Notícias - 17/04/2015

 

 

 


CLIPPING 17/04/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde


Medicamentos

 

Laboratório sob suspeita pagou R$ 7,8 milhões a consultoria de Dirceu
16/04/2015 - Valor Econômico 

O laboratório farmacêutico EMS, investigado na Operação Lava-Jato por parceria feita com a Labogen — empresa ligada ao doleiro Alberto Youssef — para obter um contrato no Ministério da Saúde, foi a entidade que mais pagou pelos serviços de consultoria do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Entre 2009 e 2014, a JD Assessoria recebeu R$ 7,8 milhões da EMS. Em 2013, ano do contrato investigado, R$ 1,8 milhão.
A parceria entre o EMS e a Labogen seria para fornecer ao ministério medicamento com o princípio ativo citrato de sildenafila, usado para combater a disfunção erétil, e renderia às empresas R 134,4 milhões em cinco anos. Em 2013, de acordo com investigações da PF, o deputado federal cassado e ex-petista André Vargas fez gestões junto à cúpula do Ministério da Saúde para a realização da parceria, que, no entanto, acabou suspensa tão logo surgiram as primeiras denúncias de corrupção, no início de 2014.
Em depoimento à Justiça, o empresário Leonardo Meirelles, da Labogen, afirmou que vinha tentando participar do programa de parceria com o Ministério da Saúde desde 2010, mas que a situação só se resolveu a seu favor com a “entrada no jogo” de Vargas. No depoimento, ele afirmou que passou a ter reuniões com o então diretor do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, que, para o delator, atuaria dentro do ministério “na defesa dos interesses da EMS”.
Gravações de mensagens eletrônicas de Meirelles e seus sócios mostram que a parceria entre Labogen e EMS foi imposta pelo Ministério da Saúde.
Por meio de sua assessoria, Dirceu negou ter intermediado qualquer negócio da EMS com o Ministério da Saúde. “A JD Assessoria e Consultoria informa que prestou serviços à EMS na prospecção de negócios nos mercados de Cuba e Portugal”.
Já a EMS informou que não chegou a receber nenhum valor do ministério, uma vez que a parceria acabou não sendo celebrada. A pasta, por sua vez, disse que a sindicância administrativa interna não encontrou irregularidades na negociação entre as empresas.

 
 

Aprovado nos EUA medicamento genérico para esclerose múltipla
17/04/2015 – AFP

Matoula Kastrioti, de 46 anos e que tem esclerose múltipla, aprecia a praia sentada no "Seatrac" - dispositivo movido a energia solar que permite às pessoas com deficiência entrar e sair do mar de forma autônoma - em uma praia no oeste de Atenas, Grécia. 
A gigante farmacêutica suíça Novartis anunciou nesta quinta-feira que a Sandoz, subsidiária dedicada a medicamentos genéricos, obteve o sinal verde das autoridades de saúde dos Estados Unidos para uma versão genérica de um tratamento para a esclerose múltipla.
A agência norte-americana que regula os medicamentos (Food and Drug Administration, a FDA) aprovou um medicamento da Sandoz chamado Glatopa, uma versão genérica do Copaxone 20 mg, um tratamento desenvolvido pelo grupo israelense Teva, afirmou a Novartis em comunicado.
O Glatopa, desenvolvido com a empresa de biotecnologia norte-americana Momenta, é a primeira versão genérica deste tratamento aprovada para formas reincidentes de esclerose múltipla.
"A Sandoz, com Momenta, se orgulha de ser a primeira empresa a receber aprovação da FDA para uma versão genérica substituível deste tratamento importante", disse Peter Goldschmidt, presidente da Sandoz EUA, em comunicado.
A esclerose múltipla é uma doença debilitante que afeta cerca de meio milhão de pessoas nos Estados Unidos, segundo a Novartis.
O Copaxone é o carro-chefe grupo israelense Teva, responsável sozinho por cerca de um quinto de sua receita.
O grupo israelense, conhecido como líder mundial em medicamentos genéricos, não poupou esforços para proteger a droga, centro de uma disputa legal com a Sandoz sobre a qual o Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos se pronunciou em janeiro.
Na Bolsa de Nova York, onde o grupo israelense é cotado, o título caiu 3,76%, a 63,49 dólares.
"A Teva reconheceu há algum tempo que uma versão genérica do nosso Copaxone 20 mg/mL poderia entrar no mercado e nós já trabalhávamos com isso", informou um porta-voz, procurado pela AFP.
O grupo lançou uma versão em 40mg, dizendo-se satisfeito com a aplicação e adoção pelos médicos.


 


Pesquisa e Desenvolvimento



Divorciados têm risco maior de ataques cardíacos, diz estudo
16/04/2015 - BBC 

Uma análise de 15.827 pessoas mostrou que as mulheres são as mais afetadas, e este risco quase não foi alterado mesmo depois de elas casarem novamente.
O estudo, publicado no periódico científico Circulation, avalia que estresse crônico, como o enfrentado em processos de divórcio, tem um impacto de longo prazo no organismo.
Ao longo da pesquisa, realizada entre 1992 e 2010, cerca de uma a cada três pessoas se divorciou.
Os cientistas descobriram que mulheres que passaram por um divórcio têm 24% mais chances de sofrer um ataque cardíaco do que aquelas que ficaram casadas. O risco aumentou para 77% quando a mulher tinha enfrentado mais de um divórcio.
Entre homens, as chances aumentaram 10% após um divórcio e 30% após mais de um.
"É um risco significativo e comparável ao de ter pressão alta ou diabetes", diz a cientista Linda George, uma das autoras do estudo.
Um novo casamento teve um efeito positivo muito pequeno sobre este risco entre as mulheres, mas o eliminou entre os homens.
"Acredito que esta seja a parte mais interessante da pesquisa", avalia George.
Os pesquisadores chegaram à conclusão de que mudanças no estilo de vida, como cortes na renda, não aumentaram o risco de infarto.
"Sabemos que o estresse psicológico pode afetar o sistema imunológico e levar a inflamações mais frequentes e um desequilíbrio hormonal", afirma George."Se esta função imunológica permanecer alterada por muitos anos, isso pode ter um preço para o organismo."
A pesquisadora destaca que a diferença do impacto do estresse entre homens e mulheres também é encontrada em casos de depressão e que o divórcio representa um "fardo psicológico" maior para as mulheres, apesar de não ser possível neste momento "entender o que de fato está ocorrendo".
Ao mesmo tempo, medicamentos podem reduzir o risco causado pela pressão alta, mas não há uma solução simples para a dor causada pelo divórcio.
A recomendação dos cientistas é buscar o apoio de amigos e familiares.Para Jeremy Pearson, da British Heart Foundation, que promove estudos de males cardíacos, é sabido há algum tempo que a saúde mental pode afetar o coração.
"Mas os resultados deste estudo não são uma evidência definitiva (da ligação entre o estresse causado pelo divórcio e o maior risco de infarto). Precisamos de mais estudos antes de considerar o divórcio um fator de risco significativo para ataques cardíacos."


 

Saúde

 

 

Cresce número de brasileiros que se exercitam e mantêm alimentação adequada.

16/04/2015 - Jornal O Serrano Online


Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014 indicam que o brasileiro está se exercitando mais, com um aumento de 18% nos últimos seis anos.

De acordo com a pesquisa, 35,3% dos entrevistados disseram dedicar pelo menos 150 minutos de seu tempo livre na semana com exercícios (período recomendado pela Organização Mundial da Saúde). Em 2009, o índice era 29,9%.

Os homens são mais ativos do que as mulheres – 41,6% deles praticam exercícios no prazo recomendado contra 30% delas. Os jovens são os que mais se exercitam, com índice de 50%.

A escolaridade aparece como fator importante na prática de atividades físicas. Enquanto 47,8% das pessoas com 12 anos de estudo ou mais se exercitam no tempo livre, a taxa é 22,9% entre os que têm até oito anos de estudo.

A pesquisa destaca que, embora o número de pessoas que disseram praticar atividades físicas seja maior do que o dos que não se exercitam, o índice da população fisicamente inativa (que não praticou nenhuma atividade física nos últimos três meses) ainda é alto: 15,4%.

Os mais inativos são os idosos com 65 anos ou mais (38,2%). Além disso, 12% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos disseram não ter feito esforços físicos nesse período. O índice de brasileiros que não são suficientemente ativos chega a 48,7%.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, avaliou os resultados como “boas notícias”, mas destacou que não se pode desconsiderar que 15% da população assume ser totalmente sedentária. "Pior do que não ter os 150 minutos de atividade física é não ter nenhum minuto", disse.

Já em relação à ingestão de frutas e hortaliças, os números mostram que 36,5% dos entrevistados disseram consumir esses alimentos cinco ou mais dias na semana. O índice cai para 24,1% quando se considera a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de cinco ou mais porções diárias ou 400 gramas.

As mulheres são as que mais diversificam os pratos – entre elas, o índice chega a 28,2% contra 19,3% entre os homens.

Ainda de acordo com o estudo, o consumo de carnes com excesso de gordura caiu no país. Entre 2007 e 2014, o percentual passou de 32,3% para 29,4%. Nesse caso, os homens comem duas vezes mais, com 38,4%, enquanto entre as mulheres, o índice é 19,3%.

O sal, entretanto, permanece bastante presente no prato do brasileiro. A frequência de adultos que consideram seu consumo de sal alto ou muito alto é 15,6%, sendo maior entre os homens (17,4%).

Os dados mostram também que 20,8% da população toma refrigerante cinco ou mais vezes na semana. O índice, em 2007, era de 30,9%. Alimentos doces são ingeridos cinco ou mais vezes na semana por 18,1% dos brasileiros, sendo mais presentes entre as mulheres (20,3%) do que entre os homens (15,8%).

O estudo entrevistou, por inquérito telefônico, 40.853 pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais de todos os estados e no Distrito Federal entre os meses de fevereiro e dezembro de 2014.

 

 


 

Epidemia de meningite mata 75 no Níger
16/04/2015 - Estado de Minas Online

A epidemia de meningite que atinge o Níger desde janeiro já deixou 75 mortos, mais da metade na capital, Niamey, informou um novo balanço oficial divulgado nesta quinta-feira.
Em 13 de abril, "75 mortes foram notificadas em nível nacional" de um total de 697 casos, "uma taxa de mortalidade de 10,30%", disse o ministro da Saúde, Mano Aghali, em pronunciamento feito à televisão estatal.
O balanço oficial anterior contabilizava 45 mortes entre 345 casos de meningite entre 1º de janeiro e 29 de março.
Todas as regiões do país são afetadas pela epidemia, com exceção de Diffa, no sudeste, perto da Nigéria, disse o ministro.
Segundo o ministro, Niamey é a área mais atingida, com mais de metade das mortes, 41 de 279 casos.
Campanhas gerais de vacinação serão realizadas "na próxima semana" em áreas "gravemente afetadas", garantiu Aghali.
O surto atual é causado por cepas "mais virulentas" de meningite do que aquelas na origem de ondas precedentes no Níger, de acordo com um especialista.
O Niger, país do árido Sahel e um dos mais pobres do mundo, é regularmente atingido por epidemias de meningite por causa de sua posição central no "cinturão da meningite", que vai do Senegal até a Etiópia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Altamente contagiosa, a meningite se manifesta por um aumento repentino da temperatura corporal, dor de cabeça intensa, vômitos e rigidez do pescoço.
 
 


Prefeitura terá ajuda do Exército para combater a dengue em São Paulo
16/04/2015 - Valor Econômico

A Prefeitura de São Paulo terá ajuda do Exército no combate aos focos da dengue. Serão treinados 50 soldados para atuar junto aos 2,5 mil agentes da saúde municipal. Eles devem entrar em ação em até dez dias.
"Nós queremos usar esses profissionais mais qualitativamente porque, em alguns bairros, sobretudo onde há mais violência, a pessoa às vezes recusa abrir a porta para a vigilância sanitária", disse o prefeito Fernando Haddad (PT) durante visita a uma tenda no bairro do Jaraguá, na zona norte.
De acordo com o secretário adjunto da Saúde, Paulo Puccini, o índice de recusa das visitas é de 20%. "Essa pendência é por dois motivos: ou porque a pessoa não está em casa ou porque se recusa a abrir a porta", disse.
O prefeito afirma que, com a presença dos soldados, a população se sinta mais segura para abrir a porta às equipes.
Além do Exército, a Prefeitura pretende fazer parcerias de combate a dengue com outros órgãos que se dispuserem a ajudar, como organizações sociais.
O último balanço de dengue da cidade de São Paulo apontava, na semana passada, 8.063 casos confirmados desde o início do e ano contra 3.183 no mesmo período de 2014. O número representa um aumento de 153%. Também já foram confirmadas quatro mortes - em 2014 foram 14 óbitos.
Além de crescer, os casos também estão se espalhando para outras regiões da cidade. A zona norte, que há duas semanas concentrava 45% dos casos, hoje tem 38%. Isso se deve principalmente à expansão dos casos nas zonas sul e sudeste, que registram 21,5% e 15,1% dos casos, respectivamente.
Para agilizar o tratamento da doença e evitar novas mortes, a Prefeitura instalou tendas de combate à dengue.
 
 


Sob investigação e com sigilo quebrado, provedor da Santa Casa de SP renuncia
17/04/2015 - O Estado de S.Paulo

Após a Justiça autorizar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal,Kalil Rocha Abdalla, de 73 anos, renunciou ontem ao cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O fato acontece um ano após a terceira reeleição do advogado. Em 400 anos, é a primeira vez que um provedor da instituição renuncia.
A Santa Casa vive uma das maiores crises de sua história, e seus gestores estão na mira do Ministério Público Estadual (MPE).
No pedido de quebra de sigilo de 22 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao centro médico, feito pelo MPE, a promotoria aponta que, entre 2009 e 2014 (gestão de Abdalla), a Santa Casa recebeu R$ 1,8 bilhão do Sistema Único de Saúde (SUS) e de outros recursos públicos do Estado e do governo federal. Além disso, a irmandade teria recebido, segundo o MPE, entre 1,8 e 2,9 vezes mais do que o valor determinado pela tabela do SUS para pacientes de média e alta complexidade.
Mesmo com o montante recebido de cofres públicos, em 2009 a Santa Casa já tinha comprometidos 56% dos seus recursos.
No ano passado, esse valor chegou a 100%, de acordo com o Ministério Público, e o hospital acumulava dívidas superiores a R$ 400 milhões. O MPE também diz que uma auditoria feita a pedido da Secretaria de Estado da Saúde apontou contratações sem levantamento de custos e superfaturamento em compras e serviços.
Além de Abdalla, o MPE quer apurada a movimentação bancária de toda a cúpula da Santa Casa que atuava com o ex-provedor.
A Justiça autorizou também a quebra dos sigilos financeiros de Antonio Carlos Forte, ex-superintendente; Hercílio Ramos, ex-tesoureiro; Edison Ferreira da Silva,ex-chefe de gabinete da superintendência; e de Paulino de Almeida Carvalho, ex-diretor financeiro.
No pedido do MPE, a promotora de Direitos Humanos da área de Saúde Pública, Dora Martin Strilicherk, aponta para indícios de nepotismo dentro da entidade. De acordo com o documento obtido pelo Estado, “a irmandade funcionava, aparentemente, como grande empresa familiar, na qual filhos e cônjuges,mormente dos principais executivos e dirigentes, ‘coincidentemente, trabalhavam na mesma empresa’”.
O ex-provedor, segundo o MPE,empregou o filho Fernando Arouche. Já Forte, ex-superintendente, deu um cargo para a mulher, Wilma Carvalho Neves Forte, médica e funcionária da Faculdade de Medicina da Santa Casa. O ex-diretor financeiro também empregou a companheira e seus filhos, Fernanda de Almeida Carvalho, que é arquiteta e tem um cargo no departamento de engenharia e obras da irmandade,e o advogado Paulo de Almeida Carvalho.
Ambos estariam exercendo seus cargos no hospital.
O MPE afirma que a mulher do ex-diretor financeiro, Nilza Aparecida de Almeida Carvalho, é fisioterapeuta e ocupava o cargo de diretora do Instituto de Fisioterapia da Santa Casa, além de ser a atual presidente do Centro de Estudo e Pesquisas em Fisioterapia.A Promotoria afirma que havia a “concentração de poder na gestão” do hospital. Os parentes também estão sob investigação.
A assessoria de imprensa da Santa Casa disse que o filho de Abdalla ingressou como estagiário em 2002, antes de o pai ser eleito, e se desligou do hospital em 2012 como analista jurídico.
Sobre Wilma Carvalho Neves Forte,a irmandade afirmou que ela é colaboradora “sem vínculo”.
A assessoria ainda confirmou que os filhos do ex-diretor financeiro trabalham na instituição, mas que “nenhum” no mesmo local do pai. Sobre o restante das pessoas físicas que tiveram os sigilos quebrados, o hospital disse que quatro permanecem, nenhum em cargo de direção.
Na carta de renúncia, o ex provedor negou falta de transparência e má administração.
Os demais acusados não foram localizados pelo Estado.
Eleição. Segundo a Santa Casa, o vice-provedor, Ruy Altenfelder, continua interinamente.
Em até 60 dias, uma eleição deve ser convocada para substituir Abdalla.“Na história,não conheço nenhum provedor que tenha renunciado”, disse Altenfelder.
 


Provedor renuncia ao cargo em meio à crise na Santa Casa
17/04/2015 - Folha de S.Paulo

O provedor da Santa Casa de São Paulo, Kalil Rocha Abdalla, renunciou ao cargo na tarde desta quinta-feira (16).
Abdalla estava licenciado desde janeiro, devido à crise financeira pela qual passa o maior complexo hospitalar filantrópico da América Latina. Na Santa Casa desde 1988, ele estava em seu terceiro mandato à frente da instituição e sofria forte oposição.
A licença venceria neste mês. A Folha teve acesso à carta de renúncia, na qual Abdalla afirma que "a sindicância por mim solicitada provou a lisura e transparência da minha gestão".
Ele diz ainda que sua intenção era retomar a função, mas "parte dos companheiros dessa luta que comigo foram eleitos, inexplicavelmente, pretendeu inviabilizar o meu retorno".
A reportagem não conseguiu contato com Abdalla.
Uma nova eleição será realizada em até 60 dias. Até lá, assumirá o vice-provedor, Ruy Altenfelder, que ocupava o posto interinamente.
Em nota, a Irmandade da Santa Casa "reafirma seu compromisso com a população e garante que o atendimento não será afetado durante o período de transição".
A Santa Casa se disse à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos.
Na terça (14), o Ministério Público Estadual pediu a quebra de sigilo bancário, fiscal e dos cartões de crédito de 22 pessoas físicas e jurídicas ligadas à instituição, inclusive de Abdalla. A Justiça acatou.
Auditoria contratada pelo governo de São Paulo apontou dívida de mais de R$ 770 milhões. Os débitos com fornecedores superam R$ 100 milhões. Para Abdalla, a Santa Casa deve aos bancos R$ 450 milhões.

ATENDIMENTO SUSPENSO

Em julho de 2014, a instituição chegou a interromper o atendimento de urgência e emergência por pouco mais de um dia. À época, Abdalla atribuiu a medida à falta de recursos e materiais.
No começo de 2015, o hospital anunciou que demitiria 1.100 funcionários para aliviar as contas. Dias depois, a decisão foi suspensa.
A saída de Abdalla era pedida por médicos, professores e funcionários, que sofreram com atrasos do salário de novembro e do 13°.
Eles chegaram a cogitar uma greve no fim de março, mas desistiram.



Paciente paga para escapar do SUS e pega fila em hospital top
17/04/2015 - Folha de S.Paulo

A estudante Isabella, 17, acordou na segunda-feira (13) enjoada e com dores nas costas. Desconfiada de que fosse dengue, procurou dois hospitais públicos, o Menino Jesus, na região central de São Paulo, e o São Paulo, na zona sul, mas desistiu diante de esperas de seis horas.
Mesmo sem plano de saúde, sua família optou por pagar para que fosse atendida no hospital Sírio-Libanês.
Foram duas horas de espera até o resultado do exame, mas ela foi acomodada numa poltrona e medicada.
Deu negativo --Isabella está com infecção no rim. O hospital disse que só informaria o valor da conta depois de finalizado o atendimento, mas, para a estudante, terá valido. "Senão, eu estaria com [suspeita de] dengue até agora."
Casos como o de Isabella ajudam a explicar por que até hospitais privados de ponta estão com demanda elevada no pronto-atendimento. A epidemia de dengue tem gerado procura excepcional numa época em que costuma haver mais demanda devido a doenças respiratórias.
O Sírio-Libanês diz ter registrado aumento de 40% no fluxo do pronto-atendimento em março de 2015 ante o mesmo mês de 2014. Em horários de pico, a espera chega a três horas, entre triagem e atendimento médico. A equipe foi reforçada, e 15 novas poltronas foram instaladas.
O hospital orienta os pacientes a consultarem o tempo médio de espera no site ou no aplicativo do hospital.
O Albert Einstein, no Morumbi (zona oeste), também teve aumento na procura. Na semana de 29 de março, foram 61 casos. Uma semana depois, 91. O hospital informou que está preparado para destinar um setor dos pronto-atendimentos para casos de dengue se a demanda aumentar.
O empresário Lucas Fernando Kim, 50, levou o filho, com suspeita de dengue, ao Sírio, coberto por seu plano.
Em vez dos 30 minutos que costuma esperar no pronto-atendimento, esperou 1h30, mas ficou satisfeito. "Demorou um pouquinho, mas vale cada centavo", disse.
Os hospitais São Luiz, Santa Catarina, Sabará e São Camilo também relatam aumento na procura.
 


Sem reforçar prevenção, Campinas tem nova epidemia
17/04/2015 - Folha de S.Paulo

Menos de um ano após liderar o ranking da dengue no Estado e ter uma epidemia histórica, Campinas mantém o mesmo número de agentes e a mesma estratégia de combate ao vírus. Resultado: ocupa a vice-liderança em 2015 (só atrás de Sorocaba), com 22.544 casos confirmados.
A prefeitura atribui o problema ao calor e ao armazenamento incorreto de água, impulsionado pela crise hídrica. No período, porém, não adotou novas medidas.
Para especialistas e Promotoria, o número insuficiente de profissionais é uma das principais causas do alto índice da doença. O município, com 1,1 milhão de habitantes, tem apenas 134 agentes --o Ministério da Saúde estipula que haja ao menos 300.
São esses profissionais que vão de casa em casa fazer vistorias, aplicar inseticida e orientar os moradores.
Guarulhos, que tem 1,3 milhão de habitantes, conta com 927 agentes e registrou, neste ano, 3.470 casos --85% a menos que Campinas.
A promotora Cristiane Hillal estuda entrar com uma ação responsabilizando a prefeitura até o fim do mês.
Na cidade, a preocupação é grande. Duas das cinco empresas de transporte coletivo distribuem repelentes a motoristas e cobradores. Nas duas, os casos de dengue entre funcionários saltaram de três, no ano passado, para 17.
Uma das vítimas foi o motorista Roberto Bervenuto da Silva, 42. Ao menos quatro mortes por dengue já foram confirmadas, e outras cinco são investigadas.

OUTRO LADO

Carmino de Souza, secretário municipal da Saúde da gestão Jonas Donizette (PSB), afirma que a prefeitura seguiu todas as recomendações contra a dengue e deve convocar mais 20 agentes. Deve ainda fazer licitações para contratar serviços privados.



