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Notícias– 28/11/2014

  

 

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Vacina contra o ebola passa em teste inicial de segurança nos EUA
28/11/2014 - Folha de S.Paulo

Uma vacina experimental contra o vírus ebola produziu, sem efeitos colaterais graves, uma resposta imune nos 20 voluntários saudáveis que participaram da fase inicial de um estudo clínico.

O resultado foi publicado no periódico "New England Journal of Medicine".

O estudo, que começou em setembro e vai acompanhar os voluntários durante 48 semanas, pretende avaliar a segurança da vacina. Mas a resposta imune aponta que a vacina também poderá ter uma boa eficácia.

A vacina intramuscular foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA e pela Okairos, uma empresa de biotecnologia adquirida pelo laboratório GlaxoSmithKline.

A primeira fase de estudo estava prevista inicialmente para 2015, mas, por causa do surto da epidemia na África, esse processo foi acelerado em parceria com a FDA (agência que regulamenta medicamentos nos Estados Unidos).

A vacina contém material genético de duas cepas do ebola ""Zaire, responsável pelo atual surto na África Ocidental, e Sudão"", mas não pode causar a doença.

Os voluntários que participaram do estudo tinham entre 18 e 50 anos e foram recrutados em Washington (EUA). Metade deles recebeu uma dose mais baixa e metade, uma dose maior. Todos os 20 desenvolveram anticorpos antiebola em quatro semanas, sendo que aqueles que tomaram uma dose maior produziram mais anticorpos.

Daniel Bausch, da Universidade de Tulane, considerou os resultados promissores, mas advertiu que há mais desafios pela frente antes que a segurança e eficácia da imunização sejam estabelecidas.

Ainda não é possível estimar quando a vacina poderá estar disponível no mercado.

Outra duas vacinas contra o ebola também passam por testes de segurança.


Pesquisa e desenvolvimento


O futuro da luta contra o câncer
27/11/2014 - Correio Braziliense


Os tratamentos mais comuns hoje para combater o câncer são a rádio e a quimioterapia. O grande problema relacionado a essas estratégias é a toxicidade. Os agentes utilizados afetam tanto as células normais quanto as cancerígenas. Ainda que causem maior dano aos tumores do que aos tecidos saudáveis, a agressão ao organismo é grave, com efeitos colaterais massivos e. muitas vezes, debilitantes. Imagine, então, que fosse possível, em vez de adotar esses métodos, alterar a eficiência e o vigor do próprio sistema imune do paciente, transformando esse exército de defesa em supersoldados, mais fortes e habilidosos. Essa é justamente a proposta da imunoterapia, considerada o futuro da luta contra o câncer e que começa a apresentar os primeiros resultados.

A edição desta semana da revista Nature traz uma série de cinco artigos sobre esse tipo de tratamento, que, por meio de experimentos clínicos, começa a fazer efeito sobre alguns tumores conhecidos. São terapias já aprovadas em alguns países para o uso em pacientes, apesar de ainda contarem com uma série de restrições com relação ao número de pessoas nas quais os testes são feitos e às condições de aplicação. Esses estudos já alcançaram respostas clínicas duráveis e há relatos de indivíduos livres de progressão da doença por muitos anos para câncenes como o mela no ma e de rim.

Além disso, dois dos trabalhos publicados na Nature descrevem ensaios clínicos em fase 1 (testes de exposição à substância) e comprovam a eficácia da abordagem para tumores de pulmão, de pele e de bexiga urotelial metastático (IJBC), considerado um dos mais difíceis de se combater. "Não houve grandes avanços para o tratamento de UBC nos últimos 30 anos. A quimioterapia ainda é o padrão de atendimento. Os resultados dos pacientes, especialmente para aqueles em que a quimioterapia não é eficaz ou é mal tolerada, continuam ruins", lembra um dos autores, Thomas Powles, da Universidade de Londres Queen Mary. Ele defende a expansão do tratamento imunoterápico para outros tipos de câncer.

Bloqueio

Atualmente, a descoberta dos mecanismos moleculares envolvidos na regulação imune permitiu o surgimento de estratégias que buscam superar a capacidade das células cancerígenas de driblar a vigilância protetora do paciente. Entre as ações de intervenção do câncer no sistema imunológico, os cientistas perceberam que o cancro é capaz de ligar vias inibitórias nas células de defesa. Elas são responsáveis por amortecer ou bloquear as respostas imunes em curso. Em condições normais, essa função é importante para estacionar uma hiperatividade imunitária, como em problemas auto imunes (quando a defesa do organismo ataca a si mesmo). A estratégia empregada pelo tumor não é nada benéfica para a situação do organismo. Sem a atuação do sistema auto imune a progressão do tumor é certa.

Os artigos publicados visam a uma abordagem muito específica, denominada bloqueio do ponto de controle, que obstrui a ação dessas vias inibitórias e desperta a resposta do sistema imunológico a tumores. CTLA-4 e PD-1 são dois dos principais receptores de superfície celular que, quando ligados a determinadas moléculas presentes em células tumorais, ativam as vias inibitórias e reduzem a atividade das células de defesa T. A via PD-1 expressa nesse processo pode levar diretamente à morte de células de defesa. Hoje. anticorpos que bloqueiam a CTLA-4 (ipilimumab) e a PD-1 (pembrolizumab e nivolumab) já foram aprovados para tratar pacientes muito específicos. Powles propõe em seu trabalho a utilização de um novo anticorpo que bloqueia a molécula tumoral PD-L1, responsável por ligar a via PD-1, para o UBC.

Em outro artigo, a equipe de Roy Herbst, da Escola de Medicina da Universidade de Yale, demonstra que o bloqueio do ponto de controle produz respostas duráveis em pacientes com cânceres de pulmão, pele e rim, entre outros. Herbst defende que o desenvolvimento do câncer humano é um processo de várias etapas caracterizado pelo acúmulo de alterações genéticas e epigenéticas que impulsionam ou refletem na progressão do tumor. "Essas alterações distinguem as células cancerosas de suas contrapartes normais, permitindo que os tumores sejam reconhecidos como estranhos pelo sistema. No entanto, os tumores são raramente rejeitados espontaneamente, refletindo sua capacidade de manter um microambiente imunossupressor.

Biomarcadores

Os mesmos anticorpos que atuam no bloqueio do ponto de verificação foram foco de pesquisa de outro time de cientistas. O líder do trabalho, Antoni Ribas, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, não só aplicou o tratamento imuno terapêutico como identificou marcadores biológicos que podem prever a resposta do paciente à terapia. Isso foi possível com a análise de amostras de tecido tumoral retiradas de 46 pacientes com melanoma metastático antes e durante o tratamento com pembrolizumab (anti-PD-1). "Nas amostras de tumores em série, os pacientes que responderam ao tratamento mostraram proliferação intratumoral de células imunes (T-CD8) que está correlacionada diretamente à redução radiográfica do tamanho do tumor*, explica Ribas.

A partir desses dados, ele concluiu que a regressão do tumor após a terapia de bloqueio de ponto de verificação requer células imunes do tipoT-CD8 preexistentes. Dessa forma, os tumores que atraem células T-CD8 e outras do sistema imune capazes de expressar PD-1 e PD-L1 teriam uma maior sensibilidade ao bloqueio do ponto de verificação com esses anticorpos. "Nós mostramos que células T-CD8 localizadas distintamente na margem do tumor invasivo estão associadas com a expressão do eixo imune inibitório PD-1/PD-L1 e podem prever resposta terápica de amostras."

Proteínas mutantes

Em vez de atingir diretamente o sistema imune, as estratégias publicadas separadamente, em dois outros artigos, pela equipe de Lélia Delamarre, da empresa de biotecnologia Genentech, em São Francisco, e de Robert Schrei-ber, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, têm um ponto em comum: atacar o tumor. Para estimular a ação do sistema imune, os pesquisadores alteraram geneticamente proteínas no tumor. A mutação permitiu que ele fosse reconhecido como estranho e perigoso pelas células de defesa do organismo (as células T). A proposta foi aplicada em modelos de camundongos em laboratório e responderam com um ataque de soldados do exército imunitário ao cancro.

Em seus artigos, os líderes de pesquisa afirmaram que. uma vez capazes de identificar os antígenos peptídicos (proteínas) mutantes do tumor, é possível também auxiliar na definição dos indivíduos mais propensos a se beneficiarem de terapias de bloqueio de pontos de verificação. Ainda que tragam propostas diferentes para atacar o câncer, acima de tudo, os cinco artigos confirmam o fato principal de que as respostas imunitárias a mutações específicas do tumor são importantes tanto na resposta de defesa natural contra tumores quanto na utilização de terapias imunes que gerem essa resposta.


Saúde




Médicos vão receber R$ 1.100 em cada plantão
28/11/2014 - Folha de S.Paulo

Araraquara vai contratar 30 médicos, que deverão receber cerca de R$ 1.100 em cada plantão de 12 horas. A medida é uma das definições de critérios feitas pelo Conselho Municipal de Saúde.
A Prefeitura de Araraquara finalizou o processo de qualificação das OSs (Organizações Sociais) que têm interesse em gerir a UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) Central, alvo de críticas e ações judiciais.
O edital deve ser publicado no "Diário Oficial" do Município, nesta sexta-feira (27), segundo o secretário da Saúde, Hilton Negrini Toloi.
O valor pago por plantão médico em Araraquara é maior que o de São Carlos, por exemplo, onde cada médico recebe R$ 1.000 pelo mesmo plantão nas UPAs Vila Prado e Cidade Aracy.
Ainda de acordo com o secretário, a despesa prevista para repasse mensal da prefeitura com a organização que apresentar o melhor projeto é de R$ 600 mil.
Do total, R$ 462 mil devem ficar apenas para o pagamento dos plantões médicos. O montante pago mensal inclui apenas o gerenciamento da parte médica da unidade.
Toloi disse ainda que a administração pesquisou os preços praticados por outras prefeituras em casos de contratação de OS's.
Com o início da terceirização, prevista para janeiro, o objetivo da prefeitura é garantir que cada plantão na UPA tenha sete médicos --quatro clínicos gerais, dois pediatras e um ortopedista.
"A UPA Central está com cerca de 35% de movimento maior, média de 500 atendimentos/dia, em parte porque está absorvendo pacientes da UPA da Vila Xavier", disse.



