Clipping de Notícias - 19/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 19/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Anvisa proíbe venda de medicamento usado contra vermes

18/10/2016 - Extra (RJ) Online


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda, uso e distribuição do medicamento Albendazol 40mg/ml, que combate infecções causadas por vermes. A determinação foi publicada, nesta terça-feira, no Diário Oficial da União. A Anvisa indeferiu o pedido de renovação de registro feito pelo laboratório Brainfarma, fabricante do produto. A agência negou a continuidade de comercialização de todos os lotes do medicamento, determinando o recolhimento do estoque no mercado.

De acordo com o texto da publicação, os laudos de prova e contraprova, emitidos pela Fundação Ezequiel Dias, apresentaram resultado insatisfatório.

A Brainfarma informou que recorreu da decisão da Anvisa a respeito do lote B14D0370, “uma vez que análise realizada por laboratório autorizado pela Anvisa não encontrou irregularidades em amostra de controle”. O laboratório diz ainda que “em respeito ao consumidor, no entanto, a empresa recolheu voluntariamente o estoque remanescente do lote no mercado”. A Brainfarma disse ainda que não fabricou ou comercializou qualquer lote após o cancelamento do registro do produto junto à Anvisa, que foi motivado pela falta de interesse comercial da empresa em renovar o registro junto ao órgão. Segundo a empresa, “os lotes até então fabricados e comercializados não possuem qualquer desvio de qualidade, nem representam qualquer o risco à saúde”.


VERMÍFUGO RECOLHIDO


Em setembro do ano passado, a Anvisa havia determinado o recolhimento de um lote do medicamento Albendazol 400mg comprimido, da empresa Cimed Indústria de Medicamentos Ltda, com validade até agosto de 2016. A medida, motivada por um "desvio de qualidade", como informou a agência, e tinha validade de 90 dias.




Euforia da Bayer com remédio contra câncer esbarra em ceticismo

18/10/2016 - UOL


As promessas da Bayer de que ampliará as vendas de sua linha experimental de medicamentos -- dependente em grande parte de um tratamento não comprovado para um tipo incomum de câncer -- estão sendo recebidas com ceticismo.

O conglomerado alemão está confiando nos sinais positivos dos primeiros testes em seres humanos para projetar mais de 2 bilhões de euros (US$ 2,2 bilhões) em vendas anuais do anetumab ravtansine caso consiga aprovação regulatória para usar esse medicamento no tratamento de diversos tipos de câncer, disse o diretor de oncologia da Bayer, Robert LaCaze, em entrevista, neste mês.

O primeiro obstáculo, que é crucial, será o sucesso entre os pacientes com mesotelioma, tumor causado por exposição ao amianto que afeta a fina camada de tecido que reveste órgãos vitais.

"A Bayer está sentindo certa euforia em relação ao produto experimental anetumab, algo que não consigo entender nesse momento", disse Markus Manns, que ajuda a gerenciar cerca de 275 bilhões de euros em ativos na Union Investment, uma das 20 maiores acionistas da companhia. "Ainda não foram publicados muitos dados a respeito."

Pressionada a mostrar que sua unidade farmacêutica não será afetada pelo plano de adquirir a gigante de produtos químicos agrícolas Monsanto por US$ 66 bilhões, a Bayer vendeu o tratamento em uma reunião com investidores no mês passado.

A companhia prevê 6 bilhões de euros de pico de receita anual com os medicamentos experimentais que espera lançar dentro de cinco anos, sendo que a maior fatia virá do anetumab. Os números não impressionaram os investidores e as ações da empresa se mantiveram praticamente inalteradas.

"Assim como acontece com qualquer fármaco, é preciso ser cauteloso e otimista ao mesmo tempo", disse LaCaze. "Vimos alguns dados preliminares bastante intrigantes que nos deixaram otimistas."

Alguns dos 16 pacientes com mesotelioma que tomaram a dose mais elevada de anetumab ravtansine na primeira fase dos testes clínicos permaneceram em tratamento por mais de dois anos e meio, afirmou a Bayer nesta semana.

Esses estudos preliminares são desenvolvidos para testar se um remédio é perigoso e qual dose os pacientes devem tomar, não para determinar com certeza se ele funciona. No entanto, os pacientes que participaram do teste normalmente teriam uma expectativa de vida de cerca de quatro meses com os tratamentos padrão com quimioterapia, segundo a companhia.

Desenvolvido com tecnologia da ImmunoGen e da MorphoSys, o tratamento experimental ataca a mesotelioma, uma proteína presente na superfície de muitas células tumorais, para evitar que cresçam e se dividam.

"Para nós, 6 bilhões de dólares em receita em 2021 é bom demais para ser uma projeção realista", disse David Moss, que ajuda a administrar mais de US$ 238 bilhões em ativos, incluindo ações da Bayer, na BMO Global Asset Management em Londres. "É a cereja do bolo, se conseguirem."

USP vai congelar sangue de brasileiros para construir ‘banco de genes’

18/10/2016 - Brasileiros


A USP (Universidade de São Paulo) iniciou projeto para um banco de genes só com material genético da população brasileira. A universidade vai congelar o sangue de voluntários e transformar o material em células-tronco. Uma biblioteca inicial com 23 linhagens celulares já foi criada por cientistas do LaNCE (Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias) da universidade. Estudo com resultado de análise parcial foi publicado no Scientific Reports.

Além do conhecimento da diversidade genética da população, a ideia da USP é fazer o estudo genético de doenças comuns como a hipertensão.

O banco também poderá ser utilizado para testes de medicamentos – em alguns casos, com a possibilidade de substituição de testes em animais.

As células-tronco desenvolvidas pela USP são do tipo pluripotentes -aquelas com potencial de se transformarem em qualquer tecido do corpo humano. Com isso, células cardíacas, por exemplo, podem indicar se o novo medicamento é tóxico para o coração.

Outra possibilidade é a realização de testes com medicamentos já existentes para verificar o porquê de não terem eficácia para um determinado grupo de pacientes. Em muitos casos, a resposta está na genética.

O projeto teve a parceria do Estudo ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto), um estudo coordenado pela USP e financiado pelo Ministério da Saúde. O ELSA é um projeto que tem a participação de 6 universidades públicas brasileiras. No projeto de longo prazo, cientistas seguem 15 mil brasileiros com exames e entrevistas periódicas.

A parceria entre os projetos vai permitir que o banco genético colha o sangue de parte desses participantes. Vários estudos, então, serão produzidos pelo cruzamento da genética com as entrevistas periódicas.


ESTUDO PUBLICADO NA NATURE


A USP já conseguiu, com esse material, analisar a composição genética de parte da população. A universidade congelou material genético de 1.872. Desse número, células de 18 indivíduos foram reprogramadas e transformadas em células-tronco.

Desse total, a análise mostrou que as células têm uma contribuição europeia que varia de 14,2% a 95%; africana de 1,6% a 55%; e indígena de 7% a 56%.




Novo laboratório no Brasil usará inteligência artificial para fazer previsões em saúde

19/10/2016 - G1


A mesma tecnologia que possibilita que um aplicativo indique qual é o caminho sem trânsito ou sugira quais séries você deve gostar de assistir pode revolucionar a saúde num futuro próximo. Um laboratório que será inaugurado este mês na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) já está usando os conceitos de big data e machine learning para fazer previsões importantes para a saúde pública.

O machine learning é um tipo de inteligência artificial em que o computador usa dados coletados (conjunto chamado de big data) para reconhecer padrões e tendências de modo a “aprender” com a experiência e fazer previsões seguras.

“A ideia é incentivar o uso de dados e métodos rigorosos para resolver os principais problemas de saúde pública no Brasil”, diz o economista Alexandre Dias Porto Chiavegatto Filho, professor da FSP-USP e coordenador do Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (Labdaps).

Um exemplo de como isso já está sendo aplicado é o supercomputador Watson, da IBM. Capaz de “ler” uma quantidade enorme de artigos científicos, diretrizes de sociedades médicas, base de dados de pacientes, o sistema usa toda essa informação para ajudar médicos a fazerem diagnósticos difíceis ou pesquisadores a encontrarem moléculas candidatas a tratar determinadas doenças, por exemplo.


ZIKA, DENGUE E CHIKUNGUNYA


Na USP, um dos projetos em desenvolvimento pelo Labdaps vai buscar prever qual a probabilidade de um determinado paciente que chega a um serviço de saúde com suspeita de zika, dengue ou chikungunya realmente ter uma dessas doenças.

O sistema vai coletar dados de milhares de pacientes que chegam aos serviços com suspeita dessas doenças em momentos de surto, como o que vivemos hoje. Ao observar as características dos pacientes que tiveram o diagnóstico confirmado, o sistema identifica padrões capazes de prever quais futuros pacientes têm maior probabilidade de realmente ter a infecção.

“A ideia é ajustar e treinar esse algoritmo para ver se ele consegue, com base nas características da pessoa, sintomas, região, indicar se ela provavelmente tem ou não tem a doença”, explica Chiavegatto Filho. Em momentos de crise, em que é difícil atender todos ao mesmo tempo, essa triagem inicial ajudaria a focar os esforços nos pacientes com maior risco de estarem infectados.


PROBABILIDADE DE MORRER NOS PRÓXIMOS ANOS


Outro projeto em andamento no Labdaps envolve um grupo de mais de 2 mil idosos que começaram a ser acompanhados no ano 2.000. Até hoje, um terço dos participantes já morreram. Os pesquisadores estão coletando centenas de dados sobre os voluntários, como presença de doenças, hábitos, alimentação, prática de exercícios físicos, histórico de casamento, filhos, convivência social, entre outros.

A ideia é conseguir predizer o risco de morte de determinado paciente nos próximos 5, 10 e 15 anos com base em padrões verificados nessa amostra de dados. "São padrões complexos que a gente não entende muito bem, mas quando testamos, funcionam", diz o pesquisador.

"Nossos recursos em saúde são limitados, por isso tem que priorizar uma coisa à outra e focar em pessoas que mais precisam do serviço de saúde. A ideia é ajudar serviços de saúde a definir as prioridades em trigens de quem precisa de mais atenção."




J&J lucra mais que o esperado no 3o trimestre

18/10/2016 - UOL


A Johnson & Johnson divulgou nesta terça-feira lucro trimestral melhor que o esperado e disse que a divisão de fármacos seguirá crescendo, apesar do lançamento de um rival para seu medicamento para artrite, o Remicade.

A Pfizer anunciou na véspera que vai começar as vendas nos EUA do Inflectra, biossimilar do Remicade, no fim de novembro, com um desconto de 15 por cento sobre os preços no atacado atuais da J&J. Com vendas anuais nos EUA de cerca de 5 bilhões de dólares, o Remicade é o produto mais importante da J&J.

Os biossimilares são cópias próximas e visam permitir uma economia em comparação com produtos de marca mais caros. O Inflectra já está disponível na Europa.

No terceiro trimestre, a receita da J&J subiu para 17,82 bilhões de dólares, ante 17,1 bilhões um ano antes.

O faturamento de produtos farmacêuticos saltou 9,2 por cento, para 8,4 bilhões de dólares, guiado por forte crescimento dos medicamentos contra o câncer Imbruvica e Darzalex, além do Xarelto, para afinar o sangue. As vendas de Remicade nos EUA saltaram 9,4 por cento.

As vendas globais de dispositivos médicos subiram 1,1 por cento, para 6,16 bilhões de dólares no trimestre, enquanto as vendas de produtos de consumo caíram 1,6 por cento, a 3,26 bilhões.

A J&J elevou a parte inferior da previsão de lucro para o ano de 2016, de 6,63 para 6,68 dólares por ação. A empresa manteve a parte superior da previsão em 6,73 dólares por ação.

O lucro líquido da empresa subiu para 4,27 bilhões de dólares, ou 1,53 dólar por ação, no terceiro trimestre, ante 3,36 bilhões, ou 1,20 dólar por ação, um ano antes.

Excluindo itens especiais, a J&J lucrou 1,68 dólar por ação. Analistas em média esperavam lucro de 1,66 dólar por papel e receita de 17,74 bilhões, segundo a Thomson Reuters I/B/E/S.




Aumento da base de clientes puxa resultado da dona da Amil.

18/10/2016 - Valor Econômico / Site


A operadora americana de planos de saúde UnitedHealth, que no Brasil controla a Amil, registrou avanço de 23,2% no lucro do terceiro trimestre, para US$ 1,97 bilhão, na comparação anual.

A receita da empresa subiu 11,6% de julho a setembro, para US$ 46,3 bilhões, em relação ao mesmo período de 2015.

Segundo a companhia, o resultado foi beneficiado por um aumento da base de clientes em 2 milhões de pessoas no mercado doméstico.

“Nossos indicadores de crescimento estão positivos nesse fim de ano, e esperamos estar bem posicionados em 2017 para melhor servir os consumidores e entregar mais valor para o sistema de saúde global”, disse Stephen Hemsley, presidente da UnitedHealth Group.

Com o resultado, a companhia revisou suas projeções de lucro por ação para 2016 de um intervalo de US$ 7,25 a US$ 7,4 para uma meta de US$ 7,45.

No trimestre, o lucro por ação foi de US$ 2,03, com aumento de 23%.

Enxaqueca ligada a bactérias da boca

19/10/2016 - Correio Braziliense


Todos que sofrem de enxaqueca têm uma lista de itens a serem evitados, sob risco de a dor lancinante voltar. Alguns fogem de lugares com som muito alto, outros fazem de tudo para não pegar frio. Um item, contudo, parece marcar presença na maioria esmagadora de listas: a alimentação. O produto pode variar, mas é raro encontrar alguém vítima da dor de cabeça que não aponte algum ingrediente que parece facilitar uma crise.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego) decidiram dar crédito aos pacientes e investigaram mais a fundo por que alimentos são tão mencionados como gatilhos para a enxaqueca. A pesquisa acabou encontrando uma relação entre as crises e a população de bactérias que habitam o organismo humano.

Usando dados de uma ampla pesquisa que recolhe amostras da microbiota da população norte-americana, eles notaram que a doença é mais comum nos indivíduos que abrigam uma quantidade consideravelmente maior de micro-organismos especializados em degradar o nitrato. Os resultados do estudo foram publicados ontem na revista especializada mSystems, editada pela Sociedade Americana para Microbiologia.

“Circula uma ideia de que certos alimentos favorecem enxaquecas, como chocolate, vinho e, especialmente, comidas que contêm nitratos”, explica, em um comunicado à imprensa, Antonio González, analista no laboratório do professor Rob Knight na UC San Diego. “Nós pensamos que, talvez, houvesse uma conexão entre a microbiota de uma pessoa e o que ela come”, completa González, que assina o artigo como principal autor.


EFEITO COLATERAL


O nitrato é um composto encontrado em alimentos como carne processada, vegetais folhosos verdes e certos medicamentos. Algumas bactérias presentes na cavidade bucal conseguem transformá-lo em nitritos, que, quando ganham a corrente sanguínea, podem ser convertidos em óxido nítrico (NO), um poderoso vasodilatador que pode ajudar a saúde cardiovascular, por melhorar o fluxo sanguíneo e reduzir a pressão.

Por causa desse efeito, drogas contendo nitrato são prescritas para pessoas com problemas cardíacos. Esses fármacos aliviam dores no peito e outros sintomas. No entanto, quase 80% dos pacientes relatam dores de cabeça fortes como efeito colateral dos remédios. Os autores do estudo especulam que o excesso de bactérias redutoras de nitrato podem gerar um efeito semelhante ao desses medicamentos.

González e sua colega de laboratório Embriette Hyde sequenciaram as bactérias encontradas em 172 amostras orais e 1.996 fecais. Os doadores do material preencheram um questionário indicando se sofriam ou não com enxaquecas e nenhum apresentava algum problema grave de saúde. A análise genética das amostras mostrou quais espécies de bactérias estavam presentes no sistema digestivo dos voluntários.

Com relação aos tipos de micro-organismos encontrados, não houve muita diferença entre os participantes que sentiam as fortes dores e os que não sofriam com o problema. Porém, uma análise realizada com a ajuda de uma ferramenta de bioinformática chamada PICRUSt evidenciou que os voluntários com enxaqueca apresentavam uma quantidade maior de bactérias capazes de degradar o nitrato. A presença era especialmente mais alta nas amostras orais, apesar de haver uma diferença significativa também no material fecal.

“Nós sabemos que bactérias redutoras de nitrato são encontradas na cavidade oral e acreditamos que elas estão relacionadas a uma melhor saúde cardiovascular. Mas, agora, temos uma potencial conexão também com a enxaqueca”, afirma Hyde, coautora do artigo.


FUTURO


Como próximo passo de investigação, os autores pretendem analisar grupos mais bem definidos de pacientes, separando-os por diferentes tipos de enxaqueca. Assim, eles esperam determinar se a microbiota oral realmente expressam genes redutores de nitrato. Outro objetivo é medir o nível de óxido nítrico no sangue e verificar se a relação com as crises se confirma.

González já consegue imaginar um produto que poderia ajudar a prevenir as enxaquecas no futuro. “Nós poderemos criar um enxaguante bucal probiótico que ajude sua saúde cardiovascular sem lhe dar enxaqueca. Por enquanto, contudo, não há muito a se fazer: “Se você suspeita que nitratos estão te dando dor de cabeça, você deveria evitá-los na sua dieta”.




Seguridade Social debate dificuldades de acesso a tratamento de doenças raras

18/10/2016 - Câmara dos Deputados


A Comissão de Comissão de Seguridade Social e Família discute nesta quinta-feira (20) as dificuldades no acesso ao tratamento e a judicialização sob a ótica do paciente acometido por doenças raras. O debate foi proposto pelas deputadas Mariana Carvalho (PSDB-RO), Dulce Miranda (PMDB-TO) e Carmem Zanoto (PPS-SC).

Mariana Carvalho explica que cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil são portadoras de doenças raras. Segundo a deputada, mesmo com a “Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras e as Diretrizes para Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no âmbito do Sistema Único de Saúde”, validado pela Portaria 199/2014, do Ministério da Saúde, há muito o que fazer.

“Para avançar nesta questão alguns projetos de lei relacionados às doenças raras ou medicamentos órfãos que estão atualmente em tramitação no Congresso Nacional terão que ter celeridade nas discussões. Hoje 26 proposições fazem parte dos debates”, defende a deputada.

Segundo Mariana, o ritual regulatório no Brasil para fabricação e distribuição de medicamentos dificulta o tratamento da maioria dos pacientes com doenças raras. “Algumas nunca chegarão a ter tratamentos aprovados se não houver uma visão moderna”, lamenta.

Segundo ela, estima-se que 7 mil tipos doenças foram identificados no mundo inteiro, sendo que 80% delas podem ser de origem genética. Outras se desenvolvem como infecções bacterianas e virais, alergias, ou têm causas degenerativas. A maioria, cerca de 75%, se manifesta ainda na infância.

Foram convidados:
- a procuradora da República Lisiane Braecher
- o representante dos Pacientes Portadores de Doenças Raras (Casa Hunter), Antoine Daher;
- a presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Carolina Fischinger Moura de Souza
- a diretora da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Maria José Delgado Faguntes.




Coca e Pepsi lutam contra a obesidade, mas com segundas intenções

18/10/2016 - IstoÉ Online


Coca-Cola e Pepsico financiam com milhões de dólares influentes ONGs e entidades de saúde pública que lutam contra a obesidade para melhorar sua imagem e transformá-la em aliadas contra os impostos sobre as bebidas açucaradas, afirmam os acadêmicos americanos.

Os dois gigantes da bebida fizeram de 2011 a 2015 generosas doações a 96 associações americanas que lutam contra epidemias de saúde pública como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, adiantou o estudo realizado por Daniel Aaron e Michael Siegel, da Universidade de Boston.

A maioria dos recursos foram para organizações não governamentais, mas também para entidades vinculadas ao governo federal, assim como para o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

As doações se tornaram maiores nos últimos anos, com intensas campanhas de sensibilização contra os riscos representados pela obesidade e pela necessidade de reduzir o consumo de refrigerantes, considerados pelos cientistas um fator favorável à obesidade e ao diabetes.

A Coca-Cola revelou recentemente ter destinado desde 2010 mais de 120 milhões de dólares ao financiamento de estudos científicos e a associações de luta contra a obesidade.

De acordo com o Center for Responsive Politics, uma organização independente, PepsiCo destina desde 2011 uma média de 3 milhões de dólares para lobbying.


DESVIAR A ATENÇÃO


Esse lobbying faz parte de uma estratégia de mercado dirigida a melhorar sua imagem com o público, afirmaram os dois acadêmicos.

“É para dizer ‘vejam, nós publicamos os problemas de saúde pública’ e ao mesmo tempo desviam a atenção do fato de que seus produtos contribuem para a epidemia da obesidade”, disse à AFP Michael Siegel.

Cerca de 35% dos adultos americanos são obesos e 69% tem sobrepeso, segundo números oficiais de 2012. Os gastos de saúde ligados à obesidade correspondem a um quinto das despesas totais de saúde dos Estados Unidos, de acordo com as mesmas fontes.

“Ao dizer ‘nós somos sócios de muitas organizações de saúde pública’ a indústria de refrigerantes dá a impressão de que também é parte da solução”, acrescentou Michael Siegel.

Para o nutricionista Keith-Thomas Ayoob, “não importa tanto a origem dos fundos”, mas, sim, sua utilização.

“O que me interessa saber é se essas doações beneficiaram os consumidores, se os ajudam a administrar melhor a diabetes”, disse.

Aaron e Siegel observaram que o lobbying intenso da Coca-Cola e da PepsiCo para eliminar toda a legislação contra as bebidas açucaradas põe as ONGs financiadas em uma posição de conflito de interesses.

É o caso de Save The Children, para a qual a Coca-Cola e a PepsiCo doaram cinco milhões de dólares em 2009. Um ano mais tarde, essa ONG abandonou seu pedido para a criação de um imposto às bebidas açucaradas, aconselhado pela Organização Mundial de Saúde para lutar contra a obesidade e a diabetes.

Contactada pela AFP, a organização afirmou que tem se dedicado à educação das crianças e não quis informar se recebe dinheiro dos produtores de bebidas.

A Academia de Nutrição e Dietética (AND) e a associação NAACP, que defende os direitos dos negros, se opuseram em 2012 a um projeto do ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, de reduzir o tamanho das latas das bebidas, depois de ter recebido fundos da Coca e da PepsiCo.

A AND, que rompeu seus vínculos com as duas companhias, declarou à AFP ter aceitado dinheiro “para chegar a um público amplo com mensagens para uma alimentação saudável”.


A NAACP NÃO RESPONDEU ÀS PERGUNTAS DA AFP


Rhona Applebaum, encarregada de saúde da Coca, teve que se demitir no final de 2015 depois das revelações de que a empresa influenciava mensagens da ONG da luta contra a obesidade Global Energy Balance Network, da qual a Coca-Cola era um generoso doador.

“Sim, nós podemos divergir (…) sobre os impostos e políticas regressivas e discriminatórias contra nossos produtos, mas nossas ações nas comunidades (…) contribuem para responder ao complexo desafio que é a obesidade”, defendeu ABA, o grupo de lobbying da indústria das bebidas e do qual a Coca-Cola e a PepsiCo são membros.

Contatada pela AFP, a Coca-Cola a repassou à ABA, enquanto a PepsiCo preferiu não se manifestar.

A ABA prometeu gastar milhões de dólares em campanhas publicitárias em San Francisco e Oakland, especialmente, onde os moradores deverão se pronunciar nas eleições de novembro a respeito do imposto sobre bebidas.




Câncer de mama: mutirão de reconstrução mamária vai realizar 842 cirurgias

18/10/2016 - Portal EBC


Cerca de 840 mulheres que passaram por mastectomia – remoção de uma ou ambas as mamas – serão atendidas gratuitamente por cirurgiões plásticos para o procedimento de reconstrução mamária. O 2º Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária, coordenado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), acontece de 24 a 29 de outubro e deve contar com a participação de mais de 800 profissionais da área.

As pacientes que vão participar do mutirão já foram selecionadas e realizaram previamente todos os exames necessários para a cirurgia. A previsão é que pelo menos 842 procedimentos sejam realizados em 98 hospitais do país. Ao todo, 18 unidades da federação que contam com uma regional da entidade participam da ação. São eles: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além do Distrito Federal.


AUTOESTIMA


Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da SBCP, Luciano Chaves, destacou que a reconstrução da mama é parte integrante da proposta de tratamento para o câncer de mama implementada atualmente no Brasil, que envolve o diagnóstico, a cirurgia para retirada de parte da mama ou de toda a mama, a quimioterapia e a radioterapia e, por fim, a plástica reconstrutora. “A reconstrução mamária é um direito garantido em lei”, reforçou.

“O mutirão devolve a essas pacientes a autoestima. Estudos mostram que as mulheres reconstruídas têm menor chance de reincidir no câncer porque essas doenças estão relacionadas à produção de endorfina e ao equilíbrio emocional. Mulheres mastectomizadas são mais deprimidas, mutiladas, tristes. Mulheres reconstruídas retomam seu relacionamento afetivo, encontram um ponto de equilíbrio psicoafetivo e uma melhora do humor e do estado depressivo”, concluiu.


FILAS


Chaves ressalta que o Brasil registra cerca de 50 mil casos de câncer de mama anualmente. Desses, em torno de 12 mil pacientes morrem após o diagnóstico. Dos outros 38 mil, cerca de 5 mil conseguem fazer a reconstrução mamária pelo convênio ou plano de saúde, enquanto mais de 30 mil mulheres dependem da rede pública para o procedimento.

“Todos os anos, acumulamos aproximadamente entre 25 mil e 27 mil mulheres que ficam sem realizar a reconstrução mamária. O tempo médio de espera de uma mulher brasileira que permanece mastectomizada na rede pública gira em torno de dez anos. Na França, por exemplo, de cada 100 mulheres submetidas a mastectomia, 82 fazem a reconstrução no primeiro ano após o procedimento”, contou.

Segundo Chaves, em 2012, quando foi realizado o 1º Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária, 555 pacientes foram operadas no prazo de uma semana, enquanto a rede pública realizou 1.120 cirurgias em um ano. “É um mutirão de logística muito grande. Este ano, um grande facilitador foi a doação de 500 próteses mamárias por parte de uma empresa fabricante. No primeiro ano, dependíamos que as próteses fossem adquiridas pelas secretarias de saúde de cada estado”.


OUTUBRO ROSA


De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o tumor na mama é o segundo tipo mais comum de câncer registrado entre mulheres no Brasil e no mundo – atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A doença responde por cerca de 25% dos novos casos de câncer registrados todos os anos.

Considerado relativamente raro antes dos 35 anos, o câncer de mama aumenta sua incidência progressivamente a partir dessa faixa etária – sobretudo após os 50 anos. Apesar dos vários tipos de câncer de mama e da variação na evolução, a maioria dos casos, segundo o órgão, tem bom prognóstico desde que precocemente diagnosticado e tratado.

A estimativa é que cerca de 57.960 novos casos de câncer de mama sejam registrados no Brasil este ano. Em 2013, 14.388 pessoas morreram no país em razão da doença, sendo 14.206 mulheres e 181 homens (o tumor também acomete homens, mas de forma mais rara, representando apenas 1% do total de casos).

Em 2016, a campanha Outubro Rosa tem como tema "Câncer de mama: vamos falar sobre isso?". O objetivo é fortalecer as recomendações para rastreamento e diagnóstico precoce e desmistificar conceitos relacionados à doença. A data é celebrada anualmente no intuito de compartilhar informações, promover a conscientização e proporcionar maior acesso a serviços de diagnóstico e tratamento, além de contribuir para a redução da mortalidade.

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Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Brasil e Índia fecham acordo que pode baratear remédios

18/10/2016 - O Globo


Brasil e Índia fecharam ontem um acordo na área de medicamentos — conforme antecipou O GLOBO no último dia 9 — que pode baratear o valor dos remédios. Os dois países querem produzir conjuntamente tratamento para tuberculose, hepatite-C e até Aids. Entre as várias possibilidades abertas, os empresários esperam parcerias para fazer testes juntamente com os indianos. Isso deve reduzir sensivelmente o custo dos medicamentos.

O texto é amplo e permite cooperação entre os dois países em várias áreas, como fármacos, ferramenta de diagnóstico e até aparelhos médicos. Foram fechados ainda outros entendimentos em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Embrapa, de pesquisa agropecuária, poderão realizar estudos com os órgãos correlatos.

Os dois países também acordaram em facilitar investimentos. Foi criado um instrumento que oferece proteção jurídica a investidores e investimentos brasileiros e indianos por meio de cláusulas que garantem direitos iguais para pessoas das duas nacionalidades que decidem investir.

— O Brasil começa agora um processo de transformação. A retomada do crescimento econômico requer a presença no Brasil não só internamente, mas nos principais mercados do mundo. Entre eles, evidentemente, está a Índia — frisou o presidente Michel Temer.

Temer se reuniu ontem com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Negociou desde aeronaves da Embraer até frangos da BRF. Ambos ressaltaram que o comércio com a Índia estão ainda muito aquém do potencial das economias desses países.


MAGGI CRITICA PROTECIONISMO


Ao todo, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fechou ontem três acordos com o governo indiano. Um deles de transferência de material genético de bovinos, da Índia para o Brasil. Ele explicou que todo o rebanho daqui é de origem indiana. E que, desde 1950, o Brasil não importa mais gado indiano, e, portanto, a variabilidade genética tem diminuído nos últimos anos:

— Com a entrada desse novo material, vamos dar um choque na pecuária brasileira e tenho certeza de que vamos ganhar produtividade com isso.

Logo após fechar os acordos, o ministro criticou a Índia, que chamou de muito protecionista.

— Não tenho dúvida em dizer que sim. Muito protecionista. Aliás, o próprio governo, uma ala mais tradicional aqui acha que não precisa importar, acha que dá conta sozinha do seu recado, e a ala que prevê o futuro da Índia, entrando aí mais de 15 milhões de pessoas todos anos no mercado de trabalho ou se alimentando, que precisa importar — explicou o ministro. — Há ainda aqui dentro da Índia uma espécie de disputa por qual caminho a ser seguido, e o Brasil está à espreita para ocupar esse mercado.




Dobra a procura por medicamentos em fase de estudos do país

17/10/2016 - Veja Online


O número de pedidos para medicamentos ainda em fase de estudos, para pacientes com quadros graves que não têm outra alternativa terapêutica, vem crescendo no país. É o chamado “uso compassivo”. Nos últimos dois anos, a quantidade de autorizações dadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mais do que dobrou.

Em 2014, 152 pacientes obtiveram a autorização de uso compassivo de algum medicamento. Neste ano, até setembro, o número subiu para 393, a maioria relacionada a remédios oncológicos, segundo dados da própria agência. A liberação é necessária porque, como ainda estão em fase de estudo, esses tratamentos ainda não têm registro no país.

Os laboratórios farmacêuticos, responsáveis pela maioria das pesquisas clínicas de novos medicamentos, têm a opção de oferecer programas de uso compassivo. Caso ofereçam, o tratamento deve ser fornecido gratuitamente ao paciente por tempo indeterminado. Mas, mesmo quando há um programa aberto, o interessado precisa de prescrição médica e autorização da Anvisa.


ESPERANÇA


Diagnosticado com câncer de pulmão em 2013, o advogado Cícero Ribeiro de Paiva, de 66 anos, conseguiu no mês passado ser incluído em um desses programas. Depois que descobriu a doença, ele chegou a fazer o tratamento tradicional por três anos.

No início de 2016, porém, a doença deixou de responder ao medicamento e o câncer voltou a crescer. “Tive metástase. O número de tumores passou de um para cinco. Fiquei apavorado. Se eu não fizesse nada, era esperar para morrer, porque não tinha mais nada disponível no Brasil para o meu tipo de câncer”, conta.

O médico responsável pelo tratamento de Paiva soube de uma droga promissora para combater a doença que já estava sendo usada em outros países e conseguiu incluir o paciente no programa de uso compassivo. “Comecei a tomar o remédio em setembro e minha esperança é que, desta vez, dê resultado”, diz o advogado.




Mais lojas com muitas promoções

18/10/2016 - Valor Setorial - Saúde


Com ou sem crise no país, o setor de drogarias e farmácias mantém sua estratégia de continuar investindo em abertura de novas lojas, treinamento de pessoal e promoções como os cartões de fidelidade que oferecem descontos aos seus clientes. O resultado é um crescimento de mais de dois dígitos no faturamento das grandes redes varejistas neste ano, repetindo o desempenho de 2015.

"Não houve mudança marcante de um ano para o outro. O bom desempenho é fruto de um planejamento de longo prazo das grandes redes, sempre atentas às tendências internacionais e ao crescente grau de exigência do consumidor. Há quase dez anos, as grandes redes contabilizam crescimento de dois dígitos percentuais. E claro que devemos considerar o fator de resiliência do mercado farmacêutico. Os planos de abertura de novas lojas continuam sendo executados como em 2015", afirma Sérgio Mena Barreto, presidente-executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

Segundo ele, os dados mais recentes da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (F1A-USP) para a Abrafarma mostram que as grandes redes faturaram RS 19,32 bilhões no primeiro semestre de 2016, aumento cie 12,66% na comparação com igual período do ano passado. Entre junho de 2015 e junho deste ano, houve aumento de 12,65%, o que significa mais RS 3,34 bilhões.

Para Mena Barreto, esse resultado está associado à abertura de novas lojas e à ampliação da participação das farmácias independentes. Sem isso, as vendas estariam num ritmo de avanço de 3%.

"As redes de grande porte estão ganhando abrangência ante as farmácias independentes. A representatividade das grandes varejistas em relação ao volume de vendas cresceu de 42% para 56% entre 2007 e 2015.

Enquanto isso, as farmácias independentes encolheram de 55% para 30%", diz Mena Barreto. A necessidade de absorver a crescente demanda e o maior grau de exigência do consumidor, segundo ele, favoreceram as marcas com mais representatividade geográfica e fôlego financeiro.

Além disso, as principais redes do país beneficiaram-se da sua maior capacidade de gerenciar seus estoques e a compra em grande escala cie medicamentos e não medicamentos das lojas maiores, mais bem localizadas e com melhor gestão financeira.

No segmento de farmácias menores, o cenário também é de ganhos nos últimos anos. De acordo com Edison Tamascia, presidente da Federação das Recles Associativistas de Farmácias (Febrafar), que reúne 52 cooperativas e 9,3 mil farmácias em todo o Brasil, o crescimento foi de 6% no primeiro semestre de 2016 em comparação a igual período do ano passado.

