/01/2015

  

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 


Pela 1ª vez desde 87, grupo descobre nova classe de antibióticos
08/01/2015 - Folha de S.Paulo

Um grupo de cientistas anunciou nesta quarta-feira (7) a descoberta de uma molécula que representa a primeira nova classe de antibióticos introduzida desde 1987.

Em testes com camundongos, a droga conseguiu debelar as formas mais resistentes de tubercolose, sem que o micróbio causador da doença adquirisse resistência. Batizada de teixobactina, a nova substância é produzida por uma bactéria encontrada no solo.

A start-up de biotecnologia NovoBiotic, de Cambridge (EUA), que descobriu a molécula, estima que deve conseguir levá-la a um teste em humanos dentro de dois anos. Se tudo correr bem, a droga estaria disponível no mercado por volta do fim da década.

O fármaco foi encontrado após cientistas analisarem mais de 10 mil amostras de micróbios usando um novo método, que permite o cultivo desses organismos em seu hábitat natural. Antes, para isolar essas bactérias, era preciso cultivá-las em pires de laboratório, mas 99% das espécies não sobreviviam em condições artificiais.

A tecnologia que permitiu aos pesquisadores trabalhar com bactérias em condições mais naturais foi um chip desenvolvido pela Universidade Northeastern, de Boston, que permite separar amostras minúsculas de bactérias sem tirá-las de suas amostras de solo originais.

Uma bactéria que os pesquisadores batizaram de Elephteria terrae era aquela que produzia a substância descoberta. A molécula foi capaz de aniquilar a terrível linhagem MRSA da Staphylococcus aureus. Na natureza, essa é uma forma que o primeiro micro-organismo usa para eliminar competidores.

O que é fundamentalmente novo na teixobactina é que ela ataca a fabricação de lipídios, moléculas que servem de "tijolo" para construir a parede celular das bactérias.

Segundo Gerard Wright, da Universidade McMaster, do Canadá, que não participou do estudo, normalmente bactérias são capazes de evoluir por meio de mutações que alteram o "alvo" do fármaco, tornando-se imune à substância.

Mas é improvável, diz, que bactérias adquiram mutações que alterem componentes tão fundamentais como os lipídios sem inviabilizar seu próprio funcionamento.

A vancomicina, outro antibiótico que ataca a produção de lipídios, foi um daqueles contra os quais as bactérias mais demoraram para criar resistência. Foram cerca de três décadas até que os patógenos imunes aparecessem.

A nova descoberta surge como um alento em um momento difícil para a infectologia.

No ano passado, a OMS deu às bactérias resistentes a antibióticos o status de crise global. Algumas linhagens da bactéria da tuberculose, por exemplo, já são resistentes a todos os antibióticos disponíveis --o surgimento de novas drogas é, assim, crucial.

Segundo Kim Lewis, da Universidade Northeastern, um líderes do trabalho, a teixobactina só não deve seguir para testes clínicos logo de cara porque ainda requer algumas alterações químicas.

A substância não se dissolve bem em água, mas pode ser modificada para isso. Esse aprimoramento, que exige certo trabalho, torna a administração da molécula mais fácil quando a intenção é produzir uma pílula ou uma injeção.


Farmacêuticas tinham perdido o interesse na área
08/01/2015 - Folha de S.Paulo


A técnica usada para achar a teixobactina deve "reavivar o campo da busca por antibióticos", pelo qual muitas empresas farmacêuticas já haviam perdido o interesse, afirma Kim Lewis, cientista que liderou o trabalho, que foi publicado na revista "Nature".

Ele afirma que, até agora, já descobriram 25 substâncias candidatas a serem utilizadas como antibióticos. "A teixobactina é o mais recente e mais promissor."

Algumas dessas substâncias, diz, são similares a antibióticos já existentes, mas podem vir a apresentar desempenho melhor em testes.

O otimismo pode rever um cenário ruim exposto pela OMS. Segundo a entidade, 8 das 15 grandes farmacêuticas haviam abandonado seus programas de descoberta de antibióticos e duas delas tinham feito cortes nessa área na década passada.

Os fatores que levam a esse cenário são muitos: as pesquisas são caras e a resistência bacteriana pode diminuir o tempo de vida das drogas; antibióticos são usados por pouco tempo e para curar doenças, ao contrário de remédios usados cronicamente; e antibióticos mais novos e mais eficazes são usados apenas em último caso, quando a infecção é gravíssima.

