Clipping de Notícias - 17/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 17/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Coleta de medicamentos vencidos ainda é ineficaz

16/10/2016 - Diário do Grande ABC Online


Quando o assunto é o descarte de medicamentos vencidos, a população brasileira ainda fica em dúvida sobre o que fazer. Muitas vezes, o destino mais comum destes remédios é o lixo ou até mesmo o vaso sanitário, atitudes que podem comprometer o meio ambiente por meio da contaminação do solo e das águas. O ideal, conforme especialistas, é a incineração dos produtos, que devem ser coletados de forma adequada pelo poder público ou pelas redes de drogarias particulares.

Na prática, nem todas as administrações municipais da região oferecem o serviço de recolhimento de medicamentos, dificultando a vida dos munícipes. Entre as sete cidades, São Bernardo, Mauá e São Caetano informaram que os moradores podem entregar os remédios vencidos em qualquer uma das UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Santo André afirmou, por meio de nota, que tem como estratégia a promoção de ações que garantam o uso racional dos medicamentos “em doses adequadas às suas necessidades individuais por período definido e ao menor custo para si e para a comunidade”. No entanto, o município afirmou não possuir postos de coleta e recomendou que a população procure a rede privada de farmácias, mesma indicação dada pela Prefeitura de Diadema. Já as administrações de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires não responderam aos questionamentos feitos pela equipe do Diário até o fechamento desta edição.

O estudante Bruno Rahal, 22 anos, ainda possui medicamentos que foram utilizados para combater uma inflamação no dente. Vencidos desde 2015, os remédios estão guardados em uma gaveta, já que o lixo comum não é o local certo para o descarte. “Depois que eu utilizei o xarope e os comprimidos, acabei esquecendo no armário, e ainda não joguei fora”. No entanto, o estudante disse que já se desfez de medicamentos vencidos de forma incorreta em outras oportunidades. “Na dúvida, acabei jogando no lixo convencional, o que acredito que não seja recomendado”, confessou.

Ainda de acordo com Rahal, a falta de informações para os pacientes colabora para que mais remédios vencidos sejam descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. “Não sei se existe algum ponto específico ou alguma coleta para isso. Se tivesse orientação na caixa do remédio, por exemplo, ficaria mais fácil. Mas é o consumidor que precisa ir atrás da informação”, lamentou.


MEIO AMBIENTE – A professora da FSA (Fundação Santo André) Angela Baeder explica que, quando um medicamento é descartado de forma incorreta, até mesmo a população pode ser diretamente prejudicada. “Ocorre uma contaminação dos rios e, pela falta de tratamento das águas, pode afetar as pessoas que utilizarem essa água contaminada”, disse.

Segundo Angela, o meio ambiente e as espécies animais ainda são os mais prejudicados pela contaminação de águas e solos. “As principais consequências são para a saúde do meio ambiente. Ocorrem diversas mudanças no funcionamento dos organismos, há casos de peixes machos que desenvolveram características do sexo feminino por culpa dos hormônios”, completou.

A professora ainda explica que, quando há uma coleta organizada, os medicamentos acabam incinerados ou descartados em aterros que possuam licenciamento ambiental. “O consumidor tem de estar atento aos riscos que podem ser causados ao meio ambiente e procurar a forma certa de descarte.”


CONSUMO DE REMÉDIO FORA DO PRAZO DE VALIDADE É DESACONSELHADO


Consumir medicamentos vencidos também é péssima ideia, já que a atitude pode acarretar graves consequências para a saúde. Segundo a farmacêutica e coordenadora de pesquisa clínica do Cepho-FMABC (Centro de Estudos e Pesquisas de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Medicina do ABC) Andressa Tamashiro, os remédios que estão fora do prazo de validade podem apresentar redução do efeito terapêutico, além de contaminação por fungos e bactérias.

“O paciente que faz uso de medicações vencidas pode estar sujeito a apresentar efeitos adversos indesejados, diferentemente dos esperados normalmente com o uso da medicação em boas condições devido à deterioração de seus componentes”, explicou.

Outra crença comum de grande parte da população é a de que os remédios possuem margem de segurança no cálculo do prazo de validade. Andressa afirma que essa prática não é recomendada e que a orientação é a de respeitar o vencimento e as informações contidas na bula do medicamento. “Após a expiração da validade do produto, o fabricante não poderá garantir que os medicamentos conterão as mesmas características de quando foram fabricados, bem como a sua efetividade”, disse.

Ainda de acordo com a farmacêutica, o prazo de validade impresso nas caixas dos remédios só deve ser mantido nos casos em que o produto estiver totalmente lacrado, porque “após aberto (o medicamento), a validade é reduzida, uma vez que o contato com a luz e com o ar acelera o processo de degradação dos componentes e princípios ativos da formulação”, ressaltou Andressa.




Gasto do governo com remédio sem aval da Anvisa cresce 220 vezes em 5 anos

16/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O gasto do Ministério da Saúde com a compra de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cresceu 220 vezes nos últimos anos e já representa metade de toda a despesa da pasta com remédios e tratamentos solicitados em ações judiciais. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou julgamento que vai definir se o Sistema Único de Saúde (SUS) será obrigado a fornecer itens sem licença no País.

Mesmo sem essa obrigação legal vigente, o governo federal gastou no ano passado cerca de R$ 545 milhões com a compra de remédios sem registro, valor correspondente a 50% do R$ 1,1 bilhão desembolsado pela pasta com todos os itens judicializados no período. Em 2010, os remédios sem licença da Anvisa haviam consumido apenas R$ 2,4 milhões da despesa do ministério com judicialização, o equivalente a 2% dos R$ 122 milhões gastos naquele ano com itens solicitados via Justiça.

No julgamento do Supremo sobre o tema, dos três ministros que já votaram, um foi favorável ao fornecimento desse tipo de medicamento pelo SUS e dois foram contrários, mas admitiram a possibilidade de o Estado ser obrigado a oferecer produtos sem aval nos casos em que a agência levar muito tempo para analisar a concessão do registro. O julgamento não tem data para ser retomado.

A demora na análise de novas drogas é uma das razões apontadas por especialistas para o crescimento de demandas judiciais.

“Se você tem medicamentos promissores sendo usados no exterior e um processo regulatório interno demorado, vai acabar havendo um aumento de pacientes que buscam esses tratamentos de outras formas, como na Justiça”, diz Rafael Kaliks, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia, ONG que dá apoio a pacientes com câncer. Outra forma de ter acesso a drogas sem licença é entrar em programas de uso compassivo, modalidade que também cresce no País (mais informações nesta página).

Segundo a advogada Renata Vilhena, especialista em direito à saúde do escritório Vilhena Silva, mesmo após a conclusão da análise da Anvisa o medicamento ainda costuma demorar para ser colocado no mercado porque precisa passar pela etapa de definição de preço. “O processo fica parado na CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) e, enquanto isso, os médicos vão prescrevendo e o paciente precisa ir para a Justiça”, afirma.


DESESPERO


Foi a demora no processo de aprovação do medicamento lenalidomida, indicado para o tratamento de mieloma múltiplo, que fez o engenheiro agrônomo José Francisco Alves de Almeida, de 55 anos, apelar para um tribunal.

Logo após o diagnóstico da doença, em 2002, ele fez sessões de quimioterapia e um autotransplante de medula óssea e ficou durante oito anos livre da doença. Em 2012, porém, o câncer voltou. Vários quimioterápicos foram usados nos anos seguintes no tratamento de Almeida, mas, desta vez, nenhum conseguiu controlar o crescimento do tumor.

“Entrei em desespero e comecei a pesquisar na internet se tinha alguma opção melhor. Foi quando vi que havia esse remédio que estava tendo bons resultados em todo o mundo. Já havia 70 países usando o medicamento, e nada de o Brasil aprovar”, conta.

Em junho do ano passado, o engenheiro entrou na Justiça, teve decisão favorável e iniciou o tratamento em poucas semanas.

“Depois de uns 16 dias que eu estava tomando o remédio, o câncer começou a diminuir. Faço o tratamento até hoje e a doença está estagnada. Também tem a questão dos efeitos colaterais do tratamento, que ficaram bem mais leves com esse remédio se comparados com a quimioterapia.” Impacto. Segundo os dados do Ministério da Saúde, o lenalidomida, assim como outros medicamentos contra o câncer, faz parte da lista dos itens que mais tiveram impacto financeiro entre os remédios judicializados.

Estão nesse grupo ainda medicamentos contra síndromes raras, hepatite C e produtos à base de canabidiol, indicados para o tratamento de epilepsia e doenças neurológicas.




Manifestação em SP defende fornecimento público de remédios

16/10/2016 - Valor Econômico / Site


Cerca de 30 pessoas realizam ato neste domingo na Avenida Paulista para pleitear o fornecimento público de medicamento para pessoas com doenças graves. O movimento organizador da manifestação, chamado ‘STF, Minha Vida Não Tem Preço’, também realiza protestos em outras cidades como Rio, Maceió, Porto Alegre e Recife.

Os organizadores frisam que estão nas mãos do Supremo Tribunal Federal dois recursos extraordinários para decidir se o poder público deve arcar com medicamentos de alto custo que não estão incluídos no Sistema Único de Saúde (SUS) e, também, determinar se é obrigação do Estado financiar remédios não autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No dia 28 de setembro, o ministro Teori Zavascki pediu mais tempo para estudar a ação, adiando o julgamento. De acordo com os manifestantes, o adiamento do julgamento “preocupa pacientes que não podem interromper seu tratamento”. Esse é o caso da presidente da Associação Brasileira de Angioedema Hereditário (Abranghe), Renata Martins, de 36 anos, que depende de um remédio que custa R$ 7 mil a dose para manter-se viva.

“Depois de toda luta para conseguir um diagnóstico, tenho que enfrentar mais uma luta, o tratamento. Meu medicamento para crise está registrado na Anvisa, porém não faz parte da lista do SUS. E, por isso, até hoje, com a ajuda de muitas pessoas e associações, consigo receber o medicamento através de ação judicial pois é o medicamento de altíssimo custo”, disse Renata, acrescentando que só consegue trabalhar e estudar se tiver o medicamento. “Sem ele, posso morrer em 5 minutos se não der tempo de chegar ao hospital”, explicou.




Chile autoriza venda de medicamento à base de maconha

14/10/2016 - O Globo


O Chile autorizou, pela primeira vez, a venda regular de um medicamento à base de maconha. O país já debate um projeto de lei para legalizar a comercialização da droga, que ainda é proibida no local.

Após receber a autorização do Instituto de Saúde Pública (ISP) do Chilhe, o "Sativex", utilizado para tratar esclerose múltipla e o controle de espasmos musculares associados, será o primeiro remédio a ser comercializado regularmente nas farmácias do país.

"Pela primeira vez no país, o ISP aprovou o registro sanitário de um medicamento fabricado à base de cannabis, o qual poderá ser distribuído e utilizado no Chile", divulgou o órgão por meio de um comunicado em sua página na internet.

O remédio terá um custo aproximado de US$ 1.500 e será importado e distribuído pelo laboratório que solicitou a permissão de comercialização ao ISP. Para comprar o medicamento será necessário apresentação de receita. As autoridades afirmam ainda que os estoques serão controlados.

"O registro sanitário do Sativex foi aprovado, uma vez que cumpre com todos os requisitos de qualidade, e por já ter demonstrado sua segurança e eficácia no uso para o qual é indicado", declarou o diretor do ISP, Alex Figueroa, no comunicado on-line.

A venda de medicamentos produzidos via cannabis foi autorizada em dezembro de 2015 pela presidente Michelle Bachelet por meio de um decreto que legalizou a elaboração e comercialização desse tipo de fármaco.

No Chile já é permitido o consumo privado de maconha, no entanto, sua venda ainda é proibida. A lei deixa uma interpretação livre sobre o cultivo para uso pessoa. Nesse momento, o Congresso chileno debate um projeto de lei que irá regulamentar o uso e autocultivo da maconha.




Remédio mais barato reduz inflação de idosos

14/10/2016 - Valor Econômico


Alimentos e remédios mais baratos levaram ao enfraquecimento da inflação percebida pelos idosos, apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a inflação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos. O indicador diminuiu de 1,64% para 0,67% entre o segundo e o terceiro trimestres.

Para o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz, o índice deve continuar em desaceleração, porque a inflação dos alimentos deve continuar sem altas expressivas até o fim do ano. Em 12 meses, o IPC-3i acumula alta de 8,11%.

Do segundo para o terceiro trimestre, cinco das oito classes de despesa componentes do índice registraram taxas menores. A principal contribuição partiu do grupo saúde e cuidados pessoais, que cedeu de 4,84% para 1,82%, influenciado por preços dos medicamentos em geral, que variaram 0,23% no terceiro trimestre, ante 10,19% no segundo.

Também contribuíram para o decréscimo da taxa do IPC-3i desacelerações nos preços de habitação (1,29% para 0,72%), despesas diversas (3,92% para 0,39%) e vestuário (2,09% para 0,31%), além de deflação no grupo alimentação (de 1% para -0,22%).

Entre os alimentos, os destaques foram as taxas mais fracas nos preços de feijão carioca (de 64,08% para 11,83%) e de leite tipo longa vida (de 19,44% para 10,53%). O grupo alimentação representa 21% do total do indicador, lembrou Braz. Na avaliação do economista, "os alimentos, de maneira geral, devem continuar a mostrar trajetória bem comportada até o fim do ano".

O especialista foi questionado sobre se a possível trajetória descendente nos preços dos alimentos poderia mudar, com perspectiva de aumento de preços entre os alimentos in natura. Historicamente, no último trimestre do ano, a oferta de hortifrutigranjeiros é afetada por problemas climáticos, o que eleva os preços.

O técnico comentou que, mesmo com in natura mais caros, outros itens mais baratos dentro da cesta de alimentos devem ajudar a equilibrar a inflação do grupo no quarto trimestre.

Franquia é alternativa para farmácias menores enfrentarem a concorrência

17/10/2016 - DCI


São Paulo - Com a maior consolidação das grandes redes de farmácias, sistemas como o associativismo e as franquias ganham ainda mais relevância para as pequenas e médias. Apesar de ambos garantirem uma gestão integrada e um poder de barganha na negociação com o fornecedor, o segundo se sobressai pela maior agilidade na tomada de decisões.

"Hoje é muito difícil uma independente conseguir se manter no mercado. Tanto o franchising quanto o associativismo são fundamentais para a sustentabilidade das drogarias menores", aponta o diretor da Stylo Farma, Stefan Passold. A rede, que começou a atuar por franquias em 2008, já operou também por meio do outro modelo.

Diante das duas experiências, o executivo afirma que, apesar dos dois formatos serem vantajosos, as franquias permitem uma agilidade muito maior na implantação de novos serviços. "Para se ter uma ideia, demoramos em torno de três meses para implantar um cartão fidelidade na nossa rede. Se fosse por meio do associativismo demoraríamos um ano e meio."

O diretor de marketing e expansão da PoupAqui, rede que atua desde o começo do ano passado por franchising, Evandro Rodrigues, é adepto da mesma opinião: "Na franquia você toma a decisão e espalha para baixo, já o associativismo é muito planejamento e pouca execução. Há uma burocracia grande e dificuldade de cumprimento do combinado", afirma o executivo, que também já foi diretor de uma rede associativista. Apesar dos benefícios, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), apenas 36 redes atuam hoje pelo modelo. Em termos de unidades são 2.165 em operação. De acordo com o diretor de inteligência de mercado da entidade, Carlos Tieghi, considerando que a maior ascensão do sistema no setor de drogarias começou apenas na última década, o número é representativo. "É um fenômeno recente, que foi influenciado em grande medida pela maior necessidade de profissionalização das farmácias", afirma.

Segundo ele, além da expansão orgânica a conversão de lojas independentes também vem ganhando espaço nos últimos anos. "Já temos um número relevante, mas ainda há um potencial muito grande de crescimento dentro do franchising", ressalta.


GESTÃO E COMPRA


Para ele, além da gestão integrada e da maior capilaridade no momento da compra, outra vantagem das franquias é a "oportunidade de fazer um marketing mais consistente e frequente". Em relação à compra dos produtos, o executivo aponta que há dois modelos utilizados pelas franqueadoras: um deles em que ela detém o estoque e distribui para os franqueados; e outro em que ela homologa algumas indústrias e o próprio franqueado realiza a compra.

"Os dois formatos geram economia na negociação dos preços. A única diferença é que no primeiro é exigido muito mais capital da franqueadora. Já no de homologação, além de demandar menos capital, o risco é menor", diz.

Justamente por esses motivos, a Rede Bem, que possui 22 unidades espalhadas pelo interior de São Paulo, optou pelo segundo deles. "Negociámos as melhores condições com a indústria e os valores da operação logística, mas o pedido é feito individualmente por cada loja. A gestão do estoque a mesma coisa, apesar de orientarmos, cada um faz seu próprio controle", afirma o dono da empresa, Rogério Emygdio.

Mesmo assim, a rede faz um trabalho forte na parte de gestão comercial integrada, promovendo estudos regionali-zados e desenvolvendo estratégias de fidelização dos consumidores.


PLANOS DE EXPANSÃO


Além das vantagens operacionais, o fato do franchising permitir uma expansão mais rápida foi outro ponto citado pelas três empresas, e que faz com que todas tenham planos agressivos de expansão. A Rede Bem, por exemplo, que adotou em 2013 o sistema de franquias, espera chegar a 150 lojas até 2020. Para este ano a previsão é fechar com mais oito operações. "Temos também a intenção de investir em um centro de distribuição [CD]", diz Emygdio, completando, no entanto, que para justificar a criação de um CD a companhia precisaria ter pelo menos 80 lojas. Ainda de acordo com ele, o centro seria apenas para trabalhar os produtos de 'curva A', ou seja, aqueles que possuem um maior giro nas lojas.

Em termos de faturamento, a rede espera concluir 2016 com um incremento na ordem de 27%, mantendo o mesmo patamar do primeiro semestre do ano, na comparação anual.

A Stylo Farma, que teve um crescimento no faturamento de 18% até agosto deste ano - em relação ao mesmo período do ano passado - espera manter essa mesma taxa no fechamento de 2016. Sobre os planos de expansão, a empresa diz que a partir de 2018 pretende entrar em outros estados. Hoje, são 62 operações, todas em Santa Catarina.

Já a PoupAqui planeja chegar a 20 unidades até o final deste ano e para 2017 a intenção é atingir o patamar de 60 lojas. Sobre o faturamento, Rodrigues diz que a expectativa é fechar 2016 em R$ 10 milhões.




Ciência para viver melhor

13/10/2016 - Época Negócios


LIFE PARA A BAYER, é acrônimo de liderança integridade, flexibilidade, eficiência. Com esses valores, e com a palavra-chave, a empresa traduz seu principal lema: 'Science for a Better Life'. Decidida a ser uma companhia de "ciências da vida pura", a Bayer segregou as atividades de plásticos especiais, agora denominada Covestro - uma empresa independente -, transformou os negócios de saúde animal em uma unidade separada e, assim, eliminou a estrutura de holding e subgrupos operacionais. Ficou centrada em três divisões integradas - farmacêuticos, saúde dos consumidores e ciência da colheita - e o foco passou a ser a marca corporativa Bayer e as de produtos. Um nome que será ainda mais forte, com a aquisição, este ano, da Monsanto - assumirá a liderança do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.




Um coração (poli) valente

13/10/2016 - Época Negócios


Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSC), em São Paulo, está ajudando a expandir as fronteiras da medicina. Como? Com impressoras 3D. Os cientistas estão construindo réplicas do coração de pacientes para estudar e planejar cirurgias cardíacas complexas. A estratégia permite a visualização de detalhes anatômicos do órgão que, de outra forma, só seriam percebidos na mesa de operação, apesar dos constantes avanços dos diagnósticos por imagem. Os primeiros resultados do trabalho, iniciado há três anos, foram apresentados em setembro, em um congresso da Sociedade Mundial de Cirurgiões Cardio torácicos, na África do Sul. A equipe da FCMSC é uma das pioneiras no uso desses moldes. Segundo o cirurgião Luiz Antonio Rivetti, professor da FCMSC, os primeiros trabalhos sobre o tema começaram a ser publicados recentemente. A popularização da tecnologia, contudo, esbarra no custo da impressão. A reprodução em 3D apenas do ventrículo esquerdo, em tamanho real, não sai por menos de R$ 8 mil. Ainda assim, o rápido avanço das pesquisas e a queda desses valores (a velha Lei de Moore) devem tornar a prática regular em um horizonte de três anos, diz Rivetti.




Evolução favorece altura e cabelos louros

14/10/2016 - Folha de S.Paulo


Uma análise do genoma de mais de 3.000 habitantes do atual Reino Unido indica que a seleção natural continuou a afetar a espécie humana nos últimos milênios, favorecendo a reprodução de homens altos, mulheres com quadris mais largos e gente com cabelos louros e olhos azuis, entre outras características.

A pesquisa, que está na revista “Science”, dá novo fôlego à ideia de que a evolução humana não ficou parada em tempos relativamente recentes, mas tem respondido de maneiras variadas a pressões ambientais e transformações culturais nos diferentes lugares do mundo.

Uma das maneiras de identificar essas “assinaturas” de evolução relativamente recente é obter DNA a partir dos ossos de pessoas mortas há milhares de anos e comparar esse material genético com o de seres humanos vivos hoje.

Se houver diferenças significativas, e se estiverem ligadas a funções específicas do organismo, é possível propor que elas foram motivadas pela seleção natural: os ancestrais das pessoas com o DNA “moderno” teriam conseguido sobreviver e se reproduzir com mais eficiência do que os portadores das variantes genéticas mais antigas.

O problema é que nem sempre é muito prático seguir esse esquema. Extrair DNA de ossos antigos é trabalhoso e ineficiente; além disso, só uma pequena proporção dos esqueletos das pessoas mortas há séculos ou milênios chegaram até nós.

Há diversos métodos para contornar essas dificuldades.

No novo estudo, os cientistas usaram uma abordagem que se baseia na presença de trocas de uma única base nitrogenada —“letra química”— do DNA, os chamados SNPs (pronuncia-se “snips”).


VANTAGEM REPRODUTIVA


A ideia é que a região de DNA em torno de um SNP favorecido pela seleção natural fica relativamente uniforme em muitos membros da população, porque uma quantidade grande de pessoas herda aquele mesmo trecho do genoma graças à vantagem reprodutiva que ele confere.

Para ser mais exato, as análises de DNA examinaram a frequência de mutações muito raras—as que estão presentes em um único indivíduo entre os milhares estudados— na vizinhança desses SNPs.

Se havia poucas delas em volta de um SNP, era indício de que ele tinha se espalhado rapidamente pela população, uma vez que as mutações “de carona”não tinham tido tempo suficiente para se acumular em volta dele.) Com o método, os cientistas descobriram pistas de que a seleção natural, nos últimos 2.000 anos, favoreceu portadores de variantes genéticas ligadas à presença de olhos azuis e cabelos louros entre os ancestrais dos britânicos.

Ainda não se sabe muito bem o motivo disso. Os genes ligados a olhos e cabelos claros talvez tenham se espalhado não por seu efeito estético, mas porque também estão associados a uma pele mais clara, a qual, por sua vez, facilita a produção da essencial vitamina D em lugares de luz solar escassa, como o Reino Unido.

Por outro lado, pode ter ocorrido seleção sexual —as pessoas com essas características podem ter tido mais sucesso ao atrair parceiros e, portanto, ter filhos. De qualquer modo, não há nada intrinsecamente “mais evoluído” nesses traços—tanto que, em regiões tropicais, eles teriam sido exterminados antes do advento dos filtros solares.


LEITINHO DOS ADULTOS


Outro caso curioso detectado pela equipe (e que também já tinha aparecido em outros estudos) tem a ver com um gene que permite a digestão da lactose,o açúcar do leite, após a infância. Em populações mais antigas da Europa, esse gene não era comum porque não havia surgido ainda a pecuária leiteira.

Os exemplos acima se referem a genes individuais, mas também há características afetadas pela seleção natural que dependem da ação conjunta e sutil de um grande número de genes, algo que até agora tinha sido muito difícil de detectar.

Nesses casos, em vez de uma variante isolada que se sai muito bem no jogo da seleção natural e toma conta de boa parte da população, estaríamos falando de pequenos aumentos da frequência de centenas de variantes genéticas, cujo efeito somado, mesmo assim, é significativo e pode transformar uma espécie.

Esse tipo de efeito foi detectado pela primeira vez associado a tendências como altura maior, quadris femininos mais largos e bebês com maior tamanho e circunferência da cabeça ao nascer.

Essas características ajudam o indivíduo na busca por parceiros (no caso dos homens mais altos, por exemplo) e ajudam a sobreviver ao parto ou a crescer com mais saúde, em tese.

O estudo recebeu elogios de alguns dos principais especialistas na faceta genética da evolução humana, como o sueco Svante Pääbo, do Instituto Max Planck. “É uma abordagem que permite detectar sinais muito mais sutis e comuns da seleção natural”, declarou ele à “Science”.




Os avanços da tecnologia médica

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O avanço da tecnologia pode ser sentido em todas as áreas de conhecimento e, no caso da saúde, não é diferente. A evolução tecnológica vem tornando tratamentos e diagnósticos cada vez menos invasivos e mais assertivos, tornando realidade a personalização da medicina.

Nesta entrevista, o diretor América Latina para terapias avançadas da Siemens Healthineers no Brasil, Fernando Narvaez, fala sobre essa evolução, algumas tecnologias mais utilizadas atualmente e o quanto pacientes, médicos, hospitais e a sociedade como um todo podem se beneficiar comisso.

De que forma fatores sociais como a evolução demográfica e o perfil epidemiológico do Brasil vêm influenciando a indústria da saúde no Brasil? Fernando Narvaez – Hoje temos os dois lados da moeda. Há o aumento da expectativa de vida: saímos de aproximadamente 40 anos na década de 40, para chegar aos 75 anos, conforme a última divulgação do IBGE.

A notícia boa é que estamos vivendo mais. Porém, não necessariamente estamos vivendo melhor. Para reverter este quadro, além de ser essencial a implementação de políticas voltadas à prevenção, precisamos demais estrutura para tratar doenças degenerativas e crônicas. Isso traz um gasto para a saúde, pois o custo é maior à medida que a população envelhece. Num país como o nosso, as dificuldades são um pouco maiores, pois nem todo mundo consegue acesso rápido à saúde. Temos ainda que levar em conta as extensões continentais do nosso País.

Neste contexto, qual é o impacto que a tecnologia tem no setor de saúde? FN –O bom uso da tecnologia pode ajudar a prover acesso e deve ser visto como um investimento.

O retorno sobre este investimento se dará de maneiras distintas: aumento de produtividade, eficiência da cadeia, etc. É um investimento que deve ser feito. Há vários exemplos de como a tecnologia pode ajudar.

Reduzindo os custos, podemos ampliar o volume de pessoas a serem atendidas e prestar um atendimento mais personalizado, reduzindo desperdícios e auxiliando nos diagnósticos. Além disso, quando falamos em tecnologia, não nos referimos apenas aos equipamentos em si, mas do processo como todo, na gestão, que pode ajudar a diminuir as deficiências e desigualdades que temos.

Como a tecnologia pode ajudar a reduzir os custos de diagnósticos e tratamentos e oferecer melhorias a pacientes e corpo clínico? FN – Colocando os dois em perspectiva, sempre falamos em oferecer menor risco, menor tempo de internação e mais eficiência no tratamento dos pacientes. Para o corpo clínico, oferecemos tratamento adequado com qualidade, reduzindo taxas de erro e retrabalho. Sob estes dois aspectos, a tecnologia oferece serviços e soluções que permitem tratar o paciente de forma mais assertiva, menos traumática e mais rápida. As cirurgias cardíacas, por exemplo, antigamente duravam horas. Hoje comas tecnologias minimamente invasivas, esse tempo cai bastante com a utilização de salas híbridas, por exemplo. Elas colaboram nesse sentido, utilizando a imagem para guiar o tratamento.

Isso é feito de maneira mais eficiente e com muito menos custo do que anos atrás.

Para o paciente a recuperação é muito mais rápida. Há situações em que antes o paciente passava dias no hospital e hoje ele retorna no mesmo dia.

Há outros exemplos destes benefícios? FN – Sim. É uma relação ganha, ganha. O médico também vai utilizar ferramentas que vão ajudá-lo no dia a dia. Hoje enxergamos um espectro maior para o uso de salas híbridas, como cirurgias de coluna: usando tecnologias híbridas pode-se simplificar procedimentos complexos com tratamentos minimamente invasivos. Em alguns casos, o médico consegue fazer o procedimento com imagens tridimensionais, reduzindo a exposição do paciente a infecções.

Estudos realizados pelo Hospital Shonan Fujisawa Tokushukai, no Japão, comprovam uma redução de mais de 50% no tempo de internação e uma redução bastante significativa nas complicações durante as cirurgias de coluna como uso de salas híbridas.

Outro exemplo é a possibilidade de identificação precoce do câncer de mama. A tomossíntese mamária digital captura e combina imagens da mama em múltiplos ângulos criando uma imagem em 3D da mama.

Estudos comprovam que essa nova tecnologia diminui o número de exames falso positivos e detecta até 43%mais cânceres de mama do que a mamografia 2D convencional, permitindo o tratamento antecipado e aumentando bastante a taxa de cura, que pode chegar a 95%.

A tecnologia ajuda também na transparência e na governança dos hospitais e nas clínicas. Como ela pode auxiliar na gestão da saúde? FN – A governança é um assunto que até pouco tempo atrás os hospitais não tinham como pauta principal em suas discussões.

Mas a implementação e disseminação dessas práticas está ajudando os hospitais a entender a governança e adotar ferramentas para auxiliar na gestão. A TI há alguns anos não era vista como estratégica dentro do hospital, mas hoje se sabe que ela pode prover soluções para melhorar a gestão.

Este ano, por exemplo, em parceria com a Alliar Médicos, lançamos a sala de comando e um novo conceito de gestão de operação.

Trata-se de uma solução que possibilita o controle remoto de equipamentos de ressonância magnética à distância. Coma solução, é possível obter exames de alta qualidade e complexidade em diversas partes do território brasileiro, padronizar protocolos de aquisição, otimizar o fluxo de trabalho, diminuindo o índice de reconvocação de pacientes, bem como atuar na gestão da frota de equipamentos com KPIs de performance e utilização. A solução foi 100%desenvolvida em nosso país, a primeira desse tipo no mundo e em breve será lançada em novos clientes dentro e fora do Brasil.

Como analisa o nosso atual ambiente regulatório? FN – A Anvisa tem uma atuação importante como órgão regulador e, nos últimos anos, evoluiu bastante em grande parte de seus processos. Há alguns anos as empresas tinham grandes dificuldades com o tempo para obtenção de registros. Esta questão melhorou muito, mas entendemos que poderia melhorar sua atuação nos portos, aeroportos e fronteiras nos processos de liberação das importações. Atrasos por greve, falta de pessoal ou estrutura, afetam toda a cadeia: empresas, hospitais e clínicas, que acabam enfrentando dificuldades para cumprir seus compromissos e cronogramas. Seria interessante um foco maior na melhoria desses processos, bem como nas exportações. O País precisa ser reconhecido como um fornecedor confiável de produtos e serviços,mas a excessiva burocracia afeta nossa competitividade e agilidade para atender ao mercado externo.

Aqui há um bom espaço para melhorias.

Qual é a principal dificuldade enfrentada no Brasil para aumentar os investimentos em tecnologia médica? FN–A situação que vivemos hoje em termos de situação política e econômica não favorece.

Temos política cambial, energia mais cara....Tudo isso dificulta bastante. Esperamos que essa situação se estabilize e que o País retome o crescimento. Isso deve alçar o Brasil a um papel de protagonismo. Temos ótimos exemplos no País, como o tratamento de HIV/Aids e condições plenas de ter um papel cada vez maior na área de saúde.

Mas para isso precisamos de algumas melhorias, como redução de burocracia, um sistema de tributação otimizado e acesso competitivo a financiamento para investimento.

Tudo isso de alguma forma são dificuldades que o País enfrenta e que impedem de levar a indústria para uma melhor escala. Poderíamos estar mais fortes.

Nossos produtos locais poderiam ter condições melhores de encontrar mercado nos países vizinhos. São ações que poderiam ser mais bem orquestradas para que o Brasil encontrasse seu caminho.

O que está sendo feito para fomentar a inovação científica na saúde? FN – Aqui também há bastante espaço para melhoria. É preciso fomentar a interação entre a indústria, o governo e as universidades.

Por outro lado, os programas de financiamento deveriam ser mais acessíveis a todos esses agentes. A criatividade no País é enorme, mas precisamos de ferramentas que a estimule. A sala de comando, por exemplo, foi fruto de um estímulo da Lei da Informática. Temos que ter mecanismos de fomento locais, que atendam a nossa realidade.

Com isso crescemos como nação, algo imprescindível para o desenvolvimento de qualquer país.

Quais são as tendências e para onde caminha a tecnologia e o futuro da medicina? FN – O uso dos personal de vices coloca a saúde nas mãos das pessoas. Nesse contexto de utilização e de conexão, existe a clara tendência de que todas as informações passem a fazer sentido, com o uso mais forte do Big Data para interpretar e integrar esse volume de dados, criando processos inovadores e inteligentes.

Falamos de tecnologia não apenas em equipamentos, mas para a gestão de processos e para a eficiência da saúde como um todo. Não adianta fazer exames em equipamentos de última geração e esperar três horas para ser atendido.

A tecnologia vai avançar e encontrar caminhos para que população seja atendida com mais eficiência: teremos acesso à saúde sabendo onde e a que horas seremos atendidos.

O futuro passa por cada um cuidando de sua saúde, mas de forma orquestrada com todos os agentes. Para isso, as operadoras de saúde têm papel fundamental em entender quais pontos da cadeia requerem melhorias na utilização desses processos: do planejamento do atendimento ao paciente a sua recuperação no home care após um procedimento cirúrgico.

Há diversos processos que precisam ser analisados e estudados. Muito se fala em processos Lean, mas pouco se vê em aplicações, principalmente no setor público. Acredito que o futuro está em otimizar a entrega da saúde e como ela será consumida pela população. Isso tem que acontecer de forma que beneficie a todos.




USP terá laboratório de dados para prever situações na saúde

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Esqueça a magia e a bola de cristal. O futuro pode, sim, ser previsto, mas com ciência, tecnologia e muitos dados. A Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) inaugura neste mês o Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (LABDAPS), justamente com o objetivo de, por meio da análise de grandes bancos de informações, identificar padrões no sistema de saúde que possam prever os mais possíveis desfechos para cada caso.

Coordenado pelo professor Alexandre Porto Chiavegatto Filho e financiado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação Lemann, o laboratório terá a participação de mais de dez pesquisadores, entre docentes e estudantes de graduação, mestrado e doutorado, e contará com computadores capazes de analisar imensos bancos de dados.

Antes mesmo da inauguração de sua sede física, o laboratório já trabalha no desenvolvimento de quatro grandes projetos. O primeiro deles tem como objetivo estabelecer quais são as chances de diagnóstico de cada uma das três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti – dengue, chikungunya e zika – em um paciente que procura o serviço de saúde com uma dessas suspeitas.

Como os sintomas das três viroses são parecidos, o diagnóstico clínico fica prejudicado, e a detecção laboratorial é demorada, insuficiente ou nem sempre está disponível, como no caso do zika.

Para determinar a probabilidade de diagnóstico de cada uma das três patologias, os pesquisadores da USP analisarão as fichas de notificações de todos os casos suspeitos das três doenças no Estado de São Paulo entre 2015 e 2016 e cruzar com as informações de quais foram confirmados e quais foram descartados após a realização do exame.

