Clipping de Notícias - 13/06/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 13/06/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Na base da pressão

13/06/2016 - IstoÉ Dinheiro


O Cristália começou a direcionar seus investimentos para a criação de remédios biológicos e para o desenvolvimento de princípios ativos por conta da força exercida por seus concorrentes. Há cerca de uma década, o laboratório alemão Knoll, fabricante do Iruxol, concorrente do Kollagenase, passou a pressionar fornecedores de matéria-prima a dificultar as vendas para o Cristália. “Na época, fomos obrigados a desenvolver”, diz Pacheco, do Cristália. Hoje, outros três medicamentos biológicos, um para tratamento de câncer, outro para artrite e psoríase, e, por último, para crescimento hormonal, estão à espera de um aval da Anvisa. “Investimos R$ 450 milhões nesses últimos dez anos”, diz Pacheco. Atualmente, a empresa produz 53% dos princípios ativos usados na fabricação dos medicamentos.




Defensoria quer anular teste da ‘pílula do câncer’

13/06/2016 - O Estado de S.Paulo


SÃO PAULO - A Defensoria Pública da União no Rio vai entrar com ação civil pública contra o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pedindo a anulação dos testes feitos com a fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”. Segundo o defensor público Daniel Macedo, as pesquisas têm falhas e erros metodológicos.

Os primeiros testes feitos com o apoio do ministério apontaram que a substância não tem eficácia no combate às células tumorais. Relatório divulgado pelo MCTI em março com resultados das pesquisas in vitro mostraram que a substância não era pura e não conseguia destruir as células cancerígenas. No final de maio, o órgão apresentou os resultados dos primeiros testes em cobaias, nos quais a pílula foi testada em camundongos e ratos com dois tipos de câncer: carcinossarcoma 256 de Walker e sarcoma 180. Mais uma vez, a fosfoetanolamina sintética não foi capaz de combater o tumor.

Para o defensor público e os pesquisadores criadores da substância, os resultados podem ter sido prejudicados por falhas na condução dos testes.

“Uma irregularidade que destacamos é que o grupo de trabalho (do MCTI) foi criado para estudar a fosfoetanolamina sintética do professor Gilberto Chierice (pesquisador aposentado do Instituto de Química da USP São Carlos). E o que foi estudado lateralmente não foi a fosfoetanolamina sintética, estudaram a fosfoetanolamina da Unicamp. Ou seja, os pesquisadores da Unicamp refizeram o processo de síntese da fosfoetanolamina, olhando a patente que está no Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual)”, argumentou Macedo ao Estado durante seminário sobre a substância feito pelo Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, neste sábado, 11. Para ele, o uso da cápsula sintetizada pela Unicamp pode ter alterado os resultados.


AUSÊNCIA


O defensor público criticou ainda o fato de os pesquisadores do grupo de Chierice não participarem dos estudos financiados pelo ministério. “Eles foram chamados para a primeira e segunda reuniões para debater como seria o estudo e depois não foram mais. Eu não posso ignorar a opinião de três químicos, um biomédico, um oncologista e um biólogo que, há 25 anos, estudam fosfoetanolamina. A opinião de como faz a solubilidade (da substância), como é o processo terapêutico. Isso não pode ser ignorado. É um erro gravíssimo.”

A assessoria de imprensa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou, por meio de nota, que as pesquisas com a fosfoetanolamina prosseguem e que vai aguardar comunicação oficial sobre a ação civil pública para “tomar conhecimento do teor antes de qualquer manifestação”.




Agora é para valer: alergênicos serão informados no rótulo

12/06/2016 - O Globo


A indústria de alimentos até tentou, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aceitou o pedido de prorrogação do prazo para adequação e todos os produtos fabricados, a partir do próximo dia 3, deverão conter no rótulo um alerta sobre a presença de ingrediente que possa causar alergia. A resolução, publicada em julho do ano passado, deu um ano para as empresas se adequarem à nova regra. Surgiu após uma grande mobilização popular de pais e mães que enfrentam dificuldades para identificar quais alimentos os filhos alérgicos podem consumir. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), cerca de 8% das crianças e 5% dos adultos têm algum tipo de alergia alimentar, que pode causar desde um simples vômito a um choque anafilático. Em alguns casos, o único tratamento possível é evitar o consumo dos alimentos que causam alergia.

Com a entrada em vigor da nova norma, passa a ser obrigatória a informação sobre a existência de 17 alergênicos: trigo (centeio, cevada e aveia), crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite de todos os mamíferos, amêndoa, avelã, castanha de caju, castanha do Pará, macadâmia, nozes, pecã, pistaches, pinoli, castanhas, além de látex natural (presente em luvas usadas na manipulação durante o processo de produção). A informação deve vir precedida da expressão “Alérgicos: Contém” ou “Alérgicos: Pode conter”.


REGRA GARANTE DIREITO CONSTITUCIONAL


A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) diz reconhecer como legítima a demanda dos consumidores e garante que dois terços dos alimentos vendidos pelas mais de cem empresas associadas, que representam 70% do setor, já estão adequados às novas regras. A entidade afirmou que os fabricantes estão “realizando todos os esforços” para cumprir o prazo estabelecido pela reguladora. Segundo a Abia, as dificuldades estão em colher informações sobre os ingredientes com toda a cadeia de fornecedores e identificar a ocorrência de contaminação cruzada. A indústria usa essa expressão para os casos em que um produto passa a conter traços de um alimento alergênico acidentalmente, porque foi manipulado num mesmo compartimento durante alguma etapa de fabricação.

Ao negar o pedido de adiamento do prazo, o diretor da Anvisa Renato Porto ressaltou que a indicação de alergênicos nos rótulos é fundamental para que o consumidor exerça o seu livre direito de escolha que, neste caso, evita riscos ao consumidor e garante o direito constitucional à saúde e à alimentação adequada. Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), complementa lembrando que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece como um direito básico a informação sobre riscos à saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2010 e abril de 2016, foram realizados, em todo o Brasil, 3.344 atendimentos por conta de alergia a alimentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de um quinto deles, ou seja, 705, necessitou de internação, devido a reações mais graves.

— Hoje, a população alérgica não consegue ter certeza sobre a possibilidade de consumir um produto nem mesmo ligando para o SAC das empresas, que falham ao informar sobre a composição. É uma irresponsabilidade querer adiar esse prazo. Afinal, as empresas têm de saber o que colocam em seus produtos — avalia a nutricionista.

Patricia Capella é mãe de Francisco, de 7 anos. Ela descobriu que o filho era alérgico às proteínas do leite quando ele tinha oito meses. Ao provar pela primeira vez um leite diferente do materno, o bebê imediatamente inchou, ficou roxo e tossia sem parar. Patricia teve de correr para o pronto-socorro, onde recebeu o diagnóstico. Desde então, alimentálo tornou-se um desafio diário, que requer muita informação, criatividade e zelo. E, mesmo com muitos cuidados, os sustos e as idas à emergência de hospitais não deixaram de acontecer.

— Algumas empresas já trazem informação no rótulo, mas muita coisa a gente aprende conversando com outras mães ou na prática mesmo. Essa nova lei vai ajudar muito. É fundamental. Quando você lê na embalagem que tem traço de algum alimento que seu filho é alérgico você não compra. Mas, se não diz nada, você compra e corre o risco. E isso atrapalha o tratamento, que é uma dieta que, se bem feita, você acredita que com o passar do tempo o organismo pode até passar a aceitar aquele alimento — explica a mãe de Francisco.

A advogada Cecilia Cury, fundadora e coordenadora do Põe no Rótulo, movimento determinante para a criação da resolução, confirma que parte dos alimentos industrializados que estão no mercado já traz informações sobre alergênicos no rótulo, principalmente os fabricados por multinacionais ou exportados, que têm de estar adequados a regras semelhantes existentes em outros países. E critica o pedido de adiamento da indústria:

— Estamos há dois anos discutindo a criação dessa regra. As indústrias participaram desde o início. Não foram pegas de surpresa.

Cecilia considera a resolução uma vitória e espera que seja apenas um primeiro passo para que as empresas adotem uma nova postura:

— Esperamos que não fique somente nessa lista. Mas, se houver relatos de alergia amilho, à canela, por exemplo, as empresas acrescentem esse alerta no rótulo.

A nutricionista do Idec lembra que a indústria já é obrigada a informar a presença de dois alergênicos no rótulo de alimentos: glúten e tartrazina, um pigmento sintético usado como corante em refrigerantes, geleias, balas, caldos de carne etc.


MAIOR RISCO EM CRIANÇAS


A incidência de alergias alimentares é maior entre as crianças (leite, trigo e ovos são as mais comuns) do que em adultos (a castanhas, amendoins e crustáceos) explica a alergista e diretora da Asbai, Ana Paula Moschione Castro. O diagnóstico não é simples, pois reações causadas por esses alimentos, como diarreia, vômito, urticária e queda de pressão também são comuns a outras doenças. Segundo Ana, quem desenvolve a alergia quando criança tem mais chances de, ao longo dos anos, passar a tolerar o alimento e poder consumi-lo.

— O tratamento é o mesmo para todos. Para não ter a alergia, basta não consumir o causador. Não se sabe com precisão o que desencadeia as alergias, mas o histórico familiar conta muito — destaca a nutricionista da Asbai.

Segundo a Anvisa, as empresas que descumprirem a nova regra estão sujeitas a notificação, interdição, fechamento e multa, que vai de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, dependendo da gravidade da infração. Denúncias sobre descumprimento da regra poderão ser encaminhadas à reguladora e às vigilâncias sanitárias municipais. Deve-se ficar alerta, pois produtos fabricados até a data de entrada em vigor da nova regra podem ser vendidos, sem informações sobre alergênicos, até o fim do prazo de validade.

Fronteiras entre a mente e o cérebro

13/06/2016 - O Globo


Há mais coisas entre a mente e o cérebro do que supõe nossa vã filosofia. E, para muitos especialistas, é justamente nesta interseção entre a biologia e nossos comportamentos, emoções e reações que está o futuro para a maior compreensão e melhor tratamento de transtornos psíquicos. Pensando nisto, há 12 anos um grupo se reuniu para criar um evento multidisciplinar que juntasse de neurocientistas a terapeutas para apresentar e discutir os avanços nesta busca, que está apagando as fronteiras entre a ciência básica e a prática clínica. Devidamente batizado como “Congresso mundial sobre cérebro, comportamento e emoções”, este ano ele começou ontem e vai até quarta-feira na capital argentina, com a participação de mais de três mil pesquisadores, psiquiatras, neurologistas e psicólogos, entre outros profissionais da área.

— Na verdade, mente e cérebro estão sendo vistos cada vez mais como a mesma coisa — conta o psiquiatra Pedro do Prado Lima, integrante do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (InsCer-PUCRS), um dos idealizadores do evento e copresidente da edição deste ano. — Trazendo juntas estas diferentes visões biológicas e psicológicas, ciência básica e prática clínica, visamos não só a doença, mas também a neurociência da vida cotidiana, do amor, da raiva, da tomada de decisões, da ética e de todos os tipos de comportamentos. Desde o primeiro momento buscamos uma real integração destes vários assuntos, procurando as interfaces que existem entre eles, as explicações diferentes para os mesmos fenômenos mentais.

Segundo Lima, esta crescente integração entre os estudos do cérebro e da mente com a prática clínica deverá render muitos frutos, como a descoberta de biomarcadores e outras pistas físicas que possam servir de indicadores para a predisposição a alguns distúrbios mentais muito comuns, como depressão e bipolaridade.

— A busca por estes marcadores é meio como um Santo Graal para a psiquiatria, tanto que estamos à procura deles há décadas — considera. — Por enquanto, porém, a variabilidade nestes indicadores é muito grande, o que faz com que tenham validade nas pesquisas, mas ainda não na clínica, para beneficiar um paciente. Um dia isso virá, mas hoje não é o caso. Estamos vivendo uma era em que todo o funcionamento de um cérebro normal está sendo destrinchado, e isso vai nos informar muito sobre doenças mentais.

Para Lima, tal avanço se mostra ainda mais fundamental diante da grande prevalência de distúrbios psiquiátricos na sociedade atual e seu alto custo social. De acordo com ele, os gastos com essas doenças superam em muito os com problemas cardíacos, câncer ou outros, o que faz com que os investimentos em neurociência, em especial os voltados à psiquiatria, sejam os mais importantes a serem feitos na medicina.

— As doenças psiquiátricas afetam muita gente. Só a depressão pega 20% da população, o transtorno bipolar, 5%, transtorno obsessivo-compulsivo, 2,5%, personalidade borderline 3% da população, e assim por diante — enumera. — E são doenças que, além de serem extremamente prevalentes, pegam pessoas jovens, no auge de sua vida produtiva, à diferença de áreas como a cardiologia ou a oncologia, em que a grande maioria das pessoas que ficam doentes são idosas. E isso traz um enorme custo social.

Lima também lembra que algumas condições psiquiátricas, como a depressão, também levam ao aparecimento de outras doenças por meio de mecanismos inflamatórios, o que multiplica seu fardo para a sociedade.

— Estudos mostram, por exemplo, que quem tem depressão crônica também tem uma chance grande, em torno de 40%, de desenvolver placas nas artérias coronárias e ter um infarto, ou ficar diabético — aponta. — Por isso as doenças psiquiátricas são caríssimas, uma verdadeira tragédia para a saúde pública. Se os governos fizessem as contas, eles colocariam muitos recursos em pesquisas nesta área, pois sua repercussão, seus resultados, podem fazer com que a sociedade economize muito dinheiro e fique mais produtiva.

Este trabalho de unir mente e cérebro, claro, não vai ser simples, reconhece Lima. Além de genética e epigenética, isto é, natureza e criação, ambiente, hoje se sabe que o desenvolvimento de transtorno psiquiátricos envolve outras partes do corpo, como as glândulas, o que exige a atração de geneticistas e endocrinologistas, por exemplo, para este esforço.

— Este campo é muito maior do que se imaginava, de uma complexidade extrema, e por isso será um avanço complicado — admite. — Por outro lado, pensando na psicofarmacologia, o desenvolvimento de um novo medicamento é muito caro, e estas pesquisas estão trazendo novos paradigmas para isso. Estamos descobrindo substâncias que têm efeitos diferentes dos que estamos acostumados. Não estamos mais presos àquela história de serotonina, dopamina e outros mecanismos em que estão envolvidos neurotransmissores para uma abordagem mais ampla graças a estes novos entendimentos. E esta é a função da ciência, trazer visões novas e conhecimento para este desenvolvimento.




Usar maconha por anos não faz tão mal, diz estudo

11/06/2016 - Folha de S.Paulo


No esforço de entender os efeitos da maconha sobre a saúde, uma das principais lacunas é a avaliação de seu uso prolongado. Para tentar sanar isso, uma pesquisa da Nova Zelândia com 947 pessoas viu que a erva não faz tão mal para a saúde física das pessoas quanto se imaginava.

Não quer dizer que a maconha seja inócua. Malefícios como o prejuízo no desenvolvimento do cérebro, especialmente entre os jovens, e a piora de doenças mentais continuam ligados à droga.

No entanto, no que diz respeito a aspectos da saúde física, o efeito do uso da erva pode ser até ligeiramente benéfico, segundo o estudo — ainda que, na prática, esse efeito seja irrelevante. Foi o caso das medidas de circunferência abdominal, do IMC (índice de massa corporal) e dos níveis de colesterol “bom”, por exemplo.

O claro prejuízo observado foi na saúde bucal. Em 55,6% dos usuários que usaram a droga por mais de 15 anos foi constatado prejuízo periodontal (nas gengivas) em comparação a 13,5% de quem nunca usou a droga.

A explicação dos autores, liderados por Madeline Meier, da Universidade do Estado do Arizona, para a associação seria a relação entre uso de maconha e baixa higiene bucal.

Os cientistas esperavam mais prejuízos causados pela maconha, mas só outros dois apareceram: o da função respiratória e da autoavaliação de saúde. Esta última alteração desaparece quando “descontado” o uso do cigarro pelos voluntários usuários.

Já a explicação da avaliação pulmonar é um pouco mais complexa: o índice que mede o tanto que a pessoa consegue expirar no total não se saiu bem no estudo, mas o volume expirado forçado em um segundo (FEV1), parâmetro que estaria mais próximo de uma avaliação fisiológica real, segundo os autores, está inalterado nos usuários de maconha.


‘BASEADO-ANO’


Os cientistas reconhecem no artigo que a quantidade consumida de tabaco foi muito maior que a de maconha —o que pode ter ajudado a erva na comparação.

A conta que os autores fizeram para analisar o uso de cigarro foi dividir o número diário de cigarros consumidos por 20 (que representa um maço), e multiplicar pelos anos em que essa taxa de fumo foi mantida. Um maço ano é a unidade que representa o consumo diário de 20 cigarros ao longo de um ano.

De forma análoga, a unidade “baseado-ano” foi criada —ela representa o uso diário de cannabis pelo mesmo período.

Na comparação entre os voluntários, dos 26 aos 38 anos a média de maços-ano ficou em 3,3,e a de baseados ano ficou em 1,2.

Outro fator que pode ter dado um empurrãozinho para a boa performance da maconha é a quantidade do princípio ativo THC (tetra hidro canabinol) presente na planta.

Sabe-se que a maconha usada hoje em dia tem o “ingrediente” mais presente. Ele é responsável por parte dos efeitos alucinógeno da erva.

Os pesquisadores que estudam esse grupo neozelandês, que é acompanhado desde os anos 70, já haviam publicado um estudo destacando os efeitos negativos da droga, principalmente na saúde mental de adolescentes (refletido em uma perda nos testes de QI).

No novo estudo, publicado pela revista “Jama Psychiatry”, os autores afirmam que dificilmente a maconha seria capaz de melhorar a saúde metabólica da população, apesar dos (fracos)indícios nessa direção.

“Os resultados inesperados sublinham a importância de se fazer pesquisa rigorosa para testar hipóteses em vez de construir políticas públicas baseadas em mitos e dogmas que há muito pairam sobre esse assunto”, escreveram Kevin Hill, e Roger Weiss, da Faculdade de Medicina de Harvard e do Hospital McLean, em Belmont, Massachusetts, nos EUA, em comentário ao estudo.

Eles recomendam cautela também no uso médico. Apesar de indicações para alguns caso de dor crônica e de espasmos de origem neurológica, entre outras, “muitos pacientes usam cannabis medicinal para problemas para os quais há pouca ou nenhuma evidência científica”.

Ainda segundo eles, o uso recreativo da droga deve continuar sendo desencorajado pelos profissionais da área da saúde. “É importante frisar que, por melhor que tenha sido conduzido, este é apenas um estudo, com uma população homogênea, feito em um único país e terminando aos 38 anos de idade. É possível que alguns problemas surjam depois disso”.




Plantão Médico: Nosso comportamento muda sob observação

11/06/2016 - Folha de S.Paulo


Nosso comportamento muda quando sabemos que estamos sendo observados. É o "efeito Hawthorne", extremamente positivo para o pessoal da área da saúde, principalmente na atividade hospitalar, segundo estudo apresentado na 43ª Reunião Anual da Associação dos Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia, que termina dia 13, nos EUA.

O estudo mostra que esses profissionais, ao perceber a vigilância, seguem em dobro as regras e instruções para a higienização das mãos.

Foram realizados 4.640 registros de higienização das mãos, durante seis meses, por 15 observadores desconhecidos pela equipe hospitalar.

A pesquisa mostra uma diferença para mais de 30% de conformidade na higiene das mãos quando o profissional percebeu que estava sendo observado. Para Nancy Johnson, do setor de prevenção de infecções do Santa Clara Valley Medical Center, na Califórnia, o resultado é inesperado.

Para esse e vários outros estudos na área da saúde, o resultado mostra a influência do "efeito Hawthorne".

Em 1958 essa denominação foi dada por Henry Landsberger, da New York School of Industrial and Labor Relations, com base na experiência da produção por trabalhadores sob alta ou baixa luminosidade, em uma fábrica na Chicago da década de 20. A produção melhorou sob as duas formas de iluminação, mas diminuiu quando o estudo terminou. Conclusão: a sensação de um observador solidário teve efeito positivo.




‘Órfãos’ dos planos lotam clínica popular

12/06/2016 - O Estado de S.Paulo


Foi no mês de janeiro que a empresária Eliene Pereira Andrade, de 42 anos, sentiu na pele os efeitos da crise econômica. Com a queda crescente de clientes em seu restaurante popular no Butantã, zona oeste de São Paulo, ela fechou o comércio. Teve de optar por manter o colégio particular dos filhos e cancelar o convênio médico, que custava R$ 1.737 para ela e mais quatro pessoas. Eliene e a família migraram para o Sistema Único de Saúde (SUS). E não é o único exemplo.

Também por causa da crise, o contador Ademir Alegria, de 66 anos, decidiu cancelar o plano de saúde, de R$ 1.200. Portador de hepatite e sem convênio, ele passou a buscar atendimento em uma clínica particular popular, com consulta a R$ 98.

Assim como Eliene e Ademir, 1,9 milhão de brasileiros perderam o plano de saúde nos últimos 18 meses, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Foi no fim de 2014 que a tendência de crescimento de clientes desse mercado se inverteu e o número de beneficiários começou a cair, passando de 50,4 milhões, em novembro daquele ano, para 48,4 milhões em abril de 2016.

A queda de beneficiários de planos vem trazendo dois principais impactos para o sistema de saúde brasileiro. Por um lado, mais pessoas passam a ser dependentes da rede pública, já sobrecarregada pela alta demanda e recursos insuficientes. Por outro, clínicas particulares com preços mais acessíveis, de olho nos órfãos dos convênios, abrem cada vez mais unidades e diversificam a oferta de procedimentos.

“O plano de saúde é sensível a emprego e renda”, diz Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Para o especialista, o que mais preocupa é que, enquanto a demanda cresce, o investimento no sistema público cai. “Este seria o momento de o SUS receber mais recursos para estar preparado para atender mais pessoas”, opina.


DEMORA


A dificuldade de acesso a especialistas na rede pública já é sentida por quem perdeu o plano de saúde. A empresária Eliene reclama da demora para conseguir agendar uma consulta. “Estou com uma dor de cabeça muito forte desde fevereiro e acho que pode ser por causa de um problema na visão. Fui ao posto de saúde e consegui uma data com o clínico-geral só para setembro.”

Para quem não quer esperar, a alternativa tem sido pagar consultas particulares em clínicas populares. No último ano, o contador Ademir já passou por gastroenterologista, urologista e cardiologista, pagando cerca de R$ 100 por atendimento. “Faço o acompanhamento da hepatite e também os check-ups que preciso por um preço que, para mim, é justo”, diz ele.

Na rede dr.consulta, o número de especialistas e procedimentos oferecidos cresce mês a mês, assim como o de unidades. Em cinco anos de existência, já são 12 centros médicos inaugurados e mais de 40 especialidades disponíveis. Dependendo do valor, o custo dos tratamentos pode ser parcelado em até dez vezes sem juros. “O número de atendimentos cresce 15% mensalmente e, no último mês, aumentou 30%”, diz Marcos Fumio, vice-presidente da área médica do dr.consulta. A empresa pretende chegar a 30 centros médicos até o fim do ano.

No nicho do pronto-atendimento, a rede Dr. Agora também expande suas atividades, com consultas a R$ 89. Em um ano, foram cinco unidades inauguradas, algumas delas dentro de estações do metrô. “Com o cenário atual do Brasil, a demanda ficou ainda maior”, diz Guilherme Berardo, cofundador e CEO do Dr. Agora.

Para Mario Scheffer, as clínicas particulares podem resolver problemas mais simples, mas os casos mais complexos continuarão a ser direcionados para o sistema público. “Em qualquer necessidade de maior complexidade, a pessoa vai voltar a depender do SUS e, como essas clínicas não têm ligação com o sistema público, esses pacientes terão de começar o processo desde o início”, alerta.

Descobertos dois novos tipos de leucemia

13/06/2016 - Correio Braziliense


Mais incidente em crianças, a leucemia linfoblástica adulta acomete células progenitoras da medula óssea

A partir do estudo detalhado de células de leucemia retiradas de mais de 200 voluntários, um grupo de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, identificou dois novos tipos do câncer que acomete principalmente as crianças: a leucemia linfoblástica aguda. Esse tumor é caracterizado pelo crescimento excessivo das células progenitoras da medula óssea — tecido gelatinoso que preenche a cavidade interna de vários ossos e é responsável pela formação elementos do sangue, como hemácias, leucócitos e plaquetas.

Usando um método de sequenciamento avançado, os pesquisadores examinaram as mudanças que ocorrem nas células cancerosas com maior detalhe e conseguiram realizar a diferenciação. “Um tipo ocorre quando um gene chamado DUX4, que é normalmente inativo nas células do sangue, se torna ativo devido ao deslocamento do gene no genoma. O segundo tipo assemelha-se a outros tipos já conhecidos de leucemia infantil, mas é causado por outras mutações genéticas”, conta Henrik Lilljebjörn, pesquisador e gerente de projeto do estudo, detalhado na revista Nature Communications.

Batizados de DUX4-rearranged e ETV6 / RUNX1-like, os dois tipos descobertos, acredita Lilljebjörn, representam cerca de 10% de todos os casos de leucemia infantil. Médicos e cientistas geralmente trabalham com seis grupos principais de leucemia linfoblástica aguda em crianças. A esperança é de que os resultados levem a um melhor diagnóstico e monitoramento de leucemia infantil, além de a novas formas de tratamento.


AJUSTES


A terapia hoje disponível consegue ser bem-sucedida em grande parte dos pacientes, mas requer intervenções pesadas, como quimioterapia e radioterapia, que podem causar diversos efeitos colaterais. Existe, portanto, uma necessidade de distinguir os diferentes tipos de leucemia linfoblástica aguda a fim de adaptar o tratamento de acordo com a gravidade do caso, detectar possíveis recaídas e reduzir os sintomas adversos ao máximo.

“Como todos os tipos de tumor, a leucemia infantil é causada por mutações genéticas em células normais. Encontrar as mutações diferenciadas nas células doentes é uma condição importante para a compreensão dos mecanismos do câncer e, finalmente, a descoberta de novas terapias”, explica Thoas Fioretos, professor da Divisão de Genética Clínica da Universidade de Lund e principal autor da pesquisa.




Ministério da Saúde pode comprar testes que comprovam zika

11/06/2016 - Valor Econômico / Site


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, vai a Salvador, na segunda-feira (13), verificar - junto ao Laboratório Bahiafarma - a possibilidade de compra, em grande quantidade, pelo governo federal, de um teste rápido de comprovação do vírus zika. Ele não informou quantos testes seriam comprados, mas acrescentou que, atualmente, os testes que já são aplicados em pessoas que apresentam os sintomas permitem a identificação e notificação de todos os casos.

Por isso, classificou de confiáveis os números de registros da doença feitos no país. O ministro fez o comentário durante entrevista a correspondentes estrangeiros para apresentar as ações de saúde com vistas aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

“Estamos procurando dar a vocês subsídios para que possam tranquilizar as pessoas de que neste período [dos Jogos], no Rio de Janeiro, o risco é baixíssimo de alguém ser contaminado com zika. Menos de uma pessoa em 500 mil visitantes estrangeiros, pelas projeções da Universidade de Cambridge [no Reino Unido] e de outros tantos cientistas, está sujeita a ser contaminada, portanto, é quase risco zero”, contou.

O ministro espera que, com as informações prestadas, os atletas estrangeiros se tranquilizem e venham para o Brasil. “Estamos falando de um espetáculo, de um megaevento, mas para cada atleta é a vida deles. Aquilo para o que se dedicam e aquilo no que acreditam e nós queremos que eles venham com absoluta tranquilidade para o ápice de toda a preparação que fizeram durante anos”, destacou.


REUNIÃO DA OMS


Ricardo Barros revelou que, na terça-feira (14), o comitê de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS) vai se reunir, por videoconferência, como ocorre a cada 90 dias, e poderá avaliar as recomendações feitas com relação aos cuidados e prevenção relacionados ao vírus zika.

O ministro da Saúde afirmou que tudo indica que as recomendações permanecerão, como a de que grávidas evitem viajar para os 60 países onde foi constatada a presença do vírus, ou então, para que mulheres retardem a gravidez até que a comunidade científica internacional amplie os conhecimentos sobre os reflexos do vírus. Barros descartou, no entanto, a possibilidade de o comitê propor a mudança de datas ou de local dos Jogos 2016.

“Nós não consideramos a hipótese de adiamento das Olimpíadas. Não há nenhuma base científica que recomende este tipo de decisão. O que espero em relação aos atletas que estão em dúvida de virem ao Rio de Janeiro é que a nossa explanação hoje sirva de informação para que eles possam rever a sua posição e venham competir no Brasil, porque, de fato, nós estaremos em uma das regiões de menor circulação do vírus. Nos outros países em que ele existe, muitos estarão em temporada de verão, com alta proliferação do vírus. A região do Caribe, por exemplo, onde há uma circulação de milhares de turistas, tem uma possibilidade muito maior de alguém adquirir o vírus lá, do que aqui durante o inverno no Rio de Janeiro. Espero que os atletas possam, a partir das nossas informações, rever as suas posições e esperamos ter todos aqui conosco nas olimpíadas”, disse.