"Nossos associados são empresas de pequeno e médio portes, que se uniram em cooperativas e criaram uma marca única com estratégia própria.

Elas representam 10% de todo o mercado brasileiro e vêm crescendo acima da média há cinco anos. Isso porque se prepararam para oferecer preços mais competitivos. Oferecem vantagens como o cartão fidelidade.

Para dar descontos, buscaram aprimorar o seu processo de gestão de controle de custos e preços, além de investirem em um bom trabalho de marketing", afirma.

Segundo Tamascia, pesquisa feita há seis meses revelou que, para o consumidor, o preço é o fator fundamental na compra, mas só 11% dos entrevistados fazem pesquisa.

"A maioria escolhe a farmácia que oferece promoções. Por isso, temos o Cartão Fidelidade da Febrafar, com preço diferenciado e que nos permite acompanhar seus hábitos de consumo. Hoje, três farmácias associadas utilizam a ferramenta e seis milhões de clientes têm o cartão", destaca.

O monitoramento do perfil do consumidor também é adotado pelas grandes redes. Segundo Antonio Carlos de Freitas, vice-presidente de relações institucionais da Raia Drogasil, o foco mais importante na trajetória da empresa tem sido entender as necessidades dos clientes.

"Respeitamos as características regionais, temos um estoque imbatível de medicamentos e produtos de higiene e beleza, além de oferecer eficiência e qualidade no atendimento. Outro ponto é estar sempre atento à transformação do perfil da população brasileira", diz Freitas. Segundo ele, um exemplo é o envelhecimento dos brasileiros em todo o território nacional. "Este fator leva esse púbico a cuidar muito mais da saúde e nós estamos preparados para atender essas pessoas." A população com mais de 65 anos já está em 16 milhões e deve chegar a 30 milhões em 2030 e 46 milhões em 2045.

Freitas afirma que o resultado do trabalho desenvolvido pela empresa fez com que a Raia Drogasil - criada em novembro de 2011 a partir da fusão entre Droga Raia e Drogasil - tenha chegado a 1.330 lojas, tornando se a maior rede de drogarias do Brasil em receita e número de unidades. A fusão trouxe o melhor de cada rede, e com isso pode manter o seu plano de expansão para 2016 e 2017, que prevê a abertura de 200 lojas por ano.

"A Raia Drogasil finalizou o segundo trimestre de 2016 com receita bruta de R$ 2,9 bilhões, mais 26,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nós estamos constantemente melhorando processos, treinamentos e investindo em plataformas tecnológicas. Estamos sempre trabalhando para fixar mais nossa marca no dia a dia do consumidor." Segundo Freitas, a empresa investe muito no segmento de produtos de higiene e beleza. "Além de o cliente saber que nas nossas lojas irá encontrar as melhores marcas e os melhores produtos, ele pode contar com produtos exclusivos das marcas Needs, Pluii, B-Well e TRISS. Esses produtos exclusivos estão auxiliando o crescimento desse segmento em nossas lojas. Tivemos um aumento de 25,9% em vendas de perfumaria no segundo trimestre de 2016." De perfil totalmente diferente das grandes redes, a Drogaria Campeã, voltada para o público de menor renda com produtos a preços mais baixos, registrou no primeiro semestre aumento de 13% no seu faturamento em relação a igual período de 2015.

Desempenho este que mudou no segundo semestre, quando houve uma queda na demanda.

"Mesmo com a desaceleração no segundo semestre, vamos manter a nossa projeção de crescimento de 10% neste ano. A desaceleração não nos surpreendeu, porque é uma decorrência geral do mercado. O que nos surpreendeu foi termos crescido 13% no primeiro semestre, num quadro tão recessivo", afirma Robson Ferreira, diretor da empresa. O bom desempenho, diz ele, foi resultado de gerenciamento de custos, capacitação de equipes e treinamento de lideranças.

A rede Campeã, segundo Ferreira, está no mercado do consumidor emergente. Iniciou o ano com 59 unidades e já está com 80. Abriu 21 lojas, investindo RS 5 milhões com recursos próprios. O planejamento de chegar a cem lojas em 2018 será atingido em 2017.

Para ele, o bom desempenho se deve ainda ao fato de a empresa estar utilizando ferramentas novas para se diferenciar no mercado. Há um ano investiu no layout das fachadas das lojas, deixando a marca mais visível.

Agora, está cuidando da parte interna, melhorando o ambiente das lojas. Em setembro, a Drogaria Campeã começou um programa de fidelização de clientes, pelo qual em cada compra o consumidor ganha descontos para suas próximas compras.

São descontos que variam de 1 % a 2% dependendo do produto.

"Mesmo tendo produtos com preços inferiores aos do mercado, precisamos nos diferenciar mais, porque o mercado de farmácias está muito concorrido. Com esse programa de descontos, esperamos alavancar o tíquete médio em 40%. O cliente está hoje mais objetivo e mais racional na hora de comprar, porque a inflação está em alta. E isso atinge mais a área de perfumaria. Na área de medicamentos, o que se vê é o aumento das vendas de genéricos e similares por custarem 40% menos do que os medicamentos de referência", destaca.

Resultado imune à crise econômica

18/10/2016 - Valor Setorial - Saúde


A indústria farmacêutica atravessa o período mais crítico da crise econômica sem nenhum distúrbio grave nos negócios. Projeção da consultoria internacional de marketing farmacêutico IMS Health aponta alta de 10% na receita do setor neste ano em relação a 2015, com faturamento estimado em RS 66 bilhões. A boa saúde dos laboratórios se mantém, mesmo com problemas do governo - um grande comprador de medicamentos -, que vem adiando compras e deixando de honrar pagamentos.

Mesmo quando a compra depende só da decisão do consumidor, o mercado de remédios se sustenta. Os isentos de prescrição médica, que respondem por quase um terço da receita global, estão crescendo menos em vendas, mas o faturamento se mantém nos níveis dos anos anteriores. O número de unidades comercializadas deve crescer entre 5%e 6% em 2016, ante os 11 % no ano passado. "A receita este ano deve aumentar de 9% a 10% sobre o ano anterior e o volume em 5%", estima Fábio Barone, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip).

Tanto os itens que dependem do consumidor como os vendidos com receita médica exigem novos lançamentos no mercado. Os produtos inovadores, no entanto, dependem de investimentos em pesquisa. "Investimento em inovação é um fator que vem impulsionando este ramo nos últimos anos", diz Barone.

Os investimentos em pesquisa no país somam pouco mais de U$S 139 milhões por ano, mas poderiam ser muito maiores, dizem executivos do setor. O Brasil tem perdido investimentos internacionais em pesquisa pela morosidade e burocracia desde a fase de pesquisas básicas e clínicas até a aprovação final dos medicamentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Embora haja uma melhora no processo, executivos observam que as queixas se repetem há anos, sem grandes resultados. "O tempo gasto para uma pesquisa clínica no Brasil oscila entre dez e 14 meses, enquanto a média mundial está entre quatro e seis meses", diz Pedro Bernardo, diretor da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). A entidade representa 56 laboratórios, responsáveis pela venda de 82% dos medicamentos de referência no país e por 33% dos genéricos.

Outra queixa da Interfarma é em relação à demora de aprovação de novos medicamentos pela Anvisa.

"Mais de mil produtos estão aguardando há 3,6 anos, em média. Se observarmos apenas os similares, a demora ultrapassa quatro anos, com 1.530 dias. A espera também é longa para os medicamentos inovadores.

São mais de dois anos para que o pedido comece a ser analisado", diz Bernardo.

Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, afirma que os processos estão sendo revisados para ganhar velocidade. "A espera hoje é bem menor que há dois anos. Ainda é insuficiente, mas estamos nos esforçando para nos alinharmos com as melhores práticas internacionais.

Essa premissa está no topo das prioridades da Anvisa." Ele chama a atenção para o fato de que a Food and Drug Administration (FDA) dispõe de "um efetivo dez vezes maior que o da Anvisa para realizar a mesma tarefa." Segundo Barbosa, as indústrias são em grande parte responsáveis pelas longas filas à medida que apresentam dossiês incompletos. "Muitos desses dossiês são falhos nas informações, obrigando a devolvê-los para complementação." Para reduzir transtornos desse tipo, a Anvisa passou a distribuir "guias técnicos" aos laboratórios, com o intuito de elevar a qualidade das informações, e realizar workshops. "Com isso, esperamos reduzir o tempo de análise pela metade." Juan Carlos Gaona, gerente-geral da Abbott no Brasil, vê sinais de melhora no andamento da Anvisa, porém se queixa da longa espera. "Ter que esperar dois ou três anos para a aprovação de um produto inovador é negativo.

O mesmo medicamento é aprovado em um ano e meio na Europa, nos Estados Unidos e mesmo em países da América Latina, como a Colômbia. No Brasil gasta-se o dobro desse tempo." As filas e a burocracia, no entanto, não impedem que o Brasil tenha um peso grande na receita da Abbot. "Em 2015, o faturamento no Brasil alcançou US$ 381 milhões.

Para nós, é um dos países mais importantes entre os emergentes. Para este ano, a perspectiva é crescer bem acima do mercado." Gaona acredita que os períodos de crise são bons momentos para ampliar os investimentos.

"Essa turbulência é temporária e é possível ver sinais de reativação. Por isso, acabamos de construir um centro de desenvolvimento no Rio, cujos investimentos somaram R$ 20 milhões." A empresa também negocia parcerias para expandir seu portfólio.

As Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) são acordos que podem beneficiar tanto laboratórios estrangeiros, donos de patentes, como a indústria nacional, com vantagens para o governo e a população. Na prática, esses entendimentos estão empacados e correndo riscos pelas frequentes mudanças no Ministério da Saúde.

Bernardo diz que equipes executivas da Interfarma e da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob) elaboram um documento conjunto para reivindicar ao governo uma solução para o entrave das PDPs. "Hoje, a revisão de contratos criou um ambiente de incertezas, em que ninguém sabe quais parcerias serão executadas nem quando irão começar. É preciso uma segurança jurídica." As indústrias farmacêuticas filiadas à Interfarma, segundo ele, que dispõem de altas tecnologias, não se sentem seguras em relação ao parceiro.

"Muitos contratos que foram assinados não estão acontecendo. As PDPs foram criadas com o objetivo de transferir tecnologia da iniciativa privada para laboratórios públicos, possibilitando a produção de medicamentos estratégicos para o país", ressalta. "No entanto, as últimas mudanças no Ministério da Saúde acabaram resultando numa revisão das regras para contratos, suspendendo temporariamente as PDPs anunciadas até 2015." No documento conjunto, Interfarma e a Alfob se manifestam favoráveis à existência das PDPs e se colocam à disposição para eventuais ajustes e melhorias na iniciativa, com base na experiência acumulada nos últimos anos. "As parcerias que anualmente vinham sendo assinadas desde 2015 cessaram e ficaram aguardando a posição definitiva do Ministério da Saúde, que não veio", diz Bernardo.

Há exemplos bem-sucedidos dessas parcerias. Em 2015, o laboratório Sanofi assinou globalmente mais de 75 acordos de pesquisa com parceiros internacionais e nacionais. "Temos parcerias no Brasil com laboratórios e instituições de pesquisa locais", diz Pius Hornstein, diretor-geral da Sanofi no Brasil. Um deles vem da divisão de vacinas da companhia, a Sanofi Pasteur. "Entre eles, está a PDP para desenvolvimento da vacina contra gripe com o Instituto Butantan. Há ainda a parceria entre a Sanofi Pasteur e a Fundação Oswaldo Cruz, que permitiu a introdução da vacina inativada contra poliomielite na campanha de imunização do Ministério da Saúde." A receita da empresa cresce acima da média do mercado brasileiro, a um ritmo de dois dígitos. "Esse desempenho reflete majoritariamente nosso portfólio de produtos", diz Hornstein. Em 2015, a empresa desembolsou 14 milhões de euros em pesquisa clínica no Brasil. "Temos 56 estudos clínicos em andamento no país, nas fases 2 , 3 e 4, envolvendo cerca de 6,4 mil pacientes. Globalmente, a Sanofi pretende elevar o investimento em pesquisa e desenvolvimento, de 5,2 bilhões de euros por ano em 2015 para 6 bilhões de euros por ano até 2020." A Novartis também prevê crescimento de dois dígitos para 2016. "As divisões de oncologia e de genéricos são os destaques da nossa performance deste ano, apesar do cenário econômico instável no Brasil", diz José Antonio Vieira, presidente do grupo Novartis. Nos últimos três anos, os investimentos somaram mais de RS 222 milhões em pesquisas clínicas, beneficiando mais de 30 mil pacientes em mais de 300 centros de pesquisa no Brasil. "Na área farmacêutica, temos mais de cem pesquisas clínicas em diversas áreas terapêuticas, como dermatologia, oftalmologia, cardiologia e respiratória, e apoiamos diversos projetos inovadores." A estratégia da Novartis é aumentar mais a liderança na área de terapia alvo molecular e investir na próxima geração de terapias imuno-oncológicas. "No Brasil, até o fim de 2016, iniciaremos três estudos novos de câncer de mama e quatro de câncer de pulmão em quase 50 centros de pesquisa clínica. Todos os sete estudos que estão sendo realizados com terapias alvo moleculares bloqueiam o crescimento e a progressão do tumor." Em julho deste ano, a Novartis anunciou uma parceria com a Xencor, empresa americana, para o desenvolvimento de anticorpos bio específicos para o tratamento de câncer.

O Brasil é o maior mercado para a Pfizer na América Latina. O ano de 2016, diz Victor Mezei, presidente da Pfizer Brasil, marca o fortalecimento do portfólio de oncologia da empresa no país, com a chegada de dois novos medicamentos: o Xalkori (crizotinibe), primeiro medicamento de administração oral para o tratamento do câncer de pulmão. Já o Inlyta (axitinibe) é indicado para pacientes com carcinoma de células renais avançado, tipo mais comum de câncer de rim. "Outra área de destaque para a Pfizer Brasil em 2016 é o segmento de doenças raras, que desde 2015 se tornou um dos focos prioritários da companhia para investimentos em pesquisa e desenvolvimento." A Pfizer investe em âmbito mundial U$S 7,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, e o Brasil representa um importante polo de pesquisa clínica. "Atualmente, o país desenvolve 44 estudos, que representam 21 moléculas." No Brasil, no ano passado, a empresa investiu em RS 30,2 milhões em infraestrutura e novos equipamentos. Em 2016, a companhia completou a transferência de sua produção de saúde humana para a planta de Itapevi, na Grande São Paulo, uma operação que demandou um aporte de U$S 27 milhões para a expansão e modernização da fábrica.

A Aché aplicou RS 160 milhões nas áreas de inovação e desenvolvimento, afirma Paulo Nigro, presidente da empresa. Segundo ele, no fim do ano passado, a empresa inaugurou um laboratório em Guarulhos, na Grande São Paulo, voltado à inovação. Como seus concorrentes, o objetivo é crescer dois dígitos neste ano. "Em 2015, o incremento foi de 13,5% sobre o ano anterior, ao atingir uma receita bruta cie RS 5,16 bilhões. Para 2016, a meta é crescer acima do mercado." A Aché também fez parcerias com empresas de pesquisa e desenvolvimento nacionais e internacionais.

O produto Innelare foi desenvolvido com a empresa inglesa Oxford Pharmascience. Já o probiótico Prolive contou com participação da Capsugel, e o Provance e o Colikids, com a sueca BioGaia, segundo Nigro.

Outra parceira de destaque na área de inovação incremental foi firmada com a sueca Ferring Farmaceuticals.

"A parceria visa a construção de um laboratório para o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica baseada em nanotecnologia no Brasil, sendo aplicável para o desenvolvimento de novos medicamentos, alimentos e cosméticos."




Indústria aposta nas parcerias

18/10/2016 - Valor Setorial - Saúde


Medicamentos fabricados a partir de células vivas, os fármacos biológicos são considerados a nova fronteira da indústria farmacêutica. Com um mercado global estimado de U$S 297 bilhões em 2020, a uma taxa de crescimento anual perto de 10%, segundo a consultoria Persistence Global Market, as farmacêuticas fazem apostas altas nesta classe de medicamentos.

No Brasil, a estratégia para entrar na era dos medicamentos biológicos inclui as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), que necessitam de duas partes, um laboratório privado, detentor da tecnologia, e um público que vai absorver aquele conhecimento. As PDPs formadas com foco em biológicos estão com o cronograma em dia, algumas com fábricas prontas, iniciando a produção, outras testando os medicamentos e uma parte no início do processo, que inclui importação e embalagem dos fármacos.

"Do ponto de vista das empresas, o ritmo é adequado e estamos trabalhando para a produção, registro dos medicamentos e teste de forma intensa", diz Reginaldo Arcuri, presidente do FarmaBrasil, grupo fundado em 2011. As PDPs, segundo ele, são para produzir biossimilares, medicamentos com as mesmas características de eficácia e segurança dos biológicos originais, hoje importados. Arcuri alerta, contudo, que a segurança jurídica dos projetos precisa ser garantida. "Temos pedido ao Ministério da Saúde que julgue alguns recursos de 2015, de consórcios que não foram escolhidos para as PDPs, e manutenção das regras atuais, importante em um mercado com investimentos bilionários e de longo prazo. Queremos menos hiperatividade do regulador." O ministério trabalha em ajustes no formato das PDPs, mas não tem data para concluir a revisão das regras.

O grupo de farmacêuticas que compõem a FarmaBrasil - Aché, Biolab, Bionovis, Cristália, EMS, Eurofarma, Libbs, Hebron e Orygen investiu nos biológicos, em pesquisa e fábricas, R$2,5 bilhões nos últimos cinco anos. "As perspectivas são fantásticas.

Vamos acelerar a partir de agora", diz Arcuri.

Estudo da FarmaBrasil aponta que houve crescimento de 458,5% na importação de medicamentos biotecnológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2005 e 2015. No || período, o peso dos biológicos de alta complexidade no déficit comercial da área farmacêutico saltou de 11,5% para 28,6%, totalizando USS 1,9 bilhão ao ano. "O mundo todo corre atrás dos Estados Unidos, onde 60% das novas moléculas são produzidas, portanto o atraso não é só nosso, mas precisamos acompanhar de perto." Segundo dados do Ministério da Saúde, apesar de equivalerem a cerca de 4% dos medicamentos comprados, os biofármacos representam 51% dos gastos. Ao todo, as PDPs disponibilizam 26 biofármacos à população atendida pelo SUS para tratamentos como oncológico, imunoterapia, vacinas, artrite, entre outros.

O laboratório Cristália, com 16 PDPs (três em biossimilares), tem duas plantas certificadas e em operação. A inaugurada em 2013 produz três medicamentos biossimilares em fase de testes clínicos - trastuzumabe (para tratamento de câncer), etanercept (doenças autoimunes) e somatropina (hormônio do crescimento humano).

Os dois primeiros são em parceria com a Bio-Manguinhos e o terceiro está em fase de rearranjo. Na outra unidade, inaugurada em 2014, é produzido o 1FA Colagenase, para tratamento de feridas e queimaduras.

"Nós saímos na frente porque há 12 anos, quando havia a ameaça de faltar matéria-prima para a pomada, tivemos de buscar alternativas e desenvolver nós mesmos", conta Odari Pacheco, presidente da Cristália.Em 2015, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro da Colagenase Cristália, primeiro insumo biotecnológico obtido a partir da biodiversidade brasileira e com desenvolvimento 100% nacional. Pacheco acredita que o trastuzumabe e o etanercept estarão no mercado em até dois anos. Os investimentos do Cristália em pesquisa e desenvolvimento chegam a 6% do faturamento anual, perto de RS 100 milhões. A Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo desenvolvimento tecnológico pela produção de biofármacos, está presente em boa parte das PDPs, como parceiro público. A empresa é um dos fornecedores do Programa de Medicamentos Excepcionais do Ministério da Saúde.

"Como produzimos há décadas vacinas, temos um histórico importante e que nos ajudou a ingressarem biológicos de segunda geração", diz Artur Couto, diretor da Bio-Manguinhos.

Ao todo, são 14 PDPs, a maior parte em discussão e cinco assinadas.

Outro laboratório 100% brasileiro que viu nas PDPs uma oportunidade de acelerar seu projeto cle fármacos biológicos é a Libbs, que prepara a inauguração da sua unidade de anticorpos monoclonais. Com investimento de RS 227 milhões só na planta, a unidade Biotec foi projetada para produzir seis biossimilares, no futuro.Já em produção no local está o terceiro lote do rituximab (doenças autoimunes), que será avaliado pela Anvisa. "É um remédio contra artrite reumatóide e linfoma, pelo nosso cronograma acreditamos que chegue ao mercado até 2018", afirma Márcia Martini Bueno, diretora de relações institucionais.

"As PDPs são um acelerador dos investimentos, mas não é nosso foco, o projeto da Libbs em biotecnológico é maior. Tanto que estamos nos certificando nas agências europeia (EMA) e americana (FDA) para podermos exportar", diz Marco Dacal, diretor de unidade de negócios B2B.

"Assumimos um risco de tocar em paralelo a construção da fábrica, os estudos clínicos e a produção do produto." A unidade terá capacidade para produzir400 quilos por ano de biotecnológicos, enquanto hoje o mercado brasileiro consome bem menos, 80 quilos por ano. "Isto mostra que acreditamos neste mercado, tanto em vendas internas quanto no exterior." O investimento da Libbs em pesquisa e desenvolvimento neste ano chega a 17% do faturamento, ou RS 1,5 bilhão, incluindo pesquisas em inovação radical, para desenvolver suas próprias moléculas.

Na alemã Merck, que está transferindo a tecnologia para produção do Rebif (betainterferona) para a Bio-Manguinhos, os biológicos representam 40% do portfólio no país, todos importados. "É globalmente nossa principal área de investimentos no mundo, é a fronteira de inovação da indústria farmacêutica", diz o CEO Guilherme Maradei. Segundo ele, os biológicos não crescem tanto no Brasil quanto poderiam por conta de restrições orçamentárias do governo, o que reduz a incorporação pelo SUS. Maradei cita o Erbitux, para câncer de colo retal, neoplasia que registra 32 mil casos todo ano, e não é reembolsado pelo SUS.

A parceria de transferência de tecnologia para fabricar no país o Rebif foi fechada em 2015 entre Merck, BioManguinhos e Bionovis. "O governo gasta por ano RS 315 milhões com tratamento de esclerose múltipla; com o acordo de transferência de tecnologia só nos primeiros sete anos, período pai a concluir a transferência, a economia será de R$ 200 milhões", diz Maradei. Depois, apenas nos primeiros seis anos, a economia superará RS 400 milhões. Ao final dos sete anos, o medicamento passa a ter 100% de produção local e a ser fabricado pela Bio-Manguinhos.

O mercado local de biossimilares levou a acordos para a criação de dois grandes laboratórios, a Bionovis (Aché, EMS, Hypermarcas e União Química) e a Orygen, associação Eurofarma e Biolab. Ambos participam de PDPs importantes e em fases diferentes de projeto.

A Orygen tem uma PDP fechada em 2015 com a Pfizer para a produção de cinco anticorpos monoclonais, biossimilares: trastuzumabe, rituxumabe, adalimumabe, infliximabe e bavacizumabe. "A nossa planta terá condições de produzir qualquer um deles ou todos, se for o caso, mas dependemos de uma definição do Ministério da Saúde sobre a PDP, esperamos que fique claro o que poderemos produzir e quanto", diz Andrew Simpson, diretor científico. Se tudo der certo, os biossimilares poderão chegar ao mercado em 2018.

"Ainda não sabemos se será importado ou se começaremos a venda com produção nossa. Talvez a fase de importação não seja necessária", diz Simpson, citando o inflixumabe e o trastuzumabe como os primeiros a chegar ao mercado.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) aprovou o financiamento de RS 200 milhões, de um total de RS 300 milhões necessários para instalar a unidade em Valinhos (SP).

Na Bionovis, um dos principais acordos de PDP foi fechado com a Janssen e a Bio-Manguinhos para produzir o infliximabe, fármaco que está sendo importado para distribuição no país. "Conhecemos todo o processo de segurança e manutenção do produto durante o transporte e distribuição, agora vamos fornecê lo aqui. Estamos no segundo ano da PDP e, portanto, temos mais cinco para concluir todo o processo de transferência de tecnologia", afirma o presidente da Bionovis, Odnir Finotti.

Em 2017, a empresa começará a formular no país o infliximabe, iniciando testes clínicos. Produção só a partir de 2019. "Este ano, entregaremos 335 mil unidades do infliximabe importadas, equivalente a toda a necessidade do SUS." Para Finotti, o projeto das PDPs é o primeiro passo, começa com a transferência de tecnologia para estender os fármacos biotecnológicos, mas precisa avançar. "Ficaremos prontos para gerar nossos próprios produtos. Estamos em paralelo desenvolvendo nosso projeto de inovação em biológico, estamos pesquisando, estudando quais seriam os produtos de maior interesse pelo Brasil e o mundo."




Parcerias para obras de hospitais evidenciam dificuldades

18/10/2016 - Valor Econômico


Um hospital é referência internacional e sofre para lidar com a demanda crescente; outro é subutilizado por falta de verbas; o terceiro está com licitação assinada há mais de dois anos, mas o terreno onde será construído ainda não foi liberado para obras.

Frutos de parcerias público-privadas (PPPs), esses três casos ilustram os tortuosos caminhos que poder público e iniciativa privada muitas vezes percorrem para concretizar projetos juntos. Também refletem as dificuldades para essa modalidade avançar no país.

No Estado mais rico do Brasil e com a maior tradição em privatização, em julho de 2014 foi assinada a PPP dos Complexos Hospitalares para a construção de três hospitais: na região da cracolândia, no centro de São Paulo, em São José dos Campos e em Sorocaba, um acréscimo de 580 leitos e 3 mil atendimentos ambulatoriais mensais à rede estadual de saúde.

A construtora Construcap investiu tempo e recursos no projeto vencedor do edital da PPP, comprometendo-se a investir cerca de R$ 740 milhões em obras, compra e instalação de equipamentos dos três hospitais. Com as unidades inauguradas, a empresa será responsável, por 20 anos, pela chamada "bata cinza" - operação de todo o hospital com exceção da área clínica ("bata branca").

No interior, as obras estão em andamento, com abertura ao público programada para fevereiro de 2018. Já na unidade da capital paulista, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) não conseguiu liberar completamente o terreno que abrigará o novo hospital Pérola Byington. À época da assinatura da parceria, o secretário Estadual da Saúde, David Uip, disse que "o principal benefício da PPP para a construção de hospitais está na agilidade para a implantação de serviços associada à economia de recursos públicos."

A Construcap não quis comentar o assunto, mas a repercussão é bastante negativa no mercado. "Para participar de uma empreitada dessa, o investidor privado gasta com estudos, levanta capital, estrutura garantias. Dois, três anos depois da licitação o custo desse projeto é outro, a realidade econômica é outra, como explicar esse detalhe do terreno para acionistas ou para fundos e bancos que me financiam ou dão garantia?", questiona, reservadamente, um empresário que tem negócios em parceria com o setor público.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo argumenta que a PPP, feita em dois lotes, "foi uma decisão estratégica e acertada, com aval da Procuradoria Geral do Estado", permitindo começar as obras dos dois hospitais no interior, e que não teve nenhum gasto com o projeto atrasado na capital. Além disso, o antigo hospital Pérola Byington segue de portas abertas "até que seja possível realizar a transferência para o novo prédio."

O governo Alckmin desapropriou 26 imóveis do terreno de 11,3 mil m2 onde será o futuro hospital, mas resta o último, uma borracharia e distribuidora de pneus, empresa familiar com quase 70 anos de existência e instalada no local há mais de 40 anos. O dono do estabelecimento, Horacio Zacharias, não gostou da oferta de indenização para a desapropriação de sua propriedade, com cerca de 5 mil m2. Levou o caso à Justiça há dois anos; o processo corre até hoje.

Ele explica que o governo estadual ofereceu inicialmente cerca de R$ 2,2 mil por metro quadrado, totalizando aproximadamente R$ 10,5 milhões - hoje, a referência para venda de imóvel comercial na cidade de São Paulo é de, em média, R$ 10,8 mil por metro quadrado, informa a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Segundo o empresário, a oferta foi melhorada recentemente, mas ele segue insatisfeito. O juiz do caso determinou que o valor do metro quadrado do terreno fosse estipulado por um perito independente. "Mesmo com toda a deterioração da região por causa da cracolândia, da insegurança, da sujeira, todo mundo sabe que o potencial de valorização é imenso", afirma Zacharias.

Em Belo Horizonte, a reclamação fica por conta da Vivante, empresa que participa da PPP do hospital municipal do Barreiro. Philippe Enaud, presidente da Vivante, diz que enfrentou "negociações exaustivas" por cerca de nove meses com a prefeitura para tentar receber a remuneração prevista em contrato pela construção e operação ("bata cinza") do hospital.

"Entregamos o hospital, mas a administração pública não paga corretamente a contraprestação pelos nossos investimentos. O contrato teve que passar por reequilíbrio econômico-financeiro, numa negociação exaustiva. Em contexto de crise fiscal e dificuldade para receber, é natural que o privado procure segmentos com fontes de pagamento mais seguras, como iluminação", afirma Enaud.

O argumento dele é que o consórcio vencedor da PPP construiu e equipou o hospital, deixando-o pronto para funcionar com capacidade total; logo, a expectativa de retorno financeiro pelo investimento feito, de mais de R$ 200 milhões, equivale a indicadores baseados em uma taxa de ocupação de 100% dos 451 leitos. O problema é que a prefeitura não tem dinheiro suficiente para honrar sua parte da parceria, que é contratar e pagar profissionais da "bata branca" (médicos, cirurgiões). O resultado é que o novo hospital, entregue em dezembro, opera abaixo de 15% de sua capacidade, e o pagamento ao parceiro privado reflete esse desempenho.

"Num contrato de longuíssimo prazo, comum às PPPs, conflito entre as partes é natural. Foi preciso recorrer ao reequilíbrio econômico-financeiro nesse caso, que é um instrumento contratual válido. Vamos pagando de acordo com o nível de atividade, mantendo perspectiva de alta desse desempenho", justifica Júlio Onofre, presidente da PBH Ativos, empresa da prefeitura responsável pelas PPPs.

Ele não garantiu quando o hospital estará funcionando plenamente e lembrou que trata-se de uma unidade "100% SUS", com 50% do custeio feito pela prefeitura e os outros 50% divididos igualmente entre governo estadual e Ministério da Saúde. "Os repasses atrasaram. Uma PPP se torna ainda mais complexa quando a parte de financiamento envolve os três entes da federação", acrescentou Onofre.

O Ministério da Saúde informou que transferiu à prefeitura de Belo Horizonte R$ 15 milhões em junho deste ano, valor referente à sua participação em 2016 no hospital do Barreiro dentro do programa federal Pro-Hosp Gestão Compartilhada. A Secretaria Estadual da Saúde de Minas não respondeu.

Na periferia de Salvador, a experiência do Hospital Estadual do Subúrbio é paradoxal. Inaugurado em 2010 como a primeira PPP na área de saúde do país, a unidade logo se transformou em referência internacional pela qualidade do atendimento e eficiência de gestão. O sucesso atraiu a população mais pobre de outras áreas da capital baiana, de outras cidades do Estado e até usuários de classe média com plano de saúde.

Com a explosão da demanda, a modelagem do contrato da PPP entre o governo baiano e a parceira privada Vivante enfrentou dificuldades. Houve muita discussão sobre como manter o contrato atualizado e ajustar os valores da remuneração pagos pelo poder concedente. Foi necessário lançar mão do reequilíbrio econômico-financeiro constantemente - em concessão tradicional, esse instrumento seria uma espécie de aditivo contratual.

"Quando a demanda começou a extrapolar pensamos: 'Tem alguma coisa errada com a modelagem da parceria'. Mas a percepção de erro na interpretação de um contrato é algo subjetivo. É preciso buscar entendimento dentro do setor público e se preparar para novos desafios institucionais. Costumo dizer que o que vivemos no Hospital do Subúrbio é um problema saudável", avalia Manuel Vitório, secretário Estadual da Fazenda da Bahia e presidente da Rede PPP, entidade que envolve governos com o objetivo de desenvolver as parcerias público-privadas no Brasil.

Mortalidade infantil dispara na Venezuela assolada pela escassez

18/10/2016 - Valor Econômico


A equipe do Hospital Universitário da cidade de Cumaná, no leste da Venezuela, encaminhou à incubação dois bebês prematuros poucos meses atrás. Mas, devido à escassez que aflige o país, o hospital tinha apenas uma incubadora, o que obrigou a equipe a fazer uma escolha cruel. Ela optou por colocar o mais forte na incubadora. O outro morreu alguns dias depois.

Cenas como essa continuam a ocorrer, diariamente, no país acossado pela crise. Nos primeiros cinco meses do ano, 4.074 bebês morreram antes de chegar a 1 ano de idade. O número representa uma alta de 18,5% em relação a igual período do ano passado e um acréscimo de mais de 50% se comparado ao mesmo período de 2012.

A mortalidade infantil está crescendo rapidamente na Venezuela, num momento em que está caindo em quase todo o mundo. Este é um dos sinais mais alarmantes de que as estruturas social e pública do país estão se esgarçando.

"Acho que isso representa um problema social muito grave, em que as funções básicas do governo estão se dissolvendo", disse Janet Currie, economista e especialista em mortalidade infantil da Universidade de Princeton.

A taxa de mortalidade infantil (de mortes que ocorrem no primeiro ano de vida) da Venezuela é de 18,6 por 1 mil nascidos vivos, de acordo com dados do governo. A proporção vai muito além do limite superior de 15,4 estimados pela Unicef para a Síria em guerra.

As mortes de bebês na Venezuela continuam mais raras do que nos países mais pobres do mundo, como o Sudão do Sul e o Congo, mas estão aumentando rapidamente, enquanto as taxas observadas nesses países têm caído.

A Venezuela era vista no passado como modelo em assistência médica na América Latina. Mas a escassez de moeda forte, instaurada pelos baixos preços do petróleo e por anos de má gestão, gerou escassez de todos os produtos.

Os dados estatísticos de mortalidade infantil na Venezuela são difíceis de obter porque o governo deixou de divulgá-los. Os médicos dos hospitais públicos, nos quais nasce a maioria dos bebês, muitas vezes são ameaçados de perder o emprego por divulgar os dados.

