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Notícias– 10/10/2014

  

 

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Similar será opção a droga de referência
10/10/2014 - Folha de S.Paulo

A partir do próximo ano, os farmacêuticos vão poder oferecer os medicamentos similares como uma opção aos remédios de referência prescritos pelo médico --troca que, hoje, só é permitida entre o genérico e o referência.

O produto de referência é, em geral, aquele original, que trouxe a inovação. Similares e genéricos são cópias.

A mudança na forma da venda do similar, chamada de intercambialidade, foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta quinta-feira (9).

A alteração decorre do fato de que, até o fim deste ano, será obrigatório que os similares apresentem os mesmos testes de equivalência que os genéricos para comprovar que funcionam, no organismo, como os originais.

A nova regra para a venda valerá a partir de 1º de janeiro de 2015, mas as empresas terão um ano para incluir a informação sobre a intercambialidade nas suas bulas.

O impacto da medida deve ser sentido mais em relação aos remédios de venda controlada. Isso porque, na prática, as farmácias não cobram a prescrição médica na hora de vender remédios de tarja vermelha --a não ser aqueles cuja receita deve ser retida, como antibióticos-- e, assim, essa troca pelo similar acaba já sendo feita livremente.

Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa, diz que "deveria funcionar o respeito às tarjas" e a obrigação de apresentação da receita.

"Não dá mais para tratar um medicamento de tarja como se ele não tivesse tarja." Segundo o diretor, os laboratórios pediram a prorrogação de um grupo de trabalho para avaliar formas de exigir a prescrição nas farmácias.

A intercambialidade do similar foi uma proposta lançada pela Anvisa no fim de 2013. Duas mudanças importantes nessa proposta, no entanto, foram feitas desde então e seguidas de um recuo frente a fortes críticas da indústria de medicamentos.

Em janeiro deste ano, o então ministro Alexandre Padilha (Saúde) lançou a ideia de que os similares passassem a ser identificados com o símbolo "EQ" na embalagem --algo para contrapor o "G" que identifica os genéricos.

Padilha, que concorreu às eleições para o governo de São Paulo pelo PT, chegou a apresentar, em uma entrevista coletiva, um protótipo da nova caixa do remédio.

Além disso, o então ministro disse que defenderia que os similares também tivessem um preço reduzido predeterminado, da mesma forma como acontece com os genéricos --que, por lei, devem custar até 65% do preço cobrado pelo remédio de referência.

Esses dois tópicos geraram fortes críticas do setor, que defende a regulação dos preços pelo próprio mercado.

Barbano afirmou, ontem, que o governo vai monitorar os preços dos similares e intervir no mercado caso haja alguma alteração após a vigência da nova resolução.

Em vez do símbolo "EQ" na embalagem, a informação sobre o produto ser intercambiável estará escrita apenas na bula e publicada em listas da Anvisa --disponíveis na internet e nas farmácias.


 

Pequenas e invencíveis
10/10/2014 - Valor Econômico


Há poucos meses, o Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, publicou uma cartilha com oito recomendações sobre um tema aparentemente simples: o uso de antibióticos. Mas, em tempos de tanta complexidade na medicina e na ciência, ser simples não tem nada a ver com ser inofensivo. O consumo indiscriminado desses medicamentos é apontado como uma das mais importantes causas da propagação das chamadas "superbactérias".
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as infecções provocadas por esses micro-organismos como um grave problema de saúde pública e diz que a humanidade vive a "era pós-antibiótico". No mês passado terminou o prazo para a consulta que a OMS fez aos 114 países que participaram do estudo "Antimicrobial resistance: global report on surveillance". Com base nessas informações, no próximo ano será lançado o Plano Mundial Contra a Resistência aos Antimicrobianos, um esforço global entre cientistas e governos para combater a ameaça. "É uma luta de vida contra vida", diz a infectologista Rosana Richtmann, do Emílio Ribas, uma das maiores especialistas do país no assunto.
Seres humanos e bactérias dependem uns dos outros para viver. Existem milhares de tipos desses organismos. A maior parte é inócua e ajuda a vida dos humanos, das plantas e dos animais. Aquelas que vivem nos intestinos, por exemplo, são fundamentais para a digestão dos alimentos e a produção de vitaminas. Outras são responsáveis pelos nutrientes de vegetais. E foram elas que, de certa forma, deram vida ao planeta, há bilhões de anos, permitindo que o oxigênio fosse mantido na atmosfera terrestre. Mas a versão turbinada desses organismos unicelulares costuma ser fatal. Infecções que em poucos dias poderiam ser tratadas e curadas se tornam indomáveis e causam a morte dos pacientes. Entre elas, diarreias, pneumonias, infecções urinárias e a gonorreia.
O problema, que a OMS define como uma ameaça real no século XXI e não mais uma "fantasia apocalíptica" para o futuro, resulta da impossibilidade de combater esses micro-organismos. As bactérias sofrem mudanças, passam a identificar os inimigos e criam escudos que as protegem deles. As vulneráveis desaparecem. As resistentes se multiplicam e transmitem à nova geração essa imunidade. Quando foram identificados os primeiros casos, na década de 1990, os cientistas atribuíam essa resistência à seleção genética. Atualmente se sabe que partículas de DNA (ácido desoxirribonucleico) transmitem as informações genéticas entre esses micro-organismos e, em casos específicos, produzem enzimas especiais que as protegem dos antibióticos.
É difícil calcular as perdas humanas e os custos materiais das doenças cuja origem é atribuída às superbactérias. O estudo da OMS estima que o sistema de saúde americano gaste entre US$ 21 bilhões e US$ 34 bilhões por ano com doenças resistentes aos antibióticos. O mesmo documento diz que essas doenças podem custar entre 0,4 e 1,6% do PIB de um país. As somas fabulosas, entretanto, não ajudam a sanar o problema. Também nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês de Center for Diseases Control and Prevention) já foram identificadas 17 tipos de superbactérias para as quais não há antibióticos. No Brasil, a situação é igualmente grave. "Já existem em São Paulo bactérias completamente intratáveis. Nos casos em que elas chegam ao sistema nervoso central não há o que fazer", afirma o vice-diretor médico do HCor, o infectologista Pedro Mathiasi Neto.
No Brasil, a assessoria de comunicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) forneceu dados de 2012, ano em que foi registrado um total de 11.731 notificações de IH (infecção hospitalar) provenientes das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de 1.128 hospitais brasileiros localizados em 25 unidades da Federação. O Sudeste concentra 59% das notificações e 54% dos hospitais que realizaram notificação, enquanto o Norte possui 6% das notificações e 6% dos estabelecimentos. Quanto ao consumo de antibióticos, embora desde 2011 a venda seja controlada por meio de receitas médicas, ainda não há dados. "A escrituração dos dados das receitas aviadas nas farmácias e drogarias no SNGPC [Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados] passou a vigorar em 16 de abril de 2013. Assim, não existem ainda séries históricas suficientes para a avaliação mais robusta sobre o perfil de prescrição e de uso dos antimicrobianos", informa a assessoria.
No entanto, números divulgados por consultorias como a IMS Health apontam que os antibióticos são o quinto tipo de remédio mais vendido no mundo. Em 2013, o consumo bateu na cifra de US$ 40 bilhões, dos quais mais de US$ 1 bilhão só no Brasil. Segundo a infectologista do Emílio Ribas, a maioria das prescrições é equivocada, portanto inútil. "Acontece que o próprio paciente, quando chega ao consultório com uma inflamação na garganta, espera sair de lá com uma receita de antibiótico. Ele não tem uma infecção, tem um vírus e não precisa do antibiótico. Se ele tomar esse medicamento, vai matar as bactérias que naquele momento o ajudam a melhorar sua imunidade. E, pior, estimulará as mutações que se tornarão mais e mais resistentes", afirma Rosana Richtmann.
Em julho de 2009, o advogado Cesar Monteiro foi ao dentista para uma limpeza nos dentes. Na raspagem houve um pequeno sangramento. Dois dias depois da consulta, ele começou a se sentir mal, perdeu o apetite, passou a ter febre diariamente. Procurou o médico da empresa onde trabalha e o diagnóstico foi gastrite. Como a febre não cedia, passou a tomar, por conta própria, um analgésico e antitérmico. Mas só piorava e resolveu procurar outro médico. Saiu da consulta com uma requisição para fazer um exame de sangue naquela mesma hora. Do laboratório foi, sem escalas, para a UTI de um hospital em Brasília, onde mora. "Naquela hora, eu até não me sentia tão mal. Só que dali em diante só piorei", conta.
Durante uma semana, os médicos tentaram descobrir qual era a bactéria que se espalhava pelo corpo do advogado de 62 anos, provocando septicemia. "Na noite do dia 17 de julho, eu estava praticamente morto. Meus órgãos começaram a falir. O rim não funcionava. Fui entubado. Até hoje não sei como não morri", recorda-se. O advogado não morreu porque os médicos conseguiram achar um antibiótico que liquidasse o estreptococo (uma espécie de bactéria que pode causar sérias infecções, mas na maior parte dos casos é inofensiva). "A mortalidade dos pacientes com septicemia é de 50% dos casos", informa Mathiasi Neto.
O advogado não chega a ter o perfil exato do paciente de risco. Mas é um bom exemplo sobre como acontecem esses casos. Qualquer pequena falha no sistema imunológico e qualquer pequena ferida aberta são as portas para que as superbactérias entrem em circulação. No caso dele, os insignificantes arranhões na boca, provocados pela raspagem, permitiram a contaminação com o estreptococo. A bactéria é comum na boca e nas vias respiratórias.
"De fato, somos mais bactérias do que células", diz a infectologista Rosana. Elas têm uma estrutura extremamente simples, só podem ser vistas no microscópio (o tamanho oscila de 0,2 a 6,0 micrômetros - a milésima parte do milímetro). Calcula-se que só no intestino de um ser humano vivam mais bactérias do que todas as células existentes no corpo. A capacidade de reprodução, por divisão binária, é assustadora. Considerando um período de 11 horas, a cada 20 minutos uma bactéria pode gerar outros cinco milhões. "Achávamos que éramos mais espertos que os micro-organismos. Perdemos", constata o infectologista David Uip, secretário da Saúde de São Paulo.
Admitir a perda nesse confronto significa para a ciência um retrocesso de quase meio século. Foi em 1928 que o médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming fez uma descoberta que transformaria a medicina. No laboratório do Hospital Saint Mary, em Londres, ele encontrou um fungo do gênero "Penicillium" que conseguia impedir a produção das moléculas que formavam uma membrana em torno do estafilococo. Fleming buscava algum agente capaz de deter a disseminação dessa bactéria, causadora de septicemia e responsável pela morte de milhares de homens na Primeira Guerra.
Na época, o achado não despertou muita atenção. A Segunda Guerra, porém, mostrou a importância de transformar aquele agente em um medicamento que combatesse as infecções. E a partir de 1940 a penicilina começou a ser produzida em escala industrial. Grandes investimentos em pesquisas no setor farmacêutico levaram à descoberta de novas substâncias. Surgiu a estreptomicina, usada contra a tuberculose. O bioquímico Selman Waksman, que a encontrou, não apenas conquistou o Prêmio Nobel de Medicina, em 1952, como também batizou o medicamento: antibiótico é a junção do latim "contrário" e do grego "vida". São os remédios à base de substâncias vivas capazes de exterminar outras.
Em 2012, porém, dados da Organização Mundial da Saúde mostraram que 500 mil casos de tuberculose foram causados por bactérias resistentes. Até 2015, as projeções são alarmantes e dois milhões de pessoas podem contrair a doença sem que seja possível curá-las e essas pessoas podem morrer do mesmo modo que acontecia nos séculos XIX e XX. A incidência da tuberculose, depois de um longo período em que foi considerada controlada, recrudesceu no rastro do HIV. O vírus da aids (veja pág. ao lado), ao destruir as células do sistema imunológico, abriu espaço e deu fôlego ao bacilo de Koch, que, segundo estudos científicos, pode estar presente em até 20% da população mundial sem ser notado. "O vírus da aids é a grande pandemia e o responsável pelo reaparecimento de doenças que considerávamos controladas", afirma o infectologista Luiz Carlos Pereira, diretor do Hospital Emílio Ribas, um centro de referência na América Latina no tratamento das doenças infectocontagiosas.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) coordenou os estudos de resistência antimicrobiana na América que estão no documento da OMS. O resultado mostrou que a "Enterichia coli" (uma bactéria comum no intestino) não é controlada nem mesmo pela terceira geração de antibióticos específicos desenvolvidos para tentar exterminá-la. Cerca de 90% das infecções provocadas pelo "Staphylococcus aureus" tampouco dão sinais de fraqueza quando tratadas com os medicamentos disponíveis. "O lançamento de novas drogas está sempre muito atrás dos micro-organismos que precisamos combater", diz Mathiasi Neto. No século XX, dez classes de antibióticos foram desenvolvidas. Nestes primeiros 14 anos do século XXI, apenas duas.
O "Staphylococcus" é uma bactéria que vive na pele sem causar problemas. Mas em contato com áreas internas pode levar à bacteriemia e osteomielite, entre outras graves infecções. Há maior dificuldade em destruí-la, depois que se instala na corrente sanguínea, porque é uma das mais resistentes a todo tipo de antimicrobianos. Já na década de 1940, junto com o surgimento dos primeiros remédios, apareceram grupos indiferentes aos medicamentos. "Ela é uma das mais importantes causas de infecções de pele. Mas os casos graves, em quase sua totalidade, são vistos nos hospitais", diz a dermatologista Thais Guerreiro.
Desde 1999, nos Estados Unidos, a proporção de "Staphylococcus aureus" resistentes à meticilina (MRSA, do inglês Methicillin-resistant Staphylococcus aureus) ultrapassa 50% entre os pacientes em UTI. No Brasil, os índices de cepas MRSA são também bastante elevados (40% a 80%), principalmente em UTIs.
À medida que os antibióticos vão se tornando impotentes, novas mutações de bactérias desafiam a ciência. Em 2007, um morador da Suécia viajou à Índia, o país onde nascera. Tinha 59 anos, era diabético e de saúde frágil. Ao chegar a Ludhiana, sua cidade natal, reparou que sua pele estava marcada por úlceras profundas. Foi mandado para a capital, Nova Déli, onde seu tratamento incluiu doses maciças de antibióticos. Resistiu meses até que, já de volta para a Suécia, médicos descobriram uma bactéria que os antibióticos conhecidos não conseguiam destruir. Cientistas da Grã-Bretanha, que colaboraram com os suecos, encontraram a enzima responsável pela força do micro-organismo. Eles a batizaram de New Delhi metallo-beta lactamase 1 ou NDM-1. No ano passado, ela surgiu em dois pacientes de um hospital em Londrina (PR).
Os hospitais estão no topo da cadeia de contaminação por superbactérias. Não quer dizer que esse ambiente concentre toda a responsabilidade por isso. Mas eles reúnem as condições propícias para que elas se propaguem. Primeiro porque estimativas apontam que os hospitais respondem, no Brasil, pelo consumo de 54% dos antibióticos. E segundo porque o paciente no hospital, é óbvio, não está em boas condições de saúde. Quanto mais delicado for o quadro e mais tempo o doente permanecer internado, maiores serão as chances de contrair uma infecção por superbactéria.
Ao entrar num hospital, o risco de cada pessoa de contrair uma infecção é diferente e há uma escala para medi-lo. O paciente é diabético? Tabagista? Tem doenças crônicas? Quanto tempo deverá permanecer? Se ele ficar menos de três horas, suas chances são menores que 1. A partir desse tempo, elas vão crescendo, até chegar a 10. "Se o paciente estiver na UTI, por exemplo, os instrumentos usados - sondas, cateteres etc. - podem ser uma fonte de contaminação. Eles abrem um espaço de entrada no organismo. Seria injusto, porém, dizer que as superbactérias são exclusivas do ambiente hospitalar", afirma o infectologista Mathiasi Neto, do HCor.
Embora combater as superbactérias seja uma tarefa quase impossível, para evitar a propagação desses seres, antes que se tornem invencíveis, são necessárias medidas bem possíveis. Nos hospitais, investimentos no treinamento, educação e controle dos profissionais são fundamentais. Para as pessoas, uma lição materna ajuda muito: lavar muito bem, e sempre, as mãos.