Morte sob suspeita
28/11/2014 - Folha de S.Paulo

RESUMO Em agosto, Leandro Farias, 25, viu a mulher, a também farmacêutica Ana Carolina Cassino, 23, morrer de sepse (infecção generalizada), após esperar 28 horas por uma cirurgia de apendicite. A demora teria levado à infecção. Para a família, houve negligência. Farias criou o movimento Chega de Descaso, que recebe denúncias pelo país. Nesta sexta, ele coordena um protesto no Cremerj. A Polícia Civil também investiga o caso.
No dia 15 de agosto, a Ana Carolina acordou se sentindo mal, com forte dor no abdome, náuseas e vômito. Fomos para a unidade de pronto-atendimento da Unimed, na Barra da Tijuca [Rio].
Entramos às 13h30. O ambiente estava lotado, caótico. Logo demos de cara com um computador em que você pega uma senha, como em um banco. Passamos por triagem que foi feita por enfermeira.
Mesmo relatando fortes dores a ponto de não conseguir andar e nem ficar de pé, minha mulher ganhou o adesivo de cor amarela, sugerindo que o caso não era grave.
Após uma hora, fomos atendidos por uma médica, que suspeitou de apendicite. Pediu exames de sangue e uma tomografia. Após quatro horas, às 17h30, a apendicite aguda foi confirmada.
A taxa de leucócitos estava acima de 20 mil [o valor de referência era até 11 mil]. A tomografia mostrou o apêndice distendido e presença de líquido no abdome.
Novamente tivemos que esperar o trâmite burocrático para encontrar um leito em um dos hospitais da rede Unimed, agendar a cirurgia e aguardar uma ambulância.
Apenas às 23h Ana foi transferida para o hospital onde ocorreria a cirurgia. Ao ser internada no Hospital Unimed Barra, ficamos sabendo que a cirurgia tinha sido agendada para às 15h do dia seguinte. Não havia médico para operar antes.
Quando faltava uma hora para a cirurgia, no dia 16, Ana piorou. Teve uma queda brusca da pressão e desmaiou.
Realizaram manobras de reanimação e ela voltou lúcida, porém muito inchada por causa dos litros de soro fisiológico que recebeu. Foi uma imagem chocante, quase não reconheci a minha mulher.
Ela foi ao centro cirúrgico às 17h30; 28 horas após sua entrada e 24 horas após o diagnóstico. [O protocolo médico contra a sepse determina que se deve fazer a operação em até 12 horas. Ana já sabia que estava com sepse. O próprio médico havia contado. Ela me disse que havia pedido ao médico para evitar falar a palavra sepse para a mãe. O pai dela havia morrido quatro anos antes pela mesma causa.
Ainda me disse: "Vai dar tudo certo, amor". Foi a última frase que ouvi dela. Já saiu da cirurgia, uma simples cirurgia de apendicite, entubada e foi encaminhada direto para o CTI [centro de terapia intensiva]. Às 5h do dia 17 recebemos a notícia da sua morte. Choque séptico.
Enfrentamos resistência do hospital para entregar o prontuário. Alegaram que, em caso de óbito, se a paciente não deixou por escrito autorização, só com mandado judicial. Qual jovem de 23 anos irá imaginar que morrerá de apendicite? Após o caso ir para a mídia, o hospital liberou.
Ao analisarmos o prontuário, vimos que a Ana Carolina vinha piorando desde a sua internação. Apresentou sucessivas quedas de pressão, o que já indicava processo de infecção generalizada.
Ana foi mais uma vítima de descaso. Sua história reflete a face mais cruel dessa comercialização da saúde. Nada justifica essa demora absurda. Um médico ainda disse que, pela idade e pelos exames, ela poderia ter esperado até 48 horas pela cirurgia! A questão é que está disseminado nos hospitais o plantão de sobreaviso [o médico fica fora do hospital, à disposição]. Em hospitais privados, cirurgias de emergência vêm sendo agendadas porque não há médico para atender de imediato.
Fizemos denúncia e o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) abriu uma sindicância. Mas descobrimos que muitos conselheiros do Cremerj são também diretores da Unimed. Como pode um órgão fiscalizador ser composto por membros do fiscalizado? Criamos pela internet o Movimento Chega de Descaso e estamos reunindo denúncias. Queremos evitar que outros casos assim voltem a acontecer. É também uma forma de dar algum sentido a essa morte estúpida.


Sindicância vai ser concluída em breve, diz Cremerj
28/11/2014 - Folha de S.Paulo


A sindicância aberta pelo Cremerj para apurar a morte de Ana Carolina Cassino deve ser concluída no início de dezembro, de acordo com o presidente do conselho, Sidnei Ferreira.

Ele diz que a apuração e o julgamento do caso serão feitos por conselheiros não ligados à Unimed Rio, a despeito do questionamento da família. "Há lisura em todo o processo, a família está sendo informada de todos os passos. No final, vocês poderão comprovar isso", afirma. O processo corre sob sigilo.

Em nota, a Unimed Rio disse que o Hospital Unimed-Rio tem colaborado com as investigações e "atendeu a todas as solicitações de informações e documentos".

"A diretoria do Hospital Unimed-Rio permanece solidária à família e continua empenhada no esclarecimento dos fatos relacionados ao atendimento prestado."




 

Notícias– 27/11/2014

  

 

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Estudo sugere inclusão de medicamentos contra o câncer na lista da OMS
27/11/2014 - Agência Brasil

Especialistas brasileiros e de outros países entregaram à Organização Mundial da Saúde (OMS) estudo que sugere a inclusão de mais de 20 medicamentos para tratar o câncer na Lista-Modelo de Medicamentos Essenciais para Adultos (EML) e Crianças (eMLC).

Criada há 40 anos, a lista traz um conjunto de fármacos considerados fundamentais e que devem ser oferecidos no sistema público de todos os países. A revisão final, com base nas recomendações do grupo, ocorrerá em abril de 2015.

O tema foi tratado na sede da organização em Genebra, na Suíça, na semana passada. O pesquisador e oncologista clínico Gilberto Lopes foi um dos líderes da força-tarefa que apresentou a lista de medicamentos essenciais. De volta ao Brasil, ele explicou que o trabalho foi desenvolvido durante cerca de um ano por mais de 80 especialistas dos cinco continentes.
“A lista está bem defasada, tem mais de dez anos. Então, fizemos um mapa para determinar as doenças mais comuns em relação ao câncer no mundo e os quimioterápicos que têm o maior impacto”, explicou. “Consideramos 22 drogas para os tipos de câncer mais frequentes, como os de pulmão, mama e cólon, e para algumas doenças raras, mas que podem ser curadas ou controladas por vários anos com medicamentos.”

De acordo com Lopes, a inclusão dos 22 remédios contribuiria para promover o acesso global a pelo menos 80% das terapêuticas consideradas essenciais no enfrentamento do câncer. O oncologista elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, que tem mais medicamentos essenciais no combate ao câncer do que a lista atual da OMS. “A lista da OMS ajuda muito a orientar países de baixa renda. O Brasil é um país de renda média, mas mesmo entre esses países, cobre mais medicamentos que alguns com o mesmo estágio de desenvolvimento”, comentou.

Lopes lembrou que o Brasil também se destacou no combate ao câncer ao incorporar a vacinação de meninas contra o HPV no sistema público, uma vez que muitos países de rendas média e alta ainda não incluíram essa vacina no sistema de saúde.

Entre os medicamentos sugeridos pela força-tarefa que já foram incorporados ao SUS estão o anticorpo monoclonal trastuzumabe e o inibidor de tirosina quinase imatinibe, para a leucemia mieloide crônica e o tumor gastrointestinal (GIST), muito eficazes contra o câncer de mama HER2 positivo.

Pelas conversas com os representantes da OMS, o oncologista acredita que a maioria das 22 drogas será aprovada pelo Comitê Executivo da entidade. “Eles consideram que uma droga tem benefícios se ajudar os pacientes a ter mais curas ou a viver mais tempo e foi isso que nos norteou em nossas escolhas”, disse. “Além disso, deve ser um medicamento fácil de administrar, que não precise de muito apoio em relação à infraestrutura, a exame de sangue e coisas mais complexas. O preço deixou de ser um critério de exclusão, mas o custo efetividade é considerado”, completou.


Com derivado de maconha
26/11/2014 - Veja Online


A Anvisa deve tirar o canabidiol da lista de substâncias proibidas no Brasil, mas manter seu uso sob controle.

A decisão do colegiado de diretores sai ainda este ano. Com isso, a importação de remédios que contenham o derivado da maconha vai se tornar menos burocrática.

No Brasil, até hoje, nenhum laboratório procurou a Anvisa com a intenção de produzi-lo.

Pesquisa e desenvolvimento

 

Bactérias fortalecem o escudo natural do cérebro
27/11/2014 - Estado de Minas

Há mais de 100 anos. cientistas descobriram, por meio de um experimento simples, que as substâncias que circulam pelo sangue no corpo não "andam" necessariamente pela cabeça. Eles injetaram uma tinta azul na corrente sanguínea de uma cobaia e os tecidos do corpo do animal ficaram com a coloração escolhida, menos o do sistema nervoso central. O fenômeno, acreditaram. ocorreu devido à existência de uma barreira que evitaria a entrada de algumas substâncias no cérebro. Confirmada a hipótese, pesquisas na área começaram a fervilhar, mas sem explicar definitivamente como esse escudo natural é formado e como seria possível driblá-lo.
Uma grande descoberta nesse sentido vem de uma pesquisa sueca publicada na revista Science Translational Medicine. Os cientistas replicaram o primeiro experimento que provou a presença da barreira hematoencefálica e voltaram as atenções para um diferencial: a interferência de micro-orga-nismos que residem naturalmente no intestino humano. Outra particularidade do trabalho é que os testes foram feitos com cobaias prenhas. A flora intestinal delas interferiu na formação da barreira cerebral dos filhotes de rato.

"Nós mostramos que a presença dessa microbiota durante os últimos estágios da gravidez bloqueou a passagem de substancias da circulação para o cérebro do feto em crescimento". detalha Viorica Braniste. do Departamento de Microbiologia do Instituto Karolinska. na Suécia. Segundo a pesquisadora, o transporte de moléculas através da barreira hematoencefálica pode ser modulado por micróbios do intestino da mãe. Dessa forma, fatores ambientais relacionados, como a dieta, podem alterar os genes responsáveis pela formação e pela manutenção do tecido protetivo.

Os cientistas chegaram a essa conclusão comparando a integridade e o desenvolvimento do bloqueio entre dois grupos de camundongos. O primeiro foi composto por cobaias expostas a bactérias normais; e o segundo, por animais mantidos em ambiente estéril (veja infográfico). Depois, repetiram o experimento centenário, mas. em vez de tinta azul. injetaram anticorpos com um tamanho suficientemente grande para não ultrapassar a barreira hematoencefálica típica. Os dados coletados mostraram um vazamento no tecido protetivo dos animais que ficaram livres de germes na fase intrauterina. A característica manteve-se na vida adulta.

"Em fetos com a mesma idade de mães livres de germes, esses anticorpos que estavam marcados atravessaram facilmente a barreira hematoencefálica e foi detectado material dentro do parênquima (tecido principal) do cérebro" relata Braniste. O vazamento não foi visualizado nos filhotes expostos a uma microbiota normal, e eles não tiveram modificação na formação da barreira Os resultados fornecem evidência experimental de que os micróbios nativos do organismo contribuem para o mecanismo que fecha a proteção hematoencefálica antes do nascimento. Segundo os autores, eles também suportam observações anteriores de que a microbiota intestinal pode afetar o desenvolvimento e a função cerebral. Braniste alerta para um detalhe. Curiosamente. esse vazamento poderia ser anulado se os camundongos fossem expostos a micróbios intestinais normais.

Os pesquisadores ainda não precisaram os mecanismos moleculares que motivam esse fenômeno. Não está claro como os micróbios alteram o desenvolvimento da barreira, mas uma análise do cérebro dos camundongos livres de germes indica que pode haver o envolvimento de proteínas ligadas à vedação dos espaços para celulares entre as células endoteliais que formam esse escudo natural. Há possibilidade de que o estudo ajude no desenvolvimento de novas maneiras de "abrir" a barreira e aumentar a eficácia dos medicamentos contra o câncer do cérebro, além de ajudar na concepção de regimes de tratamento que reforcem a integridade dessa estrutura protetiva.