O problema chamou a atenção de um consórcio europeu público-privado, formado no fim de 2014, para criar novos modelos de produzir as drogas. O grupo inclui gigantes como Pfizer, Roche e GlaxoSmithKline.


Descoberto novo antibiótico que ataca bactérias resistentes
08/01/2015 - O Globo


Quase três décadas após o desenvolvimento da última classe de antibióticos, uma descoberta de cientistas americanos pode pôr fim a este período de seca. Apontado como “divisor de águas” e “muito promissor”, o estudo publicado na revista científica “Nature” apresenta um método que já levou à criação de 25 compostos em teste, sendo o último deles visto como o mais promissor.
O auge da descoberta de antibióticos ocorreu entre 1950 e 1960. E desde 1987 não há novas fórmulas disponíveis. Nesse período, os micro-organismos se tornaram incrivelmente resistentes aos medicamentos. Apenas nos EUA, cerca de 23 mil pessoas morrem anualmente por conta das bactérias super-resistentes. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou quase dez mil casos de bactérias resistentes a remédios nas UTIs do país em 2012.
SOLO É FONTE DE COMPOSTOS
Os pesquisadores da Universidade de Northeastern, em Boston, desvendaram o mistério na principal fonte de micro-organismos do planeta e também da maioria dos antibióticos: o solo. Embora ele esteja repleto de seres vivos, apenas 1% deles sobrevive em laboratório. Os cientistas, então, criaram um “hotel subterrâneo” para as bactérias — elas foram enterradas no solo, mas em estruturas especiais de laboratório. Com isso, substâncias químicas produzidas naturalmente pelos micróbios puderam ser testadas.
— Até agora 25 compostos foram descobertos usando este método, e o último, o teixobactin, foi o mais promissor — afirmou à BBC o autor principal do estudo, Kim Lewis. — Esta é uma importante fonte de novos antimicrobianos e vai nos ajudar muito a reconstruir o campo de descoberta dos antibióticos.
Testes com o teixobactin mostraram que ele era tóxico à bactéria, mas não aos tecidos de mamíferos, e foi capaz de eliminar uma quantidade mortal de MRSA ( Staphylococcus Aureus Re
sistente à Meticilina — uma bactéria resistente a antibióticos) em camundongos. Os pesquisadores também acreditam que as bactérias não são propensas a desenvolver resistência ao teixobactin, cujo alvo é a gordura essencial à manutenção da parede celular do micro-organismo.
— Ele tem vários truques diferentes que minimizam o desenvolvimento de resistência — acrescentou Lewis.
O composto ainda precisa ser testado em humanos para comprovar sua eficácia. Apesar do mecanismo diferente, os cientistas se perguntam se os micro-organismos conseguiriam adquirir resistência também a esta possível nova classe de antibióticos nas próximas décadas — algo difícil de prever. Além disso, ele já apresenta algumas limitações: funciona apenas nas bactérias conhecidas como Gram-positivas, que incluem a MRSA e a
Mycobacterium tuberculosis (MTB). Ela não consegue penetrar a camada extra de proteção das Gram-negativas, como a
Escherichia Coli (E. Coli).

Pesquisa e desenvolvimento 


Droga experimental contra ebola é testada na Libéria
08/01/2015 - O Globo

Uma nova droga experimental começou a ser testada na Libéria, um dos países mais afetados pela epidemia da febre hemorrágica que já matou mais de 8 mil pessoas na África Ocidental. O antiviral desenvolvido na Universidade de Oxford está sendo ministrado a voluntários doentes em um centro de tratamento da organização Médicos Sem Fronteiras. Um teste com outra droga está sendo conduzido na Guiné desde dezembro.