Pesquisa e desenvolvimento

 

‘Gorduras do bem’ podem ser chave contra diabetes
10/10/2014 - O Globo

Dois estudos publicados na edição desta semana da revista científica “Cell” podem abrir novos caminhos no combate ao diabetes, à obesidade e às doenças a ela relacionadas. No primeiro, cientistas do Centro Médico Beth Israel Deaconess (BIDMC, na sigla em inglês) e do Instituto Salk, ambos nos EUA, identificaram uma nova classe de “gorduras do bem” que melhoram a capacidade do corpo de usar a insulina que produz e controlar os níveis de açúcar no sangue. Já no segundo, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale, também nos EUA, descobriram as bases moleculares de um processo cerebral ligado ao controle do apetite que regula a taxa de transformação da chamada “gordura branca”, usada pelo corpo para armazenar energia, na “gordura marrom”, queimada pelo organismo para gerar energia.
UMA CLASSE DIFERENTE
Durante muito tempo, achavase que as gorduras, como o colesterol, estavam sempre associadas a problemas de saúde. Mas a nova classe de lipídios, batizada como ácido graxo hidroxilado de ácidos graxos (FAHFAs, na sigla em inglês), agora se junta a outras, como o ômega 3, que hoje se sabe serem benéficas para o organismo. Em experimentos, os pesquisadores do BIDMC e do Salk mostraram que camundongos geneticamente modificados para desenvolverem diabetes do tipo 2, quando alimentados com as FAHFAs, tiveram os níveis de açúcar em seu sangue reduzidos. Além disso, eles descobriram que, ao contrário do ômega 3, não produzido por mamíferos e obtido apenas através do consumo de compostos como óleos de peixes, as FAHFAs são regularmente fabricadas pelo corpo humano. E como a pesquisa também revelou que pessoas com alto risco de desenvolverem diabetes do tipo 2 ou em seus primeiros estágios tinham baixos níveis destes lipídios em seus organismos, eles esperam que as FAHFAs sirvam de base para novas terapias para prevenção e controle da doença.
— Estas características importantes dão às FAHFAs uma vantagem em termos de desenvolvimento de terapias porque potencialmente podemos modificar a taxa a que o corpo as produz e consome — destaca Barbara Kahn, vice-presidente do Departamento de Medicina do BIDMC e autora sênior do estudo na “Cell”. — E como podemos medir os níveis das FAHFAs no sangue, seus baixos níveis podem servir de marcadores para o risco de desenvolvimento de diabetes do tipo 2. Consequentemente, se restaurar seus níveis em indivíduos com resistência à insulina mostrar ter valor terapêutico, podemos intervir antes que a doença se desenvolva completamente.
Já no segundo estudo, os cientistas demonstraram que os neurônios responsáveis por controlar a fome e o apetite na região cerebral do hipotálamo também regulam o metabolismo de gorduras pelo corpo ao indicar se a energia nelas contida deve ser guardada ou logo queimada. Em uma experiência também com camundongos, eles descobriram que ao modificar a taxa a que o cérebro ordena a transformação da gordura branca, como os triglicérides, em marrom, os animais não ficaram obesos mesmo sendo submetidos a uma dieta com altos níveis de gordura.


Células-tronco
10/10/2014 - Valor Econômico


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o dano moral sofrido por um bebê em razão da não coleta de células-tronco de seu cordão umbilical. O caso aconteceu no Rio de Janeiro, em 2009. Os pais contrataram a Cryopraxis Criobiologia, empresa especializada em serviços de criopreservação, para que fosse feita a coleta das células-tronco do filho no momento do parto. Apesar de previamente avisada da data da cesariana, a empresa deixou de enviar os técnicos responsáveis pela coleta do material, e o único momento possível para realização do procedimento foi perdido. Foi, então, ajuizada ação de indenização por danos morais em que constam como autores o pai, a mãe e o próprio bebê. Em primeira instância, o juízo considerou que o fato superou os meros dissabores de um descumprimento de contrato e reconheceu o dano moral - R$ 15 mil para o casal. A criança não foi contemplada. O entendimento foi mantido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que elevou o valor da indenização, fixando-a em R$ 15 mil para cada um dos pais. No STJ, porém, o relator do recurso no STJ, ministro Paulo de Tarso Sanseverino, entendeu pela reforma da decisão e estabeleceu indenização de R$ 60 mil para a criança. Segundo ele, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de reconhecer ao nascituro o direito a dano moral, ainda que não tenha consciência do ato lesivo.



Diagnóstico de câncer é tema de palestra TED
10/10/2014 - Folha de S.Paulo


Em uma palestra de 11 minutos, Jorge Soto, um engenheiro eletrônico do México, explicou como pretende revolucionar o diagnóstico de câncer no mundo.

Ele faz parte de uma equipe que criou um novo método de diagnóstico a partir do rastreamento de uma classe de moléculas associadas a diversos tipos de câncer.

"O diagnóstico do câncer hoje é caro e de difícil acesso. Nosso objetivo foi encontrar uma forma mais simples e barata de detectar a doença", disse Soto, nesta quinta-feira (9) durante apresentação no TED Global, no Rio.

A partir de uma amostra de sangue, o equipamento desenvolvido por Soto detecta a presença de microRNAs.

"Uma reação química faz com que o microRNA seja identificado por uma cor fluorescente", explicou Soto.

A amostra é inserida no equipamento que tem espaço para conectar um smartphone. Uma hora depois, a imagem com a presença dos microRNAs é enviada para o celular, que recebe dados sobre o tipo de câncer.



Saúde



 


Brasil registra 1º caso suspeito de ebola
10/10/2014 - Folha de S.Paulo

Um paciente com suspeita de ebola vindo da Guiné, na África, foi isolado em uma unidade de saúde em Cascavel (a 498 km de Curitiba), na tarde desta quinta-feira (9).

Seguindo o protocolo do Ministério da Saúde, o local foi esvaziado e outros foram pacientes transferidos.

Trata-se de um africano de 47 anos, que chegou ao Brasil no dia 19 de setembro vindo da África e que passou pela Guiné, seu país de origem. Ele fez ainda escala no Marrocos.

Ao lado de Serra Leoa e Libéria, a Guiné é um dos três países que mais registraram casos de morte pela doença no continente. O atual surto de ebola, o pior que se tem conhecimento, já havia matado 3.879 pessoas até o dia 5 de outubro, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Com casos confirmados nos EUA e na Espanha, o governo brasileiro montou por precaução uma grande operação.

Imediatamente após a comunicação da suspeita, uma equipe de técnicos do ministério foi enviada em um avião da FAB para coordenar o atendimento e fazer a identificação de pessoas que possam ter tido contato com o paciente.

Após ter febre na quarta (8) e na manhã de quinta, o homem apresentava durante a noite quadro subfebril, mas não tinha hemorragia, vômitos ou outros sintomas. Segundo o ministério, ele tinha "bom estado geral" e era "mantido em isolamento total".

O caso é considerado suspeito por estar no 21º dia, limite para o período de incubação da doença, infirmou a a pasta. Além de ebola, os especialistas trabalham com a hipótese de malária ou dengue hemorrágica, uma vez que os sintomas são semelhantes.

O ebola só é transmitido através do contato com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. O vírus somente é transmitido quando surgem os sintomas.

Até a noite desta quinta, o paciente estava internado numa UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) do bairro Brasília. Segundo a Folha apurou, ele deve ser transferido nas primeiras horas da manhã desta sexta (10) para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio, referência nacional para casos de ebola.

Uma aeronave da Polícia Rodoviária Federal será usada para o transporte.

Até a noite desta quinta, não havia aparecido na UPA parentes ou amigos do africano, segundo o governo do Paraná. Nesta sexta, equipes da saúde tentarão localizar pessoas que o conhecem.



Espanhola infectada tem piora
10/10/2014 - Folha de S.Paulo


A auxiliar de enfermagem espanhola Teresa Romero, 44, a primeira pessoa a ser infectada pelo vírus ebola fora da África, apresentou piora em seu estado de saúde, informou o hospital Carlos 3º, de Madri. Os detalhes do quadro não foram informados. Romero está isolada desde segunda-feira (6).


Órgão de saúde dos EUA compara a doença à Aids
10/10/2014 - Folha de S.Paulo


O atual surto de ebola foi comparado pelo diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças americanos (CDC) ao surgimento da Aids, em reunião do Banco Mundial nesta quinta-feira (9).

"Em meus 30 anos na saúde pública, a única coisa como essa foi a Aids", disse Tom Frieden, dos CDC, uma das principais agências de saúde dos EUA. "Nós temos que trabalhar agora para que não se torne a nova Aids", completou Frieden.

O presidente do Banco Mundial, Jim Kim, afirmou que a comunidade internacional "falhou miseravelmente" na forma de lidar com a doença.

"Sistemas de saúde deveriam ter sido construídos. Deveria ter havido monitoramento quando os primeiros casos foram reportados", disse.


'Ebola só é comparável à Aids', diz agência dos EUA
10/10/2014 - Folha de S.Paulo


O atual surto de ebola foi comparado pelo diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças americanos (CDC) ao surgimento da Aids, em reunião do Banco Mundial nesta quinta-feira (9).

"Em meus 30 anos na saúde pública, a única coisa como essa foi a Aids", disse Tom Frieden, dos CDC, uma das principais agências de saúde dos EUA. "Nós temos que trabalhar agora para que não se torne a nova Aids", completou Frieden.

A reunião no Banco Mundial teve o objetivo de angariar mais doações para o combate ao ebola, que infectou 8.011 pessoas e matou 3.865 desde o início do atual surto.

Os presidentes dos países mais afetados, Libéria, Guiné e Serra Leoa, apelaram à comunidade internacional por ajuda humanitária --em dinheiro, remédios, suprimentos, equipamentos hospitalares e treinamento para equipes de saúde.

"Nosso povo está morrendo", disse Ernest Bai Koroma, presidente de Serra Leoa.

O presidente do Banco Mundial, Jim Kim, disse que a comunidade internacional "falhou miseravelmente" ao lidar com a doença. Ele pediu que os países ocidentais colaborem com US$ 20 bilhões.

"Nós deveríamos ter feito tantas coisas. Sistemas de saúde deveriam ter sido construídos. Deveria ter havido monitoramento quando os primeiros casos foram reportados", disse."Deveria ter havido uma resposta organizada", completou.

PRECAUÇÃO


Em cinco dos principais aeroportos americanos (em Nova York e Washington, Chicago e Atlanta), os passageiros vindos do oeste africano terão a temperatura medida para verificar a febre (um dos sintomas da doença), antes de entrarem no país.

Autoridades americanas chegaram a pedir a suspensão dos voos vindos dos países mais afetados. Frieden, do CDC, disse que a medida seria contraproducente, porque impediria o envio de ajuda humanitária.

No Reino Unido, o mesmo cuidado será adotado nos aeroportos de Londres e nos terminais dos trens que ligam a cidade à França.

A medida é seguida por outros países. Um deles é o Marrocos, principal ponto de partida para o oeste africano.

Um britânico com sintomas do ebola morreu na Macedônia nesta quinta-feira. O hotel onde ele se hospedou foi isolado pelas autoridades locais, com hóspedes e funcionários no interior.

Segundo Jovanka Kostovska, funcionária do Ministério da Saúde da Macedônia, o homem estava com febre, vomitando e com hemorragia interna.

"Há todos os sintomas de ebola, o que desperta a suspeita com esse paciente", disse Kostovska à imprensa.

Amostras do sangue do paciente foram enviadas à Alemanha para análise.


Cascavel tem 1ª suspeita de ebola notificada por prefeitura no Brasil
10/10/2014 - Portal Valor Econômico


CASCAVEL (PR) - Um paciente com suspeita de ebola vindo da Guiné, na África, foi isolado em uma unidade de saúde em Cascavel (a 498 km de Curitiba) na noite desta quinta-feira. O local está sendo esvaziado, com os outros pacientes transferidos, diante da gravidade do caso.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, é o primeiro caso suspeito da doença que foi notificado por uma prefeitura neste ano. O paciente deve ser transferido para o Rio de Janeiro nesta sexta-feira.

Trata-se de um homem, que voltou há nove dias da África e passou pela Guiné. Ao lado de Serra Leoa e Libéria, a Guiné é um dos três países que mais registraram casos de morte pela doença no continente.

O atual surto de ebola, o pior que se tem conhecimento, já havia matado 3.879 pessoas até o dia 5 de outubro, segundo estimativa da OMS (Organização Mundial de Saúde).

O paciente em Cascavel apresenta um quadro de febre alta e hemorragia. Além de ebola, Estado e prefeitura trabalham com a suspeita de que seja um caso de malária ou dengue hemorrágica, uma vez que os sintomas são semelhantes.

Ele está internado na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) 2, do bairro Brasília. Por precaução, todos os pacientes antes em tratamento no local estão sendo transferidos para hospitais da região.

O Estado do Paraná tomou conhecimento do caso no final da tarde desta quinta-feira (9) e já notificou o Ministério da Saúde. Um equipe da secretaria de Estado está se deslocando nesta noite de Curitiba para Cascavel a fim de acompanhar o caso.

A secretaria estadual não soube informar há quanto tempo o paciente encontra-se sob cuidados na UPA.

No último mês, outros dois casos suspeitos semelhantes, de pessoas vindas da África, foram notificados ao Estado do Paraná por prefeituras. Nestas situações, porém, foram considerados suspeitas de malária, já que os pacientes não vieram de países africanos com registro de surto de ebola.

Na noite desta quinta, a UPA 2 estava interditada, com portas fechadas. Pacientes que precisavam de atendimento emergencial eram orientados por um segurança na portaria a procurar outra unidade de saúde.

A balconista Raquel Cristina Leite foi à UPA por volta das 21h porque sua mãe está internada desde a noite de quarta (8). Ela disse que ficou sabendo que a unidade estava interditada e imediatamente correu para o local para obter informações. "Minha cunhada me ligou avisando que ninguém entrava e ninguém saía", disse.

Uma irmã de Raquel está junto com a mãe no interior da unidade e conversou com ela por telefone. "Os médicos tranquilizaram ela, disseram que tem que ver se é ou se não é esse ebola", contou.

Parentes de pessoas internadas e curiosos foram até o local depois que emissoras de rádio e TV passaram a divulgar a suspeita no início da noite.

(Folhapress)



 

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Impacto do ebola na África pode chegar a US$ 32,6 bi até 2015
09/10/2014 - DCI

O impacto da epidemia de ebola na África Ocidental pode chegar a 32,6 bilhões de dólares até o fim de 2015 se o surto se espalhar de modo significativo para além dos países mais atingidos até agora - Guiné, Libéria e Serra Leoa -, disse o Banco Mundial ontem. "O enorme custo econômico do surto atual para os países afetados e para o mundo poderia ter sido evitado com o prudente investimento permanente no fortalecimento dos sistemas de saúde", disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em comunicado.