“Vamos conduzir esse projeto em parceria com o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde e ele poderá ajudar principalmente nos períodos de pico da doença, em que há um pânico na população e uma sobrecarga no sistema de saúde. Os algoritmos ajudarão a fazer uma triagem inicial dos pacientes, dar o risco de infecção por cada uma das três doenças e indicar qual deve ser priorizado”, explica Chiavegatto Filho.

O segundo projeto do laboratório quer estimar o risco de um idoso morrer em 5, 10 ou 15 anos de acordo com os hábitos, características e doenças de cada paciente.

Para isso, os pesquisadores utilizarão um banco de dados de um grupo de mais de 2 mil idosos que vêm sendo acompanhados desde 2000 por outros cientistas da universidade que fazem estudos sobre envelhecimento.

“Sabemos que cerca de um terço desses idosos acompanhados já morreram nesse período de 16 anos, mas analisando as causas da morte e os indicadores de saúde dessa população, buscaremos padrões para estimar esse risco no restante da população com o mesmo perfil.” A terceira iniciativa do LABDAPS será analisar os dados das declarações de óbito do País para rever possíveis erros, principalmente no campo raça/cor, no qual, segundo Chiavegatto Filho, há muitos erros de preenchimento.

“As declarações de óbito são importantes documentos para embasar políticas públicas de saúde, pois mostram as principais causas de mortalidade de acordo com o perfil de cada grupo populacional, mas elas não são tão bem preenchidas. O que percebemos numa pesquisa de 2014 é que a expectativa de vida de pardos no Brasil era maior do que a de brancos, apesar de os primeiros terem renda e escolaridade menor. Nossa hipótese é de haver um ‘embranquecimento’ por parte dos que preencheram as declarações, ou seja, pessoas que se consideram pardas em vida são colocadas como brancas no documento”, explicou. “A ideia é identificar esses padrões de erros acompanhando um grupo de pessoas durante a vida para ver qual é a cor/raça que elas declaram e qual é preenchida na declaração após a morte.” Por fim, o quarto projeto buscará identificar, por meio da análise de resultados de saúde nos municípios que receberam profissionais do Mais Médicos, quais cidades se beneficiaram mais do projeto e, portanto, devem ser priorizadas no envio de médicos.

Chiavegatto Filho diz que, com a escassez de recursos na saúde, pesquisas como as que serão desenvolvidas pelo laboratório ajudarão a dar mais eficiência à gestão do sistema de saúde.

“O potencial do machine learning e do melhor uso de dados é impressionante. Quanto mais a gente adotar uma abordagem rigorosa e científica, menos espaço a gente deixa para manipulações partidárias e ideológicas, garantindo, assim, políticas públicas de maior impacto e interesse para a sociedade.”




O novo jeito de pensar e fazer medicina

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O uso da tecnologia é irreversível e transformará completamente a medicina nos próximos anos, comentaram especialistas presentes no painel “As máquinas do futuro: medical devices e nanotecnologia”, realizado durante o Summit Saúde 2016, promovido pelo Estado. Um dos campos mais promissores é a nanorobótica, que deve permitir diagnósticos e cirurgias cada vez menos invasivos.

Carlos Goulart, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed), diz que sem tecnologia não se faz absolutamente nada, mas ressaltou que o Brasil está muito atrasado em inovação. Segundo ele, no mercado de dispositivos médicos, que movimenta US$ 350 bilhões por ano, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são muito altos, com uma média de 8% do faturamento, considerando as 20 maiores empresas globais.

Ele destacou que os produtos evoluem com uma rapidez enorme, com um ciclo de vida da tecnologia de 24 a 36 meses.

Entre as áreas com grandes mudanças, o presidente da Abimed citou as impressões 3D, que permitem, por exemplo, a fabricação de próteses customizadas, com maior rapidez e menor custo.

Goulart também mencionou os biosensores, aplicativos de celular e as chamadas tecnologias “vestíveis”. “Cada vez mais o cidadão será gerente do seu corpo, mandando informações para os médicos.” Goulart também comentou a questão da robótica e da telemedicina – prática que hoje ainda é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). “Creio que o próprio CFM já está revendo essa questão do atendimento médico por telefone ou teleconferência, pois é uma tendência natural.” Participando do mesmo painel, a pesquisadora da USP Juliana Cancino falou sobre a fronteira do conhecimento representada pela nanorobótica. Ela destacou que atualmente já existem tecnologias que permitem o uso de robôs para diagnóstico e tratamento. Uma dessas aplicações é o uso de nanopartículas que conseguem detectar somente as células cancerosas.

Com isso, através do estímulo com eletricidade ou magnetismo, os médicos elevam a temperatura dessas partículas e conseguem matar as células doentes, preservando as saudáveis.

Também é possível englobar essas partículas em membranas celulares naturais, o que facilita a distribuição desses agentes pelo corpo e diminui a resistência na aceitação do remédio.


GASTOS


Fernando Narvaez, diretor da Siemens Healthineers no Brasil, disse que quase dois terços dos gastos das operadoras de saúde estão relacionados direta ou indiretamente à tecnologia.

“Antigamente, o bom cirurgião era o que fazia a maior cirurgia, o que abria mais o peito do paciente.

Hoje em dia a atenção dos médicos está nos monitoramentos e equipamentos auxiliares.

Quanto menos invasivo o procedimento, maior qualidade e segurança para o paciente.” Ele mencionou o caso de uma nova tecnologia que permite a detecção de problemas no fígado através de um exame de sangue, sem precisar fazer uma biopsia demorada e dolorosa.

“Com isso, não é preciso internação, você economiza muito e ainda zera o risco de contaminação hospitalar.” Narvaez explicou que atualmente a maior parte dos gastos das operadoras de saúde vai para o tratamento, mas a tendência é que diagnóstico e prevenção ganhem mais espaço.

A dificuldade de se fazer pesquisa científica no Brasil também foi levantada. Juliana disse que a liberação de importações, especialmente componentes biológicos, é muito demorada.




Aplicativos ajudam a gerenciar hábitos e melhorar a saúde

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Fáceis de gerenciar e capazes de estimular os usuários por meio do acompanhamento dos resultados, os aplicativos da área de saúde fazem cada vez mais parte da vida das pessoas. Monitorar a alimentação, calcular a dose de insulina que deve ser tomada e organizar a carteira de vacinação estão entre algumas das facilidades que estão disponíveis e podem trazer benefícios para a saúde dos pacientes.

Em novembro, a fisioterapeuta Gabriela Nogueira Porfírio, de 29 anos, baixou o aplicativo Gliconline para calcular com mais agilidade a dose de insulina que precisa tomar diariamente.

Ela foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 6 anos e costumava usar uma calculadora e tabelas com a quantidade de carboidratos dos alimentos para chegar ao resultado sobre a dose que deveria ser administrada.

“Já tem a tabela no aplicativo e facilita na hora de fazer o cálculo.

Eu gastava mais tempo antes de comer, pois precisava fazer esses cálculos e, algumas vezes, fazia sem precisão e acabava não tomando a quantidade correta.” O download foi feito por recomendação da médica.

Grávida de 5 meses, Gabriela conta que o aplicativo tem sido importante durante a gestação.

“Os hormônios alteram a glicemia.

Minha médica consegue entrar no aplicativo, ver o que estou comendo e alterar a quantidade de insulina que devo tomar.” Downloads. Claudia Labate, CEO da Gliconline, diz que o aplicativo tem dois anos e contabiliza 10 mil downloads. “Na área de diabetes, só a tecnologia não faz nada, mas temos um canal para falar (com o paciente) com muito respeito e empatia. A tecnologia entra como uma ferramenta para o enfrentamento da doença e isso faz a diferença.” Desenvolvido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o Einstein Vacinas é uma ferramenta gratuita para a atualização da carteira de vacinação.

Ele toma como base o calendário nacional de vacinação e pode ser personalizado de acordo com a faixa etária do paciente.

Também mostra os locais de vacinação na rede pública.

A obesidade era o alvo da professora Bárbara Regina de Oliveira Fumachi, de 31 anos, ao instalar o Dieta e Saúde em 2014. “Sempre estive insatisfeita com a aparência, pois estava obesa. Meus exames constataram que eu tinha predisposição a ter diabetes.” Ao ver uma foto que foi tirada sem que percebesse, Bárbara resolveu fazer mudanças em seus hábitos.

“Fiquei em choque e entrei na internet para ver como mudar os hábitos alimentares.

Minha vida mudou depois que eliminei seis quilos. Comecei a ter ânimo para fazer atividades físicas.” Da dificuldade para caminhar por 400 metros, ela passou para a capacidade de fazer corridas. Saiu dos 83 kg para os 54 kg. “Quando você consegue aprender a comer direito, tende a ter mais saúde, mais disposição e bons hábitos.” Nutricionista do Dieta e Saúde, Roberta Stella diz que a primeira semana de aderência costuma ser a mais importante, pois os usuários estão mais motivados e o auto gerenciamento dos hábitos traz resultados, mas isso não exclui a participação de um especialista.

“Se a pessoa vem da clínica com orientação, o aplicativo auxilia no automonitoramento, melhorando a aderência.

Ele é uma alavanca para continuar buscando o resultado construído dia após dia.”




Ineficiência do sistema abre espaço a startups

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Segundo balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produtos e serviços ligados à saúde formam um mercado equivalente a 8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já prevenir doenças, ou evitar que as pessoas tenham de ir aos hospitais sem necessidade, representa um mercado de tamanho desconhecido, mas que começa a ser explorado por um número crescente de empresas novatas.

Das centrais que armazenam todo o histórico de exames de um paciente a plataformas que mapeiam os riscos de doenças, passando por aplicativos que permitem agendar uma consulta médica de baixa complexidade em casa, um conjunto de soluções digitais vem sendo desenvolvido por startups com poucos anos de atuação para dar maior comodidade e controle de dados no uso de serviços médicos.

Desde 2014, o número de startups da área de saúde saltou no Brasil de 11 para mais de 80. É um número que, segundo especialistas, continuará avançando por encontrar terreno fértil nas ineficiências do sistema no País e na busca por redução de gastos médicos por um contingente de mais de 2 milhões de usuários que, principalmente em razão do avanço do desemprego, perderam planos de saúde nos últimos dois anos.

“Existe aqui um ecossistema favorável ao surgimento de startups.

Temos um setor com diversas amarras, muito burocratizado e com jeito de reserva de mercado em alguns casos. É um negócio muito grande e inviável economicamente. As empresas tradicionais estão quebrando”, diz Daniel Lindenberg, presidente executivo (CEO) e cofundador do Dr. Vem, plataforma que faz a intermediação entre pacientes e médicos para atendimento em domicílio.

“Qualquer empreendedor olha para isso e fala: ‘Uau!, temos aqui uma grande oportunidade’”, acrescenta Lindenberg.


‘UBERIZAÇÃO’


A exemplo do aplicativo que colocou o serviço de transporte a alguns toques da tela do celular, o Dr.

Vem faz parte de um movimento de “uberização” que chega ao campo do atendimento médico.

Seu funcionamento é simples.

O usuário agenda uma consulta e, sendo um caso de baixa complexidade, o Dr.Vem encaminha algum médico da região para a residência na hora marcada.

O primeiro alvo da empresa, de apenas oito meses, é abocanhar um total de aproximadamente 100 milhões de atendimentos feitos em prontos-socorros da rede de hospitais privados.

“Queremos que as pessoas não tenham de ir ao pronto-socorro para tratar de uma otite ou levar uma criança pequena sem necessidade”, afirmou Lindenberg durante participação no Summit Saúde Brasil, evento promovido pelo Estado que debateu assuntos relacionados à saúde.

Com mais tempo no mercado, o SaúdeControle permite há três anos armazenar digitalmente todo o histórico clínico de um paciente. Propõe, assim, não apenas acabar com a papelada de exames que fica muitas vezes espalhada pela casa, mas também evitar a repetição de um exame por perda de laudo médico.

Embora o foco inicial da empresa fosse atuar no setor privado, o SaúdeControle já discute com o Ministério da Saúde a integração da ferramenta ao sistema público, segundo informou o diretor presidente da empresa, Adrianno Barcellos, também presente ao evento.

“Obviamente, isso é uma coisa muito grande e queremos começar pequenos. Mas, embora nossa intenção fosse ter foco no mercado privado, sempre soubemos que a grande transformação se daria no setor público”, afirmou Barcellos.


REDUÇÃO DE GASTOS


Apresentada como uma companhia de “gestão de saúde”, o Dr. Consulta, criado em 2011, também aproveita dados clínicos coletados por seu sistema e, com isso, consegue antecipar riscos, evitar repetições de exames e reduzir custos clínicos.

Fundador do Dr. Consulta, Thomaz Srougi, diz que já conseguiu reduzir em 30% o gasto anual de saúde de um grupo de pacientes. “Podemos reduzir em R$ 5 mil o custo de saúde anual das pessoas nos próximos cinco anos”, afirma o executivo da empresa, que atende pelo menos 70 mil pacientes por mês. “O negócio cresce a um ritmo médio de dois dígitos por mês”, disse Srougi.

Plantão Médico: A ação do álcool na infertilidade feminina

15/10/2016 - Folha de S.Paulo


A abstenção de bebidas alcoólicas é sempre recomendada às mulheres que decidem engravidar. É apenas uma recomendação, porque ainda não está claro o quanto de consumo de álcool intervém na infertilidade feminina. Indiscutível é o prejuízo para o bebê em suas primeiras semanas de vida.

Em editorial do "British Medical Journal", a epidemiologista Annie Britton assinala que algumas pesquisas relatam não existir esta associação, enquanto outras mostram que a diminuição da fertilidade pode estar associada ao consumo de álcool, a exemplo do trabalho publicado na mesma edição da revista. Ela acrescenta o paradoxo da gravidez não planejada (ou não desejada) pela mulher em situações de elevado consumo de álcool.

Ellen M. Mikkelsen e colaboradores relatam no "BMJ" pesquisa sobre consumo de álcool e fecundidade na Dinamarca, com a participação de 6.120 mulheres entre 21 e 45 anos que desejavam filhos e não recebiam tratamento para engravidar.

O estudo mostra que o consumo de 14 ou mais doses por semana –de 20 ml de destilado ou 120 ml de vinho ou 330 ml de cerveja– foi associado a uma leve redução na taxa de fecundidade. Menor ingestão da bebida, porém, parece não ter apresentado efeito discernível na fertilidade.

Como o feto é vulnerável ao álcool nas primeiras semanas de vida, especialistas aconselham às futuras mães abster-se de bebidas alcoólicas nos seus períodos férteis.




Médico demora dois meses só para olhar exame, diz paciente

16/10/2016 - Folha de S.Paulo


Um ano. Esse foi o tempo que a dona de casa Maria, 54, ficou sentindo dores antes de conseguir fazer uma cirurgia para tirar as pedras na vesícula que a incomodavam. Embora a gestão Fernando Haddad (PT) diga que o tempo médio de espera por uma cirurgia tenha reduzido de seis para cinco meses, não foi o que ela sofreu.

Após meses, finalmente chegara a data da operação, em setembro, no hospital do Campo Limpo (zona sul). Maria fez jejum e foi ao local, mas o procedimento foi remarcado em cima da hora. Só ocorreu um mês depois. Cirurgia feita, outros problemas. Primeiro, não havia leitos no pós-operatório. Depois, quando conseguiram, a cama estava quebrada.

"Se eu quiser que ela se mexa, que coloque a perna para cima, preciso comprar uma cama?", revolta-se Sueli Mendonça, 55, prima de Maria –ela continuava internada na semana passada. A prefeitura nega faltar leitos na unidade.

A espera de meses pelo atendimento foi o problema mais comum citado por pacientes que a reportagem abordou na porta de unidades da rede municipal, entre hospitais e postos de saúde, do Campo Limpo ao M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo.

Em certos casos não é a cirurgia ou outros procedimentos complexos que demoram, mas a análise de exames já realizados, como conta a costureira Angela Lessa, 52. "Demora um mês, um mês e meio para o médico só olhar um exame. Até lá, se tiver alguma coisa grave", diz ela, após sair de uma consulta em uma UPA 24h (Unidade de Pronto Atendimento).

Foi o que ocorreu com o manobrista Luis Bezerra, 46. Ele diz que após sentir dores no peito e constatar pressão alta, até conseguiu atendimento rápido, mas difícil mesmo foi achar médico para conferir o exame pedido.

"Demorou dois meses. Não queriam nem deixar eu fazer os exames porque não tinha consulta agendada e o médico tinha que olhar o resultado logo depois", afirma, enquanto esperava a filha ser atendida no M'Boi Mirim.


MUITAS SIGLAS


UPA, AMA, UBS. Cada uma dessas siglas tem um significado -Unidade de Pronto Atendimento, Assistência Médica Ambulatorial e Unidade Básica de Saúde, respectivamente. A dona de casa Maria de Lourdes da Conceição, 37, se diz perdida quando precisa de atendimento. "O pior é quando você vai a um lugar e te encaminham para outro."


NOVA GESTÃO


O Corujão da Saúde, uma das principais propostas para a saúde do prefeito eleito João Doria (PSDB), não resolve os problemas, dizem pacientes ouvidos pela Folha. O programa pretende agendar exames na madrugada.

"É bom porque pode tirar o acúmulo de pessoas durante o dia. Mas eu, mulher, sozinha, não iria. Já ia chegar lá tensa", diz Sueli Mendonça. "A ideia é boa, mas tem que pensar como fazer. Ônibus à noite é difícil", diz o segurança André de Jesus, 25.




Por que vacinar os meninos contra o HPV

15/10/2016 - Época


O Ministério da Saúde anunciou na semana passada que garotos de 12 a 13 anos passarão a ser vacinados gratuitamente contra o HPV na rede pública a partir de janeiro de 2017. Serão duas doses, com intervalo de seis meses, o mesmo esquema de vacinação usado hoje para as garotas.

Jovens vivendo com HIV, de 9 a 26 anos, deverão receber três doses, com intervalo de dois e seis meses. A vacina estava aprovada para homens de 9 a 26 anos no Brasil, mas disponível apenas em clínicas particulares. Garotas são vacinadas desde 2014.

O objetivo é proteger os meninos contra uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais prevalentes, causadora das verrugas genitais.

Alguns subtipos do HPV estão diretamente relacionados a uma série de tipos de câncer que podem atingir os homens, como o de pênis, ânus, boca e garganta. Países como Austrália, Estados Unidos e Israel já imunizam meninas e meninos em seus programas nacionais de vacinação.

A associação do HPV com o câncer de colo de útero, vulva e vagina nas mulheres foi o grande disparador para o desenvolvimento de uma vacina.

Mas as evidências mostraram que a vacina também poderia proteger contra os demais tipos de câncer relacionados às práticas sexuais (sexo oral e anal), inclusive nos homens.

Uma pesquisa realizada ao longo dos últimos 11 anos com 4 mil voluntários no Brasil, no México e nos Estados Unidos, conhecida como Human papillomavirus infection in men (HIM), mostra que homens de 18 a 70 anos apresentam infecções pelo H PV com freqüências elevadas e constantes ao longo de sua vida. As taxas de infecção nos homens são superiores às das mulheres. De acordo com o estudo, 72% dos homens brasileiros apresentaram infecção pelo HPV na região genital ao longo de sua vida.

Destes, 5% desenvolveram verrugas genitais. As taxas de câncer de pênis por aqui foram três vezes mais altas do que nos Estados Unidos. Os números mais elevados acontecem entre os homens com múltiplas parceiras ou parceiros, fora de relações estáveis.

O grande desafio da vacinação entre os meninos será atingir altas taxas de cobertura. O plano é expandir gradativamente a faixa de vacinação para meninos entre 9 e 13 anos até 2020. Entre as garotas, mesmo após um grande esforço do Ministério da Saúde, apenas cerca de 45% completaram seu ciclo de vacinação.

Vacinar os meninos pode trazer o benefício adicional de diminuir o risco de transmissão do vírus para as garotas. Entretanto, para ganhar escala entre eles, é importante pensar em estratégias de parcerias com a educação, fazendo com que a vacina possa atingir um público maior do que apenas aquele que eventualmente vá aos postos de saúde.




OMS diz que epidemia de tuberculose é mais grave do que se esperava

14/10/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Com 10,4 milhões de contaminados em 2015, a epidemia de tuberculose é mais grave do que se pensava até agora, segundo relatório anual da OMS (Organização Mundial da Saúde), publicado nesta quinta-feira (13). A entidade diz ainda que as pesquisas para encontrar uma vacina ou outros tratamentos "carece de fundos suficientes".

A cifra supera amplamente a do relatório anterior, no qual havia 9,6 milhões de infectados em todo o mundo. "A luta para alcançar nossos objetivos mundiais no combate à tuberculose é cada vez mais difícil", afirmou a diretora da organização, Margaret Chan.

"Teremos que aumentar substancialmente nossos esforços sob o risco de ver países continuamente castigados por esta epidemia mortal e não alcançar nossos objetivos", ressaltou.

A meta é reduzir o número absoluto de mortes por tuberculose em 35% e de contágios em 20% até 2020 com relação aos números de 2015. O objetivo para 2030 é diminuir em 90% a quantidade de mortos por tuberculose e em 80% os infectados. Segundo a OMS, 1,8 milhão de pessoas morreram vítimas desta doença em 2015 –300 mil a mais do que no ano anterior.

A tuberculose é provocada por uma bactéria, o bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), que na maioria dos casos se aloja nos pulmões, destruindo o órgão gradativamente. Dois em cada cinco infectados não foram diagnosticados, e por isso podem espalhar a doença, transmitida por via aérea. Além disso, meio milhão de pessoas têm formas de tuberculose resistentes aos antibióticos, segundo a organização.

Para a ONG Médicos sem Fronteiras, este relatório "é um chamado de atenção para mudar o status quo na forma de diagnosticar e tratar a tuberculose e suas formas resistentes".


ÍNDIA SUBESTIMADA


As cifras sobre as dimensões da epidemia foram revistas para cima essencialmente porque os pesquisadores se deram conta de que as estimativas da Índia, entre 2000 e 2015, eram muito baixas. Seis países representam 60% dos novos casos: Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul.

Habitualmente vinculada à pobreza e a condições insalubres, a tuberculose continua sendo uma das principais doenças mortais do mundo, embora em um período de 15 anos, o número de mortes tenha caído 22%. No entanto, para alcançar os objetivos estabelecidos pela comunidade internacional, as infecções teriam que diminuir entre 4% e 5% por ano, três vezes mais rápido do que diminuem atualmente.


FALTA DE RECURSOS


A escassez de recursos também é um problema crônico no combate à doença. Entre 2005 e 2014, os fundos disponíveis alcançaram apenas 700 milhões de dólares por ano. São necessários US$ 2 bilhões para a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos antituberculosos, segundo o informe.

É necessário "incrementar o investimento agora ou simplesmente não conseguiremos erradicar uma das doenças mais antigas e mais mortais do mundo", disse Ariel Pablos-Mendez, um dos encarregados da agência americana para o desenvolvimento internacional, a Usaid (agência americana para o desenvolvimento internacional).




Corujão da Saúde começa em até 90 dias, diz tucano

15/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O prefeito eleito, João Doria (PSDB), também afirmou em Buenos Aires que seu projeto emergencial para zerar a fila por exames médicos na rede pública será iniciado nos primeiros dias de janeiro, assim que assumir o cargo, como ação prioritária. Na campanha, o tucano prometeu atender a demanda atual – há 417 mil na espera –, no prazo máximo de um ano com a criação do Corujão da Saúde, programa que oferecerá horários alternativos aos pacientes, entre 20h e 8h.

“Vamos colocar, a partir de 2 de janeiro, programa emergencial em curso para reduzir a fila da saúde. O corujão vai ser implementado no prazo-limite de 60 ou 90 dias”, disse.

Segundo Doria, mulheres, gestantes e idosos serão atendidos preferencialmente em dois períodos: das 20 horas às 22 horas e das 6 horas às 8 horas, todos os dias da semana, em uma rede conveniada de hospitais.

Os demais podem ser convocados para a faixa da madrugada.

Em função dos horários, guardas civis metropolitanos serão deslocados para reforçar a segurança dos hospitais.

Serão pelo menos 40 unidades privadas, de acordo com o tucano. A rede estadual também deve participar do projeto, que custará R$ 100 milhões em 2017. Esse cálculo não inclui o pagamento de transporte aos pacientes que serão convocados a participar do Corujão. Doria diz que terão de ser usadas as linhas de ônibus que funcionam de noite ou mesmo os trens, de acordo com o endereço do hospital.

O prefeito eleito espera obter ajuda federal para custear parte dos projetos na saúde. O objetivo é arrecadar ao menos R$ 40 milhões do Orçamento da União.




Mediação tenta evitar que paciente recorra à Justiça

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Mediação de conflitos entre operadoras de planos de saúde e pacientes, revisão do formato dos contratos e oferta de apoio técnico a magistrados responsáveis por julgar ações na área são algumas das medidas essenciais para enfrentar a crescente judicialização da saúde suplementar, segundo especialistas e autoridades presentes no Summit Saúde Brasil 2016.

De acordo com os ministros Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a urgência declarada nas demandas judiciais por tratamentos e medicamentos geralmente leva o magistrado a dar parecer favorável ao paciente, mesmo quando o procedimento não está previsto em contrato. Mas o ideal, dizem eles, é que o juiz fosse assessorado por especialistas na área médica para dar a decisão.

“Se existe um setor que leva o juiz a fazer escolhas trágicas, esse setor é a saúde”, afirmou Fux. “Os juízes são seres humanos.

A palavra sentença vem de sensibilidade, mas precisamos ter subsídios técnicos, saber se um remédio é eficiente, se traz esperança, para que possamos ter um critério para embasar as decisões”, disse.

Para Salomão, é preciso criar e fortalecer fóruns de apoio técnico dentro de cada tribunal de justiça do País. “É tudo muito incipiente ainda. Só agora que a visão do juiz está começando a mudar. Ele está vendo o impacto econômico das suas decisões para os outros consumidores”, afirmou o magistrado.

Presidente da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab), Alessandro Acayaba de Toledo explicou que o aumento de gastos das operadoras com o cumprimento de demandas judiciais pode levar à elevação do valor da mensalidade de todos os beneficiários do plano.

“Na judicialização, há interesses individuais que, por vezes, acabam levando ao pedido de cobertura de procedimentos não previstos em contrato. Quando isso acontece, uma pessoa acaba prejudicando toda a coletividade”, diz Toledo, que defende a criação de varas especializadas em saúde que possam julgar o tema de forma mais precisa.


CONTRATOS


O ministro do STJ ponderou que, como a jurisprudência tem caminhado no sentido de obrigar o plano a oferecer todos os tratamentos disponíveis para as doenças cobertas pelo convênio, o ideal seria que os contratos fossem renegociados com a inclusão de todos os procedimentos ofertados e a respectiva atualização do valor.

“É preciso repensar esse equilíbrio do contrato porque, hoje, a operadora cobra um valor com base no que ela dá de tratamento, mas existem situações que os tratamentos estão avançando e a jurisprudência vem concedendo esses tratamentos.

Isso tudo tem de estar contemplado no próprio sistema econômico do contrato. A agência reguladora tem de chamar a operadora e os clientes para discutir essa questão.” O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos Abrahão, disse que o órgão já vem adotando alguns mecanismos de resolução de conflitos para evitar que os pacientes cheguem até a Justiça.

De acordo com Abrahão, das 100 mil reclamações recebidas no ano passado pela agência, cerca de 90% foram resolvidas na esfera administrativa, com a mediação da ANS. Ele ressaltou ainda que o órgão editou normas obrigando as operadoras a criar e fortalecer suas ouvidorias e fez acordos de cooperação técnica com órgãos do Judiciário.

“Estamos buscando o fortalecimento da participação social no processo regulatório.

Esse é um setor de mutualismo, onde temos de pensar na qualidade do serviço, mas também na sustentabilidade”, opinou.

Reportagem do Estado publicada em maio mostrou que o gasto das operadoras com demandas judiciais dobrou em dois anos, passando de R$ 558 milhões em 2010 para R$ 1,2 bilhão no ano passado, segundo estimativa da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).




Com internet, idoso vive mais e melhor

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e do número de idosos no País, não bastam políticas de prevenção de doenças – já que elas acabarão aparecendo para todos no processo de envelhecimento mais cedo ou mais tarde. É preciso pensar em como levar qualidade de vida e independência aos mais velhos, e o uso da internet pode ser uma poderosa ferramenta nesse processo.

Estudo feito por pesquisadores brasileiros e ingleses com mais de 6 mil idosos acompanhados por um período de oito anos mostrou que a chamada digital literacy (educação ou treinamento digital) reduz as perdas cognitivas e, consequentemente, o risco de morte na terceira idade. A pesquisa foi citada pelo geriatra Luiz Roberto Ramos, diretor do Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para exaltar a importância dessa e de outras atividades que ajudam a manter a funcionalidade dos idosos.

“Hoje 30% da população idosa convive com cinco ou mais doenças crônicas. Com esse novo paradigma, não devemos buscar o êxito pela cura, mas pela qualidade de vida. E o que vai definir isso são os hábitos e o estímulo à função cognitiva”, disse Ramos durante o Summit Saúde Brasil 2016.

Fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles afirmou que, apesar da importância da inclusão digital na terceira idade, apenas um quarto da população brasileira com mais de 50 anos acessa a internet, a maioria das classes A e B. “Nos últimos anos, houve uma mudança importante sobre o que significa envelhecer. Estamos em uma sociedade em que os brasileiros querem continuar ativos, mas isso requer mudanças no mercado de trabalho e um programa de democratização de acesso à internet.” Luiz Roberto Ramos explicou que o processo de envelhecimento da população brasileira ocorreu de forma muito mais rápida do que nos países da Europa.

Enquanto as nações europeias levaram 180 anos para registrar significativas reduções das taxas de mortalidade precoce e de fecundidade, o Brasil passou pela mesma transformação em apenas 90 anos. “As causas de mortalidade passaram de doenças infecciosas, que pedem tratamentos rápidos e baratos, para problemas crônicos, que exigem tratamentos longos e mais caros”, afirmou o geriatra. “É aí que entra a necessidade de olharmos mais para a alimentação saudável, o combate ao sedentarismo e ao tabagismo, a redução do estresse e os estímulos à função cognitiva dos idosos.” Recursos. Economista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Áquilas Mendes ressaltou que os insuficientes recursos aplicados na saúde pública brasileira dificultam a implementação de políticas de prevenção e promoção da saúde do idoso. “Hoje, a União gasta 1,7% do PIB com saúde. Para garantirmos a universalidade da assistência, esse porcentual teria de dobrar, pelo menos.” Se o cenário já parece desanimador, pode ficar ainda pior, segundo o especialista, com a aprovação da PEC 241, que limita os gastos públicos por duas décadas. Estimativa feita por pesquisadores brasileiros mostra que, nos 20 anos em que a regra pode ficar em vigor, a Saúde perderia R$ 433 bilhões – o equivalente ao orçamento de quatro anos do Ministério da Saúde. Estudo do Ipea, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, mostra um quadro mais assustador com as perdas chegando a até R$ 743 bilhões “Como vamos garantir o investimento em políticas para evitar que os idosos percam capacidades diante dessas agruras econômicas?”, questionou o especialista. Mendes defendeu que, em vez de propor a PEC, o governo deveria criar mecanismos para aumentar as receitas tributando grandes movimentações financeiras.




Qualidade de vida em primeiro lugar

13/10/2016 - Época Negócios


COM UM PORTFÓLIO de 14 mil medicamentos e outros itens de saúde e a beleza, quatro lojas físicas, um televendas e a maior operação de e-commerce do setor farmacêutico no Brasil, a rede Ultrafarma associa cada vez mais a marca a práticas e valores considerados essenciais para a qualidade de vida das pessoas, como superação e bom humor. Além dos contratos assinados com a seleção brasileira de futebol e com o jogador Neymar, buscou visibilidade com o camarote Ultrafarma, na Olimpíada do Rio de Janeiro, e contratou o maestro João Carlos Martins para reforçar a imagem de empresa preocupada com a superação de obstáculos. Suas principais mensagens chegam por meio de campanhas tradicionais no rádio, internet e televisão.




Adjunto da Saúde estadual é favorito para pasta de Doria

14/10/2016 - Folha de S.Paulo


O médico Wilson Pollara, 67, secretário-adjunto da pasta da Saúde do Estado de São Paulo, é o nome mais cotado para assumir a secretaria de Saúde municipal em janeiro do próximo ano,na gestão de João Doria (PSDB), prefeito eleito da cidade.

Graduado pela Faculdade de Medicina da USP em 1973, ele é pós-graduado em cirurgia geral.Desde 1988, exerce cargos ligados à administração hospitalar, convênios e área da saúde em geral.

Exerceu a função de coordenador-geral de cirurgia no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (2008 a 2011) e de diretor-executivo do Instituto Central do Hospital das Clínicas (2011 a 2013).

A indicação tem aval do infectologista David Uip, secretário titular da Saúde da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e amigo de Doria.

Procurado pela Folha,Uip afirma que Pollara é um dos bons nomes para a pasta da Saúde municipal, mas diz que ainda não conversou com o prefeito eleito sobre isso.

Para ele,a partir de janeiro, deverá haver maior entrosamento entre as gestões municipal e estadual da Saúde, o que ajudará na integração total do sistema público.


OUTROS NOMES


Outros três nomes também estão sendo citados nos bastidores médicos: ourologista Milton Flavio, ex-presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, o cirurgião gástrico Raul Cutait, do Hospital Sírio-Libanês,e o oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.

Lottenberg,porém, deve se tornar o novo CEO da United Healthcare Brazil, dona da Amil, em substituição ao fundador da operadora de planos de saúde, Edson Bueno.

O mandato como presidente do Einstein,posto que ocupou nos últimos 15 anos, termina em dezembro deste ano.

A equipe de transição começa a trabalhar na próxima segunda (17),e os secretários devem ser anunciado em novembro pelo novo prefeito.

Doria prometeu, em campanha, reduzir o número de secretarias de 27 para 20. Ele jáafirmou,também, que criará uma pasta voltada para PPPs (parcerias público-privadas) e outra paraadigitalização dos serviços públicos e ampliação do acesso à internet, que deverá ser comandada pelo vereador eleito Daniel Annenberg (PSDB).




Governo de SP pode enfrentar greve de médicos residentes por reajuste

14/10/2016 - Folha de S.Paulo


O governo de SP pode enfrentar greve dos 6.300 residentes que trabalham na área da Saúde no Estado. Por determinação do Ministério da Saúde e do MEC, eles tiveram, ainda no governo de Dilma Rousseff, reajuste de 11,9% do salário. O governo paulista, no entanto, não pagou o aumento.


DE VOLTA


David Uip enviou na ocasião carta aos ministros dizendo que o aumento não tinha sido discutido com os Estados e que, portanto, se quisessem, os ministérios que arcassem com as despesas extras. Elas chegariam a R$ 28 milhões.




Tecnologia a serviço da saúde

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O sistema brasileiro de saúde sempre foi alvo de duras críticas. Mais do que a escassez de recursos, na opinião de especialistas, falta uma gestão eficiente. E, se somarmos os dois fatores, com muita frequência terminamos na Justiça, com o paciente brigando pelo direito de receber tratamentos negados, ora pelo sistema público, ora pelo sistema privado. “Se existe um setor que leva o juiz a fazer escolhas trágicas, esse setor é a saúde”, afirmou Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal.

