Notícias - 19/08/2015

CLIPPING - 19/08/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Após rejeitá-lo duas vezes, Estados Unidos aprovam 'viagra feminino'

19/08/2015 - Folha de S.Paulo


O primeiro medicamento para aumentar o apetite sexual feminino foi aprovado nesta terça-feira (18) pela FDA, a agência americana responsável.

A droga se chama Addyi e é produzida pela farmacêutica Sprout. Na verdade, em tese se trata do primeiro medicamento para aprimorar a libido em ambos os sexos, embora todo o projeto tenha sido desenvolvido visando as mulheres. O Viagra e outros remédios masculinos servem para criar ereções, não para aumentar o desejo.

"É o maior inovação para a vida sexual feminina desde a pílula anticoncepcional", afirmou Sally Grennberg, diretora da Liga Nacional dos Consumidores.

Especialistas, porém, dizem que a flibanserina não é livre de riscos, que incluem diminuição da pressão arterial, desmaios, sonolência, náuseas e tonturas.

Anteriormente, a FDA havia rejeitado por duas vezes a droga, em 2010 e 2013. Grupos feministas vinham acusado a FDA de retardar a aprovação do medicamento por machismo. Segundo as ativistas, remédios para homens eram aprovados com mais facilidade.

A farmacêutica Sprout pagou parte dos custos que entidades que participaram do lobby, como o National Council of Women's Organizations (grupo que congrega várias associações de mulheres), o Black Women's Health Imperative (voltado para a saúde de mulheres negras), a Association of Reproductive Health Professionals (associação de profissionais que atuam na saúde reprodutiva) e a própria liga de consumidores.

No outro lado, alguns médicos afirmam agora que o ativismo fez o órgão ficar acuado e que a aprovação negligencia os efeitos colaterais da droga.

Um grupo de cientistas, liderados por médicos da Georgetown University Medical Center, organizou um abaixo-assinado com mais de cem assinaturas dizendo que "tal campanha relações públicas financiada por uma farmacêutica é algo sem precedentes e injustificável".

A Associação Holandesa de Sexologia protestou em carta à FDA dizendo que a droga parte do pressuposto errôneo de que a falta de desejo sexual é uma anormalidade, quando ele pode ser mero fruto da falta de estímulo adequado.

Uma questão importante é que o medicamento não deve ser utilizado por mulheres que bebem álcool, porque isso aumenta o risco de desmaios. Leonore Tiefer, da New York University School of Medicine, afirmou que isso vai causar problemas. É absurdo acreditar que mulheres jovens tomando Addyi vão se abster de beber, afirmou, também em carta à FDA.

EFICÁCIA

A eficácia do medicamento segue polêmica. Um dos testes clínicos mostrou que as mulheres que estavam tomando o medicamento relataram 4,4 "experiências sexuais satisfatórias" por mês, contra 3,7 de um grupo de mulheres tomando placebo (ou seja, pílulas sem princípio ativo, com o objetivo de comparação) e 2,7 antes do estudo começar.

A decisão do FDA não foi uma surpresa, porém, já que um comitê de especialistas já tinha recomendado a aprovação da droga. Por causa das preocupações de que o medicamento seria utilizado de maneira pouco criteriosa pelos pacientes, a farmacêutica se comprometeu a não fazer anúncios publicitários na TV e no rádio por 18 meses após a aprovação.

O preço do Addyi ainda não está definido. Pacientes deverão tomá-lo todas as noites e é preciso esperar algumas semanas de uso antes de surtir efeito. As vendas nos Estados Unidos devem começar em outubro.

O uso só foi aprovado para mulheres antes da menopausa –ou seja, o uso por mulheres após a menopausa ou mesmo por homens ainda tem de ser melhor testado e, se ocorrer, se dará fora das recomendações da FDA.

Especialistas no setor farmacêutico falam que provavelmente a Sprout vai se preocupar primeiro em aprovar o uso em mulheres que já tiveram a menopausa e em vender o produto em mercados de outros países. O possível uso por homens ficará para depois disso.

O medicamento funciona alterando o equilíbrio de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina no cérebro da paciente. Ele foi desenvolvido originalmente como um antidepressivo pela Boehringer Ingelheim. A empresa vendeu a fórmula para a farmacêutica Sprout logo após a negativa dos consultores da FDA em 2010.




Agência dos EUA dá aval a ‘viagra feminino’

19/08/2015 - O Estado de S.Paulo


A Food and Drugs Administration (FDA),agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, aprovou ontem o primeiro remédio indicado para tratar a falta de desejo sexual feminino, um novo “viagra”. O Addyi (nome comercial para a flibanserina) atua na liberação de neurotransmissores responsáveis pelo desejo sexual, como a dopamina.

O medicamento é indicado para mulheres na fase da pré menopausa com disfunção sexual adquirida e crônica, ou seja, quando a falta de libido ocorre em paciente que não tinha o problema anteriormente e persiste independentemente do tipo de atividade sexual, da situação ou do parceiro sexual.

A FDA alerta, no entanto, para os possíveis efeitos colaterais do medicamento, principalmente, se o seu uso for associado ao consumo de álcool. Nesses casos, a paciente pode apresentar severa queda de pressão e perda de consciência. Quando não associado ao álcool, o remédio tem efeitos mais brandos, como sonolência e tontura, observados em 10% das pacientes.

Ação. Embora esteja sendo chamado de “viagra feminino”, o medicamento tem mecanismo de ação e indicações diferentes da pílula azul. “O Viagra não interfere diretamente no desejo sexual do homem. Ele, na verdade, aumenta o fluxo sanguíneo na região do pênis e permite a ereção. Já a flibanserina atua no cérebro da mulher, regulando os neurotransmissores que provocam a libido”, explica a ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini, coordenadora do Centro de Sexualidade Feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Enquanto o Viagra é consumido somente nos dias em que o homem pretende ter relação sexual, o Addyi deve ser tomado diariamente e só começa a dar resultados após cerca de seis semanas de uso.

Para a especialista da Unifesp, o medicamento é uma ferramenta adicional e importante no tratamento da disfunção sexual feminina, mas não servirá para todos os casos. “Não adianta achar que o remédio vai salvar um casamento falido.

Também não é indicado para as mulheres na menopausa porque nesses casos a falta de desejo geralmente está associada a questões hormonais e aí é mais indicada uma terapia de reposição”, diz ela.

A médica explica ainda que nem todas as pacientes que têm a indicação do novo remédio respondem ao tratamento. Estudos internacionais mostram que cerca de 30% das mulheres têm algum nível de disfunção sexual.

Para que o problema seja considerado crônico, são necessários serem registrados pelo menos seis meses consecutivos de falta de libido.




Três dicas para escolher a melhor solução de rastreabilidade de medicamentos

18/08/2015 - Guia da Farmácia Online


A partir de dezembro, fabricantes devem ter pelo menos três lotes de produto rastreáveis

A indústria farmacêutica está há quatro meses do início da primeira fase da implantação da rastreabilidade de medicamentos no Brasil, sob a normativa RDC 54/2013 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A partir do dia 10 de dezembro, os fabricantes devem ter pelo menos três lotes de produto rastreáveis.

O VP sênior e gerente-geral da Axway para América Latina, Marcelo Ramos, comenta quais são as principais características que fabricantes de medicamentos devem prestar atenção ao escolher um parceiro de TI para implantar a solução de rastreabilidade.

1-Valorize a experiência e a segurança de informações confidenciais: “políticas de rastreio de medicamentos são uma tendência global e têm sido implantadas ao redor do mundo há dez anos. Na América Latina, países como Chile e Argentina já adotaram o procedimento com suas devidas particularidades locais. Portanto, escolher um parceiro que tenha experiência na implantação dessas soluções é imprescindível para que o processo ocorra sem imprevistos. Além disso, a indústria farmacêutica deve se preocupar com a segurança da informação e pensar em uma solução de nuvem privada. Ao contar com um ambiente segmentado e exclusivo para uma única empresa, a indústria reduz as chances de vazamento de informações estratégicas – seja por um acesso errôneo ou ainda um concorrente ter acesso a dados de outros players”, afirma.

2- Escolha soluções baseadas em padrões já estabelecidos em outros segmentos: “indústrias de outros segmentos já adotaram com sucesso o rastreio de produtos e a transmissão de dados de forma segura entre diferentes estágios da cadeia de produção. Um exemplo é o padrão Electronic Product Code Information Services (EPCIS), desenvolvido pela Associação Brasileira de Automação e única detentora da Licença do Código de Barras (GS1 Brasil) e que certifica diversos softwares comerciais, amplamente adotado e considerado um caso de sucesso. Ao optar por uma solução de rastreabilidade que seja baseada em metodologias já reconhecidas pelo mercado, a empresa poderá se assegurar que terá segurança e confiabilidade no armazenamento e transmissão dos dados”.

3- Integre-se aos outros estágios da cadeia:“ a normativa da Anvisa não define qual padrão de transmissão de dados deve ser utilizado, então o natural é que o mercado se auto-regule nesse aspecto. Embora o EPCIS seja o mais reconhecido, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma) tem conduzido um grupo de estudos para desenvolver o próprio padrão, que deve ser bem adotado pelo varejo de medicamentos. Com os diversos setores da cadeia de produção utilizando diferentes métodos, escolher um parceiro que aceite e se integre a outros padrões de comunicação torna simples adequar-se à regulação”.

Marcelo Ramos ainda avalia que algumas empresas não estão pensando no processo completo, e preferem implantar a rastreabilidade em etapas temporárias, mas adverte que é importante que a indústria farmacêutica pense além da legislação. “A pirataria gera um grande problema de saúde pública, que afeta diretamente o consumidor final, podendo ocasionar resistência da doença e agravamento do quadro clínico, dificultando o tratamento. Com a rastreabilidade, os consumidores terão mais confiança e segurança no produto que estão adquirindo,” finaliza.




Dormir de lado evita o Alzheimer

19/08/2015 - Correio Braziliense


O jeito que uma pessoa dorme, indicam pesquisadores da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, pode exercer efeito significativo sobre a saúde neurológica dela. Se for de lado, alivia o acúmulo de resíduos do cérebro que contribuem para doenças como Alzheimer e Parkinson. Isso acontece porque a posição, naturalmente preferida pela maioria dos animais, libera as vias responsáveis pela limpeza do lixo metabólico.

A via glinfática é uma área do cérebro responsável pela remoção de resíduos e excesso de líquido formados especialmente durante a vigília. A região foi descoberta há pouco tempo e detalhada, pela primeira vez, em agosto de 2012 na revista especializada Science Translational Medicine. Basicamente, funciona como uma espécie de via linfática exclusiva do cérebro, sendo útil na remoção de produtos residuais, como as beta-amiloides e a proteína tau. Ambas são excessivas em indivíduos com Alzheimer, o que faz com que se acredite que sejam, na verdade, as responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

O sistema glinfático foi estudado detalhadamente, pela primeira vez, por pesquisadores da Universidade de Rochester, também dos Estados Unidos, em modelos animais. Quando funciona de forma normal e eficiente, a limpeza contínua promovida por ele assegura que substâncias tóxicas em excesso não se acumulem no cérebro. As beta-amiloides, por exemplo, podem se juntar e formar placas resistentes. Além de serem dificilmente removidas, elas enfraquecem as sinapses, a comunicação entre os neurônios, provocando demência. Com exames de ressonância magnética, a equipe liderada pela professora Helene Benveniste observou de perto o caminho do fluido cerebrospinal — substâncias que funcionam como produtos de limpeza — em ratos anestesiados para dormir em três posições: lateral, de bruços e de costas. Pelas imagens, descobriram que dormir de lado é a forma que faz com que a via funcione melhor. “Os roedores que estavam em posição lateral tiveram limpeza de beta-amiloide 25% melhor do que as que estavam dormindo de costas ou de bruços. Provavelmente, a razão pela qual as outras posições não são ideais é porque o fluido de limpeza não consegue chegar ao cérebro, desaguando em outros lugares, como a medula espinhal”, explica a responsável pelo estudo, publicado recentemente no The Journal of Neuroscience.

Espaços ampliados

De forma geral, o sono e a inconsciência promovida pela anestesia parecem melhorar a remoção de resíduos por meio da via glinfática porque o espaço entre as células é ampliado, facilitando que os resíduos sejam eliminados do cérebro. A vigília, por outro lado, abranda esse transporte porque algumas substâncias químicas no cérebro, como a noradrenalina, aumentam, preenchendo o espaço entre as células.

“Também tem sido demonstrado que os padrões de respiração podem influenciar o fluxo dos fluidos de limpeza em seres humanos e que a pulsatilidade do sono acelera o transporte”, explica Benveniste. Segundo ela, ainda é muito cedo para estudar o mecanismo observado em ratos em seres humanos. Mas existem testes radiológicos que usam a mesma abordagem. Marcadores radioativos são injetados nas substâncias de limpeza presentes na espinha, e a distribuição do marcador é seguida no cérebro ao longo do tempo.

Esses testes são chamados de cisternotomografia de radionuclídeo e utilizados em muitos centros médicos para avaliar a ocorrência de vazamento de fluido cerebrospinal, de hidrocefalia ou de hipertensão intracraniana benigna. Muitas vezes, porém, demora muito para sair o resultado, e os pacientes têm que ter o cérebro escaneado várias vezes ao longo de dois ou três dias. Por serem inconclusivos, os dados que medem a qualidade ou a posição do sono nunca são levados em consideração.

Como potencializar

Benveniste frisa que ainda é muito cedo para recomendar que as pessoas durmam de lado, mas antecipa que o próximo passo da equipe é estudar o mecanismo no cérebro humano, que é muito maior do que o de um roedor. Atualmente, ela trabalha na investigação de como o sistema pode ser controlado e mantido ao longo da vida de modo a maximizar a depuração de resíduos, prevenindo, assim, doenças. “Além disso, estamos trabalhando no desenvolvimento de plataformas e ferramentas de diagnóstico para quantificar o transporte glinfático e a depuração de resíduos do cérebro, o que será essencial para a interpretação de dados futuros”, diz.

A pesquisadora também alerta que a interpretação dos experimentos realizados por ela e a equipe com roedores anestesiados não retratam o mesmo tipo de inconsciência durante o sono de um ser humano. “Também é bem sabido que as pessoas mudam a posição do corpo durante a noite, o que pode afetar a depuração de resíduos do cérebro. Essas são questões importantes e que devem ser levadas em consideração”, esclarece.




Cientistas podem ter descoberto futura vacina contra tipo mais agressivo de câncer de mama

18/08/2015 - Portal Minha Vida


Cientistas da Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido, identificaram uma potencial nova forma para combater o tipo mais agressivo de câncer de mama e extremamente difícil de tratar, conhecido como triplo negativo, que, no futuro, pode levar a uma vacina contra este tipo da doença. Estima-se que 12% dos casos de câncer de mama diagnosticados em todo o mundo sejam do tipo triplo negativo. A descoberta foi publicada na revista científica Clinical Cancer Research.

O estudo afirma que a presença de uma proteína específica do câncer parece mostrar o quanto pacientes com o tipo triplo negativo do câncer de mama podem responder de forma positiva à quimioterapia. Com isso, os pacientes seriam poupados de um tratamento que não traria benefícios no caso deles, pelo contrário, acarretaria em sérios efeitos colaterais, justamente por sua resposta à quimioterapia não ser satisfatória.

O estudo foi focado na molécula HAGE, que é conhecida pela sua habilidade de conduzir o curso do câncer e pela capacidade de ativar respostas do sistema imunológico. Para tanto, eles analisaram tecidos tumorais de mais de mil pacientes com o tipo triplo negativo do câncer de mama, tanto os que tinham recebido alguma forma de quimioterapia quanto os que não foram tratados desta forma.

A análise mostrou que pacientes que tinham grandes níveis da HAGE, mas não haviam recebido quimioterapia, apresentavam um risco maior de óbito em decorrência da doença quando comparados com os que não indicavam a presença da proteína. O estudo também mostrou que pessoas que indicavam a presença da HAGE e receberam quimioterapia à base de antraciclina aparentavam menor riso de óbito em decorrência do problema do que os que não indicavam a presença da proteína.

Os cientistas também descobriram que apresentar a proteína está relacionado à presença de células de defesa, linfócitos, infiltrados nos tumores. Os linfócitos têm o potencial de atacar as células tumorais e a presença deles está relacionada com melhores resultados clínicos em vários casos de câncer.

Com isso, os cientistas acreditam que a HAGE propicia a base para a criação de uma vacina terapêutica para o câncer de mama do tipo triplo negativo e para o desenvolvimento de um tratamento combinado entre a quimioterapia e a vacina, visando melhores resultados.

Segundo os pesquisadores, além da urgente necessidade de um tratamento mais individualizado para pacientes com o tipo triplo negativo do câncer de mama, o potencial imunogênico da HAGE e a sua grande expressividade proteica nos tumores, comparada com tecidos sadios, é o que pode fazer deste tipo de câncer a melhor opção para a vacina. Eles já estão trabalhando nos testes para comprovar esta hipótese.

O que é o tipo triplo negativo de câncer de mama?

O triplo negativo, ou carcinoma inflamatório, raramente apresenta receptores hormonais, ou seja, não está ligado à fabricação de hormônios pelo organismo como a maior parte dos cânceres de mama. Ele é a forma mais agressiva da doença e também a mais rara. O carcinoma inflamatório se apresenta como uma inflamação na mama e frequentemente tem uma grande extensão. O câncer de mama do tipo inflamatório também começa nas glândulas que produzem leite. As chances dele se espalhar por outras partes do corpo e produzir metástases são grandes.




Cade aprova compra da Hospira pela Pfizer

18/08/2015 - IstoÉ Dinheiro Online


O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição do controle total da norte-americana Hospirapela farmacêutica Pfizer, por intermédio da Perkins, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU). Pelo acordo aprovado, após a conclusão da operação, a Perkins será extinta e a Hospira se tornará subsidiária integral da Pfizer.

O negócio foi anunciado pelas empresas em fevereiro deste ano e custou US$ 16 bilhões para a Pfizer, que agora deve ampliar as vendas de medicamentos injetáveis e de versões mais baratas de medicamentos biotecnológicos. A Hospira é uma das empresas líderes em venda de medicamentos injetáveis e teve receita de US$ 4,4 bilhões no ano passado.

A Pfizer prevê que a aquisição acrescente entre US$ 0,10 e US$ 0,12 ao lucro por ação no primeiro ano após a conclusão do acordo e que gere US$ 800 milhões em economias de custo dentro de três anos.




Com expansão, Prati-Donaduzzi se prepara para exportar

18/08/2015 - Valor Econômico


O laboratório paranaense Prati-Donaduzzi está perto de tirar do papel seu plano de internacionalização. No momento, a farmacêutica, que pertence à família Donaduzzi, está produzindo lotes pilotos de medicamentos na fábrica que acaba de entrar em operação em Toledo (PR) e, após a certificação de boas práticas da unidade junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o foco será obter o atestado do FDA (do inglês Food and Drug Administration).

O objetivo da empresa, que investiu R$ 150 milhões em sua segunda unidade fabril, é ter o aval da agência reguladora para exportar genéricos ao mercado americano. Atualmente, as exportações ainda são insignificantes. "Será uma das primeiras, se não a primeira fábrica de genéricos no país com certificação do FDA", disse ao Valor o vice-presidente da Prati, Eder Maffissoni. A receita bruta da empresa ficou em R$ 700 milhões em 2014.

Conforme o executivo, se tudo correr conforme o planejado, a certificação da agência reguladora deve sair no início de 2016. A nova fábrica foi instalada junto à primeira unidade do laboratório, no oeste do Paraná. Inicialmente, estavam previstos R$ 100 milhões, considerando apenas a estrutura física. Incluindo capital de giro, os desembolsos no projeto acabaram subindo 50%.

Esse também é o percentual de aumento de capacidade instalada da Prati com a segunda unidade. Serão 18 bilhões de doses terapêuticas (comprimido) por ano, frente a 12 bilhões de unidades atualmente. Conforme Maffissoni, a ideia é produzir na nova fábrica medicamentos de maior escala, como paracetamol, losartana (para hipertensão) e metformina, usado no tratamento do diabetes. "Vamos começar com 15 medicamentos". Ele disse que a farmacêutica conta com mais de 160 registros de produtos.

Há mais de dois anos, o laboratório chegou a cogitar a atração de um sócio investidor para financiar a expansão. O plano, porém, não foi levado adiante e a obra foi executada com recursos próprios e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O desenvolvimento de projetos, por sua vez, usa tradicionalmente recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Houve uma conversa sobre sócio, mas a decisão foi por não seguir adiante. A estratégia hoje é continuar com crescimento orgânico, sem investidor", disse o executivo.

Ao mesmo tempo, a farmacêutica busca parcerias tecnológicas que possam resultar no licenciamento de fármacos. Conforme Maffissoni, é provável que o laboratório tenha novidades nessa área até o fim do ano. A Prati, especializada em genéricos e similares e importante fornecedora do governo federal, também adotou uma estratégia de diversificação que resultou no equilíbrio entre as receitas provenientes da área hospitalar e de varejo. Em 2013, 65% das receitas ainda eram geradas na área hospitalar.

A empresa também aposta no desenvolvimento de farmoquímicos, ou princípios ativos. Dos oito projetos em andamento, há três em fase final. Para 2015, informou, a empresa projeta crescimento de 25% no faturamento, em linha com o ritmo médio de crescimento verificado nos últimos cinco anos e com a taxa de expansão apurada no primeiro semestre. "O desafio comercial não tem sido problema. Mas o câmbio tem sido um desafio gigante e o que mais aperta a indústria farmacêutica", afirmou.

A desvalorização do real frente ao dólar tem contribuído para a forte pressão de custos dos laboratórios, pois mais de 90% da matéria-prima farmacêutica no país é importada, além de energia. O setor segue apreensivo com as regras de desoneração da folha de pagamentos. "As margens já são muito achatadas em genéricos", afirma.




Mercado Aberto: Hospitais privados temem cortes de verbas públicas

18/08/2015 - Folha de S.Paulo


As sucessivas reduções no orçamento da Saúde preocupam os hospitais privados que atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde.

Em maio, foi anunciado um corte de R$ 11,8 bilhões na verba do ministério. No fim de julho houve nova tesourada, de R$ 1,18 bilhão.

As entidades já estão fechando as portas. Foram 286 instituições em cinco anos, diz Francisco Balestrin, presidente da associação de hospitais privados do Brasil. "A preocupação é que o ritmo se acelere nos próximos meses."

Os cortes deveriam acontecer em áreas menos sensíveis do que na saúde, afirma.

As Santas Casas, que atendem cerca de metade dos pacientes do SUS, estão entre as mais prejudicadas, diz ele.

Os hospitais precisam pedir ajuda da comunica de para fechar as contas, afirma Edson Rogatti, 64, da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do país.

A soma das dívidas das entidades no país chega a cerca de R$ 19 bilhões.

O principal problema é que o SUS paga pouco pelos procedimentos, diz. Para fazer um parto normal, um hospital tem gastos de R$ 1.500, mas o governo paga R$ 580.

Em média, os pagamentos do governo representam cerca de 60% dos custos. A tabela não tem reajustes há dez anos, afirma Rogatti.

Com a inflação e aumentos na conta de luz de 2015, a situação piorou muito, diz.

O medo dele é que no fim do ano haja um colapso no atendimento aos pacientes do SUS na rede privada.




Mercado Aberto: No Vermelho

18/08/2015 - Folha de S.Paulo


A Santa Casa de Franca, que atende pacientes de 22 municípios iniciou neste mês um contingenciamento de 10% das despesas para tentar manter as contas no azul.

As medidas incluem a redução de honorários médicos e a demissão de 126 funcionários –quase 7% do total de 1.800 contratados.

"Tentamos reduzir os gastos em R$ 1 milhão por mês", diz o presidente, José Cândido Chimionato.

Na Santa Casa de Cuiabá, que tem 280 leitos, 83% dos atendimentos são pelo SUS.

"Somos muito mais dependentes dos repasses públicos que os 60% recomendados para que uma gestão filantrópica sobreviva", afirma Antônio Preza, presidente da Santa Casa de Cuiabá.

A entidade busca um financiamento com a Caixa Econômica para quitar as dívidas, que somam R$ 50 milhões, dos quais R$ 18 milhões são com fornecedores.

Muito menor, o hospital de Palmital (SP) também enfrenta problemas de solvência.

O gestor Edson Rogatti afirma que 90% dos pacientes dele são do SUS, e que para conseguir atender, precisa pedir ajuda "vendendo rifa e fazendo bingo" na cidade.




Tomossíntese aumenta em até 43% a detecção do câncer de mama

18/08/2015 - O Estado de S.Paulo


A mamografia é o exame mais importante para o rastreamento da doença e do diagnóstico precoce em mulheres assintomáticas, devendo ser realizada uma vez por ano a partir dos 40 anos. Nos anos 2000, a versão digital passou a permitir o pós-processamento da imagem, com recursos para correções, ajustes e ampliações, além de facilitar o registro do histórico da paciente.

A Tomossíntese é um exame que realiza múltiplas aquisições de imagens da mama em diferentes ângulos , e através de um software é realizada a reconstrução em cortes milimétricos,permitindo assim uma avaliação tridimensional da mama,melhorando a capacidade de diagnóstico.

A grande vantagem é reduzir ou eliminar a sobreposição de tecido mamário, melhorar a definição e caracterização das lesões encontradas, reduzir a taxa de reconvocação, reduzir os falso-positivos, reduzir o número de biopsias e o benefício em potencial é o aumento da detecção de câncer de mama. Estudos comprovam que a tomossíntese pode reduzir a reconvocação para incidências complementares em até 15% e aumentar a detecção do câncer de mama em 43%.




Cientistas descobrem como memórias traumáticas se escondem

18/08/2015 - O Globo


Algumas experiências estressantes, como abusos repetidos na infância, são tão fortes e traumáticas que suas memórias se escondem como sombras no cérebro. A princípio, isso pode até parecer algo bom, já que as lembranças dolorosas não são acessadas conscientemente, poupando o indivíduo de ter que reviver a toda hora a dor emocional desses eventos. Mas as memórias suprimidas podem causar uma série de problemas psicológicos graves, desde ansiedade e depressão a desordens de estresse pós-traumático ou dissociativas.

Há tempos os cientistas acreditam que um processo conhecido como aprendizagem dependente do estado está por trás da formação dessas memórias inacessíveis pela mente consciente. Assim, informações gravadas em um estado particular de humor, excitação ou induzido por drogas só seriam recuperadas quando o cérebro fosse posto novamente sob o mesmo estado anímico.

Uma equipe de pesquisadores realizou um experimento com camundongos para testar esta hipótese, revelando pela primeira vez o mecanismo como tal tipo de aprendizagem dependente do estado faz com que memórias estressantes relacionadas ao medo sejam inacessíveis à mente consciente. A descoberta abre caminho para a criação de novas maneiras de os terapeutas ajudarem pacientes com distúrbios causados por memórias traumáticas que, de outra forma, seriam difíceis de acessar.

— Nossos achados mostram que há múltiplos caminhos para guardar memórias indutoras de medo, e encontramos uma via importante para a formação destas lembranças — conta Jelena Radulovic, professora da Universidade Northwestern, nos EUA, e líder do estudo, publicado ontem no periódico científico “Nature Neuroscience”. — Isso pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com desordens psiquiátricas para quem o acesso consciente a suas memórias traumáticas é essencial em sua recuperação.

Segundo os pesquisadores, os caminhos para a formação de memórias dependem da ação de dois aminoácidos no nosso cérebro, chamados glutamato e Gaba, que controlam se as células nervosas estão ativas ou inibidas. Sob condições normais, esse sistema fica em equilíbrio, mas quando estamos vigilantes, a concentração de glutamato aumenta. Isso faz com que ele seja o principal composto no armazenamento de memórias facilmente lembradas. O Gaba, por sua vez, nos acalma e ajuda a dormir, bloqueando o glutamato.

O CÉREBRO COMO UM RÁDIO AM E FM

Mas existem dois tipos de receptores de Gaba no cérebro. Um deles, conhecido como receptor sináptico de Gaba, trabalha em conjunto com os de glutamato para equilibrar a resposta cerebral a eventos externos, estressantes ou não. Já o outro tipo, os chamados receptores extrassinápticos de Gaba, funciona de forma independente, ignorando o glutamato e focando em aspectos internos, ajustando as ondas cerebrais, e estados mentais, de acordo com os níveis de diversos compostos químicos no cérebro, como o próprio Gaba, hormônios sexuais e outras proteínas. Assim, são esses receptores extrassinápticos que alteram nosso estado anímico, fazendo com que nos sintamos excitados, sonolentos, alertas, sedados ou mesmo psicóticos. E o experimento mostrou que também são esses receptores, agindo a nível molecular, que ajudam a codificar as memórias de eventos traumáticos e guardá-las escondidas da mente consciente.

— O cérebro funciona em diferentes estados, como um rádio que opera nas frequências AM e FM — compara Jelena. — É como se ele normalmente estivesse sintonizado em FM para acessar as memórias, mas precisa mudar para as estações AM para ter acesso às lembranças do subconsciente. Se um episódio traumático acontece quando os receptores extrassinápticos de Gaba estão ativos, a memória desse evento não pode ser acessada a não ser que esses receptores sejam novamente ativados, sintonizando o cérebro nas estações AM.




Toxina estética ameniza paralisia cerebral

18/08/2015 - Correio Braziliense


Ganha força entre os médicos uma nova abordagem para facilitar o cotidiano de pacientes com paralisia cerebral, especialmente as crianças. Infiltrações de toxina botulínica são feitas para amenizar a contratura muscular, facilitando a realização de movimentos indispensáveis para o desenvolvimento dos pequenos, como andar.

Professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Madrid, na Espanha, e referência no tema, Samuel Ignacio Pascual-Pascual explica que a técnica deve começar a ser aplicada antes que a contratura muscular comece a causar deformidades no paciente. “Quanto antes, melhor. É comum iniciarmos as aplicações entre os 4 e os 5 anos, mas o uso da toxina no tratamento de espasticidade é autorizado a partir dos 2 anos”, explica o também membro do Serviço de Neurologia Pediátrica do Hospital Universitário La Paz, na capital espanhola.

O ortopedista César Lima, de Belo Horizonte, conta que o uso do medicamento para esse fim não é novidade — o primeiro caso na capital mineira ocorreu em 1995 —, mas a forma como ele é administrado vem mudando ao longo dos anos. Segundo o ortopedista Leonardo Cury Abrahão, gerente clínico da Associação Mineira de Reabilitação (AMR), muitos mitos e tabus em torno da toxina foram quebrados. “Quando existir espasticidade (os músculos têm, ao mesmo tempo, a força diminuída e o tônus aumentado) no quadro de paralisia cerebral, há indicação da toxina, mas ela não tem sido usada de forma adequada. Há uma dificuldade de acesso, mesmo a substância sendo disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Também falta conhecimento dos profissionais e dos pacientes”, lamenta.

Para Pascual-Pascual, as pessoas ainda relacionam a toxina com um veneno muito potente, o que, de fato, ele é. “Mas, na medicina, usamos doses mínimas. Esse fármaco vem sendo muito bem utilizado em todo o mundo, com segurança”, explica. A experiência e novos estudos reconfiguraram o modelo de tratamento com a toxina. Quando começou a adotá-la, na década de 1990, as infiltrações, por exemplo, eram a cada um ou dois anos.

Hoje, já se sabe que é seguro e eficaz utilizá-la em uma periodicidade de quatro a seis meses. “Nossos estudos também mostram que a combinação da toxina com outras técnicas é o que tem promovido os melhores resultados. Estamos avançando, conhecendo doses, periodicidade e músculos mais apropriados para o tratamento com a toxina”, explica o especialista espanhol.

Até os 2 anos

A paralisia cerebral tem manifestações clínicas muito variadas, mas, em geral, é caracterizada pela dificuldade motora em consequência de lesão cerebral, que pode ocorrer durante toda a fase de desenvolvimento do Sistema Nervoso Central (SNC), ou seja, do momento da concepção até os 2 anos de idade de um indivíduo. Por isso, a lesão cerebral que surge depois disso não é considerada paralisia cerebral.

Para ser considerada paralisia cerebral, essa lesão neurológica também não pode ser progressiva. Segundo a Associação Brasileira de Paralisia Infantil, a criança vai apresentar mudanças decorrentes de seu crescimento e amadurecimento, mas a lesão em si é estacionária: não vai piorar, mas também não vai desaparecer. Não há, portanto, cura para o problema, mas o tratamento pode melhorar a situação motora.

A paralisia cerebral espástica, o tipo mais comum, que surge em 70% das crianças, é caracterizada pela espasticidade. Os pacientes apresentam os músculos enrijecidos, o que dificulta os movimentos. Os músculos mais tensos crescem menos e, por isso, a criança, com o tempo, pode desenvolver encurtamentos musculares, conhecidos como contraturas.

O crescimento dos ossos, influenciado pela tensão dos músculos, também pode ser alterado, evoluindo para deformidades. Além disso, o desenvolvimento motor, a aquisição das atividades motoras, como sentar, engatinhar e andar, são atrasados de forma leve, moderada ou grave.

A espasticidade não é exclusividade da paralisia cerebral. Também pode ocorrer em doenças neurológicas que provocam lesão das células do sistema nervoso — responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários —, em lesões medulares, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros. Segundo Pascual-Pascual, em crianças com paralisia cerebral, a espasticidade quase sempre leva a deformidades nos ossos, músculos e tendões.

Multiúso

Apesar de ter se tornado mais conhecida a partir dos seus benefícios estéticos, a toxina botulínica vem ajudando a medicina na abordagem de doenças variadas. Segregada por bactérias que se desenvolvem em enlatados ou em alimentos mal conservados, começou a ser usada com fins terapêuticos em 1980, promovendo um relaxamento de músculos oculares, eficaz no tratamento do estrabismo. Em 1989, foi publicado o primeiro trabalho mostrando seus benefícios também no tratamento de distúrbios de movimento, especificamente nos casos de espasticidade. Hoje, também é adotada no tratamento de esclerose múltipla, doença de Parkinson, tiques nervosos, cefaleias, hiperidrose e até bruxismo.

Para saber mais

Causas diversas

A origem da paralisia cerebral pode ser pré-natal (as lesões ocorrem antes do nascimento, em decorrência de algumas doenças da gestante que podem comprometer a formação das estruturas neurológicas do feto, como diabetes, pressão alta e infecções virais, além do uso de álcool, drogas e tabaco); perinatais (as lesões ocorrem no período que vai do começo do trabalho de parto até seis horas após o nascimento, influenciadas por prematuridade, baixo peso, trabalho de parto muito demorado e outras situações que predispõem o sistema nervoso imaturo a não efetuar essa adaptação com a rapidez suficiente); e pós-natais (quando infecções como a meningite, traumas cranianos e tumores podem comprometer o sistema nervoso ainda em desenvolvimento).

Os sintomas da paralisia cerebral podem oscilar entre lentidão perceptível apenas e a falta grave de elasticidade, que obriga a criança a usar muletas ou cadeira de rodas. O problema afeta de dois a quatro em cada mil bebês e é 10 vezes mais frequente nos prematuros, segundo o Manual Merck de Informação Médica. O prognóstico depende do grau de comprometimento do paciente, no entanto, mais de 90% das crianças vivem até a idade adulta.




Café ajuda contra câncer de cólon

18/08/2015 - Correio Braziliense


A ingestão regular de café pode ser uma arma poderosa contra casos graves de câncer de cólon. A pesquisa inédita, publicada no Journal of Clinical Oncology, se deu após o acompanhamento de cerca de 1 mil pacientes e indica que a cafeína pode ajudar tanto a prevenir o retorno do tumor quanto a melhorar as chances de cura.

Todos os participantes haviam sido tratados com cirurgia e quimioterapia para a fase 3 de câncer de colón. Nesse estágio, o penúltimo, o tumor se disseminou para os linfonodos próximos, mas ainda não se espalhou para outros órgãos. Os pacientes responderam a um questionário sobre os padrões alimentares no início do estudo, durante a quimioterapia e cerca de um ano depois.

“Descobrimos que os bebedores de café tiveram menor risco de o câncer voltar e um significativo aumento da sobrevida e das chances de cura”, resume Charles Fuchs, líder da pesquisa e diretor do Centro de Câncer Gastrointestinal do Dana-Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos. Ao analisar dados e exames médicos, os cientistas constataram que os pacientes que ingeriam quatro ou mais xícaras de café por dia — o equivalente a cerca de 460mg de cafeína — apresentaram 42% menos probabilidade de sofrer recidiva e 33% menos probabilidade de morrer de câncer.

Segundo Fuchs, duas a três xícaras de café por dia tiveram um benefício mais modesto, enquanto pouca proteção foi associada a uma xícara ou menos. Os pacientes nesse estágio do câncer de cólon têm 35% de chance de recorrência. A maioria das recidivas se dão dentro de cinco anos após o tratamento.