Na Espanha, depois que mais uma enfermeira foi internada em um hospital por precaução após a contaminação de uma colega com o ebola ontem, o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, pediu que a população se tranquilize e que deixe os profissionais de saúde trabalharem / Reuters


 

Produção debate o uso da maconha medicinal
09/10/2014 - O Estado de S.Paulo


“Minha família é militar. Sempre fui careta. Nunca vi maconha na minha vida. Se eu paro para pensar que eu dou três drogas para meu filho hoje ( Topiramato e o Depakene, e dou o Klobazam, um tarja preta), para um bebê de um ano e três meses, por que não posso dar o CBD? Se a luz no fim do túnel é essa e se o CBD dá na maconha, OK. A gente vai usar maconha. Se desse no abacaxi, a gente usava folha do abacaxi, mas não dá”, diz Camila Guedes em cena do documentário Ilegal, que estreia hoje depois de ter suscitado debates e discussões não só sobre a legalização do uso medicinal de derivados da Cannabis Sativa (nome científico da maconha) como também sobre a luta de um grupo de pais contra a burocracia da política brasileira.
Isso porque o CBD é o canabidiol, substância derivada da maconha, que não possui efeito tóxico nem alucinógeno e se mostrou eficaz no tratamento de males como dor crônica, esclerose múltipla, Alzheimer, além de epilepsias refratárias e as ditas epilepsias catastróficas, como a síndrome de Dravet. A questão é que o canabidiol é proibido no Brasil e está na lista de substâncias proscritas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
É a síndrome de Dravet, o mal com que nasceu o pequeno Gustavo, filho de Camila. Depois de tentar de tudo, o uso do CBD se mostrou o único tratamento possível. “A primeira vez que li sobre isso, vi como a viagem de uma mãe. Pensei: ‘ Nunca vou dar maconha para o meu filho.’ Depois que vi Ilegal, aquilo se tornou algo mais real, mais humano”, declara Camila em cena de Ilegal, em referência ao curta que o jornalista Tarso Araújo e o documentarista Raphael Erichsen dirigiram antes do longa homônimo.
Foi ao ver, no curta, a luta de mães como Katiele Fischer para tratar as convulsões de sua filha Anny com canabidiol que Camila teve a dimensão exata de que seu drama era o mesmo de tantas outras. E é exatamente revelar a batalha dessas famílias para vencer a burocracia e o preconceito que a dupla diretores fazem a realizar Ilegal, que tem produção da paulistana 3Film em parceria com a revista Superinteressante.
“Começamos esta história em março, com o curta. E a repercussão foi muito maior do que a gente pensava. Muita gente se identificou, interessou. É preciso vencer o preconceito em torno do assunto. Por isso, além dos três curtas que realizamos, organizamos a campanha Repense (campanharepense.org), mergulhamos no projeto”, conta Raphael.
Vale lembrar que o longa, que, assim como o curta, nasceu a partir de uma série de reportagens realizadas por Araújo para a revista Super Interessante, não é apenas um tratado sobre a legalização do uso medicinal e nem mesmo recreativo da maconha, mas sim uma metáfora muito contundente dos mecanismos lentos de mudança do Brasil e do quanto o preconceito ronda o assunto. “Fizemos o filme não para falar de maconha, mas de algo amplo, sobre a batalha destas mães, que enfrentam uma série de burocracias. É isso que o brasileiro encontra quando vai atrás de direitos que deveriam ser garantidos pelo Estado”, declara Tarso, autor de Almanaque das Drogas.
Muito pelo objetivo dos diretores, Ilegal não começa, como poderia se supor, com entrevistas com médicos e especialistas sobre o mecanismo de atuação do canabidiol e como Anny, de apenas cinco anos, passou de 60 convulsões por semana para praticamente nenhuma depois de começar a ser tratada com o CBD.
A primeira cena revela Katilene às voltas com ligações intermináveis para os Correios, tentando, em vão, falar com alguém que lhe explique onde foi parar sua encomenda de canabidiol. Ilegal e não catalogado pela Anvisa, o produto foi retido.
Enquanto os pais tentam ter acesso ao CBD, as convulsões de Anny voltam.
Ao telefone, o tom robótico com que a atendente fala revela o abismo que há entre os que seguem a cartilha da burocracia e os que, como ela, veem seus filhos convulsionarem todos os dias. De um call center a outro, Katilene e seu marido que, em meio a pesquisas sobre o que poderia ajudá-los a melhorar a qualidade de vida da filha, portadora de um caso raro de epilepsia, descobriram o CBD, chegam finalmente ao Congresso Nacional e a uma reunião da Anvisa.
Quem chega também é Margarete Brito, mãe de Sofia, que, além de ser uma das fundadoras da Appepi (Associação de Pais de Pessoas com Epilepsia de Difícil Controle), uniu-se a Katilene e Camila na batalha para sensibilizar deputados e órgãos oficiais pela inclusão do CBD entre as substâncias permitidas pela Anvisa.
Ainda que haja muito preconceito e desinformação sobre o assunto no Brasil, mesmo depois de ser difundido e legal em vários países, como os EUA, a Espanha e a Holanda, Tarso mantém o otimismo. “É importante falar disso na mídia. Mas, ao mesmo tempo, já percebemos que o Estado não está ligando muito para esta questão. Apesar do barulho, não sabemos se vai haver uma reação institucional seja por parte da Anvisa seja do Congresso. A perspectiva de sair algo progressista hoje é mínima em relação à política das drogas. Esta eleição aprofundou ainda mais o conservadorismo do Congresso. Não sei se dá para esperar muita coisa, mas sejamos otimistas. É preciso debater e lutar”, declara o diretor. “É absurdo total negar o potencial medicinal da maconha em pleno século 21, com dezenas de testes sendo feitos nos EUA. É muito atraso. Precisamos avançar”, acrescenta Tarso, que no dia 31, após sessão especial no Auditório do Ibirapuera, participa de debate sobre o poder do cinema como experiência de transformação social, como parte do encerramento da Mostra de Cinema de SP


Gilead no Brasil
09/10/2014 - Valor Econômico


A biofarmacêutica americana Gilead Sciences, inaugurou sua filial brasileira, a Gilead Sciences Farmacêutica do Brasil, em São Paulo. A operação será comandada pelo executivo Norton Oliveira e, inicialmente, terá foco no fornecimento de medicamentos para tratamento de hepatites virais, HIV e oncologia. "A Gilead continuará a fornecer seus medicamentos em outras áreas terapêuticas através de seus parceiros de distribuição regionais", informou. Em nota, Oliveira disse que a presença no país permitirá o trabalho em colaboração para melhor atender as necessidades dos pacientes brasileiros. "Estamos especialmente ansiosos para iniciar o trabalho de ajuda no combate à epidemia de hepatite C no Brasil, através do fornecimento de opções de tratamento novas e potencialmente mais eficazes."

 




Pesquisa e desenvolvimento 

 

Técnica flagra ‘dança’ das proteínas do HIV
09/10/2014 - O Estado de S.Paulo


Cientistas americanos desenvolveram uma técnica que permitiu observar, pela primeira vez, a “dança” das proteínas na superfície do vírus do HIV. A constante mudança de forma dessas proteínas é a principal estratégia do vírus para escapar da resposta do sistema imunológico e infectar as células hospedeiras.
Descrita em dois estudos, publicados nesta quarta-feira, 8, nas revistas Science e Nature, a nova técnica abre possibilidades para o desenvolvimento de mecanismos que impeçam a infecção.
A nova técnica, utilizada pelos pesquisadores para observar as mudanças de formato das proteínas da membrana externa do vírus, é uma aplicação direta do conceito de microscopia de fluorescência de alta resolução, cuja descoberta rendeu o prêmio Nobel de Química, anunciado também nesta quarta.
“Os princípios desenvolvidos há muitos anos permitiram o estudo de importantes questões biológicas que antes eram inacessíveis à ciência. Nosso estudo é uma prova concreta disso”, afirmou Scott Blanchard, do Weill Cornell Medical College, em Nova York, que participou dos dois artigos.
O artigo publicado na Science usou uma técnica de fluorescência capaz de medir distâncias em escala molecular. Blanchard foi o responsável por adaptar essas técnicas ao estudo de partículas virais.
O grupo desenvolveu moléculas fluorescentes que funcionam como “faróis” instalados na membrana externa do vírus, conhecida como envelope viral.
“Ao tornar visíveis os movimentos das proteínas do vírus, pudemos seguir em tempo real as mudanças em seu formato”, disse Blanchard.
O cientista afirmou que a nova técnica fornece, pela primeira vez, meios para observar como o vírus se comporta durante a infecção. “Se conseguirmos bloquear a entrada do HIV em células imunes, teremos vencido a luta”, disse.
Segundo o cientista, uma das linhas de pesquisa que a técnica permitirá será a busca de meios para impedir a mudança de forma das proteínas do envelope viral. Com isso, o vírus perderá sua principal estratégia para “driblar” o sistema imune.
“Tendo à disposição meios para obter imagens em tempo real dos processos na superfície de partículas do HIV, poderemos também usar esses métodos para avaliar e testar o impacto de drogas e anticorpos que possam aniquilá-lo”, disse.
Três conformações. Segundo o cientista, foram detectadas três diferentes conformações das proteínas do envelope viral. “Estamos trabalhando para aprimorar a tecnologia e chegar ao nível de precisão de imagens de que precisamos para avançar. É possível que essas proteínas assumam mais formas”, disse. Enquanto o estudo da Science desvendou a “dança” das proteínas, o trabalho da Nature usou cristalografia de raios X para capturar a imagem tridimensional de uma das três conformações das proteínas virais, reveladas com a nova técnica.
De acordo com Blanchard, o novo método poderá ser usado também, no futuro, para compreender a dinâmica de outros tipos de vírus, além do HIV. “As proteínas dos envelopes virais têm funções na infecção, não só no caso do HIV, mas também no vírus Influenza e adenovírus, por exemplo.”


Fapesp solta lista de cientistas envolvidos em fraudes e plágios
09/10/2014 - Folha de S.Paulo


A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) começou a publicar em seu site nesta terça (7) sumários de investigações que apontaram a ocorrência de plágios e fraudes por parte de pesquisadores beneficiados por financiamento da instituição.

O procedimento, como revelou nesta quarta (8) o jornal "O Estado de S.Paulo", começou com a publicação de dados de cinco processos concluídos entre junho de 2012 e abril de 2013.

Cinco outras apurações já foram concluídas, segundo a fundação, que afirmou estar aguardando o prazo de 90 dias para apresentação de recursos dos pesquisadores.

Em agosto de 2013, a presidência da entidade decidiu disponibilizar informações sobre apurações de má conduta. A Fapesp afirmou que esses dez processos fazem parte de um total de 25 iniciados desde outubro de 2011, quando a instituição publicou seu "Código de Boas Práticas Científicas". Quinze investigações não chegaram à conclusão de ocorrência de má conduta. Estão em andamento mais 22 processos.

O primeiro investigado por violação do código foi Andreimar Martins Soares, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da USP, que teria usado figuras publicadas por outros autores em seu doutorado.

O químico Cláudio Airoldi, da Unicamp, foi denunciado por usar imagens fraudadas em 11 artigos.

Flávio Garcia Vilela, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da USP, teria se apresentado como coautor de artigos que não tiveram sua participação.

Javier Amadeo, que era professor da USP e hoje trabalha na Unifesp, teria reproduzido, sem citar fonte, cerca de 30 linhas de um livro.

Antonio José Balloni, que era do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, teria admitido plágio.

A Folha enviou e-mails aos cinco pesquisadores punidos. O único a responder foi Balloni. Para ele, a publicação é "ilegal, para não dizer imoral". O pesquisador afirma que a punição (ficar um ano sem pedir financiamento à Fapesp) já foi cumprida.

"A Fapesp jamais deveria ter mencionado meu nome em algo que foi prescrito", escreveu Balloni, que também afirma que seu direito de defesa não foi respeitado completamente pela agência.

"O processo de acusação de plágio que pesa sobre minha pessoa é em grande medida injusto. Tenho muito claro que alguns parâmetros do que é ou não plágio devem ser revistos."

Segundo Luiz Henrique Lopes dos Santos, da Fapesp, a demora na publicação dos casos se deveu à necessidade de avaliações jurídicas.






 Saúde


EUA têm primeira morte devido ao ebola
09/10/2014 - Folha de S.Paulo

O primeiro paciente diagnosticado com ebola fora da África morreu nesta quarta (8), em Dallas (Texas), oito dias após ter confirmada a infecção pelo vírus. Foi a primeira morte pela doença registrada nos EUA.

Também nesta quarta, os EUA anunciaram que irão monitorar pacientes vindos da África em cinco aeroportos do país.

O liberiano Thomas Duncan, 42, viajou para o país em 19 de setembro para encontrar a namorada e o filho.

Ele começou a sentir os sintomas da doença no dia 24.

Ao procurar o hospital, no dia seguinte, foi enviado para casa com uma prescrição de antibiótico mesmo após dizer que viera da África.

Duncan só foi internado no dia 28, depois de voltar ao hospital ainda mais doente.

O episódio gerou pânico e levantou dúvidas sobre o preparo das autoridades americanas para lidar com casos da doença.

"Acredito que agora uma análise meticulosa sobre todos os aspectos do atendimento a ele vá ser realizada. Mas estou lidando com a dor e a raiva por seu filho não poder vê-lo antes de sua morte", disse a noiva de Duncan, Louise Troh.

Ela está isolada desde a semana passada com seu filho e dois sobrinhos por ter tido contato com Duncan.

Outras 44 pessoas são monitoradas. Nenhuma delas apresentou sintomas da doença até agora.

Na tarde desta quarta, porém, um paciente com sintomas do ebola e que diz ter tido contato com a família do paciente procurou uma clínica e foi transportado para o Hospital Presbiteriano.

O diretor do CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA), Thomas Frieden, afirmou em entrevista que não está confirmado se o homem teve contato com o vírus e se os sintomas são realmente do ebola.

AEROPORTOS

O governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira (8) que cinco aeroportos vão avaliar todos os passageiros que estiveram recentemente em Serra Leoa, na Guiné ou na Libéria.

Eles terão sua temperatura medida ao entrar no país, serão analisados para outros sintomas e responderão a um questionário criado pelo CDC.

O controle começará a ser implementado neste fim de semana no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York.

A partir da próxima semana, os aeroportos Washington Dulles, O'Hare (Chicago), Hartsfield-Jackson (Atlanta) e de Newark (Estado de Nova Jersey) serão monitorados.



Para conter ebola, Espanha sacrifica Excalibur, cachorro de paciente contaminada
09/10/2014 - Folha de S.Paulo


Morreu no fim da tarde desta quarta-feira (8), em Madri, um dos heróis instantâneos espanhóis na crise do ebola: o cachorro Excalibur.

Defendido por manifestantes que se engalfinharam durante o dia com a polícia, ele foi sacrificado pelo governo pelo temor de que pudesse estar infectado pelo vírus. O cão foi morto dentro do apartamento para ser cremado.

Excalibur, 12, era animal de estimação de Teresa Ramiro e Javier Limón, seu marido. Fora resgatado da rua. Ramos tem ebola, e Limón está sob observação.

O anúncio de que o cão seria morto havia levado manifestantes às ruas perto do prédio já na terça. Alguns deles pernoitaram ali e muitos trouxeram seus próprios animais. Na quarta, tentaram, sem sucesso, impedir a chegada da polícia e dos bombeiros. A confusão deixou dois feridos.