O estado terrível da assistência médica - no passado uma viga mestra da chamada revolução popular do governo socialista - se tornou um segredo de Estado na Venezuela, com seguranças armados vigiando as unidades de assistência médica e expulsando os jornalistas que conseguem entrar.

Em setembro os venezuelanos ficaram horrorizados com fotos de recém-nascidos acomodados em caixas de papelão no hospital Domingo Guzmán Lander, no Estado de Anzoátegui. O governador do pobre Estado litorâneo disse que as caixas estavam substituindo as incubadoras, e acrescentou que voluntários poderiam decorá-las.

Os hospitais às vezes não têm água corrente e desinfetantes, e muitas vezes enfrentam escassez de antibióticos e de leite em pó.

Rosa Angela Lara, de 18 anos, deu à luz um menino de 2,9 kg, em abril. Alguns dias depois, após manchas azuis começarem a se espalhar pelo seu corpo, ele morreu vítima de uma infecção agressiva que tomou conta do Hospital Antonio Patrico Alcalá, em Cumaná.

"Como puderam dizer que ele estava bem e, de repente, ele não estava?", disse em lágrimas a estudante universitária Rosa Angela.

Mais de cem outros bebês morreram nesse hospital de Cumaná nos quatro primeiros meses do ano, quando as enfermeiras não conseguiram comprar sabonete e a água era cortada por horas.

"É um pesadelo", disse Ana Molina, pediatra da divisão neonatal.

Em setembro, 36 dos 43 recém-nascidos em tratamento intensivo no hospital morreram, segundo Luis Vegas, ex-diretor da ala da maternidade e que ainda tem acesso aos registros epidemiológicos.

Depois de racionamentos de água que duraram dias no Hospital Luis Ortega em Porlamar, cidade na turística Ilha Margarita, sete recém-nascidos morreram em menos de uma semana em decorrência de um surto de bactérias disseminado por matéria fecal, disseram médicos à imprensa.

No leste do país, no Hospital Raúl Leoni, em Puerto Ordaz, os bebês sofriam com o calor de agosto de 35 °C. A geladeira estava quebrada, o que impedia o armazenamento de leite. Os médicos disseram que não havia álcool, antibióticos ou cotonetes. As mortes de bebês foram de 15 por mês em 2015 para 30 por mês neste ano.

"Se tivéssemos todo o material e o equipamento, possivelmente esses bebês teriam sobrevivido", disse o médico do Raúl Leoni.

A situação põe em perigo as mães também. As mortes maternas relacionadas ao parto nos hospitais públicos quintuplicaram em relação a 2012, segundo estatísticas do governo. Isso contraria a tendência mundial de queda de 44% da mortalidade materna desde 1990, de acordo com a ONU.

Há alguns meses, María de los Angeles Carreño, estudante de 19 anos de Porlamar, estava empolgada com o nascimento da filha. Exames de ultrassom revelaram que a gravidez evoluía normalmente.

Mas em abril ela começou a ter dificuldades de respirar, que, de acordo com as apreensões de seu médico, poderiam se transformar em um ataque de asma. Ela foi levada ao Hospital Luis Ortega. Seu estado piorou e ela foi posta em coma induzido. Três dias depois, os médicos começaram a tirá-la do coma e induziram o trabalho de parto.

Mia Milagros Gil Carreño nasceu prematuramente em 10 de abril, pesando 1,5 kg. Com boa assistência neonatal, ela provavelmente teria sobrevivido, mas uma enfermeira trouxe más notícias: não havia incubadoras disponíveis. Mia morreu três horas após o nascimento.

O quadro da mãe do bebê começou a se agravar. Ela precisaria de oxigênio, teria sido dito a membros da família, segundo informação deles, mas os balões de oxigênio do hospital estavam vazios.

Após sepultar a recém-nascida, a prima de María de los Angeles, Lorenis Martínez, rezava por ela perante uma desbotada imagem da Virgem do Vale, a padroeira da ilha. María de los Angeles morreu de falência múltipla dos órgãos causada por choque séptico.

"Foi como se eu tivesse sido apunhalada no peito", disse Lorenis. "Perdemos as duas."




PepsiCo investe no uso de menos sal, açúcar e gordura

18/10/2016 - Valor Econômico


APIndra Nooyi, presidente do conselho de administração: sem perder o sabor

A PepsiCo vai gastar bilhões de dólares para criar bebidas e salgadinhos e reformular os existentes com menos açúcar, sal e gordura, à medida que os consumidores demandam opções mais saudáveis e as autoridades reguladoras intensificam a pressão para conter a epidemia de obesidade.

A fabricante foi uma das pioneiras em oferecer produtos com níveis reduzidos de ingredientes que podem fazer mal à saúde. A PepsiCo afirma que um pacote de suas batatinhas contém menos sal que uma fatia de pão branco. No entanto, seu novo plano de dez anos deixa claro que a empresa acredita que tem ainda um longo caminho a percorrer.

A mudança nos hábitos alimentares, que levou a uma forte queda no consumo de refrigerantes como a Pepsi, obrigaram o setor a promover alterações radicais. Essas mudanças, porém, ainda não se refletiram nos níveis recorde de obesidade, que chegaram a 36,5% da população nos Estados Unidos.

A presidente do conselho de administração da PepsiCo, Indra Nooyi, disse ao "Financial Times" que o plano para tornar seus produtos mais saudáveis também é importante para o crescimento da empresa.

Quanto à questão da obesidade, ela destacou que o estilo de vida dos consumidores mudou de forma significativa, com muitas pessoas ficando mais sedentárias, inclusive porque passam mais tempo em frente a seus computadores. Indra disse que a contribuição da PepsiCo é produzir salgadinhos mais saudáveis e que ainda sejam saborosos.

"Mesmo antes de as pessoas estarem falando sobre obesidade, víamos mudanças nas tendências dos consumidores e percebemos que não podíamos continuar crescendo com nossa linha principal" se não fizéssemos mudanças radicais, disse Indra. "Esses objetivos estão relacionados ao crescimento de nossa linha principal."

"A sociedade precisa mudar seus hábitos", acrescentou. "Não podemos fazer muito para [alterar] estilos de vida sedentários, mas podemos proporcionar aos consumidores produtos com ótimo sabor, com pouco sal, açúcar e gorduras. No passado, precisávamos ter uma perda no sabor. Agora, estamos acabando com essa perda."

O plano da PepsiCo para suas bebidas e alimentos faz parte de metas mais amplas da empresa, baseadas em diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que na semana passada defendeu o uso de impostos sobre refrigerantes para reduzir o consumo de açúcar. As iniciativas incluem esforços para reduzir seu impacto ambiental, o consumo de água e o material usados nas embalagens até 2025.

A PepsiCo vai reduzir o número de calorias referentes à adição de açúcar para menos de 100 calorias por 12 onças (28,35 gramas) em "pelo menos" dois terços de sua carteira internacional de bebidas. Atualmente, estão dentro dessa meta 40% de suas bebidas em seus dez maiores mercados, que representam 80% da receita.

Mais de 75% dos produtos alimentares da empresa no mundo vão ter 1,1 grama ou menos de gorduras saturadas por 100 calorias. A mesma proporção de seus salgadinhos no mundo vai conter 1,3 grama ou menos de sal por caloria. Cerca de metade de seus produtos alimentares globais estão dentro dessa meta atualmente.

Rivais como a Coca-Cola e a Mondelez International também vêm se diversificando e se afastando de alimentos e bebidas considerados "não saudáveis". Ambas têm planos para reduzir o conteúdo de açúcar, sal e gorduras, mas as metas são difíceis de comparar.

A Coca-Cola almeja oferecer bebidas com poucas ou nenhuma caloria em todos os mais de 200 países nos quais opera até 2020. Atualmente, atingiu esse objetivo em 191 deles. A Mondelez espera que metade de seus salgadinhos sejam definidos como sendo de "bem-estar", um termo ambíguo, até 2020. Também pretende reduzir o sódio e as gorduras saturadas em 10% de seus produtos. Sua meta de redução de açúcar não foi divulgada.

A PepsiCo não informou exatamente quanto planeja investir para atingir suas metas. O chefe da área científica da empresa, Mehmood Khan, disse que a PepsiCo dobrou os gastos em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos e que está "comprometida a sustentar os investimentos", acrescentando que cortes de custos não são uma forma de elevar as vendas. O orçamento de pesquisa e desenvolvimento da PepsiCo em 2015 foi de US$ 754 milhões.

Khan disse que os amplos compromissos assumidos pela PepsiCo no passado para reduzir o consumo de energia, usar água de forma mais eficiente e reduzir o desperdício geraram economias de US$ 600 milhões. O novo plano de dez anos inclui devolver toda a água que usar em "áreas de alto risco" para a mesma fonte de onde a tirou, além de iniciativas para reduzir o uso de energia e o desperdício.

Clipping de Notícias - 13/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 13/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Medicamento semanal para diabetes tipo 2 é lançado

12/10/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Uma terapia semanal para o tratamento da diabetes tipo 2 agora está disponível no Brasil. O Trulicity, uma caneta que injeta o medicamento dulaglutida, da farmacêutica Lilly, já estava presente em dez países, entre eles EUA, Inglaterra, Japão e México.

A dulaglutida é uma substância que estimula o organismo a liberar insulina, hormônio que ajuda no controle do açúcar no sangue. Além disso, atrasa o esvaziamento do estômago.

A substância tem efeito análogo ao hormônio GLP-1, que é liberado quando a pessoa se alimenta e tem o efeito de estimular secreção de insulina.

O funcionamento do medicamento é semelhante ao da Victoza, liraglutida, que necessita de aplicações diárias.

Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) lançado este ano, afirma que cerca de 422 milhões de adultos do mundo todo tinham diabetes em 2014. O número era de 108 milhões em 1980. Isso significa que atualmente cerca de 8,5% da população mundial apresenta a doença.

Em 2012, segundo o mesmo relatório, a diabetes provocou 1,5 milhão de mortes.

No Brasil, cerca de 8,1% da população vive com a doença, o equivalente a aproximadamente 16 milhões de pessoas.

A dulaglutida, em caixa com duas canetas, pode ser encontrado por valores próximos a R$ 230.

A liraglutida pode ser encontrada a partir de R$ 375.




Foco em genéricos garante resultado bom das distribuidoras de remédios

13/10/2016 - DCI


Na contramão do setor de transportes terrestres, que retraiu 9,5% no primeiro semestre deste ano, segundo o IBGE, as distribuidoras de medicamentos fecharam o período com alta de 11,9% nas vendas. Focando nos genéricos, em ações de redução de custos e treinamento dos representantes, elas têm conseguido passar ao largo da recessão.

As empresas do ramo, que fornecem serviços de distribuição e logística de medicamentos e produtos de higiene e beleza, faturaram nos primeiros seis meses deste ano R$ 7,72 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan). Em termos de unidades vendidas, foram mais de 470 milhões.

Para o diretor executivo da Associação dos Distribuidores de Medicamentos do Estado de São Paulo (Admesp), Geraldo Monteiro, o setor de saúde como um todo foi pouco afetado pela crise, principalmente por lidar com artigos essenciais. "As pessoas não deixam de comprar medicamentos, mesmo que tenham que abrir mão de outros produtos", afirma, completando que o setor teve uma desaceleração com a crise, mas que mesmo assim a taxa de crescimento continuou em patamares altos.


FOCO EM GENÉRICOS


Segundo ele, outro ponto relevante para o bom desempenho é o fato de as empresas focarem nos remédios genéricos e similares, que têm ganhado maior preferência do cliente com a crise. "O nosso grande core business é justamente esse, ofertar produtos mais competitivos. É isso que permite um crescimento mais acelerado: o fato de o comprador hoje se preocupar mais com o preço", afirma.

A distribuidora One Medicamentos, que atua no Estado de São Paulo e atende mais de 4 mil clientes, é um exemplo categórico dessa realidade. De janeiro a junho, as vendas da companhia avançaram 36%, na comparação interanual. No acumulado do ano, por sua vez, a empresa já faturou R$ 29,293 milhões, sendo que em 2015 o faturamento fechou em torno de R$ 22,615 milhões, de acordo com o dono da companhia, Marcos Avelar.

"Como trabalhamos com genéricos e similares a crise até foi positiva para nós, porque ela estimulou o consumidor a se preocupar mais com o preço e a optar por esses produtos", afirma o empresário. Diante disso, a One Medicamentos tem investido forte nesse segmento, e os genéricos e similares respondem hoje por 75% das vendas da companhia, enquanto os itens de perfumaria representam 25%.

Outro aspecto fundamental para ultrapassar o período de instabilidade econômica é o investimento constante que a empresa faz nos chamados representantes de vendas. "Trabalhamos para conseguir angariar profissionais de alta qualidade, e damos treinamentos semanais para eles", diz. Dos três canais de venda, os representantes são os com maior participação no total, sendo responsáveis por 65% do todo. Já a venda on-line representa apenas 10% e a televenda os outros 25%.

A JK Medicamentos, que atende cerca de 7,5 mil clientes por mês, também vem apostando na preparação dos representantes como forma de alavancar as vendas. A empresa atua apenas com esse canal, e possui atualmente 97 vendedores. "Damos treinamentos constantes e 'reciclagem' de 12 em 12 meses", apontou o proprietário da companhia, José Carlos de Souza.

A empresa também tem um foco muito grande nos genéricos, que representam 65% das vendas. A JK trabalha ainda com a venda de medicamentos isentos de prescrição (ou OTC, na sigla em inglês), e com os similares, que são responsáveis por 25% do faturamento.

Apesar das ações adotadas pela companhia terem garantido que ela mantivesse o faturamento estável nos últimos 14 meses, Souza diz que o custo da operação aumentou muito com a recessão, o que tem comprimido a margem de lucro. "Nos últimos dois anos o custo operacional teve um aumento de aproximadamente 3% a 5%. Na nossa margem bruta, isso refletiu em uma diminuição na casa dos 10%", explica o empresário.

Ele afirma ainda que outro aspecto que tem prejudicado os negócios é a concorrência com empresas de outros estados, que cresceu nos últimos anos. Mesmo assim, a expectativa do executivo é de fechar o ano com um incremento de cerca de 5% a 7% no faturamento da distribuidora, em comparação com 2015.




Presa quadrilha que desviava medicamentos da Secretaria da Saúde do Ceará

11/10/2016 - Portal EBC


Nove pessoas foram presas em Fortaleza apontadas como integrantes de uma quadrilha que desviava medicamentos da Secretaria da Saúde do Ceará para revender a farmácias.

As prisões aconteceram durante a deflagração da Operação Tarja Preta, feita pela Polícia Civil do estado desde a última quinta-feira e finalizada hoje (11). Quase 85 mil comprimidos foram apreendidos, além de 860 frascos e ampolas de medicamentos variados e de esteroides e 19 canetas de insulina.

A investigação revelou que os medicamentos eram desviados da Secretaria da Saúde por dois funcionários terceirizados do órgão, que também eram os responsáveis por distribuir os itens a comerciantes da capital cearense. Além deles, estão entre os presos os donos e funcionários de uma farmácia e o dono de uma academia.

A quadrilha também atuava emitindo receitas e atestados médicos falsificados. Os presos foram indiciados por tráfico e associação por tráfico de drogas e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais.

Não-medicamento representa 33% da venda do setor

13/10/2016 - Diário do Nordeste Online


Já foi o tempo em que as farmácias vendiam apenas medicamentos aos consumidores, a cada dia, as prateleiras e gôndolas oferecem uma maior variedade de produtos. Cosméticos, dermocosméticos, suplementos alimentar, produtos naturais e lanches rápidos são apenas algumas das muitas opções que os clientes têm acesso nestes locais. Hoje, os chamados não-medicamentos representam 33,24% do volume comercializado nas grandes redes, e é considerado uma das grandes apostas para expansão do varejo farmacêutico.

As vendas desta categoria atingiram R$ 8,42 bilhões de janeiro a agosto deste ano, no País. Em 2011, a comercialização de não-medicamentos movimentou R$ 6,15 bilhões, enquanto que em 2015 correspondeu a R$ 12,07 bilhões, um incremento de 96,26%. É o que aponta o levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

"É uma tendência, se você for para as grandes farmácias de outros países você tem meia dúzia de medicamentos com receitas, que estão em espaços restritos, o restante (dos produtos) você pega e leva. Nos Estados Unidos tem lugares que você pega o produto, coloca no leitor e vai embora, é a automatização do serviço", explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma-CE), Antônio Félix Silva, referindo-se a tendência mundial chamada "one-stop shop", ou seja, numa única parada, o consumidor quer resolver rapidamente suas necessidades básicas de higiene, beleza e saúde.

Os dados da Abrafarma mostram ainda que no acumulado de 12 meses, entre setembro de 2015 e agosto de 2016, as vendas das farmácias foram de R$ 12,75 bilhões.


DERMOCOSMÉTICOS


Na rede Extrafarma, que conta com 72 lojas no Ceará e 292 no País, a representatividade de produtos considerados não-medicamentos é ainda maior do que a média do País, correspondendo a cerca de 40% das vendas gerais. Os produtos que ganham maior destaque são os capilares e os dermocosméticos. "Nós trabalhamos com uma série de laboratórios de fora (do País), como La Roche Posey, Roc, Galderma, uma categoria que ganha destaque dentro das nossas farmácias", explicou o diretor de marketing da Extrafarma, Rodrigo Pizzinatto. Ele ainda destacou as vendas de fraldas, produtos de higiene, além de suplementos alimentares e esportivos.

Pizzinatto enfatiza que mesmo em um momento de insegurança econômica e política no País, a rede investiu neste ano na expansão de suas lojas, além de assumir um novo posicionamento de marca e logística nas farmácias. "Nessa nova loja a gente trabalhou bastante a arquitetura e o mobiliário para ser mais atrativa aos clientes, focamos bastante na linha de beleza e também na categoria de farmácia em casa, aqueles medicamentos que você não precisa de receita, que você mesmo pega", explica o diretor de marketing.

Ele ressalta que devido a estratégia da rede, a marca apresentou um crescimento maior do que o percentual médio nacional. Apenas no primeiro semestre houve uma alta de 13% nas vendas. A rede espera ainda aumentar em 20% o número de lojas este ano, no País, em comparação com 2015.

O novo modelo começou a ser implantado no final do ano passado e já conta no Ceará com 12 unidades neste padrão. "A gente pretende continuar crescendo em ritmo acelerado e a região nordeste é um local muito importante para essa alta", conclui.


MENOR PREÇO


Em busca de comodidade e conveniência, os consumidores têm recorrido às grandes farmácias e drogarias como canais preferenciais para aquisição de itens de higiene, perfumaria, cosméticos e artigos de conveniência. O preço também é uma motivação para a escolha das drogarias. "Hoje, se você fizer uma cotação entre os preços do supermercado e das drogarias, muitas vezes a farmácia é mais barata, os supermercados perdem muito em frutas e carnes e acabam repassando o preço para os produtos de conveniência", argumenta o presidente da Sincofarma.

Para a professora universitária Cristiane Martins, a expansão da variedade de produtos considerados não-medicamento nas farmácias é uma vantagem para os consumidores. "Eu compro dermocosméticos, produtos de higiene, maquiagem, esmalte, entre outros. Você vem e resolve muitas coisas na mesma loja, é prático. É uma vantagem porque gera maior concorrência no varejo, o que é bom para o cliente", ressalta.


REGULAMENTAÇÃO


Para o presidente da Sincofarma, o crescimento das vendas em farmácias é resultado ainda da lei de diversificação de produtos ofertados nas drogarias. Cada estado possui uma regulamentação sobre a permissão do consumo de não-medicamentos nas drogarias. No Ceará, a lei estadual, nº 14.588/09, autoriza a comercialização de artigos de conveniência e a prestação de serviços de utilidade pública em farmácias e drogarias do Estado.

'Vai ter luta' na saúde e muito mais

12/10/2016 - Folha de S.Paulo


O gasto com saúde é o primeiro campo das batalhas que serão causadas pela aprovação do "teto" para as despesas federais. O próximo, que deve ser muito mais amplo e intenso, será o da Previdência. Outros virão.

A disputa vai se expandir para outros cantos do Orçamento. Vai envolver os interessados em serviços públicos de saúde e educação, tanto os mais ricos quanto os mais pobres. Vai envolver empresas beneficiárias de subsídios e reduções de impostos. Funcionários públicos. Beneficiários da Previdência e do seguro-desemprego.

Caso a emenda constitucional que limita os gastos federais seja aprovada tal como passou em primeiro turno na Câmara, haverá disputa por uma quantidade fixa de dinheiro, como agora o povo começa a perceber. Fixa por pelo menos uma década, caso os próximos governo e Congresso não decidam derrubar o "teto" —tudo é possível.

Por enquanto, grita-se contra a perspectiva de que a verba mínima para a saúde não vá crescer tal como o previsto na norma atual. Se a verba mínima permanecer a mesma, deve cair cerca de 5%, em termos per capita, até 2026, data prevista para a primeira revisão do "teto". Desde o início do século até 2015, crescera cerca de 30% (per capita).

Caso o "teto" passe mesmo a vigorar, em breve os defensores dos recursos para a saúde, dentro e fora do governo, procurarão dinheiro noutra parte do Orçamento. Onde?

Uma opção serão as desonerações de impostos e subsídios, dinheiro que as empresas deixam de recolher por concessão do governo. Na prática, um gasto que pode ser cancelado e transferido para outra rubrica –saúde, educação, Previdência, investimento.

Também "na prática", o cancelamento desses gastos tributários equivaleria a um aumento de impostos, do ponto de vista das empresas. As "desonerações" da Previdência nos anos Dilma Rousseff são um desses gastos gordos.

Por falar nisso, o gasto com Previdência, mesmo com reforma, ainda vai crescer bem por vários anos, achatando alguma outra despesa. De despesas maiores, sobram as aposentadorias e salários dos servidores federais e os investimentos "em obras". "Vai ter luta", como dizem certos militantes da política.

Note-se de passagem que o governo gasta diretamente cerca de 1,7% do PIB em saúde. Gasta indiretamente, digamos, outro 0,5% do PIB em saúde por deixar de recolher impostos, renúncias fiscais do setor.

Essa estimativa é dos pesquisadores Carlos Ocké-Reis (Ipea) e Filipe da Gama (Receita Federal), calculada na Nota Técnica 19 do Ipea, para dados de 2013.


ENTENDA-SE


Pessoas físicas e jurídicas podem abater despesas de saúde no Imposto de Renda. Há reduções de impostos ("desonerações") para a indústria farmacêutica e para hospitais filantrópicos. Isso é gasto indireto em saúde. Como tantos subsídios, será objeto de "luta".

Caso se aprove de vez o "teto", a caça aos dinheiros do Orçamento será mais intensa. Haverá disputa do bolo de tamanho fixo, a ser dividido por mais gente, pois a população cresce.

A alternativa será a "flexibilização" do teto, acompanhada de aumento de imposto, ou a privatização de certos serviços públicos. Será um debate da eleição de 2018. Será um conflito aberto em 2022, no mais tardar.




OMS quer que países criem impostos para bebidas açucaradas

13/10/2016 - Folha de S.Paulo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu aos países que criem impostos sobre bebidas açucaradas para combater a crescente epidemia de obesidade. A entidade também apresentou novos dados sobre os possíveis efeitos benéficos para a saúde dessa nova taxa.

Um imposto sobre bebidas açucaradas que elevasse o preço em 20% resultaria em uma redução proporcional no consumo, disse a agência. Isso seria de grande ajuda na luta contra a obesidade, que mais do que duplicou desde 1980. Cerca de meio bilhão de adultos eram obesos em 2014, cerca de 11% dos homens e 15% das mulheres.

“Se os governos taxarem bebidas açucaradas, eles podem reduzir o sofrimento e salvar vidas, além de reduzir os custos do cuidado à saúde”, diz Douglas Bettcher, diretor do Departamento de Prevenção das Doenças Não Transmissíveis da OMS.

A obesidade começou a despontar como risco em países ricos há décadas, mas agora está tomando conta em países de renda média, como China e México. Especialistas em saúde pública estão estudando as políticas que os países podem adotar para combater essa escalada.

Uma maneira seria taxar bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos, néctares, bebidas energéticas e chás gelados. Eles têm sido associados a obesidade, diabetes e cáries. Entusiastas dos impostos argumentam que desencorajar o consumo de tais bebidas poderia ajudar a reduzir o número de vítimas dessas doenças.

A OMS já havia recomendado que os países aprovassem um imposto desse tipo em um relatório sobre a prevenção da obesidade infantil. A agência convocou um painel de especialistas em meados de 2015, que calculou os números após uma extensa revisão da literatura científica,que incluiu modelagem matemática e estudos de impostos já aplicados em outros países.

Os peritos concluíram também que subsídios para frutas e legumes frescos que reduzam os preços em 10% a 30% podem aumentar o consumo desses alimentos.

Uma história já bem conhecida é a do México, que aprovou um imposto contra bebidas açucaradas em 2013, levando a uma queda substancial no consumo.

O Conselho Internacional de Associações de Bebidas emitiu comunicado que diz que “lamenta que o relatório do comitê técnico da OMS defenda a tributação discriminatória apenas de certas bebidas como uma ‘solução’ para o desafio muito real e complexo da obesidade.”




E o colesterol, como vai?

13/10/2016 - Carta Capital Online


Sugiro que adicionem estatinas nas fontes de água potável.” Manchete da BBC em 2004, esta frase, esporadicamente repetida entre médicos em tom de brincadeira, foi uma declaração entusiasmada do doutor John Reckless, professor da Universidade de Bath, no Reino Unido. Exagero à parte, as estatinas, famosas drogas administradas para diminuir a concentração do colesterol e seus componentes nocivos à saúde, estão sendo prescritas de forma disseminada. Por vezes abusiva.

Além das estatinas, estão sendo testadas, e logo chegarão ao mercado brasileiro, drogas que conseguem reduzir ainda mais a concentração do colesterol ruim, LDL. Recentemente, duas dessas drogas dirigidas contra um tipo de proteína, a PCSK9, que pode se ligar nos receptores de LDL nos tecidos do corpo e causar elevação persistente do colesterol ruim no sangue, foram aprovadas pelas autoridades americanas (FDA) e europeias (EMA) para uso clínico. Essas drogas, conhecidas como alirocumab e evolocumab, parecem atuar de forma complementar, principalmente em casos de resistência individual ou intolerância às estatinas.

Problema: o custo muito elevado. Estima-se que no Brasil alcançará as cifras de alguns milhares de reais por mês. Conversamos sobre o tema com o doutor Marcelo Sampaio, professor de Cardiologia e diretor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Carta Capital: A obrigação de baixar o colesterol continua controversa?

Marcelo Sampaio: É crescente, entre especialistas, o questionamento em relação à utilização de forma indiscriminada das estatinas, como única e universal opção para controle dos níveis de LDL (colesterol ruim). O LDL está bem estabelecido como fator de risco importante para as doenças cardiovasculares. Induz a formação das placas gordurosas nas artérias, a aterosclerose, contribuindo para a obstrução vascular, o infarto do miocárdio e até mesmo o AVC (derrame). É inquestionável que a redução dos níveis do LDL contribui para a queda do risco cardiovascular. Agora, essa redução do LDL pode ocorrer de inúmeras formas, como dieta, exercício, cirurgia bariátrica e por meio de medicamentos.

CC: E as estatinas?

MS: As estatinas são medicamentos comumente utilizados há mais de 30 anos, com recomendação recente pelo Colégio Americano de Cardiologia e pela Associação Americana de Cardiologia. As dúvidas em relação às estatinas surgiram na medida exata em que sua prescrição passou a ser empregada para todo tipo de paciente, sem considerar seu risco cardiovascular, e sem orientação concomitante de dieta, exercício e medidas de redução de peso. Ficou claro que, nessas circunstâncias, pacientes com risco cardiovascular muito baixo, mesmo com colesterol elevado, não obtiveram benefícios significativos da utilização da medicação. A perseguição não criteriosa de níveis muito baixos de LDL pode levar a efeitos colaterais indesejados e aumentar os custos do tratamento.

CC: Paciente que toma estatina está sempre bem protegido?

MS: Nem sempre. Na prática clínica, alguns pacientes com risco cardiovascular alto, em uso de doses elevadas de estatina, não apresentam níveis de LDL desejáveis (por exemplo, LDL < 70mg/dl), ou apresentam um evento cardiovascular na vigência do tratamento. Há riscos residuais independentes do emprego das estatinas. Essas observações intrigam os médicos e geram espaço para novos estudos científicos, como o recém-publicado na revista Jama (da American Medical Association).

O estudo analisou 49 pesquisas que empregavam medicamentos e técnicas para reduzir o LDL em mais de 300 mil pacientes. A grande conclusão foi que toda medicação que consegue diminuir o LDL é benéfica e pode ser empregada rotineiramente. As estatinas ainda são os medicamentos de primeira linha no combate ao colesterol, disponíveis em forma de genéricos baratos, podendo se associar a drogas como a ezetimiba, que reduz a absorção de colesterol no intestino, com benefícios para casos selecionados de alto risco.

CC: Custos e efeitos colaterais têm, portanto, de ser levados em consideração.

MS: Sem dúvida. Como em tudo na medicina, o conhecimento científico não pode desconsiderar a boa prática médica e o bom senso. Não se pode esquecer a ênfase em associar e orientar mudanças de hábitos tão ou mais benéficas que os medicamentos: parar de fumar, controlar o peso, a hipertensão e o diabetes, e fazer exercícios físicos regularmente.

Clipping de Notícias - 17/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 17/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Coleta de medicamentos vencidos ainda é ineficaz

16/10/2016 - Diário do Grande ABC Online


Quando o assunto é o descarte de medicamentos vencidos, a população brasileira ainda fica em dúvida sobre o que fazer. Muitas vezes, o destino mais comum destes remédios é o lixo ou até mesmo o vaso sanitário, atitudes que podem comprometer o meio ambiente por meio da contaminação do solo e das águas. O ideal, conforme especialistas, é a incineração dos produtos, que devem ser coletados de forma adequada pelo poder público ou pelas redes de drogarias particulares.

Na prática, nem todas as administrações municipais da região oferecem o serviço de recolhimento de medicamentos, dificultando a vida dos munícipes. Entre as sete cidades, São Bernardo, Mauá e São Caetano informaram que os moradores podem entregar os remédios vencidos em qualquer uma das UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Santo André afirmou, por meio de nota, que tem como estratégia a promoção de ações que garantam o uso racional dos medicamentos “em doses adequadas às suas necessidades individuais por período definido e ao menor custo para si e para a comunidade”. No entanto, o município afirmou não possuir postos de coleta e recomendou que a população procure a rede privada de farmácias, mesma indicação dada pela Prefeitura de Diadema. Já as administrações de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires não responderam aos questionamentos feitos pela equipe do Diário até o fechamento desta edição.

O estudante Bruno Rahal, 22 anos, ainda possui medicamentos que foram utilizados para combater uma inflamação no dente. Vencidos desde 2015, os remédios estão guardados em uma gaveta, já que o lixo comum não é o local certo para o descarte. “Depois que eu utilizei o xarope e os comprimidos, acabei esquecendo no armário, e ainda não joguei fora”. No entanto, o estudante disse que já se desfez de medicamentos vencidos de forma incorreta em outras oportunidades. “Na dúvida, acabei jogando no lixo convencional, o que acredito que não seja recomendado”, confessou.

Ainda de acordo com Rahal, a falta de informações para os pacientes colabora para que mais remédios vencidos sejam descartados no lixo comum ou no vaso sanitário. “Não sei se existe algum ponto específico ou alguma coleta para isso. Se tivesse orientação na caixa do remédio, por exemplo, ficaria mais fácil. Mas é o consumidor que precisa ir atrás da informação”, lamentou.


MEIO AMBIENTE – A professora da FSA (Fundação Santo André) Angela Baeder explica que, quando um medicamento é descartado de forma incorreta, até mesmo a população pode ser diretamente prejudicada. “Ocorre uma contaminação dos rios e, pela falta de tratamento das águas, pode afetar as pessoas que utilizarem essa água contaminada”, disse.

Segundo Angela, o meio ambiente e as espécies animais ainda são os mais prejudicados pela contaminação de águas e solos. “As principais consequências são para a saúde do meio ambiente. Ocorrem diversas mudanças no funcionamento dos organismos, há casos de peixes machos que desenvolveram características do sexo feminino por culpa dos hormônios”, completou.

A professora ainda explica que, quando há uma coleta organizada, os medicamentos acabam incinerados ou descartados em aterros que possuam licenciamento ambiental. “O consumidor tem de estar atento aos riscos que podem ser causados ao meio ambiente e procurar a forma certa de descarte.”


CONSUMO DE REMÉDIO FORA DO PRAZO DE VALIDADE É DESACONSELHADO


Consumir medicamentos vencidos também é péssima ideia, já que a atitude pode acarretar graves consequências para a saúde. Segundo a farmacêutica e coordenadora de pesquisa clínica do Cepho-FMABC (Centro de Estudos e Pesquisas de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Medicina do ABC) Andressa Tamashiro, os remédios que estão fora do prazo de validade podem apresentar redução do efeito terapêutico, além de contaminação por fungos e bactérias.

“O paciente que faz uso de medicações vencidas pode estar sujeito a apresentar efeitos adversos indesejados, diferentemente dos esperados normalmente com o uso da medicação em boas condições devido à deterioração de seus componentes”, explicou.

Outra crença comum de grande parte da população é a de que os remédios possuem margem de segurança no cálculo do prazo de validade. Andressa afirma que essa prática não é recomendada e que a orientação é a de respeitar o vencimento e as informações contidas na bula do medicamento. “Após a expiração da validade do produto, o fabricante não poderá garantir que os medicamentos conterão as mesmas características de quando foram fabricados, bem como a sua efetividade”, disse.

Ainda de acordo com a farmacêutica, o prazo de validade impresso nas caixas dos remédios só deve ser mantido nos casos em que o produto estiver totalmente lacrado, porque “após aberto (o medicamento), a validade é reduzida, uma vez que o contato com a luz e com o ar acelera o processo de degradação dos componentes e princípios ativos da formulação”, ressaltou Andressa.