Insulina

Ainda não está claro por que a cafeína tem esse efeito, de acordo com Fuchs. Uma das hipóteses levantadas pela equipe é a de que a substância aumenta a sensibilidade do corpo à insulina, o que ajudaria a reduzir inflamações pelo corpo, um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes e tumores.

Apesar dos resultados, Fuchs hesita em indicar aos pacientes a recorrem à cafeína. Segundo ele, esses benefícios da substância precisam ser confirmados em novos estudos. “Se você é um bebedor de café e está sendo tratado para o câncer de cólon, não pare. Mas, se você não é um bebedor de café e está cogitando começar, deve primeiro discutir o assunto com seu médico”, recomenda.

O pesquisador ressalta ainda que o resultado inédito a que ele e sua equipe chegaram se soma a outros estudos que constatam a ação da cafeína contra o câncer. Entre eles, a redução dos riscos de tumor na mama após a menopausa, melanoma, cancro de fígado e de próstata avançado.




Dormir de lado evita o Alzheimer

19/08/2015 - Correio Braziliense


O jeito que uma pessoa dorme, indicam pesquisadores da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, pode exercer efeito significativo sobre a saúde neurológica dela. Se for de lado, alivia o acúmulo de resíduos do cérebro que contribuem para doenças como Alzheimer e Parkinson. Isso acontece porque a posição, naturalmente preferida pela maioria dos animais, libera as vias responsáveis pela limpeza do lixo metabólico.

A via glinfática é uma área do cérebro responsável pela remoção de resíduos e excesso de líquido formados especialmente durante a vigília. A região foi descoberta há pouco tempo e detalhada, pela primeira vez, em agosto de 2012 na revista especializada Science Translational Medicine. Basicamente, funciona como uma espécie de via linfática exclusiva do cérebro, sendo útil na remoção de produtos residuais, como as beta-amiloides e a proteína tau. Ambas são excessivas em indivíduos com Alzheimer, o que faz com que se acredite que sejam, na verdade, as responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

O sistema glinfático foi estudado detalhadamente, pela primeira vez, por pesquisadores da Universidade de Rochester, também dos Estados Unidos, em modelos animais. Quando funciona de forma normal e eficiente, a limpeza contínua promovida por ele assegura que substâncias tóxicas em excesso não se acumulem no cérebro. As beta-amiloides, por exemplo, podem se juntar e formar placas resistentes. Além de serem dificilmente removidas, elas enfraquecem as sinapses, a comunicação entre os neurônios, provocando demência. Com exames de ressonância magnética, a equipe liderada pela professora Helene Benveniste observou de perto o caminho do fluido cerebrospinal — substâncias que funcionam como produtos de limpeza — em ratos anestesiados para dormir em três posições: lateral, de bruços e de costas. Pelas imagens, descobriram que dormir de lado é a forma que faz com que a via funcione melhor. “Os roedores que estavam em posição lateral tiveram limpeza de beta-amiloide 25% melhor do que as que estavam dormindo de costas ou de bruços. Provavelmente, a razão pela qual as outras posições não são ideais é porque o fluido de limpeza não consegue chegar ao cérebro, desaguando em outros lugares, como a medula espinhal”, explica a responsável pelo estudo, publicado recentemente no The Journal of Neuroscience.

Espaços ampliados

De forma geral, o sono e a inconsciência promovida pela anestesia parecem melhorar a remoção de resíduos por meio da via glinfática porque o espaço entre as células é ampliado, facilitando que os resíduos sejam eliminados do cérebro. A vigília, por outro lado, abranda esse transporte porque algumas substâncias químicas no cérebro, como a noradrenalina, aumentam, preenchendo o espaço entre as células.

“Também tem sido demonstrado que os padrões de respiração podem influenciar o fluxo dos fluidos de limpeza em seres humanos e que a pulsatilidade do sono acelera o transporte”, explica Benveniste. Segundo ela, ainda é muito cedo para estudar o mecanismo observado em ratos em seres humanos. Mas existem testes radiológicos que usam a mesma abordagem. Marcadores radioativos são injetados nas substâncias de limpeza presentes na espinha, e a distribuição do marcador é seguida no cérebro ao longo do tempo.

Esses testes são chamados de cisternotomografia de radionuclídeo e utilizados em muitos centros médicos para avaliar a ocorrência de vazamento de fluido cerebrospinal, de hidrocefalia ou de hipertensão intracraniana benigna. Muitas vezes, porém, demora muito para sair o resultado, e os pacientes têm que ter o cérebro escaneado várias vezes ao longo de dois ou três dias. Por serem inconclusivos, os dados que medem a qualidade ou a posição do sono nunca são levados em consideração.

Como potencializar

Benveniste frisa que ainda é muito cedo para recomendar que as pessoas durmam de lado, mas antecipa que o próximo passo da equipe é estudar o mecanismo no cérebro humano, que é muito maior do que o de um roedor. Atualmente, ela trabalha na investigação de como o sistema pode ser controlado e mantido ao longo da vida de modo a maximizar a depuração de resíduos, prevenindo, assim, doenças. “Além disso, estamos trabalhando no desenvolvimento de plataformas e ferramentas de diagnóstico para quantificar o transporte glinfático e a depuração de resíduos do cérebro, o que será essencial para a interpretação de dados futuros”, diz.

A pesquisadora também alerta que a interpretação dos experimentos realizados por ela e a equipe com roedores anestesiados não retratam o mesmo tipo de inconsciência durante o sono de um ser humano. “Também é bem sabido que as pessoas mudam a posição do corpo durante a noite, o que pode afetar a depuração de resíduos do cérebro. Essas são questões importantes e que devem ser levadas em consideração”, esclarece.




Cientistas podem ter descoberto futura vacina contra tipo mais agressivo de câncer de mama

18/08/2015 - Portal Minha Vida


Cientistas da Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido, identificaram uma potencial nova forma para combater o tipo mais agressivo de câncer de mama e extremamente difícil de tratar, conhecido como triplo negativo, que, no futuro, pode levar a uma vacina contra este tipo da doença. Estima-se que 12% dos casos de câncer de mama diagnosticados em todo o mundo sejam do tipo triplo negativo. A descoberta foi publicada na revista científica Clinical Cancer Research.

O estudo afirma que a presença de uma proteína específica do câncer parece mostrar o quanto pacientes com o tipo triplo negativo do câncer de mama podem responder de forma positiva à quimioterapia. Com isso, os pacientes seriam poupados de um tratamento que não traria benefícios no caso deles, pelo contrário, acarretaria em sérios efeitos colaterais, justamente por sua resposta à quimioterapia não ser satisfatória.

O estudo foi focado na molécula HAGE, que é conhecida pela sua habilidade de conduzir o curso do câncer e pela capacidade de ativar respostas do sistema imunológico. Para tanto, eles analisaram tecidos tumorais de mais de mil pacientes com o tipo triplo negativo do câncer de mama, tanto os que tinham recebido alguma forma de quimioterapia quanto os que não foram tratados desta forma.

A análise mostrou que pacientes que tinham grandes níveis da HAGE, mas não haviam recebido quimioterapia, apresentavam um risco maior de óbito em decorrência da doença quando comparados com os que não indicavam a presença da proteína. O estudo também mostrou que pessoas que indicavam a presença da HAGE e receberam quimioterapia à base de antraciclina aparentavam menor riso de óbito em decorrência do problema do que os que não indicavam a presença da proteína.

Os cientistas também descobriram que apresentar a proteína está relacionado à presença de células de defesa, linfócitos, infiltrados nos tumores. Os linfócitos têm o potencial de atacar as células tumorais e a presença deles está relacionada com melhores resultados clínicos em vários casos de câncer.

Com isso, os cientistas acreditam que a HAGE propicia a base para a criação de uma vacina terapêutica para o câncer de mama do tipo triplo negativo e para o desenvolvimento de um tratamento combinado entre a quimioterapia e a vacina, visando melhores resultados.

Segundo os pesquisadores, além da urgente necessidade de um tratamento mais individualizado para pacientes com o tipo triplo negativo do câncer de mama, o potencial imunogênico da HAGE e a sua grande expressividade proteica nos tumores, comparada com tecidos sadios, é o que pode fazer deste tipo de câncer a melhor opção para a vacina. Eles já estão trabalhando nos testes para comprovar esta hipótese.

O que é o tipo triplo negativo de câncer de mama?

O triplo negativo, ou carcinoma inflamatório, raramente apresenta receptores hormonais, ou seja, não está ligado à fabricação de hormônios pelo organismo como a maior parte dos cânceres de mama. Ele é a forma mais agressiva da doença e também a mais rara. O carcinoma inflamatório se apresenta como uma inflamação na mama e frequentemente tem uma grande extensão. O câncer de mama do tipo inflamatório também começa nas glândulas que produzem leite. As chances dele se espalhar por outras partes do corpo e produzir metástases são grandes.




Cade aprova compra da Hospira pela Pfizer

18/08/2015 - IstoÉ Dinheiro Online


O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição do controle total da norte-americana Hospirapela farmacêutica Pfizer, por intermédio da Perkins, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU). Pelo acordo aprovado, após a conclusão da operação, a Perkins será extinta e a Hospira se tornará subsidiária integral da Pfizer.

O negócio foi anunciado pelas empresas em fevereiro deste ano e custou US$ 16 bilhões para a Pfizer, que agora deve ampliar as vendas de medicamentos injetáveis e de versões mais baratas de medicamentos biotecnológicos. A Hospira é uma das empresas líderes em venda de medicamentos injetáveis e teve receita de US$ 4,4 bilhões no ano passado.

A Pfizer prevê que a aquisição acrescente entre US$ 0,10 e US$ 0,12 ao lucro por ação no primeiro ano após a conclusão do acordo e que gere US$ 800 milhões em economias de custo dentro de três anos.




Com expansão, Prati-Donaduzzi se prepara para exportar

18/08/2015 - Valor Econômico


O laboratório paranaense Prati-Donaduzzi está perto de tirar do papel seu plano de internacionalização. No momento, a farmacêutica, que pertence à família Donaduzzi, está produzindo lotes pilotos de medicamentos na fábrica que acaba de entrar em operação em Toledo (PR) e, após a certificação de boas práticas da unidade junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o foco será obter o atestado do FDA (do inglês Food and Drug Administration).

O objetivo da empresa, que investiu R$ 150 milhões em sua segunda unidade fabril, é ter o aval da agência reguladora para exportar genéricos ao mercado americano. Atualmente, as exportações ainda são insignificantes. "Será uma das primeiras, se não a primeira fábrica de genéricos no país com certificação do FDA", disse ao Valor o vice-presidente da Prati, Eder Maffissoni. A receita bruta da empresa ficou em R$ 700 milhões em 2014.

Conforme o executivo, se tudo correr conforme o planejado, a certificação da agência reguladora deve sair no início de 2016. A nova fábrica foi instalada junto à primeira unidade do laboratório, no oeste do Paraná. Inicialmente, estavam previstos R$ 100 milhões, considerando apenas a estrutura física. Incluindo capital de giro, os desembolsos no projeto acabaram subindo 50%.

Esse também é o percentual de aumento de capacidade instalada da Prati com a segunda unidade. Serão 18 bilhões de doses terapêuticas (comprimido) por ano, frente a 12 bilhões de unidades atualmente. Conforme Maffissoni, a ideia é produzir na nova fábrica medicamentos de maior escala, como paracetamol, losartana (para hipertensão) e metformina, usado no tratamento do diabetes. "Vamos começar com 15 medicamentos". Ele disse que a farmacêutica conta com mais de 160 registros de produtos.

Há mais de dois anos, o laboratório chegou a cogitar a atração de um sócio investidor para financiar a expansão. O plano, porém, não foi levado adiante e a obra foi executada com recursos próprios e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O desenvolvimento de projetos, por sua vez, usa tradicionalmente recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Houve uma conversa sobre sócio, mas a decisão foi por não seguir adiante. A estratégia hoje é continuar com crescimento orgânico, sem investidor", disse o executivo.

Ao mesmo tempo, a farmacêutica busca parcerias tecnológicas que possam resultar no licenciamento de fármacos. Conforme Maffissoni, é provável que o laboratório tenha novidades nessa área até o fim do ano. A Prati, especializada em genéricos e similares e importante fornecedora do governo federal, também adotou uma estratégia de diversificação que resultou no equilíbrio entre as receitas provenientes da área hospitalar e de varejo. Em 2013, 65% das receitas ainda eram geradas na área hospitalar.

A empresa também aposta no desenvolvimento de farmoquímicos, ou princípios ativos. Dos oito projetos em andamento, há três em fase final. Para 2015, informou, a empresa projeta crescimento de 25% no faturamento, em linha com o ritmo médio de crescimento verificado nos últimos cinco anos e com a taxa de expansão apurada no primeiro semestre. "O desafio comercial não tem sido problema. Mas o câmbio tem sido um desafio gigante e o que mais aperta a indústria farmacêutica", afirmou.

A desvalorização do real frente ao dólar tem contribuído para a forte pressão de custos dos laboratórios, pois mais de 90% da matéria-prima farmacêutica no país é importada, além de energia. O setor segue apreensivo com as regras de desoneração da folha de pagamentos. "As margens já são muito achatadas em genéricos", afirma.




Mercado Aberto: Hospitais privados temem cortes de verbas públicas

18/08/2015 - Folha de S.Paulo


As sucessivas reduções no orçamento da Saúde preocupam os hospitais privados que atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde.

Em maio, foi anunciado um corte de R$ 11,8 bilhões na verba do ministério. No fim de julho houve nova tesourada, de R$ 1,18 bilhão.

As entidades já estão fechando as portas. Foram 286 instituições em cinco anos, diz Francisco Balestrin, presidente da associação de hospitais privados do Brasil. "A preocupação é que o ritmo se acelere nos próximos meses."

Os cortes deveriam acontecer em áreas menos sensíveis do que na saúde, afirma.

As Santas Casas, que atendem cerca de metade dos pacientes do SUS, estão entre as mais prejudicadas, diz ele.

Os hospitais precisam pedir ajuda da comunica de para fechar as contas, afirma Edson Rogatti, 64, da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do país.

A soma das dívidas das entidades no país chega a cerca de R$ 19 bilhões.

O principal problema é que o SUS paga pouco pelos procedimentos, diz. Para fazer um parto normal, um hospital tem gastos de R$ 1.500, mas o governo paga R$ 580.

Em média, os pagamentos do governo representam cerca de 60% dos custos. A tabela não tem reajustes há dez anos, afirma Rogatti.

Com a inflação e aumentos na conta de luz de 2015, a situação piorou muito, diz.

O medo dele é que no fim do ano haja um colapso no atendimento aos pacientes do SUS na rede privada.




Mercado Aberto: No Vermelho

18/08/2015 - Folha de S.Paulo


A Santa Casa de Franca, que atende pacientes de 22 municípios iniciou neste mês um contingenciamento de 10% das despesas para tentar manter as contas no azul.

As medidas incluem a redução de honorários médicos e a demissão de 126 funcionários –quase 7% do total de 1.800 contratados.

"Tentamos reduzir os gastos em R$ 1 milhão por mês", diz o presidente, José Cândido Chimionato.

Na Santa Casa de Cuiabá, que tem 280 leitos, 83% dos atendimentos são pelo SUS.

"Somos muito mais dependentes dos repasses públicos que os 60% recomendados para que uma gestão filantrópica sobreviva", afirma Antônio Preza, presidente da Santa Casa de Cuiabá.

A entidade busca um financiamento com a Caixa Econômica para quitar as dívidas, que somam R$ 50 milhões, dos quais R$ 18 milhões são com fornecedores.

Muito menor, o hospital de Palmital (SP) também enfrenta problemas de solvência.

O gestor Edson Rogatti afirma que 90% dos pacientes dele são do SUS, e que para conseguir atender, precisa pedir ajuda "vendendo rifa e fazendo bingo" na cidade.




Tomossíntese aumenta em até 43% a detecção do câncer de mama

18/08/2015 - O Estado de S.Paulo


A mamografia é o exame mais importante para o rastreamento da doença e do diagnóstico precoce em mulheres assintomáticas, devendo ser realizada uma vez por ano a partir dos 40 anos. Nos anos 2000, a versão digital passou a permitir o pós-processamento da imagem, com recursos para correções, ajustes e ampliações, além de facilitar o registro do histórico da paciente.

A Tomossíntese é um exame que realiza múltiplas aquisições de imagens da mama em diferentes ângulos , e através de um software é realizada a reconstrução em cortes milimétricos,permitindo assim uma avaliação tridimensional da mama,melhorando a capacidade de diagnóstico.

A grande vantagem é reduzir ou eliminar a sobreposição de tecido mamário, melhorar a definição e caracterização das lesões encontradas, reduzir a taxa de reconvocação, reduzir os falso-positivos, reduzir o número de biopsias e o benefício em potencial é o aumento da detecção de câncer de mama. Estudos comprovam que a tomossíntese pode reduzir a reconvocação para incidências complementares em até 15% e aumentar a detecção do câncer de mama em 43%.




Cientistas descobrem como memórias traumáticas se escondem

18/08/2015 - O Globo


Algumas experiências estressantes, como abusos repetidos na infância, são tão fortes e traumáticas que suas memórias se escondem como sombras no cérebro. A princípio, isso pode até parecer algo bom, já que as lembranças dolorosas não são acessadas conscientemente, poupando o indivíduo de ter que reviver a toda hora a dor emocional desses eventos. Mas as memórias suprimidas podem causar uma série de problemas psicológicos graves, desde ansiedade e depressão a desordens de estresse pós-traumático ou dissociativas.

Há tempos os cientistas acreditam que um processo conhecido como aprendizagem dependente do estado está por trás da formação dessas memórias inacessíveis pela mente consciente. Assim, informações gravadas em um estado particular de humor, excitação ou induzido por drogas só seriam recuperadas quando o cérebro fosse posto novamente sob o mesmo estado anímico.

Uma equipe de pesquisadores realizou um experimento com camundongos para testar esta hipótese, revelando pela primeira vez o mecanismo como tal tipo de aprendizagem dependente do estado faz com que memórias estressantes relacionadas ao medo sejam inacessíveis à mente consciente. A descoberta abre caminho para a criação de novas maneiras de os terapeutas ajudarem pacientes com distúrbios causados por memórias traumáticas que, de outra forma, seriam difíceis de acessar.

— Nossos achados mostram que há múltiplos caminhos para guardar memórias indutoras de medo, e encontramos uma via importante para a formação destas lembranças — conta Jelena Radulovic, professora da Universidade Northwestern, nos EUA, e líder do estudo, publicado ontem no periódico científico “Nature Neuroscience”. — Isso pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com desordens psiquiátricas para quem o acesso consciente a suas memórias traumáticas é essencial em sua recuperação.

Segundo os pesquisadores, os caminhos para a formação de memórias dependem da ação de dois aminoácidos no nosso cérebro, chamados glutamato e Gaba, que controlam se as células nervosas estão ativas ou inibidas. Sob condições normais, esse sistema fica em equilíbrio, mas quando estamos vigilantes, a concentração de glutamato aumenta. Isso faz com que ele seja o principal composto no armazenamento de memórias facilmente lembradas. O Gaba, por sua vez, nos acalma e ajuda a dormir, bloqueando o glutamato.

O CÉREBRO COMO UM RÁDIO AM E FM

Mas existem dois tipos de receptores de Gaba no cérebro. Um deles, conhecido como receptor sináptico de Gaba, trabalha em conjunto com os de glutamato para equilibrar a resposta cerebral a eventos externos, estressantes ou não. Já o outro tipo, os chamados receptores extrassinápticos de Gaba, funciona de forma independente, ignorando o glutamato e focando em aspectos internos, ajustando as ondas cerebrais, e estados mentais, de acordo com os níveis de diversos compostos químicos no cérebro, como o próprio Gaba, hormônios sexuais e outras proteínas. Assim, são esses receptores extrassinápticos que alteram nosso estado anímico, fazendo com que nos sintamos excitados, sonolentos, alertas, sedados ou mesmo psicóticos. E o experimento mostrou que também são esses receptores, agindo a nível molecular, que ajudam a codificar as memórias de eventos traumáticos e guardá-las escondidas da mente consciente.

— O cérebro funciona em diferentes estados, como um rádio que opera nas frequências AM e FM — compara Jelena. — É como se ele normalmente estivesse sintonizado em FM para acessar as memórias, mas precisa mudar para as estações AM para ter acesso às lembranças do subconsciente. Se um episódio traumático acontece quando os receptores extrassinápticos de Gaba estão ativos, a memória desse evento não pode ser acessada a não ser que esses receptores sejam novamente ativados, sintonizando o cérebro nas estações AM.




Toxina estética ameniza paralisia cerebral

18/08/2015 - Correio Braziliense


Ganha força entre os médicos uma nova abordagem para facilitar o cotidiano de pacientes com paralisia cerebral, especialmente as crianças. Infiltrações de toxina botulínica são feitas para amenizar a contratura muscular, facilitando a realização de movimentos indispensáveis para o desenvolvimento dos pequenos, como andar.

Professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma de Madrid, na Espanha, e referência no tema, Samuel Ignacio Pascual-Pascual explica que a técnica deve começar a ser aplicada antes que a contratura muscular comece a causar deformidades no paciente. “Quanto antes, melhor. É comum iniciarmos as aplicações entre os 4 e os 5 anos, mas o uso da toxina no tratamento de espasticidade é autorizado a partir dos 2 anos”, explica o também membro do Serviço de Neurologia Pediátrica do Hospital Universitário La Paz, na capital espanhola.

O ortopedista César Lima, de Belo Horizonte, conta que o uso do medicamento para esse fim não é novidade — o primeiro caso na capital mineira ocorreu em 1995 —, mas a forma como ele é administrado vem mudando ao longo dos anos. Segundo o ortopedista Leonardo Cury Abrahão, gerente clínico da Associação Mineira de Reabilitação (AMR), muitos mitos e tabus em torno da toxina foram quebrados. “Quando existir espasticidade (os músculos têm, ao mesmo tempo, a força diminuída e o tônus aumentado) no quadro de paralisia cerebral, há indicação da toxina, mas ela não tem sido usada de forma adequada. Há uma dificuldade de acesso, mesmo a substância sendo disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Também falta conhecimento dos profissionais e dos pacientes”, lamenta.

Para Pascual-Pascual, as pessoas ainda relacionam a toxina com um veneno muito potente, o que, de fato, ele é. “Mas, na medicina, usamos doses mínimas. Esse fármaco vem sendo muito bem utilizado em todo o mundo, com segurança”, explica. A experiência e novos estudos reconfiguraram o modelo de tratamento com a toxina. Quando começou a adotá-la, na década de 1990, as infiltrações, por exemplo, eram a cada um ou dois anos.

Hoje, já se sabe que é seguro e eficaz utilizá-la em uma periodicidade de quatro a seis meses. “Nossos estudos também mostram que a combinação da toxina com outras técnicas é o que tem promovido os melhores resultados. Estamos avançando, conhecendo doses, periodicidade e músculos mais apropriados para o tratamento com a toxina”, explica o especialista espanhol.

Até os 2 anos

A paralisia cerebral tem manifestações clínicas muito variadas, mas, em geral, é caracterizada pela dificuldade motora em consequência de lesão cerebral, que pode ocorrer durante toda a fase de desenvolvimento do Sistema Nervoso Central (SNC), ou seja, do momento da concepção até os 2 anos de idade de um indivíduo. Por isso, a lesão cerebral que surge depois disso não é considerada paralisia cerebral.

Para ser considerada paralisia cerebral, essa lesão neurológica também não pode ser progressiva. Segundo a Associação Brasileira de Paralisia Infantil, a criança vai apresentar mudanças decorrentes de seu crescimento e amadurecimento, mas a lesão em si é estacionária: não vai piorar, mas também não vai desaparecer. Não há, portanto, cura para o problema, mas o tratamento pode melhorar a situação motora.

A paralisia cerebral espástica, o tipo mais comum, que surge em 70% das crianças, é caracterizada pela espasticidade. Os pacientes apresentam os músculos enrijecidos, o que dificulta os movimentos. Os músculos mais tensos crescem menos e, por isso, a criança, com o tempo, pode desenvolver encurtamentos musculares, conhecidos como contraturas.

O crescimento dos ossos, influenciado pela tensão dos músculos, também pode ser alterado, evoluindo para deformidades. Além disso, o desenvolvimento motor, a aquisição das atividades motoras, como sentar, engatinhar e andar, são atrasados de forma leve, moderada ou grave.

A espasticidade não é exclusividade da paralisia cerebral. Também pode ocorrer em doenças neurológicas que provocam lesão das células do sistema nervoso — responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários —, em lesões medulares, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros. Segundo Pascual-Pascual, em crianças com paralisia cerebral, a espasticidade quase sempre leva a deformidades nos ossos, músculos e tendões.

Multiúso

Apesar de ter se tornado mais conhecida a partir dos seus benefícios estéticos, a toxina botulínica vem ajudando a medicina na abordagem de doenças variadas. Segregada por bactérias que se desenvolvem em enlatados ou em alimentos mal conservados, começou a ser usada com fins terapêuticos em 1980, promovendo um relaxamento de músculos oculares, eficaz no tratamento do estrabismo. Em 1989, foi publicado o primeiro trabalho mostrando seus benefícios também no tratamento de distúrbios de movimento, especificamente nos casos de espasticidade. Hoje, também é adotada no tratamento de esclerose múltipla, doença de Parkinson, tiques nervosos, cefaleias, hiperidrose e até bruxismo.

Para saber mais

Causas diversas

A origem da paralisia cerebral pode ser pré-natal (as lesões ocorrem antes do nascimento, em decorrência de algumas doenças da gestante que podem comprometer a formação das estruturas neurológicas do feto, como diabetes, pressão alta e infecções virais, além do uso de álcool, drogas e tabaco); perinatais (as lesões ocorrem no período que vai do começo do trabalho de parto até seis horas após o nascimento, influenciadas por prematuridade, baixo peso, trabalho de parto muito demorado e outras situações que predispõem o sistema nervoso imaturo a não efetuar essa adaptação com a rapidez suficiente); e pós-natais (quando infecções como a meningite, traumas cranianos e tumores podem comprometer o sistema nervoso ainda em desenvolvimento).

Os sintomas da paralisia cerebral podem oscilar entre lentidão perceptível apenas e a falta grave de elasticidade, que obriga a criança a usar muletas ou cadeira de rodas. O problema afeta de dois a quatro em cada mil bebês e é 10 vezes mais frequente nos prematuros, segundo o Manual Merck de Informação Médica. O prognóstico depende do grau de comprometimento do paciente, no entanto, mais de 90% das crianças vivem até a idade adulta.




Café ajuda contra câncer de cólon

18/08/2015 - Correio Braziliense


A ingestão regular de café pode ser uma arma poderosa contra casos graves de câncer de cólon. A pesquisa inédita, publicada no Journal of Clinical Oncology, se deu após o acompanhamento de cerca de 1 mil pacientes e indica que a cafeína pode ajudar tanto a prevenir o retorno do tumor quanto a melhorar as chances de cura.

Todos os participantes haviam sido tratados com cirurgia e quimioterapia para a fase 3 de câncer de colón. Nesse estágio, o penúltimo, o tumor se disseminou para os linfonodos próximos, mas ainda não se espalhou para outros órgãos. Os pacientes responderam a um questionário sobre os padrões alimentares no início do estudo, durante a quimioterapia e cerca de um ano depois.

“Descobrimos que os bebedores de café tiveram menor risco de o câncer voltar e um significativo aumento da sobrevida e das chances de cura”, resume Charles Fuchs, líder da pesquisa e diretor do Centro de Câncer Gastrointestinal do Dana-Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos. Ao analisar dados e exames médicos, os cientistas constataram que os pacientes que ingeriam quatro ou mais xícaras de café por dia — o equivalente a cerca de 460mg de cafeína — apresentaram 42% menos probabilidade de sofrer recidiva e 33% menos probabilidade de morrer de câncer.

Segundo Fuchs, duas a três xícaras de café por dia tiveram um benefício mais modesto, enquanto pouca proteção foi associada a uma xícara ou menos. Os pacientes nesse estágio do câncer de cólon têm 35% de chance de recorrência. A maioria das recidivas se dão dentro de cinco anos após o tratamento.

Insulina

Ainda não está claro por que a cafeína tem esse efeito, de acordo com Fuchs. Uma das hipóteses levantadas pela equipe é a de que a substância aumenta a sensibilidade do corpo à insulina, o que ajudaria a reduzir inflamações pelo corpo, um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes e tumores.

Apesar dos resultados, Fuchs hesita em indicar aos pacientes a recorrem à cafeína. Segundo ele, esses benefícios da substância precisam ser confirmados em novos estudos. “Se você é um bebedor de café e está sendo tratado para o câncer de cólon, não pare. Mas, se você não é um bebedor de café e está cogitando começar, deve primeiro discutir o assunto com seu médico”, recomenda.

O pesquisador ressalta ainda que o resultado inédito a que ele e sua equipe chegaram se soma a outros estudos que constatam a ação da cafeína contra o câncer. Entre eles, a redução dos riscos de tumor na mama após a menopausa, melanoma, cancro de fígado e de próstata avançado.




Notícias - 17/08/2015

CLIPPING - 17/08/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Distribuidora de medicamentos Dimed tem lucro 28,4% menor no trimestre

14/08/2015 - Valor Econômico / Site


A distribuidora de medicamento Dimed teve lucro de R$ 12,9 milhões no segundo trimestre deste ano, queda de 28,4% na comparação com o mesmo período de 2014.

A receita líquida da companhia somou R$ 476,6 milhões nos meses de abril, maio e junho, 2,4% melhor que um ano antes. Mas os custos também subiram, 3,3% na mesma base de comparação, para R$ 360,6 milhões. As despesas operacionais recuaram 2,3%, para R$ 91,9 milhões.

A despesa financeira líquida também pesou sobre o resultado. Nos meses de abril a junho deste ano foi 154,4% maior que em 2014 e passou para R$ 5,6 milhões. Ao mesmo tempo, a linha de imposto de renda e contribuição social sobre lucro mostrou um gasto de 5,7 milhões no trimestre, 217,5% maior que em 2014.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 13,4%, para R$ 28,6 milhões. A margem Ebitda saiu de 5% no segundo trimestre do ano passado para 5,7% no mesmo trimestre deste ano.

No relatório da administração a empresa diz esperar para o terceiro trimestre que o varejo siga com crescimento de receitas. Para o atacado, a expectativa é de manutenção do patamar atual de vendas, mas com busca de margens melhores.

“A incerteza fica por conta dos rumos da economia e da política brasileira e regional, pois são claros os sinais de redução na atividade econômica, com aumento da taxa de desemprego e impacto na carga tributária. Apesar deste cenário exigir cautela, acreditamos que o setor no qual atuamos é bastante resiliente diante de condições econômicas adversas e acreditamos muito em nossa capacidade de execução da estratégia”, afirma.

A distribuidora de medicamento pretende manter “um ritmo consistente de abertura de lojas” e diz que o mercado em que atua apresenta boas oportunidades de negócios, pois a população segue envelhecendo.




Sindusfarma que novo prazo

17/08/2015 - IstoÉ Dinheiro


Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, que representa a indústria farmacêutica, está defendendo a prorrogação por três anos a implementação do sistema nacional de rastreabilidade de medicamentos, que permitirá a localização dos produtos através da captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados. Segundo ele, o motivo da reivindicação é a com plex idade tecnológica do sistema, que exige grandes ajustes operacionais e altos investimentos das empresas, além a existência de lacunas na regulamentação. "Nos Estados Unidos, a rastreabilidade de medicamentos será introduzida num prazo de 10 anos", diz Mussolini.




Carboidratos absolvidos

17/08/2015 - Época


Em algum ponto da história da evolução de nossa espécie "ganhamos" cérebros maiores, capazes de executar atividades cada vez mais complexas, que foram decisivas para nos separar de nossos parentes mais próximos, os grandes primatas africanos, como chimpanzés, gorilas e bonobos. Cérebros maiores e mais complexos são custosos do ponto de vista energético e exigiram que nossos antepassados se desdobrassem para encontrar mais alimentos. Durante décadas, defendeu-se que ingerir carne (proteína animal) e aprender a cozinhar, graças ao domínio do fogo, foram os grandes responsáveis por esse salto quantitativo e qualitativo em nossa busca por mais e melhores "combustíveis" para nosso organismo. Mas outros animais também sempre comeram carne e nem por isso conseguiram chegar, do ponto de vista social e cognitivo, aonde chegamos.

Agora, um novo trabalho publicado na revista científica Quarterly Review ofBiology e noticiado na última semana pelo jornal inglês Daily Mail aponta mais um responsável pelo sustento de nossa alta complexidade cerebral. Alguém arrisca um palpite? Acertou quem apostou nos carboidratos, na forma de amido, presentes em tubérculos como nossa boa e velha batata.

O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, traz alguns dados que reforçam a hipótese de os carboidratos terem sido centrais na evolução do cérebro humano. O órgão consome cerca de 25% de nossas fontes diárias de energia e 60% da glicose, molécula produzida a partir da digestão dos carboidratos.

A nova teoria sugere que cozinhar vegetais e carnes facilitou nossa evolução, ao permitir que os nutrientes dos alimentos se tornassem mais assimiláveis e palatáveis e, também, ao possibilitar a ingestão de maior quantidade em intervalos mais curtos. Sobrava, assim, mais tempo para interações sociais. A existência de seis genes relacionados à digestão do carboidrato é outro indício de que contamos com adaptações para aproveitar, da melhor maneira possível, os carboidratos. Esses genes produzem uma substância que ajuda a quebrar em moléculas menores o amido, chamada amilase. Outros primatas têm apenas dois deles.

Esses genes adicionais parecem ter surgido no último milhão de anos, tempo que bate com o de nosso crescimento cerebral, que ocorreu de 800 mil anos para cá.

Em resumo, disponibilidade de amido na forma de tubérculos, maior expressão dos genes da amilase e habilidade para cozinhar tubérculos parecem ter sido fatores que se combinaram para garantir mais glicose para o cérebro. Isso tudo possibilitou energia extra para o desenvolvimento fetal, para a lactação e para a sobrevivência da prole, fazendo com que essa adaptação fosse transmitida de geração em geração. Curioso pensar que o mesmo carboidrato que possibilitou nossa evolução hoje é considerado um dos grandes vilões da obesidade, um problema de saúde pública.




Noites sem ronco

17/08/2015 - IstoÉ


Mais da metade dos adultos roncam. Além do incômodo sentido por quem ronca e por quem dorme ao lado, o ronco pode ser sinal da existência de apneia do sono (interrupção recorrente da respiração durante o sono). O problema está associado ao aumento do risco para enfermidades cardiovasculares por causa das alterações metabólicas e nervosas que pode ocasionar. Um tratamento criado por pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, oferece uma solução simples para reduzir bastante o barulho e ajudar a evitar as paradas respiratórias intermitentes. De acordo com os cientistas, a terapia diminuiu a freqüência do ronco em 36% e sua potência, em 60%. Artigo descrevendo o trabalho brasileiro foi publicado na revista científica CHEST.

O ronco é o som provocado pela vibração dos tecidos da faringe durante a passagem de ar. Entre suas causas estão características fisiológicas (a garganta humana é bem estreita), o acúmulo de gordura no pescoço, que obstrui ainda mais a passagem de ar, e o envelhecimento, quando a musculatura da região fica mais flácida.

A terapia desenvolvida no Laboratório do Sono do InCor consiste na realização, três vezes por dia, de seis exercícios indicados para fortalecer os músculos (leia mais no quadro). Teve como base outra técnica, formulada no insti tuto pela fonoaudióloga Kátia Guimarães para tratar apneia do sono de grau moderado. Sua principal vantagem em relação à anterior é a de ser mais simples de ser seguida, aumentando a adesão dos pacientes. "É preciso disciplina para seguir o tratamento", afirma o pneumo logista Geraldo Lorenzi Filho, orientador do trabalho, conduzido pela fono-audióloga Vanessa Ieto. "Mas até hoje não havia registro científico de um tratamento que associasse eficácia e facilidade para ser adotada pelo paciente." Os exercícios devem ser realizados junto às atividades cotidianas, como no caminho de casa para o trabalho.

O desenvolvimento do método e a medição de sua eficácia foram possíveis após a criação de um aparelho capaz de medir o ronco. O "roncômetro" é uma invenção resultante da parceria entre o InCor e o Instituto de Física da Universidade de São Paulo. O equipamento grava o som e fornece sua freqüência e intensidade. "Este recurso permitiu que tivéssemos uma medida objetiva do ronco", explica Lorenzi Filho.

A terapia foi testada em 39 pacientes com idade entre 20 e 65 anos. Depois de passarem pelo exame do ronco e por uma polissonografia (indicado para detectar distúrbios do sono), eles foram divididos em três grupos. O primeiro foi composto por portadores de ronco primário. Os outros dois tiveram a participação de pacientes com ronco associado à apneia do sono de grau leve e de grau moderado.