De acordo com o ministro, o governo brasileiro resolveu acatar todas as recomendações da OMS para as Olimpíadas e para o vírus zika. “Temos uma grande estrutura montada para que possamos - com segurança - receber aqueles que vêm ao Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos e vamos informar o que está disponível em infraestrutura para suportar esta vinda dos turistas e da família olímpica para os Jogos Olímpicos”, disse.

O ministro da Saúde afirmou, ainda, que, durante a Copa do Mundo, quando o número de visitantes superou 1 milhão de pessoas, houve apenas três casos de dengue e que, às vésperas dos Jogos 2016, a possibilidade é menor, com a expectativa de o país receber até 500 mil turistas para acompanhar as competições.

Barros assegurou que a rede de saúde está preparada. O governo federal repassou mais R$ 19,5 milhões para a rede de saúde do estado do Rio de Janeiro. Já há ambulâncias disponíveis e recursos para esses veículos no valor de R$ 30 milhões. Estão selecionados, ainda, 130 leitos para atendimentos de emergência caso sejam comprovados casos de zika. Além disso, haverá o reforço de 3 mil profissionais atuando no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. No Rio de Janeiro, mais de 80% dos imóveis foram vistoriados para identificar focos de dengue.


CUIDADOS


De acordo com o ministro, o Comitê Olímpico vai distribuir repelentes para todos os atletas e o governo brasileiro está adquirindo unidades do produto para distribuir gratuitamente a gestantes incluídas no Programa Bolsa Família.

Ainda com relação às mulheres que querem engravidar, o ministro da Saúde lembrou que o Instituto Evandro Chagas desenvolveu pesquisas com a Universidade do Texas de uma vacina para o vírus zika e a previsão é iniciar os testes clínicos em novembro. “Temos a expectativa de fazer os testes em fast track como aconteceu com o vírus Ebola e, em pouco tempo, as mulheres poderão ter uma gravidez segura”, afirmou.




Rede chega a ter fila de espera de médicos

12/06/2016 - O Estado de S.Paulo


Enquanto hospitais e ambulatórios públicos sofrem com falta de médicos, a rede de clínicas dr.consulta tem fila de espera de 250 desses profissionais à espera de uma vaga de emprego. Hoje, a empresa tem 450 doutores, e a estimativa é de que esse número chegue a 1 mil com a inauguração de mais 18 unidades até o fim do ano.

Para Marcos Fumio, vice-presidente da área médica da dr.consulta, a procura é causada por vários fatores, entre eles o modelo de remuneração e o tipo de serviço executado.

“O pagamento não é fixo. O médico tem bônus de acordo com a avaliação que recebe dos pacientes. O que posso dizer é que ele ganha mais por consulta do que o que é pago por um plano de saúde, e ainda se envolve em um projeto que tem um cunho social. Vale mais a pena para ele trabalhar no dr.consulta do que arcar com todas as despesas de um consultório particular, por exemplo.”

Logo após terminar a residência em otorrinolaringologia, a médica Samanta Dallagnese, de 33 anos, trocou empregos em hospitais públicos e em clínicas onde atendia planos de saúde pelo dr.consulta. “No SUS, a gente sabe que o tratamento acaba sendo muito aquém do que deveria e os planos pagam pouco. Aqui recebo um salário justo, fazendo algo diferente”, diz ela, que trabalha na rede quatro dias por semana, em período integral.




Biomedicina, que já foi 'patinho feio' da saúde, está em alta por conter epidemias

12/06/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Os surtos recentes de dengue e zika aumentaram a procura por exames de diagnóstico em hospitais e laboratórios, o que fez crescer a demanda por biomédicos.

"Estamos sempre enfrentando algum surto epidemiológico, o que favorece alguns setores da biomedicina", afirma Silvio José Cecchi, presidente do Conselho Federal de Biomedicina.

Essa alta, porém, é pontual, de acordo com Otávio Granha, gerente da consultoria de recrutamento Wyser. Segundo ele, o aumento ocorre principalmente com vagas de curto prazo e para profissionais voltados para análise clínica e diagnósticos.

No caso de biomédicos que atuam na pesquisa de medicamentos, a dinâmica é outra. "O tempo de pesquisa e reação para essas doenças requer soluções de longo prazo, e as empresas não fazem contratações só por causa dos surtos", afirma.

Ainda assim, ele considera o cenário favorável. "A biomedicina antes era o patinho feio da medicina e da farmácia, mas está vendo o estigma mudar", afirma.

Segundo Cecchi, um dos campos mais valorizados dentro da área é o de inovação. A diretora da Pfizer, Márjori Dulcine, concorda e afirma que a procura pelo profissional está aumentando nas empresas.

"Tem a ver com a criação de produtos inovadores. No último ano, abrimos nove posições tanto na área médica quanto na comercial, com demanda de alta qualidade técnica. Quatro foram preenchidas por biomédicos", afirma.


MENOS CONTATO


A biomédica Maytê Abrão Stocco, 25, optou pela profissão porque gostava de saúde, mas não queria ter contato com pacientes -um perfil comum, dizem os especialistas. "Além de realizar exames laboratoriais, a gente pode atuar em outras especialidades, como reprodução assistida, diagnóstico por imagem, acupuntura, pesquisa, estética", diz ela, que trabalha no Hospital Pérola Byington.

Além dos hospitais, laboratórios também são um caminho comum para o recém-formado em biomedicina. "O escopo de atuação para biomédicos no grupo é amplo. Além das áreas técnicas, eles podem atuar em diferentes funções e setores, como comercial, marketing, pesquisa e desenvolvimento", afirma Eduardo Marques, diretor de pessoal do Fleury.

Segundo Granha, da Wyser, faltam no mercado biomédicos que unam conhecimentos científicos aos gerenciais e de negócios. "São profissionais raros, e a remuneração reflete isso. Está muito acima da praticada em outras áreas, cerca de 30% mais alta do que a remuneração para cargos de gerência em geral", diz.


BIOMÉDICO

Salário de R$ 2.300 a R$ 16 mil
O que faz análise de materiais biológicos para diagnósticos ou desenvolvimento de novos produtos. Atua em hospitais, laboratórios, farmacêuticas, indústria química e de alimentos
Habilidades raciocínio lógico, dinamismo, habilidade manual e bom desempenho em biologia, química e matemática
Formação ciências biomédicas (são 35 especializações diferentes na área)




País registra mais 3 mortes provocadas por zika em adultos.

11/06/2016 - O Estado de S.Paulo


Subiu de três para seis o número de mortes provocadas por zika em adultos no Brasil. Dois dos casos aconteceram em Minas e um, no Rio. A informação, obtida pelo Estado, deverá ser oficializada na próxima semana pelo Ministério da Saúde.

A confirmação, considerada relevante por especialistas, ocorre em um momento em que governo se esforça para transmitir segurança à comunidade internacional, que volta os olhos para o Brasil com a proximidade da Olimpíada. Ontem, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, concedeu uma entrevista para a imprensa internacional para mostrar o baixo risco de turistas se contaminarem com o vírus durante o período dos jogos.

Para cientistas, embora mortes provocados por zika sejam consideradas raras, elas indicam que o vírus tem potencial para levar a quadros bem mais graves do que se imaginava. Além de risco de aborto e microcefalia nos bebês infectados na gestação, o zika também pode provocar em adultos encefalite e Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que leva à paralisia dos membros.

“Cada informação que se tem sobre o vírus é essencial. Podemos dizer que ele ainda é um grande desconhecido da ciência”, afirma a pesquisadora da seção de Arbovirologia e Febre Hemorrágica do Instituto Evandro Chagas Socorro Azevedo. As novas confirmações indicam a necessidade de se pesquisar qual é o mecanismo de ação do vírus no organismo humano que pode provocar a morte. Outro ponto considerado essencial é desvendar quais fatores levam o paciente a ficar mais suscetível à ação do vírus.

O Brasil foi o primeiro país a confirmar que a zika poderia provocar morte em adultos. Três dos óbitos aconteceram no ano passado. As novas confirmações de morte são de pacientes que se contaminaram neste ano. Laboratórios oficiais investigam ainda a causa de outras 49 mortes suspeitas de terem sido provocadas pelo vírus.

Além do Brasil, os Estados Unidos também confirmaram uma morte provocada pelo zika. O caso, divulgado em abril, é de um homem de 70 anos. Ele teve a infecção tratada, mas morreu em consequência de uma hemorragia.


CASOS


No Brasil, o primeiro paciente a morrer por zika foi um homem do Maranhão. O resultado, divulgado em novembro, foi analisado com cuidado por causa das condições do paciente. Ele apresentava lúpus, uma doença que pode complicar-se de forma expressiva quando o organismo é infectado por bactérias ou por vírus.

No segundo caso, confirmado dias depois, a paciente, jovem, não tinha, até a infecção, problemas graves de saúde. Os primeiros sintomas apresentados foram dor de cabeça, náuseas e pontos vermelhos na pele e nas mucosas, em setembro. Ela morreu no fim de outubro. A terceira paciente que morreu tinha 20 anos. Ela ingressou no hospital do Rio Grande do Norte com queixas respiratórias. O óbito aconteceu em 12 dias.




Zika pode permanecer no organismo por meses

11/06/2016 - O Globo


O zika pode permanecer no organismo por mais tempo do que supunham cientistas. Casos investigados por uma rede de pesquisa no Rio mostram que o vírus é capaz de voltar a se manifestar em pessoas que desenvolveram síndrome de GuillainBarré, encefalite e encefalomielite. Além disso, há sinais de que pode causar distúrbios cognitivos, como perda de memória e dificuldades de raciocínio, em alguns desses pacientes.

A rede estuda também casos de distúrbios neurológicos graves em pacientes com chicungunha. Um deles é o de um homem que morreu em março após desenvolver uma forma grave de Guillain-Barré. O coordenador da rede, o neurologista Osvaldo Nascimento, professor titular de neurologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e presidente da Associação de Neurologia do Estado do Rio de Janeiro (ABNRJ/Anerj), conta que o paciente foi atendido num hospital do Rio, teve grave paralisia e acabou por não resistir.

— São casos mais raros, mas que, por sua gravidade, precisam de prioridade. Também temos observado uma espécie de persistência do zika e casos mais graves ligados ao chicungunha. O zika parece se esconder no sistema nervoso e reemergir meses depois, por gatilhos que ainda desconhecemos. Uma das possibilidades que investigamos é que ele se torne crônico em alguns casos. Como e por quê, não sabemos ainda — afirma.


EVENTO DISCUTIRÁ CASOS


Nascimento organiza hoje no Rio, no Instituto de Neurologia Deolindo Couto, da UFRJ, um fórum para pesquisadores sobre os distúrbios neurológicos associados ao zika e ao chicungunha. Alguns dos maiores especialistas do Brasil vão debater casos de síndrome de GuillainBarré, encefalite e meningoencefalite, entre outros problemas neurológicos, vistos em pacientes que contraíram os vírus.

A rede integrada por Nascimento reúne médicos e cientistas da UFF, UFRJ, Fiocruz, Dasa e PUC-RS, entre outras instituições. Eles têm acompanhado cerca de 50 pessoas com distúrbios neurológicos associados à infecção por zika ou chicungunha. Todos os pacientes são do Grande Rio, atendidos em hospitais das redes pública e privada.

Alguns pontos preocupam os pesquisadores. O primeiro é a persistência do vírus zika.

— Em alguns casos, a pessoa aparentemente se recupera. Mas a doença, a síndrome de Guillain-Barré, por exemplo, volta a se manifestar após semanas ou meses. Uma hipótese é que o zika se mantenha latente nos neurônios e algum fator de natureza imunológica o reative. Vírus como o do herpes-zóster fazem isso. Não sabemos como esses vírus realmente agem. Existe uma possibilidade de que possam causar uma espécie de doença crônica, uma Guillain-Barré de evolução prolongada. Isso é algo que precisa ser investigado — explica o médico.


SINAIS DE DEMÊNCIA


Outra preocupação dos pesquisadores é o aparecimento de comprometimento cognitivo em alguns desses pacientes.

— Temos observado casos de comprometimento da memória recente, dificuldades de raciocínio e até sinais de demência. Mas é cedo para saber o motivo e a evolução. Isso parece ocorrer em pequeno percentual de pacientes com distúrbios neurológicos relacionados ao zika. Esse será um dos destaques a serem debatidos no fórum — observa Nascimento.

Clipping de Notícias - 10/06/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 10/06/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Greve deixa farmácias da Dose Certa sem remédios

10/06/2016 - Agora São Paulo Online


Parte das farmácias gratuitas Dose Certa estão fechadas. O motivo é a greve dos funcionários da Furp (Fundação para o Remédio Popular).

Os dois serviços pertencem à gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Nas que estão abertas, há medicamentos em falta.

A paralisação afetou a distribuição dos remédios, que é feita pela Furp.

No posto da estação Clínicas do metrô, um funcionário que pediu para não ser identificado disse ao Agora que os remédios do estoque acabariam em um dia.

"Não estamos recebendo reposição e este posto é movimentado", disse o funcionário.

Na farmácia Dose Certa da Sé, a auxiliar de limpeza Luzia Lemos da Silva, 52 anos, não encontrou o remédio Ibuprofeno.

"Vim com a receita e não achei o remédio que eu preciso. Vou tentar em outro posto", disse Luzia.

A cuidadora de idosos Isabela Macário, 48 anos, foi buscar o antidepressivo amitripitilina, mas não achou.

"Tomo cinco comprimidos por dia. Tenho remédio suficiente para mais três dias, senão dfico sem dormir", falou a cuidadora.


RESPOSTA


A Secretaria de Estado da Saúde, da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), diz que apesar da greve dos funcionários da Furp (Fundação para o Remédio Popular) não faltarão remédios nas farmácias Dose Certa.

"Os medicamentos captopril, ibuprofeno e amitripitilina e outros estão disponíveis nas farmácias Dose Certa e há estoque suficiente para no mínimo 30 dias", disse a secretaria por meio de nota.

Segundo a secretaria, as unidades da Vila Mariana e da Saúde paralisaram suas atividades às 12h porque funcionários aderiram à greve do Sindicato dos Químicos.

"A paralisação total do atendimento caracteriza descumprimento de uma decisão judicial que impede o Sindicato de estimular a interrupção das atividades por parte dos profissionais", afirma a nota da secretaria.

Em relação ao funcionamento da farmácia da estação Ana Rosa, o governo disse que o atendimento da unidade foi transferido para outras farmácias Dose Certa.

O motivo, segundo a secretaria, é a baixa baixa demanda constatada no local.

"Trata-se de uma medida de gestão que prevê o uso racional dos recursos e serviços", disse a secretaria na nota.




Interpol conduz operação mundial contra o tráfico de medicamentos falsos

09/06/2016 - Zero Hora Online


Uma grande operação internacional contra o tráfico de medicamentos falsos levou à prisão de 393 suspeitos e à apreensão de milhões de produtos potencialmente perigosos, avaliados em 46,8 milhões de euros, anunciou a Interpol nesta quinta-feira.

A nona operação "Pangea", composta por policiais de 193 países, permitiu, de 30 de maio a 7 de junho, a apreensão de cerca de 12,2 milhões de medicamentos falsificados - tratamentos falsos de câncer, testes defeituosos para HIV ou diabetes, material odontológico falso e equipamentos cirúrgicos - e o fechamento de 4.932 sites que ofereciam estes produtos.

A organização policial internacional com sede em Lyon (leste da França) disse em um comunicado que foram lançadas cerca de 700 investigações em todo o mundo.

Na Hungria, por exemplo, a polícia local apreendeu cerca de 65.000 comprimidos de medicamentos antiansiedade, escondidos em um pneu sobressalente e no assento traseiro de um carro, um modus operandi semelhante ao tráfico de drogas, segundo a Interpol.

Na Austrália, a polícia descobriu e fechou um laboratório clandestino que fabricava esteroides.

Em 2015, a Operação Pangea VIII levou à apreensão de mais de 20 milhões de medicamentos falsificados no valor de 81 milhões de dólares (71 milhões de euros) e à prisão de 156 pessoas em todo o mundo.




BulasMed: bulas completas de medicamentos em um aplicativo gratuito e totalmente offline

09/06/2016 - Portal Exame


Agora o conteúdo completo do bulas.med.br pode ser acessado no seu celular ou tablet sem a necessidade de conexão com a internet. Os mais de 4.000 medicamentos podem ser acessados de maneira cômoda e conveniente em seu smartphone ou tablet.

O aplicativo permite a busca por medicamentos, laboratórios, substâncias ou ações terapêuticas. Outras funcionalidades incluem: navegação rápida pelos tópicos da bula através de um índice, marcação de bulas como favoritas e acesso às últimas bulas visualizadas e às bulas favoritas na tela inicial do aplicativo.

Bulas convencionais em papel possuem letra em tamanho reduzido, o que prejudica a legibilidade. A leitura da bula digital possibilita uma leitura mais fácil. O aplicativo pode ser especialmente importante para momentos de emergência, em que seja necessária uma consulta rápida à bula de um medicamento, para saber sobre reações, por exemplo. A bula poderá ser encontrada em questão de segundos e não é necessário possuir uma conexão com a internet.

O aplicativo BulasMed está disponível nas lojas de aplicativos do Android e da Apple. Nesta primeira versão o sistema é inteiramente gratuito e garante esta gratuidade para as futuras versões.

Todo o conteúdo do BulasMed também pode ser acessado no site http://bulas.med.br, seja através de dispositivos móveis ou pelo computador.




Aspen e AstraZeneca

10/06/2016 - Valor Econômico


A sul-africana Aspen Pharma assinou acordo para compra do direito de comercialização do portfólio de anestésicos da AstraZeneca em todo o mundo, com exceção dos Estados Unidos. O valor da operação, liderada pela Aspen Global Incorporated (AGI), é de US$ 520 milhões mais royalties de "dois dígitos" percentuais. A Aspen pagará ainda até US$ 240 milhões conforme o desempenho das vendas nos 24 meses posteriores ao fechamento da operação. A transação envolve sete produtos, entre anestésicos gerais, tópicos e locais (como xilocaína), que são vendidos em mais de 100 países.




Roche Farmacêutica

09/06/2016 - Você SA


Quem visita a sede paulistana da Roche se impressiona com a área verde que cerca os prédios da farmacêutica. Os jardins bem cuidados podem ser vistos pelas amplas janelas dos escritórios, que recebem muita luz natural. Esse é só um aperitivo da preocupação da companhia com a qualidade de vida, que, por isso, mereceu destaque nessa categoria nesta pesquisa. Os funcionários têm à disposição uma academia, administrada em parceria com o Sesc. em que instrutores dão aulas de pilates, spinning, musculação e até zumba; um refeitório com um cardápio amplo; e uma sofás para um cochilo e lanchonete. Uma das práticas mais elogiadas pelos jovens é a Summer Friday, que os permite deixar o expediente às 14 horas durante as sextas-feiras. "Se você precisar sair mais cedo em outro dia da semana porque tem que estudar ou apresentar um trabalho, os chefes são flexíveis", diz um estagiário. Para esse grupo, aliás, a empresa suíça oferece um programa de estágio bem estruturado. Os estudantes são desenvolvidos por meio da teoria 70/20/10: 70% do tempo dedicado a aprender na prática, 20% a troca de informações e feedback, e 10% a cursos e leitura. Isso quer dizer que o dia a dia dos estagiários é movimentado e que eles são desafiados a crescer constantemente. Mesmo tendo uma rotina de trabalho puxada, os jovens afirmam que dá para ter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional e que é enorme a motivação de trabalhar em uma companhia preocupada em salvar vidas. A Roche é responsável por desenvolver medicamentos que combatem doenças graves como câncer e diabetes. A causa é tão importante que em todas as salas de reunião da sede de São Paulo há depoimentos de pacientes contando como os medicamentos da Roche ajudaram na recuperação de um problema de saúde. "Queremos que os funcionários se lembrem todos os dias da razão maior pela qual trabalham aqui", diz Denise Horato, diretora de RH da Roche Farmacêutica.

Trocando em Miúdo: Entenda como será o reajuste dos planos de saúde

10/06/2016 - Portal EBC


Olá, prezada pessoa ouvinte cidadã.

Plano de saúde com o preço pela hora da morte. Me desculpe o trocadilho, mas é que agora teve reajuste acima dos 13%, quando a inflação acumulada no período foi de cerca de 9%. E isto vale para os planos de saúde individuais e familiares. Autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Até porque os planos coletivos, geralmente nas empresas, tem reajuste liberado, em princípio acertado entre as partes. No meu caso, o plano coletivo teve reajuste de cerca de 14%.

A coordenadora institucional da Proteste - Associação de Consumidores, Maria Inês Dolci, ressalta que isto é mais um peso no bolso do cidadão.

Vamos ver agora na prática e alguns cuidados. A pessoa que tem este tipo de plano de saúde tem que saber que o reajuste depende da data de aniversário, ou seja, do mês em que foi assinado, começou a valer. Tem mais: não pode ser, portanto, cobrado a partir do começo deste mês, por exemplo. Pelo menos a partir de julho e até abril de 2017.

Mais algum cuidado. Deverão constar claramente no boleto de pagamento o índice de reajuste autorizado pela ANS, o número do ofício de autorização da ANS, nome, código e número de registro do plano, bem como o mês previsto para aplicação do próximo reajuste anual.

Lembrando que plano de saúde coletivo segue uma regra livre, na hora do reajuste.

E no caso dos planos de saúde das pessoas com mais idade? Como é que fica? Bom, gente. Acabou o tempo. Fica para outro dia.




Humberto Costa anuncia frente em defesa do SUS e denuncia desmonte de órgão fiscalizador

09/06/2016 - Agência Senado


O senador Humberto Costa (PT-PE) comemorou nesta quinta-feira (9) o lançamento, na Câmara dos Deputados, da Frente Parlamentar em Defesa do SUS, o Sistema Único de Saúde. O objetivo, disse, é evitar retrocessos que venham a ser promovidos pelo governo interino de Michel Temer.

O senador se referiu às declarações do Ministro da Saúde, Ricardo Barros, segundo as quais o Estado brasileiro não tem mais condições de garantir o acesso universal à saúde previsto na Constituição.

Para Humberto Costa, isso significa a intenção clara de privatizar os serviços de saúde, desmantelando o SUS. E a primeira medida já foi tomada, acrescentou o senador, mencionando a demissão de sete dirigentes do Departamento de Auditoria do SUS, órgão fiscalizador que trabalha pela correta aplicação dos recursos do sistema.

— É um caça às bruxas determinado a deixar vulnerável a administração às práticas execráveis que hoje o Brasil se esforça a combater. É retrocesso atrás de retrocesso.

A ausência da lembrança

10/06/2016 - Valor Econômico


É um tema que assusta, mas que os brasileiros precisam encarar. O Alzheimer, principal doença relacionada à demência, aparece com cada vez mais frequência nas histórias das famílias. Levante a mão quem não tem um parente, um amigo, pai, mãe ou avós de conhecidos com sintomas. Quem não se emocionou com o escritor Marcelo Rubens Paiva ao relatar a história da doença de sua mãe, Eunice, no livro "Ainda Estou Aqui", ou ao assistir a "O Filho da Noiva", com Ricardo Darín, ou "Para Sempre Alice", com Julianne Moore, para citar algumas das obras mais impactantes sobre a perda de memória relacionada ao Alzheimer.

Notícias sobre pesquisas do funcionamento do cérebro ou busca de medicamentos devem aumentar nos próximos anos, mas também, e principalmente, questões relacionadas à forma de lidar com o sofrimento dos doentes e daqueles que têm que encarar a perda progressiva de personalidade e de autonomia de quem sofre desse mal. Sem contar o impacto econômico dos gastos com tratamento e custos indiretos que recaem sobre a família, relacionados à incapacidade do doente. Nos Estados Unidos, foram mais de US$ 201 bilhões em 2010; e estimados US$ 236 bilhões em 2016, considerando assistência médica direta, social e tratamento informal.

Essa divisão em três categorias é relevante, tendo em vista que os custos diretos englobam serviços de saúde em geral e os custos sociais indicam o pagamento de cuidados em domicílio e com casas de assistência. Os chamados custos "informais" são a parcela de contribuição não monetária de dedicação de familiares, amigos e vizinhos, estimada em horas de apoio, muitas vezes roubadas do trabalho, com o acompanhamento do cotidiano dos doentes. E aí reside um dos maiores problemas relacionados ao Alzheimer. Nos Estados Unidos, onde cerca de 5,5 milhões de pessoas sofrem do mal, calcula-se que quase 16 milhões de familiares e amigos são responsáveis pelo suporte financeiro, físico e emocional do doente.

O Alzheimer, que acomete principalmente idosos, é a forma mais comum de demência (60% dos casos), responsável pela perda de funções cerebrais que, aos poucos, se torna mais grave, afetando a memória, o raciocínio e o comportamento, além de prejudicar a linguagem, a capacidade de tomar decisões, o julgamento e a personalidade. É uma doença degenerativa, incurável e terminal, descrita pela primeira vez pelo neuropsiquiatra alemão Alois Alzheimer há 110 anos, em 1906.

A maior parte dos casos ocorre em pessoas com mais de 65 anos de idade, embora os primeiros sinais possam ser observados antes. Não se sabe bem por que a doença ocorre. São conhecidas algumas lesões cerebrais características, como o acúmulo de placas decorrentes do depósito da proteína beta-amiloide, e emaranhados neurofibrilares, resultantes da fosforilação anormal da proteína tau no interior dos neurônios, que transformam as conexões neurais em uma massa caótica e retorcida. Outra alteração é a redução do número de neurônios e das ligações entre eles (sinapses) com redução progressiva do volume cerebral.

"Essas alterações não fazem parte do envelhecimento normal", frisa o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil, um dos principais especialistas em envelhecimento do país. "Ao contrário do que se imagina, se não houver doenças, o cérebro dos idosos trabalha tão bem quanto o dos jovens. Apesar disso, muita gente ainda acha que a perda de memória é comum a todos, chama o velho de gagá ou esclerosado e não busca auxílio médico quando deveria."

Quando diagnosticado no início, é possível retardar o avanço do Alzheimer, ter mais controle sobre os sintomas e garantir melhor qualidade de vida ao doente e à família. Mas, quase sempre, isso não acontece. "A verdade é que as doenças senis são negadas por todos no início: pelo próprio doente, pelas pessoas da família, pelos amigos", afirma a escritora e tradutora Heloisa Seixas, autora do livro "O Lugar Escuro", sobre as transformações psicológicas de sua mãe, afetada pelo Alzheimer. No livro, ela conta como, na fase de transformação da personalidade, que no caso de sua mãe se estendeu por cinco anos, esquecimentos, trocas de nome, teimosia, pirraça pareciam normais, "coisa de quem está envelhecendo".

Em estudos recentes, publicados no "Journal of Alzheimer's Disease", pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona, sugerem que o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, morto em 2004, teria tido alterações cerebrais anos antes do aparecimento das manifestações clínicas que permitiram o diagnóstico da doença. O presidente era conhecido por uma série de gafes que cometeu durante seus anos na Casa Branca (numa visita a Brasília, em 1982, propôs um brinde ao "povo da Bolívia"). Algumas vezes esquecia ou trocava nomes, dava depoimentos contraditórios e assumia distrações, embora não parecesse mentalmente incapaz.

Em 2011, os especialistas assumiram um novo critério para diagnosticar o Alzheimer, levando em consideração o seu desenvolvimento assintomático. No primeiro estágio, que pode se estender por 20 anos, a pessoa tem uma vida normal. É quando começa a haver a deposição das placas de amiloide e emaranhados neurofibrilares no cérebro, geralmente na região do hipocampo, envolvida em aprendizagem e memória. Em seguida, vêm os estágios leve e moderado, que duram de dois a dez anos. Ocorrem os lapsos de lembranças de fatos recentes, dificuldade de encontrar palavras, de planejar e executar tarefas simples, de lidar com dinheiro e coordenar movimentos. A partir daí e até a morte, os distúrbios se agravam com alterações na personalidade e comportamento, agressividade, desorientação, incapacidade de se comunicar, de reconhecer pessoas e perda de autonomia.

"O diagnóstico se dá com a entrevista médica e a exclusão de outras doenças por meio de exames de sangue e de imagens e avaliação neuropsicológica", afirma a neurologista Sônia Brucki, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. "Não existe um marcador biológico da doença ainda, e os medicamentos atuais melhoram as alterações de comportamento e podem ajudar a atrasar os sintomas, mas não curam. Além disso, é importante tratar os problemas paralelos que vão aparecendo. Os pacientes mais bem cuidados de forma geral têm melhor cognição, e a doença evolui mais lentamente."