CUIDADOS
Segundo o neurologista norte-americano Ryan Watts, do Instituto Genentech. há escudos celulares em outras partes do corpo. Um dos mais evidentes é o epitélio intestinal, que protege o resto do organismo a partir dos micróbios patogênicos e simbióticas que residem no intestino. "Mesmo reconhecida como uma importante barreira biológica há mais de um século, os mecanismos subjacentes ao desenvolvimento, à manutenção e ao papel desempenhado por fatores genéticos e ambientais da hematoencefálica estão apenas começando a ser elucidados."

Segundo Watts, o estudo levanta uma série de preocupações epidemio-lógicas importantes. "Embora os autores não tenham utilizado antibióticos de largo espectro para testar a necessidade da microbiota intestinal do rato adulto para manter a barreira intacta, essa questão pode ser relevante no tratamento de doenças infecciosas humanas que envolva o forte uso de antibióticos que apagam'a flora intestinal/

Entender como esse efeito colateral fisiologicamente relevante do uso de antibióticos pode afetar a permeabilidade da barreira é crucial, avalia o neurologista. "Além disso, uma tendência bastante recente na modulação ou na valorização da diversidade microbiana por meio da utilização de pré-bióticos ou probióticos como uma estratégia terapêutica pode precisar levar em consideração o eixo microbiota intestinal-barreira."


O futuro da luta contra o câncer
27/11/2014 - Correio Braziliense


Os tratamentos mais comuns hoje para combater o câncer são a rádio e a quimioterapia. O grande problema relacionado a essas estratégias é a toxicidade. Os agentes utilizados afetam tanto as células normais quanto as cancerígenas. Ainda que causem maior dano aos tumores do que aos tecidos saudáveis, a agressão ao organismo é grave, com efeitos colaterais massivos e. muitas vezes, debilitantes. Imagine, então, que fosse possível, em vez de adotar esses métodos, alterar a eficiência e o vigor do próprio sistema imune do paciente, transformando esse exército de defesa em supersoldados, mais fortes e habilidosos. Essa é justamente a proposta da imunoterapia, considerada o futuro da luta contra o câncer e que começa a apresentar os primeiros resultados.

A edição desta semana da revista Nature traz uma série de cinco artigos sobre esse tipo de tratamento, que, por meio de experimentos clínicos, começa a fazer efeito sobre alguns tumores conhecidos. São terapias já aprovadas em alguns países para o uso em pacientes, apesar de ainda contarem com uma série de restrições com relação ao número de pessoas nas quais os testes são feitos e às condições de aplicação. Esses estudos já alcançaram respostas clínicas duráveis e há relatos de indivíduos livres de progressão da doença por muitos anos para câncenes como o mela no ma e de rim.

Além disso, dois dos trabalhos publicados na Nature descrevem ensaios clínicos em fase 1 (testes de exposição à substância) e comprovam a eficácia da abordagem para tumores de pulmão, de pele e de bexiga urotelial metastático (IJBC), considerado um dos mais difíceis de se combater. "Não houve grandes avanços para o tratamento de UBC nos últimos 30 anos. A quimioterapia ainda é o padrão de atendimento. Os resultados dos pacientes, especialmente para aqueles em que a quimioterapia não é eficaz ou é mal tolerada, continuam ruins", lembra um dos autores, Thomas Powles, da Universidade de Londres Queen Mary. Ele defende a expansão do tratamento imunoterápico para outros tipos de câncer.

Bloqueio

Atualmente, a descoberta dos mecanismos moleculares envolvidos na regulação imune permitiu o surgimento de estratégias que buscam superar a capacidade das células cancerígenas de driblar a vigilância protetora do paciente. Entre as ações de intervenção do câncer no sistema imunológico, os cientistas perceberam que o cancro é capaz de ligar vias inibitórias nas células de defesa. Elas são responsáveis por amortecer ou bloquear as respostas imunes em curso. Em condições normais, essa função é importante para estacionar uma hiperatividade imunitária, como em problemas auto imunes (quando a defesa do organismo ataca a si mesmo). A estratégia empregada pelo tumor não é nada benéfica para a situação do organismo. Sem a atuação do sistema auto imune a progressão do tumor é certa.

Os artigos publicados visam a uma abordagem muito específica, denominada bloqueio do ponto de controle, que obstrui a ação dessas vias inibitórias e desperta a resposta do sistema imunológico a tumores. CTLA-4 e PD-1 são dois dos principais receptores de superfície celular que, quando ligados a determinadas moléculas presentes em células tumorais, ativam as vias inibitórias e reduzem a atividade das células de defesa T. A via PD-1 expressa nesse processo pode levar diretamente à morte de células de defesa. Hoje. anticorpos que bloqueiam a CTLA-4 (ipilimumab) e a PD-1 (pembrolizumab e nivolumab) já foram aprovados para tratar pacientes muito específicos. Powles propõe em seu trabalho a utilização de um novo anticorpo que bloqueia a molécula tumoral PD-L1, responsável por ligar a via PD-1, para o UBC.

Em outro artigo, a equipe de Roy Herbst, da Escola de Medicina da Universidade de Yale, demonstra que o bloqueio do ponto de controle produz respostas duráveis em pacientes com cânceres de pulmão, pele e rim, entre outros. Herbst defende que o desenvolvimento do câncer humano é um processo de várias etapas caracterizado pelo acúmulo de alterações genéticas e epigenéticas que impulsionam ou refletem na progressão do tumor. "Essas alterações distinguem as células cancerosas de suas contrapartes normais, permitindo que os tumores sejam reconhecidos como estranhos pelo sistema. No entanto, os tumores são raramente rejeitados espontaneamente, refletindo sua capacidade de manter um microambiente imunossupressor.

Biomarcadores

Os mesmos anticorpos que atuam no bloqueio do ponto de verificação foram foco de pesquisa de outro time de cientistas. O líder do trabalho, Antoni Ribas, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, não só aplicou o tratamento imuno terapêutico como identificou marcadores biológicos que podem prever a resposta do paciente à terapia. Isso foi possível com a análise de amostras de tecido tumoral retiradas de 46 pacientes com melanoma metastático antes e durante o tratamento com pembrolizumab (anti-PD-1). "Nas amostras de tumores em série, os pacientes que responderam ao tratamento mostraram proliferação intratumoral de células imunes (T-CD8) que está correlacionada diretamente à redução radiográfica do tamanho do tumor*, explica Ribas.

A partir desses dados, ele concluiu que a regressão do tumor após a terapia de bloqueio de ponto de verificação requer células imunes do tipoT-CD8 preexistentes. Dessa forma, os tumores que atraem células T-CD8 e outras do sistema imune capazes de expressar PD-1 e PD-L1 teriam uma maior sensibilidade ao bloqueio do ponto de verificação com esses anticorpos. "Nós mostramos que células T-CD8 localizadas distintamente na margem do tumor invasivo estão associadas com a expressão do eixo imune inibitório PD-1/PD-L1 e podem prever resposta terápica de amostras."

Proteínas mutantes

Em vez de atingir diretamente o sistema imune, as estratégias publicadas separadamente, em dois outros artigos, pela equipe de Lélia Delamarre, da empresa de biotecnologia Genentech, em São Francisco, e de Robert Schrei-ber, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, têm um ponto em comum: atacar o tumor. Para estimular a ação do sistema imune, os pesquisadores alteraram geneticamente proteínas no tumor. A mutação permitiu que ele fosse reconhecido como estranho e perigoso pelas células de defesa do organismo (as células T). A proposta foi aplicada em modelos de camundongos em laboratório e responderam com um ataque de soldados do exército imunitário ao cancro.

Em seus artigos, os líderes de pesquisa afirmaram que. uma vez capazes de identificar os antígenos peptídicos (proteínas) mutantes do tumor, é possível também auxiliar na definição dos indivíduos mais propensos a se beneficiarem de terapias de bloqueio de pontos de verificação. Ainda que tragam propostas diferentes para atacar o câncer, acima de tudo, os cinco artigos confirmam o fato principal de que as respostas imunitárias a mutações específicas do tumor são importantes tanto na resposta de defesa natural contra tumores quanto na utilização de terapias imunes que gerem essa resposta.

 

Saúde



Obesidade já custa US$ 2 trilhões ao mundo, aponta consultoria
27/11/2014 - Folha de S.Paulo

A gordura virou questão econômica. Com quase um terço da população mundial sofrendo de sobrepeso ou de obesidade, o custo imposto pelos quilos extras já rivaliza com o de conflitos armados e o do fumo, indica pesquisa da consultoria McKinsey.

O desgaste que isso traz aos orçamentos de saúde deve crescer porque, a menos que as tendências atuais sejam revertidas, metade da população adulta mundial sofrerá de excesso de peso em 2015.

Em um relatório de 150 páginas publicado neste mês, a consultoria estima o custo mundial da obesidade em US$ 2 trilhões --ou 2,8% de tudo que a economia global produz.

A estimativa se baseia em perda de produtividade econômica, custos para os sistemas de saúde e investimentos necessários para mitigar o impacto da obesidade. O custo que conflitos armados, guerras e terrorismo impõem à economia mundial é de US$ 2,1 trilhões, e fica próximo do provocado pelo fumo.

Richard Dobbs, o principal autor do relatório, disse que "a obesidade é agora uma questão mundial crucial, requerendo uma estratégia abrangente de intervenção implementada em larga escala. Qualquer ação isolada provavelmente teria impacto pequeno".

Nos últimos dez anos, o problema da obesidade se espalhou das economias avançadas para países menos prósperos. Cerca de 2,1 bilhões de pessoas são obesas ou têm excesso de peso hoje --número 250% mais alto do que o de subnutridos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) descreveu a obesidade como epidemia conectada a diversas doenças não transmissíveis, entre as quais diabetes tipo 2, câncer e doenças cardíacas.

Ela atribui 2,8 milhões de mortes anuais ao peso excessivo do corpo e, alguns meses atrás, reduziu sua recomendação quanto à proporção de açúcar na dieta dos adultos de 10% das calorias diárias para uma proporção de 5%.

COMBATE

O relatório da McKinsey estudou 74 medidas que estão sendo tomadas para combater a obesidade, das quais extraiu recomendações para o Reino Unido, onde 37% da população registra excesso de peso e 25%, obesidade.

A Public Health England, parte do departamento de saúde britânico, estimou que, se a obesidade fosse reduzida ao patamar de 1993, o Serviço Nacional de Saúde economizaria 1,2 bilhão de libras ao ano, a partir de 2034.

As recomendações da McKinsey incluem porções menores de fast food; reformulação dos alimentos processados; mudanças nas promoções de comida e bebida; investimento na educação de pais; adoção de refeições saudáveis nas escolas e locais de trabalho; e inclusão de mais exercícios no calendário de atividades das escolas.

Alison Tedstone, nutricionista chefe da Public Health England, disse que "o relatório é uma contribuição útil para o debate sobre a obesidade. A PHE vem declarando constantemente que mensagens educativas simplesmente não bastam para resolver o problema da obesidade".

"O excesso de peso e a obesidade são um problema complexo que requer ação em níveis individual e social, envolvendo indústria, governos locais e nacionais e a sociedade civil. Não há uma solução única e simples", disse.