"Recebemos uma ligação de Limón, desesperado, pedindo ajuda", disse à Folha Silvia Barquero, do Partido Animalista espanhol, diante do prédio do casal. A organização mobilizara a multidão. "O cão é um membro da família. O governo foi pela via mais fácil, mas o animal poderia ser isolado e testado em vez de sacrificado", afirmou antes da morte do animal.

Há poucos estudos sobre a transmissão de ebola entre cachorros e humanos, e um especialista havia dito anteriormente que Excalibur poderia, se continuasse vivo, ajudar os pesquisadores. O sério risco de contágio, porém, não está descartado.

MINISTRA SOB PRESSÃO


O sacrifício do cão também tem significado político, já que se esperava uma ação firme da ministra da Saúde, Ana Mato. Seus críticos têm culpado a falta de controle do governo pelo surgimento do ebola no país.

Ramiro, a dona do cachorra, foi a primeira pessoa contaminada pelo vírus fora da África. De acordo com o jornal espanhol "El País", a contaminação pode ter acontecido quando ela tirou o traje de proteção depois de cuidar de um paciente. Em entrevista, ela disse sentir melhora em seu quadro.

Diante do prédio onde estava o cão, manifestantes gritavam que preferiam sacrificar a ministra. "A notícia gerou alarme social", diz Barquero.

"Os animais têm tantos direitos quanto nós", diz Margarita Arias durante o protesto. Ela vive nos arredores.

Carmen Contreras, que passeia com seu beagle Zero, diz que matar o cão "não é justo". "É a solução fácil. Logo vão querer matar todos."

Maria Henao, colombiana, conta que costuma trazer seu cão mestiço Rocky para passear na praça em frente ao prédio de Ramos e Limón.

"Por que não gastam esse dinheiro para salvar o Excalibur, em vez de pagar a polícia?", indaga diante de quatro furgões policiais.


Espanha: Mais três pessoas são internadas após exposição ao ebola
08/10/2014 - Portal Valor Econômico

SÃO PAULO - Mais três pessoas, dois médicos e um enfermeiro, foram internadas nesta quarta-feira no Hospital Carlos 3º de Madri para ficarem em observação por terem sido expostas ao vírus do ebola, segunda informou o jornal “El País”.

Uma das pessoas em observação é Juan Manuel Parra, médico de emergência do Hospital de Alcorcón, que ficou 16 horas tratando da assistente de enfermagem Teresa Romero, a primeira pessoa a ser contaminada pelo vírus do ebola fora da África, sem equipamentos de segurança. Também foram internados voluntariamente a médica de atenção primária que atendeu Romero em 30 de setembro e um enfermeiro da equipe que tratou os dois missionários repatriados da Libéria e de Serra Leoa.

Segundo o "El País", outras duas pessoas receberam alta médica depois que o segundo teste do vírus do ebola trouxe um resultado negativo: uma enfermeira e um engenheiro que havia regressado da Nigéria.

Seguem internados no Hospital Carlos 3º, a assistente de enfermagem Teresa Romero, seu marido e uma enfermeira da equipe que tratou de um dos missionários mortos pelo vírus e que apresentava alguns sintomas nesta manhã.

A forma como a Espanha vem lidando com a situação vem sendo questionada pela opinião pública desde que surgiu o caso da contaminação da assistente de enfermagem, que não foi colocada em isolamento depois que começou a desenvolver uma leve febre em 30 de setembro. Ela somente foi hospitalizada no dia 6 de outubro, quando já apresentava uma febre alta.

Uma porta-voz da Secretaria de Saúde da região de Madri disse que a assistente de enfermagem está “melhor” e que seu marido, que está em observação, não apresenta qualquer sintoma da doença.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse que o país está “enfrentando uma questão que é de preocupação internacional”, mas instou o povo espanhol a “manter a calma”.

“Eu gostaria de pedir a vocês que permitam os agentes de saúde a trabalhar. O sistema de saúde da Espanha é um dos melhores do mundo”, afirmou o premiê.

A ministra da Saúde, Ana Mato, disse ao parlamento que a Espanha vai revisar seus protocolos de segurança para lidar com o ebola. As autoridades médicas estão concentradas em rastrear e monitorar todas as pessoas que entraram em contato com a assistente de enfermagem. No total, mais de 50 pessoas estão em observação no país.


Por precaução, dados sobre o tema não são divulgados
09/10/2014 - Folha de S.Paulo


Tentativas de suicídio são uma das causas frequentes de interrupção do serviço no metrô de São Paulo. A frequência exata, porém, é desconhecida --o Metrô não divulga dados sobre o tema.
Quando um passageiro desce aos trilhos, a energia é cortada e a circulação dos trens é interrompida, o que provoca atrasos na operação. Mas a companhia diz seguir recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de que informações sobre suicídios podem estimular outras tentativas.
O setor de Prevenção ao Suicídio da OMS afirma que grupos suscetíveis podem ser influenciados por notícias muito detalhadas.
Mas a entidade não defende banir o assunto do noticiário. Para ela, falar sobre o tema, de forma cautelosa, ajuda a jogar luz sobre o problema de saúde pública.
Em outros países, estatísticas são divulgadas. No metrô de Nova York foram 16 suicídios no ano passado. No de Londres, foram 18. As duas cidades têm campanhas de prevenção no metrô.


Espanhola pode ter contraído vírus ao tocar rosto com luva infectada
09/10/2014 - O Estado de S.Paulo


A enfermeira espanhola infectada pelo vírus Ebola, Teresa Romero Ramos, pode ter contraído a doença ao tocar o próprio rosto com luvas contaminadas, conforme informou à imprensa Germán Ramírez, um dos médicos que a atendem. A enfermeira está internada no hospital La Paz - Carlos III, onde há outras cinco pessoas em quarentena.
"Creio que a falha ocorreu ao retirar o traje. Vejo esse como o momento mais provável para que tenha havido contágio, mas não posso dizer com certeza", afirmou a enfermeira ao jornal El País. Para Ramírez, é provável que ela não tenha se lembrado disto inicialmente por conta de seu estado clínico.
Teresa atendeu dois missionários trazidos com Ebola da Libéria e de Serra Leoa, e mortos em 12 de agosto e 25 de setembro, respectivamente. Ela acredita que pode ter se contaminado na primeira vez em que visitou o missionário vindo de Serra Leoa, em cuja casa esteve duas vezes - uma para atendê-lo, e outra para limpar a residência, depois de seu falecimento.
Ramírez assegurou que há sempre alguém supervisionando a colocação e retirada dos trajes dos agentes sanitários. No entanto, segundo afirmou Yolanda Fuentes, vice-diretora do hospital, "gestos como tocar o rosto podem passar despercebidos mesmo para os supervisores".
Além da enfermeira infectada, também estão internadas no mesmo hospital outras cinco pessoas. Um deles é seu marido, que ficará em observação por mais 21 dias, visto que houve contato direto entre eles. De acordo com Yolanda, dentre os outros quatro pacientes em quarentena há um engenheiro vindo da Nigéria cujo primeiro exame teve resultado negativo. Se o resultado se repetir em um segundo teste, ele deve receber alta em 72 horas. Também há uma enfermeira e um auxiliar de enfermagem cujos primeiros exames não indicaram infecção pelo vírus, e outro auxiliar que aguarda o resultado do primeiro teste.



 

Notícias– 07/10/2014

  

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 

  Mercado aberto: Incremento na bula
07/10/2014 - Folha de S.Paulo
Colunista: Maria Cristina Frias

A Prati-Donaduzzi investirá R$ 40 milhões em pesquisa e criação de novos medicamentos em 2015.
O montante é 60% superior ao que será aportado até o final deste ano, de acordo com Luiz Donaduzzi, presidente da empresa.
"A partir do ano que vem começaremos a trabalhar com produtos de inovação incremental [modernização de um princípio ativo que já existe com a inclusão de novas características] e os gastos serão maiores." Cerca de R$ 10 milhões serão aplicados na criação de produtos inovadores. O restante será voltado para genéricos e similares.
Para dar suporte às novas ações, a fábrica da indústria, localizada em Toledo (PR), será ampliada de 4.000 m² para 6.000 m².
"Também teremos uma expansão de 25% em novos equipamentos e em contratação de pesquisadores", afirma Donaduzzi.
A farmacêutica tem cerca de 200 pessoas envolvidas nos processos de desenvolvimento e inovação de medicamentos.
"No futuro, teremos produtos customizados para crianças, idosos e diferentes grupos de pessoas", afirma Christian Menezes, diretor de pesquisa da companhia.
A Prati-Donaduzzi tem 150 medicamentos em seu portfólio e 70 que aguardam registro na Anvisa.
R$ 625 milhões foi o faturamento da empresa no ano passado 4.300 é o número de funcionários da companhia 60 são os medicamentos em desenvolvimento R$ 25 milhões é o que será investido em inovação até o final deste ano


 

Mercado aberto: Laboratório começa a fabricação de remédios com código de rastreabilidade
07/10/2014 - Folha de S.Paulo
Colunista: Maria Cristina Frias

Com mais de um ano de antecedência do prazo da Anvisa para a implantação do Sistema de Rastreabilidade de Medicamentos, o setor farmacêutico começa a testar o mecanismo.
"Toda mudança nas linhas de produção precisa de aprovação da Anvisa. Por isso, as empresas estão se adiantando para não terem problemas perto do prazo final", diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma (sindicato da indústria).
A Libbs já produz o anticoncepcional Iumi com o código que será obrigatório em parte dos remédios nacionais a partir de dezembro de 2015.
Ao menos outros 30 laboratórios compraram equipamentos para se prepararem para cumprir a norma.
O código permitirá um monitoramento dos remédios desde a produção até o ponto de venda, o que ajudará a coibir roubo, comércio clandestino e falsificação.
"Estamos nos antecipando para termos tempo de fazer ajustes, se forem necessários", diz Marcia Martine Bueno, diretora da Libbs.
A empresa ainda não precisou em quanto aumentarão as despesas. Por ora, apenas em equipamentos foram alocados cerca de R$ 7 milhões.
"É um custo a mais, mas o benefício para o consumidor, de ter a qualidade do medicamento garantida, além de reduzir roubos de lotes, compensa e pode ser absorvido." "A falsificação nem é mais o maior problema, e sim a distribuição de cargas roubadas, que podem não ter sido bem acondicionadas e mantidas." A Libbs fará uma apresentação nesta quarta-feira (8) em sua fábrica paulista, de onde um lote à venda em Brasília será acompanhado.


Pesquisa e desenvolvimento

 

Pesquisa diz que má alimentação começa desde bebê
07/10/2014 - Folha de S.Paulo

É preciso melhorar a alimentação das crianças antes que elas aprendam a andar, segundo estudos sobre nutrição publicados recentemente. Os dados indicam que os padrões de alimentação de bebês persistem por muito mais tempo do que se imaginava.
"Nossas preferências iniciais, sobretudo em termos de frutas e legumes ou por bebidas doces, são duradouras", afirmou Elsie M. Taveras, do Hospital Infantil MassGeneral em Boston, que não participou das novas pesquisas.
O conjunto de 11 estudos foi publicado no periódico "Pediatrics". Pesquisadores analisaram as dietas de cerca de 1.500 crianças de seis anos, comparando seus padrões alimentares com aqueles observados em um estudo que acompanhou as crianças até completarem seu primeiro ano.
Pesquisa anterior havia comprovado que as preferências alimentares se desenvolvem na primeira infância. Porém, até então não estava claro como as dietas de bebês alteram as preferências das crianças em idade escolar.
"Quando bebês consumiam poucas frutas e legumes, isso se estendia até os seis anos", disse Kelley Scanlon, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças e uma das autoras dos estudos.
As descobertas de Scanlon enfatizam a importância de oferecer frutas e legumes aos bebês na transição para alimentos sólidos.
Catherine A. Forestell, professora-adjunta de psicologia no College of William and Mary no Estado de Virgínia, declarou ser crucial que os pais "não desistam mesmo diante de reações negativas iniciais dos bebês".
Em um estudo feito em 2007 por Forestell, bebês franziam o nariz quando lhes ofereciam feijão. Mas, se os pais insistiam, eles abriam a boca voluntariamente para comer outra colherada.
Um estudo da nova série descobriu que bebês que consumiam qualquer quantidade de bebidas com açúcar eram duas vezes mais propensos a consumi-las pelo menos uma vez por dia aos seis anos.
Segundo outro estudo, bebês entre 10 e 12 meses que tomavam bebidas com açúcar mais de três vezes por semana tinham o dobro da propensão a ser obesos aos seis anos do que bebês que jamais ingeriam esse tipo de bebida.
Sohyun Park, do Centros para Controle e Prevenção de Doenças, disse que 27% dos bebês haviam tomado bebidas açucaradas.
Alguns especialistas dizem que os pais não são orientados sobre como fazer seus bebês se interessarem por legumes desconhecidos. A tarefa também é dificultada porque os bebês se apaixonam rápido por doces e salgados.
"Precisamos orientar melhor os pais sobre a nutrição na primeira infância", disse Deanna Hoelscher, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade do Texas.
Porém, segundo Forestell, nem tudo está perdido. Basta adotar uma nova abordagem. As crianças tendem a ter menos resistência para experimentar, por exemplo, couve-de-bruxelas quando veem os adultos comendo o legume. "Não se trata apenas de mudar a dieta das crianças, e sim da família inteira", explicou ela.



Saúde


Ebola tem 1ª contaminação fora da África
07/10/2014 - Folha de S.Paulo

Uma auxiliar de enfermagem espanhola que tratou de dois missionários que morreram devido ao ebola foi diagnosticada com o vírus em Madri, disseram autoridades na segunda-feira (6).

O caso, o primeiro diagnosticado dentro da Europa, também representa a primeira transmissão da atual epidemia fora da África Ocidental.

"Estamos trabalhando para averiguar se [durante o tratamento dos dois missionários] foram seguidos estritamente todos os protocolos estabelecidos", afirmou a ministra da Saúde, Ana Mato.

A profissional, que não foi identificada, foi posta em isolamento após chegar ao Hospital de Alcorcón com febre alta. A mulher, que estava em férias quando adoeceu, é casada mas não tem filhos.

Segundo o diretor-geral de pronto atendimento da comunidade Autônoma de Madri, Antonio Alemany, o marido e três profissionais de saúde que a atenderam no domingo (5) terão a temperatura medida duas vezes por dia durante 21 dias.

O protocolo também será aplicado a 30 funcionários que, da mesma forma que a infectada, atenderam os dois religiosos espanhóis no Hospital Carlos 3º.

O padre católico Manuel García Viejo, de 69 anos, morreu três dias após ter sido repatriado em 22 de setembro de Serra Leoa, onde trabalhava em um centro médico da Ordem Hospitalar de São João de Deus.

Para evitar contágios, não foi feita necropsia no cadáver, que foi cremado.

O mesmo procedimento foi adotado após a morte, em 12 de agosto, de Miguel Pajares, 75, outro missionário que se infectou na Libéria.

ESTADOS UNIDOS

Em estado crítico, Thomas Duncan, 42, começou a ser tratado com o medicamento experimental brincidofovir contra o ebola, segundo anunciou o porta-voz do Hospital Presbiteriano do Texas, em Dallas, na segunda-feira.

À rede NBC o diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), Thomas Frieden, afirmou que nenhuma das 48 pessoas monitoradas por terem tido algum contato com o liberiano mostrou sintomas da doença. Duncan foi a primeira pessoa a ser diagnosticada com ebola nos EUA.