Treinadas para matar
08/01/2015 - O Globo


Ao invadir o corpo humano, o HIV, vírus causador da Aids, usa algumas das próprias células do sistema imune do infectado, conhecidas como T-CD4 , para se reproduzir e tomar o organismo de assalto. Mas, tal qual um cauteloso general, ele mantém algumas destas células inativas, construindo uma reserva oculta de novos recrutas. Assim, mesmo que perca a batalha contra o exército formado pelas células T-assassinas do sistema imune, reforçado pelos coquetéis de drogas antirretrovirais usados no combate à doença, hoje capazes de erradicá-lo de tal forma que ele se torna praticamente indetectável, a guerra não estará perdida. Caso os remédios sejam retirados, as células inativas são prontamente convocadas, passando a replicar o vírus e retomando a invasão.
Conhecidos como reservatórios latentes de HIV, estes vírus escondidos são atualmente um dos maiores obstáculos na busca por uma cura definitiva da Aids. Diante disso, nos últimos anos os cientistas têm procurado maneiras de fazer com que eles sejam ativados artificialmente. A ideia por trás da estratégia é expor os vírus latentes — e as células onde estão abrigados — à ação dos remédios e do sistema imune, destruindo os reservatórios. Experimentos recentes, no entanto, mostraram que só forçar a ativação das reservas não é suficiente. Agora, porém, um novo estudo publicado na edição desta semana da revista “Nature” identificou o porquê disso e indicou uma estratégia que pode libertar os soropositivos da obrigação de tomar os coquetéis antirretrovirais indefinidamente ou mesmo até levar finalmente à erradicação do HIV em seus organismos.
ESTUDO FOI FEITO COM CÉLULAS HUMANAS
No estudo, pesquisadores das universidades Johns Hopkins e de Yale, nos EUA, analisaram amostras do DNA das células T-CD4 infectadas pelo HIV e inativas de 25 pacientes, dos quais dez começaram a terapia antirretroviral menos de três meses depois de contraírem o vírus e os 15 restantes só após este período. Com isso, eles primeiro descobriram que, nas pessoas que iniciaram o tratamento logo, havia poucas mutações nos genes do vírus integrados ao DNA das células para criar estruturas chamadas “provírus”, que as instruem a se tornarem verdadeiras fábricas de HIV se ativas. Já nas que só começaram a tomar os remédios depois, estas mutações eram tão numerosas que tanto as células latentes quanto os vírus que elas produzem se ativadas poderiam continuar a escapar da detecção pelo sistema imune.
— Nossos resultados sugerem que tirar o HIV de seu esconderijo é vencer apenas metade da batalha — explica Robert Siliciano, professor da Universidade Johns Hopkins e líder da pequisa. — Descobrimos que estes reservatórios de vírus latentes carregam mutações que tornam o HIV invisível para as próprias células do sistema imune capazes de matá-lo, então, mesmo quando sai do esconderijo, ele continua a escapar da detecção.
A análise, no entanto, também revelou que, mesmo com tantas mutações do HIV, o DNA das células reservatório infectadas mantém intactas algumas proteínas do vírus original. Isso levou os pesquisadores a testar uma possível solução para este problema de reconhecimento pelas células T-assassinas do sistema imune, tal como uma pequena falha na camuflagem revela o alvo a um atirador de elite.
— Imaginamos que, se as células T-assassinas forem treinadas para identificar estes pequenos segmentos inalterados do vírus, elas matariam as células infectadas — conta Kai Deng, pesquisador na Universidade Johns Hopkins e primeiro autor do artigo na “Nature”.
Para isso, os cientistas primeiro isolaram células T-assassinas dos pacientes e as expuseram ou às várias formas mutantes do HIV que os infectava ou a uma mistura contendo proteínas alteradas ou não do vírus. Alguns dias depois, estas células assassinas foram colocadas junto com células reservatório do vírus dos próprios pacientes contendo as mutações, obtendo uma resposta imune vigorosa principalmente no segundo caso, com as células assassinas matando 61% das infectadas.
Mas para saber se a estratégia também funcionaria em seres vivos, eles também recorreram a camundongos “humanizados”, ou seja, alterados genética e fisiologicamente para que seus sistemas imunes replicassem os dos pacientes do estudo. Os animais foram infectados com as linhagens dos vírus que afetavam cada um dos seus correspondentes pacientes, desenvolvendo a Aids. Então, eles receberam ou as células Tassassinas treinadas só com as variações mutantes do vírus ou com a mistura de proteínas alteradas ou não. No primeiro caso, eles continuaram a sucumbir à infecção, mas, no segundo, a carga viral chegou a cair a ponto do HIV não poder mais ser detectado.
— A comunidade científica já tinha indícios de que para eliminar os reservatórios de vírus latentes e curar a infecção pelo HIV só o coquetel antirretroviral não era suficiente e que era preciso contar também com a atuação do sistema imune — comenta Amilcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ que também pesquisa estratégias para atrair o HIV para fora de seus esconderijos no corpo dos infectados. — Com esta pesquisa, eles mostraram que há, sim, chance de controlar os vírus que estão saindo dos reservatórios.
ESTRATÉGIA TRIPLA CONTRA O HIV
Segundo Tanuri, as descobertas abrem caminho para a adoção de uma estratégia tripla que pode, teoricamente, levar à erradicação total do HIV do organismo ou, pelo menos, fazer com que os portadores se transformem, ainda que temporariamente, nos chamadas “controladores de elite”, o raro grupo pessoas que mesmo infectadas pelo vírus nunca desenvolvem a Aids. Nesta abordagem, os coquetéis primeiro seriam usados para suprimir a replicação do HIV e reduzir a carga viral ao mínimo possível. Depois, os reservatórios latentes seriam ativados ao mesmo tempo em que elas recebessem vacinas ou outras intervenções capazes de estimular e treinar suas células Tassassinas a atacar os novos recrutas e suas bases de replicação.