Notícias– 24/11/2014

  

 

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Saúde responde
22/11/2014 - Folha de S.Paulo

"Tenho 38 anos e removi a minha tireoide já faz alguns anos. Faz três meses que não tomo os remédios para repor os hormônios. Quais são os riscos de não tomar a medicação?"

A tireoide não é vital, ou seja, sua retirada não provoca morte imediata do paciente. Mas Antônio Carlos do Nascimento, médico da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, aponta que, como a glândula produz hormônios responsáveis por acelerar o metabolismo, o paciente vai ter, em todos os sistemas do corpo, sinais de exaustão e subfuncionamento: raciocínio lento, músculos fracos e intestino preguiçoso, por exemplo.

Ele conta que inclusive uma paciente que não tomava os remédios morreu por bradicardia --quantidade muito baixa de batimentos. Outros problemas que vão aparecendo com o tempo sem a medicação são a hipotermia (sensação de frio), fraqueza das unhas (ficam quebradiças), da pele (descama) e do cabelo, que pode cair.

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Custo global da obesidade é de US$ 2 tri, diz estudo
21/11/2014 - Valor Econômico


O custo mundial da obesidade subiu para US$ 2 trilhões anuais - quase a mesma soma que a causada pelo tabagismo ou pelo impacto conjunto de violência armada, guerra e terrorismo, segundo novo relatório divulgado ontem.

O documento, feito pela consultoria McKinsey Global Institute, calcula o impacto da doença em 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. "A obesidade não é apenas um problema de saúde", disse, num podcast, Richard Dobbs, um dos autores do relatório. "É um desafio de economia e negócios de grandes proporções."

A empresa diz que 2,1 bilhões de pessoas - cerca de 30% da população mundial - têm sobrepeso ou obesidade, e que cerca de 15% dos custos com assistência médica nas economias desenvolvidas são motivados pelo distúrbio.

Nos mercados emergentes, na medida em que os países ficam mais ricos, a taxa de obesidade sobe para o mesmo nível que a encontrada nos países mais desenvolvidos. O documento contém a desoladora previsão de que quase metade da população adulta do mundo sofrerá de sobrepeso ou de obesidade em 2030, se as atuais tendências persistirem.

Os autores do relatório argumentam que os esforços para administrar a obesidade foram fragmentários e assistemáticos até agora. A McKinsey diz que não há uma solução única nem simples para o problema, mas a discordância mundial sobre como avançar está prejudicando o progresso na questão. A análise pretende oferecer um ponto de partida sobre os elementos de uma possível estratégia.

"Encaramos nosso trabalho sobre um potencial programa para enfrentar a obesidade como o equivalente aos mapas usados pelos navegadores do século XVI", disse a McKinsey em seu relatório. "Faltavam algumas ilhas e alguns continentes apareciam deformados nesses mapas, mas, mesmo assim, eles eram úteis para os marinheiros daquele período."




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Do que morremos
22/11/2014 - Folha de S.Paulo

Pela primeira vez, a principal causa de morte de recém-nascidos no mundo não são as doenças contagiosas, como tuberculose, pneumonia e diarreia.

Segundo um novo artigo na revista científica "Lancet", em primeiro lugar estão agora as complicações relacionadas ao parto prematuro --o Brasil segue a regra global.

A mudança se deve à queda nas mortes por doenças infecciosas, especialmente nos países mais pobres, e faz parte de uma transição epidemiológica profunda pela qual o mundo e o Brasil passaram nas últimas décadas.

Doenças como gripe e rubéola deixaram de ser tão assustadoras. Os males do mundo contemporâneo são o câncer e doenças do aparelho circulatório como infarto e AVC.

O declínio das doenças infecciosas e parasitárias tem como grandes causas o acesso às vacinas e a expansão do saneamento básico --embora a cobertura ainda não atinja 36% da população mundial e 19% da brasileira.

A diminuição da mortalidade infantil, especialmente, tem grande impacto na expectativa de vida.

"Quando uma criança morre, fora a tragédia, perdemos até 80 anos na conta da expectativa de vida; quando um idoso morre, perdem-se apenas alguns", explica Alexandre Chiavegatto, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Em 1930, a expectativa de vida no Brasil ela era de 32 anos. Hoje, é de 74 anos. No mundo, a variação no mesmo período foi de 38 para 70.

NOVAS DOENÇAS

Segundo o cardiologista Roberto Kalil Filho, a grande fatia epidemiológica ocupada pelas doenças cardiovasculares atualmente decorre do desenvolvimento do país. "Doença cardiovascular é doença de país rico", diz.

Não é difícil entender: fatores como má alimentação, estresse e falta de atividade física são suas principais causas.

Hoje, no Brasil, 39,4% dos homens e 26,6% das mulheres têm pressão arterial elevada, e 16,5% e 22,1% são obesos, respectivamente. Ambos os fatores contribuem para doenças como AVC e infarto.

No caso do câncer, outra causa de morte que só cresce, um dos fatores importantes é a maior presença de idosos na população --no passado, com expectativa de vida baixa, é como se as pessoas morressem antes dos tumores aparecerem.

A oncologista Maria del Pilar Diz, coordenadora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, cita ainda que o aumento de casos se deve também a causas como obesidade, que aumenta o risco de alguns tipos de câncer, e exposição a fatores cancerígenos, por exemplo, na poluição.

Isso não quer dizer, no entanto, que a batalha contra o câncer esteja perdida.

Segundo José Eluf, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor da Fundação Oncocentro, se descontarmos justamente o envelhecimento da população, a mortalidade devida ao câncer, na verdade, está diminuindo.

Isso se deve, por exemplo, à redução dos casos de mortes por câncer gástrico. Com a redução do fumo, houve diminuição de casos de câncer de pulmão e esôfago.

Del Pilar explica que, a partir das décadas de 1980 e 1990, os fatores que causam câncer, como hábitos de vida e fatores genéticos, passaram a ser melhor estudados.

A esperança é que as curvas de incidência de câncer e de doenças circulatórias possam, um dia, parecer com a das doenças infecciosas.




Pratos para domar bactérias
24/11/2014 - Época


Aguru naturalista Brenda Wat-son aparece há anos em programas de televisão americanos dando conselhos a quem deseja perder peso. O clínico geral nova-iorquino Raphael Kellman também Se aventurou nos ensinamentos do bem-estar físico e mental. Tornou-se conhecido do grande público em 2004, após lançar um livro sobre o poder de cura da cabalados ensinamentos místicos derivados do judaísmo. Tíenhuma dessas empreitadas se compara à missão-que Brèíüda e Kellman abraçaram agora: domar bactérias. É um objetivo perseguido pela medicina há séculos, com variados graus de sucesso. Em dois livros recém -lançados nos Estados Unidos, os dois propõem usar os alimentos que comemos para adestrar os micróbios que habitam nosso sistema digestivo - com o objetivo de vencer a balança. O menu para fazer as bactérias trabalhar a favor do emagrecimento é ensinado em A dieta do intestino magro, de Brenda, ainda sem edição brasileira, e em A dieta do microbioma, de Kellman, que deverá chegar ao país em abril de 201b pelo Grupo Pensamento. Os pratos desta página são um exemplo dos cardápios diários encontrados nos livros.
Tentar controlar o conjunto de 100 trilhões de bactérias que habitam cada um de nós - chamado cientificamente de microbiota - é uma tarefa hercúlea. Estima-se que, para cada célula humana, existam dez bactérias cm nosso corpo. Elasformam uma intrincada rede de interações com o organismo, capaz de influenciar da digestão à produção de hormônios. Na última década, a ciência avançou na montagem desse quebra-cabeça e reuniu evidências de que desequilíbrios entre alguns tipos de bactérias no intestino favorecem o ganho de peso. Traduzir os novos achados numa dieta prática permanece uma incógnita. "Os cientistas resistem em dar conselhos alimentares com base em seus estudos porque não estão na prática clínica. Vejo o que realmente funciona", diz Kellman. Aos 52 anos, ele mantém um consultório "holístico" em Manhattan. "Eles não tratam pacientes com diabetes, doenças inflamatórias do intestino e obesidade." As dietas criadas por Kellman e Bren-da são similares. Baseiam-se em um mesmo princípio: aumentar a ingestão dos alimentos preferidos das bactérias que ajudam no emagrecimento - como as fibras, presentes nos vegetais - e matar de fome as bactérias ruins, que contribuem para a obesidade. Elas, assim como nós, adoram açúcar, inclusive nas formas mais complexas, encontradas nas saborosas batatas e mandiocas. O jeito é se contentar com vegetais magrinhos, como cenoura ou repolho. Aliás, muito repolho.
Uma linha de pesquisa investiga se o desejo por alimentos agradáveis a nosso paladar é determinado pelas bactérias. Elas produziriam substâncias para influenciar nosso apetite e até nosso humor. Quem nunca comeu um doce para alegrar um momento de tristeza? "É uma hipótese um pouco assustadora, mas quimicamente plausível", diz o microbiologista Luis Caetano Antunes, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Brenda diz que seu método é capaz de acabar com essa influência. "Quando você equilibra seu intestino com os alimentos certos, reduz esses desejos", escreve em seu livro. Ela testou seu método em dez pacientes, que precisavam perder entre 10 e 20 quilos. Diz que deu certo. "Seis meses depois, ninguém engordou, e alguns continuaram a perder peso." Os resultados parecem animadores para quem quer emagrecer. Para os nutricionistas, são fonte de preocupação. "Essas dietas não têm os carboidratos e as proteínas suficientes para uma alimentação equilibrada", afirma a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Os métodos são baseados na ingestão de vegetais e negligenciam os carboidratos, fontes de energia, e as carnes, ricas em proteínas. Na briga contra o açúcar, restringem demais até os vegetais e as frutas. A conseqüência é uma possível carência de vitaminas e minerais. Somadas, essas deficiências podem enfraquecer os adeptos das dietas. "Ainda que o intestino fique ótimo, algo que não está comprovado, o resto do corpo sofrerá", diz Fernanda.
Os próprios pesquisadores que desenvolvem a ciência da microbiota são céticos quanto à capacidade de as novas dietas equilibrarem as bactérias que vivem no corpo. "Não há dúvida de que a microbiota tem um papel no ganho de peso", diz o bioquímico americano Justin Sonnenburg, cujo laboratório na Universidade Stanford estuda os fatores que influenciam as bactérias. "A área é muito promissora, mas está apenas em sua infância." Sonnenburg e seus colegas ainda têm dúvidas básicas sobre como funciona a microbiota e como ela afeta nosso organismo. Primeiro, eles não sabem como cada alimento afeta cada uma das mais de 10 mil espécies que vivem no corpo humano. Manipu-lá-las com a especificidade sugerida pelas dietas é uma possibilidade remota. Em segundo lugar, os cientistas não têm certeza sobre quais bactérias causam a obesidade e quais ajudam no emagrecimento. E provável que o papel delas seja variável. Algumas que favorecem a obesidade podem ter outra função importante no corpo.
A idéia de que existem bactérias causadoras da obesidade surgiu a partir das pesquisas de uma das referência nessa área, o biólogo americano Jeffrey Gor-don, da Universidade Washington. Em 2006, ele descobriu que, em pessoas que perderam peso, houve uma mudança importante na proporção entre dois grandes grupos de bactérias. Nos ex-gordinhos, diminuíram os micro-organismos pertencentes a um grupo chamado Firmicutes e aumentaram os do grupo Bacteroidetes. A parte os nomes complicados, a conclusão era óbvia: o novo equilíbrio lembrava o encontrado em magros. As Firmicutes ganharam o apelido de bactérias da obesidade, e as Bacteroidetes levaram a pecha de amigas da balança (leia no quadro ao lado).
Algumas hipóteses tentam explicar por que as Firmicutes causam ganho de peso. Elas parecem mais capazes de extrair energia dos alimentos. "Elas a influência das Firmicutes no ganho de peso. Mas não permitem que se decrete uma guerra para exterminá-las. Entre as integrantes desse grande grupo, há gêneros de bactérias benéficos para os seres humanos. E o caso dos lactobacilos, que ajudam a proteger o intestino. Em excesso, podem ser sinal de que há alguma coisa errada com a saúde. "Pessoas com câncer normalmente têm uma microbiota dominada por lactobacilos", diz a bióloga americana Catherine Lozupone, da Universidade do Colorado. Essas incongruências sugerem que determinar as características de uma microbiota saudável é mais complexo que apontar bactérias "boas" ou "ruins". "Talvez existam vários tipos de microbiota saudável", diz Catherine.
Para desvendar esses padrões, os cientistas relacionam os hábitos alimentares, as condições de saúde e o perfil bacteriológico - leia-se bactérias encontradas nas fezes - de milhares de voluntários. E esse trabalho duro que os cientistas do American Gut Project, formado por universidades dos Estados Unidos e da Europa, se dispuseram a fazer. "O objetivo final é sermos capazes de dar orientações específicas para cada um", diz o biólogo neozelandês Rob Knight, da Universidade do Colorado, nos EUA, um dos fundadores do projeto. Eles já analisaram o material enviado por mais de 3.200 pessoas. Cada uma pagou US$ 99 para que suas fezes fossem analisadas usando tecnologia de ponta.
E o caso do escritor americano Michael Pollan, de 59 anos, especializado em alimentação saudável. Entusiasta dos produtos cultivados em casa, como o queijo fermentado em sua própria cozinha, Pollan foi um dos primeiros a se voluntariar. Os resultados mostraram que ele tinha uma boa diversidade de bactérias - sinal de uma alimentação saudável. Entre elas, chamava a atenção a presença do gênero Prevotella. "Fiquei orgulhoso porque esse grupo é raro em pessoas do Ocidente", disse Pollan a ÉPOCA. "Ele é mais comum entre populações que comem muitos grãos integrais e menos alimentos industrializados." O orgulho logo deu lugar à dúvida quando estudos mostraram que pessoas com HIV também têm maior quantidade de Prevotella. "Isso mostra que ninguém sabe a composição do intestino saudável", diz Pollan. (Ele não tem HIV.) Histórias como a de Pollan sugerem que os autores das dietas das bactérias, Brenda e Kellman, vendem uma solução maior do que a ciência é capaz de entregar, embora muitos dos pesquisadores da microbiota adotem recomendações semelhantes às de Kellman e Brenda. Sonnenburg, da Universidade Stanford, diz que ele e sua família dão preferência a uma alimentação rica em fibras e ingredientes fermentados. Catherine, da Universidade do Colorado, evita alimentos industrializados e antibióticos sem necessidade, que podem afetar a diversidade de bactérias. Nenhum deles espera manipular suas bactérias com essas medidas. Sabem que elas são saudáveis com base em antigos estudos epidemio-lógicos. Agora, dedicam-se em suas pesquisas a entender exatamente por quê. Talvez ainda seja cedo para adotarmos as dietas de bactérias. ? substâncias para decompor moléculas que não conseguiríamos decompor sozinhos", diz o médico Joel Faintuch, do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Outra possibilidade é a ação das Firmicutes, com bactérias tóxicas, danificar o revestimento do intestino. Essas microfissuras permitem uma espécie de vazamento do conteúdo do intestino para a corrente sangüínea. O sistema imune é acionado para combater as partículas invasoras e causa uma resposta inflamatória do corpo. "As moléculas produzidas na inflamação atrapalham o processamento do açúcar e da gordura", diz a nutricionista Tatiana Fiche. Ela estudou a influência da micro-biota na obesidade em seu doutorado, na Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais. Essa perturbação nos processos químicos é uma das causas conhecidas da obesidade.
Os estudos pioneiros de Gordon foram importantes ao dar pistas sobre