Gasto do governo com remédio sem aval da Anvisa cresce 220 vezes em 5 anos

16/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O gasto do Ministério da Saúde com a compra de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cresceu 220 vezes nos últimos anos e já representa metade de toda a despesa da pasta com remédios e tratamentos solicitados em ações judiciais. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou julgamento que vai definir se o Sistema Único de Saúde (SUS) será obrigado a fornecer itens sem licença no País.

Mesmo sem essa obrigação legal vigente, o governo federal gastou no ano passado cerca de R$ 545 milhões com a compra de remédios sem registro, valor correspondente a 50% do R$ 1,1 bilhão desembolsado pela pasta com todos os itens judicializados no período. Em 2010, os remédios sem licença da Anvisa haviam consumido apenas R$ 2,4 milhões da despesa do ministério com judicialização, o equivalente a 2% dos R$ 122 milhões gastos naquele ano com itens solicitados via Justiça.

No julgamento do Supremo sobre o tema, dos três ministros que já votaram, um foi favorável ao fornecimento desse tipo de medicamento pelo SUS e dois foram contrários, mas admitiram a possibilidade de o Estado ser obrigado a oferecer produtos sem aval nos casos em que a agência levar muito tempo para analisar a concessão do registro. O julgamento não tem data para ser retomado.

A demora na análise de novas drogas é uma das razões apontadas por especialistas para o crescimento de demandas judiciais.

“Se você tem medicamentos promissores sendo usados no exterior e um processo regulatório interno demorado, vai acabar havendo um aumento de pacientes que buscam esses tratamentos de outras formas, como na Justiça”, diz Rafael Kaliks, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia, ONG que dá apoio a pacientes com câncer. Outra forma de ter acesso a drogas sem licença é entrar em programas de uso compassivo, modalidade que também cresce no País (mais informações nesta página).

Segundo a advogada Renata Vilhena, especialista em direito à saúde do escritório Vilhena Silva, mesmo após a conclusão da análise da Anvisa o medicamento ainda costuma demorar para ser colocado no mercado porque precisa passar pela etapa de definição de preço. “O processo fica parado na CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) e, enquanto isso, os médicos vão prescrevendo e o paciente precisa ir para a Justiça”, afirma.


DESESPERO


Foi a demora no processo de aprovação do medicamento lenalidomida, indicado para o tratamento de mieloma múltiplo, que fez o engenheiro agrônomo José Francisco Alves de Almeida, de 55 anos, apelar para um tribunal.

Logo após o diagnóstico da doença, em 2002, ele fez sessões de quimioterapia e um autotransplante de medula óssea e ficou durante oito anos livre da doença. Em 2012, porém, o câncer voltou. Vários quimioterápicos foram usados nos anos seguintes no tratamento de Almeida, mas, desta vez, nenhum conseguiu controlar o crescimento do tumor.

“Entrei em desespero e comecei a pesquisar na internet se tinha alguma opção melhor. Foi quando vi que havia esse remédio que estava tendo bons resultados em todo o mundo. Já havia 70 países usando o medicamento, e nada de o Brasil aprovar”, conta.

Em junho do ano passado, o engenheiro entrou na Justiça, teve decisão favorável e iniciou o tratamento em poucas semanas.

“Depois de uns 16 dias que eu estava tomando o remédio, o câncer começou a diminuir. Faço o tratamento até hoje e a doença está estagnada. Também tem a questão dos efeitos colaterais do tratamento, que ficaram bem mais leves com esse remédio se comparados com a quimioterapia.” Impacto. Segundo os dados do Ministério da Saúde, o lenalidomida, assim como outros medicamentos contra o câncer, faz parte da lista dos itens que mais tiveram impacto financeiro entre os remédios judicializados.

Estão nesse grupo ainda medicamentos contra síndromes raras, hepatite C e produtos à base de canabidiol, indicados para o tratamento de epilepsia e doenças neurológicas.




Manifestação em SP defende fornecimento público de remédios

16/10/2016 - Valor Econômico / Site


Cerca de 30 pessoas realizam ato neste domingo na Avenida Paulista para pleitear o fornecimento público de medicamento para pessoas com doenças graves. O movimento organizador da manifestação, chamado ‘STF, Minha Vida Não Tem Preço’, também realiza protestos em outras cidades como Rio, Maceió, Porto Alegre e Recife.

Os organizadores frisam que estão nas mãos do Supremo Tribunal Federal dois recursos extraordinários para decidir se o poder público deve arcar com medicamentos de alto custo que não estão incluídos no Sistema Único de Saúde (SUS) e, também, determinar se é obrigação do Estado financiar remédios não autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No dia 28 de setembro, o ministro Teori Zavascki pediu mais tempo para estudar a ação, adiando o julgamento. De acordo com os manifestantes, o adiamento do julgamento “preocupa pacientes que não podem interromper seu tratamento”. Esse é o caso da presidente da Associação Brasileira de Angioedema Hereditário (Abranghe), Renata Martins, de 36 anos, que depende de um remédio que custa R$ 7 mil a dose para manter-se viva.

“Depois de toda luta para conseguir um diagnóstico, tenho que enfrentar mais uma luta, o tratamento. Meu medicamento para crise está registrado na Anvisa, porém não faz parte da lista do SUS. E, por isso, até hoje, com a ajuda de muitas pessoas e associações, consigo receber o medicamento através de ação judicial pois é o medicamento de altíssimo custo”, disse Renata, acrescentando que só consegue trabalhar e estudar se tiver o medicamento. “Sem ele, posso morrer em 5 minutos se não der tempo de chegar ao hospital”, explicou.




Chile autoriza venda de medicamento à base de maconha

14/10/2016 - O Globo


O Chile autorizou, pela primeira vez, a venda regular de um medicamento à base de maconha. O país já debate um projeto de lei para legalizar a comercialização da droga, que ainda é proibida no local.

Após receber a autorização do Instituto de Saúde Pública (ISP) do Chilhe, o "Sativex", utilizado para tratar esclerose múltipla e o controle de espasmos musculares associados, será o primeiro remédio a ser comercializado regularmente nas farmácias do país.

"Pela primeira vez no país, o ISP aprovou o registro sanitário de um medicamento fabricado à base de cannabis, o qual poderá ser distribuído e utilizado no Chile", divulgou o órgão por meio de um comunicado em sua página na internet.

O remédio terá um custo aproximado de US$ 1.500 e será importado e distribuído pelo laboratório que solicitou a permissão de comercialização ao ISP. Para comprar o medicamento será necessário apresentação de receita. As autoridades afirmam ainda que os estoques serão controlados.

"O registro sanitário do Sativex foi aprovado, uma vez que cumpre com todos os requisitos de qualidade, e por já ter demonstrado sua segurança e eficácia no uso para o qual é indicado", declarou o diretor do ISP, Alex Figueroa, no comunicado on-line.

A venda de medicamentos produzidos via cannabis foi autorizada em dezembro de 2015 pela presidente Michelle Bachelet por meio de um decreto que legalizou a elaboração e comercialização desse tipo de fármaco.

No Chile já é permitido o consumo privado de maconha, no entanto, sua venda ainda é proibida. A lei deixa uma interpretação livre sobre o cultivo para uso pessoa. Nesse momento, o Congresso chileno debate um projeto de lei que irá regulamentar o uso e autocultivo da maconha.




Remédio mais barato reduz inflação de idosos

14/10/2016 - Valor Econômico


Alimentos e remédios mais baratos levaram ao enfraquecimento da inflação percebida pelos idosos, apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a inflação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos. O indicador diminuiu de 1,64% para 0,67% entre o segundo e o terceiro trimestres.

Para o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz, o índice deve continuar em desaceleração, porque a inflação dos alimentos deve continuar sem altas expressivas até o fim do ano. Em 12 meses, o IPC-3i acumula alta de 8,11%.

Do segundo para o terceiro trimestre, cinco das oito classes de despesa componentes do índice registraram taxas menores. A principal contribuição partiu do grupo saúde e cuidados pessoais, que cedeu de 4,84% para 1,82%, influenciado por preços dos medicamentos em geral, que variaram 0,23% no terceiro trimestre, ante 10,19% no segundo.

Também contribuíram para o decréscimo da taxa do IPC-3i desacelerações nos preços de habitação (1,29% para 0,72%), despesas diversas (3,92% para 0,39%) e vestuário (2,09% para 0,31%), além de deflação no grupo alimentação (de 1% para -0,22%).

Entre os alimentos, os destaques foram as taxas mais fracas nos preços de feijão carioca (de 64,08% para 11,83%) e de leite tipo longa vida (de 19,44% para 10,53%). O grupo alimentação representa 21% do total do indicador, lembrou Braz. Na avaliação do economista, "os alimentos, de maneira geral, devem continuar a mostrar trajetória bem comportada até o fim do ano".

O especialista foi questionado sobre se a possível trajetória descendente nos preços dos alimentos poderia mudar, com perspectiva de aumento de preços entre os alimentos in natura. Historicamente, no último trimestre do ano, a oferta de hortifrutigranjeiros é afetada por problemas climáticos, o que eleva os preços.

O técnico comentou que, mesmo com in natura mais caros, outros itens mais baratos dentro da cesta de alimentos devem ajudar a equilibrar a inflação do grupo no quarto trimestre.

Franquia é alternativa para farmácias menores enfrentarem a concorrência

17/10/2016 - DCI


São Paulo - Com a maior consolidação das grandes redes de farmácias, sistemas como o associativismo e as franquias ganham ainda mais relevância para as pequenas e médias. Apesar de ambos garantirem uma gestão integrada e um poder de barganha na negociação com o fornecedor, o segundo se sobressai pela maior agilidade na tomada de decisões.

"Hoje é muito difícil uma independente conseguir se manter no mercado. Tanto o franchising quanto o associativismo são fundamentais para a sustentabilidade das drogarias menores", aponta o diretor da Stylo Farma, Stefan Passold. A rede, que começou a atuar por franquias em 2008, já operou também por meio do outro modelo.

Diante das duas experiências, o executivo afirma que, apesar dos dois formatos serem vantajosos, as franquias permitem uma agilidade muito maior na implantação de novos serviços. "Para se ter uma ideia, demoramos em torno de três meses para implantar um cartão fidelidade na nossa rede. Se fosse por meio do associativismo demoraríamos um ano e meio."

O diretor de marketing e expansão da PoupAqui, rede que atua desde o começo do ano passado por franchising, Evandro Rodrigues, é adepto da mesma opinião: "Na franquia você toma a decisão e espalha para baixo, já o associativismo é muito planejamento e pouca execução. Há uma burocracia grande e dificuldade de cumprimento do combinado", afirma o executivo, que também já foi diretor de uma rede associativista. Apesar dos benefícios, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), apenas 36 redes atuam hoje pelo modelo. Em termos de unidades são 2.165 em operação. De acordo com o diretor de inteligência de mercado da entidade, Carlos Tieghi, considerando que a maior ascensão do sistema no setor de drogarias começou apenas na última década, o número é representativo. "É um fenômeno recente, que foi influenciado em grande medida pela maior necessidade de profissionalização das farmácias", afirma.

Segundo ele, além da expansão orgânica a conversão de lojas independentes também vem ganhando espaço nos últimos anos. "Já temos um número relevante, mas ainda há um potencial muito grande de crescimento dentro do franchising", ressalta.


GESTÃO E COMPRA


Para ele, além da gestão integrada e da maior capilaridade no momento da compra, outra vantagem das franquias é a "oportunidade de fazer um marketing mais consistente e frequente". Em relação à compra dos produtos, o executivo aponta que há dois modelos utilizados pelas franqueadoras: um deles em que ela detém o estoque e distribui para os franqueados; e outro em que ela homologa algumas indústrias e o próprio franqueado realiza a compra.

"Os dois formatos geram economia na negociação dos preços. A única diferença é que no primeiro é exigido muito mais capital da franqueadora. Já no de homologação, além de demandar menos capital, o risco é menor", diz.

Justamente por esses motivos, a Rede Bem, que possui 22 unidades espalhadas pelo interior de São Paulo, optou pelo segundo deles. "Negociámos as melhores condições com a indústria e os valores da operação logística, mas o pedido é feito individualmente por cada loja. A gestão do estoque a mesma coisa, apesar de orientarmos, cada um faz seu próprio controle", afirma o dono da empresa, Rogério Emygdio.

Mesmo assim, a rede faz um trabalho forte na parte de gestão comercial integrada, promovendo estudos regionali-zados e desenvolvendo estratégias de fidelização dos consumidores.


PLANOS DE EXPANSÃO


Além das vantagens operacionais, o fato do franchising permitir uma expansão mais rápida foi outro ponto citado pelas três empresas, e que faz com que todas tenham planos agressivos de expansão. A Rede Bem, por exemplo, que adotou em 2013 o sistema de franquias, espera chegar a 150 lojas até 2020. Para este ano a previsão é fechar com mais oito operações. "Temos também a intenção de investir em um centro de distribuição [CD]", diz Emygdio, completando, no entanto, que para justificar a criação de um CD a companhia precisaria ter pelo menos 80 lojas. Ainda de acordo com ele, o centro seria apenas para trabalhar os produtos de 'curva A', ou seja, aqueles que possuem um maior giro nas lojas.

Em termos de faturamento, a rede espera concluir 2016 com um incremento na ordem de 27%, mantendo o mesmo patamar do primeiro semestre do ano, na comparação anual.

A Stylo Farma, que teve um crescimento no faturamento de 18% até agosto deste ano - em relação ao mesmo período do ano passado - espera manter essa mesma taxa no fechamento de 2016. Sobre os planos de expansão, a empresa diz que a partir de 2018 pretende entrar em outros estados. Hoje, são 62 operações, todas em Santa Catarina.

Já a PoupAqui planeja chegar a 20 unidades até o final deste ano e para 2017 a intenção é atingir o patamar de 60 lojas. Sobre o faturamento, Rodrigues diz que a expectativa é fechar 2016 em R$ 10 milhões.




Ciência para viver melhor

13/10/2016 - Época Negócios


LIFE PARA A BAYER, é acrônimo de liderança integridade, flexibilidade, eficiência. Com esses valores, e com a palavra-chave, a empresa traduz seu principal lema: 'Science for a Better Life'. Decidida a ser uma companhia de "ciências da vida pura", a Bayer segregou as atividades de plásticos especiais, agora denominada Covestro - uma empresa independente -, transformou os negócios de saúde animal em uma unidade separada e, assim, eliminou a estrutura de holding e subgrupos operacionais. Ficou centrada em três divisões integradas - farmacêuticos, saúde dos consumidores e ciência da colheita - e o foco passou a ser a marca corporativa Bayer e as de produtos. Um nome que será ainda mais forte, com a aquisição, este ano, da Monsanto - assumirá a liderança do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.




Um coração (poli) valente

13/10/2016 - Época Negócios


Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSC), em São Paulo, está ajudando a expandir as fronteiras da medicina. Como? Com impressoras 3D. Os cientistas estão construindo réplicas do coração de pacientes para estudar e planejar cirurgias cardíacas complexas. A estratégia permite a visualização de detalhes anatômicos do órgão que, de outra forma, só seriam percebidos na mesa de operação, apesar dos constantes avanços dos diagnósticos por imagem. Os primeiros resultados do trabalho, iniciado há três anos, foram apresentados em setembro, em um congresso da Sociedade Mundial de Cirurgiões Cardio torácicos, na África do Sul. A equipe da FCMSC é uma das pioneiras no uso desses moldes. Segundo o cirurgião Luiz Antonio Rivetti, professor da FCMSC, os primeiros trabalhos sobre o tema começaram a ser publicados recentemente. A popularização da tecnologia, contudo, esbarra no custo da impressão. A reprodução em 3D apenas do ventrículo esquerdo, em tamanho real, não sai por menos de R$ 8 mil. Ainda assim, o rápido avanço das pesquisas e a queda desses valores (a velha Lei de Moore) devem tornar a prática regular em um horizonte de três anos, diz Rivetti.




Evolução favorece altura e cabelos louros

14/10/2016 - Folha de S.Paulo


Uma análise do genoma de mais de 3.000 habitantes do atual Reino Unido indica que a seleção natural continuou a afetar a espécie humana nos últimos milênios, favorecendo a reprodução de homens altos, mulheres com quadris mais largos e gente com cabelos louros e olhos azuis, entre outras características.

A pesquisa, que está na revista “Science”, dá novo fôlego à ideia de que a evolução humana não ficou parada em tempos relativamente recentes, mas tem respondido de maneiras variadas a pressões ambientais e transformações culturais nos diferentes lugares do mundo.

Uma das maneiras de identificar essas “assinaturas” de evolução relativamente recente é obter DNA a partir dos ossos de pessoas mortas há milhares de anos e comparar esse material genético com o de seres humanos vivos hoje.

Se houver diferenças significativas, e se estiverem ligadas a funções específicas do organismo, é possível propor que elas foram motivadas pela seleção natural: os ancestrais das pessoas com o DNA “moderno” teriam conseguido sobreviver e se reproduzir com mais eficiência do que os portadores das variantes genéticas mais antigas.

O problema é que nem sempre é muito prático seguir esse esquema. Extrair DNA de ossos antigos é trabalhoso e ineficiente; além disso, só uma pequena proporção dos esqueletos das pessoas mortas há séculos ou milênios chegaram até nós.

Há diversos métodos para contornar essas dificuldades.

No novo estudo, os cientistas usaram uma abordagem que se baseia na presença de trocas de uma única base nitrogenada —“letra química”— do DNA, os chamados SNPs (pronuncia-se “snips”).


VANTAGEM REPRODUTIVA


A ideia é que a região de DNA em torno de um SNP favorecido pela seleção natural fica relativamente uniforme em muitos membros da população, porque uma quantidade grande de pessoas herda aquele mesmo trecho do genoma graças à vantagem reprodutiva que ele confere.

Para ser mais exato, as análises de DNA examinaram a frequência de mutações muito raras—as que estão presentes em um único indivíduo entre os milhares estudados— na vizinhança desses SNPs.

Se havia poucas delas em volta de um SNP, era indício de que ele tinha se espalhado rapidamente pela população, uma vez que as mutações “de carona”não tinham tido tempo suficiente para se acumular em volta dele.) Com o método, os cientistas descobriram pistas de que a seleção natural, nos últimos 2.000 anos, favoreceu portadores de variantes genéticas ligadas à presença de olhos azuis e cabelos louros entre os ancestrais dos britânicos.

Ainda não se sabe muito bem o motivo disso. Os genes ligados a olhos e cabelos claros talvez tenham se espalhado não por seu efeito estético, mas porque também estão associados a uma pele mais clara, a qual, por sua vez, facilita a produção da essencial vitamina D em lugares de luz solar escassa, como o Reino Unido.

Por outro lado, pode ter ocorrido seleção sexual —as pessoas com essas características podem ter tido mais sucesso ao atrair parceiros e, portanto, ter filhos. De qualquer modo, não há nada intrinsecamente “mais evoluído” nesses traços—tanto que, em regiões tropicais, eles teriam sido exterminados antes do advento dos filtros solares.


LEITINHO DOS ADULTOS


Outro caso curioso detectado pela equipe (e que também já tinha aparecido em outros estudos) tem a ver com um gene que permite a digestão da lactose,o açúcar do leite, após a infância. Em populações mais antigas da Europa, esse gene não era comum porque não havia surgido ainda a pecuária leiteira.

Os exemplos acima se referem a genes individuais, mas também há características afetadas pela seleção natural que dependem da ação conjunta e sutil de um grande número de genes, algo que até agora tinha sido muito difícil de detectar.

Nesses casos, em vez de uma variante isolada que se sai muito bem no jogo da seleção natural e toma conta de boa parte da população, estaríamos falando de pequenos aumentos da frequência de centenas de variantes genéticas, cujo efeito somado, mesmo assim, é significativo e pode transformar uma espécie.

Esse tipo de efeito foi detectado pela primeira vez associado a tendências como altura maior, quadris femininos mais largos e bebês com maior tamanho e circunferência da cabeça ao nascer.

Essas características ajudam o indivíduo na busca por parceiros (no caso dos homens mais altos, por exemplo) e ajudam a sobreviver ao parto ou a crescer com mais saúde, em tese.

O estudo recebeu elogios de alguns dos principais especialistas na faceta genética da evolução humana, como o sueco Svante Pääbo, do Instituto Max Planck. “É uma abordagem que permite detectar sinais muito mais sutis e comuns da seleção natural”, declarou ele à “Science”.




Os avanços da tecnologia médica

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O avanço da tecnologia pode ser sentido em todas as áreas de conhecimento e, no caso da saúde, não é diferente. A evolução tecnológica vem tornando tratamentos e diagnósticos cada vez menos invasivos e mais assertivos, tornando realidade a personalização da medicina.

Nesta entrevista, o diretor América Latina para terapias avançadas da Siemens Healthineers no Brasil, Fernando Narvaez, fala sobre essa evolução, algumas tecnologias mais utilizadas atualmente e o quanto pacientes, médicos, hospitais e a sociedade como um todo podem se beneficiar comisso.

De que forma fatores sociais como a evolução demográfica e o perfil epidemiológico do Brasil vêm influenciando a indústria da saúde no Brasil? Fernando Narvaez – Hoje temos os dois lados da moeda. Há o aumento da expectativa de vida: saímos de aproximadamente 40 anos na década de 40, para chegar aos 75 anos, conforme a última divulgação do IBGE.

A notícia boa é que estamos vivendo mais. Porém, não necessariamente estamos vivendo melhor. Para reverter este quadro, além de ser essencial a implementação de políticas voltadas à prevenção, precisamos demais estrutura para tratar doenças degenerativas e crônicas. Isso traz um gasto para a saúde, pois o custo é maior à medida que a população envelhece. Num país como o nosso, as dificuldades são um pouco maiores, pois nem todo mundo consegue acesso rápido à saúde. Temos ainda que levar em conta as extensões continentais do nosso País.

Neste contexto, qual é o impacto que a tecnologia tem no setor de saúde? FN –O bom uso da tecnologia pode ajudar a prover acesso e deve ser visto como um investimento.

O retorno sobre este investimento se dará de maneiras distintas: aumento de produtividade, eficiência da cadeia, etc. É um investimento que deve ser feito. Há vários exemplos de como a tecnologia pode ajudar.

Reduzindo os custos, podemos ampliar o volume de pessoas a serem atendidas e prestar um atendimento mais personalizado, reduzindo desperdícios e auxiliando nos diagnósticos. Além disso, quando falamos em tecnologia, não nos referimos apenas aos equipamentos em si, mas do processo como todo, na gestão, que pode ajudar a diminuir as deficiências e desigualdades que temos.

Como a tecnologia pode ajudar a reduzir os custos de diagnósticos e tratamentos e oferecer melhorias a pacientes e corpo clínico? FN – Colocando os dois em perspectiva, sempre falamos em oferecer menor risco, menor tempo de internação e mais eficiência no tratamento dos pacientes. Para o corpo clínico, oferecemos tratamento adequado com qualidade, reduzindo taxas de erro e retrabalho. Sob estes dois aspectos, a tecnologia oferece serviços e soluções que permitem tratar o paciente de forma mais assertiva, menos traumática e mais rápida. As cirurgias cardíacas, por exemplo, antigamente duravam horas. Hoje comas tecnologias minimamente invasivas, esse tempo cai bastante com a utilização de salas híbridas, por exemplo. Elas colaboram nesse sentido, utilizando a imagem para guiar o tratamento.

Isso é feito de maneira mais eficiente e com muito menos custo do que anos atrás.

Para o paciente a recuperação é muito mais rápida. Há situações em que antes o paciente passava dias no hospital e hoje ele retorna no mesmo dia.

Há outros exemplos destes benefícios? FN – Sim. É uma relação ganha, ganha. O médico também vai utilizar ferramentas que vão ajudá-lo no dia a dia. Hoje enxergamos um espectro maior para o uso de salas híbridas, como cirurgias de coluna: usando tecnologias híbridas pode-se simplificar procedimentos complexos com tratamentos minimamente invasivos. Em alguns casos, o médico consegue fazer o procedimento com imagens tridimensionais, reduzindo a exposição do paciente a infecções.

Estudos realizados pelo Hospital Shonan Fujisawa Tokushukai, no Japão, comprovam uma redução de mais de 50% no tempo de internação e uma redução bastante significativa nas complicações durante as cirurgias de coluna como uso de salas híbridas.

Outro exemplo é a possibilidade de identificação precoce do câncer de mama. A tomossíntese mamária digital captura e combina imagens da mama em múltiplos ângulos criando uma imagem em 3D da mama.

Estudos comprovam que essa nova tecnologia diminui o número de exames falso positivos e detecta até 43%mais cânceres de mama do que a mamografia 2D convencional, permitindo o tratamento antecipado e aumentando bastante a taxa de cura, que pode chegar a 95%.

A tecnologia ajuda também na transparência e na governança dos hospitais e nas clínicas. Como ela pode auxiliar na gestão da saúde? FN – A governança é um assunto que até pouco tempo atrás os hospitais não tinham como pauta principal em suas discussões.

Mas a implementação e disseminação dessas práticas está ajudando os hospitais a entender a governança e adotar ferramentas para auxiliar na gestão. A TI há alguns anos não era vista como estratégica dentro do hospital, mas hoje se sabe que ela pode prover soluções para melhorar a gestão.

Este ano, por exemplo, em parceria com a Alliar Médicos, lançamos a sala de comando e um novo conceito de gestão de operação.

Trata-se de uma solução que possibilita o controle remoto de equipamentos de ressonância magnética à distância. Coma solução, é possível obter exames de alta qualidade e complexidade em diversas partes do território brasileiro, padronizar protocolos de aquisição, otimizar o fluxo de trabalho, diminuindo o índice de reconvocação de pacientes, bem como atuar na gestão da frota de equipamentos com KPIs de performance e utilização. A solução foi 100%desenvolvida em nosso país, a primeira desse tipo no mundo e em breve será lançada em novos clientes dentro e fora do Brasil.

Como analisa o nosso atual ambiente regulatório? FN – A Anvisa tem uma atuação importante como órgão regulador e, nos últimos anos, evoluiu bastante em grande parte de seus processos. Há alguns anos as empresas tinham grandes dificuldades com o tempo para obtenção de registros. Esta questão melhorou muito, mas entendemos que poderia melhorar sua atuação nos portos, aeroportos e fronteiras nos processos de liberação das importações. Atrasos por greve, falta de pessoal ou estrutura, afetam toda a cadeia: empresas, hospitais e clínicas, que acabam enfrentando dificuldades para cumprir seus compromissos e cronogramas. Seria interessante um foco maior na melhoria desses processos, bem como nas exportações. O País precisa ser reconhecido como um fornecedor confiável de produtos e serviços,mas a excessiva burocracia afeta nossa competitividade e agilidade para atender ao mercado externo.

Aqui há um bom espaço para melhorias.

Qual é a principal dificuldade enfrentada no Brasil para aumentar os investimentos em tecnologia médica? FN–A situação que vivemos hoje em termos de situação política e econômica não favorece.

Temos política cambial, energia mais cara....Tudo isso dificulta bastante. Esperamos que essa situação se estabilize e que o País retome o crescimento. Isso deve alçar o Brasil a um papel de protagonismo. Temos ótimos exemplos no País, como o tratamento de HIV/Aids e condições plenas de ter um papel cada vez maior na área de saúde.

Mas para isso precisamos de algumas melhorias, como redução de burocracia, um sistema de tributação otimizado e acesso competitivo a financiamento para investimento.

Tudo isso de alguma forma são dificuldades que o País enfrenta e que impedem de levar a indústria para uma melhor escala. Poderíamos estar mais fortes.

Nossos produtos locais poderiam ter condições melhores de encontrar mercado nos países vizinhos. São ações que poderiam ser mais bem orquestradas para que o Brasil encontrasse seu caminho.

O que está sendo feito para fomentar a inovação científica na saúde? FN – Aqui também há bastante espaço para melhoria. É preciso fomentar a interação entre a indústria, o governo e as universidades.

Por outro lado, os programas de financiamento deveriam ser mais acessíveis a todos esses agentes. A criatividade no País é enorme, mas precisamos de ferramentas que a estimule. A sala de comando, por exemplo, foi fruto de um estímulo da Lei da Informática. Temos que ter mecanismos de fomento locais, que atendam a nossa realidade.

Com isso crescemos como nação, algo imprescindível para o desenvolvimento de qualquer país.

Quais são as tendências e para onde caminha a tecnologia e o futuro da medicina? FN – O uso dos personal de vices coloca a saúde nas mãos das pessoas. Nesse contexto de utilização e de conexão, existe a clara tendência de que todas as informações passem a fazer sentido, com o uso mais forte do Big Data para interpretar e integrar esse volume de dados, criando processos inovadores e inteligentes.

Falamos de tecnologia não apenas em equipamentos, mas para a gestão de processos e para a eficiência da saúde como um todo. Não adianta fazer exames em equipamentos de última geração e esperar três horas para ser atendido.

A tecnologia vai avançar e encontrar caminhos para que população seja atendida com mais eficiência: teremos acesso à saúde sabendo onde e a que horas seremos atendidos.

O futuro passa por cada um cuidando de sua saúde, mas de forma orquestrada com todos os agentes. Para isso, as operadoras de saúde têm papel fundamental em entender quais pontos da cadeia requerem melhorias na utilização desses processos: do planejamento do atendimento ao paciente a sua recuperação no home care após um procedimento cirúrgico.

Há diversos processos que precisam ser analisados e estudados. Muito se fala em processos Lean, mas pouco se vê em aplicações, principalmente no setor público. Acredito que o futuro está em otimizar a entrega da saúde e como ela será consumida pela população. Isso tem que acontecer de forma que beneficie a todos.




USP terá laboratório de dados para prever situações na saúde

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Esqueça a magia e a bola de cristal. O futuro pode, sim, ser previsto, mas com ciência, tecnologia e muitos dados. A Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) inaugura neste mês o Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde (LABDAPS), justamente com o objetivo de, por meio da análise de grandes bancos de informações, identificar padrões no sistema de saúde que possam prever os mais possíveis desfechos para cada caso.

Coordenado pelo professor Alexandre Porto Chiavegatto Filho e financiado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação Lemann, o laboratório terá a participação de mais de dez pesquisadores, entre docentes e estudantes de graduação, mestrado e doutorado, e contará com computadores capazes de analisar imensos bancos de dados.

Antes mesmo da inauguração de sua sede física, o laboratório já trabalha no desenvolvimento de quatro grandes projetos. O primeiro deles tem como objetivo estabelecer quais são as chances de diagnóstico de cada uma das três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti – dengue, chikungunya e zika – em um paciente que procura o serviço de saúde com uma dessas suspeitas.

Como os sintomas das três viroses são parecidos, o diagnóstico clínico fica prejudicado, e a detecção laboratorial é demorada, insuficiente ou nem sempre está disponível, como no caso do zika.

Para determinar a probabilidade de diagnóstico de cada uma das três patologias, os pesquisadores da USP analisarão as fichas de notificações de todos os casos suspeitos das três doenças no Estado de São Paulo entre 2015 e 2016 e cruzar com as informações de quais foram confirmados e quais foram descartados após a realização do exame.

“Vamos conduzir esse projeto em parceria com o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde e ele poderá ajudar principalmente nos períodos de pico da doença, em que há um pânico na população e uma sobrecarga no sistema de saúde. Os algoritmos ajudarão a fazer uma triagem inicial dos pacientes, dar o risco de infecção por cada uma das três doenças e indicar qual deve ser priorizado”, explica Chiavegatto Filho.

O segundo projeto do laboratório quer estimar o risco de um idoso morrer em 5, 10 ou 15 anos de acordo com os hábitos, características e doenças de cada paciente.

Para isso, os pesquisadores utilizarão um banco de dados de um grupo de mais de 2 mil idosos que vêm sendo acompanhados desde 2000 por outros cientistas da universidade que fazem estudos sobre envelhecimento.

“Sabemos que cerca de um terço desses idosos acompanhados já morreram nesse período de 16 anos, mas analisando as causas da morte e os indicadores de saúde dessa população, buscaremos padrões para estimar esse risco no restante da população com o mesmo perfil.” A terceira iniciativa do LABDAPS será analisar os dados das declarações de óbito do País para rever possíveis erros, principalmente no campo raça/cor, no qual, segundo Chiavegatto Filho, há muitos erros de preenchimento.

“As declarações de óbito são importantes documentos para embasar políticas públicas de saúde, pois mostram as principais causas de mortalidade de acordo com o perfil de cada grupo populacional, mas elas não são tão bem preenchidas. O que percebemos numa pesquisa de 2014 é que a expectativa de vida de pardos no Brasil era maior do que a de brancos, apesar de os primeiros terem renda e escolaridade menor. Nossa hipótese é de haver um ‘embranquecimento’ por parte dos que preencheram as declarações, ou seja, pessoas que se consideram pardas em vida são colocadas como brancas no documento”, explicou. “A ideia é identificar esses padrões de erros acompanhando um grupo de pessoas durante a vida para ver qual é a cor/raça que elas declaram e qual é preenchida na declaração após a morte.” Por fim, o quarto projeto buscará identificar, por meio da análise de resultados de saúde nos municípios que receberam profissionais do Mais Médicos, quais cidades se beneficiaram mais do projeto e, portanto, devem ser priorizadas no envio de médicos.

Chiavegatto Filho diz que, com a escassez de recursos na saúde, pesquisas como as que serão desenvolvidas pelo laboratório ajudarão a dar mais eficiência à gestão do sistema de saúde.

“O potencial do machine learning e do melhor uso de dados é impressionante. Quanto mais a gente adotar uma abordagem rigorosa e científica, menos espaço a gente deixa para manipulações partidárias e ideológicas, garantindo, assim, políticas públicas de maior impacto e interesse para a sociedade.”




O novo jeito de pensar e fazer medicina

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O uso da tecnologia é irreversível e transformará completamente a medicina nos próximos anos, comentaram especialistas presentes no painel “As máquinas do futuro: medical devices e nanotecnologia”, realizado durante o Summit Saúde 2016, promovido pelo Estado. Um dos campos mais promissores é a nanorobótica, que deve permitir diagnósticos e cirurgias cada vez menos invasivos.

Carlos Goulart, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed), diz que sem tecnologia não se faz absolutamente nada, mas ressaltou que o Brasil está muito atrasado em inovação. Segundo ele, no mercado de dispositivos médicos, que movimenta US$ 350 bilhões por ano, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são muito altos, com uma média de 8% do faturamento, considerando as 20 maiores empresas globais.

Ele destacou que os produtos evoluem com uma rapidez enorme, com um ciclo de vida da tecnologia de 24 a 36 meses.