Saúde



Cai número de casos de dengue no país em 2014
08/01/2015 - Folha de S.Paulo

O número de casos de dengue no país teve queda de 59,5% em 2014 em comparação ao ano anterior, segundo o Ministério da Saúde.

Ao todo, foram registrados 588 mil casos da doença entre janeiro e dezembro de 2014, contra 1,4 milhão no mesmo período de 2013.

Todas as regiões tiveram queda, menos a Norte, onde a infecção se manteve estável.

Apesar da redução, a população deve manter os cuidados, uma vez que a chegada das chuvas facilita a proliferação dos mosquitos, afirma o ministério.

Enquanto o número de casos de dengue diminuiu, o país enfrentou em 2014 o aumento nos registros da febre chikungunya, transmitida pelos mesmos mosquitos e com sintomas semelhantes.

Até 27 de dezembro, haviam sido confirmados 2.258 casos da doença, conhecida como "prima da dengue". No fim de novembro, boletim do ministério apontava 1.364 --alta de 65% em cerca de um mês.

Amapá e Bahia têm a maior parte dos registros. O foco é maior em duas cidades: Oiapoque (AP), que já registra 1.146 casos, e Feira de Santana (BA), com 816.




Artigo: Partos contraproducentes
08/01/2015 - Folha de S.Paulo


O Ministério da Saúde cumpre seu papel ao baixar um novo pacote de medidas com vistas a reduzir o número de partos cesarianos no Brasil. A proporção de nascimentos por via cirúrgica chega hoje a preocupantes 56% --quando se considera somente a rede privada, eles representam 84,6%.

O excesso de cesarianas é contraproducente. Pelas estimativas da Organização Mundial da Saúde, apenas 15% dos partos têm indicação cirúrgica. Os demais poderiam perfeitamente seguir o curso natural, reduzindo o risco de complicações para a mãe (morte, infecções, hemorragias) e para o bebê (morte, nascimento prematuro), além dos custos para o sistema.

Ocorre, contudo, que não só a lógica da saúde pública deve ser levada em consideração. O direito da mulher de tomar decisões sobre sua saúde e sua sexualidade também precisa ser respeitado.

Do ponto de vista da mãe, não é insano optar pelo procedimento cirúrgico mesmo sem indicação clínica. Embora os riscos sejam maiores, eles não configuram uma roleta-russa. A probabilidade de a grávida morrer numa cesariana é quase quatro vezes maior do que num parto normal, mas, ainda assim, a taxa fica abaixo de uma morte a cada mil nascimentos.

Os motivos que levam a mulher a preferir a cirurgia --medo de sentir dor, conveniência, desejo de ser atendida pelo médico que fez o pré-natal etc.-- até podem ser questionados, mas jamais censurados.

Nesse embate entre duas lógicas opostas, mas ambas legítimas, as novas determinações do ministério e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) parecem adequadas. Elas visam a estimular o parto natural sem apresentar grandes óbices às cesarianas.