Também na segunda-feira, chegou aos Estados Unidos Ashoka Mukpo, 33, cinegrafista freelancer da NBC diagnosticado com ebola na Libéria. Ele foi o quinto norte-americano a ser diagnosticado com a doença --apenas um morreu.

Em Washington, o hospital da Universidade de Howard descartou a infecção por ebola em um paciente internado na sexta-feira.

A atual epidemia de ebola, que se espalha por fluidos corporais, deixou mais de 3.400 mortos na África, segundo a Organização Mundial da Saúde.



Prêmio Nobel de Medicina vai para pesquisa sobre o 'GPS' do cérebro
07/10/2014 - Valor Econômico

O anglo-americano John O'Keefe e os noruegueses May-Britt Moser e Edvard Moser ganharam o prêmio Nobel de Medicina por terem descoberto o sistema de navegação do cérebro, revelando pistas de como os derrames e o mal de Alzheimer o impactam.
Ole Kiehn, membro do comitê do Nobel e professor no departamento de neurociência do Instituo Karolinska, disse que os três cientistas acharam "um GPS interno que torna possível saber onde estamos e encontrar a nossa direção".
O'Keefe, diretor do centro de circuitos neurais e comportamento na University College de Londres (UCL), descobriu o primeiro elemento do sistema de posicionamento em 1971, ao perceber que um tipo de célula nervosa na região do cérebro chamada de hipocampo encontrava-se sempre ativado quando um rato estava em certo lugar de uma sala. Vendo que outras células nervosas eram ativadas quando o rato estava em outras posições, O'Keefe concluiu que essas "células de localização" formavam um mapa da sala.
Uta Frith, professora de desenvolvimento cognitivo na UCL, disse que O'Keefe mostrou "ser possível literalmente mapear a mente". "Ele fez muito mais do que descobrir os mecanismos neuronais no cérebro: descobriu mecanismos cognitivos que explicam como os seres humanos e outros animais navegam", disse. "Esse lindo trabalho abriu uma nova era de exploração do cérebro e da mente." Em 1996, Edvard Moser e May-Britt Moser, que são casados e hoje atuam em institutos científicos na cidade norueguesa de Trondheim, trabalharam com O'Keefe para aprender a registrar a atividade das células no hipocampo.
Após quase dez anos, o casal Moser descobriu células, no córtex entorrinal no cérebro de ratos que funcionam como um sistema de navegação. Eles concluíram que as chamadas "células em rede" trabalham constantemente para criar um mapa do mundo externo e permitem que os animais saibam onde estão, onde estiveram e para onde se dirigem.
Bill Harris, chefe de psicologia, desenvolvimento e neurociência na Universidade de Cambridge, disse que o trabalho dos cientistas "não apenas revolucionou nossa compreensão deste surpreendente quebra-cabeça [o cérebro], mas também abriu a porta para problemas da memória de localização e de como aprendemos e nos lembramos de rotas de navegação; e o que o sono e os sonhos podem fazer pela memória e desempenho".
O conhecimento sobre o sistema de posicionamento do cérebro também pode ajudar a entender o que causa a perda de consciência espacial em pacientes com derrames ou naqueles com doenças que atacam o cérebro, como a demência, da qual o Alzheimer é a forma mais comum, afetando 44 milhões de pessoas no mundo.


Espanha tem primeiro contágio de ebola fora da África
07/10/2014 - Valor Econômico


O Ministério da Saúde da Espanha informou ontem que uma enfermeira do país é o primeiro caso provado de contágio pelo vírus do ebola fora da África. A enfermeira, que não teve o nome revelado, fazia parte da equipe que cuidou de dois missionários espanhóis que contraíram a doença na Libéria e em Serra Leoa. Os dois foram repatriados e morreram em Madri. A enfermeira entrou só duas vezes no quarto do paciente. Após a morte do paciente, em 25 de setembro, ela saiu de férias e, cinco dias depois, começou a se sentir mal. Outros 30 enfermeiros e médicos estão sendo monitorados. "Estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para garantir a melhor atenção à paciente, assim como para garantir a segurança do pessoal médico que a atende e de toda a população", disse a ministra da Saúde espanhola, Ana Mato (foto). Até agora, segundo a OMS, o ebola já matou mais de 3.400 pessoas.


Ebola: EUA estudam novos protocolos para examinar passageiros
07/10/2014 - Valor Econômico


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que o seu governo está trabalhando em medidas para examinar um número maior de passageiros que entram no país, depois do primeiro caso de ebola diagnosticado em território americano. Ao mesmo tempo, o presidente tentou acalmar os temores de um possível surto da doença, afirmando que as chances de uma epidemia nos Estados Unidos são “extremamente baixas”.

Em pronunciamento após uma reunião com assessores sobre o assunto, Obama alertou que outras nações não agiram tão agressivamente quanto necessário para conter a epidemia que aflige os países da África ocidental.

Os comentários do presidente americana ocorrem na sequência da notícia de que, na Espanha, uma enfermeira teria contraído o vírus depois de tratar um paciente com a doença, que foi repatriado de Serra Leoa para Madri, e que morreu em 25 de setembro.

"Esta é uma doença extraordinariamente virulenta, quando você não segue os protocolos", afirmou Obama. Por isso o presidente destacou a importância de garantir que em cada etapa, desde o balcão de internação de um hospital, e que todos os envolvidos - médicos, enfermeiras e agentes públicos de saúde - tenham a informação correta.

O presidente americano ainda afirmou que sua administração trabalhará em protocolos para fazer examens adicionais dos passageiros, tanto na origem quanto nos Estados Unidos, mas sem dar detalhes sobre quais seriam essas medidas.

Embora as chances de um surto de ebola em território americano sejam baixas, Obama disse que os Estados Unidos precisam ajudar as ações africanas e cobrou a falta de ação de outros países para ajudar a conter a epidemia.

"Temos que nos lembrar que, enquanto falamos, existem crianças nas ruas morrendo dessa doença", disse o presidente. "Milhares dessas crianças. Obviamente, a minha prioridade é cuidar do povo americano, mas temos um papel maior, também temos a obrigação de garantir que aquelas crianças e suas famílias também estejam em segurança", acrescentou.

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que o número de casos confirmados, prováveis ou suspeitos de ebola somava 7.492, incluindo o paciente internado em Dallas.

Nos países da África ocidental, a epidemia do ebola já matou 3.431 pessoa, a maior parte em Guiné, Serra Leoa e Libéria.


Notícias– 08/10/2014

  

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 

Rede para rastrear remédio começa a operar
08/10/2014 - O Estado de S.Paulo


O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), que deveria estar em funcionamento no Brasil há pelo menos dois anos, dá hoje o primeiro passo para sair do papel. Será apresentada a primeira plataforma para rastrear medicamentos, desenvolvida pela farmacêutica Libbs. A meta é de que até dezembro de 2016 todas as indústrias tenham mecanismos semelhantes e o sistema esteja operando – quatro anos depois do cronograma inicial.
“O sistema vai garantir não apenas a segurança do paciente, mas também facilitar a vigilância sanitária e o controle da produção de medicamentos no Brasil”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, que deve participar da cerimônia de apresentação da plataforma.

Como novo sistema,embalagens de medicamentos deverão conter um código de barras bidimensional, uma espécie de RG.
Omecanismo permitirá a identificação do local e data da produção, forma de distribuição e ponto de comercialização.
“Tudo isso vai facilitar muito a identificação do produto, em casos de desvio de qualidade, em caso de necessidade de recolhimento”, disse Chioro.
O ministro está convicto de que o sistema permitirá um controle de toda a cadeia, tornando mais fácil reconhecer eventuais casos de fraude, contrabando, roubo de cargas.
A demora na implementação teve como principal causa a polêmica em torno da metodologia que seria adotada para a mudança das embalagens. A primeira proposta previa que o sistema teria um selo, produzido pela Casa da Moeda – modelo criticado pelo setor produtivo.
O impasse somente foi solucionado no ano passado, quando as novas regras foram aprovadas.
O cronograma prevê que, até dezembro de 2015, todas as indústrias coloquem no mercado pelo menos três lotes já produzidos com embalagem que permita o rastreamento. A partir de dezembro de 2016, todo o mercado farmacêutico terá de ter os mecanismos para fazer o rastreamento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comanda um comitê gestor formado por 25 entidades públicas, privadas e do terceiro setor encarregadas de discutir a implementação do sistema.



Rede para rastrear remédio começa a operar no Brasil
08/10/2014 - Folha de S.Paulo


BRASÍLIA - O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), que deveria estar em funcionamento no Brasil há pelo menos dois anos, dará nesta quarta-feira, 8, o primeiro passo para sair do papel. Será apresentada a primeira plataforma para rastrear medicamentos, desenvolvida pela farmacêutica Libbs. A meta é de que até dezembro de 2016 todas as indústrias tenham mecanismos semelhantes e o sistema esteja operando - quatro anos depois do cronograma inicial.
“O sistema vai garantir não apenas a segurança do paciente, mas também facilitar a vigilância sanitária e o controle da produção de medicamentos no Brasil”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, que deve participar da cerimônia de apresentação da plataforma.
Com o novo sistema, embalagens de medicamentos deverão conter um código de barras bidimensional, uma espécie de RG. O mecanismo permitirá a identificação do local e data da produção, forma de distribuição e ponto de comercialização.
“Tudo isso vai facilitar muito a identificação do produto, em casos de desvio de qualidade, em caso de necessidade de recolhimento”, disse Chioro.
O ministro está convicto de que o sistema permitirá um controle de toda a cadeia, tornando mais fácil reconhecer eventuais casos de fraude, contrabando, roubo de cargas.
A demora na implementação teve como principal causa a polêmica em torno da metodologia que seria adotada para a mudança das embalagens. A primeira proposta previa que o sistema teria um selo, produzido pela Casa da Moeda modelo criticado pelo setor produtivo.
O impasse somente foi solucionado no ano passado, quando as novas regras foram aprovadas. O cronograma prevê que, até dezembro de 2015, todas as indústrias coloquem no mercado pelo menos três lotes já produzidos com embalagem que permita o rastreamento. A partir de dezembro de 2016, todo o mercado farmacêutico terá de ter os mecanismos para fazer o rastreamento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comanda um comitê gestor formado por 25 entidades públicas, privadas e do terceiro setor encarregadas de discutir a implementação do sistema

 




Pesquisa e desenvolvimento

 

‘Erro não comprometeu os resultados’ , diz pesquisador da Fapesp
08/10/2014 - O Estado de S.Paulo

O pesquisador Javier Amadeo, atualmente professor da Unifesp, foi acusado de plágio em um projeto de pesquisa apresentado à Fapesp para solicitar bolsa de pós-doutorado, em 2007. Ele teria reproduzido sem aspas cerca de 30 linhas do livro As Revoluções do Poder, de Eunice Ostrensky. Amadeo recebeu a bolsa entre abril de 2008 e março de 2010.
Ele argumenta que o caso se resumiu a um erro de citação. “Foi um erro que não comprometeu os resultados da pesquisa, como a própria Fapesp reconheceu quando aprovou os relatórios científicos. Essa alegação nunca foi respondida”, disse. Segundo ele, o sumário publicado pela Fapesp toma por base informações parciais, elaboradas por quem tomou a decisão. “Discordo que tenha ocorrido a violação de boas práticas e ainda que devam ser tornadas públicas dessa maneira (as ações), já que se trata de um projeto interno”, afirmou.
O pesquisador declarou que não considera a decisão justa e solicitou uma revisão, que teria sido negada sem justificativa. “Não tive acesso à ampla defesa. Nunca tive acesso ao processo nem à denuncia, anônima.” Amadeo criticou a iniciativa de expor os sumários dos casos. O pesquisador afirmou que o caso teve impacto importante em sua vida pessoal e profissional.
“Buscarei fundamentos legais para preservar meus direitos ao ver publicadas informações parciais dessa maneira.” Outros analisados. Cláudio Airoldi não quis fazer comentários. Antonio Balloni não respondeu à reportagem até as 21 horas. Os pesquisadores Andreimar Soares e Flávio Vilela não foram localizados. De acordo com o ex-supervisor da pesquisa de Vilela, Francisco Rennó, o pesquisador se afastou da carreira acadêmica após o caso.



Saúde


 


Empresa japonesa de pneus cria área livre de ebola na Libéria
08/10/2014 - Valor Econômico

Com o vírus ebola explodindo na Libéria este ano, uma fazenda de produção de borracha iniciou um curso intensivo de como controlar a epidemia que já matou milhares de pessoas e desestabilizou governos na África Ocidental.

Em março, quando o primeiro caso surgiu na unidade da Libéria da japonesa Bridgestone, gestores da empresa se reuniram e buscaram a palavra "ebola" no Google, disse Ed Garcia, presidente da Firestone Natural Rubber Company. Depois, construíram duas clínicas isoladas para atender casos de ebola, usando contêineres de navios e filme plástico. Eles treinaram os encarregados da limpeza para enterrar os corpos das vítimas. Supervisores agrícolas mapearam o vírus enquanto ele se espalhava pelas casas, e professoras das escolas da empresa foram de porta em porta para explicar a doença.

"Foi como pilotar um avião e ler o manual de instruções ao mesmo tempo", disse Garcia. Seis meses depois, a Firestone virou o jogo da infecção e oferece um santuário de saúde num país onde o número de casos dobra a cada três semanas.

A maior ameaça da doença foi ilustrada na segunda-feira, quando uma enfermeira foi diagnosticada positivo para o ebola em Madri, depois de tratar um missionário que estava na África, dizem as autoridades. Foi a primeira suspeita de transmissão fora da África.

O vírus pode voltar à Firestone. Mas, até a semana passada, não havia registro de nenhum caso de infecção entre os 8.500 empregados da empresa e seus 71.500 dependentes. A clínica da empresa para o ebola, que possui comodidades como ventiladores de teto, estava vazia na quarta-feira passada.

Em Monróvia, capital da Libéria, os hospitais estão lotados, com muitas mortes diárias. A diferença não é nenhuma tática revolucionária da Firestone para combater a doença, segundo especialistas de saúde e executivos da empresa. Mas ela tem dinheiro, recursos humanos e organização para enfrentar a epidemia, o que falta a vários governos da África Ocidental.

Mais de 3.400 pessoas morreram na África Ocidental, segundo os números mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Muito mais gente morreu em casa, infectando suas famílias sem entrar num hospital, informa a agência para controle e prevenção de doenças dos EUA. A cada hora, cinco pessoas são infectadas em Serra Leoa, informou a organização não governamental britânica Save The Children na semana passada.

Além de expor a fraca assistência médica na África Ocidental, a epidemia também revelou o abismo cada vez maior entre as instalações desses governos e os recursos de empresas das quais dependem. Uma guerra de 14 anos deixou a Libéria, assim como o seringal da Firestone, em ruínas. Dez anos depois, só a Firestone se reconstruiu.

O contágio tem crescido além do que os governos africanos podem administrar. Tropas e médicos americanos e britânicos - até da pequena Cuba - chegaram para ajudar a construir hospitais e atender os doentes. Segundo especialistas, a epidemia de ebola está indo em direção às fronteiras de Máli, Guiné-Bissau e Costa do Marfim, países que também estão se recuperando de guerras civis.

O ebola está agora em todas as regiões da Libéria. Ele também está bem perto da Firestone, do outro lado do rio próximo à fazenda da empresa. "Algumas vilas estão sendo dizimadas", disse Garcia.