O ministro foi uma das autoridades presentes no Summit Saúde 2016, evento realizado pelo Estado. O encontro reuniu também médicos, estudiosos e acadêmicos, e todos foram unânimes em apontar a iminente falência do sistema de saúde, como conhecemos hoje, se nada for feito. A opinião comum é que o cenário pode piorar com a aprovação da PEC 241, que limita os gastos públicos por duas décadas – incluindo saúde e educação.

Falando na abertura do evento, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, descartou que o orçamento de sua pasta sofrerá cortes. “A PEC é o limite de gastos globais do governo.

Dentro desse gasto global, o governo terá prioridades.

Saúde e Educação não terão redução de recursos.” Em meio a esse debate, o sistema vai ganhando inovações tecnológicas que podem ajudar a mudar o cenário atual. Não apenas as grandes empresas de tecnologia, mas também startups, trabalham para oferecer ferramentas que consigam integrar as informações do nosso sistema de saúde, ajudando, assim, a cortar custos.

Renato Policano, da Microsoft, ressaltou a possibilidade do uso do big data para melhorar a eficiência operacional e financeira dos provedores de saúde. Eduardo Cipriano, da IBM, falou da importância da tecnologia cognitiva, que significa uma revolução na tecnologia da informação. Também avançam formas alternativas de oferecer atendimento médico. “As pessoas não querem luxo, querem ser atendidas”, disse Thomaz Srougi, fundador do Dr. Consulta, empresa que tem como proposta oferecer atendimento médico de qualidade por baixo custo.

Neste caderno, o debate, as inovações e alguns bons resultados alcançados.




Menos tratamento, mais prevenção e diagnóstico

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Tirar o foco da doença e coloca-lo na saúde e oferecer um cuidado integrado ao paciente são as chaves para que os sistemas de saúde sejam bem-sucedidos diante das crescentes mudanças demográficas, epidemiológicas e tecnológicas. O diagnóstico foi feito por Greg Caressi, vice-presidente sênior de healthcare da consultoria Frost & Sullivan, uma das maiores do mundo, durante o Summit Saúde Brasil 2016.

De acordo com o especialista, os avanços na tecnologia vão alterar desde métodos diagnósticos até a forma como o paciente é tratado. Ele deu como exemplos testes já disponíveis no mercado que são capazes de diagnosticar doenças infecciosas em poucos minutos, a um baixo custo e com a possibilidade de envio do resultado por meio de um aplicativo no celular. Essas técnicas, diz ele, podem, além de trazer praticidade para a medicina, revolucionar a assistência à saúde em locais pobres, como a África, onde os atendimentos médicos costumam ter estrutura precária.

“Esse é o tipo de inovação que precisamos. E isso tem de ser apresentado ao médico desde sua formação. Os jovens de hoje, que estão se graduando em medicina, fazem parte de uma geração que já está acostumada com essa conectividade.

Temos de aproveitar”, afirmou.

Caressi também destacou que, com o aumento da incidência de doenças crônicas, os pacientes necessitam de um cuidado mais integrado em diversas esferas. “O tratamento das doenças crônicas deverá passar da abordagem fragmentada vista hoje para uma solução mais integrada e focada no consumidor”, declarou.

O vice-presidente da Frost & Sullivan afirmou que ganharão espaço nesse novo modelo o uso e análise de dados e estatísticas para definir ações de saúde e a oferta de tecnologias mais baratas e acessíveis aos consumidores. “Deveremos assistir a um empoderamento dos indivíduos”, disse.




Judicialização, um mal necessário?

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Anualmente, milhares de novos casos de câncer são diagnosticados no Brasil e, segundo estudo realizado pelo Observatório de Oncologia, a doença será a maior causa de morte no Brasil em 2029, ultrapassando as doenças cardiovasculares.

Dentre as explicações está o processo de envelhecimento da população – hoje 12% dos brasileiros têm mais de 60 anos, porcentual que deverá subir para 30% em três décadas. Vale ressaltar que a faixa etária que mais cresce no País é aquela de mais de 80 anos.

Mas para que esse aumento da expectativa de vida da população não se torne um peso, temos de nos preparar com políticas educacionais e de saúde.

A indústria farmacêutica, antenada a esse cenário, vem investindo fortemente em pesquisas e inovação e, consequentemente, a cada dia, apresenta um arsenal de drogas no mercado, aumentando a qualidade de vida dos pacientes. Mas, para ter acesso a tanta inovação, não são raros os casos que necessitam do fenômeno judicialização, um dos maiores gastos da saúde hoje.

Dessa forma, temos um grande desafio: equilibrar a medicina, a política e a economia em saúde, afinal, nosso sistema tem recursos finitos.

A assistência à saúde é um direito de todos e um dever do Estado, segundo a Constituição Federal do Brasil, mas como o sistema público não é suficientemente eficaz para atender todos os cidadãos, ele permite que a saúde suplementar, que contempla 50,6 milhões de beneficiários, cerca de 25% da população, faça esse papel.

Nessa visão, muitos cidadãos buscam nos planos de saúde a principal alternativa para garantir acesso ao tratamento, que podem ser por planos coletivos ou individuais. Na maioria dos casos, paga-se um valor alto por um bom plano de saúde – e não podemos esquecer de dizer que idosos, muitas vezes, chegam a entregar sua aposentadoria por inteiro para ter acesso a um hospital particular via plano.

Para regulamentar esse mercado foi sancionada, em junho de 1998, a Lei 9.656. Dois anos depois, foi criada a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A ANS é hoje o órgão fiscalizador e controlador dos planos de saúde que vem apresentando um excelente trabalho, garantindo que as operadoras de saúde não qualificadas sejam banidas do mercado e estabelecendo um rol de coberturas mínimas, garantindo um mínimo essencial para o usuário.

Com essas ações, a saúde suplementar avançou muito na área da oncologia, como por meio da incorporação dos quimioterápicos orais, da inclusão de exames e procedimentos de alta complexidade, coberturas para transplante de medula óssea e incorporação de novas tecnologias a cada dois anos.

Temos de reforçar que, se não fosse a regulação da ANS, dependeríamos da vontade da operadora de saúde em atender seus usuários, o que poderia aumentar o número de pacientes que teriam de recorrer à Justiça para ter acesso a tratamentos.

Dentre as principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes em relação às suas operadoras de saúde estão: negativas de coberturas/atendimentos (exames, cirurgias, quimioterapias, radioterapias), rede de atendimento insuficiente, com poucas opções de laboratórios e clínicas especializadas, além da mudança de clínicas especializadas durante o tratamento, devido ao descredenciamento de serviços pelo plano.

A Abrale, por meio do seu departamento de apoio ao paciente, recebe todos os dias inúmeros de casos assim. Nossos pacientes, mesmo que pagando por uma saúde melhor, acabam enfrentando essas e outras dificuldades durante o processo de tratamento, que, cá entre nós, já é bastante doloroso.

Buscando melhor solução, criamos a cartilha Direitos dos Pacientes, com informações completas sobre as garantias dadas aos usuários de convênios médicos, e também a cartilha Planos de Saúde, que explica de forma aprofundada e com uma linguagem simples como a saúde suplementar funciona no Brasil, garantindo informações essenciais como: o que deve ser considerado antes de contratar um bom plano de saúde? O que fazer em casos de negativas de coberturas? Como buscar acordos extrajudiciais? E, em último caso, como entrar na Justiça em situações que a conciliação não deu resultado? Ainda temos muito que avançar.

É preciso garantir um teto de reajuste para os planos coletivos, pois hoje só temos para planos individuais, o que tem levado esse tipo de plano quase à extinção; garantir que as operadoras cumpram com o fornecimento dos medicamentos e procedimentos estabelecidos no rol, sem ser preciso buscar a via judicial; estabelecer um critério de exceção que permita que, em alguns casos, a incorporação de droga órfã ocorra anualmente.

Por esses motivos é que a criação dos planos populares, proposta pelo atual ministro da Saúde, vai contra tudo o que foi construído até hoje em matéria de regulação da saúde privada. Comercializar planos que não garantam o atendimento ao paciente nem sequer atendam ao rol de cobertura mínima fere o princípio da finalidade da assistência à saúde.

Varias associações de pacientes, como também o Conselho Nacional de Saúde, repudiam essa medida do atual governo. Trata-se de mais um retrocesso à saúde no Brasil.




ANS registra redução de 1 milhão de contratos de planos de saúde

13/10/2016 - G1 - Jornal Nacional


O trabalhador desempregado também fica sem o plano de saúde da empresa. Um levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostrou uma redução de mais de um milhão de contratos.

Primeiro, a péssima notícia da demissão. Depois, a administradora de empresas Sabrina Aguirre ainda descobriu que não poderia continuar com o plano de saúde da empresa. O marido e a filha de 1 ano eram dependentes dela.

“Qualquer procedimento a gente vai ter que arcar com o particular. Para hoje não tem plano nenhum”, disse Sabrina.

O trabalhador demitido, sem justa causa, perde o direito de permanecer no plano de saúde empresarial em duas situações: no benefício coparticipativo, quando paga um percentual do valor de cada procedimento; e no plano em que a empresa arca com o valor total do benefício. O funcionário ainda perde o direito ao plano quando pede demissão.

Só há um caso em que o trabalhador demitido, sem justa causa, pode permanecer no plano de saúde empresarial: quando paga uma parte da mensalidade e o valor é descontado no contracheque. A cobertura para consultas, procedimentos e internações não muda, mas a conta, que antes era dividida com a empresa, passa a ser paga integralmente pelo beneficiário.

Isso vale para os planos contratados a partir de 1999. O prazo para ter acesso aos serviços depois do desligamento varia de acordo com o tempo de trabalho e é limitado ao mínimo de seis meses e ao máximo de dois anos.

Quem perdeu o plano de saúde pode contratar, por exemplo, um plano individual, que costuma ser mais caro que o empresarial. Outra opção, é o plano coletivo, oferecido por associações de classe e sindicatos. Nesse caso, o Procon alerta para ficar de olho nos reajustes.

“Primeiro que ele verifique quantos são os segurados, porque quanto maior o número de segurados, melhor. Procurar saber, historicamente, quais os reajustes que esse plano sofreu. É o contrato que determina o reajuste, e não a Agência Nacional de Saúde Suplementar”, explicou Marcelo Barbosa, do Procon - Assembleia Legislativa de Minas.

Engenheira desempregada, Andrea Oliveira teve direito ao plano de saúde da empresa. Mas o prazo está acabando e agora ela aderiu a um plano de um conselho de classe.

“Se ele não me atender eu tenho como, pelas cláusulas, cancelar o plano, mas é o que me atendeu hoje por estar desempregada”, disse Andrea.




Entrevista: Conheça os direitos das portadoras de câncer de mama

13/10/2016 - Portal EBC


A campanha Outubro Rosa visa conscientizar e prevenir as mulheres contra o câncer de mama. A descoberta da doença e o tratamento são etapas importantes e difíceis.

As trabalhadoras portadoras do tumor devem ficar atentas e buscar informações, pois há uma série de direitos trabalhistas e benefícios previdenciários que podem ser requeridos.

Nesta entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM, a advogada com especialização em Direito de Saúde, Sivone Da Silva, explica : “Qualquer trabalhador portador da neoplasia maligna, denominado câncer, pode sim, dirigir-se a uma Caixa Econômica Federal (CEF), qualquer agência em sua cidade, e solicitar o resgate dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que está la disponível, além do saque do PIS/PASEP”

Ela explica como agir juridicamente para fazer valer o direito de fazer exames preventivos, principalmente a mamografia.




Suplementos de cálcio podem causar danos ao coração, diz estudo

13/10/2016 - O Globo


Em um novo estudo que alerta para a grande diferença entre obter nutrientes naturalmente ou através de pílulas, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, EUA, descobriram que dietas ricas em cálcio podem ser benéficas para o coração, mas a ingestão exagerada do mineral por meio de suplementos eleva o risco de acúmulo de placas nas artérias (aterosclerose) e danos ao órgão. Segundo os cientistas, uma das principais motivações da investigação foram justamente pesquisas anteriores indicando que o cálcio dos suplementos não chegava aos ossos nem era totalmente excretado na urina dos consumidores, o que implica que ele deveria se acumular em alguma parte do corpo.

Assim, a distinção entre a absorção e os efeitos na saúde dos nutrientes dependendo de sua fonte ganha ainda mais importância diante de levantamento recente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres (Abiad). Ele revelou que 54% dos lares brasileiros abrigam ao menos um indivíduo que toma algum tipo de suplemento. E embora as vitaminas liderem a lista, com 48% do consumo, os minerais, como o cálcio, ficam em segundo lugar no consumo, com 22%, à frente de substâncias extraídas de plantas, com 19%. Já nos EUA, o Instituto Nacional de Saúde estima que 43% da população adulta toma suplementos com cálcio, inclusive mais da metade das mulheres acima de 60 anos, a maioria sem orientação médica, por acreditar que assim podem se prevenir da osteoporose.

— Quando o assunto é o uso de suplementos de vitaminas e minerais, particularmente de cálcio para a saúde dos ossos, muitos americanos acham que quanto mais é sempre melhor — resume Erin Michos, vice-diretora de cardiologia preventiva e professora da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, uma das autoras do estudo, publicado esta semana no periódico “Journal of the American Heart Association”. — Mas nosso estudo oferece evidências de que o excesso de cálcio na forma de suplementos pode prejudicar o coração e o sistema vascular.


ALIMENTOS SÃO A FONTE MAIS SEGURA


Na pesquisa, os cientistas acompanharam 2,7 mil dos cerca de 6,8 mil voluntários do Estudo Multiétnico da Aterosclerose (Mesa, na sigla em inglês), projeto de longo prazo financiado pelo governo americano para investigar este que é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas. Com idades que variavam de 45 a 84 anos quando do início do estudo, em 2000, os participantes responderam na época um extenso questionário sobre seus hábitos alimentares, o que permitiu avaliar quanto cálcio ingeriam a partir do consumo de alimentos como laticínios, verduras e outros alimentos ricos ou enriquecidos com o mineral, como cereais matinais.

Separadamente, os pesquisadores também fizeram um inventário dos remédios e suplementos que cada um dos voluntários tomava diariamente. Por fim, eles foram submetidos a exames de tomografia computadorizada para medir sua taxa de cálcio nas artérias coronárias, um marcador de risco de desenvolvimento de doenças no coração. No início do estudo, 1.175 dos participantes apresentavam alguma formação de placas nas suas artérias coronárias nos exames. Estes foram repetidos em todos os participantes dez anos depois, para avaliar se as placas haviam aumentado, diminuído ou aparecido nos que estavam livres delas.

Na análise, os pesquisadores inicialmente dividiram os voluntários em cinco grupos baseados no total de cálcio que ingeriam, seja por meio da dieta ou através de suplementos. Depois de ajustarem os dados de acordo com a idade, sexo, etnia, prática de exercícios, tabagismo, educação, peso, uso de álcool, pressão sanguínea, glicemia e histórico médico familiar dos participantes, os cientistas separaram os 20% deles com maior consumo total de cálcio, acima de 1,4 grama por dia. Os cálculos mostraram então que este subgrupo tinha 27% menos chances de desenvolver problemas no coração indicados pelo marcador de cálcio nas artérias coronárias do que os 20% dos voluntários com menor ingestão do mineral, abaixo de 400 miligramas diários.

A seguir, no entanto, os pesquisadores decidiram se focar nas diferenças entre aqueles cujo cálcio vinha apenas da dieta daqueles que obtêm o mineral por meio dos suplementos, consumidos por 46% dos integrantes do estudo. Novamente levando em conta as mesmas diferenças demográficas e de estilo de vida que também podem influenciar no desenvolvimento de problemas cardíacos, como na análise anterior, os cientistas descobriram que os usuários dos suplementos tinham uma chance 22% maior de verem suas taxas de cálcio nas artérias coronárias subirem ao longo da década.

— Há claramente algo diferente em como o corpo usa e responde aos suplementos frente à ingestão pela dieta que os torna (os suplementos) mais perigosos — comenta John Anderson, professor emérito de nutrição da Universidade da Carolina do Norte e coautor do estudo. — Pode ser porque os suplementos contêm sais de cálcio, ou pode ser que isso aconteça por se tomar uma grande dose de uma vez que o corpo não seja capaz de processar.


CIENTISTAS RECOMENDAM CAUTELA


Já entre os participantes que tinham a maior ingestão de cálcio exclusivamente por meio da dieta, com mais de 1.022 miligramas por dia, os pesquisadores não observaram nenhum aumento na taxa de cálcio nas artérias coronárias, e consequentemente do risco de desenvolver problemas cardíacos de acordo com este marcador, nos dez anos do estudo.

— Baseados nestas evidências, podemos dizer a nossos pacientes que não parece haver qualquer risco em ter uma dieta saudável para o coração que inclua alimentos ricos em cálcio, e que talvez isso até seja benéfico para o coração — conclui Erin. — Mas os pacientes devem realmente discutir com seus médicos planos de tomar suplementos de cálcio para definir qual seria a melhor dosagem ou mesmo se realmente precisam deles.

Clipping de Notícias - 13/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 13/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Medicamento semanal para diabetes tipo 2 é lançado

12/10/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Uma terapia semanal para o tratamento da diabetes tipo 2 agora está disponível no Brasil. O Trulicity, uma caneta que injeta o medicamento dulaglutida, da farmacêutica Lilly, já estava presente em dez países, entre eles EUA, Inglaterra, Japão e México.

A dulaglutida é uma substância que estimula o organismo a liberar insulina, hormônio que ajuda no controle do açúcar no sangue. Além disso, atrasa o esvaziamento do estômago.

A substância tem efeito análogo ao hormônio GLP-1, que é liberado quando a pessoa se alimenta e tem o efeito de estimular secreção de insulina.

O funcionamento do medicamento é semelhante ao da Victoza, liraglutida, que necessita de aplicações diárias.

Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) lançado este ano, afirma que cerca de 422 milhões de adultos do mundo todo tinham diabetes em 2014. O número era de 108 milhões em 1980. Isso significa que atualmente cerca de 8,5% da população mundial apresenta a doença.

Em 2012, segundo o mesmo relatório, a diabetes provocou 1,5 milhão de mortes.

No Brasil, cerca de 8,1% da população vive com a doença, o equivalente a aproximadamente 16 milhões de pessoas.

A dulaglutida, em caixa com duas canetas, pode ser encontrado por valores próximos a R$ 230.

A liraglutida pode ser encontrada a partir de R$ 375.




Foco em genéricos garante resultado bom das distribuidoras de remédios

13/10/2016 - DCI


Na contramão do setor de transportes terrestres, que retraiu 9,5% no primeiro semestre deste ano, segundo o IBGE, as distribuidoras de medicamentos fecharam o período com alta de 11,9% nas vendas. Focando nos genéricos, em ações de redução de custos e treinamento dos representantes, elas têm conseguido passar ao largo da recessão.

As empresas do ramo, que fornecem serviços de distribuição e logística de medicamentos e produtos de higiene e beleza, faturaram nos primeiros seis meses deste ano R$ 7,72 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan). Em termos de unidades vendidas, foram mais de 470 milhões.

Para o diretor executivo da Associação dos Distribuidores de Medicamentos do Estado de São Paulo (Admesp), Geraldo Monteiro, o setor de saúde como um todo foi pouco afetado pela crise, principalmente por lidar com artigos essenciais. "As pessoas não deixam de comprar medicamentos, mesmo que tenham que abrir mão de outros produtos", afirma, completando que o setor teve uma desaceleração com a crise, mas que mesmo assim a taxa de crescimento continuou em patamares altos.


FOCO EM GENÉRICOS


Segundo ele, outro ponto relevante para o bom desempenho é o fato de as empresas focarem nos remédios genéricos e similares, que têm ganhado maior preferência do cliente com a crise. "O nosso grande core business é justamente esse, ofertar produtos mais competitivos. É isso que permite um crescimento mais acelerado: o fato de o comprador hoje se preocupar mais com o preço", afirma.

A distribuidora One Medicamentos, que atua no Estado de São Paulo e atende mais de 4 mil clientes, é um exemplo categórico dessa realidade. De janeiro a junho, as vendas da companhia avançaram 36%, na comparação interanual. No acumulado do ano, por sua vez, a empresa já faturou R$ 29,293 milhões, sendo que em 2015 o faturamento fechou em torno de R$ 22,615 milhões, de acordo com o dono da companhia, Marcos Avelar.

"Como trabalhamos com genéricos e similares a crise até foi positiva para nós, porque ela estimulou o consumidor a se preocupar mais com o preço e a optar por esses produtos", afirma o empresário. Diante disso, a One Medicamentos tem investido forte nesse segmento, e os genéricos e similares respondem hoje por 75% das vendas da companhia, enquanto os itens de perfumaria representam 25%.

Outro aspecto fundamental para ultrapassar o período de instabilidade econômica é o investimento constante que a empresa faz nos chamados representantes de vendas. "Trabalhamos para conseguir angariar profissionais de alta qualidade, e damos treinamentos semanais para eles", diz. Dos três canais de venda, os representantes são os com maior participação no total, sendo responsáveis por 65% do todo. Já a venda on-line representa apenas 10% e a televenda os outros 25%.

A JK Medicamentos, que atende cerca de 7,5 mil clientes por mês, também vem apostando na preparação dos representantes como forma de alavancar as vendas. A empresa atua apenas com esse canal, e possui atualmente 97 vendedores. "Damos treinamentos constantes e 'reciclagem' de 12 em 12 meses", apontou o proprietário da companhia, José Carlos de Souza.

A empresa também tem um foco muito grande nos genéricos, que representam 65% das vendas. A JK trabalha ainda com a venda de medicamentos isentos de prescrição (ou OTC, na sigla em inglês), e com os similares, que são responsáveis por 25% do faturamento.

Apesar das ações adotadas pela companhia terem garantido que ela mantivesse o faturamento estável nos últimos 14 meses, Souza diz que o custo da operação aumentou muito com a recessão, o que tem comprimido a margem de lucro. "Nos últimos dois anos o custo operacional teve um aumento de aproximadamente 3% a 5%. Na nossa margem bruta, isso refletiu em uma diminuição na casa dos 10%", explica o empresário.

Ele afirma ainda que outro aspecto que tem prejudicado os negócios é a concorrência com empresas de outros estados, que cresceu nos últimos anos. Mesmo assim, a expectativa do executivo é de fechar o ano com um incremento de cerca de 5% a 7% no faturamento da distribuidora, em comparação com 2015.




Presa quadrilha que desviava medicamentos da Secretaria da Saúde do Ceará

11/10/2016 - Portal EBC


Nove pessoas foram presas em Fortaleza apontadas como integrantes de uma quadrilha que desviava medicamentos da Secretaria da Saúde do Ceará para revender a farmácias.

As prisões aconteceram durante a deflagração da Operação Tarja Preta, feita pela Polícia Civil do estado desde a última quinta-feira e finalizada hoje (11). Quase 85 mil comprimidos foram apreendidos, além de 860 frascos e ampolas de medicamentos variados e de esteroides e 19 canetas de insulina.

A investigação revelou que os medicamentos eram desviados da Secretaria da Saúde por dois funcionários terceirizados do órgão, que também eram os responsáveis por distribuir os itens a comerciantes da capital cearense. Além deles, estão entre os presos os donos e funcionários de uma farmácia e o dono de uma academia.

A quadrilha também atuava emitindo receitas e atestados médicos falsificados. Os presos foram indiciados por tráfico e associação por tráfico de drogas e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais.

Não-medicamento representa 33% da venda do setor

13/10/2016 - Diário do Nordeste Online


Já foi o tempo em que as farmácias vendiam apenas medicamentos aos consumidores, a cada dia, as prateleiras e gôndolas oferecem uma maior variedade de produtos. Cosméticos, dermocosméticos, suplementos alimentar, produtos naturais e lanches rápidos são apenas algumas das muitas opções que os clientes têm acesso nestes locais. Hoje, os chamados não-medicamentos representam 33,24% do volume comercializado nas grandes redes, e é considerado uma das grandes apostas para expansão do varejo farmacêutico.

As vendas desta categoria atingiram R$ 8,42 bilhões de janeiro a agosto deste ano, no País. Em 2011, a comercialização de não-medicamentos movimentou R$ 6,15 bilhões, enquanto que em 2015 correspondeu a R$ 12,07 bilhões, um incremento de 96,26%. É o que aponta o levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

"É uma tendência, se você for para as grandes farmácias de outros países você tem meia dúzia de medicamentos com receitas, que estão em espaços restritos, o restante (dos produtos) você pega e leva. Nos Estados Unidos tem lugares que você pega o produto, coloca no leitor e vai embora, é a automatização do serviço", explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma-CE), Antônio Félix Silva, referindo-se a tendência mundial chamada "one-stop shop", ou seja, numa única parada, o consumidor quer resolver rapidamente suas necessidades básicas de higiene, beleza e saúde.

Os dados da Abrafarma mostram ainda que no acumulado de 12 meses, entre setembro de 2015 e agosto de 2016, as vendas das farmácias foram de R$ 12,75 bilhões.


DERMOCOSMÉTICOS


Na rede Extrafarma, que conta com 72 lojas no Ceará e 292 no País, a representatividade de produtos considerados não-medicamentos é ainda maior do que a média do País, correspondendo a cerca de 40% das vendas gerais. Os produtos que ganham maior destaque são os capilares e os dermocosméticos. "Nós trabalhamos com uma série de laboratórios de fora (do País), como La Roche Posey, Roc, Galderma, uma categoria que ganha destaque dentro das nossas farmácias", explicou o diretor de marketing da Extrafarma, Rodrigo Pizzinatto. Ele ainda destacou as vendas de fraldas, produtos de higiene, além de suplementos alimentares e esportivos.

Pizzinatto enfatiza que mesmo em um momento de insegurança econômica e política no País, a rede investiu neste ano na expansão de suas lojas, além de assumir um novo posicionamento de marca e logística nas farmácias. "Nessa nova loja a gente trabalhou bastante a arquitetura e o mobiliário para ser mais atrativa aos clientes, focamos bastante na linha de beleza e também na categoria de farmácia em casa, aqueles medicamentos que você não precisa de receita, que você mesmo pega", explica o diretor de marketing.

Ele ressalta que devido a estratégia da rede, a marca apresentou um crescimento maior do que o percentual médio nacional. Apenas no primeiro semestre houve uma alta de 13% nas vendas. A rede espera ainda aumentar em 20% o número de lojas este ano, no País, em comparação com 2015.

O novo modelo começou a ser implantado no final do ano passado e já conta no Ceará com 12 unidades neste padrão. "A gente pretende continuar crescendo em ritmo acelerado e a região nordeste é um local muito importante para essa alta", conclui.


MENOR PREÇO


Em busca de comodidade e conveniência, os consumidores têm recorrido às grandes farmácias e drogarias como canais preferenciais para aquisição de itens de higiene, perfumaria, cosméticos e artigos de conveniência. O preço também é uma motivação para a escolha das drogarias. "Hoje, se você fizer uma cotação entre os preços do supermercado e das drogarias, muitas vezes a farmácia é mais barata, os supermercados perdem muito em frutas e carnes e acabam repassando o preço para os produtos de conveniência", argumenta o presidente da Sincofarma.

Para a professora universitária Cristiane Martins, a expansão da variedade de produtos considerados não-medicamento nas farmácias é uma vantagem para os consumidores. "Eu compro dermocosméticos, produtos de higiene, maquiagem, esmalte, entre outros. Você vem e resolve muitas coisas na mesma loja, é prático. É uma vantagem porque gera maior concorrência no varejo, o que é bom para o cliente", ressalta.


REGULAMENTAÇÃO


Para o presidente da Sincofarma, o crescimento das vendas em farmácias é resultado ainda da lei de diversificação de produtos ofertados nas drogarias. Cada estado possui uma regulamentação sobre a permissão do consumo de não-medicamentos nas drogarias. No Ceará, a lei estadual, nº 14.588/09, autoriza a comercialização de artigos de conveniência e a prestação de serviços de utilidade pública em farmácias e drogarias do Estado.

'Vai ter luta' na saúde e muito mais

12/10/2016 - Folha de S.Paulo


O gasto com saúde é o primeiro campo das batalhas que serão causadas pela aprovação do "teto" para as despesas federais. O próximo, que deve ser muito mais amplo e intenso, será o da Previdência. Outros virão.

A disputa vai se expandir para outros cantos do Orçamento. Vai envolver os interessados em serviços públicos de saúde e educação, tanto os mais ricos quanto os mais pobres. Vai envolver empresas beneficiárias de subsídios e reduções de impostos. Funcionários públicos. Beneficiários da Previdência e do seguro-desemprego.

Caso a emenda constitucional que limita os gastos federais seja aprovada tal como passou em primeiro turno na Câmara, haverá disputa por uma quantidade fixa de dinheiro, como agora o povo começa a perceber. Fixa por pelo menos uma década, caso os próximos governo e Congresso não decidam derrubar o "teto" —tudo é possível.

Por enquanto, grita-se contra a perspectiva de que a verba mínima para a saúde não vá crescer tal como o previsto na norma atual. Se a verba mínima permanecer a mesma, deve cair cerca de 5%, em termos per capita, até 2026, data prevista para a primeira revisão do "teto". Desde o início do século até 2015, crescera cerca de 30% (per capita).

Caso o "teto" passe mesmo a vigorar, em breve os defensores dos recursos para a saúde, dentro e fora do governo, procurarão dinheiro noutra parte do Orçamento. Onde?

Uma opção serão as desonerações de impostos e subsídios, dinheiro que as empresas deixam de recolher por concessão do governo. Na prática, um gasto que pode ser cancelado e transferido para outra rubrica –saúde, educação, Previdência, investimento.

Também "na prática", o cancelamento desses gastos tributários equivaleria a um aumento de impostos, do ponto de vista das empresas. As "desonerações" da Previdência nos anos Dilma Rousseff são um desses gastos gordos.

Por falar nisso, o gasto com Previdência, mesmo com reforma, ainda vai crescer bem por vários anos, achatando alguma outra despesa. De despesas maiores, sobram as aposentadorias e salários dos servidores federais e os investimentos "em obras". "Vai ter luta", como dizem certos militantes da política.

Note-se de passagem que o governo gasta diretamente cerca de 1,7% do PIB em saúde. Gasta indiretamente, digamos, outro 0,5% do PIB em saúde por deixar de recolher impostos, renúncias fiscais do setor.

Essa estimativa é dos pesquisadores Carlos Ocké-Reis (Ipea) e Filipe da Gama (Receita Federal), calculada na Nota Técnica 19 do Ipea, para dados de 2013.


ENTENDA-SE


Pessoas físicas e jurídicas podem abater despesas de saúde no Imposto de Renda. Há reduções de impostos ("desonerações") para a indústria farmacêutica e para hospitais filantrópicos. Isso é gasto indireto em saúde. Como tantos subsídios, será objeto de "luta".

Caso se aprove de vez o "teto", a caça aos dinheiros do Orçamento será mais intensa. Haverá disputa do bolo de tamanho fixo, a ser dividido por mais gente, pois a população cresce.

A alternativa será a "flexibilização" do teto, acompanhada de aumento de imposto, ou a privatização de certos serviços públicos. Será um debate da eleição de 2018. Será um conflito aberto em 2022, no mais tardar.




OMS quer que países criem impostos para bebidas açucaradas

13/10/2016 - Folha de S.Paulo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu aos países que criem impostos sobre bebidas açucaradas para combater a crescente epidemia de obesidade. A entidade também apresentou novos dados sobre os possíveis efeitos benéficos para a saúde dessa nova taxa.

Um imposto sobre bebidas açucaradas que elevasse o preço em 20% resultaria em uma redução proporcional no consumo, disse a agência. Isso seria de grande ajuda na luta contra a obesidade, que mais do que duplicou desde 1980. Cerca de meio bilhão de adultos eram obesos em 2014, cerca de 11% dos homens e 15% das mulheres.

“Se os governos taxarem bebidas açucaradas, eles podem reduzir o sofrimento e salvar vidas, além de reduzir os custos do cuidado à saúde”, diz Douglas Bettcher, diretor do Departamento de Prevenção das Doenças Não Transmissíveis da OMS.

A obesidade começou a despontar como risco em países ricos há décadas, mas agora está tomando conta em países de renda média, como China e México. Especialistas em saúde pública estão estudando as políticas que os países podem adotar para combater essa escalada.

Uma maneira seria taxar bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos, néctares, bebidas energéticas e chás gelados. Eles têm sido associados a obesidade, diabetes e cáries. Entusiastas dos impostos argumentam que desencorajar o consumo de tais bebidas poderia ajudar a reduzir o número de vítimas dessas doenças.

A OMS já havia recomendado que os países aprovassem um imposto desse tipo em um relatório sobre a prevenção da obesidade infantil. A agência convocou um painel de especialistas em meados de 2015, que calculou os números após uma extensa revisão da literatura científica,que incluiu modelagem matemática e estudos de impostos já aplicados em outros países.

Os peritos concluíram também que subsídios para frutas e legumes frescos que reduzam os preços em 10% a 30% podem aumentar o consumo desses alimentos.

Uma história já bem conhecida é a do México, que aprovou um imposto contra bebidas açucaradas em 2013, levando a uma queda substancial no consumo.

O Conselho Internacional de Associações de Bebidas emitiu comunicado que diz que “lamenta que o relatório do comitê técnico da OMS defenda a tributação discriminatória apenas de certas bebidas como uma ‘solução’ para o desafio muito real e complexo da obesidade.”




E o colesterol, como vai?

13/10/2016 - Carta Capital Online


Sugiro que adicionem estatinas nas fontes de água potável.” Manchete da BBC em 2004, esta frase, esporadicamente repetida entre médicos em tom de brincadeira, foi uma declaração entusiasmada do doutor John Reckless, professor da Universidade de Bath, no Reino Unido. Exagero à parte, as estatinas, famosas drogas administradas para diminuir a concentração do colesterol e seus componentes nocivos à saúde, estão sendo prescritas de forma disseminada. Por vezes abusiva.

Além das estatinas, estão sendo testadas, e logo chegarão ao mercado brasileiro, drogas que conseguem reduzir ainda mais a concentração do colesterol ruim, LDL. Recentemente, duas dessas drogas dirigidas contra um tipo de proteína, a PCSK9, que pode se ligar nos receptores de LDL nos tecidos do corpo e causar elevação persistente do colesterol ruim no sangue, foram aprovadas pelas autoridades americanas (FDA) e europeias (EMA) para uso clínico. Essas drogas, conhecidas como alirocumab e evolocumab, parecem atuar de forma complementar, principalmente em casos de resistência individual ou intolerância às estatinas.

Problema: o custo muito elevado. Estima-se que no Brasil alcançará as cifras de alguns milhares de reais por mês. Conversamos sobre o tema com o doutor Marcelo Sampaio, professor de Cardiologia e diretor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Carta Capital: A obrigação de baixar o colesterol continua controversa?

Marcelo Sampaio: É crescente, entre especialistas, o questionamento em relação à utilização de forma indiscriminada das estatinas, como única e universal opção para controle dos níveis de LDL (colesterol ruim). O LDL está bem estabelecido como fator de risco importante para as doenças cardiovasculares. Induz a formação das placas gordurosas nas artérias, a aterosclerose, contribuindo para a obstrução vascular, o infarto do miocárdio e até mesmo o AVC (derrame). É inquestionável que a redução dos níveis do LDL contribui para a queda do risco cardiovascular. Agora, essa redução do LDL pode ocorrer de inúmeras formas, como dieta, exercício, cirurgia bariátrica e por meio de medicamentos.

CC: E as estatinas?