SP tem mais de 1 morte ao dia por dengue
17/04/2015 - Folha de S.Paulo

A epidemia de dengue neste ano no Estado de São Paulo tem provocado, em média, mais de uma morte por dia.
Desde o início do ano, já são ao menos 122 óbitos, segundo levantamento da Folha em 60 dos 645 municípios paulistas. Esse é o maior número em quatro anos e um dos mais altos da série histórica do Ministério da Saúde.
O pico da doença, no entanto, ainda não chegou. Isso deve ocorrer entre o fim de abril e o começo de maio, devido ao comportamento do clima e à sazonalidade do mosquito transmissor.
Em todo o Estado, neste ano, a doença atingiu até agora 167,1 mil pessoas, o que colocou São Paulo em estado epidêmico --quando há ao menos 300 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.
Chama a atenção a concentração dos casos em seis municípios. Eles representam cerca de 3% da população do Estado e, ao mesmo tempo, mais da metade (57%) da letalidade da doença: Catanduva (18 mortes), Sorocaba (15), Limeira (12), Itapira (9), Penápolis (8) e Marília (8).
Campinas, a terceira maior cidade do Estado, atestou até agora quatro mortes pela doença e ainda analisa cinco óbitos. Ao todo, já são 22.544 casos confirmados.
Na capital, com 10,6 mil casos confirmados, são quatro mortes confirmadas e outras sete em análise --na cidade foram 14, ao todo, em 2014.
Nesta quinta-feira (16), diante do agravamento da situação e de filas de pacientes nas redes pública e privada, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou que 50 profissionais do Exército irão auxiliar no combate à propagação da dengue.
Tendas para ampliar o atendimento foram montadas em alguns bairros com o maior número de casos.
No Estado, o total de mortes por dengue até agora supera todo o ano passado, 90. Ao menos outras 91 mortes atribuídas à ação do Aedes aegypti seguem sob análise do Instituto Adolfo Lutz.
Pelas informações passadas pelos municípios, a maioria dos óbitos é de pessoas idosas, geralmente já debilitadas por outras doenças.
Em cidades como Catanduva, Marília, Bauru, Itapira e Guararapes, nas regiões norte e noroeste do Estado de São Paulo, as autoridades de saúde avaliam que o "pior já passou" e que a doença agora começa a dar sinais de arrefecimento, ao contrário da previsão geral para o Estado feita por especialistas e pelo Ministério da Saúde.
A volta do vírus tipo 1 da doença em regiões onde ele estava adormecido é uma das razões levantadas para o cenário de avanço da dengue.
A Secretaria da Saúde do Estado montou uma operação de auxílio aos municípios para tentar controlar as contaminações. A pasta investiu R$ 6 milhões com a contratação de novos agentes e compra de equipamentos.
A perspectiva é que, até o ano que vem, o país conte com uma vacina eficaz contra os quatro sorotipos.



Comer, beber, viver
17/04/2015 - Folha de S.Paulo

A pesquisa Vigitel 2014, do Ministério da Saúde, traz boas e más notícias sobre a forma física do brasileiro. Num prato da balança, a prevalência da obesidade parece a caminho de estacionar. No outro, o excesso de peso já ameaça a saúde de mais da metade da população.
O levantamento anual é realizado desde 2006. No ano passado, foram entrevistadas por telefone 40.853 pessoas em todas as capitais do país. Segundo o ministério, é um sistema de acompanhamento do peso sem par no mundo.
O sobrepeso se define por um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 25 kg/m2, resultado da divisão do peso do indivíduo pelo quadrado de sua altura. A obesidade ocorre quando o IMC ultrapassa 30 kg/m2.
A segunda condição está mais diretamente relacionada com doenças crônicas como as do coração, hipertensão e diabetes, que respondem por 72% das mortes no Brasil. Em 2014, a parcela dos obesos ficou em 17,9%, cifra muito similar às de 17,5% e 17,4% nos dois anos anteriores e inferior à de vizinhos sul-americanos como Argentina (20,5%) e Chile (25,1%).
Um contingente de 52,5% dos brasileiros, no entanto, está acima do peso. Em 2006, eram 43%; em 2013 e 2012, na faixa de 51%. Há uma tendência de alta.
Uma explicação plausível seria o maior acesso a alimentos calóricos --como doces, consumidos pelo menos cinco vezes por semana por 18,1% dos brasileiros-- propiciado pelo aumento da renda média na última década. Além disso, 16,2% da população já substitui no mínimo sete refeições semanais por lanches.
Os comportamentos preocupantes, porém, são contrabalançados por outros mais auspiciosos. O consumo regular de refrigerantes, por exemplo, regrediu de 30,9% dos entrevistados, em 2007, para 20,8%.
Se 15,4% ficaram longe das atividades físicas nos três meses anteriores à pesquisa, 35,3% dizem praticar um mínimo de 150 minutos semanais de exercícios, como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde); em 2009, eram 29,9%. E só 25,3% assistem a três horas ou mais de TV por dia, contra 31% em 2006.
Percebe-se logo que o sobrepeso tem muitos fatores e está fortemente associado a aspectos culturais. Daí a importância de manter e aprofundar os esforços para incluir a orientação nutricional na atenção básica à saúde e multiplicar os locais e oportunidades para a prática de atividades físicas.
 

 

 

 

 

 

Notícias - 16/04/2015

 

 

 


CLIPPING 16/04/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

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Homem é preso por falsificar receitas e comercializar remédios controlados
15/04/2015 - G1 

Um homem foi preso na tarde desta quarta-feira (15) na Vila Ferroviária, em Araraquara (SP), suspeito de falsificar receitas e comercializar medicamentos controlados. De acordo com a Polícia Civil, o rapaz já vinha sendo investigado há pelo menos 15 dias.
O homem possuía uma carteirinha falsa da Universidade de São Paulo (USP) para se identificar como estudante de medicina. Na casa do suspeito foi encontrada uma impressora que reproduzia papeis para fabricação de receitas médicas.
Ainda segundo a Polícia Civil, ele era procurado por crimes de estupro e estelionato. O homem prestou depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e deve ser encaminhado à cadeia.

 

Os vilões do preço dos remédios
15/04/2015 - Portal Amanhã

A culpa pelo preço dos remédios é uma conta que a população normalmente atribui à indústria farmacêutica, tendência que se acentua na medida em que este mercado é liderado por grandes companhias de capital estrangeiro. A Interfarma, entidade que reúne os laboratórios farmacêuticos que atuam no Brasil, não questiona que o acesso dos brasileiros a medicamentos deveria ser ampliado e os preços poderiam cair significativamente, mas sustenta que a chave da mudança não está dentro, e sim, fora da indústria. No discurso da Interfarma, que é comandada pelo ex-ministro da Previdência e ex-governador do Rio Grande do Sul Antonio Britto, um dos vilões é o próprio governo – principalmente em razão da carga de impostos sobre os remédios.
Outro alvo de críticas é a estagnação da pesquisa para desenvolvimento de novos medicamentos no Brasil. O país estaria ficando de fora dos chamados estudos multicêntricos (realizados simultaneamente em várias nações) pela morosidade das agências reguladoras brasileiras na avaliação dos projetos. “Parece ser aquele negócio de dizer nós aqui não vamos ser cobaia do mundo, mas em todos os países a pesquisa clínica é feita do mesmo modo”, diz o diretor de Acesso da Interfarma, Pedro Bernardo. Veja, a seguir, a entrevista que ele concedeu ao Portal AMANHÃ.
O acesso da população a medicamentos eficazes e a um custo mais baixo é sempre apontado como algo que depende de vários fatores.

Qual o mais importante deles, na agenda Interfarma, hoje? O que está no topo de sua agenda, como diretor de Acesso?

Olha, essa questão do tributo ocupou bastante nosso tempo no ano passado e no início desse ano. Nós fizemos, inclusive, um trabalho junto à população. Pegamos 2 milhões e 600 mil assinaturas, levamos uma proposta ao Congresso, onde há uma frente parlamentar pela defesa da desoneração de impostos em medicamentos. Foi criada, no Congresso, uma comissão especial exclusivamente para tratar desse assunto. Aliás, tem inúmeros projetos de lei que tratam disso.

A multiplicidade de projetos é um complicador?

A ideia era unir todos esses projetos e fazer uma discussão de modo que se reduzisse a carga sobre medicamentos. Muito se diz que “a carga tributária é para todos os setores”. É verdade. Mas o setor de saúde não deveria ter a mesma carga de outros setores. Vejamos, por exemplo, o automóvel em São Paulo. O ICMS sobre o carro é 12% e sobre o medicamento é 18%. A Constituição brasileira estabelece que o direito de tributar do Estado, do governo federal, deve observar a essencialidade do bem. E o legislador tem que levar em conta a essencialidade do bem para a população. Você não pode colocar um bem que não é essencial com uma carga tributária muito inferior a um bem que é essencial à população.Sob esse ponto de vista, é flagrante a disparidade. Mas o setor automotivo sempre poderá alegar a força da cadeia automotiva como geradora de empregos e o efeito multiplicador que tem sobre a economia.

Que paralelo pode ser feito com a cadeia da indústria farmacêutica?

Olha, o primeiro aspecto a considerar, no nosso caso, é que são mais de 200 milhões de vidas que a gente impacta, não é? Esse é o principal impacto... Geração de emprego é fundamental, sim, mas depois da vida, não é verdade? Entrando na questão econômica da pergunta, nosso setor gera aproximadamente 100 mil empregos diretos. Somando-se os empregos indiretos, na cadeia, creio que tenhamos aí algo em torno de 700 mil. E se trata de uma mão de obra mais qualificada, com salário mais alto, na medida em que se indústria farmacêutica desenvolve produtos de alta tecnologia, que precisa não só de pessoas graduadas mas, também, de mestres e doutores.

A Interfarma divulgou um relatório, recentemente, e pelos números se constata que o Brasil não consegue deslanchar na exportação de fármacos. Por quê?

Nós estamos trabalhando já há algum tempo com projeto para que a gente conseguir aumentar as nossas exportações. Nós achamos que temos um potencial grande para exportar e isso não está sendo aproveitado porque não está sendo incentivado pelo governo. O Brasil hoje está no 27° lugar em exportação de medicamentos. Compare, nós temos o 6° maior mercado interno do mundo e estamos em 27° lugar entre os países que mais exportam medicamentos. Já na importação, nós estamos em 8º lugar. Ou seja, nós precisamos melhorar nossa exportação. Importar todos os países importam, mas são importadores e exportadores, não só importadores. A Alemanha, por exemplo, exporta 75 bilhões de dólares em medicamentos. Ou seja, a exportação de medicamentos da Alemanha é mais de três vezes o mercado brasileiro de exportação {de fármacos} – e o , mercado interno deles é parecido com o nosso. Então, o que nós achamos é que se for dada uma atenção maior ao que emperra as nossas exportações, nós vamos poder estar contribuindo muito mais. E ajudando a equilibrar esse déficit comercial grande que existe no setor de medicamentos, que é de alta tecnologia, gera empregos qualificados e significa exportação de alto valor agregado.

A tributação é o principal entrave para a exportação de medicamentos?

Não é o único, mas é um dos aspectos importantes. Tem muito a questão do custo Brasil, a regulação, a lentidão dos sistemas. Às vezes, uma coisa simples complica uma exportação. Às vezes, para exportar, uma empresa tem que fazer operações internas que são totalmente, vamos dizer assim, cartoriais...

Cartoriais no sentido de exigir um carimbo, um trâmite desnecessário?

Pode ser um carimbo... Ou outras providências que envolvam inspeção, aprovação no ministério, coisas que levam tempo, que são complicadas dentro da lentidão das estruturas no Brasil. E tudo isso assusta o empresariado, cria um empecilho, porque as empresas têm um capital girando lá fora, e como você vai explicar esta lentidão daqui lá fora? Por isso estamos procurando o governo, tentando mostrar onde é que as coisas estão sendo dificultadas, lentas, emperradas, para que os negócios, e as exportações, possam fluir melhor no Brasil.

Qual é a diferença de tributação sobre medicamentos entre o Brasil e outros países?

A Interfarma fez um estudo para comparar e em vários países o tributo sobre consumo de medicamentos é zero. Zero. Aqui, se você pegar o ICMS no Rio de Janeiro é 19%. Em São Paulo, se você somar 12% de PIS/Cofins, mais 18% de ICMS, você tem 30%. E como no Brasil o imposto é calculado por dentro, isso quer dizer que esse percentual de 30% dá um aumento de mais de 40% no preço final do medicamento, entendeu? Aí você soma todos os demais tributos e taxas, mais imposto de importação... tudo isso aí sobrecarregando. E há tributos que, para a exportação, têm um efeito importante, e dificultam que o Brasil faça parte de cadeias globais de produção. Se o Brasil quiser fazer parte destas cadeias, terá de se abster de tributar certos produtos na entrada e na saída do país, ou tem de tributar na mesma proporção com que os demais países tributam. Do contrário não seremos competitivos o bastante para fazer parte destas cadeias globais de produção. O Brasil às vezes é lento e demora a entender estes processos e a participar deles.

O Brasil está ficando para trás nas pesquisas de novos medicamentos?

Sim, porque a gente perde as pesquisas no Brasil. A maioria das pesquisas são realizadas em vários países ao mesmo tempo. Os outros países levam em média três meses para aprovar sua participação neste tipo de pesquisa que envolve estudos internacionais. Já o Brasil tem dois órgãos para aprovar: a Anvisa e a Conep {Comissão Nacional de Ética em Pesquisa}. Doze meses depois da solicitação, a Conep dá o OK para poder fazer a pesquisa no Brasil. Mas aí os outros países já começaram. E, como nesse tipo de estudo internacional tudo tem de ser feito simultaneamente em vários países, a gente, no Brasil, fica fora da pesquisa. E quem perde? Perdem os médicos brasileiros, perdem os cientistas, os pesquisadores brasileiros, perdem os pacientes brasileiros, perde-se o conhecimento de como esses produtos agem no perfil da população brasileira, perde-se tudo isso. Perde toda essa comunidade que trabalha com pesquisa, porque se você não tem a pesquisa, você não contrata o pesquisador. Então, mesmo que seja universidade, ou um centro de pesquisa independente, não consegue fazer, porque se não tiver a aprovação destes órgãos, a pesquisa não começa. Quer dizer, nós somos um país que tem um discurso a favor da inovação e da pesquisa, mas na realidade nós temos uma dificuldade de implementar isso com a mesma velocidade dos outros países.

E você atribui essa diferença de velocidade a uma trava ideológica ou cultural contra a pesquisa? Um certo apego a controles burocráticos?

Olha, é difícil de dizer, talvez tenha um pouquinho de cada coisa. Mas é aquele negócio de dizer assim: “Nós aqui não vamos ser cobaia do mundo, não vamos fazer a pesquisa porque vai usar o brasileiro de cobaia...”. Olha, toda pesquisa, em qualquer país, seja Estados Unidos, Alemanha, França, etc vai ser feita do mesmo jeito, com as mesmas regras, com o mesmo cuidado, com a mesma ética. Do mesmo jeito que é feita lá, é feita aqui. É a mesma coisa. Estamos falando de pesquisas que são feitas com os mesmos produtos simultaneamente e com o mesmo modelo de pesquisa. Então, na hora que esses outros países aprovam ou não aprovam, mas tomam uma decisão em três meses, eles não estão sendo menos rigorosos, menos cuidadosos com a sua população, ou seja lá o que for, do que a gente, que leva doze meses. O tempo que levamos não determina que sejamos muito mais cuidadosos que os outros países, nem indica que estamos mais preocupados do que eles com possíveis desvios de ética em uma pesquisa. As pesquisas têm regras, e a gente quer, sim, que sejam olhadas e sejam respeitadas essas regras. Agora, o que a gente acha é que se os outros conseguem fazer em menos tempo, nós também temos de conseguir.Crítica semelhante havia, em meados dos anos 90, ao trâmite dos pedidos de pesquisa das variedades transgênicas de cultivo, que passavam pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

No nosso caso, temos o Conselho Nacional de Saúde, que é formado por ONGS e representantes de diversos setores. Se você olhar a composição do Conselho Nacional de Saúde, ao qual está ligada a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), verá que são diversos segmentos da sociedade que tem pensamentos de todos os tipos. Os representantes de movimentos sociais são legítimos, mas não detém conhecimento suficiente, muitas vezes, sobre aquilo que está sendo levado para uma tomada de decisão envolvendo ciência e tecnologia.

A Interfarma vê um distanciamento entre universidades e a indústria farmacêutica?

Você tocou em um ponto muito importante. Se você pegar outros países onde há maior quantidade de patentes descobertas, onde há mais inovação, mais pesquisa sendo transformada em produtos industriais usados pela população, você vai ver que os pesquisadores, na grande maioria, estão dentro das empresas. E quando você olha os países onde existe menos depósito de patente, menos desenvolvimento do mundo acadêmico para o mundo prático, nesses países os pesquisadores estão mais concentrados dentro das universidades e do governo. Esse é o caso do Brasil. Mas qual é o motivo disso? Em parte, isto faz parte do que a gente ensina e bota na cabeça dos nossos estudantes, desde lá do início do primário até as universidades. E outra parte está no fato de o país não incentivar as pesquisas, ao não criar condições para que elas aconteçam e que elas impulsionem a inovação. Por uma série de razões, no Brasil os pesquisadores ficam nas universidades, fazendo um trabalho mais acadêmico, escrevendo paper, fazendo coisas que acabam não se transformando em um produto da vida real, e do mundo real, que gera emprego, que impulsiona a economia do país, como é a visão em países como os Estados Unidos. E a causa de tudo está lá na origem. Se o país dificulta, em vez de facilitar, a pesquisa nas empresas, o pesquisador não será contratado. E não vai sair nunca da universidade.

Antes da Interfarma, você trabalhou no Ministério da Fazenda, entre outras áreas do governo. E sabe, portanto, que o ajuste fiscal deverá ser rigoroso e dar pouca margem para suavização da carta tributária, não?

É, eu sei... Veja, diminuir a carga tributária nunca foi uma conversa fácil. Por mais que a gente insista, todo ano que chega ouvimos que “esse ano está complicado”. Claro que esse ano está pior do que o anterior, mas a gente não pode deixar de continuar a luta, porque é uma luta que é socialmente justa. Eu acho que se você ler a Constituição, você vai concluir que, poxa, não pode ter imposto em medicamento. Porque o raciocínio é simples. Ali está dito que saúde é direito da população, e que é um dever do Estado prover a toda população saúde e assistência. Então, o Estado deveria prover o medicamento e aí a gente não tinha o que falar de imposto. Agora, o Estado, além de não prover, não cumprir o que está na Constituição, vem ainda querer ganhar em cima daquilo que não faz e a população tem que fazer com o dinheiro do seu próprio bolso... Isso aí já é um abuso. Você não conseguir que o Estado cuide da sua saúde, dê alguma assistência na área de medicamento, na área farmacêutica, e ainda por cima vai ver o Estado cobrar 30% em cima do que você vai pagar do seu bolso para um filho que está doente, um pai que está doente, um aposentado... E esta carga, obviamente, não será só de 30%... Então, quando se fala em dar incentivo para as montadoras porque “ah, o setor automotivo gera emprego”. Nós também geramos emprego, mas nós não estamos falando de emprego. Estamos falando de uma outra coisa maior que é a vida.
 
 

Pesquisa e desenvolvimento



Técnica de análise do DNA de tumores pode induzir médicos ao erro
16/04/2015 - Correio Braziliense 

A era da medicina genômica já chegou para alguns pacientes oncológicos. A análise do DNA de determinados tumores, como o de mama, o glioblastoma e as leucemias, tem ajudado a personalizar o tratamento, ao identificar as mutações responsáveis pela replicação desordenada das células. Assim, é possível escolher o medicamento mais adequado, com maiores chances de vencer o câncer. Contudo, esse método também pode mascarar determinadas alterações, levando o clínico a optar pela terapia errada. O alerta é de um estudo da Faculdade de Saúde Johns Hopkins, nos Estados Unidos, publicado na revista Science Translational Medicine. A solução, de acordo com os pesquisadores, é sequenciar também o tecido saudável, uma prática muito pouco usada atualmente.
Os pesquisadores analisaram o genoma tumoral de 815 pacientes com 15 diferentes tipos de câncer, incluindo os de cérebro, mama e pulmão. Eles estudaram o resultado apenas do tecido doente e, depois, compararam os dados obtidos ao sequenciamento do tecido saudável. “Nós descobrimos que as análises apenas do tumor fornecem informações imprecisas”, contou Victor Velculescu, principal autor do estudo, em uma teleconferência transmitida pela internet. “O sequenciamento somente do tumor identificou um número de mudanças nas sequências que não tinham a ver com o câncer, ou seja, eram alterações ‘falso positivas’. Algumas delas ocorrem em genes que já são alvo de terapias personalizadas e poderiam, portanto, levar os médicos a adotar tratamentos inadequados”, revelou.
A médica imunologista Angela Colmone, editora associada da revista, explicou que nem toda variante representa, de fato, um risco à saúde. “Por todo o corpo, existem mutações normais, que em nada contribuem para o crescimento do tumor. Quando se vê as variantes apenas no câncer, isso pode levar o médico a crer que elas têm responsabilidade sobre a doença e, caso existam medicamentos-alvo para atacá-las, naturalmente esse será o foco da terapia. Mas a pesquisa apresentada agora mostra que a análise apenas do tumor pode não ser suficientemente precisa porque muitas mutações identificadas no câncer também existem no tecido saudável — portanto, elas não têm de ser combatidas, já que não são elas que estão contribuindo para a doença.”
No sequenciamento do tumor, os pesquisadores identificaram, inicialmente, 382 alterações que poderiam estar relacionadas ao surgimento do câncer. Em seguida, eliminaram mutações germinativas — variações nas células germinais, que serão herdadas pela descendência e estarão presentes em cada célula do corpo sem, contudo, provocar danos. Mesmo depois desse pente-fino, quando os cientistas compararam o sequenciamento do tumor ao sequenciamento dos tecidos saudáveis, constataram que 249 mutações — 65% do total encontrado — eram falsos positivos. Elas estavam nos tumores, mas também nas células sadias e, portanto, não tinham nada a ver com o câncer. 

 



Jovens são mais propensos a provar cigarro eletrônico ao tabaco, diz estudo
16/04/2015 - AFP
 

Os adolescentes são mais propensos a provar o cigarro eletrônico do que o cigarro tradicional, mas muito poucos deles o adotam - segundo um estudo britânico publicado nesta quarta-feira (15). Com base em duas pesquisas feitas com 10.600 jovens do país de Gales com idade entre 10 a 16 anos, o estudo mostra que 5,8% dos 10-11 anos já provou cigarro eletrônico pelo menos uma vez contra 1,6% do cigarro convencional.
O teste do cigarro eletrônico aumenta com a idade, chegando a 12,3% entre os 11-16 anos de idade, mas ainda é menor do que o de tabaco, com exceção dos adolescentes entre 15-16 anos.
Apenas 1,5% dos 11-16 anos de idade relatam o uso regular (pelo menos mensalmente) do cigarro eletrônico, "o que sugere que o vaporizador não contribui diretamente e de forma significativa para a dependência da nicotina nos adolescentes de hoje", escrevem os autores do estudo publicado na revista médica BMJ Open.
No entanto, eles reconhecem que os usuários regulares do cigarro eletrônico são muitas vezes aqueles que fumam ou já fumaram tabaco ou maconha, fato que contraria a tese de que o e-cigarro seria uma porta de entrada para o tabagismo.
Eles continuam cautelosos e notam que é "possível que o uso do e-cigarro e do tabaco sejam favorecidos por fatores semelhantes e ocorrem simultaneamente sem uma relação de causa e efeito".
Entre outras lições tiradas do estudo, figuram a constatação de que o cigarro eletrônico é um fenômeno que afeta adolescentes de todas as origens sociais e sexos, enquanto o tabagismo continua a ser maior entre os meninos de classe trabalhadora.
"Nossos resultados sugerem que a vaporização poderia se espalhar entre os jovens e tornar-se uma espécie de padrão, independentemente do status econômico e social, etnia ou gênero, como foi o caso da maconha e outras drogas recreativas na década de 1990", notam os autores do estudo, liderado pelo professor Graham Moore, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido.
O estudo britânico é bastante próximo ao de outros estudos publicados nos últimos anos, mostrando um forte interesse de jovens adolescentes para o e-cigarro, embora muitos países já têm ou estão prestes a legislar no sentido de proibir sua utilização em menores de 18 anos, como é o caso do tabaco.
De acordo com uma pesquisa da associação Paris Sem Tabaco, realizado a partir de uma amostra representativa de 2% dos estudantes do ensino médio na capital francesa, a proporção de alunos do ensino secundário (12 a 19) que já experimentou o cigarro eletrônico explodiu nos últimos anos: 39% em 2014 contra 10% em 2011.



