Notícias - 25/09/2015

CLIPPING - 25/09/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Rastreabilidade viável e eficaz

24/09/2015 - Guia da Farmácia


Todos - indústria, atacado e varejo - têm claro entendimento de que a rastreabilidade de medicamentos deve ser levada a cabo. Mas será que basta a vontade desses atores para que o consumidor brasileiro tenha a seu dispor um sistema que funcione?

Os medicamentos comercializados no Brasil já possuem rastreabilidade há bastante tempo. Desde a publicação da Portaria n.° 802/1998, do Ministério da Saúde (MS), que instituiu o sistema de fiscalização e controle em toda a cadeia dos produtos farmacêuticos.

Com base na legislação existente, os sistemas de qualidade dos fabricantes e importadores de medicamentos garantem alto grau de segurança aos seus produtos. Por exemplo, a "raspadinha" nas embalagens permite que o próprio paciente verifique a originalidade do produto no momento da dispensação.

É possível, também, elaborar rapidamente um mapa de distribuição de todos os produtos comercializados, uma vez que cada nota fiscal emitida pelos fabricantes e distribuidores de medicamentos deve informar o lote, o quantitativo e o destinatário dos produtos.

É inegável a importância da Lei n.° 11.903/2009, que dispõe sobre o rastreamento da produção e do consumo de medicamentos. Entretanto, algumas barreiras relevantes foram detectadas durante os estudos de implantação realizados pelas indústrias farmacêuticas no Brasil.

A maioria das distribuidoras e do varejo sequer iniciou os trabalhos. E o setor público também não está preparado. Não podemos fazer uma rastreabilidade sem a efetiva participação de todos os agentes - inclusive o governo, que dispensa mais de 30% dos medicamentos produzidos no Brasil.

O setor industrial farmacêutico instalado no Brasil apoia toda e qualquer evolução da rastreabilidade que seja técnica e economicamente viável e, principalmente, sanitariamente responsável.

Sendo o sexto maior mercado farmacêutico do mundo, o Brasil necessita de regras que considerem sua magnitude. Sem uma implementação gradual, com prazos realistas, que levem em consideração todas as variáveis envolvidas, a rastreabilidade não existirá de fato, pois a cadeia farmacêutica não será capaz de atender à regulamentação.

Por isso, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) defende a prorrogação de prazo por três anos, a partir da regulamentação pela Anvisa, e a adoção de um cronograma equalizado com as necessidades e capacidades operacionais e financeiras do governo, laboratórios públicos e privados, atacado e varejo. Nos Estados Unidos, o sistema será introduzido em dez anos!

Não podemos e não devemos utilizar de dados e informações falsas, somente para atender aos interesses de grupos que querem a rastreabilidade, não para colocar um melhor produto no mercado, mas para criar um novo "negócio" na área da saúde, onerando todo o sistema.




Farmácias mostram potencial para a venda de produtos de higiene e beleza

25/09/2015 - DCI


Menos sensível à retração econômica, o segmento de higiene e beleza continua a investir para atrair consumidores. Com grande potencial para venda de protetores solar e dermocosméticos, as marcas estão de olho no canal de farmácias como principal distribuidor para elevar os ganhos.

"O canal farma disparou em volume de venda desta categoria. Outra questão é que os produtos têm preços mais baratos nas farmácias do que nos supermercados", afirmou o especialista da Inteligência de Varejo, Olegário Araújo durante seminário promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Nas grandes cadeias de farmácias, os dermocosméticos são os mais vendidos, uma vez que são itens indicados por dermatologistas. "Na farmácia, a consumidora já entra sabendo o que vai comprar e, nesse caso, mais que o dermatologista, os atendentes ou consultores treinados pelas marcas também têm influência nessa decisão", explicou a diretora de marketing e serviços da Johnson & Johnson, Tatiana Miana.

Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) o consumo de produtos de saúde movimentou R$ 77,9 bilhões de junho de 2014 a junho deste ano. O crescimento foi de 9,8% e impulsionado principalmente pelos itens de personal care (que são de higiene e cuidados pessoal; medicamentos isentos de prescrição e itens de nutrição). Hoje os não medicamentos têm participação de 33,42% das vendas das farmácias associadas a entidade.

Tatiana explica ainda que hoje os dermocosméticos têm 10% de participação no mercado e isso mostra a capacidade de avanço em vendas dessa categoria. "Tentamos incentivar a compra no ponto de venda. Temos gôndolas específicas e treinamos consultoras [próprias ou da farmácia] para dar suporte a consumidora", disse.

A explicação para todas as ações neste canal de venda está no tempo que a consumidora gasta na loja. "Essa é uma compra com propósito. Ela sai do dermatologista e vai na farmácia comprar o dermocosméticos, e temos que fazer com que ela escolha a nossa marca, que no caso é a ROC", explicou a executiva.

O canal farma tem tanta relevância que a Natura, especializada em venda direta, está vendendo produtos da linha SOU na Droga Raia, uma das bandeiras da Raia Drogasil. "Essa foi a forma da Natura, que está se reestruturando, investir na multicanalidade", diz o professor de Marketing da FGV-EAESP, Leandro Guissoni.

A Natura confirmou a parceria. "A venda da linha SOU na farmácia é um projeto piloto iniciado esse mês em lojas da Droga Raia e da Drogasil em Campinas", diz a empresa.

A Raia Drogasil afirmou ainda que "As farmácias têm registrado ótimo desempenho de venda de itens de cuidados pessoais e tem a vantagem competitiva de proporcionar grande conveniência a clientes. Novas experiências de compra podem vir a complementar e fortalecer a venda direta, principal canal da Natura, ao ampliar o acesso à marca e atingir novos consumidores."

Quem também tem se movimentado é a Avon, que também atua com venda direta. Segundo a gerente de marketing sênior, Josiane Schunck, a empresa está se reinventado: "Estudamos a possibilidade de criar uma linha exclusiva para a vendas na internet". A Avon também fez parceria com a Sephora para trazer a marca grega de cosméticos Korres.

Hábitos

Mesmo com o poder de consumo adquirido pelos brasileiros nos últimos anos, as mulheres não têm o costume de fazer tratamentos preventivos. Nove em cada 10 mulheres gastam com produtos para o cabelo - já que consideram o principal fator de beleza. Apenas duas dessas 10 mulheres adquirem produtos para o cuidado do rosto e uma das iniciativas tanto da indústria quanto do varejo é fazer ações de ativação no ponto de venda e lançar pacotes promocionais com produtos variados.

A mais recente parceria foi da L'Oréal Brasil com a rede supermercadista Extra, do Grupo Pão de Açúcar. As empresas criaram o "Espaço da Beleza", que reúne no local produtos variados para pele, cabelos, unhas e maquiagens, de marcas renomadas.




Não, sim: Toma Vacina

24/09/2015 - Revista Super Interessante


"Eu não vacino meu filho porque é meu direito decidir quais doenças erradicadas voltarão com tudo", escreveu o The Onion, um site humorístico americano que só publica noticias falsas. A declaração pode ser mentira, mas tira sarro de uma verdade preocupante: algumas doenças que foram eliminadas em países desenvolvidos andam reaparecendo nos últimos tempos. Em junho, a Espanha confirmou seu primeiro caso de difteria em 28 anos em um menino de 6 anos. Em 2013, os EUA tiveram a sua maior epidemia de coqueluche dos últimos 57 anos, com 48 mil infectados. E até a Disneylândia entrou na dança quando, em janeiro, virou epicentro de um surto de sarampo. Todas essas são doenças que a humanidade já havia controlado com vacinas. Esse retorno dos males do passado se deve à mais recente polêmica envolvendo as vacinas, que anda fazendo com que milhares de pais decidam não inocular seus filhos.

Há muitos motivos que levam os anti vacinistas - ou antivaxxers, termo popular em inglês - a optarem por essa decisão. O principal é o medo de que exista alguma relação entre vacina e o desenvolvimento de autismo - mas o receio de contrair diabetes e esclerose múltipla, pegar a doença para a qual a vacina foi criada, ter danos neurológicos e efeitos colaterais graves também são citados. O medo desses imprevistos -quase sempre infundado - fez com que a taxa de vacinação tenha despencado em vários países. No Reino Unido e na Irlanda, por exemplo, a taxa de cobertura da tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) chegava a 92% da população em 1996. Em 2002, ela era de 84%. Em Londres, isoladamente, caiu para 61%. A conseqüência, claro, foi um aumento nos casos de sarampo e caxumba, vários com fins trágicos. Um garoto de 13 anos foi a primeira vítima fatal de sarampo no Reino Unido em 14 anos.

A nova onda de descrença nas vacinas começou em 1998. Foi quando Andrew Wakefield. um médico do Royal Free Hospital School of Medicine, em Londres, publicou na revista científica britânica Vie Lancet um estudo pequeno que relacionava o desenvolvimento de autismo à tríplice viral. Foi um escândalo. Depois da pesquisa, a comunidade médica no mundo todo tentou confirmar a tal ligação - mas a conexão nunca foi comprovada. O que se concluiu foi que não havia quaisquer indícios de que a MMR causasse autismo. Wakefield teve sua licença médica cassada. Alguns jornais britânicos reportaram que tanto o hospital para o qual o médico trabalhava quanto ele próprio receberam dinheiro de advogados para levar a tal pesquisa adiante - estes, de olho no que seus clientes receberiam do governo como indenização, caso o estudo colasse. Seus clientes? Os pais das 12 crianças participantes do estudo. As denúncias foram apuradas pelo conselho médico britânico, e a conduta de Wakefield foi chamada de "desonesta e guiada por interesses pecuniários". Em 2010, o próprio conselho se referiu ao estudo como fraudulento. Mas o estrago estava feito.

Para deixar a história mais curiosa, é preciso levar em consideração também a influência da mídia na febre anti vacinista. Hollywood tem um papel importante na demonização da prática. Oprah Winfrey, Jim Carrey, Jenny McCarthy, Charlie Sheen e Rob Schneider são apenas algumas das celebridades que já se declararam contra vacinas. Não à toa, a Califórnia é justamente o lugar que abriga mais surtos de doenças evitáveis por todo os EUA. Em 2014, algumas escolas ricas de Los Angeles apresentavam uma taxa de vacinação de apenas 30% a 40% - menor do que países como o Chade ou Sudão do Sul (onde o acesso a vacinas é difícil). Mas seria fácil se pudéssemos chamar todo mundo que decide não vacinar os filhos de loucos. Infelizmente não é bem assim. Algumas preocupações com a prática podem ser consideradas legítimas.

O buraco é mais embaixo

Na grande (grande mesmo) maioria dos casos, as reações adversas das vacinas são chatinhas, mas toleráveis: febre, fraqueza, falta de apetite e dor no local da picada. Afinal, a ideia é que o organismo adoeça, mesmo que sutilmente, já que as injeções são produzidas a partir dos micro-organismos atenuados, mortos ou fragmentados. Os médicos estão acostumados com essas pequenas reações. O problema é que, em alguns casos, elas não param por aí.

Há registros, por exemplo, de contágio vacinai - em que o vacinado desenvolve a doença cuja vacina deveria prevenir - mundo afora. A vacina contra a polio-mielite, conhecida como VOP (ou Sabin, a "gotinha"), tem alguns desses casos. Segundo dados da Academia Americana de Pediatria, um em cada 2,7 milhões de vacinados pode desenvolver pólio a partir da vacina. As chances são muito pequenas: é mais fácil ser atingido por um raio três vezes em um único ano - mas acontecem. Um garoto de Washington, chamado David Salamone, foi um dos azarados. Em 1990, seus pais o levaram ainda bebê ao pediatra para sua dose de VOP. Após duas semanas, começaram a notar diferenças em seu comportamento: ele não conseguia mais se virar no berço, não girava a cabeça para os lados e não movimentava as pernas. Os médicos ficaram confusos. Dois anos se passaram assim. Pelo comportamento do bebê, além da paralisia, seus pais e os médicos notavam que ele sentia dor. Em certa altura, levaram-no a um reumato-logista, que fez vários tipos de exames e constatou: David tinha poliomielite. Contraído pela vacina.

Para evitar casos parecidos, hoje, a VOP tem sido substituída pela VIP (ou Salk, injetável), que possui vírus mortos em vez de atenuados. "Desde o segundo semestre de 2012, o Brasil adotou o esquema sequencial VIP-VOP. e a interrupção da VOP será cuidadosamente programada e planejada", diz Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações. Graças a casos como o acima, vacinas com micro-organismos vivos são cada vez menos comuns.

Para ainda ficarmos por aqui, há a recente polêmica da vacina contra o HPV, vírus que causa o câncer de colo de útero. Em 2014, o governo investiu pesado em sua divulgação. Seriam vacinadas meninas de 11 a 13 anos. A maioria delas apresentou alguns efeitos colaterais chatos, mas comuns: dor de cabeça, enjoo, mal-estar e fraqueza.

Mas em março de 2014, em Caxias, Rio Grande do Sul, foram investigados dois casos de convulsão cerca de uma hora após a vacina. Há relatos também de efeitos colaterais neurológicos. Essas são reações consideradas graves, e não há até então registros delas na literatura médica. Felizmente, pouco tempo depois dos ataques, as duas gaúchas melhoraram e tiveram alta sem sequelas.

"O fato é que a recomendação da vacina vem sendo questionada. O governo japonês, por exemplo, a abandonou após reação da sociedade, por casos de problemas graves em seguida à aplicação", disse no ano passado Daniel Becker, mestre em saúde pública e pediatra da UFRJ. Dentre os problemas graves, estão a síndrome de Guillain-Barré (uma doença neurológica), uveítes (inflamação da parte externa do olho), convulsões e encefalites agudas. "Muitos dirão que ainda não há estudos demonstrando a falta de segurança da vacina. Que as análises até agora não mostram relações causais. Mas os relatos se repetem em diversos países."

E o que se conclui a partir disso? Oficialmente, nada. Não há nenhum estudo comprovando que essas reações tenham sido causadas pelas injeções. E esse é um dos problemas das vacinas: enquanto não houver pesquisas abrangentes, é difícil provar a relação de causa e conseqüência entre elas e as doenças. Bernard Dalbergue, médico francês que trabalhou por 20 anos na Merck Sharp & Dohme, empresa que produz a vacina contra o HPV (Gardasil), disse em entrevista recente: "O certo é que não se tem efeito esperado na proteção do câncer de colo de útero, e sim muitos efeitos secundários. Minha previsão é que a Gardasil será o maior escândalo médico de todos os tempos". O francês publicou um livro quando saiu da empresa, ainda sem edição no Brasil, no qual ele relata a suposta corrupção da indústria farmacêutica. O médico tornou-se persona non grata na Merck após sua saída, que não foi pacífica. Então pode ser que ele esteja dando opiniões parciais sobre o assunto, por ter conflitos pessoais com a empresa. Mas vai saber. Outra preocupação que tem alguma - mas ainda assim pouca - razão de ser é com o timerosal. A substância é usada como conservante de vacinas, e contém mercúrio - e mercúrio causa danos ao sistema nervoso. A quantidade presente nas vacinas é ínfima e não faz mal algum a um adulto, mas alguns neurologistas argumentam que o timerosal pode impactar no desenvolvimento neurológico de bebês e crianças, mesmo que muito sutilmente. Assim, alguns países estão se esforçando para removê-lo das vacinas -nos EUA e Canadá, por exemplo, já estão banidos. Por aqui, as vacinas compradas desde 2001 são livres da substância, mas ainda há remessas mais antigas. Por outro lado, todas as pesquisas recentes indicam que as vacinas contendo o composto não são prejudiciais. E o FDA já deu a entender que tirou o timerosal mais para se livrar da polêmica do que por danos reais.

Questão de rebanho

Agora, voltemos à manchete do The Onion, citada no início da matéria. Na verdade, ela contém uma verdade: pais que decidem não vacinar seus filhos não estão fazendo uma escolha particular - fazem uma escolha que afeta toda uma comunidade. É que existe um negócio chamado "imunidade de rebanho", que funciona mais ou menos assim: indivíduos que recebem vacinas fazem com que haja diminuição da circulação do agente infeccioso na comunidade. Ao diminuir o número de pessoas suscetíveis, diminui também a chance de transmissão da doença para todos. Assim, os vacinados beneficiam indiretamente o grupo inteiro, inclusive aqueles que não tiveram acesso ã vacinação. Para que a catapora e a difteria não se propaguem, por exemplo, a imunidade de rebanho deve ser de 80%, no minimo. Para a coqueluche e o sarampo, a taxa é mais alta: 92 a 95%. "Quanto maior o nível de cobertura de uma vacina, maior é a idade média do primeiro contato com a doença. Isso favorece seu controle, pois adultos têm maior resposta imunológica", diz Carla.

O rebanho é importante porque nem todas as pessoas podem ser vacinadas. Grávidas, crianças com imunodeficiências, com câncer ou muito alérgicas, e alguns outros grupos não podem tomar todas as vacinas. Esses indivíduos dependem exclusivamente da imunidade de rebanho para se manter saudáveis -para eles, não é uma questão de escolha.

É com isso em mente que dá para entender por que tantos governos mundo afora interferem numa decisão que parece ser pessoal e tornam a vacina obrigatória. Ninguém que convive em sociedade está dentro de uma bolha. Recentemente, a Austrália cortou benefícios sociais de famílias que não vacinam seus filhos. A Califórnia aprovou uma lei que proíbe que pais deixem de vacinar seus filhos por motivos de "crenças pessoais". E, no Brasil, atender ao calendário básico de vacinação é obrigatório por lei. Caso chegue à justiça algum caso de ausência, a família pode ser multada e a pessoa, apreendida e levada para vacinação obrigatória. O argumento faz sentido: afinal, as vacinas já erradicaram doenças perigosas, como a varíola em 1980, e a pólio na América e na Europa nos anos 1990; além de controlar o tétano, o sarampo e a tuberculose no Brasil. Ao mesmo tempo, é estranho um governo obrigar você a injetar no próprio corpo uma substância estranha.

A solução é, claro, continuar pesquisando. Investigar casos suspeitos de reações adversas. Tentar se informar sobre os riscos em fontes confiáveis. Analisar os perigos e os benefícios. E fazer testes abrangentes antes de liberar uma vacina para toda uma população.




Aumento de 5.000% no preço de remédio contra malária provoca revolta nos EUA

23/09/2015 - Zero Hora Online


O aumento de 5.000% no preço de um medicamento para tratar infecções mortais provocou uma onda de indignação nos Estados Unidos, onde os tratamentos geralmente são vendidos a preços duas vezes mais altos do que em outros países desenvolvidos.

De um dia para outro, a farmacêutica Turing aumentou em 5.000% o preço do Daraprim, utilizado contra a malária e infecções derivadas do vírus de imunodeficiência humana (HIV) que dá origem à aids - fazendo com que o preço de um comprimido fosse de 13,50 dólares para 750 dólares.

A pré-candidata democrata à Casa Blanca Hillary Clinton chamou de "chocante" a decisão em uma mensagem postada no Twitter.

Na terça-feira, durante um comício de sua campanha, a ex-secretária de Estado também prometeu que, caso chegue à presidência, trabalhará para que as farmacêuticas reduzam os custos dos medicamentos. Suas declarações causaram a queda de mais de 4% das ações do setor nos mercados.

Depois de ter defendido o aumento com unhas e dentes, o presidente executivo da Turing, Martin Shkreli, ex-chefe de fundos de investimentos especulativos, finalmente voltou atrás na decisão diante da chuva de críticas e acusações de aproveitamento. Mas a empresa ainda não revelou o novo preço.

Shkreli explicou que o Daraprim, comercializado há 62 anos, não era rentável e prometeu financiar com os novos lucros pesquisas para melhorar o medicamento.

Há poucos dias, a pequena farmacêutica Rodelis Therapeutics desistiu de aumentar o preço da cicloserina - usada em casos raros e mortais de tuberculose multirresistente a antibióticos - de 480 a 10.800 dólares por 30 pastilhas, após a pressão de entidades médicas.

Mas além destes casos, os grandes laboratórios mundiais aproveitam-se de algumas regulamentações nos Estados Unidos para vender a preços exorbitantes medicamentos essenciais contra o câncer ou doenças cardiovasculares.

Segundo um estudo britânico cujos resultados serão apresentados no Congresso Europeu sobre Câncer em Viena no próximo final de semana, os laboratórios farmacêuticos faturam nos Estados Unidos até 600 vezes o custo de produção dos medicamentos, informou à AFP o professor de farmacologia Andrew Hill, da universidade de Liverpool e co-autor do relatório.

Por exemplo, os norte-americanos pagam mais de duas vezes o preço de medicamentos vendidos na Europa, entre eles os novos anti-cancerígenos Tarceva ou Glivec, das farmacêuticas Roche e Novartis respectivamente.

O custo real de produção do Tarceva, mais um lucro hipotético de 50%, é de 236 dólares por ano e por paciente. Mas por este tratamento, a indústria fatura atualmente 79.000 dólares nos Estados Unidos e cerca de 40.000 na Europa, apontou o estudo de Hill.

Enquanto isso, o custo de produção do Glivec - para o tratamento da leucemia - é de 159 dólares por ano e paciente, mas é vendido a 106.000 dólares nos Estados Unidos e entre 29.000 a 35.000 dólares na Europa.

Dentro de cinco anos, muitos destes novos anti-cancerígenos estarão disponíveis em sua versão genérica com a expiração das patentes farmacêuticas, que justificam os altos preços pela necessidade de financiar a pesquisa de novos medicamentos.

Na contramão da Europa, nos "Estados Unidos os grupos farmacêuticos podem faturar o quanto quiserem porque uma lei impede que as agências governamentais como Medicare negociem os preços dos medicamentos, com a exceção dos hospitais militares", ressaltou Hill.

O especialista também considerou que um problema importante é "a falta de organização" para desenvolver medicamentos genéricos ou para importar mais da Índia ou da China.




Uma em cada 3 pessoas pode desenvolver o Alzheimer aos 85 anos

23/09/2015 - G1 - Globo News


Estima-se que o Mal de Alzheimer deverá atingir cerca de 1,2 milhão de pessoas no Brasil. O principal fator de risco da doença é o envelhecimento, explica Sérgio Ferreira, do Instituto de Biofísica e Bioquímica, da UFRJ. A estimativa é que, aos 85 anos de idade, 1 em cada 3 pessoas possa desenvolver a doença.

O GloboNews Especial conta a história das dificuldades que passam familiares de idosos com Mal de Alzheimer, caso da nutricionista Patrícia Della Noce, cuidadora da mãe, de 89 anos, vítima da doença há 10 anos. “O Brasil está envelhecendo e, como todo mundo, não está preparado para receber esse boom de idosos com demência que vai aparecer”, avalia a geriatra Yolanda Boechat, da Universidade Federa Fluminense (UFF).




Mais neurônios, menos sono

24/09/2015 - O Globo


Um estudo realizado pela neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel propõe uma nova explicação para a evolução dos mamíferos na Terra: o sono. Mais especificamente, a característica do cérebro desses animais que determina a quantidade de descanso necessária. Os primeiros mamíferos que surgiram no planeta eram pequenos, com o comprimento medido em centímetros, mas, ao longo de milhões de anos, eles cresceram e se diversificaram em milhares de espécies de vários tamanhos. E para crescer, foi preciso comer mais, ter mais tempo para alimentação e, logo, menos tempo para dormir.

— Para o animal ser grande, ele precisa dormir pouco para ter muito tempo para se alimentar — explica Suzana, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. — Para isso, ele precisa de um cérebro que se contente com pouco sono, e a nossa descoberta é que a quantidade de horas que um mamífero precisa dormir depende, universalmente, da concentração de neurônios por área da superfície do cérebro.

Os primeiros mamíferos do planeta tinham poucos neurônios e dormiam muito, provavelmente entre 16 e 18 horas por dia. O estudo, publicado ontem na revista científica “Proceedings of the Royal Society B”, propõe que o aumento no número de neurônios corticais levou a uma queda na necessidade de sono, o que possibilitou mais tempo para alimentação e aumento da massa corporal, que, por sua vez, facilitou o acréscimo no número de células cerebrais por causa da maior ingestão calórica, criando um ciclo evolutivo.

“O aumento no número de neurônios, que levou à menor necessidade de sono, liberando mais horas para a alimentação, deve não apenas ter permitido, mas impulsionado a tendência de crescimento do cérebro e da massa corporal na evolução dos mamíferos”, destaca o estudo.

A explicação é que os metabólitos que induzem ao sono, como a adenosina, se acumulam, durante as horas de vigília, mais lentamente em córtices que possuem menor densidade neuronal. E, durante o sono, esses metabólitos são removidos mais rapidamente. Como regra geral, quanto maior o número de neurônios, menor a densidade, porque tanto as células como o cérebro crescem.REGRA NÃO SE APLICA AOS PRIMATAS

Mas isso não quer dizer que pessoas que dormem muito tenham menos neurônios que outras que dormem pouco. Entre os primatas, o cérebro cresce de forma proporcional ao aumento no número de neurônios, mantendo a mesma densidade. Por esse motivo, todos os primatas, incluindo o homem, têm praticamente a mesma necessidade de sono, entre oito e nove horas.

— Um primata com dez vezes mais neurônios que outro tem o cérebro dez vezes maior. Nos outros mamíferos, se um animal qualquer tiver dez vezes mais neurônios que outro, seu cérebro será 40 vezes maior — explica Suzana. — Mas essa regra também explica porque os filhotes, inclusive os nossos, dormem muito. De maneira geral, os mamíferos quando jovens possuem um cérebro pequeno. Conforme ele cresce, a densidade cai rapidamente e reduz a necessidade de sono.

O estudo avaliou dados de 24 espécies sobre número de horas dormidas por dia, massa cerebral, números de neurônios, densidade neuronal, área de superfície cortical e espessura da massa cinzenta no córtex. Os resultados são curiosos. Os morcegos dormem até 20 horas por dia e se alimentam por apenas duas; e elefantes dormem entre três e quatro horas diárias e gastam 18 horas se alimentando.

Apesar de terem cérebros grandes, os carnívoros são bastante dorminhocos, entre 12 e 15 horas por dia, porque a densidade neuronal também é elevada. O estudo analisou ainda ratos em várias etapas da vida. Logo após o nascimento, esses roedores passam 95% do dia dormindo, mas, com duas semanas de vida, eles se estabilizam com a quantidade de sono de um adulto, entre 12 e 13 horas.




Concentração de neurônios determina tempo de sono

24/09/2015 - Folha de S.Paulo


A relação entre a densidade de neurônios e a quantidade diária de horas de sono pode ajudar a explicar como os mamíferos ganharam cérebros maiores, aponta um estudo da neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel.

Tudo indica que o papel mais importante do sono é fazer uma faxina cerebral, recolhendo moléculas potencialmente nocivas. Ocorre que, quando um mamífero está acordado, o fluido que é responsável por carregar o "lixo" dos neurônios para longe deles só consegue alcançar uma área relativamente pequena do cérebro.

Isso acontece, grosso modo, porque os neurônios do cérebro estão "inchados". Quando o sono vem, é como se o tecido cerebral relaxasse, de maneira que ele é banhado pelo fluido de forma mais homogênea, facilitando a faxina.

Pois bem: ao analisar 24 mamíferos, Suzana verificou que, em geral, bichos maiores e de cérebro mais avantajado eram os que dormiam menos.

O detalhe crucial é que, nos grandalhões, o tamanho da superfície do cérebro era relativamente menor em relação ao córtex cerebral como um todo. Além disso, os neurônios tendiam a ser maiores também.

Com neurônios maiores, menos células desse tipo podem ser empacotadas no mesmo espaço do cérebro, o que leva a uma circulação mais eficiente de fluido –realizando uma faxina mais eficiente à noite, com menos horas de sono. O estudo está na "Proceedings of the Royal Society B".




Efeitos da malária ameaçam gravidez

25/09/2015 - Correio Braziliense


De todas as complicações decorrentes da infecção pelo protozoário Plasmodium, a mais grave é a malária cerebral, que deixa sequelas cognitivas e comportamentais, como alterações na memória, distúrbios de atenção e transtorno da ansiedade. Agora, pesquisadores canadenses constataram que os danos ao sistema nervoso não atingem apenas pessoas diretamente picadas pelo mosquito Anopheles, que transmite a doença. Em um estudo com ratos, eles descobriram que o feto de grávidas infectadas sofre as consequências, apresentando anomalias no desenvolvimento.

Kevin Kain, especialista em medicina tropical e principal autor do artigo, publicado na revista Plos Pathogens, lembra que mais da metade das gestantes do mundo está em risco de contrair malária. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por ano, de 250 a 500 milhões de pessoas são infectadas, das quais 1,5 a 2 milhões morrem. No Brasil, o número de casos vem caindo e, de acordo com o Ministério da Saúde, houve 11.190 notificações da doença neste ano até agora, e 23.485 em 2014. A enfermidade é transmitida pela fêmea do mosquito Anopheles e tem como principais sintomas febre alta, calafrios, tremores, sudorese, dor de cabeça, náusea, vômito, cansaço e falta de apetite.

Já se sabe que a malária tem consequências importantes para a saúde da gestante e do feto, como aumento de risco de anemia materna, parto prematuro e peso baixo ao nascer. “Essa é uma doença potencialmente letal e particularmente perigosa durante a gestação, tanto para a mãe quanto para a criança que vai nascer”, diz Rose McGready, epidemiologista da Universidade de Oxford que pesquisa os riscos da doença na gravidez. “O impacto da exposição uterina à malária sobre o neurodesenvolvimento é desconhecida”, diz Kain, diretor do Departamento de Medicina Tropical e do Viajante da Universidade de Toronto.

Quando uma mulher grávida é infectada, explica o médico, alguns tipos de células do parasita acumulam-se na placenta. Acredita-se que, em resposta a essa invasão, o órgão materno desencadeie reações imunológicas para combatê-la, produzindo proteínas que vão lutar contra o micro-organismo. Esse sistema é chamado complemento. Um excesso de produção dos “soldados” do organismo, porém, principalmente de uma substância chamada anafilatoxina C5A, tem sido associado a prognósticos ruins de pacientes com alguns tipos de infecção. Pessoas com sépsis, por exemplo, costumam apresentar níveis altos da proteína.

Vasos anormais

Recentemente, trabalhos científicos evidenciaram que o sistema complemento tem implicações sobre o processo de desenvolvimento neurológico. Baseado nesses conhecimentos, a equipe de Kain decidiu testar, em laboratório, se a infecção por malária durante a gestação leva a uma produção exagerada de C5A e, consequentemente, atinge o cérebro do feto.

Primeiro, os cientistas infectaram roedoras gestantes com o Plasmodium. Os testes foram iniciados antes que os filhotes nascessem. Usando uma tecnologia de imagem semelhante à da tomografia computadorizada, os pesquisadores verificaram um crescimento anormal de alguns tipos de vasos sanguíneos que se formavam no cérebro dos fetos.

Depois que os animais nasceram, aqueles com peso normal foram selecionados para participar de testes cognitivos e comportamentais. A bateria de exames revelou que tinham dificuldades de aprender tarefas associadas à memória e ao reconhecimento espacial e apresentavam características depressivas. Esses efeitos prolongaram-se até a vida adulta. Ao examinar o tecido cerebral dos ratos descendentes da mãe infectada por malária, também se observou danos nas estruturas relacionadas à produção de importantes substâncias químicas naturais, como serotonina.

“A infecção por malária parece acionar alguns padrões imunes, como do sistema complementar, o que altera o desenvolvimento cerebral normal do feto. Isso resulta em problemas de memória e transtornos afetivos, como a depressão. Esses efeitos persistiram, em nosso estudo, até a idade adulta”, resume Kain. “Mas uma coisa interessante é que a pesquisa sugere novos marcadores para gestações de alto risco e novas oportunidades de tratamento porque, bloqueando a resposta imune, o desenvolvimento da cria voltou ao normal.”

Remédios

O especialista explica que existem drogas aprovadas pelo FDA (órgão de vigilância sanitária dos EUA) que bloqueiam a produção de C5A. Esses medicamentos foram testados em outras cobaias gestantes também infectadas pela malária. O resultado foi animador: os cérebros dos fetos desenvolveram-se normalmente e, ao nascerem, os animais não apresentaram deficits cognitivos, nem comportamentais.

“As estratégias terapêuticas baseadas no bloqueio da C5A disponíveis atualmente, embora aparentemente sejam seguras para gestantes humanas, ainda são caras”, observa o médico. “Contudo, há algumas abordagens menos caras e novas que nosso laboratório e alguns outros estão explorando e podem ter o mesmo efeito benéfico”, adianta.

Atualmente, a equipe de Kain realiza testes em mulheres grávidas no Malawi. “Nossos próximos passos são completar o estudo por lá e confirmar nossas descobertas em gestantes que estão em alto risco para a malária. Depois disso, queremos terminar nossas pesquisas para chegarmos a tratamentos mais baratos, além de seguros”, conta.




'O cargo não é meu', diz Arthur Chioro sobre troca na Saúde

24/09/2015 - Folha de S.Paulo / Site


O ministro Arthur Chioro (Saúde) minimizou sua eventual saída do comando da pasta e disse não se sentir "em hipótese alguma" rifado diante de negociações entre o Palácio do Planalto e o PMDB, partido que pode assumir o controle da área.

"O cargo [de ministro] não é meu. Quem tem cargo é presidente, deputado, senador. Qualquer outro agente público é por delegação", afirmou nesta quinta feira (24) após participar de encontro com secretários de saúde de Estados e municípios.

"Eu sou ministro da Saúde, não me demitam", afirmou para jornalistas que o questionaram sobre o tema.

O petista disse não ter agenda com a presidente Dilma hoje, nem ter tratado do assunto até aqui. "As conversas não são feitas comigo".

Em nota, secretários municipais do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco demonstraram apoio à permanência de Chioro no posto. Os gestores de cidades de São Paulo afirmam que o petista é "gestor público de qualidades reconhecidas, provado articulador e construtor de consensos, liderança inconteste dos que laboram pela política pública universal, equitativa, integral".

"Sendo o SUS uma política de Estado, considermos ser incompatível que seu comando seja objeto de negociação política", afirma trecho de nota do Cosems/SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo).

O Conselho Nacional de Saúde também se manifestou. A diretoria do órgão, responsável por aprovar e fiscalizar políticas públicas de saúde, afirma ser "inaceitável" que o "SUS seja usado como objeto de barganha política".

"Compreendemos as dificuldades do momento político e repudiamos toda e qualquer ameaça golpista, venha de onde vier. E também não nos calaremos frente a quaisquer ameaças às conquistas sociais, especialmente no campo da saúde", diz trecho do texto.

DPVAT

Aplaudido ao iniciar o encontro, Chioro adotou tom de despedida em sua primeira fala. "A vida é assim mesmo, feita de encontros e despedidas", afirmou.

Num segundo momento, ele tratou da queda de recursos para a saúde no orçamento do próximo ano. Em 2015, a pasta sofreu o segundo maior corte da Esplanada. "Não temos situação similar do ponto de vista orçamentário financeiro na história do SUS", disse.

Num segundo momento, ele tratou da queda de recursos para a saúde –a pasta sofreu o segundo maior corte da Esplanada. "Não temos situação similar do ponto de vista orçamentário financeiro na história do SUS", disse.

Ele citou como exemplo corte de verbas para medicamentos do Farmácia Popular e para procedimentos de média e alta complexidade.

Chioro, no entanto, apontou uma proposta em discussão no governo: o uso de recursos do Dpvat (seguro de trânsito obrigatório) para a saúde. Segundo ele, há uma proposta pronta no ministério do Planejamento sobre o assunto, a ser enviada ao Congresso Nacional.

"Há uma proposta de recomposição de parte importante desses valores [cortados], cerca de R$ 4 bilhões, que poderiam ser recompostos com uma medida de reestruturação dos recursos do Dpvat", afirmou.

"Na hora que o calo aperta, você precisa buscar alternativa", disse.




Mercado Aberto: Transferência em vista

25/09/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: Maria Cristina Frias


A subsidiária brasileira da Genzyme, empresa de biotecnologia do grupo Sanofi, estuda criar uma PDP para a transferência de tecnologia na área de engenharia genética, visando a produção de medicamentos biológicos. Isso capacitaria o Estado a produzir remédios para o tratamento de doenças genéticas raras, autoimunes e oncológicas, por exemplo.

"Estamos conversando, ainda falta definir o parceiro que irá receber a tecnologia", diz Eliana Tameirão, presidente da empresa no Brasil.

Em março, a Genzyme lançou no país dois novos medicamentos para esclerose múltipla. Há também investimentos para desenvolver o tratamento para a doença de Niemann Pick - Tipo B (NPB), enfermidade genética rara. Atualmente, todas as drogas produzidas pela marca e comercializadas no Brasil são importadas.

5.350 é o número de funcionários no Brasil do grupo Sanofi, ao qual pertence a Genzyme

€ 2,6 BILHÕES foram as vendas globais realizadas pela Genzyme em 2014

Mercado Aberto: Maioria das parcerias de saúde não avança




25/09/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: Maria Cristina Frias


Das 98 PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo) vigentes atualmente no Brasil, 62 ainda se encontram no início da fase de implementação.

Esses acordos têm o objetivo de transferir tecnologias de fabricação de medicamentos de laboratórios privados para entidades públicas.

Entre 2009 e 2014, 104 parcerias válidas foram aprovadas, mas seis delas foram extintas, segundo dados da Interfarma (associação da indústria farmacêutica de pesquisa). Do restante vigente, apenas nove já se encontram na fase mais avançada, de pesquisa e desenvolvimento.

Em dezembro do ano passado, um novo marco regulatório estipulado pelo Ministério da Saúde obrigou os projetos a se readequarem a regras mais rigorosas para obterem a aprovação.

"O processo começou mal, porque, na maioria dos casos, não houve um critério na escolha de quem deveria transferir e que entidades receberiam a tecnologia", avalia Antonio Britto, presidente-executivo da Interfarma. Ele lembra que, com as mudanças nas regras, os critérios se tornaram mais rigorosos e os projetos precisaram ser reavaliados. O anúncio do cancelamento de muitas PDPs em análise deverá ser feito nas próximas semanas.

"A gente teme, no entanto, que questões políticas possam colocar a perder essas regulações que foram conquistadas para melhorar os procedimentos", diz Britto.

O Ministério da Saúde informou que as 98 parcerias vigentes seguem o cronograma estabelecido e que o prazo para a conclusão de uma PDP é de até dez anos.




Mais Médicos: resultados concretos

25/09/2015 - Folha de S.Paulo


O programa veio responder à demanda imediata por cobertura de atenção básica e enfrentar estruturalmente a insuficiência de médicos.

Embora a insuficiência e distribuição desigual de médicos no país seja consenso entre especialistas, persistem críticas ao programa Mais Médicos do governo federal.