Há quase um século, no início da era do automóvel, a Libéria apostou seu futuro na borracha. Os homens que governaram essa terra, descendentes de escravos americanos libertados, fizeram dívidas enormes com a Firestone. Eles queriam construir uma república industrial moderna na África, nos moldes dos EUA. Em vez disso, a Libéria ficou insolvente e, em 1989, veio a guerra civil, que terminou em 2013, deixando 250 mil mortos. Um terço da população fugiu, segundo a ONU, e quem voltou encontrou o país destruído.

Durante a guerra, faltou cuidado com os seringais da Firestone, a maior plantação contínua do mundo. Assim, a produção deve voltar aos níveis de 1989 só em 2032, diz Garcia. Fora da Firestone, a Libéria pouco se reconstruiu.

Antes de o ebola eclodir, o país tinha a segunda menor proporção do mundo de médicos na sua população, segundo a OMS. Hoje, provavelmente há mais médicos liberianos nos EUA do que na Libéria, disse Lewis Brown, o ministro da Informação do país. Os médicos que ficam começam ganhando US$ 1.000 por mês em hospitais do governo, onde faltam os itens mais básicos, como luvas de borracha.

Essas deficiências criam um ambiente fértil para uma epidemia.

Os liberianos fora da Firestone estão frustrados. A funerária de Marcus Speare enterrou 104 pessoas em agosto, a maioria casos prováveis ou confirmados de ebola, e muitas delas seus amigos. Ninguém conseguiu um leito no hospital da Firestone.

"A Firestone só aceita pessoas da Firestone", lamenta Speare. "Eu não acho isso certo."

A equipe médica da Firestone diz que eles simplesmente não podem ampliar o atendimento além da fazenda sem colocar todos em risco. Eles já mandaram ambulâncias embora.

Mas, com o número de casos aumentando, a empresa está reconsiderando a sua posição. Uma família com 16 pessoas recentemente apareceu no hospital da Firestone e todos foram aceitos ou colocados em quarentena, segundo o médico-chefe, Lyndon Mabande.

"Nós estamos rodeados por regiões de risco", disse Garcia, olhando em um mapa. "E eles estão entrando na nossa fazenda."



Europa terá mais casos de ebola, diz OMS
08/10/2014 - Folha de S.Paulo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou na terça-feira (7) ser quase certo que a Europa terá mais casos de ebola depois que a auxiliar de enfermagem espanhola Teresa Ramiro, 40, tornou-se a primeira pessoa a ser infectada fora da África.

"Tais incidentes serão praticamente inevitáveis por causa das viagens europeias para os países afetados e vice-versa", disse a diretora europeia da organização, Zsuzsanna Jakab.

No entanto, Jakab afirmou que "o mais importante é que a Europa ainda apresenta baixo risco para a doença, com a região ocidental do continente sendo a mais bem preparada para responder a febres hemorrágicas virais, incluindo a do ebola".

Em meio aos temores de disseminação da doença, Rafael Perez-Santamaria, chefe do Hospital Carlos 3º, onde a auxiliar tratou dois missionários espanhóis que contraíram o vírus na África, disse que a equipe médica "está revisando os protocolos".

Profissionais de saúde disseram ao jornal "El País" que, apesar de o hospital de Madri ter procedimentos rígidos para lidar com o vírus, as roupas usadas tinham proteção de nível dois contra ameaças biológicas. No nível quatro, as vestimentas seriam totalmente à prova d'água e teriam um aparelho de respiração independente.

Em frente ao Hospital La Paz, médicos e enfermeiras protestaram reivindicando mais informações sobre o caso. "Como os métodos de transmissão e prevenção são bem conhecidos, está claro que algum erro foi cometido", disse a Associação Médica de Madri em comunicado.

A Comissão Europeia pediu que a Espanha apresente nesta quarta-feira (8) ao Comitê de Segurança Sanitária explicações sobre as falhas do sistema de saúde que permitiram o contágio da auxiliar de enfermagem, disse o porta-voz Frederic Vincent. "Quando for identificada, a falha servirá de exemplo aos outros países", explicou.

Para diminuir o risco de contágio, autoridades em Madri consideram até matar o cachorro da mulher doente.

A medida foi cogitada no mesmo dia em que três pessoas foram internadas por precaução.

O marido da auxiliar de enfermagem, identificado como Javier L. R., é o caso mais preocupante.

Também está em observação um engenheiro espanhol que trabalhava na Nigéria. Seu primeiro exame deu negativo e, nesta quarta-feira (8), outro deve ser feito para descartar a infecção.

Uma enfermeira foi colocada em quarentena, mas dois testes mostraram que não está contaminada.

Além disso, são mantidas em vigilância 22 pessoas com quem a paciente teve contato no Hospital de Alcorcón, onde está internada desde domingo (5), e 30 profissionais do Carlos 3º, onde os missionários morreram.


Expert em Ebola sugere monitorar aeroportos
08/10/2014 - O Estado de S.Paulo


O Brasil deve concentrar seu plano de prevenção contra o Ebola nos aeroportos,controlando as portas de entrada do País.O alerta é de Peter Piot, microbiólogo belga que descobriu o vírus em 1976 e hoje atua como consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) diante do pior surto da doença na história.
Em entrevista ao Estado, Piot deixa claro que todos os países precisam estar preparados.“ Da mesma forma que o vírus chegou à Espanha, ele também pode chegar ao Brasil”, disse.
“As pessoas viajam e não há uma fronteira para o vírus”, declarou o cientista da London School of Hygiene. “Não existe motivo para pensar que o Brasil não seria afetado.” Considerado o maior especialista no mundo sobre Ebola, ele insiste que a forma mais eficiente de trabalho é a prevenção.
“Essa deve ser a principal atenção do Brasil: reforçar os controles nos aeroportos”, insistiu.
Em 1976,Piot percorreu dezenas de vilarejos pelo Zaire para entender como um novo vírus era transmitido. Três meses depois de detectar o primeiro surto, a doença foi controlada.Mas deixou 300 mortos. Agora, ele começa a liderar na OMS um grupo de especialistas que tem como missão coordenar a resposta científica.
Para o cientista, a chave para barrar uma contaminação em outras regiões do mundo é atacar o surto no Oeste da África.
Piot não esconde que teme que casos identificados nos Estados Unidos e na Espanha acabem tirando o foco da comunidade internacional: o problema real está na África. “A única forma de prevenção é controlar esse surto nos países africanos”, disse, em Genebra.
Piot chega a ser irônico ao falar da repercussão do surto atual. “Foram necessários dois americanos contaminados para que o mundo mobilizasse recursos”, atacou. “Esse é o mundo.” Ainda ontem, o Pentágono informou que destinará US$ 750 milhões para o combate à doença e os 4 mil militares mobilizados para atuar na África Ocidental podem ficar até um ano em missão.
Sobre o caso da enfermeira espanhola contaminada por um doente repatriado, o cientista belga também não mostra surpresa.“ O risco sempre existiu e eu avisei.”Segundo ele,nem todos os hospitais estão prontos para agir nesses casos. “Ninguém na Europa tem experiência com isso e um pequeno erro pode ser fatal. Por isso, o caso de Madri é uma lição a todos.
Ninguém tem o direito de achar hoje que está exagerando nas medidas de precaução.Elasprecisam ser adotadas”, insistiu.
Teresa Romero Ramos apresentou se como voluntária para cuidar de dois sacerdotes espanhóis infectados. Depois de confirmada sua contaminação, 50 pessoas agora estão sob vigilância sanitária – 22 tiveram contato direto com a auxiliar de enfermagem de 44 anos e 4 foram internadas. A perspectiva de que até o cachorro de Teresa fosse sacrificado, por medo da doença, mobilizou defensores dos direitos dos animais.
Falha. Em entrevista ao Estado, Piot ainda deixa claro que a OMS falhou. “Parar a epidemia é uma prioridade.
O mundo parece que finalmente acordou.
Existe uma aceleração no desenvolvimento de tratamentos, de vacinas. Mas agora é importante que isso seja feito de forma coordenada.” Nos Estados Unidos, os dois pacientes em tratamento,um deles em estado grave, estão recebendo uma nova droga experimental, chamada Brincidofovir.


 

Notícias– 06/10/2014

  

 

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Mercado aberto: Genéricos são responsáveis por 21,5% da receita de laboratórios
06/10/2014 - Folha de S.Paulo

 

A participação dos medicamentos genéricos no faturamento de nove dos dez maiores laboratórios do país chegou a 21,5% em julho deste ano. Em unidades produzidas, a parcela alcançou 24,5%, de acordo com pesquisa da PróGenéricos (associação do setor).

Em países europeus, esses medicamentos correspondem a 60% do volume vendido. Nos EUA, a 70%, ainda segundo a entidade.

"No Brasil, à medida que diminui a resistência dos médicos e da população aos genéricos, a participação cresce. O aumento do portfólio também favorece", afirma a presidente da entidade, Telma Salles.

"Esses medicamentos estão puxando a indústria farmacêutica há algum tempo. No ano passado, enquanto o mercado em geral cresceu cerca de 9%, o de genéricos avançou ao redor de 11%", acrescenta a executiva.

Juntos, os nove laboratórios faturaram US$ 5,9 bilhões com as vendas no segmento entre agosto de 2013 e julho de 2014 -alta de 12,3% antes os 12 meses anteriores.

O valor representa 90% da receita total do mercado de genéricos no período.
 


Efeitos colaterais são raros, dizem médicos e fabricantes da pílula
06/10/2014 - Folha de S.Paulo

Desde que prescrito por um médico após avaliação clínica da paciente, e descartados fatores de risco como tabagismo, hipertensão, obesidade e histórico de tromboembolismo, a utilização da pílula anticoncepcional é segura, afirma a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).


Marta Franco Finotti, presidente da comissão de anticoncepção da federação, afirma que episódios de tromboembolismo são raros e que avaliações internacionais indicam que o benefício do uso da pílula supera o risco.

Segundo ela, cinco casos de tromboembolismo são esperados a cada 100 mil mulheres não usuárias de pílula, incidência que sobe para 15 a 20 casos entre quem toma pílula e para 56 entre mulheres grávidas.

"Deixar de tomar a pílula e ter uma gravidez é um fator de risco muito maior. Isso faz com que a gente continue prescrevendo e pedindo exames quando temos uma suspeita clínica. Para investigar risco de tromboembolismo são necessários vários exames, o que inviabilizaria o uso [da pílula se feitos na população total]. E ainda não daria certeza de ela não ter o problema."

Após intensa discussão, em 2011, o FDA (agência norte-americana que regula fármacos e alimentos) manteve liberada a venda da drospirenona, princípio ativo da Yasmin, apesar de estudos apontarem para possíveis riscos mais elevados da formação de coágulos --que podem provocar o tromboembolismo-- em comparação com o levonorgestrel (outro princípio ativo de pílulas).

Outro contraceptivo, a Diane 35, também foi alvo de questionamentos sobre sua relação com episódios como o da professora. Em 2013, o produto chegou a ter o uso suspenso na França. Finotti diz, porém, que a suspensão foi breve, sem que tenham sido encontrados novos dados que contraindicassem o medicamento.

A Bayer, que vende a Yasmin no Brasil, reafirmou a segurança do contraceptivo e lembrou uma decisão da Comissão Europeia, de janeiro deste ano, na qual não foram achadas evidências para mudar a avaliação de risco do medicamento.

Cinco milhões de mulheres usam a Yasmin em mais de cem países, diz a Bayer.

A Anvisa afirmou que cabe aos serviços de saúde e às empresas detentoras dos registros dos remédios notificar a agência sobre eventos adversos graves, mas que o relato é voluntário para os médicos, por falta de lei que determine o contrário.

Entre 2009 e 2014, diz a Anvisa, houve três registros no sistema Notivisa de problemas semelhantes ao da professora após o uso da Yasmin.
 


Risco em pílulas
06/10/2014 - Folha de S.Paulo

RESUMO A professora universitária Carla Simone Castro, 41, teve uma trombose cerebral seis meses após iniciar o uso de um anticoncepcional. Ela relatou o caso em um vídeo postado na rede e compartilhado por quase 140 mil pessoas. Carla e uma vítima de embolia pulmonar abriram uma página no Facebook para alertar mulheres sobre efeitos adversos da pílula.

Comecei a tomar anticoncepcional, com receita médica, em janeiro deste ano, porque sofro de miomas uterinos. Fui a uma ginecologista, fiz uma série de exames, incluindo exames cardíacos. Nunca tinha tomado anticoncepcional na vida.
Comecei a ter muita dor de cabeça. Só que, por azar, 30 dias antes eu tinha recebido diagnóstico de sinusite, então a médica dizia que provavelmente [a dor] era disso.
No dia 8 de agosto, acordei com muita dor e uma congestão nasal diferente, parecia que meu nariz estava entupido dentro da cabeça.
Fui a uma otorrino, ela disse que eu estava com uma crise alérgica e me receitou anti-inflamatórios.
No dia seguinte, acordei com a visão duplicada e, na manhã seguinte, acordei sem enxergar nada. A dor me fazia ter vontade de bater a cabeça na parede.
Fui ao hospital, passei por três neurologistas, fiz duas tomografias. Recebi o diagnóstico de enxaqueca e crise de ansiedade. Marcamos uma ressonância, e o laudo foi trombose venosa cerebral.
No consultório, comecei a passar mal, tive uma convulsão durante uma coleta de sangue. Fui direto para a internação. Fiquei 55 dias com a visão duplicada. Agora estou só sem visão periférica.
Quando cheguei ao consultório do neurologista, não tinha movimento na perna direita. Primeira coisa que o médico me perguntou: "Você fuma, bebe, é hipertensa, diabética, tem histórico familiar?". Eu respondi que não. E ele me fez a pergunta clássica, que aparece em todos os depoimentos recolhidos na página do Facebook: "Você toma anticoncepcional?". Na hora que eu disse "sim", ele me mandou parar imediatamente. Eles não têm dúvida de que é o anticoncepcional.
Algumas pessoas têm uma predisposição à trombofilia, não podem tomar hormônio. Esse é um exame que os ginecologistas não pedem. Receitam anticoncepcional e só pedem o exame quando a paciente conta que já teve um caso na família.
Mas nada impede que ela seja o primeiro caso. Pelos exames até agora, não há confirmação de que eu tenha predisposição genética.
VÍDEO Fiz um vídeo para contar aos meus amigos e alunos o que tinha acontecido e ele foi compartilhado 140 mil vezes. Comecei a receber relatos de problemas parecidos com o meu. Abri uma página no Facebook chamada "Vítimas de anticoncepcionais". Já recebemos mais de mil relatos em duas semanas.
Perguntei à Anvisa sobre o remédio que tomei, da Bayer, o Yasmin, que contém a drospirenona --mas os relatos que começamos a receber são de todas as marcas.
Perguntei à Anvisa quantos relatos existiam de problemas como o meu, que os laboratórios afirmam ser raríssimos. A Anvisa me disse que, em dez anos, recebeu três. Mas descobri que a agência não obriga médicos a relatarem esses problemas.
Só de trombose cerebral, tenho 108 relatos. Como os laboratórios e o governo podem afirmar que o que aconteceu comigo e com as outras pessoas são casos raros se o Brasil não tem estatísticas? Tenho relatos de pessoas que estão sem andar, que ficaram em coma, que amputaram membro, perderam a visão. Todos os médicos associam ao anticoncepcional.
Não há um controle da venda desse medicamento, qualquer menina de 14 anos compra na farmácia.
Nem todo mundo que fuma vai ter câncer, nem todo mundo que toma anticoncepcional vai ter trombose. Mas, se tem risco, tem que ser comunicado. Está na bula, mas ninguém lê bula. Vou fazer uma denúncia ao Ministério Público Federal, vou brigar por um aviso na embalagem.
 