MS: As estatinas são medicamentos comumente utilizados há mais de 30 anos, com recomendação recente pelo Colégio Americano de Cardiologia e pela Associação Americana de Cardiologia. As dúvidas em relação às estatinas surgiram na medida exata em que sua prescrição passou a ser empregada para todo tipo de paciente, sem considerar seu risco cardiovascular, e sem orientação concomitante de dieta, exercício e medidas de redução de peso. Ficou claro que, nessas circunstâncias, pacientes com risco cardiovascular muito baixo, mesmo com colesterol elevado, não obtiveram benefícios significativos da utilização da medicação. A perseguição não criteriosa de níveis muito baixos de LDL pode levar a efeitos colaterais indesejados e aumentar os custos do tratamento.

CC: Paciente que toma estatina está sempre bem protegido?

MS: Nem sempre. Na prática clínica, alguns pacientes com risco cardiovascular alto, em uso de doses elevadas de estatina, não apresentam níveis de LDL desejáveis (por exemplo, LDL < 70mg/dl), ou apresentam um evento cardiovascular na vigência do tratamento. Há riscos residuais independentes do emprego das estatinas. Essas observações intrigam os médicos e geram espaço para novos estudos científicos, como o recém-publicado na revista Jama (da American Medical Association).

O estudo analisou 49 pesquisas que empregavam medicamentos e técnicas para reduzir o LDL em mais de 300 mil pacientes. A grande conclusão foi que toda medicação que consegue diminuir o LDL é benéfica e pode ser empregada rotineiramente. As estatinas ainda são os medicamentos de primeira linha no combate ao colesterol, disponíveis em forma de genéricos baratos, podendo se associar a drogas como a ezetimiba, que reduz a absorção de colesterol no intestino, com benefícios para casos selecionados de alto risco.

CC: Custos e efeitos colaterais têm, portanto, de ser levados em consideração.

MS: Sem dúvida. Como em tudo na medicina, o conhecimento científico não pode desconsiderar a boa prática médica e o bom senso. Não se pode esquecer a ênfase em associar e orientar mudanças de hábitos tão ou mais benéficas que os medicamentos: parar de fumar, controlar o peso, a hipertensão e o diabetes, e fazer exercícios físicos regularmente.

Clipping de Notícias - 06/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 06/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Ivo Cassol defende uso da fosfoetanolamina no tratamento do câncer

05/10/2016 - Agência Senado


O senador Ivo Cassol (PP-RO) defendeu a liberação do uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como pílula do câncer. O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a vigência da lei que permitia o tratamento com a droga antes de sua validação em exames requeridos por protocolo internacional de pesquisa de medicamentos.

Em abril, o projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional e a lei foi sancionada pela então presidente Dilma Rousseff, mas a Associação Médica Brasileira pediu ao STF a suspensão da lei, alegando que o uso da fosfoetanolamina, além de não ter eficácia comprovada, pode prejudicar os pacientes ao comprometer o tratamento convencional do câncer.

Ivo Cassol citou pesquisa feita recentemente pelo Instituto do Câncer do estado de São Paulo, que, segundo ele, garante a eficácia da substância.

- Só quem tem alguém dentro da família é que sabe o valor e a necessidade que tem de usar todos esses medicamentos, todos esses tratamentos alternativos - disse o senador.




Acordo entre Inpi e Anvisa permitirá liberação de 5 mil patentes de remédios

06/10/2016 - Valor Econômico


O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) está perto de resolver uma pendência com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vai permitir a liberação de 5 mil patentes de remédios bloqueados há anos e exame de quebra de patente para um medicamento contra a hepatite C.

O presidente do Inpi, Luiz Otávio Pimentel, disse ao Valor que está pronto um "documento final" para resolver a disputa provocada por uma portaria de 2001, que permitiu à Anvisa dar anuência prévia à patente de remédios. O Inpi, que tem direito exclusivo de conceder patente, reclamou do que considerou ingerência e a disputa se prolongou até recentemente.

"Estamos muito próximos de resolver o conflito", afirmou Pimentel. "Reconhecemos o papel da Anvisa como um suporte. Quando ela entender que um critério não é preenchido, tem que fazer como qualquer outro, entrar com subsídios para exame pelo Inpi".

Uma vez solucionado o contencioso, o Inpi passará a liberar 5 mil pedidos de patentes de remédios que estão praticamente concluídos. Com isso, sofrerá menos pressão de laboratórios estrangeiros, sobretudo europeus, que não se conformavam com a lentidão e a acumulação de pedidos de proteção para suas inovações.

A expectativa entre analistas é que o entendimento entre Inpi e Anvisa também poderá ter impacto na política de liberação de genéricos no país. O Inpi poderá, por exemplo, examinar rapidamente um pedido de quebra de patente de um medicamento para tratamento da hepatite C, o Sofosbuvir, para distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido foi feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e um consórcio de empresas.

Pimentel disse que os pedidos de patentes no Brasil devem se manter em torno de 33 mil este ano. O que está ocorrendo, porém, é que somente 17% das demandas agora são feitas por nacionais, comparadas a 30% há 20 anos.

De outro lado, o Inpi observa que só agora estão chegando pedidos que são resultado de pesquisas feitas há quatro anos, pelo menos. Como a economia começa a dar sinais de sair do fundo do poço, o Inpi constata que empresas interessadas no mercado brasileiro começam a se movimentar para pedir proteção de patentes e marcas.

O registro de indicações geográficas (IG) também aumenta no país. Segundo Pimentel, de 100 pedidos já foram concedidos 54. Estão em exame pedidos de IG para banana de Caiobá (PR), considerada uma das mais doces do mundo, além de café, camarão, couro processado, carne etc.

Na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi), o ministro da Cultura, Marcelo Calero, presidiu ontem a primeira reunião do Tratado de Marrakech, que flexibiliza os direitos de autor e facilita o acesso de obras impressas a portadores de deficiências visuais. A ideia é permitir que livros sejam adaptados para cegos sem a necessidade de autorização do detentor dos direitos.

O consulado do Brasil em Genebra, dirigido pela embaixadora Maria Nazareth Farani, montou uma exposição paralela na Ompi, divulgando aspectos menos conhecidos da cultura e indústria brasileiras, relacionados à propriedade intelectual.

Autuação contra Hypermarcas é cancelada

06/10/2016 - Valor Econômico


O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) cancelou a maior parte de uma autuação de R$ 800 milhões (em valores atualizados) da Cosmed, fabricante de medicamentos e bens de consumo do grupo Hypermarcas. O lançamento cobrava PIS, Cofins, Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao ano de 2009.

O julgamento foi realizado pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pretende recorrer da decisão, segundo o procurador Rodrigo Burgos. Será necessário analisar, porém, acrescentou, se há precedente em sentido contrário para levar o tema à Câmara Superior, tendo em vista que trata-se de um "caso sui generis".

A questão envolve o regime monofásico - em que estão setores como o farmacêutico e o de perfumaria. Por meio dele, a tributação é concentrada em um integrante da cadeia de produção e a alíquota dos demais é zero. Por isso, é comum autuações no setor de higiene e cosméticos para a cobrança de PIS e Cofins de fabricantes e distribuidoras em conjunto, ou das últimas, quando entende se tratar de uma única empresa ou que há simulação.

No caso da Cosmed, o Fisco, na autuação, considerou que havia também uma distribuição disfarçada de lucros. Entendeu que a subsidiária vendia os produtos com valores subfaturados para a distribuidora, caracterizando a distribuição disfarçada de lucros. Assim, por causa do alegado subfaturamento, além do PIS e da Cofins, também foi feito o lançamento de IRPJ e CSLL sobre o valor subfaturado.

Na sessão, o advogado da empresa, Roberto Quiroga, do escritório Mattos Filho Advogados, defendeu, porém, que não havia simulação, tampouco a distribuição disfarçada de lucros. A maior parte da autuação era referente ao IRPJ e à CSLL, segundo o advogado e o procurador.

O relator, conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, representante da Fazenda, afirmou que, para a fiscalização, a indústria e a distribuidora seriam uma única empresa, que se separaram para manipular preços. Mas, ao analisar a operação, o conselheiro divergiu do entendimento e cancelou a maior parte da autuação.

O relator manteve apenas duas glosas de créditos de PIS e Cofins, que eram uma pequena parte do valor total, segundo afirmou. Sobre a distribuição disfarçada de lucros, o conselheiro entendeu que as operações de venda dos produtos eram realizadas a valor de mercado. A decisão foi unânime.




Maior rede de farmácias do Sul, Panvel avança e chega ao mercado de São Paulo

06/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Criada há 43 anos a partir da união de dois negócios familiares do Rio Grande do Sul – a Panitz e a Velgos –, a rede de farmácias Panvel vai colocar os pés em São Paulo na semana que vem. O grupo, que fatura R$ 2 bilhões por ano, vai usar a loja – que terá 370 metros quadrados de área – para planejar a expansão no Estado, que deverá ganhar velocidade a partir de 2018.

Apesar de ter mais de quatro décadas de tradição, sem contar a história das empresas que lhe deram origem, a Panvel só começou a crescer de forma expressiva fora de terras gaúchas a partir de 2010. Hoje, tem 370 lojas na Região Sul, sendo 260 no Rio Grande do Sul, 50 em Santa Catarina e 60 no Paraná.

Geralmente, a expansão começa pelas maiores cidades dos Estados e depois se estende aos principais polos regionais.

A Panvel faz parte do grupo Dimed, que é controlado por três famílias – Mottin, Weber e Pizzatto. Do total de receitas, 82% se concentram na rede de varejo, enquanto os 18% restantes são provenientes da distribuição de medicamentos. O grupo ainda é dono de um laboratório que fabrica itens de higiene e beleza e fornece não só para a Panvel, mas também para terceiros, incluindo a Lojas Renner.

A Panvel tem capital aberto na BM&FBovespa desde meados da década de 1980.

Segundo o presidente do grupo Dimed, Julio Ricardo Mottin Neto, a meta para 2017 é colocar o pé no acelerador quando o assunto é a abertura de lojas. Estão previstas 50 novas unidades para o ano que vem, contra as 38 de 2016. O executivo diz que a empresa evitou investimentos exagerados nos tempos de bonança da economia e, por isso, tem condições agora aproveitar oportunidades trazidas pela crise.

Neste ano, segundo ele, o crescimento nas vendas está na ordem de 16,5%, apesar da economia estar em recessão.

A entrada da Panvel no mercado de São Paulo é consequência da longa relação da rede com o Grupo Zaffari, que recentemente abriu um hipermercado no Shopping Morumbi Town, empreendimento recentemente inaugurado na Avenida Giovani Gronchi, na zona sul da capital.

“No Rio Grande do Sul, temos Panvel em todos os shoppings Bourbon. Esse relacionamento de longo prazo ajudou agora na nossa entrada no mercado paulista”, diz Mottin. O investimento total na loja do Morumbi Town foi de R$ 1,2 milhão.

Para se diferenciar de concorrentes de maior porte muito bem estabelecidas em São Paulo – só a Raia Drogasil tem quase 800 lojas no Estado –, a Panvel tem a seu favor, segundo Mottin, o bom trabalho na área de higiene e beleza. Hoje, o segmento responde por 35% das vendas da Panvel, quase o dobro da média do setor. Na líder Raia Drogasil, esse indicador gira entre 26% e 28%.


CONSOLIDAÇÃO


Embora o executivo da Dimed afirme que a Panvel não tem interesse em participar de um movimento de fusão ou aquisição, analistas que acompanham o mercado de varejo de medicamentos afirmam que as redes médias deverão passar por um processo de consolidação no longo prazo.

“Nós acreditamos que o mercado de varejo de medicamentos no Brasil será mais concentrado e vemos menos oportunidades para as redes de médio porte sobreviverem”, aponta relatório do banco Brasil Plural sobre o setor, divulgado em setembro.

O banco ressalta que, embora a fatia de mercado dos dez maiores varejistas de medicamentos não tenha mudado muito nos últimos anos – mantendo-se ao redor de 41% –, a participação das redes independentes caiu de 33,7% para 29,6% somente nos últimos quatro anos.




BTG tenta sair de farmácias

06/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Apesar de o setor de farmácias ter empresas fortes, o projeto do banco BTG Pactual no setor, a Brasil Pharma, formado com aquisições de várias redes, não decolou.

Mesmo após fazer uma capitalização de R$ 400 milhões no negócio no início do ano, as redes da Brasil Pharma continuaram a apresentar resultados abaixo da média do mercado. Entre os já vendidos estão a gaúcha Mais Econômica, em negócio fechado no fim de 2015, e a Rosário, há dez dias. Ainda restam no portfólio da instituição a baiana Santana, a rede de franquias Farmais e a paraense Big Ben.

Plano B da saúde

05/10/2016 - Revista Você SA


Para muita gente, a medicina é sinônimo de uma carreira glamourosa e com altos rendimentos. Quem trabalha no meio, entretanto, sabe que se trata de uma profissão que exige muitos sacrifícios - como a disposição para fazer longos plantões noturnos ou aos fins de semana - e o investimento de equipar e manter um consultório próprio, sem contar com benefícios como férias remuneradas, 1.3° salário e FGTS pagos pelo empregador. Quem deseja essa segurança tem como opção disputar uma posição num hospital particular ou trabalhar na rede pública de saúde. Mas essas possibilidades começam a se diversificar, com o surgimento de vagas em clínicas populares, de ocupações na indústria farmacêutica e até de aplicativos de marcação de consultas via celular.

Parte das novas oportunidades tem aparecido em empresas que apostam na oferta de atendimento médico mais acessível, uma alternativa para pacientes que não têm plano de saúde, mas não querem depender do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das companhias que crescem nesse nicho é a Global Med. Aberta em 2014, ela já tem duas unidades em operação, uma equipe com mais de 80 médicos de 30 especialidades e quase 15 000 pacientes. Ali, os atendimentos custam entre -55 e 140 reais, valores em média 70% mais baratos do que nas clínicas tradicionais. Segundo Bruno Carvalho, presidente da Global Med, apesar do valor mais baixo, esse modelo de negócio favorece a remuneração dos médicos. "As clínicas convencionais se sustentam graças aos convênios que, por conta das taxas, pagam abaixo do mercado", diz. Outra vantagem seria a garantia do movimento de pacientes, sem o custo de manter um consultório próprio. "Em consultórios particulares não há grande circulação, e os médicos acabam tendo de fechar esses locais."


FRANQUIAS


A GlobalMed também gera oportunidades pela venda de franquias. "Os médicos no geral possuem as competências técnicas, mas não a formação administrativa. Nós oferecemos um modelo de gestão pronto para quem deseja empreender", afirma Bruno Carvalho. O gastro cirurgião paulistano Ricardo Akiba, de 33 anos, é um dos franqueados. Ele percebia que boa parte da população vem perdendo o convênio médico por causa do desemprego. Mas a correria como coordenador da ala cirúrgica do Hospital Municipal Vereador José Storopolli. na capital paulista, e a falta de conhecimento em administração impediam que o projeto de empreender saísse do papel. Após conhecer a GlobalMed, ele tomou coragem e, em julho, inaugurou uma filial no centro de São Paulo. "Fui orientado sobre como escolher o melhor local, como adequar e padronizar o ambiente, além de receber supervisão para montar a equipe médica", diz Ricardo, que vê no investimento uma forma de complementar a renda.

A Fares, outra empresa do ramo de clínicas populares, também tem experimentado um crescimento acelerado. Em apenas três anos, saltou de duas para 16 clínicas e, até 2020, espera abrir mais 13 unidades na região metropolitana de São Paulo. Só entre 201-5 e 2016, seu quadro passou de 300 para 450 médicos. "Beneficência Portuguesa, Sírio Libanês, Albert Einstein, entre outros, são algumas das instituições de origem desses profissionais", diz Adiel Fares, presidente da Fares. "O consultório tem ficado caro e aqui temos uma otimização do marketing e a cultura de que os médicos recomendem uns aos outros aos seus pacientes."

Lançado em setembro de 2015, o aplicativo Docwayjá conta com uma base de 1 800 médicos atendendo 30 000 pacientes em mais de 120 cidades brasileiras. Uma espécie de 'Uber dos médicos', o dispositivo tem como proposta oferecer a consulta médica no local e na hora que o paciente precisar. "Queremos fortalecer a visita domiciliar para melhorar a qualidade do atendimento e tirar o tom impessoal da relação entre médico e paciente", diz Fábio Tiepolo, CEO da startup, de São Paulo.


FLEXIBILIDADE


Ao se registrar na plataforma, os médicos precisam apresentar desde o registro no Conselho Regional de Medicina até o diploma, para ter seu cadastro aprovado. Os pacientes, que também preenchem diversos dados pessoais ao se inscrever, podem escolher os profissionais de acordo com a localidade, especialidade, horário, preço e disponibilidade. Tanto o médico quanto a pessoa atendida podem avaliar um ao outro. De acordo com Fábio Tiepolo, a taxa de 15% cobrada dos médicos sobre o valor da consulta é vantajosa diante do baixo valor por consulta pago pelos convênios. Além disso, os profissionais não gastam com aluguel e montagem de consultório, afinal, os custos se limitam ao deslocamento até a casa do paciente. "Vejo muitos médicos que usam o aplicativo como uma fonte de renda a mais", diz o CEO da Docway. Este é o caso de Andrea Lemos, homeopata de 43 anos e gestora de uma empresa de home care em São Paulo. Ela costuma utilizar o aplicativo nas horas vagas para complementar a remuneração, fazendo atendimentos na região de onde estiver mais próxima no momento. "Não é preciso ir longe porque o próprio médico demarca a região onde quer atuar, e o preço da consulta acaba sendo maior do que o pago pelo convênio", diz a médica, que também elogia a flexibilidade de não ter de reservar um período do dia ou semana para esse trabalho. "Se eu não aceito a consulta por não estar disponível, algum colega irá pegar, como ocorre no Uber", diz.

A base da Docway é composta majoritariamente por médicos jovens, ainda sem recursos suficientes para montar um consultório próprio nem uma rede muito ampla de pacientes. "Nossa maior base são profissionais com até seis anos de formados, mas também há os mais experientes que querem conquistar novos pacientes ou são saudosistas da prática domiciliar", diz Fábio Tiepolo.


INDÚSTRIA FARMACÊUTICA


As oportunidades para os profissionais da área médica também têm crescido no universo corporativo. A farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK). por exemplo, tem aumentado a contratação de médicos para sua equipe de pesquisa científica, principalmente depois de colocar em prática, em dezembro de 201-5, uma ação para promover a função de especialista interno, na qual o médico passa apenas 20 horas semanais dentro da empresa. Tatiana Branco, diretora de assuntos médicos da GSK, explica que, antes, o médico contratado tinha de trabalhar para a farmacêutica em tempo integral, o que o obrigava a abrir mão da experiência clínica. "Nós identificamos, porém, que para uni melhor aproveitamento dentro da GSK, a experiência clínica é fundamental", diz a diretora. Segundo ela, no novo formato, após cumprir a carga horária dentro da empresa, os médicos podem dedicar o resto do seu tempo à atuação no ambiente universitário, em ambulatórios e em suas especialidades. "Nós sempre procuramos profissionais ligados a universidades, que sejam reconhecidos nas sociedades médicas por sua capacidade e que tenham passado por hospitais", diz ela. Atualmente, há sete médicos no cargo de especialista interno e 12 que se dedicam totalmente apenas à GSK.

Na Roche, só neste ano, foram 10 médicos contratados e ainda há cinco vagas abertas para profissionais da área. "Além da atuação como médico responsável pela estratégia e conhecimento científico relacionado a um determinado produto, o profissional pode atuar em diversas áreas, como acesso à saúde, marketing e pesquisa clínica", afirma Denise Morato, diretora de Recursos Humanos da Roche Farina Brasil. Ela acredita que os colaboradores que melhor se encaixam na farmacêutica são aqueles que gostam de buscar soluções inovadoras para a saúde. "O nosso maior desafio é fazer com que esses profissionais entendam a importância do papel que eles têm dentro da nossa indústria", diz a diretora de RH. "Mesmo quando não atua no atendimento direto ao paciente, na indústria farmacêutica o médico conhece de perto o processo que vai ajudar no desenvolvimento de tratamentos para diversos problemas da população", afirma Lenio Alvarenga, diretor médico da Roche.




10 formas de driblar a dor de cabeça

05/10/2016 - Revista Viva Saúde


Todo mundo já sentiu dor de cabeça um dia na vida. Esse tipo específico - a dor aguda - responde bem a analgésicos, anti-inflamatórios e não costuma incomodar por muito tempo. O problema é quando a dor se torna crônica e, muitas vezes, sem uma causa conhecida.

"A cefaleia pode ser considerada crônica quando acontece mais de 15 dias por mês, por pelo menos três meses consecutivos", diz Thais Rodrigues Villa, neurologista da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE).

O fato é que existem mais de 500 tipos de cefaleia. Entre as cefaleias primárias -aquelas que nao são causadas por doenças como tumor, trombose, fratura ou acidente vascular cerebral (AVC) as mais populares são a cefaleia por tensão, a temida enxaqueca e a cefaleia em salvas.


PROBLEMA MUNDIAL


A enxaqueca é a principal causa das cefaleias crônicas e uma das mais incapacitantes. Ela acomete aproximadamente 2% da população mundial - o equivalente a 4 milhões de pessoas no Brasil. "Ela possui características próprias, como ser de moderada a forte intensidade, ser latejante ou pulsátil, acontecer principalmente na região frontal ou têmporas e predominantemente mais de um lado da cabeça. A enxaqueca vem acompanhada de outros sintomas específicos, como intolerância a luz, cheiro e sons, tonturas, náuseas e, às vezes, vômito", completa Thais.

Outro tipo de cefaleia bastante incomoda é a em salvas, que aparece várias vezes ao dia e acomete, principalmente, homens.


EQUIPE MULTIDISCIPLINAR


O tratamento da cefaleia crônica é multidisciplinar, ou seja, pode envolver não apenas um neurologista, mas psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, odontologistas, entre outros profissionais da saúde. O paciente deve I ser ativo no tratamento e tentar detectar fatores desencadeantes - como estresse, jejum ou 5 um alimento específico - a serem evitados.


OS GATILHOS SÃO TOTALMENTE INDIVIDUAIS


Tem paciente que a gente brinca que a dor aparece quando Deus quer, pois não tem fator desencadeante", conta Daniel Ciampi, coordenador do Centro de Dor do Departamento de Neurologia da Universidade de São Paulo.


MEDICAÇÃO E ACUPUNTURA


Existem medidas físicas que podem ajudar no combate da dor, como acupuntura e fisioterapia analgésica. Alguns pacientes podem necessitar de medicação para reduzir a sensibilidade neuronal, já que os nervos receptores de dor ficam anormalmente estimulados em casos de dor crônica. Por fim, em casos excepcionais, há a indicação de cirurgia.

"Implanta-se um estimulador na região cervical. Ele é um pequeno chip de plástico ligado a uma espécie de marca-passo", descreve Ciampi. A seguir, confira 10 dicas para ajudar pacientes que sofrem com dor de cabeça crônica a lidarem com o problema e ganharem qualidade de vida!


1. INVISTA NO BIOFEEDBACK

É uma técnica que proporciona maior controle sobre as reações do corpo às emoções. Para isso, utiliza aparelhos eletrônicos para medir os sinais emitidos pelo organismo (frequência cardíaca, temperatura, sudorese nas palmas das mãos, tensão muscular, pressão arterial e atividade cerebral) de acordo com o estado emocional em que a pessoa se encontra. "O paciente se torna consciente que essas reações também estão ligadas às crises de dor de cabeça. Com o treinamento em biofeedback desenvolve-se maior autoconhecimento e autocontrole, o que ajuda a prevenir as crises de cefaleia", informa Rose Fukue, psicóloga e pesquisadora do Setor de Cefaleias da Universidade Federal de São Paulo (ünifesp). Em média, são necessárias de 10 a 15 sessões de 45 minutos de biofeedback. "Não há contraindicações: o biofeedback pode ser usado em adultos, adolescentes e crianças", complementa.


2. MAIS ACUPUNTURA

Um estudo publicado na revista Archives of Internai Medicine concluiu pela eficácia da acupuntura em casos de cefaleia crônica. "Em uma sessão para dor de cabeça crônica, os pontos estimulados dependem do tipo de dor, sua localização (frontal, temporal ou parietal) e das características do paciente",feia Dirceu Sales, presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA). A acupuntura melhora o aporte de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina em áreas específicas do sistema nervoso central e minimiza as inflamações. "A acupuntura diminui a tensão muscular na cabeça e no pescoço e melhora a vasodilatação", diz Sales. Duas sessões semanais tratam o problema.


3. EFEITO DIETA REGRADA

Alguns pacientes com enxaqueca têm ^^ sua dor iniciada por alimentos. "Os mais comuns são aqueles que provocam reações quimicamente mediadas. Por exemplo: nitritos (cefaleia do cachorro-quente), glutamato monossódico (cefaleia do restaurante chinês), flavonoides fenólicos (vinho vermelho) etiramina (presente em alimentos defumados, queijos e laticínios)" lista Norma Fleming, neurologista da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED). O mesmo vale para o álcool, feniletilamina e aspartame. "Basicamente, todos agem na pressão arterial, podendo levar a crises", acrescenta Ana Luisa Vilela, nutróloga de São Paulo (SP). Vale ainda evitar jejuns prolongados.


4. MENOS PRESSÃO COM IOGA

O yoga cria, por meio de suas posturas (asanas) e práticas de respiração (pranayamas), uma descompressão musculoesquelética e nervosa. "A descompressão advinda, por exemplo, de um alongamento da espinha, alivia tensões e cargas que favorecem a diminuição de quadros ligados às dores de cabeça em geral", destaca Ana Luisa Matsubara, instrutora do Estudyo lyengar Yoga São Paulo. Ao praticante iniciante, são indicadas duas aulas por semana com duração mínima de 1h30. "É recomendado que o que foi assimilado em sala de aula seja replicado diariamente por 20 a 30 minutos", complementa.


5. E A TOXINA BOTULÍNICA?

Muita gente pensa que o popular botox atua apenas bloqueando a função motora do músculo - motivo pelo qual ele é usado para paralisar marquinhas de expressão. Entretanto, a substância é analgésica à medida que é captada pelos nervos de sensibilidade que levam a informação de dor para o sistema nervoso central (SNC). "Ela é carregada dentro do SNC e diminui o processamento da dor. É como se fosse o efeito de um aspirador de pó: o neurônio aspira a toxina e a carrega para dentro da casa dele, seja na medula, seja no corpo encefálico. É lá dentro que faz efeito analgésico", entrega Ciampi.


6. REMÉDIO CERTO

Para tratamento de dor aguda, analgésicos, anti-inflamatórios e até os das classes dos triptanos (específicos para enxaqueca) dão conta do recado. Em geral, eles duram de três a quatro horas. Porém o tratamento de dor de cabeça crônica exige fármacos que ajudem a reduzir a excitabilidade exagerada dos nervos sensoriais. "O engraçado é que nenhum remédio até hoje foi inventado para enxaqueca. Todos foram descobertos a partir de outras indicações, como depressão, convulsão, pressão alta e tontura", revela Ciampi. "É importante esclarecer isso para os pacientes, porque muitos leem a bula e ficam receosos", complementa. Segundo o neurologista, há uma nova classe de remédios que deve chegar ao mercado em breve para tratar enxaqueca. Elas atuam sobre o CGRP, um peptídeo liberado durante as crises. "Teremos fármacos para prevenir crises e outros para tratá-las", finaliza o neurologista.


7. EXERCÍCIOS FÍSICOS SIM!

Os pesquisadores Volker Busch e Charly Caul publicaram na revista Headache,em 2008, um estudo que evidenciou a eficácia do exercício no tratamento da enxaqueca. Eles analisaram oito pesquisas e quatro relatos de em caso sobre o tema. Os programas apostaram em resistência aeróbica (ciclismo, caminhada etc.). A frequência de treinamento foi de duas a três vezes por semana, com duração entre 20 e 60 minutos. Os mecanismos envolvidos nessa ação estariam relacionados ao aumento de endorfina e à liberação de óxido nítrico de longa duração levando ao relaxamento vascular. "Mas não deve ser feito exercício extenuante, que pode desencadear crises de enxaqueca", adverte Norma. Muitos pacientes queixam-se de não conseguir iniciar uma rotina de atividades físicas por causa da dor. "Nesse caso, alguns medicamentos podem ser associados. Conforme o paciente vai se acostumando com as atividades, as doses são diminuídas", orienta Malcon Botteon, fisiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


8. A ORDEM É MEDITAR

O estresse pode ser um gatilho para a enxaqueca. Por esse motivo, meditações como a mindfulness podem ajudar a prevenir crises e reduzira intensidade da dor. Estudos da neurocientista Sara Lazar, da Universidade de Harvard, revelaram por exames de imagens que oito semanas praticando mindfulness atua diretamente em áreas como o córtex pré-frontal, relacionado a funções como atenção e processamento sensorial. "Pessoas que sofrem com enxaqueca passam grande parte do tempo vigilantes de sua dor e têm uma tendência de lutar contra essas experiências, com autocríticas e julgamentos que acentuam ansiedade e rigidez", explica Vitor Friary, mestre em Psicologia Clínica pela London Metropolitan University e diretor do Centro de mindfulness (RJ). "Atécnica ativa áreas relacionadas à capacidade de regular emoções e de prestar atenção aos próprios pensamentos. Isso significa que o praticante aumenta seu potencial de se relacionar com problemas de uma maneira diferente, flexibilizando-se quando necessário e capaz de administrar emoções difíceis que surgem no contexto da dor", opina.


9. FAÇA ALONGAMENTO E MASSAGEM

A massagem e o alongamento cervical são importantes nas dores de cabeça por tensão. "Os músculos cervicais recebem a inervação das raízes cervicais altas. Esses nervos entram no sistema nervoso através de uma região chamada núcleo caudal trigeminal, local este que também serve de entrada dos estímulos dolorosos provenientes da cabeça. Com isso, uma cefaleia intensa pode causar dor muscular no pescoço, ou uma dor muscular cervical pode irradiar para a região craniana", detalha Norma. Segundo Luciano Lemos Colla, educador físico do Guarujá (SP), cada posição do alongamento deve durar entre 30 segundos a um minuto. "Pessoas que apresentam cefaleia frequente podem fazer o alongamento ao acordar, antes e depois das atividades físicas", recomenda.


10. COMPRESSAS FRIAS

A aplicação de uma compressa fria ou gelo na região cervical ou frontal pode ajudar no alívio da dor. "Parece funcionar pela ação anti-inflamatória e vasoconstritora local. Contudo, não é indicada a todos pacientes nem em todas crises", adverte Norma.




Inovações saudáveis

06/10/2016 - Folha de S.Paulo


Durante anos o Poder Judiciário contribuiu para desorganizar o já precário setor de saúde pública com onerosas decisões de juízes bem-intencionados, mas alheios à repercussão sistêmica de seus atos.

A judicialização da saúde tornou-se um fardo para o SUS. A despesa federal com determinações da Justiça para pagar tratamentos não oferecidos no sistema único saltou de R$ 120 milhões, em 2010, para R$ 1,1 bilhão em 2015 e estimados R$ 1,6 bilhão neste ano —sem contar gastos de Estados e municípios.

Custear o remédio milionário e fora da lista oficial para um contribuinte, por desesperadora que seja sua situação individual, prejudica a atenção dispensada aos demais. Os recursos do SUS, desnecessário dizer, são finitos. O dinheiro que a Justiça manda direcionar a uma única pessoa deixa de chegar a centenas de outras.

Reconhecendo essa realidade, o juiz federal Paulo Marcos Rodrigues, de Guarulhos, tomou um caminho diferente. Determinou que a União use verbas da publicidade oficial, e não do SUS, no montante aproximado de R$ 1 milhão ao ano, para fornecer medicamento importado a uma jovem com doença rara.

A União recorreu, mas o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, manteve a decisão.

Embora criativa, a solução decerto não tem o poder de afastar o problema. Afinal, as verbas de publicidade também são finitas; mais dia, menos dia, a questão da equidade voltará a se impor.

Não é outra a razão por que se aguarda a retomada do julgamento sobre a judicialização no Supremo Tribunal Federal (STF). Três ministros já se pronunciaram em favor de adotar critérios rígidos para dar acesso a drogas e terapias solicitadas por meio da Justiça.

Um dos votos nesse sentido partiu do ministro Luís Roberto Barroso. Ele admite exceções ao que estiver fora da lista do SUS, desde que o paciente comprove a impossibilidade de arcar com os custos, e o sistema público não tenha apresentado "expressa recusa" a incluir o remédio na sua relação.

No caso de terapias sem registro na Anvisa, Barroso condiciona o acesso excepcional a que tenham eficácia comprovada em testes e licença já requerida, mas sem decisão da agência por prazo não razoável (um ano ou mais).

Não há maneira simples de equilibrar os direitos em disputa. O Judiciário deve criar balizas a fim de conciliar o princípio da impessoalidade com a justiça compassiva de cada decisão concreta, mas sem substituir as autoridades eleitas na tarefa de elaborar políticas públicas para o conjunto da população.




Notícias sobre erradicação do HIV? Muita calma nessa hora

05/10/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Nos últimos dias, muitas notícias foram divulgadas com manchetes sugerindo que "a cura do HIV está próxima". Cuidado! Esses títulos chamam nossa atenção na hora –o que é, claro, o que uma boa manchete deve fazer–, mas falar de uma descoberta revolucionária é bastante prematuro.

As notícias citavam um inglês HIV positivo que recebeu um tratamento, ainda em fase de testes, para erradicar o vírus de seu corpo. Testes clínicos feitos durante tratamento, chamado River (sigla em inglês para Research in Viral Erradication of HIV Reservoirs), mostraram que aparentemente não há mais sinais do vírus no sangue do paciente.

Isso pode soar incrível, a não ser que você saiba que o tratamento com antirretrovirais, ao qual o paciente estava sendo submetido, já reduz o HIV a níveis indetectáveis. Os próprios responsáveis pelo River divulgaram uma nota repudiando manchetes que indicavam que o estudo estava próximo de encontrar a cura:

"Não ter sinais do HIV no sangue não significa que os pacientes foram curados, como alguns textos sugerem (...) Esperamos ansiosos os resultados finais desse estudo inédito, mas até lá é preciso enfatizar que não podemos afirmar que um paciente tenha respondido ao tratamento ou tenha sido curado."


CARGA VIRAL


A responsável pela pesquisa, a professora de Medicina do Imperial College London e especialista em HIV, dá detalhes: "Todos que participaram do estudo estavam tomando antirretrovirais e, por isso, têm uma carga viral indetectável, que mostra o grande sucesso deste tratamento."

De fato: a medicação para HIV vem fazendo a doença passar de uma sentença de morte para uma condição crônica, mas administrável –e isso é extraordinário.

Mas a limitação dos antirretrovirais é que eles não eliminam o HIV. O vírus continua dormente em algumas células e começa a se multiplicar se o paciente para de tomar a medicação. É por isso que antirretrovirais devem ser tomados a vida toda. Mas o que o River está tentando fazer é eliminar completamente o vírus do corpo.


'CHUTAR E MATAR'


Até o momento, 39 pacientes foram recrutados. Todos vão receber retrovirais, mas metade também receberá um medicamento que força o vírus a emergir de partes do corpo onde estão escondidos.

Esses pacientes também vão receber duas vacinas para fortalecer o sistema imunológico ao ponto que ele consiga atacar as células infectadas com o HIV –essa estratégia chamada é chamada de "chutar e matar". Esse paciente, cuja identidade não foi revelada, é simplesmente o primeiro do grupo a completar o tratamento.