Em artigo recente publicado pela Folha, Miguel Srougi, professor da Faculdade de Medicina da USP, reafirma a importância de enfrentarmos a carência de médicos no país, mas tem dúvidas quanto à efetividade da iniciativa.

Nesse debate, não se pode ignorar que 85% dos mais de 14 mil pacientes entrevistados pela Universidade Federal de Minas Gerais disseram que o atendimento está melhor depois da chegada dos médicos do programa e 91% dos gestores viram melhora nos serviços.

Outro estudo, liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, identificou aumento de 33% no número de consultas e maior redução das internações nos municípios participantes do programa.

É preciso também nortear as discussões pela melhoria da atenção básica, uma vez que um dos pilares do Mais Médicos é a valorização da Estratégia Saúde da Família, cuja cobertura, em dois anos de programa, cresceu mais que nos seis anteriores. Cada equipe de saúde da família cobre, em média, 3.450 pessoas, de forma que os 18.240 médicos da iniciativa atingem 63 milhões de brasileiros. Um número, sem dúvida, significante.

O Mais Médicos veio para responder à demanda imediata da população sem cobertura de atenção básica e, ao mesmo tempo, enfrentar estruturalmente a insuficiência de médicos, por meio da expansão e interiorização das escolas de medicina, da modernização de seus currículos e do fortalecimento da avaliação de sua qualidade. Não se tratam, portanto, de medidas aparentes, mas de melhorias permanentes na formação de médicos no Brasil.

Todas as propostas estão amparadas por lei aprovada pelo Congresso, tendo reunido somente decisões favoráveis na Justiça e se mostrado cada vez mais consolidadas na sociedade, inclusive entre médicos brasileiros. Se no início os estrangeiros ocuparam 85% das vagas, neste ano os brasileiros preencheram 100% dos novos postos.

Se desde o começo houvesse essa participação, o Brasil não precisaria recorrer à cooperação internacional. O acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a participação dos cubanos serviu para levar médicos às cidades sem interesse dos brasileiros.

Os profissionais, diferentemente dos demais estrangeiros, mantêm seus vínculos com o governo de Cuba, além de receberem por sua atuação aqui. Os documentos da cooperação estão de acordo com a lei.

O Mais Médicos é uma política pública que tem alcançado êxito no que se propõe a resolver, mas não é solução para diversos desafios de nossa saúde. A resolução da carência de médicos é um processo multifacetado que deve ser enfrentado combinando medidas de curto e longo prazo. Nesse caminho, precisamos da cooperação de todos que objetivam a saúde dos brasileiros.

Isso inclui a crítica, que tenderá a ser mais construtiva quanto mais se apoie em informações corretas e atualizadas, se liberte de preconceitos e esteja comprometida com a construção de um SUS mais justo, universal e humanizado.




Governo quer usar recursos do DPVAT para a Saúde, diz Chioro

24/09/2015 - Valor Econômico / Site


O ministro de Saúde, Arthur Chioro, disse nesta quinta-feira que o Ministério do Planejamento concluiu uma proposta para recomposição de recursos para a saúde a partir de uma reestruturação do uso dos recursos do DPVAT, o seguro obrigatório para danos pessoais causados por veículos. Segundo ele, a saúde poderia contar com mais R$ 4 bilhões no próximo ano a partir dessa medida, que ainda será encaminhada ao Congresso. A afirmação do ministro foi feita durante reunião na sede da Organização Panamericana de Saúde (Opas), em Brasília.

“Uma parte seria possível recompor. Tem que passar no Congresso, mas é possível. Tem a proposta pronta no Planejamento, não foi enviada ao Congresso, mas é possível”, disse o ministro. “O pressuposto de que mais recursos sairão de emendas impositivas é de uma incerteza danada. A junta econômica, o Planejamento, a Fazenda e a Presidência da República, tem clareza dessa dificuldade”, acrescentou Chioro.

Em rápida entrevista ao término da reunião, o ministro evitou apresentar um detalhamento da proposta, mas enfatizou que a proposta articulada pelo ministério com o Planejamento “muda a lógica” do uso do DPVAT para financiar a saúde, em “uma tentativa de construir uma alternativa”. “Muda a lógica, mas você não terá nenhuma outra informação. O Ministério do Planejamento, se quiser, fala”, disse. “Na hora que o calo aperta, você precisa buscar uma alternativa, né?”, completou.

O ministro já havia manifestado mais cedo ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, a preocupação com a situação orçamentária do Ministério da Saúde no próximo ano, diante da determinação da presidente Dilma Rousseff em prever o redirecionamento de emendas parlamentares como forma de recompor os cortes no ministério.

Em seu discurso durante a reunião, o ministro reafirmou o temor com as dificuldades para execução de ações de média e alta complexidade diante da escassez de recursos. Chioro citou uma redução de R$ 578 milhões do programa “Aqui tem farmácia popular”, responsável por beneficiar atualmente 17 milhões de brasileiros, que passarão a sobrecarregar as redes municipais e estaduais de saúde. O ministro minimizou esse problema do ponto de vista orçamentário, mas afirmou que “do ponto de vista político não é pequeno”.

Chioro afirmou que o redirecionamento de recursos por meio de emendas parlamentares não representa irregularidade, mas afirmou que é muito pouco provável que senadores e deputados deem essa destinação aos recursos de que dispõem por meio das emendas. “Muitos deputados e senadores hoje já entendem que as prefeituras e os Estados gostariam de receber mais recursos para custeio, mas é claro que a mais, não incluídos dentro das transferências regulares”, afirmou.




"Eu sou ministro da Saúde, não me demitam", diz Chioro a jornalistas

24/09/2015 - Valor Econômico / Site


Em meio à reforma administrativa em elaboração pela presidente Dilma Rouseff, que deve repassar o comando do ministério para o PMDB, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse nesta quinta-feira não se sentir “rifado” no cargo, negou ter tratado do assunto com a própria presidente Dilma e afirmou que o cargo não lhe pertence.

O ministro disse que não comentaria a perspectiva de o PMDB assumir o comando do ministério, um dos maiores detentores de recursos e apelo social, retirando-o do PT.

“O cargo não é meu. Quem tem cargo é presidente, deputado e senador. Qualquer outro agente público é por delegação”, disse o ministro. “Eu sou ministro da Saúde, não me demitam”, acrescentou Chioro, dirigindo-se aos jornalistas, após reunião na sede da Opas em Brasília.

O ministro também evitou comentar a iniciativa proposta pela presidente Dilma de instituir o retorno da CPMF para financiar a Previdência Social, depois recuar na proposta de recriação do imposto para destinar mais recursos para a saúde.

Questionado sobre o tom duro com que abordou, durante o encontro, a dificuldade orçamentária do ministério para o próximo ano, Chioro afirmou que se tratava de uma reunião técnica, que ocorre todo mês. “É o espaço de pactuação do SUS [essa reunião], eu não poderia deixar de conversar, o tema era esse, pautado no mês passado”, disse o ministro. Em sua fala, Chioro chegou a dizer que o ministério não teve “situação similar” em toda a história do Sistema Único de Saúde (SUS), do ponto de vista orçamentário e financeiro.

Sarampo e despedida

Chioro ensaiou nesta quinta-feira um discurso de despedida emocionado ao anunciar a erradicação do sarampo no Ceará, após um surto no Estado que preocupou autoridades da América Latina.

Chioro chegou pouco depois das 9h à sede da Organização Panamericana de Saúde (Opas), em Brasília, junto com o governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

Ao cumprimentar a reportagem, Chioro evitou responder se estava tudo bem e manteve-se sério, desfazendo o sorriso que vinha mantendo ao cumprimentar os demais presentes. O ministro foi aplaudido ao adentrar o auditório da sede da Opas em Brasília.

“Pode parecer palavra feita, chavão, mas não tenho palavras para poder definir o que significa na vida, na alma, no coração e acima de tudo das lembranças dos momentos que a gente constrói na vida, o que significa a atitude que vocês acabaram de manifestar na minha chegada à sede da Opas hoje”, disse o ministro ao encerrar seu discurso, aplaudido novamente de pé pelo auditório.

“Quero fazer um enorme agradecimento. Não é momento de balanço, não é momento de nada. A gente continua firmes e fortes. No momento devido, a gente pretende se pronunciar sobre todas essas coisas, mas eu só quero registrar aqui meu profundo agradecimento e dizer que o que nos mobiliza é a luta por um sistema público de saúde de qualidade, universal e integral”, completou.

Chioro se referia à angústia externada pelo governador do Ceará, que discursara pouco antes do ministro. “Estou feliz, mas ao mesmo tempo angustiado por essas notícias de que poderão haver mudanças no Ministério da Saúde. Acho que é um momento de muita indefinição, um pouco de angústia, sobre como será o futuro, mas não tenho dúvida de que com a equipe do ministério e os secretaria de saúde vamos continuar”, disse o governador.

“Vou sair daqui para a Presidência, inclusive para tentar saber o que vai acontecer com a saúde. Parabéns, a vida continua, e o seu trabalho também”, acrescentou Camilo Santana. Ao se referir a Chioro, o governador o classificou como “grande técnico”, “grande homem” e “sensível”.

Embora tenha evitado demostrar expressamente que está de saída do cargo, Chioro se emocionou em diversos momentos da reunião, sobretudo quando era cumprimentado pelos presentes, e apresentou uma breve relação de pendências do ministério que deverão ser solucionadas no curto prazo, como em uma prestação de contas. Em sua saída da reunião, o ministro procurou disfarçar que estava contendo as lágrimas e falou em uma “vontade de espirrar” incontrolável.

Ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, Chioro se disse preocupado com a decisão da presidente Dilma Rousseff em prever o redirecionamento de emendas parlamentares para a área da saúde como forma de compensar os cortes no orçamento. “Achei muito preocupante, porque isso significa que não tem garantia de cobertura das ações regulares, dos compromissos de transferência de recursos. É uma equação que pode não fechar, é muito pouco provável que ela feche”, disse.




Porque o perigo continua

24/09/2015 - Exame


O PRESIDENTE DA OPERADORA DE PLANOS de saúde Unimed no Rio de Janeiro, Celso Barros, é figurinha fácil no noticiário esportivo da cidade. Durante 16 anos, entre 1998 e 2014, a cooperativa foi a maior patrocinadora do Fluminense, pagando até 25 milhões de reais por ano ao clube. Tricolor confesso, Barros aparecia nas comemorações de títulos e interferia nas contratações. Era tanto dinheiro investido pelo executivo, e tanto tempo dedicado à causa, que a impressão era que as coisas iam às mil maravilhas para a Unimed Rio. Nada disso. Mesmo sendo a maior das cooperativas que formam o sistema Unimed no Brasil, com 4,6 bilhões de reais de faturamento, a unidade do Rio teve prejuízo de 200 milhões de reais em 2014. As dívidas chegam a 1 bilhão de reais e fornecedores tiveram pagamentos atrasados no ano passado. Em dezembro, a Unimed Rio cancelou o contrato com o Fluminense. E, em março, sofreu intervenção da Agência Nacional de Saúde (ANS) — na prática, funcionários da agência supervisionam o dia a dia para conter eventuais danos. O atendimento aos pacientes continua normal.

Com 20 milhões de clientes em mais de 300 cidades, e 112 000 médicos associados, a Unimed é a maior operadora de planos de saúde do país. Não chega a servir de consolo aos clientes cariocas, mas as dificuldades se repetem em outras sete unidades da Unimed Brasil afora. O maior exemplo, claro, é a Unimed Paulistana, que quebrou no fim de agosto, depois de quatro intervenções da ANS. Até o fim de setembro, a cooperativa terá de transferir seus clientes para outra operadora. O mais provável é que a Unimed Fesp (Federação de São Paulo) ou a Central Nacional Unimed assumam a carteira de 750 000 clientes. A Justiça ordenou que, até lá, os clientes sejam atendidos pela Central Nacional Unimed, que tem como uma de suas funções justamente resgatar unidades em apuros. As cooperativas de Jequié e Paulo Afonso, na Bahia, também estão com ordens para transferir seus clientes, e as de Manaus e Belém estão sob intervenção. Em Manaus, cada médico cooperado contribuiu em 2014 com 24000 reais para cobrir déficits. As oito cooperativas sob intervenção da ANS têm 2,5 milhões de clientes, 12% do total da Unimed. Nem sempre as intervenções resultam em fechamento das cooperativas e, na maior parte dos casos, como no Rio, o atendimento não chega a ser afetado. Mas, como o exemplo da Unimed Paulistana atesta, nada garante que a situação se mantenha desse jeito.

E verdade que os resultados estão ruins para a maior parte das operadoras de planos de saúde do país. Os custos com saúde têm crescido 15% ao ano no Brasil, o que derrubou os resultados. A maior delas, a Amil, teve prejuízo de 259 milhões de reais no ano passado. Mas a complexa estrutura da Unimed contribui para agravar a situação. Os presidentes são eleitos pelos médicos cooperados e brigas políticas entre os grupos que disputam o poder são comuns, como ocorreu em São Paulo. Um conflito de interesses entre o médico e a cooperativa também contribui para que as margens sejam menores do que na concorrência. A Bradesco Saúde e a Sul América lucraram no ano passado cerca de 6% da receita, ante 4% da Central Nacional Unimed. Para o médico, quanto mais complexos os atendimentos, melhor. Para a cooperativa, quanto maior a simplicidade, maior o lucro.

Em São Paulo, essa combinação fez com que a Unimed implodisse em setembro. Custos altos demais levaram a operadora à lona. Naturalmente, começou ali a busca por culpados. EXAME apurou que o antigo presidente, Paulo Leme, que ocupava o cargo até o ano passado, e o atual, Marcelo Nunes, acusam-se de malversação de recursos. Leme havia contratado como executivo Augusto Cruz, ex-presidente da varejista Pão de Açúcar. Executivos próximos a Leme dizem que, na gestão dele, as despesas caíram de mais de 100% para algo próximo a 85% do total arrecadado em 2013. "Antes dele, tinha clínica ortopédica que apresentava conta de 80 infiltrações em 40 pacientes", conta um ex-diretor. "Os controles foram abandonados pela gestão seguinte." Em nota, a administração atual afirma que os índices de eficiência apresentados pela gestão anterior não eram reais. E devolve afirmando que enviou ao Ministério Público provas, obtidas em auditorias, de que a gestão anterior pagava caro demais a fornecedores. Os executivos da atual gestão e da anterior não deram entrevista.

CONSENSO DIFÍCIL

Transformar uma empresa com essa estrutura num negócio viável exige consenso entre os milhares de cooperados. Eudes Aquino, presidente da Unimed Brasil — entidade que funciona como uma federação nacional das Unimeds —, começou em 2009 um projeto para racionalizar a estrutura administrativa. Até agora, os avanços são pontuais e em cooperativas que já são lucrativas. Nas problemáticas, a coisa só muda quando a situação está insustentável. No Rio, Barros mudou a equipe de gestão em novembro de 2014, trazendo um vice--presidente da Amil, Alfredo Cardoso, para controlar os gastos. A equipe cortou oito das 12 superintendências e demitiu 2 000 funcionários. A maior fiscalização reduziu o total de despesas médicas de mais de 100% da receita, no ano passado, para 83%, neste ano. A medida mais importante, entretanto, foi recorrer à Justiça para liberar parte dos 350 milhões de reais em reservas técnicas que ficam depositadas em bancos (e são usadas para pagar dívidas em caso de quebra da operadora). Foi com esse dinheiro que a Unimed Rio pagou fornecedores, como os hospitais da Rede D'Or e o laboratório Dasa. A ação foi malvista pela ANS, que decretou uma intervenção para acompanhar de perto a recomposição do caixa da empresa. Executivos próximos à companhia dizem que os números devem melhorar até o fim do ano, com as receitas de um novo hospital próprio na Barra da Tijuca, que custou 400 milhões de reais e foi financiado por dívida bancária (a Unimed Rio não pôde recorrer ao BNDES porque tem impostos em atraso). O investimento no hospital e o atraso em sua construção pioraram a situação. Executivos próximos a Barros defendem a construção do hospital e os contratos com o Fluminense. "Quando o patrocínio começou, tínhamos 200 000 clientes e hoje temos 1,1 milhão", diz um diretor. Barros e Aquino não deram entrevista.

Há bons exemplos em que se inspirar. As Unimeds que têm bons resultados absorveram cooperativas regionais, simplificaram suas estruturas e ganham com a escala — elas têm no mínimo 700000 clientes. Constroem consensos políticos entre os grupos de médicos e, principalmente, controlam custos por ter redes próprias de hospitais. A mais avançada nesse modelo é a Unimed de Belo Horizonte, que tem 80% do mercado na região metropolitana, com 1,2 milhão de clientes. A cooperativa tem três hospitais e uma maternidade, além de 11 unidades de pronto-atendimento, e está construindo um hospital de 200 leitos em Betim. "Mais da metade dos atendimentos de emergência e um quarto das internações são feitos na rede própria, o que diminui os custos", diz o presidente da Unimed BH. Samuel Fiam. Para reduzir fraudes e cobranças excessivas, a Unimed BH faz treinamentos para que os médicos se vejam mais como donos do negócio do que como prestadores de serviço. No ano passado, a cooperativa lucrou 166 milhões de reais e distribuiu 11000 reais a cada um dos 5 000 cooperados. E pouco mas mostra uma saúde financeira rara no mundo Unimed. A Unimed BH tem exportado alguns de seus sistemas de gestão para outras unidades, como as de Vitória. Porto Alegre e Curitiba, que também são lucrativas. As Unimeds de Campinas e Vitória têm centros próprios de tratamento para câncer e laboratórios. No Paraná e no Rio Grande do Sul, algumas cooperativas uniram-se numa central de compras única. Uma medida que a Unimed BH e que outras grandes operadoras estão tentando adotar é estabelecer um preço fechado por tratamento — o que. em tese, incentiva os hospitais a encurtar o tempo das internações e, também, reduz os riscos. São medidas esperadas há algum tempo. Mas, se o ocaso da Unimed Paulistana provou alguma coisa, foi justamente que não há tempo a perder.




Outubro Rosa inicia caminhando contra o Câncer de Mama

23/09/2015 - MS Notícias


O movimento comemorado internacionalmente, como o mês de atividades voltadas à conscientização e a importância do diagnóstico e prevenção do câncer de mama, terá atividades a partir de quinta-feira 1º de outubro em Campo Grande.

A primeira atividade do Outubro Rosa na Capital será a Caminhada Rosa, que acontece às 8h de quinta-feira com concentração em frente ao Hospital de Câncer Campo Grande Alfredo Abrão, na Rua Marechal Cândido Rondon e vai percorrer as principais ruas do centro da cidade finalizando na Praça Ary Coelho, com shows musicais.

A caminhada contra o Câncer de Mama, promovida pela Rede Feminina de Combate ao Câncer em parceria com Hospital de Câncer de Campo Grande Alfredo Abrão e que contará com a participação do hospital de Câncer de Barretos, faz parte das diversas ações realizadas no Outubro Rosa em todo país em prol da prevenção contra o câncer de mama. Durante o evento, profissionais do Hospital do Câncer estarão no local orientando o público com panfletos e informações sobre a doença.

Também durante a passeata, uma carreta da prevenção do Hospital de Câncer de Barretos estará presente chamando atenção das mulheres para o tema e disponibilizando exames de mamografia gratuitos.

A Caminhada Contra o Câncer de Mama tem como objetivo aliar atividade física a um trabalho de esclarecimento e conscientização sobre a prevenção do câncer à sociedade e aos participantes desse evento, além de promover a prática de atividades físicas regulares, considerada uma das formas de prevenção e uma recomendação para a qualidade de vida.

De acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo mais recorrente e, entre as mulheres, registra 22% de novos casos novos a cada ano. No Brasil, somente neste ano, mais de meio milhão de novos casos de câncer poderão ser diagnosticados.




Confira as dez dúvidas mais frequentes sobre o diabetes

23/09/2015 - Tribuna da Bahia Online


Apesar do diabetes ser comumente abordado, há algumas dúvidas frequentes que precisam de esclarecimento, principalmente quando se leva em consideração o futuro da doença no Brasil.

De acordo com a International Diabetes Federation (IDF), o problema já atinge 12 milhões de pessoas no país e, até 2035, a estimativa é de mais de 19 milhões de pacientes.

Para ajudar a entender um pouco mais sobre o diabetes, a Dra. Priscilla Mattar, endocrinologista e gerente médica da Novo Nordisk no Brasil, farmacêutica líder mundial no tratamento do diabetes, responde algumas das perguntas mais abordadas sobre a doença.

1. O que é pré-diabetes?

É um estágio anterior da doença, que mostra um risco alto de desenvolve-la. Isto é, quando o indivíduo tem um valor de glicemia alterado que não chega a confirmar a doença, mas também não é normal.

“Os pacientes com o quadro de pré-diabetes devem mudar o estilo de vida, principalmente no que diz respeito aos hábitos alimentares e à prática de atividades físicas”, explica a Dra. Priscilla.

Alguns fatores de risco também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, tais como idade acima dos 45 anos, excesso de peso, sedentarismo, hipertensão, entre outros.

2. Como diagnosticar o diabetes?

A doença pode ser diagnosticada por meio de diferentes exames de sangue:

-- Glicemia de Jejum: É o mais comum e realizado quando o paciente fica pelo menos oito horas sem se alimentar. Se o resultado for menor que 100 mg/dl, a pessoa não tem a doença. Acima de 126 mg/dl é considerado quadro de diabetes.

-- Teste Oral de Tolerância à Glicose (Curva Glicêmica): É feito, normalmente, para confirmar o diagnóstico sugerido nos outros tipos de exame. Feito em diversas etapas, o especialista coleta amostras de sangue em tempos determinados após o paciente ingerir um xarope de glicose.

Após 2 horas dessa ingestão, se a glicemia estiver ?200 mg/dL é confirmado o diagnóstico de diabetes e entre 140 e 199 considera-se pré-diabetes.

-- Glicemia ao acaso: Uma glicemia medida ao acaso ?200 mg/dL, em paciente que tenha sintomas típicos de diabetes também é diagnóstico.

-- Hemoglobina glicada (HbA1c): Esse exame estima quão alta ficou a glicose no sangue nos últimos meses. Se o resultado for ?6,5% indica diabetes e entre 5,7% e 6,4%, pré-diabetes.

3. Pacientes com diabetes têm restrições alimentares?

Sim. O paciente deve ter uma dieta individualizada, mas, via de regra, com o controle da ingestão de carboidratos, sobretudo os simples. O ideal é ter o acompanhamento de um nutricionista especializado na doença que poderá orientar da melhor forma.

4. Diabetes causa cegueira?

A cegueira, que neste caso decorre de um estágio avançado da retinopatia diabética, é uma das complicações ocasionadas pelo não controle da doença. Há também outros problemas como dificuldade de foco, catarata, glaucoma e outros danos na retina.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, até 40% dos pacientes portadores da doença podem ter esses tipos de complicações por falta de informação e ausência dos sintomas.

Na prática, a retinopatia diabética ocorre quando os vasos sanguíneos da retina são danificados. A retina é o nervo responsável por projetar imagens e enviar ao cérebro.

Quando o nível de glicose está elevado, o sangue fica denso, provocando problemas na circulação. Essa situação faz com que os vasos da retina sejam lesionados. Se chegar ao ponto de rompê-los, pode causar cegueira.

5. Quais são as complicações do diabetes?

As complicações crônicas principais podem ser divididas em dois grupos, as microvasculares, que causam danos nos vasos sanguíneos pequenos, e as macrovasculares, que atingem os grandes vasos.

As complicações microvasculares podem levar a problemas nos olhos (retinopatia), rins (nefropatia) e nervos (neuropatia). As complicações macrovasculares ocorrem devido à aterosclerose – acúmulo de gordura e outras substâncias nas artérias, restringindo a passagem do sangue – podendo levar à infarto (doença arterial coronariana), derrame (acidente vascular cerebral) e doença vascular periférica.

6. Quais são os tipos de diabetes?

Os tipos principais de diabetes são conhecidos como 1, 2 e gestacional.

-- O diabetes tipo 1 é quando a produção de insulina é pequena ou ausente.

-- O diabetes tipo 2 é quando há produção de insulina, mas não o suficiente para retirar o açúcar do sangue.

Já o diabetes gestacional é desenvolvido durante a gravidez. Na maioria dos casos, após o nascimento do bebê, a doença desaparece.

7. Quais são as principais diferenças entre o diabetes tipo 1 e tipo 2?

O paciente de diabetes tipo 1 produz pouca ou nenhuma insulina, enquanto no tipo 2, essa produção não se dá nas quantidades necessárias.

No tipo 1 é necessário o uso de insulina, que é um medicamento injetável. No tipo 2, além das mudanças no estilo de vida como alimentação balanceada, prática de atividades, pode ser necessário o uso tanto de medicamentos orais como injetáveis.

8. Quais são os principais sintomas?

Os principais sintomas do diabetes são sede excessiva, maior volume de urina, perda de peso, fome excessiva, cansaço e visão embaçada. Na América Latina, a estimativa é que metade das pessoas tem a doença, mas ainda não foi diagnosticada.

Muitas vezes, isso acontece porque os sintomas não são exclusivos do diabetes, tornando mais imperceptíveis e fáceis de confundir com outros fatores.

Exemplo: sede com o calor, cansaço com excesso de trabalho, entre outros. Por isso a importância de fazer exames periódicos garantindo que está tudo bem e, caso contrário, ter a oportunidade de tratar da maneira e tempo certo.

9. Açúcar causa diabetes?

O consumo de açúcar isoladamente não pode ser apontado como causa da obesidade, diabetes ou outras doenças graves.

10. Quando o paciente tem de fazer a aplicação de insulina?

Geralmente, a insulina é aplicada em pacientes com diabetes tipo 1 e é uma entre as diversas opções de tratamento para controlar a doença no diabetes tipo 2. Há vários tipos de insulina no mercado e o especialista vai indicar a melhor de acordo com cada caso.




OMS: 59% da população europeia está acima do peso

23/09/2015 - Terra


Relatório alerta que obesidade crescente e altas taxas de consumo de tabaco e bebidas alcóolicas ameaçam metas de expectativa de vida da Europa: "Próxima geração pode levar vidas mais curtas."

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quarta-feira (23/09) que, apesar do declínio do fumo e da taxa de consumo alcoólico, os europeus continuam sendo os maiores fumantes e bebedores do mundo. O relatório também apontou uma crescente obesidade na Europa.

O relatório diz que a Europa está num bom caminho para atingir as metas estabelecidas em 2012 para reduzir a mortalidade prematura até 2020. No entanto, a organização afirma que muito mais pode ser feito para reduzir os principais fatores de risco, abordando tabagismo e etilismo.

A OMS estima que, em média, 11 litros de álcool puro são consumidos por pessoa a cada ano, enquanto 30% da população é fumante. Além disso, as taxas de obesidade também foram aumentando, com 59% da população da Europa classificada com sobrepeso ou como obesos – ficando atrás apenas dos EUA, que possuem as taxas mais altas do mundo.

Turquia, Reino Unido, Polônia, República Tcheca e Israel estão entre as nações com as maiores taxas de adultos com sobrepeso e obesidade, segundo a OMS. Em contrapartida, a Holanda é o país "mais magro" da Europa.

"As taxas de tabagismo estão caindo em todos os lugares, com poucas exceções, mas a obesidade está aumentando e um não compensa o outro", diz a diretora da OMS para a Europa, Claudia Stein. "O que não queremos ver é que estamos ganhando a guerra contra álcool e tabaco, mas perdendo a batalha contra a obesidade."

Enquanto europeus estão vivendo mais do que nunca, diferenças "inaceitavelmente altas" na expectativa de vida continuam a existir entre os países citados no relatório da OMS, com uma discrepância de 11 anos entre o primeiro e o último. A expectativa média de vida para homens e mulheres varia dos 71 anos em Belarus, Moldávia e Rússia aos 82 anos em países como França, Itália e Espanha, segundo os últimos dados de 2011.

Os níveis de mortalidade prematura por doenças não transmissíveis – incluindo câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias crônica – foram diminuindo "rapidamente", enquanto os níveis de consumo de álcool, tabagismo e obesidade se mantiveram elevados. Isso, segundo o relatório, "pode significar que o progresso [estabelecido para a redução da mortalidade prematura] não será mantido".

"Europeus vivem vidas longas e saudáveis. Somos a região com a maior longevidade no mundo", diz Stein. "[Mas] se as taxas de tabagismo e consumo de álcool e obesidade não diminuírem, podemos arriscar os ganhos alcançados na expectativa de vida, o que pode significar que a próxima geração possa levar vidas mais curtas do que as nossas."




Dilma oferece Saúde a PMDB e Chioro dá sua saída como certa

23/09/2015 - Folha de S.Paulo / Site


O ministro da Saúde, Arthur Chioro, reuniu nesta terça-feira (22) sua equipe de secretários da pasta para falar de sua saída do cargo. O encontro foi realizado no mesmo dia em que o Palácio do Planalto informou ao ministro que seu posto seria oferecido ao PMDB na reforma administrativa realizada pelo governo federal.

Nesta quarta-feira (23), a presidente Dilma Rousseff informou à cúpula nacional do PMDB que colocará no comando do Ministério da Saúde um dos deputados federais indicados pelo partido. O nome que conta com maior simpatia da petista, segundo auxiliares e assessores, é o de Manoel Júnior (PB).

Segundo relatos, o ministro já dá como certa sua saída do cargo. Em conversas reservadas, ele tem dito que, mesmo que o PMDB não assuma a pasta, ele não pretende permanecer nela, já que se sentiu rifado pelo governo federal.

A entrega da pasta para o PMDB foi costurada no último fim de semana pelo Palácio do Planalto. A ideia inicial era colocar no posto um nome que fosse indicado do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB). A intenção, no entanto, não teve respaldo da bancada do partido na Câmara dos Deputados, o que levou o governo federal a pedir indicações aos parlamentares peemedebistas.

Ao contrário da Câmara, a bancada do PMDB no Senado ainda não deu sinalizações mais claras sobre os nomes que pode indicar a Dilma. O líder da sigla na Casa, Eunício Oliveira (CE), afirmou que a bancada não tem nenhum pedido específico por algum cargo e que está satisfeita com as pastas que comanda.

"Na questão do Senado, nós que defendemos aqui todo o tempo cortes de ministérios e do Orçamento, nós não tínhamos ali nenhum modelo a apresentar e nenhuma reivindicação adicional a fazer ao que já existe de participação do PMDB", afirmou Eunício.

O senador se reuniu com Dilma pela manhã e deve voltar a encontrá-la no fim da tarde. "Ela está fechando cenário e disse que até o final da tarde nos chamará para apresentar o que vai ficar definido", disse.

A presidente teve encontros com parlamentares e com ministros da sigla no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, para definir o espaço da legenda na nova configuração da Esplanada dos Ministérios.

Na sequência, a petista se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a cúpula nacional do PT: o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e os ministros petistas Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), Edinho Silva (Comunicação Social) e Jaques Wagner (Defesa).

A expectativa é de que a presidente anuncie quarta (23) ou quinta-feira (24) a nova configuração da Esplanada dos Ministérios.




Saúde na liquidação

24/09/2015 - Folha de S.Paulo


A oferta do Ministério da Saúde aos deputados do PMDB dá a dimensão do desespero do Planalto. Com o mandato em risco, a presidente Dilma Rousseff entregou uma das pastas mais sensíveis do governo ao balcão de negócios. Está oficialmente aberta a temporada do vale-tudo contra a ameaça do impeachment.

As pesquisas apontam a saúde como o principal problema dos brasileiros. Com o agravamento da crise, a demanda pela rede pública só vai crescer, à medida que mais famílias serão obrigadas a abrir mão dos planos privados. É nesse contexto que o ministério bilionário virou moeda de troca por votos na Câmara.

O favorito para assumir o cargo é um ilustre desconhecido do setor: o deputado Manoel Junior, do PMDB da Paraíba. Sua maior experiência na gestão de saúde foi como administrador do hospital de Pedras de Fogo, um município de 28 mil habitantes.

O deputado é homem da confiança de Eduardo Cunha, que simula desinteresse no leilão de ministérios. Em sintonia com ele, notabilizou-se por relatar medidas provisórias recheadas de "jabutis", emendas sem ligação com o tema original.

Em 2014, foi relator da MP das Farmácias, salpicada de artigos para dificultar a vida de pequenos frigoríficos. Deputados do PSOL o acusaram de favorecer a JBS, grande doadora de campanhas. Neste ano, ele relatou a MP 668, que ganhou "jabutis" para facilitar a construção do "parlashopping" e anular multas a igrejas evangélicas que sonegaram imposto.

Diante desse currículo, a entrevista em que Manoel Junior sugeriu a renúncia da presidente parece um embaraço menor à sua nomeação.

Os aliados de Dilma alegam que ela não tinha alternativa, mas sabem que a liquidação de ministérios pode não ser suficiente para acalmar o PMDB. Nesta quinta, o partido voltará a fazer ameaças veladas, em propaganda de TV que exaltará o vice Michel Temer. No sábado, fará festa para receber a senadora Marta Suplicy, recém-convertida ao antipetismo.

Notícias - 23/09/2015

CLIPPING - 21/09/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Sindusfarma realiza Fórum de Ensaios Pré-clínicos em setembro

22/09/2015 - Portal Snif Brasil


Para debater os conceitos e benefícios advindos da racionalização de uso de animais e do uso de métodos in vivo, ex vivo e in silico, o Sindusfarma vai realizar, no próximo dia 23 de setembro, o II Fórum de Ensaios Pré-Clínicos, com a presença de representantes do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), CNPq, Anvisa, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), CellSeq, CNPEN, OAB e Academia Nacional de Farmácia.

Os métodos alternativos são aqueles que eliminam o uso de animais, reduzem a sua necessidade ou reduzem a necessidade de intervenção no animal. Atualmente, já existem 17 métodos alternativos aprovados pelo órgão. Entre os testes alternativos estão procedimentos para avaliar irritação da pele, irritação ocular, toxicidade aguda e absorção cutânea, entre outros. A Anvisa reconhece os métodos aprovados pelo Concea e as empresas têm prazo de cinco anos para adequação.




É justo uma empresa subir preço de um remédio em 5000%? Seu presidente defende que sim

22/09/2015 - BBC Brasil


Você acharia justo um aumento de 5000% no preço de um medicamento usado por pacientes com Aids da noite para o dia?

Martin Shkreli, presidente da Turing, uma farmacêutica americana, acredita que é. Ele está no centro da controvérsia após uma reportagem do jornal The New York Times revelar o aumento do preço dessa magnitude para uma dose de Daraprim.

A droga é usada em tratamentos contra toxoplasmose, doença infecciosa causada por um protozoário encontrado nas fezes de felinos e que afeta pessoas que estão com seu sistema imunológico comprometido (por exemplo, por culpa da Aids ou de alguns tipos de câncer). É uma doença rara, porém potencialmente fatal.

O comprimido do Daraprim passou de US$ 13,50 (R$ 54) para US$ 750 (R$ 3 mil) após a Turing comprar, em agosto passado, os direitos para fabricar o medicamento, que está há 62 anos no mercado. O comprimido custa cerca de US$ 1 para ser produzido.

Mas Shkreli, um ex-gerente de fundos de investimento, diz que esse valor não inclui outros custos, como marketing e distribuição, que teriam aumentado drasticamente nos últimos anos e que a receita obtida será usada em pesquisas de novos tratamentos para a toxoplasmose.

"Precisamos ter lucro com essa droga. Antes de nós, as empresas estavam praticamente dando-a de graça", afirmou ele em entrevista à emissora Bloomberg.

Prática 'comum' ou 'revoltante'?

O executivo afirma que essa prática é comum na indústria: "Hoje em dia, medicamentos modernos, como drogas para câncer, podem custar US$ 100 mil ou mais. O Daraprim ainda está mais barato em relação a esses medicamentos."

A Sociedade para Doenças Infecciosas dos EUA, a Associação de Medicamentos para HIV (HMA, na sigla em inglês) e outros órgãos da área de saúde dos Estados Unidos publicaram uma carta aberta para a Turning, demandando que a empresa reconsidere o aumento.

"O custo é injustificável para pacientes vulneráveis que precisam do medicamento e insustentável para o sistema de saúde", disse o grupo no documento.Wendy Armstrong, da HMA, ainda questionou a necessidade de novos tratamentos para toxoplasmose. "Essa não é uma infecção para a qual buscamos medicamentos mais eficazes", disse ela ao site Infectious Disease News.

Na Bolsa de Nova York, as ações de empresas de biotecnologia caíram na segunda-feira após Hillary Clinton, pré-candidata à Presidência pelo Partido Democrata, dizer que o aumento é "revoltante".

Caso seja eleita, Clinton prometeu tomar medidas contra empresas que elevem demais os preços de medicamentos especializados, como é o caso do Daraprim. (Des)controle de preços.

Determinar o preço de um medicamento é uma questão delicada, e as regras para isso variam de acordo com cada país.

No Brasil, por exemplo, cabe à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), um órgão interministerial no qual a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responde por sua secretaria executiva, atuar neste mercado.

A CMED é responsável por monitorar os preços cobrados por drogas que já estão no mercado e auxiliar no estabelecimento dos preços para novos medicamentos.

Ainda determina os índices de ajuste anual de preços de acordo com critérios estabelecidos na lei federal 10.742, de 2003, como produtividade da indústria, variação dos custos de insumos e a concorrência no setor.Em março deste ano, o índice aplicado a 9.120 medicamentos variou entre 5% e 7,7%, seguindo a inflação registrada nos 12 meses anteriores, de acordo com o tipo de droga.

Os preços máximos para o consumidor, já incluídos os impostos, são informados pela Anvisa em seu site. Uma empresa pode ser multada caso descumpra essa determinação.

Mas não é assim que funciona nos Estados Unidos. Os principais compradores de medicamentos no país são as seguradoras de saúde e o governo. Nesse mercado, os preços variam de acordo com o que as pessoas estão dispostas a pagar.Doenças raras, lucro difícil.

No entanto, casos como o do Daraprim vêm despertando a atenção de consumidores e autoridades americanas para a forma como são determinados os preços de medicamentos no país.

Houve nas últimas semanas uma polêmica parecida quando subiu o preço de um medicamento para tuberculose. Sua fabricante, a Rodelis Therapeutics, voltou atrás e devolveu os direitos de fabricação para sua dona anterior, uma ONG associada a uma universidade.

No caso da Turing, Shkreli alegou que, nos últimos anos, a pesquisa e desenvolvimento de novas drogas desacelerou, e empresas precisam pensar com cuidado no que investirão.Medicamentos muito bem-sucedidos, como o Viagra, geram bastante dinheiro, mas drogas para doença raras são menos atraentes, porque menos pessoas as usam e torná-las lucrativas é mais difícil.