Biodiversidade: projeto volta para a Câmara
16/04/2015 - O Estado de S.Paulo

O Senado concluiu ontem a votação da chamada Lei da Biodiversidade, que visa a diminuir a burocracia para a realização de pesquisas científicas com recursos genéticos brasileiros ou que usem conhecimento de povos tradicionais. O projeto vai voltar para a Câmara, para que as alterações feitas pelos senadores sejam analisadas.
Entre as alterações feitas pelo Senado está a que determina que essas comunidades sejam recompensa das sempre que um produto usar algum patrimônio genético ou de conhecimento específico da região.O texto original dizia que o pagamento seria feito só quando esse componente fosse um dos elementos “principais” do produto.
Um exemplo citado pelos senadores foi o caso do famoso perfume Chanel n.º 5, que usa o pau-rosa na composição. Se não houvesse a alteração no texto, como esse elemento não é essencial para o produto final, ele não seria considerado na hora de repartir os benefícios com as comunidades tradicionais que cultivam essa planta.
 


Estudo desvenda possível causa e busca terapia para Alzheimer
16/04/2015 - O Globo

Estudo com ratos desvenda possível causa da doença. - DURHAM, EUA- Pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, conseguiram interromper a progressão do mal de Alzheimer em camundongos. Com estudo publicado ontem no “Journal of Neuroscience”, eles acreditam estar perto da possível causa da doença e de uma nova estratégia para desenvolver uma terapia. Hoje, mais de 44 milhões de pessoas sofrem de demência, sobretudo o Alzheimer, e não há tratamento para reverter ou reduzir os sintomas.
A maior ia das linhas de pesquisa sobre o Alzheimer é focada no papel da amiloide, uma proteína que se acumula no cérebro em forma de placas e provoca a morte dos neurônios à medida que o mal progride.
Mas, desta vez, o estudo voltou sua atenção para o sistema imunológico do cérebro e mostrou que as micróglias — células que defendem o sistema nervoso de qualquer sinal de infecção — têm um papel fundamental no desenvolvimento da demência.
— A pesquisa abre portas para pensar a doença de uma maneira completamente diferente — anima-se a professora de neurologia da universidade e principal autora do estudo, Carol Colton. — Os trabalhos de campo têm se voltado para a amiloide nos últimos 15, 20 anos, e nós decidimos observar outras coisas porque ainda não entendemos o mecanismo da doença ou como desenvolver terapias eficientes.
Os pesquisadores notaram, portanto, que, no início dos sinais de Alzheimer, as micróglias ativam a produção da molécula CD11, que suprime o sistema imunológico e consome a arginina, importante nutriente e protetor do cérebro. A molécula foi encontrada em altas concentrações nas regiões envolvidas com a memória, onde os neurônios tinham morrido.

DROGA JÁ TESTADA EM CÂNCER

A droga conhecida como di-fluorometilornitina (DFMO) já está sendo testada em humanos para certos tipos de câncer e nunca tinha sido usada em pesquisas de Alzheimer. Neste caso, ela foi usada para bloquear a CD11 no estágio inicial da doença em camundongos, quando os sintomas eram pouco aparentes. Como resultado, os cientistas notaram uma menor concentração da molécula e de placas amiloides no cérebro dos animais, que também se saíram melhor em testes de memória. A ideia agora é testar se a droga também é capaz de reverter sinais mais expressivos da doença.
— O bom resultado do uso da droga é um forte indicador de que podemos estar num caminho interessante e válido para compreender como a patologia começa — acrescenta Carol. — Há a possibilidade de que outros agentes com base nesta droga sejam desenvolvidos para um uso eficaz e seguro na interrupção do início do Alzheimer em humanos.
A arginina é um aminoácido essencial para vários processos corporais, incluindo a divisão celular, a cicatrização e as respostas imunitárias. Ela pode ser encontrada em suplementos disponíveis no mercado ou em alimentos, incluindo produtos lácteos, carne, nozes e grão de bico. No entanto, não adianta sair esvaziando as prateleiras de supermercados se a ideia é usar tais alimentos contra o Alzheimer. A equipe da Duke explicou que ingerir mais arginina não teria qualquer impacto sobre a redução do risco de Alzheimer. Isso porque uma densa malha de células e vasos sanguíneos chamada barreira sangue-cérebro determina a quantidade de aminoácidos capaz de penetrar o cérebro. Além disso, quando dentro do órgão, a arginina teria seus níveis controlados por processos naturais, sendo quebrada pela enzima arginase.

Saúde

 

Integralmédica avança com parcerias e pesquisas

16/04/2015 - DCI


Há mais de três décadas, a Integralmédica lidera o mercado brasileiro de suplementos nutricionais. Para se manter na dianteira desse segmento a empresa criou seu próprio departamento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e investe cerca de 10% do faturamento na elaboração de novos produtos.

De acordo com presidente da empresa, Filipe Bragança, os investimentos garantem a atualização do mix de produtos com novos ativos e alinhamento das tendências apontadas por pesquisas científicas na área de nutrição esportiva. A empresa lança, em média, 25 produtos por ano.

Para conseguir esse volume de lançamentos, segundo ele, são necessárias parcerias comerciais para produção. "Recentemente, lançamos a Pastawhey, que é um macarrão integral proteico, com o apoio de um parceiro que detém conhecimento na fabricação de massas artesanais", destaca.

A empresa desenvolveu a primeira massa de talharim proteica à base de farinha integral do Brasil. Segundo o executivo, no exterior esse tipo de produto já existe, mas no mercado brasileiro ainda não havia nenhum produto nacional parecido. "Com base nas nossas pesquisas detectamos a necessidade e a possibilidade de desenvolver um produto diferenciado para o brasileiro. A partir disso, buscamos uma fabricante que pudesse produzir a massa de forma artesanal e sem conservantes", revela.

O produto é elaborado à base de whey protein (proteína concentrada do soro do leite) e por isso possui alto teor de proteína por porção. "Foram sete meses entre pesquisa, busca de um parceiro e desenvolvimento para a produção ser colocada no mercado", afirma Bragança.


Agilidade


O executivo acredita que um dos diferenciais da companhia é a agilidade em encontrar soluções e desenvolver novos itens. "Para desenvolver um sabor novo de whey protein gastamos cerca de 90 dias. Essa agilidade é um dos pilares da empresa" diz ele. O executivo observa que a preparação da equipe de P&D, composta por 10 profissionais, é outro forte diferencial da empresa. "Essa equipe está constantemente em busca de novidades, tanto pela percepção do que o consumidor busca, com base em pesquisas de mercado, quanto analisando as novidades no cenário internacional de suplementação", explica.

Hoje, metade da matéria-prima utilizada pela Integralmédica é importada. "Todo o resto é desenvolvido em casa", ressalta Bragança.

Ele lembra que a empresa já nasceu oferecendo uma inovação. "Em 1983, meu pai [o médico nutrólogo Euclésio Bragança] desenvolveu um proteinato de cálcio, extraindo proteína da soja, para suprir as necessidades de seus pacientes com déficits nutricionais. Um ano e meio depois o produto já havia caído no gosto de fisiculturistas e frequentadores de academias. Esse pessoal começou a demandar novos produtos e assim surgiu outra possibilidade de negócio".

Atualmente, a empresa emprega 400 pessoas, destacando engenheiros, médicos, nutricionistas, farmacêuticos, bioquímicos, e conta com uma fábrica de 30 mil m²


Demanda


A preocupação dos clientes com o meio ambiente também levou a Integralmédica a buscar uma solução para o descarte das embalagens.

"O uso de plástico já diminuiu em 85%", conta o executivo, lembrando que a meta de redução surgiu a partir do pedido de um consumidor. "A partir disso pesquisamos outros tipos de embalagens e encontramos no refil uma solução para o pedido", diz.

Desde o primeiro trimestre do ano passado a empresa oferece alguns produtos na opção de refil. "Assim, as grandes embalagens são reaproveitadas".

 

 


 

Santa Casa: juiz manda quebrar sigilo de 22
16/04/2015 - O Estado de S.Paulo
 
A Justiça determinou a quebra do sigilo fiscal de 22 pessoas físicas e jurídicas ligadas à administração da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo,incluindo o provedor licenciado da instituição, Kalil Rocha Abdalla. A medida atendeu a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), que investiga a administração da entidade desde que o pronto socorro ficou fechado durante 24 horas, em julho de 2014, supostamente por falta de verba.
O pedido do MPE se baseou na suposta existência “de uma rede de ligações entre as empresas contratadas, funcionários da entidade, parentes desses funcionários, bem como com outras pessoas jurídicas tendo como sócios os mesmos funcionários, revelando a necessidade de investigação simultânea também da vida fiscal e bancária dessas pessoas”, segundo nota divulgada na noite de ontem.
A promotora Dora Martin Strilicherk, autora do pedido que resultou na quebra dos sigilos, afirmou que não comentaria o assunto porque o processo segue em segredo de Justiça, ainda de acordo com a nota enviada pelo MPE.
Segundo o Ministério Público,os serviços da Santa Casa estão “praticamente” paralisados desde julho do ano passado, e uma das causas é a “má gestão administrativa”.
A assessoria de imprensa da Santa Casa informou que não foi notificada pela Justiça sobre as quebras de sigilo e que, portanto, não comentaria o caso.
No entanto, afirmou que a entidade está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Abdalla foi procurado ontem à noite, mas não respondeu aos pedidos de entrevista.
O caso.A Santa Casa de Misericórdia tem uma dívida estimada pela promotora em mais de R$ 500 milhões. Funcionários, que já promoveram manifestações pedindo a renúncia de Abdalla,devem fazer um novo protesto na semana que vem.
Embora já enfrentasse dificuldades financeiras havia anos, a crise de gestão da entidade foi escancarada em julho do ano passado, quando o pronto-socorro, um dos principais da cidade, foi fechado sem aviso prévio – supostamente por falta de verbas para a compra de materiais. A reabertura aconteceu mediante anúncio de novos repasses por parte do governo do Estado de São Paulo.
A entidade também recebe recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao longo da crise, os governos municipal, estadual e federal comprometeram-se a aumentar os repasses para a entidade, que chegou a anunciar a demissão de 1,1 mil funcionários, mas recuou. Em novembro, o complexo hospitalar deixou de realizar 25 tipos de exames.
Abdalla está licenciado temporariamente da instituição desde o fim de dezembro, quando a entidade atrasou o pagamento do 13.º salário dos funcionários – que ainda não foi pago. Está marcada para hoje uma assembleia entre os funcionários da Santa Casa para tratar da situação trabalhista.
 


Balança segue dando más notícias
16/04/2015 - O Globo

Percentual de brasileiros com sobrepeso subiu de 43% para 53% em oito anos. Hoje em dia, sua rotina de alimentação é salada, arroz, feijão e frango. Tudo temperado e feito em casa por ela, que mora com a filha Maria Eduarda, de 2 anos, e com seu marido — que também prestigiam os pratos que prepara. Mas o atraente churrasquinho de linguiça coberto com farofa acabou distraindo a dona de casa Priscila Do Valle, de 22 anos e acima do peso ideal, da dieta que faz desde que parou de trabalhar no Centro, onde há uma disponibilidade perigosa de lojas de lanches prontos. O cheiro dominante também convidava outros ao redor da barraca, em uma praça que competia com o carrinho de pipoca e o de churros.
— Tive que resolver uma burocracia aqui perto, não consegui fazer uma refeição direito e optei pelo lanchinho mesmo — assume. — Mas tento não me alimentar assim. Sei que faz mal e tenho noção das doenças que podem vir mais tarde.
Quando seu marido teve diagnóstico de diabetes, a dona de casa se assustou e resolveu rever seus hábitos alimentares. E afirma que seu último exame de sangue apontou indicadores normais, mesmo estando com quilos a mais (não revela quantos). Mas ela reconhece que seus conterrâneos no Rio andam deixando a saúde um pouco de lado.
Os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) divulgados ontem confirmam a observação de Priscila. O número de brasileiros com excesso de peso voltou a crescer no país, atingindo 52,5% da população adulta. Já os obesos, que estão incluídos no grupo, são 17,9%. Quem tem índice de massa corporal (IMC) entre 25 e 29,9 está com excesso de peso; de 30 para cima, com obesidade. O IMC é calculado pegando o peso em quilogramas da pessoa e dividindo-o pelo quadrado da altura medida em metros. Apesar do aumento, a quantidade de pessoas fazendo atividades físicas e comendo menos gordura também vem crescendo.
Há oito anos, 43% tinham excesso de peso, número que cresceu para 51% em 2012. Em 2013, houve ligeira queda para 50,8%, índice que voltou a crescer no ano passado. A quantidade de obesos teve um acréscimo maior do que verificado no ano anterior, mas, segundo o ministério, está estável.
— A tendência mundial da sociedade industrializada, urbana, centrada no fast food (que mexe nos hábitos alimentares e cria cada vez mais uma situação alimentar preocupante), mostra uma tendência avassaladora de crescimento da obesidade e do sobrepeso como um problema de saúde pública mundial — avalia o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

“ACESSO AO MOVIMENTO DOS DEDOS”

Para a nutricionista Bia Rique, a obesidade é uma doença complexa e multifatorial para a qual não existe uma única causa. Enquanto há uma diminuição de horas em frente à TV ( 31% para 25,3% entre 2006 e 2014), ela observa, mais pessoas “têm acesso ao movimento dos dedos” — isto é, ficam em frente a telas de computador, celular, tablets e usam carro, elevador etc.
— Há uma proliferação de alimentos processados, e as pessoas têm menos tempo. Além disso, a redução da movimentação e da atividade é grave, pior que o próprio sedentarismo. As pessoas passaram a ficar muito mais horas paradas — disse.
Em relação à obesidade, não há diferença significativa entre os sexos. Mas o excesso de peso é maior entre os homens (56,5%) do que entre as mulheres (49,1%). De acordo com a especialista, de uma maneira geral elas estão mais preocupadas com a saúde do que eles, também se importando mais com a imagem corporal, um “capital de poder”.
A pesquisa apontou, por outro lado, um maior índice de hábitos saudáveis. Segundo o levantamento, nos últimos anos o número de brasileiros que praticam atividade física durante seu tempo de lazer aumentou 18%. Em 2014, 35,3% disseram dedicar pelo menos 150 minutos semanais a exercícios, contra 33,8% em 2013 e 29,9% em 2009.
— Essa tendência de se cuidar mais com melhora da alimentação e procura por academias realmente existe, mas isso acontece apenas numa parcela da população que tem acesso e pode comprar esses produtos light e integralizados, sem adição de açúcares — esclarece o endocrinologista Pedro Assed. — A maioria não tem esse hábito de escolher melhor os alimentos que come.
A escapada da dieta da qual Priscila foi vítima é outro fator que chama atenção. Segundo a Vigitel, 16,2% dos entrevistados substituem o almoço ou o jantar por um lanche sete ou mais vezes na semana. O índice é um pouco menor que os 16,5% registrados no ano anterior.
Não há, estatisticamente, grandes diferenças entre a maioria das capitais. São Luís tem o menor índice de excesso de peso: 46%. Na outra ponta está Manaus: 56%. No Rio de Janeiro, o problema afeta 54% das pessoas, colocando a cidade na oitava posição. Já a capital mais obesa é Campo Grande (22%). A que está em melhor situação é Florianópolis (14%). O Rio, novamente, fica na 8ª posição (19%).
O colesterol alto é maior em Aracaju (27%) e menor em Cuiabá (15%). No Rio, é de 20%. A capital em que os moradores mais se exercitam é Florianópolis (47%). São Paulo fica em último lugar, com 30%. O Rio fica numa posição intermediária: 38%.
Na região Sudeste, o índice de pessoas com sobrepeso é de 52,3%. Os quilos a mais na balança, como apontam especialistas, são fatores de risco para doenças crônicas, como as do coração, hipertensão e diabetes, que respondem por 72% dos óbitos no Brasil.

INDÚSTRIA JÁ ‘VICIADA’

Para Bia, o caminho para frear esse fenômeno observado mundialmente é uma ação interdisciplinar da iniciativa pública com a privada. Enquanto o governo poderia fazer campanhas educativas em saúde e nutrição, as empresas poderiam investir mais em publicidade para que todos consumam alimentos mais nutritivos.
— Fábricas de pães poderiam oferecem pães 100% integrais, e os produtores de suco poderiam oferecer produtos com menos açúcar — exemplifica a especialista, acrescentando que escolas também devem guiar melhor os alunos.
No entanto, Assed afirma perceber que a indústria alimentícia “já sentiu que pode faturar mais vendendo alimentos pré-prontos congelados, comprometendo a qualidade nutricional dos mesmos”. E os alimentos mais vendidos para consumo rápido, como a linguiça com farofa da dona de casa, contêm grandes quantidades de sódio, gordura hidrogenada, corantes artificiais, conservantes, acidulantes e uma gama de substâncias que não fazem bem ao organismo humano. Isso piora a qualidade da digestão, modificando a flora bacteriana intestinal, e leva mais facilmente ao ganho de peso.
 
 


Dengue causa superlotação e altera rotina de hospitais particulares de SP
16/04/2015 - O Estado de S.Paulo

O avanço dos casos de dengue na capital paulista já superlota hospitais particulares e causa o redimensionamento de equipes médicas.
Muitos pacientes relatam horas de espera por atendimento e centros médicos confirmam que têm registrado crescimento na demanda e até fizeram contratações.
O processo de atendimento da analista financeira Thaís Pinheiro, de 32 anos, demorou seis horas ante ontem no Hospital Samaritano, em Higienópolis, na região central. O marido dela, o designer gráfico Reinaldo Peticor, de 37 anos, também está com a doença e segue internado no local.
“Demorei seis horas entre pegar senha, ir para a triagem, ser atendida e tomar o soro. Fui liberada,mas meu marido estava comas plaquetas baixa se precisou ficar internado.Mas está tudo tomado por pessoas com dengue.Ele está em um boxe no pronto-socorro porque não tem quarto (disponível).” Thaís relata que no domingo, quando os sintomas começaram, procurou outro hospital, que também estava lotado.
“Tem muita gente com suspeita de dengue. Os lugares estão todos cheios.” Procurado, o Hospital Samaritano informou que Peticor foi transferido para um quarto na tarde de ontem. E destacou que oferece “suporte e atendimento” aos casos de suspeita de dengue.
Levantamentos dos grupos particulares também mostram esse quadro. O Estado consultou nove hospitais e o aumento no número de pacientes com suspeita de dengue foi verificado na maioria. O 9 de Julho, em Cerqueira César, por exemplo, registrou 474 casos de suspeita nos três primeiros meses deste ano, ante 227 em 2014.
A infectologista e diretora técnica do centro médico, Regina Tranchesi, explicou que a instituição colocou um médico a mais no período da noite. “A gente fica monitorando, caso precise de mais médicos. Mas, com essa estrutura, está dando para atender a demanda.” O Hospital Infantil Sabará também já opera com acréscimo de equipe de médicos e de triagem. O número de casos até março supera todo o ano de 2014, quando foram confirmados 50 casos no local. Neste ano, 80 pacientes foram diagnosticados com a doença. No Hospital Santa Catarina, somente no mês de março, o atendimento da ala infantil dobrou em relação a fevereiro de 2015.
Já no Hospital Santa Isabel, o aumento de pacientes começou a ser notado em fevereiro.
Por dia, em média, sete pessoas são internadas com a doença.
O Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos informou que, hoje, cerca de 70% das pessoas que procuram o pronto atendimento da unidade, na Vila Clementino, zona sul, relatam sintomas de dengue. Um fluxo de atendimento específico foi organizado para atender a demanda.
Na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo houve um aumento de quatro vezes no número de casos suspeitos de dengue no primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período de 2014. O Hospital Alvorada registrou aumento semelhante: nos três primeiros meses deste ano,acolheu 55 pacientes.No mesmo período de 2014, foram 13. Os Hospitais Albert Einstein e São Luiz também relataram aumentos.
Rede pública. A lotação já virou rotina nas unidades municipais e nas tendas instaladas pela Prefeitura. Na tarde de ontem, a cabeleireira Helena Soares, de 49 anos, deparou-se com o Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, lotado.
“Cheguei às 11 horas e tinha muita gente. O problema mesmo é a dengue.”Ela só foi liberada por volta das 16 horas.



Em 8 anos, número de brasileiros acima do peso cresce 10%
16/04/2015 - Folha de S.Paulo
 
Após ter estacionado nos últimos dois anos, o número de brasileiros com excesso de peso voltou a crescer, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Ministério da Saúde.
Se em 2013 esse percentual havia estabilizado em 50,8%, agora esse índice já atinge 52,5% da população adulta do país. Os dados são da Vigitel, pesquisa que monitora os hábitos e fatores de risco para a saúde. Foram ouvidas 40 mil pessoas.
Há oito anos, 43% da população estava acima do peso.
Pessoas com excesso de peso são aquelas com IMC (índice de massa corporal) acima de 25. São considerados obesos aqueles com IMC acima de 30. O percentual da população dentro desse segundo grupo tem se mantido estável. Hoje, o problema atinge 17,9% dos brasileiros.
Embora esteja mais "gordinho", o brasileiro diz tentar se exercitar mais. Segundo a pesquisa, 35,5% da população dedica mais de 150 minutos na semana para atividades físicas. Em 2009, esse índice era de 29,9%.
Em geral, o percentual da população que dedica mais tempo a atividades físicas é maior entre os homens: 41,6%. Entre as mulheres, esse índice cai para 30%.
Um outro inimigo da boa alimentação é o sal. Ao todo 15,6% da população afirma ter consumo "alto" ou "muito alto". O consumo médio de sal no país é duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.



Número de brasileiros acima do peso volta a crescer
15/04/2015 - Valor Econômico

Após ter estacionado nos últimos dois anos, o número de brasileiros com excesso de peso voltou a crescer, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde.
Se em 2013 esse percentual havia estabilizado em 50,8%, agora, esse índice já atinge 52,5% da população adulta do país. Os dados são da Vigitel, pesquisa que monitora os hábitos e fatores de risco para a saúde.
O crescimento, no entanto, é ainda maior se comparado a oito anos atrás, quando 43% da população brasileira estava acima do peso.
Já o percentual da população dentro deste grupo que apresenta quadro de obesidade tem se mantido estável. Hoje, o problema atinge 17,9% dos brasileiros, de acordo com dados da Vigitel. Foram ouvidas 40 mil pessoas.

Exercícios

Embora esteja mais "gordinho", o brasileiro já tenta se exercitar mais e têm passado menos tempo em frente à TV. Segundo a pesquisa, 35,5% da população dedica mais de 150 minutos na semana para a prática de atividades físicas. Em 2009, esse índice era de 29,9%.
Por outro lado, 15% dos entrevistados afirmaram não ter feito nenhum tipo de atividade nos últimos três meses e 49% admitiram fazer atividades em tempo considerado "insuficiente" durante a semana.
Em geral, o percentual da população que dedica mais tempo a atividades físicas é maior entre os homens: 41,6%. Entre as mulheres, esse índice cai para 30%.
Com mais tempo para atividades físicas, sobra menos tempo para a TV. Dados da Vigitel mostram que o percentual de brasileiros que fica mais de três horas diárias em frente à telinha diminuiu: passou de 31%, em 2006, para 25,3% em 2014.
Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, essa redução mostra que a população está buscando hábitos mais saudáveis, o que acaba por impactar nos outros índices.
"Se não tivéssemos melhorado no índice de atividade física, teríamos com certeza mais sobrepeso e obesidade", afirma.