Embora uma porcentagem muito pequena de indivíduos tenha um componente genético familiar que resulta em casos precoces da doença (menos de 5%), a maioria só vai manifestar sintomas com mais de 65 anos de idade. E aí reside a principal causa de preocupação. Em um mundo onde o número de idosos com mais de 60 anos cresce a uma taxa de 2,6% ao ano, os acometidos de demência, principalmente Alzheimer, devem triplicar até 2050 (previsão de 131 milhões). Prevê-se que cerca de 70% dos casos vão ocorrer nos países de média e baixa renda, que não estão preparados para assumir os gastos com pessoas totalmente dependentes da ajuda.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Alzheimer's Disease International (ADI), sediada em Londres, defendem a criação de um Plano de Ação Global contra a Demência, destinado a envolver pesquisadores, responsáveis por políticas de saúde pública e sociais, além de organizações não governamentais para enfrentar "a onda de casos que está por vir", como afirmou a diretora-geral do órgão da ONU, Margaret Chan. A estratégia é concentrar esforços, da mesma forma como foi feito no passado para acabar com a poliomielite e controlar a aids.

Nos Estados Unidos, o presidente Obama assinou uma lei em 2012, voltada à criação de um Plano Nacional contra o Alzheimer, com o objetivo de tratar e prevenir o mal até 2025. Faz parte da iniciativa o projeto Brain, de US$ 100 milhões, para produzir imagens mais complexas do funcionamento do cérebro e assim conseguir prever com alguma antecedência quem vai desenvolver os sintomas de demência. Em 2014, na reunião de cúpula de ministros da Saúde do G-7, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou um investimento de US$ 100 milhões em um fundo para pesquisas sobre a doença. Além do conhecimento científico, inclui campanhas contra o estigma em idosos.

"Não temos uma cultura de respeito aos mais velhos", diz o ator Carlos Moreno, conhecido por ter estrelado por 30 anos as campanhas publicitárias da marca Bombril. Moreno se dedica a divulgar a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), que conheceu há 12 anos, quando sua mãe foi diagnosticada com a doença. "A minha família teve sorte porque tem condições financeiras e suporte de cuidadoras que mantêm a minha mãe equilibrada, mas, nas reuniões da Abraz, ouvimos todo tipo de histórias de pessoas que não têm como cuidar, irmãos e filhos que não se envolvem, abandono, problemas financeiros e queixas de planos de saúde."

No Brasil, o Alzheimer é um problema tão ou mais sério porque a população está envelhecendo sem ter se preparado para amparar os idosos. "Começamos o processo de envelhecimento mais tardiamente do que os países de alta renda e não sabemos como atender a essa demanda", afirma a enfermeira Ceres Eloah Ferretti, coordenadora do Programa de Educação em Demência e Assistência ao Cuidador do Hospital das Clínicas da USP. "As pessoas saem do consultório do médico com a receita na mão e pensando: 'O que eu faço agora?'. O Alzheimer necessita de orientação e estrutura para oferecer cuidados adequados ao paciente. Como alimentar, como fazer a higiene, como lidar com alterações de humor, insônia, dificuldade de movimentação? Como controlar o diabete descompensado, o intestino preso?" Estima-se que no Brasil existam mais de 1 milhão de portadores de demência, número que deve dobrar em 2030 à medida que aumenta a proporção de idosos na população. Os gastos estimados em 2010, levantados pela ADI, são de mais de US$ 7 milhões. Mas, segundo Ceres, o país ainda está devendo uma análise correta desses valores.

Em artigo na revista "Dementia", a partir de uma amostra atendida no Hospital das Clínicas, Ceres calculou que somente os custos informais (horas de dedicação) resultantes da prestação de cuidados variaram de US$ 13.468 a US$ 19.736 per capita por ano, dependendo da gravidade da demência.

Esse dado é importante, considerando que o país dispõe de pouca estrutura de atendimento como casas de apoio e as dificuldades acabam recaindo sobre os familiares, geralmente filhas e cônjuges. "Quem vive com salário mínimo não tem condições de arcar com o pagamento de uma cuidadora e acaba deixando de trabalhar ou caindo no mercado informal", afirma Ceres. "Quando consegue um serviço de 'home care', tem que lidar com a rotatividade da mão de obra, muitas vezes inadequada para o acompanhamento do doente."

Há ainda outros agravantes. "As dificuldades de obter um diagnóstico correto fazem com que apenas 15% dos doentes tenham acompanhamento médico no país e utilizem os medicamentos oferecidos gratuitamente pelo SUS", calcula o neurologista Paulo Bertolucci, do Núcleo de Envelhecimento Cerebral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Isso ocorre também nos Estados Unidos, mas a proporção dos atendidos lá chega a 50%." Segundo Bertolucci, é preciso treinar profissionais da área de saúde para suspeitar da doença e esclarecer a população em geral que a perda de memória não faz parte do processo normal de envelhecimento.

Estímulos novos contribuem para a capacidade natural que o cérebro tem para criar conexões alternativas entre os neurônios, algo que compensa, ao menos em parte, a perda das células nervosas pela doença. É conhecido o chamado "Estudo das Freiras", realizado por um grupo da Universidade de Minnesota, no qual ficou comprovado que freiras com menor versatilidade linguística desenvolveram Alzheimer mais precocemente que aquelas que liam mais e, ao morrerem, possuíam igual volume de placas no cérebro, mas sem apresentar sintomas na velhice.

Diante disso, especialistas defendem que atividades que exigem esforço mental durante toda a vida e mesmo após os 70 anos protegem o cérebro e atrasam a manifestação de sintomas, como supõe-se ter ocorrido com o escritor Gabriel Garcia Márquez (1927-2014) e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1925-2013), para ficar apenas em personalidades conhecidas que morreram em idade bem avançada e tiveram Alzheimer. "Os idosos com mais baixa escolaridade têm uma desvantagem em relação àqueles com mais estudo, hábitos de leitura e vida social", afirma o neurologista Rodrigo Schultz, também da Unifesp (leia entrevista na pág. 9).

Leitura é essencial, bem como alimentação nutritiva, boas noites de sono, atividade física e laços sociais, pois melhoram o fluxo sanguíneo cerebral e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios, segundo Schultz. Existem estudos que comprovam também a relação entre o declínio cognitivo e comprometimentos cardiovasculares, como infarto, AVC e hipertensão, além de diabetes e obesidade. "Pesquisas em andamento vão ajudar a entender melhor o grau de impacto desses problemas de saúde no risco de Alzheimer", afirma o neurologista.

Paralelamente, os estudos mais recentes procuram comparar as alterações típicas do envelhecimento natural com aquelas que caracterizam o início de uma doença neurodegenerativa. Sabe-se, por exemplo, que o cérebro de idosos apresenta uma diminuição de volume que pode ser explicada pela diminuição de densidade de conexões, da atividade de neurotransmissores e perda dos prolongamentos dos neurônios. Investiga-se então qual a relação entre esses fatores e o acúmulo das proteínas beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares que ocorrem no Alzheimer e o que serviria de proteção contra o processo neurodegenerativo.

No caso do Alzheimer precoce, como foi relatado no filme "Para Sempre Alice", a maioria dos casos está relacionada a mudanças herdadas em um entre três genes. Mas, na doença senil, isso não ocorre. Cientistas do Instituto Scripps de Ciências Translacional demonstraram, no entanto, que enfermos idosos frequentemente possuem uma forma alterada de um gene da apoliproteína E(ApoE), presente algumas vezes em idosos saudáveis, mas em menor proporção. Além disso, eles descobriram que esses idosos possuem uma variante de um outro gene que serviria como um fator protetor contra as placas amiloides presentes no cérebro dos doentes. Uma das linhas de pesquisa desses cientistas é identificar outras variantes genéticas que podem diminuir ou aumentar o risco de Alzheimer. "A genética pode ser relacionada a um certo número de casos", confirma Schutz. "Mas não é determinística."

Em outra linha de pesquisa, os cientistas buscam encontrar biomarcadores, ou procedimentos que podem detectar sinais precoces de Alzheimer por meio de técnicas de emissão de imagens, exames do líquor (líquido que fornece nutrientes para o cérebro) e do sangue. "Essa detecção precoce pode ser possível, mas é necessário mais pesquisas antes que essas técnicas sejam incorporadas à prática médica", afirma o médico Edson Amaro Júnior, coordenador científico do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein.

"Em se tratando de uma doença multifatorial como o Alzheimer, em que as causas incluem uma combinação de genética, fatores ambientais e estilos de vida, esses dados ainda não podem ser avaliados isoladamente", diz o médico. O Hospital Albert Einstein inicia ensaios clínicos com um novo marcador radioativo na tomografia por emissão de pósitrons (PET), que se liga aos depósitos de beta-amiloide encontrados no cérebro. Visível nas imagens produzidas pela tomografia, o marcador fornece um mapeamento da distribuição e quantidade da proteína.

Numerosos estudos nessa linha estão na lista de prioridades do NIA (National Institute on Aging), instituição que lidera as pesquisas sobre Alzheimer nos Estados Unidos. Entre eles, um dos mais promissores visa a aplicação do solanezumab, droga que já vinha sendo utilizada para controlar os sintomas, com resultados relativos. Agora, busca-se avaliar se o medicamento pode funcionar nos primeiros estágios da doença. "Nosso objetivo é entender os muitos fatores que desencadeiam o Alzheimer para desenvolver remédios cada vez mais precisos e personalizados", afirma Laurie Ryan, chefe da Seção de Demências do Envelhecimento do NIA.

"O sucesso no controle da demência, problema mundial de saúde pública, está relacionado à pesquisa envolvendo seu reconhecimento precoce, tratamento e estratégias de prevenção e os mecanismos de ação da doença", resume o médico e professor de psiquiatria geriátrica Kiran Rabheru, da Universidade de Ottawa, um dos mais respeitados especialistas da doença. "Mas não se pode esquecer que envolve também maneiras mais inovadoras de fornecer apoio e cuidados ao doente, redução do estresse dos cuidadores, o estabelecimento de casas de apoio amigáveis e de estruturas comunitárias para o idoso, além de redução do estigma que envolve pacientes frágeis e vulneráveis."

Rabheru diz acreditar que isso só com um plano global contra o Alzheimer e políticas públicas nos países mais afetados. A OMS divulgou entre os países membros o rascunho de uma proposta de enfrentamento da doença a ser votado na assembleia da organização em maio de 2017.




OMS recomenda que casais adiem a gravidez por causa do vírus zika

10/06/2016 - Folha de S.Paulo


Pessoas que moram em áreas onde há circulação do vírus da zika devem considerar adiar a gravidez para evitar que os bebês nasçam com defeitos como a microcefalia, concluiu a OMS(Organização Mundial da Saúde).

A recomendação da entidade afeta milhões de casais em 46 países da América Latina e do Caribe onde ocorre a transmissão do vírus.

Governos de cinco países já lançaram recomendações similares, mas os Centros de Controle e Prevenção de Doença dos EUA decidiram não utilizar essa abordagem considerando que o governo não deveria se intrometer em decisões pessoais como esta.

A OMS afirmou que homens e mulheres em idade reprodutiva que vivem nessas regiões “deveriam ser informados e orientados corretamente sobre considerar adiar a gravidez” e seguir recomendações, incluindo o uso de preservativo.

A diretriz foi lançada originalmente na semana passada, mas só ganhou atenção entre os especialistas nesta quinta (9), quando a organização publicou um esclarecimento distinguindo as pessoas que moram em regiões com o zika e pessoas que visitam esses locais.

Segundo a OMS, parceiros sexuais de mulheres grávidas que vivem nessas áreas ou estiveram nelas devem praticar o sexo seguro ou se abster de relações sexuais pelo menos até o fim da gestação.

Além disso, casais ou mulheres que planejam ter filhos e visitaram regiões com o zika devem esperar pelo menos oito semanas antes de ter relações para garantir que não há mais infecção pelo vírus.




Organização Mundial da Saúde volta a anunciar fim do ebola na Libéria

09/06/2016 - Folha de S.Paulo / Site


A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta quinta-feira (9) que o último surto de ebola na Libéria, único país ainda afetado pela epidemia que devastou parte do oeste da África, chegou ao fim. A declaração da OMS se juntou a anúncio semelhante feito pelo ministério liberiano da Saúde.

"A Libéria voltou a se livrar do Ebola. De acordo com as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), podemos afirmar que nos livramos do ebola", afirmou Sorbor George, diretor de comunicação do ministério da Saúde.

"Acabamos de concluir o período de 42 dias decidido pela OMS, o dobro do tempo de incubação do vírus, desde o segundo teste negativo no último paciente afetado", afirmou.

Sorbor George pediu prudência e recordou que após declarações precedentes do mesmo tipo foram descobertos novos casos ou focos na Libéria, Guiné ou Serra Leoa.

Esta é a quarta vez que o fim do surto de ebola é anunciado na Libéria desde que a doença foi registrada. A primeira vez em que foi declarado o fim da doença foi em 2015, mas logo foram registrados novos casos. A OMS alerta que sobreviventes da doença ainda podem gerar novos casos no país.

Mais de 4.800 pessoas morreram na Libéria por conta da doença. No total, o ebola deixou mais de 11.300 vítimas na África desde 2013.

Os três países vizinhos foram os mais afetados pela epidemia desde seu surgimento, em 2013, no sul da Guiné.




OMS recomenda a casais que adiem planos de gravidez se morarem em áreas com zika

10/06/2016 - O Globo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) está recomendando a casais moradores de países onde já está comprovada a contaminação pelo vírus zika que considerem adiar planos de gravidez. A entidade, no entanto, não estabelece por quanto tempo. Hoje, 46 países da América Latina e do Caribe enfrentam surto ou epidemia de zika.

A OMS também faz recomendações a quem visitou lugares atingidos pela doença. Essas pessoas são aconselhadas a esperar pelo menos oito semanas antes de tentar uma gravidez, para terem certeza de que está excluída qualquer possibilidade de infecção pelo vírus. Já os homens que tiveram sintomas da doença durante a viagem devem esperar seis meses.

As medidas são para evitar o nascimento de bebês com microcefalia. O número de registros de zika explodiu este ano no Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, de 1º de janeiro até 30 de maio, foram notificados 26.579 casos. O mês com maior quantidade — 7.232 — foi fevereiro. Em maio, o número despencou para 702, devido à queda na temperatura (o tempo mais quente facilita a proliferação do mosquito Aedes aegypti).

Em Washington (EUA), o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, afirmou ontem que não vê riscos de haver uma redução no número de turistas no Brasil por causa do zika. Antes de se encontrar com autoridades americanas da área de saúde, ele também disse esperar que, em agosto, quando acontece a Olimpíada do Rio, não ocorram casos da doença na cidade, por causa da temperatura mais amena e do “forte combate” do governo ao Aedes aegypti.

— Teremos forte distribuição de repelentes, tanto para os atletas como para a população. Teremos 450 mil camisinhas distribuídas. Isso é três vezes o distribuído nos Jogos de Londres, em 2012. Nossa expectativa é ter um número de casos da doença muito próximo de zero em agosto.

Ele lembrou que foram realizados 43 eventos-teste com sete mil atletas e nenhum pegou zika ou dengue.

Um estudo feito por um professor da Faculdade de Medicina da USP mostra que o perigo de infecção de turistas pelo zika será realmente baixo durante os Jogos. O número deverá ser de três a cada cem mil. O professor de patologia Eduardo Massad calculou o risco de os visitantes contraírem não só zika como dengue durante sua estada na cidade. De acordo com a pesquisa, no mês de agosto, a chance de uma pessoa ser picada pelo Aedes aegypti é de 3,5%, contra 99,9% no período do carnaval. Segundo Massad, a probabilidade de o mosquito estar infectado pelo vírus também é mínima na época em que serão realizados os Jogos.

— O risco individual de se contrair o vírus da dengue é da ordem de cinco para cada dez mil pessoas. O da zika é de três em cem mil. Se vierem 500 mil pessoas para o Brasil, espera-se que haja 15 casos de infectados por zika e 250, pelo vírus da dengue. Esses são os casos de pessoas infectadas. O número de casos em que a doença se manifesta é ainda menor — diz o professor num vídeo divulgado na internet. “GRÁVIDA NÃO É PARA VIR” Massad comparou os números com os de outras outras estatísticas, em que a probabilidade é parecida. Segundo ele, baseado em dados oficiais, o risco de uma mulher em visita ao Rio ser estuprada é da ordem de 3,5 para cada dez mil. Já a probabilidade de um homem levar um tiro e morrer na cidade é de 3,8 para cada dez mil.

— Se as pessoas decidirem não vir para o Rio (durante os Jogos Olímpicos), será por outras razões que não o vírus zika. E grávida? Grávida não é para vir, e ponto. Porque, de fato, não gostaria de vê-las nesses três a 15 casos — diz ele no vídeo.




Santa Catarina contabiliza 360 casos e 40 mortes por gripe A neste ano

09/06/2016 - Diário Catarinense Online


Até o dia 9 de junho deste ano, Santa Catarina registrou 360 casos de gripe A e 40 mortes por complicações da doença. O relatório da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC), divulgado nesta quinta feira, aponta ainda cinco casos de influenza B, outro subtipo da doença.

As regiões de Blumenau, Joinville e Lages concentram o maior número de hospitalizações pelo vírus influenza. Os municípios que apresentaram o maior número de casos confirmados foram Blumenau (52 casos), seguido por Joinville (37 casos), Lages (29 casos), Florianópolis (17 casos), Tubarão (16 casos) e Criciúma (15 casos).

Do total de casos, 81,1 % tinham algum fator de risco associado, sendo 147 portadores de doença crônica, 74 idosos (maior que 60 anos), 31 obesos, 24 gestantes, 19 crianças menores de dois anos e uma puérpera.

Em relação aos óbitos (41 no total, incluindo uma morte por influenza B), seis eram residentes no município de Blumenau, quatro em Araranguá, três em Guaramirim, São José e Joinville, dois em Brusque, Florianópolis, Balneário Barra do sul e Jaraguá do Sul, e um em cada um dos seguintes municípios: Lages, Sombrio, Garuva, Timbó, Maracajá, Rio do Sul, Mondaí, Praia Grande, Campo Alegre, São Francisco do Sul, Rio dos Cedros, São Martinho, Orleans e Penha. Além disso, 85,4% tinham algum fator de risco associado (doentes crônicos, obesos, idosos).

Clipping de Notícias - 06/06/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 06/06/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Tomar remédios para tireoide com objetivo de emagrecer causa riscos

03/06/2016 - G1 - Jornal Hoje


Uma campanha da Sociedade Brasileira de Endocrinologia alerta para os riscos de tomar remédio indicado para tireoide com o objetivo de emagrecer. O uso inadequado pode trazer graves consequências.

Há um ano, a professora Corine Letícia pesava 80 quilos, 30 a mais do que hoje. Ela achava que o excesso de peso era só excesso de gula. Só depois de procurar um médico, ela descobriu que tinha hipotireoidismo: “Não sabia, eu achava que na minha idade se engordava porque não se fazia academia, não fazia nada”.

Hipotireoidismo é provocado quando a glândula da tireoide tá produzindo menos hormônios do que deveria. Os sintomas são cansaço, fraqueza muscular, queda de cabelo e ganho de peso.

O tratamento é feito com dieta, medicamentos e acompanhamento de um especialista.

Alguns remédios são eficazes contra o hipotireoidismo, mas os endocrinologistas fazem um alerta: tem gente usando sem prescrição médica para emagrecer. Além de pouco eficiente, isso é muito perigoso.

"Se você usar esse medicamento por muito tempo e, em uma dosagem muito alta, a sua tireoide vai interpretar que não precisa mais trabalhar e aí você pode acabar, depois disso, necessitando de realmente precisar tomar o remédio para não ter hipotireoidismo. Você vai criar um problema", explica endocrinologista Francisco Tostes.

A designer gráfica Camila Filippo tomava remédios para tireoide por conta própria: "Tomava dois, três, quatro, teve dias que eu tomava três e achava que não estava fazendo efeito".

Mas ela começou a sentir os efeitos colaterais, teve palpitação, dores no corpo e ânsia de vômito. “Quando fui ao médico, ele falou que eu ia morrer. Eu fiquei assustada, foi aí que eu tomei juízo e resolvi seguir tudo o que ele estava falando".

"Você pode ter arritmia cardíaca, perda de massa óssea e eventos no cérebro, vasculares também, como AVC. Isso é bastante possível", alerta o endocrinologista.




Diferença de preços entre remédios genéricos chega a 1.200% em SP.

03/06/2016 - G1 - Bom dia Brasil


A diferença de preço de remédios genéricos pode passar de 1.200% e olha que os genéricos foram criados para serem mais baratos que os de marca. O problema é que a diferença agora está entre os próprios genéricos.

Os pesquisadores do Procon, aliás, imaginavam que iriam encontrar diferença de preço entre genéricos em diferentes farmácias, mas o percentual é assustador. Especialmente em uma época de dinheiro curto, o negócio é pesquisar mesmo e não comprar logo de cara o primeiro só porque é muito mais barato que o de marca.

A pesquisa mostrou que os genéricos são em média 57% mais baratos que os remédios de marca, mas ainda assim, se você vai comprar remédio, mesmo que seja o genérico, cuidado para não jogar dinheiro fora.

As diferenças de preços são absurdas. O valor que você paga, por exemplo, em uma caixinha de anti-inflamatório dá para comprar 13 caixas do mesmo medicamento em uma outra farmácia. Vai depender da pesquisa que você fizer.

Esse é o caso do genérico Nimesulida. O mais barato sai por R$ 1,77 em uma farmácia de São Paulo e o mais caro custa R$ 23,03 em outra farmácia da capital. A diferença de preço é impressionante: 1.201%.

“É um absurdo e verdadeira, porque eu sou prova disso, porque a gente consulta preços e fica horrorizada de ver a diferença, realmente de um preço para o outro”, afirma a dona de casa Patrícia Fregonezi.

O preço da amoxilina, um antibiótico, vai de R$ 15,47 até R$ 69,36. A diferença é de 348%.

Diante de variações tão grandes, o Procon diz que o consumidor deve fazer uma pesquisa criteriosa antes de comprar.

“Colocamos no site do Procon à disposição do consumidor para que ele possa pesquisar. A orientação do Procon é que o consumidor pesquise sempre. Seja entre as farmácias, seja no órgão de defesa do consumidor, no caso o Procon, ou no próprio site da Anvisa”, afirma o diretor executivo do Procon-SP, Carlos Alberto Estracine.




Cristália investe em insumo inédito

06/06/2016 - Valor Econômico


Com investimento de R$ 120 milhões, o laboratório Cristália desenvolveu o primeiro insumo farmacêutico (IFA, na sigla da indústria) biológico obtido a partir da biodiversidade brasileira, uma colagenase produzida em meio de cultura vegetal. A colagenase, enzima cujo consumo doméstico era integralmente atendido por importações antes do projeto do Cristália, é usada na fabricação de pomadas para tratamento de queimaduras e feridas.

Por ser um isolador de células e ter elevado teor de pureza, a nova enzima pode ser utilizada ainda na separação de células-tronco. De acordo com o presidente do laboratório, Ogari de Castro Pacheco, por causa dessa característica, o insumo chegará ao mercado também na forma de reagente para laboratórios.

A colagenase do Cristália já tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e será apresentado hoje na BIO International Convention, importante evento mundial de biotecnologia que neste ano acontece em São Francisco, nos Estados Unidos. "A produção já foi iniciada e, agora, abre-se uma perspectiva mercadológica", afirma Pacheco.

A principal diferença da colagenase brasileira para a importada está no meio de cultura do produto biológico: enquanto a do Cristália utiliza uma cepa descoberta no solo de uma propriedade rural em Espírito Santo do Pinhal (SP), a importada é desenvolvida em meio de cultura com proteína animal, que oferece risco de transmissão da doença da vaca louca.

No mercado brasileiro de colagenase, a participação do laboratório está perto de 65% atualmente. Com o novo insumo, a expectativa é a de que essa fatia suba a cerca de 80%, com economia de US$ 10 milhões gerada pela substituição do insumo importado. Para produzir a colagenase, o Cristália construiu uma fábrica dedicada, instalada em seu complexo industrial de Itapira (SP), que já foi dimensionada para produzir o equivalente a até quatro vezes o consumo nacional.

Com isso, a farmacêutica está apta a ampliar exportações, que hoje representam 7% do faturamento - de R$ 1,7 bilhão no ano passado. A meta é dobrar a participação das vendas externas em 2017 e alcançar 15%. Para 2016, comentou Pacheco, a previsão do laboratório é de expansão de 6% do faturamento consolidado. Até agora, o laboratório vai melhor do que o inicialmente esperado e está 10% acima desse orçamento.




Farmacêuticas terão mais prazo para atender exigências da rastreabilidade

06/06/2016 - DCI


São Paulo - O prazo final para implantação do sistema de rastreabilidade de medicamentos no País, previsto para dezembro, pode ser prorrogado para 2019, dizem representantes do setor farmacêutico.

Um projeto de lei do Senado (PLS) - que altera a Lei 11.903/2009 sobre o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) - que tramita no Congresso Nacional pode postergar a data-limite para que todos os fármacos disponíveis no mercado contenham um código. O mecanismo será capaz de identificar o caminho percorrido pelo produto até chegar no consumidor final.

Paralelamente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pediu revisão do relatório que discute a atual regulamentação, que deverá passar por consulta pública nos próximos meses, disse o diretor-presidente do órgão, Jarbas Barbosa.

Ele considera o prazo inicial curto para as adaptações necessárias. "Vamos discutir melhorias. Temos de considerar os eventuais problemas técnicos, os ajustes e o impacto financeiro dessa mudança. Temos de pensar em mecanismos que garantam o processo sem um custo extraordinário", observa.

Barbosa cita o exemplo dos Estados Unidos, que estimou em 10 anos o processo de implantação da rastreabilidade.

"Não dava para cumprir essa primeira previsão porque estamos falando de um processo complexo. Além da indústria, estão envolvidos cerca de 240 mil pontos de distribuição entre farmácias e centros médicos. Por isso vimos a necessidade de reavaliar alguns pontos desse projeto e faremos isso com todos os envolvidos", afirma.

A falta de definição também dificulta os investimentos de distribuidores, segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), Geraldo Monteiro. "Sem saber quais os parâmetros e novas regras fica muito difícil pensar em investir, falta segurança. Está todo mundo aguardando, mas faremos tudo no tempo exigido."

Na avaliação dele, a tarefa das distribuidoras será mais simples e barata. "Com os laboratórios adequados faremos nossa parte. Para quem distribui o impacto operacional não é alto. O gasto gira em torno de R$ 1 milhão", calcula.

A implantação da rastreabilidade dos medicamentos deve custar R$ 1,35 bilhão para os laboratórios, projeta o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma).

"Sem as definições da Anvisa e da tramitação [do PLS} ninguém vai fazer investimentos, por isso a necessidade de prazos mais compatíveis", ressaltou o presidente do Sindusfarma, Nelson Mussolini.

O dirigente acredita que a prorrogação em quase três anos para implantação do sistema de rastreabilidade é mais realista e garante um tempo necessário para ajustes.

"Com as regras anteriores estava praticamente impossível. A maioria das empresas não tem condição de fazer tudo neste tempo. A nova perspectiva é coerente", avalia.

O diretor executivo de logística da Janssen, José Ochoa, conta que o processo será finalizado até dezembro na empresa farmacêutica da Johnson & Johnson. "Estamos adequando linhas de produção restantes e ajustando nosso sistema. É uma finalização de execução".


NO PONTO


A brasileira Aché parece estar preparada. "Adquirimos 25 novas linhas de produção e três já estão completamente prontas para a serialização dos cartuchos. Mas a cadeia inteira não é capaz de se desenvolver na mesma velocidade", disse o gerente de sistemas de informação da Aché, Leandro Roldão.

Segundo ele, a farmacêutica investiu cerca de R$ 40 milhões e ainda pode calcula um aporte adicional de R$ 15 milhões na implantação da rastreabilidade. "Ainda precisamos analisar o conjunto em funcionamento para corrigir erros e garantir o processo de ponta a ponta, as pendências são pequenas adequações. Mas não sabemos quando isso acontecerá e quais os prazos."

Já a Libbs, que em 2014 foi a primeira a produzir um lote de medicamentos rastreáveis, investiu R$ 12 milhões em dez linhas de produção, de acordo com o presidente do grupo, Alcebíades de Mendonça, revela um investimento total.

"Tudo isso pode ser feito em três ou quatro anos. O prazo que tivemos foi mais do que suficiente para implantação, é mais do que possível que tudo funcione em mais três anos", disse ao DCI o executivo.




Plantão Médico: Um importante rótulo para alérgicos

04/06/2016 - Folha de S.Paulo


Pessoas que podem consumir inadvertidamente alimentos com substâncias alergênicas e sofrer graves reações terão esse problema amenizado a partir do dia 3 de julho.

Uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tornou obrigatória a rotulagem, nos alimentos processados e bebidas com seus aditivos, de ingredientes que provocam alergias.

Segundo o movimento "Põe no rótulo", formado por familiares de alérgicos, as indústrias alimentícias haviam solicitado adiamento da resolução, determinada no ano passado com prazo de 12 meses, para adequação da medida. Na quarta-feira, dia 1º, a Anvisa não concedeu a prorrogação solicitada.

É frequente a confusão entre intolerância alimentar –que é ocorre pela deficiência de enzimas, como é o caso da intolerância à lactose– com a alergia alimentar. A alergia alimentar é uma resposta imunológica a um alérgeno do alimento, que pode provocar urticária em adultos, dermatite atópica em crianças ou até um fatal edema de glote.