Segundo Shkreli, o aumento de preço não foi feito por ganância desmedida, mas por razões justificáveis do ponto de vista de seu negócio. Com isso, diz esperar criar um mercado que atrairá outras empresas para a busca por novos tratamentos para enfermidades raras.

Ele ainda afirma ter criado formas para dar a droga de graça para quem não puder pagar por ela.

Recuo

Shkreli chegou a dar sinais de que não recuaria do aumento, mas não resistiu à repercussão do caso. Ele afirmou nesta terça-feira à imprensa norte-americana que reduziria o preço do medicamento – sem, porém, informar quanto – e acusou os críticos de não entenderem o funcionamento da indústria farmacêutica.

"Nós concordamos em diminuir o preço do Daraprim até um patamar mais acessível e ao mesmo capaz de permitir à companhia ter lucro, embora bem pequeno", disse o presidente da Turing à ABC News.




Reduzir remédio pode aumentar longevidade

23/09/2015 - Correio Braziliense


Diminuir em 75% o medicamento para viver mais. A recomendação vem de um grupo de pesquisadores norte-americanos e tem como alvo quem sobreviveu a um ataque cardíaco. Segundo o estudo, divulgado nesta semana, na revista American College of Cardiology, as pessoas que ingerem apenas um quarto da dose de betabloqueadores usualmente prescrita são beneficiadas por um aumento da longevidade.

Os pesquisadores chegaram à conclusão após analisar 6.682 pacientes, cujas taxas de sobrevivência após um ataque cardíaco foram relacionadas à quantidade de betabloqueadores ingeridos. Esses medicamentos ajudam a prevenir a falha cardíaca ao deterem o efeito da adrenalina no coração, evitando, assim, a arritmia. A substância é prescrita a quase todas as vítimas de um ataque cardíaco.

Conforme o resultado, os pacientes que tomam 25% da dose recomendada têm 20% a 25% a mais de possibilidades de sobreviver em comparação àqueles que ingerem a regular. Pela pesquisa, 14,7% dos que receberam a dose completa morreram ao longo de dois anos. Em contrapartida, 12,9% dos que ingeriram meia dose morreram no mesmo período, assim como 9,5% dos que tomaram um quarto da dose.

Jeffrey Goldberger, professor de cardiologia da Escola de Medicina da Northwestern University e principal autor do estudo, diz que a constatação surpreendeu a equipe. “Acreditávamos que os pacientes tratados com doses menores iam ter uma taxa de sobrevivência pior”, disse. “Ficamos surpresos em descobrir que sobreviveram bem e, talvez, até melhor”.

O estudo, porém, não avaliou qual é a dose apropriada de betabloqueadores para cada pessoa. Segundo Goldberger, pesquisas nesse sentido estão sendo iniciadas, mas com resultados que poderão ser questionáveis. “Provavelmente, não há uma dose correta que sirva a todos”, explica o pesquisador. “Não faz sentido que a mesma funcione para um homem frágil de 80 anos que teve um pequeno ataque cardíaco e para um homem corpulento de 40 anos que sofreu um ataque forte.”




5.000% a mais por uma droga contra AIDS e câncer

21/09/2015 - Veja Online


No complexo e cada vez mais importante debate sobre os custos da saúde, acaba de surgir um personagem que vai galvanizar a atenção dos políticos e do público, e colocar o custo dos medicamentos no meio da campanha presidencial norte-americana.

Martin Shkreli, de 32 anos, se tornou uma espécie de jovem Mr. Burns do mundo real — o símbolo da ganância desenfreada — depois que o The New York Times publicou ontem a estória da Turing Pharmaceuticals, a empresa de medicamentos fundada e dirigida por Shkreli, ex-gestor de um fundo de investimentos. Em agosto, a Turing comprou os direitos de comercializar uma droga chamada Daraprim, um remédio que existe há 62 anos e é usado para tratar crianças com toxoplasmose e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, principalmente pacientes com AIDS e câncer.

Cada comprimido de Daraprim custava 13,50 dólares, até que a Turing aumentou o preço, da noite para o dia, para 750 dólares — meros 5.455% a mais.

O Times foi atrás e descobriu que aumentos abusivos no preço de medicamentos estão se tornando a cocaína da indústria farmacêutica americana.

Exemplo 1: A cicloserina é um medicamento usado para tratar um tipo de tuberculose resistente a vários tipos de drogas. Depois que foi adquirida pela Rodelis Therapeutics, o preço pulou de 500 dólares (a embalagem com 30 pílulas) para impagáveis 10.800 dólares. (A empresa ‘justificou’ ao NYT que precisava do aumento para investir mais e assim poder garantir o fornecimento.)

Exemplo 2: Recentemente, a Valeant (uma das maiores farmacêuticas dos EUA) comprou duas drogas para doenças coronarianas: a Isuprel e a Nitropress. Imediatamente, os preços subiram 525% e 212%, respectivamente. Detalhe: a empresa que anteriormente detinha os direitos já havia quintuplicado os preços das drogas desde 2013, quando as comprou de seu proprietário anterior. Exemplo 3: Um antibiótico chamado doxiciclina foi de 20 dólares em outubro de 2013 para 1.849 dólares em abril de 2014.

Hoje de manhã, a matéria do NYT explodiu na cena política americana. Hillary Clinton, a pré-candidata do Partido Democrata, tuitou que esse tipo de aumento abusivo é inadmissível e prometeu apresentar amanhã um plano para combater esta prática. O tweet de Hillary derrubou os preços de várias empresas farmacêuticas, e fez o índice Nasdaq despencar momentaneamente.

No sistema de saúde americano, o programa federal Medicaid (que tenta garantir acesso à saúde para os mais pobres) e alguns hospitais conseguem comprar medicamentos com desconto, mas as seguradoras privadas, o programa Medicare e pacientes hospitalizados costumam pagar o preço de tabela.

Shkreli, o Mr. Burns da estória, conseguiu piorar a situação com frases de sensibilidade ímpar. Explicando a explosão no preço da Daraprim à Bloomberg, ele disse: “Esta droga salva sua vida por 50 mil dólares. Isso ainda é uma barganha para as seguradoras. Neste preço, não é nem pra pensar.”

Para o próprio NYT, posou de empreendedor fazendo a coisa certa: “Isso aqui não é uma companhia gananciosa tentando lesar pacientes. É a gente tentando continuar no azul.” (ele argumenta que, como os pacientes tendem a usar a droga ‘apenas’ por algumas semanas, o aumento não é um ‘big deal’.) Por essas e outras, já foi chamado no Twitter de ‘bloodsucker’ e ‘pharma-Hitler’.

O problema é que Shkreli não tem credibilidade. De acordo com o Times, depois de lançar seu fundo de investimentos com vinte e poucos anos, Shkreli chamou atenção ao empregar uma tática que confirma seus limites éticos (ou a falta deles): ele fazia lobby junto à Food and Drug Administration (a agência do governo americano que aprova medicamentos) para que a agência não aprovasse drogas fabricadas por algumas empresas. Quais empresas? Aquelas contra as quais seu hedge fund apostava na Bolsa.

Uma pessoa que conhece Shkreli disse à coluna que a comparação com Mr. Burns é um insulto… a Mr. Burns. Mas, como a Daraprim é uma droga de uso limitado — houve apenas 8.800 receitas nos EUA ano passado — Shkreli provavelmente vai se safar.

O debate sobre custos médicos em geral (e de medicamentos em particular) está pegando fogo em todas as partes do mundo. Os fabricantes de medicamentos precisam de políticas públicas que não tolham a pesquisa e o investimento, já que as drogas não nascem do intelecto e boa vontade dos cientistas apenas, mas também do incentivo que os acionistas das empresas têm ao financiar as pesquisas.

Mas casos como o de Shkreli e os outros listados pelo NYT jogarão a opinião pública (com razão) contra a indústria, e os justos provavelmente acabarão pagando pelos pecadores.




Empresário sobe preço de remédio de US$ 13,5 para US$ 750

21/09/2015 - Portal Exame


Da noite para o dia, um medicamento criado há 62 anos, usado para o tratamento de doenças infecto parasitárias com risco de vida, como Aids e Malária, teve seu preço aumentado de US$ 13,50 para nada menos que US$ 750.

A decisão foi da farmacêutica americana Turing Pharmaceuticals, recém-criada pelo empresário Martin Shkreli, de 32 anos, dono da droga pirimetamina desde agosto.

Ao mesmo tempo em que Shkreli pagou para a farmacêutica Impax US$ 55 milhões pelo direito de venda da medicação, o empresário levantou US$ 90 milhões com investidores para a sua nova empresa.

Aumentou então, de uma só vez, o preço do remédio com o argumento de que usaria o dinheiro a mais para investir em novas drogas.

O fato deixou especialistas em doenças infecciosas e usuários do droga enfurecidos com a situação.

Isso porque, além de aumentar em milhões o custo anual do tratamento com o uso da medicação, as acusações é de que o aumento visa apenas o lucro da empresa.

O reflexo dessa revolta pode ser visto nos posts das pessoas nas redes sociais (abaixo).

Pouco saudável

O histórico da carreira de Shkreli mostra que o empresário tem uma visão pouco saudável de como lidar com uma companhia cujo fim é promover tratamento de saúde.

Em 2011, ele fundou uma empresa que comprou direito de drogas antigas e, da mesma maneira, aumentou os preços sem justificativa.

Um dos conselheiros da Retrophin acusou o antigo chefe de usar a companhia como um cofrinho pessoal para pagar investidores ávidos por lucros, sem pensar na missão do negócio.

Sobre a Turing, os americanos questionam o que mudou na medicação em menos de um mês para que seu preço fosse multiplicado em mais de 50 vezes.

Também colocam em questão o fato da despreocupação da empresa com o fornecimento de um remédio essencial para tratar a toxoplasmose, que pode causar doenças graves e até fatais em bebês nascidos de mulheres que se infectaram durante a gravidez.

A droga também é usada para as pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, como pacientes com AIDS, Malária e de certos tipos de câncer.

Shkreli se defende e diz que essa é uma tentativa da empresa se manter no azul.

De acordo com uma entrevista dele ao New York Times, muitos pacientes usam a medicação por muito menos do que um ano.

O preço, segundo ele, teria de estar alinhado ao de outros também usados para tratar doenças raras.

"Este ainda é um dos produtos farmacêuticos mais baratos do mundo e não faz sentido qualquer crítica sobre isso (aumento de preço)", disse o empresário.




CFM suspende teto de idade para reprodução assistida

23/09/2015 - Folha de S.Paulo


Após dois anos em vigor, o CFM (Conselho Federal de Medicina) alterou a regra que fixava a idade de 50 anos como limite para uma mulher poder ser submetida às técnicas de reprodução assistida.

Desde 2013, pacientes que tivessem mais do que essa idade deveriam recorrer a Conselhos Regionais de Medicina para obter uma autorização para o procedimento – em muitos casos, o pedido era negado e o recurso chegava ao CFM.

Agora, o tratamento pode ser adotado desde que o médico responsável e a mulher assumam os riscos de uma gravidez tardia, como hipertensão e diabetes.

"Toda mulher tem sua autonomia, e o médico tem que fazer uma análise dessa autonomia. Houve uma demanda muito grande aos [conselhos] regionais e ficamos sensibilizados", disse Hiran Gallo, coordenador da câmara técnica sobre o tema no CFM.

O médico pondera que a entidade ainda defende a idade de 50 anos como limite máximo para as candidatas. "Continuamos alertando que há um risco muito grande para a mulher e o feto", afirma.

CASAIS GAYS

A nova resolução do CFM explicita ainda a permissão para que um casal gay feminino realize gestação compartilhada –quando uma mulher pode implantar o embrião gerado a partir da inseminação de um óvulo da parceira.

"A principal dúvida era a de que o óvulo [doado] deveria ser anônimo, e não da parceira. Mas há o reconhecimento da união homoafetiva, então ele se comporta como um casal", explica Adelino Amaral, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, que participou das discussões que levaram à nova resolução.

O texto altera ainda a regra de seleção para transplante. Fica permitida a seleção de embriões compatíveis com um filho apenas para um futuro transplante de células-tronco, e não mais para órgãos, como antes definido.

"Doação de órgãos significa você criar uma criança para doar um rim [por exemplo]. É uma situação que a gente considera perigosa", afirma Amaral.

"BARRIGA DE ALUGUEL"

O Conselho Federal de Medicina suspendeu também a idade limite de 50 anos para mães, irmãs, avós, tias ou primas atuarem como barriga de aluguel. O texto da nova resolução prevê que "demais casos" estarão sujeitos à autorização dos conselhos regionais.

"[Houve caso em que] foi feito levantamento e a paciente não tinha nenhuma pessoa para fazer solidariedade em quarto grau de parentesco. E foi autorizada [a prática]", disse Hiran Gallo.

Ficam mantidas as regras de descarte de embriões (congelados por mais de cinco anos) e o impedimento para uso de técnicas de reprodução assistida para escolha do sexo do bebê.

Todas essas alterações nas regras ligadas à medicina reprodutiva devem ser publicadas nos próximos dias no "Diário Oficial da União", a partir de quando entram em vigor.

PLANOS

Os planos de saúde brasileiros não são obrigados a custear técnicas de reprodução assistida, mas muitos casais têm recorrido à Justiça para obrigá-los o oferecer o tratamento. Também não há obrigatoriedade de custeio pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

No ano passado, foram registrados cerca de 28 mil ciclos de fertilização e foram congelados por volta de 48 mil embriões nas clínicas de reprodução assistida do país.




CFM libera reprodução após os 50 anos com aval de médico

23/09/2015 - O Estado de S.Paulo


O Conselho Federal de Medicina (CFM) tornou menos rígidas as normas para reprodução assistida de mulheres com mais de 50 anos.A resolução anunciada ontem atualiza normas estabelecidas há dois anos e também cria regras que facilitam a gestação compartilhada entre casais formados por mulheres.

Pela nova regra, o procedimento será permitido às mulheres mais velhas quando houver autorização do médico responsável e forem oferecidas as devidas informações sobre os riscos da gestação. Anteriormente, os profissionais não tinham essa autonomia e os casos precisavam obrigatoriamente ser avalizados pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs).

A idade máxima de 50 anos para as mulheres se submeterem à reprodução assistida foi estabelecida pela primeira vez em 2013. Na época, o conselho nacional justificou a determinação da idade com base nos riscos de hipertensão, diabete e partos prematuros.

“Toda mulher tema sua autonomia e o médico tem de fazer a avaliação. Se esta gravidez for arriscada, ele vai assumir a responsabilidade sobre qualquer dissabor que acontecer com essa mulher ou com o binômio mãe e feto”,explica o coordenador da Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia do CFM, José Hiran Gallo.

Para Newton Busso, presidente da comissão nacional especializada em reprodução humana da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a mudança deixou a resolução mais próxima da realidade. “Essa resolução é um aperfeiçoamento da anterior, que tinha situações que não eram claras.Ela se adaptou à realidade, porque o que estabelece o limite de idade são as condições clínicas.” Há dois meses,a cirurgiã dentista Silvia Aparecida de Mello Arraval Arrabal, de 54 anos, tornou-se mãe dos gêmeos Rafaela e Miguel, após quatro anos lutando na Justiça. Ela comemorou a nova resolução. “É maravilhoso, porque eu sofri e gastei muito. Isso vai facilitar, pois muitas mulheres têm saúde compatível, mas não podiam ter filhos por causa da regra.”

Casais gays. O documento também deixou as regras para o uso do procedimento em casais gays formados por mulheres mais claras. Elas podem fazer a gestação compartilhada, quando uma mulher pode receber o embrião gerado com base na fertilização do óvulo da parceira.

Sobre a doação de espermatozoides e de óvulos, o texto define que somente a primeira opção é permitida.




Saúde destina R$ 96 mi para estados ampliarem o SUS

22/09/2015 - Portal Brasil


O Ministério da Saúde destinou R$ 96 milhões para custeio das ações da área de Média e Alta Complexidade (MAC) de 20 estados. O objetivo do reforço orçamentário é ampliar o atendimento prestado à população na rede pública e conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

As ações do bloco de financiamento MAC incluem a ampliação e melhoria da Rede Cegonha, Rede de Urgência e Emergência, possibilitando a habilitação de novos serviços como leitos de UTI Adulto, Pediátrico e Neonatal, e Centros de Trauma.

As portarias que estabelecem os novos recursos foram publicadas na segunda-feira (21), no Diário Oficial da União (DOU).

Os valores incluem a expansão da rede de atendimento nas regiões beneficiadas, com a habilitação de Leitos de UTI Adulto, Pediátrico, Neonatal, Unidades de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa), Unidades de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo), Unidades de Terapia Intensiva Coronariana (UCO), Unidades de Cuidados Prolongados (UCP) e Unidades de Cuidado aos Pacientes com Acidente Vascular Cerebral (U-AVC), além de Leitos Clínicos de Retaguarda no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dentro do Plano de Expansão da Rede de Urgências e Emergências, o município de Patos de Minas (MG) foi contemplado com o montante de R$ 3 milhões por ano (R$ 250 mil/mês) para a qualificação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h).

No município de São Luís, no Maranhão, o Hospital Dr. Carlos Macieira passa a ser habilitado em Serviços de Nefrologia e receberá o valor de R$ 3,1 milhões por ano, em forma de custeio, para manutenção do novo serviço. A verba será paga mensalmente, na ordem de R$ 262 mil, por meio do Fundo Estadual de Saúde.

Centros de Trauma

Parte das portarias publicadas destinam R$ 6,8 milhões para habilitar oito centros de trauma, nos estados do Paraná (Hospital e Maternidade Ivaiporã / Hospital e Maternidade Municipal de São José dos Pinhais / Hospitalar Angelina Caron), Minas Gerais (Casa de Caridade de Carangola / Hospital São Sebastião / Hospital Cesar Leite) e São Paulo (Hospital de Base de São José do Rio Preto).

Os centros de trauma são estabelecimentos de saúde integrantes da Linha de Cuidado ao Trauma da Rede de Atenção às Urgências e Emergências que desempenham o papel de referência especializada para atendimento aos pacientes vítimas de trauma.

Rede Cegonha

Para o programa Rede Cegonha, do Ministério da Saúde, serão destinados R$ 6,3 milhões para reforçar a assistência integral, especializada e gratuita à saúde das mulheres (antes, durante e após a gestação) e das crianças recém-nascidas.

Por meio desta estratégia, o governo federal tem incentivado, por exemplo, o parto normal humanizado. Entre as ações adotadas pela pasta está a implantação de Centros de Parto Normal, onde a mulher é acompanhada por uma enfermeira obstetra ou obstetriz, em um ambiente devidamente preparado para que possa se movimentar livremente e ter acesso a métodos não farmacológicos de alívio da dor.

O Ministério da Saúde também está desenvolvendo uma série de ações voltadas para a formação e a capacitação de profissionais de saúde, como médicos, enfermeiras obstétricas e obstetrizes.

As secretarias de saúde dos estados e municípios também estão contando com o apoio do Ministério da Saúde para reorganizarem a rede de assistência, tanto no sentido técnico quanto no financiamento, criando estratégias e políticas de atendimento mais eficientes e ampliando leitos nas áreas de maior necessidade, como os leitos de UTI Neonatal, definindo, assim, diretrizes e objetivos para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido grave ou potencialmente grave.

Os 20 estados contemplados

Rio Grande do Norte (Natal / Parnamirim / Pau dos Ferros), João Pessoa, Paraíba, Pará (Capanema), Rondônia (Porto Velho), São Paulo (São Paulo / São José do Rio Preto / Marília / Campinas / Assis), Goiás (Goiânia), Acre, Pernambuco (Recife), Espírito Santo (Cachoeiro de Itapemirim), Santa Catarina (Rio do Sul / Blumenau / Jaraguá do Sul / Caçador), Paraná (Londrina / São José dos Pinhais / Ivaiporã / Campina Grande do Sul / Francisco Beltrão), Minas Gerais (Minas Gerais / Manhuaçu / Patos de Minas / Três Corações / Ouro Preto), Aracajú (Sergipe), Bahia (Salvador), Goiás (Goiânia), Maranhão (São Luís), Alagoas, Piauí (Parnaíba / Teresina / Floriano) e Tocantins.




Um transplante contra as superbactérias

23/09/2015 - Correio Braziliense


O uso indiscriminado de antibióticos pode resultar no surgimento de micro-organismos resistentes ao tratamento e responsáveis por infecções hospitalares fatais. A estimativa é de que hoje as superbactérias matem 700 mil pessoas por ano no mundo. Um estudo publicado na revista científica Plos Pathogens sugere uma intervenção inusitada para evitar que a ação de dois patógenos responsáveis por cerca de 10% das contaminações sem controle seja potencializada: o transplante fecal.

O procedimento consiste em utilizar fezes de pessoas saudáveis para colonizar o intestino de pacientes que sofrem um desequilíbrio crítico na microbiota. “Ocorre uma briga por alimento, as bactérias saudáveis comem os alimentos das resistentes, eliminando-as”, explica Arnaldo José Ganc, gastroenterologista do Hospital Israelita Albert Einstein. A instituição realiza o procedimento há dois anos.

O estudo detalhado na revista científica foi feito com ratos e pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, nos Estados Unidos. Observou-se, no intestino das cobaias, as interações entre a Enterococcus faecium (VRE), resistente ao antibiótico vancomicina; e a Klebsiella pneumoniae, resistente ao carbapenes. Comuns na microbiota, os dois patógenos, em situação de desequilíbrio, podem se espalhar pelo resto do corpo ou para outros pacientes, causando infecções localizadas ou sistêmicas.

A primeira descoberta do grupo foi a de que as bactérias ocupam os mesmos locais no intestino e não competem entre si. Esse dado sugere que elas satisfazem as suas necessidades metabólicas específicas sem disputar por nutrientes. Já se sabia que o transplante de fezes de ratinhos saudáveis para os doentes pode eliminar a VRE. A intenção era saber se o mesmo procedimento pode limpar o intestino da K. pneumoniae e depois da VRE com a K. pneumoniae.

As cobaias foram contaminadas com as duas superbactérias simultaneamente. Durante três dias consecutivos, um grupo foi submetido ao transplante fecal. Outro recebeu uma solução de controle estéril, composta por medicamentos que exterminam de forma indiscriminada os micro-organismos. Em todos os roedores submetidos ao transplante, a K. pneumoniae diminuiu em um dia e se tornou indetectável no prazo de sete dias. A VRE foi eliminada em 60% desses animais e reduzida nos 40% restantes.

Nos bichos do grupo de controle, o nível dos patógenos permaneceu elevado. “A descoberta dessas características, anteriormente desconhecidas, de como a VRE e a K. pneumoniae colonizam e se disseminam no intestino, dará indicativos de como erradicá-las”, explica Eric Pamer, do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center e um dos coautores do trabalho.

Guilherme Andrade, gastroenterologista e coordenador do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, tem opinião parecida. “A pesquisa é uma esperança concreta para pacientes que são infectados por bactérias resistentes nos hospitais, local em que elas são mais encontradas”, comemora. Segundo o especialista, a estimativa é de que o corpo de um adulto tenha 2kg só de bactérias.

“Elas vivem no intestino e carregam 100 vezes a carga genética de um ser humano. Antes, usávamos remédios que eliminavam toda a flora intestinal, o que desregula o intestino. Já o transplante fecal repovoa o intestino com bactérias boas e mata as más.” O procedimento, porém, tem riscos. As fezes são uma mistura complexa de bactérias e outros micro-organismos; embora exista uma análise rigorosa com os doadores, a possibilidade de que um agente patogênico passe despercebido é real.

No Brasil

O primeiro transplante fecal realizado no Brasil foi feito no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, em 2013. A técnica foi utilizada para o tratamento da colite (inflamação do intestino grosso) pseudomembranosa causada pelo Clostridium difficile. Desde então, segundo Arnaldo José Ganc, gastroenterologista da instituição, 35 procedimentos foram realizados. “Em apenas dois, precisamos refazê-lo”, conta.

Apesar dos resultados promissores, a prática é pouco difundida entre a comunidade médica brasileira.“Aqui, ainda existe muita resistência em relação ao transplante fecal. Fora do país, esse é um procedimento utilizado há muito tempo. Difundi-lo aqui será um grande passo para reverter infecções que podem ser fatais”, aposta Victor Yokana, do Núcleo de Gastroenterologia do Hospital Samaritano de São Paulo. A adoção do transplante fecal tem que passar pelo crivo do comitê de ética do hospital em que será feito o tratamento.

Relação estratégica

O corpo humano contém uma grande quantidade de germes, milhões de organismos com os quais partilhamos o espaço chamado de microbioma. Esses seres microscópicos desempenham um papel fundamental em numerosas funções fisiológicas. Por isso, têm uma grande influência sobre a nossa saúde. O estudo deles é uma das áreas mais ativas da biologia atualmente, e os cientistas estão apenas começando a arranhar a superfície para encontrar as relações complicadas entre o microbioma intestinal humano com doenças do aparelho digestivo, como a síndrome do intestino irritável; e outras que aparentemente não se relacionam, a obesidade e o diabetes, por exemplo.




Inca completa 500 cirurgias de câncer com robôs desde 2012

21/09/2015 - Terra


Primeiro hospital do Sistema Único de Saúde (SUS) a incluir a robótica em procedimentos cirúrgicos, o Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca) completou em agosto deste ano 500 cirurgias, desde março de 2012, feitas com auxílio do robô Da Vinci, equipamento adquirido em dezembro de 2011, ao custo estimado de US$ 2,6 milhões.

O cirurgião da Área de Cabeça e Pescoço do Inca, Fernando Luiz Dias, disse hoje (21) que essa ferramenta permite realizar cirurgias que, no passado, eram feitas de maneira tradicional, com índice de morbidade ou possibilidade de complicação muito elevados. Incisões externas e eventuais acessos cirúrgicos por estrutura óssea da face, no caso de cirurgias de cabeça e pescoço, faziam o paciente sofrer muito mais pelos efeitos desse acesso cirúrgico do que a retirada do tumor em si, comentou o cirurgião.

“O robô trouxe a possibilidade de fazermos essas cirurgias sem a necessidade desses acessos cirúrgicos. Fazemos diretamente pela cavidade natural, que é a boca”. O uso da robótica reduziu o tempo das cirurgias de quatro a cinco horas para menos de uma hora e a internação, que durava de sete a oito dias, foi reduzida para três a quatro dias.

Segundo o especialista, o novo equipamento proporcionou ao corpo médico do Inca acumular uma experiência com cirurgia robótica incomparável: “Eu diria que o Inca tem hoje a maior experiência brasileira em cirurgia robótica, não só em cabeça e pescoço, mas também em outras especialidades”. Nessa área, foram operados mais de 150 pacientes desde março de 2012.

O robô é utilizado no Inca também em cirurgias de tumores abdominais, urológicos e ginecológicos. Como as cirurgias são cada vez mais rápidas com o uso do robô, os médicos do Inca podem fazer de dois a três procedimentos por dia, durante os cinco dias úteis e a expectativa é operar pelo robô entre oito e dez doentes por mês com câncer de pescoço e cabeça. O robô é cedido a cada especialidade médica durante um dia por semana.

Além de ser mais rápido, o procedimento robótico reduz a exposição de tecido corporal do paciente, que ocorre na cirurgia aberta. “A dor é muito menor, o incômodo é muito menor, a necessidade de o paciente ser submetido a uma traqueostomia também é muito menor. Enfim, existe uma série de ganhos de conforto do paciente para os quais essa cirurgia seja indicada e que auxilia na reabilitação desse paciente na sua vida cotidiana e, eventualmente, até na sua vida profissional”.




Netfarma busca novo rumo para operação

22/09/2015 - Valor Econômico


A Netfarma, maior farmácia on-line do país, está em processo de reestruturação para tentar dar outro rumo ao negócio. A empresa não quer ser exclusivamente uma varejista de medicamentos e produtos de higiene e beleza. Vai tentar montar um modelo de negócios que ofereça estrutura maior de serviços e atendimento na área de saúde e bemestar.

Segundo informações que circulam no mercado, a Netfarma quer criar uma operação mais completa para uma provável venda no futuro.

Grupos internacionais têm planos de entrar ou ampliar a atuação no país e a Netfarma já teria sido sondada nos últimos anos por redes estrangeiras e locais. "Nunca vamos deixar de ser uma rede de venda on-line de farmácias, mas não dá para ser apenas isso. Algumas ações para ampliar a atuação estão sendo desenhadas pelo comando", diz o presidente da Netfarma, Eduardo Mangione, ex¬ P&G, e no cargo há quatro meses.

Criada em 2012, a empresa tem como sócios Omilton Visconde Jr., fundador da Biosintética e Segmenta, com 52% das ações? Alexandre Panarello, exdiretor geral da distribuidora Panarello, com 33%? e Nelson Libbos e Walter Geraigire com 7,5% cada. Márcio Kumruian, da Netshoes, vendeu sua participação na sociedade em 2014, mas se mantém como conselheiro.

Medidas serão voltadas para um formato de atendimento mais ativo e próximo ao cliente ¬ cobrando por isso. Atualmente, no máximo, o consumidor da Netfarma consegue fazer a compra programada, determinando as datas para receber produtos de uso contínuo. A Netfarma evita detalhar as ações, mas no mercado, comenta-se que o formato planejado passaria por um acompanhamento menos burocrático da situação de saúde do cliente. O consumidor poderá ter uma espécie de ficha on-line com histórico de compras de medicamentos. Os dados estarão acessíveis para consulta de seu médico.

Outro caminho é um atendimento mais individual de pacientes que tomam medicamentos de forma recorrente, apurou o Valor, por meio de uma equipe de médicos e farmacêuticos, pagando um valor mensal pelo serviço.

Outras redes também têm analisado o segmento de serviços de saúde. A Raia Drogasil comprou, há dois meses, uma varejista de medicamentos e o diferencial será atendimento e serviços ao cliente. Para analistas, existe uma movimentação no sentido de as redes se "descolarem" da concorrência no varejo de farmácias, focado basicamente em preço e ofertas, com batalha forte por rentabilidade, para ampliar margem em serviços.

A Netfarma afirma que reduziu o ritmo de expansão para concluir mudanças internas neste ano. Um novo centro de distribuição deve ser aberto junto a um novo escritório, em Carapicuíba (SP), em algumas semanas. Sistema de gestão também foi trocado, em maio. O atual centro e a sede ocupam 2,6 mil m2 e a nova área terá 8,2 mil. "Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, colocar a equipe para vender mais e ainda tocar as mudanças. Decidimos segurar um pouco o crescimento este ano", diz ele A companhia prevê crescer de 25% a 30% em 2015 (quando deve atingir receita bruta na faixa de R$ 60 milhões), versus 150% em 2014. Questionado se o menor ritmo de expansão reflete efeito negativo da crise sobre a empresa, Mangione nega. "Perdemos velocidade porque mudamos o foco, se houve queda porque a demanda caiu, eu não consigo identificar isso dentro do meu número, porque nós decidimos já desacelerar".

Segundo o executivo, a empresa, operando no prejuízo, estima entrar no ponto de equilíbrio no prazo de um ano e meio. E considera a possibilidade de entrada de novos fundos de investimento após 2016. "Já estaremos mais estruturados até lá, aí essa entrada faz mais sentido. Podemos fazer os aportes com os sócios atuais e as portas para novos fundos podem estar abertas após 2016".




TRATAMENTOS ATUAIS PARA O PARKINSON

22/09/2015 - Revista Viva Saúde Online


Esta é uma doença neurológica degenerativa em que há perda de neurônios no sistema nervoso com especial acometimento das células nervosas. “Hoje o tratamento do Parkinson é multidisciplinar. Há um ‘tripé’ terapêutico com medicações específicas, reabilitação física e cognitiva e procedimentos operatórios”, conta Erich Fonoff, neurocirurgião do Núcleo da Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês (SP). Ele diz que esses fármacos são de vários tipos e trazem melhora, e com eles os pacientes têm redução dos sintomas e têm atingindo ótimo resultado funcional. Fonoff afirma que a cirurgia auxilia quando há necessidade. “E é indicada quando as medicações não trazem melhora satisfatória”, diz. Outra forma de tratar é pela estimulação cerebral profunda (DBS), técnica neurocirúrgica. Se aplicada no alvo escolhido, modifica as oscilações cerebrais patológicas do Parkinson, sendo ocasionadas pela perda dos neurônios dopaminérgicos.




Dilma fortalece PMDB com a Saúde

23/09/2015 - Correio Braziliense


Para garantir a manutenção dos vetos, barrar processos de impeachment no Congresso e assegurar a aprovação da CPMF encaminhada ontem ao Congresso, a presidente Dilma Rousseff deu a alma do governo ao PMDB e ofereceu à legenda o Ministério da Saúde, a pasta com o maior orçamento da Esplanada: R$ 109,2 bilhões, de acordo com números deste ano.

“A aprovação da CPMF é uma construção. Claro que, se de fato estivermos no governo, o diálogo nesse sentido será muito mais fácil”, admitiu o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). Reunida ontem no plenário 2 da Câmara, a bancada do PMDB na Casa — que tem integrantes que defendem abertamente o impeachment da presidente — aprovou por ampla maioria os nomes para o Ministério da Saúde e para a pasta de infraestrutura, que será fruto da fusão das Secretarias de Portos e Aviação Civil. Para a primeira, foram aprovadas as indicações de Marcelo Castro (PI) e Manoel Júnior (PB). Para a segunda, Celso Pansera (RJ), José Priante (PA) e Carlos Marun (MS).

Das cinco opções apresentadas pela legenda, quatro têm uma ótima ligação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). O Planalto sabe que o peemedebista, que tem em suas mãos o poder de engavetar ou dar seguimento aos pedidos de impeachment de Dilma, precisa ser cortejado. As bancadas do PSB na Câmara e no Senado, por exemplo, fecharam questão a favor do afastamento da presidente, embora os governadores da legenda, como Rodrigo Rollemberg (DF), sejam contrários à iniciativa.

Dilma quer manter o atual ministro Eliseu Padilha na provável pasta de infraestrutura. Apesar de não ter sido aliado de primeira hora, a presidente reconhece o esforço que ele fez, ao lado do vice-presidente Michel Temer, para aprovar o primeiro ajuste fiscal enviado ao Congresso. Mas os deputados esperam ser contemplados com essa indicação, já que Padilha não é mais parlamentar e “não representaria a bancada do PMDB na Casa”.

Dilma, que começou a pensar seriamente na possibilidade de ceder ao PMDB o Ministério da Saúde, após o pedido expresso feito pelo governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, em audiência na tarde de segunda-feira, precisa administrar outro problema. O Ministério da Pesca será anexado à da Agricultura. Bom para Kátia Abreu, mas, com isso, Helder Barbalho — filho do senador Jader Barbalho — perde assento na Esplanada.

Jader está possesso. Dilma avisou que encontrará um lugar adequado para Helder, mas o pai continua irritado. O senador paraense foi fundamental para reaproximar Dilma do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), na época em que este mantinha arroubos oposicionistas explícitos. “Jader foi fundamental para nós em um dos momentos mais agudos da crise, quando perdemos Eduardo Cunha e víamos Renan nos escapando das mãos. Dilma saberá recompor-se com ele”, assegurou um interlocutor palaciano.

Papel

Se o cenário com o PMDB da Câmara está delineado, Dilma precisa definir o papel dos senadores. Kátia Abreu (Agricultura) e Eduardo Braga (Minas e Energia) serão mantidos nos cargos. Não que sejam os favoritos do líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). Mas, de olho na sucessão de Renan na presidência da Casa, em 2017, Eunício não quer exonerar senadores da Esplanada para que estes voltem para a bancada irritados com ele. Tentou emplacar um nome para a Integração Nacional, mas Dilma não demonstrou disposição de mexer com o PP — o titular da pasta é Gilberto Occhi.

Mas Renan quer ser compensado pela fidelidade. Ele está de olho no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), que deverá ter anexado a ele o Ministério do Turismo. O problema é que Dilma gosta de Armando Monteiro Neto. Ele foi o primeiro nome da área econômica anunciado por ela no ano passado. Mas ele desgastou-se ao criticar a segunda etapa do ajuste fiscal, que pretende cortar R$ 8 bilhões do Sistema S, responsável pelo treinamento e aperfeiçoamento de trabalhadores para a Indústria.

Dilma também recuou da disposição de tirar o status de ministério de algumas pastas, como a Advocacia-Geral da União (AGU). “Pela função que exercemos, pela interlocução que temos com todas os Ministérios da Esplanada, acho importante que mantenham o status de ministério”, defendeu o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Ele esteve ontem no Tribunal de Contas da União (TCU) para apresentar àquela corte propostas do governo para evitar a repetição de procedimentos como as “pedaladas fiscais”.

O novo desenho

Para não melindrar aliados, Dilma Rousseff abre espaço para o PMDB e desiste de fundir pastas. Confira:

» No Ministério da Saúde, a presidente Dilma Rousseff oferecerá a pasta à bancada do PMDB da Câmara dos Deputados.

» As secretarias dos Portos e da Aviação Civil serão fundidas em uma pasta de infraestrutura, a ser comandada pelo PMDB. As pastas não serão mais anexadas ao Ministério dos Transportes para não melindrar o PR.

» O Ministério da Pesca será anexado ao Ministério da Agricultura.

» Será criado o Ministério da Cidadania, englobando Direitos Humanos, Políticas para Mulheres e Igualdade Racial.

» O Ministério da Micro e Pequena Empresa será fundido ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

» A pasta do Turismo também poderá ser fundida ao MDIC, ou ao Esporte. Não há, contudo, ainda decisão sobre isso.

» O Banco Central, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) devem manter status de ministério.

» O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) será fundido ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).




Prevenção no DNA

22/09/2015 - Correio Braziliense


O mapeamento do genoma humano representou um avanço sem precedentes para a medicina. Hoje, sabe-se que fatores genéticos estão presentes em patologias das mais variadas especialidades médicas, seja determinando, seja contribuindo, em conjunto com outros fatores ambientais e não genéticos, para a eclosão de doenças. Esse conhecimento pode ajudar a evitar enfermidades antes mesmo da concepção, no caso de uma reprodução assistida. Há ainda importantes testes durante a gestação que preparam familiares e especialistas para uma atenção especial no parto.

Segundo Marcos Aguiar, professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Serviço de Genética do Hospital das Clínicas, quando se pensa na genética em função da prevenção, a primeira coisa a se fazer é uma história familiar. “Por meio dela, sabemos se há risco aumentado para algumas doenças. Temos exames para identificar isso, embora ainda exista uma série de limitações”, diz.

Aguiar explica que, para a maioria das patologias, principalmente as mais comuns, ainda não se sabe exatamente como é a interação entre os fatores genéticos e os ambientais. “Já foram identificados, por exemplo, muitos genes relacionados ao diabetes, mas poucos daqueles que definem se a pessoa terá ou não a doença”, ressalta.