Entre as áreas com grandes mudanças, o presidente da Abimed citou as impressões 3D, que permitem, por exemplo, a fabricação de próteses customizadas, com maior rapidez e menor custo.

Goulart também mencionou os biosensores, aplicativos de celular e as chamadas tecnologias “vestíveis”. “Cada vez mais o cidadão será gerente do seu corpo, mandando informações para os médicos.” Goulart também comentou a questão da robótica e da telemedicina – prática que hoje ainda é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). “Creio que o próprio CFM já está revendo essa questão do atendimento médico por telefone ou teleconferência, pois é uma tendência natural.” Participando do mesmo painel, a pesquisadora da USP Juliana Cancino falou sobre a fronteira do conhecimento representada pela nanorobótica. Ela destacou que atualmente já existem tecnologias que permitem o uso de robôs para diagnóstico e tratamento. Uma dessas aplicações é o uso de nanopartículas que conseguem detectar somente as células cancerosas.

Com isso, através do estímulo com eletricidade ou magnetismo, os médicos elevam a temperatura dessas partículas e conseguem matar as células doentes, preservando as saudáveis.

Também é possível englobar essas partículas em membranas celulares naturais, o que facilita a distribuição desses agentes pelo corpo e diminui a resistência na aceitação do remédio.


GASTOS


Fernando Narvaez, diretor da Siemens Healthineers no Brasil, disse que quase dois terços dos gastos das operadoras de saúde estão relacionados direta ou indiretamente à tecnologia.

“Antigamente, o bom cirurgião era o que fazia a maior cirurgia, o que abria mais o peito do paciente.

Hoje em dia a atenção dos médicos está nos monitoramentos e equipamentos auxiliares.

Quanto menos invasivo o procedimento, maior qualidade e segurança para o paciente.” Ele mencionou o caso de uma nova tecnologia que permite a detecção de problemas no fígado através de um exame de sangue, sem precisar fazer uma biopsia demorada e dolorosa.

“Com isso, não é preciso internação, você economiza muito e ainda zera o risco de contaminação hospitalar.” Narvaez explicou que atualmente a maior parte dos gastos das operadoras de saúde vai para o tratamento, mas a tendência é que diagnóstico e prevenção ganhem mais espaço.

A dificuldade de se fazer pesquisa científica no Brasil também foi levantada. Juliana disse que a liberação de importações, especialmente componentes biológicos, é muito demorada.




Aplicativos ajudam a gerenciar hábitos e melhorar a saúde

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Fáceis de gerenciar e capazes de estimular os usuários por meio do acompanhamento dos resultados, os aplicativos da área de saúde fazem cada vez mais parte da vida das pessoas. Monitorar a alimentação, calcular a dose de insulina que deve ser tomada e organizar a carteira de vacinação estão entre algumas das facilidades que estão disponíveis e podem trazer benefícios para a saúde dos pacientes.

Em novembro, a fisioterapeuta Gabriela Nogueira Porfírio, de 29 anos, baixou o aplicativo Gliconline para calcular com mais agilidade a dose de insulina que precisa tomar diariamente.

Ela foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 6 anos e costumava usar uma calculadora e tabelas com a quantidade de carboidratos dos alimentos para chegar ao resultado sobre a dose que deveria ser administrada.

“Já tem a tabela no aplicativo e facilita na hora de fazer o cálculo.

Eu gastava mais tempo antes de comer, pois precisava fazer esses cálculos e, algumas vezes, fazia sem precisão e acabava não tomando a quantidade correta.” O download foi feito por recomendação da médica.

Grávida de 5 meses, Gabriela conta que o aplicativo tem sido importante durante a gestação.

“Os hormônios alteram a glicemia.

Minha médica consegue entrar no aplicativo, ver o que estou comendo e alterar a quantidade de insulina que devo tomar.” Downloads. Claudia Labate, CEO da Gliconline, diz que o aplicativo tem dois anos e contabiliza 10 mil downloads. “Na área de diabetes, só a tecnologia não faz nada, mas temos um canal para falar (com o paciente) com muito respeito e empatia. A tecnologia entra como uma ferramenta para o enfrentamento da doença e isso faz a diferença.” Desenvolvido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o Einstein Vacinas é uma ferramenta gratuita para a atualização da carteira de vacinação.

Ele toma como base o calendário nacional de vacinação e pode ser personalizado de acordo com a faixa etária do paciente.

Também mostra os locais de vacinação na rede pública.

A obesidade era o alvo da professora Bárbara Regina de Oliveira Fumachi, de 31 anos, ao instalar o Dieta e Saúde em 2014. “Sempre estive insatisfeita com a aparência, pois estava obesa. Meus exames constataram que eu tinha predisposição a ter diabetes.” Ao ver uma foto que foi tirada sem que percebesse, Bárbara resolveu fazer mudanças em seus hábitos.

“Fiquei em choque e entrei na internet para ver como mudar os hábitos alimentares.

Minha vida mudou depois que eliminei seis quilos. Comecei a ter ânimo para fazer atividades físicas.” Da dificuldade para caminhar por 400 metros, ela passou para a capacidade de fazer corridas. Saiu dos 83 kg para os 54 kg. “Quando você consegue aprender a comer direito, tende a ter mais saúde, mais disposição e bons hábitos.” Nutricionista do Dieta e Saúde, Roberta Stella diz que a primeira semana de aderência costuma ser a mais importante, pois os usuários estão mais motivados e o auto gerenciamento dos hábitos traz resultados, mas isso não exclui a participação de um especialista.

“Se a pessoa vem da clínica com orientação, o aplicativo auxilia no automonitoramento, melhorando a aderência.

Ele é uma alavanca para continuar buscando o resultado construído dia após dia.”




Ineficiência do sistema abre espaço a startups

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Segundo balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produtos e serviços ligados à saúde formam um mercado equivalente a 8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já prevenir doenças, ou evitar que as pessoas tenham de ir aos hospitais sem necessidade, representa um mercado de tamanho desconhecido, mas que começa a ser explorado por um número crescente de empresas novatas.

Das centrais que armazenam todo o histórico de exames de um paciente a plataformas que mapeiam os riscos de doenças, passando por aplicativos que permitem agendar uma consulta médica de baixa complexidade em casa, um conjunto de soluções digitais vem sendo desenvolvido por startups com poucos anos de atuação para dar maior comodidade e controle de dados no uso de serviços médicos.

Desde 2014, o número de startups da área de saúde saltou no Brasil de 11 para mais de 80. É um número que, segundo especialistas, continuará avançando por encontrar terreno fértil nas ineficiências do sistema no País e na busca por redução de gastos médicos por um contingente de mais de 2 milhões de usuários que, principalmente em razão do avanço do desemprego, perderam planos de saúde nos últimos dois anos.

“Existe aqui um ecossistema favorável ao surgimento de startups.

Temos um setor com diversas amarras, muito burocratizado e com jeito de reserva de mercado em alguns casos. É um negócio muito grande e inviável economicamente. As empresas tradicionais estão quebrando”, diz Daniel Lindenberg, presidente executivo (CEO) e cofundador do Dr. Vem, plataforma que faz a intermediação entre pacientes e médicos para atendimento em domicílio.

“Qualquer empreendedor olha para isso e fala: ‘Uau!, temos aqui uma grande oportunidade’”, acrescenta Lindenberg.


‘UBERIZAÇÃO’


A exemplo do aplicativo que colocou o serviço de transporte a alguns toques da tela do celular, o Dr.

Vem faz parte de um movimento de “uberização” que chega ao campo do atendimento médico.

Seu funcionamento é simples.

O usuário agenda uma consulta e, sendo um caso de baixa complexidade, o Dr.Vem encaminha algum médico da região para a residência na hora marcada.

O primeiro alvo da empresa, de apenas oito meses, é abocanhar um total de aproximadamente 100 milhões de atendimentos feitos em prontos-socorros da rede de hospitais privados.

“Queremos que as pessoas não tenham de ir ao pronto-socorro para tratar de uma otite ou levar uma criança pequena sem necessidade”, afirmou Lindenberg durante participação no Summit Saúde Brasil, evento promovido pelo Estado que debateu assuntos relacionados à saúde.

Com mais tempo no mercado, o SaúdeControle permite há três anos armazenar digitalmente todo o histórico clínico de um paciente. Propõe, assim, não apenas acabar com a papelada de exames que fica muitas vezes espalhada pela casa, mas também evitar a repetição de um exame por perda de laudo médico.

Embora o foco inicial da empresa fosse atuar no setor privado, o SaúdeControle já discute com o Ministério da Saúde a integração da ferramenta ao sistema público, segundo informou o diretor presidente da empresa, Adrianno Barcellos, também presente ao evento.

“Obviamente, isso é uma coisa muito grande e queremos começar pequenos. Mas, embora nossa intenção fosse ter foco no mercado privado, sempre soubemos que a grande transformação se daria no setor público”, afirmou Barcellos.


REDUÇÃO DE GASTOS


Apresentada como uma companhia de “gestão de saúde”, o Dr. Consulta, criado em 2011, também aproveita dados clínicos coletados por seu sistema e, com isso, consegue antecipar riscos, evitar repetições de exames e reduzir custos clínicos.

Fundador do Dr. Consulta, Thomaz Srougi, diz que já conseguiu reduzir em 30% o gasto anual de saúde de um grupo de pacientes. “Podemos reduzir em R$ 5 mil o custo de saúde anual das pessoas nos próximos cinco anos”, afirma o executivo da empresa, que atende pelo menos 70 mil pacientes por mês. “O negócio cresce a um ritmo médio de dois dígitos por mês”, disse Srougi.

Plantão Médico: A ação do álcool na infertilidade feminina

15/10/2016 - Folha de S.Paulo


A abstenção de bebidas alcoólicas é sempre recomendada às mulheres que decidem engravidar. É apenas uma recomendação, porque ainda não está claro o quanto de consumo de álcool intervém na infertilidade feminina. Indiscutível é o prejuízo para o bebê em suas primeiras semanas de vida.

Em editorial do "British Medical Journal", a epidemiologista Annie Britton assinala que algumas pesquisas relatam não existir esta associação, enquanto outras mostram que a diminuição da fertilidade pode estar associada ao consumo de álcool, a exemplo do trabalho publicado na mesma edição da revista. Ela acrescenta o paradoxo da gravidez não planejada (ou não desejada) pela mulher em situações de elevado consumo de álcool.

Ellen M. Mikkelsen e colaboradores relatam no "BMJ" pesquisa sobre consumo de álcool e fecundidade na Dinamarca, com a participação de 6.120 mulheres entre 21 e 45 anos que desejavam filhos e não recebiam tratamento para engravidar.

O estudo mostra que o consumo de 14 ou mais doses por semana –de 20 ml de destilado ou 120 ml de vinho ou 330 ml de cerveja– foi associado a uma leve redução na taxa de fecundidade. Menor ingestão da bebida, porém, parece não ter apresentado efeito discernível na fertilidade.

Como o feto é vulnerável ao álcool nas primeiras semanas de vida, especialistas aconselham às futuras mães abster-se de bebidas alcoólicas nos seus períodos férteis.




Médico demora dois meses só para olhar exame, diz paciente

16/10/2016 - Folha de S.Paulo


Um ano. Esse foi o tempo que a dona de casa Maria, 54, ficou sentindo dores antes de conseguir fazer uma cirurgia para tirar as pedras na vesícula que a incomodavam. Embora a gestão Fernando Haddad (PT) diga que o tempo médio de espera por uma cirurgia tenha reduzido de seis para cinco meses, não foi o que ela sofreu.

Após meses, finalmente chegara a data da operação, em setembro, no hospital do Campo Limpo (zona sul). Maria fez jejum e foi ao local, mas o procedimento foi remarcado em cima da hora. Só ocorreu um mês depois. Cirurgia feita, outros problemas. Primeiro, não havia leitos no pós-operatório. Depois, quando conseguiram, a cama estava quebrada.

"Se eu quiser que ela se mexa, que coloque a perna para cima, preciso comprar uma cama?", revolta-se Sueli Mendonça, 55, prima de Maria –ela continuava internada na semana passada. A prefeitura nega faltar leitos na unidade.

A espera de meses pelo atendimento foi o problema mais comum citado por pacientes que a reportagem abordou na porta de unidades da rede municipal, entre hospitais e postos de saúde, do Campo Limpo ao M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo.

Em certos casos não é a cirurgia ou outros procedimentos complexos que demoram, mas a análise de exames já realizados, como conta a costureira Angela Lessa, 52. "Demora um mês, um mês e meio para o médico só olhar um exame. Até lá, se tiver alguma coisa grave", diz ela, após sair de uma consulta em uma UPA 24h (Unidade de Pronto Atendimento).

Foi o que ocorreu com o manobrista Luis Bezerra, 46. Ele diz que após sentir dores no peito e constatar pressão alta, até conseguiu atendimento rápido, mas difícil mesmo foi achar médico para conferir o exame pedido.

"Demorou dois meses. Não queriam nem deixar eu fazer os exames porque não tinha consulta agendada e o médico tinha que olhar o resultado logo depois", afirma, enquanto esperava a filha ser atendida no M'Boi Mirim.


MUITAS SIGLAS


UPA, AMA, UBS. Cada uma dessas siglas tem um significado -Unidade de Pronto Atendimento, Assistência Médica Ambulatorial e Unidade Básica de Saúde, respectivamente. A dona de casa Maria de Lourdes da Conceição, 37, se diz perdida quando precisa de atendimento. "O pior é quando você vai a um lugar e te encaminham para outro."


NOVA GESTÃO


O Corujão da Saúde, uma das principais propostas para a saúde do prefeito eleito João Doria (PSDB), não resolve os problemas, dizem pacientes ouvidos pela Folha. O programa pretende agendar exames na madrugada.

"É bom porque pode tirar o acúmulo de pessoas durante o dia. Mas eu, mulher, sozinha, não iria. Já ia chegar lá tensa", diz Sueli Mendonça. "A ideia é boa, mas tem que pensar como fazer. Ônibus à noite é difícil", diz o segurança André de Jesus, 25.




Por que vacinar os meninos contra o HPV

15/10/2016 - Época


O Ministério da Saúde anunciou na semana passada que garotos de 12 a 13 anos passarão a ser vacinados gratuitamente contra o HPV na rede pública a partir de janeiro de 2017. Serão duas doses, com intervalo de seis meses, o mesmo esquema de vacinação usado hoje para as garotas.

Jovens vivendo com HIV, de 9 a 26 anos, deverão receber três doses, com intervalo de dois e seis meses. A vacina estava aprovada para homens de 9 a 26 anos no Brasil, mas disponível apenas em clínicas particulares. Garotas são vacinadas desde 2014.

O objetivo é proteger os meninos contra uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais prevalentes, causadora das verrugas genitais.

Alguns subtipos do HPV estão diretamente relacionados a uma série de tipos de câncer que podem atingir os homens, como o de pênis, ânus, boca e garganta. Países como Austrália, Estados Unidos e Israel já imunizam meninas e meninos em seus programas nacionais de vacinação.

A associação do HPV com o câncer de colo de útero, vulva e vagina nas mulheres foi o grande disparador para o desenvolvimento de uma vacina.

Mas as evidências mostraram que a vacina também poderia proteger contra os demais tipos de câncer relacionados às práticas sexuais (sexo oral e anal), inclusive nos homens.

Uma pesquisa realizada ao longo dos últimos 11 anos com 4 mil voluntários no Brasil, no México e nos Estados Unidos, conhecida como Human papillomavirus infection in men (HIM), mostra que homens de 18 a 70 anos apresentam infecções pelo H PV com freqüências elevadas e constantes ao longo de sua vida. As taxas de infecção nos homens são superiores às das mulheres. De acordo com o estudo, 72% dos homens brasileiros apresentaram infecção pelo HPV na região genital ao longo de sua vida.

Destes, 5% desenvolveram verrugas genitais. As taxas de câncer de pênis por aqui foram três vezes mais altas do que nos Estados Unidos. Os números mais elevados acontecem entre os homens com múltiplas parceiras ou parceiros, fora de relações estáveis.

O grande desafio da vacinação entre os meninos será atingir altas taxas de cobertura. O plano é expandir gradativamente a faixa de vacinação para meninos entre 9 e 13 anos até 2020. Entre as garotas, mesmo após um grande esforço do Ministério da Saúde, apenas cerca de 45% completaram seu ciclo de vacinação.

Vacinar os meninos pode trazer o benefício adicional de diminuir o risco de transmissão do vírus para as garotas. Entretanto, para ganhar escala entre eles, é importante pensar em estratégias de parcerias com a educação, fazendo com que a vacina possa atingir um público maior do que apenas aquele que eventualmente vá aos postos de saúde.




OMS diz que epidemia de tuberculose é mais grave do que se esperava

14/10/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Com 10,4 milhões de contaminados em 2015, a epidemia de tuberculose é mais grave do que se pensava até agora, segundo relatório anual da OMS (Organização Mundial da Saúde), publicado nesta quinta-feira (13). A entidade diz ainda que as pesquisas para encontrar uma vacina ou outros tratamentos "carece de fundos suficientes".

A cifra supera amplamente a do relatório anterior, no qual havia 9,6 milhões de infectados em todo o mundo. "A luta para alcançar nossos objetivos mundiais no combate à tuberculose é cada vez mais difícil", afirmou a diretora da organização, Margaret Chan.

"Teremos que aumentar substancialmente nossos esforços sob o risco de ver países continuamente castigados por esta epidemia mortal e não alcançar nossos objetivos", ressaltou.

A meta é reduzir o número absoluto de mortes por tuberculose em 35% e de contágios em 20% até 2020 com relação aos números de 2015. O objetivo para 2030 é diminuir em 90% a quantidade de mortos por tuberculose e em 80% os infectados. Segundo a OMS, 1,8 milhão de pessoas morreram vítimas desta doença em 2015 –300 mil a mais do que no ano anterior.

A tuberculose é provocada por uma bactéria, o bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), que na maioria dos casos se aloja nos pulmões, destruindo o órgão gradativamente. Dois em cada cinco infectados não foram diagnosticados, e por isso podem espalhar a doença, transmitida por via aérea. Além disso, meio milhão de pessoas têm formas de tuberculose resistentes aos antibióticos, segundo a organização.

Para a ONG Médicos sem Fronteiras, este relatório "é um chamado de atenção para mudar o status quo na forma de diagnosticar e tratar a tuberculose e suas formas resistentes".


ÍNDIA SUBESTIMADA


As cifras sobre as dimensões da epidemia foram revistas para cima essencialmente porque os pesquisadores se deram conta de que as estimativas da Índia, entre 2000 e 2015, eram muito baixas. Seis países representam 60% dos novos casos: Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul.

Habitualmente vinculada à pobreza e a condições insalubres, a tuberculose continua sendo uma das principais doenças mortais do mundo, embora em um período de 15 anos, o número de mortes tenha caído 22%. No entanto, para alcançar os objetivos estabelecidos pela comunidade internacional, as infecções teriam que diminuir entre 4% e 5% por ano, três vezes mais rápido do que diminuem atualmente.


FALTA DE RECURSOS


A escassez de recursos também é um problema crônico no combate à doença. Entre 2005 e 2014, os fundos disponíveis alcançaram apenas 700 milhões de dólares por ano. São necessários US$ 2 bilhões para a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos antituberculosos, segundo o informe.

É necessário "incrementar o investimento agora ou simplesmente não conseguiremos erradicar uma das doenças mais antigas e mais mortais do mundo", disse Ariel Pablos-Mendez, um dos encarregados da agência americana para o desenvolvimento internacional, a Usaid (agência americana para o desenvolvimento internacional).




Corujão da Saúde começa em até 90 dias, diz tucano

15/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O prefeito eleito, João Doria (PSDB), também afirmou em Buenos Aires que seu projeto emergencial para zerar a fila por exames médicos na rede pública será iniciado nos primeiros dias de janeiro, assim que assumir o cargo, como ação prioritária. Na campanha, o tucano prometeu atender a demanda atual – há 417 mil na espera –, no prazo máximo de um ano com a criação do Corujão da Saúde, programa que oferecerá horários alternativos aos pacientes, entre 20h e 8h.

“Vamos colocar, a partir de 2 de janeiro, programa emergencial em curso para reduzir a fila da saúde. O corujão vai ser implementado no prazo-limite de 60 ou 90 dias”, disse.

Segundo Doria, mulheres, gestantes e idosos serão atendidos preferencialmente em dois períodos: das 20 horas às 22 horas e das 6 horas às 8 horas, todos os dias da semana, em uma rede conveniada de hospitais.

Os demais podem ser convocados para a faixa da madrugada.

Em função dos horários, guardas civis metropolitanos serão deslocados para reforçar a segurança dos hospitais.

Serão pelo menos 40 unidades privadas, de acordo com o tucano. A rede estadual também deve participar do projeto, que custará R$ 100 milhões em 2017. Esse cálculo não inclui o pagamento de transporte aos pacientes que serão convocados a participar do Corujão. Doria diz que terão de ser usadas as linhas de ônibus que funcionam de noite ou mesmo os trens, de acordo com o endereço do hospital.

O prefeito eleito espera obter ajuda federal para custear parte dos projetos na saúde. O objetivo é arrecadar ao menos R$ 40 milhões do Orçamento da União.




Mediação tenta evitar que paciente recorra à Justiça

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Mediação de conflitos entre operadoras de planos de saúde e pacientes, revisão do formato dos contratos e oferta de apoio técnico a magistrados responsáveis por julgar ações na área são algumas das medidas essenciais para enfrentar a crescente judicialização da saúde suplementar, segundo especialistas e autoridades presentes no Summit Saúde Brasil 2016.

De acordo com os ministros Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a urgência declarada nas demandas judiciais por tratamentos e medicamentos geralmente leva o magistrado a dar parecer favorável ao paciente, mesmo quando o procedimento não está previsto em contrato. Mas o ideal, dizem eles, é que o juiz fosse assessorado por especialistas na área médica para dar a decisão.

“Se existe um setor que leva o juiz a fazer escolhas trágicas, esse setor é a saúde”, afirmou Fux. “Os juízes são seres humanos.

A palavra sentença vem de sensibilidade, mas precisamos ter subsídios técnicos, saber se um remédio é eficiente, se traz esperança, para que possamos ter um critério para embasar as decisões”, disse.

Para Salomão, é preciso criar e fortalecer fóruns de apoio técnico dentro de cada tribunal de justiça do País. “É tudo muito incipiente ainda. Só agora que a visão do juiz está começando a mudar. Ele está vendo o impacto econômico das suas decisões para os outros consumidores”, afirmou o magistrado.

Presidente da Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab), Alessandro Acayaba de Toledo explicou que o aumento de gastos das operadoras com o cumprimento de demandas judiciais pode levar à elevação do valor da mensalidade de todos os beneficiários do plano.

“Na judicialização, há interesses individuais que, por vezes, acabam levando ao pedido de cobertura de procedimentos não previstos em contrato. Quando isso acontece, uma pessoa acaba prejudicando toda a coletividade”, diz Toledo, que defende a criação de varas especializadas em saúde que possam julgar o tema de forma mais precisa.


CONTRATOS


O ministro do STJ ponderou que, como a jurisprudência tem caminhado no sentido de obrigar o plano a oferecer todos os tratamentos disponíveis para as doenças cobertas pelo convênio, o ideal seria que os contratos fossem renegociados com a inclusão de todos os procedimentos ofertados e a respectiva atualização do valor.

“É preciso repensar esse equilíbrio do contrato porque, hoje, a operadora cobra um valor com base no que ela dá de tratamento, mas existem situações que os tratamentos estão avançando e a jurisprudência vem concedendo esses tratamentos.

Isso tudo tem de estar contemplado no próprio sistema econômico do contrato. A agência reguladora tem de chamar a operadora e os clientes para discutir essa questão.” O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos Abrahão, disse que o órgão já vem adotando alguns mecanismos de resolução de conflitos para evitar que os pacientes cheguem até a Justiça.

De acordo com Abrahão, das 100 mil reclamações recebidas no ano passado pela agência, cerca de 90% foram resolvidas na esfera administrativa, com a mediação da ANS. Ele ressaltou ainda que o órgão editou normas obrigando as operadoras a criar e fortalecer suas ouvidorias e fez acordos de cooperação técnica com órgãos do Judiciário.

“Estamos buscando o fortalecimento da participação social no processo regulatório.

Esse é um setor de mutualismo, onde temos de pensar na qualidade do serviço, mas também na sustentabilidade”, opinou.

Reportagem do Estado publicada em maio mostrou que o gasto das operadoras com demandas judiciais dobrou em dois anos, passando de R$ 558 milhões em 2010 para R$ 1,2 bilhão no ano passado, segundo estimativa da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).




Com internet, idoso vive mais e melhor

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e do número de idosos no País, não bastam políticas de prevenção de doenças – já que elas acabarão aparecendo para todos no processo de envelhecimento mais cedo ou mais tarde. É preciso pensar em como levar qualidade de vida e independência aos mais velhos, e o uso da internet pode ser uma poderosa ferramenta nesse processo.

Estudo feito por pesquisadores brasileiros e ingleses com mais de 6 mil idosos acompanhados por um período de oito anos mostrou que a chamada digital literacy (educação ou treinamento digital) reduz as perdas cognitivas e, consequentemente, o risco de morte na terceira idade. A pesquisa foi citada pelo geriatra Luiz Roberto Ramos, diretor do Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para exaltar a importância dessa e de outras atividades que ajudam a manter a funcionalidade dos idosos.

“Hoje 30% da população idosa convive com cinco ou mais doenças crônicas. Com esse novo paradigma, não devemos buscar o êxito pela cura, mas pela qualidade de vida. E o que vai definir isso são os hábitos e o estímulo à função cognitiva”, disse Ramos durante o Summit Saúde Brasil 2016.

Fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles afirmou que, apesar da importância da inclusão digital na terceira idade, apenas um quarto da população brasileira com mais de 50 anos acessa a internet, a maioria das classes A e B. “Nos últimos anos, houve uma mudança importante sobre o que significa envelhecer. Estamos em uma sociedade em que os brasileiros querem continuar ativos, mas isso requer mudanças no mercado de trabalho e um programa de democratização de acesso à internet.” Luiz Roberto Ramos explicou que o processo de envelhecimento da população brasileira ocorreu de forma muito mais rápida do que nos países da Europa.

Enquanto as nações europeias levaram 180 anos para registrar significativas reduções das taxas de mortalidade precoce e de fecundidade, o Brasil passou pela mesma transformação em apenas 90 anos. “As causas de mortalidade passaram de doenças infecciosas, que pedem tratamentos rápidos e baratos, para problemas crônicos, que exigem tratamentos longos e mais caros”, afirmou o geriatra. “É aí que entra a necessidade de olharmos mais para a alimentação saudável, o combate ao sedentarismo e ao tabagismo, a redução do estresse e os estímulos à função cognitiva dos idosos.” Recursos. Economista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Áquilas Mendes ressaltou que os insuficientes recursos aplicados na saúde pública brasileira dificultam a implementação de políticas de prevenção e promoção da saúde do idoso. “Hoje, a União gasta 1,7% do PIB com saúde. Para garantirmos a universalidade da assistência, esse porcentual teria de dobrar, pelo menos.” Se o cenário já parece desanimador, pode ficar ainda pior, segundo o especialista, com a aprovação da PEC 241, que limita os gastos públicos por duas décadas. Estimativa feita por pesquisadores brasileiros mostra que, nos 20 anos em que a regra pode ficar em vigor, a Saúde perderia R$ 433 bilhões – o equivalente ao orçamento de quatro anos do Ministério da Saúde. Estudo do Ipea, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, mostra um quadro mais assustador com as perdas chegando a até R$ 743 bilhões “Como vamos garantir o investimento em políticas para evitar que os idosos percam capacidades diante dessas agruras econômicas?”, questionou o especialista. Mendes defendeu que, em vez de propor a PEC, o governo deveria criar mecanismos para aumentar as receitas tributando grandes movimentações financeiras.




Qualidade de vida em primeiro lugar

13/10/2016 - Época Negócios


COM UM PORTFÓLIO de 14 mil medicamentos e outros itens de saúde e a beleza, quatro lojas físicas, um televendas e a maior operação de e-commerce do setor farmacêutico no Brasil, a rede Ultrafarma associa cada vez mais a marca a práticas e valores considerados essenciais para a qualidade de vida das pessoas, como superação e bom humor. Além dos contratos assinados com a seleção brasileira de futebol e com o jogador Neymar, buscou visibilidade com o camarote Ultrafarma, na Olimpíada do Rio de Janeiro, e contratou o maestro João Carlos Martins para reforçar a imagem de empresa preocupada com a superação de obstáculos. Suas principais mensagens chegam por meio de campanhas tradicionais no rádio, internet e televisão.




Adjunto da Saúde estadual é favorito para pasta de Doria

14/10/2016 - Folha de S.Paulo


O médico Wilson Pollara, 67, secretário-adjunto da pasta da Saúde do Estado de São Paulo, é o nome mais cotado para assumir a secretaria de Saúde municipal em janeiro do próximo ano,na gestão de João Doria (PSDB), prefeito eleito da cidade.

Graduado pela Faculdade de Medicina da USP em 1973, ele é pós-graduado em cirurgia geral.Desde 1988, exerce cargos ligados à administração hospitalar, convênios e área da saúde em geral.

Exerceu a função de coordenador-geral de cirurgia no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (2008 a 2011) e de diretor-executivo do Instituto Central do Hospital das Clínicas (2011 a 2013).

A indicação tem aval do infectologista David Uip, secretário titular da Saúde da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e amigo de Doria.

Procurado pela Folha,Uip afirma que Pollara é um dos bons nomes para a pasta da Saúde municipal, mas diz que ainda não conversou com o prefeito eleito sobre isso.

Para ele,a partir de janeiro, deverá haver maior entrosamento entre as gestões municipal e estadual da Saúde, o que ajudará na integração total do sistema público.


OUTROS NOMES


Outros três nomes também estão sendo citados nos bastidores médicos: ourologista Milton Flavio, ex-presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, o cirurgião gástrico Raul Cutait, do Hospital Sírio-Libanês,e o oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.

Lottenberg,porém, deve se tornar o novo CEO da United Healthcare Brazil, dona da Amil, em substituição ao fundador da operadora de planos de saúde, Edson Bueno.

O mandato como presidente do Einstein,posto que ocupou nos últimos 15 anos, termina em dezembro deste ano.

A equipe de transição começa a trabalhar na próxima segunda (17),e os secretários devem ser anunciado em novembro pelo novo prefeito.

Doria prometeu, em campanha, reduzir o número de secretarias de 27 para 20. Ele jáafirmou,também, que criará uma pasta voltada para PPPs (parcerias público-privadas) e outra paraadigitalização dos serviços públicos e ampliação do acesso à internet, que deverá ser comandada pelo vereador eleito Daniel Annenberg (PSDB).




Governo de SP pode enfrentar greve de médicos residentes por reajuste

14/10/2016 - Folha de S.Paulo


O governo de SP pode enfrentar greve dos 6.300 residentes que trabalham na área da Saúde no Estado. Por determinação do Ministério da Saúde e do MEC, eles tiveram, ainda no governo de Dilma Rousseff, reajuste de 11,9% do salário. O governo paulista, no entanto, não pagou o aumento.


DE VOLTA


David Uip enviou na ocasião carta aos ministros dizendo que o aumento não tinha sido discutido com os Estados e que, portanto, se quisessem, os ministérios que arcassem com as despesas extras. Elas chegariam a R$ 28 milhões.




Tecnologia a serviço da saúde

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O sistema brasileiro de saúde sempre foi alvo de duras críticas. Mais do que a escassez de recursos, na opinião de especialistas, falta uma gestão eficiente. E, se somarmos os dois fatores, com muita frequência terminamos na Justiça, com o paciente brigando pelo direito de receber tratamentos negados, ora pelo sistema público, ora pelo sistema privado. “Se existe um setor que leva o juiz a fazer escolhas trágicas, esse setor é a saúde”, afirmou Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal.

O ministro foi uma das autoridades presentes no Summit Saúde 2016, evento realizado pelo Estado. O encontro reuniu também médicos, estudiosos e acadêmicos, e todos foram unânimes em apontar a iminente falência do sistema de saúde, como conhecemos hoje, se nada for feito. A opinião comum é que o cenário pode piorar com a aprovação da PEC 241, que limita os gastos públicos por duas décadas – incluindo saúde e educação.

Falando na abertura do evento, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, descartou que o orçamento de sua pasta sofrerá cortes. “A PEC é o limite de gastos globais do governo.

Dentro desse gasto global, o governo terá prioridades.

Saúde e Educação não terão redução de recursos.” Em meio a esse debate, o sistema vai ganhando inovações tecnológicas que podem ajudar a mudar o cenário atual. Não apenas as grandes empresas de tecnologia, mas também startups, trabalham para oferecer ferramentas que consigam integrar as informações do nosso sistema de saúde, ajudando, assim, a cortar custos.

Renato Policano, da Microsoft, ressaltou a possibilidade do uso do big data para melhorar a eficiência operacional e financeira dos provedores de saúde. Eduardo Cipriano, da IBM, falou da importância da tecnologia cognitiva, que significa uma revolução na tecnologia da informação. Também avançam formas alternativas de oferecer atendimento médico. “As pessoas não querem luxo, querem ser atendidas”, disse Thomaz Srougi, fundador do Dr. Consulta, empresa que tem como proposta oferecer atendimento médico de qualidade por baixo custo.

Neste caderno, o debate, as inovações e alguns bons resultados alcançados.




Menos tratamento, mais prevenção e diagnóstico

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Tirar o foco da doença e coloca-lo na saúde e oferecer um cuidado integrado ao paciente são as chaves para que os sistemas de saúde sejam bem-sucedidos diante das crescentes mudanças demográficas, epidemiológicas e tecnológicas. O diagnóstico foi feito por Greg Caressi, vice-presidente sênior de healthcare da consultoria Frost & Sullivan, uma das maiores do mundo, durante o Summit Saúde Brasil 2016.

De acordo com o especialista, os avanços na tecnologia vão alterar desde métodos diagnósticos até a forma como o paciente é tratado. Ele deu como exemplos testes já disponíveis no mercado que são capazes de diagnosticar doenças infecciosas em poucos minutos, a um baixo custo e com a possibilidade de envio do resultado por meio de um aplicativo no celular. Essas técnicas, diz ele, podem, além de trazer praticidade para a medicina, revolucionar a assistência à saúde em locais pobres, como a África, onde os atendimentos médicos costumam ter estrutura precária.