O estudo só deve ter resultados em 2018. Ele está sendo feito por um grupo de pesquisadores de faculdades britânicas renomadas, como Oxford, Cambridge, University College London e Imperial e King's College. A parceria teve início há seis anos, justamente para buscar a cura para o HIV.

"Esse tipo de colaboração é inédito, e os testes clínicos mostram um progresso notável", diz Mark Samuels, diretor do National Institute for Health Research Office for Clinical Research Infrastructure, que criou a parceria entre as faculdades.

Mas quando então os pesquisadores vão poder cravar que o River é mesmo um sucesso? Isso ainda vai levar tempo, já que exige uma análise de sangue detalhada dos voluntários. "Vamos fazer testes genéticos muito específicos para investigar se há vírus HIV dormentes dentro das células", disse John Frater, professor de Doenças Infecciosas da Universidade Oxford.

Todos os voluntários foram infectados há pouco tempo, o que significa que eles têm um reservatório pequeno do vírus e o sistema imunológico deles ainda não foi prejudicado várias vezes - como acontece com pessoas infectadas há bastante tempo.

Assim, se for possível curar o HIV, esses pacientes podem ser considerados um alvo fácil. E mesmo que o River seja considerado um sucesso, é preciso cautela na hora de interpretar os resultados porque isso não pode ser reproduzido em um paciente que tem HIV há bastante tempo.

"Já foi demonstrado que, em tubos de ensaio, é possível tirar o vírus de células dormentes. Mas teremos de esperar para ver se o mesmo acontece em pacientes", disse Michael Brady, diretor médico da fundação Terrence Higgins Trust. "E mesmo se funcionar, não podemos falar em cura para todo mundo, já que precisaremos de estudos testes mais amplos."


PACIENTE DE BERLIM


Até o momento, apenas uma pessoa parece ter sido curada de uma infecção de HIV. Timoty Ray Brown, conhecido como "o paciente de Berlim", recebeu um transplante de medula óssea de um doador com uma imunidade natural ao vírus. No entanto, esse tipo de transplante pode ser perigoso, e por isso ele nem sempre é recomendado.

Em outro caso, um estudo feito na Califórnia com 80 pacientes HIV vem tentando modificar as células para simular as mutações genéticas de pessoas que têm uma imunidade natural ao vírus.

Um dos voluntários desse estudo, Matt Chappel, está há dois anos sem medicação. Um outro resultado promissor. Ainda assim não custa repetir, sobre qualquer um dos estudos: falar em cura é muito prematuro.




Pesquisa constata alta incidência de câncer de mama antes dos 50 anos

05/10/2016 - G1 - Bom dia Brasil


Um hospital especializado no tratamento de câncer de mama, em São Paulo, fez uma pesquisa e descobriu que quatro em cada dez pacientes tiveram a doença antes dos 50 anos. É antes do que se imaginava, porque, inclusive, o próprio Ministério da Saúde recomenda fazer a mamografia a partir dos 50 anos.

Todos sabem que começar o tratamento no início da doença aumenta muito a chance de cura. Cinco anos depois do diagnóstico, 96% das mulheres que descobriram o câncer na fase mais precoce estavam vivas.




Outubro rosa contra câncer

06/10/2016 - Correio Braziliense


Ao longo das próximas 24 horas, você vai acordar, trabalhar exaustivamente, ter um pouco de lazer e dormir. Nesse mesmo intervalo, 156 brasileiras vão descobrir que têm câncer de mama. Esse tipo de tumor é o que mais afeta as mulheres — cerca de 22% dos novos tumores a cada ano são desse tipo, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Para chamar a atenção ao diagnóstico precoce, a campanha Outubro Rosa, criada em 1990 nos Estados Unidos e agora popular no mundo todo, tenta conscientizar a população ao longo do mês.

Promovida no Brasil pelo Inca, a campanha deste ano tem o mote “Vamos falar sobre isso?”, com o objetivo de levantar discussões e fortalecer o diagnóstico. O rastreamento precoce, aliás, é essencial para reduzir a mortalidade. No entanto, os exames nem sempre estão ao alcance da população — no Brasil, o SUS só os recomenda para mulheres acima de 50 anos.

A decisão leva em conta a prevalência da doença, o que costuma acontecer a partir da quinta década de vida. Contudo, um levantamento do Camargo Cancer Center com 4.527 pacientes, feito entre 2000 e 2010, mostrou que quatro em cada 10 mulheres com câncer de mama diagnosticado na instituição tinham menos de 50 anos e não descobririam o tumor se tivessem seguido a orientação do ministério. A Sociedade Brasileira de Mastologia, aliás, recomenda o exame a partir dos 40 anos.

“A gente vê o paciente perdido no sistema”, diz Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, ONG que nasceu em 2009 para fornecer informações e apoio a pacientes com câncer. Ela explica que a maioria das pessoas não costuma conhecer direitos essenciais — como a garantia ao tratamento em no máximo 60 dias após o diagnóstico.

A desinformação e o baixo acesso a tecnologias são as principais causas de mortalidade. Só no Brasil, quase 14,5 mil pessoas morreram por câncer de mama em 2013, conforme o Inca. O índice estabilizou ou está diminuindo no Sul e Sudeste, mas segue aumentando em outras regiões, sobretudo no interior, diz Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Albert Einstein. “Não é só curar, mas também cuidar do paciente e tratar a doença”, defende

A prevenção é comum a outros tipos de câncer: evitar obesidade, álcool e tabagismo, praticar atividade física e ter alimentação saudável. Mais especificamente, é recomendado amamentar e evitar a reposição hormonal após a menopausa. No caso do câncer de mama, tais cuidados são essenciais porque, ao contrário do que muita gente pensa, o fator genético não é fundamental para o aparecimento da doença. “Na imensa maioria dos casos, o câncer aparece porque houve uma mutação na célula, e não porque a pessoa tem uma predisposição a um gene anômalo”, diz Kaliks.


CÂNCER METASTÁTICO


O câncer de mama pode ser classificado em três fases: precoce, quando é apenas restrito à mama; localmente avançado, quando atinge mama e axila; ou metastático (avançado), quando se espalha para outras partes no corpo.

Cerca de 30% das mulheres desenvolvem esse nível mais grave, mesmo que a doença seja diagnosticada cedo, segundo um estudo publicado no periódico The Oncologist. É um recorte considerável.

A campanha Cada Minuto Conta, promovida pela Pfizer em parceria com a União Latino-Americana Contra o Câncer da Mulher, é uma das mobilizações que vai ocorrer neste mês em São Paulo capital. Uma das ações vai acontecer nas estações de metrô.

Transeuntes serão questionados sobre os conhecimentos sobre mitos e verdades acerca do assunto. Apesar de a palavra “metástase” muitas vezes estar associada à morte, a relação não necessariamente é esta.

Aliás, a ciência avançou bastante e desenvolveu medicamentos que conseguem atuar diretamente nas células cancerígenas e oferecer uma maior expectativa de vida às pacientes. É o caso da aposentada Elfriede Galera, de 65 anos, moradora de São Paulo.

Em 2010, ela foi diagnosticada com câncer de mama metastático nos ossos e pulmão, cerca de dois anos após ter ido ao posto de saúde reclamar de assimetria na mama. “Na época, ouvi do médico que meu problema era ter uma pia cheia de louça para lavar”, conta, ao descrever a falta de preparo do profissional ao lidar com o assunto.

Após realizar quimioterapias e uma mastectomia na mama esquerda em 2012, ela convive com a doença em nível avançado. A aposentada reforça que não tem nenhum empecilho e desempenha normalmente suas atividades. Hoje, ela atua como “embaixadora” do Instituto Oncoguia para divulgar que pacientes com câncer metástatico podem, sim, ter uma vida normal.

O marido é peça-chave na história: os dois construíram um veleiro, fizeram vaquinha virtual para arrecadar fundos e criaram a página Veleiro Augenblick, para documentar o processo que a ajuda a ter forças. “Ter um objetivo faz muito bem”, diz. Apesar de Elfriede ser bastante franca e direta, o assunto é espinhoso e nem todo mundo gosta de abordá-lo. “Sinto mais facilidade de falar sobre isso com criança do que com adulto”, relata.


14,5 MIL


Número de mulheres vítimas de câncer de mama no Brasil em 2013.




Avanços no transplante de útero

06/10/2016 - Correio Braziliense


Para muitas mulheres, engravidar é algo impossível mesmo por meio das técnicas de reprodução assistida. Seja porque tiveram de retirar o útero ou devido a anomalias no órgão, são incapazes de gerar. A elas resta esperar que, um dia, transplantes uterinos se tornem viáveis. Cirurgias experimentais recentes têm indicado avanços nesse sentido. Enquanto que, na América Latina, o primeiro transplante de útero foi realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 20 de setembro, ontem, o Hospital Universitário de Baylor, em Dallas, nos Estados Unidos, divulgou a realização de quatro cirurgias do tipo. O raro, nesse caso, é que todas as doadoras estão vivas.

Antes do procedimento de Baylor, foram feitas 17 cirurgias semelhantes no mundo, incluindo a brasileira. Até agora, porém, apenas cinco resultaram no nascimento de bebês. De acordo com os médicos responsáveis pelos procedimentos nos Estados Unidos, realizados entre 14 e 22 de setembro, a equipe reviu, ao longo de dois anos, todos os transplantes prévios antes de decidir se aventurar nessa área.

A identidade e a motivação das doadoras não foram divulgadas. A equipe afirmou apenas que elas têm entre 35 e 60 anos e foram escolhidas entre 50 voluntárias. “Fiquei totalmente impressionado. Elas nos disseram: ‘Nós tivemos nossa chance de nos tornarmos mãe e, agora, nosso útero não nos serve mais. Poderemos doá-lo para quem realmente deseja”, afirmou o cirurgião chefe, Giuliano Testa, à revista Time, que revelou a história com exclusividade.

Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa do hospital disse que as quatro receptoras, com idade de 20 a 35 anos, sofrem da síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, uma anomalia congênita do aparelho reprodutor que afeta uma em cada 5 mil ou 7 mil mulheres em todo o mundo. Quem tem o problema nasce sem útero e ovários, e com pouca profundidade vaginal. Não há estatísticas da incidência dessa doença rara no Brasil.

O procedimento do Hospital das Clínicas da USP também foi executado em uma mulher com essa síndrome. Ela recebeu o útero de uma paciente de 40 anos que teve morte cerebral. Por enquanto, não há sinais de complicações. Chefe do serviço de transplantes e professor da USP, Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque explicou que a equipe foi à Suécia aprender melhor sobre o procedimento. Em Baylor, os cirurgiões receberam uma equipe da Universidade de Gotemburgo que participou dos quatro transplantes. “Eles são os maiores especialistas em transplante uterino, na medida em que cinco nascimentos resultaram das cirurgias que fizeram”, disseram na nota.


REMOÇÃO


Em três das quatro pacientes operadas na instituição norte-americana, depois de vários testes, os médicos notaram que não havia suprimento sanguíneo suficiente para abastecer o novo órgão, por isso, os úteros foram removidos. Os cirurgiões disseram que esses casos vão ajudá-los a aprimorar o procedimento. “Os testes de acompanhamento da quarta paciente indicam um resultado muito diferente”, disseram os cirurgiões. Os exames, de acordo com eles, mostram bom fluxo sanguíneo para o útero, além de não haver sinais de rejeição nem infecção por enquanto. “Estamos cautelosamente otimistas de que ela poderá ser a primeira receptora de um transplante uterino nos Estados Unidos a conseguir ter um útero funcional”, continuaram.

Em fevereiro, um procedimento semelhante foi realizado pelo Hospital da Universidade de Cleveland, nos Estados Unidos. Porém, dois dias após a divulgação de que havia sido um sucesso, a instituição anunciou que teve de retirar o útero porque a receptora rejeitou o órgão. Depois disso, o programa experimental de transplantes uterinos de Cleveland foi suspenso.

Diferentemente de outros órgãos, o útero transplantado tem de ser retirado do corpo em, no máximo, três anos. Toda pessoa que recebe um transplante precisa tomar fortes medicamentos para evitar a rejeição. As drogas imunossupressoras, embora sejam fundamentais para o sucesso da adaptação do corpo ao novo órgão, podem causar tumores. Para minimizar esse risco, as receptoras têm de retirar o útero logo após o nascimento do filho, gerado naturalmente ou por reprodução assistida.

A paciente brasileira vai começar tratamento hormonal para engravidar daqui a seis meses. “Tudo correndo bem, a expectativa é de que, em um ano, ela possa tentar engravidar”, disse Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, da USP, em nota do Portal do Governo de São Paulo. Ele explicou que a equipe tem oito embriões fertilizados com o sêmen do marido. De seis a 12 meses também foi o prazo indicado pela equipe de Baylor para a americana começar a tentar engravidar.


TÉCNICA PRECISA SER APRIMORADA


Diretor do Centro de Reprodução Humana FertilCare, Frederico Corrêa ressalta que o transplante de útero não se trata de um procedimento simples. “Ainda é experimental, com poucos casos. Para desenvolver a técnica, o sueco Mats Brännström levou 15 anos de pesquisa e ela ainda precisa ser aprimorada. É algo para o futuro, temos de esperar o tempo sedimentar o procedimento”, diz.

O médico esclarece que, mesmo que esse transplante se torne mais comum, poucas mulheres precisariam recorrer a ele. “A principal causa da infertilidade na mulher está associada ao ovário, não ao útero. O útero, só quando há a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser ou quando a mulher teve de retirar por causa de uma doença, como câncer”, diz. O transplante de ovário, por sua vez, já é mais usual e, geralmente, se realiza com o órgão da própria paciente, que é congelado antes da realização de tratamentos como a quimioterapia. Mas também existem casos documentados de transplante de outra doadora.

Desde o anúncio dos primeiros transplantes de útero, uma questão ética foi colocada na mesa: valeria a pena expor a mulher a um procedimento complexo e às drogas imunossupressoras já que o útero não é um órgão vital? Especialista em reprodução assistida, Frederico Corrêa acredita que sim. “O conceito de saúde envolve o bem-estar físico e social. Uma mulher que quer muito engravidar e não consegue pode até tentar suicídio. Há muitos casos de depressão, de separação... Não dá para dizer que esse tipo de transplante não é importante porque o desejo de ter um filho é um problema de saúde como qualquer outro.”(PO)

“Não dá para dizer que esse tipo de transplante não é importante porque o desejo de ter um filho é um problema de saúde como qualquer outro”

Frederico Corrêa, diretor do Centro de Reprodução Humana FertilCare




ANS propõe a planos novo fluxo de atendimento a pacientes com câncer

05/10/2016 - Portal EBC


Organizar o atendimento de pessoas com câncer e incentivar a prevenção na rede privada de saúde pode salvar vidas. Com esse objetivo, a Agência Nacional de Saúde (ANS) lançou hoje (5) o projeto Oncorede, em parceria com o hospital oncológico AC Camargo Cancer Center, seguradoras de saúde, associações médicas e com a Fundação do Câncer. A iniciativa reúne 13 medidas que podem melhorar a prestação de serviços e oferece auxilio à rede na adesão.

O projeto identificou gargalos no atendimento aos pacientes com câncer e propôs medidas para melhorar o fluxo, sem entrar nos detalhes do tratamento de cada um. A expectativa é que as mudanças tornem o diagnóstico mais preciso e incentive boas práticas, como os cuidados paliativos, de acordo com a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira, responsável pelo projeto.

Umas das falhas no sistema está no momento entre a realização de exames e o diagnóstico, segundo ela. “Se a gente garantir, da patologia e da radiologia, que todos os laudos com suspeita de câncer ou confirmados sejam entregues ao paciente, ao médico que pediu e, a partir dali, seja disparado o tratamento, já diminuímos um hiato que há na saúde suplementar, onde pacientes ficam perdidos, sem resgatar resultados, simplesmente deixam para lá. Precisamos articular para que a pessoa não fique perdida, com o resultado na mão, e para que comece o tratamento.”

A diretora da ANS também destacou a necessidade de busca ativa de pessoas com potencial de desenvolver a doença, como é o caso de mulheres acima dos 40 anos e que devem fazer exames de câncer de mama pelo menos uma vez ao ano. “Essa população, em que os riscos estão bem comprovado os riscos, não conseguimos atingir. Por outro lado, fazemos exames em pessoas que não têm benefício direto com aquele exame, como as mais jovens”, comparou.


CÂNCER NO BRASIL


O câncer é uma das doenças que mais matam no mundo. No Brasil, é a segunda maior causa de morte. Os casos mais recorrentes são de câncer de pele, de próstata e de mama. Em 2016, o número de diagnósticos deve chegar a 596 mil. Segundo a diretora da ANS, o aumento de casos a cada ano exige um novo modelo de cuidado, ouvindo os pacientes.

“Hoje o sistema está desorganizado. Como elas [as seguradoras] são refratárias a discutir o sistema, elas pagam errado e vão pagando”, afirmou. “Precisamos fazer entender que, se houver um serviço de cuidado paliativo para a pessoa morrer com mais qualidade, não é um gasto a mais. É só uma reorganização. Ela já ia pagar a UTI [Unidade de Terapia Intensiva], vai deixar de pagar a UTI para pagar outro serviço no qual o paciente vai ter mais qualidade”, ponderou.

Durante o lançamento do projeto, no centro do Rio de Janeiro, representantes de seguradoras, que serão as responsáveis por aplicar o novo modelo, reclamaram de não terem sido ouvidas na elaboração das diretrizes. O superintende executivo da Unimed, Adriano Leite Soares, disse que seria “prudente” a participação dos planos desde o início e que não acredita no sucesso das medidas sem o compartilhamento das atribuições com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Para auxiliar a rede privada na adesão ao projeto, um portal na internet vai detalhar cada ação e oferecer suporte às seguradoras, a hospitais e clínicas que tiverem interesse na iniciativa. As mudanças no atendimento não são obrigatórias.

Clipping de Notícias - 10/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 10/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Fux diz que STF vai limitar ações por remédios

08/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux disse ontem acreditar que a decisão da Corte sobre a oferta de medicamentos de alto custo pela rede pública não deverá ser no sentido de obrigar o Estado a dar tudo a todos. Em julgamento iniciado em setembro e ainda sem data para terminar, o Tribunal avalia a obrigatoriedade do governo em fornecer remédios que não constam da lista do SUS ou que não tenham registro no País.

Segundo Fux, o STF deverá estabelecer critérios para o fornecimento de remédios pela rede pública. “Não (será tudo para todos). Vai ser uma solução sob medida. O Supremo será o artesão na solução desse caso. Vai ser uma decisão de alfaiate”, disse ele na tarde de ontem, após participar de painel sobre judicialização no Summit Saúde Brasil, evento promovido pelo Estado em São Paulo.

Fux afirmou não poder adiantar o voto que defenderá no julgamento, mas antecipou seu entendimento.

“Sou a favor de uma fórmula que faça prevalecer o direito fundamental do cidadão à saúde, que está na Constituição.

Mas acho que o Supremo vai estabelecer critérios. Há casos excepcionais que merecem soluções excepcionais”, afirma. Já votaram os ministros Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, todos no sentido de autorizar o fornecimento só em casos excepcionais.

Também presente no Summit, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse ter certeza de que o Supremo terá “bom senso na decisão”, mas afirmou que o gasto com compra de remédios de alto custo acima do previsto em orçamento poderá desestruturar o sistema público.

“Nós vamos cumprir as decisões, como temos feito, apenas que isso desestrutura todo o nosso sistema e, se as decisões forem muito exigentes, desestruturam outros sistemas do governo, que terão de socorrer à Saúde”, afirmou.

Barros disse ainda que o governo federal tem como meta restabelecer em um ano o financiamento de serviços do SUS que deixaram de receber recursos da União, o que já resulta numa dívida de R$ 3,5 bilhões com Estados e municípios. “O governo já reconheceu que esses serviços estão funcionando, mas não publicou a portaria que permite o pagamento mensal do aporte de cofinanciamento do governo federal”, disse Barros, justificando a situação à falta de caixa da União.


ZIKA


O ministro afirmou que, após quase um ano de atraso, a compra de repelentes para distribuição entre gestantes do Bolsa Família para a proteção contra o vírus zika finalmente está sendo feita. Ele não informou quantas mulheres serão beneficiadas, mas disse que a distribuição do produto começará em novembro. Serão investidos R$ 300 milhões por ano.




Direitos continuam

07/10/2016 - Guia da Farmácia


Ampliar o acesso da saúde a toda população nacional, oferecendo medicamentos para as doenças mais comuns no País, de forma gratuita ou com desconto. Foi com esse intuito que nasceu o Programa Farmácia Popular, ação que completa 12 anos em 2016 e traz números bastante satisfatórios.

Somente a rede própria disponibiliza 112 itens - entre analgésicos, anti-hipertensivos, medicamentos para diabetes, colesterol, gastrite e outros -, oferecidos gratuitamente ou que são dispensados pelo seu valor de custo, representando até 90% de abatimento.

Em 2006, a oferta aumentou com a expansão do Programa para a rede privada. Denominada Aqui Tem Farmácia Popular, esta modalidade disponibiliza 14 medicamentos gratuitos para hipertensão, diabetes e asma. Medicamentos para outras quatro doenças, incluindo rinite, doença de Parkinson, osteoporose e glaucoma, além de contraceptivos e fraldas geriátricas, podem ser adquiridos com até 90% de desconto.

Atualmente, o Programa Farmácia Popular conta com 35.179 estabelecimentos, sendo 520 da rede própria e 34.659 da rede credenciada, que beneficiam 4.486 municípios. Nos últimos três anos, segundo informou o Ministério da Saúde (MS), foram investidos mais de R$ 5,7 bilhões no Farmácia Popular. A ação Saúde Não Tem Preço (braço do Aqui Tem Farmácia Popular que proporciona, desde 2011, gratuidade nos medicamentos para o tratamento de hipertensão, diabetes e asma) gerou uma ampliação do número de pessoas beneficiadas pelo Programa, passando de 1,2 milhão em janeiro de 2011 (período anterior à gratuidade) para mais de 9,8 milhões de pacientes atendidos para todas as patologias em julho de 2016, o que representa crescimento de 679%. Do total de pacientes atendidos, aproximadamente 7,1 milhões são hipertensos e três milhões são diabéticos. Em uma década, o governo investiu R$ 10,4 bilhões no pagamento do Programa.

Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), de 2007 a 2015, a média de clientes atendidos mensalmente pelo Aqui Tem Farmácia Popular nas farmácias associadas à entidade passou de 335 mil para 1,9 milhão. Em todo o ano passado, mais de 22 milhões de brasileiros foram beneficiados e o número de unidades comercializadas atingiu 58,8 milhões, contra oito milhões do primeiro ano da ação.

"O Farmácia Popular é um dos programas governamentais com maior credibilidade entre a população. E a parceria do poder público com a iniciativa privada só corroborou essa aceitação, ao facilitar o acesso a medicamentos e impedir que a população interrompa seus tratamentos de saúde, especialmente para combater doenças crônicas, como diabetes e hipertensão", observa o presidente executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto.

O diretor presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia, também aprova o Programa. "É uma ação de inclusão, que traz acesso à população a um grupo importante de medicamentos", afirma o especialista, acrescentando que, hoje, mais de três mil farmácias associadas à entidade participam do Programa.


GARANTIA ATÉ O FIM DE 2016


Entre o fim de 2015 e o início deste ano, o Farmácia Popular, considerado uma grande conquista da população, pareceu correr sérios riscos. De acordo com Mena Barreto, a proposta orçamentária do governo federal previa a extinção da verba para o co pagamento, mantendo apenas o sistema de gratuidade. O custeio acabou sendo mantido por meio de emenda no Congresso Nacional, que garantiu ao menos RS 400 milhões a essa modalidade.

Alheio à aprovação da emenda, segundo Mena Barreto, o MS começou a discutir a redução no valor de referência dos medicamentos a partir do mês de fevereiro deste ano, tornando praticamente inviável a manutenção do Programa pelas redes privadas.

"Além deste valor nunca ter sido reajustado ao longo de todos estes anos, mesmo com a inflação corroendo margens e com o aumento galopante de custos, o governo insiste em reduzir o valor pago às farmácias, que já está abaixo do aceitável há muito tempo. E para piorar, nada menos que 13 estados resolveram aumentar a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos medicamentos, alegando perda de arrecadação", disse o executivo da Abrafarma.

No entanto, o MS não confirma o final do Programa ou extinção dos medicamentos oferecidos. Em nota, ele esclareceu que o Farmácia Popular continua funcionando regularmente, tendo garantido orçamento para este ano na ordem de R$ 3,2 bilhões. O órgão reforçou, ainda, que houve um crescimento de 14% no orçamento do Programa Farmácia Popular do Brasil, passando de R$ 2,8 bilhões, em 2015, para R$ 3,2 bilhões em 2016. No ano de 2014, o orçamento era equivalente a R$ 2,3 bilhões.


ENTRAVES PARA O CRESCIMENTO


A burocracia do sistema público prejudica um acesso ainda maior aos medicamentos do Programa, na visão de Mena Barreto. Segundo ele, os problemas contemplam, por exemplo, prescrições preenchidas de forma incompleta pelo médico.

"Em pelo menos 30% dos casos, principalmente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), o médico não coloca a idade/endereço do paciente na prescrição, uma exigência do Programa. Depois de meses tentando uma consulta, o paciente vai à farmácia e as redes privadas são obrigadas a não atendê-lo, sob pena de exclusão do Programa por um simples detalhe como esse", exemplifica.

Para Mena Barreto, outro problema é a necessidade de retornar à farmácia a cada 30 dias. "Para que complicar a vida do usuário, que já sofre em razão da falta de acesso, com detalhes que podem ser resolvidos com boa vontade? Para o cliente e à imagem do Programa, a frustração causada pelo excesso de burocracia é um desastre", contesta.

A solução, já apresentada pela Abrafarma ao MS, seria dar mais poder para o farmacêutico, que poderia preencher os dados faltantes no ato da compra.

O assessor da diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sincofarma/SP), Juan Carlos Becerra Ligos, também enxerga algumas formas de melhorias ao Programa, que, na visão dele, poderia ser revisado no que diz respeito às pessoas contempladas.

Para ele, apesar de o Farmácia Popular ter um lado social muito positivo, já que ajuda a melhorar, sensivelmente, a qualidade de vida das pessoas, o Farmácia Popular deveria ser destinado apenas àqueles que, de fato, não têm renda para arcar com o tratamento.

"Sinto-me incomodado em oferecer, de graça, medicamentos para aqueles que podem pagar. Essa regra faz com que o medicamento possa faltar para aqueles que, de fato, precisam do Programa. Se aqui no País temos recursos escassos, dever-se-ia canalizá--los a quem não tem acesso", lamenta o executivo.

Ele também acredita que o Programa deveria garantir, junto com ele, mais assistência da classe médica, para que os medicamentos sejam utilizados corretamente. "Pouca diferença faz a receita sem que se entenda como se realiza o tratamento em questão. A informação e assistência são tão ou mais importantes do que o medicamento em si", alerta o especialista.

Em relação às farmácias participantes, o executivo do Sincofarma/SP também enxerga alguns entraves, já que os produtos do Programa constituem uma venda que se torna cara para o varejo, por uma série de motivos. "Demora-se o triplo de tempo para a venda ser realizada, quando comparado a um produto fora do Programa. Afinal, é exigida uma série de requisitos antes de dispensar os medicamentos", diz.

Além disso, segundo Ligos, os documentos gerados para a dispensação desses medicamentos precisam ser arquivados pela farmácia por um período de cinco anos, exigindo um espaço do estabelecimento para este fim.

Ligos também lembra que, para as farmácias participantes, a adaptação pode ser difícil. "Existe uma série de exigências, como softwares que precisam passar por um período de testes. Aliás, muitas lojas precisam pagar por um serviço mensal de empresas especializadas que fazem essa interface e garantem o funcionamento do sistema", lembra.

Mas apesar de todo esse gasto, nem sempre esse negócio apresenta vantagens ao varejista. Aliás, segundo Ligos, mais recentemente, o repasse do valor dos medicamentos do governo às farmácias participantes tem sofrido grande atraso.

"Pelo regulamento, o pagamento deveria ser feito em até 45 dias. No entanto, na prática, esse repasse tem sido feito em 90 dias, o que acaba desestimulando pequenas e médias empresas a continuar na ação", queixa-se.


LIVRE-SE DE IRREGULARIDADES


As farmácias que participam do Aqui Tem Farmácia Popular podem passar por uma série de problemas que colocam em risco a inclusão dessas empresas no programa. O CEO presidente da MSD Assessoria Empresarial e Financeira, Mareio Duque, afirma que algumas farmácias de diversas cidades do Brasil têm recebido um ofício da Secretaria de Ciências, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), informando o bloqueio das vendas do programa, por determinação do Ministério Público Federal e o encaminhamento para o Departamento Nacional de Auditoria (Denasus), para averiguação de irregularidades. Entre elas, são comuns, por exemplo, as oscilações bruscas nas vendas, algo que pode ser interpretado, pelos auditores, como fraude nas farmácias. "Temos uma solução exclusiva em que coletamos todas as vendas efetuadas por uma farmácia desde o início do programa e geramos relatórios detalhados. Nessas análises, encontramos, por exemplo, valores mensais de R$ 50,00 em um determinado mês e, em outro, RS 400,00", diz Duque.

Outro problema recorrente é a inclusão, na nota fiscal do consumidor, de medicamentos que não foram comprados, apontando uma falta de conduta de algum colaborador da loja. "O vendedor da farmácia pode aproveitar o fato de o brasileiro não ter o hábito de conferir os cupons fiscais e incluir medicamentos a mais na compra. Por exemplo, o usuário toma atenolol, mas o vendedor inclui outros medicamentos na dispensação desse usuário, gerando uma venda excessiva e irreal. Também são comuns, durante a auditoria, encontrar vendas de medicamentos para patologias de pessoas idosas entre jovens de até 25 anos de idade; idosos comprando anticoncepcionais; vendas fora do horário comercial de funcionamento da loja; entre muitas outras fraudes", mostra Duque, alertando que 70% dessas irregularidades podem ser realizadas pelos funcionários do estabelecimento que, em busca de cumprir metas de vendas, podem cometer essas infrações. Também são falhas frequentes a ausência do Livro de Registro de Inventário (LRI), documento obrigatório para boa parte das farmácias e essencial para aquelas que aderem ao programa. No entanto, segundo dados da consultoria, são pouquíssimas as lojas que têm esse documento.

é igualmente comum a ausência de nota fiscal de aquisição de medicamentos (rotina que as farmácias devem cumprir de acordo com as compras). E os estabelecimentos podem ser largamente prejudicados quando são pegos pela auditoria do Programa. "Basicamente, 90% das farmácias que são encaminhadas ao Denasus são descredenciadas, podendo retornar ao programa somente dois anos após a publicação no Diário Oficial da União e quitação de uma multa de 10% referente às vendas dos três últimos meses", alerta o diretor da MSD.

Para auxiliar as farmácias com esses trâmites, algumas assessorias especializadas, como a MSD Assessoria Empresarial e Financeira, podem ajudar, mensalmente, as farmácias que participam do programa tanto na prevenção de problemas quanto na resolução dos mesmos quando eles acontecem. "Nos especializamos em atendimento às farmácias, em todo território nacional, para vencermos os desafios de implantação, renovação e continuidade no Aqui Tem Farmácia Popular", finaliza Duque.




Medicação para câncer de pele é aprovada

10/10/2016 - Folha de S.Paulo


O tratamento do melanoma avançado, um tipo menos frequente,porém mais agressivo de câncer de pele, ganhou um reforço. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou,na semana passada, o Keytruda (pembrolizumabe). Em testes,a medicação se mostrou mais efetiva do que outras, como quimioterapia.

Nos EUA e em alguns países da União Europeia, o remédio também é utilizado para tratar câncer de pulmão de não pequenas células (o mais comum) avançado, câncer de cabeça e pescoço.

O pembrolizumabe é uma imunoterapia. O remédio é um anticorpo que ataca as células cancerígenas e não danifica as saudáveis. O tratamento com o remédio nos EUA custa cerca de U$ 12.500 por mês.No Brasil ainda não há valor estimado, que será determinado pela Câmara de Regulação dos Mercados de Medicamentos.

Melanomas se apresentam como manchas ou nódulos na pele. A exposição ao sol é uma das causas da doença.

Hoje, o tratamento ocorre via cirurgia, radio ou quimioterapia e imunoterapia.




Medicamento pode trazer benefícios em tratamento de câncer de pulmão

09/10/2016 - G1 - Bem Estar


A Merck & Co acertou um golpe duplo no domingo (9) com novos dados clínicos mostrando a sua imunoterapia Keytruda oferece grandes benefícios em pacientes com câncer de pulmão não tratados previamente, tanto quando administrada por si só ou com quimioterapia.

Como uma monoterapia, o Keytruda reduziu pela metade o risco de progressão da doença e diminuiu o total de mortes em 40% em comparação com quimioterapia sozinha em pacientes pré-selecionados, cujos tumores tinham sido testados usando um biomarcador.

Quando administrada com dois medicamentos quimioterápicos mais antigos em pacientes não selecionados foi quase duas vezes mais propensa a reduzir tumores do que a quimioterapia sozinha.

Outra droga semelhante da Roche também demonstrou eficácia ampla, como a chamada opção de segunda linha em doentes que receberam tratamento anterior.

"Lembrem-se deste dia. É um novo dia para o tratamento do câncer de pulmão", disse a repórteres Stefan Zimmermann, do Hospital Universitário de Lausanne, no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), quando os resultados foram apresentados.

Um editorial no New England Journal of Medicine, onde os resultados da monoterapia da Merck foram publicados, disse que Keytruda poderia tornar-se "um novo padrão de atendimento".




Fosfoetanolamina: Icesp anuncia 2ª fase de testes da 'pílula do câncer'

06/10/2016 - G1 - Bem-Estar


O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), anunciou, nesta quarta-feira (5), o início da segunda fase de testes clínicos da fosfoetanolamina, composto que ficou conhecido popularmente como "pílula do câncer". A nova etapa deve começar na segunda-feira que vem, 10 de outubro.

Esta etapa, que avaliará a eficácia da droga, envolverá cerca de 200 novos pacientes: são mais de 20 pacientes em cada um dos 10 grupos de tumor: cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado. A primeira etapa, com 10 pacientes, avaliou apenas que a substância é segura (leia mais abaixo).

Esses voluntários serão recrutados entre os pacientes que já são atendidos pelo Icesp. Podem participar aqueles que já não têm alternativa de tratamento curativo.

"Pacientes que ainda têm algum tipo de tratamento curativo não participam do estudo por razões óbvias. É um tratamento experimental", afirmou Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp, durante o anúncio. Além disso, o paciente tem que estar em boas condições físicas, para garantir que seu sistema imune está funcionando, e que poderiam se abster de tratamentos de outro tipo por dois meses sem grandes riscos para a saúde.


TERCEIRA ETAPA PODE CHEGAR A MIL PACIENTES


Caso pelo menos três pacientes de cada grupo tenham benefícios com o uso da droga, o grupo pode ser expandido progressivamente. Esta seria a terceira etapa da pesquisa, que poderia chegar a mil pacientes.

Caso menos de três pacientes tenham benefícios dentro do grupo, o estudo é descontinuado para aquele tipo de câncer. "Se 19 pacientes progredirem na doença, independentemente de conhecimentos estatísticos, todos concordaríamos que não seria adequado prosseguir com o estudo", exemplificou Hoff.


TESTES INICIAIS MOSTRARAM SEGURANÇA


Os testes iniciais, para avaliar a toxicidade do produto, concluíram que não há riscos de efeitos adversos graves associados ao uso da substância.