Mali confirma novo caso de ebola
23/11/2014 - Portal Valor Econômico

O governo do Mali anunciou hoje (23) a confirmação de um novo caso de ebola. O anúncio foi feito no mesmo dia em que a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, chegou ao país para apoiar autoridades na tentativa de conter o surto.

Por meio de um comunicado, o Ministério da Saúde do Mali explicou que existem dois casos suspeitos de ebola – deste, um foi confirmado como positivo. O paciente foi isolado para ser submetido ao tratamento intensivo contra o vírus.

A pasta destacou ainda que, em todo o país, 310 pessoas estão em observação médica.

Na quinta-feira (20), um médico do Mali morreu após ter sido infectado pelo ebola, elevando para sete o total de mortes no país africano.

O médico trabalhava na Clínica Pasteur, onde um idoso recebeu tratamento e morreu sem que os profissionais de saúde tivessem detectado a presença do vírus.

De acordo com os últimos dados da OMS, a doença já provocou mais de 15.350 casos e 5.459 mortes, a maioria em Serra Leoa, na Libéria e na Guiné Conacri.


Surto de ebola já matou 5,4 mil pessoas, segundo OMS
22/11/2014 - Portal Valor Econômico

BRASÍLIA - Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que 5.459 pessoas já morreram em decorrência do ebola. Ao todo, 15.351 pessoas foram contaminadas pelo vírus, quase todas as vítimas na África Ocidental.

A Libéria é o país com maior número de casos (7.082) e de mortes (2.963), seguida de Serra Leoa, com 6.190 casos e 1.267 mortes e da Guiné, com 2.047 doentes e 1.214 mortes.

Nigéria, Mali e Estados Unidos somam 15 mortes pelo vírus.

Nessa sexta-feira (21) a República Democrática do Congo foi declarada livre do ebola. O país teve 66 casos da doença desconectados do surto nos outros países.



Notícias– 26/11/2014

  


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Empresa farmacêutica cancela contrato com ex-premiê detido
26/11/2014 - Folha de S.Paulo

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS - A multinacional farmacêutica suíça Octapharma cancelou nesta terça-feira (25) o contrato que mantinha com o ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates, 57, informou o jornal "Diário de Notícias".

Suspeito de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, o ex-premiê, que foi detido na sexta-feira passada (21), está em prisão preventiva desde segunda-feira (24) na cidade de Évora.

Em um comunicado enviado à imprensa, a Octapharma informou que, "diante dos últimos desenvolvimentos, entende não estarem reunidas as condições para manter a colaboração com José Sócrates".

A empresa disse que as funções de Sócrates, que era presidente do conselho consultivo para a América Latina, "nunca envolveram nenhuma atividade em Portugal".

A Operação Vampiro da PF do Brasil, que investiga a venda de derivados de sangue ao Ministério da Saúde, cita um representante da empresa suíça em seus relatórios.

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Vitória contra o câncer
26/11/2014 - Correio Braziliense


Em todo o mundo, o câncer é uma das principais causas de mortalidade. São aproximadamente 14 milhões de novos casos e 8 milhões de óbitos anualmente, com tendência de alta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os diagnósticos aumentarão 70% nos próximos anos. A boa notícia é que a sobrevida para alguns tipos da doença também aumenta, com cada vez mais pacientes permanecendo vivos cinco anos após o diagnóstico. É o que mostra um estudo feito em 67 países e publicado hoje na revista The Lancei Oncology, que traz, ainda, dados positivos sobre o Brasil: o país conseguiu, nos últimos 10 anos. prolongar a vida dos pacientes e melhorar seus sistemas de notificação da doença.

Segundo o estudo, liderado por pesquisadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine. no Reino Unido, o Brasil alcançou índice de sobrevida para câncer de mama comparável ao de nações desenvolvidas: 87,4% dos pacientes vivos cinco anos após o diagnóstico. Também é notável o êxito do país nos cuidados com o câncer de próstata, que oferece a mesma sobrevida para 96.1% dos homens com a doença. Pacientes com câncer colorretal também sobrevivem mais do que no passado (veja quadro ao lado).

À primeira vista, os resultados para os cânceres de estômago, fígado, pulmão e ovário não parecem animadores, pois as taxas de sobrevida apresentaram queda no último ano. Entretanto. Gul-nan Azevedo Silva, professora da Universidade do Hstado do Rio de Janeiro (UERJ) que participou do levantamento, explica que os resultados não podem ser entendidos ao pé da letra porque, de 1995 e 2009. período em que os dados foram colhidos, houve um grande avanço no sistema de notificação de mortes pelas doenças.

As informações do período de 1995 a 1999. por exemplo, dizem respeito apenas a duas cidades: Goiânia e Campinas (SP). "Muitas pessoas acabavam morrendo sem que o sistema as registrasse, por uma série de fatores. Elas poderiam, por exemplo, falecer em outro estado e acabavam não entrando nas estatísticas", explica Silva. Em casos assim, os pacientes eram considerados vivos, elevando artificialmente as taxas de sobrevida para alguns tipos de tumor. A professora frisa, portanto. que não é possível afirmar que a mortalidade aumentou, especialmente entre os tipos mais letais de câncer, como os de fígado e de estômago. Apenas os dados ficaram mais precisos (leia Palavra de especialista).

Políticas públicas

Thiago Chulam. cirurgião oncologista e coordenador do Programa de Prevenção do Câncer do A. C. Camargo Câncer Center, avalia que o levantamento chama a atenção especialmente pelo número de pacientes considerados: 25,7 milhões de adultos diagnosticados com alguns dos tipos mais comuns de câncer no mundo—mama. pulmão, fígado. útero, estômago, ovário, próstata, cólon. reto e leucemia —, além de 75 mil crianças diagnosticadas com leucemia linfoide.

Segundo ele. é possível que o sucesso do Brasil na sobrevida para alguns tipos da doença seja resultado de políticas públicas direcionadas. "Isso permite diagnóstico nas fases mais precoces de cânceres colorretais, de útero e de mama, por exemplo, pois eles recebem uma indicação de rastreamento. Para o de estômago. por outro lado. não temos isso", diz o especialista. Ele observa que esse último tem sido cada vez mais observado em pacientes jovens. "Infelizmente, os profissionais costumam não considerar o câncer em pacientes que ainda não são idosos, e o diagnóstico acaba sendo tardio."

Hoje, no país, apenas os tipos mais comuns da doença recebem recomendação de rastreamento preventivo. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva estima que. até o fim de 2014, haverá 57 mil novos casos de câncer de mama, 14,5 mil de colorretal e 15,6 mil de colo do útero. "As políticas públicas avaliam o custo da efetividade, isto é, não adianta lançar mão da to-mografia de tórax para detectar um caso de câncer de pulmão a cada milhão de pessoas. Pode parecer uma coisa insensível verificar o custo que tudo isso gera para salvar uma vida. mas. quando se fala em políticas públicas, também se fala em dinheiro", observa Chulam.