Esses são os chamados genes de predisposição. “Quando a pessoa tem uma mutação, pode ter uma chance maior de desenvolver a doença. É preciso que fique claro que não significa que ela vai ter o problema. Trata-se de uma indicação de uma probabilidade maior”, ressalta Aguiar. Segundo o especialista, a grande questão é que a maioria das doenças, as mais comuns, não depende apenas de fatores genéticos, mas também dos externos.

“No caso de um diabético, mais importante do que identificar os genes é fazer uma dieta adequada. O mesmo se aplica àqueles com histórico familiar de cardiopatias isquêmicas, como o infarto. Nessa condição, mais importante do que fazer um estudo genético é praticar exercício físico e ter uma dieta saudável”, exemplifica.

Aguiar explica que a genética ajuda muito na identificação de grupos de risco. Como entre pessoas com um histórico familiar de câncer, já que existem alguns tumores malignos com natureza genética. “Se for encontrada uma mutação de gene, não significa que a pessoa necessariamente terá câncer. Uma mutação nos BRCA1 e BRCA2, por exemplo, indica uma maior probabilidade de a mulher ter câncer de mama e de ovário e de o homem ter câncer de mama e de próstata”, pondera.

Mais indicados

Quando procurar um geneticista? Para Aguiar, as situações mais comuns são quando existe uma doença genética bem estabelecida na família, como fibrose cística, anemia falciforme, síndrome de Down e outras máformações, além do câncer. Outra situação são casais que planejam engravidar e têm um filho, parente próximo ou são consanguíneos de alguém com má-formação.

Mulheres com histórico de abortamento de repetição, que tiveram um filho natimorto e aquelas com mais de 35 anos também podem se beneficiar de uma investigação desse tipo. “O geneticista pode ajudar na prevenção para que os problemas não ocorram de novo ou informar sobre os riscos para que as pessoas tomem suas decisões reprodutivas”, explica.

O Projeto Genoma Humano representou uma revolução em relação às gestações de risco, ao tratamento fetal e ao aconselhamento familiar. Segundo Anisse Chami, médica geneticista do Grupo Hermes Pardini e da Rede Mater Dei de Saúde, ao se pensar em genética e prevenção, é preciso considerar os cuidados maternos para evitar má-formações congênitas e doenças genéticas antes mesmo da gravidez.

“O uso do ácido fólico evita defeitos do tubo neural, estrutura que forma o sistema nervoso central. O consumo de álcool durante a gestação pode causar graves e diversos problemas para o feto, culminando, inclusive, em um quadro chamado síndrome alcoólica fetal. Doenças maternas como lúpus eritematoso sistêmico, obesidade e diabetes melitus devem ser controladas, pois estão associadas a má-formações congênitas. Determinados medicamentos de uso controlado, muitas vezes, também requerem substituições por outros que não causariam problemas fetais”, lista Chami.

Gravidez assistida

Segundo Rívia Mara Lamaita, ginecologista especialista em infertilidade, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Centro de Reprodução Humana da Rede Mater Dei de Saúde, ainda entre os cuidados pré-gestacionais, existe a possibilidade de fazer um diagnóstico genético pré-implantacional (PGD). Nesse tipo de rastreamento, depois de identificada alguma doença genética na família do pai ou da mãe, pesquisa-se se alguns dos embriões candidatos à implantação têm a mesma mutação para que seja evitada a implantação de um embrião não saudável.

A outra opção é o screening cromossômico pré-gestacional (PGS), que avalia casais com risco reprodutivo aumentado de ter anomalias cromossômicas por causa da idade, por exemplo. O acesso a esses exames, entretanto, ainda é pequeno — o PGS custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil, por exemplo. Por outro lado, eles podem garantir, se identificada alguma dessas situações, a possibilidade de fazer uma seleção de embriões com o objetivo de evitar uma doença gênica. “É possível ainda eleger o melhor embrião para uma gravidez saudável, o que também pode diminuir a incidência de gestação múltipla”, explica Rívia.




Viver de sombra: exposição proposital ao Sol por vitamina D divide médicos

22/09/2015 - Folha de S.Paulo


A vida moderna, com o ar-condicionado dos escritórios, tem um problema: a baixa exposição ao Sol abala a produção de vitamina D.

Além de passarmos muitas horas em ambientes fechados, o uso do protetor -fundamental contra o câncer de pele- também reduz a exposição.

Em vários países, estudos têm apontado carência de vitamina D na população -a luz artificial, sem raios ultravioletas, não substitui o Sol.Um estudo da USP com 603 funcionários da universidade entre 18 e 90 anos apontou que 77% deles tinham algum grau de hipovitaminose D.

Outros países fizeram estudos mais abrangentes.

Nos Países Baixos, o Estudo Longitudinal de Envelhecimento apontou que 45% dos homens e 56% das mulheres tinham níveis de vitamina D abaixo de desejável. Outras pesquisas mostram fenômeno parecido nos EUA.

A vitamina D é importante por atuar na absorção de cálcio e fosfato da dieta, na mineralização dos ossos e no controle de mais de 200 genes, incluindo os responsáveis pela proliferação, diferenciação e morte das células.

Baixos níveis de vitamina D estão associados a diversas doenças, como osteoporose, raquitismo, esclerose múltipla e doenças cardiovasculares. alimentação

Apesar do nome, a vitamina D não é uma vitamina. É um hormônio, nomeado erroneamente ao ser descoberto, no início do século passado.

Para o neurologista e professor da Unifesp Cícero Coimbra, a confusão cria problemas. "Vitamina passa a ideia de que é possível obtê-lo só a partir da alimentação."

O Institute of Medicine (IOM), que emite as recomendações dietéticas nos EUA e Canadá, sugere o consumo de 600 UI (Unidades Internacionais) de vitamina D por dia.

Não é consenso, porém. Um estudo publicado no periódico "Nutrients" argumenta que a recomendação deveria ser de 7000 UI. No Hospital Sírio-Libanês, o ginecologista Alexandre Pupo diz recomendar de 800 a 1000 UI às pacientes.

Cem gramas de salmão têm entre 100 e 250 UI de vitamina D. A gema do ovo tem 20 UI.

O Sol é bem mais eficiente: só cinco ou dez minutos de exposição direta de pernas e braços, sem protetor, garantem cerca de 3000 UI. Ou seja, para ter carência de vitamina D, é preciso não tomar sol algum.

Mas tomar sol sem proteção é algo que incomoda os dermatologistas. E o câncer de pele? Qual é o nível seguro?

"É como cigarro. Existe uma quantidade segura? Nós recomendamos filtro solar, sempre" diz Gabriel Gontijo, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Já Coimbra considera que pequenas exposições podem ser benéficas. "A palavra-chave é tempo. É só não se expor demais. Uma solução é não sair de casa com o protetor, passar uns minutos depois."

Enquanto não entram em acordo, alguns médicos sugerem suplementação. Em cápsulas ou gotas, é possível ingerir de 200 UI a 7000 UI por dia.

A enfermeira Vanessa Costa, 39, toma uma cápsula de 5000 UI ao dia. "A dermatologista jamais me mandaria tomar mais sol, mas nem se dependesse de mim eu tomaria. Estou sempre trabalhando, não consigo." Ela descobriu que seus índices estavam baixos em um exame de sangue. Depois de um ano de suplementação, o nível subiu de 20 ng/ml para 55 ng/ml.

A carência de vitamina D não tem fortes sintomas no curto prazo. "Geralmente são sintomas gerais de deficiência imunológica: menor produtividade, cansaço", diz Pupo. Crianças também podem tomar a vitamina, em doses menores. Mas é preciso cautela.

"Para ter problemas sérios de saúde é preciso ter níveis muito baixos. Eu recomendo a forma natural: alimentação e exposição solar", diz José Paulo Ferreira, médico da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O excesso de vitamina D no organismo pode deixar os rins sobrecarregados, mas são necessárias doses muito grandes.




Atendimento do HCor é feito com má vontade, reclama leitora

22/09/2015 - Folha de S.Paulo


A leitora Samanta Akemi Nemoto reclama do atendimento do Hospital do Coração, no Paraíso.

Ela conta que queria solicitar a entrega de resultados de exames no seu endereço comercial. Contudo, a atendente, sem perguntar, agendou a entrega para o endereço residencial de Samanta. A leitora pediu a correção –que, relata, foi feita com má vontade.

No dia da entrega, Samanta foi avisada pelo HCor que o entregador estava na sua residência. Como a consulta médica seria naquele dia, não era possível adiar a entrega.

Os documentos acabaram sendo levados ao consultório do médico de Samanta. Ela conta ainda que tentou contatar o setor de entregas do HCor e uma funcionária desligou o telefone na sua cara.

RESPOSTA

O HCor informa que entrou em contato com a cliente para pedido de desculpas e que ela foi isentada da taxa de entrega.




Notícias - 18/09/2015

CLIPPING - 18/09/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Doenças e medicamentos

18/09/2015 - Valor Econômico


A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) divulgou recentemente um primeiro balanço do serviço on-line que presta desde maio de 2014. São prestadas informações técnicas para subsidiar magistrados durante processos da área da saúde. A partir do endereço eletrônico conitec@saude.gov.br, o órgão respondeu, até agora, a 411 consultas sobre doenças e medicamentos. O serviço resulta de articulação entre a Conitec e o Fórum do Judiciário para a Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Conitec é um órgão do Ministério da Saúde responsável por assessorar a pasta federal na incorporação, exclusão ou substituição de medicamentos e tecnologias em saúde, como, por exemplo, próteses e equipamentos. Ela também assessora o ministério na constituição ou alteração de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.




What's News: A Perrigo

18/09/2015 - Valor Econômico


A Perrigo, farmacêutica irlandesa, exortou seus acionistas a rejeitar o oferta hostil em dinheiro e ações feita pela Mylan, que a avalia em US$ 27,4 bilhões. A rival Mylan fez a oferta à direção da Perrigo em abril, argumentando que uma fusão fortaleceria as empresas, que atuam em segmentos diferentes do setor de genéricos. A Perrigo, porém, afirma que a oferta é baixa e não leva em conta suas perspectivas de crescimento.

Falhas na gestão podem provocar perdas de até R$ 2 bi na distribuição 18/09/2015 - Valor Econômico

Falhas na gestão podem causar prejuízo de até R$ 2 bilhões ao faturamento de empresas distribuidoras de medicamentos no país, revela pesquisa sobre a cadeia de suprimentos do setor de saúde, produzida pela consultoria especializada em logística Ilos. O estudo analisou laboratórios, distribuidoras e farmácias e cerca de 3 milhões de pedidos eletrônicos por 47 mil pontos de vendas.

As empresas do setor perdem dinheiro porque organizam mal os seus estoques, compram medicamentos desnecessários e deixam de vender alguns por falta de reposição, segundo o executivo para a área de bens de consumo da Ilos, Rodrigo Arozo. Drogarias no interior dos Estados e aquelas que não pertencem a redes são as mais afetadas por esses problemas de gestão, mostra o levantamento.

"Farmácias independentes têm um nível de falha de produtos maior, porque têm a gestão menos profissionalizada. As vezes não têm nem capital de giro para ter estoque de todos os produtos", disse o executivo.

O estudo analisou 3 milhões de pedidos e constatou que 14% deles não foram entregues porque nenhum distribuidor tinha o produto. Um problema que gera prejuízo de 8% no faturamento dessas empresas.

Ao mesmo tempo em que faltam alguns tipos de medicamentos nas prateleiras das drogarias, sobram outros nos estoques da cadeia farmacêutica. Segundo Arozo, a quantidade de remédios guardados em laboratórios, distribuidores e farmácias é superior a cinco meses de consumo.

"O laboratório está acostumado a empurrar o produto e as farmácias compram os remédios que estão com desconto, mesmo que não tenham necessidade", afirmou o executivo da Ilos. Ou seja, remédios são comprados mesmo sem necessidade, apenas para obter descontos.

O resultado é que quase metade dos medicamentos de baixo giro, aqueles que vendem pouco, estão em falta nas farmácias do país, segundo a pesquisa da Ilos. Essa proporção é bem menor nos produtos de alto giro, 19%. "O estoque empurrado pelos laboratórios não necessariamente é o melhor, é preciso fazer uma gestão melhor", concluiu Arozo.

A pesquisa da consultoria foi realizada nos últimos três meses, mas não avaliou os impactos da crise na cadeia de distribuição farmacêutica.

Aplicação focada

Os pesquisadores das instituições norte-americanas se guiaram com tomografia computadorizada (TC) para aplicar a RTX exatamente no GRD. “Nós usamos rotineiramente a TC para guiar injeções de anestesias epidurais, por exemplo. Era, portanto, lógico que estendêssemos esse uso para nosso trabalho experimental com RTX. Assim, imitaríamos processos já utilizados em humanos e poderíamos administrar mais seletivamente a RTX em uma área de dor potencial”, conta William Dillon, pesquisador sênior do estudo.

Após quatro semanas de observação, a equipe liderada por Dillon notou que os porcos que receberam o anestésico potente tiveram a expressão de TRPV1 reduzida, sentindo menos dor. A condição foi comprovada pela exposição a estímulos de calor com laser infravermelho (veja infografia). Além disso, não foram constatados efeitos colaterais, como prejuízos nas funções motoras.

Dillon acredita que ensaios clínicos com humanos começarão em breve. “Assim, poderemos mostrar que o uso desses agentes é seguro. Mas, de forma otimista, esperamos que isso forneça um alívio mais permanente ou mais duradouro para pacientes de dor crônica, como pessoas com câncer ou outras condições que não são cirurgicamente tratáveis”, diz o cientista.

O neurocirurgião brasileiro Thiago Freitas considera os achados promissores. Um dos motivos, ele diz, é a ausência de efeito grave colateral. “Você dá ao paciente uma coisa que bloqueia o receptor de dor e que não fornece nenhum efeito colateral sistêmico. Então, essa é a droga perfeita. Mas não podemos nos antecipar, porque estudos com humanos são realmente necessários”, pondera.

Alta incidência

A Associação Internacional para o Estudo da Dor estima que a condição crônica afete o bem-estar fisiológico e psicológico de 15% a 30% dos adultos nos países ocidentais. Nos Estados Unidos, o número de adultos com dor crônica é estimado em 100 milhões. Um levantamento divulgado em 2013 pela Sociedade Brasileira de Estudos para a Dor mostrou que, no Brasil, a doença alcança até 40% da população, variando conforme a unidade da Federação.




Descoberta facilita o estudo da Aids

17/09/2015 - Correio Braziliense


O pegivirus humano (HPgV), antigamente conhecido por GB vírus C e vírus da hepatite G, pode ser transmitido sexualmente ou por transfusão de sangue, infectando cerca de um sexto da população mundial sem se manifestar como doença. O fascínio pelo HPgV começou quando surgiram indícios de que ele protegeria pacientes com HIV do desenvolvimento da Aids. Esse mecanismo, porém, ainda não foi estudado porque não existem modelos animais que permitam uma observação detalhada por cientistas. Agora, pesquisadores da Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos, apresentam uma solução: com a participação do infectologista Esper Georges Kallás, professor da Universidade de São Paulo, eles criaram um modelo de infecção em animais com uma versão do HPgV encontrada em babuínos selvagens da Tanzânia e da Uganda.

O estudo, publicado na edição mais recente da revista Science Translational Medicine, traz dados preliminares do esconderijo do pegivirus símio (SPgV) — o baço e a medula óssea — e como a carga viral se relaciona com o organismo das cobaias, entre outras informações. “O fato é que o modelo deu certo e, agora, temos como entender qual a relação dele com o HIV”, comemora Esper Kallás. David O’Connor, pesquisador sênior do estudo, explica que a dificuldade de desenvolver um modelo animal para estudar o pegivirus se deve, em parte, à exclusividade da infecção em humanos e em espécies de chimpanzé.

Tentativas de infectar outros animais com o patógeno fracassaram. “Isso não é incomum. Micro-organismos como o vírus da imunodeficiência humana (HIV) também não infectam e causam a doença em macacos. Mas o pegivirus babuíno, que é geneticamente similar ao humano, supera essa barreira entre espécies”, completa. Nos babuínos, a infecção por pegivirus também não se apresenta como doença. Os pesquisadores acreditam que o SPGV, ao contrário de outros vírus de RNA encontrados na África, como o HIV e o vírus da imunodeficiência símia (SIV), não seja nocivo ao organismo. Outra diferença é que ele se reproduz lentamente e não apresenta grande mutabilidade.

Infecção freada

O vírus da hepatite G e o GB vírus C foram identificados de forma independente, em 1995, mas acabaram classificados como o mesmo patógeno. “E aí ele se tornou um vírus à procura de uma doença. Havia suspeita de que pudesse ser transmitido por via sexual, e pesquisadores começaram a observar a ocorrência dele em pessoas com HIV/Aids”, conta Esper Kallás.

Os cientistas tiveram uma surpresa ao notar que a frequência do HPgV é maior na população soropositiva.

Porém, mais surpreendente ainda foi a constatação de que coinfectados tinham benefícios, como menor mortalidade e baixa ocorrência de Aids. “É um papel modesto, mas existe”, diz Kallás, que liderou o grupo que demonstrou que o HPgV desinflama o organismo dos pacientes com HIV, considerada uma infecção inflamatória.

Mais ou menos na mesma época, David O’Connor, amigo de Kallás, criou um projeto para procurar novos vírus na África que pudessem ser transmitidos de animais para seres humanos. O’Connor decidiu ir a um lugar em que houvesse grande população soropositiva e muito contato entre macacos e humanos: Uganda. Em um dado momento, contou a Kallás que encontrou muitos macacos com SIV que também estavam infectados com o pegivirus. “Ele disse que essa poderia ser uma das explicações de por que os macacos não adoeciam de Aids: o pegivirus os estaria protegendo. Ele decidiu trazer o modelo para os seres humanos e obteve sucesso”, diz.

Kallás conduz na USP experimentos com amostras humanas para tentar identificar se o que foi notado em macacos pode ser reproduzido em pessoas. “Os resultados devem demorar um pouco, esperamos concluir até o ano que vem. Enquanto isso, as equipes continuam se ajudando, distribuindo e ideias e comentando achados”, diz.




Descoberta possibilita estudo de vírus que protege de aids

17/09/2015 - Portal Exame


Há mais de uma década, cientistas descobriram que um vírus chamado GBVC tem a misteriosa capacidade de reduzir a progressão da aids em indivíduos com HIV.

Agora, um grupo de cientistas, com participação brasileira, desenvolveu um modelo em macacos que permitirá estudar a infecção pelo GBVC e desvendar qual é a estratégia do vírus para impedir o desenvolvimento da aids.

O estudo foi publicado na quarta-feira, 16, na revista Science Translational Medicine.

Em 2009, uma equipe liderada por Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), descobriu que há uma sinergia na interação entre os vírus GBVC e HIV.

"É algo inusitado. O GBVC reduz a inflamação causada pela infecção do HIV. Ele funciona como uma espécie de vírus protetor", disse Kallás à reportagem.

No estudo atual, feito pelo grupo de Kallás em parceria com cientistas da Universidade de Wisconsin (EUA), os pesquisadores conseguiram desenvolver pela primeira vez um modelo que simula, em macacos, a infecção pelo GBVC.

"Com o novo modelo, vamos poder estudar a infecção em experimentos e entender exatamente o processo de proteção usado pelo GBVC. Depois vamos investigar se esse processo pode resultar em novas terapias para a aids".

Além da proteção contra a aids, o GBVC tem outras características incomuns: ao contrário de outros vírus, ele não causa doenças, nem é eliminado do corpo do hospedeiro.

Embora ele seja bastante comum - ocorre em até 8% da população mundial em geral e em até 25% das pessoas com HIV - pela falta de um modelo que permita estudar sua infecção em animais, ainda não se sabe como ele faz para impedir a progressão da aids.

Segundo Kallás, a descoberta do GBVC está associada a pesquisas sobre os vírus causadores da hepatite. Nas décadas de 80 e 90, muitos cientistas estudaram as causas das hepatites que não são provocadas pelos vírus A e B.

"No fim da década de 80 foi descrito o vírus da hepatite C. A partir daí, foram descobertos os vírus da hepatite Delta e hepatite E. Mais tarde, descobriram o que se pensava inicialmente ser o vírus da hepatite G. Mas este último vírus, muito frequente, não estava ligado à hepatite: era o GBVC", explicou Kallas.

Quando os cientistas ainda estavam estudando se o novo vírus tinha relação com a hepatite, examinaram registros sobre pacientes com aids para descobrir se ele interferia na progressão da doença.

Inesperado

"Foi no início da década de 2000 que alguns estudos mostraram algo totalmente inesperado: a presença do GBVC não acelerava a progressão da aids - ao contrário, diminuía seu ritmo. Foi surpreendente descobrir um vírus que poderia ter um efeito benéfico de proteção do hospedeiro de outro vírus", disse o pesquisador.

A partir daí, tiveram início diversos estudos para descobrir como o GBVC protegia portadores de HIV. Diversas hipóteses foram levantadas, como uma competição entre os dois vírus, ou uma capacidade de bloqueio da infecção por HIV.

Até que o grupo da USP conseguiu determinar pela primeira vez que o GBVC reduz a inflamação no organismo do hospedeiro. "É como se ele tivesse um efeito anti-inflamatório específico para as células mais inflamadas pela infecção do HIV. Publicamos um artigo em 2009 revelando esse mecanismo", declarou.

Mais tarde, um grupo de cientistas da Califórnia, nos Estados Unidos, estudando dados de pessoas que tinham aids antes do desenvolvimento dos coquetéis, tiveram uma redução de 50% na infecção pelo HIV quando recebiam doações de sangue de pessoas infectadas com o GBVC.

Depois dessas descobertas, Kallás começou a trabalhar com um colega da Universidade de Wisconsin, David O?Connor, que liderava um projeto de pesquisa em busca de vírus emergentes em Uganda, na África.

Dispondo de técnicas de biologia molecular bastante sofisticadas, O'Connor coletou amostras de macacos selvagens em busca de novos vírus.

"Em seus ensaios de prospecção de novos vírus, ele descobriu que o vírus SIV - equivalente ao HIV em macacos - era relativamente frequente. E encontrou também com grande frequência os GBVC. Foi a partir daí que pensamos em estudar a concomitância desses dois vírus em macacos", explicou Kallas.

Quando O'Connor analisou os dados dos macacos que tinham GBVC, descobriu que todos estavam infectados por SIV.

"Parecia que os dois vírus agiam juntos. Começamos então a trabalhar em um modelo de macacos para responder como o GBVC é capaz de proteger o hospedeiro.

Os cientistas montaram então um modelo para infectar macacos em laboratório com o GBVC, algo que ainda não havia sido feito.

"Além de descrever como a infecção aguda acontece, esse modelo sedimenta o que precisamos saber para fazer estudos experimentais para a infecção de SIV e GBVC nos macacos. Com isso esperamos entender com precisão os processos de proteção", disse.

Com um financiamento obtido junto ao governo dos Estados Unidos, os cientistas prosseguirão agora os estudos.

O grupo de Wisconsin fará as observações em animais, enquanto o grupo de São Paulo reproduzirá os estudos nas amostras de sangue de pessoas que vivem com HIV, sabendo que uma em cada quatro delas estão infectadas também com o GBVC.

"Unindo os dados experimentais e clínicos, esperamos responder várias perguntas. Onde esses vírus se distribuem no organismo das pessoas? Se a infecção por GBVC vier antes ou depois da infecção por HIV o efeito é diferente? Será que esse efeito pode resultar em uma terapia que envolva injetar o GBVC em pacientes para reduzir a progressão da aids?."




Hospital das Clínicas faz a 1ª cirurgia para reduzir sequelas do AVC

18/09/2015 - DCI


Hospital das Clínicas faz a 1ª cirurgia para reduzir sequelas do AVC. O núcleo de pesquisadores da Neurologia do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, divulgou a realização de uma cirurgia pioneira para diminuição das sequelas em pacientes de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi). A intervenção é região do cerebelo, responsável pela coordenação dos movimentos e da marcha. O AVCi, conhecido como derrame, é uma das principais causas de morte e de incapacidade no mundo e no Brasil.




Mercado Aberto: Hospitais têm queda de 9,8% na receita média por paciente

18/09/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: Maria Cristina Frias


A taxa de ocupação dos hospitais privados cresceu no primeiro semestre, mas a redução no nível de complexidade dos procedimentos médicos puxou para baixo a receita média por paciente.

O tíquete médio (receita líquida por saída hospitalar) caiu quase 10% –de R$ 10,9 mil nos primeiros seis meses de 2014 para R$ 9,9 mil neste ano, segundo a Anahp (associação do setor).

O impacto da crise no mercado de trabalho, e consequentemente nos profissionais que têm planos de saúde, é uma das explicações.

É comum, em períodos de demissão ou incerteza no emprego, que beneficiários de seguros antecipem exames e procedimentos que poderiam esperar, diz a entidade.

"Com isso, há uma manutenção da taxa de ocupação [dos hospitais], mas, muitas vezes, com procedimentos menos complexos", afirma Francisco Balestrin, presidente do conselho da Anahp.

A queda de receita por paciente é um agravante em um momento de aumento de despesas, como as de folha de pagamento e energia, de acordo com o executivo.

Outro reflexo da instabilidade será a redução dos aportes. Antes da crise, o setor projetava a necessidade de 13 mil novos leitos para acompanhar a evolução da demanda.

"Agora, está todo mundo repensando os investimentos", diz Balestrin, que em outubro será designado futuro presidente da Federação Internacional de Hospitais.




As chances perdidas na pesquisa clínica

18/09/2015 - Folha de S.Paulo

A morosidade na aprovação de estudos inviabiliza que o país participe de pesquisas capazes de dar a pacientes acesso a tratamentos contra o câncer.

Nas últimas décadas, a ciência conseguiu importantes avanços na pesquisa básica, aquela que ocorre nas bancadas dos laboratórios. Esses progressos, no entanto, não se traduziram em grandes benefícios, conforme se imaginava, em particular para os pacientes com câncer.

Hoje já podemos realizar o sequenciamento genético de todo o DNA humano, analisar células individualmente, desvendar o complexo funcionamento do sistema de defesa do corpo e identificar as principais proteínas responsáveis pela sobrevivência das células tumorais. Era de se esperar, então, que tivéssemos alcançado melhorias mais expressivas em prevenção e tratamento dos tumores.

O período de desenvolvimento de uma droga, que contempla desde a sua descoberta até o uso na clínica, variava entre 15 e 20 anos. Hoje, em muitos casos, esse período já caiu pela metade. Com isso, muitos pacientes já podem se beneficiar dessas novas drogas em estudos clínicos antes de sua aprovação. Mas esse cenário não se repete no Brasil.

A morosidade na aprovação de estudos inviabiliza que o país participe de pesquisas que dariam acesso aos pacientes a tratamentos que poderiam permitir a cura, maior sobrevida ou qualidade de vida.

Muitas vezes os responsáveis pela pesquisa nem sequer contemplam os centros nacionais para participar de estudos globais pelo simples fato de que esses estudos competitivos terminariam antes de serem iniciados no Brasil.

No centro do problema está o requerimento de aprovação pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), bem como a admissão pelos comitês de ética em hospitais e universidades. Esse processo duplica a necessidade de aprovação ética e, assim, deixa o Brasil de fora de importantes inovações terapêuticas, tornando-o um mero importador de informações científicas.

Outro ponto é que os pacientes que já não respondem mais aos tratamentos convencionais perdem a chance de ter acesso aos medicamentos mais inovadores, que poderiam fazer uma diferença significativa no prognóstico. Portadores de tumores muito agressivos, cujas respostas aos tratamentos existentes são baixas, poderiam se beneficiar de medicamentos promissores.

Por falta de acesso aos protocolos clínicos, perdemos a chance de aprender novas possibilidades terapêuticas, prejudicando a formação e atualização do profissional. A falta de experiência se aplica também ao conhecimento científico, uma vez que o médico deixa de ter acesso aos novos dados, que poderiam levar à geração de novas ideias, novas soluções para quadros clínicos hoje sem resposta.

A própria experiência administrativa na organização de estudos desse porte no Brasil acaba sendo perdida por falta da participação do país em pesquisas globais. Uma consequência desse cenário é a baixa produção científica clínica.

Para agravar, os entraves burocráticos e alfandegários na importação de medicamentos e insumos sem priorização atrasam ainda mais o início de estudos no Brasil.

No afã de se mostrar mais rigorosa em seus controles, a Conep permitiu que estudos tramitassem às vezes por mais de ano, impossibilitando o acesso a novas pesquisas clínicas no Brasil. Este período de análise pela Conep é da ordem de dez vezes o observado em vários países europeus, por exemplo.

A atuação dessa comissão necessita urgentemente de uma revisão de comportamento funcional, se quiser reverter esse cenário. O tempo de todo o processo de aprovação das pesquisas de protocolos clínicos no Brasil não deveria passar de dois a três meses. Para isso, basta haver vontade política e uma profunda reestruturação.

Sociedade e paciente brasileiro merecem mais e o câncer merece ser estudado e tratado de frente.




Um potente anestésico contra a dor crônica

17/09/2015 - Correio Braziliense


Em algumas pessoas, os sentidos se confundem e a dor, essencial para a proteção do corpo, se torna patologia. Como o tratamento costuma ser longo e difícil, cientistas conduzem uma busca incansável por uma droga ou uma intervenção que resolva a dor crônica ou neuropática definitivamente. Uma das iniciativas promissoras nesse sentido foi publicada na edição desta semana da revista Science Translational Medicine por pesquisadores da Universidade da Califórnia e dos Institutos Nacionais de Saúde, ambos nos Estados Unidos. Juntas, as instituições desenvolveram um tratamento que ataca a dor em sua origem, impedindo que ela chegue ao cérebro. E o melhor: sem efeitos colaterais.

Muitos tratamentos bloqueiam a dor em sua origem ou durante o percurso até o cérebro. Para isso, são usados medicamentos que neutralizam diretamente neurônios de dor e terminais nervosos. Um dos alvos é o TRPV1, receptor de calor e de capsaicina — substância picante da pimenta — expresso por neurônios responsáveis pela sensação incômoda. Ele tem uma vantagem em relação a outros alvos: pode ser bloqueado individualmente, sem prejuízo para as demais estruturas sensoriais.

Para fazer essa supressão com sucesso, entretanto, é necessário utilizar uma substância parente da capsaicina, a resiniferatoxina (RTX) — mais potente do que sua correlata picante. Ela foi testada como analgésico em porcos, que receberam injeções precisas do medicamento nos gânglios da raiz dorsal (GRD), localizados na região lombar. “Essa região é uma estrutura importante na dor crônica porque modula o impulso que chega à medula. O gânglio processa a sensação”, explica Thiago Freitas, neurocirurgião especialista em dor crônica do Hospital Santa Lúcia.

O neurocirurgião, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Neuromodulação, explica que o GRD funciona adequadamente na maioria das pessoas, respondendo a estímulos de dor apenas como resposta a uma agressão. Nos pacientes com dor crônica, porém, há uma desregulagem. Seus neurotransmissores e receptores não funcionam como deveriam. “A pessoa começa a ter a sensação de queimação ou choque na perna, por exemplo, sem que exista algo por trás disso”, completa Freitas.




Descoberta tornará possível estudo de ‘vírus contra a aids’

17/09/2015 - O Estado de S.Paulo


Há mais de uma década, sabe se que o vírus GBVC tem a misteriosa capacidade de reduzir a progressão da aids em indivíduos com HIV. Agora, um grupo de cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, criou um modelo em macacos que permitirá estudar a infecção pelo GBVC e desvendar como o vírus é capaz de proteger contra a aids. Em 2009, uma equipe liderada por Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP, descobriu que o GBVC reduz a inflamação causada pela infecção do HIV. “É algo inusitado.

Ele funciona como uma espécie de vírus protetor”, disse ao Estado.

No novo estudo, os cientistas desenvolveram pela primeira vez um modelo que simula, em macacos, a infecção pelo GBVC. “Com o novo modelo, vamos entender essa proteção contra a aids, o que poderá resultar em novas terapias.”




Proteína é usada para regenerar tecido cardíaco após infarto

17/09/2015 - O Globo


Proteína regenera tecidos cardíacos após infarto. Cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, conseguiram regenerar tecidos cardíacos danificados em ratos e porcos que haviam sofrido infarto. O feito foi alcançado por meio da introdução de uma espécie de curativo de colágeno “colado” no órgão, a partir de técnicas de bioengenharia. A experiência chama atenção porque, até hoje, nenhum procedimento médico foi capaz de restaurar cicatrizes em tecidos cardíacos de mamíferos adultos. — Esta descoberta abre as portas para um tratamento completamente revolucionário — assinalou Pilar Ruiz-Lozano, professora da Universidade de Stanford e autora principal da pesquisa, publicada ontem no site da revista “Nature”.

Em um ataque de coração, as células do músculo cardíaco, chamadas de cardiomiócitos, morrem devido à falta de fluxo sanguíneo. Substituir essas células é vital para que o órgão se recupere totalmente. E é isso o que faz a proteína Fstl1, recém-descoberta pelos estudiosos americanos. Secretada pelo próprio epicárdio — a camada externa do coração —, a substância ajuda no crescimento dos cardiomiócitos.

A próxima etapa do estudo é iniciar os testes para verificar a segurança do procedimento em seres humanos.

RETORNO DA QUALIDADE DE VIDA

A expectativa de devolver a quem sofreu um ataque cardíaco a qualidade de vida que tinha antes, sem o risco aumentado de insuficiência cardíaca — quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue normalmente — e arritmia, anima pesquisadores brasileiros. Professor de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dirceu Rodrigues Almeida ressalta que, no Brasil, cerca de 200 mil pessoas morrem todo ano de arritmia, uma das principais consequências de ataques cardíacos.

Ele explica que o uso de proteínas para regeneração de órgãos não é novo, mas a grande dificuldade sempre foi fazer a proteína chegar até o órgão e permanecer lá.

— O mérito dessa nova pesquisa é ter conseguido criar um meio, por bioengenharia, de desenvolver um “curativo” que pode envolver a parte do coração que tem a cicatriz — avalia ele. — Como esse “curativo” é feito com um colágeno que não contém células, não há necessidade de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição. Com o tempo, o material é naturalmente absorvido pelo órgão. O que se busca, a partir disso, é tornar mínimos os danos de um infarto.

Na realização do estudo, bastaram de duas a quatro semanas após a introdução da proteína para que as células musculares começassem a se proliferar e os animais progressivamente recuperassem a função cardíaca.

— Muitos dos animais usados estavam tão doentes antes de começar o tratamento que teriam sido candidatos a transplante de coração — destacou a autora do estudo.

Ataques cardíacos causam milhões de mortes por ano em todo o mundo. Apenas no Brasil, ocorrem em torno de 150 mil infartos a cada ano, dos quais entre 5% e 15% resultam em morte. Já nos EUA, são 735 mil casos por ano, e a expectativa é de que este número triplique até 2030.




COM DIAGNÓSTICO PRECOCE, CÂNCER DE PELE TEM CURA PRÓXIMA DE 100%

17/09/2015 - Brasil 247


Em entrevista ao Einstein Saúde, o Dr. Beni Grinblat, dermatologista do Núcleo de Oncologia Cutânea do Hospital Albert Einstein, aborda os novos tratamentos do câncer de pele e as possibilidades de cura. Confira abaixo:

Quais as novidades no diagnóstico e tratamento do câncer de pele?

Uma novidade em diagnóstico é a microscopia confocal, método de imagem que pode ajudar na detecção de algumas formas de câncer de pele. Já em relação ao tratamento existem novas drogas para o melanoma maligno metastático, prescritas pelo oncologista clínico, não por um oncodermatologista. Outra novidade, mas ainda indisponível no Brasil, é o ingenol-mebutate – medicamento de uso tópico para queratoses actínicas, que são lesões de pele pré-cancerosas.

O exame clínico e a cirurgia continuam sendo, respectivamente, as opções mais comuns no diagnóstico e tratamento do câncer de pele?

Existem diferentes tipos de câncer de pele e as condutas podem ser diferentes para eles. Muitas vezes o diagnóstico é clínico, feito no exame físico realizado pelo dermatologista. A dermatoscopia e o mapeamento de nevos ainda são de extrema importância na detecção de pintas suspeitas e do melanoma maligno. Na suspeita de lesão cancerosa, o exame anatomopatológico é fundamental.

Quais as opções de tratamento?

Na maioria dos casos a cirurgia é indicada, muitas vezes com anestesia local e realizada em ambiente ambulatorial. A eficácia do procedimento é alta e o risco de recidiva é baixo. O tempo de recuperação dependerá da área e extensão submetida ao procedimento cirúrgico.

A cirurgia micrográfica de Mohs é utilizada para algumas formas e localizações de câncer de pele. Outra opção é o tratamento tópico, mais adequado para formas superficiais da doença e lesões pré-cancerosas. Há também a criocirurgia e a terapia fotodinâmica, um método não cirúrgico com excelente resultado e indicado apenas para algumas formas de câncer de pele e de lesões pré-cancerosas.

Nos casos mais graves, com acometimento de outros órgãos (metástase), o tratamento deve ser realizado em conjunto com um oncologista clínico.

Quais as chances de cura de um câncer de pele diagnosticado em estado inicial e avançado?

Depende de qual tipo de câncer de pele, mas geralmente, quando diagnosticado precocemente a chance de cura é altíssima, próxima de 100%.

Quais os fatores de risco?

Antecedente pessoal ou familiar, exposição ao sol, indivíduos com peles mais claras e que se queimam com muita facilidade, uso de câmaras de bronzeamento artificial são alguns fatores de risco. O importante é ressaltarmos a prevenção: uso de roupas, protetor solar com FPS (fator de proteção) mínimo 30 e com proteção anti-UVA e UVB e evitar a exposição solar entre 10 e 15h.

Quais regiões do corpo são mais suscetíveis ao câncer de pele?

Áreas mais suscetíveis são as expostas ao sol, mas na verdade qualquer região do corpo pode ser acometida pela doença. Existem casos de câncer de pele, por exemplo, na planta do pé e região genital – locais não expostos ao sol.




A dieta que afasta a depressão

18/09/2015 - Correio Braziliense


Instintivamente, bichos bem simples e humanos sabem que a sobrevivência depende da alimentação. No caso dos últimos, o sustento virou sabedoria a partir do momento em que pensadores das sociedades antigas passaram a observar a influência do que era ingerido na forma como as pessoas pensavam, sentiam e agiam. Com o avanço da ciência, a relação ficou mais clara do que nunca. No fim dos anos de 1800, por exemplo, médicos naturalistas como John Harvey Kellog, inventor do cereal matinal de flocos de milho, já defendiam a alimentação natural e alertavam que o consumo de carne favorecia o aparecimento de dores de cabeça e transtornos mentais. Uma pesquisa espanhola adiciona evidências disso: publicada ontem na revista BMC Medicine, ela mostra que uma dieta baseada em frutas, verduras, legumes e nozes, e pobre em carnes vermelhas e processadas, mantém longe a depressão.