Alimentos

Ao mesmo tempo em que pratica mais exercícios físicos, a população também se alimenta melhor, deixando menos espaço na mesa para o refrigerante e para carnes com excesso de gordura, por exemplo.
Para o Ministério da Saúde, o inimigo, porém, ainda é o sal. Ao todo 15,6% da população afirma ter consumo "alto" ou "muito alto" de sal nos alimentos.
Dados do governo federal também mostram que o consumo médio de sal no país é duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.
A meta é reduzir essa quantidade, hoje estimada em 12 gramas por dia, para cinco gramas ao dia até 2022.
 
 




 

 

 

 

 

Notícias 14/04/2015

 

 

 


CLIPPING 14/04/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 

Ministério raciona envio de hemoderivados para 8 Estados
14/04/2015 - O Estado de S.Paulo

Pacientes com hemofilia estão enfrentando desde novembro racionamento de produtos essenciais para a sobrevivência, os hemoderivados, em oito Estados.A recomendação é de que a quantidade suficiente para o controle seja entregue mensalmente.
Por razões que o Ministério da Saúde não informou, os frascos dos derivados de sangue têm sido entregues em quantidade insuficiente, obrigando pacientes a reduzir a dosagem e a se deslocar várias vezes no mês para obter uma quantidade mínima do produto. 
“É uma tortura. Minha vida depende de hemoderivados. Já imaginou ir dormir sem saber se vou ter o suficiente para me tratar no dia seguinte? Se vou receber o produto ou não?”,afirmou Venicios Sandy de Barros, de 31 anos, que tem hemofilia A grave. Com as falhas na entrega do medicamento,ele foi obrigado a reduzir a dose do tratamento.
“Ninguém fura a veia para aplicar o produto por gostar. O que mais angustia é olhar para a geladeira onde guardo o remédio e ver que ela está vazia, que posso ter um acidente e sangrar sem que o remédio esteja disponível.” Ele recebe mensalmente 12 frascos do hemoderivado. Há dois meses, a quantia foi reduzida à metade.
A hemofilia é uma doença congênita.Pacientes com o problema têm deficiência nas proteínas que atuam na coagulação do sangue.Aqueles com hemofilia A têm deficiência no fator VIII. Já os com hemofilia B, a deficiência ocorre no fator IX. Em razão da doença, os pacientes apresentam sangramentos, muitas vezes espontâneos. Hemoderivados, que antes eram usados apenas para conter as crises, agora também são considerados como prevenção. Pacientes sãomedicados com o derivado não só para tratar, masparaevitarqueacriseaconteça. “A qualidade de vida melhora de forma significativa”, contou Barros.
Agora, com o racionamento, as dores voltaram e as hemorragias, também. A mais recente, no ombro,aconteceu justamente quando ele havia ido ao centro, para conseguir mais frascos do derivado de sangue. Morador da cidade mineira Barbacena, precisa ir até Juiz de Fora para obter o produto. “As viagens para mim são desgastantes.
Quanto mais vezes tenho de ir, mais risco eu corro.” Mariana Batazza Freire, vice presidente da Federação Brasileira de Hemofilia, afirma que o problema se repete no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina,São Paulo,Rio,Ceará e Paraíba.“Houve uma redução significativa da distribuição feita pelo Ministério da Saúde. Com isso, os estoques dos Estados, que eram de dois, três meses,acabaram.
E sem estoques o racionamento piorou.” Mariana contou que a federação já alertou o ministério sobre o drama enfrentado pelos pacientes. A resposta recebida foi que o problema seria solucionado neste mês. “As informações prestadas foram insuficientes.” Sem falta. Em nota, o Ministério da Saúde limitou-se a afirmar não haver falta do medicamento.E que os estoques estariam sendo regularizados a partir deste mês. A pasta não informou as razões da redução da distribuição, tampouco as medidas que eventualmente tenham sido adotadas para evitar que o problema se repita.



Diretor da Saúde ajudou laboratório, afirma empresário
14/04/2015 - Folha de S.Paulo

Um diretor do Ministério da Saúde responsável por parcerias que visam a produção de remédios que atualmente são importados favoreceu o laboratório EMS, segundo o empresário Leonardo Meirelles, sócio do Labogen, empresa investigada na Operação Lava Jato.
Meirelles disse em depoimento à Polícia Federal que foi o diretor de Produção Industrial e de Inovação do ministério, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, quem colocou o EMS na parceria que o Labogen tinha com o ministério, um negócio que renderia R$ 134,4 milhões em cinco anos para as empresas.
O EMS é o maior laboratório do país, com faturamento de R$ 3,4 bilhões em 2014.
Já o Labogen tinha características de empresa de fachada, segundo a PF, já que não tinha registros para operar.
O depoimento de Meirelles à PF sobre o suposto tráfico de influência foi citado pelo juiz federal Sergio Moro para decretar a prisão do ex-deputado federal André Vargas (ex-PT-PR) na sexta (10).
Originalmente o projeto do Labogen era com outro laboratório, o Geolab, de acordo com relato de Meirelles.
O empresário disse nos depoimentos que o diretor do ministério ligou em 2013 para um dos executivos do Labogen e informou que eles teriam a EMS como parceiro.
No dia seguinte, contou Meirelles, uma funcionária da EMS o procurou para formalizar a sociedade. A parceria visava a produção de um princípio ativo para tratar pressão alta no pulmão e foi desfeita depois que a Folha revelou que o doleiro Alberto Youssef estava por trás do negócio.
Meirelles relatou que a atuação de André Vargas, na época em que era deputado, foi decisiva para que o Labogen conseguisse a parceria.
Ele disse que buscava esse negócio desde 2010, mas não era recebido no ministério.
Meirelles contou que o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou de uma reunião no apartamento de Vargas em 2013, na qual Youssef estava presente.
Youssef era sócio do Labogen e usava contas da empresa para fazer remessas que chegam a US$ 140 milhões. Meirelles foi preso pela PF em março de 2014, não fez acordo de delação, mas confessou crimes para tentar obter uma pena menor e foi solto.

OUTRO LADO

O ministério diz não ter achado irregularidade em sindicância sobre o Labogen. O atual ministro, Arthur Chioro, disse que não há registro de reunião entre o Padilha e Vargas. Se o encontro ocorreu, disse, foi fora da agenda oficial.
Padilha disse não se lembrar de reunião na casa de Vargas. E que cumpriu função institucional ao receber representantes dos projetos. A EMS não quis comentar.
 

 

Pesquisa e Desenvolvimento

 

 

Droga usada contra leucemia pode tratar outros tipos de câncer
14/04/2015 - O Globo

Estudo da Universidade de Harvard identificou uma substância, já usada em outras terapias, que se mostrou mais eficaz no combate ao câncer por atacar células-tronco da doença. As terapias-alvo vêm se popularizando no mundo no combate ao câncer. Elas atacam diretamente as células cancerosas e causam menos danos às células saudáveis. Mas uma das dificuldades do tratamento é combater as células-tronco desses tumores, que os levam a crescer novamente. Publicada ontem na revista científica “Nature Medicine”, uma pesquisa identificou um inibidor que seria a solução para este problema.
A pesquisa analisou mais de 8.200 substâncias, algumas já aprovadas nos EUA, na busca de um inibidor da enzima Pin 1, que regula as proteínas responsáveis pela proliferação celular de vários tipos de tumor. Os cientistas ficaram surpresos ao ver que o ácido all-trans-retinoico (Atra) — um composto já aprovado para o tratamento de leucemia promielocítica aguda (LPA) — é capaz de eliminar essas células-tronco, além de bloquear os caminhos de fuga das células tumorais pelo corpo (o que também faz com que o câncer volte a se manifestar).
O Atra foi descoberto na década de 1980 e é uma importante droga para tratar a LPA. Antes dele, a mortalidade era maior devido a intensos sangramentos ocasionados pela doença. Agora, os pesquisadores mostraram que seu mecanismo de ação é diferente do que se pensava.
— O uso do Atra para inibir e destruir a enzima Pin 1 representa uma nova abordagem para as terapias-alvo — explica um dos autores do estudo, Kun Ping Lu, do Centro Médico Beth Israel Deaconess (BIDMC) e da Escola Médica da Universidade de Harvard, e um dos descobridores da enzima Pin 1, em 1996. — Isto é extremamente necessário para tratar cânceres agressivos ou resistentes aos medicamentos.
Os cientistas também testaram o Atra no câncer de mama triplo negativo, um dos mais agressivos dos tipos de mama. Os resultados positivos mostram que a substância poderia ser usada em diferentes tumores.
— Os pesquisadores americanos descobriram um novo e interessante mecanismo para o Atra — comenta o oncologista Daniel Tabak, membro titular da Academia Nacional de Medicina. — Este é o avanço da medicina molecular, que implica em identificar alvos em comum para diferentes tipos tumorais, por isso seria eficiente tanto para o câncer de mama quanto a leucemia.
No entanto, a maneira como o Atra é usado atualmente teria que ser revista para atender às novas necessidades.
— Estamos desenvolvendo novas formulações da droga — diz Xiao Zhen Zhou, também pesquisador de BIDMC e de Harvard e autora do estudo. — O Atra aprovado hoje pelo FDA (agência reguladora de remédios dos EUA) tem uma meia-vida de 45 minutos em humanos, o que é pouco para tratar tumores sólidos. E as novas gerações mais potentes do Atra tiveram baixa eficácia em testes em humanos e não inibem o Pin 1. Esta fórmula mais potente atingirá vários “alvos de sonhos”, que hoje não respondem a drogas.

TUMOR DE CÓLON NA MIRA

Ontem também foi publicado na revista “Lancet Oncology” um estudo com mais de mil pacientes de 24 países com câncer de cólon, mostrando que o uso da substância ramucirumab combinado à quimioterapia aumenta em 16% a sobrevida de pacientes. Eles sobreviveram 13,3 meses, enquanto que os tratados com placebo, 11,7 meses. O fármaco atua no processo de angiogênese, que é a criação de vasos sanguíneos através dos quais os tumores se alimentam e crescem. Os resultados foram comemorados pelos autores, mas questionados por Tabak: — O ganho de sobrevida é muito limitado. Essa abordagem da angiogênese deixou muito a desejar em relação ao que se propunha inicialmente — afirma o especialista.

 

 

Saúde




Más notícias da Cracolândia

14/04/2015 - Estado de S.Paulo 


A Cracolândia confirma o dito pessimista de que o ruim sempre pode piorar. Os vários programas lançados nos últimos anos para dar assistência aos dependentes que se concentram na região central da cidade que leva esse nome e induzilos a deixar as drogas, por um lado, e para combater o tráfico que ali corre solto, por outro, produziram resultados decepcionantes, muito distantes das promessas das autoridades tanto municipais como estaduais. Más notícias não faltam, sendo a última delas a chegada ali de uma nova droga a heroína, tão devastadora como o crack.

Segundo reportagens da TV Globo e do jornal Folha de S.Paulo, a Polícia Civil fez há pouco a primeira apreensão dessa droga 88 gramas na Cracolândia, trazida por dois traficantes africanos vindos da Tanzânia, que foram presos. A quantidade é pequena, mas especialistas alertam que uma pedra de heroína menor do que um grão de arroz, misturada com crack, basta para causar dependência.

Além disso, a polícia acredita que esse não é um caso isolado, mas parte de uma tentativa em curso dos traficantes para difundir o consumo dessa droga na região.

Segundo o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), para popularizar essa droga no Brasil, traficantes nigerianos e de outros países africanos vendem heroína a preço bem mais baixo do que o praticado na Europa e nos Estados Unidos. Eles levam cocaína para a Europa, passando pelo Brasil, e trazem para cá heroína do Paquistão, do Afeganistão e uma parte da Colômbia. O delegado levou o caso ao conhecimento da Polícia Federal, do Ministério Público e da Prefeitura e sugere uma ação conjunta deles com o governo do Estado para tentar evitar que a droga se espalhe.

Outra má notícia é que a favela formada na Cracolândia com pequenas barracas na Alameda Cleveland e Rua Helvétia está se expandindo, o que é claro sintoma do agravamento da situação. Não por acaso, a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, usou palavras fortes para descrever o que está acontecendo ali: "Houve um descontrole do território, a situação degringolou. Isso não significa descontrole do Braços Abertos" (programa por ela dirigido, que presta assistência aos dependentes, oferecelhes quartos em hotéis e lhes paga R$ 15 por dia por serviço de limpeza de ruas). Segundo ela, houve redução do efetivo da Polícia Militar (PM) na Cracolândia. Essa seria, portanto, uma das razões do descontrole.

Em primeiro lugar, mesmo que o descontrole não atinja o Braços Abertos, como ela pretende, a situação desse polêmico programa está longe de ser boa. Prova disso é o estado dos hotéis que abrigam os dependentes de crack. Suas condições de higiene são precárias e eles foram depenados pelos dependentes que roubaram tudo que podia ser vendido para comprar droga de chuveiros a batentes de portas, passando por fiação elétrica, roupa de cama e vasos sanitários.

Quanto ao efetivo policial presente na região, a Secretaria da Segurança Pública assegura que ela é "uma das mais bem policiadas do Estado", que no ano passado foram presas 378 pessoas e que a PM apoia a ação dos agentes sociais e de saúde.

Nesse caso, nenhuma das partes deveria jogar a culpa sobre a outra. Se a Cracolândia é uma das áreas mais bem policiadas do Estado, como explicar que o tráfico de drogas ali corre solto, dia e noite, à vista de todos? Mas dizer que a situação escapou ao controle, degringolou, por culpa da polícia é uma simplificação que deforma a realidade, não corresponde aos fatos, embora convenha aos interesses da Prefeitura.

Todos estão a dever uma ação mais efetiva na Cracolândia nos dois lados do problema o da assistência social e médica aos dependentes para leválos a se tratar e o da ação policial de combate ao tráfico. As deficiências e limitações do Braços Abertos e a desenvoltura dos traficantes, que já ensaiam a introdução ali da heroína, são bons exemplos disso. E indicam a urgência de repensar a fundo a questão.

 

 


 

Sem leitos na hora da crise
14/04/2015 - O Globo

Imagine a cena: um garoto bipolar, com crise de mania, que cria situações fantasiosas e que de tão eufórico não dorme e torra o patrimônio da família, ao “embarcar em suas viagens”. Gustavo (nome fictício) perdeu a noção de si mesmo e o controle de suas ações em três oportunidades. Numa achou que chegaria ao estrelato, depois à Presidência do Brasil, e por último já se considerava Deus. Precisou de internação psiquiátrica em duas delas e optou por clínicas particulares por considerar as públicas “inadequadas”.
— Tive sorte de contar com a ajuda dos meus irmãos, que pagaram tudo. Não dava para ficar em outro local, era tudo muito ruim — lamentou o fotógrafo, de 33 anos, que há seis anos não interrompe o tratamento medicamentoso para evitar crises e gastos em torno de R$ 15 mil por 15 dias. — Hoje sei conviver com a minha doença.
Casos como esse são mais comuns do que se pensa. E, em alguns deles, internações breves auxiliam nas crises, trazendo o paciente para a “normalidade”. Independentemente da doença mental, quando uma pessoa coloca em risco sua vida ou a vida de outro, deve ser internada. Portadores de transtornos psiquiátricos, como a esquizofrenia, mas também como depressão, ansiedade, bipolaridade, alcoolismo e dependência de outras drogas, sofrem preconceito e têm dificuldades para internação.
Segundo Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), há uma defasagem entre demanda e leitos para internações em hospitais gerais no país. Ele afirma que há cerca de 50 milhões de pessoas com algum tipo de transtorno mental. E que essas são doenças crônicas, altamente prevalentes e que contribuem para a incapacitação e mortalidade precoces. Segundo números do governo federal, há apenas 32 mil leitos para atendimento de doentes mentais no Brasil. Antes da lei de 2001, que reformou o sistema psiquiátrico e culminou com o fechamento dos manicômios, eram 120 mil, diz Silva.
— O que ocorre num surto de depressão? Não sei onde os familiares devem pedir auxílio. Acabam batendo na porta dos consultórios particulares. Nossa demanda é grande e não deveria ser.
Dartiu Xavier, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo e especialista em transtornos do controle dos impulsos, comorbidades psiquiátricas e dependência química, afirma que é preciso ter mais opções para tratamento em hospitais gerais.
— Não se trata de defender o modelo antigo, em que os leitos eram carcerários e as internações, longas. Mas o abuso anterior não justifica a falta de leitos de hoje em dia. Precisamos de mais deles nos hospitais gerais, além de olhar para esse problema como uma questão médica.
Xavier, um dos consultores da Prefeitura de São Paulo para o programa Braços Abertos (para usuários de drogas, na região da Cracolândia) afirma que não se usam mais internações longas porque não são eficientes:— Na maioria das vezes não são necessárias. Internação longa só serve para enriquecer dono de clínica particular. Muita gente enriqueceu com o cárcere para doentes mentais. E a especialidade como um todo ainda é estigmatizada.
A ABP luta por um modelo de atenção integral no Brasil principalmente após a lei de 2001, que trata da proteção e dos direitos das pessoas com transtornos mentais.
— A lei não é aplicada por não garantir o tratamento ao cidadão. Devido a um viés ideológico, houve ênfase no fechamento de leitos psiquiátricos e de ambulatórios especializados sem a contrapartida de serviços comunitários.
De acordo com Fábio Barbiratto, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa, no Rio, quando a internação é para adolescentes, o quadro é pior. Em caso de jovens em surto, ele encaminha à emergência do Instituto Municipal Phillipe Pinel “e reza”. Afirma que, na maioria das vezes, tem dificuldade para encontrar vagas para internação. Mesmo que a depressão e a bipolaridade sejam frequentes em jovens de 8 a 15 anos.
— Há o estigma de que adolescente é rebelde e que surtos não são decorrentes de uma doença. Além, é claro, do fato de que nesse caso é preciso leito com espaço para o responsável também — explicou o psiquiatra. — Na prática, há situações desgastantes em que a medicação não é suficiente. E são poucas as famílias que têm dinheiro para pagar um enfermeiro para ficar com o doente em suas casas ou internar em locais particulares. Rezo por muitos deles.
VOLTA POR CIMA APÓS PARAR NA RUA
Elizabeth dos Santos, de 56 anos, não teve a mesma sorte que Gustavo. De família humilde e abandonada pelos irmãos, contou com a ajuda de um desconhecido em sua primeira crise, quando tinha 23 anos e descobriu que era bipolar. — Fui parar na rua. Um senhor me levou a um psiquiatra e exigiu a internação porque eu não tinha para onde ir. Não foi fácil, mas conseguimos (no Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro).
Após indas e vindas, foi internada no Instituto de Psiquiatria (Ipub) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde esteve em várias crises, entre 1999 e 2003.
— Como já me conheciam, conseguia vaga com menos sacrifício. Mas agora acho que é mais difícil. Principalmente para o pessoal da Baixada Fluminense, onde moro. Eles não conseguem vir para cá (Zona Sul). E lá os lugares são piores — contou Elizabeth, que hoje trabalha no Ipub como voluntária.
Segundo a psiquiatra Maria Tavares Cavalcanti, diretora do Ipub, o local está sempre cheio e há rodízio constante de internos. São 106 vagas, sendo que 18 são ocupadas por “pacientes moradores”. A média de internação foi de 57 dias em 2014. Para ela, o ideal é que essas pessoas possam ser internadas nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), não em hospitais.
Os CAPSIII, indicados para municípios com população acima de 200 mil habitantes, são unidades de funcionamento 24 horas. Já os CAPSI (até 70 mil habitantes) não têm a obrigatoriedade de contar com psiquiatras.
Segundo o Ministério da Saúde, há no país 2.209 CAPS, onde o atendimento é próximo à família. Nesses locais também há possibilidade de internação, de curta duração, em caso de orientação médica. No Brasil, são 32.290 leitos psiquiátricos, em hospitais especializados (178) e gerais. Desde 2011, foram criados 858 leitos de saúde mental em hospitais gerais, além do funcionamento de 61 unidades de acolhimento. O investimento no período no SUS foi de R$ 3,1 bilhões.
As secretarias municipal e estadual de saúde do Rio explicaram que o objetivo é consolidar o modelo de saúde mental com atenção psicossocial, em unidades de serviços comunitários. Ainda há no estado 28 hospitais psiquiátricos com 4.239 leitos. Destes, sete são públicos e os demais, com leitos conveniados ao SUS. Cerca de 50% desses leitos estão ocupados por pacientes “moradores”. E a taxa de ocupação é de 100% (não ficam ociosos). Já o município conta com 28 CAPS, seis deles 24 horas. A cidade tem 1.324 leitos destinados à internação em 13 unidades (incluindo as conveniadas ao SUS). Desse total, 659 estão ocupadas por pacientes de longa permanência. A taxa média de ocupação dos restantes é de 90%.



Unimed nacional deve atingir R$ 4,1 bi em 2015
14/04/2015 - DCI

Gastos com processos judiciais, diminuição do uso irracional do plano de saúde e a alta da sinistralidade são alguns desafios para a Central Nacional Unimed em 2015. Mesmo assim, a empresa, cujo foco é empresarial, pretende investir R$ 45 milhões em tecnologia e marketing este ano, para crescer 26% no faturamento.
O braço de assistência médica corporativa da Unimed, Central Nacional Unimed (CNU), teve 353 processos judiciais fechados entre 2013 e 2014. Metade das ações estava relacionada a procedimentos que não foram solicitados. "Os processos judiciais contra as operadoras de saúde estão banalizados. Mais de 40% das liminares que recebemos são de procedimentos que não foram solicitados. Os beneficiários recorrem primeiro aos advogados", afirmou em exclusiva ao DCI o presidente da CNU, Mohamad Akl.
Em 2013, os casos judiciais representaram para a CNU R$ 1,3 milhão de despesas e em 2014 o valor foi de R$ 1,24 milhão. "Temos que sensibilizar o Judiciário, para que entenda que em alguns casos o procedimento requerido não está em contrato. Isso prejudica as operadoras porque são gastos fora de seus orçamentos", analisa.

Desafios

Ainda segundo o executivo, a sinistralidade (relação entre os custos sobre as receitas de uma operadora) é outra situação que tem impactado os resultados. "O ideal é que de cada R$ 100 recebidos, até R$ 85 sejam usados em assistência médica. No entanto, em 2014 o valor foi de R$ 92", explica o presidente da CNU.
O executivo assinala que uma das metas para este ano é trazer o nível de sinistralidade a patamares compatíveis com as necessidades da empresa, que varia entre 85% e 86%. "Em contrapartida, os preços devem ser de acordo com a concorrência e não podemos elevar os preços. Mas, podemos investir em medicina preventiva para diminuir os gastos desnecessários."
Akl acredita que realizar consultas dentro dos padrões e orientar beneficiários sobre o correto uso do plano pode trazer resultado a médio e longo prazo. "O atendimento primário e o acompanhamento de pacientes com casos crônicos podem evitar procedimentos com custo mais alto", diz.
Hoje, a empresa possui um programa que permite monitorar mais de 22 mil vidas. Estas apresentam doenças que exigem constante acompanhamento (cardiopatia, doenças pulmonares, câncer ou obesidade mórbida). "Detectamos os pacientes pelos tipos de exames que realizaram ou até a forma de utilização do plano de saúde. Em 2014, realizamos mais de 340 mil telemonitoramentos. Além de milhares de mensagens de texto e visitas domiciliares", ressalta Akl.
Ainda segundo o médico, as orientações resultaram em uma redução de gastos de R$ 3 milhões. "Atuamos preventivamente com seis ou sete patologias entre nossos beneficiários", analisa o especialista.
Questionado sobre a inflação e a alta do dólar, Akl afirma que o primeiro fator já era esperado. "A inflação médica sempre está entre patamares altos, mas isso não impede os investimentos. Quanto ao dólar, com certeza tem pressionado o custo dos insumos."