Pela RDC 26/15 (Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa), os principais alimentos que causam alergias alimentares e que devem constar nos rótulos dos produtos embalados a partir do dia 3 de julho são os seguintes: trigo, centeio, cevada, aveia, crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leites de todas as espécies de mamíferos, amêndoa, avelã, castanha-de-caju, castanha-do-pará, macadâmia, nozes, pecã, pistache, pinoli, castanhas e látex natural.

DOCE REMÉDIO

06/06/2016 - IstoÉ Dinheiro


O executivo Eder Maffissoni passou por quase todas as áreas do laboratório paranaense Prati-Donaduzzi até chegar à presidência da empresa no começo deste ano. Ele comanda uma companhia que faturou R$ 830 milhões, em 2015, e conta com capacidade de produção de 16 bilhões de pílulas. Ele contou seus planos à coluna:


ESTRATÉGIA


Até 2010, as receitas do laboratório, que fabrica mais de 400 remédios, entre eles paracetamol e omeprazol, vinham exclusivamente dos contratos com o governo. “Fornecíamos toda a produção para os hospitais e postos de saúde da rede pública. Mas, estrategicamente falando, não é bom depender de um único canal”, diz Maffissoni. Hoje, 60% das vendas vêm do varejo e a ideia é intensificar a presença em mais de 75 mil farmácias do País. “Estamos agora com uma campanha com o doutor Drauzio Varella para fortalecer a imagem dos genéricos.”


PARA O EXTERIOR


O próximo passo do Prati-Donaduzzi, cuja meta é alcançar o faturamento de R$ 1 bilhão neste ano, é começar a vender medicamentos nos Estados Unidos. O debut no mercado americano será neste ano, quando passará a comercializar um polivitaminico com uma marca desenvolvida especificamente para isso. O executivo não revela detalhes da operação, mas anuncia que já fechou acordo com a principal rede de farmácias do Texas, o primeiro estado a receber o produto.


INVESTIMENTOS


O Prati-Donaduzzi inaugurou, no mês passado, uma nova linha de produção que aumentou sua capacidade para 16 bilhões de pílulas. O investimento total chegou a R$ 150 milhões. “O mercado brasileiro consome 32 bilhões de doses terapêuticas genéricas por ano”, diz Maffissoni. “No ano passado, produzimos 11 bilhões e, com a nova fábrica, vamos aumentar a nossa fatia.”




ANS aprova reajuste anual de 13,57%

04/06/2016 - O Estado de S.Paulo


A Agência Nacional de Saúde Suplementar( ANS)autorizou reajuste de até 13,57% para os planos de saúde médico hospitalares individuais e familiares no período entre maio de 2016 e abril de 2017.O reajuste é igual ao autorizado em 2015 e só pode ser repassado pelas operadoras aos clientes a partir da data de aniversário dos contratos.

O porcentual é válido para os planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei 9.656/98.Segundo a agência, o reajuste atingirá cerca de 8,3 milhões de beneficiários – 17% do total no País.

A metodologia usada pela ANS, estabelecida em 2001,considera a média dos porcentuais de reajuste aplicados pelas operadoras.

O setor pedia reajuste de 17% a 20%.

Para a Proteste, “os 13,57% vão pesar no orçamento no atual cenário de crise” e “superam a inflação do período, que atingiu 11,09%”. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge)considerou o reajuste “necessário para viabilizar a continuidade do atendimento das empresas”.


SUSPENSOS


A ANS também divulgou ontem a lista de planos de saúde que terão a comercialização suspensa no dia 10, por reclamações relativas à cobertura assistencial, como negativa e demora no atendimento. Oito operadoras terão de paralisar por pelo menos três meses a venda de 35 planos de saúde.




Tecnologia barateia aparelhos auditivos

05/06/2016 - Folha de S.Paulo


Na convenção Audiology Now!, visitantes podiam se sentar ao lado de ventiladores elétricos para experimentar um novo aparelho auditivo capaz de eliminar o ruído do vento. Também podiam experimentar óculos para ir a uma festa de realidade virtual e perceber como a nova tecnologia facilita escutar as conversas ao seu redor.

No entanto, a maior novidade está acontecendo fora do salão de convenções especializadas.

A indústria de eletrônicos está invadindo o setor de aparelhos auditivos, oferecendo produtos mais baratos e acessíveis, sem a mediação de audiólogos ou profissionais de saúde. Isso está forçando uma revisão de todo o setor voltado à perda auditiva.

Fabricantes dizem que tratar a perda de audição é complexo demais para que consumidores possam comprar produtos sem supervisão médica. Hoje, aparelhos auditivos custam cerca de US$ 2.400 cada um nos EUA, e aproximadamente 3,1 milhões deles foram vendidos no país só em 2014.

As pressões do mercado já estão reduzindo os custos. A loja de descontos Costco vende aparelhos auditivos por preços menores do que os normalmente cobrados por profissionais de saúde.Há também um movimento para que aparelhos para perda auditiva relacionada à idade sejam vendidos em farmácias.

É aí que a nova leva de produtos entra no jogo. Alguns amplificadores de som existem há anos, mas hoje estão crescendo em sofisticação, aproveitando os chips de processamento de sinal desenvolvidos para telefones, fones de ouvido bluetooth e computadores.

Os dispositivos incluem o Smart Listening System, da Soundhawk (US$ 400 para cada ouvido);o Bean, da Etymotic Research (US$ 300); e o CS50 , da Sound World Solutions (US$350).

Outros, como a gigante dos telefones Samsung, estariam entrando no campo. A ajuda à audição também será acrescentada a diversos produtos, às vezes chamados de “ouvíveis”, que os consumidores já usam para escutar música, conversar ao telefone e até acompanhar atividade física.

Os aparelhos conhecidos como produtos de aplicação sonora pessoal,ou PSAPs na sigla em inglês, são para pessoas com audição normal que precisam de reforço em certas situações, como avistar pássaros ou caçar.No entanto, IraDolish,81, do Texas, disseque, quando começou a ter dificuldade de audição, comprou o Soundhawk.

“Estou satisfeito”,diz.

Segundo fabricantes de aparelhos voltados à saúde auditiva, os consumidores não têm capacidade de diagnosticar e tratar a perda de audição sozinhos e podem não identificar doenças sérias.

Eles afirmam que seus aparelhos são feitos sob medida para cada indivíduo, amplificando frequências diferentes em quantidades diferentes, uma precisão que geralmente não está disponível nos PSAPs. “Amplificar o som não é corrigir a perda auditiva”, disse Jeffrey Geigel, presidente da divisão americana da Widex.

Scott Davis, presidente da Associação de Indústrias da Audição, que representa os fabricantes, disse que dois terços do preço dos aparelhos auditivos são pelo serviço, incluindo a avaliação do paciente, aconselhamento e ajustes durante a vida do produto.

Frank Lin, professor de otorrinolaringologia na Universidade Johns Hopkins, em Maryland, avaliou os PSAPs e disse que alguns mais baratos podem amplificar demais o som. “Alguns podem até mesmo ser perigosos”, declarou. Mas outros, disse, estão sendo criados por pessoas da indústria de aparelhos auditivos e são “muito bons”.

No entanto, alguns audiólogos, como Lynn Firestone,de Connecticut, estão oferecendo PSAPs a clientes que não querem ou não podem pagar por aparelhos auditivos.

“Acho que temos de mudar e aceitar opções adicionais para os pacientes”, disse ela.




Injeção de células-tronco ameniza sequelas do AVC

04/06/2016 - Correio Braziliense


Vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) recuperaram a capacidade de andar e falar, além de retomarem a rotina, após serem submetidas a um processo que exige apenas anestesia local e uma única noite no hospital. A técnica promissora foi detalhada na revista Stroke por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Eles injetaram células-tronco adultas no cérebro dos participantes. O tratamento mostrou-se seguro e beneficiou os pacientes por mais de dois anos, informam os autores.

Todos os 18 voluntários tinham sofrido um AVC entre seis meses e três anos antes da intervenção. Até aquele ponto, a recuperação estava estagnada neles. “Nós achávamos que os circuitos cerebrais afetados pelo derrame estavam mortos”, conta Gary Steinberg, coautor da pesquisa. “Agora, sabemos que devemos repensar isso. Eu acho, pessoalmente, que os circuitos estão inibidos, não mortos. Nosso tratamento pode ajudar a desinibi-los”, diz o neurocirurgião de Stanford que conduziu 12 dos 18 procedimentos.

Os participantes, com idade entre 33 e 75 anos, tiveram aumento de 11,4 pontos em um teste de mobilidade cuja pontuação máxima, 100, indica aptidão plena. As melhoras mais consideráveis foram na força, na coordenação, na habilidade de andar, de usar as mãos e de se comunicar. “Uma mulher de 71 anos que apenas movia o dedão esquerdo no início do teste consegue, hoje, andar e levantar seu braço acima da cabeça”, relata Steinberg.

Financiado pela empresa SanBio, o teste clínico de Stanford é o segundo a avaliar se injeções de células-tronco podem amenizar sequelas do AVC. Os participantes da primeira investigação, conduzida pela empresa ReNeuron, apresentaram benefícios semelhantes por até um ano após a intervenção. A diferença é que, em vez de células-tronco adultas, a ReNeuron optou por células extraídas do cérebro de fetos abortados.


NOVAS CONEXÕES


Sob efeito de anestesia local, os participantes do estudo mais recente permaneceram conscientes enquanto os cientistas perfuraram um pequeno buraco no crânio deles. Pela abertura, os médicos injetaram de 2,5 milhões a 10 milhões de células-tronco, chamadas SB623, nas regiões mais afetadas pelo derrame — no caso, as responsáveis pelas funções motoras. Retiradas da médula óssea de dois doadores saudáveis, as células foram modificadas para expressar o gene Notch1, envolvido no desenvolvimento cerebral de crianças.

Experimentos anteriores mostraram que as células alteradas desaparecem do organismo do paciente dentro um mês, mas não antes de secretarem diversos fatores de crescimento que constroem conexões entre células cerebrais e embriões de novos vasos sanguíneos que nutrirão os tecidos do órgão. “Nós achamos que as células alteram o cérebro adulto, que fica mais parecido com o de um bebê e se autorrepara muito bem”, diz Steinberg.

“Os fatores de crescimento também alteram o sistema imunológico para diminuir a inflamação que obstrui a reparação”, completa o autor. Liberados um dia após a intervenção, os pacientes não sofreram efeitos colaterais graves. No entanto, 78% relataram enjoo e dor de cabeça passageiros. Todos foram monitorados com exames de sangue, imagem do cérebro e testes clínicos, que revelaram melhoras duradouras meses após a cirurgia.


USO CLÍNICO


A empresa ReNeuron planeja um segundo experimento, enquanto a SanBio prepara-se para ampliar o teste, com 156 pacientes. Para Fausto Stauffer, cardiologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a aplicação clínica do uso de células-tronco para amenizar sequelas do derrame não está tão próxima. “Estudos maiores são realmente necessários, pois essa primeira etapa serviu apenas para constatar a segurança do tratamento. As próximas pesquisas ainda servirão para confirmar a segurança do procedimento e, só depois, virão aqueles que mostrarão, objetivamente, os benefícios aos pacientes”, explica o médico, que não participou do estudo.

Stauffer completa ressaltando que, depois dessa etapa, serão necessárias as aprovações por parte dos órgãos reguladores. “O FDA (Food and Drug Administration), nos Estados Unidos; a EMA (Agência Europeia de Medicamentos); e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), no Brasil”, detalha. Ele acredita que, se aprovados comercialmente, os tratamentos custarão caro. “Serão procedimentos de alto custo, com certeza. É preciso lembrar que precisaremos de células, o que não é barato, além de todo o aparato tecnológico para essa injeção celular. Sem falar na capacitação de médicos: intervenções no coração são mais simples, mas, no cérebro, as condições são muito mais delicadas”, diz.

Neurocirurgião do Hospital Santa Luzia, em Brasília, Mauro Suzuki completa que pesquisas sobre o uso de células-tronco não são, necessariamente, uma novidade. Existem, atualmente, 30 outros testes do tipo em andamento. “Mas o fato de haver alguns estudos sobre isso não significa que, do ponto de vista prático, os achados não sejam uma grande novidade tanto para médicos quanto para pacientes”, avalia Suzuki.

O pesquisador Gary Steinberg acredita que os resultados podem revolucionar o conceito do que acontece com o cérebro não somente após um derrame, mas também depois de lesões de traumas cerebrais e doenças neurodegenerativas. “A noção que temos é de que, uma vez lesionado, o cérebro não se recupera mais. Mas, se conseguirmos descobrir como regenerar os circuitos cerebrais, podemos mudar todo o cenário”, diz o coautor do estudo . (IO)


PALAVRA DE ESPECIALISTA

Terapias limitadas

“Cerca de 80% dos AVCs são isquêmicos (AVCI), que é quando ocorre o entupimento dos vasos. O segundo tipo, o hemorrágico, se dá quando há sangramento no cérebro. A cirurgia, para esses casos menos frequentes, ajuda a diminuir o hematoma e remover o sangramento. Mas, no AVCI, ela só tem um papel: descomprimir o crânio a partir da remoção da calota, o que impedirá que o paciente desenvolva mais sequelas em função do inchaço no cérebro. Isso, contudo, só é viável quando a pessoa sofreu o derrame há pouco tempo. Depende também do tamanho da lesão. Principalmente no AVCI, tempo é tudo. A tendência é que mais estudos com células-tronco ocorram e que, no futuro, ela seja uma opção. No entanto, já que não existem tratamentos formidáveis para reverter a sequela, o mais importante é prevenir o AVC ficando longe do tabaco e controlando hipertensão e obesidade.”

Mauro Suzuki,
neurocirurgião do Hospital Santa Luzia, em Brasília




O hormônio da juventude

06/06/2016 - IstoÉ


Atrasar o envelhecimento do organismo integra a lista das prioridades da humanidade. Na semana passada, cientistas deram mais um passo para a conquista desse sonho. Em um artigo publicado no The New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, um grupo de pesquisadores anunciou que, pela primeira vez, provou-se em humanos que o uso de um hormônio reverte o envelhecimento celular. A conclusão abre uma nova perspectiva para a prevenção e o tratamento de doenças resultantes do desgaste do corpo ocorrido com o passar dos anos, como o câncer, o infarto e o Alzheimer. As pessoas poderão ser beneficiadas com os resultados dessas pesquisas em quatro anos.

O feito marca um divisor de águas na história pela busca de soluções que atenuem os prejuízos do envelhecimento. É certo que o processo é complexo, mas há tempos a ciência sabia que uma de suas peças-chave são os telômeros. Trata-se de estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos (onde está o DNA) e que têm como função proteger a integridade dos genes durante a multiplicação das células. O problema é que, com o avanço da idade, eles ficam cada vez mais curtos e, as células, mais desprotegidas. Em último grau, o fenômeno leva à morte celular. Portanto, estava claro que evitar seu encurtamento era uma estratégia a ser seguida. Para isso, os cientistas usaram a testosterona, hormônio responsável por características masculinas, sobre o qual havia evidências de que atuaria contra o encurtamento. Ela age sobre a telomerase, enzima reparadora dos telômeros.

O trabalho teve a participação dos médicos brasileiros Philip Scheinberg e Rodrigo Calado durante os anos em que passaram no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, uma das principais instituições fomentadoras de estudos no mundo e onde a pesquisa foi conduzida. Scheinberg, um dos líderes do projeto, hoje é coordenador do serviço de hematologia do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, em São Paulo, e Calado dá aula na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto.

Foram recrutados 27 pacientes. Eles tinham alterações genéticas que provocam um encurtamento acelerado dos telômeros, problema que eleva a incidência de fibrose pulmonar, cirrose hepática e anemia aplástica (a medula óssea perde a capacidade de produzir células sanguíneas). “Após dois anos, o resultado surpreendeu a todos”, conta o hematologista Scheinberg. Em doze dos 27 participantes registrou-se uma redução na taxa de encurtamento dos telômeros. Ótimo. Mais do que isso, porém, em onze dos doze pacientes os telômeros haviam se alongado. “Esperávamos diminuir o encurtamento, mas vimos que, além disso, os telômeros ficaram mais longos”, diz o médico.

Na última semana, Scheinberg e Calado foram procurados por cientistas do mundo todo interessados em conhecer mais sobre o trabalho. A possibilidade de aumentar a proteção aos telômeros semeia expectativas muito positivas na maioria das áreas médicas. Indivíduos com redução acelerada dessas estruturas, por exemplo, têm duzentas vezes mais chance de desenvolverem leucemia e risco 1,2 mil vezes maior de manifestarem tumores de cabeça e pescoço.

Em Ribeirão Preto, Calado conduz agora outra etapa da pesquisa. Doze pacientes foram recrutados – o objetivo é chegar a vinte – e serão acompanhados nos próximos dois anos. O médico quer avaliar os efeitos de uma medicação injetável, em vez da oral usada com os pacientes americanos. “Pesquisamos se a versão injetável do hormônio pode ser mais bem tolerada, reduzindo a incidência de efeitos colaterais como náuseas e comprometimento hepático que podem ocorrer com a utilização da versão oral”, afirma.

Por sua importância no intrincado quebra-cabeça do que leva à longevidade, os telômeros são hoje um dos principais alvos da pesquisa antienvelhecimento. No Centro Nacional de Investigações Oncológicas, na Espanha, trabalha um dos mais respeitados grupos de estudo sobre o tema, sob a coordenação da pesquisadora Maria Blasco. Investigações feitas em animais pela equipe demonstraram que a estrutura pode ser alongada por meio de terapia genética. Pela estratégia, o gene que determina a fabricação da telomerase – a enzima reparadora dos telômeros – é inserido nas células. “Os animais submetidos à terapia mostraram maior preservação dos telômeros ao longo do tempo, menos danos ao DNA e um atraso importante na manifestação de doenças relacionadas ao envelhecimento”, disse Maria à ISTOÉ. “A terapia que criamos permitiu que as cobaias vivessem 40% mais do que as demais.”

Seu papel protetor ficou evidenciado ainda na pesquisa do colombiano Diego Forero, da Universidade Antonio Nariño, em Bogotá. Ele comparou o comprimento da estrutura em pessoas com e sem a doença de Alzheimer. “Nos indivíduos saudáveis, eles são mais longos, mostrando que ajudam a proteger os neurônios”, afirmou. Na Itália, a cientista Lucia Carulli, da Universidade de Modena, descobriu uma maneira simples de ajudar a preservar os telômeros: a perda de peso. Depois de analisar 42 obesos, ela concluiu que quanto maior o emagrecimento, mais longas as estruturas. “A obesidade pode acelerar o envelhecimento e um dos mecanismos que leva a isso é o encurtamento dos telômeros que ela promove”, disse a pesquisadora.

Os esforços certamente resultarão em alternativas importantes. “Estamos desenvolvendo tecnologias que tornarão possível, dentro de trinta anos, retroceder nossos relógios biológicos, dando início a um processo de rejuvescimento”, disse à ISTOÉ o cientista Aubrey de Grey, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e criador da Fundação SENS, instituição americana que busca tecnologias para prolongar o tempo de vida humano, mas com qualidade. “Queremos que as pessoas parem de morrer por doenças relacionadas à idade.”

Processos quintuplicaram no Estado em 5 anos

04/06/2016 - O Estado de S.Paulo


Em cinco anos, o número de ações judiciais contra planos de saúde quintuplicou em São Paulo, segundo o estudo da FMUSP. Ao levantar todos os processos contra operadoras no Estado, os pesquisadores verificaram que o número de ações julgadas em segunda instância passou de 2.294, em 2010, para 11.480 em 2015, alta de 400%. A alta foi muito superior ao índice de crescimento de clientes de planos de saúde no Estado. No mesmo período, passou de 17,3 milhões para 18,3 milhões o número de beneficiários, avanço de 5%.

Coordenador do estudo, o professor da FMUSP Mário Scheffer afirma que o excesso de processos contra planos mostra a fragilidade do sistema de saúde privado no respeito aos direitos do consumidor. “É um sinal de continuidade de práticas abusivas por parte das empresas.” Para o especialista, deveria haver um diálogo maior entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar e o Judiciário. “Seria importante aprimorar a atividade regulatória ao aproximá-la um pouco da interpretação da Justiça. Se a maioria das decisões dá ganho de causa para o consumidor, a ANS tem de estar atenta a isso”, afirma.

Sobre o excesso de ações, principalmente entre idosos, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) diz que aguardará a publicação do estudo para entender a metodologia e diz que os beneficiários maiores de 59 anos fazem mais 40,1% de consultas, 76,8% de exames, 96,7% de internações e 110,1% de terapias do que as demais faixas etárias.




Decisões judiciais elevam custo de cirurgias e congestionam UTIs

05/06/2016 - Folha de S.Paulo


Os gestores públicos se queixam de que a crescente judicialização atrapalha o planejamento das políticas.

Segundo Humberto Fonseca, secretário de Estado da Saúde do Distrito Federal, o preço de produtos tende a ficar, por exemplo, mais alto.

Uma prótese que normalmente é comprada a R$ 20 mil pode chegar a R$ 80 mil para atender à urgência da demanda judicial.

"Isso prejudica todo o nosso planejamento em saúde. Para fazer cumprir esses mandatos, deixamos de atender outras prioridades", diz.

No Distrito Federal, em 2015, a Secretaria de Saúde recebeu 1.711 mandados judiciais para vaga em leito de terapia intensiva e 824 para cirurgias e outros procedimentos. Segundo Fonseca, na maioria dos casos de cirurgias judicializadas, não há risco iminente de morte.

No Estado de São Paulo, entre as demandas atendidas por força da lei, há desde cirurgias cardíacas e de redução de estômago a decisões (quatro no total) que determinam a inscrição de pacientes na lista de transplantes sem a avaliação de equipe médica especializada, o que fere uma política nacional em vigor há 20 anos.

Em relação às cirurgias cardíacas infantis, por exemplo, há hoje 2.500 crianças na fila de espera –metade de outros Estados. Os serviços de saúde do Estado têm condições de atender 1.250 por ano.

"É uma cirurgia complexa, não há cirurgiões-cardiologistas infantis suficientes e são poucos os hospitais que oferecem", diz David Uip, secretário de Saúde.

Segundo ele, a forma como as liminares são cumpridas pode trazer mais prejuízos do que benefícios: "Não sabemos se a criança tem realmente indicação para a cirurgia naquele momento, se a transferência de um hospital para o outro não aumenta o risco de morte".




Superbactérias

04/06/2016 - Folha de S.Paulo


Há décadas infectologistas alertam para o risco representado pelas bactérias resistentes a antibióticos. Algumas delas já são problema grave em UTIs do mundo inteiro.

A OMS estima que os supermicróbios (vírus, fungos e protozoários também desenvolvem imunidade) respondam por vários milhões de mortes anuais. E o viés é de alta.

Para piorar o problema, cientistas norte-americanos acabam de identificar um caso de E. coli insuscetível à colistina numa mulher que padecia de infecção urinária.

Não se trata de apenas mais um caso ordinário. Os pesquisadores constataram que o gene que confere resistência à colistina (antibiótico conhecido como polimixina E) não estava localizado no DNA cromossômico, como de costume, mas num plasmídeo —pequena molécula circular de DNA que fica largada no interior da célula.

Pode parecer mero detalhe técnico, mas faz toda a diferença. Plasmídeos se reproduzem independentemente do DNA cromossômico —e bactérias trocam plasmídeos umas com as outras.

Isso faz com que seja questão de tempo até que o gene da resistência se dissemine pelas populações de bactérias.

A colistina já é uma espécie de droga de último recurso. Embora tenha sido desenvolvida em 1949, ficou muito tempo sem ser utilizada por humanos, pois afetam os rins. À medida, porém, que as bactérias foram aprendendo a evitar antibióticos mais comuns, ela voltou a ser usada em casos especiais.

Como esse remédio nunca deixou de ser empregado na veterinária, o mais provável é que o gene da resistência tenha se desenvolvido entre animais e, depois, atravessou a barreira das espécies.

As medidas para tentar conter a proliferação de superbactérias são conhecidas, mas nem por isso de fácil implementação. A mais óbvia é a utilização judiciosa de antibióticos, evitando principalmente seu uso para finalidades não médicas, como acelerar o crescimento dos rebanhos animais.

O ideal seria aprovar tratados internacionais a fim de disciplinar o uso desses fármacos e reservar alguns para situações extremas, segundo protocolos bem definidos.

Governos também deveriam investir mais na pesquisa de novas classes de antibióticos —as indústrias privadas se desinteressaram desse filão que, embora vital, não proporciona grandes lucros.

O lamentável, porém, é que essas medidas dificilmente avançarão sem que recebam o nefasto impulso de uma grande crise sanitária.




Sites de buscas ajudam a mapear doenças

04/06/2016 - Folha de S.Paulo


Toda vez que uma pessoa faz uma pesquisa na internet, acessa um site de rede social, ou simplesmente usa seu celular, uma ou mais informações eletrônicas são geradas.

Essa avalanche de dados faz muita gente temer pela sua privacidade; "Big Brother", o "Grande Irmão" criado pelo escritor inglês George Orwell no romance "1984", "está de olho em você".

Mas há um lado positivo no uso xereta desses "grandes dados" ("big data") que se tornou uma nova linha de pesquisa em saúde pública: a epidemiologia digital, o uso de informações eletrônicas para mapear surtos e epidemias de doenças infecciosas, ou mesmo ajudar a diagnosticá-las e tratá-las.

Três exemplos vêm de estudos bem recentes sobre Aids, cólera e catapora, três doenças infecciosas com modos de transmissão distintos, mas que deixam pistas eletrônicas se o cientista-detetive achar um método para identificá-las.

Um estudo com dados do site Google Trends permitiu descobrir o número de pessoas interessadas em informações sobre catapora. Dados de 11 anos de pesquisas de 36 países, incluindo o Brasil, se correlacionaram com o aumento de casos regionais e sazonais da doença.

"Estudos de transmissão de doenças a nível global e o sucesso das intervenções são limitados pela disponibilidade de dados. Vigilância da doença é um grande obstáculo no esforço global para melhorar a saúde pública e é dificultada pela subnotificação e barreiras linguísticas", escreveram os autores na revista científica "PNAS".

Para eles, a "epidemiologia digital" é um instrumento de fácil acesso que pode ser usado para complementar a vigilância tradicional de doenças. "E pode ser a única fonte de dados prontamente disponível para o estudo de doenças de transmissão sazonal não notificáveis em certos casos", adicionam.

A tecnologia também pode ajudar a prever fluxos de pessoas e o espalhamento de cólera (doença causada por uma bactéria e transmitida pelo contato com água ou comida contaminadas). A conclusão é de estudo feito no Senegal, país da África Ocidental onde uma peregrinação religiosa faz muitas pessoas de repente conviverem em locais de péssima higiene.

Pesquisadores conseguiram estimar os fluxos diários da população em 2013, que foram incorporados em um modelo do surto de cólera local em 2005. Com isso, foi possível demonstrar como depois do auge do surto os peregrinos espalharam a doença pelo país.

Já o estudo sobre Aids, publicado na revista "Sexually Transmitted Infections", envolveu a participação de homossexuais que visitam sites de relacionamento e páginas no Facebook de revistas gays.

Os sites incluíram links para questionários sobre comportamento sexual e a opção de pedir anonimamente um kit de detecção do vírus causador da doença.

A princípio se usou apenas um kit de detecção por fluido oral, depois por sangue. O estudo se focou primeiro em Londres e depois foi estendido ao resto do Reino Unido.

Resumindo: a abordagem conseguiu levar a novos diagnósticos de pessoas infectadas. Ainda que só uma parte tenha requisitado o teste (cerca de 10 mil de 66 mil usuários), a ação foi considerada positiva pelos pesquisadores, levando-se em conta que muitos gays não fazem o teste por preocupações com privacidade, estigma ou o simples medo de agulhas.




Quimioterapia ‘expressa’ é melhor em tumor de ovário

04/06/2016 - Folha de S.Paulo


O tratamento de câncer de ovário pode sofrer uma importe mudança em um futuro próximo, sugere um novo estudo. A ideia dos cientistas é usar a via intraperitoneal para reforçar a ação da quimioterapia.

O peritônio é a membrana que envolve os órgãos e vísceras do abdome –uma injeção intraperitonial significa uma entrega "expressa" da droga, sem ter de passar antes pela corrente sanguínea.

Pesquisadores do Canadá, Reino Unido e EUA viram que ao diversificar a abordagem e aplicar um quimioterápico dessa maneira, além da via intravenosa, pacientes tiveram maior grau de sucesso em um protocolo de tratamento de câncer de ovário em estágio avançado.

No caso, o tratamento final era cirúrgico e a quimioterapia precedia a operação. Nas pacientes que só se valeram do tratamento intravenoso –tratamento-padrão até então–, 42,2% tiveram um avanço da doença nove meses após a cirurgia.

Entre as que combinaram tanto a forma tradicional de aplicação do medicamento (intravenosa) com a intraperitonial, só 23,3% tiveram progressão da doença.

Os resultados foram apresentados na tarde desta quinta (3), no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco).

A explicação para o sucesso da combinação intravenosa-intraperitonial seria a possibilidade de uma quantidade maior da droga chegar ao tumor e aniquilá-lo, como se dois exércitos cercassem um acampamento inimigo.