Parte dos voluntários submeteu-se à terapia do InCor. O restante seguiu um tratamento baseado em exercícios respiratórios e uso de dilatador nasal. Além da eficiência no controle do som emitido durante a noite, aqueles que seguiram o sistema da instituição paulista apresentaram uma redução na circunferência do pescoço.

O gerente de restaurante Francisco José Loureiro da Silva, 49 anos, de São Paulo, foi um dos seguiu a técnica. Ele roncava e tinha apneia do sono em grau moderado. Demorou três anos, mas hoje ele diz que a intensidade e freqüência de seu ronco caíram 80% e que não tem mais a respiração interrompida enquanto dorme. "Tinha uma sensação de sufocamento à noite. Mas isso acabou", conta. "E o tratamento também foi um alívio para minha esposa, que agora dorme tranqüila ao meu lado." Porém, os exercícios são eficientes apenas para tratar ronco primário e apneia leves e, no máximo, moderadas. "Ele não é a panaceia para tudo", ressalva Lorenzi Filho. O especialista recomenda que, antes de iniciar a terapia, o paciente procure uma avaliação especializada. "O ronco pode ser sintoma de algo mais grave. Por isso a necessidade de buscar ajuda", diz.




Ciência a favor da Coca-Cola?

17/08/2015 - IstoÉ Dinheiro


A Coca-Cola está no centro de uma controvérsia nos EUA sobre os limites éticos para o financiamento de pesquisas na área da saúde. A empresa de bebidas anunciou apoio de US$ 1,5 milhão aos cientistas do Global Energy Balance Network, que defendem que o combate ao sobrepeso global deveria ser mais focado na prática de exercícios físicos e menos na preocupação com a ingestão de alimentos calóricos.




Startups querem criar o 'Uber da saúde'

17/08/2015 - Valor Econômico


Startups aproveitam os apps e os avanços nas tecnologias médicas para levar a assistência à saúde de volta ao lar.




Médicos diagnosticam pacientes via Skype

15/08/2015 - Folha de S. Paulo


Certa noite, com o rosto inchado e dolorido com o que ela acreditava ser uma sinusite, Jessica DeVisser cogitou ir a um pronto-socorro. Porém, decidiu em vez disso experimentar algo "meio ficção científica".

Ela se sentou com seu notebook no sofá da sala, conectou-se à internet e pediu uma consulta virtual. Digitou seus sintomas e o número do seu cartão de crédito. Em meia hora, um médico apareceu em sua tela via Skype. Ele a olhou, fez algumas perguntas e concordou que ela tinha sinusite. Em minutos, DeVisser tinha uma prescrição para antibiótico, enviada a sua farmácia.

As mesmas forças que transformaram as mensagens instantâneas e as videoconferências em parte do cotidiano para muitos americanos hoje estão abalando o atendimento médico básico.

Os sistemas de saúde e as seguradoras correm para oferecer consultas por vídeo para problemas rotineiros, convencidos de que economizarão dinheiro e aliviarão a pressão sobre sistemas sobrecarregados de saúde básica.

"Sou péssima para ir ao médico. Gasta-se muito tempo", disse DeVisser, 35. "Esta me parece uma ótima solução: basta clicar em um botão e o médico vem até você."

No entanto, a telemedicina também enfrenta resistência de alguns setores. O Medicare (programa público de saúde para maiores de 65 anos nos EUA) limita o reembolso para serviços de telemedicina, pelo temor de que expandir a cobertura aumentaria, e não reduziria, os custos. Alguns médicos advertem que é grande o potencial de erros de diagnóstico via vídeo.

Legisladores e conselhos de medicina em alguns Estados escutam atentamente essas críticas.

Porém, outros Estados adotaram o novo mundo das consultas virtuais, de modo geral atualizando as regras para permitir relacionamentos à distância entre médicos e pacientes e a prescrição de medicamentos por vídeo.

Os defensores da ideia dizem que é mais barato operar serviços de telemedicina do que consultórios físicos, permitindo que as empresas cobrem somente US$ 40 ou 50 por consulta. Eles também afirmam que, ao permitir que as pessoas falem com um médico sempre que precisarem, as consultas virtuais deixam os pacientes mais satisfeitos e potencialmente mais saudáveis.

Hope Sickmeier, 51, professora em Ashland, Missouri, usou o atendimento virtual de urgência numa noite de sábado, o terceiro dia de uma dor de dente que continuava piorando. Uma semana antes, ela havia ido a um pronto-socorro com dor de cabeça e agora devia US$ 200.

Desta vez, ela pegou seu tablet, baixou um aplicativo de consultas virtuais e verificou uma lista de médicos disponíveis, escolhendo um com "rosto confiável".

Quando o médico apareceu em sua tela, ela lhe disse seus sintomas e, segurando o tablet perto do rosto, mostrou o dente dolorido e o inchaço na mandíbula.

"Ele foi direto ao ponto, que era o que eu queria. Prescreveu um antibiótico e enviou a receita a uma farmácia aberta 24 horas, a cerca de 20 minutos de distância", disse Sickmeier.

Em Tacoma, um programa de atendimento de emergência virtual pertencente à CHI Franciscan contrata a Carena, uma empresa privada de Seattle que emprega 17 médicos e enfermeiros, para consultas virtuais em 11 Estados.

Entre os pacientes da CHI Franciscan, os usuários mais frequentes são mulheres de 25 a 55 anos. Os diagnósticos mais comuns são infecções na bexiga, infecções no aparelho respiratório superior e conjuntivite.

A maioria das consultas ocorre nos fins de semana entre 17h e 8h, disse ela, quando os consultórios médicos estão fechados.

Dan Diamond, clínico geral em um dos centros de atendimento de emergência CHI Franciscan, que recentemente fez treinamento para dar consultas virtuais, disse que aprecia o ritmo menos apressado. No entanto, acrescentou, "algumas vezes não podemos fazer a coisa virtualmente e temos de pôr as mãos no paciente".

Afinal, DeVisser era um desses casos. Embora feliz com sua visita virtual no verão passado, ela acabou procurando um clínico geral algumas semanas depois porque o antibiótico não eliminou totalmente sua sinusite. Ele a encaminhou a um otorrino, que, por meio de um exame, descobriu que a paciente tinha pólipos nasais que precisavam ser extraídos.




Mercado Aberto: Colírio para os olhos

17/08/2015 - Folha de S. Paulo


O Cristália comprou o Latinofarma, laboratório oftalmológico com 35 anos de mercado e de capital 100% nacional. A aquisição fortalecerá a atuação do Cristália no segmento, onde já atua.

"Escolhemos nichos do mercado em que possamos fazer o possível para nos destacarmos. Não produzimos meramente copiando ou importando. Inovamos e temos produtos para lançar nessa área", diz o presidente Ogari Pacheco.

"Se estivéssemos em condições normais, provavelmente em dois anos multiplicaríamos por 2,5 ou 3 o faturamento dessa empresa, mas hoje seria leviandade dizer isso", afirma. "Assim que o país retomar o desenvolvimento, a Latinofarma crescerá bastante."

O Cristália, por sua vez, segue cumprindo seu orçamento e suas metas, apesar da crise, completa.

"Continuamos bem, mas não dá para dizer que crescemos no ritmo de 2014."

O conselho administrativo estuda se a empresa será incorporada ao grupo Cristália ou se atuará como coligada. O valor da compra não foi divulgado. O faturamento bruto do Latinofarma é de cerca de R$ 90 milhões.

4.100 é o número de funcionários do Cristália.

R$ 1,6 bilhão foi o faturamento em 2014.




Ministério da Saúde promete agilizar aprovação de testes em humanos

17/08/2015 - Folha de S. Paulo


O Ministério da Saúde iniciou diálogo com os cientistas da área médica que pedem a revisão das normas sobre pesquisas clínicas no Brasil e prometeu mudanças para agilizar a aprovação de testes que envolvem seres humanos.

CONSULTÓRIO

O grupo, que publicou carta aberta à presidente Dilma Rousseff reclamando da burocracia e pedindo mais autonomia para a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), vai preparar uma proposta junto com o ministério. Para os cientistas, o país está atrasado no estudo de novos remédios e terapias. As duas partes terão uma segunda reunião nesta semana. Da primeira participaram os médicos Paulo Hoff e Paulo Niemeyer Filho, entre outros.

CONSULTÓRIO 2

No Senado, a pasta vai negociar a aprovação do projeto que regulamenta os testes. "Queremos agilidade, mas não podemos ter pressa e fazer malfeito. Temos que garantir as pesquisas, mas também a segurança de quem participa delas e os princípios bioéticos", diz Adriano Massuda, secretário de ciência e tecnologia do ministério.




Obesidade está relacionada risco de desenvolver câncer

15/08/2015 - O Tempo (MG)


A obesidade é um grave problema de saúde pública mundial. A situação não é nada boa para o Brasil, que está entre os países com maior número de obesos. Mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso, segundo pesquisa do Ministério da Saúde (MS) divulgada em 2013.

Tais dados são ainda mais preocupantes na medida em que estudos avançam e relacionam o índice de Massa Corporal (IMC) elevado a fator de risco de câncer. Estudo publicado na revista "The Lancet", em 2014, considerado o mais abrangente sobre obesidade e câncer, concluiu que pessoas acima do peso têm mais probabilidade de desenvolver 17 tipos da doença, entre eles o de intestino grosso, o de mama na mulher (pós-menopausa), o de endométrio, o de rim, o de vesícula biliar, o de esôfago, o de ovário, o de fígado, o de tireoide e a leucemia.

"Km relação ao câncer de mama, o aumento do risco depende do status menopausal. Após a meno-pausa, as mulheres obesas têm um risco 1,5 vez maior de desenvolver câncer de mama quando comparadas às mulheres com peso adequado, além de um risco maior de morrer cm consequência desse câncer", explica o oncologista Amândio Soares, diretor do Grupo Oncomed-BH.

Segundo o especialista, entre os pacientes com câncer de próstata, existe uma clara relação entre obesidade e agressividade da doença, com aumentos nas taxas de recorrência e de mortalidade. "Esses aumentos são proporcionais ao grau de obesidade", explica Soares.

A obesidade também tem relação com um subtipo específico de câncer de esôfago, chamado de "adenocarcinoma". Já o aumento do risco de câncer de intestino grosso em pessoas obesas ocorre mais em homens quando comparados com as mulheres.

Causas. As principais causas da obesidade são o sedentarismo e o consumo exagerado de alimentos com alto valor calórico e/ou gorduras. O sobrepeso e a obesidade são causados por uma alimentação pouco saudável", destaca Soares.

consequências. Além de câncer, obesos tem mais chances de sofrer com outras doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial e acidente vascular cerebral. UÉ importante lembrar que a obesidade é acompanhada pela redução na expectativa de vida, o que significa que, geralmente, as pessoas obesas vivem menos tempo", ressalta o diretor do Grupo Oncomed-BH.




Sangria desatada

17/08/2015 - Veja


A Hemobrás, estatal que fornece derivados de sangue ao SUS, fez um negócio do arco da velha em maio. Rescindiu um contrato firmado em janeiro para armazenamento de plasma sanguíneo, pelo qual desembolsaria 880 000 reais em seis meses, e contratou outra empresa para o mesmo serviço, por módicos 8,3 milhões de reais. Quase dez vezes




Fertilidade Estendida

17/08/2015 - Veja São Paulo


Na infância, a gerente de produtos Luana Bur-khart Inocentes costumava dar nome a suas bonecas preferidas, e o faz de conta da brincadeira ajudou a embalar desde cedo o desejo da maternidade. A vida profissional, porém, acabou adiando o plano. No auge da fertilidade, por volta dos 25 anos. sua prioridade era a car reira, em plena ascensão. Casou-se aos 31 e decidiu esperar mais um pouco. Quando começou a chegar peno da idade-Iimi-te para realizar o sonho, o relacionamento já estava no fim. Aos 37 anos e divorciada desde maio, ela não desistiu do projeto: investiu 16000 reais no congelamento de oito óvulos na tentativa de esticar o prazo para ser mãe. Dessa forma, pode aumentar as chances de vir a ter filhos por meio da feniliza-çüo in vitro. Luana balizou cada um dos óvulos com um nome. Assim. Marianna, Joaquim. Guilhermina. Lucas, Isabella, Vitória, Maria Alice e Lorenzo estão estocados em uma clínica da capital para ser usados no futuro. "É como se eu tivesse parado os ponteiros do relógio biológico", diz a gerente.

Casos assim são cada vez mais comuns nos endereços especializados na técnica na capital. Nos últimos dois anos. o número de pacientes que recorreram aos consultórios para guardar seus óvulos praticamente dobrou. Somente em 2014. 834 pessoas realizaram o procedimento nas treze principais clínicas do tipo na metrópole. O aumento é de 80% em relação a 2013. Em alguns locais, no entanto, a procura foi maior. Tra-ta-se do caso da Fenility. nos Jardins, com o crescimento mais expressivo entre a amostragem da revista: saltou de 53 congelamentos. em 2013. para 187. em 2014, uma evolução de mais de 200%. Apenas nos primeiros seis meses de 2015, 478 mulheres depositaram suas esperanças em pequenos tubos identificados com letras e números, mergulhados em uma solução de nitrogênio líquido à temperatura de 196 graus negativos. "Há mais geme determinada a fazer um backup biológico", afirma o médico Edson Borges, da Fenility.

A idéia é driblar o natural envelhecimento dos gameias. Após os 35 anos de idade, a quantidade e a qualidade dos óvulos caem exponencialmenie, o que derruba a capacidade reprodutiva feminina. Aos 45, a chance de a mulher engravidar naturalmente é de 1% ao mês. Alterações cromossômicas. responsáveis por síndromes genéticas como a de Down. também se tornam mais comuns. Ao serem armazenados a baixas temperaturas, os óvulos mantêm as características da idade em que foram conservados. Antes um recurso indicado apenas a pacientes com câncer, sob o risco de perderem a capacidade de gerai- filhos, a preservação da fenilidade passou a ser uma opção cada vez mais comum para as paulistanas acima dos 30 anos. geralmente no auge profissional e sem parceiro estável. Nas clínicas, as chamadas justificativas sociais já correspondem a 90% dos casos.

O congelamento de óvulos se tornou possível em 1986. mas não foi muito popular duranie duas décadas por causa da baixa taxa de sucesso, em tomo de 1 %. O processo era realizado lentamente. durava pelo menos uma hora e levava à formação de cristais, que danificavam a célula. "Conseguir engravidar dessa forma era um ato heroico, na prática não adiantava nada", lembra o médico Raul Nakano. da Feniclin. Nos últimos tempos, no entanto, o método evoluiu. A partir de 2005. passou a ser utilizada a vitrificação. espécie de esfriamento rápido, em no máximo cinco minutos, que mantém as células intactas e aumenta a taxa de aproveitamento para mais de 90%. A técnica ganhou o aval das sociedades americana e europeia de medicina reprodutiva há três anos. "Depois disso, ampliou-se a oferta do procedimento no Brasil, e as clinicas daqui ganharam experiência", explica o médico Daniel Suslik Zylbersztejn, do Serviço de Reprodução Humana do Hospital Süo Paulo, ligado à Unifesp.

Em outubro de 2014. a noticia de que o Facebook e a Apple pagavam para que suas funcionárias americanas congelassem óvulos ajudou a trazer mais visibilidade à prática. Nos consultórios, ginecologistas passaram a lembrar suas pacientes de que. embora o processo de fertilização in vitro tenha avançado, não há como evitar o envelhecimento dos gametas no corpo humano. "As mulheres de hoje se cuidam bastante, mas para óvulo não há Botox". diz Arnaldo Cam biaghi. coordenador do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.

Durante uma consulta de rotina, a economista Rina Cunha, de 37 anos, foi alertada para o fato de seu prazo estar chegando ao limite. Solteira, recolheu dezesseis óvulos há três meses. "Isso ajuda a diminuir a pressão emocional de ver o tempo escapando", entende. Mesmo quem está em um relacionamento estável tem buscado o procedimento. "Pretendo tentar a gravidez naturalmente daqui a três anos, mas o congelamento é como um seguro", afirma a estilista Verusca Brito, de 34 anos, que está namorando há dois anos e meio.

O negócio não representa 100% de garantia, pois depende do sucesso da fertilização in vitro. Além disso, o valor da "apólice" é alto. A coleta da célula e o processo de vitrificação saem por um preço entre 7000 e 15000 reais (veja o quadro na pág. 30). As injeções de hormônios, necessárias durante o tratamento, podem custar até 8000 reais. Também é pre ciso pagar um "aluguel" para manter os óvulos armazenados nos laboratórios, com taxa que varia de 700 a 1000 reais por ano. Fora o procedimento da fertilização in vitro (8000 a 12000 reais por tentativa) quando decidir fazer o descongelamento.

De acordo com as características da paciente, o gasto total pode ser ainda maior. "É caro. mas não quero terminar a vida sem filho", admite a estudante de direito Carolina Junqueira, de 37 anos, que desembolsou 350(X) reais após realizar duas coletas e preservar vinte óvulos (especialistas recomendam guardar no mínimo quinze para aumentar a chance de fecundação). Quem chegou ao fim do processo garante que o custo compensa. Em 2007. aos 36 anos e casada, a gerente de projeto Érika Ikeda não pretendia ter filhos. Optou pelo congelamento de dezesseis células e, três anos depois, usou parte da leva para engravidar dos gêmeos Erick e Danilo, hoje com 5 anos. 'Tenho mais oito armazenadas, mas não sei ao certo se vou utilizá-las", afirma.

Se há uma "idade ideal" para engravidar — o auge da fenilidade feminina é em lorno dos 25 anos —. o mesmo ocorre com o congelamento, que funciona melhor quando é feito antes dos 38. O útero nao perde a capacidade de gerar até a menopausa, por volta dos 50, quando há a interrupção dos ciclos menstruais. "O grande limitador é a idade do óvulo, que interfere na qualidade do embrião", explica a médica Claudia Gomes Padilla. da Huntington Medicina Reprodutiva.

Uma pesquisa recente com 112 mulheres de sua clínica apontou que a fertilização com óvulos congelados e "frescos" tem o mesmo índice de sucesso: para uma mulher de 35 anos. ele gira em torno de 50%. Por mais que os prognósticos sejam positivos, ainda há incógnitas. Lima delas diz respeito ao limite de tempo de armazenamento do material. "Como é um processo novo, ainda nüo temos a certeza de como será descongelar um óvulo dez anos de-pois", afirma o médico Newton Eduardo Busso, diretor da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo. Apesar de a tecnologia ser bem-vinda, os especialistas também sugerem que é sempre melhor respeitar a natureza. "Se a mulher já está casada e tem um parceiro estável. não há motivo para guardar o óvulo. Ter filho naturalmente é de graça", diz o médico Raul Nakano.

A popularização do congelamento de óvulos está sendo comparada, com certo exagero, ao advento do anticoncepcional. que incendiou a revolução sexual nos anos 60. "A pílula ajudou a mulher a escolher se queria engravidar ou não", opina Claudia Gomes Padilla. "Agora ela pode decidir quando se reproduzir." Essa liberdade inclui até a possibilidade de uma produção independente. Além de preservarem suas células reprodutoras, algumas mulheres estão recorrendo a bancos de sêmen para realizar o sonho da maternidade. "Estou preparada para dizer a meu filho que ele é fruto do amor só da mãe", diz a engenheira Charlana Rodrigues, de 38 anos. que tem sete células vitrificadas e estuda usar um serviço especializado.

Em São Paulo, existem duas empresas que fornecem material genético masculino, por até 3500 reais. Cerca de 25% das compradoras são solteiras. Criado em 2007. o Pro-Seed trabalha apenas com esperma de brasileiros. Conta com 130 doadores cadastrados, em cuja ficha há informações desde o tipo sangüíneo até a religião. Já o Fairfax Cryobank. aberto há um ano, facilitou a importação de sêmen de americanos. Hoje ocorrem por volta de quinze compras ao mês. Em seu site, a empresa oferece busca mais refinada, como por signo e animal preferido. Mediante um pagamento extra de 500 reais, é possível ver a foto do doador quando era criança. "Apesar de todo o avanço da tecnologia e da medicina. as expectativas e os sonhos continuam os mesmos: as mulheres ainda estão em busca do homem perfeito", afirma a psicanalista Marina Massi.




Campanha de vacinação contra a poliomielite começa neste sábado

14/08/2015 - Valor Econômico / Site


A campanha de vacinação de 2015 contra a poliomielite começa neste sábado em mais de 100 mil postos espalhados pelo país. A meta do Ministério da Saúde é vacinar, até o dia 31 deste mês, 12 milhões de crianças que tenham entre seis meses e cinco anos incompletos.

A vacina é a única forma de prevenção contra a doença, que é também conhecida como pólio.

Em crianças entre dois e quatro meses de idade ou entre as que nunca tenham sido imunizadas antes, a vacina é injetável. A partir dos seis meses a imunização se dá por via oral, a chamada "gotinha".

A única advertência é para crianças com febre acima de 38ºC ou hipersensibilidade a algum dos componentes da fórmula, que devem consultar médico antes da vacinação.

Este ano, o Ministério da Saúde lançou campanha para que os pais aproveitem a imunização contra a pólio para vacinar os filhos também contra outras doenças.

O órgão lançou até um aplicativo, chamado "Vacinação em Dia", que funciona como uma espécie de gerenciador das cadernetas de imunização.

Situação no mundo

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa grave que pode afetar o sistema nervoso e provocar paralisia.

Hoje, a alta cobertura de vacinação é apontada como principal estratégia de controle da poliomielite no Brasil. O país não apresenta novos casos da doença desde 1990, mas o Ministério da Saúde promete manter campanhas de imunização até que a pólio seja erradicada em todo o mundo.

No total, nove países ainda registram casos, sendo que em três deles, Nigéria, Paquistão e Afeganistão, a poliomielite é endêmica.




Mais saúde para os brasileiros

15/08/2015 - Folha de S. Paulo


É inegável que os primeiros dois anos do programa Mais Médicos transformaram o acesso à saúde no país. Não foram mudanças meramente institucionais, existentes no papel e invisíveis ao cidadão. Foram transformações reais, palpáveis, que mudaram a vida dos brasileiros que mais precisam do SUS (Sistema Único de Saúde).

Estamos falando de 63 milhões de brasileiros que agora encontram o médico no posto de saúde, fazem consultas, recebem tratamento adequado e conseguem resolver cerca de 80% de seus problemas de saúde, evitando complicações.

Os 18.240 médicos do programa estão em mais de 4.000 municípios –sem distinção de partido a que pertencem seus prefeitos–, nos distritos indígenas, áreas quilombolas, periferias e outras regiões com dificuldades de manter o médico atendendo todos os dias. Uma verdadeira revolução no acesso e na universalização da atenção básica.

Um dos primeiros indicadores do impacto do Mais Médicos é o maior crescimento do número de consultas. Nos municípios participantes houve um aumento de 33% em um ano, enquanto as cidades que não aderiram apresentaram crescimento de apenas 15%, segundo a Rede Observatório do Programa Mais Médicos –composta de 14 instituições, sendo 11 universidades.

Esse aumento já se reflete no dia a dia dos prontos socorros e nas unidades de urgência e emergência. O cuidado diário na porta de entrada do SUS reduziu em 4% as internações nas cidades participantes, entre 2013 e 2014.

O índice chega a 8,9% nos locais em que o Saúde da Família, com o Mais Médicos, cobre mais de 36% da população. A expectativa é que em 2015 mais de 110 mil brasileiros deixem de ser internados por causas sensíveis à Atenção Básica.

Os dados nos mostram o que já havia revelado pesquisa da UFMG: os usuários de serviços com o Mais Médicos dizem ter atendimento todos os dias. Antes, essas cidades costumavam contar com médicos apenas duas, às vezes uma vez por semana. Centenas nem podiam contar com médico algum.

Hoje essas pessoas podem ir ao posto de saúde em qualquer dia útil para serem atendidas. É por isso que 85% dos 14 mil entrevistados acham que a qualidade do atendimento está melhor ou muito melhor e dão nota oito para a iniciativa.

Esses dois anos também trouxeram avanços importantes na melhoria da estrutura dos postos de saúde e na expansão da formação médica no país. O Ministério da Saúde tem repassado recursos para 91% dos municípios brasileiros construírem novas unidades e melhorarem a rede existente.

No longo prazo, ganhou impulso a ampliação das vagas de graduação e de residência, de forma criteriosa, com qualidade e orientada para as necessidades do SUS. Das 11,4 mil vagas de graduação comprometidas pelo governo federal até 2017, 5.306 (46%) já foram autorizadas, e das 12,4 mil novas vagas para residência até 2018, já foram abertas 7.742 (62%).

Esses resultados mostram que temos hoje um programa de sucesso. Apesar da forte resistência enfrentada no início, em grande parte motivada por perspectivas ideológicas e corporativas que ignoravam as verdadeiras necessidades da população, os interesses do povo brasileiro prevaleceram. Temos muito ainda a realizar, mas nos traz uma imensa satisfação ver o que, juntos, conseguimos concretizar até aqui.

Agora, quem mais precisa do SUS encontra atendimento básico, efetuado por uma equipe completa de Saúde da Família, com a presença do médico. Um direito que até então era negado a cidadãos e cidadãs. Agora é feito de forma acolhedora, humanizada, fazendo a diferença na saúde dos brasileiros.




Vacinação nacional contra a poliomielite começa neste sábado

15/08/2015 - Folha de S. Paulo


A campanha de vacinação de 2015 contra a poliomielite começa neste sábado (15). A meta do Ministério da Saúde é vacinar, até o dia 31 deste mês, 12 milhões de crianças que tenham entre seis meses e cinco anos incompletos.

A vacina é a única forma de prevenção contra a doença, também conhecida como pólio.

Em crianças entre dois e quatro meses de idade ou entre as que nunca tenham sido imunizadas antes, a vacina é injetável. A partir dos seis meses a imunização se dá por via oral, a chamada 'gotinha'.

A única advertência é para crianças com febre acima de 38ºC ou hipersensibilidade a algum dos componentes da fórmula, que devem consultar um médico antes da vacinação.




Plantão Médico: Os necessários cuidados com o skate

15/08/2015 - Folha de S. Paulo


A popularidade do skate vem crescendo nos últimos anos. Adolescentes deslizam do espigão da avenida Paulista pela rua Augusta velozmente, quando diminui o movimento dos carros.

Os iniciantes começam a se equilibrar nesta prancha com rodinhas de patins na praça Roosevelt ou no Parque Villa Lobos, onde podem também alugar os equipamentos.

Mas equilibrar-se sobre o skate não é isento de riscos. O perigo são os acidentes, com eventuais fraturas nos braços, pernas, crânio ou pescoço; ou lacerações e lesões nos joelhos ou cotovelos.

Na reunião anual da Academia Americana de Cirurgia Ortopédica de 2014, médicos da Western Michigan University, EUA, relataram 129.600 acidentes afetando cabeça e pescoço relacionados ao skate no período 2000-2011, com elevado índice de fraturas de crânio.

Vinay K. Sharma e colaboradores referem que participar de atividades de lazer ou esportivas intensivas oferece não só excitação, mas significativo risco de sérias consequências, com significativo crescimento de lesões nos usuários em severidade, incidência e consequências.

Como as crianças abaixo dos cinco anos apresentam menor coordenação e balanço corporal, a Academia Americana de Pediatria desaconselha para elas o uso do skate.

Dos seis e aos dez anos de idade, a entidade recomenda uso do equipamento de proteção e a supervisão de seus pais ou responsáveis.




Verdades dietéticas

16/08/2015 - Folha de S. Paulo


O homem é aquilo que come. No original alemão de Feuerbach, "der Mensch ist, was er isst", a frase se torna ainda mais saborosa, já que "é" ("ist") e "come" ("isst") têm a mesma sonoridade, evocando o bíblico "ele é aquele que é". O problema é que simplesmente não é verdade que sejamos o que comemos. Dietas, como mostra Alan Levinovitz, em "Gluten Lie" (a mentira do glúten), são terreno mais favorável à divulgação de teses religiosas do que de teorias científicas.

Levinoviz sabe do que fala. Ele, afinal, é especialista em história das religiões. Embora não seja expert em nutrição, fez a lição de casa, entrevistando cientistas, médicos e psicólogos. O que mais impressiona no livro é justamente a recorrência dos mitos.

Anunciado como nova verdade dietética, o perigo do glúten, por exemplo, encontra precedente nas exortações de monges prototaoístas chineses que prometiam a imortalidade para quem adotasse alimentação livre de grãos. Isso se repete com todos os vilões, dos glutamatos, à gordura saturada, passando por açúcar e sal. Tudo o que você puder imaginar já foi demonizado por alguma seita –e alguma dieta moderna.

A diferença é que agora a condenação moral vem revestida de discurso científico. Qual a evidência de que façam mal? De modo geral, não muita. É claro que, se você tiver doença celíaca, não pode comer glúten. Se for hipertenso, deve evitar o sal. Mas, para pessoas sem moléstias como essas, ou seja, a maioria da humanidade, nenhum alimento é venenoso.

Levinovitz talvez exagere ao exigir que toda recomendação, além de comer com moderação, esteja amparada em sólida evidência estatística. Para ele, a ciência da nutrição é tão complexa, e os efeitos deste ou daquele alimento sobre a saúde tão modestos, que dificilmente saberemos ao certo o que faz bem e o que faz mal. Pode ser, mas, se ele estiver errado, antes de contar com dados irrefutáveis teremos indícios críveis.




Saúde responde: Como tratar dor crônica da herpes zóster?

15/08/2015 - Folha de S. Paulo


Minha irmã teve herpes zóster há dois anos e até hoje sente muitas dores no nervo trigêmeo, especialmente quando ela come. O que pode ser feito para amenizá-la?

S.L.

A herpes zóster pode deixar complicações mesmo depois da resolução da fase de infecção aguda, e uma dessas é a neuralgia pós-perpética, dor contínua e persistente, que pode durar meses.

Segundo Bianca Grassi, infectologista do Hospital Samaritano de São Paulo, de 10% a 15% das pessoas com herpes zóster apresentam a complicação.

Ela explica que o trigêmeo é um dos nervos mais afetados pela dor crônica, que pode ser deflagrada pelo toque, mastigação ou variação extrema de temperatura dos alimentos.

"O tratamento é feito com remédios que amenizam a dor e que podem ser necessários por tempo prolongado. Casos persistentes devem ser avaliados por especialista em dor crônica, geralmente um neurologista".




Padilha assume Saúde, área crítica de Haddad

15/08/2015 - O Estado de S. Paulo


O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou ontem o médico Alexandre Padilha como seu novo secretário municipal de Saúde.

Padilha, que estava à frente da pasta de Relações Governamentais, vai assumir o posto de José de Filippi Júnior.

A troca, segundo Haddad, foi feita porque Filippi Júnior será candidato a prefeito de Diadema nas próximas eleições. “Ele me garantiu que vai ser candidato, e eu não posso trocar o secretário em abril do ano que vem.

Tive de colocar uma pessoa que conduzisse a secretaria até o último dia de 2016.” O prazo de desincompatibilização é de seis meses antes das eleições – assim, Filippi Júnior poderia exercer a função até abril. A mudança no comando foi revelada na edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo.

Questionado sobre quem vai assumir o cargo deixado por Padilha, Haddad disse que já fez uma sondagem e falará sobre o assunto assim que tiver a resposta do convite. Ainda segundo o prefeito, Filippi Júnior continuará no governo. “Ele permanece conosco, na posição que quiser”, disse o petista.

Ex-ministro da Saúde, Padilha foi candidato ao governo do Estado e ficou em terceiro lugar, com 18,22% dos votos.

Padilha assume uma das áreas mais problemáticas da gestão Haddad. Reportagem do Estado publicada no dia 2 deste mês mostrou que, faltando um ano e meio para concluir seu mandato, o prefeito executou 6,5% de R$ 1,6 bilhão dos recursos previstos para cumprir as metas no setor. Na época, Filippi Júnior afirmou que o site do Plano de Metas estava desatualizado e que a pasta teria alcançado 15,6%.

Outra promessa de Haddad, a entrega de três hospitais – na Brasilândia, zona norte, em Parelheiros, zona sul, e na Vila Matilde, zona leste – também é um desafio para a gestão. Em fase inicial de obras, o Hospital de Parelheiros deve ser o único entregue à população até 2016.

Cobrança. Diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Gerson Salvador disse que a entidade vai manter as conversas com a secretaria – e também as cobranças. “O sindicato tem uma relação de diálogo, mas de independência em relação aos gestores. Cobraremos boas condições de trabalho para os médicos e melhor atendimento para a população”, disse.

O presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Florisval Meinão, afirmou que o novo secretário tem importantes desafios pela frente. “A saúde não vai bem no País como um todo.” Ele disse acreditar que a resolução de parte dos problemas,tendo em vista a crise financeira, é o foco na atenção primária. “O mais importante é investir na atenção básica. Se ela for eficiente, conseguimos solucionar 80% dos casos e evitar as complicações que causam doenças crônicas e cirurgias.” Para Antonio Carlos Lima, secretário-geral do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), a experiência de Padilha como ministro será fundamental. “Ele teve uma experiência macro e está vindo para a maior cidade do País, que tem a sua complexidade.”




Zona de exclusão do cigarro

16/08/2015 - O Estado de S. Paulo


Nova proposta divulgada pela Sociedade Real de Saúde Pública do Reino Unido, na última semana, recomendou zonas de exclusão ampliadas para o fumo ao redor de bares e restaurantes, dentro de parques e no entorno das escolas. Oito anos depois da proibição do cigarro em locais fechados, a nova medida seria uma expansão dessa área inicial de restrição.

A recomendação da entidade, que reúne cerca de 6 mil médicos e profissionais de saúde, objetiva diminuir a exposição de crianças e adolescentes ao cigarro. Além disso, os especialistas acreditam que a maior restrição estimularia mais gente a parar de fumar. Como exemplo, 12 meses após a proibição do cigarro em ambientes fechados, as pesquisas já indicavam que 400 mil pessoas haviam deixado de fumar no país. A notícia foi divulgada pelo jornal inglês Daily Mail.

Mas a medida está longe de ser um consenso. Associações que defendem os fumantes alegam que a proibição do cigarro ao redor de bares e restaurantes discrimina adultos que querem fumar livremente. Bom lembrar que em outros países já existem restrições ao fumo em espaços abertos de uso público, como praias e parques.

Outro dado divulgado na última semana no Reino Unido mostra que o número de mortes de recém-nascidos caiu 8% após a proibição do fumo em locais fechados, o que pode ter estimulado mais mulheres a pararem de fumar, além de ter reduzido a exposição de gestantes aos efeitos nocivos do fumo passivo.

Mães que fumam ou são expostas ao tabaco enfrentam maior risco de parto prematuro e de gerar bebês com baixo peso, o que traz maiores chances de complicações após o nascimento. Os dados foram publicados no periódico Scientific Reports.

Os especialistas afirmam que hoje apenas 18% da população mundial está protegida por leis que proíbem o fumo em ambientes fechados. No Reino Unido, estima-se que 100 mil pessoas morrem anualmente por problemas causados pelo uso do cigarro.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 200 mil mortes por ano relacionadas ao tabagismo. Os últimos dados do Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico) indicam que 10,8% dos brasileiros fumam – queda da ordem de 30% no País nos últimos nove anos. Há duas décadas, um terço da população adulta fumava no Brasil. A restrição ao uso do cigarro nos ambientes fechados é considerada uma das medidas importantes para a redução do número de fumantes por aqui.

O arsenal disponível hoje para ajudar pessoas que querem abandonar o cigarro inclui alguns medicamentos que reduzem a vontade de fumar e a reposição de nicotina (com adesivos, chicletes e cigarros eletrônicos), além de diversas terapias e suporte. Apesar da dificuldade, a combinação dos métodos e a repetição das tentativas costuma ser a estratégia que alcança os melhores resultados.

Na última semana, cientistas anunciaram a descoberta de uma nova molécula, uma enzima produzida por bactérias que vivem no solo de plantações de tabaco, que parece diminuir os níveis de nicotina que circula no organismo. O artigo foi publicado na revista Journal of the American Chemical Society e divulgada pelo jornal inglês Daily Mail.

A bactéria, Pseudomonas putida, usa a enzima NicA2a para “quebrar” a nicotina, sua fonte exclusiva para obter carbono e nitrogênio, essenciais em seu ciclo de vida. Os pesquisadores perceberam que a mesma molécula reduz o tempo que a nicotina permanece no sangue. Ainda em fase inicial de testes, os pesquisadores acreditam que, com pequenas mudanças, eles poderiam potencializar esse efeito e evitar que a nicotina chegue ao cérebro, o que tornaria a enzima um potencial recurso para o tratamento dos fumantes que querem abandonar o cigarro.




‘Duelo’ de passos conquista adeptos

16/08/2015 - O Estado de S. Paulo


Estimulado por amigos, o cirurgião cardiovascular Marcelo Mota, de 42 anos, começou a prestar mais atenção à quantidade de passos que dava diariamente. Em pouco tempo, vendo que os colegas comparavam as metas alcançadas, ele aderiu aos “duelos”, feitos por meio de aplicativos que fazem a contagem do número de passos.