Para Anderson Silvestrini, oncologista do Hospital Santa Luzia, em Brasília, os resultados do Concord-2, como foi chamado o estudo, têm peso e validade por terem sido baseados em uma grande quantidade de informações. "Uma tarefa que não é fácil*» avalia. A legitimidade permite que formuladores de estratégias de combate e prevenção possam utilizar os dados para alcançarem maior precisão nos tratamentos. A grande lição é sobre a prevenção. MAs nações que levam isso a sério têm bons resultados. Ê só observarmos o sucesso que tivemos com o câncer de mama, que não é tão letal, mas que é perigoso se o diagnóstico não for precoce."

Silvestrini. que também é membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, destaca que o câncer de próstata foi o que mais obteve resultados positivos, especialmente pelo incremento tecnológico. "Em 1990, não existia o PSA, um marcador desse tipo de câncer e que se tornou o principal exame para ajudar no diagnóstico. Quando não existia a detecção dessa proteína, os resultados eram tardios. Hoje, além disso, há o estímulo para que os homens realizem exames. Tudo isso faz com que a sobrevida chegue a mais de 90%". afirma.

Diferenças

Stephen Stefani, oncologista do Instituto do Câncer do Sistema de Saúde Mãe de Deus. referência em Porto Alegre, reitera que, hoje, a sub notificação no Brasil está menor. Isso permite que os médicos conheçam melhor a doença e as dificuldades de combatê-la. Entretanto, para ele, o país ainda precisa trabalhar vários aspectos importantes. MA preocupação é que, em 2030, as doenças oncológicas ultrapassem as doenças cardiovasculares. Isso vai acontecer no mundo inteiro, especialmente entre os países em desenvolvimento, como o Brasil" diz Stefani. que também é professor de pós-graduação na Universidade de Ribeirão Preto Sobrepeso I (IJRP) e Universidade Federal do Ceará (UFC)

"Se continuarmos com as mesmas políticas de saúde, não escaparemos disso. É preciso mais investimento, principalmente em detecção precoce e educação para o público, que pode evitar comportamentos que causam as doenças, como má alimentação alerta o especialista. Ele frisa que as políticas colocam os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em desvantagem. "Somente 20% das pessoas têm plano de saúde e conseguem marcar uma consulta médica de uma semana para outra. Essas pessoas recebem diagnósticos precoces. No posto de saúde, esse processo leva meses", aponta.

Essa constatação, Stefani observa, pode ser extrapolada para os níveis internacionais. Segundo ele, a quantidade de pessoas que recebem um diagnóstico precoce de câncer é duas vezes maior em países desenvolvidos em comparação às nações mais pobres. "É um problema de acesso. A diferença é que a maioria dos pacientes em países menos ricos não consegue os tratamentos dos países desenvolvidos. E essa não é uma diferença entre Europa e África ou América Latina, mas dentro da própria Europa. Países como Alemanha e França são mais eficientes do que Portugal ou Croácia", pontua.

 



Saúde




Iluminação de oito monumentos marca prevenção ao câncer de próstata
26/11/2014 - DCI

A campanha Novembro Azul, que tem como objetivo conscientizar homens com idade acima dos 50 anos sobre a importância de realizar exames preventivos do câncer de próstata, continuará até o próximo domingo (30) iluminando oito monumentos da cidade de São Paulo.

Os monumentos que participam da ação são: Viaduto do Chá, Biblioteca Mário de Andrade, Ponte das Bandeiras, Monumento às Bandeiras, Estátua do Borba Gato em Santo Amaro, Praça da Sé, Ponte Octávio Frias de Oliveira e o Teatro Municipal.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) há uma estimativa de 68,8 mil novos casos da doença por ano no país, sendo o segundo mais comum em homens, atrás somente do câncer de pele.

No Brasil, durante todo o mês, o Instituto Lado a Lado Pela Vida articula ações que favorecem no entendimento da doença, como palestras e outras atividades que projetam esclarecimento.

Fora do país, o Novembro Azul é conhecido como "Movember", junção das palavras mustache e november, respectivamente, bigode e novembro em inglês.

Origem do Movimento

O movimento começou na Austrália em 2003, em virtude do" Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata", realizado no dia 17 de novembro. O bigode ficou vinculado à marca do projeto, pois os pioneiros australianos incentivam que os homens deixem o bigode crescer durante o mês para alertar a todos da importância da prevenção e diagnóstico do câncer de próstata.

No caso do câncer de próstata, é recomendável que os exames periódicos sejam feitos a partir dos 50 anos. No entanto, homens que se encaixam em fatores de risco da doença, com casos na família, negros ou que possuem problemas de obesidade, alcoolismo e tabagismo devem fazê-los a partir dos 45 anos. Além de chamar atenção para o tratamento do câncer de próstata, o Novembro Azul também destaca os diagnósticos para o diabetes.



Bairros ricos concentram focos do mosquito da dengue em Ribeirão
26/11/2014 - Folha de S.Paulo

Sete bairros da zona sul de Ribeirão Preto, área mais rica da cidade, apresentam os maiores índices de foco de mosquito da dengue.

A situação coloca o município em estado de alerta em relação ao mosquito Aedes aegypti, de acordo com critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Conforme levantamento feito pela Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, a cada cem imóveis vistoriados na região, em 4,57 deles foram identificados criadouros com larvas do mosquito transmissor da dengue, conforme o Índice de Breteau, que mede a infestação.

O índice está acima da média da cidade, de 1,92 a cada cem imóveis visitados --o ideal é que fique abaixo de 1.

A explicação da prefeitura para esses números é que, nessa região, há casas construídas em áreas maiores e que têm quantidade significativa de vasos, com acúmulo de água, e plantas, especialmente bromélias.

Por outro lado, dez bairros localizados na zona norte de Ribeirão Preto, periferia da cidade, foram os que apresentaram os menores índices de criadouro: 0,32 a cada cem imóveis visitados.

Apesar de bairros da região, como o Jardim Paiva, terem ficado sem água neste ano por causa de problemas no abastecimento, a Prefeitura de Ribeirão informou que isso não está relacionado ao baixo número de criadouros encontrados na área.

Para o professor de biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Carlos Fernando de Andrade, é comum que em bairros nobres haja mais focos com larvas do mosquito transmissor da doença porque há maior dificuldades dos agentes de saúde em realizar as vistorias nos imóveis.

"Ou as casas estão sempre fechadas ou somente com as empregadas, que não permitem a entrada", disse.

Em outubro deste ano, Ribeirão Preto teve dez casos confirmados de dengue. O número ultrapassa o de outubro de 2012, quando houve sete registros da doença.

Nos anos de 2010, 2011 e 2013, o número de casos confirmados de dengue foi maior.

Mesmo com a estiagem histórica que atingiu o Estado de São Paulo neste ano, Ribeirão Preto registrou casos de dengue inclusive nos meses mais secos, como junho e julho --46 e 36 casos, respectivamente.

"Nesses meses [de estiagem] os casos de dengue deveriam cair. Isso significa que o homem está mantendo esses criadouros. Não é culpa da chuva, nem de São Pedro", afirmou Andrade.

PROVIDÊNCIAS

Diante deste cenário, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que será priorizado o atendimento de casos suspeitos e confirmados de dengue, além da realização de visitas de casa em casa e nebulização nos bairros.

Por meio de nota da CCS (Coordenadoria de Comunicação Social), a administração informou que o "controle da dengue atualmente é uma atividade complexa" e que é uma ação de responsabilidade coletiva.





Bancos de sangue têm pior estoque do ano
26/11/2014 - Folha de S.Paulo

Os últimos três meses registraram os mais baixos níveis de estoque do ano nos bancos de sangue da região de Ribeirão Preto, que operam no limite desde setembro.

Com isso, as unidades que gerenciam as doações estão até "importando" bolsas de sangue e também doadores para suprir o deficit.

No Hemocentro do HC (Hospital das Clínicas) da USP Ribeirão, nesta terça-feira (25), os estoques de três tipos sanguíneos estavam abaixo de 10% do previsto.

Para sangue do tipo O negativo, por exemplo, havia apenas três bolsas --o mínimo previsto é de 65 bolsas.

De acordo com a direção da unidade, o hemocentro necessita de cerca de 9.000 bolsas por mês. Mas, nos últimos meses, teve média mensal de 7.500 doadores.

O hemocentro atende 110 hospitais da região e recebe doação nessas cidades. Por isso, faz o remanejamento das bolsas de sangue entre as unidades quando necessário.

Já o Banco de Sangue de Ribeirão --que atende quatro hospitais particulares do município e de outras três cidades da região--, tem de recorrer a outros bancos para evitar danos aos pacientes.

Com uma demanda de 1.300 bolsas por mês, o banco de Ribeirão Preto precisaria de cerca de 40 doações por dia, mas registrou nos últimos três meses uma média de 26 doadores por dia.

Por isso, a unidade tem recorrido a "empréstimos" em bancos de outras cidades e também ao hemocentro.

De acordo com Luis Fernando Curti, superintendente comercial do banco de Ribeirão, a unidade também tem "importado" doadores de cidades vizinhas.

"O número de doadores em Ribeirão é muito pequeno, por isso fazemos parcerias com empresas e outros municípios. Vamos buscar as pessoas para que elas possam doar sangue", disse Curti.

Ainda de acordo com o superintendente, apenas 1,5% da população de Ribeirão Preto é doadora de sangue. O número é inferior à média do país, que tem 1,8% da população como doadora.

"Ainda falta conscientização sobre a importância de doar sangue. Esses três meses [de setembro a novembro] são os com menor doação porque não há campanha de incentivo", disse Curti.

Em São Carlos, nos últimos três meses, o número de doações caiu 22,5% e o estoque não ultrapassa o necessário para três dias.

Cesar José Creste Martins da Costa, gerente do Banco de Sangue de São Carlos, afirmou que a população ainda não apresenta uma cultura de doação.

"Em julho temos campanha e o estoque de sangue cresce. Mas, nos meses seguintes, a população não vem doar", disse Costa.

Nesta semana, os bancos iniciaram campanha de doação devido ao dia nacional do doador, nesta terça (25).



 

Notícias– 19/11/2014

  

 

Medicamentos

Pesquisa e Desenvolvimento

Saúde



Medicamentos

Anvisa já autorizou 184 pedidos de canabidiol
19/11/2014 - Folha de S.Paulo

Desde abril, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou 184 pedidos de importação de CBD, o canabidiol, derivado da maconha usado em remédios. Foram 223 solicitações ao todo.

Entre as exigências da agência, estão prescrição médica, laudo médico e termo de responsabilidade.

O uso medicinal do canabidiol foi discutido nesta terça-feira (18) em audiência pública na comissão de seguridade social e família da Câmara dos Deputados.

"Nossa grande questão é discutir a eficácia e segurança dos produtos. (...) Não há evidências na literatura de que essa substância cause dependência, ao contrário da maconha. Usando termos comuns, não deixa a pessoa doidona", afirmou o diretor-presidente substituto da Anvisa, Ivo Bucaresky.

O CBD ganhou destaque no início do ano com a autorização de importação para famílias de crianças com doenças graves, como síndromes raras epiléticas. A diretoria da agência iniciou debate para retirada do canabidiol da lista de substâncias proibidas no país, mas a discussão ainda não foi concluída --isso faria com que a agência não tivesse mais de analisar as importações caso a caso

O diretor da Anvisa ponderou, no entanto, que ainda há carência de informações sobre as doses ideais a serem tomadas em cada caso. O CDB já é lícito em países como Canadá, Nova Zelândia e Israel.