"Mesmo sem o poder estatístico para avaliar a sobrevivência, nosso estudo informa como incorporar o tratamento quimioterápico intraperitonial por mulheres com câncer de ovário seguida por cirurgia", diz Helen Mackay, médica do Sunnybrook Odette Cancer Centre em Toronto, Canadá, e líder da pesquisa.

O índice de efeitos colaterais foi semelhante e não houve indício de maior toxicidade no grupo de terapia combinada.

Participaram da pesquisa 275 mulheres com idade média de 62 anos, que foram acompanhadas entre 2009 e 2015. O estudo é de fase 2, ou seja, ainda não é conclusivo ao ponto de ser capaz de recomendar a abordagem atual de tratamento, mas a ideia, segundo Mackay, é compor um cenário, junto com outros estudos semelhantes, de novas possibilidades de abordagem no tratamento de casos avançados de câncer.

Ainda é prudente que médicos e pacientes contenham qualquer empolgação. Um outro estudo com 1.560 pacientes que avaliou o efeito da quimioterapia intraperitonial (com outra droga, bevacizumab, vale frisar) não viu qualquer ganho em pacientes com cânceres de ovário, de peritônio ou de tuba uterina, lembra o oncologista clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e do Centro Paulista de Oncologia Jacques Tabacof. Todos os grupos sofreram com a alta toxicidade do tratamento.

"Alguns estudos mostram benefícios, mas, em outros, poucas pessoas conseguiram completar o tratamento. Como esse novo estudo atual foi feito com poucas pacientes, temos de ter cautela ao extrapolar", diz Tabacof. "É uma quimioterapia que dói, feita com um cateter que entra na barriga. Tem mulheres que não toleram. A distribuição da droga nem sempre é tão homogênea quanto gostaríamos. A vantagem seria a de dar um 'banho' nas células, valendo-se da proximidade com o tumor, mas é ainda um tema controverso."

No mundo, estima-se que anualmente surjam 239 mil casos de câncer de ovário. No país, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), há 6 mil casos anuais, e cerca de metade deles resulta em mortes.

A ausência de sintomas específicos dificulta o diagnóstico, que, quando chega, geralmente é tardio.




Zika e sexo oral

05/06/2016 - O Estado de S.Paulo


O relato de um possível caso de zika transmitido por sexo oral pegou pesquisadores de surpresa na semana passada. Um homem de 46 anos, que esteve no Rio e apresentou febre, dor de cabeça e manchas na pele antes de voltar para a França, pode ter infectado sua parceira, que não havia deixado aquele país.

Segundo os especialistas, em carta publicada no periódico New England Journal of Medicine, uma mulher de 24 anos teria desenvolvido sintomas da doença dez dias após seu namorado ter voltado do Brasil. Os dois fizeram sexo vaginal sete vezes no período, mas o homem só teria ejaculado no sexo oral – o casal estava evitando uma gestação.

A mulher nunca viajou para países em que há ameaça de zika por picadas de mosquito e não recebeu transfusão de sangue, duas das formas possíveis de transmissão. Depois de ela ficar doente, os dois foram testados e o resultado deu positivo. Na mulher, o vírus foi encontrado na urina e na saliva, mas não na vagina. No homem, o vírus apareceu no sêmen e na saliva. A transmissão sexual, embora mais incomum, passou a ganhar destaque nos últimos meses, com casos registrados em pelo menos dez países em que não há presença do Aedes aegypti.

Segundo o artigo divulgado pelo jornal Daily Mail, para os cientistas do Instituto Francês de Saúde e Pesquisa Médica, apesar de a maior suspeita recair sobre o sêmen no contato oral, não é possível descartar totalmente a hipótese de o vírus ter sido transmitido pelos líquidos pré-ejaculatórios (eliminados pelo pênis durante o sexo vaginal) ou até mesmo pela saliva.

No mês passado, especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) já haviam alertado que a transmissão sexual do zika era mais comum do que se pensava. Eles agora recomendam que mulheres que pretendem engravidar devem evitar sexo ou usar camisinha por ao menos oito semanas, após seus parceiros voltarem de áreas em que existe a doença. A recomendação anterior era que esse período fosse de quatro semanas. A mudança aconteceu depois que pesquisadores encontraram o vírus no sangue e em outros fluidos corporais por um tempo mais longo.

Se o homem tiver apresentado sintomas típicos de zika após visitar áreas em que há a doença, a recomendação de cuidados no sexo para o casal que quer engravidar se estende para seis meses. A transmissão pelo beijo continua pouco evidente, apesar de o vírus ter sido isolado na saliva. Dessa forma, cuidados que se aplicam para uma série de doenças transmitidas pelo sexo (DSTs) também poderiam ser usados, pelo menos temporariamente, para evitar zika, até mesmo a proteção no sexo oral.


BOAS NOTÍCIAS


Por falar em DSTs, a Unaids, programa da ONU para a aids, divulgou relatório na semana passada em que aponta uma queda de 26% no número de mortes pela doença nos últimos cinco anos, em função da expansão do tratamento, principalmente na África. Apesar do avanço, mais da metade das pessoas infectadas pelo HIV continua sem acesso aos antirretrovirais. A redução das mortes foi mais importante entre as mulheres, uma vez que os homens tendem a iniciar o uso dos medicamentos mais tarde.

O número de novas infecções não variou significativamente entre 2010 e 2015, o que mostra a importância da testagem, de programas educativos, de maior uso de preservativos, de acesso aos tratamento para “zerar” a carga viral (o que reduz muito a chance de transmissão), além de estratégias como profilaxias pré e pós-exposição.

Outra pesquisa da semana passada, feita pela Universidade British Columbia, no Canadá, publicada na revista Aids Care, mostra que homens que fazem sexo com homens e que moram em cidades pequenas tendem a fazer menos testes de HIV, provavelmente pelo medo de se expor para os profissionais de saúde. Nesse sentido, o acesso a testes rápidos, feitos a distância ou comprados em farmácias, pode fazer a diferença.




Após câncer, usuárias de talco processam J&J

05/06/2016 - Folha de S.Paulo


Deane Berg achou que iria morrer, e queria saber o motivo. Ela tinha 49 anos, jovem demais para ter um câncer avançado nos ovários, pensou.

Vasculhando sites que listavam possíveis causas do câncer de ovário, uma delas chamou sua atenção: o talco. Ela não tinha fatores de risco como infertilidade ou endometriose, mas havia polvilhado talco entre as pernas diariamente ao longo de 30 anos.

“Fui ao banheiro, peguei meu talco Johnson e o atirei na lixeira”, conta Berg, profissional de saúde que vive em Sioux Falls (Dakota doSul) e hoje tem 59 anos. “Eu disse: ‘O que mais poderia ser?’.” Berg foi a primeira de milhares de vítimas do câncer de ovário que processaram a Johnson & Johnson, citando os muitos estudos que associam o talco ao câncer. Essas pesquisas remontam a 1971,quando cientistas encontraram partículas de talco incrustadas em tumores de ovário e colo do útero.

Segundo um recente trabalho com mulheres afro-americanas, o uso de talco na região genital está associado a um aumento de 44% no risco de desenvolver um invasivo câncer epitelial de ovário.

A Johnson & Johnson diz que seu talco é seguro e planeja recorrer de duas indenizações multimilionárias ordenadas pela Justiça.

Em 2006, a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer classificou o pó de talco, quando usado na área genital feminina, como um possível agente carcinogênico humano. “Não há como sabermos ao certo se uma exposição necessariamente tem relação causal com uma doença”, disse Shelley Tworoger, professora de medicina e epidemiologia do Hospital Brigham and Women e da Universidade Harvard. O máximo que podemos fazer, segundo Tworoger, “é examinar a preponderância dos indícios”.

O talco é um mineral argiloso composto de magnésio e silício. Costuma ser extraído perto do amianto, um conhecido agente cancerígeno. Muitas mulheres usam talco entre as coxas para evitar assaduras, outras o polvilham no períneo, em absorventes e na calcinha para manterem a região genital seca e “fresca”.

Em 1982, um professor de Harvard chamado Daniel Cramer e seus colegas compararam 215 mulheres com câncer do ovário e 215 mulheres saudáveis, que compunham um grupo de controle.

Em comparação com as não usuárias, as mulheres que usavam talco em pó tinham quase o dobro de propensão ao câncer ovariano, e o risco mais do que triplicava entre as que usavam regularmente o produto na região genital e nos absorventes.

Pelo menos dez estudos subsequentes confirmaram esses resultados. Um pequeno número de pesquisas, por outro lado, não apontou nenhum risco agravado para as usuárias de talco.

Quando os pesquisadores reuniram os resultados de estudos semelhantes envolvendo cerca de 20 mil mulheres, concluíram que o uso do talco estava associado a um aumento de 24% no risco de câncer de ovário, uma doença que é rara, mas muitas vezes fatal.

Larry Copeland, oncologista do Centro Médico Wexner, da Universidade Estadual de Ohio, e consultor da Johnson & Johnson, cita um estudo financiado pelo governo dos EUA. No início desse trabalho, os pesquisadores perguntaram a 61.576 mulheres se alguma vez elas haviam usado talco no períneo e então monitoraram a saúde delas durante 12 anos. Nenhuma relação entre o uso de talco e o câncer foi encontrada.

No entanto, Steven Narod, especialista em genética do câncer, disse que a amostra do estudo não foi suficientemente grande e que o monitoramento tampouco foi suficientemente longo. As conclusões, diz, não invalidam as pesquisas anteriores que apontaram um vínculo entre o talco e o câncer.

A empresa que fornece o talco para a Johnson & Johnson acrescentou um alerta em seus rótulos desde 2006, mas a J&J não fez o mesmo, segundo documentos incluídos no processo.

Pediatras desencorajam o uso de talco em bebês, que podem adoecer e até morrer se respirarem as partículas. Fabricantes de preservativos e luvas cirúrgicas já pararam de polvilhar talco em seus produtos.

Quanto a Berg, ela ganhou a ação contra a Johnson & Johnson e espera que outros processos judiciais sobre o talco contribuam para a conscientização. “Antes eu não sabia nada a respeito disso”, afirmou. “Achava que o talco era para bebês e que, portanto, deveria ser seguro.”




Medicina evoluiu com guerras, conta livro

05/06/2016 - Folha de S.Paulo


Em uma grande guerra, morre-se aos milhares. Mas, ainda que morram depois, boa parte das vítimas passa por hospitais de campanha.

Nessas ocasiões, os médicos se encontram em uma situação particularmente propícia à inovação.Há uma profusão de pacientes, muitos deles com casos similares, novos problemas surgem, os recursos são limitados e a gravidade dos ferimentos justifica se arriscar em técnicas incipientes ou até inéditas.

“É por isso que eu digo que os campos de batalha são verdadeiros laboratórios a céu aberto para a ciência médica”, diz José Maria Orlando, médico intensivista e autor do livro “Vencendo a morte — Como as guerras fizeram a medicina evoluir”, que é lançado nesta semana.

O livro conta como técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas e aprimoradas nas frentes de batalha, além de procedimentos como a triagem de pacientes (implementada durante as guerras na poleônicas para definir quem teria mais chance de sobreviver se recebesse cuidados médicos primeiro), o uso de ambulâncias e equipamentos de segurança. Um exemplo é o do cinto, que começou a ser usado para manter os pilotos presos aos caças durante a Primeira Guerra Mundial.

Orlando, que foi presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, já escreveu livros técnicos sobre UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo). Dessa vez, no entanto, resolveu enveredar pela história da medicina e fazer algo voltado ao público geral, sobretudo aos amantes da temática bélica.

“Não se trata de exaltar a violência, mas de ver como a medicina militar beneficiou e influenciou certas práticas da medicina civil. Se você reparar bem, o funcionamento de um pronto-socorro tem um clima de disciplina militar.” Até pouco mais de cem anos atrás, as guerras eram mais letais nas infecções e epidemias do que nos campos de batalha. Morria-se mais de malária, cólera, varíola, de fezes amontoadas em trincheiras e pernas arrancadas em cirurgias sem anestesia e com pouca higiene do que de bala ou espada.

Esse cenário só começou a se modificar a partir da Primeira Grande Guerra Mundial, em função do advento dos antibióticos, das cirurgias mais complexas que agora podiam ser conduzidas com anestésicos, da melhoria das condições sanitárias e da prevenção de muitas doenças graças ao surgimento das vacinas… E também porque as armas ficaram mais letais, a exemplo das metralhadoras, que entraram em cena no fim do século 19.

Um dos maiores avanços da medicina durante a Primeira Guerra Mundial foi que os soldados que sofriam ferimentos graves e perdiam muito sangue passaram a receber soro fisiológico diretamente na veia. Antes disso, aplicações de soro intravenosas eram incomuns e os estudos sobre choque hemorrágico eram incipientes.

Quando Guerra Civil Espanhola foi deflagrada, a medicina civil já havia descoberto as transfusões de sangue, mas seu uso era extremamente restrito. Além de fazer transfusões em larga escala, a Guerra Civil Espanhola ajudou a consolidar o conceito de banco de sangue (veja outros exemplos acima).

“A psiquiatria também fez avanços consideráveis no estudo do estresse pós-traumático”, diz Orlando.




A saúde é universal

05/06/2016 - Folha de S.Paulo


Um dos maiores desafios para a saúde pública é oferecer um serviço com atendimento, diagnósticos e tratamentos sustentáveis e de alta qualidade, mesmo diante das inevitáveis limitações orçamentárias.

Tanto no Brasil como no Reino Unido, que estão entre os maiores sistemas de saúde pública do mundo, essa é uma questão de extrema importância. Em Londres ou Londrina, não há um bem mais importante do que a saúde de sua família.

Existem muitas semelhanças nos desafios enfrentados pelos sistemas de saúde do Brasil e do Reino Unido. O envelhecimento demográfico -que aumenta a incidência das chamadas doenças da sociedade moderna, como diabetes e cardiopatias- e os altos custos do desenvolvimento de novos medicamentos acabam pesando nos orçamentos de ambos os países, sobretudo na atual conjuntura econômica.

Recentemente, fui nomeado pelo primeiro-ministro, David Cameron, como enviado especial de comércio para o Brasil, com a missão de estreitar os laços entre os dois países nas área de investimento.

Nesta nova função, a saúde será uma das minhas áreas de foco. Pretendo contribuir com a troca das melhores inovações entre os dois países, possibilitando o tratamento dos pacientes com medicamentos inovadores e tecnologias de ponta. Acima de tudo, quero garantir que ambos os países possam, atuando juntos, enfrentar o desafio de oferecer serviços de saúde de alta qualidade.

O Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido é considerado um dos melhores do mundo, embora a porcentagem do PIB investida em saúde seja de aproximadamente 9%, similar à aplicada no Brasil. De moradores de rua a membros da família real, todos os cidadãos têm igualdade de acesso e a mesma qualidade de atendimento.

Um milhão de pacientes são tratados a cada 36 horas pelo NHS, que é, atualmente, o terceiro maior empregador do mundo -só atrás do Exército chinês e do sistema ferroviário da Índia-, com cerca de 1,2 milhão de pessoas responsáveis por atender os 60 milhões de cidadãos do país.

É claro que o Reino Unido também tem muito a aprender com o Brasil. Já estamos compartilhando experiências sobre a melhor forma de combater o vírus da zika e temos interesse em acompanhar mais de perto os serviços de saúde oferecidos em comunidades brasileiras remotas e isoladas. A relação bilateral entre o Reino Unido e o Brasil na área da saúde já é sólida, mas temos muito mais a fazer.

Nossas empresas oferecem tecnologias médicas capazes de interromper a queda de cabelos durante a quimioterapia, bem como produzem membros artificiais mecânicos e inteligentes.

Sendo o Brasil um dos mais importantes parceiros do Reino Unido em pesquisa e desenvolvimento, a saúde representa outra área em que ambos os países podem, juntos, obter resultados surpreendentes.

De acordo com a Declaração dos Direitos Humanos, todos têm direito a uma qualidade de vida que proporcione o bem-estar do indivíduo e de sua família. Para atingirmos essa meta, nossos objetivos como parceiros devem estar alinhados. Assim, poderemos garantir que tanto nós quanto as futuras gerações levem uma vida mais saudável.




O bebê que luta contra o tempo por um coração

05/06/2016 - O Globo


De seus 9 meses de vida, Ana Kemely Albuquerque passou oito meses e meio dentro de um hospital, em Fortaleza. Ana Kemely é um bebê miúdo (pesa 4,5 quilos), com uma respiração cansada, mas “com muita vida nos olhos”, como diz a mãe, Ana Caroline Albuquerque, de 23 anos. A menina nasceu sem o lado esquerdo do coração. Sofreu paradas cardíacas sucessivas, uma convulsão, duas cirurgias. Está na lista de espera por um coração novo desde 20 de abril. Não pode esperar.— No quarto dia de vida, ela sofreu a primeira parada. Ficou entubada. Soube da cardiopatia, que era algo gravíssimo. Ela passou um mês na UTI e fez a primeira cirurgia. Os médicos me disseram que ela poderia não sair viva de lá — diz Caroline, que vive com a filha e os pais na periferia de Fortaleza.

A fila de transplante de coração para crianças é arrastada. Faltam doadores, principalmente em razão da forte resistência de pais em doar órgãos no momento da perda de filhos crianças ou adolescentes. A falta de transporte para órgãos que surgem em outros estados e a corrida contra o tempo — são apenas quatro horas para o coração sair de um peito a outro — agravam este cenário.

O Ceará concentra filas de pacientes do Norte e de boa parte do Nordeste. Recife e Salvador dividem essa demanda. O governo local oferece aeronaves para buscar órgãos doados em Sobral e Juazeiro do Norte, populosas cidades cearenses, mas a medida não é suficiente. Praticamente não há captação de órgãos fora do estado.

Em 2014, a Central Nacional de Transplante (CNT) ofereceu pelo menos dois corações a Fortaleza, um doado em Campina Grande (PB) e outro em Natal. Mas não houve captação em tempo hábil por falta de transporte aéreo. A Força Aérea Brasileira (FAB) recusou-se a fornecer aeronaves.

As equipes médicas nos ambulatórios de transplante de coração e fígado de Fortaleza, que estão entre os maiores e mais importantes do país, têm como rotina não contar com órgãos de outros estados. A recusa é quase instantânea. Três médicos coordenadores dos ambulatórios dizem que a melhoria do transporte aéreo diminuiria o tempo de espera nas filas.


TAXA DE MORTALIDADE ALTA


No ano passado, foram transportados em voos comerciais apenas 37 corações, oito pâncreas e dois pulmões, o que revela a dependência dos aviões da FAB no caso desses órgãos. Em 2015, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 236 pacientes estavam inscritos na lista à espera de coração. A fila tinha 49 meninos e meninas aguardando o mesmo órgão. As taxas de mortalidade foram elevadas: de 33,3% entre adultos e de 27% entre crianças.

O Brasil fez 353 transplantes de coração em 2015, sendo 33 em crianças. Apenas quatro entre dez pacientes pediátricos que entraram na fila no ano passado conseguiram um coração novo. Ana Kemely é a criança que entrou mais recentemente na fila por um coração no Ceará.

— Penso em tudo que ela já passou. Se ela não desistiu, eu não posso desistir — diz a mãe.

Aos 14 anos, Afonso Rerison de Souza está pela segunda vez numa lista de espera por um coração. No Hospital de Messejana, em Fortaleza, ele conhece praticamente toda a equipe médica. É o mesmo hospital que conduz o tratamento de Ana Kemely.

A primeira vez na fila durou quase um ano. A mãe de Rerison, Antônia Aguiar da Silva, de 34 anos, decidiu retirá-lo da lista e retornar a Tianguá (CE), a 317 quilômetros de Fortaleza, porque estava grávida. O bebê, Francisco Antônio, já completou 1 ano e 9 meses, e a família está de volta à capital para Rerison esperar por um coração.

Rerison tem uma cardiopatia congênita considerada grave pelos médicos. A vida em Fortaleza o afastou da escola, dos amigos, do futebol e da bicicleta.

— Depois de receber o coração, eu queria ser jogador de futebol, mas sei que não posso. Aqui tinha um jogador de futebol que teve de parar de jogar — diz o garoto.

Para a médica Klébia Castelo Branco, do serviço de transplante cardíaco pediátrico, um incremento no transporte aéreo aumentaria “sem sombra de dúvidas” as chances das crianças. O Messejana fez nove transplantes de coração neste ano, dois em crianças. Para o médico João David Neto, coordenador da unidade de transplante de coração, a conexão com outros estados diminuiria a fila de espera:

— Se houvesse mais disponibilidade de aeronaves, a lista seria reduzida.




ANS suspende comercialização de 35 planos de saúde

03/06/2016 - Valor Econômico / Site


A partir da próxima sexta-feira (10), 35 planos de saúde de oito operadoras terão a comercialização suspensa pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os motivos da punição são reclamações de beneficiários relativas à cobertura assistencial, como negativa e demora no atendimento.

Juntos, os planos de saúde afetados são responsáveis pela assistência de 272 mil beneficiários, que não sofrerão com a medida. Segundo a ANS, as operadoras terão que resolver os problemas assistenciais desses clientes para que só então possam receber novas contratações.

A medida, tomada a cada três meses, faz parte de um acompanhamento periódico feito pelo Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento da agência reguladora. Além de ter a comercialização suspensa, as operadoras que negaram indevidamente cobertura podem receber multa que varia de R$ 80 mil a R$ 250 mil.

Das oito operadoras com planos suspensos neste ciclo, três já tinham planos em suspensão no período anterior e cinco não constavam da última lista de suspensões. Paralelamente à suspensão, sete operadoras poderão voltar a comercializar 35 produtos que estavam impedidos de serem vendidos.

Clipping de Notícias - 09/06/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 09/06/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Farmacêutica é processada por exigir "degustação" de remédios por vendedores

08/06/2016 - UOL


O pedido consta em um e-mail obtido pelo Ministério Público do Trabalho do Piauí (MPT-PI). Um gerente da farmacêutica Eurofarma informa que na próxima reunião a equipe de revendedores da companhia fará a "degustação" do medicamento Ártico, indicado para o tratamento de artrose.

Cada funcionário, descreve o gerente, deverá trazer exemplares de produtos concorrentes do Ártico, como o Glicolive, do laboratório Ache, e o Condroflex, da Zodiac. Ao todo são oito remédios, que serão experimentados pelos funcionários responsáveis por fazer a intermediação entre o laboratório e os médicos. Os medicamentos são comercializados em pó. Devem ser dissolvidos em água para consumo.

As informações constam em ação civil pública proposta pelo MPT-PI contra a Eurofarma. No processo, que pede que a farmacêutica pague R$ 10 milhões em indenização, o órgão alega que, sem nenhum acompanhamento médico, a companhia fazia seus funcionários consumirem medicamentos em quantidades até quatro vezes superiores às indicadas nas bulas.

O objetivo, de acordo, com a procuradora Maria Elena Rêgo, responsável pela ação, era compreender o sabor, a textura e a forma de dissolução dos medicamentos, para expor os remédios aos médicos. Além do medicamento para artrose, o MPT-PI identificou que os funcionários da Eurofarma realizaram a degustação de antibióticos e remédios para varizes.

Em choqueMaria Elena conta que descobriu o sistema de "degustação" promovido pela Eurofarma após receber a denúncia de um ex-funcionário da companhia. Ela diz que o revendedor narrava que os trabalhadores eram levados a consumir diversos remédios, mesmo os que requeriam receita para serem vendidos.

"São remédios fortes, que só são revendidos com prescrição", afirmou.

O objetivo era munir os revendedores de informações sobre os medicamentos. Para tanto, os trabalhadores eram instruídos a conseguir amostra de remédios da concorrência, que também seriam degustados. O procedimento gerava temor, por parte dos trabalhadores, de algum tipo de reação alérgica ou efeito colateral.

De acordo com a petição inicial da ação civil pública proposta pelo MPT-PI, as degustações geralmente eram feitas em hotéis, e não havia médicos acompanhando o processo. Um dos funcionários que prestaram depoimento ao órgão descreveu que alguns medicamentos poderiam causar reações alérgicas, e que alguns funcionários tinham diarreias após tomarem os remédios.

"Fiquei em choque, nem acreditei inicialmente que seria possível uma prática dessa natureza", diz Maria Elena.

Outro exemplo de degustação consta na petição inicial do processo. Um ex-funcionário da Eurofarma narra que os vendedores tiverm que experimentar o antibiótico Sinot, que é comercializado em pó.

De acordo com o trabalhador, o medicamento possui três concorrentes, que também foram degustados. Ao todo, os vendedores consumiram quatro vezes a medida do "copinho" que acompanha o antibiótico.

Na ação civil pública, o MPT-PI pede, por meio de liminar, que a Eurofarma deixe de fazer as degustações em todo o país. Há também o requerimento de pagamento de R$ 10 milhões em danos morais, a serem revertidos "em benefício da comunidade prejudicada".

Na inicial, o MPT-PI afirma que não considera o montante elevado, dado que a Eurofarma, obteve, em 2015, lucro líquido de R$ 191 milhões.

O processo foi distribuído à 4ª Vara do Trabalho de Teresina, sob o número 0001559-84.2016.5.22.0004, mas não teve liminar analisada pelo Judiciário.

Leia abaixo a íntegra da nota enviada pela Eurofarma sobre o assunto:

"Sobre menção de ação civil pública reportando o uso indiscriminado de medicamentos, a Eurofarma Laboratórios S/A informa que até o momento não foi intimada e não teve acesso ao conteúdo do processo mencionado pela mídia. Entretanto, reforça que prima por uma atuação ética e em estrita concordância à legislação vigente. Todos os colaboradores da Eurofarma seguem o Código de Conduta e contam com um Canal de Ouvidoria independente para reporte, anônimo, de suspeitas de desvio ou infração, e não foi encontrado no banco de dados do Canal nenhum registro que pudesse ter relação com o tema abordado pelo MP, de "experimentação" ou "degustação" de medicamento. Esclarece, também, que quando um medicamento é lançado e inserido na pauta de treinamento é porque já obteve autorização sanitária para sua comercialização e, portanto, já foi submetido a testes in vitro e in vivo que comprovam sua eficácia e segurança. O treinamento realizado para a força de vendas é de cunho científico e comercial e, entre outros, aborda as características físico-químicas e as propriedades organolépticas do produto frente à concorrência (apresentação, cor, odor, etc.). Um conjunto de informações que visa o conhecimento e o preparo dos profissionais que atuam na propaganda médica. A empresa reforça seu permanente compromisso com uma atuação responsável".




Remédios ficaram 10,52% mais caros neste ano, mostra IBGE

08/06/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que os preços dos remédios subiram 10,52% neste ano. O aumento reflete o reajuste autorizado pelo governo, que passou a vigorar no fim de março.

Os remédios foram autorizados a serem reajustados em até 12,50%. Esse limite é traçado com base na inflação passada e outros fatores como produtividade do setor, concorrência e custo dos insumos dos produtos.

Os maiores aumentos no período foram registrados em psicotrópico e anorexígeno (12,28%), gastroprotetor (11,57%) e anti-inflamatório e antirreumático (11,12%). O antigripal foi o que menos subiu (8,73%).

O aumento dos produtos farmacêuticos está bem acima da inflação medida pelo IPCA, a oficial do país. De janeiro a maio deste ano, o índice foi de 4,05%, conforme divulgou o IBGE na manhã desta quarta-feira (8).

Os preços dos remédios não subiam tanto desde 2003, quando acumularam alta de 11,50% (considerando o ano inteiro). Naquele ano, o câmbio disparou com as incertezas do mercado sobre o primeiro governo PT.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, a tendência dos preços dos produtos farmacêuticos é estabilizar daqui para frente. Pelo padrão histórico, os preços não encostam no limite do reajuste.

"As farmacêuticas sempre oferecem algum desconto no medicamento. Então, vamos ver os preços flutuarem pouco daqui para frente", disse a coordenadora do IBGE durante a coletiva para divulgação do IPCA de maio.




Pesquisador autoriza laboratório de Cravinhos a produzir 'pílula do câncer'

08/06/2016 - G1


O pesquisador e um dos donos da patente da fosfoetanolamina sintética, Gilberto Chierice, respondeu o ofício do juiz Luiz Cláudio Sartorelli, de Cravinhos (SP), autorizando o laboratório PDT Pharma a cumprir mais de 800 liminares de pacientes que querem usar a substância no tratamento contra o câncer. Elas foram concedidas pela Justiça antes do Supremo Tribunal Federal (STF) suspender a lei que autorizava a venda e uso da pílula e as liminares que obrigavam a distribuição. O laboratório dependia dessa autorização para produzir as cápsulas e o documento foi juntado ao processo na terça-feira (7).

Apesar da lei e das liminares terem sido suspensas pelo STF no dia 19 de maio, o juiz da 2ª Vara de Cravinhos, Eduardo Alexandre Young Abrahão, informou ao G1 que as liminares concedidas antes da suspensão deverão ser cumpridas. "A tendência é que elas sejam atendidas, mas o prazo ainda está indefinido, já que o laboratório não encapsula a substância", disse.