Disponíveis para download gratuito em celulares dos mais diversos modelos, os contadores de passos também existem na forma de pulseiras ou relógios e se tornaram mais uma ferramenta para integrar pessoas que estão tentando iniciar uma atividade física ou melhorar a performance por meio de competições, com o objetivo de superar metas, que costumam começar com 10 mil passos.“O aplicativo dos passos é interessante porque remete ao que era antigamente. Há 50 anos, as pessoas andavam mais. Ele ajuda a voltar a caminhar pelo estímulo de contar os passos. Comecei a usar como uma brincadeira, estimulado no trabalho, e vi que passava de 10 mil passos com facilidade. Não é um exercício físico, mas traz um início de atividade”, diz Mota.

Além de usar o aplicativo do celular há um ano, o cirurgião tem uma pulseira fitness que monitora o gasto energético e o sono. “Alguns colegas meus, médicos ou não, encaram como desafio e outros, como diversão. O aplicativo acaba sendo um jogo, mas com um benefício a mais.”

Mota, que pratica exercícios com frequência, conta que tem alcançado boas marcas. “Dou uns 15 mil passos por dia. Só uso carro quando a necessidade é muito grande.”

Competição. Todas as atividades físicas realizadas pelo blogueiro Kadu Dantas, de 33 anos, são monitoradas. Corrida, patins, skate e natação estão entre suas práticas esportivas. Nas competições de passos, seu principal concorrente é o namorado, o empresário Raphael Rocha Ferreira, de 31 anos.

“Comparo mais (os resultados) com o aplicativo do meu namorado, mas vejo também o do meu personal trainer e do pessoal da academia. Eu sempre ganho do meu namorado, porque gosto muito de andar a pé. Tento me movimentar ao máximo para atender a meta mínima, mas faço pensando na minha saúde, nos benefícios que me traz”, diz Dantas. Eles costumam correr juntos, principalmente nos fins de semana.

Ferreira afirma que o aplicativo tem servido como um estímulo para ele praticar mais a corrida.

“Eu não tinha o hábito de correr. Agora, o aplicativo e a corrida que faço com o Kadu estão me incentivando a correr ainda mais. O bacana é que um acompanha o desempenho do outro e também um incentiva o outro a se superar e a melhorar os resultados diários. Estou empolgado por usar o aplicativo e correr em dupla. É uma competição sadia entre os dois.”

Dantas diz que outro uso do aplicativo é passar os gráficos dos exercícios praticados para o seu personal trainer.

“Meu personal pede para olhar toda vez que vou para a aula, duas vezes por semana. Envio sempre, e ele vê se estou indo correr ou se estou mentindo”, brinca o blogueiro.

Sedentarismo. Embora estudos nacionais e internacionais apresentem a meta de 10 mil passos por dia como a ideal para quem quer abandonar o sedentarismo, especialistas da área de saúde afirmam que meia hora de atividade física já é suficiente para quem quer se exercitar.

“Não há um padrão médico em relação ao número de passos. A gente orienta que, quatro vezes por semana, a pessoa faça ao menos 30 minutos de atividade física. Não orientamos que os passos sejam contatos, porque tem gente que corre, gente que caminha. O importante é ter uma avaliação médica individual”, diz Alexandre Soeiro, cardiologista e supervisor do Setor de Emergências do Instituto do Coração (Incor).

Soeiro diz que o maior benefício dos aplicativos contadores de passos é o estímulo à prática esportiva. “A pessoa se empolga e passa a fazer mais atividades, porque pode compartilhar com amigos e isso anima.”

Médico ortopedista do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), Maurílio Mendes alerta para os riscos de lesões, pois as atividades muitas vezes não são acompanhadas por profissionais. “Cada paciente tem um limite determinado por várias questões, como idade e lesões prévias. Esse tipo de competição desconsidera todos os critérios importantes.” Entre as consequências estão lesões musculares.

Alerta. Professor de educação física e personal trainer, Alan Brasil diz que notou um boom dos duelos com aplicativos no último ano. Por isso, recomenda um check-up antes do início das competições. “O aplicativo de passos levou o estímulo dos jogos, da competição, para que os amigos saibam quanto você correu ou andou durante a semana, mas todo mundo tem de fazer um exame antes e conciliar a atividade com uma alimentação balanceada.”




Mais improviso na Saúde

17/08/2015 - O Estado de S. Paulo


Sem cuidar do que precisa – a situação do Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, que tem aspectos lamentáveis –, o Ministério da Saúde imiscui-se em temas delicados, sem o devido cuidado. É o que ocorreu no início de julho, ao editar o Decreto 849, que amplia perigosamente o conceito de médico especialista.

Atualmente, especialista é o médico que realizou residência médica numa determinada área. O tema é sério e há uma lei de 1981 (Lei 6.932) regulamentando a atividade. De acordo com a lei, “a residência médica constitui modalidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento em serviço, funcionando sob a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional”. O texto legal estabelece, por exemplo, que os programas de residência médica devem ser credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica.

Em 2013, a Lei 6.932 sofreu alterações. Além de reafirmar que “a residência médica constitui modalidade de certificação das especialidades médicas no Brasil”, o novo texto determinou que as instituições que oferecem residência médica “deverão encaminhar, anualmente, o número de médicos certificados como especialistas, com vistas a possibilitar o Ministério da Saúde a formar o Cadastro Nacional de Especialistas e parametrizar as ações de saúde pública”.

Agora, a pretexto de regulamentar o Cadastro Nacional de Especialistas, o governo federal criou a possibilidade de que diversas certificações, e não apenas a residência médica, deem acesso à condição de médico especialista.

O decreto dispõe que o Conselho Nacional de Educação deverá regulamentar “o modelo de equivalência entre as certificações emitidas pelas associações médicas, pelos sistemas de ensino federal, estaduais, distrital e municipais com as certificações da residência médica, para conferir habilitação de médicos como especialistas junto ao Cadastro Nacional de Especialistas, ouvidos o Conselho Nacional de Saúde e a Comissão Nacional de Residência Médica”.

Como num passe de mágica, o Ministério da Saúde quer ampliar o número de médicos especialistas no País. Sem definir critérios claros, o decreto deixa aberta, por exemplo, a possibilidade de que um profissional que cursou o mestrado ou qualquer outra pós-graduação seja considerado médico especialista, mesmo que não tenha prática na especialidade.

Diante de tal irresponsabilidade, entidades médicas manifestaram preocupação com o decreto. Na Câmara, foi apresentado um projeto de decreto legislativo, de autoria do deputado Mandetta (DEM-MS), para anular o Decreto 849. Segundo o deputado, a criação do cadastro é uma intervenção injustificada do governo nas competências do Conselho Federal de Medicina (CFM), das sociedades de especialistas e da Associação Médica Brasileira (AMB).

Diante da possibilidade de a Câmara dos Deputados anular o Decreto 849, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, reconheceu que o documento precisa ser melhorado. “Vamos aprimorar o texto”, prometeu o ministro. Segundo Chioro, o cadastro tem como único objetivo melhorar a qualidade de informações sobre quem são e onde trabalham os médicos especialistas brasileiros. No entanto, não é isso o que está disposto no decreto, que fala de equivalência entre diversas certificações. Ou seja, da forma como está, o decreto fere a própria lei que, a princípio, ele deveria regulamentar.

É evidente que o País precisa de mais e novos médicos especialistas. Mas essa necessidade não justifica afrouxar a formação exigida para a obtenção desse título. Afinal, o que se precisa não é de mais profissionais simplesmente com um título de “médico especialista”. O que faz falta são mais profissionais bem formados. No entanto, o governo federal foge dessa elementar lógica – prefere o improviso, vendendo soluções mágicas.




Temporada de doenças respiratórias

16/08/2015 - O Globo


Basta chegar o inverno para subir o número de atendimentos nos postos de saúde por causa de doenças respiratórias. Com o frio, chegam também a baixa umidade do ar (que realça a poluição) e as mudanças bruscas de temperatura — motivos de preocupação principalmente para crianças, idosos e para quem já sofre de doenças respiratórias. O próximo “Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar”, que será nesta quarta-feira, às 17h, na Casa do Saber O GLOBO, abordará as consequências dessas doenças e as diferenças entre elas. O evento, coordenado pelo cardiologista Cláudio Domênico, contará com palestras do pneumologista Carlos Alberto de Barros Franco e da alergista Teresa Seiller, além da mediação da jornalista Viviane Nogueira.

— Com o frio, as pessoas se acolhem mais, fecham as janelas, ficam mais dentro de casa, e isso favorece estas doenças — explica Domênico.

Dentre as doenças respiratórias crônicas, as mais comuns são a asma, a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica. A rinite pode ser considerada a de maior prevalência entre elas, já que acomete cerca de 20% a 25% da população em geral.

SINTOMAS SIMILARES CONFUNDEM

Por ser uma doença subdiagnosticada por profissionais de saúde, e pelo fato de que nem todos os portadores de rinite procuram atendimento, há falta de controle dos sintomas.

— Já li que o remédio mais levado pelas pessoas em suas viagens é o antialérgico. Mesmo sem saber se têm alergia ou qual o tipo, elas tomam a medicação por conta própria — alerta Teresa, que durante o evento falará sobre prevenção e vacinas. — O que mais ocorre é a busca pelo tratamento num momento de crise. Mas o ideal é que se faça um tratamento para evitá-las. Tenho pacientes que ficam dez ou 15 anos sem ter complicações.

Teresa afirma que é possível amenizar as causas das alergias controlando melhor o ambiente. Se no trabalho isso não é possível, em casa fica mais fácil:

— Quem é alérgico pode evitar carpete, cachorro, gato, cortinas e o uso de material de limpeza com cheiro forte.

Segundo Barros Franco, um dos problemas das doenças respiratórias é que a maioria costuma causar os mesmos sintomas, como coriza, cansaço, dor no corpo e de garganta. Por isso, os tratamentos sem orientação médica muitas vezes são inadequados: cuidam de uma doença, quando na verdade o paciente sofre de outra.

— Se o resfriado insiste por semanas, algo está errado. Não é resfriado. Deve ser uma alergia respiratória. O mesmo ocorre com a vacina para a gripe. Tem gente que acha que ficou com gripe porque tomou a vacina. Mas não é possível porque o vírus da vacina está morto — esclarece Barros Franco.

Ele explica ainda que o resfriado é uma virose frequente e que pode ser causada por cerca de 200 vírus. Já a gripe, não: é resultado do contato com o vírus influenza e pode ser letal.

— Há diferenças entre todas essas doenças, e a população confunde os canais. Diferentemente do resfriado, a gripe derruba, leva à febre alta. O resfriado é chato, mas não tem a mesma força — diz Barros Franco, que pretende desmistificar a asma. — É genética e não é sinônimo de “pessoas limitadas ou frágeis”. Cerca de 12% dos medalhistas americanos nas Olimpíadas de Londres, em 2012, têm asma.




O preço do câncer

17/08/2015 - O Globo


Ao ouvir as palavras “Você tem câncer”, o indivíduo perde o controle de sua vida. Consultas médicas passam a moldar sua rotina de infindáveis exames e tratamentos agressivos, frequentemente associados a efeitos debilitantes. A este martírio foi incorporada recentemente a toxicidade financeira. Os custos do tratamento oncológico em todo o mundo se elevam em progressão geométrica e ameaçam a incorporação dos novos e importantes avanços terapêuticos.

Estima-se que um em cada três indivíduos será afetado pelo câncer nos próximos 20 anos. Na última década, o custo médio das novas drogas utilizadas no tratamento aumentou cinco a dez vezes. Estes números preocupam os Estados Unidos que, segundo a Organização Mundial da Saúde, gasta per capita, em saúde, oito vezes mais que o Brasil.

Como enfrentar este desafio em nosso país? Qual o nosso papel como oncologistas? Vivemos um dilema ético diante do dever em relação aos nossos pacientes e à sociedade. As responsabilidades sociais são importantes no controle dos custos da assistência oncológica. Entretanto, temos uma obrigação primária com os enfermos. Devemos nos opor vigorosamente à contenção dos custos à beira do leito. Na prática diária, não estamos implantando uma política pública ou uma nova matriz econômica. A medicina junto ao leito se aplica ao indivíduo, e não à população. O seu racionamento seria errático e injusto: indivíduos semelhantes não seriam tratados de forma similar.

A bioética de Edmund Pellegrino nos ensina que a Medicina é uma arte tanto quanto uma ciência. A arte exige sabedoria para exercer parcimônia terapêutica e elegância no diagnóstico. Dessa forma, é possível agir em benefício daqueles que cuidamos, evitando complicações iatrogênicas, testes desnecessários, tratamentos fúteis e gastos exorbitantes.

“Quem salva uma vida salva toda a humanidade”, nos ensina a sabedoria judaica. Com esta visão, um passo importante foi dado por mais de cem expoentes da oncologia mundial que assinam um artigo publicado na edição de Agosto do periódico da Mayo Clinic, um dos hospitais mais conceituados nos EUA. Os autores questionam se o preço atual dos medicamentos é baseado na expectativa razoável de retorno do investimento da indústria farmacêutica ou se apenas reflete o quanto o mercado está disposto a pagar. Sem dúvida, a pesquisa deve ser remunerada com um lucro razoável. Entretanto, os preços atuais são insustentáveis e tornam os medicamentos inacessíveis à maioria da população. O texto apoia uma petição ( http:// chn.ge/1DCWT1M ) que busca um preço justo para os quimioterápicos conforme sua relevância no tratamento do câncer.

Assim, certos pontos não podem ser questionados. Primeiro, todos os pacientes precisam ter acesso imediato a drogas capazes de salvar suas vidas ou de minorar o seu sofrimento. Segundo, os médicos não devem ser agentes do governo ou do mercado. Isto é, Precisamos manter a ética profissional para enfrentar os custos crescentes com a saúde. E, finalmente, devemos, sobretudo, reafirmar o nosso compromisso com a vida. Com a dignidade da vida.




Avanços no combate ao colesterol

17/08/2015 - Correio Braziliense


Surgem novas alternativas de combate ao colesterol. Tratam-se dos inibidores de CSK9, anticorpos que agem sobre a proteína que reduz a capacidade do fígado de retirar o LDL, o chamado colesterol ruim, do sangue. O Food and Drug Administration (FDA), órgão governamental norte-americano responsável pelo controle de medicamentos, e a Europa aprovaram recentemente o uso de substâncias do tipo. Elas devem beneficiar principalmente quem tem a hipercolesterolemia familiar (HF), doença causada por uma alteração genética que leva ao aumento dos índices de colesterol já na infância.

Esses inibidores reduzem de 40% a 65% o mau colesterol e não apresentarem fortes adversidades. “É grande o impacto da chegada desses medicamentos, por enquanto nos Estados Unidos e na Europa. Vejo essa nova classe como uma revolução no tratamento do colesterol alto. Estamos falando da possibilidade de um ganho adicional em cima daquilo que conseguíamos com o que havia de mais potente no mercado. Além disso, têm menos efeitos colaterais, como a dor muscular”, detalha Raul Dias Santos, diretor da Unidade de Lípides do Instituto do Coração do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor/HC/FMUSP).

Segundo Marcus Vinícius Bolívar Malachias, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cardiologia, isso ocorre porque os inibidores tornam os receptores ativos e, então, capazes de captar e metabolizar o colesterol ruim, o que não ocorre em algumas pessoas com hipercolesterolemia grave, quando o excesso dessa gordura fica na circulação, acelerando a aterosclerose, o acúmulo de placas de gordura nas artérias. “De 70% a 80% dos casos de colesterol elevado podem ser controlados com dieta, exercícios e estatinas, mas há casos graves, em que este tratamento convencional não resolve plenamente a situação. Nesses, os novos medicamentos atuam de forma precisa”, comemora.

Um dos empecilhos do tratamento promissor é o preço. Segundo Santos, a terapia com as injeções quinzenais de alirocumabe, a substância aprovada nos Estados Unidos, custa mais de U$$ 10 mil por ano. A Europa liberou o uso da evolocumabe, em vias de ser aprovado também pelo FDA. Uma possível terceira opção, o bococizumabe, ainda está em fase de testes laboratoriais. Pesquisas também indicam que os inibidores de CSK9 têm grande potencial para reduzir os riscos de ataques cardíacos e mortes. Esses efeitos, porém, devem ser referendados no fim de 2017, previsão para o fim de um grande estudo clínico envolvendo mais de 18 mil voluntários.

Questão de hábitos

Mais de 60% dos brasileiros têm colesterol alto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Tal condição representa risco aumentado para complicações cardiovasculares, incluindo o infarto. O problema normalmente é consequência de hábitos pouco saudáveis, como dieta desequilibrada e sedentarismo. Mas, em cerca de 10%, a situação é causada pela HF, que pode ser de dois tipos.

Na forma heterozigótica, que atinge uma em cada 200 pessoas, o colesterol é duas a três vezes acima do normal. Na homozigótica, pode ser quatro a cinco vezes maior — condição que atinge uma em cada 300 mil pessoas. “São pacientes que infartam por volta dos 13 anos de idade”, explica Marcus Vinícius Bolívar Malachias. Os sinais clínicos da HF são exatamente esses valores muito elevados do LDL: acima de 200 mg/lg (heterozigotica) ou mais de 500 mg/dl (homozigótica). Outro indício é o acúmulo de colesterol nas artérias, casos de pacientes com aterosclerose e doença cardiovascular prematura.

A HF é responsável por 5% a 10% dos casos de doença arterial coronariana (DAC), quando placas se acumulam nas artérias que fornecem sangue ao coração. “Quem tem hipercolesterolemia familiar apresenta um risco 13 vezes maior de ter um problema cardíaco. Como é genética, uma em cada duas pessoas da família tem a doença. São pessoas que já nascem com colesterol alto”, detalha Raul Dias Santos.

A HF determina uma situação adversa, na qual mudanças nos hábitos de vida não conseguem alterar o curso da doença. Mas a imensa maioria da população com colesterol alto, mais de 90%, pode se beneficiar de melhorias na dieta e mais atividade física. “É um contingente de pessoas que, mesmo sabendo dos riscos, não faz o tratamento adequado por aversão a tomar remédio ou por acreditar no discurso irresponsável de que ‘colesterol é uma invenção da indústria farmacêutica’”, alerta Marcus Bolívar.

Personagem da notícia

Aos 35 anos, Carlos Cézar, hoje com 56, sofreu um infarto. Até aquele momento, ele nunca havia feito um exame de colesterol e descobriu, da pior forma possível, que esse tinha sido o causador do episódio. Logo depois, uma tia, com cerca de 50 anos, também infartou, mas não sobreviveu. Carlos saiu do hospital com orientações de mudanças na dieta e cuidados com a saúde, que incluem medicamentos para baixar o colesterol. Mas ele não tolerou a estatina, que lhe causou fortes dores musculares. Um outro tipo de medicação deu mais certo; mesmo assim, os índices continuam altos, em torno de 250mg/dl, já tendo chegado a 340mg/dl. Carlos Cézar tem hipercolesterolemia familiar. Nesse momento, luta na Justiça para conseguir que o governo pague o medicamento mais indicado para o seu problema. “Tenho amigo que não leva o colesterol a sério, não acredita que ele pode matar. Quando come um tira-gosto, enxuga a fritura no guardanapo, e acha que isso basta”, lamenta.

Para saber mais

Teste gratuito

Níveis de LDL acima de 190mg/dl em adultos e acima de 160mg/dl em crianças combinados com história familiar de colesterol alto e problemas cardíacos antes dos 55 anos são sugestivos de hipercolesterolemia familiar (HF). Outros sintomas do problema são depósitos de colesterol em volta dos olhos, que provocam uma mancha amarela, nodulações nos tendões das mãos e cotovelos, além do tendão de Aquiles espessado. A confirmação do diagnóstico, contudo, só é possível com teste genético.

O Incor oferece o teste gratuitamente, mesmo para quem não mora em São Paulo. Para isso, a pessoa deve entrar em contato com o programa Hipercol Brasil, por meio do site www.hipercolesterolemia.com.br. É preciso enviar o resultado dos últimos exames de colesterol. Se a equipe de especialistas suspeitar de um possível caso, enviarão, pelos Correios, um kit para realização do teste, feito a partir da coleta de uma gota de sangue em papel de filtro específico. O DNA é extraído dessa amostra para identificação de alguma alteração genética.




Grávidas que não se vacinam podem ter danos irreversíveis

17/08/2015 - O Tempo (MG)


Em 20 de dezembro de 1968, eu estava cm Minnesota para um casamento em família e gripada; o que não veio, para minha surpresa, foi minha menstruação. Com uma febre de 40 graus, fiquei muito doente para comer ou até para ir ao banheiro sem ajuda por dez dias. Quando voltei para Nova York, no domingo do fim de semana de Ano Novo, lutava para respirar e estava muito fraca para andar.

Meu marido me levou ao médico, que rapidamente diagnosticou pneumonia dupla e prescreveu antibiótico e xarope para a tosse à base de codeína. A pneumonia passou, mas foi seguida por duas outras infecções respiratórias que necessitaram de mais tratamento.

Estava grávida de três meses quando finalmente comecei a me sentir bem. Seis meses depois, dei à luz gêmeos idênticos, milagrosamente saudáveis, na época prevista. Eu tinha escapado.

Mas nem todas as grávidas que pegam gripe - ou outro tipo de doença que pode ser evitada - têm tanta sorte. Ela é apenas uma de uma série de infecções, especialmente aquelas acompanhadas de febre alta, que podem causar complicações graves na gravidez, incluindo abono, defeitos de nascimento, crescimento atrofiado, parto prematuro e até mesmo a morte.

Citando dados americanos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Mark H. Sawyer, pediatra e especialista em doenças infecciosas na Universidade da Califórnia, em San Diego, diz que, de 1994 até 2013, as vacinas impediram cerca de 730 mil mortes, 21 milhões de hospitalizações e 300 milhões de consultas médicas.

"Proteger as mulheres grávidas é ainda mais importante. Receber a vacina MMR (sarampo, caxumba e rubéola) antes da gravidez c outra contra gripe e a DPT (difteria, tétano coqueluche) durante a gestação é um benefício que protege tanto as mães quanto os bebês", afirmou Sonia Rasmussen, especialista cm saúde pública e editora do "Morbidity and Mortality Weekly Report".

Os bebês ficam protegidos durante meses após o nascimento graças aos anticorpos das grávidas imunizadas. Com menos de um ano, eles correm maior risco de desenvolver a coqueluche, ou tosse comprida. A vacina contra essa doença é dada aos 2, 4 e 6 meses de idade, o que faz a proteção com os anticorpos das mães essencial para o primeiro semestre de vida.

"É um crime uma criança morrer de coqueluche hoje", diz Thomas N. Saari, professor de pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Wisconsin, em Madison.

Baixa adesão.

As mulheres devem tomar a vacina DPT durante o terceiro trimestre de cada gravidez, entre a 281 e a 36a semana, independentemente de a terem tomado antes, mas apenas cerca de 14% delas o fazem, disse Sonia. Todos os familiares e cuidadores das crianças, incluindo babás e avós, também devem tomá-la, afirma o CDC.

Da mesma forma, devem tomar a vacina da gripe, mas não a que vem em forma de spray nasal, que contém o vírus vivo. Sonia explicou que as mudanças que ocorrem no sistema imunológico, coração e pulmões de uma mulher grávida aumentam o risco de complicações, incluindo a morte, causadas pela gripe.

Temor afasta classe alta da imunização

Se a menção de doenças na gravidez parece assustadora, a intenção é exatamente essa. Muitas passam pela gravidez sem proteção de vacinas disponíveis que podem evitar danos irreversíveis para a mulher ou o bebê antes que este tenha idade suficiente para ser imunizado diretamente.

A maioria em idade fértil é jovem demais para ter testemunhado os danos associados a essas infecções antes que houvesse vacinas para preveni-las e que hoje podem ser administradas antes ou durante a gravidez. Muitas sucumbiram ao temor incutido por pessoas que erroneamente acreditam que vacinas fazem mais mal do que bem.

Os especialistas estão muito alarmados com o fato de que, ao contrário de outros aspectos dos cuidados médicos, pessoas com alto grau de escolaridade têm maior probabilidade de resistir à vacinação.

"O aumento da não vacinação de crianças é maior em áreas de alta renda", diz Mark H. Sawyer, pediatra e especialista em doenças infecciosas na Universidade da Califórnia, em San Diego.




ANS suspende venda de 73 tipos de planos de saúde; veja lista

14/08/2015 - Valor Econômico / Site


A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu a comercialização de 73 planos de saúde de 15 operadoras a partir do próximo dia 20, devido ao alto índice de reclamações dos clientes.

Entre essas operadoras, as maiores sanções são para a Unimed Paulistana, que teve mais de 20 tipos de planos impedidos de venda. A Unimed-Rio, que enfrenta problemas financeiros, teve 15 planos punidos pela agência.

A OdontoPrev, que entrou na lista da ANS pela primeira vez na fiscalização anterior, continua com 15 planos impedidos de venda.

A lista de planos suspensos está disponível no site da ANS.

Ainda segundo a ANS, 52 planos médicos punidos no monitoramento anterior estão liberados para venda.

Notícias - 12/08/2015

CLIPPING - 12/08/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Vacinação contra paralisia infantil tem início sábado; meta é imunizar 12 milhões

12/08/2015 - O Estado de S.Paulo


Começa sábado em todo o País a Campanha de Vacinação Contra a Paralisia Infantil. A meta é imunizar até o dia 31 de agosto 12 milhões de crianças entre 6 meses e 5 anos incompletos. Embora o Brasil tenha erradicado a doença em 1994, a vacinação é indispensável. A pólio é endêmica em Paquistão, Nigéria e Afeganistão. Pacientes com a doença têm lesões no sistema nervoso. “Com o fluxo de turistas, há um grande trânsito de pessoas. Sem crianças vacinadas, poderíamos ter a reintrodução da doença”, disse a coordenadora da Secretaria de Vigilância em Saúde, Carla Domingues. Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro (foto), é importante mobilizar a população.




Vacinação contra a poliomielite começa no próximo sábado

12/08/2015 - Folha de S.Paulo


A campanha de vacinação contra a poliomielite deste ano começa neste sábado (15) e vai até o dia 31 de agosto em todo o país.

A vacina é indicada para crianças entre seis meses e cinco anos. A meta é imunizar até 12 milhões de crianças desta faixa etária –o que corresponde a 95% do público-alvo.

Além da prevenção contra a pólio, o Ministério da Saúde também lançou uma campanha para aumentar a vacinação infantil contra outras doenças.

Crianças com febre acima de 38°C ou com hipersensibilidade a alguns dos componentes da fórmula devem consultar previamente um médico.




Anvisa aceita proposta do Sindusfarma e autoriza fabricação compartilhada

10/08/2015 - Lab Network


Após quatro anos de estudos e intensas negociações, a diretoria colegiada da Anvisa aceitou a proposta do Sindusfarma, publicando no dia 5 de agosto a Instrução Normativa nº 2, de 04/08/2015, que autoriza o compartilhamento de instalações e equipamentos para a fabricação de medicamentos, cosméticos, produtos para a saúde e suplementos alimentares.

O exaustivo trabalho, coordenado por Jair Calixto, gerente de Boas Práticas e Auditorias Farmacêuticas do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), em conjunto com as empresas associadas, demonstrou a viabilidade de produção de determinados produtos nas mesmas instalações farmacêuticas.

Inicialmente, em março de 2011, o Sindusfarma discutiu com a Anvisa a possibilidade de fabricação de medicamentos veterinários juntamente com medicamentos de uso humano.

O resultado desta ação foi a publicação pela Anvisa, em 23/04/2012, da Nota Técnica que dispôs o seguinte: “É tecnicamente aceitável, do ponto de visto de risco sanitário, a produção de produtos de uso veterinário nas mesmas instalações licenciadas para fabricação de medicamentos de uso humano, nos casos em que os produtos veterinários contenham insumos aprovados para uso humano”.

Ao longo de 2012, a proposta avançou para a produção compartilhada entre medicamentos, cosméticos, suplementos alimentícios e produtos para a saúde. Todos os estudos, preparados com subsídios das empresas associadas, foram reunidos em documentos enviados à Anvisa em junho, setembro e novembro daquele ano.

Consultas Públicas

As recomendações do Sindusfarma resultaram, em julho de 2013, na abertura da Consulta Pública n° 26, de 12 de julho de 2013, que tratava de Proposta de Resolução que dispõe sobre alteração do Artigo 252 da RDC nº 17/2010.

Mais tarde, em março de 2014, foi aberta a Consulta Pública n° 8, de 10 de Março de 2014, que dispunha sobre “os produtos para saúde, produtos de higiene, cosméticos e/ou alimentos cuja fabricação em instalações e equipamentos pode ser compartilhada com medicamentos de uso humano, obedecendo aos requerimentos da legislação sanitária vigente, independente de autorização prévia da Anvisa”.

Parecer jurídico

Em junho de 2014, diante de algumas dúvidas externadas pela Gerência Geral de Inspeção (GGIMP) da Anvisa, o Sindusfarma apresentou parecer jurídico, elaborado com o apoio da assessoria legal da entidade, no qual embasou as propostas contempladas pelas CP nº 26/2013 e CP nº 08/2014.

Em junho de 2015, o Sindusfarma reafirmou a relevância da iniciativa, encaminhando à Anvisa a correspondência CT nº 165/2015, na qual explicava a importância e os benefícios que a medida traria ao setor industrial farmacêutico, criando possibilidades de racionalizar suas atividades produtivas e desenvolver novas oportunidades de negócios. Também ponderava que essa regulamentação diminuiria as diferenças regulatórias no âmbito global, demonstrando maturidade e avanço por parte da Anvisa e equiparando-a às principais agências internacionais.

Finalmente, o esforço do Sindusfarma foi coroado de pleno êxito, com a aprovação da medida na reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa em 16/07/2015 e a publicação da IN nesta quarta-feira (5/8), no Diário Oficial da União.

“O Sindusfarma agradece a todos os profissionais das indústrias farmacêuticas associadas que auxiliaram na elaboração dos estudos que foram enviados à Anvisa”, afirma Jair.




Rastreabilidade viável e eficaz.

10/08/2015 - Correio Braziliense


Todos — indústria, atacado e varejo — têm claro entendimento de que a rastreabilidade de medicamentos deve ser levada a cabo. Mas será que basta a vontade desses atores para que o consumidor brasileiro tenha a seu dispor um sistema que funcione? Os medicamentos comercializados no Brasil já possuem rastreabilidade há bastante tempo, desde a publicação da Portaria n"802/1998, do Ministério da Saúde, que instituiu o sistema de fiscalização e controle em toda a cadeia dos produtos farmacêuticos.

Com base na legislação existente, os sistemas de qualidade dos fabricantes e importadores de medicamentos garantem alto grau de segurança aos seus produtos. Por exemplo, a raspadinha nas embalagens permite que o próprio paciente verifique a originalidade do produto no momento da dispensação. £ possível também elaborar rapidamente mapa de distribuição de todos os produtos comercializados, uma vez que cada nota fiscal emitida pelos fabricantes e distribuidores de medicamentos deve informar o lote, o quantitativo e o destinatário dos produtos.

Desde a implementação da nota fiscal eletrônica e da substituição tributária houve efetiva redução dos medicamentos oriundos de contrabando e roubos de carga. Hoje esses produtos somente são encontrados em locais não fiscalizados pela Anvisa, tais como feiras de importados, postos de beira de estrada e estabelecimentos clandestinos.

Não há, no Brasil, um único levantamento confiável que demonstre a quantidade de produtos falsificados. Extrapolar os dados da OMS para o nosso país é, no mínimo, temerário. A afirmação de que 19% do que é consumido no Brasil são falsificados é mentirosa e somente serve para assustar o consumidor, pois imaginar que mais de 1 bilhão de caixinhas anualmente são fabricadas de forma ilegal equivale a dizer que cada brasileiro consome, por ano, cinco caixas de medicamento falsificado.

E inegável a importância da Lei n° 11.903 /2009, que dispõe sobre o rastreamento da produção e do consumo de medicamentos por meio de tecnologia de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados. Entretanto, algumas barreiras relevantes foram detectadas durante os estudos de implantação realizados pelas indústrias farmacêuticas no Brasil e em outros países, como EUA, Turquia e Argentina.

Aliás, no contexto internacional, os modelos de rastreabilidade ainda são objeto de muita discussão, sendo poucos os países que possuem sistemas em vigor. Além disso, para ser efetiva, a rastreabilidade deve chegar a todos os elos da cadeia de consumo de medicamentos, da indústria ao consumidor.

A maioria das distribuidoras c do varejo nem sequer iniciou os trabalhos. E o setor público também não está preparado. Não podemos fazer uma rastreabilidade saci, ou seja, com uma perna só, sem a efetiva participação de todos os agentes — inclusive o governo, que dispensa mais de 30% dos medicamentos produzidos no Brasil. Tal situação caracterizaria enorme risco sanitário para os pacientes, levando ao desabastecimento do mercado, pois a resolução da Anvisa determina que os medicamentos que não atendam às normas estarão proibidos de ser comercializados.

O setor industrial farmacêutico instalado no Brasil apoia toda e qualquer evolução da rastreabilidade que seja viável técnica e economicamente e, principalmente, sanitariamente responsável. Sendo o sexto maior mercado farmacêutico do mundo, o Brasil necessita de regras que considerem sua magnitude. Sem uma implementação gradual, com prazos realistas, que levem em consideração todas as variáveis envolvidas, a rastreabilidade não existirá de fato, pois a cadeia farmacêutica não será capaz de atender à regulamentação. Por isso, o Sindusfarma defende a prorrogação de prazo por três anos, a partir da regulamentação pela Anvisa e a adoção de cronograma equalizado com as necessidades e capacidades operacionais e financeiras do governo, laboratórios públicos e privados, atacado e varejo. Nos EUA, o sistema será introduzido em 10 anos. Não podemos e não devemos utilizar de dados e informações falsas, somente para atender os interesses de grupos que querem a rastreabilidade não para colocar um melhor produto no mercado, mas para criar mais um negócio na área da saúde, onerando todo o sistema.




Logística complica envio de remédios, afirma ministério

11/08/2015 - Folha de S.Paulo


Em nota, o Ministério da Saúde diz que a aquisição de medicamentos para as aldeias onde atua o médico cubano Juan Delgado é feita pelo distrito sanitário indígena do Maranhão "conforme o perfil epidemiológico da região" e encaminhado ao polo base do município de Zé Doca.

"É importante lembrar que o local é de difícil acesso, sendo necessário o deslocamento em pista de chão batido (em época de chuva, às vezes, é necessário fazer o percurso de barco pelo rio), o que dificulta a logística de distribuição de medicamentos", completa nota da pasta.

Já exames e consultas com especialistas devem ser realizados no serviço do SUS mais próximo, habilitado a realizar o procedimento. As consultas e exames, segundo o ministério, são solicitados pelo polo base e costumam demorar no máximo 15 dias.

Hoje, 340 médicos do programa Mais Médicos atuam em distritos indígenas –são 34 ao todo.

Sobre os planos do profissional cubano de estender seu contrato no país, previsto inicialmente para acabar no ano que vem, a pasta diz que a possibilidade é prevista na lei do Mais Médicos.

"O médico deverá manifestar o desejo de permanecer e será avaliada junto aos gestores do SUS nos municípios a qualidade do seu desempenho", afirma o Ministério da Saúde.




Entidades defendem a rastreabilidade de remédios, em debate.

10/08/2015 - Portal Snif Brasil


O Congresso Nacional aprovou em 2009 a Lei 11.903, que prevê a criação do Sistema Nacional de Rastreamento de Medicamentos (SNCM), que visa a coibir o contrabando, falsificação e o roubo por meio de tecnologia de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados. Todo o processo para a rastreabilidade de medicamentos, desde a fabricação até o descarte, deve estar concluído até o final de 2016. Toda a cadeia produtiva do setor farmacêutico está trabalhando para cumprir esse prazo.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a falsificação, o contrabando e o roubo de cargas de medicamentos causaram a morte de cerca de 800 mil pessoas no mundo entre 2000 e 2006. Mas o senador Humberto Costa (PT) apresentou um Projeto de Lei pedindo que seja prorrogado em 10 anos, o controle do destino dos remédios. E o assunto foi tema de debate no Programa Participação Popular, da TV Câmara Federal, nesta sexta-feira (7/8), entre o diretor da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Marcelo Liebhardt, o presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, o presidente executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Henrique Tada, e a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ), relatora do PL 6672/02, transformado na Lei 11.903/2009.

Para Jandira Feghali, a dilatação do prazo é muito ruim, pois cria jurisprudência. ?Seria como assegurar que todos os prazos não serão cumpridos. O prazo dado foi razoável. A lei é de 2009 e estamos em 2015. A rastreabilidade se aplica a remédios que são produtos fundamentais para a saúde pública. E é uma defesa da própria indústria contra a falsificação?, ponderou a relatora do projeto de lei.