São destinadas a oferecer mais informações à mãe, que poderá fazer sua escolha em melhores condições, e a alterar um pouco a burocracia dos planos de saúde, para que o obstetra pelo menos tenha de justificar sua opção pela cirurgia.

Já houve outras tentativas de reduzir a chamada epidemia de cesarianas, com resultados pouco animadores. Espera-se que, a partir de agora, possa prevalecer o interesse da paciente.


Empresários e ministro rejeitam tributo da saúde
08/01/2015 - O Estado de S.Paulo

A perspectiva de criação de um tributo para financiar a saúde nos moldes da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi criticada por empresários e vista com ressalvas por especialistas do setor. Em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo Estado, o ministro Arthur Chioro defendeu a retomada do debate em torno de uma nova contribuição para garantir a sustentabilidade econômica do sistema, a médio e longo prazos.
De acordo com o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, esse tipo de tributo “incide em cascata e prejudicaria principalmente as pequenas e médias empresas”. “Há formas mais inteligentes de se obter recursos para a área”, afirmou Moan.
Até no governo a proposta de Chioro enfrenta resistência. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, já se declarou contrário a uma eventual recriação da CPMF, tributo que ele classificou como “um grande retrocesso”.
“Essas especulações em torno da CPMF sempre estiveram mais localizadas no ambiente político do que no de formulação da política macroeconômica. Todos reconhecem que há um subfinanciamento da saúde”, disse o ministro do Desenvolvimento. Monteiro também afirmou que, pelas características do tributo, que é cumulativo, seria “disfuncional” para a economia brasileira.
Professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lígia Bahia defende que uma parcela maior de recursos já arrecadados seja encaminhada para a área. “A saúde precisa de mais recursos, isso é inquestionável, mas acredito que aumentar a tributação não é o melhor caminho”, disse. “A população, incluindo a classe média, já paga um valor alto (de tributos)”, afirmou Lígia.
Mais debate. Integrante da Comissão de Finanças do Conselho Nacional de Saúde, Ronald Ferreira dos Santos considera bem-vindo o debate proposto por Chioro, mas sob a condição de que ele venha atrelado a outro ponto: a vinculação de 10% da receita corrente bruta para gastos em saúde. Pela regra atual, os gastos de saúde devem ser equivalentes ao do ano anterior, acrescidos da variação do Produto Interno Bruto (PIB).
“Os custos (com saúde) são crescentes. Neste ano, o reajuste (do orçamento do setor) será pequeno diante das necessidades, é preciso pensar em alternativas”, disse Carlos Duarte, também do Conselho Nacional de Saúde.
Para empresários, no entanto, a discussão não merece nem mesmo ser iniciada. O presidente da Confederação Nacional de Indústria (CNI), Robson Andrade, rejeita a proposta do ministro da Saúde.
“Sou totalmente contrário ao aumento de impostos, sobretudo a recriação de uma contribuição nos moldes da CPMF. Ela não resolveu no passado, não houve um impacto positivo na saúde e provocou prejuízos para o setor produtivo”, afirmou Andrade.



 

Notícias– 06/01/2015

  

 

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos


Anvisa aprova novo medicamento para tratamento da hepatite C
05/01/2015 - Folha de S.Paulo / Site

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o registro de um novo medicamento para ser usado no tratamento de hepatite C, o primeiro a ser administrado por via oral. A medida deve ser publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (6), segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

A expectativa é que o produto passe a ser oferecido pelo SUS ainda no primeiro semestre deste ano, conforme a coluna Mônica Bergamo adiantou nesta segunda (5).

O daclastavir é o primeiro de uma série de três medicamentos inovadores que deverão ser incorporados ao sistema público de saúde para o tratamento da doença. Os outros dois são o sofosbuvir e simesprevir.

Hoje, pacientes precisam recorrer à Justiça para fazer com que o SUS pague os medicamentos –o custo chega a atingir cerca de R$ 40 mil durante o período de tratamento –de três meses.

Segundo Chioro, a expectativa é que os gastos para oferecer os medicamentos no SUS sejam equivalentes ao gastos que já ocorrem com as medidas judiciais.

Questionado, o Ministério da Saúde não informou quanto já gastou após os pedidos na Justiça.

De acordo com a pasta, os novos medicamentos apresentam um percentual de cura de até 90% –o tratamento atual oferecido no SUS tem chance de cura de até 60%.