O PDT Pharma informou que ainda não foi notificado pela Justiça e que só vai se manifestar sobre a produção para atender as liminares quando isso acontecer. Contudo, o laboratório já havia manifestado o interesse em produzir as cápsulas, dependendo apenas da autorização dos detentores da patente.

A Associação Médica Brasileira (AMB), que entrou com a ação para suspender a lei, foi procurada pelo G1 nesta quarta-feira (8) para comentar o possível cumprimento das liminares, mas o expediente já havia se encerrado.

Desenvolvida no campus da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos para o tratamento de tumor maligno, a substância é apontada como possível cura para diferentes tipos de câncer, mas não passou por testes em humanos e não tem eficácia comprovada, por isso não é considerada um remédio. Ela não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e seus efeitos nos pacientes ainda são desconhecidos.


AUTORIZAÇÃO


No início de maio, Chierice informou à EPTV, afiliada da TV Globo, que considerava alto demais o preço de R$ 6 por cápsula estabelecido pela Justiça da cidade e, por isso, não iria autorizar a comercialização naquele momento.

No fim de maio, ele foi questionado pelo magistrado se autorizaria a produção para o cumprimento das liminares e, em documento datado de 3 de junho, concede a autorização em caráter excepcional.


VALORES


O documento entregue estipula que cada cápsula deverá ser fornecida, no máximo, pelo mesmo preço cobrado do Governo do Estado de São Paulo para os testes e que o valor excedente acumulado por aqueles que depositaram os R$ 6 seja usado para completar o tratamento daqueles que não tiveram condições de arcar com todas as unidades. Considerando o montante de R$ 882 mil do contrato e o anúncio de produção do sal para o fornecimento de 360 mil cápsulas, cada 500 mg do composto, sem a cápsula, teria custo de R$ 2,45.O ofício afirma ainda que, como o PDT Pharma não possui as autorizações necessárias para o encapsulamento. Este processo, assim como no caso dos ensaios, deverá ser feito pela Fundação para o Remédio Popular (Furp).

A resposta de Chierice autoriza o laboratório a entregar 720 cápsulas para cada paciente, considerando oito meses de tratamento, e pede que o fornecimento ocorra aos poucos, já que o pesquisador Salvador Claro Neto, que acompanha a produção, também atua na sintetização para os testes.

Também prevê que, a cada nova remessa, o paciente apresente os resultados de exames e, em caso de desistência, o fornecimento seja interrompido.


LIMINARES


O laboratório PDT Pharma, que está produzindo o princípio ativo para os testes com humanos e não encapsula o composto, recebeu permissão para entregar cápsulas de fosfoetanolamina sintética apenas para a Fundação para o Remédio Popular (Furp), que deve encapsular a substância e repassar ao Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Contudo, pacientes entraram na Justiça para obrigar o laboratório a fornecer as cápsulas e, em liminar concedida em 2 de maio, o juiz Luiz Cláudio Sartorelli informou que ele e o juiz Eduardo Alexandre Abrahão, da 2ª Vara de Cravinhos, haviam se reunido com o diretor da PDT Pharma para discutir a possibilidade de o laboratório fornecer a fosfoetanolamina sintética mediante ordens judiciais.

O encontro ocorreu em 20 de abril e, de acordo com o juiz, o empresário Sérgio Perussi confirmou que poderia atender os pedidos, desde que no prazo de 30 dias, uma vez que precisaria ampliar a produção e providenciar as cápsulas para armazenar a substância.

"Discutiu-se o custo de cada unidade e o representante da empresa estimou em R$ 6, por conta dos investimentos que se farão necessários para atender as ordens judiciais", afirmou Sartorelli no documento.

A partir da reunião, liminares passaram a ser concedidas pela Justiça local, destacando que os pacientes deveriam realizar o depósito antecipado do valor referente à quantidade de cápsulas que desejavam adquirir.

Na época, a Anvisa informou que o valor das cápsulas deveria ser decidido junto com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão que dá apoio técnico sobre o custo de novos remédios, e poucos dias depois o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender a lei que autorizava pacientes com câncer a fazerem uso da substância.


O CASO


Os primeiros relatórios sobre as pesquisas financiadas pelo governo federal apontaram que as cápsulas têm concentração de fosfoetanolamina menor do que o esperado e que, em células in vitro, o composto não tem capacidade de evitar a proliferação de tumores, e Chierice rebateu afirmando que a substância deveria ser testada em seres vivos. "Tubo de ensaio não tem fígado, então foge totalmente do mecanismo da fosfoetanolamina", disse.

Foram realizados novos testes, que mostraram que a substância, fornecida durante 10 dias a camundongos inoculados com tumores de rápida proliferação, não apresentava efeito inibidor, e o último relatório divulgado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), afirma que o composto foi capaz de reduzir em 34% o tamanho de tumores de pele em camundongos que o ingeriram na concentração de 500 mg/kg durante 24 dias, uma vez ao dia. A previsão é de que os testes em humanos tenham início em agosto.




Antidepressivos podem prejudicar jovens e crianças

09/06/2016 - Correio Braziliense


A maioria dos antidepressivos prescritos é ineficaz para crianças e adolescentes, e alguns podem não ser seguros, alerta uma pesquisa publicada na revista The Lancet. Das 14 substâncias estudadas, apenas a fluoxetina amenizou os sintomas da depressão. A venlafaxina, no entanto, foi associada ao risco aumentado de pensamentos e tentativas de suicídio.

Segundo os autores, a eficácia e o risco de danos graves dessas substâncias são incertos porque os ensaios clínicos para testar esses aspectos são poucos e, na maioria das vezes, controversos. Andrea Cipriani, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, acrescenta que, além de dificultar a obtenção de estimativas precisas, a falta de dados, principalmente individuais, impede que a população possa confiar na segurança dos medicamentos. “A privacidade dos pacientes deve ser garantida por políticas adequadas e medidas tecnológicas, mas o atraso no compartilhamento de dados tem consequências negativas para a investigação médica, como demonstra nosso estudo”, diz a principal autora do estudo.

A equipe de Cipriani revisou 34 ensaios clínicos conduzidos até o fim de maio de 2015. Todos comparavam os efeitos de 14 antidepressivos em 5.260 pacientes com até 18 anos e depressão maior. As drogas foram classificadas conforme a eficácia (alteração nos sintomas depressivos e resposta ao tratamento), a tolerabilidade (descontinuação devido a eventos adversos), a aceitabilidade (descontinuação devido a qualquer causa) e os danos graves (pensamentos e tentativas de suicídio, entre outros).

Dos estudos, 65% foram financiados por empresas farmacêuticas. No geral, a qualidade das evidências foi classificada como muito baixa para a maioria das comparações, o que restringe as implicações dos resultados para a prática clínica. A análise de Cipriani indicou que a imipramina e a duloxetina apresentaram o pior perfil de tolerabilidade, levando a significativamente mais interrupções. Devido à falta de dados fiáveis, não foi possível avaliar de forma abrangente o risco de suicídio para todas as drogas.

Jon Jureidini, da Universidade de Adelaide, na Austrália, questiona quantos suicídios podem ter sido subnotificados nos estudos. “Por exemplo, em quatro ensaios de paroxetina versus placebo, apenas 13 (3%) de 413 eventos dessa natureza foram relatados no grupo medicado com paroxetina. Isso não parece plausível porque dados individuais em apenas um desses estudos encontrou 10 (10,8%) eventos em 93 pacientes submetidos à droga”, critica o especialista, que não participou do estudo de Cipriani. “O efeito da subnotificação é que antidepressivos, e possivelmente a fluoxetina, possam ser mais perigosos e menos eficientes do que foi reconhecido anteriormente. Então, há poucas razões para achar que qualquer antidepressivo é melhor que nada para os jovens”, completa Jureidini.


ADVERTÊNCIA OFICIAL


O transtorno depressivo maior é comum em crianças e adolescentes, afetando cerca de 3% das pessoas com 6 a 12 anos e cerca de 6% dos adolescentes de 13 aos 18 anos. Em 2004, a Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, advertiu sobre o uso de antidepressivos até os 24 anos, apontando que as drogas aumentam o risco de suicídio. Apesar disso, o uso desses medicamentos aumentou entre 2005 e 2012: nos EUA, a proporção de jovens até 19 anos que os utilizam subiu de 1,3% para 1,6%; no Reino Unido, de 0,7% para 1,1%.




Mercado Aberto: Gasto público com remédios pode cair R$ 520 mi, diz entidade

09/06/2016 - Folha de S.Paulo


Os gastos públicos com medicamentos biológicos, que em 2015 somaram R$ 2,6 bilhões, deverão cair 20% em um prazo de cinco a dez anos, de acordo com a FarmaBrasil, entidade que reúne nove grandes farmacêuticas.

Hoje importados, os produtos passarão a ser feitos em quatro fábricas nacionais, parte delas financiadas pelo BNDES e pela Finep, o que deverá baratear as compras.

A queda dos custos poderá ser maior, diz o chefe do departamento de produtos para saúde do BNDES, João Paulo Pieroni. "As empresas vão produzir os mesmos itens. A concorrência pelo mercado pode reduzir os preços."

A primeira fábrica, da Cristália, já começou a produzir quatro medicamentos, mas aguarda o registro na Anvisa de três deles. Os outros três centros fabris ainda ainda não foram concluídos.

"Juntas, elas deverão atender à demanda atual do país e ainda ter entre 30% e 40% de sobras para exportação", afirma Reginaldo Arcuri, presidente da FarmaBrasil.


BIOLÓGICOS E MILIONÁRIOS


Entenda o mercado de medicamentos do setor

O que são medicamentos biológicos?
São remédios produzidos por biossíntese em células vivas. Grande parte deles é direcionada a doenças crônicas como diabetes, hepatites e câncer


R$ 2,2 bilhões
foram investidos na construção de quatro fábricas no país


R$ 650 milhões
foi o financiamento do BNDES e da Finep às plantas


US$ 2,53 bilhões
foi o valor de importação de biológicos no país em 2015, 43% do total


Fonte: FarmaBrasil, Interfarma, BNDES




Psicotrópicos são remédios com maior alta

09/06/2016 - Folha de S.Paulo


Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que os preços dos remédios subiram 10,52% neste ano. O aumento reflete o reajuste autorizado pelo governo, que passou a vigorar no fim de março.

Os remédios foram autorizados a serem reajustados em até 12,50%. Esse limite é traçado com base na inflação passada e outros fatores como produtividade do setor, concorrência e custo dos insumos dos produtos.

Os maiores aumentos no período foram registrados em psicotrópico e anorexígeno (12,28%), gastro protetor (11,57%) e anti-inflamatório e antirreumático (11,12%). O anti gripal foi o que menos subiu (8,73%).

O aumento dos produtos farmacêuticos está bem acima da inflação medida pelo IPCA, a oficial do país. De janeiro a maio deste ano, o índice foi de 4,05%, conforme divulgou o IBGE na manhã desta quarta-feira (8).

Os preços dos remédios não subiam tanto desde 2003, quando acumularam alta de 11,50% (considerando o ano inteiro).Naquele ano, o câmbio disparou com as incertezas do mercado sobre o primeiro governo PT.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, a tendência dos preços dos produtos farmacêuticos é estabilizar daqui para frente. Pelo padrão histórico, os preços não encostam no limite do reajuste.

“As farmacêuticas sempre oferecem algum desconto no medicamento. Então, vamos ver os preços flutuarem pouco daqui para frente”, disse a coordenadora do IBGE em entrevista coletiva para divulgação do IPCA de maio.


PREÇO DE GENÉRICOS


Além de estarem mais altos em geral, os preços de medicamentos genéricos também podem variar até 1.200% em São Paulo, segundo pesquisa do Procon-SP feita em maio.

Em valores absolutos, um medicamento genérico pode variar até R$ 52 —a atorvastatina cálcica, utilizada para a redução do colesterol, era vendida por R$ 11,94 em uma farmácia e R$ 63,95 em outra (embalagem com 30 comprimidos de 10 mg).

No levantamento geral realizado pelo Procon, que inclui 68 medicamentos (34 de marca e 34 genéricos),a maior variação percentual foi na Nimesulida, 100 mg, com 12 comprimidos. O custo variou entre R$ 1,77 e R$ 23,03.

A pesquisa ocorreu em 15 farmácias nas cinco regiões da cidade.

Aspen Pharma negocia compra de ativos no Brasil

09/06/2016 - Valor Econômico


A subsidiária brasileira da sul-africana Aspen Pharmacare poderá acelerar o ritmo de expansão dos negócios a partir da compra de produtos ou de empresas no país. Neste momento, duas negociações estão em andamento, preservadas por acordo de confidencialidade e, se um dos negócios sair, a Aspen crescerá mais de 50% em faturamento.

O laboratório, que faturou globalmente 36,1 bilhões de rands (ou cerca de US$ 2,5 bilhões pela cotação atual) no último exercício, caminha para encerrar o ano fiscal em curso, em 30 de junho, com alta de mais de 20% nas vendas no Brasil, acima do crescimento médio do mercado. Para as receitas, a estimativa é de R$ 220 milhões.

"Ainda dependemos de acertos [nas conversas], mas estamos investindo no país", diz o principal executivo da farmacêutica no Brasil, Alexandre França.

"O mercado está bom para as multinacionais". Se as conversas avançarem, a expectativa é a de que uma potencial aquisição seja anunciada no quarto trimestre.

Nos últimos anos, a compra de portfólio de outros laboratórios deu contribuição importante para o crescimento das vendas da farmacêutica no país. Em 2008, entrou no mercado brasileiro com a compra da Cellofarm, de produtos similares. Já no ano seguinte, levou 17 fitoterápicos da Ativus e, mais à frente, comprou quatro produtos do laboratório Hebron.

Em 2013, a Aspen, que é a maior fabricante de genéricos da África, comprou onze produtos da Merck Sharp & Dohme (MSD), incluindo terapias de reposição hormonal e contraceptivos orais, com reflexos no país, e no fim de 2014, fechou a aquisição da linha Omcilon, já consolidada no mercado brasileiro para tratamento de afta e estomatite e alívio de inflamações, que pertencia à Bristol-Myers Squibb.

Conforme França, os negócios no ano fiscal que está terminando foram impulsionados justamente por essas duas aquisições, pela chegada do fitoterápico Calman ao mercado de medicamentos isentos de prescrição e pela renovação do visual do Leite de Magnésia Phillips.

Comprado em 2012 da GlaxoSmithKline no Brasil, o leite de magnésia ganhou uma nova roupagem, mais moderna, e cresceu expressivos 25% em vendas nesse ano fiscal. A linha Omcilon, por sua vez, registra 60% de expansão, com os melhores níveis de venda já registrados. Já os hormônios que eram da MSD ganharam nova estratégia e vão crescendo 20%. Esses produtos, mais o Calman, representam juntos 40% do faturamento da Aspen no país.

Apesar de ter os genéricos em sua origem, a Aspen abandonou o foco no segmento ao notar que, para manter-se rentável, teria de investir cada vez mais em escala. Com uma nova estratégia, passou a apostar na compra de marcas maduras, já consolidadas, que não mais interessam aos grandes laboratórios - em muitos casos porque perderam a patente. Essa linha de negócio tem sido replicada no país. Caso feche uma das aquisições que estão na mesa de negociação neste momento, a Aspen, porém, não terá capacidade instalada suficiente no Brasil - na unidade de Serra (ES), está apta a produzir sólidos (comprimidos) e semi-sólidos (cremes). "O crescimento não está atrelado à fábrica, então a estratégia será produzir em terceiros", afirma França.




Cinco apostas da ciência para combater zika e microcefalia

08/06/2016 - Folha de S.Paulo / Site


Artigos científicos e estudos para novos testes diagnósticos costumam levar meses para serem publicados devido ao minucioso processo de revisão por publicações científicas. Mas a epidemia de zika no Brasil e em outros países das Américas tem acelerado a produção de conhecimento sobre o tema.

Estudos sobre zika vêm sendo disponibilizados em sites científicos na forma de "pré-print" –como o artigo é chamado antes de passar por revisão– para que outros pesquisadores possam ter acesso mais ágil a seu conteúdo e eventuais achados, e trabalhar a partir deles.

"A literatura está avançando muito rapidamente. O momento é mais de cooperação do que de competição (na comunidade científica)", disse Patrícia Garcez, pesquisadora da UFRJ e do Instituto D'Or, à BBC Brasil.

Sua equipe está conseguindo mapear a rapidez com a qual o vírus ataca as células embrionárias que formarão neurônios, e já está compartilhando os achados antes mesmo da publicação oficial.

Na noite desta terça-feira (7), a revista científica "The Lancet" publicou um texto de pesquisadores brasileiros que documentaram pela primeira vez o caso de um bebê que não teve microcefalia, mas apresenta lesões neurológicas e oculares graves causadas pela zika.

"Existem outros sendo estudados, mas resolvemos divulgar de uma vez porque consideramos importante. Mostra que a extensão da doença é maior", disse à BBC Brasil o oftalmologista Rubens Belfort Junior, da Unifesp, um dos responsáveis pelo estudo.

Saiba como estão evoluindo as principais pesquisas sobre o vírus da zika e a microcefalia:


1) VACINAS


Uma de duas vacinas para zika desenvolvida em uma parceria do Instituto Evandro Chagas com a Universidade do Texas, nos Estados Unidos, começará a ser testada em animais em novembro. Em fevereiro de 2017, ela deverá ser testada em humanos.

Segundo Pedro Vasconcelos, diretor do Evandro Chagas, a vacina foi desenvolvida introduzindo mutações no vírus da zika presente no Brasil. Dessa forma, ele perde a capacidade de causar a doença, mas não perde a capacidade de fomentar a criação de anticorpos no corpo humano.

"A proposta é fazer a vacinação de mulheres em idade fértil e não em gestantes, porque, como ocorre na rubéola, a vacina poderia induzir a malformação em bebês, mesmo sendo um vírus atenuado", disse à BBC Brasil.

Ele afirma, no entanto, que devem ser necessários cinco ou seis anos para que a vacina esteja disponível para todos.

Há também uma segunda vacina em desenvolvimento, que poderia ser administrada em gestantes - que espera-se estar pronta para testes até o início do ano que vem. "Para esta vacina não usamos o vírus completo, apenas um pedaço do seu genoma. Por isso não há riscos para grávidas", disse Vasconcelos.


2) CLOROQUINA


Paralelamente à corrida pela vacina, pesquisadores buscam formas de bloquear a ação do vírus, e um avanço importante foi obtido em testes com um velho conhecido da medicina –a cloroquina. O medicamento é usado para tratar malária e doenças autoimunes, como lúpus, e tem a vantagem de poder ser usado por mulheres grávidas.

De acordo com o médico Amílcar Tanuri, que coordena a pesquisa no Laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia da UFRJ, o grupo constatou que a cloroquina e alguns derivados do medicamento conseguem bloquear a multiplicação do vírus da zika nas células neurais e a morte celular. Os testes foram feitos tanto em células neurais humanas quanto de camundongos.

"A cloroquina não atua diretamente no vírus, e sim na célula que vai ser infectada pelo vírus, e faz com que não possa ser penetrada. Basicamente ela fecha a porta de entrada do vírus, que não consegue entrar no citoplasma da célula", disse à BBC Brasil.

Ele afirma, entretanto, que o trabalho "ainda está no campo do tubo de ensaio", e que muitos testes ainda são necessários. Por isso, não arrisca falar em prazos. "Não temos tido muito aporte de verbas para nossos projetos pelo governo", lamenta.

Os resultados da pesquisa devem sair em uma publicação científica nas próximas semanas. Tanuri espera que, a partir daí, grupos com mais recursos possam se interessar seguir com a pesquisa - "e continuar nosso trabalho lá fora".


3) TESTES RÁPIDOS


No final de maio, a Fundação Bahiafarma, órgão vinculado à Secretaria da Saúde da Bahia, anunciou a criação de um teste sorológico rápido para zika, que consegue detectar, no soro do sangue do paciente, os anticorpos contra o vírus em qualquer fase da doença. O resultado estaria disponível em 20 minutos.

Até agora, o diagnóstico é feito principalmente pelo exame PCR, que demora mais para dar resultado e só consegue detectar o vírus enquanto o paciente está doente. A sorologia para o vírus da zika só existia em alguns países e não estava disponível comercialmente.

Em nota, a Fundação disse que o teste já foi aprovado pela Anvisa e que terá reuniões com o Ministério da Saúde na próxima semana para negociar a produção em escala do teste.

Enquanto isso, pesquisadores do Instituto Wyss, da Universidade Harvard, nos EUA, criaram um teste de papel (similar ao de testes de gravidez) que, além de diagnosticar o vírus em uma hora, conseguiria diferenciar entre os tipos africano e asiático - este último, o que circula no Brasil.

Em entrevista à BBC Brasil, o pesquisador Keith Pardee, um dos responsáveis pelo protótipo, disse que o objetivo é deixar o teste do tamanho de um papel de recados, que caiba até no bolso e possa ser guardado mesmo sem refrigeração por até um ano.

"Ainda queremos fazer com que funcione também com amostras de urina e saliva", disse. O Instituto, segundo Pardee, busca parcerias para financiar as novas fases de pesquisa e produção.


4) COMO AGE O VÍRUS?


"Minicérebros" desenvolvidos em laboratório com células-tronco vêm permitindo que uma equipe do Instituto D'Or, no Rio, acompanhe o ritmo e os mecanismos de destruição do zika. Ao injetar o vírus nas estruturas –que têm cerca de dois milímetros e equivalem à miniatura de um cérebro embrionário– o grupo constatou uma redução de até 40% do tamanho delas em apenas 10 dias.

"Conseguimos mapear o que o vírus faz dentro da célula e vimos que o ciclo celular fica absurdamente alterado", diz a pesquisadora Patrícia Garcez, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

"O vírus altera os genes específicos associados à formação de neurônios, que são muito importantes. Sem eles os neurônios não se formam. A maquinaria toda da célula começa a fabricar vírus", diz.

A partir da compreensão de como o vírus atua e mata a célula, Garcez diz que é possível postular e testar potenciais tratamentos para inibi-lo. O estudo está sendo revisado para publicação em uma revista científica, mas já está disponível na internet para que outros pesquisadores possam incorporar as descobertas a suas pesquisas.


5) TRANSMISSÃO POR OUTROS MOSQUITOS


Embora desde o ano passado os principais esforços de combate ao alastramento da zika fossem focados no ataque ao Aedes aegypti, só em maio veio a confirmação científica de que o mosquito de fato carrega o vírus.

Pesquisadores da Fiocruz no Rio conseguiram, pela primeira vez, identificar a presença do vírus da zika em mosquitos presentes na natureza.

"Para combater o alvo certo, é preciso ter duas coisas combinadas", explica Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC e líder do estudo. "A primeira é achar insetos na natureza infectados com o vírus; a segunda é constatar em laboratório que o mosquito é capaz de transmitir o vírus pela saliva."

Mas até o início de julho, a bióloga Constância Ayres, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em Pernambuco, espera descobrir se o vírus da zika pode estar sendo transmitido também por outros mosquitos.

A equipe chefiada por Ayres já comprovou, em laboratório, que o mosquito Culex (pernilongo), mais comum do que o Aedes aegypti, pode ser um vetor da doença. Agora, irá analisar cerca de cinco mil destes mosquitos coletados na natureza para descobrir se eles estão carregando o vírus - e em proporção suficiente para infectarem humanos.

"A possibilidade de que isso esteja acontecendo é bem grande, até porque o perfil de distribuição da zika se assemelha ao de uma doença transmitida pelo Culex. Dengue é uma doença bem democrática, pega rico e pobre. Já nos casos de microcefalia, 85% dos casos são de mães mais pobres, associadas a áreas com esgoto a céu aberto", disse à BBC Brasil.

"O vírus já foi identificado em muitas espécies de mosquito em um ambiente silvestre, em Senegal e Uganda. Porque no ambiente urbano só um tipo de mosquito transmitiria?"




Sem desperdício na terapia genética

09/06/2016 - Correio Braziliense


Pesquisadores da Oregon Health & Science University, nos Estados Unidos, desenvolveram uma técnica que pode vencer um dos maiores gargalos da terapia genética: a geração de células geneticamente corrigidas que sejam eficientes para reparar doenças e lesões, mas sem a necessidade de injeção de grande quantidade delas nos pacientes. O novo método, testado inicialmente no fígado, não impõe risco de efeitos adversos, como cânceres, e pode ser adaptado para tratar problemas em outros órgãos, por exemplo, a pele e o intestino.

Até então, as tentativas de modificar e transplantar células geneticamente corrigidas, tendo como vetor um vírus ou uma bactéria, exigem milhares de exemplares dessas estruturas especiais, sendo que muitas não sobrevivem no corpo do paciente. “Por serem vivas, elas nem sempre se comportam como esperamos. Os primeiros testes com geneterapia apresentaram resposta imune ao vetor que leva as células aos órgãos ou às próprias células, trazendo complicações trágicas. Isso limita a aplicação clínica da geneterapia”, explica Sean Nygaard, principal autor do estudo, divulgado na última edição da revista Science Translational Medicine.

Para solucionar o problema, os cientistas criaram um método de seleção (Leia Duas perguntas para) que dispensa quantidades cavalares de células ao permitir que elas proliferem dentro do corpo do paciente. “Não só fomos capazes de alcançar a expressão terapêutica de transgenes (as células modificadas) com doses mais baixas de vetores, porque transplantamos menos células, como esses vetores não promoveram a ativação de outros genes que não fossem o que queríamos”, diz o pesquisador, frisando que essa ativação inadequada pode causar câncer, entre outros problemas.


REPOPULAÇÃO


No primeiro experimento, os cientistas transplantaram para o fígado de ratos células que expressam o fator 9, uma proteína ausente na hemofilia B e responsável pela coagulação. Com esse gene terapêutico, os vetores virais transportaram uma molécula artificial de RNA que tem a forma de um grampo de cabelo pequeno, o shRNA. Sua principal função é anular a atividade de uma enzima específica no fígado, permitindo que as células especiais sejam mais resistentes à droga cehpoba, que é tóxica e prejudica o funcionamento celular do órgão. O uso do medicamento foi escolhido por ter um efeito parecido ao da hemofilia B.

Além de terem sido as únicas sobreviventes no fígado, as células transplantadas aumentaram mil vezes em quantidade, repopulando completamente o órgão com células saudáveis e funcionais. “Estamos muito animados por termos verificado que nossa técnica de terapia genética e também nossos vetores podem desencadear uma expressão robusta de transgenes apenas com doses moderadas”, diz Nygaard.

Ardi Barzel, do Departamento de Pediatria e Genética da Escola de Medicina de Stanford (EUA), considera o método promissor. “Eu acho que ele pavimenta o caminho para tratamentos de muitos problemas metabólicos, como doença de armazenamento de glicogênio e de depósito lisossômico, desordens do ciclo de ureia e muitas outras”, considera o especialista. “Ele também permitiria a expressão de genes que podem ser importantes para nova modulações de anticorpos.”


Duas perguntas para

Markus Grompe, Oregon Health & Science University e autor sênior do estudo


O que é o princípio de seleção que o senhor se refere no artigo?
Em algumas condições, certas células saudáveis têm vantagem sobre as doentes. Nessas condições, crianças com doenças genéticas, por exemplo, podem ter suas deficiências corrigidas espontaneamente. O mesmo princípio é usado para a geneterapia no sangue, mas o paciente recebe quimioterapia e radiação para que as células corrigidas pela terapia sejam numericamente dominantes em relação às doentes. Então, se o médico simplesmente injetar células-tronco de medula óssea em um paciente que necessita de transplante para leucemia, por exemplo, essas células não vão oferecer benefícios terapêuticos. Isso só ocorre quando o paciente é condicionado com os tratamentos. Esse princípio de seleção de células saudáveis ainda não tinha sido aplicado em outros tecidos, como os do fígado. Nosso grande avanço foi ter feito isso com a droga que desenvolvemos com o transgene resistente.

A estratégia poderá ser aplicada também em humanos?
Ela tem potencial para ser usada em humanos porque sabemos que, na doença humana genética que estamos imitando com a droga cehpoba (a hemofilia B), há, devido à falha genética, uma seleção muito potente de hepatócitos. Além dessa doença, os médicos poderão aplicar a ideia usando outras drogas e genes, encontrando novas formas de explorar o princípio. Embora eu não possa dizer agora que nossa metodologia vai evoluir para um protocolo clínico, estou confiante que o princípio de condicionamento do fígado tem um grande potencial.


EM EXCESSO


A primeira é caracterizada pela deficiência hereditária de uma enzima que cuida da síntese do glicogênio, a principal reserva energética humana. Mais comum em criança, tem entre os sintomas o aumento progressivo do fígado e a diminuição do tônus muscular. A doença de depósito lisossômico envolve cerca de 40 distúrbios que prejudicam a função dos lisossomos, ligados à renovação celular. Os sintomas variam conforme a estrutura prejudicada, de comprometimento da capacidade de transpirar a pneumonia crônica.

Menor número de operadoras faz Ameplan ganhar mercado

09/06/2016 - DCI


São Paulo - Com queda no número de operadoras de saúde - como a da Unimed Paulistana em 2015 -, empresas médias aproveitam demanda para se consolidar. Um exemplo é a Ameplan que espera 21% de crescimento do faturamento e quase 15% de alta na carteira.