Nesta fase inicial, a substância foi administrada a 10 pacientes para determinar a segurança. Seis deles foram retirados do estudo porque apresentaram progressão da doença e quatro continuam sendo monitorados.

Segundo Hoff, esses resultados preliminares ainda não permitem falar em eficácia. "Obviamente o fato de que seis pacientes tiveram que sair do estudo indica que o produto não é tão milagroso como algumas pessoas esperariam, mas quando a gente pensa em ciência, obviamente a gente não esperava isso. Vamos ver qual é o real benefício dele daqui para a frente", disse o oncologista.

Os testes em humanos com a fosfoetanolamina no Icesp começaram em 25 de julho. O início dos testes foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.

A substância, que começou a ser sintetizada por um pesquisador do Instituo de Química da USP de São Carlos no final da década de 1980, ainda não passou pelas etapas de pesquisa necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, portanto não existem evidências científicas de que o produto seja eficaz no combate ao câncer ou seguro para o consumo humano, daí a necessidade de mais testes. Outras instituições pelo país têm feito pesquisas com células e com animais.


4 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O CASO DA FOSFOETANOLAMINA


1) O que é? Uma substância que passou a ser produzida em laboratório por um pesquisador da USP, hoje aposentado, que acredita que ela seja capaz de tratar câncer.

2) Qual é a polêmica? Pessoas com câncer têm entrado na Justiça para obter o produto da USP, mas ele não passou pelos testes legalmente exigidos. A USP atendia à demanda somente porque era obrigada judicialmente.

3) Mas ela funciona contra o câncer? Cientificamente, não há como afirmar, porque os testes necessários não foram feitos. Ela foi distribuída para diferentes tipos de câncer, mas sem seguir evidências científicas de que isso seja adequado.

4) Que mal pode fazer usar esse produto? De acordo com os resultados da primeira etapa da pesquisa do Icesp, não há risco de efeitos adversos graves para os pacientes.

Biotoscana avalia ativos para aquisição na América Latina

10/10/2016 - Valor Econômico


O grupo farmacêutico Biotoscana, controlado pela gestora de private equity Advent International, está avaliando 15 potenciais alvos de aquisição na América Latina, além de 45 projetos de pesquisa que estão em andamento na região e nos quais poderá investir. De acordo com o principal executivo da companhia, Mariano García-Valiño, há ativos de interesse no Brasil, mas ainda não há conversas estabelecidas.

A compra de fabricantes de medicamentos de alta complexidade está na raiz do grupo, constituído pela gestora americana em 2011 para consolidar operações no setor. O mais recente investimento foi anunciado no fim do ano passado, quando a Biotoscana assumiu a totalidade do capital do laboratório argentino LKM, no qual já detinha participação.

Conforme García-Valiño, a estratégia da Biotoscana é montar um portfólio de medicamentos de alta complexidade, que representam o "futuro da medicina". "A América Latina ainda tem foco em produtos mais simples, então vamos montar uma plataforma para tirar vantagem disso." A escolha da região também levou em conta o ritmo de crescimento do mercado de medicamentos, de 9% a 10% por ano, frente a 2% ou 3% do mercado global.

Para colocar em marcha seu plano, o grupo combinou fabricação própria e acordos de distribuição de medicamentos complexos. Com três fábricas, tem faturamento anual de aproximadamente R$ 1 bilhão e o Brasil, onde não tem unidades fabris, contribui com 40% dessas receitas.

Segundo García-Valiño, o grupo tem recursos disponíveis para novas operações - além da Advent, a empresa tem como acionista a Essex Woodlands, que administra US$ 2,5 bilhões em ativos. Ao mesmo tempo, a farmacêuticas é apontada por agentes do mercado financeiro como potencial candidata a uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

No início de setembro, a Biotoscana ampliou seu portfólio por meio de um acordo de fornecimento, distribuição e licenciamento com a biofarmacêutica suíça Basilea Pharmaceutica. A parceria, que vale para todos os países da América Latina, incluindo México, contempla o antifúngico Cresemba (isavuconazole) e o antibiótico Zevtera (ceftobiprole), que podem chegar ao país em dois anos.

Menos de dois meses antes, o grupo havia anunciado a assinatura de um acordo na área oncológica com o segundo maior laboratório farmacêutico privado da França, Pierre Fabre Pharmaceuticals. Com o acerto, o grupo passa a comercializar os medicamentos Navelbine (vinorelbine), Javlor (vinflunine) e busilvex (Busulfan) na Colômbia, Chile, Equador e Peru.

Até o fim do ano, de acordo com García-Valiño, duas novas parcerias devem ser anunciadas. Em toda a América Latina, o portfólio da farmacêutica conta com 200 produtos. No Brasil, são sete medicamentos registrados.




‘As farmacêuticas são as primeiras a sair da crise’

10/10/2016 - O Estado de S.Paulo


As indústrias farmacêuticas voltaram a ficar otimistas e já preveem retomada de crescimento a partir de 2017. Nos últimos dois anos, o setor teve a rentabilidade fortemente impactada pelo aumento dos custos de produção, sobretudo com mão de obra (dissídio) e aumento do dólar (os principais insumos são importados), diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma).

“A indústria farmacêutica é a última a entrar na crise e a primeira a sair dela.” l Ainda é cedo para dizer que as indústrias poderão retomar os investimentos? Não. Estamos otimistas. O setor foi impactado pela crise e, pela primeira vez, terá o mesmo crescimento da inflação. Nos últimos anos, crescia duas a três vezes a inflação. Esperamos um crescimento de 8% a 10% neste ano e mantemos a mesma projeção de expansão para o ano que vem.

l O cenário para o setor já está mais favorável? Começamos a sentir uma melhora no emprego. O setor não tem necessidade de aumentar a capacidade industrial. A expectativa, com a atual equipe econômica, é de que o cenário macro melhore e os juros comecem a recuar. O Brasil, com o dólar a R$ 3,20, é atrativo para as multinacionais. O risco de investimento é a insegurança econômica.

Se resolvida essa questão, os investimentos retomam e o País volta a ser interessante.

l E como estão as conversas com o governo para o avanço das Parceiras para Desenvolvimento Produtivo (PDPs) de medicamentos? Estão sendo retomadas. Há boa disposição do governo em acertar as parcerias com laboratórios públicos que tenham condições em tocar esses projetos.




Fiocruz terá centro de pesquisas na UFRJ em 2018

07/10/2016 - O Globo


Um acordo assinado ontem entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promete tornar o Brasil mais autônomo no combate a problemas de saúde pública, tendo como prioridade doenças como malária, esquistossomose e leishmaniose, recorrentes em populações de áreas pobres e rurais.

A partir de 2018, o terreno do Parque Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão, vai abrigar o novo Centro de Referência Nacional em Farmoquímica do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos). Lá serão desenvolvidos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA), substâncias químicas que compõem medicamentos e que atualmente são, em grande parte, importadas.

Segundo o diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, a produção nacional de comprimidos e cápsulas, apesar de farta, trata apenas da finalização dos remédios.

— É quase impossível tratar doenças, mesmo as mais triviais, sem usar remédio importado e caro. Acho um absurdo — disse ele. — O centro de pesquisa vai ter uma contrapartida social enorme e estimular interação entre pesquisadores da Fiocruz e núcleos tecnológicos.

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, José Bermudez, defende respostas rápidas para doenças negligenciadas:

— O país tem autonomia na formulação farmacêutica, mas não nos insumos. Alguns produtos estratégicos para o Brasil não interessam ao setor privado por serem baratos e de pouca demanda, como os que tratam malária e tuberculose. Nesse convênio, teremos uma planta piloto para produzir, em pequena escala, mas suficiente para atender ao sistema público de saúde.




Cálculo do Congresso vê piso de gasto com saúde de R$ 113,7 bi em 2017

06/10/2016 - Valor Econômico / Site


Cálculo divulgado no início da tarde desta quinta-feira pelo diretor da consultoria de orçamento do Congresso Nacional, Ricardo Volpe, aponta que a regra proposta pelo substitutivo à Proposta de Emenda Constitucional 241 para a área da saúde deve levar o piso de gastos públicos do setor para R$ 113,7 bilhões em 2017. A conta indica que o crescimento do piso com a regra proposta será perto de R$ 10 bilhões, se comparado com a regra atualmente em vigor.

O valor estimado é maior do que o previsto no Orçamento do ano que vem, de R$ 112,4 bilhões. Nesse caso, isso pode significar a necessidade de cortar gastos em outras áreas, já que o volume obrigatório está maior do que o projetado no Orçamento. É importante lembrar, contudo, que essa conta é feita com base em projeções de receitas, que estão sujeitas a revisões.

O relatório do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) fez com que a definição do mínimo a ser gasto na saúde no ano que vem seja calculado considerando 15% da Receita Corrente Líquida (RCL) e não 13,7%, como atualmente a Constituição determina, por meio da “Emenda 86”. Se fosse levada em conta a regra atual, o piso do ano que vem seria de R$ 103,9 bilhões.

Em 2016, o piso está em R$ 91,7 bilhões, segundo o diretor da consultoria de orçamento. Mas o volume a ser aplicado este ano está previsto em R$ 108,6 bilhões.




Cidades têm 60 dias para usar prontuário eletrônico em unidades do SUS

06/10/2016 - Valor Econômico / Site


Municípios de todo o país têm 60 dias para adotar o prontuário eletrônico em unidades básicas de saúde. O prazo vence no dia 10 de dezembro. Uma nova versão da plataforma, lançada nesta quinta-feira pelo governo federal, permite que todos os serviços de saúde da cidade possam acompanhar o histórico, os dados e o resultado de exames dos pacientes.

Também será possível, de acordo com o Ministério da Saúde, verificar em tempo real a disponibilidade de medicamentos em farmácias e registrar visitas de agentes de saúde. A expectativa é que a transmissão digital dos dados da rede municipal à base nacional permita ainda a verificação online dos gastos feitos via Sistema Único de Saúde (SUS).

“Todos os procedimentos feitos serão lançados na ficha e ela estará permanentemente atualizada”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao citar que este será mais um meio de fiscalização dos procedimentos pelo próprio cidadão. “A partir de agora, essa é a forma que queremos receber as informações”, completou.

A plataforma digital será oferecida gratuitamente pelo ministério, mas o envio de dados poderá ser feito pelos municípios por meio de sistema próprio. A previsão do ministério é de uma economia de R$ 84 milhões ao ano com tecnologias para informação.


BLOQUEIO DE RECURSOS


Após o período previsto para adaptação, o pagamento do Piso da Atenção Básica (PAB) variável para as prefeituras – equivalente a R$ 10 bilhões ao ano – ficará condicionado à implantação do prontuário eletrônico. O recurso é aplicado no custeio de atendimentos de pediatria e de programas como Saúde da Família e Brasil Sorridente.

Os municípios que não se adequarem à proposta, segundo o ministro, terão os repasses bloqueados. Em entrevista à imprensa, Barros lembrou que já há uma legislação vigente que vincula o repasse do PAB variável à devolução de informações. “Tudo o que é pago variável está sujeito à retenção no caso do não envio de informações”.

A pasta informou, entretanto, que vai apoiar cidades que apresentem dificuldades para implantar a nova versão da plataforma, conforme necessidades encaminhadas pelos gestores e que serão analisadas caso a caso. “Sem dúvida, alguns municípios vão reportar dificuldades de conectividade e infraestrutura”, disse Barros.

Dados do ministério revelam que, atualmente, 76% das unidades básicas de saúde registram o histórico do paciente em papel – apesar de informações do Ministério das Cidades darem conta de que todas essas cidades dispõem de ponto de internet banda larga.

Os números mostram que, das 41.688 unidades básicas de saúde em funcionamento em um total de 5.506 municípios, 10.134 já têm prontuário eletrônico, sendo que 2.902 utilizam versões oferecidas pelo ministério e 7.232 usam softwares próprios e privados. Ao todo, 106,98 milhões de pessoas já têm a plataforma à disposição.

“Até 10 de dezembro, mais da metade dos brasileiros estarão informando online seus procedimentos”, disse o ministro.




Amil confirma compra de clínicas de Lottenberg

07/10/2016 - Valor Econômico


A UnitedHealthcare, dona da Amil, confirmou ontem a aquisição da rede de clínicas oftalmológicas Lotten Eyes, do médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, conforme antecipou o Valor PRO serviço de informações em tempo real do Valor no mês passado.

A United informou ainda que Lottenberg assumiu o cargo de consultor estratégico sênior do grupo e que permanecerá na presidência do Einstein até o fim do ano, quando termina seu mandato no renomado hospital paulista.

Trata-se de um movimento de transição já que, segundo fontes do setor, Lottenberg deve assumir a presidência da UnitedHealthcare Brazil no ano que vem. Ele substituirá Edson Bueno, fundador da Amil, que deve deixar o comando do grupo até setembro de 2017. Esse foi o prazo acordado por Bueno quando sua operadora de planos de saúde foi vendida para o grupo americano há quatro anos. A mudança no comando não é confirmada pela companhia.

A rede de clínicas oftalmológica, que tem 18 unidades na capital paulista, continuará sendo comandada por Lottenberg pelo menos até o fim deste ano. Ainda, segundo fontes do mercado, a rede foi avaliada em aproximadamente R$ 200 milhões e será administrada pela América Serviços Médicos, braço criado pela UnitedHealthcare para cuidar exclusivamente do segmento de hospitais e consultórios médicos. Essa divisão é composta por 22 hospitais, seis clínicas oncológicas COI, adquiridas pela Amil no ano passado, e agora pelos consultórios de oftalmologia.

"A Lotten Eyes fortalecerá nossa capacidade de atender às necessidades das pessoas", afirmou Edson Bueno, CEO da UnitedHealthcare Brazil, em comunicado divulgado ontem. "Além disso, Lottenberg é um dos mais respeitados líderes do setor de saúde na América Latina. (...) Estou entusiasmado para trabalhar com ele em um nível estratégico abrangente", completou.

No mesmo comunicado, o atual presidente do Einstein também elogiou a capacidade de liderança de Edson Bueno. "Nós nos conhecemos há muitos anos e estou ansioso para trabalhar com ele e sua equipe de liderança sênior", completou.

Lottenberg, que está a frente do Einstein há 15 anos, chega à Amil com grandes desafios. A companhia acaba de ser dividido em três braços de negócios: planos de saúde e dental, hospitais e clínicas e tecnologia aplicada à saúde. Nos últimos quatro anos, a Amil amarga prejuízos devido ao cenário macroeconômico - que têm diminuído o número de usuários de planos médicos - e ajustes ao padrão contábil americano. Em 2015, o prejuízo da Amil foi de R$ 107,5 milhões, mas é uma quantia quase 63% inferior ao resultado em 2014.

Entidades lançam alerta para barrar sífilis

08/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O Conselho Federal de Medicina, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia lançaram ontem um alerta para tentar refrear o avanço de casos de sífilis congênita no País. No documento, endereçado para a população em geral, autoridades e médicos, as entidades recomendam a adoção de medidas urgentes para reduzir o avanço da doença.

Como revelou o Estado, a taxa de bebês com sífilis congênita em 2015 foi de 6,5 casos a cada 1 mil nascidos vivos – 13 vezes mais do que é tolerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e 170% a mais do que o registrado em 2010. Diante dessa situação, o Ministério da Saúde deverá lançar nas próximas semanas um plano para tentar conter a doença. “A situação da sífilis no Brasil está fora de controle”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia do Rio, Mauro Passos. “Os números são vergonhosos.

É inadmissível o País ter uma taxa como essa de uma doença que pode ser prevenida”, completou o médico.

“Vivemos numa situação de emergência epidemiológica. E algo precisa ser feito”, completou Sidnei Ferreira, da Sociedade Brasileira de Pediatria.


GESTANTE


E o crescimento de casos não ocorre apenas para sífilis congênita. Números obtidos pelo Estado mostram que a doença em gestantes passou de 3,7 para 11,2 casos a cada 1 mil nascidos vivos, um aumento de 202%. Para sífilis adquirida (denominação dada para sífilis na população em geral), a taxa é de 42,7 casos a cada 100 mil habitantes.

“A doença avança por um misto de fatores. Ela é ainda alvo de preconceito. Nem médicos nem pacientes falam do problema”, afirmou Passos.

Um dos pontos preponderantes para o aumento de casos foi a falta de medicamentos usados para tratar a infecção, causada por uma bactéria. O antibiótico, penicilina, esteve por pelo menos dois anos em falta. E Passos disse não ser possível ainda falar que a situação está regularizada.

“Há relatos de falta de medicamentos.” Ele observa, no entanto, que existem outros problemas, como a falta de integração de informações. “Para se ter uma ideia, o número de casos de bebês com sífilis é maior do que o de gestantes. Algo que comprova a falta de informação adequada.”




Mulher recebe útero de doadora morta

08/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Uma paciente de 28 anos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) foi a primeira mulher da América Latina a ser submetida a um transplante de útero de uma doadora que já tinha morrido. A cirurgia, já feita nos Estados Unidos e na Turquia, foi realizada no mês passado e a paciente se recupera sem sinais de rejeição do órgão.

O procedimento, ainda experimental, fez parte de um projeto de pesquisa da Divisão Clínica de Ginecologia e do grupo de transplante hepático do hospital que teve início há cerca de três anos. O objetivo é que ele seja direcionado para mulheres que nasceram sem útero e pretendem engravidar.

“O projeto foi aprovado na comissão de ética do hospital e no Conep (Conselho Nacional de Ética e Pesquisa). As equipes começaram a fazer estudos em cadáveres e, depois, em ovelhas.

Nossa equipe foi para a Suécia, onde existe um centro que faz transplantes de doadoras não falecidas e têm resultados positivos de gravidez nas receptoras.

Então, apareceu a oportunidade de fazer aqui. O nosso caso é o terceiro no mundo”, explica Edmund Chada Baracat, professor titular da disciplina de Ginecologia e diretor da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas.

Os dois outros procedimentos que foram feitos não tiveram resultados positivos. No caso dos Estados Unidos, o útero precisou ser removido. Na Turquia, a mulher chegou a engravidar, mas teve um aborto espontâneo.

“A nossa paciente está muito bem, fazendo todos os acompanhamentos e tomando uma medicação específica para evitar rejeição. Também vamos acompanhar a situação reprodutiva dela.” A mulher tem a Síndrome de Rokitansky, uma condição rara que faz com que o útero não seja formado. Também pode causar alterações na vagina, mas não afeta os ovários. A síndrome costuma ser notada na adolescência, quando a jovem não menstrua, embora tenha um desenvolvimento normal.

Segundo Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, diretor do Serviço de Transplantes Abdominais do Hospital das Clínicas, o projeto prevê a realização de três cirurgias, inicialmente.

“A cirurgia é complexa.


O PROCEDIMENTO DUROU DEZ HORAS


Foram quatro pessoas para fazer a remoção do útero (da doadora), que é colocado em uma solução e, depois, implantado na paciente. Fazemos a costura das veias para ter a plena drenagem do útero.” Futuro. Após acompanhamento por um ano, se a paciente não tiver complicações, serão iniciadas as tentativas para que ela engravide. Antes do transplante, já foi realizada a coleta de óvulos e oito embriões estão congelados.

Baracat explica que esse tipo de transplante pode ser, no futuro, uma opção a mais para as mulheres que nasceram sem útero e têm o sonho de gerar uma criança.

“O transplante de útero tem indicação restrita. É para mulheres que nasceram sem útero e têm um futuro reprodutivo adequado, como é o caso dessa mulher.

É preciso ter boas condições clínicas e o casal precisa ter embriões adequados para serem implantados depois. É um procedimento de alto custo e sabemos que o útero não é um órgão vital, como é o caso de um coração ou de um pulmão.”




Dando cara à depressão

08/10/2016 - Folha de S.Paulo


"Quando eu era mais nova e todo mundo estava feliz, eu estava triste e deprimida. E eu não fazia ideia do porquê. Eu vivia em uma comunidade estável, meus pais eram ótimos pais, eu frequentava a escola, e não precisava de nada. Era muito estranho não conseguir ser de outro jeito.

Quando eu percebi que tinha algo errado, tentei fazer o que todo mundo diz pra você fazer: praticar exercícios, sorrir mais, agradecer pelas bênçãos na sua vida, ter mais pensamentos positivos, mas nada disso funcionava.

Até que fiquei desesperada e tentei falar com várias pessoas, mas ninguém me escutava. Meus pais disseram que eu estava sendo muito dramática, que era só uma fase da adolescência, e meus professores me chamavam de louca. Foram esses pensamentos e sentimentos que me fizeram acreditar que eu estava sozinha e que talvez eu não merecesse estar aqui e viver.

Até que quando eu tinha 13 anos eu tentei me matar. E posso dizer que minha vida foi salva por uma senhora que estava na clínica comigo. Ela não parava de olhar pra mim, até que chegou perto e disse: 'De uma pessoa louca para outra'. E me deu um colar prateado com um pingente que dizia 'hope' [esperança].

Essa mulher enxergou a doença dela em uma menina que precisava de ajuda, foi até ela e a apoiou.

Foi depois desse evento que eu descobri o que tinha e percebi que a forma como a gente falava de saúde mental estava errada. Lembro de dar um Google e não achar informações que dissessem 'Ei, essa coisa chamada depressão é assim'. Ou então achava textos escritos por médicos que não faziam sentido pra mim ou que diziam que a depressão é uma desculpa.

Na TV, a gente vê coisas como a 'crazy cat lady' nos Simpsons ou notícias que dizem que todo assassino e terrorista é doente mental. O que eu tento mostrar é que essas pessoas podem até se encaixar nessa categoria, mas um monte de pessoas incríveis também, de mendigos a CEOs.

Depois daquele evento eu escolhi algo no que me agarrar, pra me dar esperança: a formatura da minha irmã na high school [equivalente ao ensino médio no Brasil]. E eu sabia que faria o que fosse possível pra estar lá. Levei um bom tempo, acho que uns sete anos, pra ficar bem e encontrar um bom terapeuta. Foi uma luta difícil e diária.

Depois da formatura dela, lembro de estar sentada no meu quarto e pensar: 'Ok, e agora?'. Pensei em como eu via tanta gente sofrer de depressão e morrer por causa disso e quis mudar isso. O primeiro passo, eu pensei, era ser honesta e contar minha história. Ao trazer o tema à tona, algumas pessoas fogem do assunto e não querem falar comigo, mas muitas e muitas outras querem.

Uma das coisas que eu tento fazer é dizer o que é depressão, qual é a cara dela, em linguagem simples, para que as pessoas pensem: 'Ok, eu tenho uma doença, não sou preguiçoso, errado ou simplesmente estranho'.

Hoje eu consigo me entender, estou estável e, mesmo que eu tenha alguns dias ou alguns meses mais difíceis, eu sei como sobreviver. Isso significa que eu posso transmitir isso aos outros. Se tem um pai que está frustrado com o filho dele, eu consigo conversar para evitar que ele cobre algo como 'por que você não está melhorando depressa?'. Eu gosto de ser essa pessoa que responde às perguntas difíceis e que apoia as pessoas para que elas não joguem esse peso sobre quem está doente.

Quero ter certeza também de que estamos construindo algo além de dar palestras. O livro que escrevi ["Red Carnations", sobre sua história] é usado em escolas canadenses; aconselho empresas sobre como abordar o assunto saúde mental; trabalho com jovens para incentivá-los a contarem suas histórias e ainda ajudo a criar programas de saúde mental.

Uma coisa perigosa que está acontecendo no Canadá é que estamos falando mais de saúde mental, mas não estamos criando mais espaço para tratamento. Estamos aconselhando as pessoas a buscar ajuda, mas elas simplesmente não a encontram ou então veem uma fila de espera de três anos pra fazer terapia.

Hoje eu trabalho para vários projetos, como o BeChange [que oferece tratamento e apoio gratuito] e o Access Open Minds [que dá treinamento para que adolescentes e jovens adultos que já tiveram depressão ajudem os outros]. Também ajudei a fundar a Stella's Place, uma clínica que funciona em Toronto e conecta pessoas que já passaram por esse tipo de experiência. Ouvir que a depressão tem cura e que vai passar de alguém que já passou por isso faz diferença, tipo 'você realmente entende o que eu estou sentindo'.

Também é importante pra mim apoiar serviços que usam tecnologia. Se você mora em uma área muito remota e tem internet, é o que basta para conseguir ajuda. Vejo que muitas pessoas, mesmo as que moram em cidades grandes, têm muita dificuldade de sair de casa, de levantar da cama.


AJUDAR AS PESSOAS É UMA RESPONSABILIDADE


ouca, mas também é muito legal. O que eu faço é, basicamente, transmitir a mensagem. Se elas a abraçam e decidem continuar vivendo, isso significa que elas mesmas estão salvando a própria vida. Tudo que fiz foi contar minha história.

Meu objetivo agora é ajudar os jovens da minha comunidade. Meus pais são portugueses e vivemos num bairro de portugueses e brasileiros. Muitos dos jovens ali não estão indo tão bem. A maioria deles tem pais com baixos níveis de educação, que vieram pra cá pra tentar uma vida melhor, e eles têm a maior taxa de evasão escolar de Toronto. Poucos chegam à universidade. Queria mostrar que eles podem também ter uma vida mais próspera e algo melhor do que ficar sentado no McDonald's o dia inteiro."




Para onde quer que se olhe, haverá bactérias

09/10/2016 - Folha de S.Paulo


O perigo é onipresente. Onde quer que se examine, haverá fungos e bactérias. E, para o terror de quem tem mania de limpeza, não dá nem para fugir. Elas estão na pele, na boca e no intestino de todos nós.

Depois do curioso texto que você pôde ler neste domingo (9) na Folha sobre a famigerada “regra dos cinco segundos“, talvez valha a pena conhecer um pouco mais so

Numericamente, não há discussão: uma pessoa tem mais bactérias do que células humanas no organismo. Mas isso não é por acaso –estudos cada vez mais revelam que os micróbios têm papéis importantes e que vivemos em uma espécie de simbiose com eles.

Bactérias participam da absorção de nutrientes, do metabolismo de drogas, da preservação da mucosa do intestino e da proteção contra patógenos –até mesmo da resposta imunológica.

Dependendo do tipo de bactérias no intestino de uma pessoa, ela pode ter uma propensão maior a ser obesa. Isso porque os micróbios interferem na maneira que o organismo armazena gordura, sinaliza fome e até mesmo regula os níveis de açúcar no sangue –o que pode eventualmente provocar diabetes.

Mais assustador ainda é o cosmopolitismo desses organismos, que sobrevivem e perseveram em uma variedade assustadora de ambientes, como a Listeria monocytogenes (famosa por contaminar leite não pasteurizado, carnes e frutos do mar em geladeiras), que, assim como a Escherichia coli e as Salmonella spp. pode ser inesquecível para quem é infectado.

Uma bactéria do gênero Halomonas ficou famosa por ter uma resistência natural ao arsênio, além de conseguir sobreviver a uma água quase três vezes mais salgada que a do mar e em um ambiente altamente alcalino, de pH 9,8.

Outras bactérias se especializaram em viver em ambientes ácidos, como a Helicobacter pylori, que habita estômagos humanos. Engenhosamente, ela penetra a camada de muco que reveste o órgão internamente, alojando-se próximo ao epitélio, onde sofre menos os efeitos deletérios da acidez. A H. pylori está relacionada a gastrites crônicas e também a câncer de estômago.




A judicialização da saúde

09/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não julga em caráter definitivo um recurso sobre o limite da responsabilidade dos Estados e do Distrito Federal de distribuir gratuitamente remédios de alto custo não incluídos nas listas do Sistema Único de Saúde (SUS), os tribunais continuam tomando decisões polêmicas nessa matéria.

Tomada por um juiz federal de Guarulhos e referendada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região, a mais recente obriga a União a usar verbas da publicidade oficial, e não os recursos orçamentários do Ministério da Saúde, para pagar remédios importados para uma jovem com doença genética rara.

Na defesa do governo, a Advocacia Geral da União alegou que a Justiça não pode interferir nas verbas orçamentárias do Executivo aprovadas pelo Legislativo. O argumento foi rejeitado pelo TRF da 3.ª Região, sob a justificativa de que o Código de Processo Civil autoriza os juízes a recorrerem a todos os meios para preservar os direitos fundamentais previstos pela Constituição, como o direito à vida. As duas instâncias da Justiça Federal entenderam que, se os recursos do SUS são limitados, as verbas para o custeio dos remédios devem sair do orçamento de áreas não prioritárias da máquina governamental. “Ao manter a propaganda estatal, muitas vezes de caráter de promoção do governante, enquanto há pessoas morrendo por falta de tratamento, o Executivo comete inconstitucionalidade”, diz o juiz federal Paulo Rodrigues, da comarca de Guarulhos. “A Justiça está recordando a verdade sublime que o Estado existe para o cidadão, e não o contrário”, afirmou o desembargador Johnson di Salvo, do TRF da 3.ª Região.

Esse é mais um capítulo da novela sobre a judicialização da saúde, que se arrasta há anos, à espera de uma manifestação definitiva do STF. O recurso que a Corte julgará nas próximas semanas foi impetrado pelo Estado do Rio Grande do Norte. Alegando que não dispõe de recursos orçamentários para cumprir as centenas de liminares concedidas em matéria de distribuição gratuita de medicamentos caros, o governo potiguar pleiteia que o direito à saúde seja apartado dos direitos fundamentais.

A reivindicação é apoiada por todos os Estados e pelo Ministério da Saúde. Só nos primeiros seis meses deste ano, o Ministério cumpriu 16,3 mil ações judiciais que o obrigaram a fornecer gratuitamente remédios que não constam da lista do SUS. Em São Paulo, entre liminares e antecipações de tutela, o governo estadual cumpriu no ano passado 18 mil ordens judiciais, que custaram aos cofres estaduais R$ 1,2 bilhão.

No último triênio, o Ministério da Saúde gastou R$ 1,76 bilhão com o cumprimento de ações judiciais – um aumento de 129%. Para 2016, a estimativa é de que os gastos da União, dos Estados e dos municípios cheguem a R$ 7 bilhões.

No embate com os tribunais, os secretários e o ministro da Saúde alegam que 69% das decisões judiciais provêm de prescrições de médicos privados e sugerem que parte do receitado não é urgente e tem similar nas listas de remédios do SUS.

Afirmam, igualmente, que as decisões de primeira e de segunda instâncias têm priorizado direitos individuais, em detrimento de direitos coletivos.

As cúpulas das Justiças Federal e Estaduais respondem que é cada vez maior o número de juízes que buscam informações técnicas nos órgãos públicos de saúde, antes de emitirem uma decisão. Também afirmam que a magistratura tem sido cuidadosa ao compatibilizar atos administrativos com princípios constitucionais.

A verdade é que os dirigentes governamentais têm razão quando afirmam que as decisões judiciais retiram do poder público a competência para gerir a área da saúde. Já os juízes alegam que os problemas da saúde não devem ser vistos apenas pelo lado financeiro.

Cabe ao STF encontrar um meio-termo, reconhecendo o direito à saúde como direito fundamental, por um lado, mas obrigando a Justiça a levar em conta as limitações orçamentárias do poder público num contexto de crise fiscal, por outro.




Cuidado com as garotas!

09/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Novos trabalhos divulgados na última semana mostram a necessidade de cuidados e atenção redobrados com as garotas mais jovens. Esse grupo parece hoje muito mais vulnerável a transtornos emocionais que podem provocar impactos importantes na saúde e no comportamento.

O primeiro estudo aponta que garotas com déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais. Essa condição elevaria a chance de problemas como gravidez na adolescência, pior desempenho na escola e abuso de drogas.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA, avaliaram trabalhos anteriores com cerca de 2 mil garotas de 8 a 13 anos: 40% delas tinham diagnóstico de TDAH. Ansiedade, depressão, transtorno desafiador opositivo (raiva, hostilidade, dificuldade de lidar com regras), distúrbios de conduta e violência foram mais comuns entre essas meninas do que naquelas que não tinham sintomas de TDAH. Os dados foram publicados no periódico médico Pediatrics.

Segundo os especialistas, é mais difícil diagnosticar TDAH nas meninas.

Em geral, elas apresentam menos sintomas de hiperatividade do que os garotos. Em contrapartida, sinais de falta de atenção são frequentes.

Se um acompanhamento cuidadoso for feito desde cedo, é mais fácil monitorar e controlar melhor as eventuais dificuldades emocionais e, portanto, reduzir os riscos para a vida dessas garotas.

Outra pesquisa da última semana, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), revela que as adolescentes britânicas estão se tornando o grupo com mais problemas com o álcool.

Elas apresentam risco duas vezes maior do que os garotos de se embriagar.

Um terço delas já ficou “de porre” pelo menos duas vezes antes dos 15 anos. Além delas, apenas as garotas suecas e canadenses bebem mais do que os meninos. Nos demais países, os garotos ainda ingerem mais álcool.

Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail.

Os números contrastam com tendências apontadas por outros trabalhos atuais, que sugerem uma queda do consumo de álcool entre os menores nos países desenvolvidos, já que eles estariam ficando cada vez mais tempo em suas casas, usando redes sociais, do que na rua, bebendo com os amigos. É importante lembrar que, quanto mais cedo se inicia o contato com o álcool, maiores os riscos de padrões complicados de uso, como o abuso (tomar porres, por exemplo) e a dependência.

Juntando os dois trabalhos citados, percebe-se que as garotas com mais questões emocionais, como as que apresentam depressão, ansiedade e dificuldades de adaptação, correm maior risco de abusar da bebida. E, como se sabe, o álcool acaba impactando diversos campos da vida do jovem, como desempenho escolar, exposição à violência, uso de cigarro, experiência com outras drogas e comportamento sexual de risco, entre outros.

Outro estudo, divulgado pelo Sistema Nacional de Saúde (NHS Digital) do Reino Unido, também na última semana, mostra que as mulheres mais jovens, de 16 a 24 anos, são três vezes mais propensas do que os homens da mesma faixa etária a desenvolver transtornos mentais, como depressão e automutilação. Uma em cada quatro delas vai enfrentar essas questões ao longo da vida. Os dados foram publicados pelo jornal Daily Mail.

As mesmas redes sociais, que poderiam em teoria proteger as jovens do abuso de álcool, são também grandes vilãs para a saúde emocional dessas meninas, que passam a se comparar o tempo todo com as colegas e sentem fortes pressões para estar sempre bem. O isolamento, o pessimismo e a dificuldade em lidar com problemas acabam minando a autoestima e o bem-estar dessas garotas.

Lógico que as redes sociais não são as únicas responsáveis. Outras questões, como desemprego, crise econômica, problemas familiares, exclusão social e machismo, entre outras, também colocam uma carga extra sobre essas meninas hoje.

E quem sofre mais acaba bebendo mais! Os resultados mostram o quanto é importante que os pais e as escolas possam avaliar com frequência o estado psíquico das garotas e procurar ajuda quando necessário. É uma forma de tentar garantir mais saúde e qualidade de vida para essa jovem população feminina hoje mais vulnerável.




Unicef afirma que que Iêmen passa por surto de cólera

10/10/2016 - Folha de S.Paulo


A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) anunciou na sexta (7),que há um surto de cólera no Iêmen. “As autoridades de saúde anunciaram que foram confirmados casos de cólera na capital, Saná, enquanto há outras suspeitas [de casos] na cidade de Taez (sudoeste)”,informou a entidade em um comunicado.

A cólera é causada pela bactéria Vibrio cholerae, que ao infectar o corpo leva as células que revestem o intestino a produzir uma maior quantidade de fluídos. Com isso, instalam-se quadros de diarreia e vômitos.

Pessoas contaminadas podem perder fluídos corporais rapidamente, o que, se não tratado, pode levar à morte em questão de horas.O tratamento é realizado via administração de fluídos e sais.