Os demais participantes do debate concordam que a rastreabilidade será uma grande solução para o roubo de cargas e a falsificação. Também reconhecem que, se houvesse regulamentação da Anvisa, o sistema de rastreabilidade poderia estar mais avançado. ?Cerca de 90% do meu setor está pronto para entregar o projeto piloto, mas o problema é a falta de regulamentação por parte da Anvisa. Ou você começa a trabalhar em prol dela desde o início, ou nenhum prazo será suficiente. Mas creio que três anos, após a regulamentação, o atacado e o varejo poderão se adequar a esse sistema?, prevê o diretor da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Marcelo Liebhardt.

Já para o presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, o problema não é somente ampliar o prazo. ?A forma como cada informação será mantida em sigilo é que dará segurança ao consumidor. Imagine um banco de dados livre sendo hackeado. Esta é a nossa preocupação também?, disse Mena Barreto.

Outro setor que criticou a falta de regulamentação da lei e defendeu a necessidade de adiar a implantação do sistema são os laboratórios farmacêuticos. ?A regulamentação demorou cerca de dois anos e, depois, houve revogação e um novo regulamento. Por isso defendemos o prazo de no máximo quatro anos para a indústria?, argumentou o presidente executivo da Alanac, Henrique Tada.

Já para o professor Eduardo Mario Dias, do GAESI - Gestão em Automação e Tecnologia da Informação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a rastreabilidade é uma demanda global. ?Em 2018, espera-se que mais de 40 países já tenham alguma regulamentação para o combate à falsificação e o contrabando de medicamentos, com 75% de toda a produção mundial sendo controlada de alguma forma?, diz. Ainda de acordo com Dias, o debate da TV Câmara, jogou luz sobre o processo, pois ?não se pode adiar por tanto tempo a busca por uma solução para um problema como esse, que coloca em risco a saúde de toda a população brasileira?.

O mercado de medicamentos

O mercado ilegal de remédios, que inclui a venda de medicamentos roubados ou falsificados, tem crescido 13% ao ano em todo o mundo, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

US$ 75 bilhões foi a movimentação de remédios falsificados em 2010 em todo o mundo.

R$ 2,5 bilhões é a perda anual de arrecadação tributária com medicamentos contrabandeados no Brasil.

20% dos medicamentos consumidos no Brasil são ilegais, contra 10% da média mundial.

50% dos medicamentos comercializados na internet são pirateados.

800% foi o crescimento da venda de medicamentos entre 2000 e 2007.

Os medicamentos ocupam o 1º lugar entre os dez produtos mais pirateados.




Estudo indica que dieta com ômega 3 pode reduzir risco de transtornos psiquiátricos

12/08/2015 - O Globo


Conhecida por sua importância para aqueles que precisam reduzir os seus níveis de triglicérides e colesterol, a substância orgânica ômega 3, encontrada em alimentos como peixe e frango, também pode ser eficaz na prevenção de transtornos psicóticos e psiquiátricos entre jovens. É o que indica um estudo publicado ontem no periódico científico “Nature Communications”.

Há cerca de dez anos, cientistas australianos e austríacos liderados pelo pesquisador Paul Amminger, da Universidade de Melbourne, implementaram, por 12 semanas, uma dieta de suplementos alimentares com ômega 3 a 41 indivíduos entre 13 e 25 anos de idade com elevada propensão a desenvolver esquizofrenia. Paralelamente, um grupo com características semelhantes recebeu suplementos de placebo.

ESPERANÇA PARA TRATAMENTO

Agora, os pesquisadores observaram que apenas 9,8% daqueles que receberam ômega 3 desenvolveram algum tipo de esquizofrenia, em comparação com 40% do grupo do placebo. Além disso, a doença apareceu mais cedo neste grupo, que apresentou ainda um número maior de outras doenças mentais durante o período do estudo.

A esquizofrenia se manifesta tipicamente em adolescentes ou jovens adultos, e a maioria daqueles afetados por ela desenvolve gradualmente uma variedade de sinais e sintomas clínicos.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que pacientes com distúrbios psiquiátricos apresentam níveis reduzidos de ácidos graxos — especificamente o ômega 3 e o ômega 6 — em suas membranas celulares.

Os pesquisadores afirmam que esses primeiros resultados “oferecem esperanças alternativas ao tratamento de pessoas jovens com risco de desenvolver psicoses”. No entanto, eles fazem ressalvas aos resultados apresentados: a amostra analisada ainda não é grande o suficiente para permitir análises aprofundadas, e novas pesquisas são necessárias para explicar o mecanismo pelo qual o ômega 3 pode ter um impacto preventivo ou melhorar a saúde mental das pessoas.




Estudo pago pela Coca diz que bebida açucarada não é vilã da obesidade

11/08/2015 - Folha de S.Paulo / Site


A Coca-Cola, a maior produtora de refrigerantes do mundo, doou cerca de US$ 1,5 milhão no ano passado para abertura de uma organização sem fins lucrativos, a Global Energy Balance Network (Rede Global de Equilíbrio Energético), na qual aponta que bebidas açucaradas não são as vilãs da obesidade.

A organização promove a ideia de que o indivíduo deve se preocupar menos em cortar calorias e realizar mais atividade física para se manter saudável. Para ajudar os cientistas a disseminarem sua mensagem, a Coca-Cola fornece apoio financeiro e logístico.

"Grande parte do foco na mídia popular e nas revistas científicas é em 'eles estão comendo demais, comendo demais, comendo demais' –culpando fast food, bebidas açucaradas e assim por diante", diz o vice-presidente da Global, Steven N. Blair, ao jornal americano "The New York Times". Em um vídeo recente anunciando a nova organização, Blair também afirma que "não há nenhuma evidência clara de que, de fato, essa seja a causa."

Registros mostram que o site da rede, gebn.org, está registrado na sede da Coca-Cola em Atlanta, e que a empresa também está listada como administradora do site. O presidente do grupo, James O. Hill, um professor da faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, disse que a Coca-Cola registrou o site porque os membros da rede não sabiam como.

Especialistas da área de saúde, contrários à pesquisa do grupo, afirmam que a mensagem é um esforço da Coca-Cola para desviar as críticas sobre o papel das bebidas açucaradas na disseminação da obesidade e da diabete tipo 2.

Além disso, os especialistas ainda destacam que a organização usa o novo grupo para convencer o público de que atividade física pode compensar uma dieta ruim, apesar da evidência de que os exercícios têm apenas um impacto mínimo sobre o peso em comparação ao que as pessoas consomem.




Projeto sul-africano tenta otimizar saúde primária em Florianópolis

11/08/2015 - Folha de S.Paulo / Site


A prefeitura de Florianópolis firmou um acordo com a editora britânica BMJ, uma das principais nos ramos médico e científico, para tentar melhorar a atenção primária à saúde na cidade.

A ideia é implementar o projeto Pack (algo como Guia Básico para Cuidados de Saúde) –basicamente composto de protocolos e diretrizes que direcionam diagnósticos e condutas, visando deixar o sistema mais eficiente.

Um entusiastas do Pack é o médico britânico Richard Smith, que já havia contado sobre a chegada do projeto ao Brasil em entrevista à Folha.

O Pack foi desenvolvido na Cidade do Cabo ao longo de quinze anos e, segundo Smith, "consiste em estabelecer algumas normas de conduta, com treinamento local, focado no trabalho em equipe e em prescrição não médica".

A capital de Santa Catarina seria a primeira cidade do mundo fora da África do Sul a tentar adaptar as diretrizes para um contexto diferente da cidade sul-africana.

Para Smith, existe a esperança de que o trabalho possa trazer benefício para pessoas mais pobres e de áreas mais remotas no Brasil assim como em outros países.

O projeto envolve a adaptação dos guias de práticas profissionais na área da saúde, além do treinamento dos envolvidos. Além de melhorar a qualidade da atenção primária á saúde, o objetivo é também tentar fazer com que o gasto com saúde diminua –com a prevenção de doenças, por exemplo.




Campanha açucarada.

11/08/2015 - O Globo


A Coca-Cola financia pesquisas que isentam bebidas açucaradas e culpam a falta de exercícios pela obesidade. O financiamento de um grupo de pesquisadores da área de saúde por um gigante da indústria de bebidas açucaradas está gerando controvérsia nos EUA, reavivando discussões sobre os limites éticos entre a aproximação de cientistas e empresas privadas. Conforme revelou o jornal americano “New York Times”, a Coca-Cola está dando apoio financeiro e logístico à organização sem fins lucrativos Global Energy Balance Network. Segundo a linha de pesquisa dessa rede de influentes cientistas, para combater o problema global do sobrepeso e da obesidade, as pessoas devem se preocupar menos em reduzir o consumo de alimentos calóricos e fazer mais exercícios.

Formado ano passado, o grupo vem promovendo a sua mensagem sobre a priorização de atividades físicas em revistas médicas, conferências e mídias sociais, por meio de seus especialistas. Ao mesmo tempo, a Coca-Cola argumenta que preza pela independência dos pesquisadores.

“O foco nos meios populares e na imprensa científica é: ‘Eles estão comendo demais, comem demais, comem demais’, culpando fast-foods, bebidas açucaradas e assim por diante”, disse o vice-presidente do grupo, o epidemiologista especialista em exercícios físicos Steven N. Blair, em um vídeo publicado no site da organização. “E não há realmente qualquer evidência convincente de que, de fato, esta seja a causa”.

DEFESA POR DIETA EQUILIBRADA

Para especialistas em saúde, no entanto, o argumento da entidade americana é controverso diante de inúmeros indícios científicos que mostram o papel essencial de uma dieta equilibrada para a manutenção de uma vida saudável.

— A importância de uma dieta adequada, aliada à prática de exercícios, já está mais do que comprovada por diversos órgãos, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Sociedade Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Não temos dúvida de que se alimentar corretamente, e não apenas praticar atividade físicas, previne e trata doenças como obesidade, diabetes, câncer, depressão e problemas renais e endócrinos — diz a nutricionista Nathália Fonseca, especializada em nutrição esportiva e pediátrica.

De acordo com a médica, “não adianta sair da academia e comer, por exemplo, um cachorro-quente composto por salsicha rica em aditivos, sódio, gordura, calorias e pobre em nutrientes essenciais para uma boa recuperação após o exercício”.

No caso da ingestão de refrigerante, Nathália explica que só não passamos mal com a sua quantidade de açúcar devido ao ácido fosfórico também presente na bebida:

— Esse açúcar vai então para o fígado, onde é transformado em gordura, em um processo bem rápido que aumenta a nossa pressão sanguínea. Não há nutriente algum realmente válido na composição do refrigerante. Trata-se de uma caloria vazia.

A controvérsia chega em um período de crescentes esforços para taxar bebidas açucaradas, removê-las das escolas e impedir empresas de vendê-las às crianças nos EUA. Nas últimas duas décadas, o consumo médio de refrigerantes por americano caiu em 25%. Já no Brasil, os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014), realizada pelo Ministério da Saúde, dizem que a ingestão desse tipo de bebida caiu 20% nos últimos seis anos.

Pesquisador do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (Gota), o endocrinologista Pedro Assed também é crítico à mensagem da Global Energy Balance Network e, principalmente, ao financiamento de atividades médicas por grupos alimentícios:

— Muitos deles são criticados por médicos e tentam contornar essa situação com marketing. No caso da CocaCola, ela tem sistematicamente patrocinado congressos médicos, eventos de educação física e nutrição etc., o que é algo complicado.

Segundo o “New York Times”, a CocaCola tem feito um investimento substancial na nova organização americana, tendo doado cerca de US$ 1,5 milhão no ano passado para o seu início. Desde 2008, a empresa também tem oferecido cerca de US$ 4 milhões em financiamento para projetos de dois dos membros fundadores da organização: Steven N. Blair e Gregory A. Hand, reitor da Escola de Saúde Pública da Universidade de West Virginia. E o próprio site da rede está registrado pela sede da Coca-Cola em Atlanta, que é listada como administradora do site.

COCA-COLA: “HISTÓRICO DE APOIO”

Ao jornal americano, o vice-presidente da Global Energy Balance Network e outros cientistas afiliados ao grupo disseram que a Coca-Cola não tem controle sobre seu trabalho ou mensagem, e que eles não veem problema algum com o apoio da empresa, uma vez que foram transparentes a respeito.

Já a fabricante de bebidas afirmou em nota que tem uma longa história de apoio às evidências de pesquisas científicas relacionadas às suas bebidas, e que considera importante que os pesquisadores com quem trabalha “compartilhem seus próprios pontos de vista e descobertas científicas, independentemente do resultado, e que sejam transparentes e abertos sobre o nosso financiamento”.




Saúde libera R$ 1,6 mi contra avanço de doenças 'primas' da dengue na BA

10/08/2015 - Folha de S.Paulo / Site


O Ministério da Saúde autorizou nesta segunda-feira (10) o repasse emergencial de R$ 1,6 milhão à Bahia para tentar conter o avanço simultâneo de três doenças diferentes no Estado: dengue, chikungunya e zika. A liberação dos repasses foi publicada no Diário Oficial da União.

O Estado é um dos mais afetados pela epidemia de dengue que atingiu o país neste ano.

Mas por um motivo diferente: além dos casos de dengue, a Bahia acabou por vivenciar o aumento de registros de outras duas doenças, transmitidas pelo mesmo vetor e ainda "novas" no país –o chamado "zika vírus" e a febre chikungunya.

Só neste ano, a Bahia já registra 53.585 casos suspeitos de dengue, segundo último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, com dados até 4 de agosto —um aumento de 178% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Cerca de 90% do total de municípios do Estado tiveram casos da doença, que gerou nove mortes.

Já a chikungunya e a zika levaram as secretarias municipais de saúde a notificarem 11.789 e 41.660 casos suspeitos até agora, respectivamente.

Além de transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, essas duas últimas doenças trazem sintomas semelhantes à dengue, como febre, dores de cabeça e no corpo e manchas na pele.

A chikungunya, no entanto, tem sido diferenciada por fortes dores nas articulações, que podem persistir por meses. Já a zika tem sintomas mais brandos, como febre baixa ou ausência de febre, e recuperação mais rápida, de até uma semana.

SÍNDROME

A Bahia também está em alerta por casos da síndrome Guillain-Barré, uma doença autoimune que se manifesta como uma reação de defesa do organismo após uma doença infecciosa.Até o dia 7 de agosto, foram notificados 130 casos da síndrome no Estado. Destes, 57 já foram confirmados – 53 deles correspondem a pacientes que também foram atingidos por dengue, zika ou chikungunya. Ainda não há comprovação científica, contudo, de uma possível relação da síndrome com as três doenças, segundo o Ministério da Saúde.

DENGUE

Dados de último boletim do governo federal apontam 1,3 milhão de casos de dengue em todo o país desde o início deste ano até o final de julho, um aumento de 171% em relação ao mesmo período do ano passado.Embora a doença tenha dado uma trégua nos últimos dois meses, o que fez diminuir a incidência de novos casos, o Ministério da Saúde orienta que as medidas de combate ao mosquito sejam preservadas como forma de impedir uma nova epidemia com a chegada do calor.




Com aumento de despesas, Dasa vê lucro cair 69% no 2º trimestre

10/08/2015 - Valor Econômico / Site


A companhia de medicina diagnóstica Dasa registrou lucro líquido de R$ 9,8 milhões no segundo trimestre, queda de 69,1% em relação a igual período de 2014, impactada por aumento de custos dos serviços prestados e maiores despesas operacionais.

A receita líquida cresceu 5,7% no segundo trimestre, em igual base de comparação, para R$ 726,8 milhões. Ao mesmo tempo, porém, o custo dos serviços prestados avançou 9,9%, somando R$ 518,4 milhões, levando a uma queda 3,4% no lucro bruto, que ficou em R$ 208,3 milhões.

As despesas operacionais também cresceram 14,2%, para R$ 160,1 milhões. Assim, o resultado operacional sofreu queda de 52,3%, para R$ 22,4 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) foi de R$ 93,2 milhões, queda de 19%.




Senado quer proibir juízes de darem liminares onerosas para o SUS

11/08/2015 - Portal Conjur


As propostas recém-lançadas pelo Senado para “salvar” o governo federal incluem conter impactos da crescente judicialização da saúde no país. Os senadores querem “aperfeiçoar o marco jurídico” do setor e “avaliar a proibição de liminares judiciais que determinam o tratamento com procedimentos experimentais onerosos ou não homologados pelo SUS”.

A chamada Agenda Brasil foi liderada pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o objetivo de tirar o Planalto da crise econômica e institucional. É uma tentativa de resolver logo uma série de questões pendentes, como regulamentar a terceirização de trabalhadores; ajustar a idade mínima para aposentadoria; reformar alíquotas de PIS e Cofins; revisar a regulamentação de áreas indígenas e enfim mudar o marco jurídico da mineração, por exemplo.

No caso da saúde, tem crescido a preocupação do governo com os gastos judiciais. Entre 2012 e 2014, o Ministério da Saúde desembolsou R$ 1,76 bilhão para atender essas demandas, conforme levantamento divulgado neste ano pela Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa). Cinco medicamentos para tratar doenças genéticas representaram 81,6% dos gastos com judicialização no ano passado, segundo a pesquisa — muitos deles sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O contra-ataque do Senado é genérico, sem detalhar como poderia restringir a atividade de juízes. Para especialistas ouvidos pela revista Consultor Jurídico, a proposta em gestação poderia proibir expressamente esse tipo de liminar, obrigar que a Fazenda fosse ouvida antes de qualquer medida ou até mesmo criar um fundo específico para medidas urgentes — nesse caso, as decisões ficariam limitadas ao caixa disponível.

Já existem normas infraconstitucionais impedindo ou restringindo liminares, embora juristas nem sempre vejam isso com bons olhos. A Lei 8.437/1992, por exemplo, proíbe medida liminar contra atos do Poder Público toda vez que providência semelhante não puder ser concedida em ações de mandado de segurança. Já a Lei 9.494/1997 disciplina quando aplicar a tutela antecipada contra a Fazenda Pública.

O Conselho Nacional de Justiça já publicou resoluções com a intenção de orientar quando o Judiciário deve intervir sem demora na saúde. A instituição inclusive já recomendou que tribunais firmem convênios para contar com auxílio de médicos e farmacêuticos na análise de quadros clínicos das partes.

No papel

A reportagem não localizou nenhum projeto de lei já em andamento no Congresso com o objetivo de conter decisões ligadas à área. Sobre o marco jurídico do SUS, a PEC 46/2013 quer criar uma nova pessoa jurídica, envolvendo União, estados e municípios, que se dedicaria à atenção básica, com pessoal próprio. O PLS 383/2015 pretende transformar em crime de responsabilidade quando agentes públicos descumprem transferências de recursos para o setor.

De acordo com o Senado, Renan Calheiros anunciou que já vai reunir nesta semana líderes partidários para definir quais temas vão entrar na pauta das próximas votações.




Proposta de cobrança no SUS não é viável nem tem eficácia, diz Chioro

11/08/2015 - Folha de S.Paulo / Site


O ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou nesta terça-feira (11) que a proposta de uma cobrança no SUS por faixa de renda, apresentada ao Planalto por líderes do Senado para ajudar na recuperação da crise política, segue um modelo "que não tem eficácia". Para Chioro, já há uma forma de cobrança no SUS, "em que a população contribui com impostos".

"Não acredito que haja viabilidade na proposta tal como ela em um primeiro momento aparece, com cobrança por classe social. Isso seria equivalente ao modelo chileno, que não mostra nenhuma eficácia", disse, em evento de lançamento da campanha de vacinação contra a pólio.

O ministro evitou, contudo, fazer críticas mais fortes à proposta e disse que o debate sobre financiamento da saúde "é bem-vindo".

Mas utilizou a campanha para fazer uma defesa do atual sistema, que prevê atendimento gratuito para toda a população.

"Hoje a Organização Mundial de Saúde usa o Brasil como exemplo. Erradicamos a pólio em 1994 em um país com dimensão continental e áreas pobres. É um exemplo típico que o sistema nacional de saúde público, gratuito para todo mundo funciona", disse. "Temos na nossa Constituição um sistema universal, o que é uma luta que a gente compartilha", completou.

AGENDA BRASIL

Intitulado "Agenda Brasil", o pacote de sugestões liderado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), lista 28 itens com medidas e ações como "contribuição do Congresso" para a retomada do crescimento.

A proposta, entregue nesta segunda-feira (10) aos ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Edinho Silva (Comunicação Social), é dividida em três áreas: nove medidas para "melhoria do ambiente de negócios e infraestrutura"; 14 no campo do "equilíbrio fiscal"; cinco de "proteção social".

Na área da saúde, além da sugestão de cobrança no SUS por faixa de renda, há uma proposta de estabelecer regras para o pagamento de medicamentos e procedimentos solicitados na esfera judicial.

Para Chioro, a discussão é positiva.

"Há um consenso entre todos os gestores e é também uma percepção na área dos planos de saúde que precisamos aperfeiçoar os marcos regulatórios em relação à judicialização."

Uma das possibilidades, afirma, é estabelecer regras para o pagamento de tratamentos experimentais, ainda sem registro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"Remédios muitas vezes são submetidos à nossa população, e o Brasil acaba sendo plataforma de lançamento de produtos sem confiança, sem que tenham sido testadas sua efetividade e segurança", criticou.




Para ministro da Saúde, reação de médicos a decreto é 'patética'

11/08/2015 - Folha de S.Paulo / Site


Em meio a um embate com as entidades médicas, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, saiu em defesa do decreto que prevê a criação de um cadastro nacional de especialistas e disse que a reação da categoria em torno do tema é "patética".

"Chega a ser surreal ter que estabelecer uma polêmica em torno de um cadastro. É patético", disse nesta terça-feira (11).

"Talvez a intenção de abrir fogo seja outra que não o cadastro de especialistas, uma ferramenta de gestão simples",

Sete entidades médicas lançaram um manifesto na última sexta-feira (7) em que ameaçam entrar na Justiça contra as medidas anunciadas pelo governo para marcar os dois anos do Mais Médicos.

Para o grupo, o documento abre brecha para a formação de médicos especialistas de menor qualidade.

Em resposta, os ministros da Saúde e Educação, Renato Janine, lançaram uma carta aos médicos nesta terça em que negam que profissionais com mestrado e doutorado possam atuar como especialistas em algumas áreas da medicina -titulação hoje restrita a quem faz residência.

Eles defendem a criação de um cadastro de especialistas sob o argumento de que hoje as informações "estão dispersas em diversas fontes e instituições".

A ideia é saber a quantidade e a distribuição de médicos especialistas no país, e usar os dados para formular políticas de ampliação das vagas de residência, por exemplo.

"Está extremamente claro. Mestrado e doutorado é titulação acadêmica. Se eu não fiz residência em oftalmologia, nem o curso da sociedade de oftalmologia, não posso ter reconhecido meu título de especialista. O cadastro só unifica as bases de dados, não muda as regras do jogo", disse Chioro, ao apresentar a carta aos jornalistas no lançamento da campanha de vacinação contra a pólio.

Segundo o decreto, o Conselho Nacional de Educação tem três meses para elaborar diretrizes que serão referências para o processo de formação médica.

"A lei [do Mais Médicos] e o decreto, enfatizamos, não alteram o modo atual de concessão e registro do título de especialista", escrevem os ministros no documento.

Uma reunião entre entidades médicas para discutir o tema está marcada para esta quarta-feira (12). Em nota divulgada nesta semana, a AMB (Associação Médica Brasileira) classificou o decreto como uma "quebra de confiança" e um "cavalo de troia".

"Foi criado para conter artigos que permitam ao Governo interferir unilateralmente na formação de especialistas. Se o Ministério da Saúde realmente precisa criar cadastro novo para o que quer fazer, é confissão de ineficiência da gestão desastrosa", diz a nota. Chioro nega. "Só estamos cumprindo o que a legislação determina. Precisamos ter um instrumento que permita olhar onde estão os especialistas, onde se formaram e onde atuam. E usar isso para o planejamento", afirmou.




Um plano para os planos

12/08/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: Bernardo Mello Franco


O pacote lançado pelo senador Renan Calheiros não deve tirar a economia do atoleiro, mas tem tudo para aumentar os lucros de alguns empresários. Um dos setores mais animados é o dos planos de saúde, cujo lobby se espalha como vírus nos gabinetes de Brasília. A proposta prevê a "proibição de liminares judiciais que determinam o tratamento com procedimentos experimentais onerosos ou não homologados pelo SUS". A ideia ganhou um apelido sugestivo no Congresso: "Emenda Qualicorp". Se virar lei, o paciente que paga a mensalidade na saúde e é abandonado na doença ficará impedido de recorrer à Justiça para garantir os seus direitos.

Os planos viram alvo de ações quando se recusam a cobrir cirurgias e tratamentos de alta complexidade. Por desrespeitar contratos, encabeçam os rankings de reclamação do consumidor. Se os pacientes dependessem só dos políticos, seria melhor rasgar a carteirinha e engrossar as filas dos hospitais públicos.

Um levantamento dos professores Mário Scheffer, da USP, e Lígia Bahia, da UFRJ, ajuda a explicar essa cumplicidade. Em 2014, os planos doaram R$ 54,9 milhões a 131 candidatos. Ajudaram a eleger a presidente da República, três governadores, três senadores e 29 deputados federais.

A Amil, recordista em doações, investiu R$ 26,3 milhões. A Qualicorp, que agora batiza um item da "Agenda Brasil" de Renan, deu R$ 4 milhões à campanha de Dilma Rousseff e R$ 2 milhões à de Aécio Neves.

Como ensinou um ex-diretor da Petrobras, não existe doação grátis. Em fevereiro, o deputado Ivan Valente propôs uma CPI para investigar abusos dos planos. O pedido foi engavetado por Eduardo Cunha, que recebeu R$ 250 mil da Bradesco Saúde.

O presidente da Câmara é um dos homens de ouro do setor. Em 2014, incluiu um "jabuti" na medida provisória 627, sobre tributação de empresas no exterior, para perdoar R$ 2 bilhões em multas às empresas. A anistia foi vetada pelo Planalto.




Tristeza ou depressão?

11/08/2015 - Folha de S.Paulo Online


A depressão ganha cada vez mais a atenção da mídia, principalmente quando tem como porta-vozes pessoas de grande visibilidade já acometidas por ela. É o caso do padre Marcelo Rossi, que assumiu publicamente ter sofrido da doença em seu mais recente livro, "Philia" (ed. Principium).

Nele, o padre fala das emoções que o levaram à depressão, como a tristeza, e conta como derrotou esses e outros "males contemporâneos" com o auxílio do amor fraternal, significado da palavra grega que dá nome ao livro. Primeiramente, é importante deixarmos clara a diferença entre o sentimento e a doença. A depressão é um conjunto de sintomas que abrange o organismo como um todo, afetando negativamente o físico, o humor e até a forma como a pessoa vê o mundo a seu redor. Já o sentimento de tristeza, isolado, não caracteriza depressão.

Ela pode acometer qualquer pessoa, por exemplo, quando ela termina um relacionamento ou quando perde um emprego, situações que tendem a se resolver sem a necessidade de tratamento. O psiquiatra tem papel fundamental nesse diagnóstico e a fé, nos dois casos, pode contribuir para a melhora dos pacientes.

A importância da espiritualidade nos tratamentos psiquiátricos tem sido demonstrada por milhares de pesquisas pelo mundo. As pessoas com crenças e práticas religiosas tendem a ter melhor saúde física e mental, além de melhores resultados nos tratamentos de depressão. Mas a fé deve ser vista como um item do tratamento, e não como a cura.

É importante frisar que a depressão necessita de tratamentos específicos e que a fé pode, sim, contribuir para a melhoria do quadro, assim como atividades físicas e a retomada do convívio social.

Vale ressaltar que quem tem um episódio depressivo tem quase 50% de chance de ter um segundo. E, uma vez que reincide, tem de 75 a 90% de chance de ter o terceiro se não for tratado corretamente. Por isso, é fundamental o diagnóstico e a fidelidade ao tratamento.

Cada doença tem características próprias, diferentes tipos de remédio, de mudanças de comportamento. Com a depressão não é diferente. Seu tratamento pode envolver medicação, atividade física, psicoterapia, eliminação do consumo de drogas e álcool e estimulação da retomada de contatos sociais.

Para se ter uma ideia: a cada três segundos, uma pessoa atenta contra a própria vida e, a cada 40, alguém se suicida. E a depressão está entre as doenças mais associadas a esses episódios. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), para cerca de 17% da população adulta, a doença é uma realidade em algum momento das suas vidas.

Isto significa que 30 milhões de brasileiros já tiveram, têm ou terão depressão. Uma pesquisa da OMS também indica que a maioria dos que sofrem de transtornos mentais no mundo não buscou ajuda profissional e não recebeu tratamento adequado, baseado nas evidências científicas disponíveis, mesmo nos países desenvolvidos.

Apesar de a doença afetar esse pedaço considerável da população, o preconceito ainda é grande. E quando uma pessoa da notoriedade do padre Marcelo Rossi vem a público e fala abertamente sobre o transtorno, ela ajuda milhões de pessoas que têm depressão e sofrem caladas a buscarem auxílio. Mais do que isso: faz com que essas pessoas aceitem que têm o diagnóstico e comecem a se tratar. Esse é o primeiro passo para vencermos esse mal do milênio.




Regulação de trabalho médico não é coisa de ditadura

11/08/2015 - Folha de S.Paulo Online


A presidente Dilma Rousseff resolveu comprar mais uma briga com as entidades médicas. Na semana passada, no pacote da comemoração de dois anos do programa Mais Médicos, ela publicou decreto criando um cadastro nacional de especialistas, o primeiro passo para a implantação do Mais Especialidades, uma das suas promessas na última campanha eleitoral.

Entre outras determinações, o decreto diz que o Ministério da Saúde irá dimensionar o número de médicos, sua especialização, sua área de atuação e sua distribuição em todo território nacional, de acordo com as necessidades do SUS (Sistema Único de Saúde). Também estabelecerá as prioridades de abertura e de ampliação de vagas de formação de médicos especialistas no país, além de regulamentar a reordenação de vagas para residência médica.

O governo diz que o banco de dados vai melhorar a distribuição de médicos especialistas e a aplicação de políticas públicas. Já as entidades médicas afirmam que o decreto, criado sem ouvi-las, tira o poder dos conselhos regionais e da Associação Médica Brasileira (AMB) na formação de especialistas. Elas ameaçam entrar na Justiça contra o decreto.

"Mais uma vez, o governo federal usa a sua mão de ferro estatal contra os médicos sem que sejam ouvidas previamente as sociedades médicas, a academia, os estudantes e demais entidades. Unilateralmente interfere de forma preocupante, lembrando países vizinhos com vieses totalitários", diz nota da AMB.

Setores da oposição ao governo manifestaram posição semelhante à categoria. "É o AI-5 da medicina", disse o líder da bancada do DEM, Mendonça Filho (PE), citando o Ato Institucional símbolo do período mais duro da ditadura militar (1964-1985). O senador e ortopedista Ronaldo Caiado escreveu na sua página no Facebook: "O governo optou por destruir todas as sociedades de especialidades médicas e implantar o que tem de mais atrasado no modelo cubano (...) Obriga o cidadão médico a trabalhar onde o governo determinar e ainda quer interferir na especialização dele. Isso funciona bem em ditaduras!"

Não é verdade. Isso não acontece só em Cuba ou outras ditaduras. Vários países desenvolvidos e democráticos –como o Canadá, a Alemanha, a França, a Holanda, a Irlanda e o Reino Unido– têm sistemas de gestão e de planejamento de recursos humanos em saúde centralizados no governo federal. Em última instância, é o Ministério da Saúde que define quais especialidades médicas são prioritárias para o sistema de saúde.

EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS

Na Alemanha, por exemplo, se há superoferta de determinada especialidade, o governo veta novas entradas. Na Austrália, existe um comitê que trabalha para o governo, analisando a oferta e a demanda de especialistas e as adequam de acordo com as necessidades da população.

No Canadá, há 20 anos existe um comitê ligado ao Ministério da Saúde que planeja a mão de obra médica e realiza estudos sobre oferta e demanda. O Reino Unido também regula o ingresso de especialistas no mercado. E, sim, Cuba também faz isso. Alguns estudos têm reforçado que não há um método perfeito de planejamento de médicos, mas sugerem que o caminho sejam modelos baseados na necessidade da população, e não aqueles praticados nos Estados Unidos e no Brasil –com médicos controlando o acesso à profissão e a avaliação da prática.

Já passou da hora de o governo federal assumir para si a responsabilidade de planejar e gerir os recursos humanos em saúde. Quantos profissionais são necessários, de que tipo, onde, quando e para quê? É uma tarefa árdua, complexa e que fere muitos interesses, mas que é obrigatória em qualquer país sério. Do contrário, a gente vê discrepâncias como a que existe hoje, má distribuição geográfica de médicos, superoferta de algumas especialidades e deficit de outras. A medicina de família e comunidade, por exemplo, representa apenas 8% do total de vagas de residência médica. E dessas, menos de 30% têm sido ocupadas.

ATENÇÃO PRIMÁRIA

Em países com uma atenção primária sólida, como Holanda, Espanha, Portugal, Canadá e Inglaterra, cerca de 40% das vagas de residência são para medicina de família –que é obrigatória para quem vai trabalhar na atenção primária do sistema de saúde. Nunca é demais reforçar que a atenção básica pode resolver de 80% a 90% das queixas em saúde, sem necessidade de encaminhamento a especialistas. Mas, para isso, é preciso uma rede bem organizada, unidades com boa infraestrutura e médicos e outros profissionais de saúde bem formados e bem pagos, cenário bem diferente daquele que se vê na maior parte do país.

Por mais ideais e boas intenções que possa ter, o médico busca bons salários, reconhecimento profissional, qualidade de vida e condições de trabalho, como qualquer outro profissional. É legítimo. Se como especialista ele poderá ganhar até dez vezes mais do que um médico de família, fica difícil convencê-lo que é bacana trabalhar nas áreas pobres, distantes e violentas e em unidades de saúde precárias e superlotadas (e, de brinde, lidar com gestores incompetentes e com prefeitos que atrasam salários). Como vocês veem, há muitas questões complexas em jogo. Não é com mais um decreto goela abaixo dos médicos que o governo federal resolverá distorções crônicas do sistema de saúde. Mas tampouco meias verdades e corporativismo médico contribuem para um debate qualificado.




Ministério da Saúde orienta Estados

11/08/2015 - Folha de S.Paulo


Colunista: Mônica Bergamo

O Ministério da Saúde começou a orientar secretarias estaduais sobre a aplicação da medida nacional que restringe a publicidade infantil. Uma nota técnica da pasta endossa a resolução do Conanda (conselho dos direitos da criança e do adolescente, ligado à Presidência da República) que considerou abusivas propagandas dirigidas a essa faixa etária. A decisão "é de extrema relevância em termos de saúde pública", segundo o texto.

COMER 2

Focado em obesidade, o documento condena a "exposição exagerada das crianças" a anúncios de alimentos "ultraprocessados" e "não saudáveis". E recomenda que os profissionais da área contribuam para a "efetivação" da resolução exigindo que unidades de saúde sejam "um ambiente livre de propaganda de qualquer produto". Eles também devem alertar as famílias dos menores sobre a "nocividade" dos comerciais de comidas industrializadas.




Ministério reduz acesso a hemoderivados no País

11/08/2015 - O Estado de S.Paulo


O Ministério da Saúde reduziu a distribuição 110 País de medicamentos indispensáveis para o controle de hemofilia, os hemoderivados. A estratégia, que, de acordo com governo tem co -mo principal objetivo se adequar às reais necessidades, faz com que pacientes, com medo da falia do produto, passem a usar os fatores apenas em caso de emergência. Representantes de Hemocentros, numa reunião realizada em junho, afirmaram em documento não haver estoques estratégicos. No Paraná, seis cirurgias foram desmarcadas, mas o Ministério atribui o fato a uma mudança repentina na quantidade de procedimentos, sem que houvesse informação prévia.

Hemofilia é uma doença congênita e pacientes com o problema têm dificuldades na coagulação. Hemoderivados, que antes eram usados para estancar sangramentos, agora são indicados também para prevenir crises. Embora não seja incomum pacientes precisarem de tratamento de urgência, o coordenador da área de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde, João Paulo Baccara, afirmou não haver necessidade de estoque nas regiões.

De acordo com ele, em casos dc urgência, basta que o Ministério da Saúde encaminhe, de forma emergencial, o produto para o Hemocentro mais próximo do paciente. "O importante é que o Ministério tenha o seu próprio estoque regulador", afirmou Baccara. A redução na distribuição foi determinada 110 fim do ano passado. Baccara afirmou que, no passado, pacientes de alguns Estados recebiam unia quantidade de hemoderivados que ultrapassava a necessidade mensa l. Um erro de estratégia, em sua avaliação. Ele lembrou que o produto é caro e necessita ser armazenado de maneira adequada. O que assistimos é um revezamento da escassez de remédios. Vários Estados passaram pelo problema", disse á presidente da Federação Brasileira de Hemofilia, Mariana Freire.