Aportes

Neste ano, a empresa planeja investir quase R$ 45 milhões em melhorias em três filiais, que estão localizadas em Brasília, Salvador e São Luís. Do total, R$ 16 milhões serão destinados para tecnologia da informação. O restante será aplicado em melhorias de processo administrativo, contratação de pessoas, marketing e treinamento. "Além disso, temos cerca de R$ 1 milhão para a área de projetos de responsabilidade social".
Em 2014, a CNU teve faturamento de R$ 3,3 bilhões, uma alta de 39% ante ao ano anterior. A previsão, segundo Akl, é de atingir R$ 4,1 bilhões em 2015, alta de 26%. "Já em número de beneficiários devemos crescer 10%."
Com 315 empresas contratantes, a carteira da operadora recebeu em 2014 mais 202 mil vidas e fechou o ano com quase 1,6 milhão de beneficiários. No mesmo período, o mercado de planos coletivos empresariais cresceu 3,3%.
 


Resíduos de agrotóxicos estão presentes até no leite materno
14/04/2015 - Folha de S.Paulo 

A exposição aos agrotóxicos causa inúmeros efeitos à saúde e está ligada a vários tipos de câncer. Não é achismo ou ativismo. É o que apontam vários estudos científicos ao longo das últimas décadas.
Alheio aos sucessivos alertas, o Brasil segue ocupando a liderança mundial de consumo desses venenos.
Na semana passada, em um feito inédito, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) se posicionou contra o uso de pesticidas e recomendou a sua "redução progressiva e sustentada" nas plantações. Alguém avisou o Ministério da Agricultura sobre isso?
Segundo documento divulgado pelo instituto, a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil foi uma das responsáveis por colocar o país no primeiro lugar no ranking mundial, já que o cultivo das sementes modificadas exige grande quantidade desses produtos.
No Brasil, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$ 7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011. Ultrapassamos a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno por habitante. Para a indústria química, o alto consumo é efeito colateral de um objetivo nobre: aumentar a produtividade das lavouras brasileiras.
A literatura científica aponta vários efeitos associados à exposição crônica aos agrotóxicos, como infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.

MEDIDAS
Há medidas muito concretas que o país poderia adotar para frear esse abuso. Por exemplo, o fim da pulverização aérea, já banida em quase toda a Europa por causar dispersão dessas substâncias nocivas no meio ambiente. Apenas uma pequena parte do agrotóxico cai na planta, a maior parte fica no solo, na água e nas comunidades que moram no entorno das plantações.
Mas tanto a indústria quanto o setor da aviação agrícola argumentam que suprimir a pulverização aérea reduziria em até 40% a produtividade das lavouras.
Outra medida defendida pelos ambientalistas é o fim da isenção de alguns impostos que o país a concede à indústria produtora de agrotóxicos. O preço de registro de novos agrotóxicos também funciona como incentivo ao setor. É de no máximo US$ 1 mil. Nos EUA, custa até US$ 630 mil.
Por último, o Brasil deveria banir a comercialização de princípios ativos proibidos em outros países. Um dossiê de 2012 da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) aponta que, dos 50 produtos mais utilizados nas lavouras brasileiras, 22 são proibidos na União Europeia.

LEITE MATERNO

Outro documento, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mostra que grande parte do estoque de produtos organofosforados banidos na China em 2007 tem sido enviados ao Brasil.
Uma consequência cruel do alto consumo de agrotóxico no país foi muito bem documentada em 2011, numa pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz: até mesmo o leite materno pode conter resíduos de agrotóxicos.
O estudo coletou amostras em mulheres do município de Lucas do Rio Verde (MT), um dos maiores produtores de soja do país. Em 100% delas foi encontrado ao menos um tipo de princípio ativo desses produtos. Em algumas, até seis tipos.
Qual é a alternativa? Para a indústria, não há. Segundo ela, uma alimentação 100% orgânica levaria a uma inevitável queda de produtividade e não só Brasil, mas o mundo teria grande dificuldade de suprir alimento para a população.
Ambientalistas, pesquisadores, produtores de orgânicos e o próprio Inca discordam. Dizem que se houvesse apoio de políticas públicas, crédito, pesquisa e assistência especializada seria possível construir um novo modelo agrícola, com alimentos livres de agrotóxico. Essa é uma bandeira deveria ser encampada pelas redes sociais. A saúde e o ambiente agradecem. 



Acordo quer reduzir ações judiciais feitas por usuários de planos de saúde
14/04/2015 - Folha de S.Paulo

Entidades que representam operadoras de saúde e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assinaram nesta segunda (13) um acordo que pretende reduzir o volume de ações judiciais ingressadas por usuários de planos.
A proposta é criar um núcleo de apoio técnico, com a participação de advogados dos planos, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e de médicos.
A proposta é que, tão logo a ação com pedido de liminar ingresse no fórum João Mendes, na capital paulista, o grupo avalie o pedido e proponha um acordo ao usuário em até 24 horas no máximo.
Segundo José Renato Nalini, presidente do TJSP, o núcleo funcionará como um piloto e, se der certo, deverá ser replicado para o resto do país por meio de parceria com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Não há números consolidados sobre a judicialização na saúde suplementar. Pelo site do TJSP é possível saber que, em sete anos, o número de acórdãos sobre planos de saúde aumentou 3.379%: de 512, em 2007, para 17.811, em 2013. Na área da assistência, remédios e próteses respondem pela maioria das ações.
"Existe um crescente estímulo para procurar a Justiça antes mesmo de um processo de mediação. Queremos ser ouvidos antes", afirma José Cechin, diretor executivo na Fenasaude.
Para Antonio Carlos Abbatepaolo, diretor-executivo da Abramge, muitas ações com pedido de liminar não tratam de casos urgentes e poderiam ser resolvidas amigavelmente entre a operadora e o usuário.
"O juiz não tem acesso a protocolos e diretrizes. A ideia é que, se não houver acordo com o usuário, ele seja municiado de informações técnicas isentas para tomar a melhor decisão".
A ANS vai subsidiar o grupo com decisões tomadas por um grupo interno que já faz mediações de conflitos entre operadoras e usuários.
De acordo com Simone Freire, diretora de fiscalização da ANS, houve acordo em 86% das 95 mil reclamações recebidas ano passado pelo grupo. Ainda assim, segundo ela, muitos usuários preferem recorrer diretamente à Justiça em vez de tentar um acordo antes com os planos. 



Alckmin promete 500 agentes para combater dengue
14/04/2015 - Folha de S.Paulo 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta segunda (13) que vai destinar uma equipe de 500 agentes de saúde e 30 médicos para combater o avanço da dengue no Estado.
Segundo o Ministério da Saúde, São Paulo tem 585 casos da doença por 100 mil habitantes, o que enquadra o Estado em situação de epidemia.
O governador ressaltou que 80% das contaminações por dengue ocorreram dentro de casas. "É importante a colaboração de todos", afirmou.
Na última sexta (10), o prefeito da capital paulista Fernando Haddad (PT) disse que negociava uma parceria com o Estado para criar novas tendas de combate à dengue. Dados da prefeitura apontaram que, além de crescer, os casos da doença também estão se espalhando para outras regiões da cidade.


 
Anvisa determina alerta adicional em embalagens de cigarro
13/04/2015 - Valor Econômico

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira, no Diário Oficial da União, uma resolução com uma nova advertência nos maços de cigarros. Além dos atuais alertas sobre os efeitos nocivos do tabagismo, a nova advertência ocupará 30% da parte frontal de todas as embalagens. 

Divulgação

O texto da advertência deve ser: "Este produto causa câncer. Pare de fumar. Disque saúde: 136". A resolução determina ainda o tamanho e a cor das letras e do fundo. Os pacotes não poderão, de acordo com a norma, ter nenhum dispositivo que possa esconder ou dificultar a visualização da mensagem.
A resolução foi aprovada em reunião da agência no dia 2 de abril. Com a publicação, a obrigação vale para a indústria e distribuidores a partir de janeiro de 2016. Embalagens antigas devem ser recolhidas do mercado até 30 de junho do ano que vem.



Casos de dengue no Brasil aumentam 240% no primeiro trimestre do ano
13/04/2015 - Valor Econômico 

O número de casos de dengue no país este ano, até o dia 28 de março, aumentou 240,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Até 28 de março, foram registrados 460,5 mil casos, contra 135,3 mil registrados no primeiro trimestre de 2014, conforme balanço divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde.
O balanço informa que, até 28 de março, 132 pessoas morreram em decorrência da doença, número 29% maior que o de 2014, quando foram 102 as mortes, no mesmo período. Os casos graves também aumentaram: 235 este ano, o que representa alta de 39,1% na comparação com 2014, quando foram registrados 169, também até 28 de março.
Segundo os dados da pasta, a região Centro-Oeste apresenta maior incidência, com 393,3 por 100 mil habitantes (59.855 casos), nos primeiros três meses do ano. Em seguida, vêm as regiões Sudeste, com 357,5 por 100 mil habitantes (304.251 casos); Norte, com 112,4 por 100 mil habitantes (19.402 casos); e Nordeste, com 91,2 por 100 mil habitantes (51.521 casos). A região Sul, com 88,8 por 100 mil habitantes (25.773 casos), é tradicionalmente a que tem menor incidência da dengue.
São João do Caiuá, no Paraná, com 16.760 casos de dengue por 100 mil habitantes, foi o município com maior número de doentes por habitante, no primeiro trimestre de 2015. Em seguida vieram quatro municípios do estado de São Paulo: Trabiju, com 14.303 por 100 mil habitantes; Paraguaçu Paulista, com 13.738 por 100 mil habitantes; Estrela D’Oeste, com 11.513 por 100 mil habitantes e Florínia, com 9.039 por 100 mil habitantes.



Caso Labogen está encerrado, diz ministro da Saúde
13/04/2015 - Valor Econômico 

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse nesta segunda-feira que o "caso Labogen" está encerrado para o ministério. A Labogen é investigada na Operação Lava-Jato.
Ele disse ainda que o ministério não fará nenhum tipo de questionamento ao ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT).
Na semana passada, o juiz Sergio Moro escreveu no despacho em que autoriza buscas e apresentações relacionadas ao ex-deputado petista André Vargas (sem partido) que o Ministério da Saúde omitiu encontros do ex-ministro Padilha com o doleiro Alberto Youssef e com Vargas. 
Youssef disse em depoimento de sua delação premiada que Vargas fez uma reunião em seu apartamento funcional para apresentar a Labogen a Padilha. 
"Os subscritores da referida nota, agentes do Ministério da Saúde faltaram, aparentemente, com a verdade para com este juiízo, ao não revelarem todos os fatos envolvidos na aprovação da parceria", escreveu Moro no despacho.
"Outras mensagens telemáticas interessantes dizem respeito a encontro entre André Vargas e Carlos Augusto Graboi Gadelha, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, na época Secretário do Ministério da Saúde, apontando mais uma intervenção de André com outro dirigente do referido Ministério", disse Moro no despacho, acrescentando que agentes do Ministério da Saúde omitiram "qualquer informação acerca dos aludidos encontros de André Vargas com Alxandre Padilha ou com Carlos Gadelha a respeito dos fatos".
Chioro disse ainda que investigação não significa que as pessoas sejam culpadas. 
"Investigação condena alguém? A sindicância e todos os elementos são claros e transparentes", disse Chioro a jornalistas em entrevista coletiva.
Chioro disse ainda que só pode responder por acontecimentos de sua gestão, e não de seu antecessor, Alexandre Padilha. Desde o começo da investigação sobre a Labogen, o Ministério da Saúde tem adotado a posição de repetir que a parceria com a Labogen não foi fechada. 
 

 


 

 

 

 

 

Notícias - 15/04/2015

 

 


CLIPPING 15/04/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

 

MPF/DF instaura inquérito para apurar irregularidades na venda de remédio para câncer
14/04/2015 - Portal do Direito da Saúde

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) abriu inquérito para apurar possíveis irregularidades na venda de Trastuzumabe – um medicamento usado no tratamento do câncer de mama – às secretarias estaduais de Saúde pelo laboratório Roche. A investigação é decorrente de uma representação feita pelo Grupo Direito e Pobreza da Universidade de São Paulo e a principal suspeita é de que o laboratório esteja abusando de sua posição dominante no mercado brasileiro para cobrar bem mais caro pelo remédio, fornecido a partir de decisões judiciais. De acordo com os dados apresentados na denúncia, o preço cobrado por frasco chega a R$ 7.192,00 nas negociações feitas junto aos órgãos estaduais. Já quando o comprador é o Ministério da Saúde, e a venda centralizada, o valor cobrado é de R$ 3.423,20, o que significa uma diferença a superior a 50%.
A abertura de inquérito foi determinada pela procuradora da República no Distrito Federal Luciana Loureiro Oliveira, que já enviou pedidos de informações aos envolvidos no caso. O objetivo é ter acesso a dados como: a quantidade de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que são tratados com o Trastuzumabe, o valor gasto nos últimos cinco anos para a aquisição do medicamento, tanto pelo SUS quanto pelas secretarias estaduais e, ainda, quais dessas compras foram feitas para atender decisões judiciais. A droga é considerada uma das mais avançadas para o combate ao câncer por atingir apenas as células doentes, preservando as sadias.
No despacho de criação do inquérito, a procuradora frisa que, se forem confirmados, os fatos relatados na representação inicial traduzem uma prática ilegal do laboratório. “A prática adotada pela Roche representaria maximização arbitrária de lucros, o que viola a ordem econômica e causa dano ao patrimônio público, já que a verba utilizada pelas Secretarias de Saúde para aquisição do medicamento é também oriunda do Fundo Nacional de Saúde (FNS), repassada ao SUS em cada esfera de governo”, afirma no documento.
Questionamentos – Ao todo, como forma de instruir o inquérito, o MPF encaminhou questionamentos a quatro envolvidos. Ao laboratório Roche foi dado um prazo de 15 dias para que se manifeste sobre a representação. Neste mesmo prazo, as secretarias estaduais de saúde, incluindo a do Distrito Federal, deverão informar à procuradoria os preços unitários pagos em eventuais aquisições do medicamento ocorridas nos últimos cinco anos, bem como especificar quais delas foram decorrentes do cumprimento de decisões judiciais.
Também foram solicitadas informações à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Neste caso, a entidade tem dez dias para enviar as respostas aos dois questionamentos apresentados: se tem ciência da disparidade de preços praticados pelo laboratório e se a Câmara já instaurou algum procedimento contra o laboratório Roche em função do descumprimento do Coeficiente de Adequação de Preços (CAP) nas aquisições dos Trastuzumabe realizadas pelas secretarias estaduais.
O maior número de perguntas foi endereçado do Ministério da Saúde (MS). Caberá ao órgão, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, responder a 18 questões formuladas pelo MPF. Entre as solicitações apresentadas estão o fornecimento de dados numéricos referentes a pacientes e a valores pagos e questionamentos sobre providências adotadas pelo MS para viabilizar a produção do medicamento no Brasil. O MPF que saber, por exemplo, qual o resultado e o andamento de parcerias firmadas com as multinacionais Merck Serono e Bionovis para a transferência de tecnologia necessária à produção do Trastuzumabe pelos institutos Fiocruz e Vital Brasil.
As informações fornecidas pelos órgãos questionados e também pelo laboratórios serão usadas para embasar os próximos passos da investigação. O inquérito tem prazo de um ano para ser concluído.




Anvisa aprova prioridade em análise de registro de vacina contra a dengue
14/04/2015 - Folha de S.Paulo 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai dar prioridade à análise do registro de uma vacina contra a dengue.
O pedido, segundo a Folha apurou, foi feito pela multinacional francesa Sanofi, laboratório que acaba de finalizar as pesquisas para produção do insumo, com eficácia de 60,8%.
A medida será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. Com isso, a análise de um possível registro do produto, necessário para que a vacina possa chegar ao mercado, passa para o começo da fila, junto com medicamentos considerados prioritários para a saúde no país.
Outro laboratório na corrida por uma vacina contra a doença, o Instituto Butantan, também encaminhou à Anvisa nesta terça-feira (14) um pedido para que seja concedida prioridade na análise dos documentos.
O laboratório, porém, ainda não pede o registro do produto, mas sim a aprovação para a última etapa de pesquisas, o que pode acelerar o processo de desenvolvimento da vacina no país.
Diretores da Anvisa já afirmaram, em momentos anteriores, que pretendem dar prioridade à análise.
A vacina do Butantan também é vista com maior simpatia por representantes do governo federal. Isso ocorre porque a expectativa é que a vacina seja aplicada em apenas uma dose, que protegeria contra os quatro subtipos de vírus. Já a vacina da Sanofi prevê três doses, uma a cada seis meses, e com eficácia de 60,8%.


Mercado Aberto: Ampliação Verde
15/04/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: Maria Cristina Frias

A Weleda, marca suíça de medicamentos e cosméticos naturais, reabre nesta quarta (15) sua loja no Itaim --a segunda farmácia própria em São Paulo-- e se prepara para ingressar no mercado em Curitiba.
"Teremos uma parceria com uma empresa local a partir de julho", diz Ulrike Weber, diretora da Weleda para a América do Sul, a Itália e a Espanha.
"Daremos treinamento para garantir a qualidade dos produtos e do atendimento. Os remédios serão feitos localmente e os nossos cosméticos, como em outras lojas, virão da Europa", acrescenta.
Nono mercado da empresa em 52 países, o Brasil tem a segunda maior comunidade de médicos antroposóficos do mundo. Por essa razão, o carro-chefe aqui são os remédios.
Os cosméticos, que no exterior representam 70% do faturamento, respondem por 30% do resultado no Brasil. A empresa tem 66 produtos nessas linhas, além de medicamentos manipulados em farmácia.
A empresa fechou 2014 com um faturamento de R$ 36 milhões (um crescimento de 20% em relação ao ano anterior) no país."Trabalhamos para aprimorar a distribuição e crescer aqui 20% neste ano."
são as lojas da marca no Brasil, além de unidades de revenda.

 


Venda de medicamento sobe 12% no primeiro trimestre 
15/04/2015 - Valor Econômico

As vendas de medicamentos no varejo farmacêutico nacional superaram as expectativas ao longo do primeiro trimestre e cresceram 12%, na comparação anual, para R$ 10,7 bilhões, segundo dados do IMS Health compilados pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). No mesmo intervalo do ano passado, o crescimento havia sido de 14%, com faturamento de R$ 9,6 bilhões.
A indústria trabalhava com expectativa de redução do ritmo de expansão no início deste ano, uma vez que importantes setores industriais têm registrado queda no faturamento e o nível de emprego, que tem impacto direto nas vendas das farmácias, também mostra retração. A taxa de 12%, porém, veio melhor do que o esperado.
"Mesmo nesse momento de dificuldade na economia, a indústria farmacêutica está apresentando um crescimento praticamente estável e muito acima de outros setores. Isso já aconteceu em outras crises, porque os medicamentos são produtos de primeira necessidade", disse o presidente-executivo da Interfarma, Antônio Britto. "Contudo, não descartamos a possibilidade de haver um impacto negativo no futuro", acrescentou.
Em 12 meses até março, as vendas do mercado farmacêutico varejista no Brasil somaram R$ 43,1 bilhões, alta de 11,4% na comparação com os R$ 38,7 bilhões faturados em igual intervalo anterior ¬ em linha com o crescimento de dois dígitos verificado nos últimos anos.
De acordo com o IMS Health, medicamentos similares representaram 48% do faturamento das farmácias brasileiras em 12 meses até março, enquanto os remédios de marca responderam por 39% das vendas e os genéricos, 13%.

 
 

Pesquisa e Desenvolvimento



Falha imunológica pode causar Alzheimer
15/04/2015 - O Estado de S.Paulo

O mal de Alzheimer pode ter as causas ligadas a uma anomalia no sistema imunológico, que originalmente tem a função de proteger o organismo de invasores. A conclusão é de um estudo da Universidade de Duke (EUA), que também sugere nova estratégia para o tratamento da doença.
O trabalho,publicado na revista Journal of Neuroscience,mostra que, nos indivíduos com Alzheimer, certas células do sistema imunológico começam a consumir de forma anormal um nutriente, a arginina, diminuindo sua presença no cérebro e desencadeando a doença. Com base em um experimento com camundongos, os pesquisadores mostraram que é possível bloquear esse processo com uma droga, revertendo a perda de memória.
Segundo os autores, cada vez mais evidências indicam que o sistema imunológico tem um papel no mal, mas a influência exata ainda permanece um mistério.No novo estudo, eles conseguiram demonstrar que a falta de arginina, um aminoácido presente na maior parte das proteínas do organismo, afeta diretamente a evolução da doença.
“Se o consumo de arginina é tão importante para o processo do Alzheimer, talvez nós possamos bloquear esse consumo e reverter a doença”, disse uma das autoras do estudo, Carol Colton, da Escola de Medicina.
Redesenho. Os camundongos usados no estudo tiveram alguns genes alterados para que seu sistema imunológico se tornasse semelhante ao humano.
Além disso, os animais foram desenhados para apresentar as principais características dos portadores de Alzheimer: perda de neurônios, mudanças de comportamento e a presença, no cérebro, de placas e emaranhados de certas proteínas.
Ao longo da vida dos camundongos, a equipe de cientistas procurou por anomalias imunológicas e constatou que a maior parte dos componentes do sistema imune não apresentava mudanças quantitativas. A exceção foi um tipo de células conhecido como micróglias – que geralmente são as primeiras a responder à doença.
Isolando essas células e analisando sua atividade genética, os cientistas observaram um aumento na expressão dos genes associados à supressão do sistema imunológico –isto é, que diminuem sua atividade. “Isso é surpreendente, porque a supressão do sistema imune não é o que pensávamos acontecer na doença de Alzheimer”, disse o autor principal do estudo, Matthew Kan, pós-doutorando do laboratório de Colton.
De acordo com ele,antes desse trabalho os cientistas pensavam que acontecia justamente o contrário: o cérebro deveria liberar moléculas envolvidas com a construção do sistema imunológico, que deveria exacerbar a ação, danificando o cérebro. Os cientistas bloquearam a ação da argina se usando uma droga chamada DFMO,antes da manifestação dos sintomas.
Eles observaram então uma redução das modificações na micróglia e do desenvolvimento de placas nas proteínas cerebrais. Além disso, os camundongos se saíram melhor em testes de memória.
O DFMO foi sintetizado há 20 anos e é usado contra câncer.
Agora, pretende-se estudar se o DFMO pode tratar as consequências do Alzheimer em humanos antes que apareçam.

 

 


Saúde



J&J reduz projeção de lucro anual devido à alta do dólar

15/04/2015 - DCI


A Johnson & Johnson reduziu sua projeção de lucro anual ontem, dizendo esperar que o dólar forte continuará prejudicando seus negócios internacionais. A companhia, que recebeu pouco mais de metade de suas receitas de fora dos Estados Unidos em 2014, alertou em janeiro que a valorização do dólar poderia prejudicar o lucro em US$ 0,42 por ação neste ano.
A dona do Band-aid cortou a previsão de lucro anual para US$ 6,04 a US$ 6,19 por ação, de US$ 6,12 a US$ 6,27. A média dos analistas esperava lucro de US$ 6,16 por ação.

 


 

Excesso de procura volta a dificultar instalação de ‘tenda da dengue’ em SP
15/04/2015 - O Estado de S.Paulo

As filas de pessoas à espera para serem atendidas continuam nas tendas da dengue, instaladas pela Prefeitura. E ao menos um equipamento, em Cidade Ademar, na zona sul, prometido para ontem, ainda não havia entrado em funcionamento.
Conforme dados mais recentes do Ministério da Saúde, a capital paulista registra 12 casos da doença por hora – 24.885 até o dia 28.
Reclamações sobre o tempo de espera fizeram parte do primeiro dia de funcionamento do novo equipamento instalado na Freguesia do Ó. Às 15h, o estudante Felipe Oliveira, de 21 anos, cansou de esperar pelo resultado do exame de sangue para verificar a quantidade de plaquetas, que ajuda no processo de confirmação da dengue, e foi para casa. Ele havia chegado ao local às 8h. A secretaria explicou que a alta procura aumentou a espera, mas que “todos os pacientes foram atendidos”. A pasta disse ainda que está monitorando as tendas para fazer ajustes.