O contágio ocorre por água ou alimentos contaminados.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou, em comunicado, que, até o momento, foram confirmados oito casos da doença no Iêmen.

A maior parte dos pacientes infectados eram crianças.

“A escassez de água limpa para consumo agravou a situação da saúde no Iêmen, que já era ruim. Isso causou um aumento significativo nos casos agudos de diarreia, especialmente entre os deslocados internos, que agora já são mais de três milhões de pessoas”, afirmou a OMS em comunicado.

Os serviços de saúde do país foram muito atingidos pela guerra entre rebeldes xiitas hutis e forças pró-governamentais. O conflito, que já dura mais de 18 meses, causou uma grave crise humanitária e já deixou mais de 6.700 mortos, segundo a ONU.

“As crianças estão expostas a um risco particularmente alto se a atual epidemia de cólera não for contida urgentemente, ainda mais levando em conta que o sistema de saúde do Iêmen está arrasado com a continuação do conflito armado”, alerta o representante da Unicef no Iêmen, Julien Harneis.

Se não forem tratados, os casos graves de cólera poderão matar até 15% das pessoas afetadas em algumas horas, segundo o comunicado divulgado pela Unicef.

Ahmed Shadoul, representante da OMS no Iêmen, diz que a situação é um alerta para que outras nações ajudem o país a controlar o contágio.




Conheça os direitos de pessoas com câncer no Brasil

07/10/2016 - Zero Hora Online


Entre 2016 e 2017, estima-se que 600 mil novos casos de câncer sejam registrados no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Por isso, é importante que a população conheça os direitos de quem tem a doença no país. As leis brasileiras asseguram uma série de benefícios a quem foi diagnosticado, como saque do FGTS, auxílio-doença e isenção de impostos.

A dirigente do Núcleo de Defesa da Saúde da Defensoria Pública do Estado, Regina Célia Rizzon Borges de Medeiros, afirma que a maior demanda do órgão em relação aos pacientes com câncer diz respeito a medicamentos. São pacientes que recebem indicação médica para um determinado remédio, mas não têm condições de comprá-lo.

— Geralmente atendemos pessoas com renda de até três salários mínimos, mas, no caso de saúde, levamos em conta a condição que os pacientes e suas famílias possuem para pagar os medicamentos — explica Regina, acrescentando que todo o paciente que tiver dificuldades financeiras para bancar o tratamento pode procurar a Defensoria Pública de seu município.

O advogado Jamil Abdo, que atende casos de pacientes com câncer, afirma que também é muito comum os usuários de planos de saúde terem de recorrer à Justiça para conseguir determinados tratamentos. Um exemplo foi de um cliente que teve indicação médica para fazer uma cirurgia com auxílio de equipamentos importados, pelo alto risco do procedimento, mas o plano de saúde afirmou que só bancaria a intervenção com os aparelhos nacionais.

— Entramos na Justiça e ganhamos. Por isso, é muito importante que os pacientes conversem com os seus médicos sobre a melhor opção de tratamento.

Por isso, Abdo aconselha que as pessoas com câncer procurem auxílio jurídico quando tiverem seus direitos negados.


CONFIRA ABAIXO OS DIREITOS DE PESSOAS COM CÂNCER:


Tratamento Fora de Domicílio (TFD) pelo SUS

Os pacientes atendidos pela rede pública de saúde têm direito a receber tratamento fora de seu município ou, em caso especiais, fora de seu Estado. O TFD pode envolver a garantia de transporte e hospedagem, quando indicado. Nos casos em que houver indicação médica, será autorizado o pagamento de despesas para acompanhante. Caso esses benefícios não sejam garantidos pelo poder público, os pacientes podem procurar auxílio da Defensoria Pública.

Saque do FGTS

Todo trabalhador que for diagnosticado com câncer ou que tenha um dependente com a doença poderá sacar o FGTS. Para isso, será exigido um atestado médico com validade de até 30 dias, contados a partir de sua expedição, com a assinatura do médico responsável pelo tratamento, carimbo e CRM. O atestado também deverá conter o diagnóstico e o estágio clínico atual da doença e do paciente. O trabalhador poderá sacar o valor referente a todas as contas, inclusive a do atual emprego.

Saque do PIS/Pasep

Os trabalhadores cadastrados no PIS/Pasep antes de 1988 que forem diagnosticados com câncer ou que tiverem dependentes com a doença também podem sacar o PIS, na Caixa Econômica Federal, e o Pasep, no Banco do Brasil. É preciso apresentar um atestado médico com validade de até 30 dias, contados a partir de sua expedição, com a assinatura do médico responsável pelo tratamento, carimbo e CRM. O documento também precisa conter menção à Resolução 01/96 do Conselho Diretor do Fundo de Participação PIS/Pasep, o diagnóstico e o estágio clínico atual da doença e do paciente. Caso o paciente seja cadastrado no PIS/Pasep depois de 1988, é possível recorrer à Justiça para pedir o benefício.

Auxílio-doença

Quando o paciente com câncer fica impossibilitado de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos, tem direito ao auxílio-doença, um benefício mensal. A incapacidade para o trabalho deve ser comprovada por meio de exame realizado pela perícia médica do INSS. É indispensável apresentar a Carteira de Trabalho ou documentos que comprovem a contribuição ao INSS, além de declaração ou exame médico (com validade de 30 dias) que descreva o estado clínico do paciente. O cálculo do valor do auxílio-doença é feito com base nos valores de contribuição.

Aposentadoria por invalidez

Quando a incapacidade para o trabalho do paciente com câncer é considerada definitiva pela perícia médica do INSS, ele terá direito à aposentadoria por invalidez. Nos casos em que os pacientes necessitarem da assistência permanente de outra pessoa, terão direito ao acréscimo de 25% no benefício.

Amparo Assistencial ao Idoso e ao Deficiente

A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) garante o benefício de um salário-mínimo mensal ao idoso com 65 anos ou mais, que não exerça atividade remunerada, e à pessoa com deficiência incapacitada para o trabalho, cuja renda familiar seja inferior a um quarto do salário-mínimo. O paciente com câncer que se enquadre nesses critérios também pode receber o benefício.

Isenção do Imposto de Renda na aposentadoria

Os pacientes com câncer estão isentos do Imposto de Renda relativo aos rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão, inclusive as complementações. A isenção aplica-se mesmo quando a doença tenha sido identificada após a aposentadoria e até os rendimentos recebidos acumuladamente não sofrem tributação. Para solicitar a isenção, a pessoa deve procurar o órgão pagador da sua aposentadoria, como INSS, prefeitura ou Estado, com um requerimento fornecido pela Receita Federal. A doença deverá ser comprovada por meio de laudo médico.

Quitação do financiamento da casa própria

A pessoa com invalidez total e permanente, causada por acidente ou doença, possui direito à quitação, caso exista esta cláusula no seu contrato. Para isso, deve estar inapto para o trabalho e a doença determinante da incapacidade deve ter sido adquirida após a assinatura do contrato de compra do imóvel. Isso é possível porque existe, nas parcelas do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), um seguro que garante a quitação do imóvel em caso de invalidez ou morte. O seguro cobre o valor correspondente à cota de participação do paciente no financiamento. Em casos em que a possibilidade de quitação não esteja previsto em contrato, os pacientes podem procurar auxílio jurídico para tentar obter o benefício.

Isenção de impostos na compra de veículos adaptados

O paciente com câncer é isento do IPI, ICMS e IPA apenas quando apresenta deficiência física nos membros superiores ou inferiores que o impeça de dirigir veículos comuns. É necessário apresentar exames e laudo médico que descrevam e comprovem a deficiência.

Isenção de IPTU e tarifas de transporte

Alguns municípios preveem a isenção do IPTU e tarifas de transporte para pessoas com doenças crônicas. Caso o município não ofereça os benefícios, os pacientes com câncer podem procurar as prefeituras ou o Judiciário para solicitar a isenção.




Máfia das próteses agia no Hospital Daher

07/10/2016 - Correio Braziliense


O esquema de fraudes em cirurgias articulado por médicos e empresários de órteses e próteses revelado pela Operação Mister Hyde teve novo revés com a deflagração da segunda fase da investigação. Entre os alvos, está o cirurgião plástico José Carlos Daher e o Hospital Daher, no Lago Sul. Na tarde de ontem, o médico acabou preso por porte ilegal de arma de uso restrito, durante busca e apreensão na casa dele, na QL 8 do Lago Sul. Pela manhã, 11 promotores e 20 policiais cumpriram sete mandados de condução coercitiva e cinco de busca e apreensão. Documentos obtidos pelo Correio mostra a negociação entre Daher e o empresário Johnny Wesley Gonçalves Martins, alvo da primeira parte da operação. O esquema pode ter movimentado R$ 30 milhões (leia Linha do tempo).

As investigações da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-vida) apontam que Daher atuava diretamente nos pagamentos que envolviam órteses e próteses. Em um e-mail ao qual investigadores da Operação Mister Hyde tiveram acesso, o cirurgião plástico notifica os funcionários sobre um “novo acordo”. A correspondência eletrônica trocada em agosto de 2009 detalha a negociação. “Ele (Johnny Wesley) quer operar 50% de seus casos no nosso hospital, o que corresponde a três pacientes por mês”, escreveu Daher. O neurocirurgião Johny Wesley é sócio da TM Medical, empresa de insumos médicos acusada de liderar a fraude. Ele está preso.

Denúncias de destruição de provas e formatação de computadores obrigaram o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil a adiantarem a operação. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) será acionado por haver a suspeita de formação de cartel entre as fornecedoras dos materiais e o Hospital Daher. “As primeiras escutas telefônicas já levantavam suspeitas contra o hospital. Um dos médicos investigados na primeira fase havia dito que gostava de operar nesses dois hospitais (Daher e Home) porque recebia dobrado”, explica Maurício Miranda, promotor da Pró-vida.

Os médicos envolvidos, além dos honorários, recebiam das unidades de saúde de 3,5% a 7% e mais quase 30% da distribuidora dos materiais. Mais de 100 pacientes teriam passado por procedimentos desnecessários ou com material vencido ou de baixa qualidade somente em 2016, segundo o MPDFT. Ontem, um consultório usado como sala de cirurgia clandestina foi interditado no anexo do Daher. A diferença entre o Home (alvo na primeira fase) e o Daher é que, no primeiro, quem atuava eram os funcionários. No segundo, notamos uma participação forte do dono no gerenciamento das transações ilegais”, acusou Maurício.

Em correspondência obtida pelo Correio, Daher orienta os funcionários a não receberem “em hipótese nenhuma” pacientes que chegassem para atendimento com ordem judicial vindos de processos da Secretaria de Saúde. Ele reclama de o hospital não ser pago por esse tipo de internação. “Em nenhuma hipótese, devemos internar qualquer mandado. Os leitos vazios devem permanecer desativados. Os aparelhos devem ser guardados e deve-se criar uma placa a ser pendurada: ‘Leito em manutenção’”, destaca trecho do texto enviado por Daher, em fevereiro de 2011. “Jamais internar mandado. Haja o que houver”, frisa.

Cinco funcionários do Hospital Daher prestaram depoimento coercitivamente: Maria de Lourdes da Silva Pinto; superintendente da unidade médica; Wirliane Pires da Silva, chefe do Departamento Financeiro; José Wilson do Bonfim Lopes, médico responsável técnico do Daher; Patrícia Bezerra Mendes, também do Departamento Financeiro; e Marco Aurélio Silva Costa, diretor comercial. Ana Maria Monteiro Machado, ex-funcionária, não foi encontrada na operação desta quinta.


OUTROS SUSPEITOS


Na capital federal, segundo o titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), Luiz Henrique Sampaio, o preço de órteses e próteses é de 800% a 1.000% maior do que no restante do país. “A concorrência era entre três empresas. Uma entrava para ganhar e outras duas sabendo que perderiam”, detalha. Participam do esquema mais unidades de saúde, empresas e médicos, mas, para não atrapalhar as investigações, a Polícia Civil e o MPDFT não divulgaram nomes. “Outros hospitais vão ser alvos de investigação”, adianta o Miranda.

A Polícia Civil chegou ao Hospital Daher após analisar trocas de e-mails e extratos de pagamento entre a MT Medical e a unidade médica. O MPDFT suspeita que a deflagração da Mister Hyde, em 1º setembro, não coibiu a prática irregular, e médicos continuaram a realizar os procedimentos desnecessários. “Estamos trabalhando para comprovar se houve cirurgias neste período”, adiantou o promotor.

Em nota, o Hospital Daher negou envolvimento no esquema e garantiu colaborar com as investigações. “Não fomos avisados ou comunicados do teor da visita e estamos colaborando ativamente com as solicitações realizadas”, detalha o texto. A Secretaria de Saúde não comentou o caso.


PERFIL


Mago do nariz e da face

Discípulo do cirurgião Ivo Pitanguy, o médico José Carlos Daher, 71 anos, ficou conhecido pelos procedimentos na face, sobretudo as rinoplastias. Formado pela extinta Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele criou e chefiou o Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Forças Armadas entre 1972 e 1982. Em 1979, ele fundou o Hospital Daher, no Lago Sul, e, desde então, passou a liderar o ramo na capital federal. Desde 2012, Daher era presidente do Sindicato Brasiliense de Hospitais, Casas de Saúde e Clínicas (SBH). Deixou o cargo há dois meses. O médico é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e publicou diversos trabalhos no Brasil e no exterior sobre cirurgia plástica.


LINHA DO TEMPO


2016

Março

As apurações começam após uma paciente denunciar que, ao fazer uma cirurgia na coluna, um arame de 50cm foi deixado na jugular dela.

1º de setembro

A Operação Mister Hyde da Polícia Civil é resultado de investigação iniciada em parceria com o MP. Doze pessoas são presas na primeira fase. Entre os detidos, há sete médicos e cinco empresários e funcionários de hospitais. Também são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e quatro conduções coercitivas. A apuração evidencia casos em que cirurgias eram sabotadas pelos médicos para que o paciente necessitasse de novos procedimentos, o que geraria lucro para o esquema.

2 de setembro

Quinze pacientes se apresentam como mais vítimas do mesmo grupo. As buscas continuam no Hospital Home (613 Sul). A Polícia Civil recolhe, no fim da tarde, documentos e computadores para complementar as investigações. À noite, cinco dos sete médicos envolvidos no esquema da máfia das próteses no DF ganham a liberdade provisória.

6 de setembro

O superfaturamento de equipamentos, a realização de cirurgias sem necessidade e o uso de produtos vencidos são confirmados em escutas telefônicas.

9 de setembro

As investigações sobre a Máfia das Próteses chegam aos planos de saúde. Um dos focos será descobrir como ocorreram as irregularidades dentro das operadoras, inclusive com a suspeita de participação de funcionários das empresas. Esses grupos podem ter pagado, por cirurgias, até três vezes mais do que os valores de mercado.

21 de setembro

O MP encaminha à 2ª Vara Criminal de Brasília a primeira denúncia contra os envolvidos.

23 de setembro

O Juiz da 2ª Vara Criminal de Brasília aceita denúncia contra 17 acusados.




Doenças transmissíveis matam menos

07/10/2016 - Correio Braziliense


Segundo o Global Burden of Disease Study 2015, um dos fatores que mais contribuíram para o aumento da expectativa de vida a nível mundial foram as grandes quedas de mortes provocadas por doenças transmissíveis nos últimos 10 anos, principalmente Aids, diarreia e malária. No Brasil, por exemplo, houve queda de 10,9% na mortalidade dos pacientes com Aids desde 2003, segundo o Ministério da Saúde. A taxa caiu de 6,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2003 para 5,7 óbitos em 2014.

O relatório mundial de doenças e fatores de risco também revelou que, desde 1990, houve aumento do uso de drogas e exposição a agentes cancerígenos, como o benzeno, presente na fabricação de detergente e de outros produtos domésticos. Em contraste, as exposições a riscos considerados evitáveis — por exemplo, o tabagismo e o saneamento inseguro da água — reduziram, levando em conta dados 2005. Ainda assim, o fumo está entre uma das cinco principais causas de riscos associados à perda da saúde em 140 países, sendo os principais deles o Reino Unido e os Estados Unidos.


SONDAGEM ANUAL


O Global Burden of Disease Study é um relatório feito anualmente, desde 1990. Nessa última edição, os cientistas realizaram uma análise mais refinada, considerando, pela primeira vez, o índice sociodemográfico dos países, o que inclui taxas de educação, renda e fertilidade. A mudança ajudou nas comparações entre as regiões analisadas, disseram os participantes.

“Nós vimos países que melhoraram mais rápido, considerando fatores além da renda, da educação ou da fertilidade. Também percebemos países — incluindo os Estados Unidos — que são muito menos saudáveis do que deveriam ser, dados os seus recursos”, detalhou, em comunicado à imprensa, Christopher Murray, diretor do Instituto de Metrologia da Saúde e Avaliação da Universidade de Washington e um dos autores do relatório. O estudo científico considerou mais de 300 doenças e lesões em 195 países e territórios.




Mais de 60% descobriram câncer de mama pelo autoexame, diz Inca

06/10/2016 - G1 - Jornal Hoje


Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer mostra que, na maioria dos casos (66,2%), é a própria mulher ou o companheiro que percebem os primeiros sinais da doença. Com o toque, é possível sentir nódulos a partir de 1 centímetro de comprimento.

Em um terço desses casos, as mulheres descobriram o câncer ainda em estágio inicial (33%). Segundo a pesquisa, 30,1% delas identificaram o câncer de mama por meio de mamografia ou outro exame de imagem. Em 3,7% dos casos, quem detectou o problema foi um médico ou um enfermeiro.

A pesquisa revela que mesmo em fase inicial é possível perceber alguma alteração. Uma mensagem do corpo de que alguma coisa não vai bem e é preciso estar atento aos sinais que o nosso corpo dá. Não é só um nódulo no seio, existem outros sintomas também.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura. O autoexame é muito importante, mas não pode substituir a mamografia.

O Instituto Nacional do Câncer afirma que a mamografia não detecta 100% dos casos.

Para o Instituto, os exames devem ser feitos a partir dos 50 anos e essa também é a orientação da Organização Mundial da Saúde.




Mais da metade das crianças de São Paulo é sedentária

07/10/2016 - DCI


De acordo com um estudo inédito, realizado pela Nestlé em parceria com o Ibope, cerca de 52% das crianças de até 12 anos estão sedentárias. Elas fazem menos de 40 minutos de atividade física diária recomendada. A pesquisa 'Infant and Kids Study" avaliou os hábitos de vida e alimentação infantil de 1.000 crianças entre 0 e 12 anos de idade da Região Metropolitana de São Paulo.

Os dados foram apresentados ontem (6), na primeira edição do fórum 'Diálogos de Valor', uma iniciativa da Nestlé que busca promover o debate de temas relevantes para a sociedade.

Estiveram presentes na ocasião o pediatra e endocrinologista Raphael Liberatore, a psicóloga Elizabeth Monteiro, o ex-judoca Flávio Canto, a atriz e mãe Flávia Alessandra. O sedentarismo observado no levantamento está atrelado ao maior tempo que essas crianças passam em frente à televisão, computador, e/ou videogame.

Cerca de 75% das crianças, de 7 a 12 anos de idade, passam mais de 4 horas por dia em frente a alguma tela, o dobro do recomendado pela Academia Americana de Pediatra (AAP), de apenas 2 horas/dia.

A hora da refeição também é impactada por este comportamento. Cerca de 30% das crianças de 1 a 4 anos se alimentam assistindo televisão, estudando ou jogando videogame. Este número dobra a partir dos 4 anos, chegando a 56% nas crianças de 4 até 9 anos, e 65% nas de 9 a 12 anos.

Segundo a psicóloga Elizabeth Monteiro, os hábitos da vida moderna estão acabando com a infância das crianças. "É cada vez mais comum eu atender crianças com problemas psicológicos, transtornos e outras patologias por estarem inseridas desde muito cedo no mundo digital, com o uso de smartphones e tablets, que são recursos que atendem às necessidades dos adultos, mas não às delas. É preciso que os pais entendam isso e comecem a dosar o uso dos aparelhos nesta faixa etária", disse.

São esperadas para este ano novas orientações da AAP sobre o tempo de tela recomendado para crianças e adolescentes. Atualmente, o órgão sugere que crianças menores de 2 anos não tenham contato com a tecnologia.

Passar mais tempo sentado em frente à tela, do que se exercitando em outras atividades e brincadeiras, refletiu também no índice de massa corpórea (IMC) das crianças pesquisadas. O levantamento mostrou que 44% apresentaram sobrepeso (18%) ou obesidade (26%).

Os resultados confirmam uma tendência apontada pela Organização Mundial da Saúde, de que 75 milhões de crianças do mundo inteiro estarão com sobrepeso ou obesidade até 2025 caso não seja tomada uma medida para reverter o atual cenário. O dado preocupante é que foi observada uma elevada taxa de obesidade, de 33%, entre crianças de 0 a 5 anos de idade. Segundo o dr. Raphael Liberatore, permanecer acima do peso nesta faixa etária pode decidir o futuro do adulto com a balança. "Se a criança permanece obesa e passa dos 5 anos de idade sem conseguir perder peso, ela, provavelmente, pode se tornar um adolescente e adulto obeso. Isso acontece porque durante os primeiros anos de vida estimulou-se muito a produção de células adiposas [de gordura]", explicou.

A pesquisa mostrou ainda que uma em cada três crianças da amostra, na faixa etária de 4 a 12 anos, ingere, em média, 25,5 g adicionais de gordura por dia , o equivalente a três colheres de sopa de óleo. O estudo também apontou que o melhor cenário para saúde infantil é onde as refeições são realizadas, sendo o consumo dos alimentos em casa uma proteção para a dieta, quando comparado às refeições feitas fora do lar. Além disso, o comportamento dos pais é determinante para as práticas alimentares dos filhos, uma vez que após o sexto mês de vida, o hábito alimentar se forma por aprendizado e comportamento.




Brasil sofre com depressão e ansiedade

07/10/2016 - O Globo


Os brasileiros, assim como boa parte do resto da população mundial, estão vivendo mais, mas não necessariamente melhor. É o que mostra outra leva de estudos da série “Fardo Global das Doenças”, publicada na edição desta semana da prestigiada revista médica “The Lancet”. Segundo o levantamento, desordens mentais, como depressão e ansiedade, estão entre as principais condições de saúde não fatais que levam os brasileiros a conviver cada vez mais anos com algum tipo de incapacitação. E estes problemas praticamente não fazem distinção de faixa etária, com ansiedade e depressão já aparecendo entre crianças e jovens entre cinco e 14 anos como quarta e oitava causa de alguma incapacitação, respectivamente, e se mantendo entre as dez mais até os 69 anos, quando a ansiedade cai para a 13ª posição nas pessoas com mais de 70.

— O mundo está vendo uma redução na perda de saúde devido a doenças comunicáveis, como HIV/Aids, malária, pneumonia, diarreia e sarampo, mas também um pernicioso aumento nas doenças não comunicáveis, especialmente diabetes, degeneração das articulações, uso de drogas e depressão — comenta Nicholas Kassebaum, professor do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, EUA, onde cientistas desenvolveram metodologia para contabilizar e fazer estimativas sobre diversos aspectos da saúde global, e líder de um dos seis estudos publicados na “The Lancet”. — Estas tendências têm implicações maciças para os sistemas de saúde. Sem a prevenção e os tratamentos devidos, essas doenças não comunicáveis vão se tornar um fardo cada vez maior nos próximos anos em vários países, a despeito de sua posição no ranking do índice de desenvolvimento sociodemográfico.


VIDA TOTAL X VIDA SAUDÁVEL


E esta situação se reflete justamente em outro indicador desenvolvido pelo IHME, que mede a expectativa de vida saudável de cada país, num contraponto à usual expectativa de vida total normalmente divulgada pelos institutos de estatísticas nacionais. No Brasil, por exemplo, a expectativa de vida saudável projetada para as mulheres nascidas em 2015 é de 67,38 anos, mais de uma década inferior à expectativa de vida total calculada para elas, 78,21 anos. Já para os brasileiros do sexo masculino nascidos no ano passado, a expectativa de vida saudável fica em 62,35 anos, cerca de oito anos a menos que a expectativa de vida total, de 70,72 anos.

Ainda de acordo com as estimativas feitas pelo IHME, fruto de uma colaboração de mais de 1,8 mil cientistas em quase 130 países, o Brasil registrou aproximadamente 1,35 milhão de mortes no ano passado, tendo como principais causas doenças coronarianas, derrames, problemas respiratórios e diabetes, num ranking bem parecido com o visto na estatística global Este resultado é reflexo também da pouca atenção dos governos, e da população mundial, na prevenção e combate a fatores de risco administráveis e modificáveis destas doenças, tanto que os estudos indicam que cerca de 70% das mortes estão ligadas a eles. Segundo o levantamento, entre os brasileiros lideram estes fatores a hipertensão; nível de glicose alto em jejum, situação pré-diabética; tabagismo; alto índice de massa corporal, ou seja, sobrepeso ou obesidade; altas taxas de colesterol; excesso no consumo de sódio (sal) e álcool; dieta pobre em grãos integrais; e pouca atividade física, o sedentarismo.

Aqui, no entanto, a violência interpessoal também tem um grande peso na estatística. De acordo com a pesquisa, só em 2015 foram mais de 61 mil vítimas no Brasil, o maior número absoluto de mortes por atos violentos estimado para o ano em todo mundo, excluindo países em guerra. Já quando se leva em conta a taxa de mortes por violência a cada 100 mil habitantes, a situação do Brasil melhora, mas não muito: ela ficou em 29,46 no ano passado, o suficiente para colocar o país na 10ª posição, atrás de nações como Afeganistão (29,76), Colômbia (35,57), África do Sul (38,14), Venezuela (45,83) e o líder El Salvador, com 60,29.

Já em nível global, o levantamento aponta uma significativa alta na expectativa de vida média de homens e mulheres entre 1980 e 2015, período em que passou de cerca de 62 anos para quase 72 anos. Segundo os pesquisadores, porém, esta evolução foi muito desigual entre os 195 países avaliados, assim como em alguns parâmetros que têm forte influência nestes resultados. A mortalidade de crianças com menos de cinco anos em todo mundo, por exemplo, caiu em mais da metade desde 1990, resultado de esforços principalmente em países da África Subsaariana e do Sul da Ásia, onde o problema é mais grave. Por outro lado, nações como os EUA estão tendo resultados piores do que os esperados diante de seu nível de desenvolvimento socioeconômico e mesmo regredindo em alguns pontos.

— O desenvolvimento guia, mas sozinho não determina a saúde — resume Christopher Murray, diretor do IHME.




Obesidade atinge 46% das crianças paulistas, aponta pesquisa

06/10/2016 - Valor Econômico / Site


Cerca de 46% das crianças paulistas com até 12 anos está acima do peso. Dessas, 13% apresentam caso grave de sobrepeso e 33% podem ser consideradas obesas. O percentual daquelas com peso considerado normal chega a 45% e 9% mostraram-se abaixo do peso.

A pesquisa do Ibope avaliou aspectos da saúde de mil crianças de todas as classes sociais, que moram na região metropolitana de São Paulo, e foi apresentada hoje (6) no Fórum Diálogos de Valor, na capital paulista. O estudo revelou ainda que 52% das crianças é sedentária, sendo que o índice é ainda maior entre as meninas – 56% delas são sedentárias. O levantamento foi encomendado pela Nestlé.

De acordo com o estudo, 75% das crianças de 7 a 12 anos passam mais de 4 horas por dia em frente à televisão, ao computador ou videogame. Na faixa etária até 12 anos, 35% das crianças ficam até 2 horas em frente a equipamentos eletrônicos. O recomendado por especialistas é até 2 horas por dia.


PAPEL DOS PAIS


O pediatra e endocrinologista Raphael Liberatore disse que a criança imita os pais. “Não adianta o pai passar o dia inteiro vendo futebol na televisão, comendo porcarias e pedir para o filho dar uma volta no quarteirão”, disse o médico. “A criança precisa crescer num ambiente em que ela veja o pai e a mãe fazendo atividade física”, completou.

Segundo o médico, a obesidade é muito mais fácil e barata de ser prevenida do que tratada. “Tratar a obesidade é muito difícil”, disse. Na avaliação dele, os pais precisam se conscientizar e evitar hábitos ruins como colocar refrigerante na mamadeira das crianças pequenas. “Basta um passeio pelo shopping para ver isso”, disse.

A psicóloga Elizabeth Monteiro defende que o ato de brincar seja sempre valorizado. “Crianças quietas, que não brincam, são preocupantes. Os pais geralmente reclamam das crianças agitadas, mas o que preocupa é a criança quieta”, disse.


ALIMENTAÇÃO


De acordo com a pesquisa, 33,4% das crianças pesquisadas, com idade entre 4 e 12 anos, consomem mais gordura que a recomendação diária. A ingestão de cálcio está abaixo do recomendado em 62% dos casos. O percentual sobe para 84% na faixa etária entre 9 e 12 anos.

Para Liberatore, os dados do estudo apenas comprovaram o que outras pesquisas já mostravam: baixa ingestão de ferro, vitaminas A, C, E e D e alta ingestão de gordura e sal. “Você imaginar uma criança comendo duas a três vezes a quantidade de sal que precisaria o dia inteiro é assustador”, disse. Segundo a pesquisa, 70% das crianças consomem sal em quantidade excessiva.

O consumo de cálcio, em especial, tem que ser priorizado, segundo o médico. “É nessa fase da vida que a gente faz massa óssea. Se na fase de construir osso você não ingere cálcio, o futuro, principalmente para meninas, vai ser uma tragédia. Na época da menopausa, com certeza isso vai trazer complicações”, disse Raphael. O cálcio está presente em produtos lácteos.




2 em 3 pacientes detectam câncer sem mamografia

07/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou ontem um levantamento que aponta que 66,2% das pacientes com câncer de mama foram as responsáveis pela detecção de sinais da doença, por meio do autoexame ou pela observação de alterações nas mamas. O levantamento foi feito entre junho de 2013 e outubro de 2014 com 405 mulheres que procuraram atendimento pela primeira vez na cidade do Rio.

Os pesquisadores perguntaram como a doença foi detectada.

“Isso acontece no mundo inteiro.

Há relatos de que a própria mulher percebe olhando no espelho ou no banho”, diz Liz Maria de Almeida, gerente da divisão de pesquisa populacional do Inca.

Quase 90% das mulheres (89,6%) afirmaram que um caroço foi o sinal que as levaram a buscar atendimento médico. A dor na mama foi relatada por 20,9% das mulheres, enquanto alterações na pele da mama foram notadas por 7,1%. Alterações nos mamilos, saída de secreção e alterações no formato da mama foram relatadas por 2,6%, 5,6% e 3,7% das entrevistadas, respectivamente.


PREOCUPAÇÃO


A detecção por mamografia ocorreu em 30,1% dos casos, o que preocupou especialistas.

“A gente sabe, com base em pesquisas, que a única estratégia que reduz a mortalidade é a mamografia. O diagnóstico tem de ser feito quando o tumor não é palpável, não após o autoexame, quando o nódulo já pode estar com até 2 centímetros”, diz Rafael Kaliks, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico da ONG Oncoguia.

Liz afirma que o resultado mostra a importância do autoexame e da observação do próprio corpo, mas não exclui os exames. “A mulher tem um exame que está disponível todos os dias, que são os olhos e as mãos.

Ela pode salvar a própria vida, mas uma coisa não descarta a outra. Ela é a principal personagem dessa história, mas não pode deixar de fazer a mamografia.”




Sífilis entre gestantes triplica em cinco anos

07/10/2016 - O Estado de S.Paulo


As infecções provocadas por sífilis avançam no Brasil em um ritmo sem precedentes. A taxa entre gestantes aumentou de 3,7 para 11,2 a cada 1 mil nascidos vivos entre 2010 e 2015. Pelos cálculos do Ministério da Saúde, o aumento está em torno de 202%. No caso da sífilis congênita, a situação é igualmente preocupante.

As taxas foram de 2,4 para 6,5 casos para cada 1 mil nascidos vivos no mesmo período.

Entre a população em geral, a taxa nacional é de 42,7 casos para cada 100 mil habitantes. Somente na Região Sul, entre 2014 e 2015, o número de casos subiu 68,2%. No ano passado, o País registrou 40 mil casos graves de sífilis e 40 mil casos de sífilis congênita.

As mortes provocadas pela doença também cresceram de forma expressiva, sobretudo no último ano. No País, a taxa de mortalidade é de 7,4 casos para cada 100 mil nascidos vivos. “A situação não é boa”, resumiu a coordenadora do Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken.

Diante desse quadro, o governo já abandonou a ideia de erradicação da doença, compromisso firmado e renovado desde a década de 90. Agora, a meta é tentar reduzir o ritmo de número de casos. “Temos de fazer o que é possível”, disse Adele.

Um plano para tentar conter o avanço da doença deverá ser lançado ainda neste mês. A ideia é reunir representantes de vários setores, incluindo sociedades médicas e de enfermagem.

Um dos fatores que levaram ao crescimento de casos é a falta de tratamento. Houve falta do antibiótico Penicilina em vários pontos do País. A compra do medicamento é feita por Estados e municípios. Adele conta que há pelo menos dois anos alertas são feitos sobre as dificuldades enfrentadas para a compra.

“Achava-se que o problema era local”, disse em encontro com especialistas da área de saúde, ontem. Diante do reconhecimento de que o problema era de maior gravidade, o ministério decidiu fazer uma compra maior. Para especialistas ouvidos pelo Estado, a manobra, embora importante, foi tardia.

Adele, no entanto, afirma que esta não foi a única causa para o crescimento dos registros.

A coordenadora argumenta que a sífilis adquirida passou a ser de notificação compulsória e que, além disso, houve aumento nos últimos anos do número de exames para diagnóstico da doença. A partir de 2012, kits para facilitar a identificação do causador da sífilis, uma bactéria, passaram a ser distribuídos pelo Ministério da Saúde.

“As ações feitas para conter a sífilis até agora foram tímidas frente à dimensão do problema.

Em parte, porque havia o desabastecimento e as ações estavam engessadas”, justificou a coordenadora.


TRATAMENTO


Quando um paciente com sífilis é diagnosticado, a recomendação é de que faça o tratamento por um período determinado com antibiótico.

Por se tratar de uma doença sexualmente transmissível, parceiros do paciente também devem ser testados e tratados, sob pena de a infecção voltar.

A bactéria também pode ser transmitida da gestante para o bebê. Justamente por isso, o ideal é que a terapia seja iniciada ainda no primeiro trimestre de gestação. Algo que está longe de ocorrer no Brasil. Os números mostrados por Adele indicam que pelo menos 50% dos casos de sífilis em gestantes são diagnosticados no terceiro trimestre de gestação, quando as chances de proteger o bebê já são bem menores.

“Há ainda uma falsa ideia de que as mulheres devem esperar a barriga crescer para procurar o pré-natal”, afirmou.

Clipping de Notícias - 05/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 05/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Anvisa concede registro a dois genéricos inéditos

05/10/2016 - Anvisa


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um medicamento genérico inédito para tratamento da disfunção erétil. Trata-se do Cloridrato de Vardenafila, da empresa EMS S/A.

A Anvisa aprovou ainda, o registro de mais um medicamento genérico inédito, indicado para tratamento dos sintomas da hiperatividade vesical, o Bromidrato de Darifenacina, da empresa Zodiac Produtos Farmacêuticos S/A.

Os dois registros destes genéricos inéditos estão publicados na edição desta segunda-feira (3/10) do Diário Oficial da União (DOU).