Hospital cobraria por cirurgia gratuita

11/08/2015 - O Estado de S.Paulo


O ex-diretor da Escola Paulista de Medicina (EPM), Antônio Carlos Lopes, encaminhou ontem para o Ministério Público Federal (MPF) uma lista com os nomes de centenas de pacientes do setor de reprodução humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que pagara m por suas cirurgias, embora os procedimentos fossem cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, poderiam ter sido feitos de graça.

O Estado teve acesso ao documento, que mostra o nome do paciente, a cirurgia pela qual ele passou e se foi pago pelo SUS ou particular. Há casos, por exemplo que o procedimento de biopsia testicular foi feito cm vários pacientes pelos SUS e também por internação particular pelo mesmo médico.

Há outros exemplos também em relação a vasectomia, transferência de embriões, reversão de vasectomia c biópsia de ová -rio. O MPF investiga se os pacientes sabiam ou não que podiam ser atendidos gratuitamente c se houve dupla pagamento. Além disso, quer saber se médicos responsáveis pelo setor de reprodução humana estariam usando a estrutura do SUS para atendimentos particulares no Hospital São Paulo, que é o hospital universitário da Unifesp. A denúncia foi feita em abril, por Lopes. O M P F informou que a invés -ligação tramita na área cível, mas não se pronunciará para não se prejudicar as apurações. Es -tá cm poder da procuradoria unia lista com 1.200 pacientes, dos quais 1,8%foram atendidos in inicialmente pelo SUS, mas acabaram pagando pelos procedimentos cirúrgicos 110 final.

Um dos médicos citados na denúncia de Lopes, Agnaldo Cedenho - que é responsável pelo setor de reprodução humana da Unifesp - disse, na sexta-feira, que não há irregularidades. Ele admitiu que os pacientes passavam pelo SUS e acabavam atendidos como particulares, porque os procedimentos não seriam cobertos pelo SUS.

"Foi feito o que chamamos de pacote econômico para o paciente. Ele paga os custos da in -te inação e o material de consulta dele, e mais nada. Não há honorários médicos nem pagamento da equipe médica", afirmou Cedenho na ocasião. Ele adiantou também que os fatos estão sendo esclarecidos na sindicância aberta pela Unifesp.

Silêncio. Procurado pelo Estado ontem para falar sobre a nova lista de pacientes encaminhada ao MPF, Cedenho preferiu não se pronunciar. Sua advogada, Maria Blisabeth Queijo, informou que a defesa vai tomar conhecimento do conteúdo que há nos autos para se pronunciar posteriormente.

Em janeiro, o médico Valdemir Ortiz encaminhou um documento com o mesmo teor das denúncias de Lopes para a reitoria da Unifesp. Afirmou que as cirurgias da reprodução humana eram feitas no centro cirúrgico da enfermaria da Disciplina de Urologia, que é de uso exclusivo de pacientes do SUS. "São fatos graves que comprometem a instituição", disse.

Por meio de nota, a Unifesp informou que não vai comentar o caso. A instituição informou que, após ser informada sobre o e caso a reitoria seguiu o procedimento normal, encaminhando o assunto à Comissão Processaria* Permanente. Foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar para apurar a veracidade ou não dos fatos apontados na denúncia. "O processo está em fase de análise pela Procuradoria Federal da Unifesp."




Faltam remédios e estrutura, diz cubano símbolo do Mais Médicos

11/08/2015 - Folha de S.Paulo


Assim que desembarcou em agosto de 2013 no aeroporto de Fortaleza (CE), o médico cubano Juan Delgado, 51, foi recebido com vaias e gritos de "escravo", numa espécie corredor polonês organizado por médicos brasileiros.

O momento –planejado como um protesto contra a vinda de estrangeiros para atuar no Mais Médicos– acabou por torná-lo um símbolo do programa, que agora completa dois anos.

Ao longo desse período, sua imagem foi utilizada em campanhas eleitorais, tanto de lados contrários como favoráveis ao projeto, uma das principais bandeiras sociais do governo Dilma Rousseff.

Longe dos holofotes, Delgado afirma viver outro embate, ainda mais complexo: o de atuar com poucos recursos em uma área carente de cuidados na saúde.

O cubano divide a semana entre visitas a cinco aldeias do interior do Maranhão, onde atende diariamente cerca de 20 a 30 índios das etnias kaapor e guajá.

Para dar conta dessa demanda, dorme em uma rede e pede ajuda para índios que falam português. A maioria dos diagnósticos é de gripe, anemia e desnutrição, doenças que mais afetam a saúde nas aldeias dessa região.

"Eles não tinham médicos há dois anos", conta ele, que, após as férias em Cuba, passou por Brasília na semana passada, a convite do Ministério da Saúde, para evento de dois anos do Mais Médicos –que, segundo o governo, atende 63 milhões de pessoas.

POSTO DE QUALIDADE

Além da comunicação, há outras dificuldades. A principal delas, diz, é "ter um posto de saúde de qualidade".

"Falta tudo. Faltam medicamentos, e é difícil marcar exames", relata Delgado.

Analgésicos e antialérgicos estão entre as principais ausências nas prateleiras.

Em casos urgentes, para conseguir medicamentos, pede ajuda à Secretaria Municipal de Saúde de Zé Doca, cidade mais próxima às aldeias e a 363 km de São Luís.

O encaminhamento dos pacientes é outro gargalo. "Demora até seis meses para conseguir vaga com um especialista", conta o cubano. Em Zé Doca, por exemplo, só há um hospital disponível.

Outra dificuldade, afirma, é cultural, como lidar com as crenças dos índios sobre o tratamento de crianças doentes. "Já falei: 'Tem que tomar medicamento e ficar no hospital'. E eles dizem: 'Não, doutor. Essa criança não presta'."

Apesar das dificuldades, Delgado acha que o cenário tem melhorado. "Os governantes estão abrindo seu pensamento [para a necessidade de investir em saúde]."

BOLSA PARA A FILHA

Formado há 22 anos, ele havia atuado em outras duas missões fora do país de origem antes de vir ao Brasil, como a epidemia de cólera no Haiti. Depois, voltou a Cuba, onde trabalhava em um consultório médico de família –espécie de posto de saúde local.

Deixou no país a filha, de 17 anos, para quem envia os R$ 2.976 que recebe como bolsa. Questionado, evita opinar sobre o valor. "É o que firmamos em acordo com o governo", afirma ele, que se sustenta com uma ajuda de custo de cerca de R$ 2.500 para alimentação e moradia.

Mesmo com os percalços no atendimento, Delgado diz que o aprendizado na saúde indígena tem valido a pena e, por isso, planeja estender seu contrato, previsto inicialmente para acabar no ano que vem. "Vou pedir para ficar."




Com desemprego, convênios médicos perdem 193 mil usuários

11/08/2015 - Valor Econômico


O mercado de planos de saúde perdeu 193,2 mil usuários no acumulado do primeiro semestre deste ano com o aumento na taxa de desemprego. Trata-se da primeira retração do setor na última década, período em que o número de pessoas com convênio médico aumentou 50% e atingiu 50,7 milhões no ano passado impulsionado pela chegada da classe média no mercado formal de trabalho.

A queda nos seis primeiros meses de 2015 veio principalmente do segmento de planos de saúde corporativos que perdeu 130 mil usuários. Os números são Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS) que, além de divulgar os dados do segundo trimestre, revisou os dados de 2014 e do primeiro trimestre.

Apesar de ter sido o pior desempenho do setor de saúde na última década, a queda não é na mesma proporção da taxa de desemprego. Entre janeiro e junho, houve o fechamento de 345 mil postos de trabalho no país, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). "A redução não é tão expressiva porque muitas empresas estendem o benefício do plano de saúde por seis meses ou mais para os demitidos e nem todos os trabalhadores têm o convênio médico", disse Antonio Carlos Abbatepaolo, diretor-executivo da Abramge, associação das operadoras de planos de saúde.

No primeiro trimestre deste ano, o mercado de planos de saúde registrou faturamento de R$ 33,1 bilhões, o que representa um aumento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2014. As despesas cresceram em uma proporção maior, de 13,5%, para R$ 27,1 bilhões entre janeiro e março de 2015.

Mesmo com muitas empresas mantendo o benefício do plano de saúde aos demitidos, o setor sente os reflexos da desaceleração econômica. Na Bradesco Saúde, a receita líquida cresceu 24,4%, mas o lucro caiu 20% no acumulado dos seis primeiros meses do ano em relação a um ano antes. "Tivemos perda relevante nos setores de óleo e gás, construção civil e montagem industrial, além disso, cancelamos contratos que não eram rentáveis", disse Marcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde, observando que a seguradora tem forte atuação em setores afetados pela crise.

O mesmo aconteceu com a OdontoPrev, que tem 80% de sua carteira formada por planos dentais corporativos. No primeiro semestre deste ano, a companhia perdeu 70 mil usuários de planos empresariais.

Notícias - 14/08/2015

CLIPPING - 14/08/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Impulso inovador

14/08/2015 - Valor Econômico


O Brasil não pode perder a onda da biotecnologia. A afirmação foi repetida como mantra por políticos e empresários presentes no seminário "Indústria farmacêutica brasileira: uma agenda para a inovação", realizado pelo Valor, em Brasília, na quarta-feira. O posicionamento do país em relação à evolução tecnológica na área da saúde envolve questões mais complexas do que apenas ter estratégias para ampliar a competitividade das empresas nacionais.

Os gastos com medicamentos exercem pressão sobre o orçamento do setor. A demanda por remédios cresce com a inversão na pirâmide etária e mudanças nos hábitos alimentares dos brasileiros. Sem produção nacional, será impossível garantir o acesso a fórmulas eficazes e aos modernos medicamentos biotecnológicos. "A sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) depende do fortalecimento desse complexo industrial", avalia Arthur Chioro, ministro da Saúde.

Para Chioro, as perspectivas são positivas. O setor de fármacos apresenta uma cadeia produtiva bem definida no país, investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e está amparado por uma política de desenvolvimento produtivo (PDP), na qual o principal cliente é o governo.

O estímulo à inovação conta com linhas especiais de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que tem financiado projetos para a instalação de fábricas mais modernas - e da Finep, cujas missões são incentivar a aquisição de novas rotas tecnológicas e promover o estudo de moléculas e organismos. "Atualmente, 35% do esforço brasileiro de P&D está concentrado no complexo da saúde. Não vamos perder o ciclo da biotecnologia", afirma.

A aposta faz sentido. As fábricas nacionais começaram, há pouco mais de uma década, uma transformação nas bases produtivas. Com a entrada dos genéricos nos planos de negócios, a indústria precisou se modernizar para, primeiro "copiar", depois incrementar medicamentos e partir para o estudo e desenvolvimento de novas drogas.

Na biotecnologia, a estratégia se repete. O Brasil está produzindo biossimilares - que, essencialmente, são cópias de medicamentos já produzidos em outros países - e partirá para a criação de seus próprios medicamentos, gerando patentes e divisas. "É um processo de aprendizado contínuo. Não há atalhos", diz Reginaldo Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil.

De acordo com dados da última Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2011, as empresas de produtos farmoquímicos e farmacêuticos aplicam, em média, 2,39% da receita líquida em atividades internas de P&D - muito mais que a média nacional de 0,79% registrada pelo estudo. "As empresas mais competitivas apresentam taxas superiores a 6%", destaca Arcuri.

Segundo o executivo, nos últimos cinco anos R$ 2,5 bilhões foram investidos em síntese química. Para o próximo quinquênio, a projeção é de mais R$ 5 bilhões em aportes. Já na área de biotecnologia, a carteira de investimentos do setor farmacêutico soma R$ 1, 4 bilhão. "Os investimentos estão permitindo a internacionalização das empresas brasileiras. A indústria farmacêutica é global e a participação neste ambiente de negócios depende de inovação", destaca Arcuri.

A indústria farmacêutica mundial deve faturar mais de US$ 1 trilhão neste ano, nas projeções do IMS Institute. O Brasil é o sexto mercado mais importante no globo. Em 2014, o consumo de medicamentos girou R$ 124,6 bilhões. O bom desempenho do complexo industrial da saúde é fundamental para resolver outra questão: o desequilíbrio na balança comercial de fármacos.

Carlos Gadelha, secretário de desenvolvimento da produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), afirma que o estímulo à produção nacional já traz resultados. "Entre 2010 e 2014, o volume de importações ficou estável, na casa dos US$ 12 bilhões." No período, as exportações mais que dobraram, saltando de US$ 1 bilhão para pouco mais de US$ 2 bilhões. "Isso indica que estamos partindo para o comércio exterior com produtos de alto valor agregado", comenta Gadelha.

Para o mercado interno, reduzir a dependência das importações - principalmente dos biossimilares - é fundamental para equilibrar as contas do SUS. De acordo com Chioro, os medicamentos biológicos representaram 12% do total de remédios adquiridos pelo Ministério da Saúde no ano passado, mas consumiram 61% do orçamento.

A nacionalização da produção resultará em economia de R$ 5,3 bilhões por ano. "Não temos escolha. Para manter o acesso a toda a população, temos de fomentar a indústria nacional", aponta.

Entre os desafios estão ajustes na regulamentação do setor, que tem de se adequar à velocidade necessária para expansão da produção. "O sistema regulatório é parte do jogo da competitividade. É preciso sair da visão burocrática para uma visão empreendedora", argumenta Gadelha. O secretário defende uma atuação mais ajustada entre a iniciativa privada e os órgãos de controle. "As empresas são beneficiadas pelas regras. Elas estabelecem barreiras de entrada importantes no mercado. Em vez de reclamar, propor ações", diz.

Ivo Bucaresky, diretor de coordenação e articulação do sistema nacional de vigilância sanitária, lembra que a regulamentação precisa garantir, antes de tudo, segurança para o consumidor. De acordo com ele, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um conjunto de regras compatível com o mercado global, permitindo respeito e visibilidade internacional do órgão. Agora atua para aprimorar os instrumentos e reduzir o tempo de análise dos produtos. "Temos uma agenda transparente e previsível e sabemos quais são os principais desafios", afirma.

A regulação da fabricação de biossimilares, diz Bucaresky, é um desafio para a indústria farmacêutica global. "Esses medicamentos precisam ser efetivos e seguros como os originais". Ele ainda destaca a capacidade do Brasil para a produção de fitoterápicos - uma vez que o território nacional detém a maior biodiversidade do planeta. "O marco regulatório que permite a exploração e pesquisa do patrimônio genético do país vai beneficiar a indústria farmacêutica", finaliza.




Mais de 90% dos pedidos de patente são de estrangeiras

14/08/2015 - Valor Econômico


Jornalista: Carmen Nery Cerca de 92% das patentes requisitadas pelo setor farmacêutico no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) são de empresas estrangeiras; e somente 8% de instituições e empresas nacionais. Dessa pequena porcentagem brasileira, a grande maioria é indeferida por má redação do pedido de patente.

O agravante é o tempo que o INPI leva para conceder uma patente. De acordo com dados de 2014, o prazo médio para concessão de patentes na área de farmácia ficou entre 10 e 11 anos. Isso tem levado as empresas nacionais a optarem por depositar patentes fora do país. Um exemplo o Laboratório Cristália, que conquistou 76 patentes, das quais apenas quatro são no Brasil.

"Existe desinformação em relação ao papel do INPI. Somos um escritório para receber, analisar e conceder pedidos de patentes. Cerca de 84% dos pedidos totais são de empresas estrangeiras. Seguindo o regime jurídico de patentes da Organização Mundial do Comércio (OMC), respeitamos o princípio da não discriminação, não importando se a patente é nacional ou estrangeira", diz Luiz Otávio Pimentel, recém-empossado presidente do INPI. Ciente do monumental back log - pedidos na fila de espera há anos -, ele diz que sua gestão será marcada por um amplo esforço para aumentar a produtividade, mas está amarrado aos imperativos do ajuste fiscal.

"Vamos buscar alternativas para processar os pedidos de exame com maior rapidez. Temos um efetivo de 192 examinadores em produtividade plena e 19 em treinamento, totalizando 211 técnicos. Há, ainda, 140 profissionais concursados para tomar posse, mas o governo está com contratações suspensas", ressalva Pimentel.

Marcia Martini Bueno, diretora de relações institucionais da Libbs, diz que a demora também prejudica as empresas nacionais que produzem biossimilares, pois o parágrafo único do artigo 40 da Lei de Patentes (Lei 279/1996) determina que a vigência da patente não será inferior a dez anos a partir da data de concessão.

"Em todo o mundo o período de proteção é de dez anos. Só que a inovação também é protegida enquanto está sendo analisada, e, como o prazo de análise no Brasil é de dez anos, a empresa multinacional acaba protegida por 20 anos. A demora do INPI é muito boa para os laboratórios que têm moléculas inovadoras. Isso inibe o número de cópias de medicamentos que têm alto custo no mercado", defende Márcia.

A Libbs atua no mercado há 57 anos e conta com um complexo fabril em Embu das Artes (SP) com três unidades e uma em construção: unidade farmacêutica para produção de comprimidos; farmoquímica para a produção de insumos e o Centro de Desenvolvimento Integrado, onde são desenvolvidas as fórmulas com inovações incrementais ou biossimilares. A quarta unidade em construção é uma planta de biotecnologia prevista para operar em 2016 na produção de medicamentos biológicos inovadores.

"Investimos 10% do faturamento em P&D, sendo 2,5% em inovação disruptiva", diz Márcia. Atualmente, a empresa trabalha em quatro projetos, entre biológicos e químicos, em diferentes etapas de desenvolvimento, inclusive com testes clínicos fora do país. E, nos últimos cinco anos, depositou dez patentes no Brasil e fora do país. "No Brasil, ainda não recebemos nem a primeira manifestação."

A Libbs integra o Grupo FarmaBrasil (GFB), fundado em junho de 2011 para conduzir a representação institucional da indústria farmacêutica de pesquisa e inovação. É formado ainda pelos laboratórios Achè, Biolab, Bionovis, Cristália, EMS, Eurofarma, Hebron, Orygen e União Química. Juntos, respondem por 36% dos medicamentos feitos no Brasil.

Reginaldo Braga Arcuri, presidente do FarmaBrasil, diz que o descompasso entre o número de patentes nacionais e de estrangeiras tem raízes históricas. "A indústria brasileira só voltou a se consolidar com a criação da Anvisa, da Lei de Patentes e da Lei de Genéricos. Trata-se de uma indústria nova, que está agora iniciando a produção de moléculas e processos para a obtenção de patentes."




Farmacêuticas querem crescer em vacinas para adultos no País

14/08/2015 - DCI


O crescimento da população idosa no Brasil é uma das maiores da indústria farmacêutica para expandir os negócios e as pesquisas em vacinas para o tratamento de adultos nos próximos anos.

O desafio, de acordo com representantes do setor ouvidos pelo DCI, é a cultura do brasileiro que ainda não está habituado a esse tipo medicamento. Para eles, até mesmo uma parcela da população idosa ainda reluta em aderir à vacinação como prática de prevenção de doenças na vida adulta. Mas iniciativas do governo podem impulsionar esse mercado, que até 2050 vai representar 29,3% da população brasileira. Conforme dados da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), atualmente, 11,7% dos brasileiros tem 60 anos ou mais. Já o grupo com 80 anos ou mais, que hoje corresponde a 1,5% da população deve saltar para 6,7% no mesmo período.

"O mercado de vacinas é extremamente ativo e a tendência é continuar crescendo com a mudança no perfil da população, que está envelhecendo e se cuidando mais. Além da constante inovação por parte das indústrias", afirma o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

Ele cita as campanhas de estímulo a vacinação contra a gripe em idosos, promovidas pelo Ministério da Saúde, como uma das ações que tem ajudado a ampliar o mercado para além da vacinação infantil.

O aumento da preocupação das pessoas acima de 50 anos com a vacinação também tem sido observada pela Pfizer. A farmacêutica vê na demanda dos idosos uma oportunidade para se desenvolver.

"Estamos vendo a pirâmide [da população] brasileira começando a inverter, o que naturalmente chama mais atenção para essa faixa etária", conta o gerente médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia.

A empresa fez um levantamento para identificar a visão dos brasileiros sobre o envelhecimento e apurou que 77% dos entrevistados tem receio de apresentar problemas de saúde ao envelhecer.

Demanda

O executivo explica ainda que, com o aumento do número de idosos, os tipos e características das doenças mudam, principalmente em função da menor eficácia do sistema imunológico.

Como estratégia para ganhar cada vez mais espaço nesse mercado, a Pfizer espera oferecer vacinas para prevenção de doenças as quais essa parcela da população é mais suscetível, como problemas no sistema respiratório.

"A vacinação [para adultos] é ainda um território quase que totalmente inexplorado. Já existem algumas para gripe, hepatite e pneumonia, mas ainda é preciso que o médico explique a importância da vacinação para os pacientes", diz.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos da farmacêutica no País, detalha o executivo, tem foco nos idosos, mas não se restringe a essa parcela da população.

"Existem necessidades médicas que hoje não estão sendo atendidas, nas quais queremos investir para oferecer melhor qualidade de vida e soluções para essas demandas", comenta.

No segundo trimestre deste ano, os negócios de vacina da Pfizer ganharam destaque ao incrementar o desempenho global da companhia.

A demanda pela vacina contra pneumonia, junto com as vendas de um medicamento para câncer de mama contribuiu para o aumento da receita e do lucro no período. A receita com a unidade de vacinas global registrou alta de 44% para US$ 1,58 bilhão no trimestre, respondendo por 13% da receita total no período.

A MSD, subsidiária da Merck & Co., também investe no segmento de vacinas para manter o crescimento no País. A empresa, que importa as vacinas da unidade instalada nos Estados Unidos, acompanha não só a mudança no perfil da população, como o avanço da infraestrutura nos serviços de saúde.

"Um fator importante quando olhamos para as perspectivas desse mercado é o acesso a vacinação. Porque na África, por exemplo, ainda temos uma taxa de nascimento alta, mas não tem infraestrutura para ofertar vacina. Nesse aspecto o Brasil está mais avançado, o que representa uma boa oportunidade de expansão", avalia o diretor de comunicação e relações governamentais da MSD, Guilherme Leser.

O portfólio de vacinas da companhia, conta ele, atende desde a demanda da população infantil até os adultos. No Brasil, a diferença é a incidência de doenças tropicais, como a dengue, cuja vacina está em desenvolvimento pela MSD.

"Temos também outras vacinas para alguns tipos de pneumonia em processo de lançamento e meningite", diz. Para ele, o principal apelo das vacinas para o sistema de saúde é o custo-benefício, já que funciona como uma ação preventiva.

A perspectiva de reduzir gastos com o tratamento de doenças, revela Guilherme Leser, é um dos fatores que faz a empresa apostar no aumento da demanda de vacinas por parte dos seguros privados de saúde.

"O mercado de seguros de saúde agora começa a desenvolver modelos de prevenção para os associados e a vacina entra nesse modelo", ressalta.

Saúde pública

A demanda do setor público, importante cliente da indústria farmacêutica, também deve crescer com a mudança do perfil da população. "O governo é um dos nossos principais clientes, porque vê a vacinação como uma forma de melhorar a qualidade de vida da população a custo baixo, além de reduzir gastos com o tratamento de doenças", observa Leser.

A MSD vende para o Ministério da Saúde vacinas para prevenir o papilomavírus humano (HPV, na sigla em inglês) e a hepatite A em processos de transferência de tecnologia. "O governo tem hoje quase todas as vacinas disponíveis no calendário, o que ele faz é restringir o acesso por faixa etária. Mas nos próximos anos a tendência é expandir a vacinação, incluindo mais os adultos", comenta.

O executivo espera que, nos próximos anos, o investimento público em infraestrutura para a distribuição e acesso as vacinas aumente, ajudando a sustentar a expansão do segmento.

Já no setor privado, a regulamentação da aplicação de vacinas em farmácias é um dos principais fatores que podem contribuir para a alta na demanda do segmento, diz Mussolini, do Sindusfarma.




Cérebro ansioso é transmitido de pai para filho, mostra estudo

13/08/2015 - Folha de S.Paulo


Pais que sofrem de transtornos de ansiedade têm mais chances de ter filhos com temperamento extremamente ansioso. Uma pesquisa publicada no periódico científico "PNAS" revelou ainda as regiões do cérebro que estão relacionadas à transmissão do distúrbio. Os médicos estimam em aproximadamente 35% a contribuição genética na probabilidade de uma criança desenvolver um transtorno do tipo. O novo estudo mostrou que existe uma correlação entre a herança genética e o metabolismo de um circuito presente no cérebro, que possivelmente interfere nos riscos para o desenvolvimento da doença.

O experimento foi conduzido em uma linhagem de 592 macacos juvenis da espécie Macaca mulatta, mais conhecidos como rhesus.

Eles são frequentemente usados em pesquisas devido à proximidade entre a sua linhagem e a dos humanos. O fator Rh, por exemplo, que define se o tipo sanguíneo é "positivo" ou "negativo", foi identificado primeiramente nesses primatas e, por isso, leva uma abreviação do nome da espécie.

Liderado por Andrew Fox, da Universidade de Wisconsin (EUA), o grupo de pesquisadores acompanhou o comportamento e as imagens do cérebro dos animais em situação de perigo, além de medir reações fisiológicas, como a liberação de substâncias ligadas ao estresse.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), distúrbios de ansiedade afetam centenas de milhões de pessoas no mundo. As crianças que herdam o temperamento excessivamente ansioso são mais propícias a desenvolverem outros problemas graves na vida adulta, como depressão e dependência química.




Coca-Cola financia ONG que minimiza efeito de dieta

13/08/2015 - O Estado de S.Paulo


A Coca-Cola, a maior fabricante de refrigerantes do mundo, está financiando uma nova solução baseada em estudos de cientistas para a crise de obesidade: para manter um peso saudável, faça mais exercícios e preocupe-se menos com a redução de calorias. A companhia aliou-se a cientistas que vêm falando deste assunto em revistas médicas, conferências e na mídia social.

Para ajudar a difundir este conceito, a Coca-Cola tem dado apoio financeiro e administrativo para uma nova organização sem fins lucrativos chamada Global Energy Balance Network, que defende a tese de que os americanos que querem emagrecer estão fixados demais no quanto comem e bebem e não dão muita atenção a exercícios.

“Grande parte do foco na mídia popular e na imprensa escrita é de que as pessoas estão comendo demais, acusando o fast-food, as bebidas adocicadas e assim por diante”, afirmou StevenN. Blair,vice-presidente da associação em um vídeo institucional. “Basicamente não há nenhuma prova conclusiva de que esta é a causa.” Especialistas da área de saúde retrucam que esta mensagem é enganosa e faz parte de uma iniciativa da Coca-cola para desviar as críticas sobre o papel dos refrigerantes no aumento da obesidade e da diabetes tipo 2. E afirmam que a companhia está usando a organização para convencer a sociedade de que a atividade física pode contrabalançar uma dieta não saudável, apesar das evidências de que os exercícios têm um impacto mínimo sobre o peso comparado como consumo de alimentos e bebidas.

A discussão ocorre no momento em que se observa uma intensificação dos esforços nos EUA para taxar os refrigerantes, bani-los das escolas e impedir que as empresas continuem com marketing dirigido às crianças. Nas últimas duas décadas, o consumo de bebidas com alto teor de calorias pelo americano médio caiu 25%. “As vendas da Coca-Cola estão diminuindo e observamos essa enorme reação do público e do Estado contra os refrigerantes”, disse Michele Simon advogada especialista em assuntos ligados à saúde pública. “Esta é uma resposta direta às perdas registradas pela companhia.” Em causa própria. A Coca-Cola fez um enorme investimento na nova organização. Em resposta a pedidos baseados em registros do governo, duas universidades que empregam líderes da Global Energy Balance Network revelaram que a Coca cola doou US$ 1,5 milhão no ano passado para a abertura da organização. Desde 2009, a companhia investiu US$ 4 milhões no financiamento de vários projetos para dois membros da organização: Blair, professor da universidade da Carolina do Sul, cuja pesquisa nos últimos anos contribuiu em grande parte para as diretrizes federais sobre atividade física,e Gregory A. Hand, reitor da Escola de Saúde Pública da Universidade da Virginia Ocidental.

Registros mostram que o web site da Global Energy Balance Network está registrado na sede da Coca-Cola, em Atlanta.

O presidente do grupo, James O. Hill, professor da Escola de Medicina da Universidade do Colorado, disse que a empresa registrou o website porque os membros da organização não sabiam como fazê-lo.

O departamento de relações públicas da Coca-Cola negou vários pedidos de entrevista com a encarregada da área científica, Rhona Applebaum. Em comunicado, a companhia declarou que tem uma longa história de apoio à pesquisa científica relacionada as seus produtos e questões como equilíbrio energético.

“Nós nos associamos a alguns dos mais destacados especialistas na área de nutrição e atividade física. É importante para nós que os pesquisadores com quem trabalhamos compartilhem suas próprias opiniões e conclusões científicas, independente do resultado e somos transparentes e abertos às suas conclusões.” Blaire outros cientistas associados à Global Energy Balance Network declararam que a Coca-Cola não tem nenhum controle sobre o trabalho ou mensagem do grupo e não veem nenhum problema no apoio da companhia porque eles têm sido transparentes a respeito.

Mas, a partir da semana passada, as páginas do grupo no Twitter e no Facebook que promovem a atividade física como solução para a obesidade, deixaram de fazer qualquer menção ao papel do alimento e nutrição e ao apoio financeiro da CocaCola.

O website do grupo omitiu o financiamento da Coca Cola até Yoni Freedhoff, especialista em obesidade na Universidade de Ottawa, escrever ao grupo inquirindo sobre o apoio.

Blair disse que foi um descuido que seria rapidamente corrigido.

“Quando descobrimos que não tínhamos citado a Coca-Cola e outras fontes de financiamento, inserimos os dados imediatamente. Isso nos torna totalmente corruptos em tudo o que fazemos?” Troca. O envolvimento da Coca-Cola na nova organização não é o único exemplo de pesquisa financiada por corporações. A Sociedade Americana de Nutrição e a Academia de Nutrição e Dietas foram criticadas por especialistas em saúde por formarem parcerias com empresas como Kraft, McDonald’s, Pepsico e Hershey’s. Especialistas em dietas também sofreram críticas por ter recebido dinheiro da Coca-Cola para apresentar o refrigerante como uma opção saudável de lanche.




Caminhada de 5 km para ‘queimar’lata deCoca-Cola

13/08/2015 - O Estado de S.Paulo


Evidências crescentes sugerem que emagrecer é mais fácil quando as pessoas limitam a ingestão de alimentos com alto teor glicêmico, como refrigerantes e outros carboidratos processados, com adição e substâncias químicas artificiais, que aumentam drasticamente o açúcar no sangue. A atividade física é importante e ajuda, afirmam os especialistas.

Mas estudos mostram que o exercício aumenta o apetite, o que leva as pessoas a consumirem mais calorias.

O exercício também elimina menos calorias do que as pessoas imaginam. Uma lata de Coca-Cola, por exemplo, contém 140 calorias e aproximadamente 10 colheres de chá de açúcar.

“É preciso uma caminhada de quase 5 quilômetros para ‘queimar’ uma lata do refrigerante”, disse Barry M. Popkin, professor de nutrição da Universidade da Carolina do Norte.

Nos últimos anos,a Coca-Cola tem feito doações para a construção de academias em mais de cem escolas dos EUA. Patrocina um programa chamado “Exercise is Medicine” (“Exercício é remédio”) para incentivar os médicos a prescreverem atividade física aos pacientes. E quando a Câmara municipal de Chicago propôs a cobrança de um imposto sobre refrigerantes em 2012, para ajudar a implementar soluções para o problema de obesidade na cidade, a Coca-cola doou US$ 3 milhões para a criação de programas de fitnes sem 60 centros comunitários. A proposta foi anulada.

“Reverter a obesidade não ocorre da noite para o dia”, dizia um comercial da empresa.

“Para milhares de famílias em Chicago,vamos começar agora, com a próxima flexão de braços, um exercício abdominal ou salto com agachamento.




Cristália investe US$ 100 milhões no desenvolvimento de nova enzima

14/08/2015 - Valor Econômico


No mercado desde 1972, o laboratório Cristália passou por várias fases da indústria farmacêutica nacional até começar a desenvolver suas próprias inovações. O laboratório de farmoquímicos para a produção de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) foi criado há 25 anos. Hoje o Cristália é o primeiro laboratório do país a obter o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) para IFA, concedido à planta de micro-organismos anaeróbicos instalada na divisão de biotecnologia do complexo industrial de Itapira (SP).

Nessa planta, será produzido o IFA colagenase - utilizado no tratamento de feridas, úlceras, queimaduras e tecidos necrosados -, desenvolvido verticalmente pelo laboratório, com pesquisa científica 100% brasileira. Da pesquisa da cepa ao desenvolvimento do produto, foram investidos cerca de US$ 100 milhões, incluindo a construção da planta, já certificada pela Anvisa.

"Fomos nos capacitando para a produção de novas moléculas. A primeira patente surgiu em 2004, para o anestésico S-Ketamina. Paulatinamente, fomos desenvolvendo outras inovações e hoje acumulamos 76 patentes, sendo quatro no Brasil. Todas foram depositadas aqui, só não foram concedidas ainda, pois o país demora a analisar os processos", diz Ogari Pacheco, presidente do Complexo Industrial Farmoquímico, Farmacêutico e de Biotecnologia Cristália.

A enzima colagenase comum é produzida por um número reduzido de laboratórios localizados fora do país, a partir de uma bactéria anaeróbica (que vive em ambiente sem oxigênio), a Clostridium histolyticum, encontrada no solo. Com intenso investimento em P&D, os cientistas da divisão de biotecnologia do Cristália - liderados pelo dr. Marcos Alegria, diretor de biotecnologia - decidiram produzir a enzima a partir de uma cepa descoberta em uma propriedade rural localizada em Espírito Santo do Pinhal (SP). Outra inovação foi cultivá-la em cultura a base de componentes vegetais. Isso evita a contaminação por príons - moléculas proteicas encontradas em tecidos animais e que podem causar doenças neurológicas.




Falta um sistema amigável para produzir tecnologia

14/08/2015 - Valor Econômico


Dependência de matéria-prima importada, falta de um ambiente favorável de cooperação entre universidade e indústria, resistência da iniciativa privada em assumir riscos e elevado tempo de aprovação da pesquisa clínica são alguns dos entraves que o Brasil deve enfrentar para assumir uma posição de protagonismo na produção e descoberta de medicamentos, tanto os sintéticos como os biológicos.

Hoje, a maioria dos medicamentos é produzida com princípios ativos trazidos do exterior e, como resultado, o país tem um déficit de US$ 5,5 bilhões na balança comercial do setor. Mesmo com as exportações crescendo em ritmo superior às importações, a diferença ainda está longe de ser compensada.

Além disso, mundo afora, a indústria farmacêutica fatura cerca de US$ 1 trilhão por ano e investe entre 12% e 16% em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos. Isso significa algo entre US$ 120 bilhões e US$ 160 bilhões; enquanto o Brasil investe apenas US$ 300 milhões por ano. Para completar, o tempo de aprovação da pesquisa clínica continua a ser um obstáculo importante para o avanço da inovação no país. Para que um estudo seja aprovado na Coreia são necessários 30 dias; nos EUA, de 45 a 60 dias; na Europa, de 60 a 75 dias, enquanto no Brasil o prazo chega a 365 dias.

"As universidades são competentes na área de pesquisa de fármacos, mas falta ir para o mercado. Para isso, é necessário um alto investimento em simulação de processos e produtos, o que exige plantas semi-industriais", diz Lia Hasenclever, professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Seria importante o Estado fazer uso do seu poder de compra para alavancar a indústria nacional", afirma Leda Castilho, também professora da UFRJ. Castilho se refere à Relação Nacional de Medicamentos, (Rename), lista composta por 840 medicamentos que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve garantir gratuitamente para a população.

Para Antônio Britto, presidente executivo da Interfarma, o Brasil está muito atrasado no que diz respeito aos medicamentos biológicos, nova fronteira tecnológica da indústria farmacêutica. "Queremos produzir tecnologia pelo fim, enquanto outros países começaram do começo", diz.

Em sua opinião, não existe no país um sistema amigável para produção de tecnologia: a universidade está afastada da indústria, o governo tem mão pesada e burocrática e a indústria não ousa correr o risco que a pesquisa impõe.

"Se não participarmos da onda de gerar conhecimento estaremos condenados a copiar e a pagar pelo que é produzido fora do país, colocando o SUS em risco", alerta Britto se referindo ao Rename. De acordo com Eduardo Jorge, coordenador geral da Economia da Saúde do Ministério da Saúde, em 2014, 88% dos medicamentos comprados pelo Ministério foram sintéticos e 12%, biológicos, mas estes representaram 61% dos gastos.

"A transferência de tecnologia não é uma alternativa ao investimento em pesquisa e desenvolvimento. Ao contrário, são iniciativas complementares, pois transferência de tecnologia não significa acúmulo de tecnologia", diz Hasenclever.