Prefeitura de SP instala tendas para atender pacientes com dengue
15/04/2015 - Valor Econômico Online

Diante do grande número de pacientes com dengue, ou com suspeita de ter contraído a doença, a Prefeitura de São Paulo instalou cinco tendas de atendimento ao lado de unidades básicas de saúde. Na próxima semana, mais quatro tendas estão previstas para serem inauguradas.
Segundo o balanço mais recente, que considera o período entre 4 de janeiro e 28 de março, a cidade de São Paulo registrou 8.063 casos autóctones (contraídos no município) confirmados. O número de suspeitas é bem superior, de 31.980 casos. Entre esses, 38% estão concentrados na zona norte da cidade.
Três tendas foram instaladas justamente nessa área mais afetada: no Jardim Vista Alegre (região da Brasilândia), no Jaraguá e na Freguesia do Ó. Duas foram para a zona sul: M’Boi Mirim e Cidade Ademar. As novas tendas ficarão nos bairros da Lapa (Oeste), Rio Pequeno (Oeste), Vila Manchester (Sudeste) e Itaquera (Leste).
Na tenda da Freguesia do Ó, inaugurada nesta terça-feira, o movimento era grande nesta manhã. Peter Anderson Gentili, colorista de 35 anos, havia acabado de passar por uma triagem inicial para descobrir se estava com dengue. “Sinto dor no corpo, na garganta, dor de cabeça, moleza, fraqueza”, contou.
O resultado do teste para descobrir se o paciente tem o vírus da dengue demora, em média, 5 dias. A dengue grave, porém, pode ser identificada num exame rápido (fica pronto em 5 minutos), usando apenas uma gota de sangue. Esse teste mede a concentração de plaquetas e, caso o paciente esteja com baixo índice, já é encaminhado para tratamento imediato, sem precisar esperar pelo diagnóstico definitivo.
Peter é morador da região da Brasilândia, que está entre as localidades mais afetadas pela dengue na capital paulista. Ele suspeita, porém, que tenha contraído a doença numa viagem à Piracicaba. “Eu viajei e voltei com os sintomas no domingo, e hoje já piorou”, disse ele.
Maria José de Oliveira, de 63, doméstica, teve a doença confirmada há 12 dias. “Fiquei muito ruim, mas agora já está melhorando. Era muita secura na boca, febre, tosse, dor nas pernas, dor na vista”, relatou. Ela mora no Jardim Maracanã, na zona norte, com alta incidência da doença. “Na rua da minha casa, a maioria das pessoas está com dengue. Lá, uns cuidam do quintal, tiram os criadouros [do mosquito Aedes aegypti], mas outros não ligam para nada”, disse.
Ana Dirce, doméstica, com 54 anos de idade, acompanhava o filho de 21 anos, com dengue há 4 dias. “Foi uma luta para ele ser atendido. O hospital estava cheio, com muita gente doente". Após os sintomas inciais, o rapaz retornou ao posto de saúde sentindo coceiras, dores nas pernas e fraqueza.
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, aproximadamente 850 pessoas foram atendidas na tenda da Brasilândia. Ainda não há estimativa sobre os atendimentos nas outras tendas da cidade.
Segundo a Prefeitura, as tendas servem de apoio para o atendimento. Pacientes com suspeita de dengue passam por triagem antes do encaminhamento para as tendas. Dependendo do caso, os doentes começam o tratamento ainda no local ou são levados para hospitais.
 
 


Cade quer barrar negociação de preços em bloco
15/04/2015 - Valor Econômico

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está negociando um acordo com a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), que reúne vários planos de saúde, para evitar que eles negociem preços em bloco com hospitais. Se for assinado, o acordo pode envolver o pagamento de uma quantia pela Unidas e a cessação de práticas que estão sendo investigadas pelo órgão antitruste.
A Unidas reúne planos de saúde ligados, em sua maioria, a associações de servidores públicos como os do Ministério da Fazenda, fiscais de renda do Estado de São Paulo e professores da Bahia. Segundo técnicos do Cade, a negociação de preços em bloco aumenta o poder de pressão dos planos, que sem isso teriam de negociar individualmente. A prática pode ser declarada ilegal em julgamento, o que levaria necessariamente à cobrança de multa em valores a serem definidos pelos conselheiros.
O órgão antitruste também está apurando se a Unidas estaria servindo como escudo para os planos, que não são processados por essa prática, já que as negociações são feitas pela entidade. Juridicamente, os planos não fazem parte do polo passivo. Ou seja, não são réus.
"A gente tem sempre uma análise de que, quando se congregam associações ou sindicatos para negociar estrutura de preços, isso tende a ser problemático porque você minimiza a possibilidade de essa estrutura ser livre, com a lógica do mercado", disse ao Valor o conselheiro do Cade, Gilvandro Vasconcelos. Ele relatou, no fim de fevereiro, um caso em que a Unidas foi punida em mais de R$ 600 mil por negociar em bloco o pagamento de serviços médicos e hospitalares com hospitais do DF.
A associação foi a denunciante do caso, mas acabou sendo incluída no polo passivo e foi multada com outros dois hospitais da cidade. Na votação, os conselheiros expressaram a preocupação com a atuação da Unidas, que fez parte dos réus em oito processos administrativos desde 2012 e está entre os julgados em outros sete ainda em tramitação.
A Unidas, de acordo com informações da própria entidade patronal, tem cerca de 140 entidades afiliadas, que contam com aproximadamente 5 milhões de usuários. Isso representa 10% do total de clientes desse serviço - 50,6 milhões em setembro de 2014, aponta a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Um dia antes da análise daquele caso, representantes da Unidas procuraram o órgão antitruste para tentar resolver a questão de uma vez por todas. "Antes do julgamento do caso, eles vieram aqui e disseram que sabem da preocupação do Cade. Eles viram nos últimos casos que o Cade seria mais rigoroso diante da posição da Unidas de debater preço e queria saber o que era possível", afirmou Vasconcelos.
A autarquia respondeu que seria necessária uma posição concreta da Unidas para que uma decisão fosse tomada. Consultada, a Unidas preferiu não responder os questionamentos da reportagem.
"O que a gente tem feito, e não sei se é possível replicar aqui, é como no caso da Unimed", disse o conselheiro. Naquele caso, havia um bloco de processos cujo problema era a existência de uma cláusula de exclusividade. Na busca de um acordo com a Unimed em diversas regiões do país, o Cade reduziu as multas diárias em caso de não cumprimento, mas manteve as penalidades principais.
"O que a gente não quer hoje é que essa dupla barganha que existe entre hospitais e planos de saúde, de um lado e de outro, cada um tentando extrair o máximo um do outro, possa ter efeito negativo para o consumidor", afirmou o conselheiro. Esse impacto para o cliente não seria tanto nos preços, lembrou Vasconcelos, já que esse mercado é regulado. O órgão antitruste está atento "a esse problema de paralisação, boicote, porque o consumidor está lá e não tem atendimento porque o hospital está brigando".
Além disso, prosseguiu ele, "parece algo bem razoável que haja uma responsabilização com os compromissos firmados não só da associação [a Unidas], mas também com os associados". Dessa maneira, cada membro da Unidas deveria concordar com os termos desse possível acordo com o Cade.
Outra limitação vem do fato de ser um mercado que conta com a supervisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "Quem regula é o regulador. O Cade cuida da concorrência. Por isso, se a proposta [da Unidas] for eminentemente regulatória, o Cade vai ter que observar isso e saber até que ponto seria razoável", afirmou Vasconcelos.
Enquanto o entendimento com a Unidas não avança, uma possibilidade é que as punições comecem a atingir as empresas também. "O que a gente verificou e pode ser que a gente visualize agora é a necessidade de abertura de processos administrativos autônomos em relação a cada uma dessas entidades", disse.
 




 

 

 

 

 

Notícias 13/04/2015

 

 

 


CLIPPING 13/04/2015

Assessoria de Comunicação do CRF-SP

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde


Medicamentos

 

Meningite: cresce procura por vacina
12/04/2015 - O Globo

Comunicados de escolas particulares sobre suspeitas de casos de meningite vêm provocando uma corrida a clínicas de vacinação na cidade. Ontem pela manhã, dezenas de pessoas formaram fila diante de uma delas, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, e as doses se esgotaram antes do fim do expediente, às 13h30m. A Secretaria municipal de Saúde informou que, por enquanto, só há um caso confirmado na região — uma estudante de uma unidade da Rede MV1 foi internada.
Na semana passada, a direção da escola enviou aos pais um comunicado informando sobre a aluna, que manifestou os sintomas da doença no último domingo. A unidade do Colégio Santo Agostinho no Recreio dos Bandeirantes também divulgou uma circular sobre um caso suspeito.
Este ano, segundo a Secretaria municipal de Saúde, o Rio contabiliza 85 casos confirmados, sendo sete do tipo bacteriana, considerado o mais grave.

FILA DE ESPERA

Moradora da Tijuca, a empresária Luciana Machado levou ontem os dois filhos para serem vacinados numa clínica após ser orientada por um pediatra.
— Tomei um susto quando cheguei a uma clínica e encontrei uma fila com mais de 50 famílias. Fui informada de que as vacinas acabaram e que existe uma lista de espera — contou Luciana.
A vacina procurada é a polivalente meningocócica ACWY (as letras representam os tipos de meningite que são combatidos com a dose). É a única não fornecida pela rede pública de saúde fora do período de surto, e custa cerca de R$ 350 em clínicas particulares. A meningite é uma doença que exige notificação compulsória: todos os hospitais da cidade precisam comunicar os casos suspeitos à Secretaria Municipal de Saúde.
O pediatra Nelson Bergman diz que o surgimento de casos da doença é comum nesta época do ano, devido à mudança de clima. Por isso, médicos recomendam a imunização.
— Casos de meningite aparecem todos os anos. O problema é que, quando não há um surto, poucas pessoas fazem a profilaxia, porque é uma vacina cara. Mas não há razão para alarmismo. Hoje, a preocupação se espalha pelas redes sociais de forma desmedida — afirma Bergman. — O fato é que, diante de um caso suspeito, o colégio tem que avisar aos pais e vice-versa. Mas só existe possibilidade de contágio entre pessoas num mesmo ambiente. Se um aluno está em outra sala, não há risco.
A Secretaria municipal de Saúde destacou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há confirmação de que a estudante do Recreio dos Bandeirantes está com a doença. O órgão afirma ainda, por meio de uma nota, que não se pode dizer que existe um surto de meningite na cidade: “Todas as ações preventivas de vigilância foram tomadas, o que inclui quimioprofilaxia de pessoas que tiveram contato próximo com os pacientes e palestras de orientação para pais, professores e responsáveis das escolas’’.
Os sintomas iniciais da meningite são febre, dor de cabeça, rigidez na nuca, perda do apetite e irritação. A orientação é que o paciente seja encaminhado rapidamente a um médico.



Vacina à francesa
11/04/2015 - O Globo

A farmacêutica francesa Sanofi Pasteur saiu na frente na corrida pela aprovação de uma vacina contra a dengue. Segundo Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur Brasil, a empresa já solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) o registro da vacina imunizante ao vírus da dengue, na semana passada. A empresa também está no mesmo processo na Malásia. A Anvisa confirmou a informação e esclareceu que este é o único processo em andamento na agência.
A Anvisa informou ainda que essa vacina é assunto prioritário e que a avaliação do dossiê será realizada “com a maior brevidade possível, garantindo segurança e eficácia do produto final”. Recentemente, a agência aprovou, com a mesma urgência, um remédio para o combate à hepatite C, num processo que levou cerca de cinco meses ( a partir do pedido de prioridade).

BUTANTAN QUER TESTES MAIS CEDO

Ontem, o Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, encaminhou à Anvisa documentação com dados de imunogenicidade para o desenvolvimento de sua própria vacina contra a dengue, ainda na fase dois de testes. Pede a antecipação da terceira e última etapa. A medida, se aceita, adiantará o processo em até dois anos (o prazo de conclusão dos testes era 2018). Isso porque a situação da doença é especialmente complicada em São Paulo, onde já foram registrados 123.738 casos. Na última quinta- feira, foram confirmadas mais duas mortes na capital.
No Rio de Janeiro, o número de casos no primeiro trimestre é três vezes maior do que no mesmo período do ano passado. De acordo com o último relatório da Secretaria Estadual de Saúde, foram 12.207 ocorrências de suspeita de dengue em 2015 contra 3.654 em 2014. No primeiro trimestre de 2014, foram duas mortes, e quatro neste ano.
Últimos dados do Ministér io da Saúde, de 7 de março ( novo levantamento será divulgado na semana que vem), mostram 224.100 casos no país este ano ( aumento de 162% em relação ao mesmo período de 2014, quando houve 85.401 ocorrências). A região Nordeste concentra a maioria dos municípios com índices de risco de epidemia ( 171).
De acordo com a Sanofi, o desenvolvimento clínico da vacina contra a dengue, cujo produto final partiu de outra vacina, usada contra a febre amarela, envolveu cerca de 40 mil participantes em cerca de dez países na Ásia e na América Latina.

EFICÁCIA DE 60,8%

A vacina, que protege contra os quatro tipos de vírus, tem, no entanto, eficácia global de 60,8% e precisa ser aplicada em três doses, com intervalos de seis meses. Os resultados do estudo foram publicados em novembro, no “The New England Journal of Medicine”.
— A eficácia atende ao critério da Organização Mundial de Saúde ( OMS), que tem como metas a redução de 50% dos casos de morte e de 25% para morbidade ( portadores) até 2020. Além disso, conseguimos reduzir os casos graves em 95,5% e em 80,3% o risco de hospitalização. Ou seja, atende a essa expectativa — explicou Sheila Homsani, que acredita que a Malásia poderá aprovar a vacina antes. — As regras no Brasil para o processo de registro me parecem mais rígidas.
A diretora afirmou ainda que, após a primeira dose, já há alguma imunização ( mas não divulga a eficácia). E que a porcentagem de quem desistiu dos testes entre a primeira e a terceira doses foi de apenas 4%. Assim, acredita no sucesso da aplicação de todas as doses e na taxa de imunização de 60,8%.
— Isso porque as reações foram mínimas e apresentadas em quem também teve aplicação de soro. Foram basicamente pontos de vermelhidão local. A desistência dos testes foi de 20% — comentou a diretora médica da Sanofi Pasteur Brasil.
Sheila contou que um dos estudos da fase III ( que testa a eficácia) foi realizado em cinco países da América Latina, de 2011 a 2014, entre os quais o Brasil, com 3.550 pessoas em Natal, For taleza, Vitór ia, Campo Grande e Goiânia.
Essa vacina foi testada nas três fases necessár ias, após um investimento de mais de US$ 1,7 bilhão. A empresa chegou a construir uma fábrica exclusivamente para produzir a vacina, perto de Lyon, no sul da França, com capacidade para colocar no mercado cem milhões de doses por ano.

IMUNIZAÇÃO EM UMA DOSE

Já a vacina brasileira, elaborada com o próprio vírus da dengue, tem como trunfo o fato de ser aplicada em apenas uma dose e também proteger contra os quatro tipos de vírus. O Butantan informou que teria de concluir testes com outros 125 voluntários na fase dois para avançar. Até o momento, testou a vacina, nessa fase, em 175 brasileiros, de 18 a 59 anos, que já tiveram ou não dengue anteriormente, desde 2013.
Caso a Anvisa autorize o avanço à fase três, dois terços dos voluntários ( 17 mil de todas as regiões do país) serão vacinados de verdade, enquanto um terço receberá placebo. O teste será feito em três grupos diferentes (de 2 a 6 anos, de 7 a 17 anos e de 18 a 59 anos).
A vacina, desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, teve a primeira etapa de testes em novembro de 2013 e contou com 50 voluntários americanos que nunca tiveram a doença.
A Anvisa informou que também foi contatada pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline ( GSK), que, em parceria com a Fiocruz, busca desenvolver uma vacina. A GSK está iniciando os testes em humanos. Um outro projeto da Fiocruz, que foi testado apenas em camundongos, teve 100% de imunização.


Butantã pede aval para vacina contra dengue
11/04/2015 - O Estado de S.Paulo

Para conter o avanço da dengue no Estado de São Paulo e começar em 2016 a vacinação contra os quatro tipos da doença, o Instituto Butantã, da Secretaria Estadual da Saúde, protocolou ontem um pedido de antecipação da última fase de testes do imunizante na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília.
“Entregamos dois documentos: a solicitação da terceira e última fase de teses e um que especifica como a vacina é produzida industrialmente”, disse JorgeKalil, diretor do instituto, imunologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), também da secretaria, o Estado de São Paulo registrou neste ano 100 mil casos de dengue e pelo menos 70 mortes. O último balanço do órgão é referente até o final de março.
O alastramento da doença fez com que o Estado acelerasse as etapas para viabilizar a aplicação das vacinas o quanto antes.
Em condições normais, os testes serão feitos até 2018.Segundo Kalil, não há riscos em diminuir o cronograma sem que a segunda fase da pesquisa tenha sido finalizada.
“Temos dados suficientes das duas primeiras etapas que atestam que a vacina é bastante segura e induz à produção de anticorpos.
Não é preciso concluir completamente uma fase para começar outra.Não queremos nem um pouco ir contra as regras mundiais de biossegurança”, disse o diretor.
Procedimento. A terceira etapa do estudo será feita com 17 mil voluntários de todas as regiões do País. Do total de aplicações, 75% vão conter a substância imunobiológica que combate a doença. O restante será placebo.
Inicialmente, o prazo para distribuir a vacina no Sistema Único de Saúde (SUS) havia sido fixado para 2018.Mas, no dia 21 de março, em um evento em Sorocaba, no interior do Estado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) cobrou do Instituto Butantã que as aplicações fossem antecipadas e as vacinas, produzidas em alta escala.
“Nós estávamos em um ritmo normal de desenvolvimento, que poderia ser mais longo.
Como temos um risco grande e o problema é relevante para o Brasil e o mundo, estamos fazendo um esforço para agilizar o estudo”, afirmou Kalil. Quando todas as etapas estiverem concluídas, a vacina será distribuída para todo o País.
Como o produto é novo, não é possível saber se a população terá de tomar apenas uma dose da vacina. Kalil acredita que a duração dos anticorpos será de “longo prazo” no organismo.


Brasil Pharma, rede de farmácias do BTG, pode receber mais um aporte do banco
11/04/2015 - O Estado de S.Paulo

Desde 2010, banco de André Esteves já colocou cerca de R$ 715 milhões na companhia, que enfrenta há dois anos um amplo processo de reestruturação; no mês passado, a empresa anunciou nova mudança no comando - a segunda troca em 12 meses.
A Brasil Pharma, braço de varejo farmacêutico controlado pelo BTG Pactual, poderá receber novo aporte de capital do banco, segundo fontes consultadas pelo 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado'. Em um amplo processo de reestruturação desde 2013, a companhia anunciou, no mês passado, nova mudança no comando da companhia - a segunda troca em 12 meses.
Os recursos terão como finalidade melhorar o caixa da companhia diante do aumento da alavancagem e necessidade de investimentos na integração dos negócios. O valor da possível injeção de capital ainda não está definido. As ações da companhia subiram 21,74% ontem, negociadas a R$ 0,84, com a expectativa desse novo aporte.
No fim do mês passado, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating (nota) da Brasil Pharma para BBB- (bra), saindo de A- (bra). Ao mesmo tempo, a agência colocou sua nota em observação negativa. A classificadora considerou que tais ações de rating "refletem a contínua incapacidade de a Brasil Pharma restaurar sua geração de caixa operacional para patamares positivos e que sustentem a continuidade de suas atividades".
A Fitch chegou a afirmar que "considera altamente provável o contínuo suporte do BTGl, que tem histórico de aportes na companhia no total aproximado de R$ 715 milhões desde 2010". O BTG detém cerca de 37% do capital da Brasil Pharma, a Petros (fundo de funcionários da Petrobrás) outros 10%, sócios fundadores com 12%, e o restante das ações está em circulação no mercado.
Outras formas de estruturação de capital, como emissão de debêntures (títulos da dívida) e alongamento da dívida, não estão descartadas. A empresa, que já foi assediada por grupos estrangeiros e nacionais, busca melhorar a valorização de seus ativos para retomar negociações, de acordo com fontes.
Procurada, a Brasil Pharma informou que "desconhece as origens da informação" e afirmou que o estudo sobre a estrutura de capital da empresa segue em andamento. O BTG não comentou.
Nova direção. Sob o comando de Paulo Gualtieri, sócio da Enéas Pestana & Associados, do executivo Enéas Pestana, ex-Grupo Pão de Açúcar (GPA), desde o fim do mês passado, ele tem a missão de acelerar o processo de reestruturação da rede varejista, que era presidida por José Ricardo Mendes da Silva, ex-farmacêutica Aché.
"Não faz sentido uma empresa de varejo farmacêutico do porte da Brasil Pharma não ter boa performance. É preciso acelerar o processo de integração das bandeiras e logística, reformular o chão de fábrica, a experiência de compra do consumidor", disse uma fonte ao Estado.
Em 2014, a companhia encerrou com prejuízo líquido de R$ 613 milhões, 300% maior que o ano anterior, e receita de R$ 3,8 bilhões, aumento de 9% sobre 2013. A rede Big Ben é responsável por quase metade das vendas da varejista e não está integrada à companhia.
Criada em 2009 para ser uma das maiores redes do País, a Brasil Pharma foi uma das principais consolidadoras desse setor, entre 2010 e 2012, com a compra de redes em diversos mercados regionais, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A companhia atua hoje com as bandeiras Big Ben, Farmácia Sant'ana, Rosário, Mais Econômica e Farmais.
Fontes de mercado afirmaram que o processo de integração dessas redes nunca ocorreu de forma efetiva, o que afetou os resultados da companhia. O sinal vermelho acendeu no primeiro semestre do ano passado quando a rede não conseguiu chegar a um acordo com seus credores e teve de pagar antecipadamente uma dívida de cerca de R$ 560 milhões em debêntures (títulos de dívida), emitidas entre 2012 e 2013, por ter descumprido as metas de endividamento por dois trimestres consecutivos.
Com novos administradores, a Brasil Pharma tenta nova arrancada. A consultoria de Enéas Pestana tem 60 dias para apresentar um diagnóstico da empresa e acelerar a recuperação da companhia. Procurada, a consultoria preferiu não se manifestar. 