Além de benefícios como o uso oral e a a diminuição no tempo de tratamento, que passa de um ano para três meses, o medicamento aprovado apresenta menos efeitos colaterais.

Cerca de 16 mil pessoas são tratadas por ano contra hepatite C no sistema público de saúde. A doença, responsável por grande parcela dos casos de transplantes e de câncer no fígado, é transmitida por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de material para uso de drogas –como seringas–, de outros materiais cortantes e de objetos de higiene pessoal.


Curtas: A Johnson & Johnson
06/01/2015 - DCI


A Johnson & Johnson comprou da Isis Pharma licença para três drogas. A Johnson & Johnson pagará até US$ 835 milhões pela opção de licenciar três medicamentos contra doenças autoimunes no intestino. A Isis informou que vai receber US$ 35 milhões em um pagamento inicial e será elegível para receber royalties sobre as vendas das drogas.

A Janssen Biotech, uma unidade da J&J, terá o direito de licenciar uma droga de cada um dos programas, uma vez que um candidato é identificado, diz desenvolvedor.


Anvisa libera remédio mais potente para tratar hepatite C
06/01/2015 - O Globo


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) aprovou o registro do daclatasvir, um novo e mais potente remédio contra a hepatite C. A decisão, que libera a venda e o uso do medicamento, deve ser publicada no “Diário Oficial da União” de hoje. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deverá fazer análise de custos num prazo de até seis meses, e, a partir daí, o remédio será distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, tudo indica que isso se dará ainda este ano.
— Esperamos durante 2015 analisar a incorporação tecnológica, mas também fazer a aquisição e iniciar a distribuição, reproduzindo de maneira pioneira com a hepatite C aquilo que o Brasil já fez em relação à Aids — afirmou Chioro.
Segundo o ministério, o daclatasvir, combinado a outras duas moléculas — sofosbuvir e simeprevir — que ainda estão em fase de aprovação da Anvisa, permite a cura em até 90% dos casos e provoca poucos efeitos colaterais. Medicamentos similares vendidos no país levam à cura de pouco mais da metade dos usuários, exigem tratamento prolongado e quase sempre castigam os usuários com pesadas reações adversas. Pelos cálculos dos fabricantes do medicamento, o daclatasvir pode levar à cura em até três semanas. Os outros remédios dependem de um tratamento que pode se estender por nove semanas.
— O percentual de cura é muito maior, e a médio e longo prazos teremos uma economia formidável porque diminuiremos a necessidade de transplante — disse Chioro.
BAIXO EFEITO COLATERAL
O daclatasvir teria uma vantagem adicioal ainda porque, graças aos efeitos colaterais reduzidos, pode ser usado por portadores de HIV. A hepatite C é causada por um vírus ( HCV) transmitido por meio de transfusão de sangue, uso compartilhado de seringas e objetos de higiene pessoal como lâminas de barbear e depilar, alicates de unha e agulhas, além de instrumentos de tatuagem e perfuração de piercings.
Pelos dados do Ministério da Saúde, o país tem hoje 16 mil pessoas que fazem tratamento contra o vírus, boa parte delas com mais de 45 anos.
A doença atingiria 3% da população mundial, aproximadamente 185 milhões de pessoas. A Anvisa está analisando ainda a eficácia do sofosbuvir e do simeprevir, também indicados para o tratamento contra a hepatite C. O ministério pediu prioridade no estudo, da mesma forma que tinha feito em relação ao daclatasvir.
Caberá à Anvisar decidir se os dois medicamentos podem ou não ser usados no Brasil. Segundo Chioro, tudo depende de parte da documentação que os fabricantes terão de apresentar para comprovar a eficácia e a qualidade dos remédios a ser liberados:
— Depende agora de os laboratórios concluírem as comprovações necessárias junto à Anvisa.
Chioro disse ainda que a ideia do governo é fazer uma negociação ampla com os fornecedores para reduzir custos. Segundo auxiliares do ministro, o tratamento individual com o uso do daclatasvir ficaria em torno de R$ 40 mil. Mas, como o SUS deverá adquirir o produto em grande quantidade, o governo espera diminuir os gastos. As despesas com o remédio poderiam ser compensadas também com o período menor do tratamento.