"Atualmente, 40% dos novos produtos em desenvolvimento no mundo são biofarmacêuticos", afirma Castilho. Um levantamento da Interfarma revela que sete farmacêuticas deixaram de realizar no país 16 estudos nos últimos meses nas áreas de câncer, cardiopatias, doenças raras, depressão e esclerose múltipla.




Libbs prevê salto na receita com a fabricação de biossimilares

14/08/2015 - Valor Econômico


Quem entra no ramo dos biossimilares precisa ter gosto pelo risco e visão global dos negócios. "É uma operação de escala internacional", afirma Alcebíades Athayde Junior, presidente da Libbs. A farmacêutica está construindo uma fábrica na Região Metropolitana de São Paulo para atender à demanda por medicamentos modernos e mais eficazes no tratamento de doenças autoimunes e câncer. O empreendimento está consumindo R$ 500 milhões, financiados com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep.

"Cada instituição emprestou, a taxas competitivas, metade do total orçado", comenta Athayde Junior. Na avaliação do empresário, as condições especiais de crédito estimularam a Libbs, de capital nacional, a ingressar no ramo dos biossimilares.

Como resultado, Athayde Junior espera um salto na receita. O plano de negócios estima faturamento de R$ 1,4 bilhão com a nova linha, em um prazo de cinco anos após a entrada comercial da produção. Para se ter uma ideia, em 2015 a empresa espera somar receitas de R$ 1,3 bilhão.

A obra civil está quase pronta e a Libbs já iniciou a importação dos equipamentos. A previsão é que o primeiro lote, de teste, seja produzido no próximo ano. "Depois deste lote, temos de esperar um ano para o processo de estabilização do produto", explica. O próximo passo, é aguardar o sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a operação comercial. "Cumprindo todas as etapas, estaremos prontos para vender em 2017", afirma.

A rota tecnológica escolhida é novidade no Brasil. A tecnologia de uso único (ou single one, em inglês) permite revestir, com uma superfície plástica, toda a linha de produção, tornando o processo de higienização e esterilização mais rápido e barato. Na prática, permite produzir mais de um medicamento na mesma planta, sem contaminação. A tecnologia tradicional limita a estrutura a um único medicamento.

"Pretendemos aprovar a fábrica junto aos órgãos competentes no Brasil, nos EUA e na Europa. Assim, estaremos prontos para o mercado global", comenta Athayde Junior. A capacidade de produção da fábrica de medicamentos biotecnológicos será de 24 mil litros.

O executivo explica que a "flexibilidade" na produção permitirá lançar medicamentos mais rapidamente no mercado, abastecendo o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada com remédios mais eficazes. Os planos envolvem a produção de cinco medicamentos de alto custo, hoje importados.

Entre as vantagens para o Brasil de promover uma política de desenvolvimento produtivo, Athayde destaca o fortalecimento da indústria nacional e a transferência de tecnologia aos laboratórios públicos - parte do contrato de quem ingressa nas ações de estímulo. "Vamos trabalhar com o Instituto Butantan, que dominará toda a tecnologia utilizada em nossa fábrica de biossimilares", informa.

A obrigatoriedade é, segundo ele, estratégica. O governo está investindo capital para estimular a produção de medicamentos biotecnológicos e precisa garantir a continuidade. "Se uma empresa privada desiste de fabricar o remédio, o laboratório público pode assumir a encomenda, porque domina a tecnologia", diz.




Quando a malária dá câncer

14/08/2015 - Correio Braziliense


Há pelo menos 50 anos, médicos e cientistas percebem que existe uma relação entre a malária e o desenvolvimento do linfoma de Burkitt. O câncer de sangue, muito comum em crianças, também é mais frequente na África equatorial, que vive a maior endemia da infecção do Plasmodium falciparum, causador da doença parasitária. Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo brasileiros, conseguiu, por meio de experimentos com camundongos, encontrar uma explicação biológica para a perigosa ligação entre as enfermidades. Os resultados foram divulgados na edição de hoje da revista Cell.

Davide Robbiani, pesquisador da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, e autor principal do trabalho, explica que os linfomas são neoplasias malignas que têm origem nas células linfáticas e mais frequentes em pacientes cronicamente infectados. Nas cobaias geneticamente modificadas para terem malária, os investigadores identificaram um problema envolvendo o gene AID (Activation-induced cytidine deaminase), ligado à produção de anticorpos. Segundo os cientistas, se há falhas nesse mecanismo, existe o risco de surgirem alterações no DNA dessas células de defesa, que podem passar a ser cancerígenas.

“O estudo teve como objetivo lançar uma nova luz sobre esse fenômeno e compreender como ele acontece, como é que a infecção crônica induz danos no DNA dos linfócitos B, gerando o desenvolvimento de linfomas”, detalha Robbiani. As cobaias foram infectadas com o Plasmodium chabaudi (vírus semelhante ao da malária, mas que contamina ratos). Ao se tornar crônica, a contaminação induziu a uma expansão prolongada da ação do AID, um mecanismo que pode causar mutações no DNA. “Vimos que o parasita induz a rápida proliferação de células B, uma forma ativada de linfócitos B que expressam o AID. No entanto, (a ação do) AID não é muito precisa, provoca quebras de DNA e erros ao longo do genoma, levando ao linfoma”, diz o autor.

Robbiani, porém, avalia que a possibilidade de uma intervenção genética para “acalmar” o AID é problemática. Isso porque a ação do gene no corpo humano é uma espécie de “risco necessário”. “Você precisa dele para criar o repertório de potentes anticorpos para combater a infecção da malária, mas o dano ao DNA provocado pelo AID pode ser prejudicial e levar à formação do câncer”, justifica.

Segundo a equipe de cientistas, a descoberta pode ajudar a desvendar melhor como o câncer é causado, contribuindo para futuros tratamentos mais eficientes. “Trata-se de uma doença complexa, e esse artigo contribui no sentido de conhecer mais um mecanismo ligado ao desenvolvimento dela”, justifica Israel Tojal da Silva, chefe do Laboratório de Biologia Computacional e Bioinformática do Centro Internacional de Pesquisa A.C. Camargo Câncer Center, em São Paulo, e um dos coautores do estudo.

Disseminado

Presidente da Federação Internacional de Medicina Tropical, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro conta que, por muito tempo, autores ingleses perceberam que existia uma grande coincidência geográfica entre a ocorrência de malária e a do linfoma de Burkitt. O trabalho publicado na Cell, segundo o também professor e pesquisador titular do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de esclarecer essa questão, poderá ajudar no enfrentamento de outras doenças com mecanismos semelhantes.

O especialista explica que é comum a ocorrência de falsos positivos em pacientes com malária. “Eles fazem testes para outras doenças, como o HIV, que mostram resultados indicando a enfermidade, mesmo que não a tenham. Isso seria causado justamente pela ativação das células B”, detalha o professor, que não participou do estudo.

Ribeiro também frisa que o novo trabalho pode ajudar em estratégias de tratamento mais eficazes contra o câncer. “Evidentemente que, se conhecemos o mecanismo por trás da indução do tumor, isso nos faz esperar que surjam manipulações genéticas com base nesse conhecimento, podendo também desvendar a predisposição de determinadas populações a terem esse problema”, frisa o especialista.

O próximo passo do grupo internacional de cientistas é justamente esse: aprofundar a investigação em busca de novas possibilidades de intervenções médicas. “Entender por que o AID causa danos ao DNA é uma área ativa de investigação explorada por vários grupos de pesquisa, incluindo o nosso. Estratégias para limitar esse efeito colateral poderiam ser úteis para diminuir o risco de pacientes cronicamente infectados desenvolverem esse linfoma. Essa é a nossa próxima etapa”, diz Robbiani.




Ajuste fiscal não prejudicou área da saúde, diz ministro

13/08/2015 - Valor Econômico


O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse ao Valor que o setor não foi prejudicado pelo ajuste fiscal, já que possui a garantia de verbas pela Emenda Constitucional 29, que prevê a transferência de percentuais fixos do Orçamento para a saúde. "Tivemos o nosso recurso bastante preservado, pois se respeitou a regra do jogo." De acordo com a Emenda Constitucional 29, aprovada em 2000, a União deve transferir 5% a mais sobre os valores destinados a cada ano de acordo com correção pela variação nominal do PIB.

"Nós temos aquilo que vem sendo praticado desde 2000. Ano a ano, o Congresso aprova o orçamento acima do que a emenda preconizou e a liberação de recursos sempre ficou restrita. Agora, é a primeira vez que temos um valor a mais", explicou Chioro, após abrir seminário sobre a indústria farmacêutica brasileira e a agenda para a inovação do setor, promovido ontem pelo Valor, em Brasília.

Segundo ele, a Saúde tem R$ 3,1 bilhões a mais do que a previsão dada pela emenda constitucional. "Houve R$ 11 bilhões de contingenciamento. Para nós, não é que não afetou. Claro que afeta, pois você tem um momento de expansão do Sistema Único de Saúde (SUS), investimentos em hospitais, em unidades de pronto-atendimento. Mas não posso atribuir ao ajuste, ao contingenciamento, um impacto efetivo, porque a regra do jogo é a mesma que é praticada há 15 anos e tivemos R$ 3,1 bilhões a mais", disse Chioro.

O ministro confirmou que o governo vai gastar mais de R$ 2,5 bilhões com o Programa Farmácia Popular. Segundo ele, atualmente são atendidos 34,3 mil estabelecimentos credenciados, beneficiando 4.111 municípios. O Farmácia Popular atinge 32 milhões de pessoas e engloba 113 itens na rede pública de saúde.

Nos últimos três anos, o ministério investiu R$ 5,7 bilhões no programa. Chioro explicou que há também uma economia de gastos no sistema. De acordo com o ministro, o programa envolve compras centralizadas em comum acordo com os municípios, que resultaram em economia de R$ 1,3 bilhão entre 2010 e 2014.

O ministro afirmou que o financiamento para a assistência farmacêutica cresceu 70% nos últimos três anos. Os investimentos no setor saltaram de R$ 8,4 bilhões, em 2011, para R$ 14,3 bilhões, em 2014. "A ampliação do acesso com o aumento do gasto abarca o melhor poder de custo e o melhor poder de compra", ressaltou.

Segundo Chioro, houve um crescimento de 52%, entre 2010 e 2013, no número de medicamentos ofertados pelo SUS. Desde a criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), em 2011, 133 novos produtos foram incorporados. O SUS passou de 550 para 840 itens nos últimos quatro anos.

Dos R$ 2 bilhões inicialmente previstos inicialmente para o Programa para o Desenvolvimento do Complexo Industrial de Saúde (Procis), em 2012, houve a aplicação de R$ 689 milhões.

Desse montante, houve a execução de 88% entre 2012 e 2014, disse Chioro.

"O programa obteve quatro vezes mais recursos e queremos manter esse grau de investimento, pois consideramos isso muito importante", enfatizou o ministro. Para ele, a agenda do complexo industrial, apesar de distante da gestão de saúde nos 5.570 municípios brasileiros, é muito relevante para o país. Ao todo, 35% do esforço de pesquisa e desenvolvimento está localizado no complexo de saúde.

O governo federal já conseguiu desenvolver 98 parcerias entre instituições públicas e privadas, que levaram ao desenvolvimento de 91 produtos no setor de saúde: 61 medicamentos, 6 vacinas, 19 produtos para a saúde e 5 equipamentos. Chamadas de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), elas envolveram 19 laboratórios públicos e 55 privados.

Em 2014, as parcerias para a produção e medicamentos biológicos equivaleram a 12% dos medicamentos comprados pelo Ministério da Saúde e representaram 61% dos gastos. Segundo o ministro, elas levaram a uma economia de R$ 5,3 bilhões ao ano.

"A garantia de acesso aos medicamentos se dá pela capacidade das PDPs", afirmou Chioro.

"Em dezembro de 2014, divulgamos os 21 produtos estratégicos para o SUS, que serão alvo de propostas neste ano. Recebemos 39 propostas de PDPs, sendo 34 para medicamentos e 5 para produtos de saúde. Em setembro, vamos começar a fazer os anúncios. Não deixaremos as propostas de PDPs sem resposta."




Mercado Aberto: Atendimento

13/08/2015 - Folha de S. Paulo

Colunista: Maria Cristina Frias


A Beneficência Portuguesa de São Paulo fechou com o Ministério da Saúde a liberação de R$ 14,4 milhões para a realização de procedimentos de média e alta complexidade na área filantrópica.

Os recursos serão destinados para os serviços oferecidos ao público do Sistema Único de Saúde, que hoje correspondem a 60% dos atendimentos no hospital.




Governo quer mais residências médicas com diploma de pós

13/08/2015 - Folha de S.Paulo


O governo estuda medidas para incentivar um modelo diferente de cursos de residência médica, que hoje formam especialistas no país.

A ideia é estimular a oferta, por instituições interessadas, de programas de residência que incorporem também uma titulação de pós-graduação, nos moldes de um mestrado profissional.

A mudança ocorreria atrelada a critérios como tempo maior de formação dos residentes, envolvimento em projetos de pesquisa e apresentação de trabalhos de conclusão de curso.

A associação entre programas de residência médica e mestrado profissional já é adotada por algumas instituições, "mas ainda são pouquíssimos casos", diz o secretário de gestão do trabalho e educação do Ministério da Saúde, Heider Pinto.

"Queremos que, dentro do possível, seja uma prática comum", diz ele, para quem a possibilidade visa "otimizar" o tempo na residência.

Segundo o MEC (Ministério da Educação), uma das propostas, feita por instituições da área, é de acrescentar um ano à formação do médico especialista.

A oferta de uma dupla titulação valeria, no entanto, apenas em programas de residência médica "que assim o quiserem e tiverem credenciamento da Capes [agência federal que cuida da pós-graduação] para esta finalidade", diz o MEC.

MAIS PROFESSORES

Em geral, programas de residência médica são considerados lato sensu.

O objetivo do governo é incentivar mais instituições a adotarem o novo modelo, pelo qual o médico também pode ter formação stricto sensu, como um mestrado.

Assim, o médico, além de especialista, sairia da residência apto a se candidatar a concursos para ser professor e a fazer um doutorado. "Precisamos de quem domina a clínica nas novas faculdades", afirma Pinto.

Ele nega, no entanto, que a proposta seja uma imposição do governo. "Isso nunca vai ser feito por canetada. O que vamos fazer é orientar essas boas práticas", diz.

BRIGA E RECUO

A formação médica e a oferta de especialistas no mercado é atualmente motivo de embate entre o governo e entidades médicas.

Associações temem que um decreto anunciado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, que cria um cadastro nacional de especialistas, abra brecha para a formação de profissionais menos qualificados.

A principal preocupação das entidades era que profissionais que fizeram cursos com menos tempo de formação fossem reconhecidos como especialistas –o que, atualmente, só é possível por meio da residência ou por cursos específicos oferecidos por sociedades médicas. Em meio à pressão, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse nesta quarta-feira (12) que o governo "está disposto" a revisar o decreto para que não haja "dupla interpretação".

O recuo ocorre após associações médicas ameaçarem recorrer à Justiça. Uma iniciativa do Legislativo que visa derrubar a medida também foi apresentada na Câmara por deputados da oposição e ganhou o apoio do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) –o que incendiou ainda mais o debate.

Com o novo posicionamento do governo federal, o texto será analisado por uma comissão formada por membros dos ministérios da Saúde e Educação, deputados da base aliada e representantes da categoria.

A decisão foi tomada após quatro horas de reunião com líderes governistas e entidades médicas.

"Temos a convicção de que devemos e podemos aprimorar o texto para que seja fiel aos objetivos", afirmou o ministro. "Não existe a intenção de criar nenhuma modalidade de disputa."




Sob pressão, cadastro de médicos deve mudar

13/08/2015 - O Estado de S.Paulo


O decreto que prevê o Cadastro Nacional de Especialistas será alterado. A mudança foi a saída encontrada pelo governo para evitar a votação de um projeto de decreto legislativo que anulasse a criação do banco de dados, anunciada com pompa na semana passada pela presidente da República, Dilma Rousseff.

De autoria do deputado Henrique Mandetta (DEM/MT), o texto do decreto atendia às reivindicações das entidades de classe. Para associações médicas, o cadastro abre brechas para a flexibilização dos critérios para concessão do título de especialistas, o que colocaria em risco a qualidade da assistência médica no Brasil. O risco maior, apontavam as instituições, estava no último artigo do decreto, que previa critérios de equivalência entre as certificações emitidas por associações médicas, instituições de ensino e pela residência médica.

“Vamos aprimorar o texto”, afirmou o ministro da Saúde,A rthur Chioro, que, diante do risco de ver aprovada a urgência da proposta de Mandetta, realizou às pressas uma reunião com líderes da base do governo.

O encontro, que durou mais de três horas, acabou sendo bem sucedido. Ficou acertada a criação de uma comissão, integrada por representantes do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, parlamentar e se integrantes do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira.

“Não devemos criar um processo de disputa para essa matéria”, afirmou Chioro, em entrevista realizada logo depois do adiamento do regime de urgência. A reunião entre parlamentares e ministro ocorreu enquanto no plenário era colocado em votação o regime de urgência.

No meio do processo, no entanto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou a suspensão da votação, por um prazo de duas semanas.

Esse será o período concedido para que a comissão, formada ontem, chegue a acordo.

Chioro afirmou que o cadastro tem como único objetivo melhorar a qualidade de informações sobre quem são e onde trabalham os médicos especialistas brasileiros. Atualmente, existem cadastros distintos, com números que não coincidem.

Levantamento feito pelo Ministério da Saúde indica que as divergências, somente no caso de oftalmologia, chegam a 75,6% dos casos. “Informações precisas são essenciais”, disse Chioro.

“É com base nos dados que iremos traçar estratégias de expansão de vagas.” O presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, na semana passada havia afirmado que o cadastro, além de desnecessário, ameaçava as atribuições de sociedades de especialistas. O principal problema estaria no artigo 14, que abriria espaço para um aumento sem critérios no número de especialistas. O texto prevê a possibilidade de equivalência nos certificados concedidos pelas associações médicas, por instituições de ensino e por comissões de residência médica.

Atualmente, é considerado especialista o aluno que conclui o curso de residência médica.

Também recebe o título profissionais que fazem cursos ofertados por sociedades médicas.

Profissionais que fazem curso de mestrado e doutorado não recebem essa classificação. O temor é o de que, com equivalência, o direito também seja concedido para mestres e doutores.

6 A diretoria do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo - SINICESP comunica o falecimento de FELIPE MOTTA LEOPOLDINO, filho do primeiro vice-presidente da entidade, João Leopoldino Neto, ocorrido domingo, dia 9 de agosto, em São Carlos – SP, e convida para a Missa de 7º Dia a ser celebrada dia 14 de agosto, sexta-feira, às 20h, na Igreja São Sebastião, na Avenida Dr. Carlos Botelho, 2371, Centro, São Carlos - SP.

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Em 6 de agosto, o início da fase 3 de estudos clínicos da vacina nacional foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Agora, o Butantã aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Segundo Kalil, é possível que a demanda sociedade por uma vacina exerça pressão sobre os órgãos, acelerando a aprovação. “Já temos mais de 1.300 pessoas que se cadastraram para participar dos testes.”




Cobrança no SUS é desastre e lembra a ditadura, diz ex-ministro da Saúde

12/08/2015 - Folha de S. Paulo / Site


"A proposta de cobrança no SUS é uma ideia desbaratada que não resolve nada. Politicamente é um desastre e conceitualmente é um equívoco: é radicalmente oposta ao que está na Constituição. Significa mais uma tentativa de colocar sobre as famílias brasileiras o ônus do financiamento da saúde."

A análise é do médico José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde (2007-2010) no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Atual diretor-executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, ele diz ter ficado em "estado de choque" quando leu sobre o pacote encaminhado pelo Senado ao Planalto, que recebeu elogios do ministro da Fazenda.

"Quando vi a proposta, achei que estava delirando, voltando aos tempos da ditadura militar, com ideias desse tipo, como as de Leonel Miranda [ministro de 1967 a 1969], que propunha a privatização de toda a saúde brasileira", diz Temporão, 63, à Folha.

Para ele, o projeto "soa mais como uma provocação do governo em relação à saúde pública. Não há ninguém no setor que sustente uma proposta que é absolutamente nefasta para a saúde no país". Lembra que, há uma semana, um congresso do setor pediu o aprofundamento no financiamento à saúde.

Na sua visão, a questão do financiamento da saúde pública necessita mudanças estruturais. "Tem a ver com financiamento da seguridade social, com uma reforma fiscal e tributária, com imposto sobre grandes fortunas, com impostos sobre produtos que afetam negativamente a saúde pública, como fumo, bebidas, pesticidas, motocicletas."

Também crítico à ideia de pagamento no SUS, o economista Carlos Ocké-Reis, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), identifica na proposta mais um movimento no sentido da mercantilização da saúde pública no país.

"Introduzir a prática de compra e venda de serviço dentro do SUS significa realinhar os incentivos econômicos dos prestadores. A literatura mostra que se acaba criando uma dupla porta e se oficializa uma qualidade diferenciada: quem paga tem acesso mais rápido e melhor dentro do sistema", declara à Folha.

Autor de "SUS, o Desafio de Ser Único" (Fiocruz, 2012), Ocké-Reis, 48, afirma que a experiência mostra que as políticas de co-pagamento são insuficientes e geram receitas irrisórias para o financiamento da saúde. "O objetivo é refrear a demanda. É mais uma política de contenção de custos do que de apropriação de receitas".

Na sua opinião, a cobrança é ineficaz como política de arrecadação e representa "um completo desastre para a equidade, pois amplia desigualdades", diz.

Nesse momento de aumento no desemprego e redução da massa salarial, a tendência é de que as famílias tenham dificuldade em permanecer nos planos de saúde, observa. Para ele, o governo deveria adotar medidas de reforço nas políticas sociais e de saúde, e não o contrário.

"O governo deveria entender a política de saúde como uma política anticíclica, fazendo com que as famílias gastassem menos com saúde", defende. Gasto público maior com saúde também ajudaria a reduzir a inflação do setor de serviços, com impacto na taxa total. "Reduzir os gastos das famílias com saúde, por meio de oferta pública, é outra forma de ataque à inflação", ressalta.

O economista enfatiza que o setor de saúde no país é cada vez mais concentrado, oligopolizado e internacionalizado. "A taxa de retorno tem sido extremamente atrativa. Não é à toa que o governo recentemente abriu esse mercado. Há interesse das operadoras internacionais no Brasil".

De acordo com ele, entre 2003 e 2011, o lucro líquido na área cresceu duas vezes e meia em termos reais, já descontada a inflação. "É um setor extremamente rentável, cuja margem líquida de lucro, no agregado, está entre 10% e 20%", diz.

Ocké-Reis identifica na própria abertura a estrangeiros sinais do retrocesso na saúde. "Isso escancara um setor que nem está regulado internamente. Não se discute os efeitos dessa internacionalização do ponto de vista do padrão de qualidade, dos prestadores médicos, da relação do púbico e do privado. Não se analisa seus efeitos sobre a internacionalização no balanço de pagamentos", alerta.

Ele fala de outro aspecto na questão do financiamento ao setor: a renúncia fiscal dada aos planos de saúde. Conta que acabou de concluir um trabalho com a Receita, apurando um total de R$ 10,5 bilhões de renúncia fiscal (R$ 6,5 bilhões na pessoa física e R$ 4 bilhões na pessoa jurídica).

"Isso poderia ser reduzido e o dinheiro ser transferido para o SUS na atenção primária e baixa complexidade", sugere.

Já o ex-ministro Temporão ressalta o fato de o custo privado ser a parcela maior no financiamento total da saúde. "É o contrário da Inglaterra, que tem um sistema universal, onde 85% do total são gastos públicos. Aqui 52% são privados. Isso afeta principalmente as famílias mais pobres, que têm que pagar para acesso a tratamentos e medicamentos que não conseguem obter na rede pública. Uma proposta desbaratada como essa [da cobrança] agrava essa situação", ressalta.

Para ele, há uma contradição central: "Temos um sistema que constitucionalmente se obriga a prover saúde para todos os brasileiros, de maneira universal e igualitária, com uma base de financiamento no qual a maior parte é privada. Sem uma profunda mudança nessa estrutura de gasto, ou seja, sem uma radical ampliação do gasto público, não vamos sair desse impasse", afirma.




Por prevenção, OMS mapeia 7 tipos de violência no parto em serviço de saúde

12/08/2015 - Folha de S. Paulo / Site


"Minha sensação é que eu não servia para ser mãe. Não consegui fazer o parto do jeito certo [normal], não conseguia amamentar. Tinha algo muito errado comigo. Fui abrindo mão de muitas coisas e isso influenciou a minha maternidade".

O relato é da jornalista Carol Patrocínio, 30, sobre as consequências da violência que sofreu durante o parto do primeiro filho, quando tinha 18 anos.

Maus-tratos e desrespeito na gravidez são situações que afetam muitas mulheres. Para enfrentar o problema, uma pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde) mapeou sete tipos de violência no parto. O objetivo é identificar e prevenir essas ocorrências nos serviços de saúde.

Somente quando engravidou do segundo filho, sete anos depois, Carol se deu conta de que não era normal ter passado por situações de maus-tratos e desrespeito. "Quando você começar a ler e a conversar com outras mulheres, você vê que a culpa não é sua, que essa violência é institucionalizada", relatou.

Entre as situações vividas pela jornalista no nascimento de Lucas, hoje com 11 anos, ela citou a cesariana sem indicação, a espera de seis horas sem acompanhante para a cirurgia e a orientação para que permanecesse todo o período de espera em uma só posição, pois, caso contrário, o bebê estaria em risco. O professor João Paulo Dias de Souza, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP (Universidade de São Paulo), coordenou o estudo da OMS nas línguas portuguesa, espanhola e francesa. Ele disse que a metodologia foi encontrar na literatura quais os tipos de maus-tratos e desrespeito haviam sido relatados por mulheres no momento do parto. "Procuramos todos os estudos que reportavam algum tipo de desrespeito, abusos e maus-tratos", explicou.

Foram reunidos 65 trabalhos, realizados em 34 países. Os resultados foram publicados no fim de junho na revista PLOS Medicine, dos Estados Unidos. São sete os tipos de violência mapeados: abuso físico, abuso sexual, preconceito e discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as mulheres e os prestadores de serviços e condições ruins do próprio sistema de saúde.

Para Souza, muitas dessas situações ocorrem sem que haja intencionalidade por parte dos profissionais, mas são estimuladas por um alto nível de desgaste, estresse e pelas limitações dos serviços de saúde. "A partir dessa constatação, temos que desenvolver estratégias para desarmar esses ambientes tóxicos em que muitas maternidades se constituem", defendeu. Gritos, chutes, beliscões, julgamentos, esbofeteamento, comentários acusadores e até mesmo abuso sexual foram agressões relatadas pelas gestantes na pesquisa. O coordenador reforça que esses episódios foram encontrados em vários países.

"Ocorre em diferentes proporções, intensidades, mas no mundo inteiro", afirmou. A publicação, no entanto, cita o Brasil em cinco momentos, ao se referir à restrição da presença de acompanhante, a situações de grito contra as mulheres, à restrição nos leitos e aos relatos das mulheres de que os profissionais de saúde evitavam de maneira intencional a troca de informações.

Assim como relatado por Carol, os traumas desse tipo de situação podem durar por um tempo e ter impacto para a mãe e o bebê. "São descritas condições patológicas, onde a mulher passa a ter uma lembrança negativa que lhe atormenta e isso a gente chama a síndrome de estresse pós-traumático. Pode ter impacto na saúde da mulher e na ligação dela com a criança", disse o professor da USP.

A violência no parto leva também à maior ocorrência de depressão e piora da autoestima da mulher. Souza acredita que a definição dos tipos de violência ajuda a tornar clara, tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde, comportamentos que não devem ocorrer nas unidades de saúde.

"[Devemos], ao mesmo tempo, empoderar as mulheres para que elas tenham a capacidade de dizer: "esse cuidado não é adequado"; e aumentar também o nível de consciência para que os próprios serviços de saúde estejam alerta para essa situação".

Ele destacou que o propósito não é apontar os profissionais responsáveis, mas discutir e combater o problema de forma geral. Carol também aposta na iniciativa. "É muito importante que a gente coloque tudo bem didaticamente para não ter dúvidas e conseguir transformar. O primeiro passo é definir o limite das coisas", defendeu.




O debate que não ocorre na área da saúde pública

14/08/2015 - O Estado de S.Paulo


O noticiário nos jornais, na televisão, nas rádios, em toda parte, tem estado repleto de informações sobre a área de saúde – epidemias, pandemias, ameaças de surtos em muitos países que se poderiam estender a outros (não há mais fronteiras físicas), falta de recursos dos governos para a saúde pública, etc.

Para ficar só nos últimos tempos, temos a dengue no Brasil custando à União R$ 4,2 bilhões em cinco anos; o prefeito de São Paulo pedindo ajuda até ao Exército para combatê-la; a Organização Mundial da Saúde (OMS) informando que a conta final da saúde no País cabe em 47,5% ao poder público e em 52,5% aos cidadãos; IBGE e Ministério da Saúde informando que uma em três crianças entre 5 e 9 anos de idade no País está com peso acima do recomendado pela OMS (16,6% dos meninos e 11,8% das meninas) – e, se nada for feito até 2025, serão 75 milhões de crianças com sobre peso ou obesidade (e uma das causas é “o consumo precoce de alimentos fast-food”).

Não é só. As estatísticas sobre tuberculose, mortes por causado fumo, etc. são assustadoras, aqui e lá fora. O Brasil teme também que chegue por aqui a “gripe aviária”, que já reapareceu em outros países. Estamos vivendo, no País, uma “epidemia” de cesarianas: 55% do total dos partos, segundo a OMS.

Cresce a preocupação com o teor dos alimentos–tenta-se reduzir a proporção do sal, do açúcar e de outros componentes.

Mas 55,6% dos brasileiros não vão regularmente ao dentista e 11% das pessoas até 18 anos já perderam os dentes, assim como 41,5% dos idosos.

Como vamos caminhar nestes tempos de recessão econômica, déficits orçamentários, desemprego, redução da renda e perspectivas ainda sombrias para este segundo semestre e o ano que vem? Quem pagará as contas? Quem disponibilizará recursos para novos investimentos inadiáveis? Não há respostas.

Mesmo que houvesse recursos financeiros, entretanto, a questão não estaria esgotada. Não teríamos nem nos aproximado de algumas questões centrais e fundamentais. E para elas chama a atenção o texto Quatro tensões na saúde pública, do professor Nicolas Lechopier, doutor em Filosofia pela Universidade Paris 1 e que tem feito pesquisas com a Fapesp.

Ele foi publicado na edição n.º 83 da revista Estudos Avançados, do instituto do mesmo nome na Universidade de São Paulo.

Ele começa lembrando que a saúde pública, conforme enunciado da Faculdade de Saúde Pública do Colégio Real de Médicos (Inglaterra), “é uma ciência e uma arte de prevenir a doença, prolongar a vida e promover a saúde através dos esforços organizados da saúde”. A saúde pública, diz o autor do texto, “é possível mente uma definição consensual”. Ela “é definida simplesmente como uma arte e uma ciência. Do mesmo modo que a Medicina e outras ciências práticas, a saúde pública situa-se na intersecção entre a produção do conhecimento e o engajamento na ação. Como essas duas dimensões interagem na saúde pública? Como devem ser organizadas a pesquisa e a prática para tornar a saúde valiosa?”.

Com essas perguntas, o que a princípio parecia já evidente, vai-se tornando cada vez mais complexo à medida que o pensamento do autor avança e raciocina em torno de “quatro tensões”: 1) finalidades da saúde pública; 2) legitimidade das ações; 3) estratégias de construção de saberes; e 4) relações de poder. Porque, diz ele, a “saúde” que orienta e define a saúde pública é, com efeito, uma noção que tem muitos significados, é “ambivalente”.

Por isso, “não pode ser definida sem juízos valorativos que vão além da descrição científica” e do senso comum. Citando Sen e Nussbaum, ele lembra que “a saúde não é só o funcionamento correto do indivíduo; ela concerne nossa capacidade de agir, ela diz respeito ao que uma pessoa é capaz de fazer e de ser”. E essa ambivalência na definição de saúde “gera uma tensão estrutural no campo da saúde pública: a saúde negativa é a ausência de doença, que pode ser o objeto de uma constatação fatual. Ao contrário, a saúde positiva é a valorização de um certo controle sobre as perspectivas de vida”.

As consequências práticas são muitas, diz o autor. “A ambivalência da concepção de saúde traduz - sena oscilação da saúde pública entre a prevenção e a promoção: o conceito positivo da saúde torna insuficiente a ‘simples’ prevenção e favorece as perspectivas de promoção da saúde; mas a falta de fundamentação empírica para as ações de promoção da saúde conduz finalmente ao reforço do conceito negativo de saúde.” E essa é apenas uma das tensões. Há outras. Como as questões complexas sobre as relações entre o Estado, os indivíduos e as comunidades. Como no caso de doenças contagiosas e imunização de grupos – “que origina questões acerca dos deveres que os indivíduos têm em relação ao outro”. É obrigado, por exemplo, no caso de epidemias, doenças contagiosas, a “adotar comportamentos preventivos quando eles afetam o status de saúde dos outros”? Obrigado a aceitar a privação da liberdade diante dos interesses sanitários (vitais) de outros e da manutenção da ordem pública? Nicolas Lechopier termina lembrando que “a saúde pública é um campo de políticas, um campo de conhecimentos científicos e um projeto de sociedade que levanta questões antropológicas, éticas e epistemológicas” – como a definição de saúde, o problema ético dos limites das intervenções que visam a promover a saúde pública, o quadro epistemológico das pesquisas e intervenções de saúde pública, o problema dos efeitos políticos das intervenções nessa área da saúde pública. Enfim, uma área em que os problemas surgem sob a forma de “tensões entre respostas que se contradizem”.

Cidadãos e governantes, emaranhados em nossas deficiências neste setor – ausência ou escassez de recursos financeiros, disputas políticas, choques entrevisões de realidade e direitos individuais – conseguirão avançar?




Caxumba infectou 106 pessoas no ano em SP

14/08/2015 - O Estado de S.Paulo


Comum em crianças, a caxumba voltou a ser assunto nos últimos dias por ter um paciente ilustre: o jogador de futebol Neymar. Também conhecida como papeira, a doença já causou 15 surtos no Estado de São Paulo em 2015 e contaminou 106 pessoas entre 1.º de janeiro e 10 de agosto, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Também foi registrada uma morte no período. No ano passado, foram 118 casos e nenhuma morte.

O jogador, que teve o diagnóstico divulgado pelo time do Barcelona no domingo passado, vai ficar afastado dos treinamentos por 15 dias. O isolamento, de acordo com especialistas, é a medida mais indicada para evitar a contaminação de outras pessoas. “O contágio ocorre por contaminação interpessoal por meio de secreções, espirro, tosse e saliva. Como o contato é de pessoa a pessoa, o ideal é que as pessoas sejam mantidas em isolamento e não tenham atividades profissionais, como ir à escola ou à faculdade”, explica Jean Gorinchteyn, médico infectologista da Rede de Hospitais São Camilo.

O período de incubação demora de sete a dez dias e os sintomas são febre, dores para mastigar ou falar e o clássico inchaço na região do maxilar, causado pela inflamação das glândulas salivares parótidas.

“Entre as principais complicações está a orquite, que é a inflamação dos testículos. É raro ter morte. Se ocorre é por complicações maiores, quando o paciente desenvolve meningite”, explica a diretora técnica da Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória do Centro de Vigilância Epidemiológica, Telma Carvalhanas.

Segundo Telma, a doença atinge, principalmente, crianças entre 5 e 15 anos, e o período de maior transmissão vai do final do inverno até o começo da primavera.

A melhor forma de prevenir é com a vacinação, feita em duas doses, quando o bebê está com 12 e com 15 meses. “Até os 20 anos, recomendamos duas doses da tríplice viral, que previne contra sarampo, caxumba e rubéola”, diz Telma.

Surto. No Estado do Rio, foram contabilizados 152 surtos – quando mais de duas pessoas de uma instituição ou grupo são infectadas. Até o dia 12 de agosto, foram registrados 1.241 casos.

Em todo o ano passado, foram 561. A Secretaria de Saúde do Rio informou não haver evidência de epidemia.

Notícias - 07/08/2015

CLIPPING - 07/08/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

Incrível potencial terapêutico

06/08/2015 - Estado de Minas


A psicóloga Loiva Maria de Boni Santos, de 52 anos, integrante do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, do Ministério da Justiça, e especialista em dependência química, vinha acompanhando as discussões sobre as diretrizes da política nacional de drogas e o uso da maconha como forma de inibir a utilização de drogas mais pesadas e sobre a maconha medicinal quando, terminando um mestrado, descobriu que tinha câncer no peritônio em estágio quatro, derivado de um tumor no ovário. Ela fez uma cirurgia, mas quando a abriram, os médicos disseram que não havia o que fazer. Por isso, o corte foi fechado, mas Loiva, encaminhada para a quimioterapia, não teve coragem de usar maconha para facilitar seu tratamento. “Na época, já sabia dos efeitos benéficos da cânabis, mas não tive coragem de usar, por questões morais”, reconhece.