“Esse é o tipo de inovação que precisamos. E isso tem de ser apresentado ao médico desde sua formação. Os jovens de hoje, que estão se graduando em medicina, fazem parte de uma geração que já está acostumada com essa conectividade.

Temos de aproveitar”, afirmou.

Caressi também destacou que, com o aumento da incidência de doenças crônicas, os pacientes necessitam de um cuidado mais integrado em diversas esferas. “O tratamento das doenças crônicas deverá passar da abordagem fragmentada vista hoje para uma solução mais integrada e focada no consumidor”, declarou.

O vice-presidente da Frost & Sullivan afirmou que ganharão espaço nesse novo modelo o uso e análise de dados e estatísticas para definir ações de saúde e a oferta de tecnologias mais baratas e acessíveis aos consumidores. “Deveremos assistir a um empoderamento dos indivíduos”, disse.




Judicialização, um mal necessário?

14/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Anualmente, milhares de novos casos de câncer são diagnosticados no Brasil e, segundo estudo realizado pelo Observatório de Oncologia, a doença será a maior causa de morte no Brasil em 2029, ultrapassando as doenças cardiovasculares.

Dentre as explicações está o processo de envelhecimento da população – hoje 12% dos brasileiros têm mais de 60 anos, porcentual que deverá subir para 30% em três décadas. Vale ressaltar que a faixa etária que mais cresce no País é aquela de mais de 80 anos.

Mas para que esse aumento da expectativa de vida da população não se torne um peso, temos de nos preparar com políticas educacionais e de saúde.

A indústria farmacêutica, antenada a esse cenário, vem investindo fortemente em pesquisas e inovação e, consequentemente, a cada dia, apresenta um arsenal de drogas no mercado, aumentando a qualidade de vida dos pacientes. Mas, para ter acesso a tanta inovação, não são raros os casos que necessitam do fenômeno judicialização, um dos maiores gastos da saúde hoje.

Dessa forma, temos um grande desafio: equilibrar a medicina, a política e a economia em saúde, afinal, nosso sistema tem recursos finitos.

A assistência à saúde é um direito de todos e um dever do Estado, segundo a Constituição Federal do Brasil, mas como o sistema público não é suficientemente eficaz para atender todos os cidadãos, ele permite que a saúde suplementar, que contempla 50,6 milhões de beneficiários, cerca de 25% da população, faça esse papel.

Nessa visão, muitos cidadãos buscam nos planos de saúde a principal alternativa para garantir acesso ao tratamento, que podem ser por planos coletivos ou individuais. Na maioria dos casos, paga-se um valor alto por um bom plano de saúde – e não podemos esquecer de dizer que idosos, muitas vezes, chegam a entregar sua aposentadoria por inteiro para ter acesso a um hospital particular via plano.

Para regulamentar esse mercado foi sancionada, em junho de 1998, a Lei 9.656. Dois anos depois, foi criada a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A ANS é hoje o órgão fiscalizador e controlador dos planos de saúde que vem apresentando um excelente trabalho, garantindo que as operadoras de saúde não qualificadas sejam banidas do mercado e estabelecendo um rol de coberturas mínimas, garantindo um mínimo essencial para o usuário.

Com essas ações, a saúde suplementar avançou muito na área da oncologia, como por meio da incorporação dos quimioterápicos orais, da inclusão de exames e procedimentos de alta complexidade, coberturas para transplante de medula óssea e incorporação de novas tecnologias a cada dois anos.

Temos de reforçar que, se não fosse a regulação da ANS, dependeríamos da vontade da operadora de saúde em atender seus usuários, o que poderia aumentar o número de pacientes que teriam de recorrer à Justiça para ter acesso a tratamentos.

Dentre as principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes em relação às suas operadoras de saúde estão: negativas de coberturas/atendimentos (exames, cirurgias, quimioterapias, radioterapias), rede de atendimento insuficiente, com poucas opções de laboratórios e clínicas especializadas, além da mudança de clínicas especializadas durante o tratamento, devido ao descredenciamento de serviços pelo plano.

A Abrale, por meio do seu departamento de apoio ao paciente, recebe todos os dias inúmeros de casos assim. Nossos pacientes, mesmo que pagando por uma saúde melhor, acabam enfrentando essas e outras dificuldades durante o processo de tratamento, que, cá entre nós, já é bastante doloroso.

Buscando melhor solução, criamos a cartilha Direitos dos Pacientes, com informações completas sobre as garantias dadas aos usuários de convênios médicos, e também a cartilha Planos de Saúde, que explica de forma aprofundada e com uma linguagem simples como a saúde suplementar funciona no Brasil, garantindo informações essenciais como: o que deve ser considerado antes de contratar um bom plano de saúde? O que fazer em casos de negativas de coberturas? Como buscar acordos extrajudiciais? E, em último caso, como entrar na Justiça em situações que a conciliação não deu resultado? Ainda temos muito que avançar.

É preciso garantir um teto de reajuste para os planos coletivos, pois hoje só temos para planos individuais, o que tem levado esse tipo de plano quase à extinção; garantir que as operadoras cumpram com o fornecimento dos medicamentos e procedimentos estabelecidos no rol, sem ser preciso buscar a via judicial; estabelecer um critério de exceção que permita que, em alguns casos, a incorporação de droga órfã ocorra anualmente.

Por esses motivos é que a criação dos planos populares, proposta pelo atual ministro da Saúde, vai contra tudo o que foi construído até hoje em matéria de regulação da saúde privada. Comercializar planos que não garantam o atendimento ao paciente nem sequer atendam ao rol de cobertura mínima fere o princípio da finalidade da assistência à saúde.

Varias associações de pacientes, como também o Conselho Nacional de Saúde, repudiam essa medida do atual governo. Trata-se de mais um retrocesso à saúde no Brasil.




ANS registra redução de 1 milhão de contratos de planos de saúde

13/10/2016 - G1 - Jornal Nacional


O trabalhador desempregado também fica sem o plano de saúde da empresa. Um levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostrou uma redução de mais de um milhão de contratos.

Primeiro, a péssima notícia da demissão. Depois, a administradora de empresas Sabrina Aguirre ainda descobriu que não poderia continuar com o plano de saúde da empresa. O marido e a filha de 1 ano eram dependentes dela.

“Qualquer procedimento a gente vai ter que arcar com o particular. Para hoje não tem plano nenhum”, disse Sabrina.

O trabalhador demitido, sem justa causa, perde o direito de permanecer no plano de saúde empresarial em duas situações: no benefício coparticipativo, quando paga um percentual do valor de cada procedimento; e no plano em que a empresa arca com o valor total do benefício. O funcionário ainda perde o direito ao plano quando pede demissão.

Só há um caso em que o trabalhador demitido, sem justa causa, pode permanecer no plano de saúde empresarial: quando paga uma parte da mensalidade e o valor é descontado no contracheque. A cobertura para consultas, procedimentos e internações não muda, mas a conta, que antes era dividida com a empresa, passa a ser paga integralmente pelo beneficiário.

Isso vale para os planos contratados a partir de 1999. O prazo para ter acesso aos serviços depois do desligamento varia de acordo com o tempo de trabalho e é limitado ao mínimo de seis meses e ao máximo de dois anos.

Quem perdeu o plano de saúde pode contratar, por exemplo, um plano individual, que costuma ser mais caro que o empresarial. Outra opção, é o plano coletivo, oferecido por associações de classe e sindicatos. Nesse caso, o Procon alerta para ficar de olho nos reajustes.

“Primeiro que ele verifique quantos são os segurados, porque quanto maior o número de segurados, melhor. Procurar saber, historicamente, quais os reajustes que esse plano sofreu. É o contrato que determina o reajuste, e não a Agência Nacional de Saúde Suplementar”, explicou Marcelo Barbosa, do Procon - Assembleia Legislativa de Minas.

Engenheira desempregada, Andrea Oliveira teve direito ao plano de saúde da empresa. Mas o prazo está acabando e agora ela aderiu a um plano de um conselho de classe.

“Se ele não me atender eu tenho como, pelas cláusulas, cancelar o plano, mas é o que me atendeu hoje por estar desempregada”, disse Andrea.




Entrevista: Conheça os direitos das portadoras de câncer de mama

13/10/2016 - Portal EBC


A campanha Outubro Rosa visa conscientizar e prevenir as mulheres contra o câncer de mama. A descoberta da doença e o tratamento são etapas importantes e difíceis.

As trabalhadoras portadoras do tumor devem ficar atentas e buscar informações, pois há uma série de direitos trabalhistas e benefícios previdenciários que podem ser requeridos.

Nesta entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM, a advogada com especialização em Direito de Saúde, Sivone Da Silva, explica : “Qualquer trabalhador portador da neoplasia maligna, denominado câncer, pode sim, dirigir-se a uma Caixa Econômica Federal (CEF), qualquer agência em sua cidade, e solicitar o resgate dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que está la disponível, além do saque do PIS/PASEP”

Ela explica como agir juridicamente para fazer valer o direito de fazer exames preventivos, principalmente a mamografia.




Suplementos de cálcio podem causar danos ao coração, diz estudo

13/10/2016 - O Globo


Em um novo estudo que alerta para a grande diferença entre obter nutrientes naturalmente ou através de pílulas, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, EUA, descobriram que dietas ricas em cálcio podem ser benéficas para o coração, mas a ingestão exagerada do mineral por meio de suplementos eleva o risco de acúmulo de placas nas artérias (aterosclerose) e danos ao órgão. Segundo os cientistas, uma das principais motivações da investigação foram justamente pesquisas anteriores indicando que o cálcio dos suplementos não chegava aos ossos nem era totalmente excretado na urina dos consumidores, o que implica que ele deveria se acumular em alguma parte do corpo.

Assim, a distinção entre a absorção e os efeitos na saúde dos nutrientes dependendo de sua fonte ganha ainda mais importância diante de levantamento recente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres (Abiad). Ele revelou que 54% dos lares brasileiros abrigam ao menos um indivíduo que toma algum tipo de suplemento. E embora as vitaminas liderem a lista, com 48% do consumo, os minerais, como o cálcio, ficam em segundo lugar no consumo, com 22%, à frente de substâncias extraídas de plantas, com 19%. Já nos EUA, o Instituto Nacional de Saúde estima que 43% da população adulta toma suplementos com cálcio, inclusive mais da metade das mulheres acima de 60 anos, a maioria sem orientação médica, por acreditar que assim podem se prevenir da osteoporose.

— Quando o assunto é o uso de suplementos de vitaminas e minerais, particularmente de cálcio para a saúde dos ossos, muitos americanos acham que quanto mais é sempre melhor — resume Erin Michos, vice-diretora de cardiologia preventiva e professora da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, uma das autoras do estudo, publicado esta semana no periódico “Journal of the American Heart Association”. — Mas nosso estudo oferece evidências de que o excesso de cálcio na forma de suplementos pode prejudicar o coração e o sistema vascular.


ALIMENTOS SÃO A FONTE MAIS SEGURA


Na pesquisa, os cientistas acompanharam 2,7 mil dos cerca de 6,8 mil voluntários do Estudo Multiétnico da Aterosclerose (Mesa, na sigla em inglês), projeto de longo prazo financiado pelo governo americano para investigar este que é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas. Com idades que variavam de 45 a 84 anos quando do início do estudo, em 2000, os participantes responderam na época um extenso questionário sobre seus hábitos alimentares, o que permitiu avaliar quanto cálcio ingeriam a partir do consumo de alimentos como laticínios, verduras e outros alimentos ricos ou enriquecidos com o mineral, como cereais matinais.

Separadamente, os pesquisadores também fizeram um inventário dos remédios e suplementos que cada um dos voluntários tomava diariamente. Por fim, eles foram submetidos a exames de tomografia computadorizada para medir sua taxa de cálcio nas artérias coronárias, um marcador de risco de desenvolvimento de doenças no coração. No início do estudo, 1.175 dos participantes apresentavam alguma formação de placas nas suas artérias coronárias nos exames. Estes foram repetidos em todos os participantes dez anos depois, para avaliar se as placas haviam aumentado, diminuído ou aparecido nos que estavam livres delas.

Na análise, os pesquisadores inicialmente dividiram os voluntários em cinco grupos baseados no total de cálcio que ingeriam, seja por meio da dieta ou através de suplementos. Depois de ajustarem os dados de acordo com a idade, sexo, etnia, prática de exercícios, tabagismo, educação, peso, uso de álcool, pressão sanguínea, glicemia e histórico médico familiar dos participantes, os cientistas separaram os 20% deles com maior consumo total de cálcio, acima de 1,4 grama por dia. Os cálculos mostraram então que este subgrupo tinha 27% menos chances de desenvolver problemas no coração indicados pelo marcador de cálcio nas artérias coronárias do que os 20% dos voluntários com menor ingestão do mineral, abaixo de 400 miligramas diários.

A seguir, no entanto, os pesquisadores decidiram se focar nas diferenças entre aqueles cujo cálcio vinha apenas da dieta daqueles que obtêm o mineral por meio dos suplementos, consumidos por 46% dos integrantes do estudo. Novamente levando em conta as mesmas diferenças demográficas e de estilo de vida que também podem influenciar no desenvolvimento de problemas cardíacos, como na análise anterior, os cientistas descobriram que os usuários dos suplementos tinham uma chance 22% maior de verem suas taxas de cálcio nas artérias coronárias subirem ao longo da década.

— Há claramente algo diferente em como o corpo usa e responde aos suplementos frente à ingestão pela dieta que os torna (os suplementos) mais perigosos — comenta John Anderson, professor emérito de nutrição da Universidade da Carolina do Norte e coautor do estudo. — Pode ser porque os suplementos contêm sais de cálcio, ou pode ser que isso aconteça por se tomar uma grande dose de uma vez que o corpo não seja capaz de processar.


CIENTISTAS RECOMENDAM CAUTELA


Já entre os participantes que tinham a maior ingestão de cálcio exclusivamente por meio da dieta, com mais de 1.022 miligramas por dia, os pesquisadores não observaram nenhum aumento na taxa de cálcio nas artérias coronárias, e consequentemente do risco de desenvolver problemas cardíacos de acordo com este marcador, nos dez anos do estudo.

— Baseados nestas evidências, podemos dizer a nossos pacientes que não parece haver qualquer risco em ter uma dieta saudável para o coração que inclua alimentos ricos em cálcio, e que talvez isso até seja benéfico para o coração — conclui Erin. — Mas os pacientes devem realmente discutir com seus médicos planos de tomar suplementos de cálcio para definir qual seria a melhor dosagem ou mesmo se realmente precisam deles.

Clipping de Notícias - 10/10/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 10/10/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Fux diz que STF vai limitar ações por remédios

08/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux disse ontem acreditar que a decisão da Corte sobre a oferta de medicamentos de alto custo pela rede pública não deverá ser no sentido de obrigar o Estado a dar tudo a todos. Em julgamento iniciado em setembro e ainda sem data para terminar, o Tribunal avalia a obrigatoriedade do governo em fornecer remédios que não constam da lista do SUS ou que não tenham registro no País.

Segundo Fux, o STF deverá estabelecer critérios para o fornecimento de remédios pela rede pública. “Não (será tudo para todos). Vai ser uma solução sob medida. O Supremo será o artesão na solução desse caso. Vai ser uma decisão de alfaiate”, disse ele na tarde de ontem, após participar de painel sobre judicialização no Summit Saúde Brasil, evento promovido pelo Estado em São Paulo.

Fux afirmou não poder adiantar o voto que defenderá no julgamento, mas antecipou seu entendimento.

“Sou a favor de uma fórmula que faça prevalecer o direito fundamental do cidadão à saúde, que está na Constituição.

Mas acho que o Supremo vai estabelecer critérios. Há casos excepcionais que merecem soluções excepcionais”, afirma. Já votaram os ministros Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, todos no sentido de autorizar o fornecimento só em casos excepcionais.

Também presente no Summit, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse ter certeza de que o Supremo terá “bom senso na decisão”, mas afirmou que o gasto com compra de remédios de alto custo acima do previsto em orçamento poderá desestruturar o sistema público.

“Nós vamos cumprir as decisões, como temos feito, apenas que isso desestrutura todo o nosso sistema e, se as decisões forem muito exigentes, desestruturam outros sistemas do governo, que terão de socorrer à Saúde”, afirmou.

Barros disse ainda que o governo federal tem como meta restabelecer em um ano o financiamento de serviços do SUS que deixaram de receber recursos da União, o que já resulta numa dívida de R$ 3,5 bilhões com Estados e municípios. “O governo já reconheceu que esses serviços estão funcionando, mas não publicou a portaria que permite o pagamento mensal do aporte de cofinanciamento do governo federal”, disse Barros, justificando a situação à falta de caixa da União.


ZIKA


O ministro afirmou que, após quase um ano de atraso, a compra de repelentes para distribuição entre gestantes do Bolsa Família para a proteção contra o vírus zika finalmente está sendo feita. Ele não informou quantas mulheres serão beneficiadas, mas disse que a distribuição do produto começará em novembro. Serão investidos R$ 300 milhões por ano.




Direitos continuam

07/10/2016 - Guia da Farmácia


Ampliar o acesso da saúde a toda população nacional, oferecendo medicamentos para as doenças mais comuns no País, de forma gratuita ou com desconto. Foi com esse intuito que nasceu o Programa Farmácia Popular, ação que completa 12 anos em 2016 e traz números bastante satisfatórios.

Somente a rede própria disponibiliza 112 itens - entre analgésicos, anti-hipertensivos, medicamentos para diabetes, colesterol, gastrite e outros -, oferecidos gratuitamente ou que são dispensados pelo seu valor de custo, representando até 90% de abatimento.

Em 2006, a oferta aumentou com a expansão do Programa para a rede privada. Denominada Aqui Tem Farmácia Popular, esta modalidade disponibiliza 14 medicamentos gratuitos para hipertensão, diabetes e asma. Medicamentos para outras quatro doenças, incluindo rinite, doença de Parkinson, osteoporose e glaucoma, além de contraceptivos e fraldas geriátricas, podem ser adquiridos com até 90% de desconto.

Atualmente, o Programa Farmácia Popular conta com 35.179 estabelecimentos, sendo 520 da rede própria e 34.659 da rede credenciada, que beneficiam 4.486 municípios. Nos últimos três anos, segundo informou o Ministério da Saúde (MS), foram investidos mais de R$ 5,7 bilhões no Farmácia Popular. A ação Saúde Não Tem Preço (braço do Aqui Tem Farmácia Popular que proporciona, desde 2011, gratuidade nos medicamentos para o tratamento de hipertensão, diabetes e asma) gerou uma ampliação do número de pessoas beneficiadas pelo Programa, passando de 1,2 milhão em janeiro de 2011 (período anterior à gratuidade) para mais de 9,8 milhões de pacientes atendidos para todas as patologias em julho de 2016, o que representa crescimento de 679%. Do total de pacientes atendidos, aproximadamente 7,1 milhões são hipertensos e três milhões são diabéticos. Em uma década, o governo investiu R$ 10,4 bilhões no pagamento do Programa.

Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), de 2007 a 2015, a média de clientes atendidos mensalmente pelo Aqui Tem Farmácia Popular nas farmácias associadas à entidade passou de 335 mil para 1,9 milhão. Em todo o ano passado, mais de 22 milhões de brasileiros foram beneficiados e o número de unidades comercializadas atingiu 58,8 milhões, contra oito milhões do primeiro ano da ação.

"O Farmácia Popular é um dos programas governamentais com maior credibilidade entre a população. E a parceria do poder público com a iniciativa privada só corroborou essa aceitação, ao facilitar o acesso a medicamentos e impedir que a população interrompa seus tratamentos de saúde, especialmente para combater doenças crônicas, como diabetes e hipertensão", observa o presidente executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto.

O diretor presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia, também aprova o Programa. "É uma ação de inclusão, que traz acesso à população a um grupo importante de medicamentos", afirma o especialista, acrescentando que, hoje, mais de três mil farmácias associadas à entidade participam do Programa.


GARANTIA ATÉ O FIM DE 2016


Entre o fim de 2015 e o início deste ano, o Farmácia Popular, considerado uma grande conquista da população, pareceu correr sérios riscos. De acordo com Mena Barreto, a proposta orçamentária do governo federal previa a extinção da verba para o co pagamento, mantendo apenas o sistema de gratuidade. O custeio acabou sendo mantido por meio de emenda no Congresso Nacional, que garantiu ao menos RS 400 milhões a essa modalidade.

Alheio à aprovação da emenda, segundo Mena Barreto, o MS começou a discutir a redução no valor de referência dos medicamentos a partir do mês de fevereiro deste ano, tornando praticamente inviável a manutenção do Programa pelas redes privadas.

"Além deste valor nunca ter sido reajustado ao longo de todos estes anos, mesmo com a inflação corroendo margens e com o aumento galopante de custos, o governo insiste em reduzir o valor pago às farmácias, que já está abaixo do aceitável há muito tempo. E para piorar, nada menos que 13 estados resolveram aumentar a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos medicamentos, alegando perda de arrecadação", disse o executivo da Abrafarma.

No entanto, o MS não confirma o final do Programa ou extinção dos medicamentos oferecidos. Em nota, ele esclareceu que o Farmácia Popular continua funcionando regularmente, tendo garantido orçamento para este ano na ordem de R$ 3,2 bilhões. O órgão reforçou, ainda, que houve um crescimento de 14% no orçamento do Programa Farmácia Popular do Brasil, passando de R$ 2,8 bilhões, em 2015, para R$ 3,2 bilhões em 2016. No ano de 2014, o orçamento era equivalente a R$ 2,3 bilhões.


ENTRAVES PARA O CRESCIMENTO


A burocracia do sistema público prejudica um acesso ainda maior aos medicamentos do Programa, na visão de Mena Barreto. Segundo ele, os problemas contemplam, por exemplo, prescrições preenchidas de forma incompleta pelo médico.

"Em pelo menos 30% dos casos, principalmente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), o médico não coloca a idade/endereço do paciente na prescrição, uma exigência do Programa. Depois de meses tentando uma consulta, o paciente vai à farmácia e as redes privadas são obrigadas a não atendê-lo, sob pena de exclusão do Programa por um simples detalhe como esse", exemplifica.

Para Mena Barreto, outro problema é a necessidade de retornar à farmácia a cada 30 dias. "Para que complicar a vida do usuário, que já sofre em razão da falta de acesso, com detalhes que podem ser resolvidos com boa vontade? Para o cliente e à imagem do Programa, a frustração causada pelo excesso de burocracia é um desastre", contesta.

A solução, já apresentada pela Abrafarma ao MS, seria dar mais poder para o farmacêutico, que poderia preencher os dados faltantes no ato da compra.

O assessor da diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sincofarma/SP), Juan Carlos Becerra Ligos, também enxerga algumas formas de melhorias ao Programa, que, na visão dele, poderia ser revisado no que diz respeito às pessoas contempladas.

Para ele, apesar de o Farmácia Popular ter um lado social muito positivo, já que ajuda a melhorar, sensivelmente, a qualidade de vida das pessoas, o Farmácia Popular deveria ser destinado apenas àqueles que, de fato, não têm renda para arcar com o tratamento.

"Sinto-me incomodado em oferecer, de graça, medicamentos para aqueles que podem pagar. Essa regra faz com que o medicamento possa faltar para aqueles que, de fato, precisam do Programa. Se aqui no País temos recursos escassos, dever-se-ia canalizá--los a quem não tem acesso", lamenta o executivo.

Ele também acredita que o Programa deveria garantir, junto com ele, mais assistência da classe médica, para que os medicamentos sejam utilizados corretamente. "Pouca diferença faz a receita sem que se entenda como se realiza o tratamento em questão. A informação e assistência são tão ou mais importantes do que o medicamento em si", alerta o especialista.

Em relação às farmácias participantes, o executivo do Sincofarma/SP também enxerga alguns entraves, já que os produtos do Programa constituem uma venda que se torna cara para o varejo, por uma série de motivos. "Demora-se o triplo de tempo para a venda ser realizada, quando comparado a um produto fora do Programa. Afinal, é exigida uma série de requisitos antes de dispensar os medicamentos", diz.

Além disso, segundo Ligos, os documentos gerados para a dispensação desses medicamentos precisam ser arquivados pela farmácia por um período de cinco anos, exigindo um espaço do estabelecimento para este fim.

Ligos também lembra que, para as farmácias participantes, a adaptação pode ser difícil. "Existe uma série de exigências, como softwares que precisam passar por um período de testes. Aliás, muitas lojas precisam pagar por um serviço mensal de empresas especializadas que fazem essa interface e garantem o funcionamento do sistema", lembra.

Mas apesar de todo esse gasto, nem sempre esse negócio apresenta vantagens ao varejista. Aliás, segundo Ligos, mais recentemente, o repasse do valor dos medicamentos do governo às farmácias participantes tem sofrido grande atraso.

"Pelo regulamento, o pagamento deveria ser feito em até 45 dias. No entanto, na prática, esse repasse tem sido feito em 90 dias, o que acaba desestimulando pequenas e médias empresas a continuar na ação", queixa-se.


LIVRE-SE DE IRREGULARIDADES


As farmácias que participam do Aqui Tem Farmácia Popular podem passar por uma série de problemas que colocam em risco a inclusão dessas empresas no programa. O CEO presidente da MSD Assessoria Empresarial e Financeira, Mareio Duque, afirma que algumas farmácias de diversas cidades do Brasil têm recebido um ofício da Secretaria de Ciências, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), informando o bloqueio das vendas do programa, por determinação do Ministério Público Federal e o encaminhamento para o Departamento Nacional de Auditoria (Denasus), para averiguação de irregularidades. Entre elas, são comuns, por exemplo, as oscilações bruscas nas vendas, algo que pode ser interpretado, pelos auditores, como fraude nas farmácias. "Temos uma solução exclusiva em que coletamos todas as vendas efetuadas por uma farmácia desde o início do programa e geramos relatórios detalhados. Nessas análises, encontramos, por exemplo, valores mensais de R$ 50,00 em um determinado mês e, em outro, RS 400,00", diz Duque.

Outro problema recorrente é a inclusão, na nota fiscal do consumidor, de medicamentos que não foram comprados, apontando uma falta de conduta de algum colaborador da loja. "O vendedor da farmácia pode aproveitar o fato de o brasileiro não ter o hábito de conferir os cupons fiscais e incluir medicamentos a mais na compra. Por exemplo, o usuário toma atenolol, mas o vendedor inclui outros medicamentos na dispensação desse usuário, gerando uma venda excessiva e irreal. Também são comuns, durante a auditoria, encontrar vendas de medicamentos para patologias de pessoas idosas entre jovens de até 25 anos de idade; idosos comprando anticoncepcionais; vendas fora do horário comercial de funcionamento da loja; entre muitas outras fraudes", mostra Duque, alertando que 70% dessas irregularidades podem ser realizadas pelos funcionários do estabelecimento que, em busca de cumprir metas de vendas, podem cometer essas infrações. Também são falhas frequentes a ausência do Livro de Registro de Inventário (LRI), documento obrigatório para boa parte das farmácias e essencial para aquelas que aderem ao programa. No entanto, segundo dados da consultoria, são pouquíssimas as lojas que têm esse documento.

é igualmente comum a ausência de nota fiscal de aquisição de medicamentos (rotina que as farmácias devem cumprir de acordo com as compras). E os estabelecimentos podem ser largamente prejudicados quando são pegos pela auditoria do Programa. "Basicamente, 90% das farmácias que são encaminhadas ao Denasus são descredenciadas, podendo retornar ao programa somente dois anos após a publicação no Diário Oficial da União e quitação de uma multa de 10% referente às vendas dos três últimos meses", alerta o diretor da MSD.

Para auxiliar as farmácias com esses trâmites, algumas assessorias especializadas, como a MSD Assessoria Empresarial e Financeira, podem ajudar, mensalmente, as farmácias que participam do programa tanto na prevenção de problemas quanto na resolução dos mesmos quando eles acontecem. "Nos especializamos em atendimento às farmácias, em todo território nacional, para vencermos os desafios de implantação, renovação e continuidade no Aqui Tem Farmácia Popular", finaliza Duque.




Medicação para câncer de pele é aprovada

10/10/2016 - Folha de S.Paulo


O tratamento do melanoma avançado, um tipo menos frequente,porém mais agressivo de câncer de pele, ganhou um reforço. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou,na semana passada, o Keytruda (pembrolizumabe). Em testes,a medicação se mostrou mais efetiva do que outras, como quimioterapia.

Nos EUA e em alguns países da União Europeia, o remédio também é utilizado para tratar câncer de pulmão de não pequenas células (o mais comum) avançado, câncer de cabeça e pescoço.

O pembrolizumabe é uma imunoterapia. O remédio é um anticorpo que ataca as células cancerígenas e não danifica as saudáveis. O tratamento com o remédio nos EUA custa cerca de U$ 12.500 por mês.No Brasil ainda não há valor estimado, que será determinado pela Câmara de Regulação dos Mercados de Medicamentos.

Melanomas se apresentam como manchas ou nódulos na pele. A exposição ao sol é uma das causas da doença.

Hoje, o tratamento ocorre via cirurgia, radio ou quimioterapia e imunoterapia.




Medicamento pode trazer benefícios em tratamento de câncer de pulmão

09/10/2016 - G1 - Bem Estar


A Merck & Co acertou um golpe duplo no domingo (9) com novos dados clínicos mostrando a sua imunoterapia Keytruda oferece grandes benefícios em pacientes com câncer de pulmão não tratados previamente, tanto quando administrada por si só ou com quimioterapia.

Como uma monoterapia, o Keytruda reduziu pela metade o risco de progressão da doença e diminuiu o total de mortes em 40% em comparação com quimioterapia sozinha em pacientes pré-selecionados, cujos tumores tinham sido testados usando um biomarcador.

Quando administrada com dois medicamentos quimioterápicos mais antigos em pacientes não selecionados foi quase duas vezes mais propensa a reduzir tumores do que a quimioterapia sozinha.

Outra droga semelhante da Roche também demonstrou eficácia ampla, como a chamada opção de segunda linha em doentes que receberam tratamento anterior.

"Lembrem-se deste dia. É um novo dia para o tratamento do câncer de pulmão", disse a repórteres Stefan Zimmermann, do Hospital Universitário de Lausanne, no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), quando os resultados foram apresentados.

Um editorial no New England Journal of Medicine, onde os resultados da monoterapia da Merck foram publicados, disse que Keytruda poderia tornar-se "um novo padrão de atendimento".




Fosfoetanolamina: Icesp anuncia 2ª fase de testes da 'pílula do câncer'

06/10/2016 - G1 - Bem-Estar


O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), anunciou, nesta quarta-feira (5), o início da segunda fase de testes clínicos da fosfoetanolamina, composto que ficou conhecido popularmente como "pílula do câncer". A nova etapa deve começar na segunda-feira que vem, 10 de outubro.

Esta etapa, que avaliará a eficácia da droga, envolverá cerca de 200 novos pacientes: são mais de 20 pacientes em cada um dos 10 grupos de tumor: cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado. A primeira etapa, com 10 pacientes, avaliou apenas que a substância é segura (leia mais abaixo).

Esses voluntários serão recrutados entre os pacientes que já são atendidos pelo Icesp. Podem participar aqueles que já não têm alternativa de tratamento curativo.

"Pacientes que ainda têm algum tipo de tratamento curativo não participam do estudo por razões óbvias. É um tratamento experimental", afirmou Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp, durante o anúncio. Além disso, o paciente tem que estar em boas condições físicas, para garantir que seu sistema imune está funcionando, e que poderiam se abster de tratamentos de outro tipo por dois meses sem grandes riscos para a saúde.


TERCEIRA ETAPA PODE CHEGAR A MIL PACIENTES


Caso pelo menos três pacientes de cada grupo tenham benefícios com o uso da droga, o grupo pode ser expandido progressivamente. Esta seria a terceira etapa da pesquisa, que poderia chegar a mil pacientes.

Caso menos de três pacientes tenham benefícios dentro do grupo, o estudo é descontinuado para aquele tipo de câncer. "Se 19 pacientes progredirem na doença, independentemente de conhecimentos estatísticos, todos concordaríamos que não seria adequado prosseguir com o estudo", exemplificou Hoff.


TESTES INICIAIS MOSTRARAM SEGURANÇA


Os testes iniciais, para avaliar a toxicidade do produto, concluíram que não há riscos de efeitos adversos graves associados ao uso da substância.

Nesta fase inicial, a substância foi administrada a 10 pacientes para determinar a segurança. Seis deles foram retirados do estudo porque apresentaram progressão da doença e quatro continuam sendo monitorados.

Segundo Hoff, esses resultados preliminares ainda não permitem falar em eficácia. "Obviamente o fato de que seis pacientes tiveram que sair do estudo indica que o produto não é tão milagroso como algumas pessoas esperariam, mas quando a gente pensa em ciência, obviamente a gente não esperava isso. Vamos ver qual é o real benefício dele daqui para a frente", disse o oncologista.

Os testes em humanos com a fosfoetanolamina no Icesp começaram em 25 de julho. O início dos testes foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.

A substância, que começou a ser sintetizada por um pesquisador do Instituo de Química da USP de São Carlos no final da década de 1980, ainda não passou pelas etapas de pesquisa necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, portanto não existem evidências científicas de que o produto seja eficaz no combate ao câncer ou seguro para o consumo humano, daí a necessidade de mais testes. Outras instituições pelo país têm feito pesquisas com células e com animais.


4 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O CASO DA FOSFOETANOLAMINA


1) O que é? Uma substância que passou a ser produzida em laboratório por um pesquisador da USP, hoje aposentado, que acredita que ela seja capaz de tratar câncer.

2) Qual é a polêmica? Pessoas com câncer têm entrado na Justiça para obter o produto da USP, mas ele não passou pelos testes legalmente exigidos. A USP atendia à demanda somente porque era obrigada judicialmente.

3) Mas ela funciona contra o câncer? Cientificamente, não há como afirmar, porque os testes necessários não foram feitos. Ela foi distribuída para diferentes tipos de câncer, mas sem seguir evidências científicas de que isso seja adequado.

4) Que mal pode fazer usar esse produto? De acordo com os resultados da primeira etapa da pesquisa do Icesp, não há risco de efeitos adversos graves para os pacientes.