Fracionamento de remédios, uma prescrição sem efeito
19/11/2014 - O Globo


Há oito anos em vigor, mas de efeito nulo na prática, a Resolução 80 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é um exemplo de mais uma orientação legal que não “pegou” no Brasil. Publicada em 11 de maio de 2006, ela permite a venda de remédios fracionados nas farmácias e drogarias de todo o país. Além de garantir maior economia aos consumidores, que pagariam exatamente pela quantidade de medicamentos necessários, a medida tem como objetivo evitar o desperdício, o risco de intoxicação e do consumo de substâncias após o prazo de validade. Outra preocupação da resolução era evitar o descarte de forma inadequada, que leva ao risco de contaminação ambiental. No entanto, a resolução não prevê qualquer sanção em caso de descumprimento por parte de farmácias e drogarias.

Por remédio fracionado entende-se a separação e manipulação de qualquer medicamento de marca ou genérico por um farmacêutico responsável, que entregaria ao usuário a quantidade exata prescrita pelo médico. Esse trabalho deve ser realizado nas farmácias, cumprindo-se uma série de exigências previstas na resolução da Anvisa. Para que um medicamento seja fracionável é preciso constar na cartela dados como nome do medicamento, fórmula farmacêutica, registro do Ministério da Saúde e cada unidade vir acompanhada de uma bula e uma embalagem secundária que deve ser disponibilizada pela drogaria.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Rio de Janeiro, Francisco Cláudio de Souza Melo, o excesso de detalhamento da resolução da Anvisa é um dos maiores obstáculos à popularização dos fracionados.
— Na verdade, a venda de remédio fracionado só interessa ao consumidor. A indústria não fornece as embalagens necessárias ao fracionamento, que requer um manuseio especial, e não a simples retirada de unidades de uma caixa para colocação em uma menor. Na prática, as embalagens picotadas à venda restringem-se a remédios mais populares, como alguns tipos de analgésicos, com uma, duas ou quatro unidades — ressalta Melo.
Nos balcões de farmácias e drogarias, os farmacêuticos confirmam que apenas remédios de baixo custo e sem prescrição, na maioria das vezes, são encontrados já fracionados no comércio. Além disso, eles destacam a desinformação do público. A falta de informação do consumidor foi fácil de comprovar, com visita do GLOBO a algumas farmácias na semana passada.

À saída de uma drogaria, em Copacabana, a carioca Iracema Luisa, que trabalha como cuidadora de idosos, por exemplo, foi uma entre vários consumidores que disse desconhecer a resolução que permite o fracionamento. Ela relata que há sempre uma pequena sobra dos remédios que ministra ao seu paciente que, frequentemente, é obrigado a tomar anti-inflamatórios e antibióticos

VAREJO DEFENDE DESONERAÇÃO PARA CUMPRIR REGRA


Sandra Alvarenga, aposentada do Tribunal de Justiça do Rio, é uma exceção. Conhecedora da regra, lamenta que a venda fracionada não seja uma realidade:
— Essa é mais uma daquelas leis que não pegaram. Era preciso fazer uma campanha de esclarecimento para mostrar a importância do fracionamento de remédios. Em casa, também tenho sobras, mas não as descarto no lixo comum, porque sei dos sérios riscos de contaminação do meio ambiente. O que sobra entrego para asilos e orfanatos — afirma Sandra.
O jornalista aposentado Roberto Galletiti levanta ainda uma outra questão o dinheiro desperdiçado.
— A indústria diz que fornece embalagens para atender à maioria das prescrições médicas, mas não é verdade. Às vezes falta ou você é obrigado a comprar mais se o tratamento for mais longo, e, aí, sobra, o que acontece na maioria das vezes. O irônico é que no pet shop aqui perto de casa as medicações são vendidas fracionadas — comenta.
Na avaliação do diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, José Alexandre Romano, também médico de saúde pública do município, vários fatores inviabilizam esse comércio.
— Em primeiro lugar, não é do interesse da indústria, que teria que arcar com custos maiores de logística e de fabricação de mais embalagens. As farmácias também teriam que ter condições especiais para permitir o fracionamento, além de cumprirem a exigência de manter um farmacêutico responsável durante todo o expediente no estabelecimento — diz Romano.
O médico explica que o fracionamento dos medicamentos comumente estimula a automedicação e a prescrição por leigos de remédios indicados por seus médicos, que têm em estoque, a terceiros. Essas práticas que podem levar a casos graves de intoxicação.
O aposentado Jonyr Barros, que nunca tinha ouvido falar da resolução da Anvisa, é um exemplo típico do consumidor que preocupa os médicos, ao admitir a automedicação.
— Gasto uma fortuna por mês com remédios e acabo comprando mais do que o necessário. Sempre sobram alguns comprimidos, que vou deixando para lá. Guardo para uma eventualidade, se precisar tomar de novo — admite.
Procurada, a Associação Brasileira do Comércio Varejista (ABC-Farma) reconhece que a resolução da Anvisa não serviu até hoje para estimular a venda de medicamentos fracionados. O diretor executivo da entidade, Renato Tamarozzi, atribui o desinteresse à própria redação do texto, com normas complexas para a manipulação nos pontos de venda. Hoje, o Brasil tem cerca de 85 mil estabelecimentos, entre drogarias e farmácias de manipulação, a maioria concentrada na Região Sudeste.
— Seria necessária uma política de desoneração para o setor, uma vez que, hoje, do preço final, 34% correspondem a impostos. Sem uma desoneração, que permitisse a redução de custos e preço, a indústria não é estimulada a fornecer mais embalagens, em tamanho menor, necessárias para o fracionamento nas lojas — avalia.
Procuradas, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos (Alanac) e a Anvisa não responderam às solicitações de entrevistas.

Pesquisa e desenvolvimento

 

Cientistas criam teste que prevê mal de Alzheimer
19/11/2014 - Folha de S.Paulo

Um exame de sangue que pode antecipar o diagnóstico de mal de Alzheimer em até dez anos foi apresentado por cientistas americanos. Eles descobriram que portadores da doença têm alterações em um receptor de insulina no cérebro que podem ser detectadas anos antes de o alzheimer se tornar perceptível.

Segundo Ed Goetzl, do National Institute on Aging, a descoberta ainda precisa ser replicada em grandes grupos. Por enquanto,foram examinados 174 indivíduos. Ainda não se conhece cura para a doença, mas há tratamentos quem podem barrar, ao menos parcialmente, o seu agravamento.

O estudo foi apresentado no congresso da Sociedade de Neurociência dos Estados Unidos. Uma empresa da Califórnia já manifestou interesse em desenvolver, no futuro, uma versão comercial do teste.


Butantã vai fazer soro contra o Ebola
19/11/2014 - O Estado de S.Paulo


Em parceria com instituto americano, medicamento será desenvolvido com base na imunização de cavalos com vírus da raiva
O Instituto Butantã está se preparando para desenvolver um soro contra o vírus Ebola, em parceria com o Instituto Nacional da Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
Segundo o diretor do instituto paulista, Jorge Kalil, os últimos trâmites estão sendo feitos para a assinatura do contrato com o NIH e, se as autoridades brasileiras liberarem a pesquisa, o novo soro estará disponível dentro de nove meses para aplicação em humanos.
Kalil explicou que o soro é diferente de uma vacina. Na aplicação de vacinas, ocorre a chamada “indução de imunidade ativa”: o organismo é induzido a produzir os próprios anticorpos. Já na aplicação de soros o que ocorre é a “indução de imunidade passiva”. “Nesse caso, pegamos os anticorpos já produzidos por outra pessoa, ou por outro animal.”

EBOLA NO MUNDO

Em Los Angeles, nos Estados Unidos, enfermeiras protestam pela melhoria das condições de segurança de profissionais que lidm com Ebola
Itália faz simulação de providências a serem tomadas caso haja suspeita de Ebola em aeroporto
Em Mali, morreu a segunda pessoa contaminada pelo vírus no país: uma enfermeira de 25 anos
Profissionais trabalham para conter Ebola em Serra Leoa, um dos países mais afetados pela epidemia
Raiva. O novo soro deverá ser desenvolvido com base na imunização de cavalos com o vírus da raiva, em versão modificada com a proteína do Ebola. Assim que o contrato for assinado, segundo Kalil, o NIH enviará o material biológico necessário para a imunização. “Acreditamos que a chance de dar certo é muito grande, porque a proteína do Ebola que nos interessa para produzir o soro está na estrutura do vírus da raiva. Nós temos uma experiência muito grande na produção do soro contra o vírus da raiva. Muito provavelmente vamos conseguir um soro neutralizante contra o Ebola semelhante ao soro da raiva”, disse Kalil.
O tratamento que mostrou mais eficácia até agora contra o Ebola foi o coquetel Zmapp: uma mistura de três anticorpos que se prendem às proteínas do vírus do Ebola, ativando o sistema imunológico para que ele seja destruído. “Se o Zmapp funciona, imaginei que o soro tradicional feito com base na imunização de cavalos também poderia funcionar. Entrei em contato com o NIH, fui para os Estados Unidos apresentar a ideia e assinaremos os contratos de propriedade intelectual e confidencialidade. A colaboração terá início em breve”, afirma.
Uma vez que os cavalos forem imunizados, os cientistas verificarão se o organismo dos animais foi induzido a produzir, em grande quantidade, anticorpos neutralizantes. Depois de uma série de testes de toxicidade no Brasil, os americanos farão testes de inibição do soro com modelos de macacos.

 


Saúde



No país, doente com sepse morre em 56% dos casos
19/11/2014 - Folha de S.Paulo

Mais da metade (56%) dos pacientes internados com sepse (infecção generalizada) nas UTIs brasileiras acaba morrendo, revela pesquisa em 229 unidades de terapia intensiva. É o estudo mais abrangente já feito no país.

Nos EUA, a taxa de mortalidade é de 32%. Em países da Europa, como a França, de 30%. Na Austrália, de 18%.

A sepse começa com uma infecção-- uma pneumonia ou uma cistite, por exemplo--, que, não tratada adequadamente, se espalha e compromete o funcionamento de vários órgãos e pode levar à morte.

A síndrome responde hoje por 25% da ocupação de leitos em UTIs no Brasil e é a principal causa de morte nessas unidades, segundo o Ilas (Instituto Latino Americano da Sepse), que realizou a pesquisa em âmbito nacional.

A alta taxa de mortes é explicada por uma série de fatores. Começa com o desconhecimento da população, que demora em procurar um hospital quando tem uma infecção. Quando lá chega, pode encontrar equipes mal preparadas para fazer o diagnóstico precoce da síndrome.

Estudo de 2010 mostra que 44% dos médicos que atendem em hospitais do país não sabiam reconhecer a sepse.

"Quanto mais tarde for diagnosticada a sepse, maior a mortalidade", diz o médico intensivista Luciano Azevedo, do Hospital Sírio-Libanês e coordenador no país de uma campanha mundial de combate à sepse.

A dona de casa Odete Santos, 69, morreu de sepse após duas semanas de sintomas que começaram com fortes dores no joelho (tinha artrose). Levada ao pronto-socorro do plano de saúde, recebeu injeções de corticoide.

"As dores só pioraram. Ela passou a ter febre, tontura, ânsia de vômito. No hospital, receitaram Plasil. Só foi internada quando já estava praticamente em coma", lembra a filha, Odete, que tem o mesmo nome da mãe.