Corrida por vacinas contra vírus que mata suínos
06/10/2014 - Valor Econômico

As farmacêuticas estão correndo para criar vacinas que detenham o vírus suíno mortal que vem assolando o segmento de carnes nos EUA e impulsionado os preços da carne suína a patamares recorde.

Duas empresas (Harrisvaccines, de pequeno porte, e Zoetis, uma das maiores do mundo na área de saúde animal) receberam aprovação regulatória condicional nos últimos meses para comercializar vacinas contra o vírus - conhecido como diarreia epidêmica suína (PED), que já se espalhou por 31 Estados dos EUA e matou milhões de porcos jovens desde que foi identificado pela primeira vez no país, em abril de 2013.
Pelo menos duas outras empresas - a americana Merck Sharp & Dohme e a alemã Boehringer Ingelheim - afirmam que também estão tentando desenvolver suas vacinas.
Criadores de suínos e frigoríficos esperam que as vacinas possam conter uma doença que vem confundindo cientistas e reguladores, ainda em dúvida sobre suas causas e mecanismos de contágio. O vírus é fatal apenas para os animais jovens e não ameaça a saúde humana ou a segurança alimentar, segundo cientistas.
O vírus reduziu a oferta de suínos nos EUA, o que elevou os custos para processadores de carne, varejistas e consumidores. O preço médio da carne suína no varejo americano subiu 12% no período de 12 meses terminado em agosto, para um nível recorde de US$ 9,26 o quilo, segundo estatísticas do governo federal.
A rápida aprovação das novas vacinas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reflete a urgência com que o governo e o segmento de saúde animal buscam soluções. As empresas da área faturam cerca de US$ 6 bilhões por ano com vendas de vacinas em todo o mundo, de acordo com a companhia escocesa de pesquisas Vetnosis.
Grandes produtores de suínos, como Cargill e Maschoffs, estão experimentando as vacinas, embora muitos no segmento afirmem que não esperam que elas se tornem uma cura universal, até porque outras vacinas para vírus suínos semelhantes tiveram sucesso limitado.
Produtores e veterinários "estão extremamente frustrados e procurando por todas as opções viáveis para controlar o vírus", diz Aaron Lower, veterinário da Carthage Veterinary Service, empresa de Illinois que oferece consultoria a criadores.
Estima-se que mais de 8 milhões de animais já morreram por causa do vírus desde que ele foi descoberto nos EUA. A produção de carne suína no país caiu 1,8% este ano, segundo o USDA, e os preços dos contratos futuros de suínos já abatidos atingiram o recorde de US$ 1,33875 a libra (0,45 quilo) em julho. Os preços caíram nos últimos dois meses, em parte porque menos surtos foram registrados que no início do ano. É provável que temperaturas mais elevadas dificultem a sobrevivência do vírus.
Mike Martin, porta-voz da Cargill, quarta maior empresa processadora de carne suína dos EUA, diz que a companhia confia que as duas vacinas aprovadas ajudarão os jovens animais a sobreviver. De acordo com ele, o produto da Harrisvaccines foi utilizado pela Cargill e já ajudou.
Em junho, a Harrisvaccines se tornou a primeira empresa a receber aprovação condicional do USDA para vender a vacina contra o vírus suíno. Isso significa que a companhia pode distribuir o tratamento diretamente para produtores de porcos ou veterinários enquanto aguarda a licença integral.
O sistema de licenciamento condicional do USDA, que está disponível para empresas de saúde animal desde 1985, exige que as empresas demonstrem em testes de campo que seus tratamentos são seguros. Elas também devem fornecer dados de testes que indiquem que o produto é provavelmente eficaz.
Antes de receber a aprovação do USDA, a Harrisvaccines vendia sua vacina como um tratamento experimental. Os produtores de suínos tinham que obter uma receita de um veterinário licenciado. A empresa afirma que vendeu 2,6 milhões de doses desde que lançou, em agosto de 2013, a vacina - cuja dose, que custa US$ 3, é administrada em suínas adultas na esperança de que a imunidade seja transmitida para suas crias. A empresa recomenda que as suínas recebam duas doses.
A tecnologia da Harrisvaccines, que é sediada em Iowa, utiliza sequenciamento genético para identificar um gene no vírus suíno que os pesquisadores acreditam que pode criar imunidade. Os pesquisadores inseriram esse material genético em um vírus enfraquecido quimicamente e criaram uma vacina que é chamada de vetorial.
O rápido desenvolvimento de uma vacina foi uma vantagem para essa pequena empresa de capital fechado, que foi criada em 2006 e emprega cerca de 40 pessoas. Com isso, seu faturamento deverá dobrar este ano, para cerca de US$ 8 milhões, conforme Joel Harris, diretor de vendas e marketing e filho do diretor-presidente e fundador, Hank Harris.
Em uma tarde recente, o Harris mais velho estava em um laboratório de pesquisas em Iowa, onde ele e outros pesquisadores vêm testando produtos para combater doenças altamente infecciosas de rebanhos. Ele disse que a tecnologia que a Harrisvaccines usa para o vírus suíno pode ser promissora em outras áreas.
Já a Zoetis recebeu a aprovação condicional para a sua vacina contra o vírus suíno no início de setembro.
 


Filme contrapõe realidade dos pacientes e burocracia estatal
06/10/2014 - Folha de S.Paulo

Na primeira cena de "Ilegal", Katiele Fischer, mãe de Anny, uma menina de cinco anos, telefona para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pedindo a liberação do medicamento da filha.

Anny sofre de um tipo incurável de epilepsia, que lhe causa cerca de oito convulsões por dia. O remédio, Canabidiol (CBD), tem na composição a Cannabis sativa, e está retido nos Correios, vindo dos Estados Unidos. Katiele não tem sucesso. A atendente sugere que ela leia uma norma da agência e procure os Correios.

A cena contrapõe duas realidades: a realidade fria da burocracia estatal e a realidade trágica dos pacientes que precisam da maconha medicinal e ficam à mercê da lentidão e incompetência do Estado.

Mais que um documentário sobre o uso terapêutico da maconha, "Ilegal" é um relato dolorido sobre famílias condenadas a sofrer por causa da burocracia, ignorância e atraso.

O que dizer de uma mãe que usa maconha para aliviar dores causadas pela arrasadora quimioterapia a que teve de se submeter e acaba acusada de tráfico internacional de drogas? Ou de médicos que temem prescrever CBD, com medo de serem proibidos de trabalhar? Ou de mães que, temendo a polícia, recebem os remédios do exterior escondidos em caixas de presentes?

Em outra cena marcante, Katiele anda pelos corredores do Congresso Nacional, depois de pedir a deputados a retirada do CBD da lista de remédios proibidos e de ouvir promessa em cima de promessa. "Agora vai!", diz, cheia de esperança.

Mas ela logo descobre que, em Brasília, ninguém tem a mesma pressa que ela.

ANDRÉ BARCINSKI é jornalista e autor do livro "Pavões Misteriosos" (Três Estrelas)

ILEGAL
DIREÇÃO Raphael Erichsen e Tarso Araújo
PRODUÇÃO Brasil, 2014
AVALIAÇÃO bom


Sinais de fumaça
06/10/2014 - Folha de S.Paulo

Aos cinco anos de idade, Anny Fischer tinha mais de oito convulsões por dia. Com 35 dias de vida, Sofia Brito teve a primeira crise epiléptica. Eram casos sem remédio, até a descoberta do canabidiol, retirado da maconha.

Apesar de a substância ser proibida no Brasil, Katiele e Margarete, mães, respectivamente, das duas meninas, não hesitaram em importá-la dos Estados Unidos, onde é comercializada. Sua batalha para trazer o remédio legalmente ao Brasil é o ponto de partida do filme "Ilegal", que estreia nesta quinta em 20 cidades do Brasil (incluindo quatro salas em São Paulo).

O documentário nasceu de reportagem sobre maconha medicinal escrita pelo jornalista Tarso Araújo --codiretor do longa, com Raphael Erichsen-- para a revista "Superinteressante", que o produz.

Durante as pesquisas para o texto, Tarso deparou-se com Katiele. "Eu queria contar a história dela para ver se sensibilizava um juiz que a ajudasse a conseguir o remédio de maneira legal", conta.

A primeira ideia que teve foi lançar um curta. "Queria que as pessoas vissem e pensassem: Caraca, mas maconha é remédio?'."

Lançado no fim de março na internet, o curta chamou a atenção do programa "Fantástico", da Globo, que propôs a pergunta: Se você fosse pai ou mãe de uma criança como Anny, importaria o remédio apesar da proibição?

A história ganhou repercussão na mídia e Katiele conseguiu na Justiça uma autorização especial para importar o CBD, substância não psicoativa --ou seja, que não dá "barato"-- encontrada na Cannabis sativa. Tomando o CBD, conta o documentário, Anny passou de 60 convulsões semanais a zero.

BRASÍLIA

Para conseguir uma autorização é preciso ter o pedido de um médico. Como a substância é proibida no Brasil --mas não nos EUA, onde a maconha medicinal é legalizada em 23 Estados--, poucos se dispõem a fazê-lo.

Katiele não se deu por satisfeita em obter o remédio apenas para a filha e, com outras mães, como Margarete, foi a Brasília, conversou com políticos e participou de reuniões pela legalização do CBD.

O processo foi acompanhado por Tarso e Raphael, que transformaram o curta em longa em seis meses. O filme não se limita a acompanhar a briga pelo CBD e retrata pessoas que usam maconha de outras formas como tratamento, para problemas que vão de dor crônica a efeitos colaterais de quimioterapia.

"A gente queria contar histórias. Não é um filme sobre maconha, é sobre luta e pessoas que se engajam numa causa", diz Raphael. "Não queremos que as pessoas saiam do cinema com estatísticas na cabeça, e sim que pensem: O que fazer agora?'."


Mais um efeito colateral dos antibióticos
06/10/2014 - IstoÉ

Médicos da Universidade da Pennsylvania, nos Estados Unidos, fizeram um alerta na semana passada. Segundo levantamento realizado pelos especialistas, crianças que tomaram antibióticos mais de quatro vezes antes dos dois anos possuem maior chance de ser obesas. A pesquisa foi publicada na última edição do jornal de Pediatria editado pela Associação Médica Americana.

Trata-se de um trabalho de fôlego. Os especialistas analisaram o histórico médico de mais de 64,5 mil crianças desde seu nascimento até os 5 anos de idade. Cerca de 70% fizeram tratamentos com antibióticos duas vezes antes mesmo de completarem dois anos. Entre o restante, aquelas que foram medicadas quatro ou mais vezes até essa idade apresentaram 10% mais chance de se tornar obesas quando chegaram aos 5 anos em comparação com as que receberam menos doses do medicamento.

Na opinião do médico Charles Bailey, coordenador do trabalho, a explicação para o fenômeno seria o papel que os antibióticos desempenham na mudança da flora bacteriana presente no trato digestivo e que, sabe-se hoje, tem impacto no controle do peso. "Achamos que depois dos antibióticos algumas das bactérias presentes naturalmente no corpo e que são eficientes para ajudar na manutenção de peso podem acabar morrendo", disse. "E aquelas que levam na direção contrária, prejudicando o metabolismo, tornam-se mais ativas", considerou.

Na investigação, verificou-se que o tipo de antibiótico também influencia o total de peso armazenado. Crianças medicadas com drogas indicadas para destruir tipos específicos de bactérias ganharam menos peso. Aquelas para as quais foram receitados antibióticos de espectro amplo (atingem tipos diversos de bactérias) engordavam mais. Entre a comunidade científica, o consenso é de que o resultado evidencia ainda mais a necessidade de tornar mais criteriosa a prescrição de antibióticos.

 

Pesquisa e desenvolvimento

 

Mulher dá à luz com útero transplantado

04/10/2014 - Folha de S.Paulo

Pela primeira vez no mundo, uma mulher deu à luz após receber um transplante de útero, informou nesta sexta (3) o médico que realizou o procedimento, na Suécia.


A mãe, de 36 anos, recebeu o útero de uma doadora próxima à família no ano passado. O bebê --um menino-- nasceu prematuro, mas saudável, no último mês. Mãe e filho estão em casa. As identidades da mulher e do pai não foram reveladas.

"O bebê é fantástico", disse o médico Mats Brannstrom, professor de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Gotemburgo, que liderou o estudo do qual a mulher fez parte.

O feito abre uma nova mas ainda experimental alternativa para mulheres que não podem engravidar por terem perdido o útero para um câncer, por exemplo, ou por terem nascido sem o órgão.

A iniciativa é controversa. A principal questão é se, do ponto de vista ético, o risco vale a pena para a doadora, a receptora e o bebê.

"Além do risco cirúrgico, a receptora do útero terá que tomar drogas imunossupressoras. Não sabemos o impacto disso, a longo prazo, para o bebê", afirma o médico Artur Dzik, diretor científico da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

Segundo ele, há alternativas (como o útero de substituição, a chamada "barriga de aluguel") mais seguras para a mulher que não tem útero e deseja um filho biológico. "Me parece muita vaidade do médico e da paciente."

Para Dzik, o transplante de útero não deve se tornar comum. "O transplante foi criado para salvar vidas. Você transplanta a córnea, a pessoa volta a ver. Transplanta o rim, ela sai da diálise."

Para os novos pais, no entanto, os anos de pesquisa valeram a espera. "Foi uma jornada muito difícil, mas nós agora temos o bebê mais maravilhoso do mundo", disse o pai. "Ele é lindo e nem chora, apenas resmunga."

Brannstrom e seus colegas transplantaram úteros em nove mulheres ao longo dos últimos dois anos como parte de um estudo, mas complicações forçaram a remoção de dois desses órgãos.

O médico implantou embriões nas outras sete mulheres. Ele disse que há duas outras gestações em andamento com ao menos 25 semanas.

Antes desses casos, houve duas tentativas de transplantar um útero --uma na Arábia Saudita e outra na Turquia-- que não resultaram em bebês.

Médicos na Grã-Bretanha, França, no Japão, na Turquia e em outros países estão planejando operações similares, mas usando doadoras mortas em vez de vivas.

A paciente sueca tem ovários saudáveis mas nasceu sem útero --uma síndrome que afeta uma em 4.500 meninas. Ela recebeu o útero de uma doadora de 61 anos, que já havia passado pela menopausa após ter dois filhos.

Seis semanas após o transplante, ela teve sua primeira menstruação --sinal de que o útero estava bem. Após um ano, foi implantado um embrião produzido em laboratório com o óvulo da mulher e o esperma de seu parceiro.

A mulher, que tem apenas um rim, teve três episódios de rejeição, inclusive durante a gravidez, resolvidos com o uso de medicamentos.

A gestação ia bem até a 31ª semana, quando a mãe desenvolveu pré-eclampsia (aumento da pressão arterial). Foi feita uma cesariana, e o bebê nasceu com 1,77 kg.

Detalhes sobre o caso serão publicados na revista científica "Lancet". Brannstrom disse que estava preocupado com a chance de terem lesionado o útero com o corte da cesariana. Eles terão que aguardar alguns meses para saber se a mãe poderá ter uma segunda gravidez.

Para os pais, a ideia de um segundo bebê ainda é prematura. "Nesse momento, estamos felizes com apenas um bebê", disse o pai.


Só 30% dos idosos com mais de 80 anos envelhecem bem em SP
05/10/2014 - Folha de S.Paulo


Só 30% dos idosos com mais de 80 anos que vivem em São Paulo têm um envelhecimento tido como "ótimo", ou seja, sem problemas funcionais ou cognitivos.