Almudena Sánchez Villegas, principal autora do estudo com 15.093 pessoas, diz que as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes das frutas, verduras, legumes e nozes são as responsáveis pelos efeitos protetivos.“Elas melhoram a capacidade do metabolismo da glicose e da função endotelial. O endotélio é responsável pela síntese de neurotrofinas, um tipo de proteína relacionado com a neurotransmissão e o bom funcionamento do sistema nervoso central”, explica a professora do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha.

Esses alimentos também melhoram a fluidez e a permeabilidade das membranas celulares, onde ficam receptores de neurotransmissores, como a serotonina. Além disso, alguns micronutrientes — vitaminas do complexo B, folato, minerais e oligoelementos, por exemplo, o zinco e o magnésio — têm papel essencial em processos neurofisiológicos. “Por outro lado, as carnes processadas e o fast food são fontes de ácidos graxos trans com propriedades inflamatórias que têm sido associadas ao risco de depressão”, completa a pesquisadora espanhola.

Sem radicalizar

Os participantes do estudo faziam parte do projeto SUN (Seguimiento Universidad de Navarra), que acompanhou durante 10 anos graduados e profissionais registrados em províncias espanholas para identificar padrões alimentares e de estilo de vida que favorecessem o aparecimento de diabetes, obesidade e depressão. Nenhum deles apresentava o transtorno mental no início do estudo, em dezembro de 1999. Oito anos depois, 1.550 pessoas haviam sido diagnosticadas com a doença.

Basicamente, essas pessoas aderiam, em diferentes níveis, a três padrões de dieta comparados por Almudena Villegas: mediterrânea, pró-vegetariana e o índice de alimentação saudável 2010 (Ahei 2010) (veja arte). Muitos dos participantes com padrão alimentar mais saudável tinham diabetes, doença cardiovascular ou dislipidemia (nível elevado de gordura no sangue), o que pode significar que eles só adotaram a dieta após o diagnóstico das doenças. “Porém, não podemos afirmar isso com certeza”, pondera a pesquisadora.

A maior redução nos casos de depressão foi notada entre participantes com boa adesão ao Ahei 2010. Grande parte do efeito protetivo dessa dieta, observa Villegas, deve-se à semelhança com a mediterrânea. “Na verdade, nós tentamos explicar esse efeito após eliminar a possível semelhança. Quando isso ocorreu, a proteção diminuiu. Assim, nutrientes comuns e itens alimentares, como ácidos graxos ômega-3, legumes, frutas, legumes, nozes e consumo moderado de álcool presentes em ambos os padrões podem ser responsáveis pela redução do risco”, diz a principal autora.

Como o Ahei 010 é menos restritivo, a pesquisadora concluiu que, para se beneficiar, não é preciso abrir mão completamente de guloseimas e carnes. “Não vimos nenhum benefício extra em participantes rigorosos demais com uma alimentação saudável”, diz Villegas. A redução do risco para a depressão foi de até 30% em pessoas que seguiam moderadamente a dieta mediterrânea e de até 45% para adeptos ponderados do Ahei 2010. O padrão é compatível com a hipótese de que deficiências na ingestão de alguns nutrientes podem representar um fator de risco para o transtorno psiquiátrico. Uma vez que a quantidade recomendada é atingida, tanto as pessoas de hábitos alimentares mais rigorosos, quanto as moderadas terão os mesmos efeitos protetivos.

Mais influências

Outra possível explicação está relacionada com as características psicológicas dos participantes demasiadamente preocupados com a alimentação. “É possível que alguns indivíduos fossem obsessivos ou neuróticos quanto à dieta e/ou à atividade física. Devido a essas características, é possível que fossem mais propensos a desenvolver um transtorno depressivo. Mas isso é especulação”, completa a autora. Independentemente da causa, a nutricionista Jamila Vital Barbosa reforça que, quanto mais variada a dieta, melhor é a saúde mental.

“Há uma relação muito direta com isso. As oleaginosas e as fontes de ômega 3 protegem o cérebro e auxiliam a manutenção da memória e cognição”, exemplifica. Segundo a especialista em nutrição clínica e esportiva, quanto mais abrangente e flexível for a dieta, maiores são as chances de adesão. “Consequentemente, se sentirão mais satisfeitos e felizes em realizá-la. O prazer da alimentação tem relação direta com a felicidade. Ser feliz, comer o que gosta e ter moderação no consumo de açúcares simples, carboidratos refinados, industrializados, frituras e gorduras é garantia de saúde para o corpo e a mente”, diz.

Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina e presidente da Sociedade Brasileira de Naturologia, Daniel Maurício de Oliveira Rodrigues ressalta também a atenção a hábitos não alimentares. “Importantes para prevenir depressão e outras doenças também são uma vida mais ligada à natureza, o cultivo de emoções e pensamentos positivos, a atividade física regular, o lazer, as terapias que ajudem a controlar o estresse — como meditação, massagem, técnicas de respiração e ioga —, além de equilíbrio na vida profissional, social e familiar. A alimentação é apenas uma faceta da vida da pessoa”, alerta.

Palavra de especialista

“A noção de alimentação e estilo de vida saudável para promover a saúde e prevenir agravos e doenças é muito antiga. Hipócrates, pai da medicina que viveu na Grécia há mais de 2 mil anos, disse: ‘Faça do seu alimento o seu medicamento’. Estudos ao longo dos anos vêm demonstrando esses benefícios. Um estudo realizado na Inglaterra relaciona a dieta rica em alimentos industrializados com a depressão. Acredita-se que uma alimentação mais natural, advinda de alimentos orgânicos e integrais, contribua para a saúde humana, social e ambiental. Quando optamos por uma orgânica, recebemos mais micronutrientes livres de fertilizantes, adubos e hormônios. Além de protegermos o ambiente, valorizamos pequenas famílias de produtores e contribuímos para melhoria da sociedade.” Daniel Maurício de Oliveira Rodrigues, professor da Universidade do Sul de Santa Catarina e presidente da Sociedade Brasileira de Naturologia.




65% das paulistanas não conhecem a síndrome dos ovários policísticos

17/09/2015 - O Estado de S.Paulo / Site


O aparecimento de acnes fora do período da adolescência pode ser o sinal de um problema que causa alterações no ciclo menstrual e pode levar à infertilidade: a síndrome dos ovários policísticos. Com sintomas que afetam principalmente a aparência feminina, como o aumento de pelos no corpo e acúmulo de gordura abdominal, o distúrbio nem sempre é identificado pelas mulheres.

Foi o que mostrou uma pesquisa realizada pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) em parceria com o laboratório Bayer. Entre as 600 mulheres ouvidas em São Paulo, 65% desconhecem os sintomas e 31% não souberam dizer se têm ou não o problema. Tire suas dúvidas sobre a síndrome aqui.

O levantamento foi feito em cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. Ao todo foram 3.000 entrevistadas e o desconhecimento sobe para 71% nos dados que consideram todas as cidades onde a pesquisa foi feita.

Entre as paulistanas, a acne está ou já esteve presente na vida de 71% delas, mas apenas 5% procuraram um ginecologista para tentar solucionar o problema.

“O foco real foi saber o conhecimento da mulher em relação a uma causa importante da acne que é a síndrome. Às vezes, a mulher sente os efeitos e vai ao dermatologista, mas acabam tratando o problema sem saber a origem”, explica Afonso Nazário, chefe do Departamento de Ginecologia da Unifesp.




Dieta mediterrânea reduz risco de desenvolver depressão

18/09/2015 - O Globo


Adotar uma dieta mediterrânea ou outras que incluam alimentos como frutas, vegetais, legumes e nozes — deixando de lado as carnes processadas — pode prevenir sintomas de depressão, de acordo com levantamento publicado na revista científica on-line “BMC Medicine”. Estudo realizado com 15.903 pessoas sugere que a doença poderia estar ligada a déficit de nutrientes.

Os pesquisadores compararam três dietas: a mediterrânea, a vegetariana e a Alternativa Alimentação Saudável Index-2010 — que combina nutrientes conhecidos por sua prevenção contra doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Os participantes usaram um sistema de pontuação. Itens como carne e doces (fontes de ácidos graxos saturados e trans) foram marcados negativamente, enquanto nozes, frutas e verduras (fontes de ácidos graxos ômega-3, vitaminas e minerais) eram avaliadas de modo positivo.

— Queríamos entender o papel da nutrição na saúde mental, porque acreditamos que determinados padrões alimentares podem proteger nossas mentes — explica Almudena SanchezVillegas, da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), autora principal da pesquisa. — Todas essas dietas estão associadas a benefícios à saúde física, e agora vemos que elas também têm efeito positivo sobre a saúde mental.

CONJUNTO DE FATORES

Flavia Conceição, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, lembra os benefícios da dieta mediterrânea.

— Pesquisas mostram menor risco de infarto e diabetes — comenta Flavia. — Agora, surgem estudos que ligam a dieta à boa saúde mental, mas ainda não se sabe se isso ocorre porque há substâncias nos alimentos que previnem a depressão ou se é resultado de um contexto mais amplo, de uma vida saudável.

Professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antonio Egídio Nardi lembra que outros estudos já indicaram os benefícios do ômega 3 para depressão. Este elemento, presente em peixes, nozes, chia e linhaça, melhora a função cerebral como um todo, beneficiando particularmente pessoas que sofrem de depressão e que, por isso, têm a neurogênese (criação de novos neurônios) prejudicada. Já a uva, também utilizada na dieta mediterrânea, tem resveratrol, outra substância que melhora a função cerebral.

— Alimentos saudáveis, aliados ao baixo consumo de gordura animal e à prática de exercícios, fazem a qualidade de vida de qualquer pessoa melhorar. E isso é essencial para a saúde mental, inclusive para diminuir a chance de ativação de fatores genéticos que tendam à depressão — observa Nardi, ressaltando que nenhuma dieta, sozinha, tem o poder de prevenir a doença. — É um conjunto de atitudes.

O estudo começou em 1999, com 15.093 participantes que não registravam quadro de depressão. Além de padrões alimentares, fatores como diabetes e obesidade foram acompanhados. Dez anos depois, 1.550 já registravam diagnóstico de depressão ou usavam antidepressivos.

— Mesmo uma adesão moderada a dietas saudáveis foi associada a uma importante redução no risco de desenvolver depressão. No entanto, não vimos benefícios extras para aqueles que tiveram adesão muito elevada às dietas. Uma vez que determinado limiar é atingido, o risco de desenvolver depressão é o mesmo entre os que fazem uma dieta moderada e aqueles que optam por uma mais radical.




Deixa eu me sabotar

18/09/2015 - Folha de S.Paulo


Chega uma hora em que a pessoa gorda, desiludida, desiste. "Terrivelmente reincidente", nas palavras da psicóloga especialista em transtornos alimentares Elisabeth Wajnryt, ela já nem encontra mais lugar nos consultórios.

"Já sabe tudo que vai ser dito e sabe que nada terá um resultado efetivo."

A pergunta é esta: por que gente instruída, muitas vezes bem-sucedida no trabalho ou na vida social, não consegue justamente o que mais quer: parar de comer e emagrecer?

A resposta, defende a especialista em um novo livro, passa pela dificuldade de evitar a autossabotagem.

É constrangedor não conseguir vencer as próprias vontades, e tendemos a olhar para essas pessoas e ver falta de vontade ou mesmo vergonha na cara, escreve Elisabeth em "E foram magros e felizes para sempre?" (editora Matrix).

Mas o autoengano é poderoso. Tanto que não atrai a atenção só de especialistas em alimentação, mas de economistas, como Eduardo Giannetti, que escreveu um livro sobre o tema, ou biólogos, como o americano Robert Trivers, para quem humanos evoluíram para acreditar em mentiras que façam com que se sintam melhor e justifiquem suas atitudes.

"O compulsivo come 'roubando', justificando-se com um intrincado sistema de compensações", diz a autora.

Você conhece a história: "já que é o meu último pedaço", "já que hoje já saí da dieta", "já que o dia foi cansativo", "já que estou de TPM"...

O curioso é que tudo serve como compensação. Posso comer tanto porque hoje fui na academia, então estou com crédito, quanto porque não fui, então já perdi a chance mesmo e que se dane.

Ou pior: posso comer jogando a conta para o futuro. "Depois compenso correndo", "depois como menos no jantar".

O argumento da psicanalista é que se deve comer só por fome. O caminho mais rápido para engordar é comer por tédio, raiva, depressão, ansiedade. É o que a autora chama de "pensamentos gordos".

O guloso se parece com o fumante: já que não há nada para fazer, ou já que estou ansioso, preciso comer/fumar.

A autora tenta apontar modos de mudar de vida.

SACIEDADE, E NADA MAIS

Primeiro, esqueça dietas, especialmente as milagrosas –da proteína, da sopa, da Dilma, o que for. "Em geral, só acabam engordando no longo prazo", diz Elisabeth –é o efeito sanfona. Sem lidar com o autoengano, a vida será uma grande alternância de privação e abuso de comida.

Um conselho parte da ideia de só comer se tiver fome. Não fique refém da família, filhos, colegas. Não é porque todos estão comendo que você também vai. Tome seu tempo –"e não tenha medo de acabar comendo sozinho".

É preciso se policiar contra a sabotagem. Comer um mamãozinho porque, afinal, é bom para o intestino? "Se o organismo não está pedindo comida, nada no mundo justifica comer", diz Elisabeth. Uma vez decidido a se alimentar, o truque é criar um mecanismo mental que estabeleça o tamanho da fome. Pode ser uma escala de zero a dez –e não vale roubar, dez é coisa de quem está fugindo de guerra civil. Se a fome é três, não pegue mais comida do que isso.

Comer rápido é um convite a ir além da saciedade, já que o organismo demora um pouco para indicar que a comida ingerida já é suficiente.

Elisabeth sabe que o ritmo com que comemos é um hábito –não é fácil mudar. Uma possibilidade é se policiar para sempre largar o garfo após colocar a comida na boca, tentando desacelerar a refeição.

Outro inimigo da saciedade é o tabu do prato vazio.

Fomos criados, aponta a psicanalista, por mães e avós que vieram de épocas mais difíceis. Criança boa era a que nunca deixava o prato vazio.

"Se nos negássemos a comer, faziam com que nos sentíssemos mal, desperdiçadores, culpados pela fome na África. Se essas vozes ainda ecoam dentro de você, está na hora de questioná-las."

"Deixar comida no prato é algo natural quando respeitamos nossos sinais internos de fome e saciedade."

Sabendo de tudo isso, escreve Elisabeth, não deixe para amanhã. Você vai acabar "comendo por despedida". Mudança com vacatio legis, ou seja, prazo para entrar em vigor, é mudança que já começa com sabotagem.

E FORAM MAGROS E FELIZES PARA SEMPRE?

AUTORA Elisabeth Wajnryt

EDITORA Matrix

PREÇO R$ 39,90 (222 págs.)




Estações do metrô trazem campanha contra a Hepatite C

17/09/2015 - DCI


As estações Santana, da Linha 1-Azul, Tamanduateí, da Linha 2-Verde, e Brás, da Linha 3-Vermelha, realizarão até amanhã, gratuitamente, o teste para detecção da Hepatite C. A campanha ocorre entre 8h e 17h, promovida pela Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite, om apoio do metrô.




Menos americanos estão agora sem seguro saúde

17/09/2015 - Valor Econômico


A fatia da população dos EUA sem seguro médico caiu de 13,3%, em 2013, para 10,4% em 2014, um reflexo da entrada em vigor no ano passado da reforma do sistema de saúde, a chamada Obamacare. O número de pessoas sem cobertura de saúde recuou quase 9 milhões, indo para 33 milhões, num ano em que a renda e a taxa de pobreza do país não tiveram alterações "estatisticamente significativas", segundo o Escritório do Censo dos EUA.

A parcela dos pobres ficou em 14,8%, o equivalente a cerca de 47 milhões de pessoas. O fato de essa fatia não ter caído é sinal de que recuperação da economia não tem sido forte o suficiente para melhorar as condições de vida de uma parte considerável da população.

Para Robert Greenstein, presidente do Centro de Prioridades sobre Políticas e Orçamento (CBPP, na sigla em inglês), os números deixam claro o impacto da reforma do sistema de saúde, uma das principais marcas do governo do presidente Barack Obama e duramente combatida pela oposição republicana. Segundo Greenstein, foi a maior queda registrada num ano desde 1987, considerando dados do censo e outras pesquisas.

"Tanto a cobertura de saúde privada quanto a oferecida por programas públicos, como o Medicaid [voltado para os mais pobres], cresceram de modo robusto em 2014", escreveu. "Os novos dados mostraram que 90% da população - e 94% das crianças - tiveram seguro de saúde no ano passado."

As informações indicam que o objetivo do Obamacare, de ampliar a cobertura do sistema de saúde, deu resultado. Segundo o Centro para o Progresso Americano, os dados confirmam, pela primeira vez, que a fatia da população sem seguro médico caiu em todos os 50 Estados e em Washington. Greenstein ressalta que o aumento da cobertura foi mais forte nas 25 unidades da federação que expandiram o Medicaid sob as regras da reforma do sistema de saúde.

Os números sobre a pobreza, por sua vez, mostram um quadro menos animador. No ano passado, havia 46,7 milhões de pessoas classificadas como pobres, o equivalente a 14,8% da população. O economista Chris Christopher, da IHS Global Insight, nota que esa taxa ficou estatisticamente inalterada pelo quarto ano seguido. Segundo o Escritório do Censo, a linha da pobreza é definida como uma renda inferior a US$ 24 mil por ano para uma família com dois filhos.

Já a renda mediana por domicílio ficou em US$ 53.657 em 2014, também no mesmo nível de 2013, ajustada pela inflação. Ela ainda está 6,5% abaixo do nível registrado em 2007, antes do agravamento da crise financeira global.

"A falta de melhora do nível de pobreza e da renda reflete, em parte, os limites da recuperação do mercado de trabalho, assim como o aumento expressivo da desigualdade de renda na última década e meia, embora ela não tenha crescido entre 2013 e 2014", avaliou Greenstein. Para Christopher, a renda vai começar a subir neste ano, devido à criação relativamente forte de empregos, a inflação modesta e o avanço mais expressivo dos salários. Ainda assim, deve atingir só em 2019 o nível de antes da crise.




Hospital de Câncer de Barretos fica 6 meses sem verba

17/09/2015 - O Estado de S.Paulo


O governo do Estado de São Paulo atrasou por seis meses o repasse para o Hospital de Câncer de Barretos, no interior paulista, maior unidade para tratamento da doença no País. Entre janeiro e junho, o complexo hospitalar de Barretos e sua filial em Jales deixaram de receber cerca de R$ 24 milhões. Sem a verba, o hospital teve de fazer um empréstimo bancário de R$ 30 milhões para continuar a funcionar. O governo diz já ter feito o pagamento de todos os atrasados.

Responsável pelo atendimento de cerca de 5 mil pacientes por dia, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS),a instituição filantrópica do interior paulista tem como principal fonte de financiamento a verba enviada pelo Ministério da Saúde,no valor de R$ 13,5 milhões. A unidade de Jales, no entanto, ainda não é custeada por verba da União porque aguarda processo de credenciamento no órgão federal. A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo repassa um valor extra ao hospital para auxiliar nas despesas. Essa verba,de R$ 4 milhões por mês,deixou de ser paga em janeiro.

“O que tínhamos sido informados é que teria um corte de 10% no repasse mensal do Estado,por causa da queda na arrecadação, mas até aí, tudo bem, já estávamos esperando.O problema foi que o dinheiro deixou de vir integralmente. E, com a fila de pacientes que temos, não dava para reduzir o atendimento”, relata Henrique Prata, diretor geral do hospital.Ele afirma que só nos alojamentos oferecidos pelo hospital para pacientes que aguardam tratamento há 2 mil pessoas esperando cirurgias oncológicas.

“No hospital de Jales, por exemplo, poderíamos atender mais gente, porque temos quatro centros cirúrgicos e só dois estão funcionando. Mas não tenho como atender mais gente se o repasse não é suficiente nem para os que já atendemos hoje”, afirma. O diretor diz que os repasses estaduais foram retomados no fim de junho, coma promessa de que, a cada mês, seriam pagas duas parcelas para compensar o atraso do primeiro semestre. “Em junho e julho foram pagas duas parcelas, mas em agosto e setembro só recebemos uma”, diz.

Prata afirma que o custo que tem com todas as unidades do complexo é de R$ 27 milhões mensais. Mesmo quando recebe integralmente os valores do ministério e da secretaria, que somam R$ 17,5 milhões, a conta não fecha. “O que salva é que temos força para pedir doação para a sociedade. Todo mundo ajuda. Se não fosse isso, o hospital estaria fechado”, diz.

O Hospital de Câncer de Barretos é conhecido por conseguir doações de artistas, principalmente os sertanejos. Os pavilhões do hospital levam os nomes das celebridades colaboradoras.

A secretaria apresentou ao Estado recibos de depósitos bancários atestando já ter pago dois meses retroativos ao hospital de Barretos e três ao de Jales. O governo do Estado diz que não há atraso no pagamento dos retroativos.Após receber a resposta da secretaria,no início da noite de ontem, a reportagem não conseguiu contato com um porta-voz do hospital.

Demora. Paciente da unidade de Jales, o pintor automotivo João Nunes dos Santos, de 59 anos, foidiagnosticadocomcâncer de próstata em janeiro, mas só conseguiu ter a cirurgia de retirada do tumor agendada paranovembro.“Oatendimentoé muitobom,mas ficomeperguntando a razão da demora. A gente quer fazer o tratamento logo.

Já perdi meu pai, minha mãe e meu irmão para o câncer. Quero acreditar que comigo vai ser diferente”, diz.

Opacienteafirma que,sabendo das dificuldades financeiras do hospital, tem recolhido mantimentospara fazerumleilão e doar o dinheiro ao hospital.

“O certo seria o governo repassar mais dinheiro. Mas, comoconheçomuitagente naminha cidade, resolvi tentar ajudar tambéme pedirdoações para os conhecidos. Já consegui mais de 400 quilos de mantimentos”, afirma ele, que é morador de Paranaíba, em Mato Grosso do Sul.

Notícias - 21/09/2015

CLIPPING - 21/09/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

CHIADEIRA CONTRA AUMENTO DE TAXAS DA ANVISA

19/09/2015 - IstoÉ Dinheiro


O aumento de ate 195% das taxas de fiscalização cobradas pela Anvisa está colocando em polvorosa a indústria farmacêutica. Segundo Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, que representa as empresas do setor, em alguns grandes laboratórios o impacto do reajuste poderá chegara USS 3.0 milhões. As pequenas empresas também estão chiando. "O registro de um novo medicamento aumentou de RS NO mil para R$ 234.8 mil", diz Mussolini.




Antidepressivo e violência

20/09/2015 - O Estado de S.Paulo


Novo estudo divulgado na última semana acende um sinal de alerta para o uso de alguns tipos de antidepressivo por adolescentes e jovens. O trabalho aponta uma correlação entre esse tipo de medicamento e um maior risco de comportamentos violentos.

Segundo os pesquisadores, jovens de 15 a 24 anos que tomam uma classe de antidepressivos conhecidos como inibidores específicos de recaptação de serotonina (o Prozac é o mais conhecido deles) têm quase 50% mais chance de se envolver com violência e criminalidade. Nas demais faixas etárias, essa associação não foi encontrada.

A pesquisa, feita pela Universidade de Oxford, levantou, durante quatro anos, registros oficiais de saúde de quase 800 mil suecos que tomaram esses antidepressivos. O trabalho foi publicado no periódico PLOS Medicine e divulgado pelo jornal inglês Daily Mail.

Como essa classe de remédio já é associada a um maior risco de suicídio em jovens, os especialistas trabalham com a hipótese de que ela possa agir de maneira distinta nos cérebros em fase de desenvolvimento.

Embora a correlação entre o medicamento e a violência pareça ser verdadeira nesse grupo, é difícil comprovar uma relação direta de causa e efeito. Os maiores índices de violência nos adolescentes que tomam os antidepressivos podem ter a ver com o uso irregular do remédio (mais comum nessa faixa etária) e também com o fato de que os jovens medicados podem fazer parte de um grupo sujeito a alterações de comportamento.

A violência foi mais comuns nos jovens que receberam doses mais baixas. Para os especialistas, mais estudos são necessários e, eventualmente, as bulas (que já avisam sobre maior risco de suicídio) poderiam trazer advertências sobre agressividade e pensamentos violentos. Outro ponto importante mostra correlação entre o uso desses antidepressivos e o maior consumo de álcool, o que pode justificar a maior taxa de violência nesse grupo.

Álcool na universidade. Por falar em álcool, a Unesp anunciou que a partir do próximo ano deve monitorar quedas nas notas de seus quase 37 mil alunos como um possível indicador de abuso de álcool e de maior perfil de comportamentos de risco.

A ideia de um procedimento que sinalizaria eventuais riscos pode ser boa, mas há algumas limitações que devem ser levadas em consideração.

Muitos alunos, ainda mais aqueles que vivem longe de suas famílias, tendem a aumentar o consumo de álcool e a ter experiências com outras drogas na universidade. É uma fase em que limites e novas possibilidades são testados com frequência. Mas nem todos os que bebem e abusam do álcool vão ter queda no desempenho. Outra questão é que o álcool não é a única causa de notas e frequência mais baixas. Desinteresse pelo curso, depressão e ansiedade, entre outros fatores, podem explicar o baixo rendimento.

Talvez outro grande limite seja o que fazer com alunos em uma situação mais complicada. Será que as universidades conseguem garantir esse suporte? E mais: como será feita a abordagem? Talvez mais efetivo do que monitorar notas seria fazer um maior controle sobre o que acontece nas festas e uma abordagem preventiva ao longo do curso sobre álcool, drogas e violência.




Novartis mantém otimismo mesmo com dólar mais caro

21/09/2015 - Valor Econômico


Aumentar vendas, mantendo o atual quadro de funcionários, faz parte da estratégica da farmacêutica Novartis para compensar a forte alta de custos em 2015, em decorrência da desvalorização cambial. Com compras públicas em baixa, a companhia encontrou nos genéricos o motor para um crescimento de dois dígitos num ano de recessão.

"O mercado farmacêutico continua apresentando crescimento [em 2015] em relação ao ano passado, mas o impacto percebido é que o avanço neste ano, em relação ao histórico dos últimos anos, ocorre a uma taxa menor", relata o presidente da Novartis, José Antônio Vieira, em entrevista exclusiva ao Valor ¬ a primeira desde que assumiu o cargo em abril deste ano, vindo da AbbVie.

A companhia suíça projeta um crescimento entre 9% e 11% para 2015, pouco acima da previsão do setor, de uma alta inferior a 10% no ano, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) em agosto.

"Isso é abaixo da média em relação aos últimos anos, mas ainda é um crescimento bastante positivo, quando comparado a outros mercados e empresas", diz.

Segundo o executivo, a venda em farmácias ¬ que representa pouco mais de 65% do mercado nacional ¬ apresenta bom desempenho, com a divisão de genéricos em destaque. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), a Sandoz, divisão de genéricos da Novartis, registrou alta de 29,1% nas vendas do primeiro semestre, para 39,9 mil unidades, mais do que o dobro do avanço setorial de 12,3%.

"As vendas institucionais, por outro lado, têm um perfil de crescimento bem abaixo das outras áreas. Num momento em que há reduções de gastos do governo, é de se esperar que haja um impacto nas vendas", afirma Vieira.

Outro fator a prejudicar o desempenho da indústria farmacêutica no ano é a alta do dólar ¬ de 49% até o momento. "Uma parte substancial do nosso custo é de importados de alta complexidade. Então a alta do dólar impacta e, como atuamos num segmento onde o preço é absolutamente controlado, é preciso absorver esse aumento de custo", explica o executivo.

Assim, o ganho de produtividade é a alternativa possível, embora não chegue a compensar o efeito da alta de custos sobre os resultados. "É preciso controlar o avanço de gastos e conseguir que a força [de trabalho] existente entregue aumento de vendas, segurando a estrutura de custos sem que haja expansão", afirma.

Tendo iniciado sua carreira no setor farmacêutico na Ciba Geigy, que se fundiria em 1996 à Sandoz, criando a Novartis, Vieira voltou à companhia um ano depois do anúncio de uma reestruturação global da empresa. Em abril de 2014, a Novartis vendeu sua divisão de saúde animal à Eli Lilly e seu negócio de vacinas à GlaxoSmithKline, comprando a área de oncologia da GSK.

Com a venda do negócio de vacinas, uma fábrica em construção em Jaboatão dos Guararapes (PE) ficou com destino incerto. "Estamos comprometidos em encontrar um comprador para essa fábrica, que consiga dar um destino produtivo para esse investimento feito", relata Vieira. Orçada inicialmente em R$ 1 bilhão, o projeto contou com financiamento de R$ 800 milhões pelo BNDES.




O despertador do genoma

20/09/2015 - Folha de S.Paulo

Houve comoção quando, em 2000, o presidente dos EUA, Bill Clinton, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anunciaram com cientistas os primeiros resultados do mapeamento do genoma humano. Só quinze anos depois as promessas do genoma começam a ficar palpáveis.

Entre as novidades, estão tratamentos contra o câncer que partem da análise genética dos tumores para que se saiba quais os medicamentos mais adequados.

Por exemplo, pessoas com câncer de pulmão e com um rearranjo no gene ALK podem ser tratadas com a droga crizotinib, o que diminui significativamente o crescimento do tumor. No entanto, a droga só funciona com tumores ALK positivos, ou seja, naqueles que carregam essa alteração.

De modo mais geral, os pesquisadores estão descobrindo que, para localizar alterações genéticas, o genoma não precisa ser lido "por inteiro". Basta se ater aos pedaços mais informativos.

Trata-se de uma postura cautelosa dos pesquisadores. A expectativa inicial era muito grande, especialmente entre os não cientistas: o mapeamento total do genoma permitiria criar uma relação direta entre genes e doenças.

Não foi bem assim que a coisa se mostrou, no entanto.

BARATEAMENTO

Nesses 15 anos, houve um grande barateamento do sequenciamento.

O projeto genoma humano original, na década de 1990, custou US$ 2,7 bilhões. Hoje, fazer um sequenciamento custa a partir de R$ 10 mil.

Tal mudança permitiu diversificar as pesquisas.

Agora há trabalhos, por exemplo, que tentam identificar a fundo a flora microbiana –é possível inclusive conhecer os hábitos alimentares e a região de origem de uma pessoa assim, e há aplicações do diabetes à obesidade.

Outra aplicação é o que se pode chamar de "peneira genética" para atletas. Olhando alguns marcadores, é possível prever em quais modalidades futuros atletas vão se dar melhor. Esse é um dos projetos ao qual está se dedicando o professor da Unifesp João Bosco Pesquero, por exemplo.

No caso do câncer, o estudo das mutações também facilita o diagnóstico.

Um exemplo foi o de Angelina Jolie, que, por causa de uma mutação no gene BRCA1, decidiu remover as duas mamas preventivamente –era praticamente certo (87% de chance) de que ela desenvolveria câncer de mama em algum momento na vida.

Na maior parte das vezes, porém, o que se sabe é que há uma chance poucos pontos percentuais maior do que a média de se ter determinado problema de saúde.

A essa questão a pesquisadora Mayana Zatz se dedicou em seu livro "Genética - Escolha que Nossos Avós Não Faziam" (editora Globo). De que adianta saber que há uma chance grande (ou minúscula) de desenvolver uma doença se não há o que fazer para preveni-la ou curá-la?

'-ÔMICAS'

Há ainda várias outras áreas com resultados interessantes além da genômica.

Uma delas é a proteômica, ou seja, o estudo das proteínas, que são produto da expressão gênica. Há ainda a transcriptômica, que estuda o RNA, e a conectômica, que tenta decifrar como neurônios se comunicam.

Se tudo der certo, em algumas décadas teremos a chance de ter um arsenal de recursos farmacológicos eficazes e baratos contra boa parte das doenças crônicas, como alzheimer e hipertensão.

Mas, como se vê, expectativas às vezes são frustradas.




Britânicos pedem permissão para alterar genes de embriões humanos

19/09/2015 - O Globo


Cientistas britânicos pediram permissão para alterar os genes de embriões humanos em experimentos destinados a descobrir mais informações sobre os primeiros estágios do desenvolvimento. O pedido aparece apenas alguns meses depois de pesquisadores chineses causarem furor internacional ao realizarem, pela primeira vez na História, um experimento em que modificaram genes de embriões humanos, abrindo calorosos debates sobre as questões éticas que envolvem o assunto.Desta vez, pesquisadores do Instituto Francis Crick, de Londres, pediram ao órgão regulador de fertilidade do governo britânico licença para realizar experimentos semelhantes. O departamento, por sua vez, confirmou o recebimento do pedido, que ainda será analisado.

A pesquisadora, uma cientista de células-tronco chamada Kathy Niakan, salientou que a intenção é aplicar o experimento em reprodução humana e que seu objetivo é aprofundar a compreensão científica de como um embrião saudável se desenvolve.

“Esse conhecimento pode melhorar o desenvolvimento do embrião após a fertilização in vitro e proporcionar melhores tratamentos clínicos para a infertilidade”, disse ela em um comunicado, acrescentando: “Quaisquer embriões doados seriam utilizados apenas para fins de pesquisa”.

Cientistas de todo o mundo estão atualmente debatendo o potencial uso futuro da nova tecnologia genética conhecida como CRISPR- Cas9, que permite aos pesquisadores alterarem praticamente qualquer gene, inclusive em embriões humanos.

Embora a tecnologia permita aos cientistas encontrar e alterar ou substituir defeitos genéticos, os críticos dizem que ela também tem o potencial de criar “bebês projetados” — um conceito amplamente desaprovado.

PEDIDOS DE CAUTELA

Em março deste ano, a revista “Nature” publicou um alerta de alguns dos pesquisadores mais respeitados na área, pedindo uma moratória em estudos que envolvam a manipulação genética de espermatozoides, óvulos e embriões humanos. O artigo foi assinado pelo presidente da Aliança para a Medicina Regenerativa, o cientista Edward Lanphier, e por outros quatro especialistas.




Nervos impressos em 3D

19/09/2015 - O Globo


O uso de avançadas tecnologias de impressão 3D pode devolver os movimentos a pacientes que sofreram danos em nervos periféricos. Pesquisadores americanos criaram uma nova técnica para se chegar à recuperação sensora e motora dessas pessoas, sem os graves efeitos colaterais dos tratamentos atuais. Trata-se de um tubo guia de silicone, confeccionado a partir da anatomia do nervo do próprio paciente, que facilita a regeneração do tecido danificado. Em experimentos com camundongos em laboratório, as cobaias voltaram a caminhar normalmente depois de um período de dez a 12 semanas.

Outros testes são necessários antes da aplicação da técnica em humanos, mas os resultados já são animadores.

— Isso representa uma importante prova do uso da impressão 3D de tubos guias nervosos personalizados para a regeneração de lesões em nervos complexos — afirma Michael McAlpine, professor de Engenharia Mecânica na Universidade de Minnesota e líder da pesquisa. — Um dia, esperamos que seja possível ter um scanner 3D e uma impressora dentro dos hospitais, para a criação de tubos personalizados no próprio local.

O estudo contou com a participação de pesquisadores das universidades de Minnesota, Virginia Tech, Maryland, Princeton e Johns Hopkins, algumas das mais prestigiadas do mundo. Os resultados foram publicados ontem na revista científica “Advanced Functional Materials”. O nervo escolhido para o experimento foi o ciático, por possuir bifurcações e transportar simultaneamente sinais dos sistemas sensorial e motor.

Nos experimentos laboratoriais, cientistas retiraram uma parte do nervo de uma cobaia e a digitalizaram com o uso de um scanner de luz estruturada, capaz de captar a luz refletida para reconstituir, com precisão, o objeto. Com posse do arquivo tridimensional do nervo, softwares de computação gráfica construíram o modelo do tubo, que envolve perfeitamente a fibra a ser reparada. Por fim, o tubo foi construído em silicone por uma impressora 3D, e depois implantado na cobaia, reconectando as duas extremidades do tecido.

O processo de escaneamento e impressão leva cerca de uma hora, mas o corpo precisa de muitas semanas para reconstruir os nervos. O tubo impresso em 3D recuperou os movimentos das patas traseiras da cobaia em 12 semanas.

Lesões que afetam os nervos são bastante comuns e, quando eles são rompidos, precisam ser reparados cirurgicamente. Apenas nos EUA, são cerca de 200 mil pacientes por ano que passam por algum tratamento reparatório. Quando há apenas a ruptura do nervo, o mesmo é suturado. Mas quando ocorre a perda de tecido, algo comum em acidentes automobilísticos e outros politraumatismos, o procedimento terapêutico mais utilizado é o autoenxerto. Nestes casos, o cirurgião retira algum nervo sensitivo, como o sural — responsável pela sensibilidade de algumas partes do pé —,e o reimplanta no local afetado pela lesão.

— O procedimento não é simples e traz sequelas para o paciente — explica Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira, diretor do Instituto de Biologia e chefe do Laboratório de Regeneração Nervosa da Unicamp. — Nós retiramos um nervo sensitivo para recuperar o movimento em outra parte do corpo, mas acabam sendo feitas duas cirurgias, e o paciente perde a sensibilidade na região doadora.

OPÇÃO MENOS TRAUMÁTICA

Por esse motivo, a comunidade científica busca por opções menos traumáticas ao paciente. O uso de tubos, procedimento conhecido como tubulização, é citado como o mais promissor. Ele não é novo. Os primeiros estudos com a técnica começaram na década de 1980 e, hoje, já têm indicação clínica para alguns tratamentos em países da Europa e nos Estados Unidos, com a devida aprovação para uso comercial da FDA, agência que regulamenta alimentos e medicamentos no país.

— Mas o uso clínico ainda é restrito, principalmente para cirurgias nos dedos e nas mãos, onde os nervos são muito finos para o autoenxerto — diz Oliveira.

Mas, nos laboratórios, a tubulização é amplamente utilizada para experimentos com substâncias que acelerem ou tornem mais eficiente a regeneração das fibras, como as células-tronco. O experimento de McAlpine faz uso de duas dessas substâncias para direcionar o desenvolvimento dos tecidos. Por dentro do tubo, a impressora 3D aplica uma trilha com fator de crescimento nervoso (NGF, na sigla em inglês) e outra com fator neurotrófico derivado de linhagem de célula glial (GDNF), para os nervos sensitivos e motores, respectivamente.