Mercado Aberto: De mudança para o Brasil
13/04/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: Maria Cristina Frias

A Chiesi Farmacêutica, com sede na Itália, desenvolverá um programa de investimentos de cerca de R$ 25 milhões no Brasil.
Parte do aporte será destinada à transferência de uma linha de produção de spray nasal de Parma para a região metropolitana de São Paulo, em Santana de Parnaíba, onde o grupo tem uma planta.
O medicamento deixará de ser fabricado na Itália. "Não temos mais espaço na unidade de lá. Ou trazíamos para o Brasil ou teríamos de terceirizar a fabricação", diz o presidente da empresa no país, José Fernando Albertini de Almeida.
"Optamos por adotar uma estratégia de investimento na planta brasileira, que ainda tem área disponível."
A companhia pretende dobrar seu faturamento no país até 2020. Para isso, prevê realizar aquisições.
"Crescendo organicamente, poderemos chegar a 80% da meta. O restante, terá de ser através da compra de empresas ou de produtos", acrescenta o executivo.
O Brasil é hoje o sexto maior mercado para a companhia -depois de Itália, Alemanha, Estados Unidos, França e Espanha- e deverá passar para a quarta colocação em cinco anos.
"Comparativamente com outros países, o Brasil continuará indo melhor. O setor farmacêutico no país deverá voltar a crescer de forma mais acelerada em 2017."
€ 1,342 bilhão foi o volume de negócios da empresa em 2014, o equivalente a R$ 4,4 bilhões
8,4% foi o crescimento na comparação com 2013 12% foi a expansão no mercado brasileiro 3.000 são os funcionários no mundo


Butantan acelera desenvolvimento de vacina da dengue
13/04/2015 - Valor Econômico

O Instituto Butantan quer acelerar o desenvolvimento de uma vacina da dengue, capaz de proteger contra os quatro tipos de vírus existentes com uma única dose, diante do surto que atinge o país. Ao mesmo tempo em que se movimenta para iniciar a última etapa de ensaios clínicos, o instituto quer estreitar relações com a indústria farmacêutica, de capital nacional e estrangeiro, ampliar a transferência de conhecimento da academia para empresas e colocar o país no mesmo caminho daqueles que estão na vanguarda do desenvolvimento de medicamentos.
"Não havia, no país, valorização do conhecimento porque o mercado é grande e era possível copiar produtos de fora", disse ao Valor o diretor do Instituto Butantan, o médico Jorge Kalil. "Mas o Butantan produz conhecimento e inovação e quer efetivamente interagir com as empresas. Sem falsa modéstia, não sei se existe inovação em outro lugar como fazemos aqui", acrescentou.
Neste momento, todos os esforços estão concentrados na proteção contra a dengue. O instituto, que é vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, protocolou na sexta-feira, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um pedido de antecipação do início da última fase de testes da vacina, que envolverá cerca de 17 mil voluntários em todas as regiões do país. Dois terços dessa população vão receber a vacina e um terço, placebo.
É nessa fase que será determinada a eficácia do medicamento. De qualquer maneira, na fase I, realizada nos Estados Unidos, mais de 90% dos 600 voluntários que receberam a vacina com a mesma característica da desenvolvida pelo Butantan tiveram resposta imunológica para os quatro tipos de vírus de maneira balanceada. O instituto já conta com uma fábrica apta à produção, com capacidade para 12 milhões de doses por ano. Com a construção de outra unidade de produção, a capacidade chegará, inicialmente, a 60 milhões de doses por ano. Com o aval da Anvisa, a vacina estará disponível já no primeiro trimestre de 2016 - ante previsão inicial de 2018.
Segundo Kalil, a antecipação da terceira fase de testes deve-se à segurança e eficácia verificadas nos testes realizados até agora. "A prioridade zero é a vacina da dengue. Com o mínimo de perda de tempo, em um ano teríamos a distribuição", contou. O desenvolvimento da vacina foi possível graças a uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), iniciada em 2010. O Butantan deu continuidade aos estudos do centro americano e chegou a uma vacina semelhante à de febre amarela, produzida a partir do vírus vivo atenuado e distribuída em pó, o que amplia o prazo de validade.
A proteção contra a dengue, porém, é apenas um dos diversos projetos de inovação desenvolvidos pelo instituto, cujo faturamento, nos últimos quatro anos, passou de R$ 230 milhões para R$ 1,2 bilhão ao ano, cifra que poderá crescer com a aproximação aos laboratórios. "Grandes empresas nacionais foram ou estão baseadas em institutos de pesquisa. É isso que podemos buscar", comentou Kalil.
Atualmente, há 40 patentes sendo trabalhadas pelo instituto, das quais 15 em parceria com a iniciativa privada, na área de coagulação, antitumorais, entre outros. Na área de inovação radical, além da vacina de dengue, o Butantan está estudando a produção de um soro antiápico, contra o envenenamento por múltiplas picadas de abelha. O instituto também quer desenvolver uma vacina de rotavírus, outra contra o vírus HIV e uma contra coqueluche sem efeitos colaterais, com aplicação potencial em adolescentes e adultos. Entre muitos outros projetos.
Essa transferência de conhecimento e trabalho em parceria ocorreria por meio de uma "nova" entidade, o Instituto de Inovação em Biotecnologia Butantan (IIBB), construído em uma área do Paço das Artes, dentro do campus da USP, no bairro do Butantã (SP). Ali, seriam reunidos todos os laboratórios de pesquisa e todas as plataformas tecnológicas. Outra área, no mesmo prédio, abrigaria laboratórios que podem ser compartilhados com outras empresas.
Com esse formato, disse Kalil, será possível ampliar a integração entre conhecimento e produção - a própria USP já declarou interesse em participar do empreendimento, que já foi apresentado aos governos estadual e federal. "Teríamos uma área de inovação real."


 

Boa briga
13/04/2015 - IstoÉ

Segundo a IMS Health, consultoria que audita a indústria farmacêutica no País, a Sandoz foi quem mais cresceu (44%) em unidades (remédios em caixas),entre 2013 e o ano passado - o segundo lugar ficou com a Teuto, seguido pela Eurofarma. O estudo se baseou no balanço das 10 principais produtoras de genéricos. A empresa do Grupo Novartis foi a primeira a lançar um medicamento para disfunção erétil com o princípio ativo do Cialis (tadalafila), em novembro passado, detendo 56% do concorrido mercado.


 

Pesquisa e Desenvolvimento

 

 

 

Estudos mostram benefícios da maconha para combater o câncer
11/04/2015 - O Globo

Pesquisas recentes mostram que substâncias da maconha reduzem células cancerígenas. Em alguns países, a planta já é usada para aliviar sintomas da quimioterapia. O governo americano começa a abrir os olhos para as pesquisas que demonstram os benefícios da maconha no tratamento do câncer. Ontem o Instituto Nacional para o Abuso de Drogas (Nida, na sigla em inglês) publicou um relatório em que admite o potencial da erva no combate às células cancerígenas.
O documento cita a pesquisa do pesquisador Wai Liu, da Universidade de Londres, que mostra que o uso de canabidiol (CBD) e tetrahidro canabinol (THC) — duas substâncias canabinoides presentes na maconha — inibem o glioma, tipo de câncer do cérebro. O documento afirma: “evidências de um estudo realizado em animais sugere que extratos da planta inteira da maconha podem encolher um dos mais graves tipos de tumores cerebrais. Testes em camundongos mostraram que estes extratos, quando utilizados com radioterapia, aumentaram ainda mais os efeitos”. E este não é o único estudo sobre o tema.
— Desde a década de 1990, vários estudos vêm mostrando que existe uma ação grande do uso de canabinoides no tratamento do câncer, a maioria ainda em modelos animais — explicou o neurocientista da Unifesp Renato Filev, citando resultados positivos nos casos de tumores de mama, útero, testículos, pâncreas e tecidos hepáticos, entre outros.

NA ESPANHA, TESTE EM HUMANOS

Filex lembra que, por enquanto, apenas um estudo espanhol, do pesquisador Manuel Gusmán, chegou a testar os canabinoides em humanos, mas apenas num grupo pequeno de pessoas. Enquanto isto, um resumo publicado pelo Instituto Nacional do Câncer dos EUA (NCI) cita 41 referências sobre os efeitos antitumorais da planta.
— Já existe um grande número de estudos nesta linha — reforça Antonio Zuardi, professor de Psiquiatria da USP de Ribeirão Preto que também pesquisa os usos medicinais da maconha.
Um dos efeitos mais conhecidos do público e também com bases científicas mais fortes é o de canabinoides no alívio de sintomas da quimioterapia.
— É uma prática já bem estabelecida. Desde o início dos anos 1980, dois produtos contendo THC sintético ou análogo, o dronabinol e o nabilone, são comercializados nos EUA para a náusea e vômito que acompanham a quimioterapia — diz Zuardi.
Ontem o município chileno La Florida anunciou que fará a primeira colheita de maconha medicinal legal, num projeto-piloto para aliviar sintomas de pacientes com câncer, medida que já é aplicada em países que liberam o uso da erva para fins medicinais.
No Brasil, o dronabinol pode ser importado com receita especial, embora não seja uma prática difundida. Este não é o caso do THC, que continua na lista de substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ano passado, a agência liberou a importação do CBD, após uma longa batalha de famílias de pacientes de epilepsia refratária.
Na esteira da discussão, o Conselho Federal de Medicina ( CFM) autorizou médicos a prescrever a substância, mas apenas para os pacientes com epilepsia, o que impede uso no caso da quimioterapia. O conselho alega que não há pesquisas suficientes comprovando a segurança no tratamento de câncer e lembra que a norma poderá ser revista em dois anos. As limitações da resolução, no entanto, são alvo de críticas de especialistas, como o psiquiatra e professor da Unicamp, Luís Fernando Tófoli:
— O CFM estabeleceu uma resolução draconianamente restritiva quanto à prescrição de maconha medicinal.
A relação entre câncer e maconha não para por aí. Há pesquisas ainda revelando que o uso da planta, em geral quando fumada, aumenta o risco de o indivíduo desenvolver um tumor maligno. O NCI cita 13 referências sobre o tema, mas afirma que os “estudos produziram evidências conflitantes” sobre esse risco. E os três pesquisadores concordam que faltam bases científicas.
— Os estudos que fazem a correlação indicam, em sua maioria, que o risco parece ser menor que o de uso de cigarro — afirma Tófoli, destacando que eles não chegaram a investigar a maconha de padrão medicinal nem de vaporizadores, que aparentemente têm, segundo ele, potencial para reduzir ou até anular o risco de câncer.


Tecnologia é usada contra medo de avião
13/04/2015 - Folha de S.Paulo

"Meu corpo tremia, eu transpirava. A boca ficou seca e eu sentia meus batimentos se acelerarem. Achei que fosse morrer de infarto." É assim que a psicóloga Mayla Pace descreve sua segunda viagem de avião, quando apresentou os sintomas da fobia de voar pela primeira vez.
Era a segunda viagem de avião dela, nove anos atrás, 11 anos após a primeira. "Eu percebia que adiava, que oferecia alternativas... Dizia 'vamos de carro'. Hoje sei que estava fugindo do problema."
Ela é uma das primeiras pessoas que estão usando um novo tipo de tratamento para tentar curar essa fobia.
Basicamente, o paciente é imerso em realidade virtual. com o auxílio de um óculos especial. Mexendo a cabeça, é possível ver todo um novo ambiente ao redor. No caso, claro, tudo começa em frente ao aeroporto. Para "andar" no mundo virtual, são usados joysticks nas duas mãos.
Com os fones de ouvido escuta-se o "mundo" ao redor como se realmente estivesse naquela cena. Também por essa via o terapeuta se comunica com o paciente.
Esse tipo de abordagem para tratar fobias tem bases na terapia comportamental cognitiva, em que o paciente é dessensibilizado, ou seja, vai se aproximando de seu medo e o perdendo aos poucos.
Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, especialista em terapias cognitivas e um dos idealizadores do projeto, essa é uma iniciativa totalmente nacional, única no Brasil e no mundo.
O realismo do sistema é ampliado por causa da poltrona (igual a de um avião) afixada sobre uma plataforma robótica que gera os tremores e movimentos sentidos durante o funcionamento, decolagem e pouso da aeronave. Inclusive turbulências.
Durante o passeio virtual, todas além do terapeuta poder acompanhar e orientar o paciente, também são monitorados os batimentos cardíacos para poder saber em que etapa se sente mais estresse.
Existe um "botão de pânico", para dar ao paciente a chance de parar a sessão.
"Em 12 sessões a pessoa perde praticamente todo o medo", diz a psicóloga Fátima Vasques, também idealizadora do programa. As 12 sessões custam R$ 7.000.
A ideia é expandir a possibilidade para outras fobias, como medo de altura, de dirigir ou mesmo de aranhas.
A decisão por começar com o medo de avião, segundo Nabuco, é lógica. "É mais difícil o paciente pagar a passagem de avião para um terapeuta acompanhá-lo em uma viagem de São Paulo ao Rio do que para sentar ao seu lado em um automóvel."



Testes contestam benefícios do óleo de peixe ao coração
11/04/2015 - Folha de S.Paulo

As vendas de óleo de peixe dobraram no mundo todo, apesar de testes clínicos mostrarem que ele não traz nenhum benefício à saúde.
O óleo de peixe já é o terceiro suplemento dietético mais usado nos EUA -atrás apenas de vitaminas e minerais-, pois há a crença de que os ácidos graxos ômega-3 protejam a saúde cardiovascular.
Mas a grande maioria dos testes clínicos não revelou nenhum indício de que o consumo de peixe reduza a incidência de ataques cardíacos e AVCs. De 2005 a 2012, mais de 20 estudos sobre o óleo de peixe foram publicados, a maioria analisando se o produto era capaz de prevenir doenças cardíacas em grupos de alto risco. Com exceção de dois, todos concluíram que o óleo de peixe não apresentava benefícios comparado a um placebo.
A maioria dos suplementos à base de óleo de peixe é rica em dois ácidos graxos ômega-3 que afinam o sangue -efeito similar ao da aspirina-, o que, por sua vez, reduz a propensão a coágulos. O ômega-3 também tem propriedades anti-inflamatórias, o que auxilia na prevenção da aterosclerose.
As autoridades sanitárias dos EUA já aprovaram pelo menos três fórmulas de óleo de peixe para serem vendidas sob receita médica para pacientes com taxas elevadas de triglicérides, um fator de risco para doenças cardíacas.
O entusiasmo com o óleo de peixe remonta a uma pesquisa realizada na década de 1970 pelos cientistas dinamarqueses Hans Olaf Bang e Jorn Dyerberg. Eles concluíram que inuítes (esquimós) do norte da Groenlândia apresentavam uma incidência notavelmente baixa de doenças cardiovasculares, o que eles atribuíram a uma dieta rica em ômega-3, composta basicamente de peixe, carne de foca e banha de baleia.
Posteriormente, o cardiologista George Fodor, da Universidade de Ottawa, apontou falhas em grande parte dessa pesquisa inicial e concluiu que a incidência de doença cardíaca entre os inuítes havia sido fortemente subestimada.
Mas a crença em torno do óleo de peixe persiste. Na década de 1990, a popularidade dessa substância voltou a ser reforçada por diversos estudos, incluindo um trabalho italiano que apontava uma redução na mortalidade de sobreviventes de ataques cardíacos que eram tratados com um grama de óleo de peixe por dia.
James Stein, diretor de cardiologia preventiva do Hospital e Clínicas da Universidade de Wisconsin, disse que os primeiros estudos sobre o óleo de peixe ocorreram numa época em que as doenças cardiovasculares eram tratadas com um uso muito mais limitado de estatinas, betabloqueadores, diluidores de sangue e outras terapias intensivas. Assim, o efeito do óleo de peixe, mesmo pequeno, teria sido mais perceptível.
Stein também alerta que o óleo de peixe pode ser perigoso quando combinado com a aspirina ou outro diluidor do sangue.
Mas alguns especialistas dizem que o veredicto sobre o óleo de peixe permanece indefinido.
JoAnn Manson, do Hospital Brigham and Women, em Boston, observou que os testes clínicos examinaram pessoas que já tiveram doença cardíaca ou estavam sob risco muito elevado. O óleo de peixe também tem sido apontado como benéfico contra outras doenças, incluindo câncer e mal de Alzheimer.
"As pessoas devem saber que o debate ainda está aberto", disse, "e que elas podem estar gastando muito dinheiro com esses suplementos sem obter qualquer benefício".
 

Saúde




Plantão Médico: As muitas mortes pelo cigarro

11/04/2015 - Folha de S.Paulo

Colunista: JULIO ABRAMCZYK


A relação do cigarro com o câncer pulmonar já está bem estabelecida.

Agora, surgem indicações de morte por outras doenças em fumantes.

No artigo "Fumar e mortalidade "" além das causas estabelecidas", publicado na revista "New England Journal of Medicine" deste ano, Brian D. Carter e colaboradores encontraram um aumento de mortalidade entre fumantes em associação com doenças usualmente não relacionadas ao consumo do cigarro.

Os autores basearam-se em cinco estudos envolvendo 421.378 homens e 532.651 mulheres a partir dos 55 anos de idade que foram seguidas do ano 2000 ao ano 2011.

Nesse período, foram observadas 181,377 mortes, incluindo as 16.475 de fumantes inveterados.

A mortalidade entre os fumantes deveu-se a causas não atribuíveis ao cigarro, como insuficiência renal, isquemia das artérias do intestino, hipertensão, infecções, doenças respiratórias, câncer de mama e câncer de próstata.

Por isso, os autores concluem que existe um aumento de mortalidade entre fumantes, por doenças que não são formalmente declaradas como provocadas pelo tabaco.


JORNALISMO CIENTÍFICO


Termina dia 30 deste mês o prazo para inscrições ao curso de pós-graduação em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp. Informações adicionais: www.labjor.unicamp.br.




Profilaxia pré-exposição

13/04/2015 - Carta Capital 


Use camisinha! Por 30 anos, essa foi a única palavra de ordem para prevenir a transmissão do HIV. Não é mais assim.

Em 2010, foi publicada uma pesquisa demonstrando, pela primeira vez, que a administração diária de um comprimido de Truvada, para homens que fazem sexo com homens e mulheres transgê-nero HlV-negativos, reduzia em 92% os índices de novas infecções.

Nesse estudo, cerca de metade dos participantes tomou a medicação irregularmente. Neles, a proteção foi bem mais baixa: 44%.

Mais tarde, outra pesquisa, agora conduzida entre casais heterossexuais discordantes (apenas um dos parceiros infectado), com níveis superiores de aderência à medicação, mostrou que 75%ficaram protegidos da infecção.

Apesar do impacto desses resultados, o uso de medicamentos antivirais como estratégia de pré-exposição gerou controvérsias. A objeção maior foi o receio da "desinibição comportamental", conduta que levaria a abandonar o preservativo e a correr riscos maiores.

Uma série de estudos sobre profilaxia pré-exposição foi discutida na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, realizada na última semana de fevereiro deste ano, na cidade de Seattle.

Um dos mais importantes, batizado Ipergay, investigou a possibilidade de prevenção sem haver necessidade de tomar os comprimidos todos os dias, mas usá-los apenas "sob demanda".

Foram selecionados 414 homens HlV-negativos, na França e no Canadá. Os participantes receberam a orientação de tomar os comprimidos apenas antes e depois da relação sexual (sob demanda). Nenhum deles sabia se os comprimidos fornecidos continham Truvada ou uma preparação inerte de talco (placebo).

No final, entre os que receberam placebo, houve 14 homens infectados pelo HIV, enquanto no grupo que tomou Truvada. foram apenas dois. A redução do número de infecções foi de 86%.

Um estudo realizado em Uganda e no Quênia por pesquisadores da Universidade de Washington procurou reforçar a eficácia da pré-exposição em casais discordantes.

Quando o parceiro infectado consegue zerar a carga virai à custa de medicamentos, o risco de transmissão fica pequeno. O problema é que muitos deles deixam de tomar, tomam irregularmente ou não têm acesso à medicação an-tiviral. Mesmo naqueles que o fazem com regularidade, a carga virai só se torna indetectável depois de alguns meses.

Foram acompanhados 1.013 casais discordantes. Os parceiros HIV-negativos receberam o medicamento Truvada para protegê-los durante os seis primeiros meses em que seus parceiros I II V-positivos eram tratados com os esquemas antivirais clássicos.

Até o momento, apenas duas pessoas foram infectadas pelos parceiros, nenhuma das quais tinha Truvada detectável na circulação, quando a transmissão ocorreu. Segundo um modelo pre-ditivo deveria haver 40 i nfectados, caso não tivessem recebido Truvada na pré--exposição.

Os especialistas consideram a profilaxia pré-exposição uma arma de eficácia comprovada para conter a disseminação da epidemia. Está ma is do que na hora de ser adotada pelo Ministério da Saúde. 




Busca pela saúde estimula procura pelo novo açúcar
12/04/2015 - Folha de S.Paulo
 
Abrir mão de doces em prol da saúde pode, em breve, ser coisa do passado. Fabricantes de alimentos e bebidas estão em uma corrida para encontrar um adoçante natural com o mesmo sabor do açúcar, mas sem as calorias.
No centro da disputa está um arbusto nativo do Paraguai, a stevia, usado há muito como flavorizante pelos índios naturais da região.
O problema mundial de obesidade prejudica a reputação do açúcar e afeta as vendas de alimentos que utilizam o produto. A stevia e outros adoçantes naturais de baixo teor calórico são tidos como solução "desde que seja possível tornar seu sabor tão bom quanto o do açúcar".
No setor de refrigerantes, a necessidade de uma alternativa é ainda maior: as vendas dessas bebidas estão em queda nos EUA há dez anos.
A resposta do setor foi promover alternativas de baixa caloria, mas o consumo de refrigerantes diet também está recuando diante da preocupação com adoçantes artificiais, como o aspartame.
"Quando um ingrediente ganha má reputação, é difícil de superá-la", diz John Madden, diretor de ingredientes do Euromonitor. "Alguns consumidores têm preocupações sobre adoçantes artificiais, por isso o interesse em algo que possa ser encarado como natural."
Em 2014, 2.274 novos alimentos e bebidas contendo o extrato da stevia foram lançados, ante 636 em 2011, de acordo com o grupo de pesquisa de marketing Mintel.
No entanto, a stevia ainda não é a solução perfeita para refrigerantes: o extrato deixa sabor amargo na maior parte dessas bebidas e precisa ser combinado ao açúcar para se tornar aceitável.
É o motivo para que Indra Nooyi, presidente-executiva da PepsiCo, tenha declarado que "a stevia infelizmente não funciona bem em refrigerantes tipo cola". Isso foi há dois anos e, desde então, fabricantes afirmam ter obtido sucessos na redução do sabor adstringente da stevia.
As melhoras levaram a Pepsi a lançar a Pepsi Next, e a Coca-Cola, a Coca-Cola Life. As duas usam stevia misturada a açúcar.
Além do stevia, existem outras apostas em adoçantes naturais, como o luo han guo (Siraitia grosvenorii), um fruto chinês, e a proteína brazzein, do fruto de uma trepadeira do oeste da África.
A Tate & Lyle, do adoçante sucralose --que, assim como o aspartame, sofre com a desconfiança de consumidores--, trabalha em um produto à base da alulose, derivada do milho e descrita como "açúcar de baixa caloria que existe na natureza".
Martin Deboo, analista da Jefferies, diz que o produto parece promissor, "mas terá de enfrentar o desafio de ser percebido como natural".