Os dados vêm de estudo inédito da USP, feito partir de projeto que monitora há 14 anos o envelhecer na capital.

Manter contato social, ser ativo fisicamente, não ter depressão ou outra doença mental, possuir mais de quatro anos de escolaridade e renda suficiente são os fatores que aumentam as chances de envelhecer bem.

Foram avaliados 363 idosos de várias regiões do município, acompanhados no Sabe (Projeto Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento). A amostra representa a população octogenária da cidade.

Esse grupo é o que mais cresce entre os idosos da capital. Em 2000, as pessoas com 80 anos ou mais representavam 12% dos 972 mil idosos paulistanos. Em 2010, essa faixa pulou para 15,3%.

"Não ter depressão é um dos principais fatores para um envelhecimento ótimo. A doença é muito subnotificada no idoso e negligenciada pelos serviços de saúde. As pessoas acham que é normal ficar tristinho' na velhice", diz a pesquisadora Yeda Duarte, professora da USP.

Dos idosos "ótimos", só 4,7% relataram ter depressão. Na outra ponta, dos que não estão envelhecendo bem, 73,5% relataram a doença.

A dona de casa Rosa Wainberg, 82, conhece bem os dois lados da moeda. Após a morte do marido, em 2002, retraiu-se. Não saía mais de casa. Via-se presa a uma vida triste e monótona. "Eu sei o que é ter depressão", diz.

Dois anos depois, decidiu dar uma guinada na vida. Matriculou-se na Universidade Aberta da Terceira Idade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e hoje coordena um grupo de meditação.

"Tem é que tirar as coisas ruins da cabeça para permitir a entrada das novas", afirma ela, que tem um filho, mas prefere morar sozinha.

O estudo aponta que, embora as mulheres vivam mais anos, os homens estão envelhecendo melhor: 42% deles tiveram o conceito "ótimo", contra 23,7% das mulheres.

Outros estudos já demonstraram que homens que chegam até a idade avançada tendem a ser mais ativos e independentes que mulheres da mesma faixa etária.

"Quanto mais idade, mais isso fica claro. Entre os centenários, é evidente. É um fenômeno universal", diz a geriatra Maysa Seabra Cendoroglo, professora da Unifesp.

Segundo ela, fatores genéticos e ambientais que podem contribuir para isso ainda estão sendo estudados.

Outro tema bastante pesquisado são as atividades e hábitos de vida que podem colaborar para um envelhecimento saudável.

O papel da atividade física como fator de proteção física e mental já está bem documentado. Mas agora estudos em modelos animais têm demonstrado que a interação social também produz benefícios semelhantes.

"A interação com o outro produz desafios constantes. Usamos recursos mentais e emocionais, o que estimula o aprendizado, a sair da zona de conforto", explica Maysa.

DOENÇAS

Envelhecer bem não significa não ter doenças. A grande maioria (84,4%) dos idosos "ótimos" têm uma ou mais doenças de base, como diabetes e hipertensão.


"Manter essas doenças bem controladas é fundamental para viver mais anos sem comprometimento funcional", explica a geriatra Maria Lúcia Lebrão, coordenadora do Sabe. Isso significa poder vestir-se, comer, ir ao banheiro e tomar banho sozinha, por exemplo.

Outro estudo, também com dados Sabe, mostrou que as chances de declínio cognitivo aumentam duas vezes e meia entre os idosos com dificuldades em desempenhar essas atividades diárias.

 

 

Saúde 

A polêmica dieta do hormônio da gravidez
06/10/2014 - IstoÉ

A lista dos regimes da moda ganhou mais um nome: a dieta do hCG. A dieta que conquista adeptos no País prescreve doses do hormônio gonadotrofina coriônica humana (a sigla em inglês é hCG) por cerca de 40 dias consecutivos. A substância é fabricada nos primeiros dias de gravidez e pode ser indicada em tratamentos de infertilidade e alterações no desenvolvimento de ovários e testículos.

A perda de peso acelerada foi o que atraiu a empresária Graciete Affini, de São Paulo. “Fiz exames antes de usar o hCG e conversei com o médico. Em 15 dias, perdi dez quilos e não tive efeito colateral.” Ao contrário de Graciete, a produtora Mônica Cosas, de Recife, não permaneceu na dieta. Ela queria se livrar de cinco quilos, mas interrompeu as injeções de hCG dez dias depois de começar a tomá-las. “Sentia fraqueza, tontura e tive problemas gastrointestinais”, conta. Ela também descobriu que tivera uma crise de hipotensão postural – queda na pressão arterial ao ficar em pé. “O médico disse que a doença se manifestou porque eu estava desidratada e tive infecção intestinal. Não se pode afirmar que algum desses problemas esteja ou não relacionado à dieta. Não há estudos e os sintomas coincidiram”, diz.

O regime teve seu primeiro momento de fama nos anos 1970. Agora, voltou com força. Para conter sua expansão, a agência reguladora americana FDA decidiu que a publicidade de produtos contendo o hormônio deve informar que ele não demonstrou ser uma terapia eficaz no tratamento da obesidade. Depois dos EUA, a dieta se popularizou em países como Argentina e Equador e agora se espalha pelo Brasil na base do boca a boca.

Mônica foi informada por seu médico que o hormônio a protegeria da perda de músculos que ocorre na dieta de baixas calorias a que se submeteria. Já Graciete ouviu que o hCG facilitaria a queima da gordura acumulada. Outro especialista disse que o hormônio simula uma gravidez e leva o corpo a consumir mais gordura para complementar o aporte de calorias necessário para se nutrir e nutrir o feto. Fica evidente o desencontro nas informações sobre a ação do hormônio. A pessoa emagrece, mas não sabe por quais mecanismos. Um é óbvio: a restrição calórica imposta pelo regime.
Dois médicos que indicam a dieta procurados por ISTOÉ não quiseram dar entrevista. Um terceiro disse que daria as informações, mas não iria se expor porque o hormônio é usado de modo off-label (a indicação não consta da bula). No entanto, remédios aprovados para diabetes, como o liraglutide (Victoza) e exenatide (Byetta), são abertamente ministrados de modo off-label contra a obesidade. A diferença é que há estudos comprovando sua eficácia no emagrecimento. Já sobre a ação do hCG, não há pesquisas que documentem sua eficiência ou possíveis efeitos colaterais.

Para o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Federação Mundial de Obesidade, não há relatos de graves danos colaterais a longo prazo por causa da dieta, mas o hCG não ajudaria em nada o emagrecimento. “O que leva à perda de peso nessa dieta é a grande restrição calórica”, diz. “Mas a chance de recuperar os quilos perdidos é alta quando a pessoa retoma a alimentação normal”, diz.


Paciente com ebola 'luta por sua vida', diz órgão dos EUA
06/10/2014 - Folha de S.Paulo

Thomas Eric Duncan, a primeira pessoa a ser diagnosticada com ebola nos EUA, lutava no domingo (5) por sua vida em um hospital de Dallas, Texas, e "aparentemente" não está recebendo nenhum remédio experimental para combater o vírus, disse Tom Frieden, diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA.

Duncan adoeceu depois de chegar da Libéria, há duas semanas. Sua entrada no país aumentou os temores de que a pior epidemia do ebola da história pudesse sair da África, onde começou em março, e se espalhar. A febre hemorrágica deixou ao menos 3.400 mortos entre os 7.490 casos prováveis, suspeitos e confirmados em pouco mais de seis meses no continente africano.

"O homem em Dallas, que luta por sua vida, é o único paciente a desenvolver ebola nos EUA", disse Frieden, que atualizará o presidente Barack Obama sobre o caso nesta segunda-feira (6).

Segundo Frieden, doses do remédio experimental ZMapp "acabaram", e o medicamento, produzido pela Mapp Biopharmaceutical, "não estará disponível em breve".

Questionado sobre uma segunda droga experimental produzida pela canadense Tekmira Pharmaceuticals Corp, ele afirmou que "é muito difícil para os pacientes tomá-la". O médico e a família do liberiano teriam de decidir usar a droga, afirmou Frieden. Ele acrescentou que, "se quiserem, terão acesso a ela".

"Pelo que entendemos, remédios experimentais não estão sendo usados [por Duncan]", afirmou. "Depende de seus médicos, dele mesmo e de sua família decidir qual tratamento adotar."

SEM-TETO

Também no domingo (5), autoridades disseram que um sem-teto que era procurado por ter tido algum tipo de exposição a Duncan foi encontrado no Texas após várias horas de busca.


O desabrigado não está entre as dez pessoas que comprovadamente tiveram contato com o liberiano de 42 anos. Nesse grupo estão sete funcionários de saúde e três membros da família ou de sua comunidade, disse Frieden.

Apesar disso, ele faz parte de um conjunto de 38 pessoas que podem ter tido alguma exposição a Duncan quando ele mostrou sintomas da doença após chegar aos EUA vindo da Libéria, no dia 20.

O juiz do condado de Dallas, Clay Jenkins, caracterizou o homem, que não foi identificado, de "baixo risco". Autoridades o haviam monitorado no sábado (4), mas querem medir sua temperatura regularmente para se assegurar de que ele não tem febre, que é um possível sintoma da doença.


Saúde responde
04/10/2014 - Folha de S.Paulo
 

Há mais de cinco anos tenho insônia. Não durmo à noite mesmo por um minuto. Dou vários cochilos ao longo do dia. Não fumo nem bebo. Faço caminhada. Tenho diabetes tipo 2 e pressão alta, ambas sob controle. Há solução?

NELSON BRANDÃO

Existem diversas causas possíveis para a insônia, como depressão, ansiedade e outros problemas psiquiátricos. Hipertensão e diabetes também podem contribuir para o quadro, diz o neurologista Luciano Ribeiro, do Instituto do Sono.

"Há muitos insones que estão dormindo mais do que acham. Eles podem ter algum sono reparador sem que percebam."

Segundo Ribeiro, a terapia comportamental cognitiva, que consiste no reaprendizado de como dormir, tem bons resultados e dura apenas 6 semanas. Ele recomenda procurar um especialista em medicina do sono e não tomar remédios sem receita médica porque, a longo prazo, eles podem piorar o problema.


Ebola sem fronteiras
04/10/2014 - Folha de S.Paulo


A confirmação do primeiro caso de ebola nos Estados Unidos ilustra bem o quanto podem ser frágeis as barreiras sanitárias dos países, inclusive dos mais desenvolvidos.

O paciente infectado chegou a procurar um hospital em Dallas assim que se manifestaram os primeiros sintomas da doença, mas foi mandado de volta para casa, mesmo tendo informado que chegara havia pouco da Libéria.

Tal despreparo, verificado na maior potência ocidental, só reforça a sensação de que a epidemia não tem recebido atenção compatível com sua gravidade. Não se trata de problema restrito a este ou àquele país; a comunidade internacional como um todo vacila diante da tragédia que se desenrola no oeste da África.

Têm sido insuficientes os esforços mundiais no enfrentamento do surto, que já infectou mais de 7.000 pessoas, deixando cerca de 3.350 mortos. De acordo com Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, esses números ainda devem crescer antes de o quadro melhorar, apesar do trabalho da entidade.

Nos piores cenários, modelos matemáticos projetam que, dada a taxa atual de disseminação do vírus na África, poderão ocorrer centenas de milhares de novas contaminações até o fim de 2014.

Tal multiplicação, assustadora em si, traz um risco extra: quanto mais tempo o ebola continuar se replicando em seres humanos, maior é a chance de que se torne mais contagioso. Não se descarta que o vírus, hoje transmissível apenas pelo contato com fluidos corporais, sofra mutações que permitam sua propagação pelo ar.

Embora seja improvável que isso ocorra, o mundo não deveria pagar para descobrir até que ponto vai a capacidade de adaptação do ebola.

São, de todo modo, muito prováveis --e reais-- os efeitos econômicos da epidemia. O Banco Mundial calcula que o PIB da Libéria encolherá cerca de 5% neste ano. Em Serra Leoa, o crescimento previsto de 11% seria reduzido para 2%.

Contrações dessa magnitude prejudicam qualquer país, mas são devastadoras em nações já paupérrimas --e também por isso a comunidade internacional deveria agir.

O Brasil, que no governo Lula aproximou-se da África, tem sido particularmente omisso. Prometeu contribuir com US$ 400 mil, enquanto a China anunciou doação de US$ 36 milhões, e a Índia, de US$ 12 milhões --para nada dizer dos US$ 175 milhões dos EUA.

Seria bom se o cálculo diplomático de outrora impulsionasse maior ajuda humanitária, à altura da projeção que o país quer ter.


Menina é internada na UTI após tomar vacina contra HPV
04/10/2014 - Folha de S.Paulo


Uma menina de 11 anos foi internada em São Paulo com dormência nas pernas e dificuldades para respirar após tomar a vacina contra o HPV. Segundo a família, a garota começou a passar mal na última semana. Ela tomou a segunda dose em 16 de setembro.

Na quarta (1º), após ter sido atendida em outro hospital, a menina foi transferida para a UTI do Hospital Municipal Carminio Caricchio. "Ela chegou com a respiração quase indo embora", disse a tia Regina de Fátima Alves, 49.

Não há comprovação de que a vacina tenha causado os sintomas, diz a Secretaria Municipal de Saúde, que apura o caso. É a primeira suspeita de reação registrada na cidade.

No início de setembro, 11 meninas foram socorridas em Bertioga, no litoral paulista, após sentirem dormência nos braços e nas pernas. Foram liberadas dias depois.

Na época, o Ministério da Saúde afirmou que uma síndrome de estresse pós-injeção pode ter causado os sintomas.

A vacina, dada em meninas de 11 a 13 anos, visa evitar o câncer de colo do útero --3ª maior causa de morte de mulheres por câncer no país.

Em nota, o ministério afirmou que a vacina é segura e utilizada como estratégia em outros 51 países, sem registros de eventos adversos. Mais de 900 mil meninas já tomaram a segunda dose. Na primeira, foram 4,5 milhões.


Plantão médico: Estrabismo e problemas emocionais
04/10/2014 - Folha de S.Paulo


Uma criança pode apresentar estrabismo ao nascer quando seus olhos não fixam o mesmo ponto ao mesmo tempo. Pode também ter o problema por vício de refração, necessitando de óculos.
O estrabismo deve ser tratado antes dos 4 anos, por exercícios de ortóptica ou cirurgia, quando indicados.
Sem tratamento e atenção de um oftalmologista, o portador pode perder a visão em um dos olhos, e uma futura operação no adulto será meramente estética.
Mas mesmo nessa fase terá o seu valor sob o ponto de vista emocional. Passará a ser chamado por amigos e vizinhos pelo nome e não mais por vesgo ou caolho.
O médico Geraldo de Barros Ribeiro e colaboradores do Hospital São Geraldo, da UFMG, em Belo Horizonte, relatam nos "Arquivos Brasileiros de Oftalmologia" que 74% de estrábicos sentem-se incomodados com o problema; 54,8%, inferiorizados; 12,1% têm dificuldade para ler e 14% têm percepção de profundidade alterada.
Os autores concluem que o estrabismo interfere na qualidade de vida funcional e psicossocial, mostrando a importância do tratamento, não importando a idade.
INCONTINÊNCIA O 44º Congresso da International Continence Society (www.ics.org/2014) será realizado no Rio, de 20 a 24 de outubro. No dia 22, às 15 h, o "Fórum de Consciência da Continência" estará aberto ao público. Inscrições pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..


 

 

 

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