Dessa forma, os pesquisadores conseguiram construir um tubo controlável no formato de “Y”, um feito inédito. A ideia é que a técnica possa ser utilizada para a regeneração de nervos com outros formatos complexos. Segundo os autores do estudo, “canais guias convencionais são fabricados ao redor de substratos cilíndricos, por isso são restritos a estruturas lineares. Era desejável desenvolver estratégias que permitissem a fabricação de tubos com estruturas anatomicamente complexas”.

— Não existe nada desse tipo no mercado — avalia Ana Maria Blanco Martinez, professora do Instituto de Ciências Biomédicas e pesquisadora do Laboratório de Neurodegeneração e Reparo da UFRJ. — A dificuldade de se construir tubos com bifurcação é controlar para onde os tecidos vão crescer.

A pesquisadora trabalha atualmente no projeto que busca a certificação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de um tubo guia nervoso nacional, que visa a baratear a aplicação clínica e reduzir os custos de pesquisas. Atualmente, o tratamento com a tubulização é proibitivo no país por causa dos altos custos de importação. Entretanto, conta Ana Maria, estudos em laboratório comprovam que a técnica é tão eficaz quanto o autoenxerto, e com menos sequelas.

— No futuro, nós vamos adicionar substâncias aos tubos que possam acelerar e melhorar a regeneração — prevê Ana Maria. — Os tratamentos atuais são demorados, e a recuperação funcional não é perfeita. Muitas vezes, os pacientes ficam com limitações de movimentos que comprometem a qualidade de vida e que os tornam dependentes de outros.

Mas existem limites para o uso dos tubos no que se refere à dimensão do segmento a ser regenerado. Segundo os padrões atuais, a perda de tecido não pode ser maior do que três centímetros para que os nervos sejam capazes de se reconstruírem naturalmente.

E o procedimento cr iado pelos pesquisadores americanos ainda é incipiente. O próprio material escolhido, o silicone, não é indicado para a tubulização. Por não ser absorvível pelo organismo, teria que ser retirado em outra cirurgia após a regeneração dos tecidos.

MATERIAL BIODEGRADÁVEL

No estudo, eles definem os próximos passos a serem seguidos. O primeiro será a substituição do silicone por alternativas biodegradáveis. Eles também vão focar na otimização da estrutura de difusão e na avaliação do retorno funcional dos fatores neurotróficos. Vale ressaltar que o experimento busca oferecer novos tratamentos para o sistema nervoso periférico. Lesões na coluna espinhal são quase sempre permanentes.

“Além de tudo, nós esperamos que essa plataforma provoque impacto significativo no entendimento dos fundamentos da regeneração e no tratamento clínico de lesões de nervos complexos”, dizem os pesquisadores.

Em casos em que o nervo não está disponível para escaneamento, o pesquisador acredita que existirá uma “biblioteca” com modelos escaneados de outras pessoas, que os hospitais poderão usar para buscar a estrutura mais próxima com a do paciente.— O próximo passo será implantar esses guias em seres humanos — afirma McAlpine.




Hypermarcas ganha força no setor farmacêutico.

21/09/2015 - O Estado de S.Paulo


Criada em 2001 para ser uma gigante do consumo, a Hypermarcas, do empresário goiano João Alves de Queiroz Filho, mais conhecido como Júnior, começou a mudar de rota em 2009, quando a empresa passou a fazer pesadas apostas no segmento farmacêutico, que registrou crescimento acima de dois dígitos até o ano passado e hoje responde por 55% da receita do grupo.

Com um movimento agressivo de aquisições, a Hypermarcas começou a incomodar os concorrentes, especialmente no segmento de genéricos. Hoje, a divisão farmacêutica já é a segunda maior do mercado brasileiro, atrás da EMS. Em agosto, sua participação de mercado ficou em 12,81%, quase encostada na líder, que encerrou o mesmo mês com fatia de 13,17%, de acordo com a consultoria IMS Health, especializada no setor farmacêutico. A companhia tirou em 2013 a vice-liderança da francesa Sanofi, dona da Medley, que tem hoje 8,69% do mercado brasileiro. A empresa quer a liderança de mercado. Para chegar lá, alguns fatores pesam a seu favor, segundo o analista Ricardo Boiati, do Bradesco BBI. Um deles é seu custo de produção de genéricos, que, em função de um parque fabril moderno, chega a ser 30% inferior ao dos principais concorrentes. Além disso, Boiati afirma que a companhia fez investimentos em marketing na marca Neo Química, tentando diferenciar o laboratório de medicamentos genéricos, que são considerados uma espécie de commodity no setor.

“O grupo quer se concentrar em medicamentos e ser uma companhia como as globais Bayer e a própria Sanofi, por exemplo, que possuem um amplo portfólio de remédios e produtos isentos de prescrição”, disse uma fonte de mercado.

Segundo o analista de varejo Luiz Cesta, da Votorantim Corretora, as perspectivas para o setor de medicamentos são boas no longo prazo, pois a tendência é de envelhecimento da população brasileira. Pensando nisso, a Hypermarcas quer ganhar musculatura e ampliar seus domínios, em uma nova onda de consolidação no futuro. Chegou a sondar o laboratório nacional Aché, das famílias Depieri, Siaulys e Dellape Baptista, que decidiram colocar o negócio à venda há quase três anos. O Aché também negociou com multinacionais, mas o processo não andou. Fontes dizem que a Hypermarcas ainda teria interesse no Aché.

Agressividade. A construção do império farmacêutico da Hypermarcas se deu, a exemplo do que ocorreu em bens de consumo, por aquisições. Entre 2009 e 2010, a empresa arrebatou a Neo Química, de Goiás, e a Mantecorp, da família Mantegazza, tirando concorrentes internacionais de peso do páreo.

Esses dois negócios, aliás, ajudaram a inflacionar o preços dos ativos farmacêuticos no mercado. Com o crescimento da divisão de medicamentos, a empresa ganhou a atenção do mercado financeiro.

Mesmo que a estratégia de separar o negócio de bens de consumo, operação bem vista pelo mercado, não tenha êxito, a Hypermarcas como um todo é considerada um bom ativo. Na terça-feira, a agência de classificação de risco Fitch manteve a nota da empresa em “BB ”, com perspectiva positiva. Vários bancos recomendam a compra da ação. “O setor de farma vai bem e, em consumo, a empresa tem boa performance”, afirma Caio Moreira, analista do banco Fator.

Para lembrar: grupo ficou mais enxuto

A Hypermarcas começou a colocar em prática em 2011, dez anos após sua criação, um amplo plano de reestruturação de seus negócios. Conhecida no mercado por seu movimento agressivo de aquisições, a companhia teve de rever sua estratégia, que incluiu a venda de vários ativos. O mercado começou a questionar a falta de foco do grupo, que tinha um leque de negócios, desde higiene e beleza até limpeza e alimentos. Em 2011, a companhia vendeu seus ativos de alimentos e limpeza, justamente as que deram origem ao negócio. O grupo desfez-se de um pacote de importantes marcas, como Assolan, Perfex, Etti e Salsaretti, que somou R$ 445 milhões.

Além disso, a Hypermarcas também concentrou a maior parte de suas fábricas em Goiás. Com investimentos de R$ 500 milhões, construiu no Estado complexos industriais e centros de distribuição para unificar a produção de seus dois negócios: remédios e consumo. Em Anápolis, a sede da Neo Química tem a maior capacidade de fabricação de remédios da América Latina – o “bunker de medicamentos”, como a estrutura é conhecida internamente, permitiu a desativação de fábricas do setor que antes estavam espalhadas por vários Estados.

A divisão de bens de consumo fica em Goiânia e concentra unidades produtivas batizadas de “projeto Matrix”. Só está fora do Matrix a divisão de fraldas descartáveis, que fica em Aparecida de Goiânia e está à venda.




GRAVIDEZ TARDIA

21/09/2015 - Veja


A medicina da reprodução assistida evoluiu no Brasil de tal maneira que hoje pode ser comparada à dos maiores centros internacionais. As pacientes, no entanto, ainda se veem às voltas com um grande número de mitos. Um levantamento realizado pelo site de VEJA mostra que o mais comum deles diz respeito a idade adequada para recorrer aos tratamentos. Muitas mulheres acreditam que graças aos avanços da ciência é fácil engravidar acima dos 40 anos. Não é. A chance de gravidez natural aos 40 anos é de 10% - com ajuda da medicina é de (no máximo) 20%. Acima dos 42 anos, a chance natural é de 5%; com tratamento, de até 10%. Ou seja, mesmo com toda a ciência, não é simples.




A praga do diabetes

20/09/2015 - Correio Braziliense


O diagnóstico do diabetes na vida adulta geralmente está relacionado a uma dieta rica em açúcar e gorduras. Combinada a uma rotina sedentária, a má alimentação é uma condição propícia para o desenvolvimento da resistência à insulina, a substância responsável por equilibrar o nível de glicose no sangue. No entanto, mesmo alimentos saudáveis, como peixes e vegetais, podem ocultar um vilão pouco conhecido: pesticidas e outros compostos químicos que persistem por anos no solo e no organismo de animais e podem aumentar as chances de desenvolvimento de todos os tipos da síndrome metabólica em 61%.

O número foi divulgado no encontro da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes, semana passada, em Estocolmo. Um grupo de cientistas analisou 21 pesquisas que estudaram a relação entre os pesticidas e o diabetes em mais de 66 mil indivíduos de diversos países. “Nós ficamos surpresos com a consistência dos resultados em diferentes subgrupos e com a análise de sensitividade, onde o risco relativo permanece alto”, afirmou ao Correio Evangelos Evangelou, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Imperial College, de Londres, e um dos autores do trabalho comparativo.

Evangelou ressalta que os artigos analisados não explicam o mecanismo que pode ligar os pesticidas à doença. No entanto, ele também lembra que existem outros trabalhos experimentais — feitos com animais e em testes in vitro — mostrando que os pesticidas podem estimular a resistência à insulina, o que levaria ao desenvolvimento do diabetes tipo 2. Quando investigaram especificamente a influência desses contaminantes sobre a variação desse tipo de diabetes, os artigos apontaram para um aumento de incidência de até 64%. “Mas seria importante a realização de uma revisão sistemática dos mecanismos do desenvolvimento desse diabetes por meio dos pesticidas e contaminantes orgânicos em geral”, pondera o pesquisador.

As análises não indicaram se a predisposição genética ou outros agentes ambientais agravam o efeito dos pesticidas sobre o metabolismo, mas alguns fatores indicam que os pacientes com maior índice de gordura corporal podem estar mais sujeitos ao diabetes causado pela exposição aos compostos tóxicos. Isso ocorre porque a insolubilidade dos pesticidas e de outros poluentes permite que eles fiquem armazenados por um longo tempo no tecido adiposo de humanos e animais.

“No entanto, também encontramos uma alta concentração de poluentes no tecido adiposo de pessoas magras que tiveram uma grande exposição (a essas substâncias)”, explica Juan Pedro Arrebola, especialista e pesquisador da Universidade de Granada. Arrebola realizou em 2013 um estudo com 386 pacientes de um hospital de Granada, na Espanha, e notou que a presença de algumas substâncias tóxicas, como o DDT, pode aumentar as chances de desenvolver diabetes em até quatro vezes.

Reação imunológica

Os cientistas acreditam que esses compostos causem uma resposta imunológica que levaria ao problema metabólico. “Certos químicos podem exercer um efeito imunotóxico ao se ligarem aos receptores de estrogênio, o que induz uma inflamação crônica, reduz a função mitocondrial, leva à oxidação dos ácidos graxos e ao aumento da lipólise, todos fatores relacionados à síndrome de resistência à insulina”, explica Arrebola. Estudos também mostram que os pesticidas podem alterar a função das células beta que produzem a insulina. Isso significa que a intoxicação ao longo prazo poderia levar também ao diabetes tipo 1.

Outro artigo do grupo de Juan Pedro Arrebola, publicado no fim do ano passado, demonstrou a relação de poluentes orgânicos com o diabetes gestacional. O estudo analisou 107 mulheres que tinham histórico da doença e demonstrou uma relação entre as concentrações de poluentes e a resistência à insulina desenvolvida pelo organismo da maioria das pacientes. Os pesquisadores acreditam que a condição subclínica talvez seja compensada pelo aumento da produção de insulina, o que explicaria a dificuldade em relacionar os níveis de glicose em jejum com os poluentes.

Persistentes

Entre as substâncias encontradas no organismo dos pacientes que desenvolveram diabetes, estão compostos como o DDT e o clordano, dois inseticidas que tiveram o uso banido na maioria dos países, mas que permanecem presentes em animais e seres humanos. Estão na lista dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs), que ganham esse nome justamente pelo longo prazo que levam para desaparecer. O DDT, por exemplo, leva até 30 anos para sumir de solos e águas contaminados. Já o clordano, que antigamente era usado para o extermínio de cupins, pode ser encontrado décadas depois de ser aplicado nas residências.

Os peixes são considerados as maiores vítimas desses compostos, que acabam se concentrando em mares próximos a áreas industriais e nas regiões polares. Enquanto nos humanos os efeitos dos pesticidas ainda estão sendo compreendidos pelos cientistas, nos animais aquáticos, o fenômeno é bastante claro: as toxinas afetam a saúde reprodutiva desses bichos e prejudicam toda a cadeia alimentar em que estão envolvidos. Essas substâncias também são encontradas no tecido adiposo de vacas, em vegetais e em todo tipo de espécie que teve contato com um solo ou alimento contaminados.

“Alguns desses compostos podem persistir por 15 a 20 anos no solo e partes deles são arrastadas pelas chuvas para o interior dos cursos d’água, que também os recebe por efluentes industriais, esgotos, sedimentos, atmosfera e contaminação direta”, explica a professora Sandra Rissato, do Departamento de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Rissato ressalta que é difícil ter uma noção clara dos níveis de POPs e de outros agrotóxicos nos produtos agrícolas consumidos no Brasil. “A dificuldade está no fato de que se trata de uma contaminação invisível. É praticamente impossível para o consumidor reconhecer um produto contaminado”, lamenta. Uma possível saída para os consumidores, sugere a especialista, é optar por produtos certificados de origem orgânica e procurar conhecer o histórico dos locais de cultivo.

Mais suscetíveis

De acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH), os profissionais que trabalham diretamente com a aplicação de pesticidas podem ter um risco 200% maior de adquirir a doença. O maior perigo à saúde identificado no estudo é do tricloforn, ainda usado para exterminar baratas e carrapatos. Esse inseticida pode aumentar as chances de desenvolver o diabetes em quase 250% para aqueles que tiveram ao menos 10 exposições à substância.

PARA SABER MAIS

Combate internacional

Em 2004, entrou em vigor a Convenção de Estocolmo, que determina uma série de medidas a serem tomadas pelos países para a eliminação dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). O documento lista 12 substâncias que hoje têm a produção, a comercialização e o uso controlados em 160 países, incluindo o Brasil. A convenção determina que os governos promovam as melhores tecnologias e práticas para a gestão e a eliminação dos POPs, além de prevenirem sua proliferação. Por meio do acordo, são oferecidas opções tecnológicas inovadoras, além de apoio financeiro para a busca de alternativas de substituição dessas substâncias e o desenvolvimento sustentável.




Mais Médicos segue dependente do acordo Brasil-Cuba

19/09/2015 - O Estado de S.Paulo


A expansão do provimento emergencial de médicos na atenção primária em interiores e periferias é meritória, mas persiste nesses locais a baixa permanência de brasileiros. A remuneração razoável ou o bônus que fura a fila nas seleções de residência médica podem estimular a instalação provisória de recém-formados, mas eles tendem a abandonar o posto por melhores condições de trabalho e perspectivas de especialização.Com isso, o Mais Médicos segue fortemente dependente do acordo entre Brasil e Cuba e da aceitação de brasileiros com diplomas não revalidados, formados na Bolívia e em escolas estrangeiras caóticas. Por trás do comercial que alardeia 63 milhões de pessoas cobertas, descortinam-se arranjos improvisados: bolsas de especialização no lugar de vínculos trabalhistas, restrições aos cubanos, pagamento de tutores e supervisores que não são docentes e não promovem a integração entre ensino e serviço, decisão de gestores de trocar médicos por intercambistas com salário menor.

Além dos gastos com propaganda, recursos públicos contratam pesquisas sem edital e sem perguntas claras para validar pontos positivos do Mais Médicos. Não haverá resposta satisfatória para a falta de médicos sem a combinação de medidas excepcionais desde a graduação. Na direção oposta, a redução de financiamento do SUS e os incentivos ao mercado de planos e hospitais privados vão subtrair médicos da rede pública. Num sistema privatizado, a leva de novos formados poderá acirrar as desigualdades de acesso à saúde.




Prefeitura vai fazer unidade de saúde em prédio de fibra de vidro

19/09/2015 - O Estado de S.Paulo


O novo secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, vai usar modelos de casas pré-fabricadas para construir novas unidades de saúde na capital. Esse tipo de construção, de fibra de vidro, é uma tentativa de melhorar os indicadores da área que tem uma das piores avaliações da administração municipal, com 6,5% do investimento previsto para as metas usado até junho. Neste mesmo mês, a gestão Haddad só havia entregue 19 das 146 unidades novas ou reformadas prometidas.Padilha, porém, admite que não conseguirá colocar em funcionamento todas as unidades que o prefeito prometeu em campanha. No caso das 43 UBSs previstas, por exemplo, 27 deverão estar abertas até o fim do mandato, no ano que vem. As demais estarão em obras. Os três hospitais previstos funcionarão apenas parcialmente. Das 32 unidades da Rede Hora Certa prometidas, que ofereceriam atendimento com especialistas, oito estão em funcionamento. Em fevereiro, último dado disponível, mais de 600 mil pessoas aguardavam algum tipo de atendimento na cidade.

Com os atrasos nas licitações e a crise econômica enfrentada pela Prefeitura, pelo menos duas UBSs e dez Hospitais Dia da Rede Hora Certa terão estrutura de uma unidade móvel, mais barata: ela sai por entre R$ 700 mil e R$ 900 mil, enquanto uma unidade tradicional consome de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões. Além disso, o modelo pré-fabricado leva, no máximo, 40 dias para ser erguido, enquanto a construção de alvenaria demora um ano para ficar pronta.

“É um equipamento que a gente, na época do ministério, usou muito para as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). É como se fosse uma casa pré-fabricada com material apropriado para área hospitalar, um tipo de fibra. Você sobe rapidamente”, disse. Presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Florisval Meinão vê a medida com pessimismo. “É uma medida emergencial para tentar salvar uma gestão de saúde muito pobre”, afirma.

Especialidades. Para tentar diminuir a fila de 600 mil pessoas, Padilha pretende adotar na capital paulista um serviço em que médicos da Prefeitura de diversas especialidades darão auxílio a distância aos clínicos dos postos de saúde na resolução de casos, por telefone e online.

“Hoje temos uma plataforma que faz esse trabalho com acompanhamento das gestantes de alto risco. Essa plataforma pode ser rapidamente ampliada para outras especialidades”, afirma o secretário.

Segundo Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP, o serviço a distância costuma ser usado apenas em áreas remotas do País, sem acesso a especialistas. “Não entendo muito bem qual é a ideia deles ao fazer isso. O certo seria ter serviços de retaguarda suficientes”, diz.

Para o especialista, as ações podem trazer um benefício apenas pontual, mas estão longe de ser uma solução permanente para a dificuldade de acesso ao sistema de saúde. “Está me parecendo mais um conjunto de medidas de marketing e que podem até ser úteis, mas não são medidas que vão atender a enorme demanda reprimida de pacientes que existe hoje.”




Sem Intervalo

19/09/2015 - O Estado de S.Paulo

Colunista: Cristina Padiglione


Série médica une SUS e Sírio Libanês

Série que mescla as pretensões de uma jovem médica (Ana Petta) em trabalhar na rede particular e um médico experiente (Caco Ciocler), dedicado ao serviço público, Unidade Básica tem apoio do Hospital Sírio-Libanês, referência em saúde no País, e do Proadi-Sus, programa de apoio ao desenvolvimento institucional do Sistema Único de Saúde, do Ministério da Saúde. Com roteiro de Newton Cannito, a série tem produção da Gullane e conta com aval para verba de incentivo da Ancine, com previsão de exibição para 2016 no Universal Channel. São 8 episódios que prometem mexer com um assunto de grande interesse do público e há muito não abordado pela ficção nacional.




Após 2 anos, dobra nº de profissionais que deixam programa Mais Médicos

19/09/2015 - O Estado de S.Paulo

O programa Mais Médicos do governo federal completa dois anos de funcionamento efetivo na quarta-feira enfrentando um aumento no número de desistências. Nos primeiros sete meses do ano, 337 médicos abandonaram o programa, segundo o Ministério da Saúde, média de 1,6 por dia. Desde que o programa foi lançado, em 2013, e em todo o ano passado, 361 médicos deixaram o programa - média de 0,75 por dia.Os números não incluem a saída de 76 médicos cubanos em todo o período, o que eleva o total de evasão para 774 profissionais. De acordo com o Ministério, os desistentes representam uma parcela pequena, ante 18,2 mil médicos que permanecem no programa, dos quais 11,4 mil cubanos. A maioria dos que saíram já teve as vagas ocupadas por outros profissionais convocados pelo governo.

O Ministério atribuiu o crescimento da deserção em 2015 à maior rotatividade entre os médicos brasileiros contratados pelo programa. Do total de desistentes neste ano, 335 são brasileiros, segundo a pasta. A aprovação na residência médica ou em concurso público está entre os principais motivos alegados para a saída. Ainda conforme o Ministério, os cubanos representam apenas 0,6% do número total de profissionais que deixaram o programa.

Estados Unidos. Na semana passada, um casal de médicos cubanos abandonou o serviço em Agudos, região central do Estado de São Paulo. Alejandro Gonzales e Amarilis Prieto Carballosa trabalhavam havia um ano no programa de saúde da família da cidade, e tinham até trazido uma filha de 12 anos para o Brasil. No dia 8 de setembro, após um feriado, eles não apareceram para trabalhar. Conhecidos do casal informaram que tinham viajado com a filha para os Estados Unidos.

De acordo com amigos de Alejandro, ele teria reclamado das condições no Brasil, já que o acordo com Cuba não permite a vinda de filhos dos profissionais. Ele também teria feito referência à retomada das relações diplomáticas entre seu país e os Estados Unidos, o que tornaria a América do Norte mais interessante para os cubanos.

A prefeitura registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e entrou em contato com a coordenação do programa em São Paulo. No município, há mais cinco profissionais do Mais Médicos, mas a prefeitura vai pedir a reposição dos desistentes. Os dois médicos eram considerados competentes e tinham agradado à população. O Ministério informou que, após receber a informação da prefeitura, os médicos serão notificados para retomar as atividades em 48 horas ou justificar a ausência, caso contrário, serão desligados.

Reposição. O crescimento na desistência levou o governo brasileiro a realizar com mais frequência a reposição dos que saem. A primeira chamada para reposição, desde que o programa começou, foi feita em janeiro. Uma nova recolocação de médicos aconteceu em julho. A partir de agora, serão feitas reposições trimestrais - a próxima está marcada para outubro.

No caso dos brasileiros ou intercambistas individuais, a reposição é feita por meio de convocação por edital. Já as vagas dos cubanos são repostas por meio do convênio com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas). Nesse caso, basta o Ministério notificar a Opas para que seja enviado outro cubano para o lugar do desistente.

A saída de cubanos é mais rara: em Sorocaba, por exemplo, entre os 36 médicos de Cuba que se apresentaram à prefeitura, não houve uma desistência sequer. A cidade tem outros dois médicos, um brasileiro e um italiano, que também permaneceram no programa.




Entidades culpam falta de estrutura de programa

19/09/2015 - O Estado de S.Paulo


Entidades que representam os médicos têm posicionamentos diferentes em relação aos pedidos de desligamento do programa Mais Médicos feitos pelos profissionais brasileiros. Vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Ribeiro diz que a deserção está relacionada com problemas de estrutura do programa e não com a falta de comprometimento dos médicos.“Não existe uma surpresa em relação a esse dado. Desde o início, alertamos o governo que, na realidade, não é o médico que tem de ser interiorizado, mas todo o sistema de saúde. O médico é apenas um elemento e o governo tem de colocar condições mínimas, como raio X, enfermeiros e medicações básicas para que a equipe possa ter ‘resolutividade’. As condições de trabalho são terríveis e não há condições de exercer o trabalho em sua plenitude.”

Ribeiro diz que o índice de desistência seria menor se o programa oferecesse um plano de carreira para os profissionais. “Os médicos têm uma perspectiva de carreira. A nossa proposta há décadas é a carreira de Estado, tratar o médico como funcionário público, com dedicação exclusiva, plano de cargos, carreiras e salários para atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Mas o governo não tem políticas públicas para especialidades básicas, como clínico geral, ginecologista, cirurgião geral, pediatra e médicos do Programa de Saúde da Família.” Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso diz que o objetivo de obter mais qualificação é o que tem feito os profissionais brasileiros saírem do programa. “Provavelmente, os profissionais que desistiram foram aprovados em programas de residência médica do Brasil inteiro. A maioria dos brasileiros do programa é formada por médicos que não têm formação além da graduação.” Cardoso acrescenta que o caráter provisório também influencia os profissionais. “O programa Mais Médicos não tem vínculo e o médico está sempre se qualificando, aprendendo. Mas é importante dizer que o médico brasileiro sempre se colocou à disposição para ajudar a melhorar a saúde no Brasil.”

Histórico. Desde o início, o programa foi alvo das associações médicas. A Federação Nacional dos Médicos (Fenam), por exemplo, destacava que o piso salarial dos médicos, estipulado pela entidade, era de R$ 10.412 para 20 horas semanais de trabalho. Enquanto isso, o programa prevê pagamento de bolsa de R$ 10 mil para 40 horas semanais.

Além disso, o fato de os médicos cubanos serem pagos via Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) também motivou críticas, tanto políticas quanto na Justiça trabalhista.




Ambev: Brasil está perto da meta da OMS de reduzir consumo de álcool

18/09/2015 - Valor Econômico / Site


A Ambev informou nesta sexa-feira que a ação desenvolvida pela companhia desde 2010 para conscientizar a população a respeito do consumo responsável de bebidas alcoólicas trouxe efeitos no Brasil. Citando dados de uma pesquisa feita pela Vigitel a pedido do Ministério da Saúde, a empresa informou que o Brasil já está muito próximo de atingir a meta fixada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para redução de consumo excessivo de álcool.

A OMS estabeleceu, em 2010, o prazo de 2025 para que o consumo nocivo de bebidas alcoólicas seja reduzido em 10%, para 16,3%. Em 2010, 18,1% da população brasileira que consome bebidas alcoólicas fazia um uso nocivo das bebidas — a OMS considera nocivos o consumo por menores de idade, consumo em excesso e beber antes de dirigir.

No ano passado, segundo a pesquisa, esse índice baixou para 16,5% - ou seja, próximo da meta de 16,3% da OMS.

“É bem provável que essa meta seja batida em breve. Se isso acontecer, vamos desenvolver ações para baixar ainda mais o índice”, disse Eduardo França, diretor de relações corporativas, sustentabilidade e comunicação da Ambev.

O presidente da Ambev, Bernardo Paiva, acrescentou que o trabalho de conscientização é constante. “Mudar valores é como a educação, não se educa em um ano, é preciso um esforço constante durante toda a vida”, disse.

A Ambev realiza desde 2010 o “Dia de Responsa”, uma ação para promover o consumo responsável de bebidas alcoólicas. Neste ano, a empresa adotou o slogan “A hora certa para beber não é depois das 18h. É depois dos 18”, criado pela agência Loducca, contratada para fazer a campanha.

No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) e suas associadas — Ambev, Grupo Petrópolis, Brasil Kirin e Heineken) desenvolvem campanhas para estimular o consumo responsável desde 2010. Globalmente, a controladora da Ambev, a Anheuser-Busch InBev (AB InBev), e suas rivais Carlsberg, SABMiller e Heineken, também promovem hoje uma ação de conscientização nos países em que atuam.

Em um vídeo institucional, Carlos Brito, presidente da AB InBev, disse que, desde 2010, a empresa dobrou o número de funcionários envolvidos nessas ações no mundo, para 36 mil pessoas.

No Brasil, segundo a empresa, a campanha já atingiu 18 mil jovens e 8 milhões de pessoas.




Liminar obriga Unimed nacional a atender clientes da Paulistana

18/09/2015 - Valor Econômico / Site


O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) obteve liminar determinando que a Central Nacional Unimed (CNU) atenda os clientes da Unimed Paulistana. A CNU é uma cooperativa médica do sistema Unimed que atende os funcionários de empresas com abrangência nacional.

A liminar foi concedida pela juíza Maria Rita Rebello Dias, da 18ª Vara Cível do Foro Central Cível de São Paulo, e prevê que a Central Nacional Unimed preste serviços médicos, laboratoriais e hospitalares, incluindo atendimento de obstetrícia e odontológica previstos em contrato, especialmente os casos de urgência até a transferência da carteira de clientes da Unimed Paulistana.

A CNU informou que não recebeu a notificação.

Transferência de clientes

No começo do mês, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou a transferência de clientes da Unimed Paulistana para outra operadora no prazo de um mês. A preferência foi dada à CNU e Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Fesp), mas ambas já informaram que não têm interesse em ficar com a carteira.

Após esse período de um mês, se não houver interessados, será realizado um leilão da carteira pela ANS que dura de 15 a 30 dias.

As chances de a Paulistana conseguir um interessado nesta primeira etapa do processo de liquidação são pequenas. Se houver alguma oferta, poderá ocorrer no leilão.

A resistência das operadoras é grande porque na etapa inicial do processo (alienação de carteira), há um risco jurídico maior de a compradora ter de assumir futuramente os passivos da Paulistana — cujo débito tributário é de cerca de R$ 1 bilhão e as dívidas com prestadores de serviços está entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. No leilão, a ANS separa a carteira de clientes e o risco é menor.

Na semana passada, a ANS reuniu-se com representante do Ministério Público Federal e do Ministério Público de São Paulo para discutir medidas para agilizar uma solução para os beneficiários da Unimed Paulistana.




Unimed Paulistana

21/09/2015 - Valor Econômico


O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) obteve liminar determinando que a Central Nacional Unimed (CNU) atenda os clientes da Unimed Paulistana. A CNU é uma cooperativa médica do sistema Unimed que atende os funcionários de empresas com abrangência nacional. A liminar prevê que a Central Nacional Unimed preste serviços médicos, laboratoriais e hospitalares,, incluindo atendimento de obstetrícia e odontológico previstos em contrato, especialmente os casos de urgência até a transferência da carteira de clientes da Unimed Paulistana. A CNU informou que não recebeu a notificação.




Mercado Aberto: Despesas em evolução

21/09/2015 - Folha de S.Paulo


Os gastos de planos de saúde de autogestão com órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs), como implantes, somaram R$ 1,5 bilhão em 2014, segundo a Unidas (entidade que representa as instituições). O valor representa 15% das despesas com procedimentos hospitalares pagas pelo segmento no ano passado.

No total, o custeio assistencial das operadoras foi de de R$ 15 bilhões em 2014, valor que poderá chegar a R$ 20 bilhões até o fim deste ano, de acordo com a associação.

O crescimento será impulsionado pelo envelhecimento da população e pela inclusão de novos procedimentos na lista de cobertura, entre outras razões. As operadoras de autogestão são as que administram o plano de saúde dos próprios funcionários. *5 milhões*são os beneficiários atendidos pelas instituições de autogestão no país.




Vírus e homens

19/09/2015 - Folha de S.Paulo


Um prosaico espirro carrega 40 mil gotículas de secreção, numa velocidade que pode atingir 300 km/hora. Dependendo da inclinação do jato em relação ao solo, o spray percorre mais de 10 metros.

Se você estiver resfriado, cada gotícula conterá 200 milhões de unidades do vírus. Se um nariz incauto for alcançado na trajetória de uma delas, os vírus penetrarão e se multiplicarão no interior das células das mucosas nasais, liberando trilhões de cópias de si mesmo que infectarão em cadeia as células das vizinhança.

Se você fosse um dos vírus do resfriado, seria capaz de engendrar estratégia de sobrevivência mais inteligente?

Essa estratégia não é a única que os vírus encontraram para sobreviver no corpo humano.

Na fase aguda, o herpes simples provoca pequenas bolhas nos lábios, nos genitais ou na pele. Assim que o sistema imunológico consegue contê-lo, as lesões cicatrizam, mas o vírus persiste para sempre, refugiado no interior de estruturas existentes nos nervos periféricos, à espreita de condições propícias para contra-atacar.

O mesmo acontece com o vírus da varicela (catapora), adquirido na infância, que sobrevive no organismo durante décadas para emergir sob a forma de herpes zoster ao setenta anos de idade.

Há, ainda, aqueles que permanecem à espera de uma debilidade do sistema imunológico para se manifestar. É o caso do vírus causador do sarcoma de Kaposi em pessoas com Aids e daqueles associados a diversos tipos de câncer (HPV, EBV e outros). Quando um vírus invade o organismo humano, terá três destinos:

  1. Provocará uma infecção tão grave que levará o hospedeiro à morte. Matar a galinha dos ovos de ouro não é boa ideia: gente morta não anda por aí espalhando vírus. É o caso do Ebola ou do vírus da gripe espanhola.
  2. O organismo dispara uma resposta imunológica de alta eficácia, que consegue eliminá-lo definitivamente. É o que ocorre com os vírus do resfriado comum, da gripe ou da hepatite A.
  3. 3) O vírus e o hospedeiro entram em convivência pacífica por longos períodos, num processo de simbiose. Em certas condições, o DNA viral pode ser incorporado aos genes carregados pelos espermatozoides e óvulos, para ser transmitido às novas gerações.

Se considerarmos que o sentido da vida é o eterno crescei e multiplicai-vos, os vírus são imbatíveis.

Incapazes de reproduzir-se por conta própria por lhes faltar organelas especializadas, conseguem apropriar-se da maquinaria responsável pela divisão celular de qualquer ser vivo para fazer cópias piratas de seu material genético.

Conseguem infectar bactérias, fungos, todas as plantas e animais. Para ter uma ideia da ubiquidade, em um litro de água do mar existem cerca de 10 bilhões de bactérias e 100 bilhões de vírus.

A multiplicação rápida e o mecanismo que os vírus utilizam para incorporar seus genes aos das células infectadas modificam o genoma celular, ao mesmo tempo em que o genoma viral sofre mutações que vão ser submetidas à seleção natural –mecanismo que elimina as formas de vida menos aptas. Esse processo é conhecido como coevolução.

Quando os vírus desenvolvem mutações favoráveis à sobrevivência do hospedeiro, eles se encarregam de disseminá-las para outros membros da mesma espécie. É o que acontece quando uma cepa de bactérias adquire resistência à penicilina: em pouco tempo essa habilidade será transmitida às demais da espécie.

Vivem no corpo humano trilhões de vírus. Nosso organismo contém mais vírus do que bactérias e mais bactérias do que células. Eles podem ser encontrados na pele, intestinos, pulmões, boca e até na corrente sanguínea. Seus genes estão presentes não apenas em nossas células, mas no interior das bactérias que convivem em simbiose conosco.

Mal invadiram um organismo, eles se multiplicam na maior velocidade que o ambiente lhes permite. Antes que as defesas imunológicas consigam destruí-los, já pensam em ir atrás de outro hospedeiro. Nesse entra-e-sai sem fim, a composição do viroma dos seres vivos tem características personalizadas.

Cada um de nós, leitor, é um nicho ecológico único, formado por células humanas, bactérias e vírus que interagem em mecanismos de altíssima complexidade.




No mês mundial do Alzheimer, veja dicas para prevenir a doença

20/09/2015 - Folha de S.Paulo / Site


"100 Dicas Simples para Prevenir o Alzheimer" ensina como tornar o cérebro mais resistente e protegido contra as doenças neurodegenerativas associadas à idade.

Embora muitos acreditem que não há nada que possa ser feito para prevenir o Alzheimer, cientistas estão provando que isso não é verdade. Estudos recentes mostram que, com o estímulo certo, as chances de demência se reduzem de forma drástica.

Ao descobrir que carrega o gene que aumenta as chances de desenvolver a doença, a jornalista americana Jean Carper começou a buscar formas de neutralizar essa ameaça. Assim, descobriu que atitudes surpreendentemente simples podem reduzir de forma considerável a probabilidade de desenvolver o Alzheimer, a perda de memória associada à idade e outras formas de demência. Ações diárias como tomar ácido fólico, praticar meditação, evitar o ômega-6 e beber chá podem fazer toda a diferença.

Jean Carper é jornalista e escreve sobre nutrição. É membro da Associação Americana de Envelhecimento e, seguindo muitas das ações que propõe no livro, não apresenta sinais de Alzheimer, apesar de ter quase 80 anos e de sua predisposição genética.

Abaixo, leia um trecho do livro.

BEBA, MAS COM MODERAÇÃO

O álcool pode estimular ou destruir neurônios

Seu cérebro pode gostar de um pouco de álcool, mas não de muito. Diversos estudos mostram que pessoas que bebem com moderação têm menos chances de desenvolver Alzheimer. Uma pesquisa recente no Hospital Batista da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte, descobriu que idosos que bebem de oito a 14 doses de bebida alcoólica por semana - uma ou duas por dia - tinham um risco de demência 37% menor do que os abstêmios. A má notícia: entrar na categoria dos que "bebem demais" - acima de 14 doses por semana - dobra as chances de desenvolver demência, em comparação aos abstêmios.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriram que o excesso de bebida adianta em dois ou três anos o início do Alzheimer. Para quem bebe muito e ainda por cima carrega o gene ApoE4, o Alzheimer pode aparecer de quatro a seis anos antes. E, no amplo Estudo do Coração de Framingham, Massachusetts, uma pesquisa de saúde cardíaca que se estende há décadas, beber demais (acima de 14 doses de bebida alcoólica por semana) causa o encolhimento das regiões cerebrais que controlam a memória.

Um artigo recente de médicos ingleses para o British Journal of Psychiatry alertou que o excesso de bebida durante a velhice está criando uma "epidemia silenciosa" de demência causada pelo álcool, responsável por aproximadamente 10% dos casos da doença.

Até adultos que em geral bebem pouco ou com moderação, mas às vezes exageram na dose, têm mais chances de desenvolver demência. Um estudo finlandês revelou que adultos na meia-idade que bebem demais pelo menos uma vez por mês (por exemplo, mais de cinco garrafas de cerveja ou uma garrafa de vinho numa só noite) tinham o triplo de chances de desenvolver demência, incluindo Alzheimer, 25 anos depois. Quem desmaia de tanto beber ao menos duas vezes ao ano aumenta em dez vezes as chances de ter Alzheimer.