Plano de saúde individual: mais raro e caro
12/04/2015 - O Globo

A Unimed-Rio, que enfrenta problemas financeiros e está sob supervisão da Agência Nacional de Saúde (ANS), tem opções com mensalidades de R$ 604 a R$ 843, na simulação feita para uma mulher autônoma, de 45 anos, moradora da Zona Sul. A Assim oferece preço menor (R$ 399,29), mas a rede de atendimento é restrita, sobretudo para consultas médicas. No caso da Omint, operadora que oferece produtos considerados top, a barreira é o preço que cabe no bolso de muito poucos: para o mesmo perfil da consumidora, as mensalidades vão de R$ 3.695,35 a R$ 10.375,84, dependendo das características do plano. Já na Medial o valor ficou em R$ 1.267,86, além das franquias.
COLETIVOS POR ADESÃO
Com o sumiço dos planos individuais, o vácuo é ocupado pelos planos coletivos “por adesão” amplamente ofertados — há corretoras dedicadas apenas a eles — e preços, inicialmente, menores. Não é difícil entender o porquê. Nos planos individuais, a ANS fixa o valor do reajuste anual. Nos coletivos, as operadoras negociam os índices com a empresa ou associação contratante, levando em conta a sinistralidade, ou seja, os gastos de seus participantes. Além do mais, há regras rígidas para a rescisão dos contratos individuais. Para os coletivos, não. Podem ser cancelados unilateralmente, ou seja , por decisão de uma das partes.
Outra razão para o desinteresse das empresas pelo plano individual é característica da carteira. Como os preços são altos, a maioria das pessoas só paga plano de saúde por conta própria quando envelhece, sofre de alguma doença que exija tratamento constante ou tem filhos pequenos. São clientes considerados caros, porque usam muito os serviços.
Segundo dados da ANS, dos 50,6 milhões de planos e seguros-saúde em vigor no Brasil, menos de 20% ou cerca de dez milhões, são individuais. E a fatia do produto no mercado continua encolhendo. Segundo a agência, o número de planos individuais cresceu cerca de 7,5% desde 2010, quando eram 9,3 milhões. No mesmo período, o número total de planos, que era de 44,9 milhões, subiu 12,6%.
— As empresas vêm pressionando pela venda de planos coletivos no lugar de individuais — conta Ronaldo Carvalho, presidente da Associação dos Vendedores de Planos de Saúde do Rio de Janeiro.
A advogada Renata Vilhena, especialista na área de saúde, frisa que o tipo de contrato éo X da questão para as operadoras, que não são obrigadas a oferecer planos individuais e familiares.
— Os individuais e familiares estão quase extintos e são pouco comercializados, restando ao consumidor os planos empresariais, quando trabalha em uma empresa que oferece o benefício, ou os coletivos por adesão.
Foi o que aconteceu com a organizadora de eventos Nilza Briggs, que há três anos migrou de um plano individual para um coletivo:
— Estava ficando muito caro. Mudei para o coletivo a fim de manter a rede de atendimento e as mensalidades em linha com o que tinha antigamente.
Ao ser empurrado para o segmento “por adesão”, o consumidor fica sujeito a levar gato por lebre, já que muitos vendedores tentam convencer os clientes de que as regras são equivalentes às dos planos individuais, o que não é verdade.
— No primeiro momento, o coletivo é mais barato. Com a maior liberdade para reajustes, porém, tende a ficar caro a longo prazo — analisa Rafael Couto, assessor jurídico do Procon-RJ.
Para se ter uma ideia, enquanto a ANS autoriza, em média, aumento anual de 9% nos planos individuais, as mensalidades dos coletivos por adesão ou empresariais sofrem reajustes médios de 15% a 20%, afirma Renata:
— No plano coletivo, o reajuste é aplicado sempre que as despesas da operadora com o grupo ultrapassam 70% do valor que ela arrecada com mensalidades. E como, em geral, são grupos menores, isso pode ocorrer, por exemplo, quando um dos beneficiários passa por tratamento contra o câncer — explica Renata. — E eles têm cláusulas que autorizam a rescindir o contrato de forma unilateral e imotivada — acrescenta.
Além do mais, para conquistar clientes e estimular a assinatura de contratos coletivos, o setor lança mão de estratégias que se aproveitam da zona cinzenta da regulação. Uma delas é sugerir às famílias que um dos membros abra uma empresa, para dar ao grupo a possibilidade de contratar com um plano empresarial.
— Não é ilegal, a não ser que empresa seja aberta exclusivamente para driblar a regulação. Daí é fraude — diz Couto.
Outro caminho são os convênios com entidades, independentemente de sua representatividade e, às vezes, sem que o usuário tenha, de fato, relação com o grupo. Assim, quem tem um diploma de nível médio ou superior consegue acesso por meio de associações de classe ou de profissionais liberais. Crianças a partir de 4 anos podem ter contratos por meio de entidades estudantis. Parentes nos diversos graus — inclusive netos, bisnetos, noras, genros, sogros e sogras — têm acesso a associações de servidores públicos conveniadas às operadoras.
— Se a pessoa precisar de tratamento de custo mais alto, a operadora vai estudar o caso mais a fundo e, verificando que a pessoa não tem verdadeiramente um vínculo com a entidade conveniada, como tem sido visto, vai negar o atendimento — alerta o diretor do Procon-RJ.
O QUE DIZEM AS EMPRESAS
Entre as empresas consultadas no levantamento do GLOBO, Alianz, Amil, Amico, Bradesco Saúde, Dix, Golden Cross, Hapvida e SulAmérica só trabalham com planos empresarias ou coletivos. A Bradesco Saúde (maior do país, conforme a ANS) informou que desde 2007 não comercializa mais os planos individuais, “pois seu foco estratégico está voltado para o segmento corporativo”. A Amil (segunda maior), que controla também a Medial, Dix e Amico, não quis se manifestar. A Hapvida (terceira) informou que só oferece planos individuais no Norte e Nordeste, onde tem rede de atendimento própria, que viabiliza o negócio, afirma a diretora de marketing, Simone Varella.
A SulAmérica (quarta no ranking) deixou de comercializar planos individuais em 2008, por uma decisão estratégica, afirmou a empresa por meio de nota. A Allianz frisou que, desde que foi fundada, em 1992, nunca atuou no ramo de planos individuais, tendo sempre sua carteira composta apenas por planos empresariais. Por sua vez, a Golden Cross (cuja carteira de clientes individuais foi comprada pela Unimed-Rio) informa que, desde 2013, tem foco em coletivos e pretende continuar prestando serviços só para esses nichos.
Procurada, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo ( Abramge), que congrega 240 operadoras, afirmou que os planos individuais tiveram expansão de 0,9% no ano passado. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que representa 17 grupos de seguradoras, informou que suas associadas “desconhecem práticas restritivas na comercialização de planos de saúde e não aprovam essa conduta”.



Mundo vive ‘epidemia’ de cesáreas, diz OMS
11/04/2015 - O Estado de S.Paulo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que o aumento de cesáreas em todo o mundo nos últimos 20 anos transformou o parto cirúrgico em uma “epidemia”. E no topo do ranking dos países que mais realizam o procedimento está o Brasil.A divulgação foi feita em Genebra, na tentativa de convencer médicos,hospitais e mulheres a repensarem os partos. Para a OMS, a prática deve ser realizada apenas quando houver “motivos médicos”.
De acordo com a entidade, todas as regiões do mundo registraram aumento de cesáreas.
Na Europa,a taxa passou de 15% para algo entre 20% e 22%. Nos Estados Unidos está em 32,8%.
No Brasil, o porcentual foi de 52,3%, em 2010, para 53,7%, em 2011, e as estimativas indicam que chegou a 55% em 2014.
“Os casos aumentaram de forma exponencial. Vivemos uma epidemia”, afirmou a ginecologista Marleen Temmerman, diretora de Saúde Reprodutiva da OMS. A entidade defende que a taxa ideal de cesáreas é até 15%.
Em apenas dois países o parto natural não é maioria – além do Brasil, o Chipre, com 50%.
Por falta de dados, a OMS não consegue incluir todos os países no ranking, mas também figuram com alto porcentual o Irã (47%), a República Dominicana (43%)e a Colômbia (42%).
Matin Gulmezoglu, coordenador do Departamento de Saúde Maternal da OMS, disse que governo e entidades brasileiras estão tentando reduzir a taxa.
“Mas não é uma tarefa fácil,pois a prática está disseminada.” Motivos. Segundo Marlen, há várias razões para a alta.“Em primeiro lugar,essas operações são mais seguras hoje,com antibióticos e anestesia.” Mas a diretora da OMS também culpa médicos e hospitais. “Quando há a medicalização dos partos, vemos um aumento das cesáreas.Para hospitais e médicos, a cirurgia é mais fácil, pois eles conseguem ter uma agenda. É uma questão logística, não financeira.”



Mercado Aberto: Empresas de planos de saúde reduzem aportes
13/04/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: Maria Cristina Frias

As operadoras de planos de saúde reduziram em quase 50% o volume de investimentos em 2014, segundo cálculo da Abramge (associação de medicina de grupo) com base em dados da ANS (Agência Nacional de Saúde).
No período de 12 meses encerrado em setembro de 2014, as empresas do setor investiram R$ 1,1 bilhão. No intervalo do ano anterior, o total havia sido de R$ 2,1 bilhões.
A deterioração do cenário econômico no ano passado atrelada a fatores como aumento da taxa de juros e maior restrição ao crédito são algumas das causas para a desaceleração dos aportes.
"Ainda assim, se levarmos em consideração as dificuldades com a economia e o crescimento do PIB, que foi mínimo, as empresas conseguiram investir uma quantia substancial", diz Antonio Carlos Abbatepaolo, diretor-executivo da associação.
A maior parte dos recursos foi destinada para a infraestrutura, como a construção de hospitais e a compra de máquinas e equipamentos.
Só em novos leitos hospitalares, os investimentos em 2014 atingiram R$ 905 milhões, o que resultou na abertura de 2.600 quartos privados, segundo a entidade.
Para 2015, a Abramge ainda não fechou uma projeção de desempenho, mas o diretor-executivo avalia que o ano deverá ser de estagnação.
"Todos os indicadores econômicos mostram um cenário pior neste ano. Então, as dificuldades para as empresas deverão ser maiores do que as de 2014", afirma.
"O capital estrangeiro entrando no setor, por outro lado, poderá ajudar a viabilizar parte dos investimentos."



Artigo: Dengue e a responsabilidade de cada um
12/04/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: DAVID UIP E MARCOS BOULOS

Os paulistas não estiveram massivamente expostos a esse tipo de vírus. É por isso que há o grande número de pessoas suscetíveis à doença
São Paulo, diferentemente da maior parte dos outros Estados, esteve livre de transmissões consistentes de dengue até cinco anos atrás, quando o aumento da infestação pelo mosquito Aedes aegypti, inicialmente nas regiões norte e noroeste do Estado, possibilitou o surgimento de grande número de casos.
Neste momento em que grande parte dos municípios paulistas enfrenta os desafios de controlar casos e evitar novas mortes surgem questões cujas respostas valem a pena serem destacadas.
O habitat do Aedes aegypti é dentro de nossas casas. Ele vive em contato com o homem para garantir a manutenção da espécie. No verão, com o calor e as chuvas, surgem muitos criadouros. Uma pequena tampa de garrafa jogada no ambiente pode se tornar um confortável berçário para novos mosquitos.
Estudos da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) apontam que 80% dos criadouros estão dentro de casa. Mesmo que os serviços de controle de vetor dos municípios e do Estado entrem em ação ao mesmo tempo, atingirão no máximo 20% dos focos, justamente os que não são os mais importantes.
Debelar 100% dos focos seria hipoteticamente possível se houvesse uma operação de guerra com o poder público agindo dentro de todas as casas dos centros urbanos infestados. E isso antes de o ciclo começar, quando as pessoas ainda não estão doentes e participando da cadeia de transmissão.
Predomina, atualmente, no Estado de São Paulo a circulação do sorotipo 1 da dengue. Esse vírus foi de extensa disseminação na maioria dos Estados brasileiros desde a década de 1980, quando a doença não existia em São Paulo.
A maioria das pessoas em boa parte do país já teve contato com esse vírus estando, portanto, imunes a ele. Já a população paulista não esteve massivamente exposta a esse vírus e, por essa razão, concentra grande número de pessoas suscetíveis. Essa é uma das razões para a intensa transmissão em 2015.
Em toda epidemia dois fatores estão entre os mais eficazes para minimizar sua abrangência: a existência de vacinas e tratamento específico (medicamento antiviral) em tempo oportuno. A dengue não conta, por enquanto, com nenhum desses dois fatores a seu favor. Diante disso, as medidas adotadas pela saúde pública são voltadas para a redução de danos.
Diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para evitar mortes. Esse tem sido o enfoque dos alertas que trabalhamos junto à população e profissionais de saúde.
Para auxiliar os municípios paulistas no enfrentamento da dengue, especialmente aqueles que estão em maior dificuldade, o Estado de São Paulo está dobrando seu efetivo da Sucen para ações de nebulização e adquirindo novos equipamentos, além de contar com apoio de 30 médicos da Polícia Militar.
O investimento extra é de R$ 6 milhões. O Estado também firmou parceria com empresas e instituições para disseminar o alerta à população sobre transmissão da dengue, prevenção e sintomas.
O combate à dengue exige ações articuladas e complementares das três esferas de governo. A Secretaria de Estado da Saúde está com seu corpo técnico do Centro de Vigilância Epidemiológica, Instituto Adolfo Lutz e Sucen em campo, auxiliando os municípios.
Internamente, especialistas da USP, Unesp e Unifesp discutem as especificidades do atual cenário.
Momentos como esse devem servir de aprendizado para que todos os gestores da saúde possam aperfeiçoar as medidas preventivas e a assistência à população e para que todos os cidadãos se conscientizem da responsabilidade de cada um com o ambiente domiciliar para que doenças sejam evitadas.


 
Plantão Médico: As muitas mortes pelo cigarro
11/04/2015 - Folha de S.Paulo
Colunista: JULIO ABRAMCZYK

A relação do cigarro com o câncer pulmonar já está bem estabelecida.
Agora, surgem indicações de morte por outras doenças em fumantes.
No artigo "Fumar e mortalidade "" além das causas estabelecidas", publicado na revista "New England Journal of Medicine" deste ano, Brian D. Carter e colaboradores encontraram um aumento de mortalidade entre fumantes em associação com doenças usualmente não relacionadas ao consumo do cigarro.
Os autores basearam-se em cinco estudos envolvendo 421.378 homens e 532.651 mulheres a partir dos 55 anos de idade que foram seguidas do ano 2000 ao ano 2011.
Nesse período, foram observadas 181,377 mortes, incluindo as 16.475 de fumantes inveterados.
A mortalidade entre os fumantes deveu-se a causas não atribuíveis ao cigarro, como insuficiência renal, isquemia das artérias do intestino, hipertensão, infecções, doenças respiratórias, câncer de mama e câncer de próstata.
Por isso, os autores concluem que existe um aumento de mortalidade entre fumantes, por doenças que não são formalmente declaradas como provocadas pelo tabaco.

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PF prende políticos e apura crimes na Caixa e na Saúde
11/04/2015 - Folha de S.Paulo

Mais de um ano após seu início, a Operação Lava Jato levou nesta sexta (10), pela primeira vez, políticos suspeitos de corrupção à prisão. As investigações extrapolaram a Petrobras e atingiram a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde.
Foram detidos os ex-deputados federais André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Luiz Argôlo (ex-PP e hoje Solidariedade-BA) e mais quatro pessoas ligadas a eles.
Também houve ordem de prisão contra o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), que já estava preso em Pernambuco por condenação no mensalão. Ele será transferido para a PF em Curitiba.
Os políticos só puderam ser presos neste momento, com decisão da primeira instância, porque não exercem mandato e, assim, não têm direito ao foro privilegiado que exigiria que eles fossem investigados em tribunais superiores.
As prisões desta sexta fazem parte da 11ª fase da operação. "Essa investigação vai nos levar a mares nunca dantes navegados", afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que coordena as investigações.
Na Caixa e no Ministério da Saúde, novos alvos da operação, os desvios eram feitos a partir de contratos de publicidade, segundo as investigações. Ricardo Hoffmann, diretor-geral da agência de publicidade Borghi/Lowe em Brasília, que detinha contratos com os dois órgãos, foi preso.
Só do Ministério da Saúde a empresa recebeu R$ 112,8 milhões desde 2011. Há suspeita de que a agência tenha pago propina para obter vantagens nos contratos.
Segundo a PF, 10% do valor dos contratos mantidos com a Caixa e com o ministério eram desviados para empresas de fachada de Vargas e de seu irmão, Leon Vargas, que também foi detido.
As empresas eram a LSI e a Limiar Consultoria. Com nenhum ou apenas um funcionário, ambas eram usadas, segundo o Ministério Público, "tão somente para pagamento de vantagem indevida em favor do ex-deputado".
O dinheiro era repassado por meio de subcontratadas da Borghi/Lowe. Intimadas pela Receita Federal sobre os pagamentos, algumas declararam que, de fato, não houve prestação de serviços à LSI ou à Limiar, mas que fizeram os depósitos por orientação da Borghi/Lowe.
Segundo a Folha apurou, nas buscas realizadas nesta sexta, foram encontrados documentos que apontam que dezenas de outras empresas ligadas ao ramo de publicidade fizeram pagamentos às firmas de fachada de Vargas.
Entre os repasses feitos à Limiar, está um depósito da JBS de R$ 200 mil, feito em 2010 --ano em que Vargas foi reeleito deputado federal. A empresa é uma das maiores doadoras eleitorais do país.
Consultada, a empresa confirmou o pagamento, mas disse não saber a que serviço ele se devia. O juiz Sergio Moro diz que "não é possível afirmar por ora" que este depósito teve causa ilícita.
A investigação também aponta que há "razoável prova" de que Vargas realizou "diversas e intensas intervenções junto ao Ministério da Saúde" para a aprovação de uma parceria de R$ 31 milhões com o laboratório Labogen, investigado na Lava Jato.

OUTROS DETIDOS

O ex-deputado Luiz Argôlo é investigado sob a acusação de ter atuado com o grupo da Labogen, o que ele nega.
Pedro Corrêa, condenado no mensalão, foi acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de ter recebido R$ 5,3 milhões no esquema de corrupção na estatal.
Os investigadores agora querem saber quem são os demais destinatários da propina, além dos ex-deputados presos. Servidores da Caixa e do Ministério da Saúde devem ser ouvidos pela polícia.


 
Sistema para rastrear remédio deve atrasar
11/04/2015 - Folha de S.Paulo

Criada há seis anos, a lei federal que prevê um sistema nacional de rastreamento de medicamentos corre o risco de continuar na gaveta por mais uma década.
O objetivo do sistema é controlar o destino dos medicamentos, desde a produção até a venda ao consumidor, evitando falsificações. Cada embalagem terá código bidimensional e número único de identificação, acompanhados da data de fabricação, validade e número do lote.
A meta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) era que as empresas apresentassem um piloto do sistema, com ao menos três lotes de remédios rastreáveis, até dezembro deste ano, e que o sistema todo começasse a operar até o final de 2016.
A Folha teve acesso a uma minuta de projeto que aumenta esse prazo por até dez anos. Em nota, a Anvisa diz que a prorrogação é uma demanda do setor farmacêutico e que precisa ser discutida no âmbito do Legislativo porque será necessário alterar a lei federal vigente.
A proposta tem dividido o setor farmacêutico. A maior parte dos laboratório defende a ampliação do prazo, mas as farmacêuticas que compraram equipamentos reclamam da prorrogação.
Segundo a Interfarma, 30 dos 55 laboratórios associados já estavam preparados para a mudança. A entidade previa um investimento total de cerca de US$ 24 milhões.
Para Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), porém, o adiamento é bem-vindo porque nem todas as empresas poderiam cumprir o prazo fixado.
"Não podemos fazer uma rastreabilidade que só uma parte do mercado cumpre."
Telma Salles, presidente da Pró Genéricos, tem opinião parecida. "Temos que testar todos os elos da cadeia produtiva. Se começarmos de forma capenga, não vai funcionar", afirma.
Estudo do Sindusfarma mostra que só com a compra de equipamentos para implantar o rastreamento haveria custo de R$ 1,35 bilhão.
Salles lembra que as unidades de distribuição de medicamentos no SUS também precisariam estar preparadas para essa mudança --o que não ocorre até o momento.
Também há um impasse sobre o armazenamento das informações. Segundo resolução da Anvisa, elas ficariam a cargo das farmacêuticas.
O setor varejista, porém, é contrário. A Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) entrou com uma ação judicial contra a Anvisa por entender que há risco no compartilhamento de alguns dados com os laboratórios farmacêuticos, o que poderia ferir a questão concorrencial.
"Devolver a informação de quem comprou e prescreveu um medicamento para a indústria é uma coisa absolutamente perigosa. Nenhum país está fazendo assim", afirma o presidente da associação, Sergio Mena Barreto.
"Se um laboratório sabe o estoque que a rede tem, ele pode oferecer o produto para outra em condição melhor."





Avanço da dengue em 2015 atinge 24 Estados
11/04/2015 - Folha de S.Paulo
 
Apesar de São Paulo concentrar em torno de 55% dos casos de dengue do país inteiro, a expansão da doença em 2015 já atinge 24 Estados.
Segundo dados tabulados pela Folha a partir do novo balanço do Ministério da Saúde, apenas Amazonas, Espírito Santo e Distrito Federal não registraram aumento de casos em relação ao mesmo período do ano passado.
O crescimento, porém, é por motivos diferentes, segundo secretarias da saúde.
Em Goiás, a interrupção de serviços essenciais em alguns municípios, como a coleta de lixo, é um dos fatores, segundo a superintendente estadual de Vigilância em Saúde, Maria Cecília Brito.
Outros são chuvas prolongadas e excesso de calor, clima favorável para a proliferação do mosquito, afirma. Hoje Goiás tem a segunda maior quantidade de casos de dengue no país, com 45.819 registros da doença, segundo dados do ministério.
No Acre, outro Estado que já vive epidemia, a maior parte dos casos se concentra em municípios que não tinham registrado até então casos de dengue, como Cruzeiro do Sul.
Entre as cidades, a campeã em incidência de casos é São João do Cauiá, no Paraná, com 16,7 mil a cada 100 mil habitantes. Em seguida, está Trabiju, no interior paulista.
Diversos municípios investem em medidas emergenciais, como a criação de tendas de atendimento a pacientes, contratação de novas equipes, aplicação de inseticidas e até mesmo de multas para proprietários que se recusam a autorizar a entrada de agentes de controle.
 
VACINA
 
O Instituto Butantan, de São Paulo, protocolou nesta sexta (10) um pedido à Anvisa para iniciar a terceira e última fase de estudos de uma vacina contra a dengue.
Na nova etapa, a vacina será testada em 17 mil voluntários, em todas as regiões do Brasil. Dois terços receberão a vacina e um terço, placebo.
Se autorizada pela Anvisa e pelos comitês de ética, a medida pode antecipar em até dois anos o final dos estudos, fazendo com que a vacina esteja disponível, na melhor das hipóteses, em 2016. A previsão inicial era 2018.
Após os estudos da terceira fase, o instituto deve pedir à Anvisa o registro da vacina, o que possibilitaria que ela seja disponibilizada no SUS.


Casos de dengue avançam, e SP já enfrenta situação de epidemia
11/04/2015 - Folha de S.Paulo
 
O Estado de São Paulo ultrapassou a marca de casos de dengue neste ano suficiente para enquadrá-lo em uma situação de epidemia, conforme dados do Ministério da Saúde obtidos pela Folha.
Só nos três primeiros meses do ano, foram 258 mil registros --número sete vezes superior ao registrado em igual período do ano passado, quando houve 35 mil notificações da doença.
As informações atualizadas pelo ministério até 28 de março apontam ainda que, além de SP, ao menos outros três Estados já vivem uma epidemia de dengue: Mato Grosso do Sul, Goiás e Acre.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) adota essa classificação para lugares com mais de 300 casos da doença por 100 mil habitantes.
Pelo último balanço (início de março), São Paulo tinha 281 registros a cada 100 mil habitantes. Agora, a proporção atingiu 585. Nos demais Estados em epidemia, a taxa varia de 304 a 882,5. São Paulo, que também enfrentou uma epidemia de dengue há dois anos, concentra metade dos casos do país.
Segundo Marcos Boulos, infectologista da Controladoria do Controle de Doenças de São Paulo, ligada ao governo estadual, a epidemia de dengue neste ano "já é maior que em 2013". No Brasil inteiro, já são 460 mil casos neste ano, alta de 240% em relação ao mesmo período de 2014.
Ao todo, já foram registradas 132 mortes neste ano. Destas, 99 em São Paulo --que, no início do ano passado, somava 15 mortes.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, diz que os dados do país são "preocupantes", mas menores do que em 2013.
Ele não descarta, porém, uma nova epidemia nacional em decorrência da doença. "Não posso afirmar que não teremos. Seria precipitado."
Chioro aponta as mudanças climáticas, como a antecipação do período de chuvas em várias regiões, entre os motivos que levaram ao aumento da doença.
Outro fator, para ele, é a circulação do vírus em cidades que tinham registrado baixo número de casos em anos anteriores, fazendo com que os mosquitos transmissores da doença encontrassem uma população mais suscetível.
"Também nunca tivemos uma infestação de Aedes aegypti como agora", diz Boulos, para quem a quantidade de casos pode ser ainda maior, já que muitas pessoas não desenvolvem a doença apesar do contato com o vírus.
"Esses 300 mil casos podem ser 5 milhões", diz. Ele prevê um freio nos próximos meses, com a trégua das chuvas e porque as pessoas deixam de estar suscetíveis ao vírus.