Com o constante crescimento dos custos assistenciais, a inclusão de novos procedimentos obrigatórios e a crise econômica, sobreviver no sistema suplementar se tornou mais difícil. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no acumulado de 2016, até março, a reguladora recebeu 7 novos registros e 17 registros cancelados de operadoras.

Por isso, para ganhar escala e sobreviver neste cenário é necessário investir em gestão e captar os clientes 'deixados' pelos planos cancelados. "Além de casos mais conhecidos, pequenas também saíram do mercado. Isso abriu espaço para nós", explica o diretor administrativo e financeiro da Ameplan, José Silva dos Santos.

De acordo com o executivo, para conseguir captar 'os desatendidos' a companhia resolveu investir na qualidade e na imagem da companhia. Além de lançar plataformas digitais, a Ameplan desenvolveu novos produtos que se adaptam ao cenário econômico. "Investimos na marca para ganhar credibilidade e trabalhamos também em novos planos para oferecer o que a empresa [cliente] procura", comenta.

Um exemplo de novo produto, é o plano coparticipativo que será lançado em breve. Neste modelo é possível cobrar uma mensalidade menor, porém um valor adicional é colocado (ao funcionário) por cada consulta ou exame realizado. "É uma opção para as empresas neste momento de crise. Assim elas não precisam cortar o benefício."

Outra estratégia da companhia é aumentar o foco no cliente corporativo. Atualmente, 30% dos beneficiários têm planos individuais e a ideia é levar o patamar para 25%. O movimento segue a tendência de todo o mercado suplementar, devido ao controle dos reajustes deste produto, que tem estado abaixo do índice de inflação geral e do aumento dos custos assistenciais.

Para conseguir diminuir os gastos fixos, Santos contou que a operadora tem investido em ações de redução de custo. Na área de compras de materiais e medicamentos, por exemplo, o executivo conta que foi instaurada uma auditoria para controle dos gastos na rede credenciada e parceiros. "O processo iniciou no ano passado e a equipe tem auditores, médicos e enfermeiros."


FÔLEGO


Outro fator que tem ajudado a companhia a manter as operações lucrativas é a 'oxigenação da carteira'. "Temos uma carteira bem distribuída. Mais de 25% dos beneficiários estão na faixa de 0 a 18 anos. Apenas 12% têm mais de 58 anos." E para ele, neste momento de instabilidade esse fator só tende a aumentar. "As pessoas não estão se colocando no plano, mas fazem para o filho."

Com estes números, a sinistralidade tem se mantido abaixo da média de mercado. Segundo a ANS, em 2015, a taxa de sinistralidade das operadoras médico-hospitalares foi de 84,6%. "Em 2015 vimos um crescimento da sinistralidade, a média foi de 68%. Mas teve picos de 70% em alguns meses. Mesmo assim, menor que o resultado de mercado", diz.

Neste ano, a Ameplan irá lançar programas de saúde para manter níveis baixos de sinistralidade. A princípio o foco dos programas será de obesidade mórbida e prevenção de doenças na idade infantil.

Hoje, a empresa concentra sua atuação na cidade de São Paulo e mantém algumas operações em municípios próximos. O foco tem sido principalmente as pequenas e médias empresas dos ramos de transporte rodoviário, empresas de alimentação e comércio em geral. "Todos os dias surgem novas empresas [startups e pequenas], sobretudo hoje com o desemprego", complementa. Com a expectativa de atingir 110 mil beneficiários neste ano, a empresa será considerada pela ANS operadora de grande porte. No final de 2015 eram 95 mil vidas.




Copiar ideias antigas não salvará o SUS

09/06/2016 - Folha de S.Paulo


O governo interino de Michel Temer não apresentou sequer uma ideia nova para reverter a ruína do Sistema Único de Saúde (SUS), acelerada nos últimos anos pelo baixíssimo financiamento público.

No capítulo sobre saúde do documento Travessia Social, divulgado em abril pelo PMDB, o que se lê são platitudes de segunda mão. Cópia da plataforma eleitoral de 2014 do então candidato a presidente Aécio Neves, apresenta o SUS como "uma das grandes políticas de inclusão social".

Promete, entre outros pontos, expandir para toda a população a estratégia saúde da família, instituir o cartão de saúde, ampliar leitos de UTI e redes de urgência, melhorar a gestão e cobrar desempenho de prestadores hospitalares.

Ao cardápio requentado, mas que exigiria muito dinheiro para ser servido, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, acrescentou suas "prioridades", como combater o Aedes aegypti, inaugurar unidades de pronto atendimento e capacitar pessoal da saúde.

Tratou também de adular aliados, falou em agilizar a liberação de medicamentos -como exige a indústria farmacêutica-, abrandar o controle sobre os planos de saúde -que obtiveram em maio o maior reajuste dos últimos 15 anos- e manter o programa Mais Médicos, porém com mais brasileiros e menos cubanos.

De resto, o governo interino cópia e cola do PSDB um tripé nada original, o mesmo que embalou as gestões do PT na saúde: subfinanciamento, privatização e programas fragmentados.

Em 2015, alteração na Constituição (emenda 86) retirou mais um naco do montante federal da saúde. A recessão corroeu impostos e contribuições que sustentam o setor e levou à maior utilização de serviços, pois foi para a fila do SUS a multidão que perdeu o plano de saúde junto com o emprego.

Agora a possível limitação dos gastos obrigatórios dos governos com saúde poderá aprofundar a crise sanitária instalada e levar ao colapso serviços que já diminuíram equipes, consultas, internações e até atendimentos de urgência.

Decidido a minguar o custeio do SUS, o governo interino vê solução nas parcerias público-privadas e no maior consumo de planos de saúde.

O que mais poderá ser entregue ao setor privado? Com Dilma Rousseff, houve abertura da rede assistencial privada ao capital estrangeiro, hospitais privados cinco estrelas (ditos "filantrópicos") se esbaldaram em renúncias fiscais, o BNDES concedeu empréstimos generosos ao setor, planos de saúde ganharam novas desonerações e assumiram o controle da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

A escalada do número de ações judiciais contra planos privados, por exclusões de coberturas e reajustes abusivos de mensalidades, e a perda de mais de 1 milhão de clientes, só em 2015, demonstram que não é o SUS que deve diminuir seu tamanho, como bradou o ministro, mas é o mercado suplementar que segue anabolizado, sem entregar aquilo que vende.

Já a gestão privada dos serviços, que inovação mais antiga seria essa? As organizações sociais e similares estão aí há 20 anos e não há evidências de melhorias no uso do dinheiro escasso ou no atendimento.

A salvação do SUS não virá dos empresários da saúde, que se manterão em nichos, na venda de leitos, atos médicos, exames e procedimentos rentáveis. Por certo se assanharão por mais subsídios e acesso a fundos públicos, tendo o Estado como fiador de seus negócios.

No entanto, nunca irão apostar suas fichas em redes universais, na atenção primária, no cuidado aos idosos, na saúde mental, no tratamento da Aids, no controle de epidemias... O SUS para todos e de qualidade, conforme quer e tem direito o povo brasileiro, não irá sobreviver com um simples comando "Crtl C, Crtl V" de ideias do passado.




Rede de saúde atende em média 49 mulheres vítimas de abuso por dia

09/06/2016 - Folha de S.Paulo


Em 2015,uma média de 49 mulheres foram atendidas por dia na rede pública e privada de saúde após serem vítimas de estupro. Destas, a maioria era criança ou adolescente.

Dados preliminares, contabilizados por meio do Sinan (Sistema Nacional de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, indicam ao menos 17.871 atendimentos no último ano a mulheres vítimas de estupro.

O número, que representa apenas os casos notificados por profissionais de saúde, ainda deve crescer, já que os registros ainda podem ser atualizados pelas secretarias de Saúde nos próximos dias. Na prática, a pasta estima que o total de casos seja muito maior—cerca de 40% dos municípios não registra os atendimentos do SUS a vítimas de violência sexual.

Ainda assim, os dados são vistos com preocupação por técnicos do governo. Do total de casos de estupro notificados no último ano, 71% foram de meninas de até 19 anos.

Só em 2015, ao menos 997 mulheres que morreram vítimas de homicídio, suicídio e outras “causas externas”, como afogamentos e queimaduras, já tinham sido atendidas após terem sido vítimas de agressões físicas.




HC vai investigar esquema de ‘fura-fila’

09/06/2016 - O Estado de S.Paulo


Um esquema para furar fila em exames, consultas e cirurgias mediante pagamento de R$ 380 estaria funcionando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), maior complexo hospitalar da América Latina.

O hospital informou que vai abrir uma sindicância e que funcionários serão exonerados se for confirmada a participação deles.

O pagamento de propina para ter o atendimento na unidade foi divulgado ontem pelo jornal Diário de S.

Paulo, cuja reportagem se passou por paciente e, em contato com um auxiliar de serviços gerais, conseguiu a matrícula de paciente do hospital, furou a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e foi atendida por um neurocirurgião. Segundo o jornal, o grupo que participa da ação é formado por um funcionário da manutenção, auxiliares administrativos e ao menos um médico.

O funcionário que aparece na reportagem seria o responsável por conseguir os pacientes e receber o pagamento deles. Ele também conduzia as pessoas que pagavam pelo atendimento até a porta do consultório. O neurocirurgião chegou a citar o nome do auxiliar, pedindo para a repórter entrar em contato com ele caso precisasse de nova consulta.


DILIGÊNCIAS


Com a divulgação do caso, a Corregedoria-Geral da Administração (CGA), órgão ligado à Secretaria de Governo do Estado de São Paulo, fez diligências e oitivas no hospital entre as 9 e as 19 horas de ontem. Hoje, a CGA vai fazer o rastreamento do IP dos computadores do hospital. O órgão informou que se colocou à disposição do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, para ajudar em investigações sobre o caso.

Em nota, o Hospital das Clínicas informou que uma sindicância será aberta para apurar os fatos.

“Comprovada a participação de funcionários, eles serão exonerados. O funcionário citado na reportagem será afastado preventivamente.” Disse ainda que, se for confirmada a participação de médicos, encaminhará denúncia para o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).O Cremesp informou que abriu uma sindicância para apurar os fatos.

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o esquema.

As vítimas que se sentirem lesadas podem ir até o 14.º DP para registrar boletins de ocorrência.

Ninguém procurou a polícia ontem.


PACIENTES


O clima era de decepção e indignação no Hospital das Clínicas ontem. “Eu acho que é um absurdo, uma falta de respeito com a população.

Um hospital tão bom não pode ficar dando valor só para quem tem dinheiro. O direito é dos pobres, das pessoas que precisam de atendimento e não podem pagar”, diz a doméstica Maria José Silva, de 55 anos, que tinha ido ao endocrinologista.

O auxiliar de produção Gerson Felippe, de 44 anos, acompanhava a sogra e ficou surpreso com o caso. “Eu vi a notícia, mas não imaginava que tinha sido no Hospital das Clínicas, que é uma referência.” Moradora de Peruíbe, na Baixada Santista, a secretária Priscila Eugênia Bezerril, de 30 anos, conta que esperou por três meses por uma consulta com um oftalmologista para o filho Breno, de 5 anos. A existência de um esquema que fura as filas no hospital a deixou preocupada. “Quem faz isso pode estar tirando a vaga de uma pessoa em estado grave. Não é o caso do meu filho, que tem estrabismo.” O professor de educação física Washington Luiz Silva, de 25 anos, tem insuficiência renal e, além de tomar medicamentos, passa por consultas com reumatologista na unidade. Ele conta que as consultas não costumam demorar. Mesmo assim, ficou indignado.

“O certo é cada um esperar a sua vez, porque tem gente que sai cedo de casa e vem de longe para conseguir ser atendido aqui. Isso não é certo.” Silva diz que nunca ouviu comentários sobre o esquema nem recebeu ofertas para conseguir uma posição melhor na fila.




Exame de sangue prevê se pessoas responderão a antidepressivos

08/06/2016 - G1 - Jornal Hoje


Cientistas desenvolveram um exame de sangue que pode prever se as pessoas com depressão vão responder bem a tratamentos com os antidepressivos mais comuns.

A descoberta pode permitir tratamentos personalizados no futuro e evitar que pacientes fiquem meses tomando um antidepressivo que não faz efeito. Tudo graças ao teste que mede o nível de inflamação no sangue da pessoa. Com isso, os médicos poderiam prescrever o antidepressivo mais efetivo ainda no estágio inicial, antes que a condição se agrave.

A descoberta é de cientistas do conceituado Kings College, de Londres. Mas precisa ser recebida com cautela porque a amostragem é muito pequena. Apenas 140 pessoas foram submetidas ao novo teste, e muitos outros estudos ainda precisam ser feitos.

A depressão atinge mais de 350 milhões de pessoas mundo afora. Ou seja, qualquer novidade que possa reduzir a frustração e o sofrimento de quem quer se tratar, é bem-vinda.




Bactérias do intestino podem agir no sistema nervoso e provocar obesidade

08/06/2016 - UOL


Obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica estão associadas a alterações na flora intestinal. Segundo um estudo de cientistas da Universidade de Genebra, na Suíça, e da Universidade de Yale (EUA), a forma como os micro-organismos se comportam no intestino pode influenciar o sistema nervoso e ser a causa dessas doenças. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (8) pela revista Nature.

Uma pesquisa, feita com roedores, mostra que a produção de acetato pela flora intestinal ativa o sistema nervoso parassimpático para que ele aumente a produção de grelina (conhecida como o "hormônio da fome") e de insulina induzida pela glicose. Segundo os pesquisadores, isso gera aumento do apetite e da ingestão de alimentos, ganho de peso, doença hepática gordurosa e resistência à insulina. A capacidade da flora intestinal ativar essa região era desconhecida até o momento.

A glicose é um carboidrato que fornece a energia necessária para o organismo funcionar. Ela está presente em diversos alimentos como massas, pães e frutas. A insulina é um hormônio, produzido no pâncreas, que ajuda a glicose a se transformar em energia e penetrar nas células do corpo. Quando o indivíduo se torna resistente à insulina a glicose se acumula no sangue, o que pode causar doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e a obesidade.

Durante o processo digestivo, as bactérias do intestino produzem ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que incluem acetato, propionato e butirato. Os cientistas relataram que roedores alimentados com uma dieta rica em gordura produziam acetato em maior quantidade do que os alimentados de forma comum. A análise destes dados vai permitir identificar a forma como a flora intestinal ajuda na progressão da obesidade induzida pela má alimentação.

Para os pesquisadores, essa informação pode ajudar a prevenir doenças. "Os resultados destes estudos demonstram que através do bloqueio desse acetato é possível prevenir a obesidade e a resistência à insulina", diz Gerald Shulman, professor de medicina da Faculdade de Yale, e um dos autores da pesquisa.

No entanto, a flora intestinal não é a mesma para todo mundo. As bactérias se desenvolvem de acordo com as condições de nascimento e daquilo que o indivíduo ingere durante a vida. "Devemos lembrar que este estudo foi em ratos e não podemos transpor os resultados para humanos. Cada pessoa tem as suas bactérias intestinais. Você pode nascer com uma flora ótima e estragá-la com uma má alimentação. Não podemos dizer que é exclusivamente culpa das bactérias. Elas têm um papel na gênese da obesidade e da diabetes, mas não sabemos o quanto é importante nem dizer que começa aí", diz ao UOL Érika Bezerra Parente, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês.

Para a médica ainda é cedo para saber como essa terapia será usada. "A medicina já trata do sistema nervoso para auxiliar o controle da obesidade. Talvez no futuro o foco seja tratar as bactérias do intestino. É preciso ver como esse mecanismo vai ser demonstrado em humanos, mas sem dúvida é um começo", diz Parente.

Os pesquisadores ainda não sabem se essa descoberta também poderá ajudar quem já convive com a obesidade. "Agora estamos estudando para saber se o volume deste acetato em indivíduos obesos causa as mesmas reações no sistema nervoso", diz Shulman.




Ministério da Saúde registra 1.551 casos de microcefalia no País

08/06/2016 - IG


O Ministério da Saúde divulgou nessa terça-feira (7) um novo boletim com números de microcefalia no País. Foram confirmados 1.551 casos da doença e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. O documento reúne as informações encaminhadas semanalmente pelas secretarias estaduais de Saúde, referentes ao período que vai até 4 de junho.

No total, foram notificados 7.830 casos suspeitos desde o início das investigações, em outubro de 2015, dos quais 3.017 permanecem em investigação. Outros 3.262 foram descartados por apresentarem exames normais, ou por apresentarem microcefalia e ou malformações confirmadas por causas não infecciosas, ou por não se enquadrarem na definição de caso.

Segundo o Ministério da Saúde, do total de casos confirmados, 224 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus Zika. A pasta ressalta que o dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. Para o ministério, houve infecção pelo Zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia.

Os 1.551 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 556 municípios de 25 unidades da Federação e no Distrito Federal. Não existe registro de confirmação apenas no estado do Acre.

No mesmo período, foram registradas 310 mortes suspeitas de microcefalia. Destas, 69 foram confirmadas, 197 continuam em investigação e 44 foram descartadas.

Clipping de Notícias - 03/06/2016

CRF-SP - Clipping de Notícias

CLIPPING - 03/06/2016

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

 

 

 

Pesquisa aponta efeito da ‘pílula do câncer’ em tumor

02/06/2016 - O Globo / Site


Em nova pesquisa feita com a fosfoetanolamina sintética, que ficou conhecida como ‘pílula do câncer’, o Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP), de Santa Catarina, apontou que uma dose maior da substância aplicada num grupo de camundongos conseguiu atrasar, de forma significativa, o crescimento de um melanoma.

Realizada entre fevereiro e abril, com 40 animais, divididos em quatro grupos, a pesquisa utilizou o cloreto de sódio 0,9%, a fosfoetanolamina sintética nas doses de 200 mg/kg e 500 mg/kg e a cisplatina 2 mg/kg, já aplicada em pacientes com câncer. A fosfo, na dose de 500 mg/kg, reduziu em 34%, o volume do tumor, enquanto a cisplatina apresentou diminuição de 68%.

Já o tratamento com a fosfo na dose de 200 mg/kg, segundo pesquisa, não foi capaz de prevenir o crescimento do tumor. Houve, inclusive, um aumento de aproximadamente 14 vezes de seu volume durante os 24 dias de teste.

O laboratório informa, no documento, que os tratamentos não levaram à morbidade e mortalidade dos animais utilizados no estudo.


SEM EFEITO SOBRE TUMORES DE PROLIFERAÇÃO RÁPIDA


Testes feitos com roedores demonstraram que a fosfoetanolamina sintética não tem efeito contra tumores. Os resultados das pesquisas, realizadas pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), foram publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que está financiando os estudos com a substância.

Segundo pesquisadores, os resultados indicam que a “pílula do câncer” não tem efeito sobre tumores de proliferação rápida, mas ainda não bastam para descartar uma eventual eficácia em seres humanos. Para isso, serão necessários exames clínicos.

A fosfoetanolamina é fruto de pesquisas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. A substância vinha sendo distribuída a pacientes localmente, até que isso foi proibido pela instituição, em junho de 2014.

O pesquisador Salvador Claro Neto, da equipe do criador da fórmula Gilberto Chierice, professor aposentado da USP, explicou que a fosfoetanolamina não mata o tumor. Essa é a função do sistema imunológico, que é onde a fosfo atua. A substância, aponta ele, estimula a morte celular programada, conhecida como apoptose e que é essencial para o bom desenvolvimento do organismo. Esse processo dispara o sistema imunológico, que retira a célula doente:

— Você tem que estar com o sistema imunológico em dia. Eles explicaram que os roedores não tinham imunidade? Se você tiver câncer e não tiver imunidade, e tomar a fosfoetanolamina, você também não vai curar.

Neto foi deslocado da USP de São Carlos para o laboratório PDT Pharma, em Cravinhos, onde a substância está sendo sintetizada para pesquisas em pacientes, coordenadas pelo Instituto do Câncer. Ela será entregue em lotes para a Fundação Para o Remédio Popular (Furp), do governo estadual, que vai encapsular o produto.




Vendas de medicamentos crescem 9,6% em abril, diz associação

02/06/2016 - IstoÉ Dinheiro Online


As vendas de medicamentos por distribuidores brasileiros cresceram 9,6% em abril de 2016 ante igual mês de 2015, segundo a Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan). O faturamento no mês atingiu R$ 1,25 bilhão.

No acumulado do primeiro quadrimestre de 2016, o setor alcançou um faturamento de R$ 5,18 bilhões, alta de 21,75% na comparação anual.

No mês de abril, foram vendidas 68,64 milhões de unidades de medicamentos, crescimento de 2,8% ante igual mês de 2015. Em quatro meses, o total de unidades vendidas chegou a 304,9 milhões, crescimento de 16,02%.




Preço de remédio genérico varia até R$ 52 em farmácias de SP

03/06/2016 - Folha de S.Paulo


O preço de um medicamento genérico pode variar até R$ 52 na capital paulista, segundo pesquisa do ProconSP divulgada na quarta-feira (1º). Os valores foram pesquisados pelo órgão entre os dias 9 e 11 de maio. Essa diferença foi verificada no valor da atorvastatina cálcica,utilizada para a redução do colesterol. O maior preço encontrado foi de R$ 63,95, para a embalagem com 30 comprimidos de 10 mg. O mesmo medicamento poderia ser comprado pelo consumidor, em outra farmácia, por R$ 11,94.

No levantamento geral realizado pelo Procon,que inclui 68 medicamentos (34 de marca e 34 genéricos),a maior variação percentual entre os produtos chegou a 1.200%, na Nimesulida, 100 mg, com 12 comprimidos. O custo variou de R$ 1,77 a R$ 23,03.

Considerando os produtos selecionados pelo “Agora”, os preços mais baixos estão na Promofarma da rua Parapuã, 1.658, Brasilândia (zona norte), e na Drogaria Walmart da avenida Jabaquara, 2.979,Mirandópolis (zona sul). A pesquisa ocorreu em 15 farmácias nas cinco regiões da cidade




Margem de lucro maior faz farmácias subirem oferta de não medicamentos

03/06/2016 - DCI


São Paulo - A categoria de não medicamentos é a que tem apresentado o maior crescimento nas vendas dentro das farmácias e drogarias, puxando para cima a receita do setor. A margem de lucro maior, em comparação com os medicamentos, é um dos atrativos de vender esses itens, e estimula o investimento das lojas no segmento.

Segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) referentes ao primeiro quadrimestre, de 2011 até 2016 o crescimento acumulado do faturamento desse grupo - que engloba principalmente artigos de perfumaria e higiene pessoal - foi de 132,61%. À título de comparação, nesse mesmo período os medicamentos tiveram alta acumulada de 92,15%.

"Os não medicamentos já representam quase 35% da receita total do setor, o que mostra que o consumidor cada vez mais quer conveniência, buscando em um mesmo lugar um mix amplo de produtos", diz o presidente executivo da Abrafarma, Sergio Mena Barreto.

A importância da categoria é visível no balanço do primeiro trimestre deste ano de três grandes redes de farmácias: Raia Drogasil, Pague Menos e BR Pharma. Em todas elas, o grupo de não medicamentos foi o que apresentou o maior crescimento no período. Na Raia Drogasil, maior rede do País com 1.274 lojas, esses itens já representam 28,6% do faturamento total da empresa. De janeiro a março, o crescimento foi de 27,3%. Na Pague Menos, que possui 849 unidades, a categoria já representa 31,4% e o acréscimo nesse período foi de 28,9%, valor consideravelmente maior do que o registrado nas demais categorias.

O forte crescimento na venda desses artigos nos últimos anos é creditado pelo presidente da Pague Menos, Francisco Deusmar de Queirós, à ascensão da classe D e E. De acordo com ele, a melhoria das condições sociais de uma camada significativa da população brasileira, a partir de 2002, gerou um aumento na procura por produtos desse tipo, o que influenciou o crescimento da venda nas farmácias.

A estrutura e o preparo cada vez maior das drogarias é outra explicação para esse aumento. "O consumidor encontra em nossas lojas um sortimento grande de produtos de higiene e beleza, preços competitivos e conveniência", diz o vice-presidente de relações institucionais da Raia Drogasil, Antonio Carlos de Freitas. Segundo ele, isso faz com que o cliente não enxergue mais a farmácia como um espaço que vende apenas medicamentos, mas que oferece também bem-estar.

Para o dono da farmácia Maxifarma, no Paraná, Edenir Zandona, esse crescimento se deve a uma mudança no hábito dos consumidores, que migraram a compra desses artigos dos supermercados para as farmácias. "Isso começou há cerca de 5 anos. As drogarias passaram a conseguir negociações melhores nesses produtos, e os preços acessíveis atraíram os clientes", diz.


MARGEM MAIOR


Um aspecto apontado pelas farmácias ouvidas pelo DCI, e que torna a venda de não medicamentos muito atrativa para os empresários do setor, é que a margem de lucro na comercialização desses produtos é maior do que na venda de medicamentos. "A margem é consideravelmente superior. O preço dos medicamentos é tabelado, e, por isso, você não consegue trabalhar muito a margem", diz a gerente técnica da Rede Bem, Rosicler Simão.

Para Deusmar, da Pague Menos, esse fato faz com que seja importante aumentar ainda mais a participação desses artigos na receita da rede. Com isso em mente, o empresário espera que em dois anos a participação da categoria suba 3,6 pontos percentuais, para 35%.

"Estamos com um trabalho forte de gerenciamento de categorias, analisando quais produtos oferecer e quais tirar das gôndolas, em cada região que atuamos", afirma. "Outra ação deve ser aumentar a área para os não medicamentos, já que isso é uma tendência do setor".

A Rede Bem também afirma que tem trabalhado para aumentar a participação dos não medicamentos. Atualmente, a categoria já representa 40% do faturamento total da rede, e a expectativa é que em 5 anos esse valor suba para 45%.

"Desde o ano passado decidimos oferecer um mix maior de produtos. Investimos forte em dermocosméticos. Aumentamos tanto a oferta de itens, quanto a quantidade de marcas nas prateleiras", diz Rosicler. A Maxifarma foi radical nesse movimento e diz ter aumentado em cerca de 60% o mix de produtos ofertados, também visando uma expansão na fatia dessa categoria.

Na loja, os não medicamentos são responsáveis por cerca de 30% das vendas totais. "Há 4 anos esses produtos representavam apenas 10%. Foi um crescimento muito grande", diz Zandona. Segundo a proprietária da unidade, se a expansão continuar nesse mesmo ritmo, dentro de 5 anos a fatia deve chegar perto do 50%.




Vacina contra o câncer

03/06/2016 - O Globo


Nos últimos anos, a chamada imunoterapia emergiu como grande promessa de vitória contra o câncer. Com ela, os médicos procuram convocar as defesas do próprio organismo dos pacientes para destruir as células cancerosas, que por serem muito parecidas com as saudáveis acabam escapando da ação do sistema imunológico. Os tratamentos, no entanto, podem ser extremamente caros, com remédios que custam até dezenas de milhares de reais por mês e que algumas vezes precisam ser personalizados para identificar características específicas dos tumores do doente.

Mas uma nova técnica que ensina as defesas do organismo a atacar as células cancerosas como se fossem um vírus, ou outro corpo estranho invasor, pode mudar este cenário. Desenvolvida por pesquisadores na Alemanha, ela tem o potencial de permitir a criação de vacinas “universais” contra a doença, isto é, que funcionariam contra qualquer tipo de câncer em qualquer pessoa, o que também baratearia em muito os tratamentos. E em testes iniciais com camundongos e três pacientes humanos os resultados foram promissores, relatam os cientistas em artigo publicado na esta semana da revista “Nature”.

— Nosso estudo introduz uma nova classe de vacinas contra o câncer extraordinariamente potentes que permitem um eficiente redirecionamento do sistema imunológico para atacar uma ampla gama de antígenos (qualquer corpo estranho que provoque uma resposta imunológica) tumorais —conta Ugur Sahin, professor da Universidade Johannes Gutenberg que liderou a pesquisa. —Este é um grande passo rumo ao nosso objetivo de tornar as imunoterapias acessíveis e aplicáveis contra todos os tipos de câncer.


NANOCÁPSULAS DE RNA


Na técnica, os cientistas encapsularam trechos de RNA — um tipo de código genético “mensageiro”, que carrega informações para a fabricação de uma proteína — característicos de células cancerosas, mas ausentes nas saudáveis, em uma membrana de lipídios (gorduras). Eles injetaram as nanopartículas na corrente sanguínea de camundongos e observaram a reação de seu sistema imunológico.

Nesta fase do estudo, os pesquisadores analisaram quais trechos de RNA e sua proporção com as nanocápsulas de gordura melhor ativavam a resposta das defesas do organismo, verificando também que ela provinha principalmente das chamadas células dentríticas. Estas células estão entre as principais responsáveis por identificar e “apresentar” novos antígenos aos chamados linfócitos T, fazendo a ponte entre o que são conhecidos como sistema imunológico inato e adaptativo.