Biotoscana avalia ativos para aquisição na América Latina

10/10/2016 - Valor Econômico


O grupo farmacêutico Biotoscana, controlado pela gestora de private equity Advent International, está avaliando 15 potenciais alvos de aquisição na América Latina, além de 45 projetos de pesquisa que estão em andamento na região e nos quais poderá investir. De acordo com o principal executivo da companhia, Mariano García-Valiño, há ativos de interesse no Brasil, mas ainda não há conversas estabelecidas.

A compra de fabricantes de medicamentos de alta complexidade está na raiz do grupo, constituído pela gestora americana em 2011 para consolidar operações no setor. O mais recente investimento foi anunciado no fim do ano passado, quando a Biotoscana assumiu a totalidade do capital do laboratório argentino LKM, no qual já detinha participação.

Conforme García-Valiño, a estratégia da Biotoscana é montar um portfólio de medicamentos de alta complexidade, que representam o "futuro da medicina". "A América Latina ainda tem foco em produtos mais simples, então vamos montar uma plataforma para tirar vantagem disso." A escolha da região também levou em conta o ritmo de crescimento do mercado de medicamentos, de 9% a 10% por ano, frente a 2% ou 3% do mercado global.

Para colocar em marcha seu plano, o grupo combinou fabricação própria e acordos de distribuição de medicamentos complexos. Com três fábricas, tem faturamento anual de aproximadamente R$ 1 bilhão e o Brasil, onde não tem unidades fabris, contribui com 40% dessas receitas.

Segundo García-Valiño, o grupo tem recursos disponíveis para novas operações - além da Advent, a empresa tem como acionista a Essex Woodlands, que administra US$ 2,5 bilhões em ativos. Ao mesmo tempo, a farmacêuticas é apontada por agentes do mercado financeiro como potencial candidata a uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

No início de setembro, a Biotoscana ampliou seu portfólio por meio de um acordo de fornecimento, distribuição e licenciamento com a biofarmacêutica suíça Basilea Pharmaceutica. A parceria, que vale para todos os países da América Latina, incluindo México, contempla o antifúngico Cresemba (isavuconazole) e o antibiótico Zevtera (ceftobiprole), que podem chegar ao país em dois anos.

Menos de dois meses antes, o grupo havia anunciado a assinatura de um acordo na área oncológica com o segundo maior laboratório farmacêutico privado da França, Pierre Fabre Pharmaceuticals. Com o acerto, o grupo passa a comercializar os medicamentos Navelbine (vinorelbine), Javlor (vinflunine) e busilvex (Busulfan) na Colômbia, Chile, Equador e Peru.

Até o fim do ano, de acordo com García-Valiño, duas novas parcerias devem ser anunciadas. Em toda a América Latina, o portfólio da farmacêutica conta com 200 produtos. No Brasil, são sete medicamentos registrados.




‘As farmacêuticas são as primeiras a sair da crise’

10/10/2016 - O Estado de S.Paulo


As indústrias farmacêuticas voltaram a ficar otimistas e já preveem retomada de crescimento a partir de 2017. Nos últimos dois anos, o setor teve a rentabilidade fortemente impactada pelo aumento dos custos de produção, sobretudo com mão de obra (dissídio) e aumento do dólar (os principais insumos são importados), diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma).

“A indústria farmacêutica é a última a entrar na crise e a primeira a sair dela.” l Ainda é cedo para dizer que as indústrias poderão retomar os investimentos? Não. Estamos otimistas. O setor foi impactado pela crise e, pela primeira vez, terá o mesmo crescimento da inflação. Nos últimos anos, crescia duas a três vezes a inflação. Esperamos um crescimento de 8% a 10% neste ano e mantemos a mesma projeção de expansão para o ano que vem.

l O cenário para o setor já está mais favorável? Começamos a sentir uma melhora no emprego. O setor não tem necessidade de aumentar a capacidade industrial. A expectativa, com a atual equipe econômica, é de que o cenário macro melhore e os juros comecem a recuar. O Brasil, com o dólar a R$ 3,20, é atrativo para as multinacionais. O risco de investimento é a insegurança econômica.

Se resolvida essa questão, os investimentos retomam e o País volta a ser interessante.

l E como estão as conversas com o governo para o avanço das Parceiras para Desenvolvimento Produtivo (PDPs) de medicamentos? Estão sendo retomadas. Há boa disposição do governo em acertar as parcerias com laboratórios públicos que tenham condições em tocar esses projetos.




Fiocruz terá centro de pesquisas na UFRJ em 2018

07/10/2016 - O Globo


Um acordo assinado ontem entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promete tornar o Brasil mais autônomo no combate a problemas de saúde pública, tendo como prioridade doenças como malária, esquistossomose e leishmaniose, recorrentes em populações de áreas pobres e rurais.

A partir de 2018, o terreno do Parque Tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão, vai abrigar o novo Centro de Referência Nacional em Farmoquímica do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos). Lá serão desenvolvidos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA), substâncias químicas que compõem medicamentos e que atualmente são, em grande parte, importadas.

Segundo o diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, a produção nacional de comprimidos e cápsulas, apesar de farta, trata apenas da finalização dos remédios.

— É quase impossível tratar doenças, mesmo as mais triviais, sem usar remédio importado e caro. Acho um absurdo — disse ele. — O centro de pesquisa vai ter uma contrapartida social enorme e estimular interação entre pesquisadores da Fiocruz e núcleos tecnológicos.

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, José Bermudez, defende respostas rápidas para doenças negligenciadas:

— O país tem autonomia na formulação farmacêutica, mas não nos insumos. Alguns produtos estratégicos para o Brasil não interessam ao setor privado por serem baratos e de pouca demanda, como os que tratam malária e tuberculose. Nesse convênio, teremos uma planta piloto para produzir, em pequena escala, mas suficiente para atender ao sistema público de saúde.




Cálculo do Congresso vê piso de gasto com saúde de R$ 113,7 bi em 2017

06/10/2016 - Valor Econômico / Site


Cálculo divulgado no início da tarde desta quinta-feira pelo diretor da consultoria de orçamento do Congresso Nacional, Ricardo Volpe, aponta que a regra proposta pelo substitutivo à Proposta de Emenda Constitucional 241 para a área da saúde deve levar o piso de gastos públicos do setor para R$ 113,7 bilhões em 2017. A conta indica que o crescimento do piso com a regra proposta será perto de R$ 10 bilhões, se comparado com a regra atualmente em vigor.

O valor estimado é maior do que o previsto no Orçamento do ano que vem, de R$ 112,4 bilhões. Nesse caso, isso pode significar a necessidade de cortar gastos em outras áreas, já que o volume obrigatório está maior do que o projetado no Orçamento. É importante lembrar, contudo, que essa conta é feita com base em projeções de receitas, que estão sujeitas a revisões.

O relatório do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) fez com que a definição do mínimo a ser gasto na saúde no ano que vem seja calculado considerando 15% da Receita Corrente Líquida (RCL) e não 13,7%, como atualmente a Constituição determina, por meio da “Emenda 86”. Se fosse levada em conta a regra atual, o piso do ano que vem seria de R$ 103,9 bilhões.

Em 2016, o piso está em R$ 91,7 bilhões, segundo o diretor da consultoria de orçamento. Mas o volume a ser aplicado este ano está previsto em R$ 108,6 bilhões.




Cidades têm 60 dias para usar prontuário eletrônico em unidades do SUS

06/10/2016 - Valor Econômico / Site


Municípios de todo o país têm 60 dias para adotar o prontuário eletrônico em unidades básicas de saúde. O prazo vence no dia 10 de dezembro. Uma nova versão da plataforma, lançada nesta quinta-feira pelo governo federal, permite que todos os serviços de saúde da cidade possam acompanhar o histórico, os dados e o resultado de exames dos pacientes.

Também será possível, de acordo com o Ministério da Saúde, verificar em tempo real a disponibilidade de medicamentos em farmácias e registrar visitas de agentes de saúde. A expectativa é que a transmissão digital dos dados da rede municipal à base nacional permita ainda a verificação online dos gastos feitos via Sistema Único de Saúde (SUS).

“Todos os procedimentos feitos serão lançados na ficha e ela estará permanentemente atualizada”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao citar que este será mais um meio de fiscalização dos procedimentos pelo próprio cidadão. “A partir de agora, essa é a forma que queremos receber as informações”, completou.

A plataforma digital será oferecida gratuitamente pelo ministério, mas o envio de dados poderá ser feito pelos municípios por meio de sistema próprio. A previsão do ministério é de uma economia de R$ 84 milhões ao ano com tecnologias para informação.


BLOQUEIO DE RECURSOS


Após o período previsto para adaptação, o pagamento do Piso da Atenção Básica (PAB) variável para as prefeituras – equivalente a R$ 10 bilhões ao ano – ficará condicionado à implantação do prontuário eletrônico. O recurso é aplicado no custeio de atendimentos de pediatria e de programas como Saúde da Família e Brasil Sorridente.

Os municípios que não se adequarem à proposta, segundo o ministro, terão os repasses bloqueados. Em entrevista à imprensa, Barros lembrou que já há uma legislação vigente que vincula o repasse do PAB variável à devolução de informações. “Tudo o que é pago variável está sujeito à retenção no caso do não envio de informações”.

A pasta informou, entretanto, que vai apoiar cidades que apresentem dificuldades para implantar a nova versão da plataforma, conforme necessidades encaminhadas pelos gestores e que serão analisadas caso a caso. “Sem dúvida, alguns municípios vão reportar dificuldades de conectividade e infraestrutura”, disse Barros.

Dados do ministério revelam que, atualmente, 76% das unidades básicas de saúde registram o histórico do paciente em papel – apesar de informações do Ministério das Cidades darem conta de que todas essas cidades dispõem de ponto de internet banda larga.

Os números mostram que, das 41.688 unidades básicas de saúde em funcionamento em um total de 5.506 municípios, 10.134 já têm prontuário eletrônico, sendo que 2.902 utilizam versões oferecidas pelo ministério e 7.232 usam softwares próprios e privados. Ao todo, 106,98 milhões de pessoas já têm a plataforma à disposição.

“Até 10 de dezembro, mais da metade dos brasileiros estarão informando online seus procedimentos”, disse o ministro.




Amil confirma compra de clínicas de Lottenberg

07/10/2016 - Valor Econômico


A UnitedHealthcare, dona da Amil, confirmou ontem a aquisição da rede de clínicas oftalmológicas Lotten Eyes, do médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, conforme antecipou o Valor PRO serviço de informações em tempo real do Valor no mês passado.

A United informou ainda que Lottenberg assumiu o cargo de consultor estratégico sênior do grupo e que permanecerá na presidência do Einstein até o fim do ano, quando termina seu mandato no renomado hospital paulista.

Trata-se de um movimento de transição já que, segundo fontes do setor, Lottenberg deve assumir a presidência da UnitedHealthcare Brazil no ano que vem. Ele substituirá Edson Bueno, fundador da Amil, que deve deixar o comando do grupo até setembro de 2017. Esse foi o prazo acordado por Bueno quando sua operadora de planos de saúde foi vendida para o grupo americano há quatro anos. A mudança no comando não é confirmada pela companhia.

A rede de clínicas oftalmológica, que tem 18 unidades na capital paulista, continuará sendo comandada por Lottenberg pelo menos até o fim deste ano. Ainda, segundo fontes do mercado, a rede foi avaliada em aproximadamente R$ 200 milhões e será administrada pela América Serviços Médicos, braço criado pela UnitedHealthcare para cuidar exclusivamente do segmento de hospitais e consultórios médicos. Essa divisão é composta por 22 hospitais, seis clínicas oncológicas COI, adquiridas pela Amil no ano passado, e agora pelos consultórios de oftalmologia.

"A Lotten Eyes fortalecerá nossa capacidade de atender às necessidades das pessoas", afirmou Edson Bueno, CEO da UnitedHealthcare Brazil, em comunicado divulgado ontem. "Além disso, Lottenberg é um dos mais respeitados líderes do setor de saúde na América Latina. (...) Estou entusiasmado para trabalhar com ele em um nível estratégico abrangente", completou.

No mesmo comunicado, o atual presidente do Einstein também elogiou a capacidade de liderança de Edson Bueno. "Nós nos conhecemos há muitos anos e estou ansioso para trabalhar com ele e sua equipe de liderança sênior", completou.

Lottenberg, que está a frente do Einstein há 15 anos, chega à Amil com grandes desafios. A companhia acaba de ser dividido em três braços de negócios: planos de saúde e dental, hospitais e clínicas e tecnologia aplicada à saúde. Nos últimos quatro anos, a Amil amarga prejuízos devido ao cenário macroeconômico - que têm diminuído o número de usuários de planos médicos - e ajustes ao padrão contábil americano. Em 2015, o prejuízo da Amil foi de R$ 107,5 milhões, mas é uma quantia quase 63% inferior ao resultado em 2014.

Entidades lançam alerta para barrar sífilis

08/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O Conselho Federal de Medicina, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia lançaram ontem um alerta para tentar refrear o avanço de casos de sífilis congênita no País. No documento, endereçado para a população em geral, autoridades e médicos, as entidades recomendam a adoção de medidas urgentes para reduzir o avanço da doença.

Como revelou o Estado, a taxa de bebês com sífilis congênita em 2015 foi de 6,5 casos a cada 1 mil nascidos vivos – 13 vezes mais do que é tolerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e 170% a mais do que o registrado em 2010. Diante dessa situação, o Ministério da Saúde deverá lançar nas próximas semanas um plano para tentar conter a doença. “A situação da sífilis no Brasil está fora de controle”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia do Rio, Mauro Passos. “Os números são vergonhosos.

É inadmissível o País ter uma taxa como essa de uma doença que pode ser prevenida”, completou o médico.

“Vivemos numa situação de emergência epidemiológica. E algo precisa ser feito”, completou Sidnei Ferreira, da Sociedade Brasileira de Pediatria.


GESTANTE


E o crescimento de casos não ocorre apenas para sífilis congênita. Números obtidos pelo Estado mostram que a doença em gestantes passou de 3,7 para 11,2 casos a cada 1 mil nascidos vivos, um aumento de 202%. Para sífilis adquirida (denominação dada para sífilis na população em geral), a taxa é de 42,7 casos a cada 100 mil habitantes.

“A doença avança por um misto de fatores. Ela é ainda alvo de preconceito. Nem médicos nem pacientes falam do problema”, afirmou Passos.

Um dos pontos preponderantes para o aumento de casos foi a falta de medicamentos usados para tratar a infecção, causada por uma bactéria. O antibiótico, penicilina, esteve por pelo menos dois anos em falta. E Passos disse não ser possível ainda falar que a situação está regularizada.

“Há relatos de falta de medicamentos.” Ele observa, no entanto, que existem outros problemas, como a falta de integração de informações. “Para se ter uma ideia, o número de casos de bebês com sífilis é maior do que o de gestantes. Algo que comprova a falta de informação adequada.”




Mulher recebe útero de doadora morta

08/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Uma paciente de 28 anos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) foi a primeira mulher da América Latina a ser submetida a um transplante de útero de uma doadora que já tinha morrido. A cirurgia, já feita nos Estados Unidos e na Turquia, foi realizada no mês passado e a paciente se recupera sem sinais de rejeição do órgão.

O procedimento, ainda experimental, fez parte de um projeto de pesquisa da Divisão Clínica de Ginecologia e do grupo de transplante hepático do hospital que teve início há cerca de três anos. O objetivo é que ele seja direcionado para mulheres que nasceram sem útero e pretendem engravidar.

“O projeto foi aprovado na comissão de ética do hospital e no Conep (Conselho Nacional de Ética e Pesquisa). As equipes começaram a fazer estudos em cadáveres e, depois, em ovelhas.

Nossa equipe foi para a Suécia, onde existe um centro que faz transplantes de doadoras não falecidas e têm resultados positivos de gravidez nas receptoras.

Então, apareceu a oportunidade de fazer aqui. O nosso caso é o terceiro no mundo”, explica Edmund Chada Baracat, professor titular da disciplina de Ginecologia e diretor da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas.

Os dois outros procedimentos que foram feitos não tiveram resultados positivos. No caso dos Estados Unidos, o útero precisou ser removido. Na Turquia, a mulher chegou a engravidar, mas teve um aborto espontâneo.

“A nossa paciente está muito bem, fazendo todos os acompanhamentos e tomando uma medicação específica para evitar rejeição. Também vamos acompanhar a situação reprodutiva dela.” A mulher tem a Síndrome de Rokitansky, uma condição rara que faz com que o útero não seja formado. Também pode causar alterações na vagina, mas não afeta os ovários. A síndrome costuma ser notada na adolescência, quando a jovem não menstrua, embora tenha um desenvolvimento normal.

Segundo Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque, diretor do Serviço de Transplantes Abdominais do Hospital das Clínicas, o projeto prevê a realização de três cirurgias, inicialmente.

“A cirurgia é complexa.


O PROCEDIMENTO DUROU DEZ HORAS


Foram quatro pessoas para fazer a remoção do útero (da doadora), que é colocado em uma solução e, depois, implantado na paciente. Fazemos a costura das veias para ter a plena drenagem do útero.” Futuro. Após acompanhamento por um ano, se a paciente não tiver complicações, serão iniciadas as tentativas para que ela engravide. Antes do transplante, já foi realizada a coleta de óvulos e oito embriões estão congelados.

Baracat explica que esse tipo de transplante pode ser, no futuro, uma opção a mais para as mulheres que nasceram sem útero e têm o sonho de gerar uma criança.

“O transplante de útero tem indicação restrita. É para mulheres que nasceram sem útero e têm um futuro reprodutivo adequado, como é o caso dessa mulher.

É preciso ter boas condições clínicas e o casal precisa ter embriões adequados para serem implantados depois. É um procedimento de alto custo e sabemos que o útero não é um órgão vital, como é o caso de um coração ou de um pulmão.”




Dando cara à depressão

08/10/2016 - Folha de S.Paulo


"Quando eu era mais nova e todo mundo estava feliz, eu estava triste e deprimida. E eu não fazia ideia do porquê. Eu vivia em uma comunidade estável, meus pais eram ótimos pais, eu frequentava a escola, e não precisava de nada. Era muito estranho não conseguir ser de outro jeito.

Quando eu percebi que tinha algo errado, tentei fazer o que todo mundo diz pra você fazer: praticar exercícios, sorrir mais, agradecer pelas bênçãos na sua vida, ter mais pensamentos positivos, mas nada disso funcionava.

Até que fiquei desesperada e tentei falar com várias pessoas, mas ninguém me escutava. Meus pais disseram que eu estava sendo muito dramática, que era só uma fase da adolescência, e meus professores me chamavam de louca. Foram esses pensamentos e sentimentos que me fizeram acreditar que eu estava sozinha e que talvez eu não merecesse estar aqui e viver.

Até que quando eu tinha 13 anos eu tentei me matar. E posso dizer que minha vida foi salva por uma senhora que estava na clínica comigo. Ela não parava de olhar pra mim, até que chegou perto e disse: 'De uma pessoa louca para outra'. E me deu um colar prateado com um pingente que dizia 'hope' [esperança].

Essa mulher enxergou a doença dela em uma menina que precisava de ajuda, foi até ela e a apoiou.

Foi depois desse evento que eu descobri o que tinha e percebi que a forma como a gente falava de saúde mental estava errada. Lembro de dar um Google e não achar informações que dissessem 'Ei, essa coisa chamada depressão é assim'. Ou então achava textos escritos por médicos que não faziam sentido pra mim ou que diziam que a depressão é uma desculpa.

Na TV, a gente vê coisas como a 'crazy cat lady' nos Simpsons ou notícias que dizem que todo assassino e terrorista é doente mental. O que eu tento mostrar é que essas pessoas podem até se encaixar nessa categoria, mas um monte de pessoas incríveis também, de mendigos a CEOs.

Depois daquele evento eu escolhi algo no que me agarrar, pra me dar esperança: a formatura da minha irmã na high school [equivalente ao ensino médio no Brasil]. E eu sabia que faria o que fosse possível pra estar lá. Levei um bom tempo, acho que uns sete anos, pra ficar bem e encontrar um bom terapeuta. Foi uma luta difícil e diária.

Depois da formatura dela, lembro de estar sentada no meu quarto e pensar: 'Ok, e agora?'. Pensei em como eu via tanta gente sofrer de depressão e morrer por causa disso e quis mudar isso. O primeiro passo, eu pensei, era ser honesta e contar minha história. Ao trazer o tema à tona, algumas pessoas fogem do assunto e não querem falar comigo, mas muitas e muitas outras querem.

Uma das coisas que eu tento fazer é dizer o que é depressão, qual é a cara dela, em linguagem simples, para que as pessoas pensem: 'Ok, eu tenho uma doença, não sou preguiçoso, errado ou simplesmente estranho'.

Hoje eu consigo me entender, estou estável e, mesmo que eu tenha alguns dias ou alguns meses mais difíceis, eu sei como sobreviver. Isso significa que eu posso transmitir isso aos outros. Se tem um pai que está frustrado com o filho dele, eu consigo conversar para evitar que ele cobre algo como 'por que você não está melhorando depressa?'. Eu gosto de ser essa pessoa que responde às perguntas difíceis e que apoia as pessoas para que elas não joguem esse peso sobre quem está doente.

Quero ter certeza também de que estamos construindo algo além de dar palestras. O livro que escrevi ["Red Carnations", sobre sua história] é usado em escolas canadenses; aconselho empresas sobre como abordar o assunto saúde mental; trabalho com jovens para incentivá-los a contarem suas histórias e ainda ajudo a criar programas de saúde mental.

Uma coisa perigosa que está acontecendo no Canadá é que estamos falando mais de saúde mental, mas não estamos criando mais espaço para tratamento. Estamos aconselhando as pessoas a buscar ajuda, mas elas simplesmente não a encontram ou então veem uma fila de espera de três anos pra fazer terapia.

Hoje eu trabalho para vários projetos, como o BeChange [que oferece tratamento e apoio gratuito] e o Access Open Minds [que dá treinamento para que adolescentes e jovens adultos que já tiveram depressão ajudem os outros]. Também ajudei a fundar a Stella's Place, uma clínica que funciona em Toronto e conecta pessoas que já passaram por esse tipo de experiência. Ouvir que a depressão tem cura e que vai passar de alguém que já passou por isso faz diferença, tipo 'você realmente entende o que eu estou sentindo'.

Também é importante pra mim apoiar serviços que usam tecnologia. Se você mora em uma área muito remota e tem internet, é o que basta para conseguir ajuda. Vejo que muitas pessoas, mesmo as que moram em cidades grandes, têm muita dificuldade de sair de casa, de levantar da cama.


AJUDAR AS PESSOAS É UMA RESPONSABILIDADE


ouca, mas também é muito legal. O que eu faço é, basicamente, transmitir a mensagem. Se elas a abraçam e decidem continuar vivendo, isso significa que elas mesmas estão salvando a própria vida. Tudo que fiz foi contar minha história.

Meu objetivo agora é ajudar os jovens da minha comunidade. Meus pais são portugueses e vivemos num bairro de portugueses e brasileiros. Muitos dos jovens ali não estão indo tão bem. A maioria deles tem pais com baixos níveis de educação, que vieram pra cá pra tentar uma vida melhor, e eles têm a maior taxa de evasão escolar de Toronto. Poucos chegam à universidade. Queria mostrar que eles podem também ter uma vida mais próspera e algo melhor do que ficar sentado no McDonald's o dia inteiro."




Para onde quer que se olhe, haverá bactérias

09/10/2016 - Folha de S.Paulo


O perigo é onipresente. Onde quer que se examine, haverá fungos e bactérias. E, para o terror de quem tem mania de limpeza, não dá nem para fugir. Elas estão na pele, na boca e no intestino de todos nós.

Depois do curioso texto que você pôde ler neste domingo (9) na Folha sobre a famigerada “regra dos cinco segundos“, talvez valha a pena conhecer um pouco mais so

Numericamente, não há discussão: uma pessoa tem mais bactérias do que células humanas no organismo. Mas isso não é por acaso –estudos cada vez mais revelam que os micróbios têm papéis importantes e que vivemos em uma espécie de simbiose com eles.

Bactérias participam da absorção de nutrientes, do metabolismo de drogas, da preservação da mucosa do intestino e da proteção contra patógenos –até mesmo da resposta imunológica.

Dependendo do tipo de bactérias no intestino de uma pessoa, ela pode ter uma propensão maior a ser obesa. Isso porque os micróbios interferem na maneira que o organismo armazena gordura, sinaliza fome e até mesmo regula os níveis de açúcar no sangue –o que pode eventualmente provocar diabetes.

Mais assustador ainda é o cosmopolitismo desses organismos, que sobrevivem e perseveram em uma variedade assustadora de ambientes, como a Listeria monocytogenes (famosa por contaminar leite não pasteurizado, carnes e frutos do mar em geladeiras), que, assim como a Escherichia coli e as Salmonella spp. pode ser inesquecível para quem é infectado.

Uma bactéria do gênero Halomonas ficou famosa por ter uma resistência natural ao arsênio, além de conseguir sobreviver a uma água quase três vezes mais salgada que a do mar e em um ambiente altamente alcalino, de pH 9,8.

Outras bactérias se especializaram em viver em ambientes ácidos, como a Helicobacter pylori, que habita estômagos humanos. Engenhosamente, ela penetra a camada de muco que reveste o órgão internamente, alojando-se próximo ao epitélio, onde sofre menos os efeitos deletérios da acidez. A H. pylori está relacionada a gastrites crônicas e também a câncer de estômago.




A judicialização da saúde

09/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não julga em caráter definitivo um recurso sobre o limite da responsabilidade dos Estados e do Distrito Federal de distribuir gratuitamente remédios de alto custo não incluídos nas listas do Sistema Único de Saúde (SUS), os tribunais continuam tomando decisões polêmicas nessa matéria.

Tomada por um juiz federal de Guarulhos e referendada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região, a mais recente obriga a União a usar verbas da publicidade oficial, e não os recursos orçamentários do Ministério da Saúde, para pagar remédios importados para uma jovem com doença genética rara.

Na defesa do governo, a Advocacia Geral da União alegou que a Justiça não pode interferir nas verbas orçamentárias do Executivo aprovadas pelo Legislativo. O argumento foi rejeitado pelo TRF da 3.ª Região, sob a justificativa de que o Código de Processo Civil autoriza os juízes a recorrerem a todos os meios para preservar os direitos fundamentais previstos pela Constituição, como o direito à vida. As duas instâncias da Justiça Federal entenderam que, se os recursos do SUS são limitados, as verbas para o custeio dos remédios devem sair do orçamento de áreas não prioritárias da máquina governamental. “Ao manter a propaganda estatal, muitas vezes de caráter de promoção do governante, enquanto há pessoas morrendo por falta de tratamento, o Executivo comete inconstitucionalidade”, diz o juiz federal Paulo Rodrigues, da comarca de Guarulhos. “A Justiça está recordando a verdade sublime que o Estado existe para o cidadão, e não o contrário”, afirmou o desembargador Johnson di Salvo, do TRF da 3.ª Região.

Esse é mais um capítulo da novela sobre a judicialização da saúde, que se arrasta há anos, à espera de uma manifestação definitiva do STF. O recurso que a Corte julgará nas próximas semanas foi impetrado pelo Estado do Rio Grande do Norte. Alegando que não dispõe de recursos orçamentários para cumprir as centenas de liminares concedidas em matéria de distribuição gratuita de medicamentos caros, o governo potiguar pleiteia que o direito à saúde seja apartado dos direitos fundamentais.

A reivindicação é apoiada por todos os Estados e pelo Ministério da Saúde. Só nos primeiros seis meses deste ano, o Ministério cumpriu 16,3 mil ações judiciais que o obrigaram a fornecer gratuitamente remédios que não constam da lista do SUS. Em São Paulo, entre liminares e antecipações de tutela, o governo estadual cumpriu no ano passado 18 mil ordens judiciais, que custaram aos cofres estaduais R$ 1,2 bilhão.

No último triênio, o Ministério da Saúde gastou R$ 1,76 bilhão com o cumprimento de ações judiciais – um aumento de 129%. Para 2016, a estimativa é de que os gastos da União, dos Estados e dos municípios cheguem a R$ 7 bilhões.

No embate com os tribunais, os secretários e o ministro da Saúde alegam que 69% das decisões judiciais provêm de prescrições de médicos privados e sugerem que parte do receitado não é urgente e tem similar nas listas de remédios do SUS.

Afirmam, igualmente, que as decisões de primeira e de segunda instâncias têm priorizado direitos individuais, em detrimento de direitos coletivos.

As cúpulas das Justiças Federal e Estaduais respondem que é cada vez maior o número de juízes que buscam informações técnicas nos órgãos públicos de saúde, antes de emitirem uma decisão. Também afirmam que a magistratura tem sido cuidadosa ao compatibilizar atos administrativos com princípios constitucionais.

A verdade é que os dirigentes governamentais têm razão quando afirmam que as decisões judiciais retiram do poder público a competência para gerir a área da saúde. Já os juízes alegam que os problemas da saúde não devem ser vistos apenas pelo lado financeiro.

Cabe ao STF encontrar um meio-termo, reconhecendo o direito à saúde como direito fundamental, por um lado, mas obrigando a Justiça a levar em conta as limitações orçamentárias do poder público num contexto de crise fiscal, por outro.




Cuidado com as garotas!

09/10/2016 - O Estado de S.Paulo


Novos trabalhos divulgados na última semana mostram a necessidade de cuidados e atenção redobrados com as garotas mais jovens. Esse grupo parece hoje muito mais vulnerável a transtornos emocionais que podem provocar impactos importantes na saúde e no comportamento.

O primeiro estudo aponta que garotas com déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais. Essa condição elevaria a chance de problemas como gravidez na adolescência, pior desempenho na escola e abuso de drogas.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA, avaliaram trabalhos anteriores com cerca de 2 mil garotas de 8 a 13 anos: 40% delas tinham diagnóstico de TDAH. Ansiedade, depressão, transtorno desafiador opositivo (raiva, hostilidade, dificuldade de lidar com regras), distúrbios de conduta e violência foram mais comuns entre essas meninas do que naquelas que não tinham sintomas de TDAH. Os dados foram publicados no periódico médico Pediatrics.

Segundo os especialistas, é mais difícil diagnosticar TDAH nas meninas.

Em geral, elas apresentam menos sintomas de hiperatividade do que os garotos. Em contrapartida, sinais de falta de atenção são frequentes.

Se um acompanhamento cuidadoso for feito desde cedo, é mais fácil monitorar e controlar melhor as eventuais dificuldades emocionais e, portanto, reduzir os riscos para a vida dessas garotas.

Outra pesquisa da última semana, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), revela que as adolescentes britânicas estão se tornando o grupo com mais problemas com o álcool.

Elas apresentam risco duas vezes maior do que os garotos de se embriagar.

Um terço delas já ficou “de porre” pelo menos duas vezes antes dos 15 anos. Além delas, apenas as garotas suecas e canadenses bebem mais do que os meninos. Nos demais países, os garotos ainda ingerem mais álcool.

Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail.

Os números contrastam com tendências apontadas por outros trabalhos atuais, que sugerem uma queda do consumo de álcool entre os menores nos países desenvolvidos, já que eles estariam ficando cada vez mais tempo em suas casas, usando redes sociais, do que na rua, bebendo com os amigos. É importante lembrar que, quanto mais cedo se inicia o contato com o álcool, maiores os riscos de padrões complicados de uso, como o abuso (tomar porres, por exemplo) e a dependência.

Juntando os dois trabalhos citados, percebe-se que as garotas com mais questões emocionais, como as que apresentam depressão, ansiedade e dificuldades de adaptação, correm maior risco de abusar da bebida. E, como se sabe, o álcool acaba impactando diversos campos da vida do jovem, como desempenho escolar, exposição à violência, uso de cigarro, experiência com outras drogas e comportamento sexual de risco, entre outros.

Outro estudo, divulgado pelo Sistema Nacional de Saúde (NHS Digital) do Reino Unido, também na última semana, mostra que as mulheres mais jovens, de 16 a 24 anos, são três vezes mais propensas do que os homens da mesma faixa etária a desenvolver transtornos mentais, como depressão e automutilação. Uma em cada quatro delas vai enfrentar essas questões ao longo da vida. Os dados foram publicados pelo jornal Daily Mail.

As mesmas redes sociais, que poderiam em teoria proteger as jovens do abuso de álcool, são também grandes vilãs para a saúde emocional dessas meninas, que passam a se comparar o tempo todo com as colegas e sentem fortes pressões para estar sempre bem. O isolamento, o pessimismo e a dificuldade em lidar com problemas acabam minando a autoestima e o bem-estar dessas garotas.

Lógico que as redes sociais não são as únicas responsáveis. Outras questões, como desemprego, crise econômica, problemas familiares, exclusão social e machismo, entre outras, também colocam uma carga extra sobre essas meninas hoje.

E quem sofre mais acaba bebendo mais! Os resultados mostram o quanto é importante que os pais e as escolas possam avaliar com frequência o estado psíquico das garotas e procurar ajuda quando necessário. É uma forma de tentar garantir mais saúde e qualidade de vida para essa jovem população feminina hoje mais vulnerável.




Unicef afirma que que Iêmen passa por surto de cólera

10/10/2016 - Folha de S.Paulo


A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) anunciou na sexta (7),que há um surto de cólera no Iêmen. “As autoridades de saúde anunciaram que foram confirmados casos de cólera na capital, Saná, enquanto há outras suspeitas [de casos] na cidade de Taez (sudoeste)”,informou a entidade em um comunicado.

A cólera é causada pela bactéria Vibrio cholerae, que ao infectar o corpo leva as células que revestem o intestino a produzir uma maior quantidade de fluídos. Com isso, instalam-se quadros de diarreia e vômitos.

Pessoas contaminadas podem perder fluídos corporais rapidamente, o que, se não tratado, pode levar à morte em questão de horas.O tratamento é realizado via administração de fluídos e sais.

O contágio ocorre por água ou alimentos contaminados.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou, em comunicado, que, até o momento, foram confirmados oito casos da doença no Iêmen.

A maior parte dos pacientes infectados eram crianças.

“A escassez de água limpa para consumo agravou a situação da saúde no Iêmen, que já era ruim. Isso causou um aumento significativo nos casos agudos de diarreia, especialmente entre os deslocados internos, que agora já são mais de três milhões de pessoas”, afirmou a OMS em comunicado.