Pesquisa e desenvolvimento 


Por células-tronco, pais congelam dentes de leite
06/01/2015 - Folha de S.Paulo

Seguindo a onda do cordão umbilical, pais têm pago pelo armazenamento da polpa de dentes de leite dos seus filhos, que pode dar origem a células-tronco.

Embora os entusiastas digam que esse material poderá ser útil no futuro no tratamento de doenças como alzheimer e diabetes, ainda não existe comprovação que essas células tenham tal potencial.

A bancária Cristina Bittencourt, cujo pai morreu há nove anos por uma disfunção da medula óssea, aos 66 anos, diz que o congelamento dos dentes dos filhos Felipe, 10, e Catarina, 7, foi uma "segurança a mais" para o futuro. "O que eu pago por ano é o preço de dois pares de sapato."

Em média, as empresas que já oferecem o serviço em São Paulo cobram R$ 2.000 iniciais mais R$ 400 por ano pelos serviços de coleta, multiplicação das células e criopreservação (congelamento em condições especiais).

José Ricardo Ferreira, proprietário da R-Crio, diz que o negócio ainda conta com poucos clientes. Dentista de formação, ele espera ter retorno do investimento em cinco anos. Ferreira diz que mesmo o dente do siso, para quem já está um pouco mais velho, pode ser utilizado.

Outro entusiasta é Nelson Lizier, biotecnólogo que concluiu o doutorado com a produção em larga escala de células-tronco da polpa dentária. Ele é diretor-científico do Centro de Criogenia Brasil, que também oferece o serviço.

Ele afirma que já existem duas pesquisas em andamento para a aplicação das células: uma em lesão de córnea e outra para enxertos ósseos.

Para outras doenças, no entanto, os tratamentos ainda estão sendo feitos em animais, com formação de células produtoras de insulina no pâncreas (para diabetes) e de novos neurônios a partir das células-tronco (para doenças neurodegenerativas).

"A gente não sabe o dia de amanhã, creio que muitos benefícios vão surgir", afirma o químico Kléber Vasconcellos, que não tem nenhuma doença na família mas decidiu armazenar a polpa do dente de leite do filho Vitor, 10.

RESSALVAS

Procurada pela Folha, a Anvisa afirmou que as empresas podem oferecer o serviço de criopreservação, mas sem prometer tratamento para nenhuma doença, fato que elas devem deixar claro no contrato firmado com os clientes.

A pesquisadora Monica Duailibi, da Unifesp, conta que muitos estudos clínicos ainda estão em fase inicial, ou seja, a sua própria segurança ainda está em xeque. Por isso, diz, os consumidores têm que ter cuidado.

A pesquisadora do Instituto Butantan e orientadora de Lizier na pós-graduação, Irina Kerkis, afirma que é importante que as pessoas estejam cientes de que podem pagar durante anos por um serviço de que nunca vão necessitar.

Ela cita ainda o risco de perda de viabilidade, que ocorre com o tempo ou mesmo por negligência de um funcionário que deixou a temperatura do nitrogênio líquido --onde são guardadas as células-- subir.

Irina acredita, porém, que como a origem embrionária da polpa do dente de leite é compartilhada com a dos neurônios, é provável que se torne possível tratar doenças neurodegenerativas assim.

Ela defende que o governo invista na área, inclusive com a criação de bancos públicos de células-tronco.


Extrato de orégano pode ajudar a controlar a diabetes tipo 2
05/01/2015 - Revista Globo Rural Online

Pesquisadores do interior de São Paulo descobriram que substâncias presentes no orégano podem ajudar a controlar a diabetes tipo 2. Diferente da diabetes tipo 1, em que os pacientes afetados não produzem insulina e precisam fazer a aplicação diária do hormônio, a diabetes tipo 2 é causada por uma disfunção na absorção de glicose. “A pessoa até produz insulina, mas o hormônio não age de forma eficiente na regulação dos níveis de glicose no sangue”, afirma o pesquisador Wilson Cunha. Ele é quem coordena o estudo com a especiaria junto a um grupo do Laboratório de Pós-Graduação em Ciências da Universidade de Franca (Unifran).