Estes linfócitos, por sua vez, têm muitos tipos com funções múltiplas no corpo. Nas vacinas contra o câncer, os cientistas viram a produção principalmente de dois deles, chamados CD4 e CD8 . Os primeiros, parte do sistema adaptativo, também são conhecidos como “ajudantes” por guiarem a produção de anticorpos e outros mecanismos de defesa que destroem invasores, além de “lembrar” com quais antígenos o organismo já entrou em contato, tornando sua resposta mais eficiente. Já os linfócitos CD8 , também chamados “matadores”, atacam diretamente os invasores, característica típica do sistema inato.

E é justamente por provocar esta resposta combinada dos sistemas imunológicos inato e adaptativo dos pacientes o grande mérito da técnica, destacam os pesquisadores. “Estas vacinas são rápidas e baratas de produzir, e virtualmente qualquer antígeno tumoral pode ser codificado com o RNA”, escreveram na “Nature”. “Assim, a abordagem com nanopartículas de RNA introduzida aqui pode ser vista como universalmente aplicável em novas vacinas para imunoterapia contra o câncer”. FORTE RESPOSTA IMUNOLÓGICA Ainda no artigo na “Nature”, os pesquisadores relatam um teste clínico limitado da técnica em humanos. Nele, três pacientes diagnosticados com melanoma receberam injeções com nanopartículas carregando quatro trechos de RNA produtores de proteínas típicas deste tipo particularmente agressivo de câncer, que geralmente atinge a pele. E embora as doses recebidas por eles tenham sido proporcionalmente muito menores do que as dadas aos camundongos — já que nesta etapa de testes clínicos, conhecida como Fase 1, o principal objetivo é verificar a segurança, e não a eficácia, de um tratamento —, todos apresentaram o que foi considerado uma “forte” resposta imunológica, com sintomas iniciais parecidos com o de uma gripe, em mais uma indicação da ativação tanto de seus sistemas imunológicos inatos quanto dos adaptativos.

Em um dos pacientes, um tumor identificado em um nódulo linfático aparentemente diminuiu de tamanho. Já um outro, que teve os tumores removidos cirurgicamente da pele antes de receber a vacina, permaneceu livre do câncer por ao menos sete meses. O último deles, por sua vez, já tinha oito tumores espalhados em seus pulmões que permaneceram “clinicamente estáveis”, isto é, pararam de crescer.

Mas, apesar destes resultados promissores, especialistas alertam que ainda há um longo caminho a percorrer antes que vacinas contra o câncer produzidas com a nova técnica cheguem ao mercado.

— Embora a pesquisa seja muito interessante, ela ainda está um tanto longe de provar ser benéfica para os pacientes — comentou Alan Melcher, do Instituto de Pesquisas sobre Câncer do Reino Unido.




Takeda retoma plano de aquisições no Brasil.

03/06/2016 - Valor Econômico


Maior farmacêutica japonesa, a Takeda vai novamente às compras no mercado brasileiro. Em entrevista ao Valor, o presidente do laboratório no país e na América Latina, Ricardo Marek, afirmou que a companhia está buscando oportunidades de compra de outras farmacêuticas. "O Brasil é um país vital para o crescimento da organização. Estamos ativos em fusões e aquisições", disse.

Uma provável aquisição do laboratório tende a levar em conta as áreas terapêuticas estratégicas para a multinacional, em complementação a seu portfólio, e o mercado de OTC (medicamentos isentos de prescrição), que concentra um grande número de laboratórios nacionais.

Globalmente, a Takeda colocou no foco as áreas de gastroenterologia, oncologia, sistema nervoso central, cardiovascular e metabólica e vacinas, as duas últimas de maneira seletiva, conforme Marek. No país, 45% dos negócios da farmacêutica estão em OTC, outros 45% em medicamentos de prescrição e os 10% remanescentes são gerados por produtos inovadores em oncologia.

O executivo pondera que não é possível dizer se um negócio vai ser fechado ainda em 2016, uma vez que esses processos podem ser de longa maturação. "Esse é um ano de namoro. Estamos olhando, avaliando alguns ativos", disse.

Foi justamente por meio da compra de outros laboratórios que a Takeda, dona de marcas famosas como Neosaldina e Eparema, efetivou e consolidou sua presença no mercado brasileiro. No fim da década passada, a farmacêutica contava apenas com um escritório no país e, hoje, está entre as dez maiores farmacêuticas do país em vendas e é a sétima maior no segmento de genéricos em unidades.

Globalmente, a farmacêutica também voltou a atuar no redesenho da indústria, que tem resultado em transações bilionárias e troca de portfólio entre multinacionais. No fim de maio, o jornal "The Wall Street Journal" informou que a Takeda, em parceria com o fundo TPG Capital, teria feito uma oferta pela canadense Valeant. A proposta, porém, foi rejeitada. No início do ano, a companhia japonesa já havia comprado uma fábrica de biológicos em Minnesota, nos Estados Unidos, pertencente à Baxalta.

Em 2011, a Takeda garantiu presença relevante no mercado farmacêutico europeu com a aquisição da Nycomed, laboratório suíço com foco em países emergentes, por US$ 14 bilhões. A operação também representou a entrada efetiva do laboratório no mercado brasileiro, onde a Nycomed estava presente desde 1954. No ano seguinte, a Takeda fechou a compra da Multilab, por R$ 540 milhões, consolidando sua presença no país.

Conforme Marek, a farmacêutica ajustou o foco para manter as posições conquistadas em mercados já constituídos e entrar em novas áreas terapêuticas. No concorrido mercado brasileiro de genéricos, que é disputado por grandes fabricantes como EMS, Hypermarcas (Neo Química), Medley (Sanofi) e Eurofarma, os esforços da Takeda visam a sustentar a participação de mercado alcançada. "É um dos mercados mais pujantes dentro da indústria", afirmou.

Ao mesmo tempo, o lançamento de produtos inovadores no país tende a ampliar a participação desses medicamentos nos negócios e acelerar o ritmo de expansão das receitas no país. Nesse sentido, o próximo passo é trazer ao país o primeiro biológico da Takeda, o Entyvio (vedolizumab), indicado para tratamento de colite ulcerosa e doença de Crohn.

A farmacêutica participa ainda da corrida para desenvolvimento de uma vacina contra a dengue, que é liderada pela francesa Sanofi. O imunizante da Sanofi já recebeu o aval da Anvisa, mas ainda não começou a ser distribuído no país. Já a vacina da Takeda está em vias de entrar na última fase de pesquisas clínicas (a chamada fase III), que incluirá pacientes brasileiros. Normalmente, a partir desse momento, são necessários até dois anos para que o medicamento chegue ao mercado.

Com faturamento global equivalente a US$ 16,6 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de março, a Takeda registrou vendas de US$ 890 milhões na América Latina. Na região, o crescimento recorrente superou a taxa consolidada e ficou em 7,4%. A desvalorização do real, porém, fez a subsidiária brasileira perder alguns postos no ranking das maiores operações da farmacêutica. Em 2013, o país estava em as quatro mais relevantes. Hoje, está no grupo das oito.

Cientistas apresentam projeto para criar genoma humano sintético

03/06/2016 - O Globo


Um grupo de cientistas propôs, ontem, um projeto ambicioso para criar um genoma humano sintético, que tornaria possível o desenvolvimento de seres humanos sem a necessidade de pais biológicos. Esta possibilidade levanta polêmica sobre o quanto a vida humana pode ou deve ser manipulada.

O projeto, que surgiu em uma reunião de cientistas da Universidade Harvard, nos EUA, no mês passado, tem como objetivo desenvolver e testar o genoma sintético em células dentro de laboratório ao longo de dez anos. O genoma sintético humano envolve a utilização de produtos químicos para criar o DNA presente nos cromossomos humanos. A meta foi relatada na revista “Science” desta semana pelos 25 especialistas envolvidos. A intenção do projeto, de acordo com os cientistas, é compreender melhor como o genoma humano funciona e, dessa forma, buscar novos tratamentos para doenças.

Os autores da proposta a ser lançada ainda este ano, com o nome Projeto de Escrita do Genoma Humano, defendem que a fabricação de grandes trechos de DNA permitiria inúmeros avanços científicos e médicos, como por exemplo a confecção de organismos resistentes a todos os vírus, ou a criação de órgãos em porcos adequados a transplantes em pessoas. E dizem ter intenção de envolver o público nessa discussão, que inclui questões éticas, legais e sociais.

— O principal benefício (do projeto) é uma melhor compreensão de aspectos como a estrutura dos cromossomos e saber de que maneira o genoma funciona. É um esforço de compreensão básica assim como foi com o sequenciamento do genoma humano, que nos deu uma enorme quantidade de informações e até trouxe algumas surpresas — afirmou a pesquisadora Susan Rosser, uma das signatárias do relatório, em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”. BARREIRAS ÉTICAS O cientista Tom Ellis, do Centro de Biologia Sintética do Imperial College, em Londres, afirmou que ainda não está convencido se essa é uma boa ideia.

— Ainda não estou particularmente convencido sobre a questão. Eu gosto da ideia de discutir o assunto e chegar a algum tipo de padrão ético e tecnológico antes de alguém começar a trabalhar com isso — ponderou.

O projeto, que será executado pela organização sem fins lucrativos Centro de Excelência de Engenharia Biologia, tentará arrecadar este ano US$ 100 milhões — o equivalente a R$ 361 milhões — em financiamento público e privado.

Os organizadores se recusam a declarar o custo final do projeto, mas acham que os custos totais serão inferiores aos US$ 3 milhões utilizados no Projeto do Genoma Humano original, que mapeou pela primeira vez o DNA humano.

Na revista “Science”, os 25 cientistas, liderados pelo geneticista Jef Boeke, do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York, escreveram que o novo projeto “incluirá a engenharia completa do genoma de linhas de células humanas e de outros organismos importantes para a agricultura e saúde pública, ou aqueles que interpretar as funções biológicas humanas”.

Não se sabe ainda se o governo federal vai apoiar ou não o projeto. O médico Francis Collins, diretor dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos EUA, principal financiador de pesquisas médicas no país, deu uma resposta morna a esta questão. Em comunicado, Collins disse que, embora o NIH esteja interessado em incentivar avanços na síntese de DNA, “todo o genoma, os projetos de síntese de todo o organismo se estendem muito além das capacidades científicas atuais, e imediatamente levantam inúmeras bandeiras vermelhas éticas e filosóficas”.




What's News: A Johnson & Johnson

03/06/2016 - Valor Econômico


A Johnson & Johnson vai comprar a firma americana de produtos para cabelo Vogue International por US$ 3,3 bilhões em dinheiro, negócio que vai ampliar sua área de consumo. A unidade de consumo da J&J faturou US$ 13,5 bilhões em 2015 e tem feito pequenas aquisições, como a da marca brasileira Hipoglós, ainda pendente. Já a receita da Vogue foi de US$ 300 milhões e vem crescendo 25% ao ano.




Governo anuncia R$ 65 milhões para pesquisas sobre zika

02/06/2016 - Valor Econômico / Site


O governo federal lançou hoje edital que prevê R$ 65 milhões em recursos para pesquisas que contribuam na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de infecções causadas pelo vírus zika e doenças correlacionadas. Do montante, R$ 20 milhões são parte do orçamento do Ministério da Saúde, R$ 30 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e R$ 15 milhões do Ministério da Educação. Os recursos fazem parte de ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia, lançado em dezembro do ano passado.

Os pesquisadores interessados em participar do edital devem encaminhar os projetos pelo site do CNPq, juntamente com o Formulário de Propostas online, disponível na Plataforma Carlos Chagas. O CNPq destaca que está chamada tem caráter emergencial, já que os pesquisadores estão tendo dificuldades financeiras para dar continuidade a investigações científicas de impacto social.

O projeto deve estar inserido dentro de uma das nove linhas temáticas de pesquisas relacionadas ao zika: desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas; desenvolvimento e avaliação de repelentes e de imunobiológicos; inovação em gestão de serviços em saúde; imunologia e virologia; epidemiologia e vigilância em saúde; estratégias para controle de vetores; desenvolvimento de tecnologias sociais; inovação em educação ambiental e sanitária; e fisiopatologia e clínica.

Os estudos devem ser concluídos dentro do prazo de 48 meses. As propostas vão passar por quatro etapas de análises por especialistas e consultores do Capes, do CNPq, do departamento de Ciência e Tecnologia e da Secretaria de Vigilância em Saúde.

Os resultados e a contratação das pesquisas estão previstos para o início do segundo semestre deste ano. Os projetos vão ser financiados dentro de três faixas de recursos: até R$ 500 mil; de R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão; e de R$ 1,5 milhão a R$ 2,5 milhões.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou que o edital tem como objetivo encontrar mecanismos de controle e combate ao vírus zika. "Nossa prioridade absoluta é combater o mosquito", disse, ao se referir ao Aedes aegypti. Já o ministro da Ciência, Tecnologia e Informação, Gilberto Kassab, classificou a chamada pública como uma parceria entre o governo federal e a comunidade científica. "É uma oportunidade de renovar esforços", concluiu.

HU da USP vai restringir pronto-socorro adulto

03/06/2016 - O Estado de S.Paulo


SÃO PAULO - Após restringir o atendimento pediátrico e oftalmológico, e encaminhar mulheres grávidas para unidades da rede pública da zona oeste da capital, o Hospital Universitário (HU), da Universidade de São Paulo (USP), vai limitar agora serviços do pronto-socorro adulto. A partir do dia 10, a próxima sexta-feira, das 19 horas às 7 horas, apenas casos de emergência serão recebidos no local. Os pacientes deverão procurar outros equipamentos de saúde da região.

A restrição foi anunciada nesta quarta-feira, 1, aos funcionários em um comunicado assinado pelo superintendente Waldyr Antônio Jorge. O informe diz que a medida segue “padrões mínimos de segurança e garantia na qualidade de atendimento à população e ensino aos alunos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Medicina”. A decisão foi tomada após consulta ao Conselho Deliberativo do HU e já foi informada ao Ministério Público Estadual e às secretarias estadual e municipal da Saúde. De acordo com o comunicado, no período de restrição de atendimento, as “equipes reduzidas” ficarão responsáveis pelos pacientes em observação e atendimento de emergência.

Há cerca de um mês, o hospital já havia limitado os serviços do pronto-socorro infantil entre 7 horas e 19 horas, suspendido os serviços oftalmológicos e deixado de receber grávidas por causa da superlotação na maternidade e no berçário. As restrições são decorrentes do déficit de especialistas provocado pelo Programa de Demissão Voluntária (PDV) e pela suspensão de novas contratações na instituição por causa da crise financeira.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), desde o início do PDV, o hospital perdeu cerca de 300 funcionários, a maioria enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Desses, 43 eram médicos, uma redução de 15% no quadro.

“Ao todo, 213 funcionários aderiram ao PDV, mas depois muitos pediram demissão ou se aposentaram. Não houve nenhuma contratação, reposição”, disse Rosane Vieira, auxiliar de enfermagem e diretora do Sintusp. Além das restrições no atendimento médico, outra consequência do programa de demissões foi o fechamento de 49 leitos. Hoje, o hospital opera com 184.

A USP informou, porém, que nos últimos meses não houve nenhuma alteração no quadro de funcionários do HU. Para Rosane, a restrição ao atendimento no pronto-socorro adulto é uma medida política. “A situação de falta de médicos e funcionários é a mesma desde 2014. Ao fechar o pronto-socorro, o superintendente dá a entender que não quer nos sobrecarregar, mas por que isso agora? É porque estamos em greve”, afirmou Rosane. Segundo ela, a intenção é colocar a população contra o movimento.


GREVE


Médicos e funcionários do HU estão em greve desde o dia 23 do mês passado. Eles mantêm equipe mínima de 30% dos servidores. Além de pedir a contratação de novos servidores, eles também são contrários à proposta da universidade de reajuste salarial apresentada pela reitoria.

Na segunda-feira, a negociação de servidores e professores com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) foi interrompida - o órgão que representa a direção das instituições manteve, como proposta final, o reajuste de 3%. O Estado solicitou entrevista com o superintendente do HU, mas a assessoria de imprensa informou que ele não conseguiria atender a reportagem.




Empresas se adaptam à nova regra da ANS e já apontam benefício da norma

03/06/2016 - DCI


São Paulo - Apesar da difícil adaptação, a Resolução Normativa (RN) 395 de 2016 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já começa a trazer resultados positivos para as operadoras. A medida, que vale desde 15 de maio, teve mais de 40 empresas fiscalizadas. Até agora, nenhuma recebeu notificação da agência reguladora.

A norma que regulamenta o atendimento aos beneficiários - além de exigir atendimento presencial, telefônico e abertura de protocolos - demandou alto investimento das operadoras. No entanto, para executivos do setor, em longo prazo, a RN poderá trazer redução de custo com a queda de reclamações e a melhoria de processos. "Nós reduzimos R$ 1,5 milhão por ano nas despesas da área de atendimento", diz o gerente de atendimento do Grupo Life Empresarial Saúde, Filipe Rodrigues Ribeiro Silva.

Segundo ele, o investimento em canais de relacionamento reduziu o gasto com call center. "Depois de implantar o site, o aplicativo, o chat e o atendimento presencial conseguimos reduzir o contato por e-mail - muitas vezes pouco eficiente - em 70%", apontou o executivo durante Workshop da M2G realizado em São Paulo.

Para conseguir oferecer as ferramentas de atendimento ao consumidor, a empresa contratou serviços de tecnologia terceirizados. "É o caminho, porque meu negócio não é esse", indica o executivo.

O especialista em regulação da Mapfre Saúde, Alexandre Sampaio, aponta que ainda não viu redução de custo, mas que os ganhos a longo prazo são inevitáveis. "Você melhora a qualidade do atendimento, reduz o número de Notificações de Investigação Preliminar [NIPs] e consequentemente gasta menos com o jurídico e a ouvidoria", argumenta.

Segundo ele, o impacto na companhia não foi tão grande, porque os investimentos em ferramentas do tipo já eram previstas. "Só alinhamos aos padrões da ANS", diz. Contudo, uma crítica colocada pelo executivo é o requisito do atendimento presencial. "Faz sentido para dar um retorno ao consumidor, mas na entrada a informação não, porque não chega de forma clara e temos que procurar o prestador de serviço. Hoje existem meios mais fáceis de fazer isso sem gerar um custo extra", informa.

De acordo com o gerente de fiscalização da ANS, Frederico Cortez, quase todas as operadoras de saúde de grande porte foram fiscalizadas e até agora não houve necessidade de multa. Até agora, apenas três reclamações relacionadas a RN foram apuradas pela ANS. Para ele, iniciando a fiscalização com as maiores dá às pequenas uma oportunidade de terminarem de se adaptar. "Todas devem ter, mas fica um tempo para os ajustes", conta.

Para empresas que oferecem aplicativos para dispositivos móveis, a agência prorrogou por 90 dias, a adaptação.


OPORTUNIDADES


Com a crise e novas normas da reguladora sendo aplicadas de forma acelerada, o mercado de tecnologia ganhou espaço. Exemplo disso é a desenvolvedora de ferramentas de multicanalidade M2G, que ano passado ampliou atenção ao setor de saúde. "Já era 80% do faturamento, agora é 100% do nosso foco", afirma o sócio-diretor da M2G, Daniel Lindenberg.

Segundo ele, hoje as decisões da ANS determinam o comportamento das operadoras. "Se não correm o risco de multa, NIPs e até suspensão", diz. Por isso, o espaço para quem desenvolve soluções integradas para o mercado é grande. "Ninguém tem investimento sobrando, mas quando é regra não tem opção", explica. Para este ano, além das 16 operadoras e segurados que a M2G atende, a empresa espera entre 4 e 5 a mais em 2016.




Hospital de Câncer terá auditoria do Estado

03/06/2016 - Folha de S.Paulo


Um dia após o gestor do Hospital de Câncer de Barretos, Henrique Prata, ameaçar fechar uma unidade da instituição por falta de repasses financeiros, a Secretaria da Saúde do Estado anunciou que irá vasculhar, por meio de uma auditoria, a aplicação de dinheiro público na fundação que gere a instituição.

Na quarta-feira (1º), a direção do hospital veio a público informar que, devido a um atraso de R$ 30 milhões do governo de Geraldo Alckmin (PSDB),a unidade de Fernandópolis (a 555 km de SP) poderia ser fechada por 30 dias.

Inaugurado em 2013,o local realiza exames preventivos de câncer de colo de útero, de pele, de próstata e de boca. São cerca de 3.000 atendimentos por mês.

Além da “ampla auditoria” na Fundação Pio 12, instituição filantrópica que controla os hospitais do câncer de Barretos, de Jales e o ambulatório em Fernandópolis, o secretário estadual da Saúde, David Uip, chamou de “inconsequentes, mentirosas e irresponsáveis” as declarações públicas dadas por Prata contra ele e o governo.

Uip nega que a devassa nas contas seja em retaliação à administração do hospital e afirmou que a auditoria tem um “espírito de colaboração” com a gestão.

“Fizemos um sorteio e, por coincidência, Jales, onde está o hospital, entrou. Todos os equipamentos de saúde do Estado que receberam dinheiro público irão ser auditados.

O espírito é de colaboração.

A experiência que fizemos na Santa Casa de São Paulo mostrou que havia problemas de gestão e as auditorias que fizemos ajudaram”, diz.

O secretário negou que haja valores atrasados com a instituição e informou que, desde 2013, cerca de R$ 700 milhões foram repassados a ela.

“Espero que o fechamento não aconteça. Está à frente de qualquer embate, a população, e vamos ajudar”, afirma.


MENTIRAS


A irritação maior do secretário foi porque, em conversas públicas, o gestor do hospital reclamou de demora no credenciamento federal da instituição, o que poderia gerar recursos maiores.

“Nenhum deles se trata pelo SUS. Não sabem o que é estar na fila esperando para ser atendido, com dor, e não ter remédio”, falou Prata em entrevista coletiva.

Segundo Uip, o encaminhamento da creditação das unidades de Jales e Fernandópolis já foi feito por “11 vezes” ao Ministério da Saúde, que está de acordo com o pedido, mas ainda não tem recursos para fazê-lo.

“Ele[Prata] é inconsequente quando diz que o pedido não foi feito. Ele mente quando diz que não foi recebido por mim. Até avisei a ele, quando nos mostrou balanços, que estava sendo imprudente por depender demais de verbas de doação e de renúncia fiscal.” A direção do hospital não quis se pronunciar e informou que sabia da auditoria.




Pronto-socorro da USP restringe funcionamento à noite

03/06/2016 - Folha de S.Paulo


O HU (Hospital Universitário) da USP vai interromper o atendimento do PS (pronto socorro)noturno na próxima semana. Só atendimentos emergenciais serão realizados a partir da sexta (10).

A unidade havia limitado em 2015 o pronto-socorro infantil a noite, das 19h às 7h.

Comunicado do HU oficializa agora o mesmo procedimento para os adultos.

A unidade vem sofrendo um desmonte nos últimos anos. A nova limitação no atendimento é reflexo da falta de profissionais e consequente fechamento de 49 leitos a partir de 2014.

Por contratações, os médicos do HU entraram em greve no início desta semana.

O esvaziamento das equipes provocou uma redução de 30% nas consultas ambulatoriais entre 2013 e 2015, conforme a Folha revelou na quinta-feira (2). Atendimentos de urgências recuaram 24% e internações, 21%.

Em 2014, a reitoria da USP realizou um PDV (Plano de Demissão Voluntária) na universidade. Desde então, o HU perdeu 43 médicos (15% da equipe) e 195 servidores técnico-administrativos.

Por causa da crise financeira na USP,novas contratações estão congeladas.

A restrição do PS noturno, segundo o HU, tem o objetivo de seguir “padrões mínimos de segurança e qualidade”.

“As equipes reduzidas ficarão responsáveis pelos pacientes em observação [...] e pelos atendimentos dos casos emergenciais [no período noturno]”, cita o texto.

Servidores administrativos da unidade já haviam aderido à paralisação puxada pelo Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP). A categoria está em greve desde o dia 12 de maio.




Zika pode ser transmitido por sexo oral, dizem cientistas

03/06/2016 - Folha de S.Paulo


Cientistas levantaram a possibilidade de o vírus da zika ser transmitido pelo sexo oral —ou talvez até pelo beijo— em um artigo da revista médica “New England Journal of Medicine”, citando um caso na França.

Um único incidente pode parecer pouco. Mas até o começo deste ano só havia um caso registrado de transmissão sexual do vírus: em 2008, um pesquisador que voltou da África infectou sua mulher no Colorado (EUA).

Outros casos depois levantaram a suspeita. Agora cientistas acreditam que a transmissão sexual seja uma via importante da epidemia de zika na América.

Isso porque casos da infecção foram registrados em dez países onde não há mosquitos que transmitem o vírus, incluindo Alemanha, Itália, Portugal e Nova Zelândia.

O caso francês é de um homem de 46 anos que esteve no Rio de Janeiro e voltou a Paris no dia 10 de fevereiro, depois de apresentar sintomas do zika ainda no Brasil.

Ele e sua parceira de 24 anos tiveram relações sexuais sete vezes entre os dias 11 e 20, cada uma envolvendo sexo vaginal sem ejaculação e sexo oral com ejaculação.

O casal estava usando o sexo oral como forma de evitar uma gravidez, disse Yazdan Yazdanpanah, especialista em doenças infecciosas do National Institute of Health, pesquisador em Paris e um dos autores do artigo.

A mulher adoeceu no dia 20. Ambos fizeram testes para o zika no dia 23. O homem tinha altos níveis do vírus no sêmen e na urina, mas nada apareceu no sangue ou na saliva.

Já a mulher tinha o vírus na urina e na saliva, e anticorpos para o zika no sangue.

Uma coleta de material vaginal, porém, mostrou resultado negativo para a infecção.

“Não acho que isso mude alguma coisa, mas mostra como há muitas formas de transmissão”, disse William Schaffner, chefe de medicina preventiva da Vanderbilt University Medical School.

Ele concorda que a via mais provável de transmissão do zika foi o sexo oral, ainda que seja possível que a mulher tenha sido infectada pelo fluido pré-ejaculatório durante o sexo vaginal ou que as recordações do casal apresentem falhas.

Yazdanpanah, porém, disseque os dois foram entrevistados separadamente e as descrições bateram.

John T. Brooks, epidemiologista do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC),disse não estar surpreso com a probabilidade de transmissão do zika via sexo oral. Já a transmissão pelo beijo é improvável, disse.




Estudo liga câncer de próstata ao tamanho da cintura

03/06/2016 - BBC Brasil


Homens de cintura larga têm maior risco de desenvolver tipos mais agressivos de câncer de próstata, indicou um novo estudo.

Um levantamento realizado com 140 mil homens de oito países europeus mostrou que 10 cm a mais na circunferência abdominal aumentariam as chances de desenvolver o câncer em 13%.

O maior grupo de risco, contudo, era o de homens com cintura maior do que 94 cm, indicou o estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra.


O CÂNCER DE PRÓSTATA É O MAIS COMUM EM HOMENS


O estudo, que foi apresentado na Cúpula de Obesidade Europeia em Gotemburgo, na Suécia, analisou a associação entre as medidas do corpo de homens na faixa dos 50 anos e o risco de câncer de próstata em 14 anos.

Durante o período, houve cerca de 7 mil casos de câncer de próstata, dos quais 934 foram fatais.

Os pequisadores descobriram que homens com um Índice de Massa Corporal (IMC) alto e uma cintura larga tinha maiores chances de desenvolver câncer de próstata de alto risco, uma forma mais agressiva da doença.

Por exemplo, homens com cintura de 94 cm tinha 13% maior risco de câncer de próstata agressivo do que homens com cintura de 84 cm.

Cientistas também observaram um maior risco de morte por câncer de próstata com maior IMC e circunferência abdominal.

Aurora Pérez-Cornago, da Universidade de Oxford, disse que o estudo mostrou que a associação entre o tamanho do corpo e o câncer de próstata é complexa e varia conforme a agressividade da doença.

Segundo ela, os grandes vilões seriam os hormônios causadores de câncer presentes nas células de gordura, mas isso ainda não foi provado.


RECOMENDAÇÃO


A recomendação da especialista é de que os "homens devem manter um peso saudável e se possível perder medidas na cintura".

Mas ela acrescentou que o estudo não analisou especificamente o impacto da perda de peso no risco do câncer de próstata.

Um porta-voz da Prostate Cancer UK, maior ONG de saúde masculina, disse: "Manter-se ativo e com um peso saudável pode proteger contra várias doenças, incluindo o câncer".

"Essa pesquisa complementa uma série de outras evidências segundo as quais o peso e o tamanho da cintura podem influenciar no surgimento do câncer de próstata", acrescentou.

Thea Cunningham, da ONG Cancer Research UK, que se dedica a pesquisas sobre a doença, diz que mais estudos são necessários para comprovar a associação entre a circunferência abdominal e o risco de desenvolver câncer de próstata.

"Não está claro se o excesso de peso leva ao desenvolvimento de tipos mais agressivos de câncer de próstata, ou se existe uma menor probabilidade de o tumor ser diagnosticado em um estágio inicial em homens com sobrepeso,. Nesse caso, o câncer poderia ser mais agressivo ou estar mais avançado quando for diagnosticado".

"Manter um peso saudável pode ajudar homens a reduzir o risco de outros tipos de câncer incluindo câncer do intestino".