Por outro lado, apenas um coquetel ou um copo de vinho por dia pode contribuir para adiar a demência. Estudos apontam que o álcool funciona como anti-inflamatório (e o Alzheimer é provocado por uma forma de inflamação) e eleva o bom colesterol, o HDL, que ajuda a prevenir a demência. Os antioxidantes do vinho tinto ajudam na proteção contra a demência. Esses antioxidantes, incluindo o resveratrol, agem como anticoagulantes e vasodilatadores, facilitando o fluxo sanguíneo, o que encoraja o funcionamento cognitivo. Isso faz com que os pesquisadores sejam mais favoráveis ao consumo de vinho tinto do que ao branco, que, em comparação, tem bem menos antioxidantes. (Veja o capítulo 100 - "Escolha vinho, de preferência tinto".)

O que fazer? Entenda que, em pequenas doses durante a vida de um adulto, o álcool parece proteger o cérebro, mas, em altas doses - mesmo que não sejam frequentes -, pode matar ou desativar neurônios, tornando a pessoa mais vulnerável a disfunções cognitivas e, décadas depois, ao Alzheimer. O impacto tóxico é de longa duração. Se você bebe, faça-o de forma leve ou moderada, aos poucos e, de preferência, coma algo junto. Isso significa no máximo um drinque por dia para as mulheres e dois para os homens. Um drinque equivale a uma lata de 350ml de cerveja, uma dose de licor ou uma taça de 140ml de vinho.

- CONSIDERE TOMAR ÁCIDO ALFA-LIPOICO E ALCAR

Estes dois suplementos atuam juntos para rejuvenescer seu cérebro.

Se você pudesse tomar um antioxidante para garantir um bom funcionamento cognitivo na velhice, qual seria? Para pesquisadores de ponta do Instituto Linus Pauling, na Universidade do Estado do Oregon, a resposta parece clara: o ácido alfa-lipoico, também chamado de ácido lipoico, é o antioxidante rejuvenescedor de cérebros mais potente já testado em animais de idade avançada, segundo Tory Hagen, cientista do instituto, acrescentando ainda que o suplemento age com mais força combinado com a acetil-L-carnitina (ALCAR).

Juntamente com o professor de bioquímica Bruce Ames, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Hagen é pioneiro no estudo do ácido lipoico e da ALCAR. Ames descobriu a ALCAR nos anos 1990 sendo vendida como um "medicamento inteligente" na Itália. Numa pesquisa revolucionária, ele e Hagen demonstraram que, depois de tomar ALCAR e ácido lipoico durante algumas semanas, ratos velhos e cansados se tornaram tão ativos física e mentalmente quanto ratos com metade da idade. "É como se um senhor de 75 anos tivesse a energia de um homem de 45", compara Ames.

Ele explica que as células do cérebro precisam de ALCAR como combustível para manter seus pequeninos geradores de energia, as mitocôndrias, funcionando bem. Quando envelhecemos, sintetizamos 50% menos ALCAR. Com a falta de combustível, nossas fábricas de energia celular começam a funcionar mal e deixam os neurônios engasgando e se comunicando de forma desorganizada. Segundo pesquisas recentes, a disfunção mitocondrial nas sinapses cerebrais é uma das primeiras pistas bioquímicas de que o Alzheimer iniciou sua marcha. Aumentar os níveis de ALCAR nas células do cérebro ajuda a reviver o funcionamento mitocondrial, o que gera um aumento na energia física e mental da pessoa, afirma Ames. Em testes de laboratório, a ALCAR também foi capaz de bloquear a formação de novelos da proteína tau em tubos de ensaio.

A missão crítica do ácido alfa-lipoico nas células do cérebro é montar guarda para proteger as usinas de energia mitocondriais dos prejuízos causados por ataques de radicais livres. O ácido lipoico é uma das poucas moléculas antioxidantes conhecidas capazes de penetrar a barreira hematoencefálica e lutar contra essa destruição. Sem a proteção antioxidante do ácido lipoico, as fábricas de mitocôndrias tendem a entrar em colapso e fechar, deixando seu cérebro num estado semelhante ao daquela luz fraca ou oscilante de um pré-apagão.

Hagen descobriu que o ácido lipoico parece prevenir e reverter danos ao cérebro também de outra forma. Ele faz uma "quelação", ou eliminação dos depósitos de ferro no cérebro. Quando a pessoa envelhece, o ferro se acumula nos neurônios e acelera os "danos oxidativos" que contribuem para o declínio cognitivo e a demência. Depois que Hagen alimentou ratos de idade avançada com altas doses de ácido lipoico por apenas duas semanas, o ferro no cérebro desses animais sofreu redução drástica, a níveis normalmente vistos em ratos bem mais jovens.

Já se comprovou que, nos humanos, o ácido alfa-lipoico baixa a pressão, bem como os níveis de glicose e triglicerídeos no sangue, reverte a resistência à insulina e previne a neuropatia diabética. Alguns médicos recomendam 600mg de ácido lipoico por dia para diabéticos, como forma de prevenir complicações.

O que fazer? Considere tomar um ou ambos os suplementos para estimular o funcionamento das células do cérebro. Há formulações com os dois juntos ou separados, e você pode encontrá-los em lojas de produtos naturais, farmácias, ou on-line. Se comprar a ALCAR separadamente, veja se o rótulo diz acetil-L-carnitina, e não apenas L-carnitina.

Tanto o ácido alfa-lipoico quanto a acetil-L-carnitina são considerados seguros nas doses diárias recomendadas de 200mg e 500mg por dia, respectivamente, embora doses mais baixas também façam efeito. Caso queira aumentar a dose para tratar algum problema de saúde, como o diabetes, procure a orientação e supervisão de um médico.

Em lojas on-line de suplementos é possível encontrar cápsulas que combinam 200mg de ácido alfa-lipoico a 500mg de acetil-Lcarnitina, as doses recomendadas por Ames.




O NÚMERO MÁGICO DA PRESSÃO SANGÜÍNEA

21/09/2015 - Veja


120 x 80, ou 12 por 8. como costumamos ouvir dos médicos. É medida dada em milímetros de mercúrio. O primeiro número anuncia a pressão com que o sangue é bombeado do coração para o resto do corpo. O segundo indica a pressão no caminho inverso. Um marca a pressão sistólica: o outro, a diastólica. O 120 x 80 foi anunciado recentemente pelos prestigiosos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) como a taxa ideal, e a partir de agora irrecorrível. da pressão arterial adequada ao bom funcionamento do organismo. É um número mágico, o santo graal tão buscado. Até agora, a maioria dos médicos lidava com uma margem de diferença maior — taxas de até 140 x 90 eram perfeitamente aceitáveis. Não mais. Diz o cardiologista Roberto Kalil, diretor da divisão de cardiologia clínica do Incor e do Centro de Cardiologia do Hospital Sirio-Libanês de São Paulo: "A mudança de parâmetro surtirá um impacto brutal na saúde da população". A manutenção da pressão a 120 x 80. e não a 140 x 90. pode reduzir em 30% a incidência de infartos e derrames e em 25% o risco de morte em razão dessas doenças.

O novo padrão definitivo de normalidade foi alcançado depois de seis anos de avaliações médicas que envolveram um pelotão de 9300 homens e mulheres com mais de 50 anos nos Estados Unidos e Porto Rico. O estudo dividiu os voluntários em dois grupos, ambos com pressão arterial acima de 140 x 90. Um deles foi tratado com medicamentos, de forma a baixar os índices para 120 x 80 ou menos. O outro deveria reduzi-los para 140 x 90. Em ambos, mediu-se a incidência de problemas associados à hipertensão, como infarto. derrame e doenças renais. As conclusões do levantamento eram aguardadas para 2017. A certeza dos pesquisadores antecipou a divulgação dos principais resultados. "É a maior mudança de paradigma nessa área depois da chegada dos anti-hipertensivos de última geração, há uma década", diz Marcus Bolívar Malachias, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

As pessoas com mais de 75 anos, faixa de idade de um quarto dos participantes da pesquisa americana, saem com uma boa notícia: poderão manter as taxas como as preconizadas atualmente, em torno de 140 x 90. Quando se reduz drasticamente a pressão, diminui-se também a força no bombeamento de sangue para as coronárias, os vasos que irrigam o coração. Em organismos vigorosos, a queda no aporte sanguíneo não causa problemas. Em corpos naturalmente fragilizados pelo passar dos anos. pode deflagrar uma isque-mia. condição na qual o sangue não consegue chegar em quantidades corretas ao coração. Para o restante da população, insista-se, é até 120 x 80.

A recomendação de índices mais reduzidos levará, naturalmente, a uma nova postura no tratamento da hipertensão. Hoje. 30% da população mundial sofre de pressão alta — entre os idosos, a incidência chega a ser de 50%. Com o novo parâmetro, metade da população adulta será classificada como hipertensa. Entre os mais velhos. 70%. Os médicos costumam receitar medicamentos para os doentes cuja pressão arterial é igual ou superior a 150 x 90, além de recomendar o controle alimentar e a prática de exercícios físicos. Para atingir a meta dos atuais 140 x 90. são necessários, em média, de um a dois tipos de remédio anti-hipertensivo. Estima-se que sejam necessários de dois a três medicamentos para chegar ao patamar desejado de 120 x 80.

A hipertensão configura-se como a dificuldade de o sangue passar pelos vasos do organismo, provocada pelo enrijecimento das paredes arteriais. O mecanismo tem as causas mais diversas, como consumo excessivo de sal, sobrepeso, fatores genéticos e o envelhecimento em si. A pressão alta está na gênese da maioria dos problemas cardiovasculares — cinco em cada dez infartos são atribuídos à doença. Seis em dez derrames também podem ser atribuídos à hipertensão.

Durante muito tempo (e não faz tanto tempo assim), acreditou-se que, quanto mais alta fosse a pressão, mais facilmente o sangue correria pelas artérias endurecidas no processo de envelhecimento. A medicina só começou a investigar a hipertensão como doença nos anos 50. a partir do momento em que as companhias de seguro dos Estados Unidos notaram que a incidência do distúrbio era alta no rol dos clientes mortos. De lá para cá, a medicina avançou muito nos conhecimentos sobre a doença e nas formas de controlá-la e preveni-la. A consagração dos 120 x 80 é um ponto seminal nessa rica história.

Pressão sistólica (ou máxima)

Equivale à força do fluxo de sangue contra a parede dos vasos, quando o músculo cardíaco se contrai e bombeia sangue para o resto do organismo; é a pressão mais relevante e perigosa

Pressão diastólica (ou mínima)

Refere-se à medição no momento em que o coração relaxa e se enche de sangue

Notícias - 16/09/2015

CLIPPING - 16/09/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

'Cápsula da USP' contra câncer não foi testada clinicamente; entenda

15/09/2015 - G1


Pacientes de câncer e seus familiares têm entrado na justiça para conseguir acesso a uma cápsula produzida pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) por acreditarem que ela age contra o câncer. Sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a cápsula de fosfoetanolamina sintética só continua sendo produzida pelo instituto por causa das demandas judiciais.

A substância, que começou a ser sintetizada por um pesquisador do IQSC no final da década de 1980, não passou pelas etapas de pesquisa necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, portanto não existem evidências científicas de que o produto seja eficaz no combate ao câncer ou seguro para o consumo humano.

5 perguntas e respostas sobre o caso da FOSFOETANOLAMINA

  1. O que é? Uma substância que passou a ser produzida em laboratório por um pesquisador da USP, hoje aposentado, que acredita que ela seja capaz de tratar câncer.

  2. Qual é a polêmica? Pessoas com câncer têm entrado na Justiça para obter o produto da USP, mas ele não passou pelos testes legalmente exigidos. A USP tem atendido a demanda somente porque é obrigada judicialmente.

  3. Mas ela funciona contra o câncer? Cientificamente, não há como afirmar, porque os testes necessários não foram feitos. Ela tem sido distribuída para diferentes tipos de câncer, mas sem seguir evidências científicas de que isso seja adequado.

  4. Por que os testes não foram adiante? O pesquisador alega que pediu ajuda à Anvisa para desenvolver os testes necessários, mas houve 'má vontade' da agência. A entidade, por sua vez, afirma que nunca houve um pedido de autorização para pesquisa clínica. Houve ainda um contato com a Fiocruz, porém o pesquisador diz que a instituição exigia que a patente do método de sintese da substância fosse passada para a fundação, o que não teria sido aceito por ele. Já a Fiocruz afirma que não realizou o pedido da patente.

  5. Que mal pode fazer usar esse produto? Como seus efeitos são desconhecidos, não há como excluir efeitos colaterais. O próprio pesquisador que descobriu como sintetizá-la admite que não sabe dizer que dosagem seria adequada para o tratamento de câncer.

Início da produção

O químico Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado do IQSC, começou a estudar a substância na década de 1980 e passou a trabalhar com a hipótese de que ela teria uma ação anticancerígena. Ele desenvolveu, então, um método próprio para sintetizar a substância em laboratório.

O processo para se testar a segurança e as possíveis propriedades terapêuticas de um componente é longo e envolve várias etapas de pesquisa, que não foram cumpridas no caso da fosfoetanolamina sintética.

Etapas de pesquisa

Primeiro, a substância que é candidata a se tornar um medicamento deve ser testada em modelos mais simples, como uma célula, explica a cientista Vilma Regina Martins, superintendente de Ensino e Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center.

Depois, o produto deve passar por um estudo em animais, que busca verificar se a droga é capaz de, por exemplo, controlar o tumor em um organismo vivo. Nesta fase, são feitos testes em roedores e em não-roedores. A etapa também é capaz de determinar se a substância tem uma atividade muito tóxica ou se é segura para o uso.

Caso todos os resultados sejam favoráveis, na próxima fase começam os testes clínicos, em seres humanos. Na pesquisa clínica de fase 1, avalia-se a segurança e a toxicidade do produto em humanos, gralmente voluntários saudáveis.

Na fase 2, feita em um número maior de pacientes, começa-se a testar a eficácia da droga contra a doença em questão. A fase 3 envolve um número muito maior de pacientes. Geralmente, é feita em vários centros em diferentes países. Somente depois disso é que o produto pode ser submetido à agência reguladora (a Anvisa, no caso do Brasil) para que o pedido de registro seja avaliado.

Cada uma dessas fases tem de ser aprovada pelos órgãos competentes, como o Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), a Comissão de Ética em Pesquisa (Conep) e a Anvisa. “Todos os tipos de tratamentos têm de ter fundo científico: isso é que é medicina com base em evidência. Qualquer coisa diferente disso é charlatanismo, não é ciência.”, diz Vilma.

No caso da fosfoetanolamina sintética, o único teste pelo qual a substância passou logo quando começou a ser sintetizada pelo IQSC, segundo Chierice, foi o da dose letal, que verifica a quantidade da substância capaz de matar metade de uma população de animais de teste. Chiarice diz que a substância não provocou a morte de nenhuma cobaia e ele concluiu que seria seguro testá-la em humanos.Depois disso, ainda segundo o pesquisador, as cápsulas começaram a ser administradas a pacientes com câncer do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, com quem o IQSC mantinha um convênio por causa de um outro projeto. De acordo com Chiarice, a droga foi administrada mediante a assinatura de um termo de responsabilidade por parte dos pacientes, muitos em estágio terminal da doença.

O hospital especializado em câncer, porém, afirmou em e-mail ao G1 que não há nenhum registro sobre a utilização da cápsula por pacientes da instituição.

'Bola de neve'

Chiarice diz que, apesar da falta de documentação sobre o efeito da fosfoetanolamina nesses pacientes, “algumas pessoas tiveram melhora” e a existência de uma “cápsula da USP” para tratar câncer começou a ser divulgada. Mesmo depois de o hospital deixar de administrar o produto aos pacientes, alguns familiares continuaram indo até o IQSC para pedir novas doses e o instituto se manteve produzindo para atender a essa demanda.

“O paciente melhorava e recomendava para o vizinho. No início, a gente nunca controlou isso, não éramos médicos. Eles diziam: 'Queria levar para a minha prima porque deve fazer bem'. Nossa atitude não era policiar isso”, diz o pesquisador.

O próprio cientista admite que não sabe qual é a dose adequada da substância. “Em que dose as pessoas tomavam? A mesma que o hospital dava. Não tínhamos como clinicar ou recomendar, não éramos médicos, não tínhamos escopo para dizer isso. Eles já vinham com a orientação do vizinho, de um colega. É dificílimo de controlar. Isso criou uma bola de neve e, em 2013, estávamos produzindo mais de 50 mil cápsulas por mês.”

Anvisa: não houve pedido para pesquisa clínica

A Anvisa afirma, em nota, que nunca houve um pedido de autorização para pesquisa clínica para avaliar a eficácia da fosfoetanolamina sintética contra o câncer, tampouco um pedido para registro do produto como medicamento.Chiarice acusa a Anvisa de “má vontade” por não tê-lo ajudado a desenvolver os testes pré-clínicos e clínicos necessários para a avaliação da substância. A Anvisa esclarece que não é papel da agência desenvolver pesquisas e medicamentos. "É preciso destacar que a Anvisa só avalia pesquisas clínicas ou requerimentos de registro de medicamentos e demais produtos se houver solicitação do interessado. Ou seja, a Agência não realiza análises sem motivação objetiva", afirmou a instituição por e-mail.

A agência observa ainda que "a venda ou distribuição de qualquer medicamento sem registro ou fora do contexto de uma pesquisa clínica aprovada caracteriza uma ilegalidade".

Mais recentemente, uma parceria entre Chiarice e o Instituto Butantan levou à publicação de cinco artigos em revistas científicas sobre a ação anticancerígena da fosfoetanolamina sintética em culturas de células e em animais. Porém não houve prosseguimento dos testes para viabilizar um estudo em humanos.

Houve ainda um contato com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em novembro de 2013 para o prosseguimento dos testes, mas nenhum acordo foi firmado. Segundo Chiarice, a instituição exigia que a patente do método de sintese da substância fosse passada para a Fiocruz, o que não teria sido aceito pelo pesquisador. Já a Fiocruz afirma que não realizou o pedido da patente, apenas informou que para uma possível produção pública de cápsulas da substância, após a realização dos estudos necessários, o licenciamento da substância poderia ser passado a um laboratório oficial.

Demandas judiciais

Depois da aposentadoria de Chiarice do IQSC, em 2013, o instituto interrompeu a produção da cápsula. Em nota, o instituto afirma que constatou que, como não havia licença e registro necessários para a produção da substância para fins medicamentosos, essa distribuição estava ferindo a legislação federal.

Vários pacientes, porém, estão conseguindo na Justiça o direito de receberem a substância, por isso o IQSC continua produzindo e fornecendo o produto para atender às demandas judiciais."Cabe ressaltar que o IQSC não dispõe de dados sobre a eficácia da fosfoetanolamina no tratamento dos diferentes tipos de câncer em seres humanos – até porque não temos conhecimento da existência de controle clínico das pessoas que consumiram a substância – e não dispõe de médico para orientar e prescrever a utilização da referida substância", afirmou o instituto.

Risco aos pacientes

Para o pesquisador João B. Calixto, coordenador do Centro de Inovação e Ensaios Pré-clínicos (CIEnP), uma entidade privada de pesquisas que presta serviços a empresas farmacêuticas, a situação é atípica e pode colocar em risco os pacientes. “Provavelmente, no passado, situações como essa aconteciam com mais frequência, mas há muito tempo existem leis cada vez mais rígidas que têm como principal preocupação a segurança do paciente”, afirma. “O que se tem nesse caso é apenas uma molécula que não foi sintetizada por causa do alvo, mas meio ao acaso. Hoje, a indústria não faz uma molécula ao acaso, mas baseada no alvo que ela quer atacar.”

Enquanto isso, centenas de pacientes continuam procurando Chierice para pedir as “cápsulas da USP” por acreditarem que ela é capaz de curar o câncer. Não há qualquer registro sobre quantas pessoas já recorreram à substância e nem sobre o efeito que a cápsula teve no organismo dos pacientes.




Apartheid da dor

16/09/2015 - Folha de S.Paulo

Autor: Hélio Schwartsman


Muito se fala sobre a desigualdade econômica entre nações e mesmo sobre o acesso assimétrico dos países a recursos essenciais como água, alimentos, petróleo etc. Muito menos mencionada, mas não menos importante, é a diferença que existe na distribuição de analgésicos. O que se afigura aqui é um verdadeiro apartheid da dor.

O problema apareceu tangencialmente na reportagem que a Folha publicou ontem sobre cuidados paliativos. Ali, a médica Ana Claudia Arantes lembra que a média mundial de consumo de morfina é de 6,5 mg por habitante por ano e que, no Brasil, esse número é de apenas 1,5 mg. Na Áustria, campeã mundial de uso lícito do opioide, a cifra vai a 100 mg. A menos que imaginemos que os brasileiros sejam 67 vezes mais resistentes à dor do que os austríacos ou que os médicos do país alpino prescrevam drogas perigosamente perto da irresponsabilidade, é quase forçoso concluir que o brasileiro está sofrendo desnecessariamente.

Embora tenha consumo abaixo da média mundial, o Brasil não é atípico entre países em desenvolvimento. Segundo o Órgão Internacional de Controle de Entorpecentes, ligado à ONU, 5,5 bilhões de terráqueos, cerca de 75% da população mundial, vivem em países com pouco ou nenhum acesso a medicamentos para controle de dores moderadas e severas; 92% de toda a morfina produzida no mundo é consumida por apenas 17% da população global, que habita nações concentradas na América do Norte, Oceania e Europa Ocidental.

É verdade que existem regiões com estrutura de saúde tão precária que nem haveria como distribuir opioides, mas esse não é o caso do Brasil. Nosso problema é uma combinação de má formação dos médicos –que estudam superficialmente analgesia e cuidados paliativos– com burocracia paranoica, que acha mais importante evitar que viciados consigam drogas do que assegurar que pacientes legítimos não sintam dor.




Mercado Aberto: Sem marca definida

15/09/2015 - Folha de S.Paulo


A participação dos genéricos no mercado de medicamentos aumentou neste ano e chegou a 28,3% do total de unidades vendidas, segundo a PróGenéricos, a associação do setor.

A meta da entidade é crescer mais e chegar ao fim de 2015 com 35%, afirma a presidente Telma Salles.

A queda de renda real da população ajuda os genéricos, já que os clientes optam por uma versão maisbarata no balcão da farmácia.

"Medicamento não se compra porque se gosta, mas porque é necessário. Então o usuário procura uma alternativa genérica.

Em vendas, foi um crescimento de 12%, o que ficou aquém das expectativas da entidade, que era de 15%.

E os resultados das empresas foram afetados neste ano, ela diz. Isso porque o preço dos medicamentos é controlado e não pode ser reajustado, mas parte dos insumos é importada e sobe com o dólar.

Esse fator, aliado a uma imprevisibilidade do cenário econômico, limita novos investimentos ou ampliações de produção.




Especialistas debatem humanização do atendimento em hospitais

15/09/2015 - Folha de S.Paulo / Site


Especialistas da área da saúde e da educação se reúnem para debater a realização de um atendimento humanizado em hospitais, com foco na capacitação dos profissionais, em painel durante o 2º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer, em 25 de setembro, em São Paulo.

A discussão foca a implantação de ações humanizadoras que façam os colaboradores compreenderem seu papel na instituição. Os participantes irão analisar modelos de trabalho e abordar o papel da arte e da cultura como ferramentas de inclusão tanto do paciente quanto do profissional da saúde no processo de humanização do hospital.

O congresso é uma realização da Abrale (Associação Brasileiro de Linfoma e Leucemia) e o bate, uma promoção da Associação Arte Despertar, ambas membros da Rede Folha. As inscrições são gratuitas no site do evento.




Partículas químicas presentes no ar aumentam risco de morte

16/09/2015 - O Globo


Um novo estudo da Universidade de Nova York, divulgado ontem, concluiu que as minúsculas partículas químicas presentes no ar que respiramos aumentam o risco de morte por praticamente todos os tipos de doenças. Esta relação, que ainda não havia sido confirmada em outros levantamentos, mostra que mesmo um crescimento ínfimo no número de partículas — de dez microgramas por metro cúbico de ar, por exemplo — leva ao aumento de 3% no risco de morte.

Os fumantes têm até 10% mais chances de morrer por doenças cardiovasculares. Os não- fumantes, por sua vez, veem um crescimento de 27% nos óbitos causados por enfermidades respiratórias.

— Nossos dados mostram uma evidência crescente de que o material particulado é realmente prejudicial para nossa saúde, aumentando o índice de mortalidade, principalmente por doenças cardiovasculares, e também por enfermidades respiratórias, no caso dos não- fumantes — explicou o coautor do estudo, o epidemiologista George Thurston, professor de Saúde da População e Medicina Ambiental da Universidade de Nova York, que publicou o estudo na edição on- line da revista “Environmental Health Perspectives”.

De acordo com Thurston, as partículas finas podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardíacas e pulmonares potencialmente fatais porque elas conseguem passar pelo sistema imunológico do organismo e são absorvidas nos pulmões e na corrente sanguínea. Elas não saem do corpo por espirros ou tosses, como ocorre com as partículas maiores e naturais. Além disso, as partículas finas normalmente são feitas de substâncias químicas prejudiciais, como arsênio, selênio e mercúrio, e também podem transportar para os pulmões gases poluentes, incluindo enxofre e óxidos de nitrogênio.

COMPOSIÇÃO E ORIGEM

Para o levantamento, a equipe do pesquisador avaliou estatísticas de um levantamento de saúde e dieta conduzido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e pela Associação de Aposentados Americanos. Ambos estudaram os índices de qualidade de vida de 566 mil pessoas, entre 50 e 71 anos.

A partir das informações coletadas entre 2000 e 2009, os cientistas calcularam o risco de morte por exposição ao material particulado em diversos tipos de ambiente. Eles também consideraram outros fatores que impactam a saúde e a longevidade, como nível de educação, estado civil, tamanho do corpo, consumo de álcool e cigarro ( no caso dos fumantes). Entre os fatores socioeconômicos presentes no levantamento estão a renda mediana do bairro em que vivem e quantos dos pesquisados não concluíram o ensino médio.

O resultado: a equipe não encontrou diferenças significativas nos efeitos da exposição ao material particulado independentemente de sexo, faixa etária ou nível escolar.

Coautor do estudo, o epidemiologista Richard Hayes revelou que o próximo passo será estudar quais componentes do material particulado são mais prejudiciais e sua origem — por exemplo, o escape de automóveis, as fábricas de produtos químicos ou as usinas de queima de carvão.

— Precisamos informar melhor os tomadores de decisão sobre os tipos e as fontes de material particulado, para que saibam como elaborar os regulamentos — alertou Hayes. — O monitoramento dos riscos à saúde causados pela poluição atmosférica deve ser contínuo.




Capacidade na Fiocruz chegará a 6 petabyte

16/09/2015 - Valor Econômico


Um dos maiores centros de ensino e pesquisa em saúde pública do Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com sede no Rio de Janeiro - presente em 10 Estados brasileiros e com um escritório em Maputo, capital de Moçambique, na África -, vai ganhar mais eficiência, sob ponto de vista de TI, a partir do fim deste ano, tornando-se apta a suportar inúmeros projetos que mesclam ciência e Big Data. Ainda em 2015, começa a funcionar, na Fiocruz, um datacenter, totalmente certificado, com atuação ininterrupta e baseado em um modelo de virtualização de alta densidade, semelhante ao do datacenter usado hoje pela National Aeronautics and Space Administration (Nasa), nos EUA.

Com um projeto validado pelo Gartner Group, o novo centro de dados vai solucionar problemas referentes a ambiente fracionado, baixa capacidade de operação e alta fragilidade, apresentados hoje pela estrutura de TI descentralizada da Fiocruz. O datacenter faz parte de um projeto maior da TI da Fundação, o desenvolvimento de uma estrutura de computação em nuvem. O objetivo é conferir mais capacidade de processamento, armazenamento e mudar o modelo de negócios em TI para as unidades da Fundação, onde a quantidade de dados não para de crescer.

Álvaro Funcia, responsável pela área de TI da Fiocruz, diz que, há pouco mais de três anos, o volume total de mensagens trafegadas por todas as unidades não chegava a 500 mil por mês. "Em setembro, estamos perto de 13 milhões de mensagens, sendo que 91% desse total param nos nossos serviços de detecção e filtragem." Funcia explica que o projeto de cloud é constituído por dois subprojetos, a construção do datacenter e de uma sala-cofre, para abrigar esse datacenter, com níveis de certificação que atendem a mais de 60 requisitos.

Após licitação concluída em 2014, orçada em R$ 52,7 milhões (R$ 37 milhões para o datacenter e R$ 15,7 milhões para a sala-cofre), o projeto terá sua primeira etapa concluída até o fim de 2015, com a inauguração da sala-cofre e o início de parte da operação do datacenter. Demais etapas serão concluídas em 2016 e 2017.

"O consórcio vendedor, que é formado pelas empresas Cisco e Hitachi, tem até 2017 para terminar o projeto. A divisão em etapas ocorre porque a Fiocruz tem um orçamento escalonado. Com o início da operação do datacenter, que estará em uma estrutura certificada com nível Tier3, vamos saltar de 500 terabytes, em termos de capacidade de processamento, para 1,3 petabyte. Quando toda a estrutura do datacenter estiver completa, até 2017, a capacidade chegará a seis petabytes", detalha Funcia.

Com alta produtividade em termos de pesquisa e difusão de conhecimento, que envolvem estruturas de Big Data, a Fiocruz enfrentava gargalos em termos de TI há mais de quatro anos. "Em todas as atividades finalísticas da Fiocruz, havia carência de estrutura de TI, com modelos antigos de datacenter, que eram descentralizados e com estruturas antigas de processamento, armazenamento e backup, vulneráveis a intempéries e incidentes, como ataques cibernéticos", lembra Funcia. As estruturas mais modernas que acabam com a descentralização de unidades de Centro de Processamento de Dados, são uma tendência que busca produtividade e eficiência, diz.




Mercado Aberto: Saúde

16/09/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: Maria Cristina Frias


O hospital Santa Catarina, de São Paulo, investiu R$ 7 milhões na modernização do centro de diagnóstico por imagens. Em abril, houve desembolso de R$ 12 milhões em equipamentos para a UTI.

Instituto de Ortopedia do Rio de Janeiro passa a captar ossos em todo o País

16/09/2015 - O Estado de S.Paulo


Administrador do maior banco de tecidos musculoesqueléticos do País, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio, ampliou a área de captação de doações.

Até maio, a instituição só buscava material doado no Estado do Rio. A partir de uma experiência no Paraná, tornou-se capaz de recolher tecidos doados em qualquer outro Estado.

Embora a estrutura esteja pronta, faltam doadores. Em 2014, houve 27 doações; neste ano, até 15 de setembro, mesmo com o aumento da abrangência territorial, foram só 18 doações – duas delas fora do Rio.

As duas doações no Paraná renderam ao banco do Into 68 materiais para transplantes.

O banco capta, trata e distribui ossos, tendões e meniscos para serem usados em transplantes nas áreas de ortopedia e odontologia. Além de abastecer o Into, o banco fornece material para cirurgias em outros 47 hospitais do País. Em 2014, o material fornecido pelo Into beneficiou 477 pacientes.




Ausência de sintomas aumenta importância do diagnóstico precoce do câncer colorretal

14/09/2015 - Oncoguia


Muita gente se arrepia só de ouvir falar. Há pessoas que sequer pronunciam o nome da doença. Mas fato é que o câncer já não é mais sinônimo de morte, principalmente quando detectado precocemente.

Um dos principais desafios da comunidade médica é criar a cultura da prevenção, objetivo que motiva as sociedades brasileira e gaúcha de Coloproctologia e a Associação Brasileira de Prevenção ao Câncer de Intestino a lançar, neste mês, uma campanha nacional de conscientização para a importância da investigação precoce do câncer colorretal.

A doença atinge o cólon e o reto, localizados no intestino grosso. Grande parte desses tumores se desenvolve a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do órgão. Quando a detecção é feita precocemente, as chances de cura chegam a 90%.

A incidência da doença é alta: o câncer colorretal é o terceiro tipo mais recorrente em homens no Rio Grande do Sul, ficando atrás dos tumores de próstata e de pulmão. Em mulheres, trata-se do segundo mais comum, perdendo apenas para o câncer de mama. Em Porto Alegre, os dados são ainda mais preocupantes: o câncer colorretal é o segundo em número de casos em ambos os gêneros.

O câncer de intestino pode ter diversas origens, incluindo mutações genéticas associadas a certos comportamentos. De acordo com Marlise Cerato Michaelsen, presidente da Associação Gaúcha de Coloproctologia e chefe do Serviço de Coloproctologia do Hospital Ernesto Dornelles, o estilo de vida dos gaúchos ajuda a explicar a alta incidência da doença no Estado:

— Há excesso de consumo de carne vermelha e de gordura animal, o que pode acelerar o aparecimento desse câncer em pessoas predispostas. Além disso, nossa população está atingindo níveis altos de obesidade, e o excesso de peso também está associado ao câncer de intestino.

Porto Alegre ainda carrega outro título que contribui para o aumento da prevelência de câncer colorretal: somos a Capital com mais fumantes do país, e o cigarro é apontado como um acelerador do surgimento da doença. Com tantos fatores de risco, fazer exames preventivos torna-se ainda mais importante, principalmente para quem passou dos 50 anos. Se já houve casos de câncer de intestino na família, a idade recomendada é 40 anos.

— O câncer colorretal é assintomático na maioria dos casos, a investigação precoce é importante. Normalmente, quando os sintomas começam a se manifestar, é porque o tumor já está em estágio avançado — alerta Marlise.

O exame mais comum, explica a médica, é a colonoscopia. Dois dias antes, o paciente deve tomar medicamentos para limpar o intestino e se submeter a uma dieta restritiva. Na data da avaliação, ele recebe uma pequena sedação. Pelo endoscópio, o especialista consegue avaliar todo o intestino grosso. Dessa forma, é possível detectar a presença dos pólipos e, se for o caso, realizar a sua retirada antes que se tornem malignos. Além da colonoscopia, existem exames de fezes preventivos capazes de detectar a presença de sangue no intestino grosso, indicando a necessidade de uma melhor investigação.

Sergio Lago, chefe do Serviço de Oncologia do Hospital São Lucas da PUCRS, explica que o câncer colorretal tem caráter hereditário, o que faz com que pessoas com histórico familiar da doença tenham risco significativamente maior de sofrer com o problema. A prevenção, nesses casos, deve ser mais rigorosa. Ainda segundo Lago, o câncer colorretal é dividido em quatro estágios:

— Na fase quatro, quando a doença está mais avançada, geralmente o paciente apresenta metástase em outros órgãos, e é mais difícil conter a evolução da doença.

Entre os tratamentos mais comuns quando a doença é diagnosticada estão a cirurgia e a quimioterapia. A radioterapia é reservada, na maioria das vezes, para tumores do reto.

Depois dos 50 anos, faça a colonoscopia

Por insistência da gastroenterologista que a acompanhava no tratamento de uma gastrite, Maria Helena dos Santos Finato, 61 anos, resolveu se submeter a uma colonoscopia. Não havia qualquer sintoma, tratava-se apenas de uma recomendação em caráter preventivo. Cuidadosa com a alimentação e praticante de exercícios físicos, Maria Helena estava confiante de que nada seria descoberto, mas o laudo apontou a existência de um tumor no cólon.

— Li o resultado e pensei: vamos enfrentar. Em nenhum momento me revoltei. Estava na minha trajetória, eu tinha de passar por isso. Cuidei de fazer o que tinha de fazer — recorda a dona de casa.

Depois de uma cirurgia por videolaparoscopia e nove sessões de quimioterapia, ela não tem queixas. Faz consultas periódicas de revisão com a proctologista e o oncologista e sugere que ninguém se descuide da saúde:

— As pessoas não podem perder tempo. Chegou aos 50 anos, se puder, vá fazer a colonoscopia. Eu peguei a doença no começo, tive chances. Quem não faz, dependendo de quando descobrir o diagnóstico, não tem mais chances.

No caso da aposentada Edyna Gonzales Alves, 77 anos, o resultado de uma tomografia realizada para investigar a causa de uma dor na região lombar levou o ortopedista a pedir que ela procurasse um proctologista. Seguiu-se uma colonoscopia, que apontou um pequeno tumor no cólon direito. Após a cirurgia, por meio de uma pequena incisão, não foi necessário um tratamento complementar. Recuperada, a professora aposentada hoje salienta aos quatro filhos — três deles já na faixa dos 50 anos — a importância dos exames preventivos.

— Estou sempre dizendo que eles têm de fazer. Não custa. Acho que já os convenci — diz Edyna.

Campanha busca a conscientização

Organizada pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, pela Associação Gaúcha de Coloproctologia e pela Associação Brasileira de Prevenção ao Câncer de Intestino, a campanha nacional de prevenção ao câncer de intestino, iniciativa também chamada de Setembro Verde, levará a exposição de um modelo de um intestino gigante para as cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Marlise Cerato Michaelsen, presidente da Associação Gaúcha de Coloproctologia, explica que os visitantes poderão percorrer a parte interna do protótipo inflável, de aproximadamente 20 metros, tendo acesso a vídeos educativos e ilustrações sobre hemorroidas, doenças inflamatórias, pólipos, divertículos e câncer.

A estrutura estará na Capital entre os dias 18 e 20, no terceiro andar do Praia de Belas Shopping. Nos três dias da mostra, haverá, ao final do passeio pelo intestino gigante, um bate-papo com médicos sobre prevenção, exames e tratamentos, além da distribuição de material informativo. Este é o segundo ano consecutivo que a campanha passa pelo Estado.

Setembro Verde

Visitação de modelo de intestino gigante

  • Data: de 18 a 20 de setembro
  • Local: terceiro andar do Praia de Belas Shopping, em Porto Alegre
  • Horário: das 10h às 22h
  • Entrada gratuita




Advent compra fatia de 13% do Fleury

16/09/2015 - Valor Econômico


A gestora americana Advent adquiriu 13% do capital do Fleury por cerca de R$ 400 milhões, conforme antecipou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Essa fatia pertencia a um grupo de médicos que reduziu sua participação para 28%. Já a Bradesco Saúde mantém os 16% da empresa de medicina diagnóstica.

Nessa transação, o Advent não precisará estender a oferta aos minoritários e ao mesmo tempo soluciona o problema dos médicos, que buscavam um comprador para quitar uma dívida de cerca de R$ 150 milhões captada no Banco do Brasil para compra de 8,4% das ações do Fleury que estavam em poder da Rede D'Or. O grupo hospitalar recebeu papéis do Fleury como parte do pagamento da venda de sua rede de laboratórios Labs, em 2010. A ideia dos médicos era pagar o empréstimo bancário, assinado no primeiro semestre de 2013, com dividendos. No entanto, o desempenho do Fleury nos 18 meses seguintes foi extremamente fraco, impactando o valor das ações, e motivando os médicos a venderem sua fatia.