FALTA DE RECURSOS

O levantamento mostra que não há diferenças significativas entre os índices de morte nos hospitais públicos e privados--ao todo, foram analisados hospitais públicos e privados bons e ruins. A amostra é representativa das UTIs de adultos do país --equivale a 13% das unidades. Foram investigados 2.705 pacientes internados.

Segundo Flávia Machado, vice-presidente do Ilas e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), outro dado mostrado no estudo é que a falta de recursos nos hospitais também está associada à alta mortalidade.

Nos hospitais com mais verba, ela foi de 52%. Nos mais carentes, de 66,4%.

Segundo Flávia, com treinamento e recursos necessários, é possível reduzir as mortes. Ela cita estudo feito em nove hospitais de uma operadora de saúde que mostrou uma redução de 53% na taxa de mortalidade por sepse (de 55% para 26%) após treinamento das equipes.

POPULAÇÃO

O desconhecimento da população sobre a sepse também é mostrado em estudos. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pelo Ilas, mostra que apenas 7% dos brasileiros já ouviram falar a palavra sepse. Na Alemanha e nos EUA, o índice é de 49% e 44%, respectivamente.

"As pessoas não conhecem os sinais [da sepse] e retardam a ida ao hospital. Nos hospitais públicos, elas sabem que vão enfrentar superlotação, dificuldade de atendimento", explica Azevedo.

Os principais sinais da síndrome são febre, mal estar, fraqueza, tontura e falta de ar. "Muita gente pensa que sepse só ocorre na UTI. Mas, em 40% dos casos, os pacientes já vêm do pronto-socorro com a síndrome", diz Flávia.



Suspeita de dengue deve ser notificada em 24 h em SP
19/11/2014 - Folha de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo determinou que serviços públicos e particulares devem notificar em até 24 horas a Secretaria Municipal de Saúde sobre casos suspeitos de dengue e chikungunya --doença "prima" da dengue transmitida pelo mesmo mosquito.

Neste ano, a cidade enfrentou um surto de dengue --foram 27.721 casos confirmados, segundo a própria prefeitura.

A gestão avalia que, neste ano, os casos suspeitos ou confirmados demoraram a ser notificados à administração municipal. Isso dificultou o combate à doença, pois a prefeitura não sabia claramente o número de casos na cidade.

"Em setembro descobrimos casos que foram confirmados em julho", diz o secretário da pasta José de Filippi Junior. Ele não informou se haverá punições a quem descumprir a portaria.

Para 2015, uma das preocupações é o aumento do armazenamento de água por causa da crise hídrica. A larva do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue, se desenvolve na água limpa.

"Temos que redobrar a atenção nesses casos e pedir para que as pessoas tenham o mesmo cuidado que têm com as caixas-d'água, que devem sempre permanecer fechadas", diz Filippi.


Nova ameaça da coqueluche
19/11/2014 - O Globo

Um aumento expressivo do número de casos de coqueluche no Brasil tem alertado governos e cientistas: o crescimento foi de cerca de dez vezes em apenas quatro anos — passando de 605 casos em 2010 para 6.368 em 2013, assim como de 18 para 109 mortes neste período, segundo dados do Ministério da Saúde. E a descoberta de uma nova linhagem mais tóxica da Bordetel la pertussis, bactéria causadora da doença respiratória, é uma hipótese que já vem sendo apontada como possível causa desta curva ascendente em outros países, já que o problema não é apenas brasileiro. Agora, a partir da técnica de sequenciamento genético, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também encontraram esse tipo aqui no país.
— Vínhamos notando a reemergência da coqueluche em países com programas de vacinação estabelecidos, como Holanda, Reino Unido, EUA e Austrália. Há uma preocupação geral com o fenômeno porque a doença estava controlada desde os anos 60 — explicou Ana Carolina Vicente, coordenadora da pesquisa e chefe do Laboratório de Genética Molecular de Micro-organismos da Fiocruz, que coletou dados de surtos da doença em Alagoas, Pernambuco e no Rio Grande do Sul.
No mundo, o aumento foi de 127 mil casos em 2006 para quase 250 mil em 2012, de acordo com a Organização Mundial de Saúde ( OMS). Só em 2012, foram 47 mil casos nos EUA, 12 mil no Reino Unido e 24 mil na Austrália. Segundo a pesquisadora, estudos internacionais já verificaram que há diferenças no código genético destes microorganismos em relação aos de décadas passadas, que circulavam no período do desenvolvimento dos programas de vacinação. A principal alteração nessa linhagem é a mutação no gene que ativa a produção da toxina pertussis. — Em outras palavras, a bactéria produziria mais toxinas e, por isso, estaria mais forte — afirma Ana Carolina. — Este dado serve para podermos discutir se a vacina da qual temos disponibilidade é eficaz. A princípio parece que sim, mas provavelmente o esquema de vacinação precisa ser modificado, precisando haver reforços de doses ao longo da vida.

Atualmente, a vacina é aplicada em cinco doses: aos 2, 4 e 6 meses de vida do bebê, e depois há um reforço aos 1,5 ano e 4 anos da criança.
A pesquisadora ressalta que o monitoramento frequente dos micro- organismos circulantes através do sequenciamento genético pode prevenir surtos e prejuízos maiores à população.
— É importante sabermos o patógeno que está circulando antes de qualquer decisão ser tomada, inclusive porque a tecnologia de sequenciamento genético é hoje acessível. Os organismos evoluem muito rapidamente, o que pode tornálos imunes às vacinas — defende Ana Carolina, lembrando que o genoma da vacina brasileira em si ainda não foi publicado, o que daria mais informações sobre a evolução da doença no país.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, questiona o estudo da Fiocruz e garante que a explicação para o surto brasileiro não é o surgimento de uma cepa mais tóxica.
— Esta hipótese foi levantada em vários países, mas no nosso caso a explicação para o aumento de doentes aponta para outro lado — afirma Barbosa. — A grande maioria dos casos (87% ) está concentrada em bebês menores de 6 meses, que ainda não foram totalmente vacinados. Para aquela hipótese ser verdadeira, o aumento deveria ser entre os casos de vacinados, como ocorreu em alguns países e não no Brasil.
PROTEÇÃO DE VACINA É TEMPORÁRIA
Barbosa diz, no entanto, que a proteção da vacina da coqueluche é limitada, por isso, segundo ele, pode estar havendo um aumento no número de adultos suscetíveis, que precisariam de um reforço da dose da vacina. Geralmente, são casos assintomáticos, mas que podem ser transmitidos para indivíduos mais vulneráveis.
Há dois tipos de vacina para a coqueluche em uso. Administrada no Brasil, a vacina celular é desenvolvida a partir da própria bactéria inativada e é usada em combinação com imunizantes para o tétano e a difteria. Segundo a OMS, o imunizante é eficiente e relativamente barato, mas tem sido associado a reações adversas em adolescentes e adultos. Por isso a indicada para esse grupo é a vacina acelular, que contém apenas alguns componentes purificados da bactéria. Essa versão é mais cara e de difícil produção, mas praticamente substituiu a vacina celular em países mais desenvolvidos, como Austrália e EUA.
Anteontem, o Ministério da Saúde anunciou a compra de quatro milhões de doses da vacina acelular para serem aplicadas em 2,9 milhões de gestantes. Isso evitaria que a mães transmitissem a doença para seus filhos recém- nascidos, que estão no grupo de risco. Jarbas Barbosa estima que, com essa medida, até o final de 2015, o número de casos seja consideravelmente reduzido, já que sua eficácia é de 91%. Quando questionado sobre a qualidade melhor da vacina acelular, Barbosa diz que há controvérsias e que o fornecimento dela ainda é irregular no mundo. Ele também não considera necessário reforçar a dose da vacina para a população adulta em geral.
— Esta estratégia de controlar a coqueluche em menores de 6 meses é eficaz — afirmou.
Para Flávio Rocha, do Laboratório de Bioquímica de Proteínas e Peptídeos e colaborador da pesquisa da Fiocruz, além da questão da cepa mais resistente, a perda da imunidade após dez anos da aplicação da vacina e o aumento de portadores assintomáticos precisam de mais atenção do governo:
— A coqueluche não é mais uma enfermidade da infância, ela atinge todas as idades — afirma o pesquisador.
Rocha ainda alerta para a necessidade de capacitação de profissionais de saúde para identificar a doença. Numa pesquisa com 180 médicos de seis unidades de saúde do Rio, 42% deles tinham dificuldade de fechar o diagnóstico da coqueluche.


Ebola persiste na Libéria, mas já há sinais de volta da normalidade
19/11/2014 - O Globo

Robert Kollie e sua noiva adiaram o casamento, que aconteceria em outubro, enquanto o ebola devastava a capital da Libéria. O governo havia pedido às pessoas que evitassem grandes aglomerações e celebrações. Casamentos são cheios de beijos e abraços e apenas uma pessoa doente poderia infectar dezenas de outras.

Um mês mais tarde, mesmo com o vírus continuando a atingir partes da África Ocidental, a situação melhorou em Monróvia e um parque panorâmico nos subúrbios orientais está novamente ocupado nos fins de semana com fotógrafos registrando festas de casamento. Os Kollies estavam entre eles.
— Quando o ebola estava se espalhando e, ao mesmo tempo, meu casamento estava sendo preparado, eu me perguntava o que eu vou dizer a Deus se eu morrer nesta crise e não me casar? — disse Yongor Kollie, 31, à agência de notícias Associated Press, ao lado de suas damas de honra. — E, assim, hoje eu sou uma mulher feliz. Feliz, mas ainda cautelosa. — Mesmo antes de vir aqui, tivemos que lavar as mãos — disse o noivo de 33 anos, referindose aos baldes de plástico onipresentes com água e água sanitária que os liberianos têm aceitado como parte da vida diária.
A Libéria foi o mais atingido dos países da África Ocidental que estão lutando contra a epidemia de ebola, com mais de 2.800 mortes este ano (de um total de aproximadamente 5 mil). Mas o número de novos casos caiu vertiginosamente em Monróvia, após meses de campanhas de conscientização pública que enfatizam a necessidade de isolar os doentes e fazer o teste logo que os sintomas surgem, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Outros surtos estão surgindo em áreas da Libéria fora de Monróvia, bem como nos países vizinhos. Serra Leoa está sendo particularmente atingida agora, com dezenas de novos casos notificados semanalmente na capital, Freetown. Casos continuam a surgir também na Guiné, onde teve início a atual epidemia de ebola, a pior já registrada na História.
— É absolutamente prematuro começar a ser otimista — afirmou Birte Hald, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, na última segundafeira em Bruxelas, lembrando que o vírus “está surgindo em novas aldeias, em novos lugares”.
Em Monróvia, já há alguns sinais de normalidade que estavam ausentes durante o auge da crise. Lavar as mãos antes de entrar já não é exigido em muitas lojas. As estações de rádio não estão transmitindo jingles contra o ebola de maneira tão frequente como faziam há dois meses. E o parque, perto do Ministério da Saúde, voltou a ficar cheio de fotógrafos e recém-casados.
Jordan Jackson, 36 anos, e sua noiva Jacquelyn, 33, se casaram no domingo.
— O sentimento é que a Libéria está retornando à normalidade e as coisas estão ficando cada vez melhores — disse o noivo.


 

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