Os serviços de saúde do país foram muito atingidos pela guerra entre rebeldes xiitas hutis e forças pró-governamentais. O conflito, que já dura mais de 18 meses, causou uma grave crise humanitária e já deixou mais de 6.700 mortos, segundo a ONU.

“As crianças estão expostas a um risco particularmente alto se a atual epidemia de cólera não for contida urgentemente, ainda mais levando em conta que o sistema de saúde do Iêmen está arrasado com a continuação do conflito armado”, alerta o representante da Unicef no Iêmen, Julien Harneis.

Se não forem tratados, os casos graves de cólera poderão matar até 15% das pessoas afetadas em algumas horas, segundo o comunicado divulgado pela Unicef.

Ahmed Shadoul, representante da OMS no Iêmen, diz que a situação é um alerta para que outras nações ajudem o país a controlar o contágio.




Conheça os direitos de pessoas com câncer no Brasil

07/10/2016 - Zero Hora Online


Entre 2016 e 2017, estima-se que 600 mil novos casos de câncer sejam registrados no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Por isso, é importante que a população conheça os direitos de quem tem a doença no país. As leis brasileiras asseguram uma série de benefícios a quem foi diagnosticado, como saque do FGTS, auxílio-doença e isenção de impostos.

A dirigente do Núcleo de Defesa da Saúde da Defensoria Pública do Estado, Regina Célia Rizzon Borges de Medeiros, afirma que a maior demanda do órgão em relação aos pacientes com câncer diz respeito a medicamentos. São pacientes que recebem indicação médica para um determinado remédio, mas não têm condições de comprá-lo.

— Geralmente atendemos pessoas com renda de até três salários mínimos, mas, no caso de saúde, levamos em conta a condição que os pacientes e suas famílias possuem para pagar os medicamentos — explica Regina, acrescentando que todo o paciente que tiver dificuldades financeiras para bancar o tratamento pode procurar a Defensoria Pública de seu município.

O advogado Jamil Abdo, que atende casos de pacientes com câncer, afirma que também é muito comum os usuários de planos de saúde terem de recorrer à Justiça para conseguir determinados tratamentos. Um exemplo foi de um cliente que teve indicação médica para fazer uma cirurgia com auxílio de equipamentos importados, pelo alto risco do procedimento, mas o plano de saúde afirmou que só bancaria a intervenção com os aparelhos nacionais.

— Entramos na Justiça e ganhamos. Por isso, é muito importante que os pacientes conversem com os seus médicos sobre a melhor opção de tratamento.

Por isso, Abdo aconselha que as pessoas com câncer procurem auxílio jurídico quando tiverem seus direitos negados.


CONFIRA ABAIXO OS DIREITOS DE PESSOAS COM CÂNCER:


Tratamento Fora de Domicílio (TFD) pelo SUS

Os pacientes atendidos pela rede pública de saúde têm direito a receber tratamento fora de seu município ou, em caso especiais, fora de seu Estado. O TFD pode envolver a garantia de transporte e hospedagem, quando indicado. Nos casos em que houver indicação médica, será autorizado o pagamento de despesas para acompanhante. Caso esses benefícios não sejam garantidos pelo poder público, os pacientes podem procurar auxílio da Defensoria Pública.

Saque do FGTS

Todo trabalhador que for diagnosticado com câncer ou que tenha um dependente com a doença poderá sacar o FGTS. Para isso, será exigido um atestado médico com validade de até 30 dias, contados a partir de sua expedição, com a assinatura do médico responsável pelo tratamento, carimbo e CRM. O atestado também deverá conter o diagnóstico e o estágio clínico atual da doença e do paciente. O trabalhador poderá sacar o valor referente a todas as contas, inclusive a do atual emprego.

Saque do PIS/Pasep

Os trabalhadores cadastrados no PIS/Pasep antes de 1988 que forem diagnosticados com câncer ou que tiverem dependentes com a doença também podem sacar o PIS, na Caixa Econômica Federal, e o Pasep, no Banco do Brasil. É preciso apresentar um atestado médico com validade de até 30 dias, contados a partir de sua expedição, com a assinatura do médico responsável pelo tratamento, carimbo e CRM. O documento também precisa conter menção à Resolução 01/96 do Conselho Diretor do Fundo de Participação PIS/Pasep, o diagnóstico e o estágio clínico atual da doença e do paciente. Caso o paciente seja cadastrado no PIS/Pasep depois de 1988, é possível recorrer à Justiça para pedir o benefício.

Auxílio-doença

Quando o paciente com câncer fica impossibilitado de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos, tem direito ao auxílio-doença, um benefício mensal. A incapacidade para o trabalho deve ser comprovada por meio de exame realizado pela perícia médica do INSS. É indispensável apresentar a Carteira de Trabalho ou documentos que comprovem a contribuição ao INSS, além de declaração ou exame médico (com validade de 30 dias) que descreva o estado clínico do paciente. O cálculo do valor do auxílio-doença é feito com base nos valores de contribuição.

Aposentadoria por invalidez

Quando a incapacidade para o trabalho do paciente com câncer é considerada definitiva pela perícia médica do INSS, ele terá direito à aposentadoria por invalidez. Nos casos em que os pacientes necessitarem da assistência permanente de outra pessoa, terão direito ao acréscimo de 25% no benefício.

Amparo Assistencial ao Idoso e ao Deficiente

A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) garante o benefício de um salário-mínimo mensal ao idoso com 65 anos ou mais, que não exerça atividade remunerada, e à pessoa com deficiência incapacitada para o trabalho, cuja renda familiar seja inferior a um quarto do salário-mínimo. O paciente com câncer que se enquadre nesses critérios também pode receber o benefício.

Isenção do Imposto de Renda na aposentadoria

Os pacientes com câncer estão isentos do Imposto de Renda relativo aos rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão, inclusive as complementações. A isenção aplica-se mesmo quando a doença tenha sido identificada após a aposentadoria e até os rendimentos recebidos acumuladamente não sofrem tributação. Para solicitar a isenção, a pessoa deve procurar o órgão pagador da sua aposentadoria, como INSS, prefeitura ou Estado, com um requerimento fornecido pela Receita Federal. A doença deverá ser comprovada por meio de laudo médico.

Quitação do financiamento da casa própria

A pessoa com invalidez total e permanente, causada por acidente ou doença, possui direito à quitação, caso exista esta cláusula no seu contrato. Para isso, deve estar inapto para o trabalho e a doença determinante da incapacidade deve ter sido adquirida após a assinatura do contrato de compra do imóvel. Isso é possível porque existe, nas parcelas do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), um seguro que garante a quitação do imóvel em caso de invalidez ou morte. O seguro cobre o valor correspondente à cota de participação do paciente no financiamento. Em casos em que a possibilidade de quitação não esteja previsto em contrato, os pacientes podem procurar auxílio jurídico para tentar obter o benefício.

Isenção de impostos na compra de veículos adaptados

O paciente com câncer é isento do IPI, ICMS e IPA apenas quando apresenta deficiência física nos membros superiores ou inferiores que o impeça de dirigir veículos comuns. É necessário apresentar exames e laudo médico que descrevam e comprovem a deficiência.

Isenção de IPTU e tarifas de transporte

Alguns municípios preveem a isenção do IPTU e tarifas de transporte para pessoas com doenças crônicas. Caso o município não ofereça os benefícios, os pacientes com câncer podem procurar as prefeituras ou o Judiciário para solicitar a isenção.




Máfia das próteses agia no Hospital Daher

07/10/2016 - Correio Braziliense


O esquema de fraudes em cirurgias articulado por médicos e empresários de órteses e próteses revelado pela Operação Mister Hyde teve novo revés com a deflagração da segunda fase da investigação. Entre os alvos, está o cirurgião plástico José Carlos Daher e o Hospital Daher, no Lago Sul. Na tarde de ontem, o médico acabou preso por porte ilegal de arma de uso restrito, durante busca e apreensão na casa dele, na QL 8 do Lago Sul. Pela manhã, 11 promotores e 20 policiais cumpriram sete mandados de condução coercitiva e cinco de busca e apreensão. Documentos obtidos pelo Correio mostra a negociação entre Daher e o empresário Johnny Wesley Gonçalves Martins, alvo da primeira parte da operação. O esquema pode ter movimentado R$ 30 milhões (leia Linha do tempo).

As investigações da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-vida) apontam que Daher atuava diretamente nos pagamentos que envolviam órteses e próteses. Em um e-mail ao qual investigadores da Operação Mister Hyde tiveram acesso, o cirurgião plástico notifica os funcionários sobre um “novo acordo”. A correspondência eletrônica trocada em agosto de 2009 detalha a negociação. “Ele (Johnny Wesley) quer operar 50% de seus casos no nosso hospital, o que corresponde a três pacientes por mês”, escreveu Daher. O neurocirurgião Johny Wesley é sócio da TM Medical, empresa de insumos médicos acusada de liderar a fraude. Ele está preso.

Denúncias de destruição de provas e formatação de computadores obrigaram o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil a adiantarem a operação. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) será acionado por haver a suspeita de formação de cartel entre as fornecedoras dos materiais e o Hospital Daher. “As primeiras escutas telefônicas já levantavam suspeitas contra o hospital. Um dos médicos investigados na primeira fase havia dito que gostava de operar nesses dois hospitais (Daher e Home) porque recebia dobrado”, explica Maurício Miranda, promotor da Pró-vida.

Os médicos envolvidos, além dos honorários, recebiam das unidades de saúde de 3,5% a 7% e mais quase 30% da distribuidora dos materiais. Mais de 100 pacientes teriam passado por procedimentos desnecessários ou com material vencido ou de baixa qualidade somente em 2016, segundo o MPDFT. Ontem, um consultório usado como sala de cirurgia clandestina foi interditado no anexo do Daher. A diferença entre o Home (alvo na primeira fase) e o Daher é que, no primeiro, quem atuava eram os funcionários. No segundo, notamos uma participação forte do dono no gerenciamento das transações ilegais”, acusou Maurício.

Em correspondência obtida pelo Correio, Daher orienta os funcionários a não receberem “em hipótese nenhuma” pacientes que chegassem para atendimento com ordem judicial vindos de processos da Secretaria de Saúde. Ele reclama de o hospital não ser pago por esse tipo de internação. “Em nenhuma hipótese, devemos internar qualquer mandado. Os leitos vazios devem permanecer desativados. Os aparelhos devem ser guardados e deve-se criar uma placa a ser pendurada: ‘Leito em manutenção’”, destaca trecho do texto enviado por Daher, em fevereiro de 2011. “Jamais internar mandado. Haja o que houver”, frisa.

Cinco funcionários do Hospital Daher prestaram depoimento coercitivamente: Maria de Lourdes da Silva Pinto; superintendente da unidade médica; Wirliane Pires da Silva, chefe do Departamento Financeiro; José Wilson do Bonfim Lopes, médico responsável técnico do Daher; Patrícia Bezerra Mendes, também do Departamento Financeiro; e Marco Aurélio Silva Costa, diretor comercial. Ana Maria Monteiro Machado, ex-funcionária, não foi encontrada na operação desta quinta.


OUTROS SUSPEITOS


Na capital federal, segundo o titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco), Luiz Henrique Sampaio, o preço de órteses e próteses é de 800% a 1.000% maior do que no restante do país. “A concorrência era entre três empresas. Uma entrava para ganhar e outras duas sabendo que perderiam”, detalha. Participam do esquema mais unidades de saúde, empresas e médicos, mas, para não atrapalhar as investigações, a Polícia Civil e o MPDFT não divulgaram nomes. “Outros hospitais vão ser alvos de investigação”, adianta o Miranda.

A Polícia Civil chegou ao Hospital Daher após analisar trocas de e-mails e extratos de pagamento entre a MT Medical e a unidade médica. O MPDFT suspeita que a deflagração da Mister Hyde, em 1º setembro, não coibiu a prática irregular, e médicos continuaram a realizar os procedimentos desnecessários. “Estamos trabalhando para comprovar se houve cirurgias neste período”, adiantou o promotor.

Em nota, o Hospital Daher negou envolvimento no esquema e garantiu colaborar com as investigações. “Não fomos avisados ou comunicados do teor da visita e estamos colaborando ativamente com as solicitações realizadas”, detalha o texto. A Secretaria de Saúde não comentou o caso.


PERFIL


Mago do nariz e da face

Discípulo do cirurgião Ivo Pitanguy, o médico José Carlos Daher, 71 anos, ficou conhecido pelos procedimentos na face, sobretudo as rinoplastias. Formado pela extinta Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele criou e chefiou o Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Forças Armadas entre 1972 e 1982. Em 1979, ele fundou o Hospital Daher, no Lago Sul, e, desde então, passou a liderar o ramo na capital federal. Desde 2012, Daher era presidente do Sindicato Brasiliense de Hospitais, Casas de Saúde e Clínicas (SBH). Deixou o cargo há dois meses. O médico é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e publicou diversos trabalhos no Brasil e no exterior sobre cirurgia plástica.


LINHA DO TEMPO


2016

Março

As apurações começam após uma paciente denunciar que, ao fazer uma cirurgia na coluna, um arame de 50cm foi deixado na jugular dela.

1º de setembro

A Operação Mister Hyde da Polícia Civil é resultado de investigação iniciada em parceria com o MP. Doze pessoas são presas na primeira fase. Entre os detidos, há sete médicos e cinco empresários e funcionários de hospitais. Também são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e quatro conduções coercitivas. A apuração evidencia casos em que cirurgias eram sabotadas pelos médicos para que o paciente necessitasse de novos procedimentos, o que geraria lucro para o esquema.

2 de setembro

Quinze pacientes se apresentam como mais vítimas do mesmo grupo. As buscas continuam no Hospital Home (613 Sul). A Polícia Civil recolhe, no fim da tarde, documentos e computadores para complementar as investigações. À noite, cinco dos sete médicos envolvidos no esquema da máfia das próteses no DF ganham a liberdade provisória.

6 de setembro

O superfaturamento de equipamentos, a realização de cirurgias sem necessidade e o uso de produtos vencidos são confirmados em escutas telefônicas.

9 de setembro

As investigações sobre a Máfia das Próteses chegam aos planos de saúde. Um dos focos será descobrir como ocorreram as irregularidades dentro das operadoras, inclusive com a suspeita de participação de funcionários das empresas. Esses grupos podem ter pagado, por cirurgias, até três vezes mais do que os valores de mercado.

21 de setembro

O MP encaminha à 2ª Vara Criminal de Brasília a primeira denúncia contra os envolvidos.

23 de setembro

O Juiz da 2ª Vara Criminal de Brasília aceita denúncia contra 17 acusados.




Doenças transmissíveis matam menos

07/10/2016 - Correio Braziliense


Segundo o Global Burden of Disease Study 2015, um dos fatores que mais contribuíram para o aumento da expectativa de vida a nível mundial foram as grandes quedas de mortes provocadas por doenças transmissíveis nos últimos 10 anos, principalmente Aids, diarreia e malária. No Brasil, por exemplo, houve queda de 10,9% na mortalidade dos pacientes com Aids desde 2003, segundo o Ministério da Saúde. A taxa caiu de 6,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2003 para 5,7 óbitos em 2014.

O relatório mundial de doenças e fatores de risco também revelou que, desde 1990, houve aumento do uso de drogas e exposição a agentes cancerígenos, como o benzeno, presente na fabricação de detergente e de outros produtos domésticos. Em contraste, as exposições a riscos considerados evitáveis — por exemplo, o tabagismo e o saneamento inseguro da água — reduziram, levando em conta dados 2005. Ainda assim, o fumo está entre uma das cinco principais causas de riscos associados à perda da saúde em 140 países, sendo os principais deles o Reino Unido e os Estados Unidos.


SONDAGEM ANUAL


O Global Burden of Disease Study é um relatório feito anualmente, desde 1990. Nessa última edição, os cientistas realizaram uma análise mais refinada, considerando, pela primeira vez, o índice sociodemográfico dos países, o que inclui taxas de educação, renda e fertilidade. A mudança ajudou nas comparações entre as regiões analisadas, disseram os participantes.

“Nós vimos países que melhoraram mais rápido, considerando fatores além da renda, da educação ou da fertilidade. Também percebemos países — incluindo os Estados Unidos — que são muito menos saudáveis do que deveriam ser, dados os seus recursos”, detalhou, em comunicado à imprensa, Christopher Murray, diretor do Instituto de Metrologia da Saúde e Avaliação da Universidade de Washington e um dos autores do relatório. O estudo científico considerou mais de 300 doenças e lesões em 195 países e territórios.




Mais de 60% descobriram câncer de mama pelo autoexame, diz Inca

06/10/2016 - G1 - Jornal Hoje


Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer mostra que, na maioria dos casos (66,2%), é a própria mulher ou o companheiro que percebem os primeiros sinais da doença. Com o toque, é possível sentir nódulos a partir de 1 centímetro de comprimento.

Em um terço desses casos, as mulheres descobriram o câncer ainda em estágio inicial (33%). Segundo a pesquisa, 30,1% delas identificaram o câncer de mama por meio de mamografia ou outro exame de imagem. Em 3,7% dos casos, quem detectou o problema foi um médico ou um enfermeiro.

A pesquisa revela que mesmo em fase inicial é possível perceber alguma alteração. Uma mensagem do corpo de que alguma coisa não vai bem e é preciso estar atento aos sinais que o nosso corpo dá. Não é só um nódulo no seio, existem outros sintomas também.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura. O autoexame é muito importante, mas não pode substituir a mamografia.

O Instituto Nacional do Câncer afirma que a mamografia não detecta 100% dos casos.

Para o Instituto, os exames devem ser feitos a partir dos 50 anos e essa também é a orientação da Organização Mundial da Saúde.




Mais da metade das crianças de São Paulo é sedentária

07/10/2016 - DCI


De acordo com um estudo inédito, realizado pela Nestlé em parceria com o Ibope, cerca de 52% das crianças de até 12 anos estão sedentárias. Elas fazem menos de 40 minutos de atividade física diária recomendada. A pesquisa 'Infant and Kids Study" avaliou os hábitos de vida e alimentação infantil de 1.000 crianças entre 0 e 12 anos de idade da Região Metropolitana de São Paulo.

Os dados foram apresentados ontem (6), na primeira edição do fórum 'Diálogos de Valor', uma iniciativa da Nestlé que busca promover o debate de temas relevantes para a sociedade.

Estiveram presentes na ocasião o pediatra e endocrinologista Raphael Liberatore, a psicóloga Elizabeth Monteiro, o ex-judoca Flávio Canto, a atriz e mãe Flávia Alessandra. O sedentarismo observado no levantamento está atrelado ao maior tempo que essas crianças passam em frente à televisão, computador, e/ou videogame.

Cerca de 75% das crianças, de 7 a 12 anos de idade, passam mais de 4 horas por dia em frente a alguma tela, o dobro do recomendado pela Academia Americana de Pediatra (AAP), de apenas 2 horas/dia.

A hora da refeição também é impactada por este comportamento. Cerca de 30% das crianças de 1 a 4 anos se alimentam assistindo televisão, estudando ou jogando videogame. Este número dobra a partir dos 4 anos, chegando a 56% nas crianças de 4 até 9 anos, e 65% nas de 9 a 12 anos.

Segundo a psicóloga Elizabeth Monteiro, os hábitos da vida moderna estão acabando com a infância das crianças. "É cada vez mais comum eu atender crianças com problemas psicológicos, transtornos e outras patologias por estarem inseridas desde muito cedo no mundo digital, com o uso de smartphones e tablets, que são recursos que atendem às necessidades dos adultos, mas não às delas. É preciso que os pais entendam isso e comecem a dosar o uso dos aparelhos nesta faixa etária", disse.

São esperadas para este ano novas orientações da AAP sobre o tempo de tela recomendado para crianças e adolescentes. Atualmente, o órgão sugere que crianças menores de 2 anos não tenham contato com a tecnologia.

Passar mais tempo sentado em frente à tela, do que se exercitando em outras atividades e brincadeiras, refletiu também no índice de massa corpórea (IMC) das crianças pesquisadas. O levantamento mostrou que 44% apresentaram sobrepeso (18%) ou obesidade (26%).

Os resultados confirmam uma tendência apontada pela Organização Mundial da Saúde, de que 75 milhões de crianças do mundo inteiro estarão com sobrepeso ou obesidade até 2025 caso não seja tomada uma medida para reverter o atual cenário. O dado preocupante é que foi observada uma elevada taxa de obesidade, de 33%, entre crianças de 0 a 5 anos de idade. Segundo o dr. Raphael Liberatore, permanecer acima do peso nesta faixa etária pode decidir o futuro do adulto com a balança. "Se a criança permanece obesa e passa dos 5 anos de idade sem conseguir perder peso, ela, provavelmente, pode se tornar um adolescente e adulto obeso. Isso acontece porque durante os primeiros anos de vida estimulou-se muito a produção de células adiposas [de gordura]", explicou.

A pesquisa mostrou ainda que uma em cada três crianças da amostra, na faixa etária de 4 a 12 anos, ingere, em média, 25,5 g adicionais de gordura por dia , o equivalente a três colheres de sopa de óleo. O estudo também apontou que o melhor cenário para saúde infantil é onde as refeições são realizadas, sendo o consumo dos alimentos em casa uma proteção para a dieta, quando comparado às refeições feitas fora do lar. Além disso, o comportamento dos pais é determinante para as práticas alimentares dos filhos, uma vez que após o sexto mês de vida, o hábito alimentar se forma por aprendizado e comportamento.




Brasil sofre com depressão e ansiedade

07/10/2016 - O Globo


Os brasileiros, assim como boa parte do resto da população mundial, estão vivendo mais, mas não necessariamente melhor. É o que mostra outra leva de estudos da série “Fardo Global das Doenças”, publicada na edição desta semana da prestigiada revista médica “The Lancet”. Segundo o levantamento, desordens mentais, como depressão e ansiedade, estão entre as principais condições de saúde não fatais que levam os brasileiros a conviver cada vez mais anos com algum tipo de incapacitação. E estes problemas praticamente não fazem distinção de faixa etária, com ansiedade e depressão já aparecendo entre crianças e jovens entre cinco e 14 anos como quarta e oitava causa de alguma incapacitação, respectivamente, e se mantendo entre as dez mais até os 69 anos, quando a ansiedade cai para a 13ª posição nas pessoas com mais de 70.

— O mundo está vendo uma redução na perda de saúde devido a doenças comunicáveis, como HIV/Aids, malária, pneumonia, diarreia e sarampo, mas também um pernicioso aumento nas doenças não comunicáveis, especialmente diabetes, degeneração das articulações, uso de drogas e depressão — comenta Nicholas Kassebaum, professor do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, EUA, onde cientistas desenvolveram metodologia para contabilizar e fazer estimativas sobre diversos aspectos da saúde global, e líder de um dos seis estudos publicados na “The Lancet”. — Estas tendências têm implicações maciças para os sistemas de saúde. Sem a prevenção e os tratamentos devidos, essas doenças não comunicáveis vão se tornar um fardo cada vez maior nos próximos anos em vários países, a despeito de sua posição no ranking do índice de desenvolvimento sociodemográfico.


VIDA TOTAL X VIDA SAUDÁVEL


E esta situação se reflete justamente em outro indicador desenvolvido pelo IHME, que mede a expectativa de vida saudável de cada país, num contraponto à usual expectativa de vida total normalmente divulgada pelos institutos de estatísticas nacionais. No Brasil, por exemplo, a expectativa de vida saudável projetada para as mulheres nascidas em 2015 é de 67,38 anos, mais de uma década inferior à expectativa de vida total calculada para elas, 78,21 anos. Já para os brasileiros do sexo masculino nascidos no ano passado, a expectativa de vida saudável fica em 62,35 anos, cerca de oito anos a menos que a expectativa de vida total, de 70,72 anos.

Ainda de acordo com as estimativas feitas pelo IHME, fruto de uma colaboração de mais de 1,8 mil cientistas em quase 130 países, o Brasil registrou aproximadamente 1,35 milhão de mortes no ano passado, tendo como principais causas doenças coronarianas, derrames, problemas respiratórios e diabetes, num ranking bem parecido com o visto na estatística global Este resultado é reflexo também da pouca atenção dos governos, e da população mundial, na prevenção e combate a fatores de risco administráveis e modificáveis destas doenças, tanto que os estudos indicam que cerca de 70% das mortes estão ligadas a eles. Segundo o levantamento, entre os brasileiros lideram estes fatores a hipertensão; nível de glicose alto em jejum, situação pré-diabética; tabagismo; alto índice de massa corporal, ou seja, sobrepeso ou obesidade; altas taxas de colesterol; excesso no consumo de sódio (sal) e álcool; dieta pobre em grãos integrais; e pouca atividade física, o sedentarismo.

Aqui, no entanto, a violência interpessoal também tem um grande peso na estatística. De acordo com a pesquisa, só em 2015 foram mais de 61 mil vítimas no Brasil, o maior número absoluto de mortes por atos violentos estimado para o ano em todo mundo, excluindo países em guerra. Já quando se leva em conta a taxa de mortes por violência a cada 100 mil habitantes, a situação do Brasil melhora, mas não muito: ela ficou em 29,46 no ano passado, o suficiente para colocar o país na 10ª posição, atrás de nações como Afeganistão (29,76), Colômbia (35,57), África do Sul (38,14), Venezuela (45,83) e o líder El Salvador, com 60,29.

Já em nível global, o levantamento aponta uma significativa alta na expectativa de vida média de homens e mulheres entre 1980 e 2015, período em que passou de cerca de 62 anos para quase 72 anos. Segundo os pesquisadores, porém, esta evolução foi muito desigual entre os 195 países avaliados, assim como em alguns parâmetros que têm forte influência nestes resultados. A mortalidade de crianças com menos de cinco anos em todo mundo, por exemplo, caiu em mais da metade desde 1990, resultado de esforços principalmente em países da África Subsaariana e do Sul da Ásia, onde o problema é mais grave. Por outro lado, nações como os EUA estão tendo resultados piores do que os esperados diante de seu nível de desenvolvimento socioeconômico e mesmo regredindo em alguns pontos.

— O desenvolvimento guia, mas sozinho não determina a saúde — resume Christopher Murray, diretor do IHME.




Obesidade atinge 46% das crianças paulistas, aponta pesquisa

06/10/2016 - Valor Econômico / Site


Cerca de 46% das crianças paulistas com até 12 anos está acima do peso. Dessas, 13% apresentam caso grave de sobrepeso e 33% podem ser consideradas obesas. O percentual daquelas com peso considerado normal chega a 45% e 9% mostraram-se abaixo do peso.

A pesquisa do Ibope avaliou aspectos da saúde de mil crianças de todas as classes sociais, que moram na região metropolitana de São Paulo, e foi apresentada hoje (6) no Fórum Diálogos de Valor, na capital paulista. O estudo revelou ainda que 52% das crianças é sedentária, sendo que o índice é ainda maior entre as meninas – 56% delas são sedentárias. O levantamento foi encomendado pela Nestlé.

De acordo com o estudo, 75% das crianças de 7 a 12 anos passam mais de 4 horas por dia em frente à televisão, ao computador ou videogame. Na faixa etária até 12 anos, 35% das crianças ficam até 2 horas em frente a equipamentos eletrônicos. O recomendado por especialistas é até 2 horas por dia.


PAPEL DOS PAIS


O pediatra e endocrinologista Raphael Liberatore disse que a criança imita os pais. “Não adianta o pai passar o dia inteiro vendo futebol na televisão, comendo porcarias e pedir para o filho dar uma volta no quarteirão”, disse o médico. “A criança precisa crescer num ambiente em que ela veja o pai e a mãe fazendo atividade física”, completou.

Segundo o médico, a obesidade é muito mais fácil e barata de ser prevenida do que tratada. “Tratar a obesidade é muito difícil”, disse. Na avaliação dele, os pais precisam se conscientizar e evitar hábitos ruins como colocar refrigerante na mamadeira das crianças pequenas. “Basta um passeio pelo shopping para ver isso”, disse.

A psicóloga Elizabeth Monteiro defende que o ato de brincar seja sempre valorizado. “Crianças quietas, que não brincam, são preocupantes. Os pais geralmente reclamam das crianças agitadas, mas o que preocupa é a criança quieta”, disse.


ALIMENTAÇÃO


De acordo com a pesquisa, 33,4% das crianças pesquisadas, com idade entre 4 e 12 anos, consomem mais gordura que a recomendação diária. A ingestão de cálcio está abaixo do recomendado em 62% dos casos. O percentual sobe para 84% na faixa etária entre 9 e 12 anos.

Para Liberatore, os dados do estudo apenas comprovaram o que outras pesquisas já mostravam: baixa ingestão de ferro, vitaminas A, C, E e D e alta ingestão de gordura e sal. “Você imaginar uma criança comendo duas a três vezes a quantidade de sal que precisaria o dia inteiro é assustador”, disse. Segundo a pesquisa, 70% das crianças consomem sal em quantidade excessiva.

O consumo de cálcio, em especial, tem que ser priorizado, segundo o médico. “É nessa fase da vida que a gente faz massa óssea. Se na fase de construir osso você não ingere cálcio, o futuro, principalmente para meninas, vai ser uma tragédia. Na época da menopausa, com certeza isso vai trazer complicações”, disse Raphael. O cálcio está presente em produtos lácteos.




2 em 3 pacientes detectam câncer sem mamografia

07/10/2016 - O Estado de S.Paulo


O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou ontem um levantamento que aponta que 66,2% das pacientes com câncer de mama foram as responsáveis pela detecção de sinais da doença, por meio do autoexame ou pela observação de alterações nas mamas. O levantamento foi feito entre junho de 2013 e outubro de 2014 com 405 mulheres que procuraram atendimento pela primeira vez na cidade do Rio.

Os pesquisadores perguntaram como a doença foi detectada.

“Isso acontece no mundo inteiro.

Há relatos de que a própria mulher percebe olhando no espelho ou no banho”, diz Liz Maria de Almeida, gerente da divisão de pesquisa populacional do Inca.

Quase 90% das mulheres (89,6%) afirmaram que um caroço foi o sinal que as levaram a buscar atendimento médico. A dor na mama foi relatada por 20,9% das mulheres, enquanto alterações na pele da mama foram notadas por 7,1%. Alterações nos mamilos, saída de secreção e alterações no formato da mama foram relatadas por 2,6%, 5,6% e 3,7% das entrevistadas, respectivamente.


PREOCUPAÇÃO


A detecção por mamografia ocorreu em 30,1% dos casos, o que preocupou especialistas.

“A gente sabe, com base em pesquisas, que a única estratégia que reduz a mortalidade é a mamografia. O diagnóstico tem de ser feito quando o tumor não é palpável, não após o autoexame, quando o nódulo já pode estar com até 2 centímetros”, diz Rafael Kaliks, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico da ONG Oncoguia.

Liz afirma que o resultado mostra a importância do autoexame e da observação do próprio corpo, mas não exclui os exames. “A mulher tem um exame que está disponível todos os dias, que são os olhos e as mãos.

Ela pode salvar a própria vida, mas uma coisa não descarta a outra. Ela é a principal personagem dessa história, mas não pode deixar de fazer a mamografia.”




Sífilis entre gestantes triplica em cinco anos

07/10/2016 - O Estado de S.Paulo


As infecções provocadas por sífilis avançam no Brasil em um ritmo sem precedentes. A taxa entre gestantes aumentou de 3,7 para 11,2 a cada 1 mil nascidos vivos entre 2010 e 2015. Pelos cálculos do Ministério da Saúde, o aumento está em torno de 202%. No caso da sífilis congênita, a situação é igualmente preocupante.

As taxas foram de 2,4 para 6,5 casos para cada 1 mil nascidos vivos no mesmo período.

Entre a população em geral, a taxa nacional é de 42,7 casos para cada 100 mil habitantes. Somente na Região Sul, entre 2014 e 2015, o número de casos subiu 68,2%. No ano passado, o País registrou 40 mil casos graves de sífilis e 40 mil casos de sífilis congênita.

As mortes provocadas pela doença também cresceram de forma expressiva, sobretudo no último ano. No País, a taxa de mortalidade é de 7,4 casos para cada 100 mil nascidos vivos. “A situação não é boa”, resumiu a coordenadora do Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken.

Diante desse quadro, o governo já abandonou a ideia de erradicação da doença, compromisso firmado e renovado desde a década de 90. Agora, a meta é tentar reduzir o ritmo de número de casos. “Temos de fazer o que é possível”, disse Adele.

Um plano para tentar conter o avanço da doença deverá ser lançado ainda neste mês. A ideia é reunir representantes de vários setores, incluindo sociedades médicas e de enfermagem.

Um dos fatores que levaram ao crescimento de casos é a falta de tratamento. Houve falta do antibiótico Penicilina em vários pontos do País. A compra do medicamento é feita por Estados e municípios. Adele conta que há pelo menos dois anos alertas são feitos sobre as dificuldades enfrentadas para a compra.

“Achava-se que o problema era local”, disse em encontro com especialistas da área de saúde, ontem. Diante do reconhecimento de que o problema era de maior gravidade, o ministério decidiu fazer uma compra maior. Para especialistas ouvidos pelo Estado, a manobra, embora importante, foi tardia.

Adele, no entanto, afirma que esta não foi a única causa para o crescimento dos registros.

A coordenadora argumenta que a sífilis adquirida passou a ser de notificação compulsória e que, além disso, houve aumento nos últimos anos do número de exames para diagnóstico da doença. A partir de 2012, kits para facilitar a identificação do causador da sífilis, uma bactéria, passaram a ser distribuídos pelo Ministério da Saúde.

“As ações feitas para conter a sífilis até agora foram tímidas frente à dimensão do problema.

Em parte, porque havia o desabastecimento e as ações estavam engessadas”, justificou a coordenadora.


TRATAMENTO


Quando um paciente com sífilis é diagnosticado, a recomendação é de que faça o tratamento por um período determinado com antibiótico.

Por se tratar de uma doença sexualmente transmissível, parceiros do paciente também devem ser testados e tratados, sob pena de a infecção voltar.

A bactéria também pode ser transmitida da gestante para o bebê. Justamente por isso, o ideal é que a terapia seja iniciada ainda no primeiro trimestre de gestação. Algo que está longe de ocorrer no Brasil. Os números mostrados por Adele indicam que pelo menos 50% dos casos de sífilis em gestantes são diagnosticados no terceiro trimestre de gestação, quando as chances de proteger o bebê já são bem menores.

“Há ainda uma falsa ideia de que as mulheres devem esperar a barriga crescer para procurar o pré-natal”, afirmou.