Trata¬se do primeiro negócio na área de saúde do Advent no Brasil. A gestora americana chega num momento em que o Fleury volta a apurar resultados positivos após uma profunda reestruturação, que levou um ano e meio e fez a companhia retomar suas origens, com foco no público premium. No segundo trimestre, o lucro líquido do Fleury mais do que dobrou e a companhia registrou crescimento no Rio de Janeiro, praça em que apurava resultados negativos desde 2013.

No ano passado, durante sete meses, a gestora Gávea negociou com exclusividade a aquisição de 41,2% do Fleury por cerca de R$ 1,2 bilhão. Esse valor poderia dobrar com o 'tag along'. No entanto, no último momento, a operação foi interrompida por divergências no valor pedido pela família fundadora do Hermes Pardini, laboratório mineiro em que o Gávea detém 30% de participação. Segundo fontes do setor, a família Pardini queria um valor 20% a 30% superior ao ofertado na transação, o que fez os investidores desistirem. O Gávea já havia levantando recursos com o fundo soberano de Abu Dhabi e um fundo do Goldman Sachs.

Ainda de acordo com fontes, o desfecho da negociação com Fleury teria causado tamanho mal estar dentro do Gávea que a gestora decidiu vender sua fatia de 30% do Hermes Pardini, adquirida em 2011. Esse imbróglio teria sido mais um fator para aumentar a insatisfação do Gávea que, apesar de ser dono de uma fatia relevante, enfrenta dificuldades para impor seu estilo de trabalho no Hermes Pardini.

O interesse dos fundos de private equity estrangeiros nas empresas de medicina diagnóstica é antiga. O Pátria foi o primeiro a investir no setor em 1999 na Dasa, dona de laboratórios como Delboni Auriemo e Lavoisier, e atualmente, é acionista na Alliar, rede de laboratórios de exames de imagem.

Além disso o Pátria, em conjunto com a americana Blackstone, também analisou a aquisição do Fleury na etapa inicial de prospecção em 2014.

Outra empresa do setor bastante cobiçada é o SalomãoZoppi, rede de medicina diagnóstica de São Paulo, que está negociando com cinco fundos estrangeiros a venda de uma fatia entre 20% e 30%. A operação deve ser concluída até o fim deste ano e está sendo coordenada pela MTS Health Partners, consultoria americana especializada em saúde que recentemente abriu escritório no BrasiL.




Farmacêuticas usam aparelhos para melhorar coleta de dados

14/09/2015 - Portal Exame


As empresas farmacêuticas estão utilizando o Fitbits e outros aparelhos que operam presos ao pulso, ao peito e à pele dos pacientes para levar medicamentos ao mercado mais rapidamente.

O que começou como uma ajuda para monitorar os movimentos de atletas e pessoas em dieta está rapidamente se transformando em uma ferramenta fundamental para pesquisadores médicos e fabricantes de medicamentos.

Ao equipar participantes de testes clínicos com os chamados aparelhos de vestir, as empresas estão começando a levantar informações precisas e a reunir dados em período integral na esperança de dinamizar testes e entender melhor se um medicamento está funcionando.

No futuro, os aparelhos de vestir também poderão ajudar as fabricantes de produtos farmacêuticos a provar para as empresas de seguros que seus tratamentos são efetivos, reduzindo assim os custos com saúde.

“O uso de aparelhos de vestir tem o potencial de ser uma revolução”, disse Kara Dennis, diretora-gerente de saúde móvel da Medidata Solutions Inc., que presta consultorias a empresas sobre formas de melhorar testes clínicos.

Os pesquisadores farmacêuticos consideram que essa tecnologia de monitoramento é mais precisa que a memória humana recolhida a partir de questionários subjetivos que pedem que os pacientes classifiquem sua habilidade para caminhar em uma escala de, digamos, zero a quatro.

Até o momento, pelo menos 299 testes clínicos estão utilizando aparelhos de vestir, segundo registros dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.

Dor nas costas

Em um estudo, a GlaxoSmithKline Plc -- em trabalho com a McLaren Applied Technologies, que faz parte da empresa que fabrica carros esportivos -- acompanhará os movimentos de 25 pacientes com doença de Lou Gherig, uma condição neurodegenerativa muscular também conhecida pela sigla ELA.

Os participantes serão equipados com um pequeno monitor retangular leve que se adere ao peito, disse Paul Rees, líder de desenvolvimento de medicamentos da Glaxo. O aparelho, produzido pela empresa de tecnologia médica finlandesa Mega Electronics Ltd., mede a frequência cardíaca, assim como os passos e o aumento na elevação, disse Rees.

Os dados biométricos são armazenados no aparelho e baixados automaticamente por meio de uma conexão Bluetooth quando um paciente se aproxima de um roteador sem fio que tem o tamanho aproximado de um telefone celular.

O distribuidor, então, envia as informações a um servidor seguro que a Glaxo é capaz de acessar e elas podem ser usadas para pesquisas dos muito necessários tratamentos da doença.

Enquanto isso, o Departamento de Assuntos de Veteranos está se preparando para realizar um teste clínico em fevereiro próximo para monitorar os que sentem dor nas costas.

Quem sente esse tipo de dor tende a não ser muito ativo porque os movimentos agravam essa condição, por isso o departamento planeja monitorar os passos dessas pessoas -- possivelmente por meio de um Fitbit, o aparelho ainda não foi definido.

Eles vão inserir os dados, juntamente com outras informações, como avaliação da dor dos pacientes, em um algoritmo para determinar se eles precisam de mais ou menos tratamento, disse John Piette, cientista sênior de pesquisa de carreira no Centro Ann Arbor para Pesquisas de Gestão Clínica do departamento, em Michigan, e um dos pesquisadores principais.

Com o aumento do interesse, as empresas de tecnologia estão procurando formas de tornar os aparelhos de vestir cada vez menos intrusivos. A MC10 Inc., empresa de biotecnologia com sede em Lexington, Massachusetts, EUA, desenvolveu um aparelho do tipo, chamado de “biostamp” (“bioselo”, em tradução livre), um adesivo com circuitos e sensores flexíveis.

O cofundador Ben Schlatka o descreve como um “band-aid inteligente e leve” que pode ser colado em qualquer parte do corpo. A MC10 se associou a uma série de empresas farmacêuticas, mas seu aparelho não está em uso em nenhum teste clínico, disse Schlatka. A MC10 se associou à fabricante de medicamentos belga UCB para trabalhar com desordens neurológicas severas. Schlatka preferiu não identificar outras empresas.




Alzheimer pode ser tratado com composto encontrado no vinho

14/09/2015 - Portal Exame


Pesquisadores da Universidade de Georgetown, nos EUA, descobriram que o resveratrol, um composto encontrado no chocolate amargo e no vinho, pode interromper o avanço do mal de Alzheimer.

O estudo analisou 119 participantes dividos em dois grupos. O primeiro recebeu doses da substância em seu estado puro e o segundo tomou placebo. Todas as pessoas que fizeram parte da pesquisa têm graus leves ou moderados de demência devido ao Alzheimer.

Cientistas acreditam que a diminuição na quantidade de proteínas amiloides pode ser uma das causas principais do desenvolvimento do Alzheimer. Geralmente, quando os níveis de amiloide-beta 40 diminuem, a doença se agrava.

Após um ano tomando o resveratrol, o primeiro grupo mostrou pouca ou nenhuma mudança nos níveis de amiloide-beta 40. Já o segundo grupo, mostrou uma diminuição no composto.

Assim, o fato de eles não mudarem após o uso do reveratrol indica que os cientistas podem ter encontrado uma forma de frear o Alzheimer.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores não acreditam que o estudo seja conclusivo e preferem não chamar o resveratrol de droga milagrosa.

“Não podemos concluir a partir deste estudo que os efeitos do tratamento com resveratrol são definitivos”, afirmou R. Scott Turner, diretor do programa de desordens memoriais da Universidade de Georgetown, em um comunicado.

Difícil reprodução

Mesmo que a substância seja útil para o tratamento, o usuário comum não é capaz de replicar os efeitos da droga. Seria preciso beber mil garrafas de vinho por dia para chegar à quantidade de dois gramas utilizada pelos cientistas.

O exame de ressonância magnética também revelou um resultado inesperado. As pessoas tratadas com o resveratrol perderam mais volume cerebral.

Segundo os cientistas, isto pode significar que o composto também pode reduzir o inchaço do cérebro dos pacientes. "Não temos certeza de como interpretar este achado”, diz Turner.

A droga ainda não está disponível comercialmente. Contudo, outras formas puras da substância podem ser encontradas em farmácias.




Johnson & Johnson seleciona start-up para desenvolver pesquisa nos EUA

14/09/2015 - Folha de S.Paulo / Site


A Janssen, unidade farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, vai selecionar uma start-up da América Latina para passar um período de seis meses desenvolvendo pesquisa em um dos laboratórios da empresa nos Estados Unidos.

Podem candidatar-se no concurso "Quick Fire Challenge" start-ups que atuem com inovação em saúde. A Janssen busca principalmente negócios que desenvolvam soluções nas áreas de neurociência, imunologia, oncologia, cardiovascular, metabolismo e doenças contagiosas e vacinas.

Os critérios de avaliação são uma necessidade médica ainda não solucionada, experiência prévia da equipe, além de consistência do projeto em si. Por isso, quem já tem investidores sai na frente, como espécie de fiador de que o negócio é viável, explica Chelsea Hewitt, diretora de marketing do JLabs, incubadora do grupo.

O vencedor terá direito a passar um semestre na incubadora, na Califórnia (EUA). A start-up não recebe investimento da Johnson & Johnson, mas tem acesso a toda a infraestrutura do laboratório.

A ideia é que pesquisadores possam utilizar equipamentos que de outra forma seria impossível, em razão do custo alto. Uma das máquinas disponíveis, por exemplo, é um NMR (ressonância magnética nuclear), cujo preço de compra é US$ 500 mil e, de manutenção, US$ 40 mil ao ano, diz Hewitt.

As inscrições começam em outubro deste ano e vão até 18 de janeiro de 2016. O vencedor será anunciado no dia 2 de março. Os interessados podem se cadastrar no site jlabs.jnjinnovation.com (em inglês).

JLABS

O projeto começou em 2012 e atualmente possui laboratórios em San Diego e San Francisco, mas há previsão de expansão para Boston e Houston. Há cerca de 50 start-ups em San Diego.

O modelo é "sem amarras", ou seja, o empreendedor não tem nenhuma obrigação com a Johnson & Johnson e, caso queira, pode inclusive vender seu produto para uma outra empresa.Uma das start-ups que participam da incubadora é a Dermala, que desenvolve produtos para tratamento de doenças e problemas de pele com base no microbioma (bactérias) da pele humana. Segundo Lada Rasochova, esse tipo de utilização para combater problemas como acne é inédito.




Empresários criticam cortes no Sistema S e aumento de tributos

15/09/2015 - Folha de S.Paulo


Empresários e representantes da indústria, do varejo e do setor de serviços criticaram a elevação de tributos, como a volta da CPMF, e a retenção de parte das verbas do Sistema S –conjunto de nove instituições de categorias profissionais, como Sesc, Senai, Sebrae e Senac.

O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, afirmou que é preciso "negociar a forma como estes cortes vão acontecer".

Procurado pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) para ser informado das medidas, o empresário avalia que o corte linear vai prejudicar Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que contam com recursos para bancar programas profissionalizantes. A redução nas verbas do Sistema S foi criticada também pela Abimaq, associação que reúne fabricantes de máquinas, e pela Fecomercio SP.

IRONIAS

"O governo não cortou nada na carne. O que houve foi falta de transparência e uma transferência [da conta] para a sociedade", disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao se referir à CPMF.

Para Skaf, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) foi irônico ao fazer comentários como "um aumentozinho de tributo". "Um desrespeito. O Brasil não precisa de ministro para aumentar imposto, mas, sim, para combater a corrupção, reduzir o tamanho do Estado. O gastão da história é o governo, não são as famílias."

Na avaliação da Febraban (federação dos bancos), as medidas mostram "compromisso do governo" com as contas públicas, mas a CPMF, além de ser temporária, deveria ter alíquotas declinantes, " para reduzir os efeitos distorcivos da taxação sobre intermediação financeira".

José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP, lamentou o corte adicional de R$ 4,8 bilhões feito no Orçamento da União para 2016 no Programa Minha Casa, Minha Vida, além da redução de R$ 15 bilhões nesse programa, já anunciada anteriormente.

"Responsável por 60% dos investimentos produtivos, a construção será fundamental para a retomada do crescimento econômico. Quanto mais ela for afetada pelas novas medidas anunciadas pelo governo, mais tardará a recuperação do país."

A Abiquim (indústria química) disse ter sido pega de surpresa com a proposta de eliminar até 2017 o regime de incentivo tributário Reiq e classificou o cenário como "catastrófico".

Para Antônio Britto, presidente da Interfarma, que representa laboratórios internacionais, o anúncio é importante, mas ainda é cedo para avaliar se as medidas surtirão efeito. Ex-ministro da Previdência durante o governo Itamar, ele afirma que o governo pecou ao propor a volta da CPMF sem sinalizar quais medidas serão adotadas para reformar a Previdência.




Estudos clínicos crescem no Brasil para investigação de tratamentos de doenças

11/09/2015 - Portal Snif Brasil


O Brasil vem ganhando destaque mundial no desenvolvimento de estudos clínicos. Segundo o Clinical Trials, o mais importante mapeamento realizados no mundo, o Brasil é o país com a maior quantidade de pesquisas desse tipo na América Latina, com 4509 iniciativas cadastradas, bem à frente da Argentina, que aparece na segunda colocação, com 899 estudos.

?Hoje, os centros de pesquisa estão altamente profissionalizados, atuando com regras rígidas, com recursos humanos altamente especializados e estruturas de primeira linha?, informa Fábio Castro, alergista, imunologista e pesquisador do Instituto de Medicina Avançada (IMA), um dos centros especializados em estudos clínicos de São Paulo (SP).

Para o especialista, um estudo clínico é importante para a saúde pública, permitindo acesso a novos medicamentos com grande potencial de eficácia, além de um controle rígido de doenças. ?Realizamos estudos nacionais e internacionais em diferentes áreas, como alergias respiratórias, imunologia, endocrinologia, reumatologia e cardiologia?, afirma.

Importância para o tratamento

Segundo a Associação de Organizações Representativas de Pesquisas Clínicas (Abracro), além de gerar conhecimento para o tratamento de diversos tipos de doenças, a participação em um estudo clínico é uma oportunidade para pacientes terem acesso a medicamentos inovadores ainda não disponíveis no mercado. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, as pesquisas não são voltadas apenas a doenças como câncer e HIV, mas também a problemas de saúde corriqueiros, como as doenças de inverno. Tratamentos para patologias que acometem boa parte da população, como rinite alérgica, resfriado e gripe também fazem parte das pesquisas realizadas.




Em 10 anos, câncer matou mais de 1,5 milhão de brasileiros

15/09/2015 - Portal Exame


A morte da atriz e apresentadora, Betty Lago, vítima de um câncer na vesícula diagnosticado há três anos, traz à tona um grave problema de saúde pública do Brasil.

Só em 2013, o número de óbitos por esse tipo de câncer atingiu mais de 1,1 mil pessoas no país – 25% a mais do que o registrado há uma década. O total, em dez anos, supera a marca de 1,5 milhão de brasileiros.

Apesar das inúmeras descobertas e novos estudos para o tratamento da doença, o número de vítimas de câncer não para de aumentar no Brasil e no mundo.

Em 2013, 162 mil pessoas faleceram devido a tumores malignos – 32% a mais desde 2003. Em matéria de anos de vida perdidos, esses brasileiros poderiam ter vivido 12 anos a mais se não tivessem sido acometidos pela doença.

No mundo, só em 2012, o câncer ceifou a vida de 8,2 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

E as previsãoes para o futuro não são otimistas. De acordo com estimativas da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), nos próximos 15 anos, serão registradas mais de 13 milhões de mortes anualmente.

Mais diagnósticos

Em 2015, só no Brasil, mais de meio milhão de pessoas serão diagnosticada com a doença, segundo projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O câncer de pele do tipo não melanoma é mais incidente este ano - cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no país são desse tipo. Depois vem o câncer de próstata e de mama.

Nota-se que para os homens, o câncer de próstata é o mais comum - correspondente a quase 23% dos 302,3 mil casos estimados. Para as mulheres, o tumor na mama lídera a incidência com mais de 57 mil casos, 20,8% do total.Em 2013, foram 196,9 mil vítimas de câncer, segundo dados do Ministério da Saúde.

Apesar da expansão contínua dos casos de câncer no Brasil, o Ministério afirma que a quantidade de cirurgias oncológicas aumentou quase 16% de 2010 para 2014 - um salto de 39,7 mil procedimentos realizados em quatro anos.

Além disso, o número de pacientes tratados com quimioterapia subiu em 29% no mesmo período.




Risco cardíaco maior para as diabéticas

15/09/2015 - Correio Braziliense


Mulheres com diabetes devem ficar ainda mais atentas às complicações cardíacas desencadeadas pela doença metabólica. Uma revisão de estudos conduzido no Hospital of Southeast University, na China, com dados de 11 milhões de pessoas, indica que elas são em torno de 40% mais propensas a sofrerem de síndromes coronárias agudas, como ataque cardíaco ou angina, do que os homem diabéticos.

Essa diferença conforme o gênero do paciente ainda não havia sido mensurada cientificamente.O estudo inédito será apresentado hoje no encontro anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD), em Estocolmo. Os pesquisadores consideraram estudos realizados em três continentes: cinco pesquisas da América do Norte, sete da Europa e seis na Ásia, incluindo países como Canadá, Estados Unidos, China e Alemanha. Ao analisar os dados, concluíram que o risco relativo de complicação cardíaca era de 2,46 para mulheres com diabetes e 1,68 para homens na mesma condição. Há um risco aumentando, portanto, de 38% para elas.

Xue Don, líder do estudo, ressalta que a constatação deve servir de base para o desenvolvimento de ações mais individualizadas de combate a ambas as complicações. “Devemos evitar o preconceito sexual na doença cardiovascular, tomar todas as medidas necessárias para diagnosticá-la precocemente e controlar os fatores de risco de forma abrangente, a fim de garantir os tratamentos mais adequados e os melhores resultados possíveis”, diz.

A abordagem focada em gênero é importante porque o diabetes costuma acometer mais as mulheres. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 9 milhões de brasileiros têm a doença metabólica, sendo que 5,4 milhões são mulheres. O excesso de peso é um dos fatores para o desencadeamento do problema. E a obesidade também é maior entre elas. De acordo com o Ministério da Saúde, 18,2% das brasileiras são obesas, contra 17,9% dos homens.




Ameaça tamanho família

15/09/2015 - Correio Braziliense


Os pesquisadores sugerem que restaurantes reduzam a quantidade das porções para evitar que os clientes exagerem.

Pela mesa, porções avantajadas de guarnições e do alimento principal divididas em cumbucas. No canto dela, um prato com tamanho também além do recomendado para ser preenchido. A combinação cada vez mais comum em restaurantes e nas cozinhas caseiras tem levado a pessoas a comer mais, alertam pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em uma revisão que envolveu dados de 6.711 adultos e foi publicada hoje no jornal Cochrane Database of Systematic Reviews.

“Pode parecer óbvio que, quanto maior o tamanho da porção, mais as pessoas comem, mas, até esta revisão sistemática, a evidência para esse efeito tinha sido bem fragmentada, de modo que o quadro geral, até agora, tem sido pouco claro”, observa Gareth Hollands, coautor do estudo e pesquisador da Unidade de Comportamento e Pesquisa em Saúde da universidade britânica.

Segundo Hollands, há uma tendência de vincular o excesso de ingestão de comida e bebida a características pessoais, como o excesso de peso e a falta de autocontrole. Os resultados apresentados por ele e a equipe, porém, reforçam a necessidade de intervenções que estão além das decisões individuais. “Na verdade, a situação é muito mais complexa. Nossa pesquisa destaca a importância do papel das influências ambientais sobre o consumo alimentar. Facilitar com que as pessoas evitem as porções exageradas de comida ou bebida, reduzindo o tamanho delas em restaurantes, por exemplo, pode ser uma boa maneira de ajudá-las a diminuir o risco de comer demais.”

A estimativa dos pesquisadores é de que, reduzindo o tamanho das porções e dos talheres, haverá uma queda da média da energia diária consumida em até 29%. No caso dos adultos do Reino Unido, a diminuição pode variar de 12% a 16%, o equivalente a até 279kcal. Se forem norte-americanos, entre 22% a 29%, ou seja, até 527kcal diárias. A revisão, resultado da análise de 61 estudos, não detectou que os efeitos variavam substancialmente em relação ao sexo, ao índice de massa corporal, à suscetibilidade à fome ou à disposição para controlar o comportamento alimentar.

Medidas

Apesar dos efeitos sobre a saúde consideráveis, os autores reconhecem que a mudança de hábito não é simples, nem imediata. Por isso, sugerem medidas mais pontuais, a serem adotadas principalmente pelo setor alimentício. Entre elas, a redução do tamanho de pratos, talheres e copos, e a restrição da prática de redução de preços de produtos não nutritivos vendidos em pacotes de tamanhos maiores.

“No momento, para as pessoas, é muito fácil — e, muitas vezes, melhor financeiramente — comer ou beber demais”, ressalta Ian Shemilt, também coautor da revisão científica. A facilidade, porém, pode ter um preço alto. Comer em excesso, além de favorecer a obesidade, aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes e cânceres, complicações que estão entre as principais causas de morte prematura.

Shemilt ressalta, porém, que não dá para mensurar qual a participação das porções e dos utensílios exagerados nessas enfermidades. Mas, pelos resultados atingidos, pode-se defender os benefícios globais dos ajustes no comportamento e nos talheres. “Nossa evidência é convincente de que as ações que reduzem o tamanho, a disponibilidade e o apelo a grandes doses de alimentos podem fazer a diferença. Esperamos que elas deem um novo impulso para as discussões sobre como isso pode ser alcançado em uma gama de setor público e nos ambientes comerciais.”

Falha hormonal

Divulgado em julho na revista Cell Reports, estudo da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, trouxe uma abordagem fisiológica para o descontrole na hora da alimentação. Em um experimento com ratos, os pesquisadores detectaram que o hábito pode estar ligado à baixa quantidade do hormônio GLP-1, produzido no intestino de humanos na presença de alimentos. Quando secretado, ele provoca o aumento da saciedade e, por consequência, a redução da ingestão de alimentos. Nos testes, quando o GLP-1 foi reduzido, as cobaias ficaram mais famintas. “Os ratos comeram além da necessidade de calorias e mostraram um aumento da preferência por alimentos ricos em gordura”, explicou Vincent Mirabella, participante do estudo, no artigo divulgado na publicação científica.




Quatro mitos e verdades sobre a trombose

16/09/2015 - O Globo


Anticoncepcionais aumentam risco

Verdade. No Dia Internacional de Combate e Prevenção à Trombose, comemorado hoje, o angiologista e cirurgião vascular Eduardo Fávero esclarece que uma das causas da doença é a variação hormonal. Por isso, mulheres grávidas ou que tomam pílula e têm fatores de risco como obesidade são mais propensas ao problema.

Não apresenta sintomas

Mito. Nem sempre ela é assintomática. Os principais sinais de alerta de uma trombose venosa profunda são dor concentrada, inchaço, endurecimento da pele e aumento da temperatura nas pernas, que podem adquirir uma coloração vermelha ou arroxeada. Longas viagens são prejudiciais.

Verdade. Após ficarmos sentados por muito tempo, a velocidade de retorno do sangue das pernas ao coração diminui, tornando o sangue passível de coagulação. Em aviões, o perigo é ainda maior. “O ar seco e a baixa umidade colaboram para desidratar o corpo e, assim, diminuir a liquidez do fluido sanguíneo”, diz Fávero.

Não há como prevenir

Mito. Hábitos saudáveis como a prática de atividade física e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Em viagens longas, é bom utilizar meias elásticas para melhorar o fluxo sanguíneo, trocar de posição na poltrona e nunca viajar de pernas cruzadas.




Plano de saúde ainda é o grande benefício oferecido no mundo

16/09/2015 - O Estado de S.Paulo


A assistência médica ainda é o principal benefício concedido por 99% das empresas em todo o mundo. Os dados fazem parte de um estudo feito pela Aona cada dois anos. Segundo a pesquisa, cinco entre seis benefícios previstos na legislação brasileira estão cada vez mais consolidados, mesmo em meio ao período de incertezas na economia. A pesquisa contou com a participação de 423 companhias em diversos segmentos para identificar os 20 principais incentivos oferecidos para os colaboradores e índices de permanência.




Saiba quais são os diferentes tipos de diabetes

14/09/2015 - UOL


Diabetes é uma doença ocasionada pela total falta de produção de insulina pelo pâncreas ou pela quantidade insuficiente da substância no corpo. A insulina mantém a quantidade de glicose, responsável por transformar o açúcar em energia para manter o corpo em movimento, em níveis saudáveis na corrente sanguínea. O quadro de diabetes ocorre quando o corpo desenvolve uma resistência ou deficiência que impede as células de fazerem o trabalho. Isso aumenta os níveis de glicose no sangue. Uma pessoa saudável deve ter uma taxa glicêmica de no máximo 125 mg/dL (miligramas por decilitro) em jejum. Exames que apresentem números maiores do que o normal indicam que a pessoa já é diabética.

Tipo 1

Ocorre quando o próprio corpo ataca as células do corpo que produzem a insulina. Nestes casos, a causa é apenas genética e pouco tem relação com o estilo de vida. O tratamento é feito com injeções de insulina que simulam o comportamento do pâncreas após as refeições.

Quase 50% das pessoas com tipo 1 são diagnosticadas antes dos 18 anos, e a doença já pode ser desenvolvida no primeiro ano de vida.

É fundamental seguir corretamente as indicações médicas para manter a insulina sob controle. Em excesso, a substância pode baixar o nível pode baixar os nível de glicose no sangue e causar hipoglicemia, que pode deixar a pessoa inconsciente. Pouca insulina, pode causar picos de hiperglicemia, que causam os mesmo danos da doença, mas em prazos mais longos.

Tipo 2

Muito mais comum, atinge cerca de 90% das pessoas diabéticas ao redor do mundo. Neste caso, o corpo passa a criar resistência à insulina produzida pelo corpo. Era uma doença ligada a pessoas mais velhas, já que o pâncreas normalmente produz menos insulina com o passar dos anos.

Recentemente, porém, o estilo de vida urbano, o consumo de alimentos industrializados, a falta de exercícios e o crescimento da obesidade estão causando um aumento no número de jovens adultos que desenvolvem diabetes. Com a gordura acumulada na região abdominal, o corpo passa a produzir mais e mais insulina. Com o tempo, o corpo cria resistência à substância, a produção do pâncreas fica insuficiente, e a taxa de glicose começa a subir.

Se descoberta rapidamente, a doença pode ser controlada apenas com exercícios físicos e uma dieta balanceada. O uso de insulina pode ser preciso apenas em um estágio mais avançado da doença.

Gestacional

Como o próprio nome diz, ocorre somente em mulheres grávidas. Durante a gestação, a placenta muda o metabolismo da mãe para garantir que o feto receberá energia suficiente para se desenvolver.

Essa mudança aumenta a demanda por insulina. O problema é que, muitas vezes, o corpo da mãe não é capaz de suprir a demanda, e as taxas de glicose no sangue sobem. Se não tratada, a diabetes gestacional pode causar problemas para o bebê, como: macrossomia fetal (o bebê nasce muito acima do peso), traumas no nascimento, hipoglicemia e icterícia.

Danos e diagnóstico

Altas taxas de glicose no sangue podem causar danos aos olhos, rins, fígado, nervos e grandes vasos vasculares. Se a diabetes não for tratada, pode levar a perda de visão, derrames, amputações de pernas e braços, insuficiência renal e, por fim, à morte. Problemas cardiovasculares são a causa de óbito de mais de 80% dos pacientes com diabetes.

"A diferença é que, no tipo 1, o quadro piora de uma hora para outra. A pessoa perde peso, tem a visão afetada e vê uma piora repentina na saúde. Por isso é rapidamente identificada. Já o tipo 2 tem um quadro clínico muito lento. Os sintomas são os mesmos, mas muitas vezes a pessoa nem percebe que está doente", explica o endocrinologista Walter Minicucci, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Tratamento e como evitar

Para pacientes do tipo 1, a única coisa a se fazer é ter uma vida com uma dieta regrada e tomar as doses corretas de insulina estipuladas pelo médico. Mesmo quem tem a doença pode levar uma vida comum, sair para festejar, beber com os amigos e praticar esportes, mas sempre com muito cuidado.

No caso da diabetes tipo 2, um estilo de vida saudável, com muito exercício físico e poucos excessos, reduz drasticamente as chances de desenvolver a doença. Alguns fatores genéticos podem influenciar, então, se a família tem histórico de diabéticos, vale a pena redobrar o cuidado. A idade é um fator de risco importante, mas não é determinante.

Na gestacional, é essencial seguir uma dieta regrada e ter acompanhamento médico constante para evitar que os índices de açúcar subam demais durante os 9 meses de gestação. Se tratada, mãe e bebê podem ter uma vida normal após o parto. "Se o tratamento for feito corretamente, não há motivo algum para haver qualquer complicação", garante Minicucci.




A importância do vínculo

15/09/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: Rosely Sayão


Sabemos que o vínculo entre pais e filhos –nos primeiros meses de vida entre a mãe e o bebê, em especial– é fundamental para a vida da criança. Inúmeros estudos e pesquisas já comprovaram essa tese.

Bebês ou crianças doentes, em hospital ou em casa, e até com risco de morte, podem melhorar graças a essa relação tão especial! O vínculo com outras pessoas também atua nesse sentido. Os "Doutores da Alegria", por exemplo, trabalham com essa hipótese e têm o maior êxito em sua missão. Quem conhece o trabalho desse grupo sabe disso.

A relação deles com as crianças doentes não é regular, sistemática. Mas, quando eles estão no hospital, conseguem criar esse vínculo ouvindo a criança –e nem sempre ela consegue falar– e estabelecem uma intensa e íntima comunicação com elas a partir do olho no olho.

Médicos, enfermeiras e profissionais da saúde reconhecem a importância do trabalho deles na recuperação de muitas crianças. Sabem, também, que, no atendimento de crianças, não basta a competência técnica: é preciso saber estabelecer esse vínculo com elas. Os pais sabem disso muito bem: quando o filho adoece, fica manhoso, choroso. E a medicação, quando necessária, não basta para aliviar o seu sofrimento. A atenção dos pais e o acolhimento –que se dá por meio do vínculo– é, inclusive, um fator que colabora para o êxito do tratamento medicamentoso.

A educação dos filhos também exige a presença dessa relação intensa com a criança: ela se deixa ser educada a partir da percepção que tem da amorosidade que os pais lhe transmitem, mesmo quando precisam conter algum comportamento dela, impedir que faça alguma coisa que não deve ou levá-la a fazer algo que ela não quer naquele momento.

Essa amorosidade se revela na atenção verdadeiramente sincera que os pais estabelecem com seus filhos: na escuta atenta deles, mesmo quando eles parecem não querer falar, na firmeza quando necessária, na disponibilidade para conviver com a criança quando estão com ela.

Hoje, esse vínculo dos pais com os filhos está ameaçado: uma pesquisa realizada com crianças do mundo todo revelou que a média global de crianças que acham que seus pais usam demais o aparelho celular é de 54%.

O assustador é que esse índice, em nosso país, é bem mais alto: 87% de nossas crianças se sentem ignoradas pelos pais pelo uso exagerado que eles fazem do aparelho celular, com todos os recursos que ele oferece. São 87%, caro leitor! Ao olhar para esse número, entendemos perfeitamente o sentido de uma expressão que vem sendo utilizada há tempos por muitos profissionais: muitas de nossas crianças são órfãs de pais vivos.

Quem trouxe filhos ao mundo precisa responsabilizar-se por isso. E a única maneira de isso ocorrer é dar prioridade ao filho. Prioridade significa que os pais podem ter sua própria vida, mas que, acima de tudo, dão importância ao filho. Tem sido difícil isso ocorrer com os valores socioculturais do mundo atual.

É por isso que hoje, em nome de nosso futuro e de nossas crianças, faço um pedido aos pais: não permitam que seu filho faça parte desse índice de 87% de crianças que percebem que seus pais dão maior importância ao uso do celular do que a eles.




A arte de morrer bem

15/09/2015 - Folha de S.Paulo


A afirmação é óbvia: todos vamos morrer. Com o envelhecimento da população, cada vez mais teremos de aprender a conviver com doenças crônicas. A noção de cuidados paliativos propõe-se a ser benéfica dentro dessa tendência, mas não se limita a ela.

Ainda incipiente no Brasil, trata-se de uma área da assistência à saúde que oferece atendimento multidisciplinar a pacientes com doenças potencialmente mortais e seus familiares.

Essa vertente chama sua unidade de atendimento de hospice, ou hospedaria. O termo é inspirado nas hospedarias que tratavam peregrinos durante as cruzadas medievais. O movimento do hospice moderno se fortaleceu na Inglaterra, na década de 1960.

"Os médicos se preparam para tratar doenças e não pessoas. Aqui, olhamos o paciente como parte de um núcleo familiar e afetivo", diz Ana Claudia Arantes, geriatra coordenadora do hospice do Hospital das Clínicas.

Fundado em 2011, são dez leitos subsidiados pelo SUS, dentro do hospital privado Recanto São Camilo. Os pacientes têm de 16 a 99 anos, 70% deles com câncer. Ela estima haver, no máximo, dez hospices no país –não há um número oficial sobre instituições ativas.

"As pessoas estão começando a tomar consciência de que vale a pena viver até o último dia", diz.

Para Arantes, um dos principais desafios é quebrar a noção de que optar por cuidados paliativos significa desistir do paciente. "Não se trata de suspender tratamentos, mas de ampliar o cuidado para uma pessoa que está em extremo sofrimento", diz.

Dalva Matsumoto, oncologista coordenadora da hospedaria do Hospital do Servidor Público Municipal, ressalta que, em cuidados paliativos, a oferta de tratamentos é proporcional às necessidades do paciente. "Mas é difícil, porque a medicina é levada a acreditar que mais é melhor." Ela menciona que a oferta de procedimentos em excesso pode levar ao sofrimento e à distanásia –o prolongamento da vida a qualquer custo.

Maria Goretti Maciel, médica fundadora da enfermaria de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual e presidente da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos), critica a lógica pela qual serviços de saúde e profissionais são remunerados por procedimentos realizados. "O que realmente importa é a dedicação do profissional ao paciente".

Matsumoto exemplifica: "A perda da vontade de comer é um dos sinais da morte. A prática mais comum é inserir uma sonda de alimentação no nariz. Como é desconfortável, o paciente tenta tirá-la e acaba amarrado à cama. A questão não é nunca passar a sonda, mas avaliar o custo-benefício".

O uso de morfina é outro preconceito a ser quebrado, diz Arantes. "O país que mais prescreve morfina é a Áustria –100 mg per capita por ano. A média mundial é de 6,5 mg, e no Brasil, 1,5 mg. É dito que ela causa depressão respiratória e vicia. Estudos indicam que o risco de vício é menor que 0,01%. No Brasil, as pessoas morrem mal e urrando de dor."

O tempo que os pacientes passam nas unidades varia de dias a anos. Gilberta Fátima dos Santos, 56, mora na hospedaria o Hospital do Servidor Público Municipal há quase dois anos. Acamada devido a um tumor na coluna, sente falta de morar com a família, mas entende não haver infraestrutura na casa dos filhos.

"O tratamento aqui tem algo bom: as pessoas quando morrem vão bem. Não precisam ser intubadas, ninguém vai gritando, passando mal."

Os médicos lamentam apenas que a área de cuidados paliativos não seja considerada uma especialização médica. Matsumoto diz que isso facilitaria a cobertura por planos de saúde, a formação de programas de residência médica e de políticas públicas de remuneração dos profissionais.

Ela comenta ainda que a falta de regulamentação facilita a abertura de clínicas particulares que agem em nome de cuidados paliativos, mas não o praticam corretamente.




Dormir de lado

15/09/2015 - Folha de S.Paulo


Há dois anos a neurociência aprendeu que uma função fundamental do sono é uma espécie de "faxina" cerebral: é adormecido que o cérebro se livra de todos os metabólitos e eventuais toxinas acumuladas enquanto estava funcionando acordado. Não que os neurônios parem de funcionar durante o sono –pois funcionam o tempo todo, embora de maneiras diferentes. Mas, durante o sono, a combinação diferente de moduladores que banham o cérebro faz com que o espaço ao redor dos neurônios aumente, e com isso o tecido passa a ser eficientemente lavado pelo liquor, o fluido que banha o cérebro.

Essa circulação de liquor que lava o tecido cerebral é hoje chamada de circulação "glinfática", nome dado pela neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard ao circuito em honra ao envolvimento de células gliais e para sinalizar a semelhança funcional ao sistema linfático que opera no resto do corpo. Foi o grupo de Nedergaard que descobriu que a remoção de dejetos do cérebro ocorre preferencialmente durante o sono.

Ocorre que todo tipo de circulação de líquidos no corpo está atrelada, de um jeito ou de outro, ao bombeamento de sangue pelo coração. Por sua vez, uma das coisas mais notáveis que acontecem durante o sono é o repouso do corpo em uma só posição por períodos prolongados, o que modifica a circulação sanguínea. Se a posição em que se dorme afeta a circulação, será então que a remoção de metabólitos do cérebro adormecido também fica afetada?

Para investigar a questão, o grupo de Nedergaard analisou o fluxo de marcadores fluorescentes injetados no liquor em ratos anestesiados (estado semelhante ao sono em permitir uma boa "faxina" glinfática do cérebro) posicionados de barriga para baixo, para cima, ou deitados de lado. Os resultados são claros: a circulação do liquor pelo tecido cerebral e a remoção de metabólitos, como o peptídeo beta-amiloide que se acumula na doença de Alzheimer, é de uma vez e meia a três vezes maior quando os animais estão deitados de lado ou de barriga para cima do que deitados de barriga para baixo.

Talvez por causa disso, deitar de lado já seja a posição favorita de ratos e outros animais adormecidos, inclusive humanos. Os pesquisadores são cuidadosos em lembrar que por enquanto os resultados valem apenas para os ratos examinados, mas a posição em que se dorme sabidamente afeta a circulação em humanos, não custa nada tentar dormir de lado hoje à noite...