Para fazer a extração das moléculas do orégano a equipe usa uma metodologia específica, da qual foi solicitada patente em 2010. “Esse extrato, então, é rico em algumas das substâncias presentes no orégano. Por isso, a simples ingestão da planta não é suficiente para fazer baixar os níveis de glicemia dos pacientes.” O pesquisador explica que tudo depende da concentração dos compostos com potencial para o tratamento, que no produto seco ou in natura é muito menor. Segundo Cunha, são várias as substâncias que compõem o extrato, mas pode-se dizer que o carro-chefe da solução é o ácido rosmarínico, encontrado em grande quantidade no orégano.

Hoje, para manter a diabetes tipo 2 sob controle, além de exercícios físicos e dietas balanceadas, os pacientes têm à disposição medicamentos que agem segundo diferentes mecanismos. Cunha cita alguns exemplos: “existem aqueles que estimulam a secreção de insulina, outros que diminuem a resistência à sua ação e os que reduzem a velocidade de digestão de carboidratos.” Em relação ao orégano, ele diz que estudos sobre o mecanismo de atuação ainda não foram concluídos.

De acordo com Cunha, até agora sabe-se que o extrato age na diminuição da glicemia e é eficiente na manutenção de níveis equilibrados de glicose no sangue. “Muitos pacientes relatam que com os medicamentos disponíveis no mercado a glicemia abaixa muito, não fica em um nível basal, e isso causa reações adversas como tontura e indisposição. Com o extrato de orégano não houve uma queda drástica da glicemia das cobaias”, completa.

Todos os estudos foram embasados na observação e análise de experimentos feitos com ratos de laboratório. “Fizemos testes com três grupos de ratos diabéticos. Um dos grupos a gente tratou com o extrato de orégano; outro com um medicamento disponível no mercado, à base de clorpropramida [que estimula a secreção de insulina], e um terceiro com placebo.” O acompanhamento foi feito durante 40 dias e contou com medições diárias da glicemia de todos os ratos participantes.

O próximo passo da pesquisa é determinar de que forma as substâncias presentes no orégano agem na diminuição do teor de glicose no sangue. “Por enquanto, suspeitamos que o ácido rosmarínico e outras substâncias presentes no extrato atuem junto às células beta do pâncreas. Essas células são responsáveis por sintetizar e secretar insulina e a ação do extrato parece regularizar a função delas quanto à produção do hormônio.” Para chegar a uma conclusão definitiva, no entanto, o pesquisador diz que é preciso continuar investigando o processo. “Temos essa suspeita porque depois dos 40 dias de tratamento com o extrato os ratos voltaram a produzir insulina normalmente. Isso nos faz acreditar que pessoas que descobrem a doença em uma fase inicial poderiam ter a possibilidade de reverter o quadro, mas para afirmar isso categoricamente precisamos seguir com os estudos.”


Saúde



Polícia Federal vai investigar fraude em venda de próteses
06/01/2015 - Folha de S.Paulo

O governo determinou que a Polícia Federal investigue um suposto esquema de fraudes em licitações e pagamentos de comissões a médicos por empresas distribuidoras de próteses e outros equipamentos de saúde.

A Secretaria de Defesa do Consumidor, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Receita Federal também devem acompanhar as investigações e apurar se houve um possível cartel entre empresas da área.

A medida ocorre após uma denúncia de pagamento de comissões de 20% a 50% a médicos para que eles utilizassem próteses de determinadas empresas. Em alguns casos, cirurgias eram indicadas sem necessidade.

O caso foi divulgado pelo "Fantástico", da TV Globo. Segundo a reportagem, profissionais orientavam pacientes a procurarem a Justiça para fazer com que o SUS e os planos de saúde custeassem os produtos, cobrados com preços até 20 vezes acima do valor de mercado.

"O governo federal está declarando guerra a essa máfia", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao anunciar as medidas em conjunto com o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

O governo determinou a criação de um grupo interministerial para estudar novas diretrizes para evitar fraudes na venda desses produtos.

O Ministério da Saúde planeja ainda estender para outros 190 hospitais do país um modelo já adotado em 20 hospitais de Curitiba para fiscalização destes procedimentos. A ideia é criar um sistema nacional de registro de implantes e próteses.

Caso sejam comprovadas as fraudes, o governo pedirá o ressarcimento do valor aos cofres públicos, diz Chioro.


 

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