Novas regras darão transparência a testes de medicamentos

05/10/2016 - Diário da Saúde


Os resultados decepcionantes da maioria dos testes clínicos de medicamentos e tratamentos não poderão mais ficar escondidos nas gavetas dos cientistas e das empresas farmacêuticas - ao menos nos EUA.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) daquele país divulgaram as novas regras, longamente aguardadas.

A partir de agora, os cientistas deverão divulgar o projeto e os resultados de todos os ensaios clínicos. Aqueles que descumprirem as normas serão penalizados e não poderão obter novos fundos públicos para pesquisas.

"Eu acredito que várias das grandes universidades simplesmente não reconheceram que, se você faz um experimento em uma pessoa e obtém seu consentimento, você realmente tem a obrigação de tornar os resultados conhecidos," disse o professor Robert Califf, chefe da FDA (Food and Drug Administration). "Isto é fundamentalmente uma questão ética."


ACERTOS E ERROS DA CIÊNCIA


As novas regras visam coibir o grande número de ensaios clínicos que são realizados, mas nunca publicados.

A maioria dos estudos que falham nos estágios iniciais nunca são divulgados, disse Christopher Gill, pesquisador de saúde da Universidade de Boston: "Do ponto de vista dos consumidores e da ciência, as falhas são tão importantes quanto os sucessos".

A não-divulgação impede que outros pesquisadores saibam o que não funciona, que outras equipes possam avaliar os métodos usados no teste, que as agências de financiamento saibam como o dinheiro público foi gasto, e que a população saiba o que realmente ocorre durante esses testes.

Alguns desses ensaios só vêm a público quando os resultados são catastróficos, como ocorreu recentemente na França, quando um fármaco em teste causou a morte de voluntários. Outro exemplo também recente foi uma reanálise dos dados do estudo que mostrou que, em alguns casos, a vacina contra a dengue pode fazer mais mal que bem, algo que não foi divulgado originalmente pela empresa farmacêutica.


TORTURA DOS NÚMEROS


Outras mudanças introduzidas pela nova legislação norte-americana incluem exigências de que os cientistas relatem detalhes sobre como eles planejaram os ensaios, descrevam as estatísticas que vão usar para analisar os resultados e revelem quaisquer alterações que ocorram no decorrer do estudo.

Isto deve ajudar a resolver um problema conhecido como "tortura" ou "trituração dos dados" - ou p-hacking - quando os cientistas usam várias técnicas estatísticas até encontrar uma que dê resultados positivos - e só essa é publicada.

Agora a expectativa é que os demais países possam começar a criar suas próprias legislações com base no exemplo norte-americano.




Aprovação sanitária de remédios para doenças raras, em pauta no STF, é tema de editorial no 'Lancet'

04/10/2016 - O Globo / Site


Às voltas com um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai decidir se remédios não regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária devem ser bancados pelo governo brasileiro, o tema da dualidade entre as necessidades de pacientes e as exigências dos procedimentos científicos foi tratado, neste sábado, em editorial de uma das maiores publicações médicas do mundo: o "The Lancet".

Com o título "Patient need versus evidence: a balancing act" ("A necessidade do paciente versus evidência: um ato de equilíbrio"), o editorial analisa a liberação pelo órgão americano Food and Drug Administration (FDA) do Eteplirsen, um novo medicamento para um tipo de distrofia muscular de Duchenne. Segundo o artigo, a aprovação seguiu adiante mesmo contra a recomendação do comitê consultivo, que votou por não liberar a droga — alegando falta de evidência científica —, o que gerou uma série de conflitos internos na agência sanitária.

Especialistas em saúde apontam que a agência tomou uma medida arriscada, uma vez que há evidências limitadas sobre a eficácia do medicamento. Por outro lado, a decisão foi comemorada por pais e associações que defendem pacientes que, segundo o editorial, vêm fazendo um lobby "vigoroso" na agência.

Foi concedida uma aprovação "acelerada" para o medicamento, o que significa que a agência continuará monitorando testes clínicos conduzidos pela farmacêutica responsável, a Sarepta Therapeutics of Cambrigde, a fim de comprovar finalmente a eficácia do remédio.

"Com poucas opções de tratamento disponíveis para o tratamento da distrofia muscular, pais estão compreensivamente desesperados. O FDA claramente afirma que os efeitos funcionais do Eteplirsen não são provados. Equilibrar as necessidades e expectativas dos pacientes com uma base de evidência fraca é uma tarefa difícil", afirma o texto do "The Lancet".

O editorial ressalta, porém, que a aprovação de drogas com poucas evidências pode criar esperanças irrealistas e ser até contraproducente do ponto de vista científico.

Defendendo estudos bem definidos e financiados que contem com um esforço colaborativo de pacientes, cientistas e reguladores, o editorial conclui: "Pacientes com distrofia muscular merecem um tratamento efetivo — e só o tempo dirá se a decisão do FDA foi correta".

Mercado Aberto: Última dose

05/10/2016 - Folha de S.Paulo


A farmacêutica Libbs vai investir R$ 130 milhões em um centro tecnológico, no Jaguaré (zona oeste de São Paulo), que vai unificar áreas de pesquisa e desenvolvimento, hoje divididas em diferentes unidades.

A conclusão das obras deverá ocorrer em dois anos e meio, afirma o presidente, Alcebíades Athayde Junior.

O local foi escolhido pela proximidade com a Universidade de São Paulo, com a qual a companhia tem projetos de rastreabilidade de medicamentos e de transferência de tecnologia de produtos para câncer, diz ele.

Com a construção da unidade e da nova fábrica de biotecnológicos -que teve aporte de R$ 477 milhões e deverá ser concluída neste ano-, a farmacêutica encerra um ciclo de grandes investimentos no país.

"Deveremos focar em pesquisas clínicas e no desenvolvimento de produtos. A área de biotecnologia requer lançamentos contínuos."

A Libbs investe, anualmente, 17% de seu faturamento, que foi de R$ 1,3 bilhão no ano passado.


16,6%


foi o aumento da receita no 1º semestre de 2016, em relação a igual período de 2015


2.500 funcionários


trabalham na empresa




Hospital da Bahia negocia venda

05/10/2016 - Valor Econômico


O Hospital da Bahia, em Salvador, está em negociações adiantadas para a venda do controle do negócio por cerca de R$ 1 bilhão. A transação deve ser fechada com o Fosun, conglomerado chinês de investimentos, que pretende colocar mais R$ 2 bilhões para aquisição de outros ativos a fim de criar uma rede de hospitais no Brasil, segundo o Valor apurou.

Procurados pela reportagem, o Hospital da Bahia confirmou que mantém conversas com investidores do mercado, mas que não pode dar detalhes devido a contratos de confidencialidade. O Fosun, por sua vez, informou que prefere não comentar rumores de mercado.

Ainda segundo fontes, o Fosun quer replicar o modelo do Hospital da Bahia que tem uma margem operacional de 25%. Esse percentual é o mesmo da Rede D'Or e está muito acima da média do setor que é de 10,7%, de acordo com levantamento feito pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Em 2015, o faturamento do Hospital da Bahia cresceu 37% para R$ 195 milhões e neste ano deve chegar a R$ 300 milhões. Mas a maior expansão deve ocorrer a partir de 2017, porque está prevista para os próximos meses a inauguração de uma nova torre que vai dobrar o tamanho do negócio.

Se concluída, a transação será a primeira venda de um hospital na Bahia a um investidor. A Amil e Rede D'Or também tentaram comprar o ativo, mas os fundadores declinaram das propostas diante da possibilidade de serem acionistas de uma grande rede e continuarem na gestão. O Fosun deve adquirir uma fatia de cerca de 55%, segundo pessoas próximas às negociações.

O Fosun é um dos maiores conglomerados de investimentos no mundo e entrou no Brasil em julho com a compra do controle da gestora Rio Bravo. O grupo chinês tem ativos de mais de US$ 60 bilhões e negócios em vários setores, inclusive saúde. Essa divisão apurou uma receita de R$ 8,7 bilhões no primeiro semestre, proveniente de uma rede de hospitais em Portugal, participações na indústria farmacêutica, condomínios de casa de repouso, empresa de alimentos saudáveis, entre outros.

Com a aprovação da lei permitindo capital estrangeiro nos hospitais, em janeiro de 2015, os fundos estrangeiros desembarcaram no Brasil e jogaram para cima os múltiplos no setor. Para efeitos de comparação: o Samaritano, de São Paulo, foi 100% vendido à Amil por R$ 1,3 bilhão em 2015. Um dos motivos da valorização em torno do Hospital da Bahia é que só há dois hospitais privados em Salvador, o outro é o Aliança. Outra explicação para o interesse dos investidores está no fato de o Hospital da Bahia ter se tornado lucrativo em 2011. No ano passado, o lucro líquido avançou 80% para R$ 27 milhões.

Fundado em 2006, o hospital teve dificuldades financeiras nos primeiros quatro anos porque um de seus idealizadores, o Grupo Fator, ficou alavancado ao construir hospitais na Bahia, Recife e Rio de Janeiro - esses dois últimos tiveram que ser vendidos. Em 2008, o Hospital da Bahia chegou a vender metade da operação para a Rede D'Or, mas o negócio foi desfeito. Segundo fontes, o Hospital da Bahia negocia com a Petros o pagamento de um financiamento captado para a construção do empreendimento, em 2006.

O fundo de pensão da Petrobras emprestou R$ 25 milhões e ficou com uma torre do hospital como garantia. Agora, o hospital quer pagar R$ 30 milhões, mas a Petros pede o dobro. Por coincidência, o empréstimo da Petros, na época, foi intermediado pela Rio Bravo, gestora controlada hoje pela Fosun.




PEC do teto prevê mais R$ 9 bi para a Saúde

05/10/2016 - O Globo


Com aval do governo, o relatório final da proposta que limita o crescimento dos gastos públicos eleva de 13,2% para 15% da receita o montante destinado à Saúde em 2017, o que representa mais R$ 9 bilhões. O objetivo é facilitar a aprovação do texto, amanhã, em comissão especial. O relator Darcísio Perondi alertou que o teto é fundamental para o ajuste fiscal: “Se nada for feito, o dia do Juízo Final chegará e atingirá a todos.” Gasto maior de Judiciário e Legislativo poderá ser coberto em parte pelo Executivo. -BRASÍLIA- Para facilitar a aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que cria um teto para o crescimento dos gastos públicos, o governo aceitou elevar o orçamento da Saúde em 2017. O relatório final, lido ontem, aumentou de 13,2% para 15% da receita líquida o investimento obrigatório na área, adicionando à rubrica cerca de R$ 9 bilhões.

O relator, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), acrescentou ao texto final duas outras novidades. A aplicação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que permite ao Executivo aplicar livremente 30% das receitas, foi estendida de 2023 para 2036, acompanhando a vigência do próprio teto de gastos.

Para acomodar excesso de gastos, foi permitido ainda ao Executivo compensar, de forma voluntária, os poderes Judiciário e Legislativo e órgãos como o Ministério Público da União nos três primeiros anos do novo regime fiscal. A medida é limitada a até 0,25% do próprio limite de despesas do Executivo, valor equivalente a R$ 3 bilhões por ano, conforme a consultoria de Orçamento da Câmara.

Segundo o relator da PEC, deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS), a medida foi incluída na proposta para cobrir impactos decorrentes de reajustes dos servidores do Judiciário. Ele disse que ainda não há estimativa de quanto seria o limite de cada um dos três Poderes — cada um terá um teto individual.

As sanções em caso de descumprimento do limite de despesas são amplas e vedam, por exemplo, aumento real do salário mínimo, reajuste de servidores, realização de concurso público, criação de cargos de comissão, concessão de auxílios, bônus e demais vantagens.


ALTERNATIVA É CPMF, DIZ MAIA


Perondi lembrou que as despesas da União quase triplicaram em termos reais (acima da inflação) entre 1997 e 2015, num crescimento médio de 6,2% anual. Ele destacou que a dívida pública disparou para 70,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos três anos e que não há como continuar financiando a alta dos gastos quando a economia acumula queda de 7% em dois anos consecutivos.

— Se nada for feito, o dia do Juízo Final chegará e atingirá a todos — afirmou o relator.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também fez uma defesa enfática da PEC. Para ele, a escolha dos deputados é clara, ao apreciar a medida amanhã na comissão especial e na próxima semana em plenário:

— Se não estivéssemos votando a PEC do teto na segunda-feira, estaríamos votando a CPMF. Então, pela primeira vez um governo não quer devolver para a sociedade essa responsabilidade, quer equilibrar as contas do governo.

Com a alteração do piso da Saúde, a União terá que aplicar no setor, no próximo ano, ao menos R$ 113,7 bilhões. A Educação também terá tratamento diferenciado e poderá receber um adicional de R$ 1 bilhão em 2017. A partir de 2018, acaba essa vinculação, e os gastos nas áreas passarão a ser corrigidos pela inflação (IPCA), como ocorrerá em todas as aéreas com a aprovação da PEC.




Hypermarcas e Reckitt

05/10/2016 - Valor Econômico


A Hypermarcas informou ontem que concluiu a venda de sua divisão de preservativos para a Reckitt Beckinser, após aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em setembro. A companhia recebeu da Reckitt Beckinser o saldo remanescente do preço da aquisição, no valor de R$ 570,8 milhões, totalizando o montante da operação, de R$ 705,8 milhões. As empresas anunciaram o negócio em janeiro, e a Hypermarcas tinha recebido um sinal de 20% na época.




Mudança no teto pode elevar gasto em saúde

05/10/2016 - Folha de S.Paulo


Ao mesmo tempo em que permite gastos maiores em áreas sensíveis como saúde e educação nos próximos anos, a nova versão da proposta que limita as despesas federais apertou as sanções em caso de descumprimento do teto de gastos. Entre elas, está a proibição de aumento acima da inflação para o salário mínimo.

O novo texto foi apresentado pelo relator da PEC do teto de gastos, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), com as mudanças acertadas com o Ministério da Fazenda.

A PEC, que deve ser votada na comissão especial da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (6), aumentou de cinco para oito as “vedações”, ou seja, as consequências às quais o governo estará sujeito se não limitar o aumento dos gastos totais ao IPCA (índice de inflação).

Se gastar mais do que o permitido, o Executivo fica proibido de dar reajuste aos servidores públicos, de criar ou expandir programas e linhas de financiamento ou de conceder ou ampliar incentivos tributários.

“O texto anterior era muito mais genérico. Agora as sanções ficaram mais claras, o que é positivo. O relatório está indo na direção correta”, afirmou o economista Felipe Salto, assessor econômico do senador José Aníbal (PSDB).


SAÚDE E EDUCAÇÃO


Para tentar reduziras resistência à aprovação da proposta que altera a Constituição, o governo concordou em mudar a base de cálculo dos pisos para saúde e educação.

O piso da saúde, a partir de 2018, será de 15% da receita líquida de 2017 corrigido pela inflação, e não de 13,7%, como previa o texto original.

Com isso, o valor será aumentado em cerca de R$ 8 bilhões, para R$ 112 bilhões (valor para o próximo ano).

Na educação, a mudança do ano-base de 2016 para 2017 deve ajudar a incrementar o valor, já que será um período para o qual se espera que a receita seja mais alta do que em 2016.

O novo texto prevê também que, nos primeiros três anos de vigência das novas regras, o Poder Executivo possa usar uma folga de 0,25% do seu próprio limite de gastos para compensar eventuais despesas excessivas de outros poderes ou órgãos, como Legislativo e Ministério Público.

De acordo com Salto, isso representaria R$ 3,5 bilhões em 2017, ou seja, um montante pequeno, reservado provavelmente para ajustes.

O relatório prevê ainda que a DRU (Desvinculação das Receitas da União), mecanismo que dá liberdade para o governo usar parte dos recursos do Orçamento sem aplicá-los em áreas de despesas obrigatórias, seja prorrogada até 2036 (hoje ela vai até 2023), para coincidir coma vigência do novo regime fiscal.

Após dez anos de vigência da PEC, a forma de correção dos gastos públicos poderá ser mudada pelos presidentes em exercício de quatro em quatro anos, segundo o relatório. Nessa primeira década, a correção terá que ser feita pelo IPCA. Depois disso, o relatório prevê que a cada mandato presidencial, que tem a duração de quatro anos, possa ser feita uma mudança nesse índice de correção.

STJ: Plano de saúde não pode impor a usuário restrição de parceiro

04/10/2016 - Valor Econômico / Site


Se um hospital é credenciado por operadora de plano de saúde, sem restrições, isso abrange também as especialidades médicas prestadas por entidade não credenciada que atua com o hospital sob o sistema de parceria. O entendimento é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Turma rejeitou recurso especial de uma operadora contra decisão que determinou o custeio de tratamento quimioterápico em instituto de oncologia não credenciado pelo plano, mas que funciona nas dependências de hospital credenciado por meio de parceria.

O caso concreto envolve a Unimed de Araraquara, no interior de São Paulo. A usuária ajuizou ação de obrigação de fazer com a finalidade de obrigá-la a custear o tratamento nos moldes de prescrição médica.

A operadora de plano de saúde não autorizou o procedimento no Instituto Oncológico de Ribeirão Preto - INORP (unidade de Matão) sob o argumento de que a instituição não era credenciada, embora funcionasse e fosse parceira do Hospital Carlos Fernando Malzoni, este credenciado.

Na primeia instância, o pedido dela foi deferido e o Tribunal de Justiça manteve a decisão. A Unimed então recorreu ao STJ, com base na Lei Federal n° 9.656, 1998, legislação especial que regulamenta os planos privados de assistência à saúde, permitindo que em contratos de tal natureza existam cláusulas que prevejam eventos cobertos e excluídos.

O relator do recurso, ministro Villas Bôas Cueva, reconheceu que é legítima a limitação do usuário à rede contratada, credenciada ou referenciada. Mas destacou que, no caso apreciado, não houve a descrição dos serviços que o hospital estava apto a executar.

Segundo o ministro, quando a prestação do serviço não for integral, essa restrição deve ser indicada, sob pena de todas serem consideradas incluídas no credenciamento.




Cresce o número de casos de infecção transmitida por gatos

05/10/2016 - O Globo


Uma doença de nome difícil: esporotricose. O mal, que é transmitido por gatos aos humanos, tem se espalhado pelo estado. Segundo a Superintendência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria estadual de Saúde, no ano passado foram feitas 982 notificações da doença, o que representou um aumento de 20% em relação a 2014, quando foram registrados 818 casos. Este ano, até 2 de junho, foram 226.

Causada pelo fungo Sporothrix schenckii, a esporotricose é uma micose que se instala na pele e costuma ser transmitida por gatos aos humanos.

— O fungo causava a doença em pessoas que mexiam com terra ou planta contaminadas. Mas, de 1998 para cá, esse padrão mudou. As pessoas com a doença começaram a chegar à Fiocruz após serem mordidas ou arranhadas por gatos infectados. Quando a transmissão era através da terra, atendíamos de um a dois casos por ano. A quantidade de fungos na terra é menor e mais diluída. O gato concentra muito fungo, que vai se multiplicando — detalha Dayvison Freitas, pesquisador em dermatologia infecciosa do Instituto Evandro Chagas, da Fiocruz, e doutor em medicina tropical. NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA Os pacientes eram atendidos na Fiocruz, em Manguinhos, mas, após o aumento do número de casos, o controle passou a ser feito pelo estado. O quadro é tão sério que, a partir de 2013, a notificação de casos em humanos atendidos em unidades públicas ou consultórios particulares passou a ser obrigatória no Rio. Segundo o estado, apesar do avanço da doença, por falta de série histórica, não é possível afirmar que há uma epidemia.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Rio de Janeiro, Egon Daxbacher, explica que a esporotricose é uma micose profunda e, por isso, é transmitida apenas pela mordida ou pelo arranhão do gato.

— É uma lesão em forma de caroços, que podem aumentar em número, sempre em linha reta. Eles costumam ser vermelhos, quentes e inflamar, gerando pus.

Chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do INI/Fiocruz, Sandro Pereira afirma que gatos contaminados apresentam ferimentos, principalmente na cabeça, nas patas e na cauda.

— A maioria dos animais que atendemos reside em casas e tem por hábito passear nas redondezas. Nesses passeios, eles podem, em uma briga, contrair o fungo de um gato doente.

Dayvison Freitas destaca que a culpa pela proliferação da doença não é do gato:

— Ele é a maior vítima: adoece e precisa do humano para cuidar dele. É preciso que medidas de saúde pública sejam implantadas para levar os gatos doentes para abrigos e tratá-los.


DIAGNÓSTICO É FEITO POR ANÁLISE CLÍNICA


Causada pelo fungo Sporothrix schenckii, a esporotricose é uma micose que pode afetar animais e humanos. Não há vacina ou qualquer medicamento preventivo. A transmissão para o homem ocorre por meio de arranhões e mordidas do gato.

Sinais de contaminação em humanos aparecem, na maioria das vezes, em forma de lesões na pele, que começam com um pequeno caroço vermelho e podem evoluir para uma ferida. Geralmente, surgem nos braços, nas pernas e no rosto, formando uma fileira de caroços ou feridas. Nesses casos, donos de animais infectados devem procurar imediatamente o dermatologista.

O diagnóstico nos bichos é feito por um veterinário, por meio de análise clínica. O fungo pode ser encontrado em terra úmida e, para evitar o contágio, as pessoas devem usar luvas.

Para prevenir a contaminação do gato, o ideal é manter o animal restrito, em casa ou no quintal, sem acesso à rua, onde ele pode ter contato com felinos infectados.

Os bichos contaminados espirram com frequência e têm feridas, principalmente na cabeça. Mas os machucados podem surgir também nas patas e no rabo. As lesões são profundas, não cicatrizam, têm pus e se espalham para o restante do corpo. O animal perde apetite, fica apático e pode ter secreção nasal. O tratamento do gato e do humano contaminados é com comprimido antifúngico e dura, em média, de 4 a 6 meses.




Superbactérias ameaçam mais os rins

05/10/2016 - Correio Braziliense


Comum, principalmente em mulheres, a pielonefrite costuma vir de uma infecção bacteriana no trato urinário. O micro-organismo chega à bexiga e, depois, aos rins, instaurando a complicação. Em média, metade dos pacientes precisa de internação hospitalar para receber o tratamento, feito com antibióticos. Surge, então, um novo problema. Cada vez menos, o medicamento mais prescrito tem o resultado esperado, alertam pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, em artigo divulgado na última edição da revista Emerging Infectious Diseases.

David Talan, principal autor do estudo e professor no Departamento de Medicina de Emergência na UCLA, e equipe analisaram 453 pessoas diagnosticadas com a infecção bacteriana nos rins, entre julho de 2013 e dezembro de 2014, em 10 departamentos de emergência de hospitais de grande porte espalhados pelo país. Doze por cento dos participantes foram acometidos por uma pielonefrite que não respondia ao antibiótico da classe padrão, a fluoroquinolona. O aumento de pacientes com esse perfil foi de 50%, se comparado com os resultados de um estudo semelhante feito uma década antes. Em alguns indivíduos com alguma condição de risco — como ter sido hospitalizado recentemente e submetido a tratamento com antibiótico — o índice chegou a 20%.

“Esse é um verdadeiro exemplo da ameaça representada pelo surgimento de novas estirpes de bactérias resistentes aos antibióticos, o que complica muito o tratamento de infecção”, disse Talan, em comunicado à imprensa. Em 90% dos casos, a pielonefrite é causada pela bactéria Escherichia coli, encontrada normalmente no intestino grosso. Responsável por uma diversidade de infecções, esse patógeno é um dos que mais têm adquirido resistência aos antibióticos.


PROBLEMA ENDÊMICO


Segundo os autores, a resistência ao medicamento estaria ligada à infecção por uma estirpe da Escherichia coli produtora de ESBL, uma enzima que enfraquece a ação dos antibióticos. Esse tipo do patógeno foi detectado pela primeira vez em 1979 e era mais frequentemente encontrado em nações em desenvolvimento e em hospitais. No estudo norte-americano, porém, uma em cada três pessoas infectadas com a E. coli produtora de ESBL não tinha fatores de risco tradicionais para a resistência ao medicamento. A constatação, acredita a equipe, sugere que a estirpe bacteriana se tornou endêmica nos Estados Unidos e que as pessoas saudáveis também estão em risco.

Talan e a equipe defendem, no artigo, o desenvolvimento de novos medicamentos e de novas práticas para o tratamento de pacientes com pielonefrite — entre os participantes do estudo contaminados pela E. coli produtora de ESBL, 75% haviam recebido inicialmente substâncias ineficazes contra esse tipo de bactéria, o que os colocou ainda mais vulneráveis ao micro-organismo. “Os médicos também precisam prestar muita atenção nas taxas de resistência a antibióticos em suas regiões de atuação e testar amostras de bactérias para determinadas linhagens específicas”, sugeriram.

Na mesma linha de estímulo ao melhoramento das práticas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado sobre o desconhecimento das pessoas em geral sobre os efeitos das superbactérias. Um estudo divulgado em novembro pela agência das Nações Unidas em 12 países mostrou que 44% dos entrevistados acreditavam que a resistência aos antibióticos era um problema enfrentado apenas por pessoas que abusam da ingestão desse tipo de medicamento. “Na verdade, qualquer pessoa pode a qualquer momento e em qualquer país ser acometida por uma infecção resistente”, ressaltou, no documento, a OMS. A estimativa é de que as mortes anuais provocadas por esses superpatógenos pule das 700 mil atuais para 10 milhões em 2050.

“Esse é um verdadeiro exemplo da ameaça representada pelo surgimento de novas estirpes de bactérias resistentes aos antibióticos, o que complica muito o tratamento de infecção”

David Talan, principal autor do estudo e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles




Hábitos saudáveis ajudam na saúde do coração

04/10/2016 - Portal EBC


O cardiologista Sidney Cunha participou do quadro Alô Doutor, do programa Falando Francamente nessa segunda-feira (3). O médico destacou que as doenças do coração são mais comuns nas pessoas da terceira idade, muitas delas relacionadas aos maus hábitos durante a juventude, e geralmente aparecem em forma de infarto e de insuficiência cardíaca.

A recomendação do cardiologista é evitar alimentos industrializados, fazer atividade física, alimentação colorida, dormir bem, evitar o cigarro e o estresse.




Câncer de mama metastático: falta de conhecimento é barreira no tratamento

04/10/2016 - IG


Elfriede Galera, de 61 anos, descobriu que tinha câncer de mama metastático em 2010. Após anos sem conseguir diagnosticar o tumor na mama, a doença acabou avançando para os ossos, fígado e pulmão. E isso só foi possível porque ela mesma insistiu em encontrar um médico que a avaliasse da forma correta.

A aposentada começou a sentir uma diferença entre as duas mamas em 2007. Como já não tinha plano de saúde, procurou atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela levou a última mamografia que havia feito, dois anos antes, mas, apesar de haver uma notificação recomendado uma ultrassonografia no exame, foi liberada como se estivesse tudo bem.

O mesmo ocorreu em 2009, quando Elfriede voltou a procurar um especialista. Sabendo que algo não estava certo, ela continuou a procurar ajuda até encontrar o hospital Pérola Byington, em São Paulo, considerado referência em saúde da mulher. Foi lá que ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama metastático e pôde iniciar o tratamento.


O QUE É CÂNCER DE MAMA METASTÁTICO


Em evento organizado pela Pfizer na manhã desta terça-feira (4), a presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, brincou que o câncer de mama tem “nome, sobrenome e apelido”. Isso porque ele é dividido em tipos e subtipos, variando pela forma como a célula mamária é afetada.

De uma forma mais simplificada, o câncer de mama pode ser dividido em casos precoces, quando só a mama possui o problema, quadros localmente avançados, com a axila também afetada, e os avançados ou metastáticos, quando o câncer se espalha para outros órgãos.

Apesar de ser mais difícil de chegar à cura, o diagnóstico de metástase não é uma “sentença de morte”, afirmaram os especialistas presentes no encontro. “Não se trata apenas de curar, mas também de dar qualidade de vida às pessoas com a doença”, afirmou o oncologista Rafael Kaliks, do Hospital Albert Einstein, em referência aos novos tratamentos.

Um dos problemas que Elfriede enfrentou no início foi a falta de informação, tanto dela mesma quanto de outras pessoas. A aposentada afirma que, mesmo em uma grande cidade como São Paulo, a população conhece muito pouco sobre câncer. “Um conhecida chegou a me perguntar: ‘mas então você vai morrer?’. Eu respondi que sim, e que poderia ser depois dela”, contou Elfriede.


TRATAMENTO


Saber qual o tipo e subtipo da doença é importante para que o médico crie o melhor plano de tratamento para cada caso. É isso que vai definir quais técnicas e drogas serão usadas.

Hoje, Elfriede já não responde aos medicamentos disponíveis no SUS, mas, após uma decisão da Justiça, conseguiu continuar o tratamento com quimioterapia injetável com outro remédio. Para não sofrer muito com dores causadas pela doença, ela não deixa de se exercitar, mas sempre com a supervisão do especialista que a acompanha. “Se eu for a uma academia, por exemplo, eles vão me indicar exercícios que eu nem posso fazer. Hoje em dia, eu pratico uma caminhada pequena, faço relaxamento e determinados movimentos com o corpo.”

A alimentação ela segue de acordo com o tratamento que faz, mas quanto mais natural, melhor para ela. Ainda assim, a aposentada diz que come de tudo, mas com moderação.

Uma das coisas que mais ajudou Elfriede a passar por tudo isso foi seu sonho de ter o próprio barco. Por quase trinta anos, ela e o marido passaram dias construindo um veleiro. Quando o câncer surgiu na vida do casal, esse trabalho se intensificou. “Percebi que meu marido estava diferente, ficava mais tempo trabalhando no barco. Tudo porque queria termina-lo para mim. Foi a maior prova de amor”, disse a aposentada. Após conseguir dinheiro suficiente em um financiamento coletivo, hoje, ela consegue aproveitar seu tempo livre no mar por pelo menos duas vezes por mês.


CADA MINUTO CONTA


Sabendo da importância de conscientizar a população sobre o câncer, a farmacêutica Pfizer e o Instituto Oncoguia vão realizar entre os dias 5 e 7 de outubro uma campanha nas estações Sé e Paraíso do Metrô, em São Paulo. Na ação educativa, os usuários vão poder testar seus conhecimentos sobre o tema em um quiz interativo.

As pessoas também serão informadas de hábitos que poderão prevenir o câncer de mama, como praticar atividade física e evitar obesidade, reposição hormonal após menopausa e o tabagismo. De acordo com o oncologista Rafael Kaliks, engravidar e amamentar também protege a mulher da doença.




Cartões postais recebem iluminação especial para alertar contra o câncer de mama

04/10/2016 - Portal Brasil


Neste mês de outubro, alguns dos principais cartões postais do País recebem uma iluminação especial na cor rosa para marcar a luta contra o câncer de mama. A campanha mundial faz um alerta às mulheres e à sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce da doença.

As torres e cúpulas do Congresso Nacional em Brasília se unem, nesta terça-feira (4), ao restante do planeta na campanha que foi batizada de Outubro Rosa em homenagem à cor do laço rosa, ícone que simboliza a luta contra a doença. Além do Congresso, o Palácio do Planalto e a Catedral receberão iluminação especial durante o mês inteiro, assim como a Esplanada dos Ministérios.

O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, também ganharão luz rosa, alertando as mulheres e a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama.

A ação tem o apoio da Arquidiocese do Rio de Janeiro, com a iluminação da catedral de São Sebastião. O terraço de um dos hotéis mais famosos, em Copacabana, ganhará decoração especial com vários tons de rosa para chamar a atenção de quem passar pela Avenida Atlântica.

Vários museus do País também participarão da campanha. Entre as instituições que participam da iniciativa estão o Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio (RJ), Museu Casa Histórica de Alcântara (MA), Museu Nacional de Belas Artes (RJ) e o Museu Casa dos Ottoni, na cidade de Serro (MG). O Museu Imperial em Petrópolis também já se iluminou para o Outubro Rosa.

No Espírito Santo, o Palácio Anchieta também já esta iluminado para o mês especial. Para aderir à campanha, basta que, durante o mês de outubro, os demais monumentos iluminem de rosa suas fachadas ou parte delas, ou apenas exibam um facho de luz nesta cor.


HISTÓRIA


Criado nos Estados Unidos, o movimento surgiu após o congresso norte-americano adotar outubro como o mês de prevenção do câncer de mama. Para sensibilizar a população, inicialmente as cidades se enfeitavam com laços rosas, principalmente nos locais públicos. Depois surgiram outras ações como corridas, desfiles de moda e jogos.

O ato de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes, teatros e outros pontos turísticos veio posteriormente. Foi uma forma prática para que o Outubro Rosa tivesse uma expansão cada vez mais abrangente para a população e, principalmente, ser replicada em qualquer lugar, bastando adequar a iluminação já existente com um filtro rosa.




Johnson & Johnson alerta para bomba de insulina vulnerável a hackers

04/10/2016 - Folha de S.Paulo / Site


A Johnson & Johnson está avisando a pacientes que descobriu uma falha de segurança em uma de suas bombas de insulina que pode permitir a um hacker causar overdose da substância. A empresa, porém, descreve o risco como baixo.

Especialistas em dispositivos médicos afirmaram que acreditam que é a primeira vez que um fabricante emitiu tal alerta a pacientes sobre uma vulnerabilidade que pode ser explorada por hacker. O tema está em alta depois de revelações no mês passado sobre possíveis falhas em marcapassos e desfibriladores.

Executivos da J&J afirmaram à agência Reuters que não conhecem casos de tentativas de ataques de hackers sobre o aparelho, a bomba de insulina Animas OneTouch Ping. Apesar disso, a companhia está alertando os clientes e provendo instruções sobre como reparar o problema.

"A probabilidade de um acesso não autorizado no OneTouch Ping é extremamente baixa", disse a companhia, em comunicado enviado a médicos na segunda-feira (3) e a 114 mil pacientes que usam o dispositivo nos Estados Unidos e Canadá. O produto não é comercializado no Brasil.

"Precisaria de expertise técnica, equipamento sofisticado e proximidade com a bomba, já que o sistema OneTouch Ping não está conectado à internet ou a qualquer rede externa", afirmou a empresa.

Bombas de insulina são dispositivos que pacientes usam presos ao corpo e que injetam a substância por meio de cateteres.

O Animas OneTouch Ping, lançado em 2008, é vendido com um controle remoto sem fio que os pacientes podem usar para injetar a dose de insulina, de modo que não precisam acessar o dispositivo diretamente, que normalmente é usado sob as roupas.


VULNERABILIDADE


Jay Radcliffe, diabético e pesquisador da empresa de cibersegurança Rapid7, afirmou que identificou formas como um hacker pode interferir nas comunicações entre o controle remoto e a bomba de insulina, o que potencialmente poderia gerar dosagens não autorizadas da substância.

O sistema é vulnerável porque estas comunicações não são codificadas para impedir o acesso ao aparelho por terceiros, disse Radcliffe. Ele divulgou as vulnerabilidades em abril e publicou os resultados no blog da Rapid7 nesta terça-feira (3).

Executivos da J&J afirmaram que trabalharam nos problemas de segurança com Radcliffe.

Uma dosagem muito alta de insulina pode causar hipoglicemia, ou uma baixa quantidade da açúcar no sangue, o que em casos extremos pode representar risco à vida do paciente, disse Brian Levy, diretor da unidade de diabetes da J&J.

A companhia afirmou na carta que se os pacientes estiverem preocupados, eles podem tomar uma série de medidas para evitar ataques. As medidas incluem descontinuação do uso do controle remoto e programar a bomba para limitar a dose máxima de insulina.