Só mais tarde, depois de uma recidiva, ela passou a usar a erva para amenizar os efeitos da quimioterapia e também como forma de “estacionar” o tumor. “Quando terminei a primeira ‘químio’, perguntei ao médico e ele disse que não poderia recomendar, porque era ilegal, mas reconheceu os benefícios. Fiquei mais segura dividindo isso com o meu médico. Já o oncologista que estava me receitando o medicamento para náuseas não proibiu, mas percebi que desaprovava”, lembra. Agora, já em outro tratamento de quimioterapia, Loiva usa maconha com o conhecimento do seu médico. “Não é tão fácil conseguir e também não gosto dos efeitos psicoativos. Uso mais no fim de semana, nos dias de quimioterapia, mas só quando consigo com amigos que cultivam”, explica. Quando usa, ela afirma que se sente muito bem e até consegue comer. “Houve um período, na segunda recidiva, em que sentia dores fortes e constantes e a única coisa que amenizava o meu sofrimento era fumar maconha”, sustenta.

AJUDA O grupo do psiquiatra, neurocientista, pesquisador e professor da Faculdade de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), José Alexandre Crippa, entre outros no país, está na vanguarda mundial da pesquisa sobre o potencial uso terapêutico do canabidiol (CBD), conduzindo pesquisas de seu uso para a doença de Parkinsson, esquizofrenia, ansiedade, distúrbios do sono, dependência de drogas e outros problemas. Ele lembra que um medicamento que combina o uso do CBD e do THC está disponível para o tratamento da esclerose múltipla no Canadá, Espanha e Reino Unido, mas lamenta que o uso benéfico dos canabinoides seja usado como argumento para a legalização da maconha para fins recreativos. “Os compostos de canabinoides têm mostrado incrível potencial terapêutico e poderão ajudar milhões de pessoas no mundo todo, inclusive no Brasil”, sustenta Crippa. Mas, para ele, a ampliação dos ensaios clínicos avaliando a segurança e faixa de dose é essencial.

EFICÁCIA

>> Dores crônicas

Revisão de 15 estudos sobre uso da maconha e derivados no controle de dores crônicas mostra que ela é eficaz e produz poucos efeitos colaterais adversos. Há benefícios para pacientes com fibromialgia, artrite reumatoide, dores neuropáticas, que produzem dores que não podem ser aliviadas por nenhuma medicação disponível em farmácias e, às vezes, nem por morfina. Em 2014, nada menos do que 80% dos pacientes do programa federal de cânabis medicinal da Holanda afirmaram que a terapia funciona, 53% deles com dores crônicas.

Quimioterapia

A quimioterapia, usada para o controle de tumores, produz náuseas e vômitos em muitos pacientes, que perdem o apetite e passam a se alimentar mal, o que compromete sua saúde real e, logo, o tratamento contra o câncer. O THC contido na maconha é antiemético (inibe enjoo e vômitos). Por isso, ela tem sido usada em pacientes com câncer em diversos países. A cânabis ajuda na saúde geral dos pacientes, porque aumenta o apetite e combate a insônia. Medicamentos com THC ou similares são indicados para pacientes com câncer pela Rede Nacional de Câncer, composta pelas instituições de pesquisa oncológica mais importantes dos Estados Unidos.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença degenerativa do sistema nervoso que causa dores crônicas, espasmos musculares e perda progressiva dos movimentos, da memória e da sensibilidade. Desde os anos 1990, estudos indicam que o uso da cânabis in natura ajuda a diminuir diversos sintomas da doença, principalmente os espasmos musculares e as dores. Pesquisas clínicas mais recentes confirmam a eficácia do medicamento Sativex, extrato natural de maconha, no controle da doença.

Epilepsia

O uso de maconha para o tratamento da epilepsia é conhecido há pelo menos 500 anos, mas ganhou maior relevância nos últimos anos, com a repercussão de casos de diversas crianças que conseguiram controlar as dezenas ou centenas de convulsões que tinham por dia. O efeito anticonvulsivante da planta, revelado em diversos estudos com animais, é produzido pelo canabidiol (CBD), substância que não produz a “viagem” típica da maconha e não causa dependência. Atualmente, um grande estudo clínico para testar a eficácia do CBD no controle de epilepsias raras e sem cura está em curso nos Estados Unidos. Em Israel, o programa de maconha medicinal do governo federal autoriza o uso da substância em crianças que não respondam a outros tratamentos.

O QUE DIZ O CFM

Riscos e benefícios

O Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou, em 2014, o uso compassivo do canabidiol como terapêutica médica. O tratamento pode ser prescrito somente por neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras e deve ser usado exclusivamente para tratamento de epilepsias na infância e adolescência refratárias às terapias convencionais. Os pacientes ou responsáveis legais deverão ser esclarecidos sobre os riscos e benefícios potenciais dessa terapia e autorizar o tratamento por meio de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os médicos prescritores e os seus pacientes deverão ser previamente cadastrados no CRM/CFM para monitoramento.

Hetero anuncia o lançamento do Rituximab (MABALL™) biosimilar na índia

05/08/2015 - R7

O Hetero Group, uma das principais empresas de medicamentos genéricos da índia e uma das maiores fabricantes de drogas antirretrovirais para o tratamento do HIV/AIDS do mundo, hoje anuncia o bem-sucedido lançamento de seu 'Rituximab' biosimilar, sob a marca de nome MABALL[TM], na índia. Ele será comercializado e distribuído pela Hetero Healthcare Limited, uma empresa do grupo Hetero.

O lançamento do Rituximab biosimilar vai proporcionar um muito necessário acesso a pacientes na índia sofrendo de linfoma não Hodgkin (LNH) e leucemia linfática crônica (LLC). O Rituximab é recomendado como o tratamento de primeira linha para o LNH e está disponível em um frasco de dose única, com duas potências - 100mg/10ml e 500mg/50ml.

Comentando sobre o lançamento do produto, o Dr. Bandi Parthasaradhi Reddy, diretor-executivo médico do Hetero Group disse: "O lançamento do MABALL fortalece a posição do Hetero no mercado biosimilar e possibilitou à empresa juntar-se a seletas empresas de biotecnologia, com capacidade de desenvolver, fabricar e comercializar complexos anticorpos monoclonais (MAB's, sigla em inglês)".

Ele ainda acrescentou: "Biosimilares é uma das principais áreas estratégicas de negócios para o Hetero. Nós investimos em biosimilares e vamos apresentar mais MAB's biosimilares no futuro. Nós também temos planos de levar Rituximab biosimilar de preço acessível para mercados essenciais, fora da índia, por meio de nossos parceiros".

O Rituximab do Hetero é uma versão biosimilar do Rituximab da Roche. Rituximab é um anticorpo monoclonal usado sozinho ou com outras drogas para tratar o linfoma não Hodgkin, leucemia linfática crônica e outras indicações, com artrite reumatoide.

Sobre o Hetero

O Hetero é uma das empresas de medicamentos genéricos lideres da índia e é uma das maiores fabricantes mundiais de drogas antirretrovirais para o tratamento do HIV/AIDS. Fundado pelo Dr. B.P.S. Reddy, em 1993, o Hetero está no ramo do desenvolvimento, fabricação e comercialização de drogas intermediárias, ingredientes farmacêuticos ativos (APIs, sigla em inglês) e dosagens acabadas. O Hetero é a maior empresa farmacêutica privada e uma das 10 maiores empresas farmacêuticas da índia, com um lucro anual de US $1,2 bilhão. O Hetero possui mais de 25 unidades de fabricação de ponta que foram aprovadas por várias autoridades regulatórias como a FDA dos EUA, UE, OMS, etc. Com mais de 200 produtos em seu portfólio, em várias áreas terapêuticas, o Hetero possui uma forte presença global, em mais de 120 países, e foca em fazer medicamentos acessíveis para pacientes de todo o mundo. Para mais informações, visite http://www.heteroworld.com




Rastreamento de remédios

06/08/2015 - Câmera dos Deputados


O Congresso Nacional aprovou a Lei 11.903 em 2009, que prevê um Sistema Nacional de Rastreamento de Medicamentos e trata sobre a produção e o consumo de medicamentos, por meio de tecnologia de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados, mas a implementação ainda não se concretizou.

A indústria farmacêutica pede uma prorrogação de 10 anos para colocar em funcionamento o controle do destino dos remédios desde a fabricação até a chegada ao consumidor.

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa, tem uma visão diferente da do mercado de medicamentos no Brasil. Ele defende que seja criado um banco público de informações gerenciado pela Anvisa.

De outro lado, a Associação da Indústria farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) discorda da prorrogação defendida pela indústria farmacêutica, alegando que muitas empresas de pesquisa já compraram equipamentos e que esticar o prazo de implementação só traria prejuízos.

A rastreabilidade dos medicamentos vai inibir a falsificação de remédios? E você, o que acha? O Participação Popular desta semana debate o tema.




Para cientistas, burocracia trava pesquisas clínicas no Brasil

07/08/2015 - O Estado de S.Paulo


Em carta à presidente Dilma Rousseff, 44 pesquisadores pedem mais liberdade para estudos com pacientes.

Para alguns dos principais cientistas da área médica no Brasil, a burocracia estatal atrasa a pesquisa clínica no País. Um grupo de 44 pesquisadores publicou ontem uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff pedindo uma mplo debate para estabelecer novas normas que possam garantir mais liberdade científica nos estudos realizados com pacientes humanos.

A carta manifesta preocupação com uma proposta da Comissão Nacional de ética em Pesquisa (Conep) para revisar as normas da pesquisa clínica no Brasil e que poderia gerar ainda mais entraves para os estudos.

“A burocracia que penaliza a pesquisa clínica submete cientistas e pacientes a prazos e preconceitos há muito tempo superados em outros países.” De acordo com um dos signatários, Giovanni Guido Cerri, professor da Faculdade de Medicina da USP, é preciso aumentar a agilidade no procedimento de aprovação de pesquisas clínicas.

“Em países que fazem pesquisa clínica séria–como Canadá, França e Alemanha –, um estudo clínico leva em média três meses para ser aprovado. No Brasil, o processo chega a levar um ano. Isso tira a competitividade do pesquisador brasileiro e prejudica a inovação no País”, disse Cerri ao Estado.

Segundo ele, é frequente que cientistas brasileiros iniciem projetos de pesquisas clínicas em colaboração com pesquisadores de outros países. “Quando os outros países já encerram a pesquisa, nossa autorização ainda continua tramitando na Conep. Os prazos não são respeitados, e nós perdemos competitividade.” As pesquisas clínicas, de acordo com Cerri, envolvem grandes financiamentos internacionais, permitem que o cientista brasileiro fique apar de novos projetos e participe de redes internacionais de pesquisa. “Com a burocracia, ficamos fora disso.” O professor de Oftalmologia da Unifesp Rubens Belfort Junior, também signatário da carta, afirma que a burocracia da Conep prejudica a liberdade de pesquisa no País. “Há cada vez mais um engessamento dos processo se algumas das normas, na prática, negam a própria pesquisa científica. é o império da burocracia. Argentina e Colômbia estão à nossa frente nesse aspecto .Achamos indispensável abrir um debate amplo, com participação da sociedade brasileira”, afirmou.




Icesp usará novo equipamento para diagnosticar câncer

07/08/2015 - Folha de S.Paulo


Uma nova máquina que combina os exames de ressonância magnética e PET-scan para diagnosticar câncer acaba de ser comprada pela Faculdade de Medicina da USP e deverá ser usada principalmente para beneficiar os pacientes do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).

Esse será o primeiro equipamento do tipo na América Latina. "Trata-se de tecnologia inovadora que vai nos permitir conhecer melhor a disseminação do câncer, especialmente no cérebro e no fígado, órgãos frequentemente acometidos por metástase", afirma Giovanni Cerri, professor titular de radiologia da USP e ex-secretário de Estado da Saúde de São Paulo.

Segundo ele, a máquina chegará entre outubro e novembro e será instalada até o fim do ano no centro de medicina nuclear do Hospital das Clínicas. A aquisição custou US$ 3,2 milhões (R$ 11,4 milhões), verba da Fundação da Faculdade de Medicina da USP. A instalação custará mais R$ 1 milhão.

A máquina é um avanço nos métodos híbridos de diagnóstico por imagem.

O primeiro deles, afirma Cerri, foi o PET-CT, combinação do PET-scan (que identifica a presença de elementos químicos que emitem radiação no organismo e é bastante usado para diagnóstico e monitoramento de câncer) com a tomografia computadorizada (método que usa raio-X e define estruturas anatômicas).

PREMIAÇÃO

O Icesp recebeu nesta quarta (5) a cerimônia de entrega do 6º Prêmio Octavio Frias de Oliveira. A láurea leva o nome do publisher da Folha, morto em 2007. Seus filhos Otavio Frias Filho, diretor de Redação, e Maria Cristina Frias, colunista, representaram o jornal no evento.

Durante o evento, Frias de Oliveira foi homenageado. "Foi uma grande pessoa no Estado de São Paulo, como empresário e jornalista, e sempre lutou pela democracia no país", afirmou em discurso o reitor da USP Marco Antonio Zago, laureado na categoria Personalidade em Destaque.

Na categoria pesquisa em oncologia, venceu estudo liderado por pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center que identificou mutações ligadas ao desenvolvimento do tumor de Wilms, o câncer renal mais frequente em crianças.

Dirce Maria Carraro, coordenadora do estudo, dedicou o prêmio aos jovens pesquisadores de sua equipe. "Essa é uma área estimulante, mas em alguns aspectos muito difícil. é preciso estimular os jovens cientistas também com recursos financeiros."

Uma pesquisa que construiu, por engenharia genética, um fragmento de anticorpo (Fabc4) capaz de diagnosticar o câncer de mama foi a premiada na categoria Inovação Tecnológica. O estudo foi coordenado por Thaise Gonçalves de Araújo, da Universidade Federal de Uberlândia.




Uso de anticoncepcional já evitou 200 mil casos de câncer, aponta estudo

06/08/2015 - O Povo Online


Para chegar até este resultado, os estudiosos tiveram que reunir mais de 27 mil mulheres com o mesmo tipo de câncer de todos os lugares do mundo.

Os anticoncepcionais orais preveniram cerca de 200 mil casos de câncer de endométrio nos últimos 20 anos. Pelo menos é o que destaca um estudo divulgado nesta quarta-feira, 5, pela revista médica britânica "The Lancet Oncology Journal".

Segundo os cientistas da Universidade de Oxford, nos países desenvolvidos - que possuem renda mais alta - o comprimido evitou 400 mil casos desta doença nos últimos 50 anos. De acordo com a principal pesquisadora do projeto, Valerie Beral, o "efeito protetor" é duradouro.

"As mulheres mais jovens ainda continuam com a proteção ao atingir os 50 anos, idade em que o a aparição da doença é mais comum", disse Valerie.

Para chegar até este resultado, os estudiosos tiveram que reunir mais de 27 mil mulheres com o mesmo tipo de câncer de todos os lugares do mundo. Após as análises de dados, foi identificado que por cada cinco anos da utilização do anticoncepcional, o risco de câncer endometrial se reduzia um quarto.

Conforme as análises, a aferição é mais perceptível quando verificada em países de rendas altas, já que a prevenção é mais acessível e rotineira.




Leite materno pode reduzir chances de câncer no bebê e na mãe, afirma especialista

06/08/2015 - NE10


Sabia que o leite materno garante não apenas a saúde do bebê, mas também a da mãe? Segundo dados da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a cada ano de amamentação completa o risco de a mulher desenvolver câncer de mama diminui de 3% a 4% em média. Já para a criança, o leite garante todos os nutrientes necessários para se desenvolver bem nos primeiros seis meses de vida – além de proteger contra infecções e reduzir o risco de doenças mais graves, como é o caso da leucemia, com estimativa de 11.370 novos casos por ano.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há registro de 57.120 casos de câncer de mama por ano no Brasil. Esse tipo de câncer é o mais comum entre as mulheres e representa 22% dos casos novos de câncer a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, sua incidência aumenta gradativamente com o envelhecimento, pois a cada ciclo menstrual a mulher fica exposta aos hormônios e assim tem mais chances de desenvolver a doença. “Durante a amamentação, a mulher tem seu ciclo suprimido, devido a isso, quanto maior o tempo de amamentação, menos a chance de desenvolver o câncer, pois ela não sofre as ações dos hormônios”, explica o oncologista Amândio Soares, diretor da Oncomed BH.

Nas crianças, o leite materno pode reduzir o risco de doenças mais graves, a exemplo da leucemia linfóide, mais comum nos pequenos. O diagnóstico é feito a partir de quadro clínico suspeito caracterizado por fadiga, cansaço, palpitações, sangramentos, febre associada à alteração do hemograma que evidencia anemia, plaquetopenia, neutropenia e presença de blastos circulantes, quando leucemia aguda. E pode ser confirmado com a coleta da medula óssea para estudo citomorfológico, imunofenotípico e citogenético. “é uma doença maligna dos leucócitos (glóbulos brancos), caracterizada pela proliferação anormal destas células na medula óssea, ocasionando produção insuficiente de células sanguíneas maduras normais. Mas podem ocorrer casos de leucemia mielóide aguda, que acomete tanto adultos (80%), como crianças (15-20%)”, pontua o especialista.

A taxa de sobrevida em cinco anos para a leucemia linfóide aguda (LLA) em crianças, segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), tem aumentado ao longo do tempo, chegando a 80% dos casos. Já a mielóide aguda (LMA) aumentou para 50% a 70% dos casos.

ALERTA

No caso das mães, a prevenção é ainda o melhor meio de evitar qualquer tipo de câncer. “Evitar a obesidade, através de dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos e não ingerir bebidas alcoólicas são recomendações importantes na prevenção primária dessa doença”, ressalta Soares. O autoexame – que deve ser realizado uma vez a cada mês, na semana seguinte ao término da menstruação – também é uma forma de prevenção, porém não elimina a necessidade da consulta de rotina com o médico, reforça o oncologista.

O autoexame pode ser feito de duas formas. No chuveiro ou deitada, a mulher deve colocar a mão direita atrás da cabeça e deslizar os dedos indicador, médio e anelar da mão esquerda suavemente em movimentos circulares por toda mama direita, repetindo o movimento utilizando a mão direta para examinar a mama esquerda.

A outra maneira é diante do espelho. Nesse procedimento, a mulher deve levantar os braços, colocando as mãos na cabeça e observar se ocorre alguma mudança no contorno das mamas ou no bico. A técnica deve ser repetida, dessa vez colocando as mãos na cintura e apertando a região, observando se há qualquer alteração. Finalmente, deve-se espremer o mamilo delicadamente e observar se sai qualquer secreção. Alterações cutâneas ou no bico do seio, de nódulos ou espessamentos e secreções mamárias não significa necessariamente a existência de câncer.




Santa Casa não paga e perde segurança

07/08/2015 - O Estado de S.Paulo


Empresa terceirizada encerrou contrato por causa de dívida de R$ 10 mi; entidade diz que valor era ‘incompatível’ com momento atual.

O GrupoGR, que presta serviços de segurança e portaria para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, anunciou ontem que vai encerrar o contrato que mantém com a entidade desde 2007 por causa de atrasos no repasse de recursos.

De acordo com a empresa, a dívida acumulada nos últimos seis meses chega a R$ 10 milhões, e 500 funcionários serão demitidos. A Santa Casa informou que outra empresa será contratada.

A instituição enfrenta uma séria crise financeira desde o ano passado e está com déficit de R$ 440 milhões. Segundo Maurice Braunstein, presidente do grupo, mesmo como atraso, o pagamento dos funcionários está sendo feito, mas não é possível sustentar a situação. Por isso, a empresa optou pela ruptura do contrato e pela dispensados servidores.

“Tem limite para dar crédito para uma organização que está desgovernada. Sabemos que a Santa Casa é uma operação importante para a cidade e para o Estado de São Paulo, porque é uma questão de saúde pública, mas há muita promessa.”

Braunstein afirma que, durante crise que atingiu a instituição, parte da verba estava chegando para o grupo, mas a situação se agravou nos últimos três meses. “Houve a negociação da dívida e a promessa de parcelamento em longo prazo, mas disseram que não atrasaria. Só que o conta-gotas ficou muito pequeno e não recebemos praticamente nada. A gente tomou, com muita dor no coração, a decisão de não continuar por uma questão de sobrevivência. Temos 500 funcionários e todos serão desligados.”

O presidente da empresa disse que todos os direitos trabalhistas serão arcados pelo Grupo GR. “Vamos honrar os compromissos com todos os colaboradores e quitar os direitos trabalhistas por uma questão de decência.”Braunstein disse ainda que hoje será o último dia de trabalho dos porteiros e seguranças que atuam na entidade.

Ruptura. Ao menos duas empresas terceirizadas já romperam contratos com a Santa Casa desde o fim do ano passado.

A primeira foi a Vivante, que prestava serviços de limpeza e manutenção, e que afirmou na época que as dívidas superavam os R$ 20 milhões.

Em janeiro deste ano foi a vez da Logimed, responsável pela compra de medicamentos e materiais para a entidade. A ruptura de contrato se deu após atraso no pagamento de R$ 79 milhões. A Santa Casa absorveu parte dos funcionários e designou a função de comprar, armazenar e distribuir os medicamentos e materiais à diretoria farmacêutica da instituição. Incompatível.

Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo confirmou o encerramento do contrato e informou que o valor firmado com a antiga gestão da entidade é “incompatível com o que a Santa Casa podia e pode, hoje, pagar”. A entidade afirmou que outra companhia será responsável pela segurança. “Uma nova empresa assumirá a partir das 6 horas do dia 8 de agosto. Em reunião, a GR se comprometeu a manter a equipe de segurança atual em seus postos até este horário, garantindo a troca. ”Não foi informado quantos funcionários serão contratados.

A instituição disse que a negociação da dívida com a empresa terceirizada foi feita ainda pela antiga gestão, comandada pelo ex-provedor Kalil Rocha Abdalla, que renunciou em abril deste ano, e que o pagamento seria parcelado. Informou também que “as parcelas estão sendo pagas em dia”.

Segundo a entidade, foi elaborado um plano de negócios para conseguir “fechar as contas no azul”. “Dessa forma, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo ressalta que a prioridade, neste momento, é garantir o atendimento à saúde pública e que todos os esforços seguem nesse sentido”, finalizou a nota.




Depressão pós-parto

06/08/2015 - Malu


A chegada de um bebê é sempre um momento feliz na vida de qualquer pessoa. Porém, algumas mães enfrentam um problema que contrasta com essa expectativa normal de alegria: a depressão no pós-parto. Para entender um pouco mais sobre esse problema, o psiquiatra Ivan Morão esclarece as principais dúvidas.

Principais motivos

"Além de ser marcado por uma alteração hormonal, o pós-parto é também uma mudança no estilo de vida. Têm mães que entendem a gravidez não como um ganho, mas como uma perda de beleza, espaço, convívio social e relações no trabalho. Isso pode desenvolver um quadro depressivo grave que vai fazer com que surja um sentimento de rejeição".

Sintomas

"Variação de humor para o polo negativo, tristeza, apatia, desinteresse, fraqueza, diminuição do apetite, sono perturbado, irritação e baixa autoestima. A mulher pode apresentar sintomas até mesmo durante a gravidez ou a partir de duas a três semanas após o parto".

Riscos para o bebê

"O risco de uma agressão é muito baixo. O maior risco é o próprio desinteresse e rejeição da mãe".

Predisposição da mãe

"Se ela teve um quadro depressivo anterior, a chance de ter novamente é maior. Além disso, se a mulher teve depressão pós-parto em outra gravidez, ela tem 50% de chance de ter novamente".

Ajuda médica

"Se o quadro for muito grave - já nos primeiros dias a pessoa fica incompatibilizada com o bebê - tem que buscar tratamento imediato. Mas quando o quadro é mais leve, uma alteração sutil de humor que contrasta com uma expectativa de felicidade, é possível aguardar duas semanas".

Tratamento

"Combinação de abordagens entre a psicoterapia e remédio. O medicamento pode mexer na questão da alteração bioquímica, mas tem questões, como a relação entre a mãe e a criança, que o medicamento não vai resolver. Alguns antidepressivos estão há muito tempo no mercado e têm uma certa segurança no seu uso em relação ao bebê. Na amamentação, esses medicamentos têm metabolização mais rápida no corpo da mãe e, por isso, baixo concentração no leite".




Mamografia sem medo

06/08/2015 - Revista Ana Maria


O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que 57 mil novos casos serão diagnosticados em 2015. Além disso, um em cada cinco tumores detectados no país é nos seios! E a mamografia - um raio-X das mamas - é a maneira mais eficaz para descobrir o problema precocemente. "Ela detecta alterações, como nódulos e microcalcificações, que podem ser benignas ou malignas", explica o mastologista Fábio Arruda, do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, de São Paulo. Mas ainda existem alguns mitos envolvendo o exame, que fazem com que muitas de nós fujamos dele. Pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que uma em cada cinco mulheres entre 40 e 69 anos de idade, atendidas pelo SUS, nunca passaram por uma mamografia. Isso precisa mudar o mais rápido possível, já que, quando detectado no início, o câncer de mama tem 90% de chance de cura. Conheça melhor essa aliada e corra logo para marcar a sua!

Aos 30 ou aos 40?

A partir dos 40 anos, a mulher precisa fazer o exame anualmente. Mas quem tem mãe ou irmãs com a doença, ou muitos casos na família, deve começar já aos 30 anos.

Qual a melhor época pra fazer?

O ideal é que a mamografia seja feita dez dias depois da menstruação, pois nessa fase as mamas já não estão tão sensíveis, o que toma o desconforto bem menor para a mulher.

Dói mesmo?

Sim, pois a mama precisa ser comprimida para que o raio-X atravesse todo tecido mamário. Claro que a sensibilidade varia de mulher para mulher. Quanto mais jovem, maior tecido glandular, e maior o sofrimento. Ainda assim, lembre-se de que por pior que seja essa dor, esses cinco minutos podem ajudar a salvar a sua vida! Outra coisa: os médicos dizem que as mulheres entram muito mais tensas na sala de exame do que saem.

é necessário algum tipo de preparação?

Não existe nenhum preparo especial para o exame. O que alguns médicos recomendam, mas é apenas uma sugestão, é que a mulher tome um anti-inflamatório um dia antes para minimizar o desconforto. Além disso, os especialistas aconselham a não usar desodorante aerossol no dia. é que ele libera partículas de alumínio que podem confundir a imagem.

O tamanho da mama interfere no resultado?

Não, mas quem tem o seio pequeno costuma sofrer mais para esparramar o tecido mamário.

E se aparecer alguma coisa?

Ao detectar qualquer alteração, o médico irá avaliar o caso com base nas características do nódulo ou microcalcificação, e levando em conta o padrão internacional. Quando o especialista chegar à conclusão de que é algo mais sério ou se a dúvida permanecer, normalmente é solicitado um complemento. Na maioria das vezes, costuma ser uma ultrassonografia das mamas ou até mesmo uma biópsia do tecido mamário para detectar se há câncer ou algo que possa se transformar na doença mais para frente.

Tenho silicone. Posso fazer?

Sim. Quem tem prótese de silicone na mama pode (e deve) fazer o exame. A mamografia é realizada da mesma forma, a única diferença é que o profissional precisa fazer três imagens do órgão, enquanto que em mulheres sem silicone são apenas duas - uma de cima para baixo e outra da lateral. No caso de quem tem prótese, o silicone precisa ser deslocado e tira-se mais uma chapa. Mas isso não altera a prótese, a aparência da mama e, muito menos, o resultado do exame.

O medo da radiação tem fundamento?

Algumas mulheres reclamam da radiação e acabam não fazendo o exame por conta disso. Entretanto, não há motivos para pânico! Segundo os especialistas, o nível de radiação é o mesmo de uma radiografia normal, portanto, ele só se torna perigoso quando realizado muitas vezes seguidas e em um curto espaço de tempo. E esse não é o caso, não é mesmo?

Vale a pena fazer o autoexame?

Muita gente é adepta do autoexame, um método em que a própria mulher apalpa as mamas todo mês em busca de alterações. Apesar de muito importante para o autoconhecimento, ele não substitui o acompanhamento com o ginecologista e a mamografia, pois não é eficaz na detecção de tumores em fase inicial. De qualquer forma, ele precisa ser feito uma vez por mês, e a melhor época é logo após a menstruação. As mulheres que não menstruam mais devem escolher um dia no mês e repeti-lo sempre, por exemplo, todo dia 15. Diante do espelho, deve-se procurar por deformações ou alterações no formato das mamas, feridas ao redor dos mamilos, secreções e caroços nas mamas ou axilas. Ao sinal de qualquer tipo de mudança na região, marque imediatamente uma consulta com seu médico, e não tenha medo da mamografia!




Pessoas que sofrem de câncer têm maior propensão à trombose venosa

06/08/2015 - Caras


Trombose é o entupimento de um vaso sanguíneo e, se ocorre em uma veia, chama-se trombose venosa. A formação do coágulo pi >de ocorrer no corpo codo, mas é bem mais comum nos vasos das pernas, principalmente das panturrilhas. O grande perigo é que um fragmento do coágulo pode se desprender, cair na circulação sanguínea e atingir os pulmões, o que é chamado embolia pulmonar. Isso às veies ate leva à morte súbita, repentina.

O coágulo bloqueia o fluxo de sangue no local e causa estes sintomas: dor traça localizada, que vai aumentando de intensidade; inchaço e calor local. Outros sintomas são: aumento da temperatura nas pernas, que podem apresentar cor vermelho-escura ou roxa, e enrijecimento da pele. Já quando o coágulo se desprende e atinge o pulmão, a pessoa sente dor toráxica, falta de ar e pode expelir sangue quando tosse.

Vários fatores podem levar á formação dos coágulos, como lesão local do vaso (devido a uma pancada ou batida na perna, por exemplo); idade avançada (os vasos de nosso organismo também envelhecem); presença de varizes; uso de hormônio; e cirurgia longa, principalmente ortopédica, que obriga o paciente a ficar na cama por longos períodos.

Além disso, pessoas obesas, hipertensas, diabéticas, fumantes ou com predisposição genética (casos na família) têm mais tendência a formar coágulos. O risco é sempre maior quando esses fatores se associam, por isso o tromboembolismo venoso é considerado uma doença multigênica e multifatorial. As pessoas devem ficar atentas e consultar um médico tanto como forma de prevenção quanto se apresentarem algum dos sintomas.

Pacientes com câncer também precisam de atenção especial, porque as células tumorais podem liberar substâncias que ativam a formação do coágulo. Quando o tumor é no pâncreas, o risco é ainda maior. Tratamentos como a quimio e/ou a radioterapia e alguns medicamentos também podem alterar as células do vaso, aumentar a resposta inflamatória e ativar a coagulação sanguínea.

Outro problema é quando o tumor cresce muito e comprime os vasos. Isso faz com que o sangue passe mais lentamente, aumentando o risco de trombose. Doentes em estágios mais avançados possuem ter duas vezes mais o risco de desenvolver a trombose venosa.

O tratamento objetiva tornar o sangue mais fluido com o uso de medicação anticoagulante (injeções e via oral). Em portadores de câncer, usa-se heparina (anticoagulante injetável) Ou medicações por via oral que só devem ser tomadas com indicação médica. Esses pacientes têm maior risco de sangramento e precisam de um rígido acompanhamento médico.

O ideal é identificar o paciente que integra o grupo de risco para fazer a prevenção e não deixar que a trombose se forme. Há medicamentos para reduzir a viscosidade do sangue e dissolver o coágulo que ajudam a diminuir o perigo. Esses tratamentos preventivos evitam também a ocorrência de novos episódios e o surgimento de sequelas. Todos só devem ser usados com avaliação e acompanhamento do especialista.

E importante, enfim, tratar e controlar os fatores de risco e evitar o estresse. Quem tez cirurgia deve caminhar logo que possível, sempre com a orientação de um médico.




A ‘revolução’ do Mais Médicos

06/08/2015 - O Estado de S.Paulo


O Mais Médicos é um dos mais ilustrativos exemplos de como as administrações petistas alçam o improviso à categoria de política de governo em áreas essenciais. Em dois anos, o programa, lançado às pressas no calor das manifestações de junho de 2013, provou ser apenas combustível para o populismo com o qual a presidente Dilma Rousseff pretendia, como pretende, enfrentar o derretimento de seu governo. Enquanto isso, o sistema público de saúde, que a propaganda do PT não consegue maquiar, continua a ser o pesadelo dos cidadãos que dele precisam.

Na falta de algo melhor para explorar numa gestão que produziu tantos desastres, Dilma transformou a efeméride do Mais Médicos em um evento político, para tentar mostrar que ainda há quem a apoie – mesmo que se tenha constatado que a claque que a aplaudiu calorosamente era formada só por gente do governo e por integrantes do programa.

Num ambiente à prova de vaias, no Palácio do Planalto, Dilma pôde qualificar o Mais Médicos como “uma revolução na área da saúde pública”, resultado, segundo ela, de “árdua e penosa elaboração”. São declarações como essas que ajudam a explicar a destruição da credibilidade da presidente.

O Mais Médicos, como se sabe, foi criado pelo governo com dois objetivos: ajudar a candidatura do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo paulista na eleição de 2014; e financiar a ditadura de Cuba, por meio da contratação de milhares de médicos cubanos. De quebra, o programa pretendia criar a sensação, para os incautos, de que os petistas haviam encontrado a fórmula para acabar com os problemas da saúde: bastava enviar médicos para o interior para se fazer a tal “revolução” alardeada por Dilma.

Dos objetivos petistas, o único plenamente satisfeito – porque era apenas isso que realmente interessava desde sempre – foi a transferência de dinheiro para Cuba. Como se sabe, os médicos cubanos para cá enviados recebem apenas uma fração do salário prometido, ficando a maior parte com os irmãos Castro. Além disso, o programa ajudou a transplantar para o território brasileiro as práticas da ditadura cubana, pois os médicos exportados por Cuba são vigiados o tempo todo por capatazes de Havana e sofrem severas restrições de movimento e de expressão. Não é à toa que, quando podem, muitos escolhem desertar.

Dilma, é claro, não deixou de agradecer a “solidariedade” do governo de Cuba, com quem o Brasil, graças ao programa, “estreitou relações”. E a presidente aproveitou para atacar aqueles que lhe fizeram “críticas extremadas” quando o programa foi lançado, porque, segundo ela, havia “desconhecimento básico” a respeito da iniciativa.

Passados dois anos, porém, já está claro que, embora o atendimento possa ter melhorado em alguns lugares remotos, o Mais Médicos não passa de um remendo – e malfeito, conforme constatou auditoria do Tribunal de Contas da União, que verificou diversos problemas graças à execução apressada.

Enquanto Dilma festeja o Mais Médicos como solução mágica dos problemas na área de saúde – afinal, para os petistas basta apenas demonstrar a tal “vontade política” para que tudo melhore –, aqueles que são obrigados a encarar as terríveis condições do Sistema Único de Saúde (SUS) não estão nem um pouco satisfeitos. Na última pesquisa do Ibope sobre o governo de Dilma, nada menos que 86% dos entrevistados disseram reprovar a maneira como a presidente lida com a saúde pública.

Pudera. Um levantamento recente do Conselho Federal de Medicina mostra que 74% dos procedimentos hospitalares previstos na tabela do SUS não tiveram seus valores corrigidos pela inflação entre 2008 e 2014.

Em certos casos, a defasagem pode passar de 400%. é preciso lembrar também que, enquanto Dilma brincava de importar médicos cubanos, seu governo fechava 14 mil leitos de internação. Nessas condições, fica muito difícil esperar que hospitais e médicos consigam dar atendimento decente a milhões de pessoas que dependem do SUS – justamente os mais pobres, aqueles cuja saúde Dilma diz ter revolucionado.




Plano de saúde

06/08/2015 - Valor Econômico


A alegação genérica de que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) se omitiu no dever de fiscalizar os planos de saúde não é suficiente para incluí-la no polo passivo de ação que contesta reajustes supostamente abusivos. O entendimento foi adotado pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em julgamento que excluiu o órgão de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra uma administradora de planos de saúde. A ação pretende a anulação de reajustes, de 63,45% em média, efetuados nos planos a partir da faixa etária de 59 anos, os quais foram considerados abusivos pelo MPF. Para o relator do caso, ministro Paulo de Tarso Sanseverino, a ação diz respeito à relação jurídica entre o consumidor e o plano de saúde, e não há interesse direto da agência reguladora. "é certo que também houve pedido de condenação da autarquia federal ao pagamento de indenização por danos morais e à revisão dos contratos. Esses pedidos, contudo, não justificam a legitimidade da ANS, pois, se dano moral houve, o ato causador desse dano foi praticado exclusivamente pela operadora de plano de saúde", afirmou o relator.